Arquivo do blog

Mostrando postagens com marcador conjuntura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conjuntura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Petróleo Pré-Sal

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.


Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros.

Extraído de http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=114792&id_secao=1 acesso em 01 set. 2009.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Desafios para o cristianismo no alvorecer do novo milênio

Frei Eduardo F. Melo, OFMcap*
Acabo de ler a obra primordial do sociólogo brasileiro Ricardo Mariano: Sociologia do Novo pentecostalismo no Brasil. Com a leitura deste livro do renomado pesquisador do fenômeno religioso no país, percebo o intenso desespero que muitos ministros do Evangelho vêm sofrendo por conta dos rumos obscuros e inóspitos da religiosidade pós-moderna. Pude abrir meu campo de reflexão e de análise sobre a fé cristã a partir de alguns referenciais que a leitura deste livro trouxe para mim. Por isso, hoje quero compartilhar com você o fruto desta reflexão....

Vivi parte de minha adolescência nas décadas de oitenta e noventa. Naqueles anos, o rock nacional e as bandas do famoso movimento grunge de Seattle estouravam nas rádios e na MTV. Acompanhei por quase 10 anos a evolução de diversos gêneros musicais dentro do universo do Rock em geral. Fui a shows de diversas bandas consideradas por alguns como as mais sinistras possíveis. Lembro-me de uma vez que fui a um festival de bandas de "noise-core", um estilo musical altamente agressivo e beligerante no município onde morava. Os headbangers, exaltados com a gritaria e com a rapidez tremenda das guitarras, pulavam monstruosamente dos palcos e se digladiavam como loucos numa jaula onde a violência e a histeria soavam como diversão. Um lugar onde a droga e a prostituição eram marcas obrigatórias de um público que se rebelava contra a vida e contra Deus.

O universo intelectual, as academias e as rodas literárias daquele tempo discutiam o existencialismo de Sartre e a filosofia social da escola de Frankfurt. As mulheres se libertavam lendo Simone de Beauvoir. Che Guevara inspirava os ideais revolucionários dos latino-americanos. Os valores defendidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) ainda eram o motor e a alavanca dos sonhos utópicos de libertação nacional.

Neste tempo (década de 80), as drogas se tornaram uma obsessão mundial. O haxixe e a maconha deixaram de ser consumidas no submundo da marginalidade e dominaram as universidades das Américas. Tomavam-se doses mínimas de LSD para viajar por horas no mundo alucinógeno. Os picos de heroína nas veias abreviavam a vida de milhares de pessoas. Pink Floyd era a banda do momento...

Hoje, um pouco mais velho percebo que os tempos mudaram. A rebeldia dos jovens aquietou-se, os heróis comunistas ruíram; o consumismo substituiu as antigas aspirações revolucionárias e a techno music substituiu o rock nas festas Rave espalhadas pelo país. Aquelas drogas que entorpeciam e deixavam seus usuários num estado zen, foram suplantadas por outras que ativam, energizam e potencializam o ser humano. Hoje, a busca do prazer compulsivo e a pornografia implícita reinam num mundo virtual que não revela nem identidades nem endereços. Pessoas se desgastam numa busca desenfreada de poder e de consumo. Vemos uma geração que perde sua alma sem perceber. E isso é terrível...

Hoje, substituíram-se os tóxicos que causavam torpor alucinógeno por outros que oferecem uma sensação de poder e de autonomia. Assim, vivemos um período em que quase não se fala mais em heroína ou em LSD. As drogas da moda são a cocaína e sua versão mais barata, o crack. E absurdamente cresce a busca pelas drogas sintéticas, como o ecstasy, que prometem um melhor desempenho para o viciado, inclusive sexual.

Percebo que a religião também mudou muito. Naqueles anos, predominava entre os jovens o conceito de que a religião servia aos interesses das elites, pacificando os oprimidos. Era década de oitenta, e eu pequeno, via as revoltas estudantis e as marchas de protesto pela tela da TV e me assustava com aquele espírito hard e underground que pairava na face dos estudantes. Os debates reforçavam o pensamento de Karl Marx que em 1844 afirmou:

"O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento do povo".

Marx acreditava que a religião é o único suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. Seus contemporâneos repetiram sua conclusão: "A religião é o ópio do povo". Confesso que desde que ouvi esta frase pela primeira vez no colégio, sempre fiquei intrigado com ela. Confesso também que minha experiência religiosa na adolescência não foi das mais perfeitas. Mas os tempos mudaram. Hoje olho para meu passado remoto e reconheço como tudo foi importante ter acontecido daquela forma. Mas voltemos ao assunto...

Marx afirmava que a religião não é um narcótico qualquer. Ele a identificava com um entorpecente poderosíssimo de seus dias: o ópio. As condições sociais perversas da Europa no século XIX condenavam os trabalhadores a pouco mais que escravos. Homens e mulheres enfrentavam uma situação de sobre-vida em seus trabalhos, sufocados pelo calor e pela má conservação das fábricas, chegando a trabalhar 18 horas por dia.

Marx entendia que as mesmas condições também produziram uma religião que prometia um mundo melhor só para a próxima vida. Depois que li essas teorias, disse pra mim mesmo que precisava rever meus estudos filosóficos e políticos, tamanha era a pertinência dessas assertivas. Hoje tento escrever sobre isso, procurando identificar as possíveis coerências internas do pensamento marxista. Mas continuemos...

Assim, tanto ele como seus seguidores difundiram que a religião não é apenas uma ilusão, mas que ela cumpre uma função social importante e essencial: distrair os oprimidos e apaziguar as consciências diante da possível tragicidade do momento presente (tal como já havia afirmado Freud na sua crítica à religião).

Exatamente por isso, Marx afirmava que a religião é um narcótico que não apenas alivia a dor do trabalhador, como lhe embriaga, roubando-lhe o poder de transformar sua realidade. Para ele, a esperança religiosa era um ópio que prometia felicidade no porvir, adiando o furor revolucionário. O pior é que de alguma forma, ele tinha razão em suas análises. A igreja cristã de seus dias realmente estava decadente e, aliada à aristocracia, desempenhava exatamente esse papel anestesiante. Mas continuemos nossa reflexão.

Porém, com a pós-modernidade, a religião já não cumpre essa tarefa entorpecente do ópio. No ocidente cristão (americanizado), a proposta religiosa vem crescentemente se tornando mais parecida com uma outra droga: a cocaína. O neoliberalismo, pai deste materialismo consumista tão bem representado no fascínio pelos shoppings centers e pelas grifes, já entorpece como o ópio. Por outro lado, a religião de hoje procura excitar e produzir sensações de poder parecidas com a da cocaína. Interessante...

Venho pesquisando o universo religioso evangélico há alguns anos. Reconheço que minhas conclusões ainda são preliminares, e seguindo a linha dos bons sociólogos desta geração, constato certas tendências no protestantismo brasileiro (cópia barata do modelo americano), em especial, que algumas igrejas neopentecostais - como a polêmica Igreja Universal do Reino de Deus - objeto de meu estudo, se multiplicam alicerçadas em três paradigmas centrais para a vida do "crente":

- Promete que ele nunca mais vai ter doenças;
- Promete que o crente vai pisar a cabeça do diabo e nunca mais sofrer;
- Promete que ele vai ficar rico porque é filho de Deus e não merece o sofrimento;

Essas Igrejas repetem exaustivamente que ninguém precisa transferir para a eternidade o que pode ser reivindicado já nesta vida. E isso é alarmante para o evangelho verdadeiro! Essa é a tese de um dos grandes evangelistas americanos, sr. Kennet Haggin, fundador da teologia da prosperidade iniciada nos idos da década de 40 nos EUA, e que veio aportar aqui no Brasil através das famosas igrejas pentecostais Assembléia de Deus (Gunnar Vingren), Igreja Deus é Amor (pr. David Miranda) e Igreja Universal do Reino de Deus (bispo Macedo).

Algumas Igrejas insistem na promessa feita a Israel de que o fiel é "cabeça e não cauda". Assim o crente que freqüenta os cultos da prosperidade, por exemplo, recebe semanalmente uma injeção de cocaína espiritual no sangue, fazendo com que se sinta o dono do mundo e o detentor dos poderes que podem lhe garantir a felicidade plena, em todas as áreas de sua vida (econômica, afetiva, física e espiritual). Mas isso é uma mentira....

POSSO AFIRMAR COM TODA CERTEZA QUE ESSA MENSAGEM É TÃO PERIGOSA E SORRATEIRA QUE DARIA ATÉ PRA ENTRAR COM UM PROCESSO NO PROCON CONTRA A PROPAGANDA ENGANOSA QUE VEM SENDO FEITA EM NOME DE DEUS POR CERTOS PASTORES EVANGÉLICOS EM ALGUMAS IGREJAS HOJE!!

Nem que seja por apenas alguns minutos de culto, essa espécie de "CRENTE" sonha ingenuamente com tudo o que os seus olhos gulosos viram as empresas de marketing oferecerem na televisão. E isso é tenebroso!!! Tenebroso porque estão colocando o patrimônio da Fé cristã numa tremenda enrascada, barateando a mensagem do Evangelho de Cristo com uma promessa mentirosa e tacanha.

Hoje posso afirmar com certa propriedade: algumas igrejas cristãs nesse início de milênio se transformaram em verdadeiras ilhas da fantasia capitalista. Simplesmente porque, nas pesquisas de campo que venho realizando nestes últimos anos já vi ministros sagrados enganando fiéis, extorquindo dinheiro e cativando pessoas pobres e despreparadas emocionalmente (que na maioria das vezes vão até lá bem-intencionadas, porém não menos gananciosas), prometendo-lhes sucesso e bem estar, mas isso é um absurdo.

Prometer em nome de Deus uma coisa que não se pode dar é crime. Crime contra a pessoa do crente e um assinte à pessoa de Deus!

De certo modo, podemos afirmar que essas igrejas estão entrando num processo perigoso e sutil, tornando-se mesmo um ópio para grande parte da população brasileira, que empobrecida e desanimada com todo o caos social reinante no país, busca nesses templos um refúgio e um alívio pra lidar com as mazelas que tocam o coração e a alma humana. As últimas pesquisas realizadas pelo censo do IBGE de 2000 (presente no Atlas da Filiação Religiosa Brasileira- ed. PUC rio), já afirma que o número de evangélicos chega aos 30 milhões de pessoas no país.

Empresários falidos, artistas em fim de carreira, jogadores de futebol mal-sucedidos, empregados sem qualificação, correm para as infindáveis campanhas religiosas promovidas por essas igrejas buscando reverter a pretensa "maldição" que paira sobre suas vidas. E, depois de espoliados e extorquidos, são devolvidos à dura realidade da vida, obrigados a encarar a triste chegada da segunda-feira.

Dependurados nos trens suburbanos ou parados nas enormes filas pelas calçadas atrás de um emprego, eles sofrem tristes e deprimidos como os foliões do carnaval que voltam para seu destino na madrugada da quarta-feira de cinza. Sozinhos, enfrentam a dura realidade de que não são reis ou rainhas, mas apenas sub-empregados, obrigados a viverem com um salário mínimo miserável, num mundo que os exclui sem dó nem piedade...

Infelizmente chego à conclusão de que hoje, a própria definição do que seja a FÉ vem sofrendo enormes mudanças. Antigamente entendia-se fé como uma adesão a um conceito teológico ou mesmo como uma habilidade sensitiva de perceber o mundo espiritual. Pessoas de fé discerniam as ações de Deus e do mundo espiritual com maior acuidade e prudência. Eram pessoas que confiavam no caráter de Deus, mesmo sem evidências que comprovassem sua palavra. Tenho pessoas na minha família que revelam e muito essa experiência com Deus...

Hoje se entende FÉ como uma mera capacidade de instrumentalizar os poderes de Deus egoisticamente. Por isso vemos cristãos intrépidos e ao mesmo tempo, vorazes em defender sua religião, que fazem de tudo para demonstrar sua diferença estética em relação aos outros, mas com pouco conteúdo doutrinário e pouca demonstração de verdade e de transparência de caráter.

Nesse aspecto temos de concordar com Marx que "fé" e cocaína possuem enormes semelhanças. Simplesmente porque dão uma falsa sensação de poder e geram pessoas artificialmente soberbas. Mas eu não tenho dúvida de que tanto a ressaca da cocaína como a ressaca da fé pós-moderna será terrível, porque vem sempre acompanhada de depressão e desengano. Talvez seja por isso que os cultos de determinadas igrejas evangélicas brasileiras estão sempre cheios. Igrejas abarrotadas de gente que não se satisfez totalmente com o efeito amortizador de promessas falsas e inóspitas.

Por isso, creio que hoje precisamos mais do que nunca, na Igreja cristã deste novo milênio, resgatar o cerne do Cristianismo verdadeiro:

A MENSAGEM DE QUE DEUS NOS AMA E NOS QUER BEM, SEM ESPERAR NADA EM TROCA. APESAR DE TODA APARÊNCIA DE PERVERSIDADE QUE HÁ NO MUNDO E NO CORAÇÃO HUMANO, PRECISAMOS VOLTAR A AFIRMAR QUE DEUS AINDA ACREDITA EM NÓS, E VEM APOSTANDO TUDO PARA QUE DE FATO SEJAMOS PARTE DE SUA FAMÍLIA, A FIM DE QUE CONSTRUAMOS UMA VIDA MAIS BONITA E PLENA DE SENTIDO.

Assim, o tóxico religioso de hoje é sempre mais estimulante. E é nesta perspectiva que os novos mercadejadores da fé precisaram redefinir, inclusive, a imagem de Deus.

Porque para alguns pastores evangélicos de hoje, a divindade pós-moderna só existe para servir aos caprichos das pessoas. Os cultos se transformaram em centros de aperfeiçoamento e aprimoramento humano. As igrejas deixaram de ser espaços para se cultuar a pessoa de Deus, seu caráter e sua ação na história, para se tornarem centros de especialização sobre como ensinar as pessoas a manipularem a Deus.

As liturgias espiritualizam as técnicas mais populares de como "liberar o poder de Deus", "afastar encostos", "tomar posse dos direitos", "conquistar gigantes". As pessoas se aproximam de Deus cheias de direitos, vontades e desejos, acreditando que são o centro do universo e que tudo e todos lhes devem obrigações. Perde-se o estado de "maravilhamento", de reverência e de submissão ao Eterno.

O que podemos afirmar, avaliando alguns segmentos protestantes no atual mercado religioso deste início de milênio, é que o propósito de toda atividade religiosa se tornou homocêntrica e nunca teocêntrica. Deus está a serviço dos caprichos humanos, e o indivíduo não percebe a necessidade de colocar sua vida à disposição dos princípios do Criador, porque só Ele pode lhe garantir a possibilidade de construção de uma vida autêntica e verdadeira.

De certa forma, algumas igrejas evangélicas atualmente acabaram se transformando em balcões de serviços religiosos e a relação do ministro com o fiel acabou se tornando a mesma do empresário para com o cliente. Redobram-se os esforços de oferecer uma maior gama de atividades que agradem os fiéis, que a esta altura e sem perceberem, tornaram-se ferozes consumidores religiosos com um nível de exigência tremenda.

Meu amigo e minha amiga, se você chegou até aqui acompanhando meu raciocínio e minhas constatações a respeito da crítica à religiosidade cristã contemporânea, eu quero lhe apresentar alguns argumentos a respeito da ética cristã vivida por Jesus, pertinente a esta temática:

Fim de análise de um angustiado...

1- NA LÓGICA DE JESUS, ÉTICA E RELIGIÃO NUNCA PODEM SE CONTRAPOR!

Acredito que a genuína mensagem do evangelho não pode ser comparada ao ópio (como fez Marx) e nem à cocaína (como fazem os pregadores evangélicos da religiosidade pós-moderna). Afirmo isso, simplesmente porque Jesus Cristo não prometeu um celeste porvir que acabaria com todo sofrimento existente na terra e que anestesiaria as consciências das pessoas, aliviando sua lutas. NÃO!

"Eu vos falei estas coisas para que tenhas de fato, a paz em Mim. Porque no mundo tereis muitas aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!"
( João 16, 33 )

Seus discípulos foram convocados a serem o sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-16), a fim de enfrentarem os reis poderosos e transformarem a realidade no aqui e agora da História. Antes que se levante o sol da justiça e que o Senhor volte trazendo salvação sob suas asas, Ele comissionou sua igreja a enfrentar as estruturas humanas que produzem a morte e declarar guerra ao próprio inferno (Mt 28, 16-20). Assim, não posso temer que o meu amanhã seja obscuro e tenebroso.

Do mesmo jeito que Jesus teve de enfrentar seus opositores para conquistar os louros da vitória, embora isso tenha lhe custado a vida, assim eu quero enfrentar os terremotos e avalanches que vierem sobre mim. Precisamos voltar a meditar na riqueza da presença de Jesus em nossas vidas, que como um amigo e companheiro de jornada, está orando ao pai continuamente por nós e pela nossa felicidade, sem com isso, anular a nossa liberdade e o nosso querer.

2- PARA JESUS, FÉ GENUÍNA E VERDADEIRA NÃO TEM NADA A VER COM FUGA DO SOFRIMENTO NA VIDA.

Em seu caminhar sobre a terra, tampouco Jesus prometeu que nos tornaríamos os donos do mundo, ricos e prósperos, e nunca mais padeceríamos das doenças e dos traumas humanos que afligem grande parte da população neste planeta. Fomos chamados a encarnar o mesmo sentimento e a mesma disposição que tinha o coração de Cristo, que sendo de forma divina não teve por usurpação ser igual a Deus, mas tomou a forma de servo, humilhando-se até a morte e morte de cruz, padecendo as mesmas dores e temores que todos nós padecemos todos os dias (Filipenses 2, 5-8), e sofrendo na pele as angústias que rondam a mente humana todos os dias.

Diferentemente de todas as outras religiões construídas na história da humanidade, o cristianismo se ancora na premissa de que Deus andou entre nós fazendo o bem, de que Deus teve os mesmos sentimentos e dores que cada um de nós sente no próprio coração, e que precisou por isso, como humano que era, passar pelos mesmos processos pedagógicos de aperfeiçoamento que cada um de nós passamos nesta vida:

"Embora sendo o filho de Deus, Jesus aprendeu a obediência pelo sofrimento, e levado à perfeição, tornou-se para todos os que lhe conhecem o princípio de salvação eterna". ( Hebreus 5, 8-9 )

3- PARA JESUS, A FUNÇÃO DA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA AUTÊNTICA É FORMAR O CARÁTER DAS PESSOAS PARA A RETIDÃO E PARA PRÁTICA A JUSTIÇA, E NÃO PARA ALIENAÇÃO RELIGIOSA.

"Buscai em primeiro ligar, o Reino e Deus e a sua JUSTIÇA, e tudo mais vos será acrescentado. Não vos perturbeis, portanto, com o dia de amanhã, pois a cada dia basta sua preocupação".
( Mateus 6, 33-34 )

Apoiado numa série de testemunhos de homens e mulheres que vem dando sua vida pela causa do Reino, hoje, estou convencido de que: O verdadeiro culto cristão não pode ser encarado como uma forma de aperfeiçoamento humano ou se transformar num centro de auto-ajuda onde os fiéis precisam aprender as técnicas sobre como obter o favor de Deus para se tornarem felizes e ricos de um dia para o outro.

PRECISAMOS SIM, APRENDER A CELEBRAR O SEU GRANDE AMOR DE PAI QUE NOS QUER BEM, APESAR DE NOSSA PRÓPRIA PEQUENEZ E REBELDIA.

Hoje, acredito que Marx estava certo quando denunciou o que acontecia com a igreja que se colocava a serviço das aristocracias do seu tempo. Aquela religião adoecida e morta realmente merecia a pecha de ópio do povo. Os líderes religiosos que comiam nas mesas dos poderosos e que desdenhavam da sorte dos miseráveis realmente buscavam entorpecer os mais pobres. Uma igreja que se contenta em simplesmente legitimar a opressão e a política corrupta de um sistema capitalista precisava sofrer a afronta deste economista e filósofo do pensamento moderno.
Já Maquiavel afirmava que :

"Quem come na mão do príncipe, não pode denunciá-lo".

Assim, o que se oferece de muitos púlpitos pós-modernos hoje, não é o Evangelho de Jesus Cristo, mas mera cocaína religiosa. E se algum outro filósofo ateu afirmar que aquela religião aristocrática que se espalhou no ocidente medieval e moderno combinava com o narcótico da moda, também seremos obrigados a concordar. E aqui nós os cristãos ocidentais temos de lamentar e chorar por conta de nossa fraca experiência religiosa. Experiência que se contenta hoje com um mínimo de ação e um mínimo de tempo investido na companhia e no conhecimento do Caráter de Deus. Talvez esse seja o segredo da vida cristã para este início de novo milênio.

Repito:

PRECISAMOS RE-VER A PESSOA DE DEUS COMO UM PARCEIRO, QUE NA LONGA JORNADA DA VIDA, QUER NOS AJUDAR A DESCOBRIRMOS OS RUMOS PARA DELINEARMOS UMA NOVA HISTÓRIA.

COMO UM AMIGO FIEL, ELE QUER NOS AJUDAR A DESVENDAR OS MISTÉRIOS ESCONDIDOS NO FUNDO DE NOSSO CORAÇÃO. COMO UM PARCEIRO CERTO E COMPANHEIRO DE LUTAS, ELE PODE NOS INSPIRAR ATRAVÉS DO EXEMPLO DE HUMANIDADE E DE SENSO ÉTICO DE SEU FILHO JESUS, A FIM DE QUE SEJAMOS HOMENS E MULHERES DE UMA VIDA AUTÊNTICA, BONITA E PLENAMENTE REALIZADA.

Dessa forma, a nossa religião não será talvez um ópio alienante para as consciências das pessoas, mas a possibilidade de uma experiência cada vez mais transformante e humanizadora para todos nós.

E que assim se cumpra em nossa vida!!!

Um desabafo.
Uma constatação.
Uma pesquisa.
Uma angústia.
Um grito de minh'alma.
Uma felicidade em escrever.
Um mundo a desvendar.

"O Melhor ainda está por vir..."

"Tu tens, Senhor Jesus, a última palavra. E nós apostamos em Ti".
Reanima nossa Esperança, confirma nossa Fé!"

* Frei Eduardo F. Melo concluiu o curso de Teologia pelo ITF em 2006

Extraído de http://www.franciscanos.org.br/itf/artigos/2009/007.php acesso em 31 ago. 2009.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL

A CRISE MUNDIAL...

O que está acontecendo atualmente no mundo não é apenas uma crise econômica, mas uma crise endêmica de valores morais e éticos; essa crise global deveria chamar-se: Ganância, esse deveria ser o nome mais apropriado para ela.

E essa cobiça, essa sede de acumular sem medida, compulsivamente, resulta do medo da escassez dos recursos, fruto da crença na luta evolucionista pela sobrevivência. E não é de se estranhar que alguns pensam que o que existe não é suficiente para todos, por isso, uma parte dessas pessoas se dedicam a roubar impunemente e sistematicamente os recursos destinados para o bem de todos.

Esses recursos desviados dos cofres públicos e mesmo adquiridos ilicitamente por bancos ou operadoras de serviços mal prestados, geralmente estão escondidos em contas fantasmas em paraísos fiscais, tipo Ilhas Caimãs, Suíça, Mônaco, etc. Invisíveis aos nossos olhos, porque acobertado pela mídia, que deles recebem milhões para não divulgarem tais falcatruas; sem contar as grandes propriedades pertencentes à uns poucos; e ainda um sistema financeiro que permite o enriquecimento escandaloso de alguns à custa da miséria da grande maioria assalariada.

Analisemos o Sistema Financeiro que está aí: ao que parece tudo de nossa vida depende do humor das bolsas de valores; assim, os preços estão atrelados ao mercado financeiro; basta uma queda mais brusca de ações, um aumento repentino do barril de petróleo ou do dólar, e pronto, já é motivo para a alta dos preços e com isso nos tornamos reféns dos mega aplicadores desse sistema de valores financeiros infernais.

Analisemos agora nosso Sistema Político, que não deveria se chamar democracia, mas sim “mentirocracia”, dada às mentiras, calúnias e falcatruas que levam os nossos dirigentes ao poder. Conchavos políticos, compras de votos, fraudes, perseguições, maçonaria no poder custe o que custar; vendas de estatais lucrativas para grupos que as compram com o dinheiro do próprio País (BNDS; BNB), isto é, a farra das privatizações; e tudo isso, impunemente. Já viram algum político brasileiro na cadeia ou a mendigar o pão? Ou seja, “nossa” justiça só pune quem nada tem, porque os dirigentes políticos e seus apadrinhados escapam ilesos. Estão anos e anos no poder e o Estado na miséria.

Enfim, a crise que se instalou no mundo e no Brasil, repito, não é apenas econômica, mas uma crise de princípios. É uma crise que diz respeito à verdade. Alguns dizem: tudo para o bem do povo, dos menos favorecidos; porém, o que se vê são os interesses pessoais e dos grandes grupos financeiros e de comunicação, financiadores das campanhas, no centro das decisões “puxando a brasa pra sua sardinha”. E com isso, milhões morrem de fome ou na miséria.

Precisamos passar a limpo este nosso País e até o mundo. No dia em que nossos líderes políticos abrirem suas contas publicamente; trabalharem de verdade pela igualdade social; deixarem de financiar as indústrias bélicas; moralizarem os sistemas políticos,jurídicos e financeiros; aplicarem os recursos públicos em educação, saúde, moradia e trabalho para todos, então, estaremos dando um grande passo na direção certa. Porque já estamos cansados de tanta falsidade, corrupção e injustiças; precisamos urgentemente da verdade se quisermos sair dessa crise que se instalou não só no mundo, mas em todos os lares, pois, sua repercussão tende a piorar se não nos convertemos de fato.

Paz e Bem!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

OS SINAIS DOS TEMPOS



OS SINAIS DOS TEMPOS

"Sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?" Mt 16,4

O tempo nos dar sinais em toda parte deste nosso planeta, são sinais tão perceptíveis que é impossível não percebê-los, uma vez que esses sinais afetam diretamente cada ser humano na face da terra. Assim, vemos esses Sinais na Natureza: poluição dos rios, destruição das matas, aquecimento global, degelo glacial, tsunamis, chuvas torrenciais, enchentes desproporcionais, secas devastadoras, terremotos tremendos, erupções vulcânicas, etc.

Sinais na Sociedade: crise econômica mundial, corrupção nos organismos governamentais e não governamentais como nunca visto antes; imposição de ditaduras de governos ou de maus costumes, perseguições políticas, terrorismo, domínios das sociedades secretas: maçonaria, Iluminatis, Rosa Cruz, ordem Skull and Bones ( caveira e ossos), Bilderberg = grupo secreto de banqueiros internacionais, etc.; domínio da mídia demoníaca; violência desenfreada, prostituição, homossexualismo masculino e feminino, pedofilia; indústria dos abortos, indústria da jogatina, indústria da pornografia; indústria de armas, industria das drogas, etc.

Sinais da decadência da fé: aumento do secularismo, ocultismo, ateísmo, indiferentismo, hedonismo, decadência dos valores morais, corrupção dos costumes; multiplicação das seitas satânicas, das religiões espiritualistas; arrefecimento da fé católica; aumento das seitas protestantes, etc.

Sinais nos costumes: música demoníaca tipo rock satânico; tatuagens, piercings; aumento dos vícios de toda espécie: alcoolismo, jogos de azar, jogos de computadores, violência na TV, fanatismo futebolístico, idolatria de pessoas famosas; corrupção dos valores religiosos; aumento dos divórcios; adoração televisiva, cinematográfica, etc.

Nunca se viu na história da humanidade um domínio do mal em tão grande proporção, seja nos meios de comunicação social, nos governos, nas indústrias, no comércio, nas organizações não governamentais, com raras exceções; nos sistemas educacionais e nos grandes conglomerados bancários e industriais.

Ao que parece, o dinheiro, a fama e o prazer tem sido a trilogia que o Mal tem usado para angariar seus adoradores neste mundo. “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições”. (1Tim 6,10).

Daí resulta a tragicidade das guerras, das drogas, de produtos pirateados, da roubalheira desenfreada, etc. Nunca em tempo algum os mandamentos de Deus foram tão desrespeitados quanto em nosso tempo. Realmente esse nosso tempo dá sinais de uma decadência tal que é quase insuportável a sobrevivência humana, dada a insegurança que vivemos; o resultado é o aumento da fome, das doenças incuráveis ou não; do número de suicídios, encarcerados, depressivos, loucos, etc.

Qual a lição que podemos tirar de tudo isso? Esse mundo é uma nau à deriva próximo de um naufrágio terrível; e caso os homens não parem de pecar e não se convertam, essa nossa terra será exterminada pelo fogo anunciado pelas Profecias bíblicas (Is 13,8;26,11;50,11; Jer 4,4; Jl3,3; Mt3,12;13,40;25,41; Apo 9,18;20,9;21,8); que há de punir todos os culpados por essa tragédia que se abate sobre nossa humanidade, pois deixarem a lei de Deus e aderirem à lei da maldade e de seu representante, o demônio.

E é Por isso que o caos se estabeleceu entre nós e o único meio de detê-lo é a conversão em massa a Deus ou a purificação pelo fogo que há de consumir tudo o que existe (Cf. 2Ped 3); a terceira guerra mundial que o diga, pois com o arsenal atômico que as nações poderosas possuem, podem destruir esse nosso mundo muitas e muitas vezes e o estopim para isso já está sendo aceso, a guerra no Oriente Médio.

Então, mais do que nunca é tempo de conversão, é tempo de penitência e oração, pois a vida sem Deus é um inferno e muitos já o experimentam por terem abandonado o Senhor, para trilharem o caminho do mal, fazendo deste mundo um mundo tenebroso onde se multiplica cada vez mais as blasfêmias, as discórdias e todo tipo de corrupção, violência e morte.

Deus tem sido muito paciente com essa nossa humanidade pecadora; creio que sua misericórdia não tem limites, mas para que não nos percamos todos, o Senhor permitirá que soframos o dilúvio de fogo para purificação e libertação de todos os males que foi implantado nesse nosso mundo pela desobediência e impenitência dos ímpios que, como joio, no meio do pequeno resto de justos, serão arrancados, pois a seara já está madura.

Estamos perto do fim de todas as injustiças e dos injustos que as cometeram e as cometem e mais perto ainda da Justiça Divina que há de se cumprir para a salvação de todos os que esperam a segunda vinda do Salvador Jesus Cristo, pois “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos”. (At 4,12). E esse dia está prestes a chegar.

“Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém.

Vem, Senhor Jesus!

A graça do Senhor Jesus esteja com todos”. (Apo 22,20-21).

PAZ E BEM!

Firefox