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quarta-feira, 11 de abril de 2018

A GRAÇA SALVÍFICA É PARA TODOS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,16-21)(11/4/18)

Caríssimos, guias cegos são aqueles que mesmo diante de evidências incontestáveis continuam cultivando a ignorância espiritual; e ai de quem os quiser contestar com tais evidências. Na Carta aos Romanos, São Paulo, escreveu o seguinte: "A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o lêem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência."

A didática da primeira leitura de hoje traz dois entendimentos muito importantes para o nosso crescimento na fé: Primeiro, a vinda do anjo do Senhor, é fonte de inspiração e conversão; de inspiração para os apóstolos e de conversão para os que os ouvem. Segundo, revela a intransigência dos cegos espirituais que mesmo diante das evidências que o Senhor lhes mostra continuam sua trajetória de violência e mal estar, por isso, não se convertem, porque seguem os propósitos do maligno e não a vontade de Deus.

Com efeito, discorrendo sobre isso, São Paulo nos exorta: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." Mas, nem todos os homens aceitam a salvação, como vimos no Evangelho de hoje: "Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus."

Conclusão: A graça salvífica é para todos e o critério para obtê-la é acreditar em Jesus Cristo e pôr em prática as suas palavras, participando do seu corpo místico, a Igreja, Templo vivo do Espírito Santo. Pois, "Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

"E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS."


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(09/4/18)

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós." Caríssimos, este é o acontecimento mais importante da história da humanidade. Nunca um sim humano marcou tanto a humanidade quanto o sim da Santíssima Virgem Maria, predito pelo Profeta Isaías (cf. Is 7,14). Todos os sins anteriores apontaram para este "fiat" de Maria. Por ele Deus se fez homem para nos tornar participantes de Sua Glória, como seres imaculados, livres do pecado e da morte. Em suma, Deus por seu Filho, Jesus Cristo, nos concedeu a graça da imortalidade.

Com efeito, na Encarnação de Cristo, Deus se deu a conhecer de modo totalmente humano; como Jesus nos ensinou: "Aquele que me viu, viu também o Pai. Eu e o Pai somos um." Ora, essa visão do Pai no Filho não é uma visão carnal, mas sim uma visão da fé, dom sobrenatural do Espírito Santo, pois foi isso que o Senhor disse à Tomé: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!" Por isso, de agora em diante, todo ser humano que se aproxima de Jesus e recebe o batismo, nasce do alto para um viver novo, isto é, um viver sem pecado.

Na sua primeira carta, São João assim escreveu: "Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu." Ou seja, viver sem Jesus, é viver no pecado, isto é, é viver na morte sem a participação na sua ressurreição; significa dizer não à vontade do Pai que o enviou para nós dar a salvação.

De fato, a experiência de viver como novas criaturas difere do viver natural. Isto porque é o viver segundo o Espírito Santo, isto é, conduzidos por suas inspirações; por exemplo, o tempo que temos é tempo de Deus em nossa vida; já os nossos pensamentos têm como fundamento a Palavra de Deus, e não mais os diversos pensamentos que chegam à nossa mente quando menos esperamos; a nossa vontade, outrora advinda de nossos desejos carnais, agora busca realizar a Vontade de Deus Pai, ou seja, a nossa santificação.

Conclusão: a graça santificante que vivemos, é quem orienta o nosso modo de ser no Senhor, por isso, o nosso testemunho é verdadeiro, porque, como nos ensinou São Paulo, já não somos nós que vivemos, é Cristo que vive em nós (cf. Gl 2,19-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 8 de abril de 2018

HOMILIA DO DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA


Homilia do Dom. da Divina Misericórdia (Jo 20,19-31)(08/4/18)

Caríssimos irmãos e irmãs, vivemos da Misericórdia Divina e é por isso que ainda existimos; o poder desta palavra se revela no perdão e reconciliação que em seu amor o Senhor nos faz experimentar. O Coração misericordioso de Jesus bate forte cada vez que nos arrependemos e o procuramos num desejo sincero de permanecer com Ele pra nunca mais pecar.

Vejamos, na primeira leitura de hoje, o resultado de uma tal conversão: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos." Ou seja, a fé na presença de Jesus Ressuscitado, movia as ações dos novos convertidos de tal forma que entre eles não havia necessitados.

Hoje na Santa Missa da Divina Misericórdia o Santo Padre o Papa Francisco, disse em sua homilia: "Queridos irmãos e irmãs, podemos nos considerar e chamar-nos cristãos, e falar sobre muitos belos valores da fé, mas, como os discípulos, precisamos ver Jesus tocando o seu amor. Só assim podemos ir ao coração da fé e, como os discípulos, encontrar uma paz e uma alegria mais fortes que qualquer dúvida”.

E continuou o Santo Padre: "Quando nos confessamos, tem lugar o inaudito: descobrimos que precisamente aquele pecado, que nos mantinha distantes do Senhor, converte-se no lugar do encontro com Ele. Ali o Deus ferido de amor vem ao encontro das nossas feridas. E torna as nossas chagas miseráveis semelhantes às suas chagas gloriosas. Pois Ele é misericórdia e faz maravilhas nas nossas misérias. Como Tomé, peçamos hoje a graça de reconhecer o nosso Deus: de encontrar no seu perdão a nossa alegria; na sua misericórdia a nossa esperança”.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 7 de abril de 2018

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,9-15)


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,9-15)(07/4/18)

Caríssimos, o Senhor ressuscitado nos livrou definitivamente do poder que o mal detinha sobre nós, o único poder que lhe resta é o poder de tentação; mas contra esse poder o Senhor nos dá a sua presença permanente na Eucaristia e nos outros Sacramentos, nos dá a sua Palavra como espada do Espírito Santo para combatermos todo mal; nos dá os dons da oração e da fé e todos os dons que nos são necessários nesta luta; nos dá também o livre arbítrio com o qual podemos dizer não às tentações e ao pecado; para dizermos sempre sim à sua santa vontade.

Com efeito, o viver novo no Espírito Santo significa a permanência no estado de graça que o Senhor nos concede por comungarmos com o seu querer benevolente. Com isso compreendemos que a nossa participação no Mistério da Salvação é fato consumado, não é algo que esperamos, mas sim que vivemos e anunciamos por palavras e atos. Os Apóstolos sofrem afrontas e até a morte por causa do nome de Jesus, porém, jamais abriram mão de testemunha-lo, não obstante toda oposição contrária ao seu anúncio.

Caríssimos, testemunhar Jesus Ressuscitado é testemunha-lo vivo e agindo em nosso meio exatamente como quando estava entre os Apóstolos. Isto porque "Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade." Ora, o que isto significa senão aquilo que afirmamos na liturgia? "O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós."

No Evangelho de hoje, Maria Madalena trouxe aos Apóstolos a feliz notícia da Ressurreição do Senhor, ou seja, Jesus está vivo, ressuscitou dos mortos; mas a princípio eles não acreditaram e essa momentânea incredulidade os impediu de perceberem a presença de Jesus bem ali com eles como testemunhou Maria Madalena. Também nós quando vivemos essa mesma comunhão com o Senhor ressuscitado, seguimos com Ele dando o mesmo testemunho à caminho da vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

ESCUTEMOS A VOZ DO


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,1-14)(06 /4/18)

Caríssimos, caminhamos com o Senhor na fé e na esperança, isto é, na certeza de que não estamos sozinhos. Por vezes lutamos, trabalhamos, pescamos a nossa sobrevivência, mas as nossas redes como que parecem vazias, todavia, o Senhor está bem presente onde nossas redes aparentemente vazias se encontram, basta ouvirmos a sua voz e identificá-lo com o mesmo amor com que o discípulo amado o identificou. Desse modo, comeremos com Ele à sua mesa o Pão da vida eterna que nos tem preparado, e gozaremos da sua agradabilíssima companhia e o seguiremos na via de perfeição que Ele preparou para nós.

De fato, estamos acostumados com a convivência natural uns com os outros. Porém, pergunto: e o nosso convívio com o Senhor, como se dá? Com efeito, nos acostumamos a ouvir as vozes do mundo, dos acontecimentos, das tantas e tantas pessoas que nos cercam: das redes sociais com suas fake news; ouvimos as vozes das tentações e dos pecados que se cometem na face da terra, e quantas não são as vezes que nos deixamos influenciar por essas vozes e pecamos ao permiti-las em nossa vida.

Porém, quando as silenciamos e não as buscamos mais, deixamos o silêncio sagrado se fazer presente em nós, aí sim, escutamos somente a voz do Senhor que no seu infinito amor nos fala no mais íntimo de nossas almas; de imediato sentimos logo a diferença, pois a voz do Senhor dissipa de nossas almas todos os conflitos, todas as acusações e tudo o que não nos faz bem.

Ora, a voz do Senhor nos traz sempre as soluções de que tanto precisamos, pois é a voz da verdade que liberta sempre, do amor com que somos amados, da providência com que somos amparados, da misericórdia com que somos perdoados, reconciliados e acolhidos como filhos pródigos que retornam à casa de seu pai.

Assim, nessa comunhão com o Senhor, todas as nossas dúvidas são esclarecidas, todas as nossas necessidades são saciadas de tal forma que no Senhor não nos falta nada. Portanto, ao invés de ouvir as tantas e tantas vozes do mundo e seguir os seus ditames; escutemos a voz do Senhor, que nos fala tão claramente como agora está nos falando nesta meditação. Por isso, não sejamos ávidos em ouvir as "novidades" deste mundo, porque quem frequentemente ouve e segue as vozes do mundo dificilmente escuta a voz de Deus e o segue.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

VIVENDO NA PRESENÇA DE JESUS RESSUSCITADO

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 24,35-48)(05/4/18)

Caríssimos, a ressurreição do Senhor não é um acontecimento  passado, mas sim a realidade divina que nos atualiza sempre e em tudo. Cristo Ressuscitado é aquele que nos faz viver o nosso agora na sua presença numa verdadeira comunhão de amor à caminho do céu. Isto significa viver em Deus como seus filhos e filhas.
Ora, vivendo essa dimensão de ressuscitado com Cristo, depois da cura do paralítico na porta do templo, Pedro dirigiu-se ao povo, dizendo: "Graças à fé no nome de Jesus, este Nome acaba de fortalecer este homem que vedes e reconheceis. A fé que vem por meio de Jesus lhe deu perfeita saúde na presença de todos vós."

Caríssimos, de uma coisa fiquemos certos, se não há uma convivência real com Jesus Ressuscitado, por meio da fé, só vamos entender a vida e tudo o que nela acontece, a partir de nosso entendimento racional e não a partir de nossa comunhão com Ele. Não podemos separar nossa vida pessoal e comunitária da presença providencial do Senhor. Pois eis o que Ele mesmo nos diz: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer."

Ora, esse "Permanecer em mim" é essencial para as nossas almas, porque ou vivemos o ser ressuscitados com Cristo assim, ou continuamos sem essa união amorosa com Ele, ou seja, apenas acreditando, mas não aderindo totalmente e incondicionalmente como é preciso. Vejamos: "Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos."

O Evangelho de hoje narra o encontro real de Jesus Ressuscitado com os seus discípulos; notamos nesta narração que tudo o que vai além do limite do que acreditamos, torna-se algo incompreensível, por exemplo: "Os discípulos ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma." Jesus, porém, logo os indagou: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”.

Conclusão: A partir da Ressurreição do Senhor, não podemos viver como se estivéssemos sozinhos, pois Ele mesmo disse: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." Portanto, a nossa missão de testemunhas do ressuscitado consiste em viver por Cristo, com Cristo e em Cristo todos os nossos dias, "em justiça e santidade" até que se cumpra o que Deus Pai determinou em Seu Plano de Amor conforme a Sua Vontade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Livro: Francisco de Assis - Um discípulo que Provoca


Pela graça de Deus publicamos nosso primeiro livrinho sobre o carisma Franciscano.

Trata-se de três estudos.
No primeiro capítulo, utilizando as fontes biográficas do primeiro século franciscano, trabalhamos a graça salvadora em Francisco de Assis (artigo que apresentei a TOR - Terceira Ordem Regular da Itália em 2010).
No segundo capítulo fizemos uma resenha da primeira biografia de Francisco produzida por seu discípulos Tomás de Celano.
No Terceiro capítulo apresentamos a mistagogia franciscana que é sempre atual e impactante (estes dois capítulos são partes da Especialização em História Antiga e Medieval na Faculdade do Mosteiro São Bento - 2014). 


Compre, leia e divulgue este livrinho que está disponível no clube dos autores: 

https://www.clubedeautores.com.br/book/240108--Francisco_de_Assis#.WZ8VgEG0nIU

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