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domingo, 5 de outubro de 2008
Brasília: Celebração Latino-Americana e Caribenha dos 800 anos do Carisma Franciscano
Quem vai à Brasília, de 17 a 20 out. 2008, para a
Celebração Latino-Americana e Caribenha dos 800 anos do Carisma Franciscano?
Eu estarei no Distrito Federal de 15 a 21 out.!
‘Francisco de Assis abriu um caminho místico’
Deu no Instituto Humanitas Unisinos:
No momento em que os franciscanos vão comemorar os seus 800 anos, uma tradução francesa do texto fundamental dos “Fioretti” de São Francisco é publicada. Jacques Dalarun, que dirige a nova edição das “Fontes Franciscanas”, explica o que este texto nos revela sobre o “Poverello” e o ideal franciscano. Segue a entrevista dada a Martine de Sauto e publicada na revista La Croix, 27-09-2008. A tradução é do Cepat. Por que publicar hoje o texto dos primórdios dos Fioretti?
Os Fioretti, escritos em latim antes de 1396, foram impressos pela primeira vez em 1474. Desde então, o seu sucesso nunca foi desmentido. Não faltaram lendas sobre o santo de Assis, muitas vezes mais antigas e mais fundadas que essas tardias “florzinhas”. Mas nenhuma atingiu a notoriedade do relato italiano que acabou por se confundir com a própria imagem do “pequeno pobre”. Ora, em 1902, um pastor protestante francês, Paul Sabatier, publicou Actus beati Francisci et sociorum eius. Os Fioretti são a tradução de uma parte deste texto, que tem outros 20 capítulos. A nova coleção “Fontes Franciscanas” nos brinda com a primeira tradução francesa, realizada pela Armelle Le Huërou, desses Actes du bienheureux François et de ses compagnons [Atos do bem-aventurado Francisco e de seus companheiros].
O que caracteriza esses Atos?
O próprio título já é cheio de significado. O herói não é apenas Francisco, mas, por continuidade e filiação, Francisco e seus companheiros. Por outro lado, o termo “atos” indica que não se trata de consignar pensamentos ou discursos, mas dar conta de fatos e gestas, com esta convicção muito franciscana de que os atos valem mais que as palavras. Enfim, “atos” reenvia imediatamente o leitor medieval aos Atos dos Apóstolos. Esses Atos do começo da experiência franciscana podem ser lidos como uma representação dos inícios da Igreja, quando se tratava de proclamar a atualidade do Evangelho e de pregar pelo exemplo.
Os autores tinham um objetivo ao reunir esses textos?
Aqueles cujos nomes conhecemos pertencem à influência dos espirituais, esses irmãos menores partidários de uma observância estrita da regra e do testamento de Francisco que, no final do século XIII, entraram em conflito com a direção da ordem sobre o tema da pobreza e dos estudos, e que foram condenados em 1317 pelo papa João XXII. Uma parte desses irmãos encontrou refúgio em Marche d’Ancône, uma região isolada e fora de alcance.
Muito mais do que qualquer fonte anterior, os Atos são colocados sob o signo da conformidade entre o santo de Assis e seu modelo, o Cristo. A presença de 12 companheiros como outros Apóstolos, e o fato de que um deles se enforca como Judas, destacam o paralelo entre o bem-aventurado estigmatizado e o Crucificado. No capítulo VI, o autor escreverá até que Francisco foi “como um outro Cristo no mundo”. O próprio Francisco nunca teria dito isso. Mas a história nos apresenta que cada vez que uma comunidade humana está em dificuldades, ela tem a tendência de fazer da figura de seu fundador um ícone e de projetar bem alto.
A onipresença dos companheiros, inclusive das irmãs de Marche d’Ancône, visa, por outro lado, certificar que entre os primórdios da ordem e o tempo em que os autores compõem o texto, há fidelidade aos ideais originais. Os Atos colocam assim uma questão essencial: o que a fidelidade a um ideal coloca à prova da realidade? Lembremos que Francisco morreu em 1226 sem ter resolvido o problema que o afligia: como preservar o ideal franciscano original, que era desejável para alguns, mas que já não o era mais quando os melhores discípulos se dispunham a segui-lo?
O que os Atos nos dizem sobre Francisco de Assis?
Primeiramente, que só se compreende Francisco num grupo de homens. Eles também permitem ver com insistência a indigência em que eles viviam e, por exemplo, através do episódio de Rufino que prega nu, o que poderia ser a leveza franciscana: não uma provocação (Francisco está acima disso!), mas uma espécie de transparência do ser. Enfim – e o episódio do lobo de Gubbio é um exemplo magnífico –, eles mostram como a paz e a conciliação podem ser uma resposta à violência e ao poder. Mas se, nos Atos, Francisco prega e multiplica as conversações, também o vemos absorvido pela oração e a contemplação, até o êxtase e a levitação, o que, comparado às legendas anteriores, é uma contribuição inédita. Ora, se Francisco conheceu a tentação do deserto, ele também compreendeu que não se obtém a salvação sozinho, e que o deserto só tem sentido se permite voltar ao vale dos homens.
Esta dimensão contemplativa dos Atos explica o sucesso dos Fioretti que deles foram extraídos?
Os irmãos que compuseram os Atos viviam, como vimos, em povoados encravados nas montanhas. Seu campo de ação e de pregação era muito reduzido. Eles compensavam a limitação desse perímetro por uma evasão mística. Eles não partiam mais em missão: era a sua alma que partia para Deus para encontrar nele a consolação. Uma espécie de lei histórica mostra, de Jó até Etty Hillesum, que as provas são propícias para a dilatação da alma. Assim, os Atos oferecem uma pedagogia da vida contemplativa. O texto, uma vez traduzido em italiano sob a forma reduzida dos Fioretti e tornado acessível ao grande público, exerceu o papel de um manual espiritual e o Francisco dos Fioretti abriu aos seus inúmeros leitores um caminho místico.
Extraído de http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=17138 acesso em 05 out. 2008.
Francisco sempre é atual
Deu no Instituto Humanitas Unisinos:Os que pertencem à grande família franciscana, quer sejam religiosos, religiosas ou leigos, vivem cotidianamente das intuições do “Poverello” de Assis.
A reportagem é de Marilyne Chaumont, Pierre-Louis Lensel e Martine De Sauto e publicada pelo jornal La Croix, 27-09-2008. A tradução é de Benno Dischinger.
Abertura aos outros e ao universal. Mas, também pobreza, contemplação da Criação, fraternidade, alegria. Palavras-chave para aqueles, religiosos ou leigos, que vivem da espiritualidade do “Poverello” e compõem a família franciscana. Entre eles, os franciscanos e os capuchinhos, herdeiros dos frades menores fundados por Francisco, as religiosas Franciscanas pertencentes a numerosas congregações apostólicas.
Franciscanos e capuchinhos querem “tornar atual o percurso de seu fundador”.
“Ser um discípulo de Cristo à maneira de São Francisco”. Para o padre Benoit Dubigeon, provincial dos frades menores para a França e a Bélgica, esta aspiração, da qual deriva o carisma franciscano, se declina de três modos: Uma vida de oração e de contemplação no mundo. “São Francisco dizia: “Nosso claustro é o mundo”, recorda. Uma vida de missionário que busca “tornar o Reino de Deus acessível a todos, em particular aos mais frágeis, o que pressupõe que sejamos humildes e acessíveis”. Uma vida de fraternidade, e “isto significa procurar ser irmãos de todos os homens e de todas as criaturas, o que nos leva, por exemplo, a interessar-nos por problemas como a salvaguarda da Criação ou o diálogo inter-religioso”.
Gilles Rivière, capuchinho em Paris, completa: “Agrada-me o acento posto sobre a fraternidade no pensamento e na ação franciscanas. Francisco deixou-nos um programa de fraternidade universal. Quis ir ao encontro de todos: pobres, poderosos, enfermos, cristãos, muçulmanos, procurando sempre uma relação autêntica, um caminho fraterno para o outro, além das pressões e dos medos”. Quando é interrogado sobre as razões de sua entrada junto aos capuchinhos, padre Gilles afirma que buscava o lugar onde encontrasse “o máximo de felicidade de viver e de liberdade”. Uma liberdade essencial, aos seus olhos, no pensamento e na ação franciscanas.
“A constrição não é uma maneira de convencer: a autenticidade do amor é a verdadeira sedução, diz ele. Agrada-me também a vontade, em nossa tradição, de enfrentar os problemas e de ler o evangelho na medida do homem. Tendemos a escolher as portas pequenas antes do que as grandes”. Além disso, para Gilles Rivière, outra característica essencial da família franciscana é a posição “ao mesmo tempo destacada, mas também plenamente para dentro da sociedade” “É o que nos leva, com freqüência, a sermos considerados monges”, diz divertido, antes de acrescentar, muito sério: “Esta posição permite procurar a distância necessária para tentar refletir melhor para agir melhor”.
Para ambos, a família franciscana ainda tem, em seu jubileu, um papel a desempenhar no mundo. “O aspecto importante do nosso jubileu é tornar atual o percurso de nosso fundador, sublinha o padre Dubigeon. Devemos trazer à memória aquilo que ele nos deu e ter a audácia de apresentar gestos novos, inspirados em sua mensagem. Isto implica em sermos “conectados” com a vertente que é sua obra para apresentarmos gestos fecundos, sem o que se corre o risco de ser “azafamados sem fazer nada”.
As irmãs franciscanas na escola do Pobre de Assis
Hoje septuagenária, a Irmã Jacqueline, professora, entrou a cinqüenta anos na Congregação das Franciscanas missionárias de Maria. Sua vida se desenvolveu entre o Congo Brazzaville, a Algéria e a Tunísia, depois em Roma, antes de voltar a Paris, onde é antes de tudo responsável por um pensionato estudantil. Seduzida inicialmente pela alegria e pela abertura das franciscanas, insiste na “humildade e na arte de não se levar demasiado a sério” que as caracterizam, e na atenção aos mais pequenos (refugiados, afetados por AIDS, prostitutas...), à não-violência e à busca da justiça. Os “círculos do silêncio”, organizados em diversas cidades francesas para protestar contra a prisão dos clandestinos, ou a ação da ONG “Franciscains international” na ONU, são disso bons exemplos.
Membro da mesma Congregação, Irmã Lucienne, 55 anos, enfermeira, passou 23 anos em Aïn Draham (na Tunísia), uma cidadezinha de montanha onde dirigia um orfanato. Atraída “pelo equilíbrio entre ação e contemplação” e “pelo espírito de paz, de alegria e de reconciliação”, reconhece o valor do exemplo que tem para ela o encontro “gratuito” de Francisco com o sultão do Egito em Damietta no ano de 1219. “Francisco, com seu modo de aceitar o outro em sua diferença, de maravilhar-se em ver como o outro traz alguma coisa de Deus e o transmite, permite-me responder à minha vocação, explica. É um modelo para viver isto na terra do Islã, onde não se pode evangelizar em alta voz, mas onde tudo o que se faz com amor é sinal da presença de Deus, de sua encarnação no mundo”.
Irmã Marie Claude, 43 anos, do Instituto das Irmãs de São Francisco de Assis (nascido da união de sete congregações), fala também ela da simplicidade, da alegria, da disponibilidade para os outros, da humildade. E acrescenta aquela que ela chama, no seguimento de Francisco, a preocupação “de fazer-se mais pequena”, de não dominar o outro. Enfermeira coordenadora no Accueil Saint-François, casa de repouso de Fontenay-sous-Bois (Val-de-Marne) que acolhe 51 pessoas, das quais 14 atingidas pelo mal de Alzheimer, deseja ver em cada pessoa um ser amado por Deus, “mesmo que se trate de uma pessoa desorientada ou demente”. “Isso requer uma forma de despojamento, de distanciamento de certo pendor ao domínio, reconhece. Mas, estas pessoas me ensinam a gostar também das relações simples, das pequenas “florzinhas” da vida.
Clarissa no mosteiro de Sainte-Claire de Cormontreuil (no Marne), Irmã Elizabeth, de 61 anos, é sensível à capacidade de maravilhar-se ante Francisco de Assis, a quem “o Espírito Santo havia dado a capacidade de ter um novo olhar sobre cada ser, sobre a criança, sobre a Igreja”.Aquela capacidade, ela se esforça em cultivá-la em comunidade ou em seus momentos de releitura da vida, “para continuar discípula de Clara e de Francisco, e de Cristo pobre. Sinto-me na sua escola”.
O Pobre de Assis, primeiro da fila para os jovens da ordem secular.
“A Regra de vida dos franciscanos seculares é a seguinte: viver o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo os exemplos de São Francisco de Assis, que fez de Cristo o inspirador e o centro de sua vida com Deus e com os homens”. É neste espírito do artigo 4º da Regra que os leigos da Ordem franciscana secular (OFS) que os leigos escolhem seguir os passos do mendicante de Assis no mundo. No decurso dos séculos, “terciários” (membros da ex- ordem terceira franciscana, predecessora da OFS) de diversos níveis os precederam, como São Luiz ou o beato Federico Ozanam: “Nossa especificidade é viver o Evangelho com uma coloração franciscana: certo distanciamento ante as coisas, uma alegria simples, uma relação privilegiada com a natureza da qual Francisco cantava a beleza, uma confiança no Evangelho, indica Régis Laitier, responsável nacional da OFS, subdividida em fraternidades. Procuramos viver de maneira humilde e pobre”. Uma regra de vida que se empenham a seguir os membros da OFS, fazendo profissão.
Na França são 3000, no mundo chegam a 400 000 – e se percebe neles um frêmito, em particular nos jovens desejosos de colocar-se na escola do Pobre de Assis. Em Cholet, em torno dos religiosos, ou em Arras, junto às clarissas, nascem pequenos núcleos que se juntaram à OFS quando se organizaram como Juventude franciscana. “Estes grupos nascem com freqüência em torno de um convento ou de um mosteiro”, explica Gaëtane Markt, encarregada da comissão jovem da OFS, para a qual o fundamento da Juventude franciscana é “acompanhar um jovem num caminho de vocação – em sentido amplo – ajudando-o a crescer de um ponto de vista humano, espiritual e franciscano”.
Em Bitche (Mosela), a fraternidade local, composta por famílias, por leigos consagrados e por padres diocesanos, hospeda uma Juventude franciscana muito vivaz: jovens dos 16 aos 30 anos vêm para aí encontrar “a alegria, o amor fraterno, a prece, a música, uma formação intelectual”. “São coisas que me dizem que efetivamente é possível ser hoje um jovem “no” mundo, sem ser “do” mundo”, resume Marie Feillet, de 20 anos, que pertence à Juventude franciscana local. Com os outros membros da fraternidade ela se reúne para encontros de fim de semana, peregrinações a Assis ou a Fátima, dias de retiro ou campings estivos que favorecem o crescimento humano e espiritual. Sempre se inspirando no “primeiro da fila” que deve conduzi-los a Cristo.
“São Francisco viveu o Evangelho com uma radicalidade surpreendente, afirma Marie Feillet. Despojou-se de tudo para receber tudo de Deus. Viveu no amor que levava aos seus irmãos. São estes aspectos da vida de São Francisco que me impeliram a entrar na Juventude franciscana. É um caminho de santidade, para tornar-se fascinador e viver no coração de Deus. ‘Aonde vai, Francisco? Vou mostrar-lhes o Amor’.”
Extraído de http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=17158 acesso em 05 out. 2008.
sábado, 4 de outubro de 2008
Vida de São Francisco
Nascido no coração da Itália, nos últimos vinte anos do século XII (fim de 1181 ou início de 1182), filho do rico proprietário e comerciante de tecidos Pedro de Bernardone e de Joana, chamada Pica, seu nome batismal - João - foi logo mudado para Francisco ("francês", nome já em uso, mas não muito difundido na Itália) pelo pai, ao voltar dos seus negócios na França. A mãe, muito piedosa, cuidou de sua primeira formação religiosa.
O Santo aprendeu a ler e escrever na escola paroquial de São Jorge, em Assis, e completou sua modesta cultura com elementos de cálculo, de poesia e música, adquirindo também uma escassa noção da língua francesa (provençal) bem como de contos e lendas de cavalaria. De gênio perspicaz e muito boa memória, Francisco adquirirá, mais tarde, uma discreta cultura religiosa, lendo e meditando. Filho de rica família burguesa, com um pai ambicioso, que pretendia alargar no exterior a área do seu comércio, o ambiente familiar de Francisco foi aquele típico da classe média da sociedade italiana da época, em escalada civil e política, ávida de bem-estar e liberdade, até a conquista de um título de nobreza para equiparar-se aos "maiores", que pairavam acima da massa dos pobres e "menores".
Francisco, largamente dotado de inteligência, ambicioso e ativo, no primeiro período de vinte e cinco anos de vida "no século" (1182-1250), tentou pessoalmente todas estas vias de subida e de glória mundana.
Associado, por volta dos 14 anos, ao trabalho paterno nas artes dos mercadores (1196), exerceu com competência aquela arte, atento aos lucros, embora não fosse bom administrador destes. Com efeito, filho primogênito (com um só irmão menor, Ângelo), aclamado rei das festas e da juventude assisiense, gastava profusamente as riquezas paternas, vestindo roupas curiosas e vistosas, entretendo-se em noites de gala entre músicas e cantos. Tolerado com indulgência pelos pais naquelas despesas "principescas", era admirado especialmente pela mãe e pelos amigos por suas boas qualidades naturais e morais, nobreza de palavras e de trato, generosidade com os pobres e singular integridade dos costumes (2Cel,3).
Vivaz observador, bem como participante da conquista da liberdade cívica na luta contra o feudatário imperial de Spoleto (1198), tomou parte ativa, aos vinte anos, na guerra comunal de Assis contra Perúgia (1202) e caiu prisioneiro dos peruginos. Libertado após um ano de prisão e provado por longa doença, o mundo começou a parecer-lhe diferente e estranho. Mas depois de certo tempo, restabelecido da doença e atraído por novos sonhos de glória, decidiu ir até as Apúlias para a conquista do título de cavaleiro (1205). A viagem de Francisco foi, contudo, interrompida em Spoleto, a sua "estrada de Damasco", onde o Senhor o convidava, em sonho, a entrar na companhia de um senhor mais nobre (2Cel,5-6).
Voltando a Assis, com o presságio de "tornar-se um grande príncipe" (2Cel,6), afasta-se logo da companhia dos amigos, entretendo-se longamente em oração e lágrimas numa gruta solitária; depois de vencer sua extrema repugnância pela lepra,
com um beijo num leproso, é atingido pela "iluminação" do Senhor na primeira aparição do Crucificado que lhe imprime no coração o amor e o pranto pela paixão (LM, I,5). Francisco aplica-se assiduamente ao serviço dos leprosos, multiplicando as esmolas aos pobres, aos sacerdotes e às igrejas pobres. Pouco depois, em oração na igrejinha de São Damião, a voz do Crucificado, convida-o a "reparar a sua Igreja, que está em ruínas" (LM,II,1).Revestido de uma pobre túnica, assinalada por uma cruz, e proclamando-se o "arauto do grande rei", ele passa um biênio de vida penitente e eremítica, entregue à oração e a serviços humildes, por breve tempo também, num mosteiro beneditino. Depois, interpretando literalmente o convite do Crucificado, empenha-se na restauração material de três igrejas de Assis: São Damião, São Pedro della Spina e Santa Maria dos Anjos, chamada Porciúncula.
À espera de nova iluminação divina, que veio logo depois da última restauração, quando escutou o Evangelho do envio e da pobreza dos Apóstolos, na igreja da Porciúncula (cerca de 24 de fevereiro de 1208), Francisco pediu explicação ao sacerdote a respeito do referido Evangelho e, nele reconheceu com alegria a própria vocação e missão (Mt 10;Lc 9,10). Executando à letra aquelas disposições, vestiu-se de hábito minorítico: uma túnica em forma de cruz, um cordão branco, pés descalços e, certamente, com permissão do bispo, começou a pregar sobre paz e penitência, com grande fervor de espírito, na igreja de São Jorge (1 Cel, 23). Seguiram-no o rico Bernardo de Quintavalle e o doutor em Direito, Pedro Cattani, aos quais se juntaram o jovem Egídio e mais oito companheiros (1208). Um ano depois, o grupo foi aprovado em seu modo de vida comunitária e apostólica pelo Papa Inocêncio (1209). Era a Primeira Ordem, a "Ordem dos Menores". Instituiu também a Segunda (Damas Pobres de São Damião ou Clarissas) e a Terceira Ordem.
Já doente, o próprio Santo, após o retorno do Oriente, providenciou para a Ordem a direção ativa de um vigário, na pessoa de frei Elias de Assis (1221-1227), e a Regra definitiva (1223). Encaminhava-se ao último período da sua vida, num crescendo de ascensões místicas e no desejo de mais íntima participação e conformidade com o Crucificado.
No verão de 1224, retirou-se para o monte Alverne, onde, entre prolongadas orações, meditações e jejuns, apareceu-lhe o próprio Cristo Crucificado, na figura de um Serafim alado e flamejante, que lhe imprimiu na carne os estigmas vivos da paixão: feridas abertas e sangrentas, com pregos de longas pontas dobradas (constituídas pela própria carne) nas mãos e nos pés, além da chaga no peito.
Descendo do monte Alverne, Francisco transcorreu seu último biênio de vida numa contínua paixão de doenças e dores, afligido por uma grave oftalmia contraída no Oriente. Entre o fim de 1224 e os primeiros dias de 1225, "certificado" pelo Senhor de sua morte próxima e do prêmio eterno, num ímpeto de exaltação mística pela obra da criação, ditou aos companheiros o "Cântico do irmão Sol e de todas as criaturas" (LP, 43-45).
Na Porciúncula, meditando a narração joanina da Paixão e celebrando com seus religiosos a lembrança da última ceia do Senhor, invocando a "irmã morte" e cantando o Salmo "Em voz alta ao Senhor eu imploro...Muitos justos virão rodear-me pelo bem que fizeste por mim" expirou na tarde de Sábado de 3 de outubro de 1226, com a idade de 44 anos.
Sobre a terra nua, apresentando seus estigmas, vistos então por centenas de frades e leigos, "parecia um verdadeiro crucificado deposto na cruz" (Frei Leão em Salimbene, 195; cf. 1Cel,112).
No dia seguinte, Domingo, pela manhã, com solene procissão do clero e povo, seu corpo foi levado à igrejinha de São Jorge, dentro dos muros da cidade, ficando aí guardado por cerca de quatro anos, onde também o Santo foi canonizado, em 16 de Julho de 1228.
O corpo foi transladado depois (25.05.1230) para a nova Basílica de São Francisco, erguida por vontade de Gregório IX e por mérito de frei Elias, sobre a colina do Paraíso.
Extraído de http://www.itf.org.br/index.php?pg=vidasaofrancisco acesso em 04 out. 2008.
Foto de jimcintosh disponível em http://www.flickr.com/photos/jimcintosh/489351419/
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
São Francisco de Assis, uma alternativa humanística e cristã
Leonardo Boff
O contato com Francisco produz uma crise muito profunda e salutar. Sua figura envolve os leitores dentro de um círculo luminoso no qual descobrimos nossa mediocridade e lentidão face aos apelos que vêm da verdade mais profunda do coração e do evangelho. Ele conduziu sua vida sempre a partir da utopia e a manteve viva como uma brasa contra todas as cinzas do dia-a-dia e a razoabilidade da história. Incorporou o arquétipo da integração dos elos mais distantes, historizou o mito da reconciliação do céu e da terra, dos abismos e das montanhas. Daí o fascínio que se irradia dele e a catársis humana e religiosa que ele opera.Diante de Francisco descobrimo-nos imperfeitos e velhos. Ele aparece como o novo e o futuro por todos buscado, embora tenha vivido há 800 anos. Mas este sentimento é sem amargura, pois sua mensagem encerra tanta doçura que o medíocre se sente convidado a ser bom, o bom a ser perfeito e o perfeito a ser santo. Ninguém fica imune à sua convocação vigorosa e ao mesmo tempo terna.
Francisco em sua gesta nos coloca imediatamente diante do evangelho e do sermão da montanha. Tomou absolutamente a sério a mensagem de Jesus como se lhe fora dirigida pessoalmente a ele. Assumiu tudo ad litteram et sine glosa e procurou viver com coração generoso e alegre. Não queria saber de interpretações. Bem sabia que quase sempre as interpretações emasculam a força do evangelho. E o evangelho lhe era simplesmente a formula vitae.
Se procurou orientar-se sempre a partir do evangelho e não da sensatez da razoabilidade, não era, entretanto, um fanático. Por isso se abraça a vida evangélica mostra também o sentido de uma regra; se vive do carisma compreende igualmente a instituição; se se entrega às duras penitências, sabe também alegrar-se e ser com todos cortês; se assume uma pobreza radical, postula outrossim uma fraternidade extremamente sensível à satisfação das necessidades uns dos outros; se é rigoroso para consigo mesmo, mostra-se ao mesmo tempo compassivo para com o confrade que grita na noite: morior fame!
Sempre segurou firme os dois pólos, mas começando todas as vezes pelo pólo do evangelho. Quebrou sem receios as barreiras instituídas para assegurar a vida livre do evangelho. Por isso é que nele coexistem admiravelmente ternura e vigor, que resultam da tensão sustentada permanentemente entre o evangelho e a regra, entre o sermão da montanha e a ordem. Se houvesse apenas vigor, emergiria então a figura de um santo duro, inflexível e sem coração. Se houvesse somente ternura, projetaria a imagem de um santo sentimental, adulçorado e sem perfil. Ternura e vigor compaginando-se na mesma pessoa criam o sol de Assis, como diria Dante, sol que gera ao mesmo tempo luz e calor, sol cantado pelo Poverello como “belo e radiante e com grande esplendor”, mas também criam a lua com sua luminosidade amena e amaciadora de todas as pontas que ferem e fazem sangrar. Francisco aflora assim como um homem solar e lunar, integração feliz dos opostos.
Francisco faz ainda um apelo de inaudita importância para a nossa situação atual. Vivemos num mundo de objetos; tudo é feito objeto de troca, de interesse, de negociação, de falsificação, de mascaramento e de fetichização. As coisas mais e mais perderam seu uso humano direto e simples como satisfação de necessidades objetivas que devem ser atendidas coletivamente. Com sua pobreza radical Francisco postula uma radical expropriação, especialmente do dinheiro cuja natureza se resume em ser puro objeto de troca sem nenhum uso a não ser a troca. Inaugura, no exato momento de formação do espírito capitalista, assentado na troca, uma existência humana que se baseia unicamente no valor do uso: duas túnicas, um capuz, calçados para os que precisam, os instrumentos de oração e de trabalho. A ausência de qualquer excedente visa, limpar o caminho de todos os obstáculos para o encontro dos homens entre si em sua transparência de irmãos, servindo-se mutuamente como convém entre membros de uma mesma família. Este projeto pode parecer utópico e, de fato, o é. Mas a utopia pertence à realidade porque esta não se resume naquilo que é e pode ser medido, mas muito mais naquilo que nela é possível e pode ser no futuro. A utopia expressa as possibilidades todas da realidade concretizadas. Porque ainda não foram concretizadas, ela convoca para novas realizações, a superar o já feito e ensaiado na direção de formas mais plenas e humanizadoras.
A utopia de Francisco de uma fraternidade sem plus-valia e, por isso, não exploradora, anima as buscas modernas por caminhos de satisfação das necessidades coletivas com o menor custo social e pessoal possível.
A seriedade evangélica de Francisco vem cercada de leveza e de encanto porque é imbuída profundamente de alegria, finura, cortesia e humor. Há nele uma inarredável confiança no homem e na bondade misericordiosa do Pai. Em conseqüência exorcizou todos os medos e ameaças. Sua fé não o alienou do mundo nem fez dele um mero vale de lágrimas. Pelo contrário, transformou-o pela ternura e pelo cuidado em pátria e lar do encontro fraterno, onde os homens não aparecem “como filhos da necessidade, mas como filhos da alegria” (G. Bachelard). Podemos dançar no mundo porque ele constitui o teatro da glória de Deus e de seus filhos.
Francisco de Assis mais que um ideal é um espírito e um modo de ser. E o espírito e o modo de ser só se mostram numa prática, não numa fórmula, idéia ou ideal. Tudo em Francisco convida para a prática: exire de saeculo, sair do sistema imperante, numa ação alternativa que concretize mais devoção para com os outros, mais ternura para com os pobres e mais respeito para com a natureza.
Texto do livro de Leonardo Boff, “São Francisco de Assis, Ternura e Vigor”, Editora Vozes, 1981.
Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/especiais/2008/saofrancisco_011008/sf_humanistica.php acesso em 02 out. 2008.
Oto IV de Brunswick, Imperador
Oto IV de Brunswick (1175 ou 1176 – 19 de Maio, 1218) foi um de dois reis rivais do Sacro Império Romano-Germânico de 1198 em diante, rei único de 1208 em diante, e imperador a partir de 1209. O único rei da dinastia Guelfo, ele foi deposto em 1215.Otto nasceu na Normandia, filho de Henrique, o Leão, Duque da Baviera e da Saxônia, e de Matilda Plantageneta.
São Francisco, como o vejo
Dom Aloísio Lorscheider, OFMÀ medida que passam os anos, São Francisco merece maior atenção. Em nossos dias, sobretudo, com a redescoberta do lugar social do pobre na Igreja e no mundo, o interesse pelos ideais de São Francisco faz-se mais vivo.
Muito deve a Igreja no Rio Grande do Sul aos filhos de Santo Inácio. Comecei a conhecer São Francisco, quando, em 1934, entrei no Colégio Seráfico de São Francisco, em Taquari (RS). Passei no Seminário Menor oito anos. Foi neste período que foi aumentando em mim o conhecimento, a admiração e o amor pelo Poverello. Tínhamos no Seminário a Ordem Terceira Franciscana, hoje denominada Ordem Franciscana Secular. As reuniões mensais e o espírito que os nossos formadores, por seu exemplo e palavra, imprimiam à nossa orientação, ajudou muito. O exemplo e o ideal vividos com muito entusiasmo pelos meus formadores, padres e irmãos franciscanos holandeses, foram benéficos. Eles concretizaram para nós o Serafim de Assis. Mais tarde, o noviciado, os anos de preparação para a profissão solene, a graça de, na Itália, visitar os lugares mais queridos ao coração de São Francisco, concorreram para formar em mim uma imagem do Santo da Dama Pobreza e da Perfeita Alegria.1. A imagem de Deus
São Francisco ajuda-nos a redescobrir a verdadeira imagem de Deus e “a graça salvadora de Deus que se manifestou a todos os homens”(Tt 2,11). É nesta imagem bíblica de Deus, assimilada por São Francisco, que se deve procurar a sua devoção à Encarnação do Verbo (presépio), ao Santíssimo Sacramento, à Palavra de Deus, aos Sacerdotes e à Cruz do Senhor.
Francisco viveu numa época conturbada. Fermentos de renovação dentro da Igreja; fermentos novos no mundo dos negócios e da política, onde a riqueza estava sendo vista como o grande valor da vida humana. Na Igreja é o tempo do Papa Inocêncio III. Tempo de muito poder e de muito fausto. Faziam-se sentir diversos movimentos de renovação a partir da pobreza. Infelizmente, tais movimentos queriam conseguir o seu objetivo colocando-se à margem daquele que por Cristo fora posto como Pedra, Pastor, Garantia de Fé.
No mundo dos negócios e da política, as lutas entre os grandes partidos de então, guelfos e de gibelinos, entre as comunas, desejando uma superar a outra em importância e força, entre as classes sociais, buscando os do comércio conquistar os privilégios da classe nobre. É o tempo fogoso da Cavalaria.
Francisco, por influência do próprio pai, estava metido nestas lutas de promoção. O “status” o atraía. Liderança não lhe faltava. Mas, na análise de sua pessoa, percebe-se que, no íntimo, outras forças o estavam trabalhando. Além da graça divina, que tinha os seus desígnios, uma sensibilidade muito forte em relação à realidade social e eclesiástica também jogava o seu papel. E foi assim que Francisco entendeu que o verdadeiro soberano era o seu Deus, que se revelara em Jesus Cristo pobre, pequeno, humildade. O importante não era ser “maior”, como ele com tantos do seu tempo pensavam, mas sim ser “menor”. Sem dúvida alguma a passagem bíblica: “Quem entre vocês quiser ser o maior faça-se o menor”(cf. Lc 22,26), mais tarde repetida aos seus frades, deve já antes ter ressoado no coração do Santo de Assis. Seja como for, Francisco se enamora tanto por ela, porque vê o próprio Jesus Cristo nos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8,9). A formação paulina, num contexto de comunhão de bens (esmolas) entre as Igrejas, torna-se ela luz para uma inteligência mais profunda do mistério de Deus que se comunica ao mundo por seu Filho Jesus, o Filho do seu amor (Cl 1,13). E Francisco nele se inspira.
Começa, na Igreja, uma redescoberta do pobre, precisamente num período em que a Igreja parece ter atingido a culminância do seu poder e de sua influência no mundo. Poder espiritual e poder temporal estavam firmemente enfeixados nas mãos de um Papa que se soubera impor a príncipes e reis, dando ao Sacro Império Romano esplendores nunca dantes vistos e vividos. E foi no coração deste grande monarca que Francisco coloca; o seu modo de vida evangélica. Ele nada mais quer do que observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, Evangelho que tem a sua conotação específica na vivência da pobreza. Pobreza não à margem da Igreja Romana, mas pobreza no coração da Igreja Romana, em obediência total ao Papa e seus sucessores. Quando Francisco prescreve isto a seus frades, já era o Papa Honório, mas quando Francisco começou era Inocêncio que dominava.
Esta atitude de São Francisco foi obra do Espírito Santo. Foi autêntica intuição evangélica de alguém que era todo poesia. As almas dos poetas são as que, sensíveis, enxergam mais longe.
Em nossos dias revivemos esta redescoberta evangélica do pobre. Partimos de uma realidade diferente daquela do século 12, porque, hoje, nos angustia a injustiça institucionalizada, a injustiça que na sociedade, se tornou estrutura, ao passo que então a riqueza dentro da Igreja e os anseios de grandeza temporal dominavam os homens. Então, como hoje, as resistências dentro e fora da Igreja não são poucas. Entretanto, a profética opção preferencial e solidária pelos pobres corresponde inteiramente ao ideal de São Francisco, porque responde completamente ao Evangelho. E Francisco outra coisa não queria do que o Evangelho em sua mais completa pureza, sem glosa, sem glosa, sem glosa...
O estilo de vida simples, sóbrio e austero que Puebla preconiza para todos os cristãos de nossos dias em identificação sempre mais perfeita com Cristo pobre e os pobres, exprime, sem ambigüidade, o que Francisco, já no século 12, sonhava e via como verdadeira renovação evangélica. Se hoje, partimos de outra realidade para a vivência a pobreza evangélica, o fundamento continua sempre o mesmo: Cristo que, sendo rico, se fez pobre; que sabendo não ser um roubo para Ele o ser igual a Deus, esvaziou-se, fez-se servo, fez-se em tudo solidário com os homens, obediente até a morte e morte de cruz (cf Fl 2,5-9)
São Francisco é conhecido como sendo o São Francisco das Chagas, além de ser o São Francisco de Assis. As chagas do Senhor Jesus mostram outra faceta da rica personalidade de Francisco: um apaixonado pela paixão de Jesus Cristo, um apaixonado pela Cruz do Senhor. Tão grande a sua paixão que mereceu experimentar ao vivo na própria carne a paixão sobre a qual tanto meditara e chorara a ponto de ter ficado quase cego. O amor de Deus na Encarnação torna-se, para nós, o mais concreto possível na doação total que a cruz simboliza: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jô 15,13).
Penso que na mística franciscana da Paixão do Senhor se deva procurar o sentido mais profundo da perfeita alegria que os “Fioretti” nos retratam com forma tão viva e poética. Ser rejeitado pelos próprios irmãos, ser afastado do convívio deles como elemento perigoso, como perturbador da paz e do silêncio de nossa casa, e saber aceitá-lo sem querer mal a quem desconfia de nós, nos machuca, nos revolve na condição mais miserável, - é identificar-se com Jesus rejeitado, escarnecido, esbofeteado, carregado com a cruz, crucificado. A perfeita alegria, está, pois, na mais perfeita identificação com Cristo, o Servo Sofredor de Jahvé.
Parece que o mundo de hoje nos oferece inúmeras oportunidades para vivermos este capítulo da perfeita alegria. Numa época de renovação, exige-se muito espírito de sacrifício, muita renúncia, muita assimilação com a paixão e morte de Jesus Cristo, com a oração sincera: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”(Lc 23,34)
Este tríplice olhar evangélico de Francisco – imagem de Deus, Dama Pobreza, perfeita Alegria – fez de Francisco um homem livre, amarrado a ninguém, levando-o a redescobrir a pureza original das criaturas. Indubitavelmente, o Cântico das Criaturas expressa esta liberdade interior e exterior conseguida pelo Santo de Assis. Só uma vida inteiramente aberta a Deus e ao Irmão é capaz de dar à criatura humana o gozo da libertação, que conduz à liberdade pura e santa com que Deus nos criou.
O próprio São Francisco escreveu a conclusão. Dando aos seus seguidores o nome de FRADES MENORES, ele disse tudo. O ser “frade”, o ser “irmão”e o ser “menor”, o ser “pequeno”, o ser “humilde”, o ser “servo”de todos, exprime todo o ideal franciscano, com o seu fundamento em Deus, o único Absoluto, sem ídolos, em total doação. Se os filhos e filhas de São Francisco, nas várias Ordens, Congregações, Institutos, vivessem, ao máximo, este ideal, novo sopro evangélico renovador purificaria o ar da Igreja e do Mundo.
Texto publicado na Revista “Grande Sinal”, 1982. Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/especiais/2008/saofrancisco_011008/sf_vejo.php acesso em 02 out. 2008.