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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Contribuir para a Wikimedia Commons

Paz e bem!

Todos já devem conhecer a Wikipedia,
a enciclopédia colaborativa mundial.
Pois além dela há uma série de projetos paralelos
(Wikcionário, Wikinotícias, Wikilivros, Wikiquote etc.)
e quero destacar a Wikimedia Commons (WmC),
um repositório multimída

  • Som (voz humana, música, efeitos especiais)
  • Fotografia (imagem estática)
  • Vídeo (imagens em pleno movimento)
  • Etc.

em que todos podem colaborar.

O material lá depositado é de livre uso,
por isto a WmC aceita e usa licenças
GNU Free Documentation License, domínio público,
Creative Commons Attribution e similares.

Assim qualquer pessoa pode usar,
editar, recriar e até fazer
material para vender (camisetas, canecos etc.).

A maior parte das ilustrações
que uso no Brasil Franciscano
são provenientes da WmC.

Mas eu não só uso material da WmC,
contribuo principalmente com fotos
(ao final do artigo alguns exemplos
de meus trabalhos).

Agora eu convido os leitores do Brasil Franciscano
a também colaborarem com a WmC,
somos mais de 250 leitores
espalhados pelo Brasil inteiro
e até do fora de nosso país.
Mandem para lá fotos
das igrejas que frequentam,
da praça da cidade, de estátuas,
de prédios importantes etc.
Se tiverem dúvidas
de como categorizar
ou outras dúvidas,
mandem um comentário nesta postagem
que tentarei ajudar.

O endereço da página principal da WmC é:

http://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page

Medalha de São Bento.
Desta fiz uma camiseta pra esposa que é oblata benditina

Vitral da fachada principal da Igreja São Francisco de Assis, Porto Alegre.

Igreja São Pelegrino, uma jóia de Caxias do Sul.

Pe. Álvaro Lenhardt, de Santa Cruz do Sul,
com uma casula desenhada por Cláudio Pastro com imagem de Jesus Cristo.

Busto de João Cândido,
o Almirante Negro, em Porto Alegre

Confraria do Sax, na Reitoria da UFRGS

Komboskini, cordão de oração usado pelos cristãos orientais.

Placa de turma do Colégio Militar de Porto Alegre,
que um excomandante mandou depredar e depois foi restaurada
com a reposição do nome de Carlos Lamarca.

O antigo pin da OFS do Brasil

Colégio Militar de Porto Alegre. Desta tenho feito camisetas.

sábado, 26 de junho de 2010

Franciscanas Filhas da Divina Providência

Site das Irmãs Franciscanas Filhas da Divina Providência:

Carisma
Nós irmãs Franciscanas Filhas da Divina Providência, somos chamadas a viver o filial abandono ao Deus providente, sendo para o mundo, suas testemunhas no cuidado da vida, comprometidas com os excluídos, os necessitados em todas as esferas e com a dignidade humana. (MT 6, 25-34)

Missão
Seguir Jesus Cristo, vivendo o evangelho segundo a forma de vida franciscana expressa na Regra e Vida dos irmãos e Irmãs da Terceira Ordem regular de São Francisco de Assis a nas Constituições da Congregação.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Trânsito de São Francisco

(Cada qual procure fazer as devidas adaptações)

Narrador I: Irmãos e irmãs,

Narrador I e II: Paz e Bem!

Narrador I: Daremos início agora à Celebração do Trânsito de São Francisco.

Narrador II: Ou seja, celebração de sua morte, ou melhor, de sua passagem desta vida para junto de seu amado e querido Pai do Céu.

Narrador I: Preparemo-nos cantando:

(Canto)

Narrador II: Transportemo-nos para Assis, há quase 800 anos. Três de outubro de 1226.

(Entra frei Elias)

Narrador I: Esse é Frei Elias de Cortona, então Ministro geral da Ordem dos Frades Menores.

(apagam-se as luzes, menos as do local de onde frei Elias vai fazer seu anúncio. Pode-se tb. iluminar o local só com velas).

Frei Elias: Eu, Frei Elias, pecador, saúdo os amados Ministros provinciais e Frades do mundo inteiro.

Antes de começar a falar suspiro e gemo, pois afastou-se de nós o Consolador. O Amado de Deus e dos homens, nosso seráfico pai Francisco, acaba de partir e de ser recepcionado nas mansões da luz divina. É uma perda comum para todos. Chorai comigo irmãos, porque sofro demasiada dor e choro convosco porque somos filhos sem pai e privados da luz de nossos olhos.

Mas, ao mesmo tempo, vos anuncio uma grane alegria e a novidade de um milagre. Não muito tempo antes de morrer nosso irmão e pai apareceu crucificado, carregando em seu corpo as cinco chagas que são verdadeiramente os estigmas de Cristo. Portanto, irmãos, bendizei o Deus do Céu e rezai por ele.

Nosso Pai e Irmão, Francisco, passou para Cristo na primeira hora da noite que precedeu o domingo, dia 4 de outubro e foi assim:

(Música)

Narrador I: Nos últimos dias de sua vida, Francisco, por causa da gravidade de suas enfermidades fora levado para a Casa do Bispo em Assis. (Música enquanto Francisco entra conduzido por frades).

Narrador II: A exemplo de seu Mestre, derrubado fisicamente de todos os lados, e interiormente atormentado por inúmeras provações e tentações diabólicas, pressentiu que seu fim aqui na terra estava próximo.

Narrador I: Para provar um pouco de alívio pediu, então, que alguns frades lhe entoassem o Cântico das criaturas que ele mesmo compusera dois anos antes para louvar e engrandecer seu Senhor.

(Declamação ou canto do Cântico do Irmão Sol)

Cantores (declamadores):

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são os louvores, a glória e a honra
e toda a bênção.

Só a ti, Altíssimo, eles convêm,
e homem algum é digno
de te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente, com o senhor irmão sol,
o qual é dia, e por ele nos alumias.

E ele é belo e radiante
com grande esplendor,
de ti, Altíssimo, é sinal.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã lua e as estrelas,
que no céu formaste claras,
preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão vento,
pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno e todo o tempo,
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã água,
que é mui útil e humilde
e preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo,
pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
e robusto e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
e produz frutos diversos
e coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que por teu amor perdoam,
e sustentam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
pois, por ti, Altíssimo, serão coroados.

Narrador: Neste momento, Francisco interrompe o Cântico e de improviso introduz mais um verso com essa surpreendente saudação:

Francisco:

Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Ai daqueles que morrem em pecados mortais:
bem-aventurados os que a morte encontrar
dentro de tuas santíssimas vontades,
porque a morte segunda não lhes fará mal.

Cantores (declamadores):

Louvai e bendizei a meu Senhor
e rendei-Lhe graças e servi-O com
grande humildade.

Narrador I: Terminado o canto, Francisco pede que o levem para a Porciúncula, pois queria entregar sua alma a Deus naquele igrejinha onde outrora ouvira Cristo enviar os Apóstolos pelo mundo para anunciar sua Boa Nova; lá onde tomara a decisão de seguir Jesus Cristo pobre e crucificado, exclamando: “É isto o que eu quero, é isto o que eu desejo, é isto que eu vou fazer com todas as minhas forças”. Terminado o pedido acrescentou:

Francisco: Irmãos meus, caríssimos! O altíssimo, onipotente, santíssimo e sumo Deus; Aquele que é todo o bem, o sumo bem, o bem inteiro, o único bem concedeu a mim a graça de seguir e imitar seu Filho Jesus Cristo, pobre e crucificado. Durante toda a minha vida fiz de sua vida a minha vida, de seu Evangelho a minha Boa Nova, de sua Paixão a minha paixão. Por sua graça, também, fiz a minha parte! Que o mesmo Senhor vos ensine a fazer a vossa.

Narrador: Acompanhado pelos frades e grande multidão de povo Francisco foi sendo conduzido para a Porciúncula.

(A procissão dirige-se à porta central da igreja. Durante a Procissão pode-se cantar).

Canto:

(Chegados no meio da igreja ou na porta central)

Narrador I: Quando estavam a meio caminho, no hospital dos crucíferos, onde cuidara dos leprosos e donde se pode visualizar todas as casas de Assis, pediu que o colocassem por terra.

Narrador II: Voltado para a cidade e dizendo-lhe adeus abençoou sua terra natal e todos as pessoas do mundo inteiro:

Francisco: Em nome do Senhor, do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A todos os cristãos, religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos que habitam no mundo inteiro, Frei Francisco, seu servo e súdito, reverente saúda a todos com a verdadeira paz do Céu e a sincera caridade no Senhor. Como não posso visitar pessoalmente a cada um, por causa da enfermidade e debilidade do meu corpo, propus-me, dirigir-vos as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o verbo do Pai, e as palavras do Espírito Santo, que são espírito e vida.

As autoridades, os governadores e os que estão constituídos em autoridade, exerçam suas funções com misericórdia, como gostariam de ser julgados por Deus com misericórdia...

Os religiosos em particular, que renunciaram ao mundo, são obrigados a fazer mais e melhores coisas que os simples cristãos: renunciar aos bens deste mundo e odiar os vícios e pecados da alma e do corpo.

Irmãos, não sejamos sábios e prudentes segundo a carne, mas simples, humildes e puros e nunca desejar estar acima dos outros, mas antes sermos submissos e obedecer a todos os homens e até mesmo a todas as criaturas.

Lembrai-vos todos que vosso dinheiro, vossos títulos, vossa ciência, tudo que acreditais possuir neste mundo vos será tirado. Eu, Frei Francisco, vosso servo menor, rogo e vos suplico na caridade, que é Deus, e com a vontade de beijar vossos pés que, com humildade e caridade recebais, opereis e observeis estas e as outras palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo. E todos aqueles e aquelas que as receberem benignamente, entenderem e nelas perseverarem até o fim, abençoe-os o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém.

Narrador I: Terminada a bênção continuaram a procissão;

(Durante a procissão, canto até retornarem ao presbitério em cujo centro foi colocada a réplica da Porciúncula:)

Canto:

Narrador II: Tendo descansado alguns dias no lugar que tanto amava e sabendo que sua hora estava chegando levantou as mãos para o céu, louvou a Cristo porque, livre de tudo, já estava indo ao seu encontro.

Narrador I: Querendo imitar seu Mestre até o fim, mandou que lhe trouxessem um pão. Tendo-o abençoado partiu-o e deu um pedacinho para cada um dos irmãos.

(Francisco estende as mãos sobre o pão e os pãezinhos dos cestos. Traça sobre eles o sinal da Cruz. Reparte a pão grande com os frades. Logo em seguida alguns frades repartem os demais pães com o povo. Essa partilha poderia, também processar-se dessa forma: não entregar um pão para cada pessoa, mas um para duas ou três para que elas também o repartam entre si. Durante esta cena pode-se cantar).

Narrador II: Recordava assim, aquela sacratíssima Ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos em sinal de seu eterno amor para com eles e para com todos os homens.

Narrador I: Naqueles dias, Francisco recebeu, também, a visita de um médico de Arezzo, conhecido e familiar seu chamado Bom João.

Narrador II: O Bem-aventurado Francisco interrogou-o:

Francisco: Que te parece irmão João? O que me dizes acerca dessa minha doença? Dize-me a verdade porque pela graça de Deus não sou covarde para temer a morte. Com a ajuda do Senhor e por sua misericórdia estou tão ligado a Ele que estou contente tanto com a morte como com a vida.

Médico: Pai, segundo nossa ciência, tua doença é incurável e pelos fins de setembro ou em poucos dias haverás de morrer.

Narrador I: O Bem-aventurado Francisco que estava deitado na cama, doente, abrindo os braços e as mãos para o Senhor exclamou:

Francisco: (com gratidão e alegria) Bem-vinda minha Irmã morte!

Narrador I: A seguir, ele mesmo o quanto pode entoou o Salmo 141:

Francisco:

- Em alta voz eu clamo ao Senhor + em alta voz eu suplico ao Senhor.

- Diante dele derramo a minha queixa + diante dele exponho minha angústia.

- Clamo a Ti, Senhor, dizendo: “Tu és meu refúgio + a minha parte na terra dos vivos”.

- Ensina-me a fazer tua vontade, pois tu és meu Deus + Teu bom espírito me guie por terra bem plana.
- Pela honra de teu nome, Senhor, tu me farás viver + por tua justiça me farás sair da angústia.

Narrador I: E voltando-se para os frades:

Francisco: Meus irmãos, quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me viste despido anteontem, assim me colocai no chão. Pois nu quero morrer também eu em memória daquele que nu por todos nós morreu na cruz.

Narrador II: Em seguida, um dos frades presentes, pelo qual o santo tinha a maior amizade e que era muito solícito por todos os Irmãos, vendo isso e sabendo que a morte do Santo estava próxima aproximou-se:

Frade: Ó Pai bondoso, teus filhos vão ficar sem Pai, vão ficar sem a verdadeira luz de seus olhos. Lembra-te dos órfãos que estás deixando, perdoa toda as nossas culpas e alegra-nos com tua santa bênção.

Narrador I: E Francisco, reunindo suas últimas forças disse:

Francisco: Filho, estou sendo chamado por Deus. A meus irmãos presentes como ausentes, atuais e futuros, perdôo todas as ofensas e culpas, e os absolvo quanto posso. A todos transmite essa bênção: Que o senhor vos abençoe e vos proteja! Vos mostre a sua face e se compadeça de vós! Volva para vós o seu olhar e vos dê a Paz! Que o Senhor vos abençoe!

Adeus, meus filhos, vivei sempre no temor do Senhor, porque as maiores provações vos ameaçam e a tribulação está às portas. Felizes os que perseverarem no que prometeram. Bem-vinda seja, minha irmã morte!

Narrador I e II: E assim, tendo percorrido em poucos anos todos os passos e todos os mistérios de seu amado Mestre aqui na terra, voou feliz para o seu Deus e seu Tudo, nosso Deus e nosso Tudo.

(Silêncio e música apropriada. Os frades e demais encenadores se ajoelham ao redor de Francisco).

Conclusão

(Entra o Presidente. Pede que se tragam e se exponham a Cruz de São Damião e o Evangelho, os dois sinais sagrados cujo mistério marcou e iluminou o início, o meio e o fim de toda a vida de Francisco e de todos os franciscanos de todos os tempos. Faz uma breve pregação acerca desse Carisma. Convida todos a manifestarem, num ato de reverência (beijo ou toque), o compromisso de, como irmãos e discípulos de Francisco, viver seu carisma, sua espiritualidade. Durante esse ato: canto. Conclui com o Pai Nosso – Oração e Bênção de São Francisco).

______

Texto: Frei Dorvalino Fassini, OFM

Ilustração: Death of St. Francis in Life of Francis of Assisi depicted in the series of chapels of the Sacro Monte di Orta in the comune of Orta San Giulio, Piedmont, Northern Italy / Mattana. 2009. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sacro_Monte_di_Orta_040.JPG acesso em 17 jun. 2010.

Publicado em http://ofsporciuncula.blogspot.com/2010/06/transito-de-sao-francisco.html acesso em 17 jun. 2010.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Água

Durante os anos 2005 e 2007, o franciscano Dom Luis Cappio protestou, no Brasil, com uma greve da fome, contra o grande projeto do desvio fluvial do Rio São Francisco, projeto muito questionado por ambientalistas e peritos. O lucro dos dois canais, planejados com 720 quilômetros de comprimento, seria destinado às grandes empresas de construção civil, às empresas de irrigação, às fundições de aço, às empresas de criação de camarão e à agro-indústria orientada para a exportação; para os pequenos agricultores, os indígenas e para o meio-ambiente ao longo do rio, seria uma catástrofe, segundo dizem os críticos. O projeto já se encontra em construção. Venceram os interesses dos grandes - contra o direito de vida dos pequenos.

Mal o projeto saiu de foco, sucede-lhe outra obra faraônica: a barragem de Belo Monte, no Pará. A barragem planejada teria um comprimento de 500 quilômetros através de terrenos reservados aos índios. Milhares de pessoas perderiam as suas terras, e ainda mais animais morreriam. Mesmo assim, o governo brasileiro leva adiante a construção de tão repudiada barragem. O bispo do Xingu (PA), oriundo da Áustria e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Dom Erwin Kräutler, é um dos mais fortes críticos do projeto. Além da Igreja e de instituições nacionais, também há movimentos internacionais que estão contra a construção de Belo Monte. “A Amazônia constitui uma grande responsabilidade para o Brasil, mas também tem as suas repercussões além das fronteiras brasileiras. Por isso, as manifestações de solidariedade da comunidade internacional são importantes”, disse Dom Erwin.

Os índios preparam-se para a guerra contra o projeto. Assim parece tornar-se verdade o que os peritos já previam há bastante tempo: que a causa das futuras guerras já não será o petróleo, mas sim, a água. Pelo menos, a nível local. A água é um dos mais importantes elementos da vida no seu todo. E a água é, ao mesmo tempo, uma base não menos importante para as grandes empresas. As mesmas tencionam assegurar o patrimônio da natureza através da privatização das reservas da água, tirando assim o lucro – através de água para mineração em regiões com grandes reservas do lençol freático, através da exploração indiscriminada dos rios deste mundo; através da exploração dos sistemas de água estaduais e municipais. A água é, assim, parte dos custos de vida, que os ricos podem pagar, mas que conduzem os pobres cada vez mais à miséria.

A situação é a seguinte: As reservas de água doce do mundo já não são suficientes. Já agora há aproximadamente quatro mil milhões de pessoas que têm dificuldades em abastecer-se com água potável. Isto tem a ver com uma distribuição injusta. Enquanto que, no Norte rico, há água em abundância e é desperdiçada, os anos de seca aumentam em muitas regiões do mundo. Dois terços da superfície de terra da África são regiões secas e ecologicamente em risco ou desertos. Aumenta cada vez mais a área dos solos em risco, devido ao aproveitamento abusivo do solo, à adubação química, ao desmatamento e irrigação defici-ente. Assim, torna-se cada vez mais difícil o abastecimento com alimentos básicos. O pro-blema do abastecimento e da distribui-ção de água em regiões com falta de água, como p.ex. no Oriente Médio, transformou-se, já num problema politicamente explosivo. Os estados podem, roubar a água uns dos outros, pondo em sério risco a paz já tão frágil. O problema do abastecimento de água potável tornar-se-á um dos maiores desafios do século 21.

Haverá solução? Só se mudarmos radicalmente de opinião. A água é uma dádiva de Deus e não deve ser privatizada para fins de lucro. Isto deveria ser determinado para todo o mundo. A Criação é tão generosamente organizada – que se só compartilhássemos em vez de poluir, todos poderiam ter fartura. “Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Água, que é mui útil e humilde e preciosa e casta.”(Cântico do Irmão Sol) Todo o Cântico do Irmão Sol está cheio da compreensão grata de que tudo isso não é natural. S. Francisco, já no leito da morte, conservou o olhar admirado da criança. Sua vida continua falando ao mundo que a Criação de Deus for um banquete de vida em abundância se a conservarmos e cuidarmos, em lugar de a explorar e destruir. Talvez sejam necessários períodos de seca e de desertificação para percebermos isso. Talvez sejam necessárias a sede e a fome para apreciarmos de novo o elemento vital que é a água. A utilização cuidadosa da mesma já não é suficiente. Para que a água continue sendo acessível e suficiente para todos, devemos interferir decidida e audaciosamente nos processos políticos e econômicos,como o fazem Dom Luis Cappio e Dom Erwin Kräutler, pondo em risco as suas próprias vidas.


Andréas Müller OFM
Extraído de Boletim CCMFC. Jun. 2010. Disponível em http://www.ccfmc.net/wPortugues/cbcmf/cbcmf-news/2010/2010_06_News.shtml acesso em 17 jun.2010.
Ilustração: A w:drop of water on a leaf / tanakawho. 2006. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Water_drop_on_a_leaf.jpg acesso em 17 jun. 2010.

José Saramago, 1922-2010

Paz e bem!

Nossa amada língua portuguesa ficou mais pobre


Ministro Geral Confirma o Custode de Terra Santa

Com uma carta deste Sábado, 22 de maio de 2010,o Revmº Frei Francesco Bravi OFM Visitador Geral comunica que o Revmº Padre José Rodriguez Carballo OFM, Ministro Geral da Ordem Franciscana, com Decreto (Prot. Nº 100967) nomeou Frei Pierbattista Pizzaballa OFM Custódio da Terra Santa para os próximos 3 anos ou seja ele continuará  o ministerio como Provincial dos Frades Menores do oriente medio.
Invoquemos o Espírito do Senhor, a fim de que assista o Custódio no desempenho de seu ministério a serviço dos irmãos.
Padre Pierbattista Pizzaballa é o 162° Custódio da Terra Santa. É Custódio desde 2 de junho de 2004 (nomeado em 15 de maio).
O Custódio da Terra Santa é nomeado pelo Ministro Geral dos Frades Menores, com aprovação da Santa Sé, de acordo com os Estatutos Pontifícios que regem a Custódia da Terra Santa, entidade da Ordem dos Frades Menores.
Frei Pierbattista Pizzaballa é nascido em Cologno al Serio, na diocese e província de Bergamo (Itália), em 21 de abril de 1965.Ingressou na Ordem dos Frades Menores em LaVerna (Arezzo); fez os primeiros votos em 7 de setembro de 1985 e a profissão solene em 14 de outubro de 1989. Foi ordenado presbítero em 15 de setembro de 1990.
Pela Província de Cristo Rei, Bologna, conseguiu o bacharelado em Teologia, em 19 de junho de 1990, pela Pontifícia Universidade Antonianum de Roma (orientado pelo prof. M. Adinolfi). Em 1990, foi enviado à Custódia da Terra Santa para a especialização no Studium Biblicum Franciscanum, onde obteve a licença em teologia bíblica, em 21 de junho de 1993 (orientado pelo prof. A. Niccacci).
Estudou hebraico moderno (1993-1994) e Sagrada Liturgia na Universidade Hebraica de Jerusalém (1995-199), iniciando, em 1998, a exercitar a docência, como professor assistente de Hebraico bíblico e Judaísmo no Studium Biblicum Franciscanum e no Studium Theologicum Jerosolimitanum.
Está a serviço da Custódia da Terra Santa desde 2 de julho de 1999.
De 2001 a 2004 foi superior do Convento dos Santos Simeão e Ana, em Jerusalém, pároco da comunidade católica hebraica de Jerusalém e assistente geral dos Bispos Auxiliares do Patriarca Latino de Jerusalém, Mons. Jean-Baptiste Gourion (1934-2005). De 2005 a 2008 desempenhou o ofício de Vigário Geral para as mesmas comunidades de expressão hebraica, em Israel. Em 28 de março de 2008, recebeu a nomeação do Papa para ser Consultor da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, do Pontifício Conselho para a promoção da Unidade dos Cristãos. É membro da pontifícia comissão para o diálogo religioso com o Judaísmo.
Rezemos pelo bom exito deste ministerio para a continuidade da Missao dos frades menores em terra santa iluminados pelo Espirito de Deus a fim que o padre provincial continue sendo luz e guia na vida dos frades e dos povo da terra do Senhor.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Duas pequenas pequenas novidades

Paz e bem!

Anuncio duas pequenas novidades:

1 Troquei a imagem que ilustra o título do blog,
agora da parte externa
da Igreja da Pampulha.

2 A listagem de links
não está mais na coluna lateral,
foi criada uma página apenas para links


e justamente denoninada Links.
Para acessá-la é só ir os inicio da página
e lgo abaixo do título
há uma linha em que está escrito:
Início Links
Iníco 'e justamente esta página inical.

Alguns podem já ter percebido
há tempos que havia esta página,
mas agora completei a listagem para ela
e limpei da coluna lateral.

Frat. Santa Isabel da Hungria (OFS), Caxias, MA

Blog da Frat. Santa Isabel da Hungria - Caxias Maranhão

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Leigos franciscanos : fraternidades em estado de missão

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM*

Chamados a colaborar na construção da Igreja, como sacramento da salvação de todos os homens, e constituídos pelo Batismo e pela Profissão, testemunhas e instrumentos de sua missão, os franciscanos seculares anunciam Cristo pela vida e pela palavra ( cf. Regra 6). Seu apostolado preferencial é o testemunho pessoal no ambiente em que vivem e o serviço para a edificação do Reino de Deus nas realidades terrestres (Constituições Gerais da OFS, art. 17, 1).

1. Vivemos no coração da Igreja. Nós, franciscanos, não formamos um grupo “à parte”. Temos plena consciência de que nascemos no seio da Igreja, de que Francisco nos queria ver servos e súditos desta mesma Igreja. Pensamos na Igreja com seus representantes oficiais colocados aí pelo Espírito e pensamos nessa imensa Igreja, Corpo Místico de Cristo, essa Igreja povo de Deus que caminha através dos tempos tentando edificar o Reino de Deus, essa Igreja que é sacramento, sinal de um mundo novo que é maior do que ela. Alimentamo-nos da vida de Deus no seio da Igreja, somos fiéis ao que para nos determina o sucessor de Pedro e queremos encontrar caminhos novos.

2. Conhecemos as transformações que vive o mundo em nossos tempos e sabemos que também a Igreja busca caminhos novos. Temos em elevado apreço o Documento de Aparecida que nos convida a sermos discípulos missionários. Somos, no entanto, convidados a olhar a realidade. Ficamos perplexos com o esvaziamento de muitas de nossas paróquias e, ao mesmo tempo, com as massas que acorrem para certas manifestações religiosas empreendidas por pessoas com carisma. Temos a impressão que as famílias e os jovens escaparam de nós. Há uma séria diminuição de pessoas que pedem os sacramentos do batismo e do matrimônio. Causa-nos admiração um evento como a passeata dos homossexuais em São Paulo reunindo mais de três milhões de pessoas. Não conseguimos acompanhar as famílias e nossa pastoral dos jovens está estacionada. Não se trata de querer ser pessimista, mas de olhar o que se passa.

3. Nossos grupos de franciscanos seculares vão fazendo sua caminhada. Há viçosas fraternidades novas, mais simples, com pessoas mais vocacionadas, grupos talvez menos devocionalistas. Lutamos pela conscientização do tema da identidade franciscana secular e aquele do senso de pertença. Somos obrigados, no entanto, a reconhecer um generalizado envelhecimento de não poucas fraternidades. Não desanimamos porque a obra não depende de nós. É do Senhor. Sempre confiantes no amanhã, porque está nas mãos de Deus e porque estamos unidos a Pedro e sua barca, temos, no entanto, o dever de nos interrogar a respeito de nossa vida e de nossa presença na Igreja.

4. Antes de mais nada temos o tesouro de nossas fraternidades e irmãos que se dispõem a servir, a lavar os pés uns dos outros e oferecerem seus préstimos ao evangelho. Na realidade constituímos um movimento de retorno ao Evangelho, quanto possível em sua pureza mais profunda. Vivemos num mundo plural. Nossas fraternidades serão lugares de exame dos grandes temas da fé e do mundo. O que é crer? Esperar o quê? O que significa escutar o Senhor hoje? Qual a missão do sacerdote? Como receber os sacramentos em plena veracidade? Nossas fraternidades precisam organizar dias de estudo, de aprofundados retiros. Somos convidados a pensar, discernir, não repetir por repetir. Não somos partidários de uma religião à la carte. Na Igreja somos pessoas de reflexão e buscar colocar vida em nosso interior. Não queremos viver derramados nas coisas.

5. Num mundo individualista, a Ordem Franciscana Secular viverá intensamente a fraternidade. Não apenas uma fraternidade interna, mas aberta ao plural, aos que chegam em nossos territórios, em nossa vizinhança, aos que conhecem percalços na vida no casamento, na falta de sentido de viver. Os que nos vêem deveriam poder dizer: “Vede como eles se amam!”

6. Precisamos de leigos maduros. Insistimos no adjetivo maduro. A maturidade cristã e franciscana serão perseguidas com garra: leigos que sejam leigos, leigos que gostem de estudar e de aprofundar sua fé, leigos que respondam para si e para os outros as questões existências: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? O que é viver com discípulo hoje?

7. Num mundo de mediocridade, num tempo em que se satisfaz apenas com as performances financeiras, sucesso exteriores os franciscanos seculares tendem à santidade. Isto se manifesta no cotidiano de vidas despojadas, alegres, cheias de esperança.

8. Não podemos esperar que as pessoas cheguem a nós. Há pistas que precisam ser descobertas entre nossas fraternidades e as pessoas lá onde vivem. Não seria esse o sentido de uma opção pela missão e pela evangelização? Leigos desejosos de seguir Francisco que se aproximam de nossas fraternidades sempre perguntarão: “O que vocês fazem pelos outros?”. Não querem apenas ser recebidos num ninho quente.

9. O centro de tudo é Cristo, vivo, ressuscitado, presente entre nós. Vivemos nele, nele existimos. Sem pieguice vivemos uma vida cristã. Não podemos nos dar por satisfeitos com uma pastoral sem alma, burocrática, feita de eventos mais ou menos grandiloqüentes. Não colaboraremos com um pastoral meramente sacramenalista. Temos vontade, por vezes, de retomar o espírito de evangelização anterior à conversão de Constantino ao cristianismo. Gostaríamos de poder ajudar a construir uma Igreja na lentidão da conversão. Queremos dar a nossa colaboração para que os sacramentos sejam efetivamente epifania do divino. De modo especial batismo, eucaristia e matrimônio precisam ser recebidos como eventos transformadores de existências e não meros ritos de passagem. Não queremos nos centrar na pastoral dos sacramentos, mas sabemos que eles são expressão de uma conversão. Desejamos fazer com as pessoas redescubram de verdade a proximidade de Cristo nesses sacramentos que serão recebidos com plena consciência. Eles deixaram de ser evangélicos e se tornaram ritos sem vida.

10. Salvador Valadez Fuentes, autor mexicano, em seu Espiritualidade Pastoral – Como superar uma pastoral “sem alma” ( Paulinas, 2008) num texto corajoso e provocador mostrando Paulo, como modelo de agente de pastoral, fala daquilo que os cristãos e agentes de pastoral podem fazer: recuperar a radicalidade e a surpresa de ser cristãos e apóstolos; cultivar um substrato de valores humanos onde se encarna a graça: coerência, sinceridade, lealdade, convicção, liberdade, desinteresse; respeitar e alentar os ritmos nos processos de fé e de conversão pessoal e comunitária; valorizar a cruz como elemento fecundo e de autenticidade à nossa missão; saber viver no conflito; promover a solidariedade eclesial em todos os níveis; centrar nossa vida cristã e ministério pastoral na fé, na esperança e na caridade, traduzidas em atitudes concretas; ter uma visão eclesial enraizada na Trindade como fundamento último de todo ministério pastoral; urgir o aspecto missionário da fé; entender e assumir a vida cristã como um combate; encarnar, à maneira de Paulo, as atitudes fundamentais de um agente: força, valentia, liberdade, alegria, recuperar a consciência de ser enviados; não alimentar cobiças nem pretensão de glória; exercer a autoridade como serviço amável; amar com um amor real até à morte, oferecer cuidados de bom pastor às comunidades” ( p. 50). Este texto nos fala de uma vida de missão e de pastoral cheia de mística, de fogo interior.

11. Estamos todos convencidos da importância da família em nossa vida pessoal. Como franciscanos seculares compreendemos bem a problemática desta pequena célula do mundo. Não podemos nos sentir alheios ao tema. O amanhã da humanidade, no dizer de João Paulo II, passa pela família. A Regra afirma: “Em sua família vivam o espírito franciscano de paz, de fidelidade e de respeito à vida, esforçando-se por fazer dela sinal de um mundo já renovado em Cristo. Os esposos, em particular, vivendo as graças do matrimônio, testemunhem no mundo o amor de Cristo por sua Igreja. Mediante uma educação cristã dos filhos, atentos à vocação de cada um, caminhem alegremente com eles em seu itinerário humano e espiritual” (n.17). Evangelizar nossa família, a família dos filhos, as famílias de fora. Na medida do possível seremos evangelizadores de nossa família e das famílias dos irmãos da fraternidade: uma comunidade de vida e de amor, indo do individualismo ao personalismo, lugar de encontro e de estruturação da pessoa, lugar de alimentação e de crescimento, espaço de acolhimento e de encontros, Igreja doméstica sem pieguice.

12. Não podemos imaginar o amanhã da Igreja e da Ordem sem liderança capacitadas, homens e mulheres, capazes de ler os sinais dos tempos, pessoas que reflitam e que coloquem por escrito aquilo que é o fruto de suas preocupações com o homem e o mundo. A Ordem Franciscana Secular terá preocupação de ter irmãos que façam cursos que valham a pena e se coloquem no meio do fogo.

13. Somos fraternidades em estado de missão. A fraternidade é o coração de nosso carisma. A primeira indicação dada pelo Senhor a respeito da credibilidade dos seus discipulos foi o famoso “vede como eles se amam”. O primeiro testemunho é dado por uma vida autenticamente fraterna, tanto na primeira como na terceira ordem. Deus nos ama, nos congrega e nos envia. Um autor italiano, Domenico Paoletti, OFM Conv., escrevendo a respeito da missão franciscana hoje no ocidente escreve: “A fé cristã encarnada no testemunho da fraternidade franciscana vivida com alegria e gosto é sinal luminoso de que evangeliza por irradiação e vive a missão mais como revelação do amor de Deus do que como um serviço funcional dirigido para particulares necessidades. Assim, a missão franciscana é antes de tudo tornar presente e lembrar que a comunhão fraterna, enquanto tal, já é missão pelo fato de contribuir diretamente para a obra da nova evangelização” (Miscellanea Francescana, t. 109, p.424). Mas atenção: uma fraternidade bem constituída, sinal do reino, levará também seus membros a ir dois a dois pelo mundo. Embora, a fraternidade seja, no dizer de alguém, “narração humana do amor divino”, será preciso ir, sempre ir.

14. Referindo-se mais aos frades, o autor do precedente estudo, continua: “A fraternidade, coração do carisma e da missão franciscana, hoje goza de particular atenção numa sociedade da técnica e dos relacionamentos friamente virtuais. A missão para Francisco, na escola do evangelho, é sempre o andar “dois a dois”. Nunca envia um frade sozinho pelo mundo. Os dois vão juntos reconciliados e levando reconciliação. A missionariedade é conseqüência da fraternidade “exodal” (de êxodo) e itinerante, características da fraternidade franciscana, que se põe em contraste com a tradicional “stabilitas”. Para os frades menores o mundo é seu claustro e cada homem seu irmão” Ela foi querida por seu fundador como “fraternidade extática” (em estado de êxtase) e não estática ou estética, como por vezes parece ser reduzida segundo cânones impostos pela cultura contemporânea da imagem: um frade com sandálias num claustro e cercado de gerânios. O centro da fraternidade franciscana está fora dela: em Deus e além dos limites de nosso mundo local e auto-referencial (...) A missão é, na realidade fecunda, somente quando brota de uma vida fraterna de profunda espessura evangélica que dá ao mundo o testemunho do amor do Deus Trindade. A presença-provocação da fraternidade franciscana hoje é uma verdadeira missão abrangente ao se apresentar como uma teologia narrativa do modo de amar de Deus. Trata-se de um “eloqüente” falar de Deus” (p. 425).

15. P. G. Cabra, citado pelo autor que mencionamos antes, escreve linhas contundentes sobre a fraternidade e sua ligação com o mistério da Trindade: “A um Deus comunhão corresponde uma igreja comunhão e tal exige a criação de comunidades fraternas, tanto as religiosas quanto as familiares, onde a realidade comunional se manifesta de forma legível. Uma Igreja sem fraternidades realizadas pode fazer a suspeita da pouca importância da Trindade. Que adianta confessar um Deus comunhão, quando na terra cada um pensa nos seus sucessos, quando a dimensão fraterna é sobrepujada pela dimensão individualista, quando a fraternidade é vista como um ideal abstrato, quando a eficiência imediata torna-se a preocupação principal, colocando na sombra todas as intenções que partam da fraternidade” (. P. 425).

16. Que dizer ainda? O amanhã de nossas fraternidades depende do hoje de nossos empenhos. A casa construída na medida em que o Senhor age. Não somos donos de tudo. Mas sabemos que tudo, dependendo de Deus, depende também de nós. Trata-se voltar ao primeiro amor e sentir no fundo da alma uma vontade efetiva de ir, de conversar, confabular com o mundo que nos escapa : jovens, famílias, credos. Não podemos administrar apenas o caos, o mundo daqueles que hoje estão cansados. Fraternidades missionárias, mas fraternidades que trabalhem na pastoral com discernimento e com espírito crítico. Não se trata de uma mera sacramentalizaçao, mas de mostrar às pessoas um mundo do beleza que conseguimos vislumbrar com Francisco e seu gênero de vida.

* Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
Assistente Nacional da OFS pela OFM e Assistente Regional do Sudeste III
Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/almir/artigos/ofs/19.php acesso em 16 jun. 2010.
Ilustração: Map of antipodes of the Earth, in Lambert Azimuthal Equal-Area projection. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Antipodes_LAEA.png acesso em 16 jun. 2010.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os 10 grandes desafios da fé e da Igreja do nosso tempo

Há muitos anos, o superior dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, em Roma, pediu que o padre Ronald Rolheiser compilasse uma lista das principais questões espirituais que estavam borbulhando no mundo católico, com base em sua experiência como escritor e palestrante.

A pedido do National Catholic Reporter, 25-05-2010, Rolheiser recentemente reavaliou a lista, atualizando-a à luz do que viu e ouviu no período intermediário. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a lista.

1. A luta contra o ateísmo da nossa consciência cotidiana, isto é, a luta para se ter um sentido vital de Deus dentro do secularismo, que, para o bem e para o mal, é o mais poderoso narcótico jamais perpetrado neste planeta. Ser um místico ao invés de um incrédulo.

2. A luta para viver em comunidades dilaceradas, divididas e altamente polarizadas, sendo nós mesmos pessoas feridas, e carregar essa tensão sem ressentimentos, sendo curadores e pacificadores, ao invés de simplesmente responder na mesma moeda.

3. A luta para viver, amar e perdoar para além das ideologias infecciosas que inalamos diariamente, isto é, a luta pela sinceridade verdadeira, para conhecer e seguir genuinamente nossos próprios corações e mentes para além do que nos é prescrito pela direita e pela esquerda, para não sermos nem liberais nem conservadores, mas ao contrário homens e mulheres de verdadeira compaixão.

4. A luta para conduzir nossa sexualidade sem frigidez e sem irresponsabilidade, ou seja, a luta por uma sexualidade saudável, para sermos tanto castos quanto apaixonados.

5. A luta por interioridade e oração dentro de uma cultura que constitui uma conspiração virtual contra a profundidade e a serenidade – para mantermos nossos olhos postos em direção a um horizonte infinito.

6. A luta para estar à altura da grandiosidade e da ambição pessoais e da inquietação patológica, dentro de uma cultura que diariamente as superestimula – para viver dentro do tormento da insuficiência de tudo o que é alcançável e para aceitar que nesta vida não há sinfonia acabada.

7. A luta por não sermos motivados pela paranoia, pelo medo, pela mesquinhez e pelo superprotecionismo em face ao terrorismo e à complexidade avassaladora, para não deixar que a necessidade de clareza e segurança triunfem sobre a compaixão e a verdade.

8. A luta contra a solidão moral dentro de uma diáspora religiosa, cultural, política e moral, para encontrar uma alma gêmea que está adormecida dentro de nós, em nosso nível mais profundo.

9. A luta para relacionar a fé à justiça, à ecologia e ao gênero – para obter uma carta de referência dos pobres.

10. A luta pela comunidade e pela Igreja, a luta para encontrar a linha saudável entre a individualidade e a comunidade, a espiritualidade e a eclesiologia, para sermos maduros e comprometidos, espirituais e eclesiais.
Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=33382 acesso em 14 jun. 2010.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por que DEUS nunca chegaria a Professor Titular ou Pesquisador da CAPES ou CNPQ

1. Ele só tem uma publicação;

2. Esta publicação não foi escrita em inglês, e sim em hebraico;

3. A referida publicação não contém referências bibliográficas;

4. Não tem publicações em revistas indexadas, ou com comissão editorial, ou ainda com pareceristas;

5. Há quem duvide que sua publicação tenha sido escrita por ele mesmo. Em um exame rápido, nota-se a mão de, pelo menos, 11 colaboradores;

6. Talvez tenha criado o mundo. Mas o que tem feito, ou publicado, desde então?

7. Dedicou pouco tempo ao trabalho (apenas 6 dias seguidos);

8. Poucos colaboradores Seus são conhecidos;

9. A comunidade científica tem muita dificuldade em reproduzir Seus resultados;

10. Seu principal colaborador caiu em desgraça ao desejar iniciar uma linha de pesquisa própria;

11. Nunca pediu autorização aos Comitês de Ética para trabalhar com seres humanos;

12. Quando os Seus resultados não foram satisfatórios, afogou a população;

13. Se alguém não se comporta como havia predito, elimina-o da amostra;

14. Dá poucas aulas e o aluno, para ser aprovado, tem que ler apenas o Seu livro, caracterizando endogenia de idéias;

15. Segundo parece, Seu filho é que ministra Suas aulas;

16. Atua com nepotismo, fazendo com que tratem Seu Filho como se fora Ele mesmo;

17. Ainda que Seu programa básico de curso tenha apenas dez pontos, a maior parte dos Seus alunos é reprovada;

18. Além das Suas horas de orientação serem pouco freqüentes, atende Seus alunos apenas no cume de uma montanha;

19. Expulsou os Seus dois primeiros orientandos por aprenderem muito;

20. Não teve aulas e nem fez mestrado com PhDeuses;

21. Não defendeu tese de Doutorado ou Livre Docência;

22. Não se submeteu a uma banca de doutores titulares;

23. Não fez proficiência em inglês;

24. Não existe comprovação de participação Sua em bancas examinadoras e de publicação de artigos no exterior …

Texto de autoria desconhecida e publicado por Ivana Bentes no seu twitter.

Extraído de http://unisinos.br/blog/ihu/2010/05/30/porque-deus-nunca-chegaria-a-professor-titular-ou-pesquisador-da-capes-ou-cnpq/ acesso em 7 jun. 2010.

Ilustração: Damiane. The Ancient of Days. A fresco from Ubisi, Georgia. Séc. XIV. Disponível em
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/48/Damian._The_Ancient_of_Days.jpg acesso em 7 jun. 2010.

sábado, 5 de junho de 2010

Hino dos jovens para Bento.mov

DE QUE LADO NÓS ESTAMOS? (II)




















DE QUE LADO NÓS ESTAMOS? (II)

A vida que Deus nos deu é um dom...
Mais que um dom,
ela é mestra que nos ensina a viver...
Pois, aprendemos com a vida, nossa e dos outros...
lições para nos portarmos dignamente...
durante a nossa permanência neste mundo...

Fomos criados não por nossa vontade,
pois, não a tínhamos ainda por não existirmos...
Mas uma vez na existência...
a temos perfeitamente como um bem,
um bem precioso...
E o que estamos fazendo com esse bem que nos foi dado?

Ora, sabemos que aqui tudo é passageiro...
Daqui nada levamos...
Ou seja, um dia perderemos tudo...
E só ganharemos o que plantarmos...
segundo a vontade de Deus...
quando da ressurreição dos mortos...

Por que, então, damos tanta importância aos bens materiais?
Por acaso, pode o homem acrescentar um só dia à sua vida?
Por que damos tanta ênfase à estética...
Ao “status” social...
Ao viver artificial...
se com isso a alma fica vazia,
sem fruto algum?

De fato,
deixamos o eterno pelo temporal...
Mesmo sabendo da existência daquele...
Porque aqui não ficamos muito tempo...
É para a eternidade que estamos vivendo...
Porque uma vez existente...
para sempre existente...
E ninguém pode mudar essa verdade...

Daí a pergunta, de que lado nos estamos?
Do lado de Deus,
o Eterno que nos ama?
Ou do lado da maldade e da infâmia...
que nos atormenta a todo instante...
querendo nos devorar em sua eternidade maléfica?

Aqui, devemos lembrar nosso livre arbítrio...
Que nada mais é que o poder de decidir...
Se decidimos por Deus,
nos unimos a Ele e o obedecemos prontamente...
E assim vencemos o pecado e o seu resultado, a morte...
Se decidimos pelo mal...
nos perdemos com o mal eternamente...
Só nos restando a saudade da verdade,
Da bondade,
Da santidade,
Do amor que perdemos...
E nada mais...
...
“Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”. (Miq 6,8).
...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

Frei Leopoldo de Alpandeire, frade esmoleiro : um modelo de santidade capuchinha.


“Estoy contento, porque estoy bien como Dios quiere.”

O venerável Frei Leopoldo é um dos modelos da santidade capuchinha marcada por santos simples e do povo, nas fileiras de nossa Ordem, vemos santos que foram testemunhos extraórdinários vivendo com dedicação e devoção as tarefas ordinárias. Contamos vários frades leigos, porteiros, cozinheiros, esmoleres.
O personagem que procuramos conhecer não alcançou a santidade, que agora vem reconhecida pela Igreja, como missionário num outro pais, nem fazendo pregações nos púlpitos, muito menos porque era douto. Mas porque foi um testemunho no seu relacionamento com as pessoas e principalmente as mais necessitadas. O veneravel se insere na escola capuchina da simplicidade. Aqueles que aparentemente não são importantes é que Deus se serve para realizar a sua obra.
O escondimento de Nazaré, no silêncio, no trabalho continuo e na oração. Nesse contexto se situa essa escola de santidade capuchinha, na nadificação, se podemos dizer assim, no aparencia frágil daquelas que não são nada perante a sociedade, Deus superabunda os frutos da santidade. Entre os capuchinhos temos os exemplos de outros como São Felix de Cantalicio, São Serafim de Montegranaro, São Crispim de Viterbo, São Conrado de Parzhan, São Francisco de Camporosso, São Bernardo de Corleone e Beato Nicolau de Gesturi, esses sabiam viver entre os últimos, ao lado das pessoas sem importancia, os últimos como nos fala o Evangelho.
A beatificação do Servo de Deus Frei Leopoldo de Alpandeire está prevista para o próximo 12 de setembro de 2010 em Granada. Procuramos conhecer um pouco mais da sua vida e testemunho de vida capuchinha exemplar. Nasceu na cidade de Alpandeire(Malaga), Espanha, com o nome de Francesco Tommaso Marquez y Sánchez (fray Leopoldo da Alpandeire), no dia 24 de junho de 1864, seus pais eram Diego Marquéz e da Jeronima Sánchez, dois humildes e piedosos camponeses.
Desde a infancia ajudou os seus pais nos afazeres agricolas e no cuidado do pequeno rebanho, quando estava um pouco mais crescido começou a trabalhar nas poucas posses de terra da familia .
Um dia ouvindo a pregacão sobre o Beato Diego Cadiz, resolveu tornar-se capuchinho. No dia 16 de novembro de 1899 vestiu o hábito capuchinho no convento de Sevilha. Passou seus primeiros anos de vida religiosa nos conventos de Sevilha, Granada, Antequera, fazendo os trabalhos mais dificeis e humildes.
No ano de 1914 foi destinado ao convento de Granada como esmoler, e ali ficou por toda a sua vida. Com a sacola para pedir esmolas sempre as costas, descalzo e sempre a pé, passou mais de cinquenta anos de porta em porta na cidade de Granada e nas cidades vizinhas pedindo humildemente esmola para os confrades e para os pobres.
Lembrando que o esmoleiro pela propria legislação dos capuchinhos deveria ser alguém provado em virtude, não muito jovem que fosse prudente, porque a figura do esmoleiro deveria ser um testemunho virtuoso, visto que com a sua presença transitanto pelo povoado deveria ser testemunho de exemplar de frade capuchinho.
Enfrentou as dificuldades da Espanha dos anos 30, algumas vezes foi perseguido, outras vezes insultado pelas ruas e algumas vezes quase lapidado.
No seu interminável caminho se alternava entre ensinar o catecismo e a chamar os pecadores a conversão, repreendia energicamente os blasfemadores. Tinha verdadeira repugnancia pela blasfemias que era uma coisa quase comum entre os camponeses e as pessoas comum que repetiam as vezes sem nem pensar que ofendiam a Deus. Sempre que ouvia repreendia com seu jeito particular mas enfrentava essa situaçao. Se conta que uma vez alguem blasfemava perto de Frei Leopoldo e ele disse: “Se queres ofender ao frade use outras palavras, a Deus não ofendas”
Era acolhido nas casas com veneração e respeito, pela devoção muitas vezes cortavam pedacinhos do hábito e do cingolo. Muitas vezes era chamado nas casas dos doentes, onde recitando “tres ave marias” , operava até curas prodigiosas.
Quando alguem dizia a Frei Leopoldo que ele era um santo, o mesmo na sua humildade repreendia a pessoa e dizia : Eu sou um pecador.
No ano de 1948 com seus 84 anos esteve por causa de uma hernia entre outras vezes, mas sempre se curava. Porém, em 1953 indo à mendicância quebrou o fêmur e teve de ser interrompido por três anos num convento, orando constantemente e suportando pacientemente as outras doenças.
Morreu em fama de santidade no convento de Granada 9 de fevereiro de 1956. Seu corpo repousa na cripta do convento de Granada, um lugar de peregrinação constante, especialmente em 9 de cada mês.
O processo de beatificação começou em 1961 e terminou em 1976. Em 1982 foi-lhe dada autorização da S. Congregação para as Causas dos Santos, para a introdução do processo. Nos anos 1983-1984 foi ensinado o processo apostólico sobre as virtudes heróicas. A Positio super virtutibus foi entregue 09 de março de 1994.

Frei Emerson Aparecido Rodrigues, Ofmcap.
freiemersoncapuchinho@hotmail.com



Bibliografia

D’ALATRI M., Fray Leopoldo de Alpandeire o “El testimonio de un pobre evangelico”

PERALBO A., “El sencillo testimonio franciscano del lismonero capuchino muerto en Granada, en 1956”, in L’Osservatore Romano, 17-18 febrero 2003.

ROS C., Vida de Fray Leopoldo de Alpandeire, Madrid, 1996.

LABORDE VALLVERDÙ A., Testigo de paz, Granada, 1990.

DE LEON A., Mendigo por Dios vida de Fray Leopoldo de Alpandeire, Granada, 1986.

50 ANIVERSARIO DE LA MUERTE DE FRAY LEOPOLDO DE ALPANDEIRE 1956-2006

quinta-feira, 3 de junho de 2010

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