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Com legenda em Português:
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| J. B. Libanio, S.J. |
Que
os nossos leitores que reclamam pelo fato desta seção não dar muito
espaço a comentários sobre filmes brasileiros nos perdoem. Não
trataremos de uma produção nacional outra vez. Mas aceitem nossos
benevolentes leitores o conselho de dedicar seu tempo e sua atenção a um
filmede ser europeu,a Idade Media. iferente sobre um periodo que,
apesar de ser europeu, oferece um olhar diferente sobre um período
singular da assim chamada Idade Média, com sua cultura de inspiração
cristã e com a visão de mundo que ela proporcionava.
Um
segundo momento significativo é o registro das dimensões que o
movimento franciscano toma desde seus primeiros anos, com entusiasmos e
inevitáveis diferenciações e problemas: jovens da Europa toda confluem
em Assis em ocasião de uma reunião da incipiente ordem, preocupando o
fundador que, como os históricos lembram, tudo queria menos ‘fundar uma
ordem’. Os contrastes entre as várias tendências do franciscanismo já se
manifestam. Terceiro ponto a destacar é a parábola final da vida do
santo, com a solidão procurada numa tentativa de entender melhor a voz
de Deus e sua vontade, diante de tantas dificuldades e incompreensões.
Um Francisco quase desesperado, angustiado, peregrino por bosques e
pedras inacessíveis: uma imagem bastante distante das tradicionalmente
transmitidas pela iconografia ou pela memória popular, mas uma imagem
historicamente real. Até o misterioso momento da resposta divina, que
encerra o filme. Vivia na cidade de Assis,na região do vale de Espoleto, um homem chamado Francisco (1 Celano 1)
"Como era bonito, atraente e de aspecto glorioso na inocência de sua vida, na simplicidade das palavras, na pureza do coração, no amor de Deus, na caridade fraterna, na obediência ardorosa, no trato afetuoso, no aspecto angelical! Tinha maneiras simples, era sereno por natureza e de trato amável, muito oportuno quando dava conselhos, sempre fiel às suas obrigações, prudente nos julgamentos, eficiente no trabalho e em tudo cheio de elegância. Sereno na inteligência, delicado, sóbrio, contemplativo, constante na oração e fervoroso em todas as coisas. Firme nas resoluções, equilibrado, perseverante e sempre o mesmo. Rápido para perdoar e demorado para se irar, tinha a inteligência pronta, uma memoria luminosa, era sutil ao falar, sério em suas ações e sempre simples. Era rigoroso consigo mesmo, paciente com os outros e discreto com todos.
"Muito eloquente, tinha o rosto alegre e o aspecto bondoso, era diligente e incapaz de ser arrogante. Era de estatura pouco abaixo da média, cabeça proporcionada e redonda, rosto um tanto longo e fino, testa plana e curta, olhos nem grande nem pequenos, negros e simples, cabelos castanhos, pestanas retas, nariz proporcional, delgado e reto, orelhas levantadas mas pequenas, têmporas chatas, língua apaziguante, fogosa e aguda, voz forte, doce, clara e sonora, dentes unidos, iguais e brancos, lábios pequenos e delgados, barba preta e um tanto rala, pescoço fino, ombros retos, braços curtos, mãos delicadas, dedos longos, unhas compridas, pernas finas, pés pequenos, pele fina, descarnado, roupa rude, sono muito curto, trabalho contínuo.
"E como era muito humilde, mostrava mansidão para com todas as pessoas., adaptando-se a todos com facilidade. Embora fosse o mais santo sabia estar com os pecadores como se fosse um deles." (1Celano 83)
Francisco exigia dos seus contemporâneos uma maior equidade e uma maior solidariedade, dois princípios que as oscilações da bolsa e dos especuladores estão nos fazendo esquecer. As riquezas que cotidianamente vemos se desagregar não são as únicas: desagrega-se a sociedade.São Francisco e Enrico Scrovegni, duas pessoas divididas no tempo: Francisco morreu em 1226, com pouco mais de 40 anos; Enrico, em 1336, com 70 anos. Divididas sideralmente no modo de definir suas próprias vidas, mas unidas pelo fato de terem dedicado muito do seu tempo ao dinheiro; o primeiro, em rejeitá-lo, e rejeitando com isso toda forma de propriedade, porque possuir um bem – dizia Francisco – implica a necessidade da espada, da violência, para defendê-lo; o segundo, em querer fazê-lo crescer espasmodicamente. A Igreja deu uma resposta diferente aos seus desejos.
A análise é de Chiara Frugoni, historiadora italiana, especialista em Idade Média e história da Igreja. O artigo foi publicado no caderno Alias, suplemento do jornal Il Manifesto, 11-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Giotto teve o cuidado de não mostrar o dinheiro que passa de mão em mão no encontro secreto da venda de Cristo.
Giotto
representou Judas no Juízo Universal enforcado, sim, mas com os
intestinos espalhados e sem a bolsa no pescoço, como, ao contrário,
outros avarentos condenados têm.Um novo estudo da historiadora italiana Chiara Frugoni se dedica aos estudos dos santos de Assis.Por amor, volta-se mais uma vez, e depois de novo, e depois novamente, a frequentar a mesma pessoa, a repassar os lugares dos quais conhecemos cores e sombras, a ouvir novamente palavras que podemos repetir de memória mais do que uma oração cara da infância, em busca daquele núcleo de luz que promete, todas as vezes, um estupor diferente.
A reportagem é de Mariapia Veladiano, publicada no jornal La Repubblica, 14-11-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Publicado originalmente no Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 4 de outubro de 1981.Extraído de: PICCOLO, Frei Agostinho Salvador, OFM. Perfil do educador franciscano. Bragança: EDUSF, 1998. P. 89-91.
a) Legenda Maior (LM 3,2) - “Em cada pregação sua, saudava o povo no início do sermão, anunciando a paz, dizendo: ´O Senhor vos dê a paz´".
b) Legenda dos Três Companheiros (LTC 26) – “... em toda pregação sua, saudava o povo, anunciando a paz no início da pregação”.
c) Compilação de Assis (CA 101,14) – “O senhor revelou-me que como saudação devia dizer: ´O senhor te dê a paz´".
a) Louvores a Deus Altíssimo (LD 3) – “... vós sois o bem, todo o bem, o Sumo Bem, Senhor Deus vivo e verdadeiro”.
b) Paráfrase ao Pai Nosso (PN 2) – “...porque vós, Senhor, sois o sumo e eterno bem, do qual procede todo o bem, sem o qual não há nenhum bem”.
c) Louvores a serem ditos em todas as horas canônicas (LH 11) – “... altíssimo e sumo Deus, todo o bem, sumo bem, bem total...”