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domingo, 31 de março de 2019

PARÁBOLA DO PAI MISERICORDIOSO...


Homilia do 4°Dom da Quaresma (Lc 15,1-3.11-32)(31.03.19)
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Caríssimos, o 4° Domingo da Quaresma é também chamado de domingo "Laetare" que significa alegria, pois nele se faz memória da libertação do povo eleito que deixa seu êxodo e toma posse da terra prometida; para nós cristãos que em Cristo também fazemos parte do povo consagrado ao Senhor, nos alegramos com a proximidade da Páscoa que é a nossa libertação do pecado e da morte, isto é, nossa tomada de posse da vida eterna advinda da Ressurreição de Jesus.
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A primeira leitura traz a memória da primeira Páscoa que o povo Hebreu celebrou na terra prometida; e ela começa com a proclamação desse fato histórico como meditamos nas palavras do Senhor ditas à Josué: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”. Na segunda leitura São Paulo faz memória da nossa libertação em Cristo e convoca à todos os que ainda não a experimentaram à retornaram do cativeiro do pecado à misericórdia e ao perdão que o Senhor oferece à todos aqueles que se convertem.
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Caríssimos, o Santo Evangelho de hoje dá um banho de misericórdia em nossas almas, pois nele Jesus nos conta a parábola do Pai misericordioso que ama seus filhos mesmo quando estes se afastam do seu convívio e do seu amor. Façamos, então, uma analogia entre os personagens dessa parábola e nós que ainda vivemos em meio ao êxodo deste mundo.
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O Pai misericordioso é Deus que cheio de compaixão espera com paciência a volta dos filhos pródigos que se apossaram da herança da vida e a estragam por meio dos pecados que os levam à mais triste condição, ou seja, a ausência do aconchego de seu Pai. Todavia, felizes são aqueles que como o filho da parábola se arrependem e voltam. O segundo filho, representa aqueles que vivem de algum modo a fé, mas se tornam intransigentes e não aceitam a volta dos filhos pródigos.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 30 de março de 2019

ORAÇÃO E HUMILDADE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(30.03.19)
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Caríssimos, como vimos nos pequenos sermões passados, a quaresima é o tempo favorável para o nosso retiro pessoal onde nele encontramos Deus, nosso Pai e nos entregamos à Ele para o bem de todos. Com efeito, todo retiro é um exercício espiritual de conversão que nos proporciona o crescimento na graça e no conhecimento da vontade do Senhor que por sua vez nos conduz à partilhar esses dons com os demais irmãos e irmãs por meio da vivência da fé.
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Mas, atenção, para não perdermos o sentido essencial do retiro que é a nossa permanência no Senhor para assim o transparecer por meio de nossos atos; pois, se sedermos à tentação de axaltarmos à nós mesmos e não ao Senhor, como vimos no Evangelho de hoje, cairemos no pecado da hipocrisia e não colheremos nenhum fruto de conversão.
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Ora, a oração não é meio para exaltação de si mesmo ou de pretensas virtudes, mas de comunhão com a vontade de Deus reconhecendo que tudo pertence a Ele e que não somos dignos nem de erguer a cabeça para o Seu Altar uma vez que somos pecadores em busca de Sua Divina Misericórdia.
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Conclusão: Oremos: Senhor aqui estamos para nos depositar em Ti, sabemos que a vida natural é curta, mas nessa nossa naturalidade podemos fazer a tua vontade e vivê-la para além do tempo por toda a eternidade junto de Ti a quem amamos incondicionalmente. Por isso, Senhor, faz de nós instrumentos do teu amor para que te glorifiquemos neste mundo e no para sempre do teu Reino. Pedimos-te humildemente, recebe a nossa disponibilidade para que a verdade prevaleça em todos os sentidos de nossa vida e de toda criação. Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 29 de março de 2019

O AMOR É A ÚNICA RAZÃO DE NOSSA EXISTÊNCIA NO MUNDO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(29.03.19)
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Caríssimos irmãos e irmãs, esse nosso mundo é um mundo de contrastes, um mundo dividido onde percebemos mais os males advindos do pecado do que o bem praticado em obediência à vontade de Deus expressa nos seus mandamentos e na vida de Seu Filho, Jesus Cristo. Na verdade, ainda estamos aqui por pura misericórdia do Senhor, pois se Ele punisse os homens em proporção aos pecados por eles praticados nenhuma criatura existiria mais na face da terra.
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Mas, por que o Senhor nos ama tanto assim? Por causa do sacrifício do Seu Filho, como Ele nos ensinou no Evangelho de São João: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele."
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De fato, com a primeira vinda de Cristo e o envio do Espírito Santo, este mundo está sendo preparado para o estabelecimento definitivo do Reino de Deus que se dará com a sua segunda vinda, nela acontecerá o Juízo final. Com efeito, são três os pontos que fundamentarão esse Justo Juízo, como veremos a seguir: "O Espírito Santo convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado."
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Conclusão: Caríssimos, o Evangelho de hoje nos traz a compreensão de que a única razão de nossa existência no mundo é o amor a Deus e ao próximo como à nós mesmos, bem como nos ensinou São Paulo: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei." Desse modo, quem ama como o Senhor nos ensina nunca permite o pecado em sua vida, porque pecar é não amar a Deus e nem seus filhos e filhas.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 28 de março de 2019

O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(28.03.19)
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Caríssimos, se perguntar-nos, é possível viver neste mundo sem cometer pecados? Que resposta daremos? Todo pecado é uma ofensa a Deus, ao seu amor, à sua santidade; na verdade, é um desligar-se Dele, e se perder nas trevas do pecado cometido. Ora, Deus não nos criou para o pecado, mas sim para participarmos do louvor de Sua glória. Pois, todo pecado é sinônimo de infelicidade, uma vez que nele não existe nada que se aproveite.
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Com efeito, muitos dizem "eu pequei porque sou franco," e com isso querem justificar o pecado cometido negando a permissão que deram para comete-lo. Por isso, não são isentos de culpa; mas, o Senhor, que é misericordioso e compassivo, sempre perdoa àqueles que se arrependem e não querem mais viver nas trevas do pecado, pois, como escreveu São João: "Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu."
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A liturgia de hoje trata do único pecado que jamais será perdoado, isto é, a blasfêmia contra o Espírito Santo, que consiste em afirmar que a obra do Espírito Santo é obra do Maligno. De fato, quem comente tal pecado nunca se arrepende e por isso, não tem como ser perdoado. Os filhos de Deus jamais cometem esse pecado, porque são conduzidos pelo Espírito Santo (cf. Rm 8,14).
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Conclusão: Caríssimos, escutemos com devida atenção o que nos diz o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha. Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro." (Mt 12,30-32).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 27 de março de 2019

NÃO VIM PARA ABOLIR A LEI E OS PROFETAS, MAS PARA LHES DÁ PLENO CUMPRIMENTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(27.03.19)
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Caríssimos, a Palavra de Deus presente nas Sagradas Escrituras é a Sua Voz por escrito; quem a vive, a proclama com perfeição tornando-se seu autêntico porta voz. Pois, "A Palavra de Deus é a Verdade; Sua Lei, liberdade." Uma alma repleta de Sua Santa Palavra santifica-se cada vez que a pronúncia pondo-a em prática. É bem como nos ensinou São Tiago: "Aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder."
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Ora, o Senhor tudo criou com perfeição por meio de Sua Santa Palavra, e isto está presente nos mínimos detalhes que Ele nos revela ao contemplamos as suas criaturas, de modo que ninguém fora de sua vontade pode reproduzir tal perfeição.
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Por exemplo, o Senhor nos deu dois olhos, dois ouvidos e todos os outros sentidos com os quais percebemos e discernimos naturalmente o que nos convém. Também nos deu espiritualmente a consciência como o coração de nossa alma, por ela conhecemos o bem e o mal, e por meio do livre arbítrio decidimos o nosso modo de ser que significa viver segundo os seus mandamentos ou não.
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Dito isso, meditemos com as palavras de São Tiago: "Já o sabeis, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar; porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia e recebei com mansidão a palavra em vós semeada, que pode salvar as vossas almas."
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Conclusão: Caríssimos, Jesus, no Evangelho de hoje, nos ensina: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 26 de março de 2019

O DOM DE PERDOAR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(26.03.19)
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Caríssimos, a oração é a graça de todo momento, pois, sempre podemos recorrer à esse dom do Espírito Santo para encontrarmos o Senhor, a sua santa Mãe, nossos intercessores, e também para exercitarmos todos os dons e as outras práticas de nossa fé. Por exemplo, a liturgia de hoje trata do perdão como uma fonte de libertação e de paz e é exatamente por meio da oração que o vivenciamos e experimentamos esses frutos do Espírito do Senhor.
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Ora, toda pessoa batizada é templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16) e por isso mesmo não pode ser habitada por nenhum pecado, desse modo, entendemos que as tentações nada mais são do que a voz do maligno querendo ocupar o espaço que não lhe pertence em nossas almas, pois não pode entrar por si mesmo, depende sempre do consentimento de nosso livre arbítrio; porque, de fato, não existe pecado sem a aceitação consciente da tentação que o gera.
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Com efeito, se fizermos uma pesquisa bíblica, ou nos documentos da Igreja e na historia dos santos constataremos que todas as ações salvíficas tiveram na oração a sua eficácia comprovada, à começar pelo Senhor que tudo realizou em comunhão com a vontade do Pai por meio do dom da oração. Vejamos: "Nos dias de sua vida mortal, [Jesus] dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade."
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Conclusão: Caríssimos, como nos ensinou o Senhor, perdoar é amar, é fazer a vontade do Pai, isto porque o perdão é um dom de Deus e é Ele mesmo quem perdoa quando o exercitamos em seu Nome pelo dom da oração. Pois, foi isso o que o Senhor nos disse: "Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 25 de março de 2019

SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR...


Solenidade da Anunciação do Senhor (Lc 1,26-38)(25.03.19)
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Caríssimos, a Anunciação do nascimento de Jesus, o Filho de Deus, é o acontecimento mais esperado de todos os tempos, pois significa que Deus se fez homem para nos fazer participantes de sua natureza divina. E tudo isso com a participação direta da Virgem Maria que ao receber a visita do Anjo Gabriel escutou com profunda devoção e surpresa o divino convite e o aceitou dizendo o sim mais esperado pela humanidade, porque nesse momento o Espírito Santo gerou Jesus no seu ventre e assim se cumpriu todas as profecias à respeito de sua vinda.
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Caríssimos, vejam a grandeza de tão sublime revelação, Jesus Cristo é Deus conosco, como profetizou Isaías (cf. Is 7,14), ou seja, é Deus porque nasce de Deus, isto é, gerado pelo Espírito Santo; é humano porque nasce de Maria, a mulher escolhida por Deus para ser a Mãe do Seu Filho. Assim, o Senhor une a sua natureza divina à nossa natureza humana para nos libertar para sempre do pecado e do resultado do pecado, o inferno.
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Em outras palavras: "A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina." (São Leão Magno).
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Oremos: "Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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