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sábado, 25 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA FÉ...



A LÓGICA DA FÉ...


O que é acreditar? Em se tratando da nossa naturalidade, crê é se mover dentro dos limites de nossas capacidades para fazer acontecer, como fruto do nosso trabalho, quer intelectual, científico, físico, etc., aquilo que almejamos e planejamos para o bem estar de todos. Porém, quando tratamos de nossas almas, aí passamos da realidade exterior, isto é, do nosso habitat natural com suas leis e possibilidades, para a realidade interior, espiritual, mística; onde acreditar é se unir a Deus e permanecer Nele para fazer acontecer sua vontade que significa a perfeição eterna que o Senhor nos proporciona, por meio da fé, no seu poder criador e restaurador de todas as coisas. Pois quando digo: “creio Senhor”, o digo movido por sua graça que me faz viver segundo sua vontade, tornando minha realidade também a sua; fazendo-me compreender que sou seu filho no seu Filho Jesus Cristo, que por sua morte de cruz, realizou seu eterno plano de amor para a nossa salvação.

Certa feita, alguém me perguntou: Frei, eu vou ser salva de quê? Também lhe perguntei: estás satisfeita com todo o mal que se encontra no mundo atualmente? Fome, peste, guerras, tragédias naturais causadas pela degradação da natureza; tráfego de drogas, de armas, de pessoas; trabalho escravo; opressão de toda espécie; maldades incontáveis; perversões contra os bons costumes, corrupções, destruição dos valores humanos, etc.? De fato, vivemos uma cultura de morte sem precedentes, nunca se matou tanto como nesse nosso tempo; seja pela guerra entre nações, seja pela guerra urbana, isto é, nas grandes e pequenas cidades, onde a bandidagem se multiplica dia a dia; seja pela guerra no trânsito em nossas rodovias ou não; seja pelas doenças incuráveis ou outras igualmente letais; seja pelos vícios e paixões desordenadas; seja ainda pela violência doméstica, que faz vítimas e mais vítimas a cada segundo, etc. etc. etc...

Realmente, precisamos da fé, dom de Deus, para permanecermos Nele e mudar o que está destruindo nossas famílias e nossa sociedade como um todo; e isso é possível mediante a conversão aos valores cristãos, pois somente Jesus Cristo em cada um de nós pode realizar a transformação necessária, para termos paz neste mundo. Sem o acolhimento de sua vontade essa realidade que está aí vai piorar até se tornar um abismo sem volta. Para que isso não aconteça é necessário ouvirmos o Senhor e praticarmos o que Ele nos ensina: Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”. (Mt 7,13-14). E ainda: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”. (Mt 6,33-34).

Com efeito, o Senhor também já nos havia alertado sobre a perca da fé, dizendo: Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). A fé é graça do Espírito Santo, no coração e na alma dos batizados, ela age perfeitamente nos unindo ao Senhor Jesus, para que demos testemunho da sua real presença conosco no mundo e por Ele agirmos em todo o nosso proceder, como nos ensinou São Paulo: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl 3,17). E ainda: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor”. (Cl 3,23-24).

Ora, “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se um só morreu por todos, logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu. Por isso, nós daqui em diante a ninguém conhecemos de um modo humano. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não o julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2Cor 5,14-17).

Portanto, “Tudo é possível ao que crê”, (Mc 9,23), disse Jesus, o Filho de Deus; logo, esse dom de crê vai muito além da finitude da compressão racional, porque a razão precisa sempre de evidências para aceitar o que é além do que pode compreender; enquanto que a fé produz a evidência de que a razão não é capaz mesmo com o raciocínio lógico. Desse modo, a lógica da fé consiste no transpor a natureza das coisas e da própria razão, fazendo acontecer as evidências necessárias ao aliar amor, confiança, esperança e determinação, que são valores eternos intrínsecos presentes na alma humana, para produzir os efeitos desejados pela fé. Ou seja, é a alma humana aliada à Deus presente nela que faz acontecer pela fé a vontade de Deus, isto é, a perfeição de todas as coisas. Assim, compreendemos que a fé natural nada é sem Deus, porque mesmo sendo inata precisa da graça do Senhor para ter o poder que tem de vencer os limites e realizar o que a razão não pode por si mesma. Crer é amar a Deus e se unir a Ele pelo amor, é obedecê-lo em tudo para que se cumpra a sua vontade em nossa vida, aqui e eternamente em sua glória. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA GRAÇA...


A LÓGICA DA GRAÇA...

Tudo o que é autêntico, é verdadeiro, é honesto, é bom, é puro e nos foi dado somente para o bem. Assim é a vida e tudo o que a mantém; perder essa autenticidade é perder tudo é perder a própria vida. E quando perdemos tudo até a própria vida é porque perdemos Deus, pois nenhuma criatura subsiste por muito tempo sem a graça de Deus.

No princípio Deus criou todas as coisas e por fim criou o homem e a mulher como “imagem e semelhança” sua, e isto num paraíso; deu-lhe o perfeito estado de graça que consistia viver em comunhão com Ele, seu Criador e Pai; e para que não perdesse esse estado de graça deu-lhe o dom do trabalho e o único preceito: Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.” (Gn 2,16). Desse modo, o homem tinha todos os bens para fazer uso fruto deles; e deu-lhe o estado de graça permanente, a visão beatífica do Senhor, e o poder de governar a terra, como um paraíso, contanto que obedecesse e assim se multiplicasse, permanecendo fiel ao Boníssimo Senhor e Deus de toda vida.

Mais aí veio a tragédia do pecado e o inferno que ele trouxe para dentro do homem e para todas as suas ações. Assim o homem começou a governar a terra a partir do pecado, e o seu estado de alma ficou comprometido pela presença e o domínio do inimigo, pois toda vez que o homem peca, fica submetido e oprimido pelo mal que praticou; como o Senhor mesmo disse: “Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo”. (Jo 8,34).

Com efeito, como Deus não deixa inacabada a obra de suas mãos, por isso, não deixou o homem a mercê do pecado nem do inimigo que lhe transmitiu tal pecado, mas enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, para nos libertar do castigo da morte que o pecado trouxe, e do inferno no qual o homem se precipitou quando se submeteu ao mal pela desobediência praticada. É exatamente isso que nos ensinou São Paulo na carta aos Romanos: ”De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito”. (Rm 8,14).

Todavia é preciso que nos deixemos conduzir pelo Espírito Santo, do qual nascemos no Batismo, para que não voltemos à prática do pecado que é porta de entrada do mal em nossa vida. Pois assim escreveu, São Paulo, nessa mesma carta: “Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,12-14). Ou seja, o Batismo nos conferiu o estado de graça perfeito, que antes tinha sido perdido no paraíso por Adão e Eva; e nos conferiu a participação na natureza divina, e o dom do Espírito Santo para nos conduzir à plena comunhão com a vontade de Deus, isto é, à perfeita obediência vivida e ensinada por Jesus Cristo, nosso Senhor, e Salvador de nossas almas.

Portanto, o homem foi criado em estado de graça para viver em estado de graça permanentemente, isto é, para viver fazendo sempre a vontade de Deus. Como ele perdeu esse estado de graça pela desobediência, Deus mesmo veio ao seu encontro por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, “que foi obediente até a morte e morte de cruz”, para que o homem voltasse a fazer, por meio dele, a sua santa vontade e assim obtivesse a vida eterna em um novo paraíso, o Reino dos Céus. Logo, não há autenticidade na vida se a vontade de Deus não é vivida. Pois, quem faz a vontade de Deus, expressa em seus mandamentos, tem a Deus no comando de sua vida e de suas ações, e tudo o que empreende prospera, porque tudo o que é comandado pela sabedoria divina, é obra autêntica das mãos de Deus, que leva o homem à realização completa e à felicidade plena aqui e eternamente no Reino dos céus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 28 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE ANO NOVO...


ANO NOVO TUDO NOVO...

A vida é sempre nova, porque o Senhor renova todas as coisas, e não nos deixa parados, é por isso, que estamos a caminho da eternidade, ou seja, do Reino dos Céus, onde a verdade e a justiça habitarão conosco para sempre (cf. 2Pd 3,13).

Caríssimos, estamos começando um novo ano, espero que a palavra “novo” tenha pleno significado em nossa trajetória existencial durante esse novo ano de 2014 a ser percorrido por nós que aqui estamos, e naturalmente desejamos que aconteça somente o bem. O novo na vida diz respeito ao sentido que se dá à vida; quem a vive por viver, não sente o verdadeiro prazer que ela proporciona quando vivida por amor a Deus, Fonte Eterna de toda vida e felicidade. Isto porque a nossa vida, é um caminhar constante em direção à Fonte Divina que a criou e a sustenta, como o rio perene que corre sempre em direção ao mar. Sei que essa analogia natural é simples, porém, carregada de um profundo significa teológico, pois existimos porque somos obras das mãos de Deus, e é para Deus estamos indo a cada instante do nosso viver.

Normalmente, com a proximidade da mudança de ano, aumentamos as nossas expectativas sobre os acontecimentos que poderão ocorrer - e aqui, chamo a atenção para não acreditarmos nas falsas previsões que os charlatões de plantão, juntamente com a mídia alienante, tentam nos fazer crer. E ainda, traçamos, quem sabe, novos projetos de vida, de trabalho ou outro anseio benéfico que desejamos; prometemos mudanças de atitudes e criamos também toda uma atmosfera de melhoria existencial, dado ao otimismo que nos acompanha, visto que a felicidade é um desejo inato que carregamos nas entranhas de nossas almas.

De fato, quem planta o bem, isso mesmo colherá; porém, como do mal praticado nenhum bem podemos colher, evitemos toda espécie de maldade. Bem como nos ensinou São Paulo: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,7-10).

Então, façamos acontecer o novo em nossa vida nesse novo ano que se aproxima, ou seja, pratiquemos o viver de Cristo com nosso viver, porque não existe o novo sem aquele que renova todas as coisas (Cf. Ap 21,5), exatamente como escreveu São João: “Aquele que diz que Nele (Jesus) crê, deve viver como Ele viveu” (1Jo 2,6), ou seja, fazendo em tudo a Vontade de Deus Pai, porque é para isto que estamos neste mundo. Quem pensa segundo a Sabedoria de Deus e obedece ao que Ele ensina em sua Palavra, este é fiel em todo o seu proceder, porque deixa Deus comandar sua vida.

Feliz Ano Novo!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

É NATAL! FELIZ NATAL!



É NATAL! FELIZ NATAL!

É Natal! Feliz Natal! É aniversário de Deus, porque Deus se fez homem, nasceu entre nós como um de nós para que não haja mais a morte, pois só com o nascimento de Deus, como um de nós, é possível sermos como Deus por sua vontade. Deus não tem princípio nem fim, mas quis, sim, nascer como homem em seu Filho Jesus Cristo, e viver em tudo como homem, menos o pecado, pois Deus não peca; e assim o fez para nos deificar, ou seja, para recebermos sua imortalidade.

De fato, a humanidade está sendo passada a limpo; o tempo está terminando e o mal será extirpado para sempre. E de que lado nós estamos? Pois só existem dois lados, isto é, dois reinos: Um é o Reino de Deus, onde Jesus Cristo já reina eternamente na felicidade com todos os justos, nascidos da água e do Espírito Santo; o outro é o reino das trevas, onde o mal dá as cartas, mas como é mal, jamais participará da felicidade dos filhos de Deus. Felizes os que vivem segundo a vontade de Deus, estes escolheram viver como filhos de Deus, fazendo o bem e somente o bem que Deus lhes dá a ser e fazer neste mundo.

Então, feliz escolha, feliz Natal do Senhor! Feliz aniversário Jesus! Feliz vida eterna para todos que nascemos da água e do Espírito Santo! Porque é por ele que cremos e por isso pertencemos ao Senhor!

Paz e Bem!


Frei Fernando Maria,OFMConv.

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