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quinta-feira, 31 de julho de 2014

A IGREJA É SANTA: TAMBÉM VÓS, SEDE SANTOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É SANTO...


A IGREJA É SANTA: LOGO, SEDE SANTOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É SANTO...

No Credo Niceno-constantinopolitano, professamos: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. O fato é que, São Paulo, em sua carta aos efésios já havia emitido tal profissão de fé, pois lá está escrito: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível”. (Ef. 5,25-27). E professou ainda: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. Dela fui constituído ministro, em virtude da missão que Deus me conferiu de anunciar em vosso favor a realização da palavra de Deus, mistério este que esteve escondido desde a origem às gerações (passadas), mas que agora foi manifestado aos seus santos”. (Col 1,24-26).

Desse modo, creio firmemente o que a Igreja crê e ensina: a Igreja é Santa, porque ela é o Corpo de Cristo, do qual ele é a cabeça e nós somos seus membros; e o faço pelo fato de que sua origem é divina, pois foi o próprio salvador que a fundou e a mantém, como meditamos no Evangelho de São Mateus: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,18-19).

E o faço ainda, conforme a Igreja nos ensina no Catecismo: “Cristo e a Igreja, eis, portanto, o "Cristo total" ("Christus totus"). A Igreja é una com Cristo. Os Santos têm uma consciência bem viva desta unidade:

Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristãos, mas o próprio Cristo. Compreendeis, irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por Ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros. O que significa isto: a Cabeça e os membros? Cristo e a Igreja.

Redemptor nos ter unam se personam cum sancta Eccies ia, quam assumpsit, exhibuit - Nosso Redentor mostrou-se como uma só pessoa com a santa Igreja, que ele assumiu.

Caput et inembra sunt quasi una persona mystica - Cabeça e membros são como uma só pessoa mística”. (CIC §795).

Sei que muitos dizem por aí, que a Igreja é santa e pecadora, dependendo da compreesão dessa colocação, não me conformo com isso, pois se essa afirmação (“a igreja é santa e pecadora”) for realmente o que diz, a Igreja teria de mudar o seu símbolo apostólico. Isto porque, na primeira Carta de São João, meditamos o seguinte: “Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu”. (1Jo 3,5).

E ainda: “Filhinhos, ninguém vos seduza: aquele que pratica a justiça é justo, como também (Jesus) é justo. Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio. Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus (cf. Jo 3,5-9;1Jo 3,1-3). É nisto que se conhece quais são os filhos de Deus e quais os do demônio: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama o seu irmão”. (1Jo 3,6-10). Ou seja, não pode uma mesma fonte jorrar água pura e água podre (cf. Tg 3,11-12).

Com efeito, assim nos ensinou o Senhor Jesus, no Evangelho de São João: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”. (Jo 3,1-3). E na explicação da parábola do joio, disse Jesus: “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça”. (Mt 13,37-43).

Portanto, não chamem de Igreja aqueles que vivem dentro da Igreja, mas não obedecem ao que a Igreja ensina, não fazem a vontade de Deus como a Igreja faz e não testemunham Jesus como a Igreja testemunha; isto porque no pecado e no escândalo não existe a vontade de Deus, e onde a vontade de Deus não se faz presente, a Igreja também não se faz presente, porque a Igreja é a vontade de Deus para a salvação da humanidade. Todavia, precisamos cuidar de nossa conduta para que não seja conduta de insensatos, nos achando santos e os outros condenados; longe de nós pensarmos e agirmos assim.

Ora, quem no alerta sobre isto é São Paulo, na sua Carta aos Gálatas: “Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Cada um examine o seu procedimento. Então poderá gloriar-se do que lhe pertence e não do que pertence a outro. Pois cada um deve carregar o seu próprio fardo”. (Gl 6,1-5).

Já na Carta aos Romanos, ele escreve: “Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Para isso é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos. Por que julgas, então, o teu irmão? Ou por que desprezas o teu irmão? Todos temos que comparecer perante o tribunal de Deus. Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus (Is 45,23). Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros; antes, cuidai em não pôr um tropeço diante do vosso irmão ou dar-lhe ocasião de queda”. (Rm 14,7-13).

Aliás, o Senhor Jesus já nos havia ensinado antes sobre isto, quando disse: “Amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,35-38).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

É NECESSÁRIO...



“É NECESSÁRIO ENTRARMOS NO REINO DE DEUS POR MEIO DE MUITAS TRIBULAÇÕES”. (At 14,22b).

Tudo o que fazemos na vida depende sempre de nossas decisões, sejam elas quais forem; isto acontece porque de certa forma temos autonomia em relação a tudo com que interagimos, porém, ninguém é autossuficiente o bastante para dizer: não preciso. Deus ao nos criar nos deu certa autonomia dependente, para que tendo Ele como fonte de toda vida, vivêssemos Dele para formarmos uma unidade perfeita com Ele e entre nós. A vida sem Deus é impossível, e o ser humano precisa reconhecer isto, pois somente o Espírito do Senhor une todas as coisas, e é Ele que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou (cf. 1Cor 2,12).

Ora, nós temos a escandalosa divisão que temos na face da terra, porque os homens abandonaram de vez o modo de ser do Espírito de Deus, que age somente naqueles que o amam. É como está escrito: “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o repelirá”. (Sb 1,1-5).

Uma coisa é alguém pensar por si mesmo ou a partir das outras criaturas; outra bem diferente é alguém pensar e agir a partir da sabedoria do Espírito Santo, como nos ensinou São Paulo (cf. 1Cor 2,1-8). Ora, como Filho de Deus, Jesus nos ensina a pensar e agir como filhos e filhas de Deus, por meio da obediência perfeita do Espírito Santo. Viver essa comunhão de vida com Deus, pelo seu Espírito que habita em nós, é experimentar a familiaridade divina, é viver espiritualmente neste mundo. Pois, “O Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. (2Cor 3,17).

Deus nos enviou o seu Filho, Jesus Cristo (cf. Jo 3,16-17), e por meio Dele nos deu o Seu Espírito (cf. Jo 14,15-17) que nos ensina a conhecer todas as coisas (cf. Jo 14,26). E que conhecimento é esse? Deus é único e Pai de nossas almas; e porque nos ama, nos enviou Seu Filho único, nascido da Virgem Maria (cf. Lc 1,26-38), para que crendo nele, vivêssemos a unidade perfeita entre nós pelo seu Espírito, que nos faz nascer de novo para um viver novo como seus filhos e filhas. Jesus nos revelou ainda que este mundo está passando por um processo de renovação definitiva, e que Deus Pai, tem preparado para aqueles que o amam, o seu Reino de amor, de paz, de verdade e justiça; onde não há maldade nem morte nem finitude alguma.

Certa feita, alguém perguntou a Jesus: “Quando virá o Reino de Deus?” Ao que Jesus respondeu: “O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós”. (Lc 17,20-21). Ou seja, o Reino de Deus em sua visibilidade temporal é a Igreja, e Jesus é o Rei que governa sua Igreja, tendo como primeiro representante o Santo Padre, o Papa; depois os bispos (sucessores dos apóstolos), padres, diáconos, religiosos, e todo povo de Deus. Tal e qual as primeiras comunidades apostólicas, a Igreja é católica (universal), apostólica (fundada sob os apóstolos), cuja sede fica na Colina Vaticana em Roma. Assim, a Igreja é, de fato, Sacramento Universal da Salvação, aberta e pronta para receber todas as almas que se convertem e são destinas aos céus. Todavia, temos que entender ainda que a Igreja está no mundo como o trigo em meio ao joio, como Jesus menciona na parábola. Porém, ela tem a fecundidade e a assistência do Espírito Santo para que, como trigo que é, cresça e morra, e dê milhões de frutos até a colheita definitiva no grande e terrível dia do Senhor (cf. Jl 2).

Com efeito, a Igreja tem experimentado constantemente esse ser “trigo esmagado”, pois, sem dúvida alguma, os ataques maléficos contra o Reino de Deus, presente na Igreja, têm sido frequentes e ininterruptos, seja pelos meios de comunicação social, seja pelos governos instituídos, detentores dos poderes temporais; seja ainda pelas instituições protestantes, espiritualistas, maçônicas, materialistas, ateias etc., que regem esses governos; quer também pelos mais diversos grupos notadamente antagônicos, como bandas de rock, igrejas satânicas, instituições abortistas e/ou homo afetivas com suas provocações e imposições, como se fossem elas as perseguidas, etc. Ora, falar sobre esses perseguidores e seus instrumentos de perseguição, é tornar-se alvos precisos de suas intolerâncias, e quem sabe até, tornar-se mártires por denunciar tais perseguições abertamente.

Eis o que ensinou São Paulo a esse respeito: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!” (2Tm 3,1-5). E ainda: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto (a Escritura) diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará (Is 26,19; 60,1)!” (Ef 5,8-14).

Portanto, eis a resposta do Senhor Jesus à tudo isso que está acontecendo: “O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados. Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena. Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós. Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus”. (Mt 10,28-33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: O QUE É A IGREJA?



CRÔNICAS DE MINHA ALMA:

O QUE É A IGREJA?

Não podemos pensar ou falar da Igreja sem que ela seja o que realmente ela é. E o que a Igreja é? A esta pergunta Jesus mesmo, em seu ato fundador, responde: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-20).

Assim, vemos a Igreja nas palavras de Jesus, como o Sinal visível do Reino de Deus neste mundo, tendo Pedro e seus sucessores, revestidos de sua autoridade, como provas autênticas do que a Igreja é, Sacramento Universal de Salvação, onde o Senhor realiza todos os seus desígnios para conosco e toda criação. Logo, tudo o que acontece na Igreja e é de fato a vontade de Deus, também acontece no céu, porque o que é eterno começa aqui no tempo e tem sua plenitude na glória de Deus, onde celebraremos com Cristo Jesus a Páscoa Definitiva que Ele preparou como herança eterna para seus filhos e filhas (cf. Jo 14,1-3;Rm 8,16-17).

Porquanto, não chamem de Igreja aqueles que vivem dentro da Igreja, mas não obedecem ao que a Igreja ensina, não fazem a vontade de Deus como a Igreja faz e não testemunham Jesus como a Igreja o testemunha; porque no pecado e no escândalo não existe a vontade de Deus e onde a vontade de Deus não se faz presente, a Igreja também não se faz presente, porque a Igreja é a vontade de Deus para a salvação de todos os homens e de toda criação (cf. 1Tm 2,1-6).

Com efeito, vivemos neste mundo em meio às injustiças, mentiras, falcatruas e toda espécie de pecado que assola nossa humanidade e que tem causado tantos desequilíbrios em todos os sentidos. Pois bem, é assim que se encontra a igreja no mundo, como trigo do Senhor em meio ao joio do inimigo, representado pelos pecados e por aqueles que os cometem, tentando desestrutura-la e destruí-la. Mas, o Bem de Deus não deixa de ser Bem, porque alguém o contraria com as maldades que pratica; o amor de Deus não deixa de ser amor, porque os que odeiam querem impor esse tipo horrível de comportamento que contraria o amor de Deus; a misericórdia divina não deixa de ser misericórdia, porque os soberbos insistem na soberba. Portanto, a Igreja é Cristo e Cristo é a Igreja, pensar a Igreja sem Cristo é o mesmo que pensar a criação do mundo sem Deus, e isto é impossível.

Com exatidão, conforme a Sagrada Escritura (cf. Mt 12,28; Mc1,15; Lc 4,43), o Reino de Deus tem sua revelação e afirmação com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho amado de Deus. Em Cristo Jesus, Deus nos deu a conhecer qual seu plano para a nossa salvação, que consiste na renovação de todas as coisas criadas (cf. Ef 1). E isto aconteceu porque o homem deu lugar ao pecado em sua vida e passou a governar o mundo a partir do pecado, porém, como o pecado não faz parte do desígnio de Deus para o homem nem para sua criação, Deus enviou seu Filho para tirar o pecado do mundo (cf. 1Jo 3,14) e nos dá a vida eterna para a qual Ele nos criou. E tudo isso se dá na Igreja, enquanto, sinal visível do Reino de Deus e Sacramento Universal da Salvação; como nos ensina São Paulo:

Cristo é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo...”. (Col 1,18; 1Cor 12,27; Ef 4,4-7).

“A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores,   para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo. É por ele que todo o corpo - coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria - efetua esse crescimento, visando a sua plena edificação na caridade”. (Ef 4,11-16).

Portanto, a Igreja de Cristo, fundada e dirigida pelo próprio Senhor na pessoa de seus representantes, constituída por Pedro e seus sucessores e todo o povo de Deus, está presente no mundo como Sinal da presença real do Senhor, que disse: ”Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28,18b-20).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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terça-feira, 5 de junho de 2012

A IGREJA É COMO UMA GRANDE BARCA QUE NAVEGA PELO MAR REVOLTO DESTE MUNDO



A IGREJA É COMO UMA GRANDE BARCA QUE NAVEGA PELO MAR REVOLTO DESTE MUNDO

A Igreja é como uma grande barca que navega pelo mar deste mundo. Sacudida nesta vida pelas diversas ondas das tentações, não deve ser abandonada a si mesma, mas governada. Na Igreja primitiva temos o exemplo de Clemente, Cornélio e muitos outros na cidade de Roma, de Cipriano em Cartago, de Atanásio em Alexandria. Sob o reinado dos imperadores pagãos, eles governaram a barca de Cristo, ou melhor, a sua caríssima esposa, que é a Igreja, ensinando-a, defendendo-a, trabalhando e sofrendo até ao derramamento de sangue.

Ao pensar neles e noutros semelhantes, fico apavorado; o temor e o tremor me penetram e o pavor dos meus pecados me envolve e deprime! (Sl 54,6); gostaria muito de abandonar inteiramente o leme da Igreja, se encontrasse igual precedente nos Padres ou na Sagrada Escritura.

Mas não sendo assim, e dado que a verdade pode ser contestada, mas nunca vencida nem enganada, nossa alma fatigada se refugia nas palavras de Salomão: Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te fies em tua própria inteligência; em todos os teus caminhos, reconhece-o, e ele conduzirá teus passos (Pr 3,5-6). E noutro lugar: O nome do Senhor é uma torre fortíssima. Nela se refugia o justo e será salvo (cf. Pr 18,10).

Permaneçamos firmes na justiça e preparemos nossas almas para a provação; suportemos as demoras de Deus, e lhe digamos: Vós fostes um refúgio para nós, Senhor, de geração em geração (Sl 89,1). Confiemos naquele que colocou sobre nós este fardo. Por não podermos carregá-lo sozinhos, carreguemo-lo com o auxílio daquele que é onipotente e nos diz: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).

Fiquemos firmes no combate, no dia do Senhor, porque vieram sobre nós dias de angústia e de tribulação (cf. Sl 118,143). Se Deus assim quiser morramos pelas santas leis de nossos pais (cf. 1Mc 2,50), a fim de merecermos alcançar junto com eles a herança eterna.

Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas caladas, não sejamos mercenários que fogem dos lobos, mas pastores solícitos, vigilantes sobre o rebanho de Cristo. Enquanto Deus nos der forças, preguemos toda a doutrina do Senhor ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, e todas as classes e idades, oportuna e inoportunamente, tal como São Gregório escreveu em sua Regra Pastoral.

Paz e Bem!

Fonte: Das Cartas de São Bonifácio, bispo e mártir (Ep.78:MGH, Epistolae, 3,352.354) (Séc.VIII)

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