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terça-feira, 17 de janeiro de 2017


OS PECADOS CAPITAIS E SUAS CONSEQUÊNCIAS...

Quando buscamos compreender qual seja o significado do conceito de pecado, não estamos tratando de uma mera questão subjetiva ou de uma simples discussão sobre conceitos, mas sim, de um caso de vida ou morte, pois é isto que implica as consequências da prática ou não deste conceito em nossa vida. Aliás, constatamos isto pela dicotomia que vemos no seio de nossa sociedade; é como escreveu São Paulo na Carta aos Romanos: “Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6,23).

O pecado é, sem dúvida, um dos grandes dilemas da humanidade, é uma espécie de enigma intrínseco capaz de causar grandes tragédias, gerando seres profundamente infernais. Onde ele se faz presente com a anuência (consentimento) da humana criatura, perdemos toda ternura, todo sentido de vida e começamos pouco a pouco a definhar rumo ao caos; isto se dá porque quando pecamos, o demônio, inimigo número um de nossas almas, “mina” todas as nossas iniciativas para Deus, fazendo-nos ter uma visão controversa da obra do Senhor e de nosso papel na criação.

Daí vem o alto grau de periculosidade comportamental que infecta nossa sociedade, pretensamente moderna, como uma doença quase incurável ou altamente contagiosa, que por onde passa, deixa o seu rastro de destruição e de morte. Infelizmente a humanidade ainda não despertou para a ruína final que está para se abater sobre nós, pois continua sua corrida extremamente maliciosa, traiçoeira e perversa no cometimento das mais terríveis aberrações, a ponto de desafiarem o próprio Criador pela desobediência às suas leis naturais e divinas. De fato, precisamos começar por nós mesmos o processo de conversão a Deus Pai e Criador de nossas almas, a quem precisamos amar acima de todas as coisas por meio do seguimento de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

Vejamos agora a tradução do conceito de pecado para entendermos melhor de que forma ele surge, e como fazer para evitarmos comete-lo, e assim conservamos a verdadeira liberdade conquistada por Cristo Jesus, o Filho de Deus muito amado, que nos libertou do pecado, de suas consequências e de todo o mal.

São Basílio Magno, em sua Regra mais longa, assim situa o pecado: “Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus, daquilo que ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito do Senhor.” (Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo (Resp. 2,1: PG 31,908-910)(Séc.IV).

Já para Santo Agostinho, o pecado se traduz por "«palavra, ato ou desejo contrários à Lei eterna»", causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor. Logo, este ato do mal é um "abuso da liberdade" e fere a natureza humana. "Cristo, na sua morte de cruz, revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia". (IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 392. ISBN 972-603-349-7.).

Em um artigo intitulado, A Realidade do Pecado no Homem, eu o defino da seguinte maneira: O pecado é como uma erva daninha que nasce de forma misteriosa, mas permitida pelo homem (cf. Gen 3), no terreno de sua vida, levando-o a ruína e à perdição parcial ou total. Ele é de ordem espiritual, pois tem sua origem na desobediência dos anjos decaídos; e do homem que o consentiu no início da criação (cf Gn 3,1-13); posto que Deus os criou livres para o amarem e permanecerem fieis a Ele por toda a vida, até que atingisse a plenitude de sua imagem e semelhança ou a sua imortalidade. Por isso, Jesus nos ensinou que, “Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.” (Jo 8,34-36).

Eis os pecados chamados capitais, pois eles são a cabeça, e carregam essa condição por levarem os homens aos mais terríveis vícios e pecados mortais, que são os pecados contra os mandamentos da Lei de Deus, e que conduzem os homens à morte eterna se morrerem com eles.

1 - A Gula

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida.

Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula.

2 - A Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades.

Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 - A Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”.

Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade desregrada. Do latim luxuria.

4 - A Ira

A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.
A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira.

5 - A Inveja

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos [que são as qualidades e valores pessoais] e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual.

É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida num dos Mandamentos da Lei de Deus. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 - A Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia.

7 - A Soberba ou Orgulho

Conhecida como soberba, é associada a orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas. (http://www.catolicoorante.com.br/7pecados.html).

Além destes pecados chamados de Capitais, porque cabeça de todos os outros pecados; o Papa Bento XVI também nomeou os sete pecados capitais da era que vivemos. Segundo Bento XVI, além da Saligia (ordem em que se situa os pecados capitais), os humanos teriam desenvolvido sete pecados capitais modernos. Eles são:

Pressa: uma pessoa apressada não tem tempo para Deus. A Pressa origina Ira e causa acidentes.

Manipulação genética: isso seria "brincar de Deus", algo inaceitável.
Interferir no Meio Ambiente: adicionar imperfeições na Criação de Deus.

Causar pobreza: retirar dinheiro dos outros por Avareza (corrupção).

Ser muito rico: causa desigualdade social, o que é inaceitável, pois todos são iguais perante Deus.

Usar drogas: interferir em seu organismo.

Causar injustiça social: preconceito e bullying, em sua maioria.

O Vaticano divulgou essa lista ainda neste século, sendo eles os pecados capitais do Século XXI. (https://goo.gl/M13QQx).

As consequências de todo pecado é sempre a morte (cf. Rm 6,23), com ela chega ao fim todos os atos humanos, incluíndo os atos pecaminosas, que são a causa da ruina e perdição de todos os que os cometem. Todavia, não podemos esquecer que a misericórdia divina vem sempre em socorro de todos os pecadores para vencermos as tentações e o mal que age por meio delas para nos levar ao pecado e à morte. Ora, a Misericórdia do Senhor, por meio do Espírito Santo, nos concede as Virtudes juntamente com o dom do discernimento para vencermos as tentações, o pecado, a morte e todo o mal que se levanta contra os filhos de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A VIRTUDE DA HUMILDADE


A VIRTUDE DA HUMILDADE

A palavra humildade vem do termo latino húmus que é a terra processada e tornada fecunda, capaz de fazer germinar as sementes nela depositadas tornando-as profundamente férteis e bastante produtivas. De fato, fazendo uma analogia entre o húmus e a virtude da humildade, vemos que o húmus dessa virtude consiste em transformar os resíduos dos pecados alheios e pessoais em fecundidade da alma imersa na misericórdia de Deus. Ou seja, transformar os dejetos deste mundo em graças especiais para a nossa salvação eterna.

Ora, ninguém é autossuficiente o bastante para dizer “não preciso”, pelo contrário, dependemos de tudo naturalmente e também uns dos outros nas mais diversas necessidades pessoais. Por isso mesmo, precisamos entender que, quem depende sempre, não manda em nada fora de sua necessidade, mas precisa obedecer sempre, para que haja solidariedade entre todos e assim cheguemos à saciedade desejada, para que haja comunhão, ou seja, para que nos tornemos um, como é vontade de nosso Pai do céu (cf. Jo 17,11.21).

Temos ainda um belo exemplo do fruto da humildade na Sagrada Escritura, por meio da partilha dos bens temporais: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade”. (At 4,32-35).

Também São Paulo se refere a essa virtude a partir da unidade com outras virtudes: “Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. (Fil 2,1-5).

Por fim, meditemos nessa frase de São Paulo: “Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. Essa frase nos ensina a perfeição da humildade revestida da caridade, que consiste em servir “ao próximo como a si mesmo”. De fato, só serve quem não tem nada de próprio, quem rompeu com os apegos deste mundo, quem vê tudo como dádiva de Deus para todos, e que pense consigo, a ninguém falte coisa alguma enquanto aqui estivermos, mesmo que os homens tentem nos tirar tudo.

Aprendemos esta verdade de nosso Senhor e Salvador que disse: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”. (Mc 10,45). De fato, somos servos, e o servo só faz o que o seu Senhor ordena (cf. Mq 6,8), sem a ordem do Senhor, o que faremos? Agimos por conta própria e quando essa ação não é conforme a vontade de Deus, tudo dá errado em nossa vida. Porque o Senhor também nos ensinou: “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,30).

Ou seja, na vida de quem serve a Deus humildemente, mesmo que aparentemente tudo dê errado aos olhos dos homens; no entanto, aos olhos de Deus, “tudo concorre para o bem daqueles que o amam”, pela santa obediência. E por esse serviço humilde e despojado, eis a recompensa do Senhor: “Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á”. (Lc 12,37).

Sentar à mesa do Senhor com o Senhor a nos servir, isso se dará à medida do nosso serviço, “pois tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”; por isso, não queira nada fora da vontade do Senhor, pois Ele nos dá conhecer sua vontade pelas virtudes que nos concedeu, dentre elas a virtude da humildade vigilante, porque é assim que o servimos e o amamos de todo coração.

Conta-se um fato acontecido na vida de Santa Tereza D’avila. Ao meditar sobre virtude da humildade, ela fez ao Senhor o seguinte propósito: “Senhor meu, hei de escolher sempre o último lugar, pois tu mesmo disseste, ‘quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado’”. Por isso, nas refeições diárias sempre procurava se alimentar por último. Certo dia, depois de vê que todas as irmãs já estavam na fila, ela se pôs no último lugar; quando, mais que de repente, sentiu uma leve brisa soprando por entre sua cabeça e as costas, ao que indagou: mas não sou eu a última das irmãs? Voltando-se viu Jesus que lhe respondeu: “Tereza, não sabes que o último lugar é o meu?”. Assim, ela entendeu que, quem procura o último lugar, encontra nele o Senhor.

Portanto, ser humilde é ser o que Deus quer, é ser como Deus é, “manso e humilde de coração”, como ele mesmo nos ensinou: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve”. (Mt 11,29).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O GRANDE MISTÉRIO DA NOSSA SALVAÇÃO


O GRANDE MISTÉRIO DA NOSSA SALVAÇÃO...

Quando tratamos do que chamamos de mistério, tratamos daquilo que ainda não é conhecido por nós em sua essência, porque na verdade só Deus conhece essencialmente todas as coisas e não é conhecido por ninguém (cf. Sl 138;Jo 3,31-35;1Jo 3,19-20;1Cor 2,9-12). Estamos acostumados a lidar com o que vemos, e podemos até, de certa forma, dominar e manipular ao nosso bel prazer; mas, quando se trata dos Mistérios de Deus e de sua criação, tudo foge ao nosso controle, isto porque entramos no campo da fé, e como diz são Paulo: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6).

Ora, sabemos que todos os seres vivos estão naturalmente condenados à morte, e nós, humanos, temos plena consciência desse mistério, pois o vemos acontecer na vida dos outros, e o veremos também na nossa, quando chegar o nosso dia eterno. Com efeito, além do mistério da morte, temos ciência de tantos outros, como por exemplo, o mistério do universo, do sistema solar; das leis naturais, das coisas visíveis e invisíveis; o mistério da iniquidade, ou seja, do mal, etc., são tantos que nem cabe nas nossas estatísticas. Mas um em particular chama mais à nossa atenção, é o Mistério da nossa salvação, pois, é o que mais desejamos em meio a este vale de lágrimas que habitamos. Porém, como entender este Grandíssimo Mistério?

De fato, só é possível pelo entendimento da fé, ou seja, pela Sabedoria divina advinda da fé, como bem nos ensinou São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: ”Entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus”. (1Cor 2,6-9).

Ou seja, o Mistério da nossa Salvação passa impreterivelmente pelo Mistério de “Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens...” (!Cor 1,23-25). “A cruz está estreitamente ligada à Paixão de Cristo e à nossa salvação. É o símbolo mais eloquente do amor de Deus por nós. A cruz venceu a morte e nos deu a vida eterna. Por esse motivo é justo que seja celebrada, exaltada e venerada por todos nós”. (http://goo.gl/twSWd2).

Na sua Carta aos Romanos, São Paulo, discorre sobre este Grande Mistério: “Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. Em rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá se consentiria em morrer. Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”. (Rm 5,6-9).

E continua: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição”. (Rm 6,3-5).

Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.) Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus”. (Rm 6,6-9).

Deste modo, afirma São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rm 8,1-2). E ainda: “Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus. Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. (Rm 5,1-5).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

A PEDAGOGIA DIVINA E A LÓGICA HUMANA


A PEDAGOGIA DIVINA E A LÓGICA HUMANA...

A lógica de Deus não é a nossa, isto porque a nossa lógica se baseia apenas nas leis naturais, enquanto a lógica divina tem como fundamento a lei perfeita do amor. Em nossa lógica medimos tudo, pontuamos, criamos regras, fórmulas, para obtermos os resultados desejados; em Deus não há medida, não há fórmulas contingentes, mas há dois dons fundamentais que nos ajuda a entender o agir divino em nosso favor. São eles, fé e obediência; pela fé acreditamos nos santos mandamentos, que é a lei perfeita do amor, e que nos leva a percorrer o caminho da perfeição; e a nossa obediência como correspondência amorosa para que Sua teofania (ação direta de Deus) plenifique nossa vida.

Eis o que a Sagrada Escritura nos ensina sobre a pedagogia divina e a lógica humana:

Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão”. (Is 55,6-11).

Desse modo compreendemos que a fé não é uma teoria, mas uma prática que fundamenta o dom amor de Deus em nossa vida; e a obediência é o dom que em nós acolhe a vontade do Senhor... Ou seja, a Palavra de Deus dita se realiza, enquanto a vontade humana a segue por meio da fé e da obediência; pois de Sua Palavra dependemos cem por cento, não somente nós, mas também toda a criação... Então, sejamos testemunhas da Palavra Divina, pois só há autenticidade no agir humano, quando ele tem como fundamento o que Deus fala e faz...

Vejamos como se dá isso:

Irmãos, também eu, quando fui ter convosco, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor. A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloquência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

Entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória).

É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus.

Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais.

Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar. O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é julgado por ninguém. Por que quem conheceu o pensamento do Senhor, se abalançará a instruí-lo (Is 40,13)? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo. (1Cor 2).

Destarte, “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém”. (Rom 11,33-36).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

PS: “Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus.” (Miq 6,8)

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quinta-feira, 10 de março de 2016


A MARCANTE EXPERIÊNCIA DE DEUS…

Fazer a experiência de Deus é viver uma interação real com Ele. Não é apenas um contato com Deus, mas um encontro permanente, pois quem encontra o Senhor jamais poderá esquecê-lo; e mesmo que o queira, não consegue, porque esse encontro é tão marcante e maravilhoso que é impossível negá-lo. Ora, tudo o que vivemos e fazemos fora da graça de Deus é perda, porque o viver humano sem a experiência da graça divina é um caos que termina com uma morte angustiante, sem esperança alguma. Dante Alighieri, no seu Poema A Divina Comédia, escreveu na porta do inferno o seguinte: “Deixe fora toda esperança”. Imagina, uma vida sem esperança não é vida, é um tormento eterno. Deus nos livre disso e de todo o mal.

De fato, quando temos esse encontro com Deus, por exemplo, no santo batismo, a primeira experiência que fazemos é a da ressurreição, como bem mencionou são Paulo, na sua carta aos Romanos: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,4-5). Ressuscitar com Cristo é experimentar o resultado de sua doação total ao Pai por nós, pois ninguém amou mais o Pai e a nós do que Jesus ao se deixar crucificar, derramando todo o seu sangue em expiação dos nossos pecados.

Nas mais diversas religiões, os homens buscam encontrar um ser supremo; já no cristianismo se dá um fenômeno novíssimo, pois é Deus quem vem ao nosso encontro, enviando o seu Filho Jesus Cristo, e por ele nos resgata de nosso nada, descendo e assumindo o nosso nada. Essa verdade encontramos no ensinamento de são Paulo aos Efésios e que assumimos como graça santificante do amor de Deus por nós, vejamos: “E vós outros estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes.

Também nós todos éramos deste número quando outrora vivíamos nos desejos carnais, fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por natureza, verdadeiros objetos da ira (divina). Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! -, juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. Ele demonstrou assim pelos séculos futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para conosco em Jesus Cristo”. (Ef 2,1-7).

Com efeito, depois de tudo o que meditamos, precisamos entender também que essa graça do encontro permanente com o Senhor, nos leva a vivermos uma profunda experiência de amor e intimidade com Ele; mais ainda, é uma relação paternal filial, ou seja, é Deus que nos trata como filhos e filhas que voltam ao seu convívio, à sua casa, para assumirmos nossa herança eterna, perdida com o pecado e agora recuperada por sua divina misericórdia.

Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”. (Jo 15,12-15). “Vede com que amor o Pai nos amou, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que haveremos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como Ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).

Portanto, mesmo sabendo que os nossos dias estão contados, acendamos ainda mais a chama do amor incondicional ao nosso Pai do céu, por nos ter dado a vida eterna por meio de Seu Filho Jesus Cristo, Senhor e Salvador de nossas almas e de toda a criação; e façamos da esperança nossa bandeira triunfal na expectativa da vinda gloriosa do Senhor, que despontará nos céus com os seus anjos para julgar os vivos e mortos, e o seu reino não terá fim. A Ele toda honra, toda glória, todo poder e todo louvor, agora e por toda a eternidade, amém!

“Aquele que atesta estas coisas diz: 'Sim! Eu venho depressa!' Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).

“A graça do Senhor Jesus esteja com todos.” (Ap 22,21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CONVERSÃO, URGENTE E NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO...


CONVERSÃO, URGENTE E NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO...

Quando nas pegadas do tempo,
lá pelas tantas de minha vida...
Eu te encontrei ó Jesus...
Depois de ter experimentado as dores do pecado,
vi que o diabo se esconde nele...
E por isso não quis mais pecar...
Porque ao Ti encontrar, Senhor...
Experimentei em teu amor,
a dor de não ter te seguido,
como fora estabelecido no santo batismo que de ti recebi...

Agora, arrependido de tudo o que fiz longe do teu amor...
Aqui estou para te dizer sim, mas um sim tão autêntico...
que nada e ninguém neste mundo possa tirá-lo de mim...
Porque, nas lições da vida aprendi que dependo cem por cento de ti...
E assim, só quero ser fiel, devotar-me totalmente à missão...
De testemunhar a tua ressurreição,
vivendo a eternidade que nela recebi...

Mas, Senhor, infelizmente, são tantos e tantos...
os que continuam fazendo da ignorância e do pecado,
um estado mórbido e desvairado de vida infernal...
Por isso, fazem tanto mal com as próprias palavras...
Tendo o inimigo nelas, tornam-se seus porta vozes...
Com blasfêmias e sarcasmos, coisas mesmo do diabo,
a quem servem em seus livres-arbítrios...

E o que dizer, Senhor, de tudo isso?
Creio que não estão percebendo o abismo no qual estão caindo,
se afastando de tua divina misericórdia...
Que os espera e conforta,
quando arrependidos voltam ao teu convívio, Jesus...
Pois, o teu sacrifício de cruz, é a grande prova de amor...
Que a humanidade recebeu, para ter a vida eterna, o céu...
Que preparaste para aqueles que te amam...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

AS PALAVRAS DE JESUS NÃO SÃO SÓ PALAVRAS...


AS PALAVRAS DE JESUS NÃO SÃO SOMENTE PALAVRAS...

Sempre que ouvimos o Senhor, percebemos que Nele tudo é novo e perfeitamente diferente de tudo o que há; suas palavras, seus gestos, seu modo de ser revelam quem é Deus; como Ele age em meio a nossa naturalidade; e de quanto está próximo de cada um e de todos nós cada vez que o invocamos.

Ora, a linguagem divina, sem dúvida alguma, difere claramente de nossa linguagem humana; todavia, como somos “sua imagem e semelhança”, o Senhor procura falar nossa linguagem injetando nela sua Sabedoria Eterna, para nos comunicar a Sua Santidade, tão necessária para entramos no seu Reino de amor. É como está escrito: “Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho. Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas.” (Jo 3,31-34).

Logo, é exatamente essa linguagem que Jesus usa nas parábolas que conta, cada vez que o ouvimos nos santos Evangelhos proclamados. E por que Jesus fala em parábolas? Por ser um dos meios mais eficazes de comunicação, pois atinge a todos por suas analogias e conclusões. Dizer algo em parábolas é manter “in aeternum” aquilo que se quer ensinar, isto porque as palavras de Jesus não são somente palavras, elas são poder, virtudes, curas, milagres, sabedoria, discernimento; entendimento das coisas eternas a partir das coisas temporais; elas, na verdade, são o devir, ou o já e ainda não da escatologia.

O bom de tudo isso é saber que, quando Jesus fala, Ele já comunica a graça que anuncia, ou seja, Sua Palavra já vem acompanhada da ação que incide sobre a quem foi dito ou ao que foi dito, como vemos nestes exemplos: “Vós já estás puros pela palavra que vos tenho anunciado” (Jo 15,3); “Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha. Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.” (Mc 7,29-30);

Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (Jo 20,21-23). “E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: ‘Silêncio! Cala-te!’ E cessou o vento e seguiu-se grande bonança.” (Mc 4,39).

Por fim, não podemos esquecer que o Senhor pôs o paraíso dentro de cada um de nós, quando nos deu o livre arbítrio, que é o poder de decisão para permanecermos Nele ou não. E isto depende da escolha que fazemos: viver como filhos de Deus amando-o acima de todas as coisas por nossa obediência à Sua Sabedoria, expressa nas suas leis e mandamentos, e nos ensinamentos de Jesus, seu Filho amado; ou escolher permanecer no pecado, que consiste em não amar a Deus, pela desobediência aos seus mandamentos e às Palavras de Jesus.

Portanto, quem vive na obediência aos santos mandamentos, seguindo a Cristo Jesus, está sob a proteção divina, porque a sua alma se torna o lugar de Deus por excelência. E onde Deus habita, não existe lugar para o mal. Porém, quem se entrega ao pecado não pode ver a Deus, porque o pecado é o esconderijo do diabo (cf. 1Jo 3,4-6).

Então, quem poderá ver a Deus? Os que têm o coração puro, como diz o Senhor: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!” (Mt 5,8). E quem nos dá essa pureza de coração? O senhor mesmo, pois, quando nos deu o santo batismo, nos deu, para sermos santos como Ele é Santo (cf. Mt 5,48; Jo 15,3; 1Jo 3,3); só precisamos deixar que o Espírito Santo nos conduza nesta trajetória para o Reino de Deus e sua justiça. (cf. Rm 8,14-17).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS (1Con 12,10)


O DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS... (1Cor 12,10)

Discernimento é aquilo que enxergamos com os olhos da alma, ou seja, é aquilo que percebemos pelo entendimento da fé; é um dom do Espírito Santo, trata-se de ver claramente se as situações, as atitudes, o modo de ser, são ou não conforme a vontade de Deus para a nossa vida. Por meio desse dom, percebemos quem está falando ou atuando; ou se os acontecimentos são dos homens; são de Deus, ou se é algo que vem do maligno. De uma coisa fiquemos certos, estas realidades não se misturam nunca (cf. Is 55,7-11; Jo 14,30), e é este o critério para que tenhamos um verdadeiro discernimento.

Aquilo que é do homem pode mudar pelo arrependimento (cf. Lc 15,7), ou por sua inconstância (cf. Tg 1,5), ou ainda por sua ignorância (cf. Lc 12,47); aquilo que é de Deus é definitivo, como bem nos ensinou São Tiago: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade.” (Tg 1,17). Enquanto que, aquilo que é do maligno é sempre mau e uma grande mentira (cf. Jo 8,44). Assim, compreendemos que é Deus quem protege a humanidade; a humanidade por sua vez procure fazer a vontade de Deus, pois é somente ela que dá sentido a nossa vida; e a vontade de Deus se faz presente em seus mandamentos e nas palavras e ações de seu Filho, Jesus Cristo. Por outro lado, as únicas armas de que o inimigo dispõe são as tentações; e estas podem ser combatidas por uma vida de santidade obtida nos Sacramentos, e pelas penitências e orações, e a intercessão dos santos, com as quais buscamos as graças de Deus para seguirmos cumprindo seu plano de amor para a nossa salvação eterna.

Com efeito, eis o que o Senhor Jesus nos ensinou para obtermos um bom discernimento: “Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro. Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.” (Mt 5,33-37). Ou seja, somos filhos da verdade e somente a verdade pode sair de nosso coração, porque a verdade liberta e salva sempre (cf. Jo 8,32).

Então, o que é o discernimento dos espíritos? Trata-se dos pensamentos consentidos e externados em atitudes e ações, realizadas por nós mesmos ou pelos outros, pois tudo o que é pensamento nosso ou dos outros vem de fonte invisível, como o próprio pensamento que é invisível em si mesmo; porém, depois de externados e examinados, é que são discernidos; Jesus, porém, os discernia perfeitamente antes de externados e examinados, por ser o Filho de Deus, e conhecedor de todas as coisas (cf. Col 1,15-17). Convém aqui lembrar que, antes de tudo, esteja o nosso coração pleno do primeiro e o segundo mandamentos, ou seja, o mandamento do “amor a Deus acima de todas as coisas; e ao próximo como a si mesmo”. Pois, é fundamentados no amor, que devemos agir sempre; e assim acolhermos ou rejeitarmos aquilo que concorda ou discorda desse amor (cf. 1Jo 4,8.16).

De fato, vivendo num mundo de tantas contradições e de tantos credos religiosos, precisamos está atentos na vivência de nossa fé, para não cairmos nas contradições e armadilhas do mal, que usa de todos os meios e tentações, para nos afastar da comunhão com Cristo e da Sua Santa Igreja, pois, como disse São Paulo: “Jesus é a Cabeça do Corpo, da Igreja” (Col 1,18), do qual somos os seus membros. Logo, o discernimento nos é necessário para nos atermos seguros daquilo que diz respeito à nossa salvação eterna; e nada melhor para esse discernimento que o amor, a obediência, a fidelidade, a humildade, e a perseverança como membros do Corpo de Cristo que somos. Para isto ele derramou em nossas almas, pelo batismo, o Espírito Santo com todos os seus dons e frutos para nos aperfeiçoar em nossa condição de redimidos.

Realmente, quando tratamos da Igreja, Sacramento Universal da Salvação; da vivência e prática da fé e dos bons costumes; das mais diversas vocações no seio da Igreja; da participação nas instituições que compõem a nossa sociedade; precisamos ter a certeza do discernimento que nos é dado pelo Senhor, por meio da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja, como Ele nos ensinou: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16). E que também São Paulo nos confirma: “Toma por modelo os ensinamentos salutares que recebestes de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. Guarda o precioso depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós”. (2Tim 1,13-14).

Quanto ao discernimento pessoal, as bases são as mesmas: a instituição e os valores a que estamos ligados (Sagrada Escritura, Tradição, Magistério da Igreja; fé, mandamentos, virtudes, Sacramentos, vida de oração, obras de misericórdia, etc.). Desse modo, como a fonte é cristalina, a água também é cristalina; caso contrário, não discerniríamos nada. É como disse o Senhor Jesus: “Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore.” (Mt 12,33). Aqui se trata das graças recebidas da fonte inesgotável do amor de Cristo pelos membros do seu Corpo, a Igreja. Pois, “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5,25b-27).

Destarte, para termos um discernimento perfeito, conforme a vontade do Senhor, eis algumas passagens bíblicas que nos dão as precisas instruções para isto: “Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida.” “O coração é, na Bíblia, considerado como sede da inteligência, dos desejos, dos pensamentos, da vontade, da consciência.” (Pr 4,23 e nota). E ainda: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.” (Rm 12,1-2).

Por fim, escutemos o Senhor: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26,41). “O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida”. (Jo 6,63). “Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,12-14)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

FELIZES OS QUE TE OUVEM E TE SEGUEM...


FELIZES OS QUE TE OUVEM E TE SEGUEM...

Aqui estou Senhor;
Pedindo-te humildemente para renovares minhas forças...
Para assim querer sempre o que tu queres...
Pois sei Senhor que, o que tu queres, é eterno...
Mesmo ainda aqui no tempo...

Senhor, mas como posso fazer somente a tua vontade,
Se a realidade com que me deparo é cheia de interesses,
E por isso mesmo, também cheia de confusões?
Aspirações eu tenho, especialmente de ser santo...
As graças de tua parte não me faltam para isto...
Porém, preciso aprender a bem administrá-las...
Para a salvação de minha alma e de todas as almas,
que eu encontrar a caminho da eternidade...

Senhor, por isso, preciso silenciar...
Preciso te ouvir e pôr em prática tudo o que me falas...
Não quero incorrer no erro dos que só escutam a si mesmos...
E por isso, não sabem se governar...
Porque, de fato, nem tudo vai acontecer como queremos...
Mas, com toda certeza tudo se realizará conforme a tua vontade...

Felizes os que te ouvem e te seguem...
Se conformando em tudo ao teu querer...
Esses sabem que a unidade vinda do teu amor e da misericórdia...
É que forma a comunidade perfeita...
Onde és tudo em todos...

Ó Senhor!
Esse deve ser sempre o impulso de nosso coração,
para transbordarmos a salvação que de ti recebemos...
Porque, queiram os homens ou não,
Deus, nosso Pai, já pôs as bases do seu Reino de amor,
quando pelo Senhor, nos perdoou e apagou nossos pecados,
para que reconciliados com Ele, tenhamos a felicidade eterna...

Amém, assim seja!

Paz e Bem!

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

AINDA SOBRE A PARUSIA E O DEVIR HUMANO...


AINDA SOBRE A PARUSIA E O DEVIR HUMANO...

Viver com Cristo ressuscitado e em Cristo ressuscitado, é gozar de sua paz, é receber o seu Espírito Santo como os apóstolos o receberam do “sopro de vida” que o Senhor soprou sobre eles (cf. Jo 20,22).  Ou seja, Cristo ressuscitado se une a nós e nos livra deste mundo, da atual situação em que ele se encontra, e de todo o mal, para testemunharmos que somente Nele temos a vida eterna. E é exatamente isso que Ele nos revela, somos filhos e filhas de Deus, por seu Espírito habita em nós (cf. Rm 8,14-17). E Deus, sempre presente, age por meio de sua Divina Providência, e assim somos assistidos e amados por Ele prontamente, mesmo quando não o percebemos. De fato, Deus cuida muito bem de seus filhos e filhas...

E aqueles que Deus protege, porque se põem debaixo de sua divina proteção pela obediência aos seus mandamentos, mesmo que percam alguma coisa neste mundo, lhes será restituído em dobro ou mais ainda, uma vez que a graça do Senhor supera todas as percas temporais; aliás, todas as coisas que existem naturalmente, existem em função do homem e não o homem em função delas; visto que todas as coisas só têm sentido por causa do homem; sem a existência humana toda a criação perderia o sentido de ser.

Desse modo, não nos apeguemos a nada e a ninguém, pois tudo o que existe naturalmente está destinado ao fim que lhe é próprio, isto é, se tornará pó, cinza, como a própria experiência existencial nos mostra... No entanto, o homem não é só matéria animada, mas “alma vivente”, um ser para o futuro eterno que o Senhor nos reserva como herança, que são os “novos céus e nova terra onde habitará o amor e a justiça” definitivamente.

Não há como duvidar, a razão para este mundo ainda existir, é o fato de o Senhor sustenta-lo com o poder de sua Palavra até que chegue o julgamento de todos os seres humanos, responsáveis pelo destino deste mundo e de si mesmos, em vista do devir. De uma coisa fiquemos certos, todos seremos julgados pelo que recebemos do Senhor: a vida; as leis naturais e as leis divinas; que nos foram dadas para regermos a nós e as outras criaturas aqui existentes.

Com efeito, a ordem (as leis) existe para que não haja desordem, para isto é preciso a obediência às leis postas a fim de que a justiça se cumpra e haja equilíbrio e paz entre nós. Pois Deus criou o homem em estado de graça para governar todas as coisas a partir desse estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Mas infelizmente o homem deixou entrar o pecado em sua vida, que consiste em não amar a Deus, desobedecendo a suas leis e mandamentos; e passou a governar todas as coisas a partir deste estado mórbido; o resultado é o que vemos hoje na face da terra, toda espécie de desiquilíbrio e maldade, e o encaminhamento do mundo criado a um fim trágico, ao caos.

Caríssimos, vivendo em meio à dualidade deste mundo, de que lado nós estamos? Lembram-se da parábola do joio e do trigo que Jesus contou (cf. Mt 13,24-30)? De fato, quem é batizado católico, vive a experiência da ressurreição de Jesus, pois é a primeira graça que o Senhor nos dá quando do nosso batismo, “nascer da água e do Espírito Santo”, ou seja, participar de sua ressurreição. Se falta o santo batismo, falta também o dom do Espírito Santo, pois, foi para isto que Deus nos criou, para sermos morada sagrada do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16; 6,19). Sem a presença do Espírito Santo, só a vida natural não nos é suficiente para fazermos a experiência da ressurreição do Senhor, é preciso nascer de Deus mesmo (cf. Jo 1,12-13) pela fé dom do Espírito Santo, e assim fazermos parte da nova criação. Porém, muitos receberam essa graça, mas, poucos são os que a vivem como deveria ser vivida.

Enfim, Como será a minha eternidade e a tua? Para obtermos essa reposta, precisamos perguntar primeiro: qual é o nosso grau de convivência com o Senhor aqui? Porque quem convive bem com Deus aqui, convive bem consigo mesmo e com os demais; mas, quem não convive bem com o Senhor aqui, também não convive bem consigo mesmo e nem com os demais, e isso se reflete no nosso devir. Porque se falta comunhão com o Senhor, não temos o Seu Espírito em nossa vida para nos conduzir à sua glória.

Então, vejamos a seguinte exortação do livro do Apocalipse sobre o devir humano: “Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!”

“Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã”. (Ap 22,10-16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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