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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Manifesto da Pastoral da Ecologia sobre o projeto de construção na Orla do Guaíba


Manifesto da Pastoral da Ecologia sobre o projeto do Pontal do Estaleiro e a Consulta Pública do dia 23 de agosto de 2009, em Porto Alegre.

“No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1). “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn 1,31). Pleno de amor e liberdade, durante o tempo que não sabemos calcular – simbolizado em sete dias no relato bíblico – Deus criou a vida, as mais diversas e infinitas formas de vida. E tudo nos foi dado, não para destruirmos, mas para cuidar e preservar.

Deus, o criador, o defensor da vida, continua sua obra criacional, protegendo e libertando a vida de tudo aquilo que possa lhe causar destruição. E para isso, Ele nos chamou a sermos seus companheiros, co-criadores da sua obra.

A história, no entanto, mostra o quanto nós humanos nos enganamos a nós próprios querendo ser os donos do mundo. Mas, Deus não nos deu o título de posse e propriedade do planeta Terra. Ele nos deu muito mais que isso, confiando-nos a missão de cuidar, zelar e preservar o mundo todo e toda a sua riqueza natural para garantir a vida em todas as gerações.

A Bíblia, numa bela poesia, relata que “a terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo... Deus disse: ‘Que exista a luz!’ E a luz começou a existir...” (Gn 1,2-3). E como pode, agora, alguém pretender esconder a luz do Sol em seu poente sobre as águas do Guaíba? Querem, por acaso, ser mais do que Deus que a todos deu a beleza do Pôr-do-Sol?

Deus criou conversando com sua criação, dialogando com sua obra de arte. Ele próprio reconheceu e pronunciou a beleza de cada coisa que criou. E assim, podemos dizer que, quando criou o Pôr-do-Sol do Guaíba, Deus proseava com a bela paisagem que criava, se admirando da beleza e sentindo a alegria de poder doar tal esplendor ao ser humano, a quem também confiou a missão de cuidar.

E agora, sem dialogar com ninguém, sem ao menos pedir licença, aqueles que pensam ser os ‘donos do mundo’ querem se apropriar da Orla do Guaíba, construindo prédios que servem de muros para esconder a paisagem. Querem privatizar a beleza que Deus nos deu. Querem privatizar uma obra de arte pintada pelas mãos de Deus. Mas, nós não vamos deixar.

É uma questão de fé, para nós cristãos, defender a natureza nas suas mais diversas formas de vida e garantir que todos possam ter acesso aos recursos e às paisagens naturais. Não podemos permitir nem nos omitir diante de planos e projetos que ferrem a integridade da criação de Deus. E assim, como Pastoral da Ecologia, nos manifestamos contra as obras da Orla do Guaíba, no Pontal do Estaleiro.

Em acordo com todos os motivos apresentados pela Frente do NÃO, nos motivamos também pela nossa fé. Compreendemos e alertamos que a concretização do projeto em questão, causará danosos impactos ambientais e problemas de acessibilidade da população. E, além de representar a privatização da Orla do Guaíba, o projeto vem sendo encaminhado de maneira não ética. Não podemos permitir tal agressão à vida. E, por motivos de caráter socioambientais e, em nome da fé, entendemos que é preciso dizer NÃO.

Como pastoral de Igreja, nos somamos a luta da sociedade civil, ONGs e Movimentos que se articulam e mobilizam militantes na campanha do voto NÃO na Consulta Pública do dia 23 de agosto, de 2009 em Porto Alegre. E convidamos nossos irmãos e irmãs na fé, nossos companheiros e companheiras de caminhada e todo o povo cristão a testemunhar a fé viva no Deus criador e defensor da vida.

Jesus recomendou no Evangelho: “Diga apenas sim, quando é sim; e não, quando é não” (Mt 5, 37). Agora, portanto, é hora de dizer NÃO.

Confira os locais de votação em nosso blog (www.pastoraldaecologia.blogspot.com), convide seus colegas, amigos e familiares e ajude a fortalecer o NÃO.

E assim, não vamos pecar nem por atos nem por omissão.

Pastoral da Ecologia – CNBB Sul 3 – Rio Grande do Sul

Porto Alegre 16 de agosto de 2009.

No sinal da pobreza: Francisco e a sua regra

Era provavelmente a primavera de 1209 quando um estranho grupo que se autodefinia "penitentes de Assis" se apresentou em Roma ao papa Inocêncio III, então no ápice da sua potência. Vestiam as pobres túnicas dos trabalhadores manuais e vestiam calças curtas, como se usava nas viagens. Liderava-os o filho de um mercador, Francisco, que alguns anos antes havia renunciado aos seus bens e abandonado as ambições cavaleirescas alimentadas até então. Queriam pedir ao papa a aprovação de um breve texto que reunia o seu propósito de viver "segundo o modelo do santo Evangelho".

A reportagem é de Giovanni Miccoli, publicada no jornal La Repubblica, 07-04-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Era o ponto de partida de um percurso nada breve, que Francisco havia iniciado sozinho. As etapas essenciais para ele foram evocadas no seu Testamento, uma raridade para aqueles séculos, ditado antes de morrer para deixar aos "irmãos", com as suas últimas vontades, a recordação das características da sua escolha evangélica. Francisco não explica: descreve um caminho colocado totalmente sob o sinal da graça: o Senhor me deu, o Senhor me mostrou. O início continha uma mudança radical. Não por acaso, para dar uma ideia plena disso, ele escolheu o seu encontro de misericórdia com os leprosos: com aquilo de mais horrendo que existia aos olhos dos homens daquele tempo. Para ele naturalmente também foi assim, ao ponto de fugir da sua vista. Mas depois daquele encontro, o que antes lhe parecia "amargo" mudou, como disse, "em doçura de alma e corpo".

São palavras que sugerem o radical revolução nos critérios comuns de juízo e de comportamento, que permanecerá para ele a conotação saliente do modelo evangélico a ser proposto aos homens. Era Cristo mesmo que, com a sua encarnação, havia oferecido os traços desse modelo: "Ele, que sendo rico sobre todas as coisas, quis escolher como sua mãe a pobreza", como Francisco escreve em uma carta aos fiéis.

O propósito de seguir "os passos de Cristo", de propor o modelo oferecido por ele, incluía portanto, para ser crível, a escolha da pobreza, uma pobreza que era concretamente vivida então pelos pobres: no último grau da sociedade, sem garantias nem culturas, humildes e submissos a todos, trabalhando com as próprias mãos ou recorrendo até à mendicância, mas oferecendo em todo encontro a saudação de paz ("O Senhor te dê a paz") que reunia todo o sentido de uma vida de testemunho cristão, cuja única pretensão era a de mostrar "os novos sinais do céu e da terra que são grandes e excelentes aos olhos de Deus e que não são considerados assim por muitos religiosos e por outros homens".

Trataram-se de escolhas e convicções sobre características desse modelo amadurecidas pouco a pouco, mas que Francisco situou no seu momento culminante, ou seja, "depois que o Senhor lhe deu irmãos". Não era uma escolha previsível. Desde sempre, aqueles que pretendiam abraçar a vida religiosa para "seguir a Cristo" renunciavam aos seus próprios bens: os versículos do Evangelho pedem isso explicitamente. Isso implicava a pobreza pessoal, mas não uma vida de pobre entre os pobres. Tradicionalmente, monges e canônicos, habituais autores dessa renúncia, se colocavam na mais alta das hierarquias sociais, protegidos pelos seus privilégios concedidos por Roma. Para Francisco, não era nem devia ser assim. A clausura de um rico convento não era a sede adaptada para dar testemunho de Cristo: ele devia ser oferecido com a própria vida pelas estradas do mundo.

Nesse projeto, isso não era a única dificuldade aos olhos de Roma. Naquelas décadas, de fato, o Evangelho se tornou a marca de movimentos que contestavam a riqueza e o poder. Porém, Francisco não queria nem mesmo isso: explícita é a sua escolha de ortodoxia e de submissão à Roma. Prova disso, dentre outras coisas, é o seu pedido ao papa de aprovar o seu projeto. Toda forma de rebelião teria contradito, aos seus olhos, essa escolha de humildade e submissão, essa renúncia à própria vontade que não fosse a de seguir a Cristo.

Depois de muitas incertezas, o seu pedido foi acolhido: tratava-se, no fundo, de um pequeno grupo sem pretensões. Teve início assim um novo percurso totalmente imprevisto. Em poucos anos, de fato, aquele pequeno grupo cresceu em alguns milhares, configurando aos olhos de Roma um inesperado instrumento para suprir as carências do cuidado pastoral e para fazer frente à crescente ameaça herética.

Nascia uma nova ordem religiosa, que devia se uniformizar aos modelos oferecidos pela tradição. Francisco, mesmo aceitando, viveu esse processo com grande sofrimento. O Testamento o expressa claramente. Segundo um biógrafo seu, ele teria assim se dirigido aos "irmãos" no seu leito de morte: "A minha tarefa, eu a realizei. A de vocês, que Cristo lhes ensine". São palavras que marcam a separação ocorrida, a consciência de que o caminho que ele havia percorrido era diferente daquele que a ordem já havia iniciado.

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21296 acesso em 14 ago. 2009.

Imagem: The Confirmation of the Franciscan Rule / Domenico Ghirlandaio. -- Cappella Sassetti, Santa Trinità, Florence, 1482-1485. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cappella_Sassetti_Confirmation_of_the_Franciscan_Rule_2.jpg acesso em 14 ago. 2009.

sábado, 15 de agosto de 2009

PARA NÓS O QUE É A POBREZA?










PARA NÓS O QUE É A POBREZA?

Para nós o que é a pobreza?
Não sabemos o que ela é.
Basta olharmos pra São Francisco...
E aprendermos o que Deus quer...

Pobreza em São Francisco...
É amar o Crucificado...
Morrer para o pecado e dizer sim a Deus...
É o perdão recebido, é itinerário para o céu...

Pobreza em São Francisco...
Não é romantismo...
É vencer-se a si mesmo a cada dia...
É também alegria da permanência em Deus...

Pobreza em São Francisco...
É liberdade que espera...
Persiste e persevera no bem prometido...
É lutar contra o inimigo que não se dá por vencido...

Pobreza em São Francisco...
É experiência mística...
É riqueza escondida, é sentido de vida...
Para quem a encontra, é Glória de Deus...

Paz e Bem!

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

Perfil do Assistente Espiritual da Ordem Franciscana Secular

Neste mês de agosto, de 20 a 23, será realizado em Manaus Capítulo Eletivo da OFS do Brasil.
A propósito do evento, Frei Almir, escreve um texto sobre o perfil do assistente espiritual.

Em sinal concreto de comunhão e de co-responsabilidade, os Conselhos, nos diversos níveis de acordo com as Constituições, solicitarão aos superiores das quatro Famílias Religiosas Franciscanas, às quais desde séculos a Fraternidade Secular está ligada, religiosos idôneos e preparados para a assistência espiritual (Regra, n.26).

Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM (*)
1. As presentes considerações não têm a finalidade de examinar exaustivamente a missão e as características do Assistente espiritual na vida dos irmãos e das irmãs da OFS. Pretendem, tão somente, chamar atenção para alguns aspectos importantes da figura do Assistente para que possa ele ser de ajuda ao grupo. Procuramos nos basear, de modo especial, no Manuale per l’assitenza all’OFS e alla GIFRA, publicado pela Conferência dos Assistentes Gerais da OFS ( Roma 2006). Mais diretamente seguimos o cap. VI que aborda o tema da assistência espiritual e pastoral da OFS , p. 173-244. Ao longo destas reflexões procuraremos também levantar questionamentos a respeito do trabalho da assistência.

2. A Província da Imaculada vive, em final de 2009, seu capítulo Provincial. Depois haverá o Congresso Capitular, ou um Definitório seguinte, quando serão escolhidos ou nomeados os novos assistentes locais e regionais da OFS. Lembramos as determinações da CCGG dos OFM, art 60: “À Ordem é confiado o cuidado pela Ordem Franciscana Secular, que vive no mundo o espírito de São Francisco e participa da vida, do testemunho e da missão do carisma franciscano, para cuja plenitude contribui com uma ação própria, necessária e complementar”. Fica evidenciada a razão da assistência: o mesmo carisma anima as duas Ordens, a I e a III.

3. Perguntas atravessam nosso espírito: Os frades gostam de trabalhar com a OFS? Quem tem qualidades para exercer o ministério da assistência? Está havendo uma preparação para o exercício deste ministério por parte dos frades? Como dar assistência a Fraternidades em locais abandonados pelos frades? Será que os frades têm uma compreensão adequada do seu trabalho junto aos terceiros?

4. A realidade nos diz que há Fraternidades da OFS que são assistidas exemplarmente por frades fiéis, perseverantes e idôneos. Há alguns Assistentes que são muito amigos dos seculares, mas não têm formação idônea para a missão. Há Assistentes nomeados que, na verdade, pouco se fazem presentes, devido às múltiplas tarefas que exercem no seio da Ordem I ou por estarem desmotivados. Há também frades que perdem o interesse pelo trabalho devido ao cansaço, lentidão e falta de objetivos claros de determinadas Fraternidades. Há Fraternidades com assistência apenas esporádica, embora de boa qualidade. Há ainda Fraternidades sem assistência nenhuma. Em nossa Província, Fraternidades que existiam em paróquias que foram entregues aos bispos, conhecem dificuldades de sobrevivência. Reuniões regulares de assistentes nos diferentes níveis poderiam ajudar a resolver algumas destas dificuldades. Fundamental que ele goste de trabalhar com franciscanos seculares.

5. O Assistente espiritual da OFS não é o “diretor” , nem o Padre Comissário. Ele é membro do Conselho da Fraternidade com direito a voto em todas as questões, menos nas decisões financeiras e nos capítulos eletivos. O Assistente não é um “capelão”. Seu papel não se limita à celebração da missa ou à administração dos sacramentos no seio da Fraternidade. É pastor, guia e mestre.

6. Os Ministros Gerais da Primeira Ordem e da TOR, em documento de 1989, afirmam que o trabalho do Assistente espiritual se realiza menos no âmbito da direção e da organização, e mais no acompanhamento espiritual e como auxílio na formação dos irmãos (cf. Manuale p. 177). Mesmo reconhecendo a responsabilidade que compete aos seculares, o Assistente não terá uma atitude passiva de deixar fazer. Ele envidará esforços para que os leigos realizem sua vocação e sua missão. Destaquemos, de início, dois aspectos: o acompanhamento espiritual do grupo e dos indivíduos e a formação. Para exercer tais funções a presença do Assistência precisará ser regular.

7. Em Discurso proferido ao Consilium pro Laicis de 1981, dirigindo-se aos conselheiros eclesiásticos de agremiações laicais, João Paulo II exortava no sentido de que fossem:
  • artífices da comunhão,
  • educadores da fé,
  • testemunhas do Absoluto de Deus,
  • verdadeiros apóstolos de Jesus Cristo,
  • ministros da vida sacramental, especialmente da Eucaristia e
  • animadores espirituais. Nestas linhas do Papa aparecem elementos importantes do perfil do Assistente.
8. Podemos desdobrar algumas das características da Assistência espiritual:
  • orientação teológica e espiritual,
  • testemunho de fidelidade à vocação franciscana,
  • estimulador para que sejam criadas condições de paz e de justiça, de verdade e de amor,
  • ajudar os irmãos a fazerem a leitura dos sinais dos tempos,
  • iniciação nas fontes franciscanas e clarianas.
9. 0s Assistentes da OFS não são meros assistentes eclesiásticos de uma simples agremiação laical; representam alguma coisa mais. Representam eles um canal privilegiado pelo qual passa a seiva que deve garantir a “comunhão vital recíproca” entre o componente secular e os componentes religiosos da família franciscana.

10. O objetivo da “reciprocidade vital” requer a remoção de alguns obstáculos que, em todos os níveis, que ainda perduram. Necessário se faz passar do “Diretor” ao “Assistente” (assistência espiritual, sob a guia do bom pastor e não na linha de direção); passar da mentalidade de “mandar” à de servir; passagem da mentalidade de dizer a última palavra à de ser membro do Conselho, não substituindo o papel deste último.

11. Obstáculos por parte dos seculares: conhecimento precário do que vem a ser um leigo franciscano, dependência afetiva exagerada do frade, reverência exagerada aos mesmos, idealização da figura do religioso, ou crítica impiedosa diante de suas limitações e fraquezas.

12. Obstáculos por parte dos religiosos: espírito de corpo impondo elementos da Ordem I, tendência de fazer valer sua maneira de ver a OFS, medo de perder o protagonismo no momento em que compartilha as responsabilidades com os seculares.

13. Parece não ser conveniente que um assistente permaneça tempo demais numa Fraternidade ou mesmo a Nível Regional: pode tornar-se repetitivo, correndo o risco de serem “diretores”, carência de criatividade, certo cansaço generalizado. Isso pode causar dano à OFS. Convém alertar para o perigo grave que pode existir quando uma Fraternidade passa um período longo se assistência espiritual.

14. O altius moderamen garante a fidelidade da OFS ao carisma franciscano, de sua comunhão com a Igreja e da união com a Família franciscanas. (Regra 1).

15. O Assistente é pastor. Conhecemos toda a riqueza desta imagem. Pastor é aquele que busca alimento para as ovelhas, que conhece sua voz, que acompanha seus passos. Ora, o Assistente acompanha como pastor uma pequena comunidade eclesial franciscana. Pastor assistente = aquele que está perto, bem próximo, está presente, protege. O Assistente é pastor que exerce um papel coadjuvante, junto ao Ministro e seu Conselho,

16. O Assistente não tem sozinho a responsabilidade pela vida espiritual de cada um dos membros. É a própria Fraternidade que deverá cuidar da vida espiritual de todos. O pastoreio do Assistente será discreto, mas indispensável.

17. Momento importante da presença e do testemunho do Assistente são os capítulos eletivos, de avaliação e as visitas pastorais. Não será o Assistente o homem da “política” de grupos, mas por sua palavra, pelo apelo evangélico de sua voz, deverá fazer de sorte que sejam escolhidos aqueles que melhor evidenciarão o carisma franciscano secular. Nas visitas pastorais há que se inventar o novo. Tais visitas,forçosamente, terão que ser um acontecimento espiritual e não apenas a realização de uma formalidade. Como nos situamos diante das visitas pastorais?

18. O Assistente local, juntamente com o Conselho, é responsável pela formação dos candidatos e avalia cada irmão antes da Profissão. Juntamente com o Ministro local procura dialogar com irmãos que experimentam dificuldades, que se afastaram das reuniões, ou que comportam contra a Regra que professaram.

19. Explicitemos melhor esta sua missão. O Assistente participa dos encontros da Fraternidade com uma presença ativa, sempre atento à dinâmica da reunião, ao que se diz, ao que se vive. Se o dito é bem dito e o vivido bem vivido. Vivencia, exprime e agiliza a reciprocidade vital de comunhão exigida pela pertença à mesma família franciscana, embora de forma diferente: respeitando o papel de cada um; preocupa-se com a formação pastoral e espiritual e com a vida litúrgica e sacramental da Fraternidade; é aquele que garante a ortodoxia dos conteúdos bíblicos e teológicos; é aquele que fala de Deus, que é, pois, sensível aos aspectos espirituais (oração, escuta da Palavra, direção espiritual); cuida dos irmãos que não tiveram boa catequese na infância e na juventude; cuida que a Fraternidade não se feche e não se torne um “mero” grupo paroquial.; aviva o interesse da Fraternidade pela Igreja local, colaborando nas iniciativas paroquiais e diocesanas: cuida de despertar os talentos dos irmãos: interessa-se por casa um dos irmãos e por cada uma das irmãs, de modo especial os mais fragilizados, doentes, idosos e pessoas que vivem crises (casamento, fé, trabalho,etc)

20. Há características da Assistência no tempo da formação inicial. O Assistente é conselheiro. Entra em contacto pessoal com cada um. Se preciso faz atuar seu ministério sacramental, quando sacerdote. Ajuda-os a clarificar seu caminho vocacional..Oferece seus préstimos. Chama atenção para a conversão. Adverte a respeito da necessidade da conversão. As CCGG (41,1), com razão,pedem que no momento da profissão seja ouvidos o responsável pela formação e o Assistente.

21. Na formação permanente o Assistente procurará trabalhar a conversão continua dos irmãos, levando-os carinhosamente a buscar a santidade, ajudando o grupo a ler o sinais dos tempos e neste tempo de transformações culturais, sociais e religiosas brutais o Assistente ajudaram os irmãos a fazerem uma correta leitura dos sinais dos tempos. Com seu amor pela OFS, tanto na reunião geral quanto na do Conselho, convidará os irmãos a descobrirem caminhos de inovação que permitam se sair de um mero devocionalismo.

22. Delicado, mas importantíssimo, o papel do Assistente nas reuniões gerais da Fraternidade e do Conselho. Seu específico campo de ação é o domínio espiritual: favorecer a comunhão com a Igreja, testemunhar a espiritualidade franciscana religiosa, colaborar na formação e alimentar a vida cristã da Fraternidade. Cuidará sempre de não extrapolar sua competência. Isso exige tato e maturidade para não ir além do que cabe. O Manuale sugere que, nas reuniões do Conselho, o Assistente empregue o método do ver, julgar e agir. O Conselho e o Assistente não podem permitir que uma Fraternidade perca motivação e élan ou se distancie seriamente do espírito franciscano. De modo particular Conselho e Assistente verificarão se cada irmão é responsável e se todos estão imbuídos de um verdadeiro desejo de viver a fraternidade.

23. Dois extremos deverão ser evitados nas reuniões por parte do Assistente: de um lado a tentação de tomar a frente das reuniões, sobretudo se os leigos se mostram fracos e com precária formação; de outro lado a tentação de deixar que as coisas corram soltas, manifestando assim desinteresse ou indiferença para com a Fraternidade.

24. Procuremos vislumbrar melhor a presença do Assistente nas reuniões. Estas são encontros de família e de formação de pessoas que desejam viver o Evangelho à maneira de Francisco. Hoje dizemos com maior propriedade, à maneira de Francisco e Clara. As reuniões são constituídas basicamente de três momentos: oração, formação e confraternização. Alguns acrescentam ainda um momento de revisão das atividades ( do fazer,do agir).

25. A oração comum reúne os irmãos e as irmãs no louvor de Deus. Pode ser uma celebração eucarística, com homilia e cantos, uma celebração de parte da Liturgia das Horas ou outra forma de oração comum. O Assistente velará para que seja uma oração verdadeira e não apenas palavras... Há toda uma pedagogia para uma oração que rasgue os céus e una os irmãos.

26. Cabe à equipe encarregada organizar a parte de formação. Esta poderá amiúde ser feita, ao menos em parte, pelo Assistente. Poderá ser complementada por ele e feita de outro modo. Os Assistentes cuidarão de não darem a impressão que ele são os únicos formadores competentes. Pode-se dizer que o Assistente local poderia inventar meios e modos de ser o formador dos formadores.

27. Tentemos aprofundar ainda mais a função do Assistente na formação. No passado, talvez, a OFS e seu “discretório” não tenham se preocupado muito com a formação dos seus membros. Esta descansava na pessoa do “diretor” e de uma ou outra pessoa chamada eventualmente. A OFS tem a convicção de que a formação dos seus membros é feita pelo Conselho. Isso não quer dizer que o Assistente tenha perdido seu papel. Em nossos tempos o Assistente tem papel importantíssimo de esclarecer valores que deixaram de ser levados em consideração. O Assistente será um perito em humanidade, cristianismo e franciscanismo.

28. Normalmente na reunião geral são colocadas sobre a mesa a atividades exercidas pelos irmãos tanto em nível de Fraternidade quando de pastoral paroquial ou diocesana. O Assistente será aquele que saberá avaliar e entusiasmar os irmãos e as irmãs a viverem uma vida de apostolado ativo. Cuidará que os irmãos não entrem numa febre ativista, não façam uma pastoral sem um leitura teológica da realidade e aos poucos percam sua identidade franciscana. Em nossos tempos Assistentes experimentados ajudam os leigos a darem conscientemente sua colaboração à Igreja, mas sempre se, estrelismos e ações soltas.

29. Finalmente a há o espaço da confraternização. Trata-se de um momento em que todos, de fato, se sentem irmãos e irmãs, momento de estreitar o mútuo conhecimento, de uns estarem com os outros. A confraternização poderá ocorrer em torno de um lanche ou de uma refeição com aquilo que cada um trouxe de suas casas. A presença no Assistente não é dispensável. Ele é membro da Fraternidade e a alegria do encontro faz parte da espiritualidade franciscana.

30. Somos gratos a todos os Assistentes da OFS. Há aqueles que conhecem todos os membros de sua Fraternidade pessoalmente. Amam pessoalmente a cada um. Muitos seculares das fraternidades vivem dramas delicados e contam com a presença e as luzes do Assistente. Há Assistentes particularmente atentos aos doentes. Há aqueles que são verdadeiramente apaixonados pelo Evangelho de Cristo e por Francisco. Estes constituem um bela propaganda vocacional para nossa Ordem Franciscana.

Urgências:
  • Despertar gosto pela Ordem Franciscana Secular nos frades da Provincia.
  • Organizar uma sistemática formação dos frades na teologia para o ministério da Assistência.
  • Ajudar os leigos das Fraternidades seculares a serem leigos maduros, compromissados com a fé e o Evangelho e não meras pessoas que têm devoção a Francisco.
  • Os Assistentes haverão de incentivar todas as formas de propaganda vocacional que renovem as Fraternidades.
  • Nossas Fraternidades Seculares precisam, urgentemente, da presença de jovens e de casais jovens.
(*) Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
Assistente Nacional da OFS pela OFM
Assistente Regional do Sudeste III

Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/almir/artigos/ofs/07.php acesso em 14 ago. 2009.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Maximilian Kolbe


Sinopse: Julio, 1941. Maximilian Kolbe es un sacerdote polaco católico recluido en el campo de concentración nazi de Auschwitz. Allí da su vida por la de otro prisionero, un padre de familia inocente condenado a morir de hambre en represalia por una fuga. La película relata la historia de Kolbe desde los ojos de quien, huyendo del campo de concentración, provocó el castigo de los nazis por el que acabó sacrificando su vida el monje franciscano. El Papa Pablo VI beatificó a Kolbe en 1971 y en 1982, Juan Pablo II lo canonizó como San Maximiliano Kolbe.
Tamanho: 266 mb
Formato: rmvb
Hospedagem: Megaupload
Idioma: Espanhol
Lengenda: Portugues

Legenda

Extraído de http://www.filmesreligiosos.com/2008/09/maximilian-kolbe.html acesso em 14 ago. 2009.

Especial Santa Beatriz da Silva

A Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil preparou um especial sobre Santa Beatriz da Silva:


Mensagens do Ministro Geral da OFM

Clara de Assis, um hino de louvor / Giacomo Bini

Introdução
I. A missão comum de nossas Fraternidades
Viver e testemunhar o Evangelho
A caminho da Cruz
Para a reflexão
II. Reciprocidade e complementaridade
Complementaridade teocêntrica
Complementaridade construída sobre a Palavra de Deus
Para a reflexão
III. Hóspedes e peregrinos
"Somente na morte se conhecem as pessoas"
A beleza de uma vocação
Para a reflexão
IV. "Siga o conselho do ministro geral"
Autonomia e relacionamentos na vida de um mosteiro
A formação
Para a reflexão
V. Os desafios
A formação do coração e a criatividade
Uma espiritualidade bíblica, litúrgica e carismática
O sentido da pertença
Formação para o relacionamento
Para a reflexão

Conclusão
Siglas e abreviações


TEXTO PARA IMPRESSÃO

Extraído de http://www.franciscanos.org.br/noticias/noticias_especiais/stclara_06/index_01.php acesso em 11 ago. 2009.

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