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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS (1Con 12,10)


O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS... (1Cor 12,10)

Discernimento é aquilo que enxergamos com os olhos da alma, ou seja, é aquilo que percebemos pelo entendimento da fé; é um dom do Espírito Santo, trata-se de ver claramente se as situações, as atitudes, o modo de ser, são ou não conforme a vontade de Deus para a nossa vida. Por meio desse dom, percebemos quem está falando ou atuando; ou se os acontecimentos são dos homens; são de Deus, ou se é algo que vem do maligno. De uma coisa fiquemos certos, estas realidades não se misturam nunca (cf. Is 55,7-11; Jo 14,30), e é este o critério para que tenhamos um verdadeiro discernimento.

Aquilo que é do homem pode mudar pelo arrependimento (cf. Lc 15,7), ou por sua inconstância (cf. Tg 1,5), ou ainda por sua ignorância (cf. Lc 12,47); aquilo que é de Deus é definitivo, como bem nos ensinou São Tiago: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade.” (Tg 1,17). Enquanto que, aquilo que é do maligno é sempre mau e uma grande mentira (cf. Jo 8,44). Assim, compreendemos que é Deus quem protege a humanidade; a humanidade por sua vez procure fazer a vontade de Deus, pois é somente ela que dá sentido a nossa vida; e a vontade de Deus se faz presente em seus mandamentos e nas palavras e ações de seu Filho, Jesus Cristo. Por outro lado, as únicas armas de que o inimigo dispõe são as tentações; e estas podem ser combatidas por uma vida de santidade obtida nos Sacramentos, e pelas penitências e orações, e a intercessão dos santos, com as quais buscamos as graças de Deus para seguirmos cumprindo seu plano de amor para a nossa salvação eterna.

Com efeito, eis o que o Senhor Jesus nos ensinou para obtermos um bom discernimento: “Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro. Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.” (Mt 5,33-37). Ou seja, somos filhos da verdade e somente a verdade pode sair de nosso coração, porque a verdade liberta e salva sempre (cf. Jo 8,32).

Então, o que é o discernimento dos espíritos? Trata-se dos pensamentos consentidos e externados em atitudes e ações, realizadas por nós mesmos ou pelos outros, pois tudo o que é pensamento nosso ou dos outros vem de fonte invisível, como o próprio pensamento que é invisível em si mesmo; porém, depois de externados e examinados, é que são discernidos; Jesus, porém, os discernia perfeitamente antes de externados e examinados, por ser o Filho de Deus, e conhecedor de todas as coisas (cf. Col 1,15-17). Convém aqui lembrar que, antes de tudo, esteja o nosso coração pleno do primeiro e o segundo mandamentos, ou seja, o mandamento do “amor a Deus acima de todas as coisas; e ao próximo como a si mesmo”. Pois, é fundamentados no amor, que devemos agir sempre; e assim acolhermos ou rejeitarmos aquilo que concorda ou discorda desse amor (cf. 1Jo 4,8.16).

De fato, vivendo num mundo de tantas contradições e de tantos credos religiosos, precisamos está atentos na vivência de nossa fé, para não cairmos nas contradições e armadilhas do mal, que usa de todos os meios e tentações, para nos afastar da comunhão com Cristo e da Sua Santa Igreja, pois, como disse São Paulo: “Jesus é a Cabeça do Corpo, da Igreja” (Col 1,18), do qual somos os seus membros. Logo, o discernimento nos é necessário para nos atermos seguros daquilo que diz respeito à nossa salvação eterna; e nada melhor para esse discernimento que o amor, a obediência, a fidelidade, a humildade, e a perseverança como membros do Corpo de Cristo que somos. Para isto ele derramou em nossas almas, pelo batismo, o Espírito Santo com todos os seus dons e frutos para nos aperfeiçoar em nossa condição de redimidos.

Realmente, quando tratamos da Igreja, Sacramento Universal da Salvação; da vivência e prática da fé e dos bons costumes; das mais diversas vocações no seio da Igreja; da participação nas instituições que compõem a nossa sociedade; precisamos ter a certeza do discernimento que nos é dado pelo Senhor, por meio da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja, como Ele nos ensinou: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16). E que também São Paulo nos confirma: “Toma por modelo os ensinamentos salutares que recebestes de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. Guarda o precioso depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós”. (2Tim 1,13-14).

Quanto ao discernimento pessoal, as bases são as mesmas: a instituição e os valores a que estamos ligados (Sagrada Escritura, Tradição, Magistério da Igreja; fé, mandamentos, virtudes, Sacramentos, vida de oração, obras de misericórdia, etc.). Desse modo, como a fonte é cristalina, a água também é cristalina; caso contrário, não discerniríamos nada. É como disse o Senhor Jesus: “Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore.” (Mt 12,33). Aqui se trata das graças recebidas da fonte inesgotável do amor de Cristo pelos membros do seu Corpo, a Igreja. Pois, “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5,25b-27).

Destarte, para termos um discernimento perfeito, conforme a vontade do Senhor, eis algumas passagens bíblicas que nos dão as precisas instruções para isto: “Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida.” “O coração é, na Bíblia, considerado como sede da inteligência, dos desejos, dos pensamentos, da vontade, da consciência.” (Pr 4,23 e nota). E ainda: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.” (Rm 12,1-2).

Por fim, escutemos o Senhor: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26,41). “O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida”. (Jo 6,63). “Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,12-14)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 7 de junho de 2014

QUANDO VIER O PARÁCLITO, O ESPÍRITO DA VERDADE, ENSINA-VOS-A TODA VERDADE...


QUANDO VIER O PARÁCLITO, O ESPÍRITO DA VERDADE, ENSINA-VOS-A TODA VERDADE...

Pensar a vida sem o Espírito de Deus é pensa-la conforme o mundo e não conforme Deus. Ora, o Senhor Jesus prometeu (cf. Jo 15,26) que enviaria o Espírito Santo para nos ensinar, nos defender e nos dar todo apoio e assistência necessária para permanecermos fiéis até que se complete o tempo de sua segunda vinda e a nossa ida definitiva para a glória do seu Reino, onde não há morte nem choro nem luto nem dor (cf. Jo 14,1-4).

O Espírito Santo de Deus é o perfeito coordenador de nossas ações enquanto de nossa estadia neste mundo, basta que ouçamos suas moções e nos deixemos conduzir por Ele, como o fizeram os profetas, Maria Santíssima, os apóstolos e todos os santos. Pois assim disse o Senhor: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão”. (Jo 16,13). Ora, creio que todos nós desejamos ver o desfecho final da obra da criação, isto é, a vinda da plenitude do Reino de Deus, pois do jeito que estamos vivendo atualmente, a paz entre os povos é impossível.

Então, há de se perguntar, como identificarmos a presença do Espírito de Deus em nossa vida? Ora, os meios para isto os batizados já o tem, pois quem foi batizado, foi batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ou seja, em nome da Santíssima Trindade e se tornou filho/a de Deus. Essa filiação divina nos torna aptos à esse reconhecimento, pois é a vontade de Deus que sejamos um só com Ele, por seu Filho, Jesus Cristo, no Espírito Santo. Para que isto aconteça precisamos dissipar de nossas mentes todo e qualquer mau pensamento ou vãs inclinações para o pecado; e o jeito mais preciso para isto aconteça é usar o dom da oração, pois com essa arma poderosa, podemos expulsar de nossa mente tudo o que não é do Espírito de Deus.

Sabemos, por graça de Deus, que naturalmente podemos identificá-lo em meio à criação, isto por meio da visibilidade de sua obra, pois conhecendo a obra se conhece o bem feitor que a produziu; todavia, o Senhor mesmo se nos deu a conhecer pelo seu Espírito Santo que enviou por seu Filho, Jesus Cristo, autor e consumador da nossa salvação. Quem crê no Filho de Deus tem a vida. Mas, o crê em Cristo não é algo isolado ou à mercê do querer humano; mais que isto, crê é fazer parte do Corpo Místico de Cristo, que é a sua Igreja, fundada e mantida por Ele na pessoa de São Pedro, príncipe dos apóstolos. À ela o Senhor enviou o Seu Espírito para que a nossa fé fosse uma fé carismática, isto é, dom do Seu Espírito Santo em nós.

Com efeito, Santo Hilário, escreveu a respeito dessa ação do Espírito Santo para identificarmos Deus em nossa vida e por nosso proceder; vejamos o que ele disse: “O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus. Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós.

Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacidades e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande perfeição. Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom.

Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12), É bom para vós que eu parta: se eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7). Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará uni outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14).

Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo, estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus.

Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessá­rios para as suas funções - os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir - assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.

Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; ele é o consolador no tempo da nossa espera; ele, pela atividade dos seus dons, é o penhor da nossa esperança futura; ele é a luz do nosso espírito; ele é o esplendor das nossas almas”. (Do Tratado Sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo (Lib. 2,1.33.35: PL 10,50-51.73-75)(Séc. IV)

Portanto, eis a razão de ser de nossa fé católica e de nossa vida, deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo de Deus, como bem escreveu São Paulo: “todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,14). Porque fomos batizados para isto, como ele mesmo disse: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,3-4). Pois: “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2Cor 5,17).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PRECISAMOS SER CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO SANTO...


PRECISAMOS APRENDER A SER CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO SANTO...

Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne”. (Gl 5,16).

A vida natural nos leva ao encontro da morte todos os dias, mesmo que não queiramos; por outro lado, a fé vivida a cada instante nos leva em Cristo Jesus à vida eterna. Esse sempre foi e sempre será o desejo de todo ser vivente, que tem a liberdade de pensar e agir para que a vida seja sempre vida, e por isso, mantém sua fé viva no filho de Deus, que morreu e ressuscitou nos abrando as portas do Reino dos Céus. Ora, mesmo que não tenha fé, ninguém que vive neste mundo deseja a morte ou pensa nela a todo instante; ao contrário, todos, que creem em Deus ou não, desejamos uma vida de saúde, felicidade e paz; a não ser que tudo o que faz da vida o leva morbidamente ao fim.

Em sua carta aos Romanos (cf. Rm 8,1-17), são Paulo, escreve sobre a necessidade que temos de nos deixar conduzir pelo Espírito Santo de Deus, para atingirmos a perfeição desejada pelo Senhor, e que faz parte de seu plano para a nossa salvação. Mas, como podemos ser conduzidos pelo Espírito Santo de Deus, para obtermos tal salvação, nós que vivemos em meio a tantos pecados e tragédias advindas deles, que às vezes nos sentimos até incapazes de crer? Ora, ao longo da história da salvação, encontramos os patriarcas, os profetas, os reis e todos os santos fiéis que, por seguirem Cristo e se moldar à sua perfeita obediência se deixando conduzir pelo Espírito Santo, fizerem em tudo a sua vontade e desse modo nos revelaram como Deus age para realizar o seu plano salvífico em nossa vida, que significa nos levar ao convívio com Ele em sua glória por toda a eternidade. Vejamos por seus exemplos com Deus agiu, mostrando-lhes como deveriam se portar em sua presença desde já para obterem esse seu divino favor.

Em Abraão, Deus nos ensinou que a fé salvífica, nasce do encontro com Ele e da permanência Nele, por uma especial visita Dele à cada um de nós, como aconteceu com Abraão, nosso pai na fé. “A palavra do Senhor foi dirigida a Abrão, numa visão (um toque interior do Senhor), nestes termos: “Nada temas, Abrão! Eu sou o teu protetor; tua recompensa será muito grande”. Abrão confiou no Senhor, e o Senhor lho imputou para justiça”. (Gn 15,1.6). Ora, o Senhor é perfeitíssimo em todas as suas obras, ninguém escapa ao seu chamado, à sua visita, até mesmo aqueles que o negam (cf. Is, 40,26). Isto porque Deus “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. (1Tm 2,4). À Abraão e à sua posteridade na fé, Deus revelou que a sua salvação se estenderia sobre todas as nações e assim aconteceu (cf. Gn 17,1-6).

Em Moisés, Deus nos deu a lei perfeita da liberdade, o conhecimento da verdade escrita em tabuas de pedra e nos corações, e assim fez uma aliança de amor com todos fiéis de todos os tempos, e a selou com estes santos mandamentos, de tal modo que seguir os santos mandamentos é seguir o Senhor mesmo. Já em todos os profetas, Deus revelou a ação direta do Espírito Santo, como rezamos no credo: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, Ele que falou pelos profetas”. Por isso, as profecias se cumpriram e se cumprirão até o final dos tempos.
Em Maria, Mãe de Jesus, Deus fez-se cumprir todas as promessas e profecias que havia feito aos seus antepassados no Antigo Testamento; e o Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, foi esse regente eterno que realizou o Magnificat do Senhor em sua pobre serva, por isso, “todas as gerações a proclamarão bem-aventurada”, porque o Senhor lhe fez grandes coisas, como o anjo mesmo lhe disse: ”O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,35). Pois, como o fez Abraão, ela também acreditou e Deus se fez Carne em seu ventre santo e habitou entre nós. (cf. Lc 1,26-38).

Por fim, Jesus atribuiu ao Espírito Santo todas as suas Palavras e ações e o chamou de dedo de Deus (cf. Lc 11,20; Mt 12,28;Ex 31,18). E ainda nos confidenciou: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei”. (Jo 14,12-14). Também disse, quando formos perseguidos por sua causa: ”Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa, porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários”. (Lc 21,15). Por sua vez, São Paulo, falando sobre nossas orações, escreveu: “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus”. (Rm 8,26-27).

Em suma, recebemos o Espírito Santo no Sacramento do Batismo (cf. Jo,3,3.7) para sermos conduzidos por Ele sempre (cf. Gl 5,16-17), por isso, precisamos aprender a ouvir o Espírito Santo em nós, como o ouviam os patriarcas, os profetas, Jesus e os apóstolos e todos os que seguem o Senhor no caminho da vida eterna (cf. At 5,32; Jo 15,26-27). Pois, de fato, se nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo de Deus, seremos herdeiros do Reino dos Céus, porque é para o Reino que Ele está nos conduzindo (cf. Rm 8,9-17). Pois o Espírito é a Verdade e nos ensina toda a verdade a respeito de Cristo que nos dá a vida eterna (cf. Jo 16,13-15; 3,16-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

DISCERNIMENTO, DOM DO ESPÍRITO SANTO



DISCERNIMENTO, DOM DO ESPÍRITO SANTO


A ciência do discernimento dos espíritos vem da percepção da inteligência. A luz da verdadeira ciência está em discernir sem errar o bem e o mal. Feito isto, a via da justiça que leva a mente a Deus, sol da justiça, introduz então a inteligência naquele infinito fulgor do conhecimento, que lhe faz procurar daí em diante, com segurança, a caridade.

Os que combatem precisam manter sempre o espírito fora das agitações perturbadoras para discernir os pensamentos que surgem: guardar os bons, vindos de Deus, no tesouro da memória; expulsar os maus e demoníacos dos antros da natureza. O mar, quando tranquilo, deixa os pescadores verem até o fundo, de sorte que quase nenhum peixe lhes escape; mas, agitado pelos ventos, ele esconde na turva tempestade aquilo que se via tão facilmente no tempo sereno. Assim, toda a perícia dos pescadores se vê frustrada.

Somente, porém, o Espírito Santo tem o poder de purificar a mente. Se o forte não entrar para espoliar o ladrão, nunca se libertará a presa. É necessário, portanto, alegrar em tudo o Espírito Santo pela paz da alma, mantendo em nós sempre acesa a lâmpada da ciência. Quando ela não cessa de brilhar no íntimo da mente, conhecem-se os ataques cruéis e tenebrosos dos demônios, o que mais ainda os enfraquece sendo eles manifestados por aquela santa e gloriosa luz.

Por esta razão diz o Apóstolo: Não apagueis o Espírito, isto é, não causeis tristeza ao Espírito Santo por maldades e maus pensamentos, para que não aconteça que ele deixe de proteger-vos com seu esplendor. Não que o eterno e vivificante Espírito Santo possa extinguir-se, mas é a sua tristeza, quer dizer, seu afastamento que deixa a mente escura sem a luz do conhecimento e envolta em trevas.

O sentido da mente é o paladar perfeito que distingue as realidades. Pois como pelo paladar, sentido corporal, sabemos discernir sem erro o bom do ruim quando estamos com saúde e desejamos as coisas delicadas, assim nossa mente, começando a adquirir a saúde perfeita e a mover-se sem preocupações, poderá sentir abundantemente a consolação divina e conservar, pela ação da caridade, a lembrança do gosto bom para aprovar o que for ainda melhor, conforme ensina o Apóstolo: Isto peço: que vossa caridade cresça sempre mais na ciência e na compreensão, para discernirdes o que é ainda melhor.
Paz e Bem!

Fonte: Dos Capítulos sobre a Perfeição Espiritual, de Diádoco de Foticéia, bispo (Cap.6,26.27.30: PG65,1160.1175-1176). (Séc.V).

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Bendize em todo o tempo ao Senhor Deus e pede que oriente os teus caminhos. E teus planos permaneçam sempre nele. Empenha-te em fazer o que lhe agrada fielmente e com toda a tua força. (Tb 4,19a; 14,8b.).
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