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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A LÓGICA DO AMOR...


A LÓGICA DO AMOR...

“Deus é amor”. (1Jo 4,8).

O amor ama mesmo quando não é amado, porque o amor é o próprio Deus; creio que atualmente poucas pessoas têm esse entendimento sobre o amor; isto porque para muitos o amor é apenas um sentimento, quando na verdade ele é a essência da vida, e tudo o que não é movido por ele, não perdura por muito tempo. Ora, não há felicidade onde o amor não é amado, onde o amor não é vivenciado ou cultivado pelas almas apaixonadas, que desapegadas das coisas que passam, abraçam fervorosamente as que não passam.

Quem ama de verdade só ama porque experimenta o amor de Deus; não existe amor onde Deus não se faz presente; mas, onde Deus não se faz presente? No coração daqueles que o negam com suas palavras e/ou suas atitudes e obras. Uma alma que nega Deus jaz na morte, porque quem não ama a Deus, não o conhece e nem se deixa amar por Ele que é Vida Eterna. Certa feita, uma pessoa de quem não fiz sua vontade carnal me insultou, dizendo: eu te odeio. Ao que lhe respondi: já sei por que és infeliz, porque não amas. Ela então me disse: eu não amo você, mas amo outras pessoas. Novamente lhe respondi: não pode uma mesma fonte jorrar água podre e água pura; o amor é água cristalina; o ódio é lama pútrida que envenena a alma e mata todos os desejos de felicidade que se almeja nesta vida. E novamente me disse ela, depois de certo tempo em silêncio: sabes que tens razão! De fato, não existe amor nem felicidade sem Deus, isto porque Deus é o único Amor que gera a felicidade eterna.

Escrevendo sobre o amor, assim se expressou São João: ”Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito”. (1Jo 4,7-12).

Também São Paulo escreveu uma das páginas mais linda da Bíblia sobre o amor, que se tornou um hino ao amor, ele o começa dizendo: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria! O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará”. (1Cor 13,1-8a).

Então, qual é a lógica do amor? O amor não precisa de lógica para se expressar, porque tudo o que existe, existe como expressão do amor de Deus. A falta de lógica é não amar a Deus sobre todas as coisas, é não corresponder ao Seu Amor Eterno. É por isso que a maior parte dos homens vive mergulhada no inferno, porque deixou de amar, a Deus primeiramente, e ao próximo como a si mesmo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

Os Salmos: a anatomia da alma humana

Os salmos constituem uma  das formas mais altas de oração que a humanidade produziu. Milhões e milhões de pessoas, judeus, cristãos e religiosos de todas as tradições, dia a dia, recitam e cantam salmos, especialmente os religiosos e religiosas e os padres no assim chamado “ofício das horas”diário.

David tocando harpa.
Saltério Egbert. ca. 980d.C.
Não sabemos exatamente quem seus autores, pois eles recolhem as orações que circulavam no  meio do povo. Seguramente muitos são de Davi (século X a.C). É considerado, por excelência, o protótipo do salmista. Foi pastor, guerreiro, profeta, poeta, músico, rei e profundamente religioso. Conquistou o Monte Sion dentro de Jerusalém e lá, ao redor da Arca da Aliança, organizou o culto e introduziu os salmos.

Quando se diz “salmo de Davi” na maioria das vezes significa: “salmo feito no estilo de Davi”. Os salmos surgiram no arco de quase mil anos, nos lugares de culto e recitados pelo povo até serem recopilados na época dos Macabeus no século II.a.C. O saltério é um microcosmo histórico, semelhante a uma catedral da Idade Média, construída durante séculos, por gerações e gerações, por milhares de mãos e incorporando as mudanças de estilo arquitetônico das várias épocas. Assim há salmos que revelam diferentes concepções de Deus, próprias de certa época, como aqueles, estranhas para nós, que expressam o desejo de vingança e o juízo implacável de Deus.

Os salmos testemunham a profunda convicção de que Deus, não obstante habitar numa luz inacessível, está em nosso meio, morando como que numa tenda (shekinah). Podemos chegar a Ele, em súplicas, lamentações, louvores e ações de graças. Ele está sempre pronto para escutar.

O lugar denso de sua presença é o Templo onde se cantam os salmos. Mas como Criador do céu e da terra, está igualmente em todos os lugares, embora nenhum possa contê-lo.

Com razão, se orgulhavam os hebreus dizendo: “ninguém tem um Deus tão próximo como nós”! Próximo de cada um e no meio de seu povo. Os salmos revelam a consciência da proximidade divina e do amparo consolador. Por isso há neles intimidade pessoal sem cair no intimismo individualista. Há oração coletiva sem destituir a experiência pessoal. Uma dimensão reforça a outra, pois cada uma é verdadeira: não há pessoas sem o povo no qual estão inseridas e não há povo sem pessoas livres que o formam.

Ao rezar os salmos, encontramos neles a nossa radiografia espiritual, pessoal e coletiva. Neles identificamos nossos estados de ânimo:  desespero e alegria, medo e confiança, luto e dança, vontade de vingança e  desejo de perdão, interioridade e fascinação pela grandeza do céu estrelado. Bem o expressou o reformador João Calvino (1509-1564) no prefácio de seu grandioso comentário aos salmos:

“Costumo definir este livro como uma anatomia de todas as partes da alma, porque não há sentimento no ser humano que não esteja aí representado como num espelho. Diria que o Espírito Santo colocou ali, ao vivo, todas as dores, todas as tristezas, todos os temores, todas as dúvidas, todas as esperanças, todas as preocupações, todas as perplexidades até as emoções mais confusas que agitam habitualmente o espírito humano”.

Pelo fato de revelarem nossa autobiografia espiritual, os salmos representam a palavra do ser humano a  Deus e, ao mesmo tempo, a palavra de Deus ao ser humano. O saltério serviu sempre como  livro de consolação e fonte secreta de sentido, especialmente quando irrompe na humanidade o desamparo, a perseguição, a injustiça e a ameaça de morte. O filósofo francês Henri Bergson (1859-1941) deu este insuspeitado testemunho:”Das centenas de livros que li nenhum me trouxe tanta luz e conforto quanto estes poucos versos do salmo 23: O Senhor é meu pastor e nada me falta; ainda que ande por um vale tenebroso, não temo mal nenhum, porque Tu estás comigo”.

Um judeu, por exemplo, cercado de filhos, era empurrado, para as câmaras de gás em Auschwitz. Ele sabia que caminhava para o extermínio. Mesmo assim, ia recitando alto o salmo 23: “O Senhor é meu pastor…Ainda que eu ande pela sombra do  vale da morte, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo”. A morte não rompe a comunhão com Deus. É passagem, mesmo dolorosa, para o grande abraço infinito da paz eterna.

Por fim, os salmos são poesias religiosas e místicas da mais alta expressão. Como toda poesia, recriam a realidade com metáforas e imagens tiradas do imaginário. Este obedece a uma lógica própria, diferente daquela da racionalidade. Pelo imaginário, transfiguramos situações e fatos detectando neles sentidos ocultos e mensagens divinas. Por isso dizemos que não só habitamos prosaicamente o mundo, colhendo o sentido manifesto do desenrolar rotineiro dos acontecimentos. Habitamos também poeticamene o mundo, vendo o outro lado das coisas e um outro mundo dentro do mundo de beleza e de  encantamento.

Os salmos nos ensinam a habitar poeticamente a realidade. Então ela se transmuta num grande sacramento de Deus, cheia de sabedoria, de admoestações e de lições que tornam mais seguro nosso peregrinar rumo à Fonte. Como bem diz o salmista: “quando caminho entre perigos, tu me conservas a vida…e estás  até o fim a meu favor” (Salmo 138, 7-8).

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA FÉ...



A LÓGICA DA FÉ...


O que é acreditar? Em se tratando da nossa naturalidade, crê é se mover dentro dos limites de nossas capacidades para fazer acontecer, como fruto do nosso trabalho, quer intelectual, científico, físico, etc., aquilo que almejamos e planejamos para o bem estar de todos. Porém, quando tratamos de nossas almas, aí passamos da realidade exterior, isto é, do nosso habitat natural com suas leis e possibilidades, para a realidade interior, espiritual, mística; onde acreditar é se unir a Deus e permanecer Nele para fazer acontecer sua vontade que significa a perfeição eterna que o Senhor nos proporciona, por meio da fé, no seu poder criador e restaurador de todas as coisas. Pois quando digo: “creio Senhor”, o digo movido por sua graça que me faz viver segundo sua vontade, tornando minha realidade também a sua; fazendo-me compreender que sou seu filho no seu Filho Jesus Cristo, que por sua morte de cruz, realizou seu eterno plano de amor para a nossa salvação.

Certa feita, alguém me perguntou: Frei, eu vou ser salva de quê? Também lhe perguntei: estás satisfeita com todo o mal que se encontra no mundo atualmente? Fome, peste, guerras, tragédias naturais causadas pela degradação da natureza; tráfego de drogas, de armas, de pessoas; trabalho escravo; opressão de toda espécie; maldades incontáveis; perversões contra os bons costumes, corrupções, destruição dos valores humanos, etc.? De fato, vivemos uma cultura de morte sem precedentes, nunca se matou tanto como nesse nosso tempo; seja pela guerra entre nações, seja pela guerra urbana, isto é, nas grandes e pequenas cidades, onde a bandidagem se multiplica dia a dia; seja pela guerra no trânsito em nossas rodovias ou não; seja pelas doenças incuráveis ou outras igualmente letais; seja pelos vícios e paixões desordenadas; seja ainda pela violência doméstica, que faz vítimas e mais vítimas a cada segundo, etc. etc. etc...

Realmente, precisamos da fé, dom de Deus, para permanecermos Nele e mudar o que está destruindo nossas famílias e nossa sociedade como um todo; e isso é possível mediante a conversão aos valores cristãos, pois somente Jesus Cristo em cada um de nós pode realizar a transformação necessária, para termos paz neste mundo. Sem o acolhimento de sua vontade essa realidade que está aí vai piorar até se tornar um abismo sem volta. Para que isso não aconteça é necessário ouvirmos o Senhor e praticarmos o que Ele nos ensina: Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”. (Mt 7,13-14). E ainda: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”. (Mt 6,33-34).

Com efeito, o Senhor também já nos havia alertado sobre a perca da fé, dizendo: Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). A fé é graça do Espírito Santo, no coração e na alma dos batizados, ela age perfeitamente nos unindo ao Senhor Jesus, para que demos testemunho da sua real presença conosco no mundo e por Ele agirmos em todo o nosso proceder, como nos ensinou São Paulo: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl 3,17). E ainda: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor”. (Cl 3,23-24).

Ora, “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se um só morreu por todos, logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu. Por isso, nós daqui em diante a ninguém conhecemos de um modo humano. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não o julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2Cor 5,14-17).

Portanto, “Tudo é possível ao que crê”, (Mc 9,23), disse Jesus, o Filho de Deus; logo, esse dom de crê vai muito além da finitude da compressão racional, porque a razão precisa sempre de evidências para aceitar o que é além do que pode compreender; enquanto que a fé produz a evidência de que a razão não é capaz mesmo com o raciocínio lógico. Desse modo, a lógica da fé consiste no transpor a natureza das coisas e da própria razão, fazendo acontecer as evidências necessárias ao aliar amor, confiança, esperança e determinação, que são valores eternos intrínsecos presentes na alma humana, para produzir os efeitos desejados pela fé. Ou seja, é a alma humana aliada à Deus presente nela que faz acontecer pela fé a vontade de Deus, isto é, a perfeição de todas as coisas. Assim, compreendemos que a fé natural nada é sem Deus, porque mesmo sendo inata precisa da graça do Senhor para ter o poder que tem de vencer os limites e realizar o que a razão não pode por si mesma. Crer é amar a Deus e se unir a Ele pelo amor, é obedecê-lo em tudo para que se cumpra a sua vontade em nossa vida, aqui e eternamente em sua glória. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 18 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA GRAÇA...


A LÓGICA DA GRAÇA...

Tudo o que é autêntico, é verdadeiro, é honesto, é bom, é puro e nos foi dado somente para o bem. Assim é a vida e tudo o que a mantém; perder essa autenticidade é perder tudo é perder a própria vida. E quando perdemos tudo até a própria vida é porque perdemos Deus, pois nenhuma criatura subsiste por muito tempo sem a graça de Deus.

No princípio Deus criou todas as coisas e por fim criou o homem e a mulher como “imagem e semelhança” sua, e isto num paraíso; deu-lhe o perfeito estado de graça que consistia viver em comunhão com Ele, seu Criador e Pai; e para que não perdesse esse estado de graça deu-lhe o dom do trabalho e o único preceito: Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.” (Gn 2,16). Desse modo, o homem tinha todos os bens para fazer uso fruto deles; e deu-lhe o estado de graça permanente, a visão beatífica do Senhor, e o poder de governar a terra, como um paraíso, contanto que obedecesse e assim se multiplicasse, permanecendo fiel ao Boníssimo Senhor e Deus de toda vida.

Mais aí veio a tragédia do pecado e o inferno que ele trouxe para dentro do homem e para todas as suas ações. Assim o homem começou a governar a terra a partir do pecado, e o seu estado de alma ficou comprometido pela presença e o domínio do inimigo, pois toda vez que o homem peca, fica submetido e oprimido pelo mal que praticou; como o Senhor mesmo disse: “Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo”. (Jo 8,34).

Com efeito, como Deus não deixa inacabada a obra de suas mãos, por isso, não deixou o homem a mercê do pecado nem do inimigo que lhe transmitiu tal pecado, mas enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, para nos libertar do castigo da morte que o pecado trouxe, e do inferno no qual o homem se precipitou quando se submeteu ao mal pela desobediência praticada. É exatamente isso que nos ensinou São Paulo na carta aos Romanos: ”De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito”. (Rm 8,14).

Todavia é preciso que nos deixemos conduzir pelo Espírito Santo, do qual nascemos no Batismo, para que não voltemos à prática do pecado que é porta de entrada do mal em nossa vida. Pois assim escreveu, São Paulo, nessa mesma carta: “Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,12-14). Ou seja, o Batismo nos conferiu o estado de graça perfeito, que antes tinha sido perdido no paraíso por Adão e Eva; e nos conferiu a participação na natureza divina, e o dom do Espírito Santo para nos conduzir à plena comunhão com a vontade de Deus, isto é, à perfeita obediência vivida e ensinada por Jesus Cristo, nosso Senhor, e Salvador de nossas almas.

Portanto, o homem foi criado em estado de graça para viver em estado de graça permanentemente, isto é, para viver fazendo sempre a vontade de Deus. Como ele perdeu esse estado de graça pela desobediência, Deus mesmo veio ao seu encontro por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, “que foi obediente até a morte e morte de cruz”, para que o homem voltasse a fazer, por meio dele, a sua santa vontade e assim obtivesse a vida eterna em um novo paraíso, o Reino dos Céus. Logo, não há autenticidade na vida se a vontade de Deus não é vivida. Pois, quem faz a vontade de Deus, expressa em seus mandamentos, tem a Deus no comando de sua vida e de suas ações, e tudo o que empreende prospera, porque tudo o que é comandado pela sabedoria divina, é obra autêntica das mãos de Deus, que leva o homem à realização completa e à felicidade plena aqui e eternamente no Reino dos céus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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