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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

SENHOR, QUEM MORARÁ EM VOSSA CASA?


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,22-30)(31/10/18).

“Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Jesus respondeu: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão”. Caríssimos, é verdade que a misericórdia de Deus é infinita, mas, essa requer corações que a acolha, pois para se obter esse dom precioso inesgotável, é preciso o arrependimento sincero, que leva à uma conversão permanente para que assim se viva em comunhão com nosso Senhor Jesus Cristo.

De certo, no Evangelho de hoje o Senhor nos ensina que um dos grandes obstáculos para se entrar no Reino dos Deus é a injustiça, mas também em outras passagens, Ele aponta ainda o apego às riquezas, a falta de perdão e das obras de misericórdia; a falta de fé, as vãs preocupações, a falta de amor e a dureza de coração. De fato, vivemos num mundo onde o que mais importa aos homens são as riquezas materiais, a fama repentina e o poder temporal, mesmo que para isso tenham que faltar com a caridade, negar a fé e perder a esperança de vida eterna.

Com efeito, as almas que se se entregam ao maligno por uma vida de pecados para trilhar seu caminho infernal, vivem em constantes tormentos, por isso, nunca pruduzem outra coisa senão os frutos de seu desvario, com isso entram pela porta larga da perdição eterna, onde só haverá choro e ranger de dentes. Por isso, fiquemos atentos à oração do salmista: "Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite."

Conclusão: Senhor, quem morará em Vossa casa e no Vosso Monte Santo, habitará? É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo
e não solta em calúnias sua língua.

Que em nada prejudica o seu irmão,
nem cobre de insultos seu vizinho;
que não dá valor algum ao homem ímpio,
mas honra os que respeitam o Senhor.

Não empresta o seu dinheiro com usura,
nem se deixa subornar contra o inocente.
Jamais vacilará quem vive assim!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

COM QUE DEVO COMPARAR O REINO DE DEUS?


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,18-21)(30/10/18).

Caríssimos, estamos envoltos pelo mistério do Reino de Deus inaugurado por Cristo; com efeito, o Reino de Deus é essa realidade metafísica que perpassa infinitamente todas as coisas criadas, e que desde o nosso batismo, participamos dele diretamente, não ainda em toda sua plinitude, porque isso só acontecerá na Parusia, ou seja, depois da segunda vinda de Cristo ou ainda em nossa Páscoa definitiva.

No Evangelho de hoje Jesus nos mostra, por meio de duas parábolas comparativas, o que seja o Reino de Deus e a sua justiça, disse Ele: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? Ele é como a semente de mostarda que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos” E ainda: "Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

Ora, a Sabedoria divina sempre usa as coisas simples, isto é, do nosso dia a dia, para revelar a realidade eterna que nos cerca e que só a percebemos quando lhe damos a devida atenção, porque somente vendo para além da aparência é que enchergamos verdadeiramente a essência daquilo que contemplamos.

Conclusão: Pela leitura do Evangelho de hoje, vimos que o Senhor, durante sua trajetória neste mundo, contemplava as coisas simples como, por exemplo, José lançando as sementes de mostarda no jardim de sua casa e Maria sua mãe, preparando a massa para fazer os pães e bolos que servia nas refeições. De fato, é maravilhoso contemplar como Ele percebia esses detalhes do dia a dia, para assim nos ensinar com palavras simples, mas plenas de sabedoria, as verdades eternas tão presentes em nosso cotidiano.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018


Homilia do 30°Dom do tempo comum (28/10/18)(Mc 10,46-52).

Caríssimos, a vida natural quando vivida em Deus, é um reflexo da vida eterna, pois Deus nos deu a liberdade para crer Nele exatamente para fazermos em tudo a Sua Vontade, foi por isso, nos criou à sua imagem e semelhança, para que já aqui se cumprisse em nós essa Palavra de Jesus: "Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste." (Jo 17,21).

Ora, por onde o Senhor passou nas estradas deste mundo semeou as sementes do bem, da concórdia, da harmonia e da paz, próprias de um Filho de Deus. Mas, por que Ele não foi aceito e ainda por cima foi morto? Porque os pensamentos e o modo de agir dos homens diverge em tudo dos pensamentos de Deus, como bem enfatizou o profeta Isaías na sua profecia (cf. Is 55,7-10).

Muitos seguiram o Senhor enquanto lhes convinha; mas, pouquíssimos o seguiram, de fato, em seu caminho de cruz. O fato é que, quem não renuncia à si mesmo tomando sua cruz de cada dia, jamais pode ser discípulo do Senhor. No Evangelho de hoje, o cego Bartimeu ao perceber que o Senhor estava passando em sua via, não se deixou intimidar por aqueles que lhe queriam impedir de se aproximar do Senhor, pelo contrário invocou o seu Santo Nome pedindo o seu auxílio para depois segui-lo como seu discípulo.

Conclusão: Caríssimos, no encontro com o cego Bartimeu, Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” Ora, por meio dessa pergunta percebemos quanto Deus é generoso para conosco, não porque não saiba o que precisamos, na verdade, sempre que encontramos alguém em nossas necessidades criamos um vínculos de amizade que perdura com o bem partilhado. Portanto, é assim que Deus nos trata em seu amor de Pai, mantendo conosco um vínculo perpétuo de amizade, porque nos trata como seus filhos e filhas amados.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O SENTIDO DA LEI É O AMOR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,10-17)(29/10 /18).

Caríssimos, o legalismo é uma doença espiritual muito pior do que possamos imaginar, pois enrigesse a alma de tal forma que a impede de agir com sabedoria e bom senso; embora o legalista diga que só quer fazer se cumprir a lei, na verdade, por sua má interpretação, se põe em contradição por falta da caridade devida, e com isso se opõe ao próprio Deus, autor e consumador da Lei. É bem como escreveu São Tiago: "Quem julga a lei já não é observador da lei, mas seu juiz."

No Evangelho de hoje Jesus curou em dia de sábado uma mulher que há dezoito anos vivia encurvada por influência do maligno, mas logo foi contestado pelo chefe da Sinagoga, que disse: "Existem seis dias para trabalhar. Vinde, então, nesses dias para serdes curados, não em dia de sábado”.

Ao que Jesus replicou: "Hipócritas! Cada um de vós não solta do curral o boi ou o jumento, para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? Esta filha de Abraão, que satanás amarrou durante dezoito anos, não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?” E dizia-lhes: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado; e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado."

Caríssimos, todo argumento legalista já nasce envolto pela hipocrisia, pois lhe falta discernimento, caridade, misericórdia, bondade e todas as virtudes necessárias para se fazer o bem que se deve fazer. Ora, a função da lei, é conduzir as almas para Cristo e nesse encontro elas se tornam uma só com Ele no amor. Sem esse sentido a lei se torna letra morta, porque não cumpre sua missão devido a má interpretação lhe foi dada.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de outubro de 2018

SOMOS GALHOS FECUNDOS DA VIDEIRA DE CRISTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,1-9)(27/10/18).

Caríssimos, somos seres contingentes, vivemos no mundo dos limites e por consequência também num mundo de tragédias causadas por nós mesmos, seja pela agressão à natureza, seja pela agressão uns aos outros. E com isso, vivemos a mesma condição de mortalidade dos demais seres, visto que a morte é uma realidade que se abate sobre todos.

Todavia, dada essa nossa limitada condição, no Evangelho de hoje Jesus nos aponta a graça que nos liberta dela, à qual chamamos de conversão. Ora, essa graça dada por Deus, muda totalmente nossa mentalidade, vejamos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito."

De fato, a conversão é um ato de mudança radical em nosso comportamento que nos leva à um viver fecundo pleno dos frutos do Espírito Santo. É bem como meditamos na Carta aos Filipensses: "Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor. Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a palavra da vida."

Conclusão: Caríssimos irmãos e irmãs, aqui então devemos nos perguntar: que tipo de planta somos? Ou seja, que sentido damos ao nosso viver? De fato, uma vida sem sentido é planta infecunda que só ocupa espaço e não dá fruto algum; pelo contrário, quando vivemos em Cristo, somos galhos fecundos de sua videira produzindo frutos de vida eterna advindos de sua seiva.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

LER OS SINAIS DOS TEMPOS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,54-59)(26/10/18).

Caríssimos, o verdadeiro sentido da vida nos é dado por Deus em seu Filho, Jesus Cristo, para vivermos por Ele a nossa filiação divina aqui e eternamente no Reino dos céus. Pois a maior alegria da alma é ver a Deus face a face. De fato, sem essa graça a vida perde todo sentido de ser, pois, como reza o salmista: "Só em Deus a minha alma tem repouso, porque Dele é que me vem a salvação!"

No Evangelho de hoje, o Senhor nos mostra que, no mais das vezes, os homens se tornam peritos nas coisas do mundo, e não nas coisas que dizem respeito a Deus, e com isso, se tornam hipócritas, porque deixam o essencial que lhes mantém na vida, pelas coisas banais que lhes afasta da filiação divina.

Ora, a vida em estado de graça consiste em renunciar à si mesmo para viver sem pecado algum, ou seja, fazendo em tudo a vontade de Deus. No entanto, por causa das tentações, muitos me dirão: ora, isso é quase impossível; todavia, em contra partida, São Paulo nos ensina: "Onde abundou o pecado, superabundou a graça. Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela."

Conclusão: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!" Com isso, entendemos que viver em estado de graça é viver em Cristo Eucarístico praticando tudo aquilo que o Espírito Santo nos dá a praticar, como está escrito: "Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

MINHA PAZ VOS DOU...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,49-53)(25/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra divisão quando soada sem a devida compreensão choca qualquer um que a escuta, porque tudo o que divide no mal sentido tira a coesão, a unidade, a comunhão. Por isso, precisamos compreender bem o que Jesus nos quer dizer no Evangelho de hoje, porque ao pronunciar esta palavra (divisão) se refere aos que têm e aos que não têm comunhão com Ele.

De fato, vivemos num mundo dividido que gera consequências para os dois lados dessa divisão. Os que cultivam o ódio, a violência, o desrespeito, a intolerância para com o proximo, jamais aceitarão ser seguidores de Cristo, porque seguir a Cristo significa ser fiéis ao seus ensinamentos à começar pela renúncia de si mesmo, pela prática do amor fraterno, pelo perdão dado e recebido e pela prática das obras de misericórdia.

Caríssimos, a paz de Cristo difere da paz do mundo em todos os sentidos; enquanto o mundo semear essa cultura insana de violência, de agrecividade e de morte, jamais haverá paz na face da terra. A paz que vem do Senhor é fruto do amor à Ele a cima de todas as coisas e ao próximo como à si mesmo; é fruto do perdão dado e recebido; é puro dom do Espírito Santo.

Portanto, escutemos então o Senhor: "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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