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sexta-feira, 27 de março de 2009

CF 2009: Fraternidade e Segurança Pública sob o método Ver, Julgar e Agir

Pastoral Carcerária *
Adital -
Por Pe. Emerson Andrade de Lima
Vice-coordenador Estadual da Pastoral Carcerária de São Paulo

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano tem como grande meta demonstrar a responsabilidade não somente social, mas também formativa que a Igreja possui em provocar, despertar e dialogar com os segmentos da sociedade a respeito de uma temática tão pertinente para a ordem pública, que é a da segurança.

O grande horizonte desta reflexão está em superar qualquer tipo de ambigüidade que o tema possa suscitar, como tendo em vista a relação dos conceitos chaves "fraternidade e segurança". Para isso é necessário que exista um processo de reflexão para despertar o debate público em torno desta realidade tão presente no imaginário coletivo, devido a sua complexidade, como é, de fato, o conceito de segurança pública, refletido sob a ótica hermenêutica que requer a natureza desta campanha.

O quadro social atual é extremamente provocador e desafiador. Constantemente a população é sufocada por qualquer tipo de situação de violência tendo como referenciais as bases simbólicas que norteiam a mesma realidade, gerando situações de medo e, como conseqüência, de insegurança. Neste horizonte, as nossas comunidades devem acima de tudo ter a coragem e a ousadia de contribuir para que haja o alargamento das instâncias culturais que procuram postular qualquer tentativa de definição da segurança como realidade decorrente da paz e da justiça, mas para isso a Igreja deve assumir como verdadeiro vigor o seu papel de ser mediadora de conflitos.

A grande perspectiva desta campanha é fazer refletir e criar formas legítimas de reivindicações junto aos poderes públicos, como os primeiros responsáveis pela ordem pública. Isso, levando em consideração a base democrática que rege o nosso país e, a partir daí, mostrar à sociedade que as mudanças almejadas somente serão possíveis se o Estado assume medidas preventivas em torno do processo da segurança. Para isso, vem é necessário que o acesso à cultura seja um referencial constante como um meio imprescindível e fator determinante das mutações.

A reflexão de fato tem esta grande preocupação de apresentar que não é suficiente somente salientar o aspecto punitivo da segurança, se de antemão não existem medidas que visam à promoção da cultura da paz, mas ao mesmo tempo o foco do critério da justiça social iluminada pelo Evangelho.

Portanto, o tema deste ano realça uma das características fundamentais da ação da Igreja no mundo, o de ser instrumento para a promoção da cultura da paz, levando em consideração os elementos históricos e sociológicos desde a época colonizadora e que vem dando suporte para o quadro atual da violência no país e que, infelizmente, vem assumindo gradativamente uma conotação institucionalizada. Enfim, a Igreja, à luz desta campanha, tem a profunda consciência de que os desafios são grandes e não sujeitos a superação em curto prazo, mas a convicção acerca da necessidade de que os segmentos que compõem a sociedade podem projetar medidas preventivas na segurança para que o processo de reversão da realidade seja gradativamente assumido sob a égide da necessidade de que alguns membros dos poderes públicos responsáveis primários pelo bem comum e pela ordem pública necessitam de conversão.

1. O trinômio hermenêutico da CF: Fraternidade, Segurança Pública e Justiça Social

Antes de tudo, a Campanha da Fraternidade de 2009 quer expressar o grande esforço da Igreja no Brasil ao assumir como reflexão o tema a Segurança Pública, e nada melhor do que no tempo da quaresma como momento significativo e representativo de penitencia e de conversão como formas de reestruturação de um comportamento eclesial frente a um problema social com ampla ressonância. O desafio ainda assumi relevância maior diante do tema pelo fato dos diversos graus de violência (1) que fragmentam as relações entre as instituições e ao mesmo tempo gerando uma cultura de massa com um imaginário moldado pela insegurança.

O grande desafio para esta campanha não se restringe ao fato do suscitar o debate na esfera pública sobre a segurança, mas despertar novos caminhos para que o Estado possa criar condições para a promoção da cultura da paz. Como se vê, até mesmo dentro do espaço eclesial o tema deve ser refletido sob o horizonte dos princípios da fraternidade e justiça, rompendo qualquer tipo de barreira de natureza teológica, histórica, sociológica ou política. Trata-se da necessidade de reconstruir um itinerário reflexivo marcado por uma apurada compreensão do âmbito de atuação da Igreja. O intuito é enfatizar os elementos fundamentais propostos nas diretrizes do Texto-base desta campanha, visando que qualquer iniciativa, seja de ordem pastoral ou de ordem social, deve sustentar a iniciativa de fortalecer ações voltadas à educação e à evangelização como caminhos para a superação das visões de guerras (2) presentes na sociedade.

Diante da visibilidade do tema da segurança, vem a ser importante formar uma auto-compreensão e reformulação de que na sociedade comece a assumir uma noção de violência que considere as causas, tanto em nível social e pessoal, confrontando estes dados com os novos paradigmas que emergem de uma sociedade em constante transição. Por isso, o diálogo que a Igreja visa provocar a respeito do tema tem como perspectiva fundamental confrontar o trinômio básico desta reflexão, com os novos indicadores sociais que emergem do atual quadro social, incumbe-se a tarefa de enquadrar os elementos básicos deste trinômio, mas considerando o caminho que a Igreja assuma uma percepção do tema da segurança sob a ótica da prevenção.

Os três elementos Fraternidade, Segurança e Justiça, em um processo de inter-relação, tende a demonstrar que a reflexão norteada pela Igreja no texto-base tem por finalidade, não somente abordando as omissões dos poderes públicos que envolvem diretamente a segurança pública isto é o aspecto da denúncia, mas também fortalecer uma pertinente ação preventiva, seguida da evangelização com intuito de reconstruir um processo cultural de conscientização a respeito da paz, como máxima primária da segurança no seu âmbito pessoal e social.

Portanto, a grande indagação para a Igreja nesta campanha está em demonstrar para a sociedade os limites da ótica predominante no modelo punitivo sem o mínimo de abertura ao aspecto restaurativo da justiça como parte imprescindível da ordem social sendo função determinante do Estado.

2. O Método Ver, Julgar e Agir

Após uma análise aproximativa dos elementos chaves que norteiam a reflexão predominante do Texto-base da CF 2009, é oportuno enfatizar a forma como a Igreja, na sua ação profética, pode sustentar por meio de medidas preventivas o caminho adequado para que possa desempenhar com pertinência reflexiva e incidência pastoral diante do tema Segurança Pública. Como de costume, este momento de reflexão forte assumido pelas comunidades eclesiais é muito representativo por causa da relevância eclesial e social que o tema vai assumindo no decorrer da quaresma.

No entanto, o marco desta reflexão a respeito da importância deste método tem como meta demonstrar que a Igreja, ao se utilizar deste itinerário reflexivo, consolida os referenciais básicos de um processo de conscientização marcada por iniciativas que permitem uma melhor visualizam da realidade. O primeiro passo, Ver, apresenta uma perspectiva a respeito da visão (3) predominante na Igreja sobre a Segurança Pública e a realidade com a qual se confronta, mas considerando os aspectos que englobam os princípios fundamentais da doutrina social. O segundo passo, Julgar, representa que diante da pertinência do tema não pode somente fazer uma análise restrita a respeito da segurança se não considerar os aspectos culturais que a envolvem para que exista uma noção superficial da realidade e que os referenciais teóricos não sejam restritos a um determinado quadro reflexivo onde não se deixa considerar a histórica, a sociologia e política do contexto vigente. O terceiro passo, Agir, sem dúvida, é o mais provocador e inquietador pelo fato de que nele concentram-se todas as expectativas suscitadas pelos segmentos da sociedade após a visão e o julgamento sobre o perfil atual do modelo de Segurança Pública assumido pela União Federal.

Como se vê, este método proveniente da esfera reflexiva da Teologia da Libertação demonstra que diante de um tema tão crucial para o imaginário coletivo e para a ordem pública percebe-se que a Igreja, no Texto-base, assume uma atitude não somente de reflexão a respeito dos princípios básicos que norteiam quaisquer tentativas de reflexão a respeito da temática Segurança Pública. Por isso, o ver, julgar e agir ajudará na sustentação da formação de uma nova identidade social que tenha como marco a reconstrução de um itinerário cultural marcado pelo paradigma da paz como caminho preventivo que progressivamente irá contribuir para a superação das causa e dos fatores da insegurança.

Para auxiliar, o aspecto significativo deste método o Texto-base da CF ajuda-nos a entender: "O texto utiliza o método Ver, Julgar e Agir. O método Ver, Julgar e Agir, consagrado pela ação católica, tem se mostrado adequado para a missão profética da Igreja a partir da Campanha da Fraternidade. O Ver se constitui, a partir de uma apresentação da realidade como marco referencial. O Julgar anuncia os valores do Reino e suas decorrências éticas, constituindo-se no referencial teórico. Esses valores são iluminativos para os gestos concretos da terceira parte do Texto-base: o Agir" (4).

Enfim, este método Ver, Julgar e Agir ajuda a verificar que a crise afeta a esfera da Segurança Pública, tanto no âmbito social, como no cultural.

Conclusão

A CF 2009 "Fraternidade e Segurança Pública" demonstra a luz do seu Texto-base alguns caminhos significativos que a Igreja pode assumir através de caminhos preventivos que ajude na recuperação de um novo modelo de Segurança Pública. Certamente, os maiores destinatários desta campanha são aqueles animadores diocesanos na Igreja Local, que depois de um processo de reflexão e de julgamento irão procurar a partir da própria realidade agir em conformidade com os elementos oferecidos pelos subsídios desta campanha. A grande meta é ter presente a consciência de que o melhor caminho para que a Segurança Pública seja efetivamente uma realidade social em que as nossas comunidades em conjunto com os segmentos sociais possam criar medidas preventivas a curto, médio e longo prazo que consolidando caminhos alternativos e efetivos de uma cultura da paz.

Notas:

(1) CNBB. Fraternidade e Segurança Pública - Texto - base CF 2009, nn. 97 - 129.
(2) Para uma maior noção a respeito do conceito visões de guerra ver o Texto - base n.5 aonde se aprofunda o mesmo considerando os objetivos específicos propostos pela campanha da fraternidade 2009.
(3) Aqui se entende como a luz do Texto Base da Campanha da Fraternidade de 2009 a Igreja internamente no seu papel de conscientização poderá contribuir e motivar para que os órgãos pastorais possam criar metas preventivas no processo da segurança pública.
(4) CNBB. Fraternidade e Segurança Pública - Texto -base CF 2009, n.6.

[As matérias do projeto "Ações pela Vida" são publicadas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008].

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nota da CPT sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes

NOTA PÚBLICA

“Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos” (MT 23,24)

Nota Pública sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.

No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que “invadem” propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.

Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.

Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.

Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, “faltam só dois anos para o fim do governo Lula”... e não se pode esperar, “pois estamos falando de mortes” nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009.

Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges

Presidente da Comissão Pastoral da Terra


Extraído de http://www.cptnacional.org.br/?system=news&action=read&id=3059&eid=8 acesso em 09 mar. 2009.

Bispos do mundo inteiro analisam Facebook e redes sociais

Deu na Zenit:

Bispos do mundo inteiro analisam Facebook e redes sociais

Convocados em Roma pelo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de março de 2009 (ZENIT.org).- O Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais convocou em Roma cerca de 75 bispos e vários sacerdotes em representação de 82 países para analisar os desafios e possibilidades propostos à evangelização pelos novos meios de comunicação digitais.

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Navegando na internet junto à professora Nicoletta Vittadini, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Católica de Milão, bispos de todos os continentes descobriram ou redescobriram na manhã desta segunda-feira estes lugares de encontro, especialmente para jovens e adolescentes.

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O congresso, que conta também com a orientação de professores da Universidade Pontifícia Salesiana e da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, está analisando de maneira inédita a mensagem que Bento XVI escreveu para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais de 2009 sobre o tema «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade».

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«O grande problema do nosso congresso será ver como a Igreja está presente nesta nova cultura, oferecendo sua própria contribuição. É um tema sumamente delicado.»

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«O documento que fundamenta nossa ação é Inter mirifica, do Concílio Vaticano II. Depois, o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais publicou um documento muito importante, Aetatis Nova, de 1992. Pensamos que desde então passou muito tempo e que as novas tecnologias propõem novas perguntas, novos interesses, novas emergências pastorais.»

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No diálogo com os bispos, Dom Celli reconheceu que o grande desafio para eles é o fato de não terem nascido na era digital, o que implica que, diferentemente dos jovens, ela tem de ser aprendida.

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Dom Celli insistiu no exemplo que Bento XVI deu ao decidir estar presente com um canal oficial no Youtube (www.youtube.com/vatican).

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Vários cardeais já estão presentes no Facebook, pelo que o cardeal Celli propôs a pergunta sobre se o Papa também estará nessa comunidade virtual. A resposta de Dom Celli foi prudente: não se está pensando nisso, ao menos de maneira imediata.

Leiam na íntegra em http://zenit.org/article-21013?l=portuguese

quinta-feira, 5 de março de 2009

Segurança pública e fraternidade

Escrito por Frei Betto
04-Mar-2009
Inicia-se, nesta Quaresma, a 47ª edição da Campanha da Fraternidade (CF), promovida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O tema deste ano é "Fraternidade e segurança pública", e o lema "A paz é fruto da justiça" (Isaías 32, 17).

Segundo o documento da CF, entre os objetivos se destacam "suscitar o debate sobre segurança pública e contribuir para a promoção da cultura de paz; denunciar os crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos de prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns; favorecer a articulação de redes populares e de políticas públicas com vistas à superação da violência; apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos".

A CNBB aponta três tipos de violência predominantes no Brasil: a estrutural, que nega cidadania a uma parcela da população e discrimina os "diferentes"; a física, como a tortura, a agressão à mulher, a exploração laboral e sexual de crianças; e a simbólica, através de ameaças e constrangimentos, negação de informação e disseminação da cultura do medo.

Talvez a mais freqüente e dissimulada seja a que ocorre dentro dos lares, desde maus tratos a empregadas às brigas entre casais; a agressão à mulher e aos filhos; as dependências químicas; o descaso pelos idosos; a pedofilia indenunciada e recorrente.

Uma das formas de violência mais visíveis hoje é a ambiental, que promove o desmatamento e a poluição das águas e do ar, favorece a emissão de CO2 na atmosfera e o aquecimento global; reduz a biodiversidade e as fontes de alimentos saudáveis. Há também a sutil, como alimentos transgênicos não-identificados, embalagens perniciosas à saúde, produtos com substâncias químicas nocivas.

Os dados da CNBB mostram que indígenas e pequenos agricultores têm perdido suas terras e sido assassinados em decorrência de conflitos fundiários. "Como não há limites, os que têm dinheiro se tornam proprietários da maior parte das terras; no outro extremo, quem não tem como comprar, fica sem nada, sem lugar para trabalhar e para viver. Como surgem os Sem-Terra e os Sem-Teto organizados, exigindo seus direitos, nada mais fácil que cresça a acusação e a imagem de que são baderneiros e, no limite, terroristas, e que ela seja combinada com o sentimento geral de que a violência direta ou a repressão policial é o prêmio destinado a quem se rebela contra a própria sorte" (p. 185).

A violência não reside apenas em agressões evidentes. Ela se imiscui até mesmo no nosso modo de pensar e falar, no discurso que considera a paz resultado do equilíbrio de forças ("mais cadeias, mais repressão") e não fruto da justiça. Há ainda a violência da mídia que invade os lares com programas pornográficos, exaltando a imbecilidade, a ociosidade vadia, o sucesso e a fama dos que transgridem as leis.

A CNBB propõe que o tema da segurança pública seja debatido em escolas, igrejas, fóruns, mídias. Sugere que se promova o diálogo com o poder público para a elaboração de programas, leis e políticas de segurança; que sejam organizados atos públicos em favor do tema; criem-se comissões de justiça e paz e de direitos humanos que possam acompanhar casos de violação desses mesmos direitos; denuncie e combata-se toda forma de trabalho escravo, de tráfico de pessoas, de exploração sexual, de violência doméstica.

Na prática de Jesus, três atitudes antiviolência se destacam: a humildade (fazer-se criança, Mateus 18, 4); o amor aos pobres e excluídos (Mateus 18,10 e 25, 31-40); o perdão (Mateus 18, 22). E o programa de justiça, capaz de engendrar a paz, contido no Sermão da Montanha (as bem-aventuranças, Mateus 5, 1-12).

O documento da Campanha da Fraternidade 2009 pode ser adquirido em livrarias católicas ou via: vendas@edicoescnbb.com.br.
[muito material (texto-base etc.) também está disponível on-line em http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/?tac=623]
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Barros, de "O amor fecunda o Universo" (Agir), entre outros livros.

Extraído de http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3008/55/
acesso em 05 mar. 2009.

sábado, 8 de novembro de 2008

Campanha da Fraternidade 2009

Paz e bem!

A Campanha da Fraternidade 2009
terá como tema:
Fraternidade e Segurança Pública
com o lema:
A paz é fruto da justiça. (Is 32, 17)

E seguem abaixo três vídeos:

1 Hino da CF2009


2 Vídeo institucional da CF 2009


3 Oração da CF2009

sábado, 13 de setembro de 2008

Alguns desafios pastorais e os irmãos e irmãs da Ordem Franciscana Secular

Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM (*)

1. Estamos vivendo o final da primeira década do século XXI. Os mais velhos vivemos, na segunda metade do século XX, transformações gigantescas na vida do mundo e no seio da Igreja. A Igreja, depois do Vaticano II, conheceu belas e profundas transformações. Também nesse tempo os franciscanos seculares foram buscando seu novo espaço na Igreja e no mundo. Embora muitas fraternidades seculares conheçam sério processo de envelhecimento, surgem novos grupos e as antigas fraternidades são convidadas a buscar novas vocações. Os franciscanos seculares, convictos de seu chamamento, sabem que precisam ser sal da terra e luz do mundo e se sentem responsáveis por levar o cristianismo ao mundo à maneira de Francisco e Clara. São leigos e leigas conscientes de seu papel na Igreja e no mundo.

2. Não podemos deixar de assinalar um fato importante para a vida dos seculares franciscanos. Referimo-nos à Regra de Paulo VI, nova Regra dos Seculares, aprovada a 24 de junho de 1978. Neste ano 2008 ela completou 30 anos. Trata-se de uma Regra atualizada, contendo a seiva da espiritualidade franciscana, redigida com o cabedal do ensinamento do Vaticano II e do Magistério da Igreja sobre os leigos. Esse ponto é de fundamental importância.

3. Antes de mais nada afirmamos que os franciscanos seculares são pessoas que trabalham e cultivam sua vida espiritual. Não são apenas “católicos” ou meros tocadores de obras, mais ou menos corretos, mas pessoas profundamente tocadas pelo Evangelho e pelo carisma franciscano. Os membros da OFS entram num processo de conversão. Toda a engrenagem da vida franciscana secular leva a uma transformação pessoal que faz dos irmãos e das irmãs pessoas despojadas, disponíveis, serviçais, dispostas a criar relacionamentos corteses e delicados entre as pessoas.

4. Para chegar a esse despojamento interior os franciscanos seculares cultivarão sua vida espiritual. Haverão de se impregnar cada dia da Palavra, ou seja, da Escritura. Pensamos aqui numa leitura pessoal ou comunitária, na audição atenta da Liturgia da Palavra da missa. Pensamos de modo especial na meditação da Palavra que nos modela individualmente e como fraternidade franciscana.

5. Os franciscanos seculares começam prestando atenção no que ocorre em sua própria família e nas famílias à sua volta. Se são filhos, cuidarão dos pais idosos. Se são pais, prestarão atenção nos filhos. Não faltarão com seus deveres familiares. Dentro do possível transformarão suas casas em igrejas domésticas, expressão muito antiga forjada por São João Crisóstomo. Sabem os franciscanos seculares que as questões familiares são delicadas: aborto, separações, assédio sexual, separações, recasamentos.

6. Administrarão essas situações com firmeza e com misericórdia. Haverão de colorir toda a sua atividade familiar com o jeito franciscano de ser mãe, de ser pai, de ser filho: simplicidade, cordialidade, diálogo, vida despojada. Celebrarão em casa e na fraternidade os grandes acontecimentos familiares.

7. Especial atenção merecerá a vizinhança. Não somos indiferentes e alheios aos que nos cercam. Vivemos com outros: justiça, hospitalidade, veracidade, serviços prestados com generosidade e não mesquinhez. Os franciscanos se farão presentes junto às outras pessoas para que elas sintam que somos delas.

8. Os franciscanos seculares impregnam o mundo do trabalho com seu jeito evangélico: trabalho bem feito, honesto, fazer-se merecedor do salário, fazer progressos na profissão. Saber amar pelo trabalho e no trabalho.

9. Tomo a liberdade de elencar alguns aspectos e campos de atividade dos franciscano seculares que deveriam fazer parte da formação inicial e permanente dos irmãos e das irmãs:
  • manter a tensão sadia entre ação e oração;
  • criar profundidade num mundo de superficialidade;
  • num mundo de compromissos provisórios, colocar em destaque a fidelidade ( no casal, na família, na profissão, nas amizades);
  • necessidade de ser rever o modo como as famílias estão se inaugurando;
  • compreensão sempre mais clara do que vem a ser um cristão leigo no mundo (não é um mini-padre);
  • educar a juventude para a vivência de uma afetividade e uma sexualidade humanas;
  • trabalhar na catequese, ou seja, na formação cristã das novas gerações;
  • num mundo de indiferença e insensibilidade criar uma rede de solidariedade;
  • numa terra de violência, viver o espírito de ternura e de perdão;
  • estar um pouco mais consigo mesmo;
  • evitar aquilo que nos torne pessoas sem critério e sem discernimento, ou seja, não adotar modismos como verdades e sempre cultivar um espírito crítico.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM,
é Assistente Nacional da OFS pela OFM
e Assistente Regional da OFM na Região Sudeste II.
Email: freialmir@hotmail.com

Extraído de http://www.franciscanos.org.br/noticias/noticias_especiais/2008/almir_070808/artigos_05.php acesso em 13 set. 2008

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