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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A VIRTUDE DA HUMILDADE


A VIRTUDE DA HUMILDADE

A palavra humildade vem do termo latino húmus que é a terra processada e tornada fecunda, capaz de fazer germinar as sementes nela depositadas tornando-as profundamente férteis e bastante produtivas. De fato, fazendo uma analogia entre o húmus e a virtude da humildade, vemos que o húmus dessa virtude consiste em transformar os resíduos dos pecados alheios e pessoais em fecundidade da alma imersa na misericórdia de Deus. Ou seja, transformar os dejetos deste mundo em graças especiais para a nossa salvação eterna.

Ora, ninguém é autossuficiente o bastante para dizer “não preciso”, pelo contrário, dependemos de tudo naturalmente e também uns dos outros nas mais diversas necessidades pessoais. Por isso mesmo, precisamos entender que, quem depende sempre, não manda em nada fora de sua necessidade, mas precisa obedecer sempre, para que haja solidariedade entre todos e assim cheguemos à saciedade desejada, para que haja comunhão, ou seja, para que nos tornemos um, como é vontade de nosso Pai do céu (cf. Jo 17,11.21).

Temos ainda um belo exemplo do fruto da humildade na Sagrada Escritura, por meio da partilha dos bens temporais: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade”. (At 4,32-35).

Também São Paulo se refere a essa virtude a partir da unidade com outras virtudes: “Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. (Fil 2,1-5).

Por fim, meditemos nessa frase de São Paulo: “Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. Essa frase nos ensina a perfeição da humildade revestida da caridade, que consiste em servir “ao próximo como a si mesmo”. De fato, só serve quem não tem nada de próprio, quem rompeu com os apegos deste mundo, quem vê tudo como dádiva de Deus para todos, e que pense consigo, a ninguém falte coisa alguma enquanto aqui estivermos, mesmo que os homens tentem nos tirar tudo.

Aprendemos esta verdade de nosso Senhor e Salvador que disse: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”. (Mc 10,45). De fato, somos servos, e o servo só faz o que o seu Senhor ordena (cf. Mq 6,8), sem a ordem do Senhor, o que faremos? Agimos por conta própria e quando essa ação não é conforme a vontade de Deus, tudo dá errado em nossa vida. Porque o Senhor também nos ensinou: “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,30).

Ou seja, na vida de quem serve a Deus humildemente, mesmo que aparentemente tudo dê errado aos olhos dos homens; no entanto, aos olhos de Deus, “tudo concorre para o bem daqueles que o amam”, pela santa obediência. E por esse serviço humilde e despojado, eis a recompensa do Senhor: “Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á”. (Lc 12,37).

Sentar à mesa do Senhor com o Senhor a nos servir, isso se dará à medida do nosso serviço, “pois tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”; por isso, não queira nada fora da vontade do Senhor, pois Ele nos dá conhecer sua vontade pelas virtudes que nos concedeu, dentre elas a virtude da humildade vigilante, porque é assim que o servimos e o amamos de todo coração.

Conta-se um fato acontecido na vida de Santa Tereza D’avila. Ao meditar sobre virtude da humildade, ela fez ao Senhor o seguinte propósito: “Senhor meu, hei de escolher sempre o último lugar, pois tu mesmo disseste, ‘quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado’”. Por isso, nas refeições diárias sempre procurava se alimentar por último. Certo dia, depois de vê que todas as irmãs já estavam na fila, ela se pôs no último lugar; quando, mais que de repente, sentiu uma leve brisa soprando por entre sua cabeça e as costas, ao que indagou: mas não sou eu a última das irmãs? Voltando-se viu Jesus que lhe respondeu: “Tereza, não sabes que o último lugar é o meu?”. Assim, ela entendeu que, quem procura o último lugar, encontra nele o Senhor.

Portanto, ser humilde é ser o que Deus quer, é ser como Deus é, “manso e humilde de coração”, como ele mesmo nos ensinou: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve”. (Mt 11,29).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O GRANDE MISTÉRIO DA NOSSA SALVAÇÃO


O GRANDE MISTÉRIO DA NOSSA SALVAÇÃO...

Quando tratamos do que chamamos de mistério, tratamos daquilo que ainda não é conhecido por nós em sua essência, porque na verdade só Deus conhece essencialmente todas as coisas e não é conhecido por ninguém (cf. Sl 138;Jo 3,31-35;1Jo 3,19-20;1Cor 2,9-12). Estamos acostumados a lidar com o que vemos, e podemos até, de certa forma, dominar e manipular ao nosso bel prazer; mas, quando se trata dos Mistérios de Deus e de sua criação, tudo foge ao nosso controle, isto porque entramos no campo da fé, e como diz são Paulo: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6).

Ora, sabemos que todos os seres vivos estão naturalmente condenados à morte, e nós, humanos, temos plena consciência desse mistério, pois o vemos acontecer na vida dos outros, e o veremos também na nossa, quando chegar o nosso dia eterno. Com efeito, além do mistério da morte, temos ciência de tantos outros, como por exemplo, o mistério do universo, do sistema solar; das leis naturais, das coisas visíveis e invisíveis; o mistério da iniquidade, ou seja, do mal, etc., são tantos que nem cabe nas nossas estatísticas. Mas um em particular chama mais à nossa atenção, é o Mistério da nossa salvação, pois, é o que mais desejamos em meio a este vale de lágrimas que habitamos. Porém, como entender este Grandíssimo Mistério?

De fato, só é possível pelo entendimento da fé, ou seja, pela Sabedoria divina advinda da fé, como bem nos ensinou São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: ”Entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus”. (1Cor 2,6-9).

Ou seja, o Mistério da nossa Salvação passa impreterivelmente pelo Mistério de “Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens...” (!Cor 1,23-25). “A cruz está estreitamente ligada à Paixão de Cristo e à nossa salvação. É o símbolo mais eloquente do amor de Deus por nós. A cruz venceu a morte e nos deu a vida eterna. Por esse motivo é justo que seja celebrada, exaltada e venerada por todos nós”. (http://goo.gl/twSWd2).

Na sua Carta aos Romanos, São Paulo, discorre sobre este Grande Mistério: “Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. Em rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá se consentiria em morrer. Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”. (Rm 5,6-9).

E continua: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição”. (Rm 6,3-5).

Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.) Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus”. (Rm 6,6-9).

Deste modo, afirma São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rm 8,1-2). E ainda: “Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus. Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. (Rm 5,1-5).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 23 de junho de 2016

EM BUSCA DA SANTIDADE...


EM BUSCA DA SANTIDADE

“Sede santos, assim como o vosso Pai do céu é Santo”. (Mt 5,48).

Às vezes pensamos que é muito difícil atingir esse grau de santidade que Jesus nos propõe; achamos que a santidade é própria dos santos e santas que já estão no céu. De fato, olhando a nossa condição de seres contingentes (limitados) perguntamos: Senhor, como ser santos num mundo como o nosso? Pois, eis como São Paulo o descreve: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!” (2Tm 3,1-5).

Creio ser essa resposta do Senhor: “Meus filhos e filhas, não tenham como base de suas vidas os maus exemplos e os falsos testemunhos que vedes; pois quando olhais os pecados alheios e ficais só nisso, eles não servem para nada, mas se tirais daí uma lição, vereis que estou presente em todos os acontecimentos, porém, para vos ajudar a não cometerdes os mesmos delitos, mas sim para vos fazer crescer na graça e no conhecimento de minha misericórdia e do meu amor a fim de vos comunicar a minha santidade, “porque sem mim não podeis fazer”.” (Jo 15,5).

Ora, meditando sobre este imperativo divino: “Sede santos, assim como o vosso Pai do céu é Santo”, compreendemos que Jesus está nos dizendo que a santidade é própria de todos os filhos e filhas de Deus, renascidos “da água e do Espírito Santo”, quando fomos batizados. Aliás, essa verdade São João também nos deu a conhecer em sua Primeira Carta: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).

Logo, ser santos é sermos aquilo que já somos por fazermos parte do Povo de Deus, a Santa Igreja, Corpo de Cristo (cf. Cl 1,18), parte visível do Reino de Deus neste mundo. Para isto o Senhor nos pede que vivamos como ele viveu (cf. 1Jo 2,3-6); ou ainda, como escreveu São Paulo na sua Carta aos Efésios: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor”. (Ef 5,1-2).

Por isso, precisamos deixar de lado tudo o que não nos convém, como ele acrescenta: “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento - verdadeiros idólatras! - terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles”. (Ef 5,3-7).

Por fim, meditemos com São Pedro sobre santidade de nossa vida quando dos últimos acontecimentos desta vida: “Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”. (2Pd 3,10-14).

Destarte, a santidade é a plenitude de todas as virtudes, ela é o nosso passaporte para o céu, pois Cristo Jesus, o Filho de Deus, veio para nos comunicar sua Santidade, porque “sem ela ninguém poderá ver a Deus” (cf Hb 12,14). Desse modo, ser santo é a vocação primordial de todos os filhos e filhas de Deus. Porquanto: “Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na graça que vos será dada no dia em que Jesus Cristo aparecer. À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: ‘Sede santos, porque eu sou santo’ (Lv 11,44)”. (1Pd 1,13-16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 26 de março de 2016

"HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARÍSO"


O ÚLTIMO DOM: “HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO”

Hoje, Senhor, contemplamos a tua ressurreição depois de ver as injustiças cometidas contra ti e contra os que te seguem. Ora, quem vive no pecado enxerga tudo a partir do pecado que comete; e mesmo, tendo a noção do que é justo, contradiz a própria consciência, por instigação do inimigo escondido no pecado que carrega na alma, pois a alma é o lugar onde os pecados cometidos ficam gravados; como também do inimigo causador da perdição dos que o seguem. De fato, os que vivem metidos no pecado se tornam cegos espirituais, que nada enxergam além da culpa nos outros; mesmo que estes sejam inocentes; é uma espécie de projeção, projetam nos outros o que carregam na alma.

Aqui estou Senhor, constatando que com tua morte e ressurreição venceste o pecado, venceste o diabo, causador do pecado, e todos os males que o pecado traz. Pois essa realidade maléfica que nos cerca, tem sua causa nos pecados cometidos, dando lugar ao inimigo que age na mente de seus seguidores, de uma forma tão visível que não podemos negar. No entanto, tua misericórdia sobrepõe a tudo e a todos os males, pois, o que seria dos injustiçados se tu não lhes desse o teu amparo? E o que seria dos injustos se tu não lhes oferecesse a tua divina misericórdia? Estou por vê alguém igual a ti, Senhor. Alguém que se compadeça dos pecadores, porque tem a solução que os torna dignos da vida eterna por pura misericórdia.

Sim, Senhor, tua vitória sobre o mal é incontestável, pois em teu infinito amor, és misericordioso com todos os pecadores; e, mesmo sofrendo as agruras que te causaram e aos teus, não queres que se perca nenhum daqueles por quem deste a vida, ou seja, os que estavam perdidos, para os quais viestes (cf. Mt 18,11). Pois assim como deste o perdão aos teus algozes, continuas perdoando todos os pecadores arrependidos que buscam a tua divina misericórdia por meio de tua Santa Igreja, no sacramento da reconciliação, porque somente por tua misericórdia somos capazes de ascender contigo ao infinito amor do Pai. Pois “o amor de Deus é um amor sem medida, chamado misericórdia”.

Portanto, não cheguemos a Deus sem Deus, mas profundamente arrependidos, pois é no arrependimento que o encontramos e nos reconciliamos com Ele, que nos ama como a filhos e filhas destinados ao Reino dos Céus, morada definitiva dos redimidos pelo sangue precioso de Cristo Jesus, Filho amado Deus. Assim sendo, compreendemos que o arrependimento é o último dom que Deus deu ao ser humano, como vimos no facínora pregado na cruz ao lado de Cristo, que arrependido, disse: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”; ao que o Senhor respondeu: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.

Feliz Páscoa!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 10 de março de 2016


A MARCANTE EXPERIÊNCIA DE DEUS…

Fazer a experiência de Deus é viver uma interação real com Ele. Não é apenas um contato com Deus, mas um encontro permanente, pois quem encontra o Senhor jamais poderá esquecê-lo; e mesmo que o queira, não consegue, porque esse encontro é tão marcante e maravilhoso que é impossível negá-lo. Ora, tudo o que vivemos e fazemos fora da graça de Deus é perda, porque o viver humano sem a experiência da graça divina é um caos que termina com uma morte angustiante, sem esperança alguma. Dante Alighieri, no seu Poema A Divina Comédia, escreveu na porta do inferno o seguinte: “Deixe fora toda esperança”. Imagina, uma vida sem esperança não é vida, é um tormento eterno. Deus nos livre disso e de todo o mal.

De fato, quando temos esse encontro com Deus, por exemplo, no santo batismo, a primeira experiência que fazemos é a da ressurreição, como bem mencionou são Paulo, na sua carta aos Romanos: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,4-5). Ressuscitar com Cristo é experimentar o resultado de sua doação total ao Pai por nós, pois ninguém amou mais o Pai e a nós do que Jesus ao se deixar crucificar, derramando todo o seu sangue em expiação dos nossos pecados.

Nas mais diversas religiões, os homens buscam encontrar um ser supremo; já no cristianismo se dá um fenômeno novíssimo, pois é Deus quem vem ao nosso encontro, enviando o seu Filho Jesus Cristo, e por ele nos resgata de nosso nada, descendo e assumindo o nosso nada. Essa verdade encontramos no ensinamento de são Paulo aos Efésios e que assumimos como graça santificante do amor de Deus por nós, vejamos: “E vós outros estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes.

Também nós todos éramos deste número quando outrora vivíamos nos desejos carnais, fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por natureza, verdadeiros objetos da ira (divina). Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! -, juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. Ele demonstrou assim pelos séculos futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para conosco em Jesus Cristo”. (Ef 2,1-7).

Com efeito, depois de tudo o que meditamos, precisamos entender também que essa graça do encontro permanente com o Senhor, nos leva a vivermos uma profunda experiência de amor e intimidade com Ele; mais ainda, é uma relação paternal filial, ou seja, é Deus que nos trata como filhos e filhas que voltam ao seu convívio, à sua casa, para assumirmos nossa herança eterna, perdida com o pecado e agora recuperada por sua divina misericórdia.

Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”. (Jo 15,12-15). “Vede com que amor o Pai nos amou, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que haveremos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como Ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).

Portanto, mesmo sabendo que os nossos dias estão contados, acendamos ainda mais a chama do amor incondicional ao nosso Pai do céu, por nos ter dado a vida eterna por meio de Seu Filho Jesus Cristo, Senhor e Salvador de nossas almas e de toda a criação; e façamos da esperança nossa bandeira triunfal na expectativa da vinda gloriosa do Senhor, que despontará nos céus com os seus anjos para julgar os vivos e mortos, e o seu reino não terá fim. A Ele toda honra, toda glória, todo poder e todo louvor, agora e por toda a eternidade, amém!

“Aquele que atesta estas coisas diz: 'Sim! Eu venho depressa!' Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).

“A graça do Senhor Jesus esteja com todos.” (Ap 22,21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CONVERSÃO, URGENTE E NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO...


CONVERSÃO, URGENTE E NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO...

Quando nas pegadas do tempo,
lá pelas tantas de minha vida...
Eu te encontrei ó Jesus...
Depois de ter experimentado as dores do pecado,
vi que o diabo se esconde nele...
E por isso não quis mais pecar...
Porque ao Ti encontrar, Senhor...
Experimentei em teu amor,
a dor de não ter te seguido,
como fora estabelecido no santo batismo que de ti recebi...

Agora, arrependido de tudo o que fiz longe do teu amor...
Aqui estou para te dizer sim, mas um sim tão autêntico...
que nada e ninguém neste mundo possa tirá-lo de mim...
Porque, nas lições da vida aprendi que dependo cem por cento de ti...
E assim, só quero ser fiel, devotar-me totalmente à missão...
De testemunhar a tua ressurreição,
vivendo a eternidade que nela recebi...

Mas, Senhor, infelizmente, são tantos e tantos...
os que continuam fazendo da ignorância e do pecado,
um estado mórbido e desvairado de vida infernal...
Por isso, fazem tanto mal com as próprias palavras...
Tendo o inimigo nelas, tornam-se seus porta vozes...
Com blasfêmias e sarcasmos, coisas mesmo do diabo,
a quem servem em seus livres-arbítrios...

E o que dizer, Senhor, de tudo isso?
Creio que não estão percebendo o abismo no qual estão caindo,
se afastando de tua divina misericórdia...
Que os espera e conforta,
quando arrependidos voltam ao teu convívio, Jesus...
Pois, o teu sacrifício de cruz, é a grande prova de amor...
Que a humanidade recebeu, para ter a vida eterna, o céu...
Que preparaste para aqueles que te amam...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

FELIZES OS QUE TE OUVEM E TE SEGUEM...


FELIZES OS QUE TE OUVEM E TE SEGUEM...

Aqui estou Senhor;
Pedindo-te humildemente para renovares minhas forças...
Para assim querer sempre o que tu queres...
Pois sei Senhor que, o que tu queres, é eterno...
Mesmo ainda aqui no tempo...

Senhor, mas como posso fazer somente a tua vontade,
Se a realidade com que me deparo é cheia de interesses,
E por isso mesmo, também cheia de confusões?
Aspirações eu tenho, especialmente de ser santo...
As graças de tua parte não me faltam para isto...
Porém, preciso aprender a bem administrá-las...
Para a salvação de minha alma e de todas as almas,
que eu encontrar a caminho da eternidade...

Senhor, por isso, preciso silenciar...
Preciso te ouvir e pôr em prática tudo o que me falas...
Não quero incorrer no erro dos que só escutam a si mesmos...
E por isso, não sabem se governar...
Porque, de fato, nem tudo vai acontecer como queremos...
Mas, com toda certeza tudo se realizará conforme a tua vontade...

Felizes os que te ouvem e te seguem...
Se conformando em tudo ao teu querer...
Esses sabem que a unidade vinda do teu amor e da misericórdia...
É que forma a comunidade perfeita...
Onde és tudo em todos...

Ó Senhor!
Esse deve ser sempre o impulso de nosso coração,
para transbordarmos a salvação que de ti recebemos...
Porque, queiram os homens ou não,
Deus, nosso Pai, já pôs as bases do seu Reino de amor,
quando pelo Senhor, nos perdoou e apagou nossos pecados,
para que reconciliados com Ele, tenhamos a felicidade eterna...

Amém, assim seja!

Paz e Bem!

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

AINDA SOBRE A PARUSIA E O DEVIR HUMANO...


AINDA SOBRE A PARUSIA E O DEVIR HUMANO...

Viver com Cristo ressuscitado e em Cristo ressuscitado, é gozar de sua paz, é receber o seu Espírito Santo como os apóstolos o receberam do “sopro de vida” que o Senhor soprou sobre eles (cf. Jo 20,22).  Ou seja, Cristo ressuscitado se une a nós e nos livra deste mundo, da atual situação em que ele se encontra, e de todo o mal, para testemunharmos que somente Nele temos a vida eterna. E é exatamente isso que Ele nos revela, somos filhos e filhas de Deus, por seu Espírito habita em nós (cf. Rm 8,14-17). E Deus, sempre presente, age por meio de sua Divina Providência, e assim somos assistidos e amados por Ele prontamente, mesmo quando não o percebemos. De fato, Deus cuida muito bem de seus filhos e filhas...

E aqueles que Deus protege, porque se põem debaixo de sua divina proteção pela obediência aos seus mandamentos, mesmo que percam alguma coisa neste mundo, lhes será restituído em dobro ou mais ainda, uma vez que a graça do Senhor supera todas as percas temporais; aliás, todas as coisas que existem naturalmente, existem em função do homem e não o homem em função delas; visto que todas as coisas só têm sentido por causa do homem; sem a existência humana toda a criação perderia o sentido de ser.

Desse modo, não nos apeguemos a nada e a ninguém, pois tudo o que existe naturalmente está destinado ao fim que lhe é próprio, isto é, se tornará pó, cinza, como a própria experiência existencial nos mostra... No entanto, o homem não é só matéria animada, mas “alma vivente”, um ser para o futuro eterno que o Senhor nos reserva como herança, que são os “novos céus e nova terra onde habitará o amor e a justiça” definitivamente.

Não há como duvidar, a razão para este mundo ainda existir, é o fato de o Senhor sustenta-lo com o poder de sua Palavra até que chegue o julgamento de todos os seres humanos, responsáveis pelo destino deste mundo e de si mesmos, em vista do devir. De uma coisa fiquemos certos, todos seremos julgados pelo que recebemos do Senhor: a vida; as leis naturais e as leis divinas; que nos foram dadas para regermos a nós e as outras criaturas aqui existentes.

Com efeito, a ordem (as leis) existe para que não haja desordem, para isto é preciso a obediência às leis postas a fim de que a justiça se cumpra e haja equilíbrio e paz entre nós. Pois Deus criou o homem em estado de graça para governar todas as coisas a partir desse estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Mas infelizmente o homem deixou entrar o pecado em sua vida, que consiste em não amar a Deus, desobedecendo a suas leis e mandamentos; e passou a governar todas as coisas a partir deste estado mórbido; o resultado é o que vemos hoje na face da terra, toda espécie de desiquilíbrio e maldade, e o encaminhamento do mundo criado a um fim trágico, ao caos.

Caríssimos, vivendo em meio à dualidade deste mundo, de que lado nós estamos? Lembram-se da parábola do joio e do trigo que Jesus contou (cf. Mt 13,24-30)? De fato, quem é batizado católico, vive a experiência da ressurreição de Jesus, pois é a primeira graça que o Senhor nos dá quando do nosso batismo, “nascer da água e do Espírito Santo”, ou seja, participar de sua ressurreição. Se falta o santo batismo, falta também o dom do Espírito Santo, pois, foi para isto que Deus nos criou, para sermos morada sagrada do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16; 6,19). Sem a presença do Espírito Santo, só a vida natural não nos é suficiente para fazermos a experiência da ressurreição do Senhor, é preciso nascer de Deus mesmo (cf. Jo 1,12-13) pela fé dom do Espírito Santo, e assim fazermos parte da nova criação. Porém, muitos receberam essa graça, mas, poucos são os que a vivem como deveria ser vivida.

Enfim, Como será a minha eternidade e a tua? Para obtermos essa reposta, precisamos perguntar primeiro: qual é o nosso grau de convivência com o Senhor aqui? Porque quem convive bem com Deus aqui, convive bem consigo mesmo e com os demais; mas, quem não convive bem com o Senhor aqui, também não convive bem consigo mesmo e nem com os demais, e isso se reflete no nosso devir. Porque se falta comunhão com o Senhor, não temos o Seu Espírito em nossa vida para nos conduzir à sua glória.

Então, vejamos a seguinte exortação do livro do Apocalipse sobre o devir humano: “Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!”

“Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã”. (Ap 22,10-16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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terça-feira, 28 de abril de 2015

A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE...


A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE...

Desde que o Filho de Deus, Jesus de Nazaré, veio a este mundo cumprir sua missão de redimir a humanidade, que a nossa história passou a ser contada Antes de Cristo (AC); e Depois de Cristo (DC). Ora, isto não é fruto do acaso nem mera coincidência, trata-se da verdade que Cristo Jesus é: o Senhor de todas as coisas e também de toda a história. É impossível pensar o mundo sem Deus e sem seu Cristo, é impossível a vida sem Deus e sem Cristo. Creio que toda a humanidade aspira por uma vida paradisíaca onde reine a verdade, o amor, a justiça e a paz; mas apesar das tentativas dos regimes totalitários, capitalista, comunista, socialista etc.; apesar do progresso das ciências e de toda a experiência humana acumulada, este mundo, que infelizmente quer viver sem Cristo e sem Deus, parece mais um inferno em ebulição.

Talvez seja porque os homens não percebem que caminham na contra mão das leis divinas e naturais, ou mesmo se percebem, desdenham de tais leis. O resultado é uma sociedade desvairada, sem controle, mergulhada na corrupção dos valores cristãos e humanos; mergulhada nos vícios e malefícios das artimanhas humanas; mergulhada no tráfico de pessoas, drogas, armas e toda espécie de contrabando; mergulhada nos desmandos das autoridades constituídas, e nos males que dissipam vidas e mais vidas à todo instante.

E aí vem a pergunta, será que existe solução para tudo isto? Será que podemos evitar o caos e a destruição da terra e de tudo que há nela? Pensando bem, sem a intervenção divina, isto é impossível, dada as circunstâncias que vivemos. Mas, podem até argumentar: ora, Deus não já interviu na história? Cristo já não veio para redimir a humanidade, por que ela permanece nesse mar de lama em que se encontra? Responderei estas perguntas com as arguições de São Pedro: “Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam”.

Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz. Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar...”. (2Pd 3,8-15a).

Portanto, nenhum ser humano se salva fora da ressurreição de Cristo, porque não há salvação fora da ressurreição do Filho de Deus. Desse modo entendemos que a ressurreição de Jesus abrange todo o universo, e é por ela que toda a humanidade é salva. Pois, “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”. (At 4,12). Por isso, um dos maiores privilégios do ser humano é dizer: Jesus Cristo me salvou, Nele tenho a vida eterna. E assim seguir o Senhor, ressuscitado com Ele, no seu Corpo, que é a Igreja, a parte visível do Reino de Deus neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

PARA ISTO É QUE O VERBO SE FEZ CARNE...


PARA ISTO É QUE O VERBO SE FEZ CARNE...

A Ressurreição de Jesus de Nazaré é o selo da perfeição dos justos que Ele redimiu com o seu Sangue derramado. Sua Páscoa é também a nossa páscoa, pois que por ela nos uniu à Si definitivamente, para que gozemos o céu como herança eterna. “Porque a glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus. Se já a revelação de Deus através da criação dá a vida a todos os seres que vivem na terra, tanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo dá a vida aos que creem em Deus! «Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é o que O deu a conhecer»: desde o início, o Filho é que dá a conhecer o Pai, uma vez que está junto do Pai desde o início (cf. Jo 1,18.1). Em tempo oportuno, foi Ele que mostrou aos homens, para benefício destes, as visões proféticas, a diversidade das graças, os ministérios e a manifestação da glória do Pai, qual melodia bem composta e harmoniosa”. (Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir - Contra as heresias, IV, 20, 7; SC 100).

Deste modo, a Ressurreição de Cristo é o milagre permanente da Vida divina conosco e em nós, depois que fomos batizados. Pois, assim escreveu São Paulo: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,3-4). O próprio Senhor, que tem a Vida em Si mesmo, já havia revelado essa verdade, quando disse: “O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai”. (Jo 10,17-18).

E ainda: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si mesmo, e lhe conferiu o poder de julgar, porque é o Filho do Homem”. (Jo 5,24-27).

Logo, viver com Cristo ressuscitado e em Cristo ressuscitado, é gozar de sua paz, é receber o seu Espírito Santo como os apóstolos o receberam do “sopro de vida” que o Senhor soprou sobre eles (cf. Jo 20,22). Ou seja, Cristo ressuscitado se une a nós e nos livra deste mundo e de todo o mal, para testemunharmos que somente Nele temos a vida eterna. E é exatamente isto que Ele nos dá a conhecer, somos filhos e filhas de Deus, por seu Espírito habita em nós (cf. Rm 8,14-17). Por isso entendemos que Deus se faz sempre presente no meio de nós; e, por meio de sua Divina Providência, somos assistidos e amados por Ele prontamente, mesmo quando não o percebemos... De fato, Deus cuida muito bem de seus filhos e filhas e nem um só fio de cabelo deles se perderá (cf. Mt 10,28-31).

Porém, de uma coisa fiquemos certos, todos se apresentarão diante do Altíssimo quando chegar o dia eterno de cada um (cf. Hb 9,27), mas quem julgará todos os homens é o Verbo de Deus, Jesus Cristo, pois para isto é que Ele se fez carne, para julgar os vivos e os mortos no último dia. A princípio Jesus veio para salvar todos os homens da condenação à morte a que estavam sentenciados pelos pecados aqui praticados desde o primeiro homem até os dias atuais (cf. Jo 3,16-21).

Todavia, uma vez sacrificado pelos pecadores, ressuscitou dos mortos revelando deste modo que não era um simples homem, mas Deus conosco, Emanuel, o Messias enviado pelo Pai para a salvação de todos. Entretanto, sua presença entre nós é também sinônimo de que estamos na reta final da criação natural de Deus, pois Jesus veio para abrir-nos a porta do Reino dos Céus; e é fazendo o seu caminho de cruz que entraremos com Ele em sua glória eterna. Porquanto, se não houvesse a segurança da esperança na ressurreição para a vida eterna em Deus, o que seria da humanidade? Apenas pessoas e coisas destinadas a um fim trágico, devido ao triste quadro que contemplamos atualmente na face da terra.

“Contudo, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”. (2Pd 3,10-14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 4 de abril de 2015

A RESSURREIÇÃO...


A RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS...

A Ressurreição dos mortos. Quem poderia compreender e experimentar essa verdade, se Deus Pai não a tivesse realizado em Seu Filho, Jesus Cristo? Pasmem os incrédulos, os indiferentes, “os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos”; pasmem até mesmo os que creem, pois, Deus que é infinitamente Santo, Eterno, Todo Poderoso, e nosso Sumo Bem; destituiu a Besta, a antiga serpente, e desmontou o seu plano maléfico de destruição da Criação, por meio da Paixão, morte e ressurreição de Seu Filho Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, que tira o pecado do mundo, e mantém o Reino de Deus, com o poder de sua Palavra (cf. Hb 1,1ss), tal qual concebido por Seu Pai e nosso Pai.

Com efeito, Deus criou todas as coisas, para o louvor de Sua Glória e para a nossa felicidade eterna; esse foi e sempre será o sentido da Criação, e não cooperar na realização desse santo desígnio do Senhor é perde-lo e perder-se eternamente com o diabo e seus sequazes. Isto porque Deus sempre age diferentemente de suas criaturas, pois, é isto o que diz o Senhor ao profeta Isaías: “Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente”.

“Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão”. (Is 55,6-11). Ou seja, Deus é fiel, tudo o que planejou em seu amor para a obra de suas mãos, se cumprirá perfeitamente, pois o Senhor não falha nunca; por isso, leva a bom termo sua obra criada e redimida por Seu Filho, Jesus Cristo. (cf. Ef 1,3-23).

Celebramos a Ressurreição do Senhor Jesus como ápice da revelação divina e de todas as profecias e promessas de Deus no antigo testamento. Mas celebramos também o início do Reino de Deus ainda aqui no tempo, isto é, na finitude natural que nos cerca, que na verdade é a porta de entrada na eternidade, ou ainda, no definitivo de todas as criaturas; pois é aqui que definimos nosso devir, por isso, para bom entendedor o eterno já é; basta compreender que colhemos aquilo que aqui plantamos no terreno de nossa vida natural com o nosso modo de ser, de pensar, de falar e de viver. Todavia, lembrem-se: “Somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais”. (São Francisco de Assis). Todavia, ninguém é nada sem Jesus Cristo, pois Ele mesmo nos ensinou: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”. (Jo 15,5.3).

Portanto, precisamos viver a experiência da ressurreição de Cristo com Cristo e em Cristo Eucarístico. Bem como nos ensinou São Paulo: “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. (Cl 3,1-4).

Meu Senhor e meu Deus, guarda-me ressuscitado contigo, hoje e sempre. Amém!

Feliz Páscoa!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O LIVRO DA VIDA...


O LIVRO DA VIDA...

O que é o livro da vida? É esse que estamos escrevendo com a nossa vida temporal para ser aberto na eternidade diante de Deus. Com efeito, enquanto vida natural tivermos, esse nosso livro continuará em aberto, porque ele é escrito por nós à cada instante de nosso viver. No entanto, ele só será bem escrito quando o escrevemos como história de salvação, ou seja, seguindo a vontade de Deus. De fato, todas as condições de bem viver, Deus nos dá nesse nosso paraíso terrestre, é só administra-las honestamente, amando o nosso Criador e Pai acima de todas as coisas e amando-nos uns aos outros como o Seu Filho, Jesus Cristo, nos ensinou (cf. Jo 15,12-17).

Há uma coisa que precisamos entender para bem escreve-lo, Deus nunca abre mão de seu propósito original para com a humanidade, presente no primeiro casal de humanos, criado à sua “imagem e semelhança”. Por isso, os criou num paraíso e em estado de plana comunhão com Ele, para que permanecessem e crescessem na santidade que dele receberam. O fato é que, o primeiro casal abriu mão dessa graça divina, quando por seu livre arbítrio, cedeu ao inimigo de nossas almas a liberdade recebida do seu Criador; isto porque, como ensinou Jesus Cristo, o Filho de Deus: “Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” (cf. Jo 8,34).

Ora, a estratégia da serpente (o anjo decaído) foi e é, desacreditar Deus, e fazer com que acreditemos nele, vejamos: “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” A mulher respondeu-lhe: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3,1-5).

E desde que o primeiro casal caiu por este Marketing satânico, a história humana passou a ser escrita com tragédias e infindos derramamentos de sangue; porque o mal se aproveitou e se aproveita da arma do pecado para semear a morte e assim tentar destruir a obra original de Deus, nosso Pai. Uma vez que não pode atingir o Todo Poderoso, porque é apenas uma criatura que se tornou infernal pela sua desobediência. Pois jamais poderá ser comparada em nada ao Criador e Senhor do céu e da terra e de todas as coisas criadas; por isso mesmo, como está escrito, “já foi julgado e condenado” (cf. Jo 16,11).

Entretanto, mesmo com a queda do primeiro casal, o Senhor Deus continuou firmando ainda mais o seu propósito de nos fazer participantes de Sua Natureza Divina, pois enviou o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, que condenou o pecado na carne, para nos reconciliar consigo a fim de que tenhamos nele a vida eterna (cf. Rm 8,1-4), pela fé recebida em nosso batismo, pois por esse sacramento o Senhor nos fez nascer de novo da água e do Espírito Santo. Por isso, nunca dê ouvidos à serpente que continua solta, mas só enquanto o tempo existir, porque em breve acontecerá o seu final e de todas as coisas temporais, com a vinda gloriosa de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que vive e reina para sempre e está à direita do Pai de onde virá para julgar os vivos e mortos.

Destarte, nós que já estamos escrevendo o livro de nossa vida, precisamos fechar todas as portas por onde o inimigo de nossas almas, o demônio, tenta entrar, para não sermos seduzidos por ele. E quais são estas portas? Elas são chamadas por São Paulo de obras da carne, ei-las: “Ora, as obras da carne são estas: fornicação (prática sexual fora do sacramento do matrimônio), impureza (nos filmes, novelas, páginas pornográficas), libertinagem (todo tipo de comportamento imoral), idolatria (apego a coisas e a pessoas), superstição (desvio do sentimento religioso, crença em poderes vindo de coisas ou pessoas), inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5,19-21).

Portanto, sigamos as orientações de São Paulo, para assim escrevermos nossa história de vida eterna, conduzidos pelo Espírito Santo. Porque, “o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito”. (Gl 5,22-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...


FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...

A fé evidente é dom do Espírito Santo, pois é ele quem nos dá essa evidência nos fazendo participar diretamente dela. Ter a evidência da presença de Deus em nossa vida é ter a certeza de que é Deus quem está agindo em nós e por meio de nós, por acreditarmos no seu amor para conosco. Por isso temos a convicção de que Ele nunca nos deixa sozinhos, pois até nos dá um anjo da guarda para nos acompanhar sempre (cf. Sl 33,8), e só precisamos dar ouvidos ao que ele nos fala (cf. Ex 23,20-23a), mas tudo isso acontece pelas graças abundantes do Senhor em cada um de nós.

São Paulo ao falar da evidência da fé, diz: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos, antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível”. (Hb 11,1-3). E ainda: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6). Ou seja, é por meio de nossa fé que os acontecimentos de nossa vida ocorrem em conformidade com a vontade de Deus, isto é, segundo o seu plano de amor para a nossa salvação, como nos ensina o profeta Habacuc: “O meu justo viverá da fé” (Hab 2,3a). Também o Senhor Jesus nos ensinou a esse respeito, dizendo: “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23b).

Existem vários episódios nos Evangelhos que bem demostram a mudança dos acontecimentos pela fé, vejamos alguns deles: a cura da mulher com fluxo de sangue (cf. Mc 5,25-34); o paralítico transportado numa maca por sobre uma brecha da casa onde Jesus se encontrava (cf. Mc 2,1-12); a cura do servo do oficial romano (cf. Lc 7,1-10); a cura do menino epiléptico (cf. Mt 17,14-18); a libertação da filha da Cananéia (cf. Mt 15,22-28); a cura do cego de nascença (cf. Jo 9); a ressurreição da filha de Jairo, chefe da sinagoga (cf. Mc 5,22-24;34-43); a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11), e tantos outros. Todos esses acontecimentos foram mudados por meio da fé, assim, percebemos a importância deste dom do Espírito Santo para a nossa vida e para a nossa salvação.

De fato, todo dom precisa ser alimentado, desenvolvido, cultivado até que dê os frutos esperados. E como fazemos isto com o dom da fé? Com efeito, nossas almas são terrenos férteis onde brotam as sementes dos dons do Espírito Santo; e com a fé não pode ser diferente, ela é graça transbordante que nos faz enxergar além do nosso entendimento, e nos faz alcançar as graças que Deus dispõe a nosso favor. Mas, como todo dom, a fé precisa de outros dons para crescer e se multiplicar, assim, os dons que alimentam a fé são: piedade (vivência da fé ou a expressão da fé); oração (dom de comunhão com Deus Altíssimo); confissão (sacramento do arrependimento e do perdão dos pecados); eucaristia (o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, alimento da vida eterna); leitura e meditação da Palavra de Deus (Lectio Divina); e a prática das obras de misericórdia ou caridade, também chamadas obras da fé (cf. Ef 2,10). Quem vive alimentando a fé por meio desses dons, poderá até dizer a uma alta montanha, caso seja necessário para a salvação das almas, atira-te ao mar, e ela se nos obedecerá.

Portanto, o que é preciso para a vivência da fé nós já o recebemos em nosso batismo, pois ele é o início da nossa vida em Deus, como nos ensinou São Paulo: “Porque é em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos” (At 17,28a). Além disso, temos o testemunho dos santos que viveram em tudo a vontade de Deus, professando a fé em Cristo Ressuscitado; muitos deles derramaram o próprio sangue, como os justos das Sagradas Escrituras e tantos outros mártires da fé, que ao longo dos séculos, sacrificaram suas vidas e por esse sacrifício se tornaram exemplos vivos de fé e de amor a Deus e aos seus irmãos na fé. Assim, viver da fé requer de nós o empenho de toda a vida, para nunca nos afastarmos do Senhor, que nos dá a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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