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sexta-feira, 29 de junho de 2018

"SE QUERES, PODES CURSR-ME, SENHOR."


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,1-4)(29/6/18).

Caríssimos, toda miséria humana está contida em uma palavra, desobediência, e de fato, quem segue na vida por esse caminho nada encontra além do mal que ela representa. Porém, para nos ensinar que a desobediência é o mal que gera todos os males, porque é insubordinação contra a verdade, o amor, a justiça e todas as virtudes eternas, Deus enviou Seu Filho, numa carne semelhante à nossa, o qual sofreu todas as contrariedades por parte dos desobedientes, mesmo sendo inocente.

Na Carta de São Paulo aos Filipenses, ele nos mostra bem o que significa para nós a perfeita obediência de Cristo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." Ou seja, a obediência de Cristo é caminho de santidade para nós que o seguimos.

No Evangelho de hoje, vemos o episódio da cura imediata de um leproso, ao prostrar-se aos pés de Jesus lhe pedindo essa graça. Ora, o Senhor nada exigiu dele, no entanto, lhe pediu para praticar a fé, pois sem sua prática não se pode dar um testemunho de verdadeira obediência às leis de Deus. De fato, é elogiável a atitude humilde do leproso que sobreviveu à enfermidade que o assolava. Todavia, precisamos compreender que não existe efeito sem causa, e a causa de todos os males se concentra no pecado da desobediência.

Caríssimos, a recomendação de Jesus ao referido leproso, serve igualmente para nós hoje: "Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”. Isto significa dizer que a prática da fé é um testemunho sem alarde, sem marketing, mas sim, uma silenciosa demonstração de que Deus sempre age em nossa vida, para manter-nos em perfeita comunhão de amor em Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR....


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,15-20)(27/6/18)

Caríssimos irmãos e irmãs, creio que o ser humano ainda não despertou para a vida divina que de Deus recebeu. Ora, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, para vivermos como sua imagem e semelhança e não com as deformações do pecado que nos descaracteriza e tiram de nós a beleza divina. Na Carta de São Tiago, lemos o seguinte: "Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas."

De fato, quem foi gerado "pela Palavra da verdade," precisa viver a verdade que é, ou seja, em estado de graça, pois Jesus nos ensinou que, quem nasce da água e do Espírito Santo no batismo, nasce na ordem da graça para a vida eterna, isto é, já nasce santo, e somente nós podemos contradizer isto se escolhermos a prática do pecado para seguirmos na vida.

A liturgia de hoje nos revela do que os homens são capazes de fazer para contradizer e macular a verdade eterna que somos. Olhando na face da terra, vemos uma multiplicidade de seitas e religiões incontáveis, cada uma proclamando, por meio de seus líderes, os mais terríveis enganos, captando por meio deles uma imensidão de seguidores.

Contudo, vejamos o que o Senhor nos diz sobre isto: “Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. Vós os conhecereis pelos seus frutos." E acrescenta em outra passagem: "Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo... Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?"

Caríssimos, é inegável que estamos à caminho da eternidade, uma vez que trazemos essa dimensão em nossas almas, porque elas são eternas. Mas, a quem estamos seguindo? E a quem estamos servindo? A resposta à estas perguntas são fundamentais, porque por elas definimos aquilo que seremos no devir de nossas decisões. Josué ao chegar à terra prometida disse a todo povo: "A quem quereis servir? Porque eu e minha casa serviremos ao Senhor." (cf. Js 24,15).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 26 de junho de 2018

A VIA DO PERFEITO DISCERNIMENTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,6.12-14)(26/6/18).

Caríssimos, confiar em alguém, é dar a essa pessoa a liberdade de ação, inclusive em relação à própria vida. É se por à sua disposição, na certeza de que o que lhe foi confiado será levado à bom termo. Mas, para se ter uma tal confiança se faz necessário levar em conta os valores divinos que fundamentam a vida dessa pessoa; caso contrário, não se pode confiar nela. É como escreveu o Profeta Jeremias: "Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!"

Dito isto, vejamos os tipos de confiança que constatamos em meio às relações humanas. Existem aqueles que confiam em si mesmos, por isso, desconfiam de tudo e de todos, consequentemente, são vulneráveis e inseguros apesar de manterem uma certa aparência de instabilidade; existem aqueles ainda que depositam tanta confiança nos outros que esquecem do discernimento que precisam para isto; por isso, quando são vilipendeados na confiança que depositaram, se decepcionam de tal forma que se fecham para novos relacionamentos, tornado-se frios e calculistas.

Com efeito, na primeira leitura de hoje, vemos o rei Ezequias ser atacado por um rei aparentemente mais poderoso do que ele, simplesmente por causa de sua confiança em Deus. Todavia, ele não se deixou intimidar, mas logo recorreu ao Senhor, obtendo dele como resposta a vitória sobre o seu algoz. De fato, é como está escrito: "Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio; se vier o calor, ela não temerá, e sua folhagem continuará verdejante; não a inquieta a seca de um ano, pois ela continua a produzir frutos."

O Evangelho de hoje nos mostra a via do discernimento perfeito, cujo primeiro passo a ser dado nela, é: "Não jogar pérolas aos porcos", ou seja, nem todos estão aptos para receberem a palavra que os salva, por isso, muita atenção, porque estes podem se voltar contra nós e nos esmagar. Segundo passo para o discernimento perfeito: cada um só dá o que tem, por isso, nunca trate mal quem quer que seja, pois não existe o mal no coração de quem anuncia Cristo. Terceiro passo: quem tem consciência que está à caminho do céu, tem a Cristo como única Porta de entrada nele; qualquer outra doutrina fora da Palavra do Senhor, é porta larga para a perdição eterna. Portanto, a primeira e última palavra, é Cristo, Porta estreita da salvação, por Ele entramos na vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

NÃO JULGUEIS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,1-5)(25/6/18)

Caríssimos, o viver em comunidade é uma grande oportunidade que Deus nos dá para para o exercício das virtudes eternas, todavia, depende sempre de nossa cooperação. Ora, quem vive os valores eternos do amor, perdão, compreensão, etc. que Deus nos concede, colhe sempre frutos de unidade e de paz; quem não os vive tem a alma dilacerada pelos tormentos das tentações, do desassossego, da intolerância e do falso julgamento que frequetemente tende à condenar os outros mesmo que sejam inocentes.

De fato, quem olha o próximo a partir das faltas por ele cometidas, se perde, porque se esquece que também as comete de igual modo ou ainda piores. Meditemos, então, com São Paulo a seguinte exortação: "Assim, és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles. Ora, sabemos que o juízo de Deus contra aqueles que fazem tais coisas corresponde à verdade.
Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus?"

Caríssimos, a regra de ouro que Jesus nos dá para a unidade perene da comunhão fraterna é esta: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também."

Portanto, a vida em comunidade só é possível quando conduzidos pelo Santo Espírito, pomos em prática os mandamentos do amor a Deus e ao próximo como o Senhor nos ensinou: "Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18)." Sim, porque o primeiro amor de nossa vida é Deus e quem o ama sobre todas as coisas, é capaz de amar também, por seu amor, até mesmo os inimigos e perseguidores, pois esses ainda não entendem que só o amor os poderá salvar.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 24 de junho de 2018

SOLENIDADE DO NASCIMENTO DE SÃO JOÃO BATISTA...


Homilia da Solenidade do nascimento de São João Batista (Lc 1,57-66.80)(24/6/18).

Caríssimos, todas as obras de Deus são perfeitas e quando alguém interfere para que elas não o sejam, essa interferência só atinge aqueles que não vivem a sua vocação com o mesmo propósito para o qual Deus os criou. Não pensem que o mal tem algum poder sobre os filhos e filhas de Deus ou sobre suas obras, porque não tem; visto que a vontade de Deus é livre e soberana e tudo dispõe à nosso favor à medida em que o obedecemos para que se cumpram todos os seus desígnios à nosso respeito.

A Solenidade de São João Batista que hoje celebramos sela o encontro dos dois Testamentos que são frutos da aliança entre Deus e os homens, pois, por meio de sua missão profética, Deus Pai, finda o AT e dá início ao Novo como última etapa da história da humanidade. Ao enviar o seu Filho, Jesus Cristo, do qual João Batista é o precursor, o Senhor decreta o fim dos tempos e dos reinos humanos e dá início ao seu reinado eterno em cuja plenitude se dará o juízo final, quando serão julgados os vivos e os mortos.

Caríssimos, o que mais chama a atenção na missão de João é a maneira com a qual ele a conduz; João significa "Deus nos é favorável", desse modo ele revela quem é Jesus e qual é a sua missão, dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" e completa: "Eu não sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias, convém que ele cresça e que eu diminua." E assim é o primeiro a anunciar publicamente a chegada do Messias e completa sua missão dando a vida por Ele.

Portanto, nós que estamos vivendo os últimos preparativos para a vinda definitiva do Filho do Homem, nosso Senhor Jesus Cristo, precisamos viver como Zacarias, pai de São João Batista, anunciou no dia do seu nascimento: "Sirvamos ao Senhor em santidade e justiça todos os dias de nossa vida."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 23 de junho de 2018

A FÉ NA DIVINA PROVIDÊNCIA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,24-34)(23/6/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, o Senhor conhece muito bem todas as suas criaturas e nenhuma delas lhe escapa ao seu cuidado, mesmo quando estas sofrem as maiores injustiças, como meditamos na Carta de São Paulo aos Romanos: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou."

Por isso, precisamos corresponder à esse cuidado que o Senhor tem para conosco. Ora, essa correspondência se revela por um comportamento que seja digno das graças derramadas por Ele em nossas almas. De fato, precisamos viver em sintonia com a sua vontade, ouvindo sempre a sua Palavra e fazendo aquilo que é do seu agrado, pois a fidelidade é o vínculo do Espírito Santo que nos mantém na obediência e na unidade do seu Corpo que é a Igreja (cf. Col 1,18).

Na primeira leitura de hoje, vimos como o rei e todo o povo foram infiéis ao Senhor e profanando a aliança, o templo e a própria religiosidade, e mesmo mediante sua intervenção por meio do Profeta Zacarias, não o quiseram escutar, e assim mataram o Profeta por ordem do próprio rei. O resultado dessa infidelidade ao Senhor, foi a permanência no pecado, a consequente escravidão e a morte que os atingiu conforme o peso de sua culpa.

Caríssimos, o Evangelho de hoje é um chamado à confiança inabalável na providência divina, acompanhado da rejeição ao apego material e às aparências, pois não podemos nos deixar dominar pelas riquezas deste mundo e pelas futilidades que o assola, visto que são fonte de escravidão e de perdição eterna. "Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas em acrescemo."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

SEGUINDO OS PRECEITOS DO SENHOR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,19-23)(22/6/18)

Caríssimos irmãos e irmãs, viver segundo os preceitos do Senhor, é obedecê-lo em tudo, é viver em estado de graça permanente, é ser conduzidos pelo seu Espírito. Pois, desde que nascemos no santo batismo nos tornamos morada do Senhor para vivermos por seu amor; assim, ponhamos em prática seus santos ensinamentos, pois neles já está o poder para cumpri-los, porque é caminho de salvação.

Ora, Deus nos criou dotados de todos os sentidos para vivermos em sua presença (cf. Rm 1,19-20), nos deu uma alma imortal para que Ele mesmo habitasse em nós (cf. 1Cor 3,16-17; Jo 14,23) para que convivêssemos com Ele pela Eucaristia e a pela vivência da fé, como nos ensinou São João na sua primeira carta (cf. 1Jo 1,1-4). Com efeito, viver essa dimensão de nossa filiação divina é dar testemunho da Ressurreição do Senhor na certeza de que muitos o encontrarão e Nele permanecerão por causa desse nosso testemunho.

Vejamos agora o que disse São Pedro sobre isto: "Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos."

Caríssimos, somos obras das mãos de Deus e nossa presença no mundo é sinal do quanto Ele nos ama, pois tudo o que vemos só existe em função de nossa existência (cf. Gn 1,26), pois tudo o Senhor nos confiou para sermos herdeiros de Sua gloria, cabe à nós honrarmos o seu nome por uma vida santa digna da filiação divina que recebemos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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