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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Cinema e formação franciscana secular

Paz e bem1!

Caros irmãos,
Caras irmãs:

Dias atrás o Everaldo2 me honrou com o convite para escrever sobre filmes que possam servir para a formação franciscana secular. Não sou um expert em cinema e não me considero habilitado para falar em formação, mas mesmo assim estou aceitando este convite.

1 Apresentação

Meu nome é Eugenio Hansen, 45 anos, casado com a Isabel, pai do Zezé, fiz minha promessa definitiva em dezembro último, sou bibliotecário e trabalho na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Uma curiosidade sobre minha casa é que aqui convivem duas famílias espirituais: eu sou franciscano e minha esposa é noviça oblata beneditina - fazemos a piada que o Zezé será carmelita secular pra não descontentar nenhum de nós.

2 Cinema

O cinema é chamado de sétima arte e não tenho dúvidas de que é uma arte específica, com sua própria linguagem e estética. Os filmes (tanto de cinema como de TV) nos contam histórias reais ou imaginárias que penetram profindamente em nós pois nos atingem pelos dois principais sentidos que temos: visão e audição.

Por nos atingir tão fortemente muitas vezes nos esquecemos que mesmo filmes que tratam fatos reais (documentários ou não) o que fazem é nos apresentar um possibilidade sobre o que poderia ter ocorrido e que é a visão do diretor para aquela história - mas isto não ocorre apenas com o cinema, Tomás de Celano escreveu quatro biografias de São Francisco e em cada uma delas nos apresenta diferentes facetas de nosso pai.

3 Formação

Seja na formação inicial, seja na formação permanente os filmes podem ser usados como instrumentos que nos levem a aprofundar nossos conhecimentos e a refletir sobre nosso seguimento dos passos de Jesus.

Basicamente há duas formas de uso:
a) Apresentação de um filme completo e depois comentar sobre o mesmo.
b) Apresentação de um ou mais trechos e igualmente comentar.

Uma variante da segunda forma é apresentar o mesmo episódio retratado por diferentes diretores. A dificuldade da primeira opção é que a exibição pode ser demorada e depois pode-se ter pouco tempo para comentar. Já na segunda forma o problema é que cortamos uma obra e não vemos o seu conjunto.

Obviamente a decisão sobre qual forma usar caberá ao mestre de formação ou o responsável por esta atividade formativa.

1 Este artigo foi escrito originalmente em 2009 e mantinha-se nao puplicado desde então, mesmo que as reflexões não tenham sido aproveitada até o momento, creio que já é tempo de virem à luz.
2 Everaldo Souto Salvador, Secretário do Conselho Nacional da OFS do Brasil (2006/2009).
Creative Commons LicenseCinema e formação franciscana secular by Eugenio Hansen, OFS is licensed under a Creative Commons Atribuição-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Francisco de Assis o poeta da Vida





Gosto de usar a palavra Poesia, palavra grega "póesis”, que significa “o fazer perfeito”, a vivência atenta, a admiração, o encantamento. Francisco de Assis é um Poeta da Vida. A Idade Média nos legou este homem santo, um enamorado pela vida e pelo Deus da vida. O seu ideal se encontra lá onde floresce a verdade, onde se prega a formação do humano total, onde vicejam a fraternidade, o amor, a ternura, a sensibilidade, a comunhão com tudo e com todos. Francisco é conduzido por Deus, mas mergulhado na terra, irmão de toda criatura. Ele não queria ser dono e senhor de ninguém, mas ser irmão da água, do fogo, das estrelas, do sol, da lua, dos pássaros, florestas, árvores, plantas, do verme rastejante, captando assim que a vida é parte de um todo. Francisco se coloca nesta esteira admirável de engrandecimento e respeito por todo o mundo criado, nada destruindo, nada ferindo, nada prejudicando, quase que pedindo licença para pisar o chão; desculpando-se com a irmandade por não servi-los o bastante.

Frei Lenivaldo OFM

domingo, 26 de agosto de 2012

Franciscano e franciscanos

Frei Dorvalino Fassini, OFM


O movimento sugerido pelo Papa João XXIII e confirmado pelo Vaticano II está nos revelando, cada vez mais, que nós franciscanos constituímos uma única e mesma Ordem, seguimos uma única e mesma Regra e vivemos uma única e mesma Vida: a Ordem, a Regra e a Vida da ardente Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, vivida e testemunhada pelos Apóstolos, re-aparecida ou ressuscitada em Francisco, re-vivida e testemunhada por ele e por inúmeros de seus companheiros, séculos afora[1].
O vigor desse mistério ou Paixão é de tal efervescência, disposição e fecundidade que explodiu e se multiplicou desde cedo em milhares e milhares de pessoas que olhavam, procuravam e seguiam Francisco não apenas de forma individual ou particular, mas também comunitariamente em pequenas e, às vezes, em grandes grupos ou comunidades. Essa multiplicação pode ser comparada à Igreja nascente do primeiro século cristão. Em poucos anos o mistério do mesmo Cristo crucificado, vivo e ressuscitado, multiplicava-se e difundia-se por quase todas as partes do mundo. Os fiéis, nascidos e vivificados pela seiva da única e mesma Boa Nova, eram todos “cristãos”, mas nem todos de igual forma. Uns eram de Éfeso e formavam a Igreja de Éfeso, outros de Roma e formavam a Igreja de Roma, de Jerusalém, Corinto, Tessalônica, etc.; uns procediam do paganismo e outros do judaísmo. Todos, pois, são cristãos, mas nem todos do mesmo jeito. Assim, também, acontece com nossa Ordem. Todos somos franciscanos, mas nem todos do mesmo jeito. Por isso, todos os capuchinhos são franciscanos, mas nem todos os franciscanos são capuchinhos, vice e versa, etc. 
Assim também aconteceu com o Carisma originário de Francisco que, aos poucos, passou a chamar-se “franciscano”. “Franciscano” é, pois, a raiz, o comum de todos quantos se sentem atingidos pelo mesmo mistério da Paixão de Cristo que atingiu Francisco. Mas, o atingimento e a resposta não são iguais em ou para todos. Cada um procura recebê-la e concretizá-la a seu modo. É o fenômeno da multiplicação que outros, indevidamente, chamam de divisão. Por isso, desde logo nasceram as três Ordens, cada qual com uma denominação diferenciada e própria: Ordem dos Frades Menores, Ordem das Irmãs Pobres e Ordem Terceira. E, dentro de cada uma dessas três Ordens, com o decorrer dos anos e séculos, o processo continua florescendo e se multiplicando, com o consequente surgimento de muitas outras ramificações. Na ou da OFM surgiram os menores, os conventuais e os capuchinhos. Na ou da Ordem de santa Clara, surgiram as Coletinas, as Capuchinhas, as Concepcionistas, as Urbanistas, e outras. Na ou da Ordem Terceira, finalmente, nasceram e continuam nascendo dezenas e mais dezenas de Congregações e Institutos religiosos, conglomerados na então denominada Terceira Ordem Regular de são Francisco (TOR).
Todos e todas, porém, denominam-se “franciscanos/as”. Por isso, assim como o cristão de Roma não pode ser igual ao cristão de Éfeso, ou o gaúcho ao catarinense, o mesmo acontece conosco. Nenhum conventual ou capuchinho, nenhum franciscano secular ou regular gostaria de chamar-se de “menor”, e vice-versa, nenhum “menor”, gostaria de ser chamado de conventual ou capuchinho, etc. 
Por isso, não há nenhuma razão que justifique o neologismo “francisclariano”, inventado para designar todos os franciscanos. As únicas que podem usar com justiça e propriedade esse nome seriam as clarissas. Quando um outro franciscano recorre a este termo para se auto-definir está renunciando e negando o vigor próprio de sua origem e de sua espiritualidade, o brilho de sua identidade, conduzindo-se, necessariamente, a um lento, mas irremediável processo de vagueza, enfraquecimento e diluição do específico de seu espírito, carisma, vocação e missão[2].
O importante em tudo isso é não sucumbir à tentação de reduzir o mistério, a obra, a “coisa” de Deus à subjetividade das pessoas, sejam indivíduos ou grupos. Em outras palavras, cuidar para que o Carisma franciscano não vire “coisa” de um Francisco, de uma Clara, de um Egídio e, no fim, de cada um de nós, seus seguidores. Neste caso, estaríamos prendendo e reduzindo à mera fragilidade dos limites da subjetividade das pessoas, dos fatos, das ocorrências passageiras e do biológico o que não se pode subjetivar ou prender: a floração do mistério, do amor, da Paixão de Deus que não se limita a nenhuma pessoa, a nenhum tempo, lugar ou gênero, mas a tudo e a todos, fazendo surgir um novo Céu e uma nova Terra. Pode-se parafrasear, aqui, o pensamento de Oscar Wilde acerca da arte[3]: O Franciscanismo, ou o Carisma franciscano, não pode jamais ser submetido ao sujeito Francisco e a nenhum outro sujeito. Pois, neste caso, não seria mais carisma, graça do Senhor. Seria apenas biografia, mera narrativa de fatos e ocorrências, através da qual a realidade, isto é o real, que costumamos chamar de “franciscano”, foge e escapa.



 Notas:

[1] Portanto, em vez de se falar em “Família Franciscana do Brasil” dever-se-ia falar em “Ordem Franciscana do Brasil”.

[2] Tudo o que se diz aqui, das pessoas, isto é, dos franciscanos, vale também das assim chamadas Fontes Franciscanas. Não existem Fontes “francisclarianas”. O que existe são Fontes Franciscanas que se desdobram em Fontes ou Escritos de São Francisco, de Santa Clara, de Frei Egídio, de São Boaventura, de Santo Antônio, etc. Assim, ao se dizer “Fontes Franciscanas” está-se pensando e incluindo todas. Por isso, se disser uma, não estarei, necessariamente, incluindo as demais. Se disser “Fontes fancisclarianas” estarei falando apenas dos Escritos de São Francisco e de Santa Clara. Não estarão, necessariamente, incluídos, por exemplo, os Escritos de Frei Egídio, de Junípero, Tomás de Celano, São Boaventura, etc. Mas, ao contrário, se disser Fontes Franciscanas incluo todos os escritos que de uma ou outra forma estão sob a inspiração originária desse Carisma que moveu Francisco, Clara e seus primeiros companheiros.
[3] Oscar Wilde expressa assim seu pensamento: A arte não pode ser submetida ao seu sujeito. Nesse caso não é mais arte e sim biografia e a biografia é a rede pela qual a realidade escapa (Oscar Wilde).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A origem do cordão franciscano


O cordão franciscano nascido enquanto ele faz o seu próprio caminho de vida franciscana. Francisco deu o passo final na conversão difícil , que durou vários anos, para descobrir o que Deus queria dele em ouvir o Evangelho. Era 01 de fevereiro de 1208 quando , com cerca de 26 anos, ouviu as palavras que Jesus disse a seus discípulos quando os enviou a pregar, o que eles disseram que não precisa de nada para a estrada, "nem duas túnicas, nem sandálias, nenhuma equipe ... " (Mt 10.10).
Após a reflexão oportuna finalmente entendi que o Senhor lhe havia mostrado o caminho que deve seguir e não ficar indo em breve. Este tirou o cinto de couro e colocou uma corda ao redor da cintura.Esta mudança é particularmente significativo considerando que o cinto era uma peça essencial no vestuário medieval, porque não tinha bolsos. Cintos disponíveis em uma série de fivelas que foram usados ​​para o transporte de coisas dos sacos para os comerciantes, mesmo os selos e canetas aos notários ( 1 ) . Era uma peça de roupa que é tanto o estado funcional e de segurança foi, e era um reflexo de que a sociedade do século XIII em que o comércio com o Oriente, o resultado das Cruzadas, tinha dado um valor de dinheiro, até então, se não ( 2 ) .
Os homens daquele tempo eram tão imersos em seus negócios, eles não tinham tempo para Deus.Portanto, com este gesto , Francisco depositam sua confiança no Senhor e que o fez livres para seguir ,para que o seu cinto de idade não era mais que um empecilho, um utensílio que ligava os homens de seu tempo aos seus negócios e lucros .
Aludindo a esta mudança, Angel Francisco Tancredi convenceu o cavaleiro, que mais tarde se tornouem um de seus companheiros mais fiéis: "Por muito tempo você usa cinto, espada e esporas tem que troca o cinto de corda, a espada pela cruz, e esporas na estrada poeirenta. Venha, siga-me, porque eu vou cavaleiro de Cristo " .
O franciscano cabo de três nós simbolizam obediência, pobreza e castidade, três votos a fim de evitar que nada atingindo Cristo. Assim, escapa da pobreza sendo escravizados ao dinheiro, com a riqueza de Deus, a obediência é a liberdade de seguir a vontade do Pai, e da castidade é o caminho para não se concentrar ama uma pessoa, mas em todos.
O cordão franciscano é, em última análise um símbolo da pobreza evangélica e seguir Jesus, sem condições.

1 . Piero Bargellini, Os santos também são homens . Madrid, Ediciones Rialp (Col. Patmos, livros espirituais - 116), 1964, pp 107-123: San Francisco, os homens fantasiam .
2 . Eloi Leclerc, OFM, Francisco de Assis, o encontro entre o Evangelho ea História em Selections franciscanismo , vol. XI, n. 32 (1982) 239-253.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Francisco de Assis entre duas regras (1221-1223) / Cibele Carvalho

Francisco de Assis entre duas regras (1221 - 1223) [monografia] / Cibele Carvalho. -- Curitiba, 2005. -- 99 p.
Dissertaçăo (mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Cięncias Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-Graduaçăo em História. Defesa: Curitiba, 2005

Resumo: A atual pesquisa tem por objetivo realizar uma análise comparada das RegrasFranciscanas, visando as permanęncias e rupturas, que ocorrem na Regra năoBulada 1221, e na Regra Bulada 1223. Ambas as Regras escritas por SăoFrancisco de Assis, em períodos de conflito dentro da Ordem Franciscana e apressăo da Igreja para a elaboraçăo de uma Regra definitiva. Esta análise partede uma comparaçăo textos citados acima, capítulo por capítulo e na medida dopossível realizando a busca das rupturas e permanęncias. A escrita da primeiraRegra acontece no ano de 1209, aprovada oralmente pelo papa Inocęncio III.Com o tempo a Ordem cresce e necessita de um texto mais elaborado e queatenda as necessidades dos frades. Francisco escreve em 1221, a Regra năoBulada, ou seja, năo aprovada pelo papa. Assim surge a necessidade dereescrevę-la nascendo a Regra Bulada 1223, utilizada até os dias de hoje. Essas duas Regras serăo ŕ base de nossa pesquisa.

http://hdl.handle.net/1884/4030

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Entrevista José Carlos Pedroso, OFMcap

Mais de 60 anos enamorado
por São Francisco e Santa Clara

Por Moacir Beggo

Mostrar às pessoas qual é o sentido de vida que São Francisco propõe. É assim que, em 61 anos de profissão religiosa na Ordem dos Frades Capuchinhos, Frei José Carlos Corrêa Pedroso, ocupa grande parte de sua vida. Na verdade, como ele mesmo diz, está “inteiramente entregue a isso”.

Aos 79 anos, esse Mestre em Espiritualidade Francisclariana passa grande parte de seu tempo coordenando o Centro Franciscano de Piracicaba, no interior de São Paulo, onde reside. Além da série de livros publicados sobre espiritualidade franciscana, das palestras e aulas que ministra, Frei José Carlos se dedica com muita paixão ao Curso Franciscano de Verão, anualmente no mês de janeiro.  Idealizador do curso em 2008, hoje ele colhe os frutos e comemora o sucesso desta iniciativa.  "É interessante porque sempre sonhei alto, mas neste caso, a realidade ultrapassou o sonho. Estou feliz com o andamento do curso como nem esperava".

Hoje, um dos maiores mestres de espiritualidade franciscana do Brasil, Frei José conta que o objetivo do curso é oferecer a todos os "amigos de São Francisco e Santa Clara", religiosos e leigos, um aprofundamento do carisma francisclariano com consistência acadêmica.

Nesta entrevista, concedida durante o Curso de Verão, o foco não poderia ser outro senão a espiritualidade franciscana, sobre a qual Frei José Carlos fala com paixão. A mesma paixão que brotou aos 14 anos, quando voltou a ingressar no Seminário Seráfico, onde mais tarde foi professor, formador e diretor. Eleito Definidor na sua Província desempenhou a função apenas um ano já que foi eleito Provincial para um período de 5 anos. Mas em seguida, foi eleito para uma missão maior: Definidor Geral da Ordem dos Capuchinhos e passou 12 anos morando na Itália.


Acompanhe a entrevista!

Site Franciscanos - Depois de 800 anos, Clara e Francisco têm lugar 
no mundo de hoje?
Frei José Carlos Pedroso – Acredito que sim. Aliás, costumo ver Clara como a mulher que foi guardada para o século 21, porque ela traz uma série de aberturas que nós não tínhamos descoberto nem em São Francisco. Pode ser que no tempo em que ela foi esquecida, não tenham querido ver todo o seu alcance. São Francisco também é o homem universal e fora do tempo, porque foi um dos maiores imitadores de Jesus. Isto é, ele conseguiu completar aquela dimensão: a medida do ser humano perfeito, que foi Jesus. A gente vê que São Francisco é conhecido e admirado por budistas, espíritas, protestantes e tanta gente porque o grande motivo é ser uma pessoa realizada. Não é à-toa que foi eleito o homem do milênio. Enfim, acredito que hoje não dá mais para entender São Francisco sem Clara. Ela tem uma espiritualidade que, de um lado, é quase igual ou a mesma de São Francisco, e de outro lado, muito original. Como ela é mais clara ao escrever, hoje compreendemos São Francisco a partir do que ela diz.


Site Franciscanos - É correto chamar Clara de “Plantinha” quando lemos que ela era uma grande mulher para a sua época? Isso não desvirtua a história?

Frei José Carlos Pedroso - É uma leitura desajeitada. Costumam entender que ela seria como um vaso querido de São Francisco, que ele punha na janela e regava todo dia. Seria uma criança. Mas quem conhece os textos das Fontes sabe que plantinha, em latim plântula, é o que nós chamamos de muda. Quando um mosteiro fundava outro, o fundador era chamado de plantador e o fundado era a muda, ou plantinha, porque nos primeiros tempos dependia dos cuidados do outro. Nas suas biografias, São Francisco é chamado de plantador da Ordem dos Menores. A Ordem de Santa Clara também foi plantada por ele. Uma das coisas que surpreendem em Santa Clara é que, depois de ser obrigada a seguir a regra de São Bento, a regra de Hugolino e a regra de Inocêncio IV, ela pôde finalmente fazer a dela. É notável a sua maneira de ser livre. Para dar alguns exemplos: As regras dos papas diziam que o silêncio era perpétuo, mas Clara disse, em sua Regra, que o silêncio era perpétuo desde as completas até a hora de Prima”. Quer dizer, só durante a noite. No refeitório, havia silêncio “na hora das refeições”, porque é provável que, em outras horas, elas fizessem no refeitório seus recreios e trabalhos manuais. E conversavam. Clara chega a dizer que na enfermaria elas tinham obrigação de falar para consolar as doentes. Hugolino dizia que, na igreja, as Irmãs deviam estar separadas do povo com uma grade e um pano preto, tão grosso que impedisse totalmente a visão. Santa Clara escreveu que elas ficariam separadas por uma grade com um pano preto, que só seria levantado quando uma irmã precisasse falar com alguém. Então, com muito jeitinho, para não ferir, ela vai promovendo uma abertura. É uma cabeça totalmente diferente de tudo que se viu mesmo depois. E precisava defender a fraternidade, um ponto essencial para os franciscanos.

Site Franciscanos - São Francisco idealizava uma igreja de retorno ao Evangelho. No atual contexto mundial, é possível isso?
Frei José Carlos Pedroso - Muita gente diz isso: São Francisco idealizava uma Igreja de retorno ao Evangelho, aos pobres. Mas os pobres são conseqüência. O retorno é ao Evangelho Jesus. Ele é a boa nova. Temos o livro do Evangelho que fala dele. Mas ele é a boa nova. O retorno é a Jesus Cristo. Se eu me voltar de verdade para Jesus Cristo, vou encontrar o pobre. Jesus assumiu a pobreza, como diz a Carta aos Filipenses: Ele é Deus, não ficou cheio disso, mas se esvaziou até ser encontrado como servo para nos salvar. Nesse sentido, também é interessante que São Francisco, antes de morrer, tenha deixado uma última vontade para Santa Clara, dizendo: "A pobreza é fundamental para nós. Então, você não largue a pobreza por vontade e conselho de pessoa alguma”. Pessoa alguma incluía o papa. Mais tarde, justamente quando o Cardeal Hugolino, já papa, foi a Assis para canonizar Francisco, entrou em São Damião antes de subir à cidade: Foi falar com Clara.  E disse: "Olhem, minhas filhas, essa pobreza que vocês querem não vai dar certo. Não vão conseguir sobreviver. Vocês precisam ter propriedades”. E ela escutava quieta. – “Não se preocupem, tenho algumas propriedades e dou para vocês”, dizia Hugolino. E ela continuava quieta. Então, o papa disse: – “Se é por causa do voto de pobreza, você sabe que, como papa, eu posso dispensar do voto”. Então ela respondeu: "Por favor, não me dispense de seguir o meu Senhor Jesus Cristo". É interessante observar São Francisco falar em viver o Evangelho sem propriedade, em obediência e castidade. Ele nunca mais usa a palavra castidade. Quando usa é para dizer "louvado sejais meu Senhor pela Irmã Água, que é preciosa e casta". Então, essa castidade era algo que não estava na visão dele. Antecipando o Concílio Vaticano II, para ele o voto seria o do amor fraterno. Recomendo a leitura do meu livro "Livres para amar" -, em que vemos que só a partir do Concílio Vaticano II o voto de castidade passou a ser o principal. Porque o voto não é negativo, o voto é sempre positivo. A “Perfectae caritatis” e Paulo VI insistiram nisso. Hoje, temos uma visão mais clara. Não é o sexo que é pecado; é o que o acompanha: manipulação da pessoa, desrespeito à pessoa, injustiça com a pessoa. Sendo o voto de fraternidade, quantas vezes estamos pecando contra a fraternidade? Até todos os dias...

Site Franciscanos - Que ensinamentos de São Francisco  podem ajudar a nossa sociedade e como fazer isso?
Frei José Carlos Pedroso - Há muitas coisas. Eu diria que o fundamental é que São Francisco recorda que a realização do ser humano está no Deus que se encarnou. Naturalmente pouca gente entende isso a ponto de saber expressar, mas as pessoas entendem quando vêem um Francisco profundamente humano. Às vezes perguntamos porque as imagens de São Francisco costumam ter pombinhas e um lobo. Pode ser que o povo tenha entendido mais do que nós que ele é um homem que, chegando à plenitude, tem um relacionamento aberto com todos os seres, com as pessoas, os animais e as coisas. Diria que uma de suas grandes contribuições para renovar a sociedade é dar sentido às coisas. Recordo que um tempo atrás vivemos a experiência do QI, do Quociente de Inteligência. Mas o QI é a medida da inteligência lógica. Depois foi descoberto o QE para medir o quociente de emoção. Agora aparecem livros que tratam do QS, o quociente de espiritualidade. O que é o QS? Não é necessariamente chegar a Deus, mas descobrir um sentido das coisas. É claro que ao descobrir o sentido das coisas vai se chegar a Deus. Então, percebemos que o mundo de hoje tem essa sede. E Francisco é um que sabe mostrar.

Eu vou dizer uma coisa que é muito pessoal. Acho que sou alguém que chegou diferente à vida franciscana, porque meu pai e meus avós eram terceiros franciscanos. Quando fiz dez anos, meu pai me deu uma vida de São Francisco, a de Maria Sticco, publicada pela Vozes. Eu li, reli e decidi: “É isso que eu quero. É a isso que vou me dedicar”. Meu pai me encaminhou para um Seminário Seráfico. Lembro que ali, no seminário, levei um susto. Tinham um São Francisco na capela, faziam procissão de São Francisco, festa de São Francisco, mas nada do que tinha visto na vida de São Francisco. Diziam: “Você vai ser padre, mas se por acaso a cabeça não der, vai ser irmão leigo”. Na época era ser um frade de segunda categoria, encarregado dos trabalhos materiais. Mas a busca por São Francisco e pelas coisas dele eu não via. Durante um tempo até me deixei levar. Então, hoje, tenho 61 anos de profissão religiosa. Estou há muito mais tempo entregue só a isso: a mostrar às pessoas qual é o sentido de vida que São Francisco propõe. Já fiz isso de mil maneiras e em muitos países. A gente percebe que todas as pessoas se interessam por São Francisco. Às vezes, os leigos mais que os religiosos; as mulheres mais do que os homens. Até evangélicos e budistas se interessam. Uma vez, fui chamado para dar uma entrevista na Rede Vida sobre São Francisco. Era o programa do Altemeyer (Fernando) e achei uma coisa interessante. Assim que acabou a gravação da entrevista, os funcionários da televisão caíram em cima de mim para falar de São Francisco. Não sei se quem assistiu se interessou, mas os funcionários gostaram. Todo mundo queria saber de São Francisco.

Site Franciscanos - Qual  o principal ensinamento que São Francisco deixou para a humanidade?

Frei José Carlos Pedroso - Ele redescobre o sentido da fraternidade. Hoje se fala muito em fraternidade, mas nós percebemos que precisamos nos entender mais. Lembro que a Revolução Francesa, que era ateia, tinha como ideal a fraternidade, liberdade e igualdade.  Os maçons se dizem irmãos. São Francisco vai à fraternidade verdadeira. E Jesus quando veio disse: quando vocês rezarem, digam “Pai nosso”. No cap. 25 de São Mateus, quando fala do fim do mundo, Jesus faz umas perguntas que parecem estranhas:  Eu estava na cadeia e você veio me visitar; não tinha comida e você me deu; não tinha casa e você me acolheu. E a gente pode perguntar: mas quando o senhor estava na cadeia, doente e sem casa? Toda vez que você fez isso ao menor dos meus irmãos fez a mim. O sentido da fraternidade está no fato de, como diz São Paulo, passarmos a ser filhos adotivos de Deus porque Jesus se fez nosso irmão. E, aliás, é interessante porque nos disseram tantas coisas quando éramos crianças: Se você faltar à missa uma vez vai para o inferno. E Jesus vendo todo mundo não pergunta a ninguém se foi à missa, não pergunta se leu as encíclicas, não pergunta nem se observou a Regra Franciscana. Só vai perguntar se cuidei bem do irmão necessitado. Que era Ele. E passamos a pensar diferente.

Site Franciscanos – Mas  como ser franciscano hoje, diante das voltas que o mundo dá?
 

Frei José Carlos Pedroso - As voltas que o mundo dá... Temos essa necessidade de mudar. Porque certas coisas forçam essa mudança. Muitas vezes as pessoas não percebem que a mudança é em torno de algo permanente. Tem que mudar muita coisa, mas tem que haver um eixo. Senão se fica dando voltinhas soltas. E as pessoas se perdem, que é o que acostuma acontecer. Ser franciscano hoje é ser como São Francisco, que se apoiou no permanente, em Jesus Cristo, alfa e ômega, princípio e fim. Aí percebo que posso mudar, devo mudar, constantemente, mas não perco a linha, a referência.


Site Franciscanos – A propósito, há uma “maneira de ser” franciscana?

Frei José Carlos Pedroso - Eu diria que a maneira de ser franciscano é a maneira evangélica. Quer dizer, o jeito que Jesus viveu, o jeito que ele propôs aos apóstolos e a seus discípulos. São Francisco diz o mesmo no Testamento: Quando o Senhor me deu irmãos eu nem sabia o que fazer, mas o próprio Senhor me revelou que devíamos viver de acordo com a forma do Santo Evangelho. Hoje, nós até falamos que somos evangélicos quando lemos as fontes franciscanas. Costumamos pensar mais no livro dos Evangelhos do que na virada que a Boa Nova deu no mundo. João Batista, mandado na frente de Jesus, dizia: Convertei-vos porque o Reino de Deus está aí. Esse convertei-vos, do verbo grego metanoeo e do substantivo metanoia, quer dizer: Dai uma volta na cabeça e tentai enxergar de outro jeito. Eles estavam enxergando, nós estamos enxergando até hoje do jeito de Adão e Eva: Eu quero ser Deus. Se é isso que eu quero, tenho que afastar o Deus verdadeiro. Muita gente não percebe que gostaria de ter Deus por perto, guardado num vidrinho na geladeira. Quando precisar, fala com ele. Mas se não, deixa-o lá quieto, porque vai cuidar do seu mundo, do seu eu. Esta é a visão de Adão. Quando Jesus veio, ensinou que não era assim: A ideia que vocês fazem do mundo é falsa. A ideia que vocês têm de vocês mesmos é falsa. Então, vocês vão levar um susto quando perceberem que seu mundo é falso. Qual é o verdadeiro? É o mundo que Jesus Cristo traz. Então, essa é necessidade profunda de uma mudança que João prega. E sabemos que até hoje muito cristão nem imaginou que exista isso. Somos cristãos porque os portugueses saíram “para dilatar a fé e aumentar o reino de Portugal e o número de cristãos”. Ficamos cristãos por decreto. Nasceu no Brasil, tem que comer arroz com feijão, chupar manga e ser cristão. Hoje, as coisas estão mudando e começamos a ser interrogados.

Site Franciscanos - Os homens sempre agem para possuir, mandar e se impor. O que faz Francisco ir na contramão?
Frei José Carlos Pedroso - Estudos modernos estão abrindo os olhos para algo que está no Evangelho: Percebemos que nós, como pessoas e até como grupos, temos história. Então, podemos dizer que o ser humano do começo deve ter vivido como qualquer animal e qualquer planta. Estava neste mundo bem situado e fazia o que aparecia na frente, mas não percebia os sentidos das coisas. Então, o ser humano não tinha vontade de possuir. Estava tudo ali, à sua frente. Se chovia saía da chuva; se escurecia ia dormir; se não tinha fruta aqui, ia comer em outro lugar. Ele não pensava em guardar, em segurar. Depois, o ser humano começou a perguntar: mas quem faz chover, quem escurece, quem faz esta fruta amadurecer? Eu não fui, foi você? Foi o outro? Não foi. Alguém faz isso. É uma primeira ideia de Deus meio abstrata. E deve ter o Deus da chuva, o Deus da escuridão, o Deus do Sol, mas depois o homem chega a uma fase que podemos chamar, mais racional, e começa a perceber as coisas. Dá para saber o mecanismo da chuva, dá para saber porque a terra escurece, porque está girando... Quando a gente chega a isso, começa a ter umas tentações. Primeira tentação: vou levar isso porque não é de nenhum deus e é bom para mim. É a tentação de possuir. A segunda tentação é: já possuo muitas coisas, se alguém quiser tem que pedir para mim. Eu mando. Dou se quero, ou não dou. E se alguém mandar bastante vai ter a tentação de dizer: sou importante. Ninguém é mais importante do que eu.
Nisso, podemos tomar a proposta de Jesus que está nas bem-aventuranças. Santo Agostinho lembra que no Evangelho de Mateus são oito bem-aventuranças e no outro de Lucas são quatro. As oito estão contidas nas quatro. Eu digo por minha conta: e por que não estão contidas nestas três: feliz quem não precisa possuir, feliz quem não precisa mandar; feliz quem não precisa ser importante. E por outro lado, Jesus é batizado e vai para o deserto para ser tentado. Quais são as tentações: Mostre que tudo isso é seu. Ele não quer mostrar. Mostre que você é quem manda neste mundo. Ele não quis. Mostre que se você pular lá do alto do telhado Deus vai mandar um monte de anjos, porque você é importante. Ele não quis. Ele foi pobre, e quando quiseram fazê-lo rei ele desapareceu e depois morreu como um condenado no meio de dois bandidos. Não quis ser importante. Justamente a nossa dificuldade, muitas vezes, de reconhecer Jesus é a dos judeus do tempo dele. Estavam esperando o Messias poderoso, rico. Vêem um pobrezinho montado num burrinho e falam: "Não é esse!". Até hoje pensamos assim. É a mesma tentação de ver na Igreja um poder. O poder de Cristo está em não precisar possuir nunca para mandar. Para ser importante. E São Francisco mostra bem isso.

Site Franciscanos - O sociólogo Max Weber afirmou que os países latinos são economicamente atrasados por causa do catolicismo, que vê um pecado no enriquecimento. Como o sr. leria isso a partir de princípios franciscanos?
Frei José Carlos Pedroso - Isso chamou a minha atenção desde que li Max Webber. Porque, em primeiro lugar, não é verdade. O Brasil está cheio de ricos. Tem muita gente que quer ser rica no Brasil, tão forte que até deixou uma distância enorme entre os mais ricos e os mais pobres. É mentira que o católico, especialmente o católico por tradição cultural não quer ser rico. Por outro lado, o católico que está ficando rico é explorador. Até onde ele é católico mesmo? E entre outras coisas também dizemos: ah, o país vai ficando rico, vai tendo a plenitude da vida, fica um céu. Podemos olhar hoje países como a Suécia e outros super-desenvolvidos onde não falta nada, mas não estão felizes. São países que ganham na estatística do suicídio. Então, vale perguntar quais são os valores que foram deixados no Brasil? Diríamos que os valores dos índios foram acabados, valores dos portugueses já estão pequenos. Acho que não. Os valores dos índios estão na nossa cultura, firmes na nossa comida, por exemplo. É verdade que os índios do lado do Pacífico eram bem mais cultos e desenvolvidos e lá a presença deles é mais forte. Mas no Brasil a presença do índio está dentro da pessoa. O valor do negro é fora de série, como estamos descobrindo. Têm outra cultura, outra abertura, que se encontra com o catolicismo. E o valor do branco, seja o português – que muitas vezes era degredado – ou os que vieram depois, italianos, espanhóis e alemães, sírios... eles entram como imigrantes aqui e todos se misturam. Vivi 12 anos na Itália e percebia as separações tão grandes num país pequeno. Entre uma cidade e uma aldeia, até a língua é diferente. Acho que nosso país tem uma riqueza cultural muito grande, que se fosse rico em dinheiro era capaz de não ter. Hoje vemos, contrariando Max Webber - bom, ele pensava que o protestante gostava mais de riqueza -, que igrejas cristãs tradicionais, luterana, anglicana, metodista, estão unidas a nós. Não se fala mais em protestantes. Mas outras estão fundando igrejonas, cujo único fim é o dinheiro, como a Universal do Reino de Deus. O país fica mais rico por causa disso? Não. O Edir Macedo fica, mas o povo não. Cada vez mais pobre. Conheci pessoas que ficaram pobres porque todo dia tinham que dar dinheiro na igreja. Eu nunca engoli essa do Max Weber...

Site Franciscanos - Li uma frase sua: Francisco encanta a humanidade por ser um homem que equilibrou o feminino e Clara por ser uma mulher que equilibrou o masculino. Por favor, fale mais sobre esta frase.
Frei José Carlos Pedroso - Tenho muita coisa escrita sobre isso. É interessante porque não é uma ideia de Francisco. Os gregos antigos souberam ver que existe um masculino que é do homem e da mulher, e existe um feminino que é da mulher e do homem. Tanto que, para expressarem isso, inventaram símbolos. O masculino é sol; o feminino é a lua. O sol tem uma luz mais forte, mais clara; a lua tem uma luz mais suave, menos forte, acolhedora. Foi uma maneira de dizer que acima do fato de ser um homem ou mulher, tenho minha masculinidade e feminilidade. Os gregos chegaram a falar uma coisa interessante: o homem vai se realizar na medida em que for capaz de fazer um casamento sagrado interior - "hierós gamos" - entre o seu feminino e o seu masculino. Se eu fizer um hierós gamos, na prática vai acontecer o quê? Alguém está precisando de um pai, posso ser um bom pai, seja eu homem ou mulher; alguém está precisando de mãe, posso ser uma boa mãe, seja homem ou mulher. Na vida de São Francisco é a coisa mais fácil de demonstrar.  Ele faz uma fraternidade de homens e depois diz: se uma mãe nutre o seu filho segundo carne, quando mais seu irmão segundo o espírito. Olhe um exemplo feminino. Quando faz a Regra para os Eremitérios, ele diz: dois vão ser Marta e dois vão ser Maria. Os frades Marta são mães e os outros são os filhos. Um tem um papel de proteger os outros. Ele diz que de vez em quando troquem os papéis. Ele tem uma porção de sonhos com o feminino: sonhei que era uma galinha choca que tinha muitos pintinhos e umas asas pequenas; sonhei que vi uma estátua de mulher muito bonita, cabeça de ouro, peito de prata, ventre de cristal, o resto de ferro e uma roupa muito pobre. Quando ele acordou, procurou Frei Pacífico e contou sobre o sonho. Frei Pacífico disse: mais isso é sua alma. Podemos ver em Francisco um homem que é solar, mas também lunar. Em certas coisas é solar, dando a linha que deu e dura até hoje. Francisco viveu no tempo dos papas mais poderosos. E ele era um coitadinho. E hoje, quem conhece esses papas? Praticamente ninguém, mas São Francisco todo mundo sabe quem é.

Site Franciscanos - Para onde caminha a Vida Franciscana no mundo de hoje?
Frei José Carlos Pedroso - É um bocado complexo responder a essa pergunta. Acho que as vocações franciscanas continuam, mas o jovem e a moça que entram para a vida religiosa às vezes se assustam. Eu me assustei quando entrei. Perguntava: mas aqui não mostram o que São Francisco queria.  Todo mundo está ocupado em fazer coisas e a maioria não está nem aí. A gente vê que talvez a maioria dos frades não conhece as Fontes Franciscanas, os Escritos de São Francisco. Talvez até tenham estudado, mas não é isso que pauta a vida deles. Então, acho que Deus continua a chamar, só que os chamados se desiludem em alguns aspectos. Acomodam-se e depois incomodam. Qual o caminho? Acredito que como a gente está vendo, muitas províncias e congregações vão desaparecer. Nós mesmos, os capuchinhos, sabemos que a França, no período áureo, chegou a ter 17 províncias, depois ficou um tempo com quatro e agora tem uma. A Itália até 1970 chegou a ter 25 províncias, agora a cada ano está juntando duas ou três. Nós tínhamos, como a OFM, um Definitório que precisava ser representativo: dois definidores italianos, um definidor francês, um definidor alemão, um inglês, um espanhol, um eslavo. Depois, a situação começou a mudar. Hoje há somente um definidor para a Europa. E quem cuida dos espanhóis é um definidor argentino. Outra coisa que ouvimos é que a Europa está deixando de ser o centro do mundo. Até calculam que daqui a uns cinquenta anos a Europa vai ser islâmica. E se pergunta: será que os islâmicos vão manter os monumentos cristãos feitos na Europa? Mas o europeu não quer ter filhos e o islâmico vai para lá e tem filhos à vontade. Não precisa ser um adivinho para perceber: a Europa vai perder muito da vida franciscana. Acredito que, como São Francisco pensou, a vida franciscana não vai desaparecer. Mas não vai ser aquela glória de antigamente. 

Site Franciscanos - Por que a vida religiosa consagrada enfrenta uma crise de vocações, com a exceção das Clarissas?
Frei José Carlos Pedroso - Acredito que é porque ficamos presos a fórmulas antigas. Não conseguimos nos atualizar. Eu reparo porque faz mais de 50 anos que trabalho com São Francisco e os leigos em geral parece que ouvem melhor a nossa voz quando falamos de São Francisco do que os nossos religiosos. Parece que eles têm uma sensibilidade maior ou têm uma liberdade maior para acolher uma pessoa como São Francisco ou mesmo como Santa Clara. E nós vemos que, às vezes, estamos muito presos a fórmulas, a maneiras de ser que nos impedem de ser livres. Mesmo entre os alunos do Curso Franciscano de Verão sentimos que estão preocupados com uma porção de coisas que têm de ser feitas para os outros, enquanto São Francisco é o homem livre, que vive para os outros, e o homem que se fundamenta especialmente em Jesus Cristo. Tenho estudado textos de São Francisco, a pessoa dele, e reparo que os religiosos de hoje, às vezes, se sentem interrogados por muitas outras pessoas, menos por São Francisco! Por quê? Ele é obscuro? Não, ele talvez seja muito claro. As pessoas têm medo de ouvi-lo e ter que mudar. Então, olhando um fenômeno que é praticamente universal, muitas congregações religiosas estão desaparecendo. E percebemos que isso pode até ser acelerado. Muitas vezes as pessoas estão entregues ao trabalho, a mil atividades que fazem em benefício dos outros, mas não ao encontro pessoal com Jesus Cristo. É o mundo material, ou mesmo intelectual, mas não espiritual, não um mundo com coragem de mudança. Vejo aí um ponto favorável das Clarissas.
Falando em vocações, observo: É comum a pessoa pensar assim: vocação é porque fui chamado. Vocação para médico, para engenheiro e tantas coisas. Fui chamado e agora vou seguir em frente. Mas também vemos que, especialmente a partir de Santa Clara, sou chamado todos os dias.  Cada dia o chamado é novo. Cada dia ele pode me levar para uma tenda nova na peregrinação. Em geral, as pessoas de hoje têm medo de se entregar a um caminho que pode ser novo todos os dias.

Site Franciscanos - O que diferencia o movimento franciscano dos movimentos de hoje, cheios de adeptos?
Frei José Carlos Pedroso - Bom, de um lado podemos observar ainda hoje que o movimento de Assis, de Francisco e de Clara, teve algo tão forte, tão genuíno, que atravessou os séculos. Entre outras coisas, a grande diferença é que o movimento franciscano é um movimento de 800 anos e muitos outros são bastante curtos. E pelo que vemos, pela experiência que temos, eles vão desaparecer rapidamente. Quem não se lembra de movimentos recentes, como o dos Cursilhos, que abrangia todo mundo e foi muito forte. Parecia a crista da onda na Igreja e já não se ouve falar dele. Vemos em muitos movimentos – que podem até ser muito bons – essa precariedade de raízes profundas. 

Site Franciscanos -  Mas lhes falta originalidade?
Frei José Carlos Pedroso – A meu ver, muitas vezes sim. O movimento de Assis começa numa grande virada da história quando a Idade Média foi deixando de ser militar numa ocasião em que, por causa de tantas guerras, tinham desaparecido praticamente até as cidades, onde os chefes eram militares. Começa uma época em que a cidade é recuperada, o dinheiro é recuperado. Então, São Francisco começa uma vida religiosa nova. Ele, por exemplo, não foge do mundo, como faziam os monges antigos. Ele diz no Testamento que ele saiu do século, saiu do tempo. Para onde ele foi? Ele saiu do tempo comum dos homens para o tempo de Deus. Por isso ele é capaz de ter uma outra visão de mundo. Ele também saiu da cidade dele quando foi atrás dos leprosos e passou a ser um excluído como eles. Muita gente não percebe o verdadeiro motivo. Pensa: "Ah, uma doença que era repugnante e uma doença que fazia as pessoas se afastarem". Não, hoje sabemos melhor que o problema dos leprosos é outro. Era uma mentalidade que vemos já no tempo do Evangelho e que dizia: Se alguém está mal é porque alguma coisa errada fez... E os apóstolos perguntando a Jesus quando viram um cego de nascença: "Ele está assim porque aprontou alguma coisa ou foram os pais dele?” Uma pessoa considerada doente não merecia estar no meio dos outros. Era afastada porque tinha o castigo de Deus. Quando Francisco saiu do meio da cidade para estar no meio dos leprosos, descobriu isso. A biografia diz que um dia ele voltou para casa a fim de buscar pão e roupa e percebeu que, ao entrar na cidade, foi rejeitado. As crianças o atacaram com pedras. Ele não pertencia mais ao mundo da cidade, ele tinha passado ao mundo dos rejeitados. A visão de Assis que ele tinha quando estava lá dentro e atraía muita gente era muito diferente da visão de Assis que ele passou a ter quando se sentiu rejeitado, excluído e invisível. Se não damos um grande passo, não somos originais.

Site Franciscanos - Como o sr. vê a falta de interesse dos jovens pelo sagrado?
Frei José Carlos Pedroso - Eu nem teria coragem de afirmar que eles têm desrespeito pelo sagrado. É que hoje ficou tudo tão mecanizado, tão automático, tão na base de botões, que as pessoas não têm tempo de aprofundar as coisas. É só tocar alguma tecla. Fico tão admirado de ver meus sobrinhos netos que mexem em computadores desde pequenos. Os jovens vivem no mundo mágico da técnica. Não conseguem ir mais longe. Uma das coisas que tenho reparado é a seguinte: o jovem de hoje tem medo de qualquer coisa que seja perpétua. Tudo tem que ser curto, tudo tem que acabar, porque depois vêm outras coisas. Mas me pergunto: será que eles não querem nada de perpétuo ou se perdeu o perpétuo? Porque usam tantas tatuagens? Elas são perpétuas e podem prejudicar a vida depois de algum tempo. Quer dizer, no fundo, têm necessidade do perpétuo, do permanente. Mas estão numa situação em que não sabem como lidar com o permanente, com o transcendente. Mas também nos damos conta de que, quando conseguimos, de alguma forma, reunir jovens, falar da forma que pensam, eles ficam encantados por São Francisco e Santa Clara, ou outros da história da Igreja, que foram pessoas do sagrado. O que penso não é que tenham aversão ao sagrado. O que estão sacralizando são outras coisas, que não são perenes. Então, o sagrado começa aqui e termina ali. Não conseguem ir mais profundo.

Site Franciscanos - Nesse mundo em constante mudança, a família está em crise?

Frei José Carlos Pedroso - Ficou tudo descartável. As pessoas vivem assistindo novelas, onde um marido tem duas ou três mulheres. Cada mulher tem mais de um marido. E estão achando tudo normal, embora a própria novela mostre que não é a felicidade. Por outro lado, costumo olhar muito este aspecto: a Bíblia, com a sua antiga e nova aliança, Deus querendo viver conosco. Então, formam um povo e esse povo tem história. Especialmente, não só o Antigo mas também o Novo Testamento podem até mostrar melhor como os judeus viviam. Se apoiavam na memória do que o povo tinha feito com a ajuda de Deus e na esperança do que haveria de vir. Para sermos um povo precisamos da família, porque os valores passam de pai para filho. Se não somos família, nucleada, somos todos solitários. Então não somos povo, somos massa popular. Poderemos ser arrastados para qualquer lado. Aliás, os poderosos do mundo não querem que as pessoas formem um povo. Eles são avessos à Igreja Católica, a todo o cristianismo, ao judaísmo e ao islamismo, porque são religiões que têm história, se alimentam do passado e querem correr para o futuro. E também aí vem outra coisa: o Deus que encontramos na Bíblia é um Deus que se compromete pessoalmente conosco. Se eu topar um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, terei que deixar muita coisa,  terei que permitir que ele mude a minha vida, terei que me abrir, ser livre. De certa forma, terei que fazer um processo que hoje, mesmo filósofos e psicólogos observam: Há um momento em que tenho de me desnudar. Lembrando até o batismo de São João: façam penitência! As pessoas chegavam e diziam: quero fazer penitência.  Então, tirem a roupa, entrem no rio, e lá vão ser sepultados na água. Se fosse na terra, não sairiam mais. Mas na água vão sair até com novo vigor. Vão vestir a roupa do homem novo, que é Jesus Cristo. Hoje, as pessoas estão entendendo melhor, mas encontramos inclusive muito poucos cristãos que chegam a dar esse pulo, que chegam a se despir de certas coisas, para ficar disponíveis para vestir outras roupas.

Site Franciscanos - Como o sr. vê a OFS hoje?
Frei José Carlos Pedroso - Meus avós paternos eram terceiros franciscanos e meu pai também. Eu entrei na Ordem por causa deles. A Ordem Terceira tem toda uma história. Em tempos recentes, ela ficou presa porque dependia da obediência aos franciscanos, alguns da obediência aos capuchinhos, alguns da obediência aos conventuais. Quem mandava mesmo eram os frades, que não se envolviam. Então ficou uma congregação religiosa, como a Irmandade de São Benedito. O que faziam: tinham uma missa mensal que ninguém poderia perder, o café e a reunião. A reunião era feita pelo padre diretor. Com a mudança do Vaticano II, a OFS passou a ser autônoma. Os frades continuam a ajudar como conselheiros espirituais, mas qualquer fraternidade da OFS pode procurar o frade que ela quiser. Estamos com um grupo leigo que vive a vida franciscana atingindo mais as pessoas do que nós. Sempre procurei acompanhar a Ordem Terceira. Hoje acompanho uma que poderia servir de modelo. É uma fraternidade estabelecida numa cidade que não tem franciscanos e onde o padre é diocesano, e está mais viva do que muitas. E há outras. Nós temos um Centro Franciscano atuante, que atinge o mundo. Só o fato de publicar as fontes franciscanas em latim faz muita gente do resto do mundo nos consultar. Mas nas redondezas pouca gente nos conhece. Concluindo, eu diria: grande parte do futuro do franciscanismo está na OFS. 


Site Franciscanos -  E a Jufra?
Frei José Carlos Pedroso – A Jufra é uma preparação para a OFS, ou para as diversas congregações da TOR, para os Clarissas ou para os Frades. Mas precisa de um espírito novo, aberto, renovado. No caso dos Capuchinhos, o Definidor Geral é o visitador geral para determinada região. Uma vez, visitando uma das maiores províncias, eu sempre perguntava da OFS. A maioria dizia: "Ah, é um grupo de velhos com que não vale a pena perder tempo". Quando eu fazia reuniões com a OFS sempre aparecia mais de uma senhora: sou a mãe de frei fulano. Pedi a um secretário que visse quantos frades eram filhos de terceiros franciscanos. Resultado: quase 80%. Tive que dizer: "As velhas da OFS são suas mães. Vão cuidar delas!". Realmente acredito que a Ordem Franciscana vai se renovar na medida em que a OFS se renovar. Neste Curso de Verão, como um leigo vai ficar aqui três semanas? Vai sair do trabalho, da família, e pagar com dificuldade. Abrimos a possibilidade de fazerem só uma ou duas semanas. Mas estão pedindo um curso de inverno, porque o mês de janeiro não dá para eles. 

Site Franciscanos - Que mensagem o sr. deixaria aos franciscanos e franciscanas?
Frei José Carlos Pedroso - Eu me dirigiria acima de tudo aos franciscanos e franciscanas, recordando que São Francisco toca o coração de espíritas, budistas e protestantes. Por que não toca o nosso? Será que ele não chega até nós? Ou nós temos resistências, porque eu veria São Francisco não só como fundador da Ordem Franciscana, mas como o homem do milênio e que foi profundamente humano. Embora não fosse importante, ele é o homem profundamente humano e isso desperta outros. Às vezes não nos está despertando porque estamos preocupados com uma porção de serviços pastorais ou sociais. Não temos tempo para ser franciscanos. Então, diria que, com essa experiência do Centro Franciscano, do Curso Franciscano de Verão, afirmo: "Minha gente, a proposta franciscana é tão bonita, está tão à mão”. Sou do tempo que em era doido por São Francisco, mas não tinha fontes, não tinha nada. Estive entre os que começaram a traduzir as fontes em Petrópolis, ainda nos anos 60. As primeiras traduções são as minhas. Como sou do ramo da linguística - latim, por exemplo, estudo e traduzo desde 1942 -, então deu para ajudar bastante. Então, diria: Irmão, irmã, vamos descobrir São Francisco e Santa Clara, porque nós estamos precisando disso não só para sermos franciscanos, mas até para sermos gente.   


Frei José Carlos C. Pedroso, OFMCap
josecarlospedroso@procasp.org.br 


Extraído de:
Acesso em 10 fev. 2011. 

domingo, 15 de agosto de 2010

Devoção Franciscana: Nossa Senhora Mãe dos Homens


Aqui em Porto Feliz/sp, nossa querida cidade, temos praxe rememorar o passado histórico local, sabemos quando a cidade foi fundada, sabemos diferenciar o movimento bandeirante do movimento monçoeiro. Sabemos também dizer aos turistas que nos visitam, o quanto nossa cidade ajudou a expansão territorial pelo interior do Brasil e tantas outras informações históricas de nosso município.
Ano passado, realizamos a 2ª Semana pela Paz, e como uma das atividades proposta, tínhamos uma noite de Sarau, onde cada um era convidado a levar algo e partilhar. Coloquei-me a disposição deste desafio - o que levar? - navegando pela internet surgiu-me a idéia em descobrir como surgiu a devoção a Nossa Senhora Mãe dos Homens, e para minha surpresa e para a surpresa da Fraternidade São Maximiliano Maria Kolbe a qual participo, foi que a devoção a Nossa Senhora com o título Mãe dos Homens nasceu no seio Franciscano.

A devoção à Santíssima Virgem Maria, invocada como Nossa Senhora Mãe dos Homens, surgiu no país de Portugal, no século XVIII. Ela nasceu no meio dos franciscanos, começanco com Frei João de Nossa Senhora, do Convento de São Francisco das Chagas(de Assis), em Xabregas, um bairro de Lisboa. Ele assim ficou conhecido, por ser ardoroso amante da Virgem Maria. 


Frei João era um exímio pregador, um verdadeiro literato, chegando a ser conhecido como “o poeta de Xabregas”. Com domínio de oratória, pregava sempre e em todo canto, empunhando sempre um crucifixo em suas mãos, convocando o povo à conversão e à volta para Deus por meio de Maria, a Senhora Mãe dos Homens. Na figura de Maria, o humilde pregador, enxergava nela a figura de Mãe dos Homens, aquela que ama, cuida e intercede por todos os filhos, sendo a ela direcionado as causas urgentes, não há Mãe que negue ajuda a um filho necessitado


Em nossa Cidade de Porto Feliz, no ano de 1700 foi edificada por Antonio Cardoso Pimentel a Capela em Honra a Nossa Senhora da Penha, primeira padroeira da cidade. Mas em 1744, os portofelicenses dão inícia a construção da sua Igreja Matriz, mas desta vez, rendidos a devoção franciscana à Nossa Senhora Mãe dos Homens, ela é escolhida a Padroeira de Porto Feliz. Em 1750 a nova Matriz é inaugura em honra a Nossa Senhora Mãe dos Homens.


Para nossa Fraternidade é uma alegria saber que esta devoção é de origem Franciscana, e assim como Pai Francisco, pedimos a Deus, por meio do Teu Santo Espírito, que todos nós consigamos ser cada vez mais convertidos e devotos a Nossa Senhora, reconhecendo nela a figura de Mãe dos Homens, a nossa mãe! Celebramos todo dia 15 de agosto a nossa Padroeira!

Felipe Miranda



Fraternidade São Maximiliano Maria Kolbe


Porto Feliz/SP 4º distrito Região Sudeste III

OFS do Brasil




fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_M%C3%A3e_dos_Homens
visitado no dia 31/07/2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Novena a Nossa Senhora Mãe dos Homens

                                                                          foto: google
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!!!



Reflexão:
A devoção à Santíssima Virgem Maria, invocada como Nossa Senhora Mãe dos Homens, surgiu no país de Portugal, no século XVIII. Ela nasceu no meio dos franciscanos, começanco com Frei João de Nossa Senhora, do Convento de São Francisco das Chagas(de Assis), em Xabregas, um bairro de Lisboa. Frei João era um exímio pregador, um verdadeiro literato, chegando a ser conhecido como “o poeta de Xabregas”. Com esta facilidade de oratória, pregava sempre e em todo canto, empunhando sempre um crucifixo em suas mãos, convocando o povo à conversão e à volta para Deus por meio de Maria, a Senhora Mãe dos Homens.

Em nossa Cidade de Porto Feliz, no ano de 1700 foi edificada por Antonio Cardoso Pimentel a Capela em Honra a Nossa Senhora da Penha, primeira padroeira da cidade. Mas em 1744, os portofelicenses dão inícia a construção da sua Igreja Matriz, mas desta vez, rendidos a devoção franciscana à Nossa Senhora Mãe dos Homens, ela é escolhida a Padroeira de Porto Feliz. Em 1750 a nova Matriz é inaugura em honra a Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Rememoramos hoje a história de nossa Padroeira, a origem de sua devoção, e queremos todos os dia 15 de cada mês celebrá-la como Mãe dos Homens, e por isto realizamos esta novena.




oração inicial
Virgem Puríssima, concebida sem pecado, que desde o primeiro instante fostes toda cheia de graça. Mãe de meu Deus, Rainha dos anjos e dos homens, eu vos saúdo como Mãe do meu Salvador. Dignai-vos receber as honras e veneração que nesta novena vos consagro. Vós sois o abrigo seguro dos pecadores penitentes e assim tendo razão de recorrer a vós. Sois a Mãe de misericórdia e socorrei-me em minhas misérias. Sois, depois de Jesus Cristo, toda a minha esperança e, por isso, reconhecei a terna confiança que tenho em vós. Fazei-me digno de chamar-me vosso filho, para que possa confiadamente dizer-vos: mostrai que sois minha Mãe.

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Creio...

Vinde Espírito Santo...

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 foto: Felipe Miranda
1º dia - “Maria, aquela que foi escolhida”

Oração: Eis-me aqui, aos vossos pés, ó Virgem Imaculada, convosco me alegro sumamente, porque, desde a eternidade, fostes a eleita Mãe do verbo eterno e preservada da culpa original. Eu bendigo e dou graças à Santíssima Trindade que vos enriqueceu com esse privilégio, em Vossa Conceição. Alcançai-me a graça de vencer as consequências do pecado. Ó Senhora, fazei que nunca deixe de amar ao meu Deus.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


















                                                   fonte: google


2º dia – “Maria, aquela que foi obediente”


Oração: Ó Maria, modelo de obediência! Eu me congratulo convosco, porque desde o primeiro instante da vossa Conceição fostes cheia de graça. Dou graças e adoro a Santíssima Trindade que vos concedeu tão sublime dom e aceitastes com obediência. Vós, que de graça celeste, fostes tão abundantemente enriquecida, reparti conosco e fazei-me participante dos tesouros que adquiristes em vossa Imaculada Conceição pela sua Santa Obediência.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...














foto: google


3º dia – “Maria, temente ao Senhor”



Oração: Ó Maria, pela vossa Imaculada Conceição, esmagastes a cabeça da serpente inimiga e fostes concebida sem pecado. Dou graças e louvo à Santíssima Trindade que tal privilégio vos concedeu, e vos suplico que me alcanceis forças para superar todas as ciladas e traições do demônio e que continuemos Tementes ao Senhor como Vós tão bem sois. Ó Senhora, ajudai-me sempre e fazei que, com vossa proteção, sempre vença o mal e chegue à salvação.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...














foto: Felipe Miranda


4º dia –“Maria, aquela que é exemplo”


Oração: Ó Maria, Virgem Imaculada, que recebestes as mais sublimes virtudes e todos os dons do Espírito Santo! Dou Graças e louvo à Santíssima Trindade que vos favoreceu com todos os privilégios. Suplico-vos, ó bondosa mãe, que me alcanceis a prática das virtudes e me façais também digno de receber os dons e as graças do Espírito Santo, sendo como Vós oh Mãe de exemplo.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...














foto: Felipe Miranda


5º dia –“Maria, mulher sincera”


Oração: Ó Maria da verdade, o mistério de vossa Imaculada Conceição foi o princípio da salvação de todo o mundo. Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade que assim engrandeceu e glorificou vossa pessoa. Peço-vos que me alcanceis a graça de saber aderir à Paixão e morte de vosso Filho Jesus, e que todo o amor a mim demonstrado na Cruz, seja do proveito para a minha vida e santificação, e que com sinceridade que como Vós consiga testemunhar.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...










fonte: google


6º dia –“Maria, mulher de amor”


Oração: Ó Maria Imaculada, Rainha dos anjos e Mãe dos homens, pela fé no Senhor assumistes o plano de salvação de vosso Deus e Pai. Fazei com que compreendamos mais plenamente a vontade de Deus que quer salvar a todos e levar-nos ao conhecimento da verdade. Agradecido, louvo à Santíssima Trindade que vos escolheu para tão grandiosa missão. Fazei com que tenhamos abertura de espírito para poder amar e distinguir a vontade do Pai e tenhamos a alegria que nos levará a participar com amor, em companhia dos anjos e santos, do Reino da glória.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...









fonte: google


7º dia –“Maria, mulher de Fé”


Oração: Ó Maria Imaculada, Rainha dos anjos e dos homens, pela fé no Senhor assumistes o plano de salvação de vosso Deus e Pai. Fazei com que compreendamos mais plenamente a vontade de Deus que quer salvar a todos e levar-nos ao conhecimento da verdade. Agradecido, louvo à Santíssima Trindade que vos escolheu para tão grandiosa missão. Fazei com que tenhamos abertura de espírito para poder distinguir a vontade do Pai e tenhamos a alegria que nos levará a participar, em companhia dos anjos e santos, do Reino da glória.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...









fonte: google


8º dia –“Maria, uma mulher de Fé”


Oração: Ó Maria, Senhora e Mãe dos Homens, em toda a vossa vida tivestes sempre um coração aberto para o bem, caridade e a Fé. Abrasai o meu coração de um imenso amor pela salvação da humanidade e fazei com que tenha sempre diante dos olhos o ideal da perfeição cristã para que, correspondendo à vocação e aos planos Divinos, possa realizar em minha vida, para edificação do Reino de Cristo, o testemunho autêntido do homem de Fé que seja justo e santo.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...










Jesus Ressuscitado entrando na Ig N S Mãe dos Homens/ Felipe Miranda


9º dia –“Maria, a forma mais sincera de Amor e Fé”


Oração: Ó Maria, Mãe da Igreja, Mãe dos Homens emodelo perfeito da igreja realizada em plenitude, velai pela comunidade portofelicense aqui reunida em nome de vosso Filho e fazei de todos os cristãos, instrumentos da paz no mundo. Que o nosso testemunho seja a oportunidade sincera de conversão daqueles que ainda não encontraram a Verdade do Evangelho. Dou graças e louvo Amorosamente à Santíssima Trindade que colocou em vosso coração a luz da graça e o amor ardente que vos elevaram a tão alta santidade. Que o vosso exemplo ilumine o nosso caminho para que todos na igreja cheguem com muita Fé à eterna bem-aventurança e possamos chegar à glória da eternidade!


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...






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Oração Comunitária:


(intenções espontaneas)


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OraçãoFinal: Obrigado Senhor pela conclusão desta jornada, por mais um dia cumprimos nossos trabalhos e orações. Pedimos que nos envie em Missão Senhor, que retornemos até o proximo encontro e que estejamos firmes no Seu caminho. Que a cada dia cosigamos ter forças e unção para propagar esta Santa Devoção a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Queremos ser instrumentos de vossa Paz, levando ao meu irmão aquilo que Tu Queres: o Amor, a Fé! Queremos testemunhar a Cristo, que nós consigamos também dar os mesmos passos e frutos. Conceda-nos a sua Benção! Amém



Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,


Amém

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