Domingo, 12 mar., fui assistir ao filme Silêncio (Silence) de Martin Scorsese. Além das questões relativas à História do Catolicismo no Japão, eu tinha um motivação muito particular: eu digo que para meu pai (que faleceu em junho do ano passado) no fundo a hierarquia da Igreja Católica era assim:
- O Papa
- Os Cardeais
- Os Bispos
- Os Padres Jesuítas
- Os demais Padres
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| Três jesuítas martirizados no Japão / Guido Cagnacci. Séc. 17. |
Mas saí do cinema com a impressão de o Scorsese fez uma leitura muito própria da citação bíblica "Não existe amor maior do que dar a vida por seus irmãos" (Jo 15, 13).
Para isto o protagonista, Padre Rodrigues, para que parasse a perseguição aos aos cristãos japoneses dá algo maior que a sua vida; dá a sua alma (e para os europeus no seculo XVII isto era algo muitíssimo importante). E como ele dá a sua própria alma? Ao Formalizar publicamente o ato de abandono da fé cristã e católica, num Autodefé japonês. Após isto fica claro que sem a presença de um padre no território nipônico, as autoridades voltarão a fazer vistas grossas com relação aos grupos cristão ainda existentes.
E de fato, continuaram nas catacumbas a perseverarem na sua fé, só ministrando o batismo, rezando discretamente em comunidade e transmitindo bocaaboca o que haviam aprendido no passado. Estes católicos só voltam a aparecer no século XIX, depois que o estadounidense Comodoro Perry com seus canhões forçou o Japão a abrir-se aos estrangeiros -- o que precipitou o fim do xogunato (o que é retratado no fime o Úlitmo Samurai (The Last Samurai)) --.
Mas voltando ao filme após o Autodefé, que realizou os atos blasfemos, mas em consciência não aderiu a uma nova fé ainda tem muita angustia. Aí vem Kichijiro, o primeiro japonês que ele encontrara, um cristão que já várias vezes renegara a sua fé em público -- sendo que da primeira vez o restante de sua família não o fez e por isto foi morta na sua frente -- um personagem miserável, fraco, que vive se torturando pela sua fraqueza, que não conseguia se perdoar e que Rodrigues conseguir convencer que ele poderia obter a misericórida de Deus por meio do sacramento da Confissão. Pois bem, mais uma vez vem Kichijiro pedir para se confessar, Rodrigues responde que ele já não é mais padre, o japonêss insite e isto faz com que o jesuíta se recorde que mesmo ele sendo uma pessoa indigna a doutrina afirma: "Tu és sacerdote para sempre" e ele mais uma vez ouve a confissão e apartir daí ele alcança a paz interior, mesmo que para os olhos de todos ele já não fosse mais um católico, ele confiava na misericórdia do Deus Uno e Trino.
Sim esta é uma leitura muito particular que faço do filme
(e pode ser que seja o do livro que dá origem ao filme,
mas não lí o livro),
e tenho certeza de que muitos catolibãs não vão gostar dela
(mas o problema é deles).
PS: No caso do Brasil também podemos fazer uma leitura sobre como sobreviver em tempos de perseguição política, mas óbvio que o Scorsese não tava pensando na situação golpista e TEMERosa do Tucanistão.Fonte da ilustração: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Guido_Cagnaccio_-_Three_Jesuit_martyrs_in_Japan.jpg acesso em 2017-03-15



Que
os nossos leitores que reclamam pelo fato desta seção não dar muito
espaço a comentários sobre filmes brasileiros nos perdoem. Não
trataremos de uma produção nacional outra vez. Mas aceitem nossos
benevolentes leitores o conselho de dedicar seu tempo e sua atenção a um
filmede ser europeu,a Idade Media. iferente sobre um periodo que,
apesar de ser europeu, oferece um olhar diferente sobre um período
singular da assim chamada Idade Média, com sua cultura de inspiração
cristã e com a visão de mundo que ela proporcionava.
Um
segundo momento significativo é o registro das dimensões que o
movimento franciscano toma desde seus primeiros anos, com entusiasmos e
inevitáveis diferenciações e problemas: jovens da Europa toda confluem
em Assis em ocasião de uma reunião da incipiente ordem, preocupando o
fundador que, como os históricos lembram, tudo queria menos ‘fundar uma
ordem’. Os contrastes entre as várias tendências do franciscanismo já se
manifestam. Terceiro ponto a destacar é a parábola final da vida do
santo, com a solidão procurada numa tentativa de entender melhor a voz
de Deus e sua vontade, diante de tantas dificuldades e incompreensões.
Um Francisco quase desesperado, angustiado, peregrino por bosques e
pedras inacessíveis: uma imagem bastante distante das tradicionalmente
transmitidas pela iconografia ou pela memória popular, mas uma imagem
historicamente real. Até o misterioso momento da resposta divina, que
encerra o filme.