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quarta-feira, 1 de abril de 2026

É horrível a ganância e a frieza de um traidor...

 QUARTA-FEIRA SANTA (Mt 26,14-25)(01/04/26)

1. Caríssimos, a quarta-feira da Semana Santa, é o dia em que se encerra o período quaresmal. Em algumas igrejas, celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos, com Nossa Senhora das Dores. E também algumas igrejas celebram o ofício das trevas, lembrando que o mundo já estava em trevas quando da proximidade da morte de nosso Senhor Jesus Cristo.

2. O evangelho de hoje, narra a traição de Judas, descrevendo como este foi ter com os chefes dos sacerdotes, a quem se ofereceu para trair o Senhor Jesus. Aceitando trinta moedas de prata, o preço de um escravo fugitivo, como recompensa da sua traição.

3. Meditando este Evangelho o que aprendemos para não cair na mesma tentação de Judas? Ora, a traição é o tipo de comportamento em que o ser humano perde completamente o senso do amor fraterno, gerando, com isso, o desprezo do próximo, digamos que é um mergulho no mais profundo da maldade, por isso, leva ao desespero o infrator que a comete.

4. ​Ora, é interessante notar que Judas conviveu intimamente com o Mestre, presenciando seus milagres e ensinamentos de amor, e ainda assim escolheu a traição. Isso revela a profundidade do livre-arbítrio; e quanto a falta de vigilância leva à perda do mesmo. 

5. De fato, Deus não anula a nossa vontade, mesmo quando decidimos seguir caminhos de autodestruição; a traição não foi algo imposto, mas uma escolha cultivada no silêncio do coração do traidor. Ou seja, quem se desliga do essencial que recebe, perde a perfeita comunhão com Deus seu doador. O inferno nada mais é do que a total ausência de Deus na alma.

6. Por fim, vemos nessa narração uma advertência severa sobre o destino do traidor, afirmando que "teria sido melhor não ter nascido". Ora, aqui não se trata de uma condenação vingativa, mas de uma constatação da tragédia existencial de quem se fecha totalmente ao amor e ao perdão.

7. Destarte, a traição de Judas serve como um espelho para as nossas traições pessoais, convidando-nos à vigilância e à lealdade. Lembrando-nos que a eternidade que desejamos, nós a estamos vivendo a partir das nossas escolhas e decisões usando para isso o nosso livre arbítrio.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 31 de março de 2026

É DURO POR DEMAIS SER TRAÍDO...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 13,21-33.36-38)(31/03/26)

1. Caríssimos, a experiência de saber-se traído por um daqueles que havia escolhido para dar prosseguimento ao Seu Plano salvífico para a humanidade, foi realmente um duro golpe que o Senhor Jesus sofreu. Ora, por esse exemplo vemos que Deus sempre chama os seus escolhidos para permanecerem fiéis ao Seu Plano de salvação; mas, nem sempre estes se mostram à altura de tamanho chamado.

2. De fato, quando não há correspondência ao chamado do Senhor, facilmente se muda de lado passando a servir o inimigo de Deus e de nossas almas; e desse modo, o maligno toma posse de tais almas infiéis, levando-as não somente à traição, mas também ao desespero e à morte, geralmente trágica, como vimos acontecer com Judas Escariotes.

3. No entanto, como também vimos nesse mesmo Evangelho, não obstante a traição de Judas, o Senhor Jesus deu continuidade à Sua Obra salvífica, instituindo o Sacramento da Santa Eucaristia, o Sacerdócio ministerial e a Santa Missa. Ou seja, os meios pelos quais o seu Plano de salvação se realiza em nossa vida; porém, cabe a nós a adesão e a perseverança nestas graças que Dele recebemos.

4. Portanto, caríssimos, acompanhemos com devoção e amor o Senhor nestes que foram os seus últimos dias de estadia conosco, como um de nós; ainda que pela fé tenhamos consciência de que Ele permanece sempre conosco no Grande Mistério da Eucaristia, na pessoa de seus fiéis ministros, como também em cada um dos nós que o recebemos na Santa comunhão.

5. Decerto, sabemos que o desfeixe final da presença dos seres humanos neste mundo se aproxima e não tem como duvidar disso. Todavia, pela graça do Sacrifício de Cristo fomos perdoados e pelo Espírito Santo preparados para vencermos todas as batalhas espirituais contra o pecado e o demônio, autor do pecado; "contanto que soframos com Cristo, para que também com ele sejamos glorificados." (Rm 8,17).

6. Na Carta aos Hebreus, Deus nos ensina como nos unirmos a Cristo, para que seguindo o seu exemplo nos tornemos por meio Dele vencedores dessa luta em que estamos. Diz Ele: "Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. 

7. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo. Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado. Levantai, pois, vossas mãos fatigadas e vossos joelhos trêmulos (Is 35,3). Dirigi os vossos passos pelo caminho certo. Os que claudicam tornem ao bom caminho e não se desviem." (Hb 12,1-4.12-13). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Felizes são aqueles que deixam tudo para seguir Cristo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 12,1-11)(30/03/26)

1. Caríssimos, a liturgia desta segunda-feira da semana santa, começa com o cântico do servo de Deus, presente na profecia de Isaías. “Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz minh’alma; pus meu Espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos”.

2. Ora, vivemos em meio à criação que por um lado manifesta o infinito poder de Deus e o seu amor, pois todas as coisas são boas, belas, perfeitas; mas, por outro lado, nos deparamos com a nossa impotência, como vimos ainda nesta mesma profecia: 

3. "Isto diz o Senhor Deus, que criou o céu e o estendeu, firmou a terra e tudo que dela germina, que dá a respiração aos seus habitantes e o sopro da vida ao que nela se move..." Ou seja, somos realmente apenas um sopro; digamos um pequeníssimo grão de areia no mar sem fim da obra da criação.

4. E no entanto, Deus nos ama de tal modo que nos enviou o Seu único Filho para expiar os nossos pecados e nos fazer habitantes do mundo novo que virá, aonde o mal não mais existirá; aonde somente o amor e a bondade serão a regra de vida a ser seguida por toda eternidade. 

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi convidado para um jantar na casa de Lázaro, a quem havia ressuscitado dos mortos. Estando à mesa, Maria, irmã do anfitrião, banhou seus pés com perfume de nardo e os enxugou com seus cabelos. Mas logo foi repreendida por Judas Escariótes com a desculpa de que esse dinheiro deveria ser dado aos pobres. 

6. Com efeito, o pecado de Judas, que, como enfatizou são João, era ladrão; pois, "tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela." Vem se repetindo ao longo da história; e mesmo os homens conhecendo a verdade, deixam-na de lado para seguirem apegados às coisas deste mundo, fingindo que não a conhecem.

7. Portanto, caríssimos, felizes são aqueles que deixam tudo, para seguirem fielmente o Senhor Jesus, portando a cruz de cada dia como ele portou a sua por nós. Que a nossa cruz de cada dia seja o nosso perfume mais precioso, ofertado Àquele que se entregou por nós, para nos dar a vida eterna que nenhum Judas Escariótes poderá roubar. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 29 de março de 2026

Homilia do Domingo de Ramos...


 Homilia do Domingo de Ramos (Mt 21,1-11; 27,11-54)(29/09/26)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, com o Domingo de Ramos a Igreja dá início à Semana Santa em que celebramos o maior acontecimento da história da humanidade; trata-se da paixão, do sofrimento, da crucifixão, da morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Ou seja, como Deus infinitamente poderoso se fez um de nós e carregou sobre Si todas as nossas dores, para nos fazer participantes de sua natureza divina. 
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2. De fato, ano após ano o Senhor Jesus nos dá a graça de fazermos memória destes acontecimentos pelos quais Ele nos libertou do pecado, da morte e do inferno, nos resgatando para a vida eterna. 

3. São Paulo, ao referir-se a esses acontecimentos, escreveu: "Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós." (Rm 5,6.8).
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4. Com efeito, por meio do sofrimento e da morte do Senhor Jesus na cruz, oferta de amor incondicional, Deus Pai fez resplandecer por sua ressurreição, o Seu Eterno Poder e por Ele fez novas todas as coisas nos dando o Espírito Santo para nos conduzir à plenitude da felicidade eterna no Reino dos céus. Por isso, é fundamental a nossa adesão e permanência em Cristo para nos atermos seguros da salvação que Dele recebemos.
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5. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus para que em meio às dificuldades que a nossa condição de pecadores nos impõe, celebremos com todo empenho e devoção a memória de Sua Paixão, morte e ressurreição para crescermos na graça, no conhecimento, no amor e na misericórdia de Deus, nosso Pai, e desse modo, vivermos em santidade e justiça todos os dias de nossa vida, à serviço daqueles a quem Ele nos enviar.

6. Destarte, Deus é fiel e nunca nos abandona em meio as mais diversas provações que padecemos na luta contra o pecado, como vimos na Paixão do Senhor; convictos de que um dia tudo isso vai ter fim, e que a sua Divina Misericórdia e justiça triunfarão sobre todo o mal; pois, somente Ele tem todo poder sobre o céu e a terra e também a última Palavra a ser pronunciada no dia do juízo final.

7. Em suma, o Domingo de Ramos é um convite divino para caminharmos com o Senhor Jesus da glória à cruz; transformando esta Semana Santa em uma verdadeira renovação interior. Que, ao celebrarmos Sua entrega total, possamos morrer para o pecado e ressuscitar com Ele para uma vida de serviço humilde e caridade fraterna.

8. Confiantes na vitória final do Senhor, deixemos que o Seu amor redentor converta nossas dores em esperança e nossa fé em um testemunho vivo da sua presença em cada um de nós.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 28 de março de 2026

Como alguém, Senhor Jesus, pode te ofender assim?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 11,45-56)(28/03/26)

1. Caríssimos, definitivamente precisamos compreender que na luta contra o pecado somente Deus pode vence-lo, foi para isso que Ele se fez homem por seu Filho e veio habitar no meio de nós. Como bem disse São João: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós... (Jo 1,1.14a).

2. Todavia, o Filho de Deus, pagou um preço altíssimo para nos resgatar do pecado e do poder do inferno, o seu sacrifício de cruz, como profetizou Isaías: "Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas." (Is 53,5).

3. No Evangelho de hoje depois de saberem que o Senhor Jesus havia ressuscitado Lázaro, o Conselho dos anciãos do povo, com base num falso argumento, decidiu pela morte do Filho de Deus alegando que se Ele continuasse a fazer os prodígios que estava fazendo todos iriam acreditar nele e então seria o fim de Israel por parte dos invasores Romanos, ou seja, isso não passa de uma trama ardilosa, pois, os Romanos detinham o poder e pouco ou nada davam importância as crenças dos seus dominados.

4. O fato é que tinham consciência do ato gravíssimo que cometiam contra a Lei, por julgar e condenar a morte um ser humano sem um justo julgamento, como vemos a seguir: "Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”

5. E são João observando disse: "Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos." (Jo 11,50-51). Ou seja, os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis, mesmo se os escolhidos não correspondam ao chamado. (cf. Rm 11,29).

6. E como notamos nesse episódio, todos os que aqui estamos cumprimos as Sagradas Escrituras, seja para a nossa salvação eterna, seja para a nossa condenação; o fato é, que todos compareceremos no Tribunal do Justo Juiz que julgará a todos no dia do juízo final. 

7. Portanto, caríssimos, preparemo-nos para o dia eterno, para o Justo juízo de Deus; é certo que ainda estamos no tempo da misericórdia como nos exorta são Paulo: "Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2Cor 5,20b; 6,2). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 27 de março de 2026

O que nos impede de ouvir e seguir o Senhor Jesus

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,31-42)(27/03/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, são João no começo do seu Evangelho, escreveu: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus." Sem dúvida alguma, o Senhor Jesus é a Palavra com a qual Deus Pai se dirige a nós diretamente. E são João continua: "Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." Isto é, o Verbo é a princípio e o fim de todas as coisas.

2. Mas, por que seus co-irmãos à quem o Senhor Jesus foi primeiramente enviado não o receberam? São João também nos responde: "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus." (Jo 1, 11). 

3. De fato, o que impede os homens de ouvirem o Senhor Jesus e acreditarem Nele são dois fatores. Primeiro, a própria vontade fechada em si mesma, impulsionada pelo livre arbítrio que decide tudo a partir de suas conveniências, aspirações, interesses, e o que o egocentrismo lhe dita. Segundo, o ato de julgar tudo e todos, inclusive o próprio Deus, sem nenhum discernimento ou bom senso para isto.

4. Certa feita disse o Senhor Jesus: "Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebê-lo... Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?" (Jo 5,43-44).

5. "Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10,32-33). 

6. Decerto, nenhum ser subsiste nem transpõe a própria natureza se não permanece em Cristo, porque permanecer Nele é fundamental para a salvação das nossas almas, como Ele mesmo nos exorta: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

7. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. (Jo 15,5-8).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Quem vive na mentira, jamais acolhe a verdade...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 8,51-59)(26/03/26)


1. Caríssimos, qual atitude teríamos diante do Senhor Jesus se o encontrássemos face a face tal qual o encontraram os judeus no seu tempo? De fato, sob o véu da Eucaristia o encontramos a cada Santa Missa, em cada adoração Eucarística, e quem sabe até muitos nem o percebem ou mesmo o ignoram ou são indiferentes. 

2. O fato é que, por falta de amor e por julgarem falsamente o Senhor os judeus queriam apedreja-lo. Ou seja, quando as pessoas se fecham em si mesmas, caem no pecado do julgamento temerário, tornando-se incapazes para a prática das virtudes eternas dentre elas a misericórdia, o amor ao próximo e a compreensão. 

3. Com efeito, o Senhor Jesus é realmente Deus conosco, o Messias, o enviado de Deus Pai prometido a Abraão, como vimos na primeira leitura; no entanto, apesar de todas as evidências demonstradas seja pelos sinais que realizava, quer por suas palavras que se cumpriam na íntegra, mesmo assim não foi recebido pelos os seus irmãos judeus, ao contrário, foi perseguido, humilhado e morto sem piedade alguma como se não fosse Deus.

4. O que dizer, então, de tão grande ingratidão, de onde ela vem? O Senhor mesmo responde: "Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra."

5. De fato, quem se deixa dominar pela mentira e faz dela a sua regra de vida jamais conhecerá a verdade, porque se deixou prender pelo maligno que passa a sugerir más intenções e perversas ações causando a ruína de quem as comete. 

6. No entanto, o Senhor Jesus é misericordioso ao infinito, paciente como só Ele pode ser, sabe esperar até que haja os que o acolham pelo arrependimento sincero e se convertam para conhecer a verdade que os liberta do pecado e do poder do inferno.

7. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus para pormos em prática a sua Palavra e aprendermos o silêncio que escuta e julga conforme a vontade de Deus. Pois, a submissão amorosa com a perfeita obediência e a perseverança alcançam todas as graças e bênçãos da sua divina benevolência. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 25 de março de 2026

E o Verbo de Deus se fez carne e habita no meio de nós....


 Solenidade da Anunciação do Senhor (Lc 1,26-38)(25/03/26)


1..Caríssimos, o Anúncio do nascimento de Jesus, o Filho de Deus, foi o acontecimento mais esperado de todos os tempos, pois significa que Deus se fez homem para nos fazer participantes de sua natureza divina. E tudo isso com a participação direta da Virgem Maria que ao receber a visita do Anjo Gabriel escutou com profunda devoção e surpresa o divino convite e o aceitou dizendo o sim mais esperado pela humanidade, porque nesse momento o Espírito Santo gerou o menino Jesus no seu ventre e assim se cumpriu todas as profecias à respeito de sua vinda.

2. Meditemos, então, a grandeza de tão sublime revelação: Jesus Cristo é Deus conosco, como profetizou Isaías (cf. Is 7,14), Ele é Deus porque nasce de Deus, gerado pelo Espírito Santo; é humano porque nasce de Maria, a mulher escolhida por Deus para ser a Mãe do Seu Filho. Assim, o Senhor une a sua natureza divina à nossa natureza humana para nos libertar do pecado e do resultado do pecado, a morte, e assim nos dar a vida eterna.

3. Comentando esta Solenidade escreveu são Leão Magno: "A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. 

4. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.

5. Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. 

6. Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-se participante dos nossos delitos."

7. Oremos: "Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém!

8. “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos à vós e por todos quanto à vós não recorrem de modo especial pelos inimigos da Santa Igreja e por aqueles que a vós estão recomendados.” Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 24 de março de 2026

Naturalmente não entendemos os sofrimentos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 8,21-30)(24/03/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, diante das dores e sofrimentos que padecemos, podemos até perguntar: por que Deus não usa a sua Onipotência para dar um basta na maldade espalhada na face da terra? 

2. De fato, nenhuma criatura humana ou angélica é capaz de responder à essa pergunta, mas somente o Senhor Jesus, que é Deus conosco, a responde por seu sofrimento de Cruz que significa amor incondicional, obediência perfeita, misericórdia infinita.

3. Na primeira leitura o povo rebelou-se contra Deus e seu servo Moisés, com isso, atraiu sobre si serpentes venenosas que os mordiam; e morreu muita gente. Porém, ao reconhecerem seu pecado rogaram a Moisés que intercedesse por eles: "Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”.

4. "Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. Ou seja, esse sinal significa que somente mediante a obediência da cruz a serpente maligna é vencida e extirpada das nossas almas definitivamente. 

5. Portanto, caríssimos, não existe outro caminho para o céu fora da Cruz de Cristo; ela é a porta de entrada no Paraíso, que se fechou pela nossa desobediência, mas foi aberta pelo sacrifício do nosso Salvador que se fez homem e obedeceu ao Pai até a morte e morte de cruz. 

6. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos." (Fil 2,9-10).

7. Destarte, por Sua Cruz, o Senhor Jesus sofreu pessoalmente as nossas dores e humilhações; todo tipo de perseguição e maldade; porém, tudo isso para nos resgatar e nos dar a felicidade eterna que jamais nos será tirada. "Contanto que soframos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados." (Rm 8,17b).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Sem misericórdia e perdão não existe salvação...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 8,1-11)(23/03/26)


1. Caríssimos, nós cristãos estamos em pleno êxodo rumo a terra prometida, o Reino de Deus; e este mundo é um deserto inóspito cheio de perigos, todavia, como nos dois primeiros êxodos do povo eleito (do Egito e Babilônia), 

2. o Senhor Jesus vai pessoalmente à nossa frente nos conduzindo, nos protegendo e nos capacitando para atravessarmos esse deserto com êxito e chegarmos na terra prometida da nossa salvação. Cabe a nós a fidelidade e a perseverança no seu seguimento.

3. São Paulo, a partir do seu exemplo, nos mostra como deve ser o seguimento de Cristo: "Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. 

4. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé." (Fl 3,8-9).

5. No Evangelho de hoje mais uma vez os fariseus tentam acusar o Senhor Jesus de algum delito contra a Lei para assim condena-lo, por isso, lhe apresentaram uma mulher pega em flagrante adultério cuja sentença, segundo a Lei, era o apedrejamento. No entanto, conhecendo-os por dentro disse-lhes: "Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra."

6. Ora, esse episódio nos mostra que nenhum de nós pode julgar quem quer que seja, porque todos somos pecadores, o que equivaleria a nos condenarmos a nós mesmos. Pois, o próprio Senhor Jesus, que é Deus e Justo Juiz, veio para nos perdoar e nos dar a graça da salvação, para que recebendo a sua misericórdia sejamos misericordiosos uns com os outros. 

7. Decerto, isso não significa sermos coniventes com os pecados aqui praticados, mas sim, extirpar-los da nossa vida pela prática das virtudes eternas dentre as quais a misericórdia e o perdão, como nos ensinou o Senhor: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados." (Lc 6,36-37).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 22 de março de 2026

Crês isto? Sim, Senhor, eu creio...

 Homilia do 5°Dom da Quaresma (Jo 11,1-45)(22/03/26)

1. Caríssimos, o Poder de Deus se revela no amor, na misericórdia, na bondade, na paciência, na humildade e na obediência do Seu Filho, Jesus Cristo, por sua morte e ressurreição. Bem como meditamos na Carta aos Hebreus: "Jesus, autor e consumador de nossa fé. 

2. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." (Hb 12,2-3).

3. De fato, não entendemos o Poder de Deus como uma força de destruição, mas sim, como Força de defesa e salvação para seus filhos e filhas em meio às agruras deste mundo. E somente quem abraça a cruz de Jesus e persevera com Ele até o fim, pode experimentar o poder da sua ressurreição. À isto chamamos martírio que significa autêntico testemunho. 

4. A liturgia de hoje nos mostra o Senhor Jesus realizando um dos últimos sinais de sua presença messiânica neste mundo, a ressurreição de Lázaro. Mas, por que o Senhor realizou esse prodígio mesmo sabendo que seria morto? Escutemos Dele então a resposta : “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste”.

5. Ou seja, o Senhor cuida da nossa fé que o identifica como o Messias enviado por Deus Pai, como havia feito antes com Marta, irmã de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto? Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.

 6. Portanto, caríssimos, ao ordenar que a pedra fosse removida, o Senhor Jesus nos convida a sair dos sepulcros do desânimo e do pecado. Ele não apenas devolve a vida a um amigo, mas nos ensina que ressuscitar com Ele exige determinação para ouvir Sua voz e deixar que Ele desate as faixas que ainda nos impedem de caminhar na verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

7. Decerto, este 5° Domingo da Quaresma é, um chamado à confiança absoluta no poder de Deus. Assim como a dor de Marta e Maria transformou-se em alegria irradiante, o Senhor nos chama a entregar nossas impossibilidades a Ele que intercede por nós junto ao Pai. De fato, a última palavra sobre nossa existência não pertence ao túmulo, mas Àquele que é, a Ressurreição e a Vida.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 21 de março de 2026

Em Cristo Jesus recebemos todas as graças para a salvação das nossas almas...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,40-53)(21/03/26)

1. Caríssimos, Jesus é Deus conosco, porque assumiu em tudo a nossa natureza, menos o pecado; mas, como vimos no Evangelho de hoje, não foi reconhecido, porque para isto se faz necessário ama-lo muito além do que pensam, falam ou julgam Dele. Aliás, um dos piores pecados da humanidade é o julgamento temerário, ou seja, julgar os outros a partir de ideologias, credo, posição social ou outros critérios humanos desprovidos de discernimento, compreensão, amor e misericórdia.

2. Com efeito, a liberdade que o Senhor Jesus nos apresenta é aquela recebida da vontade do Pai, como Ele disse aos mestres da lei e fariseus: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e foi ele quem me enviou”. (Jo 7,28-29).

3. Em uma outra passagem desse mesmo Evangelho, o Senhor é ainda mais enfático: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).

4. Antes, porém, já os havia advertido: "Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebe-lo... Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?" (Jo 5,43-44).

5. De fato, quem ouve o Senhor Jesus de bom grado e põe em prática tudo o que Ele ensina, experimenta de imediato o fecundo resultado do poder de Sua Palavra, para viver na sua presença em santidade e justiça todos os dias de sua vida conforme a vontade de Deus, nosso Pai celestial. 

6. É bem como meditamos na Primeira Carta de são João: "É assim que conhecemos se estamos em Cristo: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6). Ou seja, precisamos renunciar a nós mesmos para segui-lo fielmente, pois esta é a vontade de Deus que disse: "Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz." (Mc 9,7).

7. Portanto, caríssimos, diante do Senhor Jesus jamais alguém pode ser indiferente, ou o acolhe humildemente ou o julga indevidamente usando de preconceitos e argumentos falaciosos próprios de quem carrega na alma a marca da besta, que é o ódio e seus efeitos maléficos. 

8. E foi isso o que aconteceu no Evangelho de hoje em que os fariseus cheios de preconceitos e falsos argumentos fizeram calar seus oponentes que reconheciam Jesus como profeta. Por isso, eis o que diz o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha." (Mt 12,30) E ainda: "Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10,33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Quem somos por nós mesmos diante de Deus.

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,1-2.10.25-30)(20/03/26)

1. Caríssimos, o que há de mais asqueroso no coração dos homens do que a rejeição a Deus? Porque isso significa a morte de quem se opõe a Ele, que é a única Fonte de vida eterna. De fato, toda oposição só o é porque quer ocupar o lugar do outro indevidamente, usúrpa-lo, desse modo, opôr-se a Deus é querer ser Deus embora sabendo que nunca o será, porque Dele dependemos cem por cento. 

2. Com efeito, é assim que compreendemos o porquê do desequilíbrio deste mundo: tudo o que não permanece no amor de Deus, se perde por falta de comunhão com Ele, por isso, estão sempre em oposição porque se tornaram incapazes de amar; porque Deus é amor, e quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele aqui e por toda a eternidade, como nos ensinou são João na sua primeira Carta (cf. 1Jo 4,8.16).

3. Na primeira leitura tirada do livro de Sabedoria, o escritor sagrado prevê proféticamente o sofrimento de Cristo, depois de ouvir dos seus algozes estas palavras: "Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis.

4. Proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. 

5. E o haigógrafo conclui: "Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras." (Sb 2,1a.12-22). De fato, a última palavra é de Deus e de nenhuma criatura. 

6. E a última Palavra é esta: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos."

7. Portanto, caríssimos, não confundam essas palavras com ideologias políticas, pois, não o são; na verdade, trata-se do Juízo Final a partir do cumprimento ou não dos Mandamentos, dos Sacramentos e das obras de misericórdia. Porque todos sem exceção seremos julgados. No entanto, como escreveu São Paulo, "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios." (Rm 8,28).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Vinde alegre cantemos... Solenidade de São José...


 Solenidade de São José

(Mt 1,16.18-21.24a)(19/03/26)
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1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade de São José, "guardião fiel dos mistérios da salvação", e como vimos no Evangelho de hoje, homem justo e profundamente dedicado à missão que Deus lhe confiou, ou seja, ser o pai adotivo do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, depois da Virgem Maria, são José foi o primeiro a conhecer por revelação divina a chegada do Messias prometido. 

2. A princípio em seu silêncio e humildade, José pensou em abdicar de seu propósito de esposar a Santíssima Virgem Maria, por não entender o que lhe estava acontecendo, exatamente por não querer culpa-la; no entanto, Deus enviou o seu anjo para instruir-lhe em sonho, ao que prontamente ele o atendeu e passou a cumprir os seus desígnios, acolhendo Jesus, como filho adotivo conforme o propósito divino.
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3. Em sua homilia sobre esta solenidade disse São Bernardino de Sena: "Quando a bondade divina escolhe alguém para uma graça singular, dá-lhe todos os carismas necessários, aumentando muito a sua beleza espiritual. Isto verificou-se totalmente com São José, pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Soberana dos anjos.
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4. O Pai Eterno escolheu-o para ser o guardião fiel dos seus principais tesouros: seu Filho e sua esposa, função que ele desempenhou fielmente. Foi por isso que o Senhor lhe disse: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu senhor» (Mt 25,21).
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5. Portanto, caríssimos, a grandeza de José está na sua prontidão. Ele não questiona, não hesita e não pede provas adicionais. Sua fé se traduz em ação imediata. Ele transforma o "sim" de Maria em proteção e providência cotidiana. 

6. De modo que, Celebrar São José é recordar que a santidade muitas vezes se esconde no cotidiano, no trabalho honesto e no cuidado silencioso com o próximo. Ele nos ensina que ser "justo" diante de Deus é saber acolher o inesperado com confiança e coragem. 
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7. Oremos, então, com amor e devoção esta linda oração de são Bernardino de Sena, dedicada a São José: "Lembra-te de nós, bem-aventurado José, intercede junto de teu Filho adotivo com o socorro da tua oração, e conquista-nos o favor da bem-aventurada Virgem, tua Esposa, que é a Mãe daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos." Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de março de 2026

Com Cristo vivemos para muito além dos limites de nossa natureza...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(18/03/26).


1. Caríssimos, a superficialidade da vida consiste em deixar as coisas santas pelas profanas; em deixar as coisas eternas pelas mundanas; deixar o silêncio interior pelo barulho ensurdecedor deste mundo; e o resultado nefasto desse desvario não poderia ser outro, ou seja, maldade, violência e todo tipo de desequilíbrio que leva à morte e a perdição eterna dos que seguem essa via. 

2. No entanto, ainda estamos no tempo da Divina Misericórdia e por isso nem tudo está perdido, pois, o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é a Fonte inesgotável do amor e da misericórdia do Pai, e se faz realmente presente neste mundo para perdoar e salvar todos os pecadores arrependidos por meio da Sua Santa Igreja, Sacramento universal da Salvação, e a parte visível do Reino de Deus no seio da humanidade.

3. E isto está comprovado por estas Palavras do Senhor: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19).

4. De fato, sem essa autenticidade ninguém se salvaria, pois, se dependesse de nós pecadores não existiria mais nenhuma criatura na face da terra. Ora, da boca do Profeta Isaías ouvimos estas palavras: "Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. 

5. Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti." Ou seja, Deus está atento a tudo o que nos acontece, pois, como prometeu, jamais nos abandona.

6. No Evangelho de hoje ouvimos o diálogo entre o Senhor Jesus e os judeus, e como seus algozes reagiram à este Seu ensinamento: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus." Ou seja, quem se fecha para o amor de Deus, condena-se à uma vida de ódio e injustiças, por conta da maldade que cultiva.

7. Oremos: Senhor Jesus, Filho amado de Deus, escuta as nossas súplicas e dá-nos a graça da perseverança final; não permitas que sejamos vencidos pelas tentações e astúcias do inimigo; dá-nos Senhor por teu infinito amor a vitória sobre todo o mal, pelos méritos de tua Mãe, Maria Santíssima, e de São José seu castíssimo esposo, e de todos os santos e santas que participam contigo da tua glória eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O Senhor Jesus é a Fonte de água viva que jorra para a vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,1-16)(17/03/26)

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1. Caríssimos, a água é símbolo de vida, de limpeza, de purificação, de remédio para todos os males; ela e todas as outras criaturas são dons de Deus, sinais do seu amor e da sua bondade. No Cântico das Criaturas assim cantou são Francisco de Assis louvado a Deus pela irmã água: "Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água, que é muito útil e humilde, e preciosa e casta."


2. O Senhor Jesus, ao referir-se ao estado de graça de nossas almas, comparou-se à Fonte onde bebemos o Espírito Santo: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)."

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3. Na primeira leitura o Profeta Ezequiel teve uma visão profética onde Deus lhe mostra, por meio do Seu anjo, o templo repleto de água viva simbolizando o transbordamento do Espírito Santo na vida de seus filhos e filhas, exatamente como vimos acontecer no dia de Pentecostes (cf. At 2).

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4. Em outras palavras, isso quer dizer que a nossa convivência com o Senhor é fundamental para crescermos no conhecimento do seu amor e de todas as outras virtudes que nos levam à perfeita comunhão com Ele e entre nós; bem como nos ensinou São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança." (Ef 4,3-5)

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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus se aproxima de um homem que há 38 anos esperava que alguém o ajudasse à banha-se nas águas da piscina de Siloé para ser curado de sua paralisia. Porém, ao crê na Palavra do Senhor, ficou curado de imediato, pois, de fato, Jesus é a Fonte de Água viva que veio a este mundo para nos purificar de todo pecado e nos libertar de todos os males.

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Portanto, caríssimos, rezemos esta simples oração composta por Santo Efrém (Sec. IV): "Verte, Senhor, sobre a minha fraqueza, o teu orvalho; pelo teu Sangue [derramado], perdoa os meus pecados. Que eu seja incluído no número dos teus santos, e sentado à tua direita." Permaneça para sempre. Amém! Assim seja!

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de março de 2026

O homem vê a aparência; Deus vê o coração...

 


Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1-41)(15/03/26)

1. Caríssimos, o tema da liturgia deste quarto domingo da Quaresma é a luz de Deus que ilumina as nossas almas e nos arranca das trevas do pecado que nos mantinha fechados em nós mesmos nos impedindo de enxergar a luz de Cristo. Sem dúvida, diariamente convivemos com a realidade cruel que se abate sobre a humanidade por conta da violência advinda dos pecados praticados neste mundo.

2. Decerto, esse tema está na raiz do anúncio profético da vinda do Messias como profetizou Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz." (Is 9,1.5). 

3. Na primeira leitura o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher o ungido do Senhor pela aparência. "Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7). Samuel, então, seguiu as instruções do Senhor e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. 

4. De fato, se tem algo que não falta neste mundo diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, Ele é o Messias prometido que veio ao mundo para nos salvar. Por isso, não somos mais escravos do pecado e nem do maligno que gerou o pecado. 

5. No entanto, não basta ser batizado, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor Jesus para obedece-lo em tudo, e não ceder às tentações e ao pecado, que nos leva à perca da graça da felicidade eterna, fazendo-nos amargar com isso o vazio e a tristeza que o pecado gera.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um cego de nascença, e assim realiza a vontade do Pai; mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi equivocadamente julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei do sábado como se Deus fosse obrigado a derramar suas graças segundo os critérios humanos. 

7. Por outro lado, o homem que foi curado, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acreditar e acolher o Senhor, mas não acreditaram nem o acolheram.

8. Portanto, caríssimos, prestemos atenção na conclusão deste Evangelho: "Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece." (Jo 9,39-41). Ou seja, o orgulho e a soberba são pecados gravíssimos que cega aqueles que os comete. 

9. Destarte, não sabemos quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, como disse o Senhor; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá na íntegra; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de março de 2026

A virtude da humildade nos leva ao coração de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(14/03/26)

1. Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que depois da queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupicência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual. 

2. Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Uma dessas virtudes é a humildade que nos leva ao arrependimento e nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.

3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus, conta a parábola do fariseu e do publicano, nos ensinando que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus, nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, não subsiste por si mesma. Na verdade, somos tão frágeis que não passamos de um sopro de vida que se esvai. 

4. Decerto, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada pelo Senhor Jesus? Em primeiro lugar, quando a prática religiosa não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, dentre elas a humildade, torna-se um culto de adoração a si mesmo, à própria imagem e não a Deus, transformando-se num viver de aparências. 

5. Por outro lado, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos. Como vimos no exemplo do cobrador de impostos que reconhecendo seus pecados disse em sua oração: "Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!" 

6. Portanto, caríssimos, escutemos o que são Pedro nos ensinou a esse respeito: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."

7. Destarte, o maior ato de humildade é o que nos deu o Senhor Jesus ao rebaixar-se à nossa pequenez para nos exaltar por sua Divina Misericórdia, bem como nos ensinou São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.

8. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A nossa trajetória para a eternidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(13/03/26)

1. Caríssimos, a nossa trajetória rumo a eternidade é constante, pois o tempo não para e tudo passa rápido. O problema consiste no como fazemos esse percurso, com quem o fazemos e quais as motivações para isso. Ora, viver não é só respirar naturalmente, mais do que isso, viver é cumprir o propósito eterno para o qual Deus nos criou.

2. Neste sentido, a liturgia de hoje torna clara a atitude que devemos ter diante dos erros que cometemos nessa nossa trajetória para a eternidade. A primeira leitura nos mostra a necessidade de uma permanente conversão para vivermos como verdadeiros filhos e filhas de Deus. 

3. Com efeito, é isso o que nos ensina são Paulo na Carta aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

4. No Evangelho de hoje um escriba se aproxima do Senhor Jesus e o interroga: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 

5. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.

6. Ora, ao dar essa resposta, o Senhor Jesus nos põe diante do único motivo pelo qual Deus criou todas as coisas, e do qual tiramos a força para seguir em frente vencendo todas as adversidades que se impõem contra nós que estamos a caminho do Reino dos céus. 

7. Vejamos, então, o que nos ensina são João à esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.

8. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."

9. Portanto, caríssimos, que a prática desses dois mandamentos — o amor total a Deus e o amor generoso ao próximo — seja o que norteia a nossa caminhada. Ao buscarmos essa pureza de coração e a renovação do nosso espírito, deixamos de ser meros passageiros do tempo para sermos verdadeiros cidadãos do Céu, vivendo desde já a antecipação daquela glória aonde veremos Deus face a face tal qual Ele é.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A grande luta interior contra nós mesmos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(12/03/26)

1. Caríssimos, a grande luta interior que travamos é contra nós mesmos a fim de permanecermos em estado de graça, realizando a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, é bem como nos ensinou São Francisco na décima admoestação: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

2. Eis o que nos ensinou o Senhor Jesus a esse respeito: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Em outras palavras, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. 

3. No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações:

4. "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." (Lc 11,15-26). 

5. Comentando a respeito dessa luta espiritual disse o Papa Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

6. O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

7. A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006). 

8. Portanto, caríssimos, o nosso paraíso neste mundo consiste em nossa obediência a Cristo em todos os sentidos do nosso livre arbítrio. Em outras palavras, é nos mantendo em Cristo, por nossa obediência, que vencemos os inimigos de nossas almas, porque receber Jesus Eucarístico em estado de graça, é participar desde já do Paraíso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de março de 2026

São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católica e Protestantes


São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católica e Protestantes

Rev. Edson Cortasio Sardinha - OFSE

         A história da Igreja cristã é marcada por momentos de unidade e também por períodos de profundas divisões. Entretanto, ao longo dos séculos, Deus levantou testemunhas cuja vida ultrapassa as fronteiras institucionais das igrejas. Entre essas figuras destaca-se São Francisco de Assis, o pobre de Assis, cuja espiritualidade continua a inspirar cristãos católicos e protestantes.

        Mesmo tendo vivido séculos antes da Reforma Protestante, Francisco tornou-se, paradoxalmente, uma figura apreciada também no mundo protestante. Sua vida, profundamente enraizada no Evangelho de Jesus Cristo, oferece um caminho espiritual comum para cristãos de diferentes tradições.


O Evangelho como centro da vida cristã

        O ponto central da espiritualidade de Francisco não foi uma teologia sistemática, mas a simplicidade do Evangelho. Quando ouviu a leitura do envio missionário dos discípulos (Mt 10), ele compreendeu que Deus o chamava a viver literalmente segundo o Evangelho.


Seu desejo era simples: seguir Cristo de forma radical.

        O primeiro biógrafo franciscano, Tomás de Celano, registra que Francisco desejava apenas “viver segundo a forma do santo Evangelho”.¹ Essa expressão tornou-se a base da espiritualidade franciscana.

        Essa centralidade da Palavra de Deus aproxima, em certo sentido, Francisco de ênfases importantes da tradição protestante. Reformadores como Martinho Lutero insistiram que a Igreja deve constantemente retornar à autoridade das Escrituras e ao chamado do Evangelho.²

        Embora Francisco não tenha sido um reformador institucional, sua vida apontava para uma reforma espiritual permanente: voltar ao Cristo do Evangelho.


A pobreza evangélica como testemunho profético

        No início do século XIII, a Igreja vivia um período de grande poder social e econômico. Foi nesse contexto que Francisco escolheu voluntariamente a pobreza.

        Ele desejava viver como Cristo e como os apóstolos. Essa escolha não foi uma rebelião contra a Igreja, mas um chamado profético para que os cristãos redescobrissem a simplicidade do discipulado.

        Por essa razão, diversos historiadores da espiritualidade consideram Francisco uma das grandes vozes de renovação da Igreja medieval.³

        Sua vida lembrava que a Igreja não existe para acumular riquezas, mas para testemunhar o Reino de Deus.


A fraternidade universal

        Outro aspecto profundamente marcante da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal. Francisco via todas as criaturas como parte da criação de Deus. Por isso falava de “irmão sol”, “irmã lua” e “irmã água”.

        Essa visão aparece de forma belíssima no Cântico das Criaturas, um dos textos espirituais mais conhecidos da tradição cristã.

        Essa espiritualidade da criação influenciou profundamente o pensamento cristão moderno, especialmente na teologia da paz, da criação e da reconciliação.

        Não é por acaso que, em tempos recentes, encontros de oração pela paz entre diferentes religiões foram realizados na cidade de Assis, inspirados pelo testemunho de Francisco e convocados por Papa João Paulo II.⁴


A redescoberta protestante de Francisco

        Durante muito tempo, ambientes protestantes mantiveram certa distância da espiritualidade dos santos. Entretanto, ao longo do século XX, muitos cristãos redescobriram a profundidade espiritual da vida de Francisco.

        Teólogos, historiadores e pastores passaram a estudar sua vida não como objeto de devoção, mas como testemunho cristão exemplar.

        O escritor cristão G. K. Chesterton contribuiu muito para essa redescoberta com sua famosa biografia sobre Francisco, apresentando-o como um homem profundamente apaixonado pelo Evangelho.⁵

        Hoje não é raro encontrar comunidades protestantes que estudam a espiritualidade franciscana ou mesmo fraternidades inspiradas em sua vida simples de oração, serviço e amor aos pobres.


Francisco e o espírito do ecumenismo

        O movimento ecumênico busca a unidade visível entre os cristãos sem negar as diferenças históricas entre as igrejas.

        Nesse contexto, o testemunho de Francisco oferece importantes caminhos espirituais:


1. Centralidade de Cristo

Toda a vida de Francisco girava em torno de Cristo crucificado e ressuscitado.

2. Testemunho antes de controvérsia

Ele anunciava o Evangelho mais pelo exemplo de vida do que por disputas teológicas.

3. Humildade e conversão do coração

A verdadeira unidade cristã nasce da humildade, do arrependimento e da reconciliação.

Esses princípios são fundamentais para o diálogo ecumênico contemporâneo e inspiram o trabalho de organismos cristãos internacionais, como o Conselho Mundial de Igrejas.⁶


Conclusão

        A vida de São Francisco continua a falar profundamente à Igreja de hoje.

        Católicos o veneram como santo e fundador de uma das maiores tradições espirituais do cristianismo. Muitos protestantes, por sua vez, o reconhecem como um poderoso testemunho de discipulado evangélico.

        Em tempos marcados por divisões históricas entre igrejas, o pobre de Assis recorda a todos os cristãos uma verdade essencial: quando o Evangelho é vivido com simplicidade e fidelidade, ele se torna uma ponte de comunhão entre os discípulos de Cristo.

        Assim, a vida de Francisco permanece como um convite permanente à Igreja: voltar ao Evangelho, viver em humildade e buscar a unidade no Senhor.


Autor: edsoncortasio@gmail.com


Notas

1. Tomás de Celano. *Vida de São Francisco*. Primeira biografia oficial do santo, escrita no século XIII.

2. Martinho Lutero. Ver especialmente sua ênfase na autoridade das Escrituras e na necessidade de reforma constante da Igreja.

3. LE GOFF, Jacques. *São Francisco de Assis*. Rio de Janeiro: Record.

4. Encontro inter-religioso de oração pela paz realizado em Assis por iniciativa de Papa João Paulo II em 1986.

5. G. K. Chesterton. *São Francisco de Assis*. São Paulo: Ecclesiae.

6. Conselho Mundial de Igrejas, organismo internacional dedicado à promoção do diálogo ecumênico entre igrejas cristãs.

E isto é um grande Mistério de amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(11/03/26)

1. Caríssimos, seguir o Senhor Jesus como seus discípulos requer de nossa parte escuta, obediência, disciplina, fidelidade e paciência para vencermos à nós mesmos e nos mantermos em estado de graça, para assim crescermos no conhecimento do seu amor e na prática das suas palavras.

2. De fato, a facilidade de cometer pecados tem levado muitas almas ao desespero e a perdição, por não suportarem ouvir estas palavras do Senhor: "Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me.

3. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?" Ora, quantas vezes já ouvimos essas Palavras do Senhor? Será que realmente a pusemos em prática?

4. O Evangelho de hoje nos mostra como o Senhor Jesus venceu a desobediência e a maldade deste mundo: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." 

5. Decerto, Ele fez isso por meio da obediência perfeita, da submissão amorosa à vontade do Pai, ao submeter-se à morte humilhante de cruz: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres."

6. Portanto, caríssimos, a nossa obediência à Lei perfeita da liberdade nos conduz a Cristo, e Cristo por meio do Seu Santo Espírito nos conduz ao Pai. Mas, tudo isso acontece somente quando renunciamos a nós mesmos, e com Ele portamos a cruz das humilhações deste mundo, seguindo-o fielmente até o fim. 

7. É bem como Ele mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13). Ora, essa "perseverança" até o fim, não é apenas uma adesão à regras, mas uma constância de propósito e confiança, mesmo quando as circunstâncias ao nosso redor digam o contrário. 

8. Destarte, não pensemos que a eternidade virá depois da nossa morte natural, na verdade, nós já a estamos vivendo a cada momento do nosso ser e estar no mundo, porque, como disse São Paulo: "É em Deus que vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28). E isto é um grande mistério. 

9. Em outras palavras, isto quer dizer que, a existência é um ato contínuo de Deus, pois se Ele "retirasse" o Seu pensamento da criação por um milésimo de segundo, tudo deixaria de existir. De fato, existe um grandíssimo propósito do Senhor a nosso respeito, para muito além do que entendemos naturalmente, e que somente a fé pode compreender isso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 10 de março de 2026

Creio que o tempo se aproxima...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(10/03/26)


1. Caríssimos, vivemos ainda o tempo da misericórdia divina, que é um tempo de graça e salvação; mas creio que estamos vivendo seus últimos instantes. Ora, isto se constata pela fúria do inimigo de nossas almas que cresce, conforme a medida do crescimento dos pecados da humanidade. 

2. Todavia, o Senhor nos alerta: "Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados. (Mt 24,22). Ou seja, "Deus detém o controle sobre a duração das provações. ​A "abreviação" do tempo mostra que a misericórdia de Deus intervém antes que o limite da resistência humana seja ultrapassado."

3. Com efeito, nesses últimos tempos assistimos à um triste espetáculo fúnebre como que estupefatos e ao mesmo tempo impotentes como se nada pudéssemos fazer; todavia, sentimos as mesmas agonias e dores das pessoas vilipendeadas em sua dignidade e existência pelas guerras que estão acontecendo atualmente.

4. Outrora os incrédulos ofereciam seus próprios filhos e filhas em sacrifícios aos deuses pagãos; em nossos dias, cristãos e não cristãos, são sacrificados porque não aceitarem a carnificina oferecida aos demônios que instigam os seus súditos à cometerem tamanha aberração. 

5. Mas, atenção, muita atenção pretensos senhores da guerra, não zombem da benevolência divina, pois a mão da justiça do Senhor não os deixará impunes, logo, logo, conhecereis na própria pele as angústias de vossas atrocidades impostas a tantos inocentes. 

6. O tempo se aproxima, a colheita está para começar, que venham os ceifadores, porque o único e verdadeiro Rei dos reis e Senhor dos senhores tem pressa; sua lavoura nos campos deste mundo são as almas redimidas por seu preciosíssimo Sangue derramado em Sacrifício em expiação dos nossos pecados.

7. Os ceifadores são os seus anjos, e já estão a postos, nada do que foi expiado se perderá, tudo será recolhido no seu Celeiro Eterno, o Reino dos céus, a Glória de Deus. Felizes são aqueles que o escutam e põem em prática o que nos ensina para sermos dignos de permanecer na sua presença. 
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Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

A nossa conversão é um processo contínuo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 4,24-30)(09/03/26)

1. Caríssimos, a virtude da coerência ou autenticidade nos torna inabaláveis, e mesmo se sofrermos rejeição, ameaça de morte e outros impropérios semelhantes, nada nos altera ou tira-nos a calma, porque a transparência de nossas palavras e ações revelam quem somos e a missão que de Deus recebemos para levarmos a bom termo a obra da salvação. É isso o que nos mostra esta liturgia.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus, depois de trinta anos vivendo na simplicidade da Sagrada Família em Nazaré, se dá a conhecer aos seus concidadãos como o Messias enviado, conforme a profecia de Isaías, proclamada por Ele na Sinagoga. Todavia, não foi aceito devido ao preconceito que nutriam, porque o conheciam, mas, não enxergavam quem Ele era realmente. 

3. No entanto, ao ser rejeitado o Senhor lhes respondeu: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria." E deu-lhes o exemplo dos profetas Elias e Eliseu, que distribuíram as bênçãos de Deus a dois estrangeiros diante da incredulidade do povo eleito. Ou seja, Deus se dá a conhecer na simplicidade do Seu Filho, porém, somente os humildes de coração o acolhem e o seguem.

4. De fato, a Palavra do Senhor Jesus é a verdade que cura, salva e faz feliz a quem o ouve com o propósito de converter-se; por outro lado, ela é pedra de tropeço para quem insiste permanecer no pecado, uma vez que o pecado escraviza quem o comete e por isso não se abrem para a conversão e a salvação que o Senhor lhes concede.

5. Portanto, caríssimos, escutemos são Paulo a respeito do processo de conversão: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. 

6.Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2). Ou seja, nós pertencemos a Deus e por isso mesmo precisamos somente viver para Ele. 

7. Destarte, a fé não é um direito que nos é dado para que se possa exigir de Deus milagres, obrigando-o a fazer a nossa vontade; mas sim, uma livre adesão ao seu plano para a nossa salvação que passa impreterivelmente pelo processo de conversão permanente, sem o qual não existe mudança de mentalidade nem comunhão com a sua santa vontade. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 8 de março de 2026

Senhor, da-me de beber da água viva que jorra para a vida eterna...


 Homilia do 3° Dom da Quaresma (Jo 4,5-42)(08/03/26)


1. Caríssimos, a vida naturalmente depende da água e de outros elementos naturais para existir, no entanto, não podemos esquecer que tudo está ligado a Deus, nosso Pai Criador, de modo que sem Ele a vida é impossível. Por isso mesmo, não vivemos por viver, uma vez que Deus tudo criou somente para o nosso bem, e se algo nos falta, é por não correspondermos aos seus desígnios de amor para conosco.

2.De fato, se tem algo que mais nos identifica naturalmente a isso chamamos necessidade, pois, nenhuma criatura existe que não necessite de algo para sobreviver, a começar pelo ar que respiramos de quem dependemos cem por cento. 

3. Porém, em se tratando da fé, ela é o dom do Espírito Santo que nos mantém em perfeita comunhão com Deus, por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. É como está escrito na Carta aos Hebreus: "Sem fé é impossível agradar a Deus. Pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam." (Hb 11,6).

4. De fato, "a água viva de uma fonte exprime também o milagre renovado da vida. Fazendo brotar a água da rocha, Deus se manifesta como salvador do seu povo e o põe em condições de prosseguir a viagem até a terra prometida, como vimos na primeira leitura. No Novo Testamento a água exprime simbolicamente o dom do Espírito Santo para a geração de uma nova humanidade.

5. Cristo, sobre quem desceu o Espírito no momento do batismo, anuncia um renascimento da água e do Espírito, prometendo àqueles que Nele crêem a abundância da água do Espírito que jorra para a vida eterna. Sua pessoa se identifica, pois, com a Rocha (como observa são Paulo recapitulando os "sinais" do deserto, 1Cor 10,4), o novo Templo, a Fonte que sacia a sede de vida eterna." (MR).

6. Portanto, caríssimos, "Encontramo-nos diante da sede de um povo no deserto, da sede de uma mulher no poço. A sede é simbolo de uma necessidade intima, vital, torturante. Além da sede fisiológica há uma sede mais profunda em todo homem, em toda sociedade, em toda comunidade do nosso tempo: buscamos cada vez mais "coisas" para saciá-la; nada nos basta, nada nos satisfaz. 

7. Nossa civilização só nos oferece "bens de consumo", não valores espirituais. Convida-nos ao oportunismo, ao mais fácil, mais seguro, mais cômodo. Os ideais de coerência, de sinceridade, de amor, que existem em todos os homens, são em geral frustrados, traídos por quem os propugna ou pelo individuo incapaz de resistir à pressão dos que o cercam.

8. Todos falam do valor da colaboração, todos reconhecem que somos globalmente responsáveis pelo caminho da humanidade; no entanto, o que encontramos é insensatez, orgulho, instintos de domínio, grandeza, inclinação para a agressividade, para um prazer às vezes exacerbado, incontrolado e irracional." É triste, mas esta é a realidade deste mundo sem Cristo. 

9. Amados irmãos e amadas irmãs, a pergunta que o Senhor Jesus nos faz é esta: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" (Lc 18,8). Examinemos a nossa consciência e a nossa prática de vida, para que realmente respondamos ao Senhor com uma fé viva, humilde, confiante, que lhe seja agradável.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 7 de março de 2026

A parábola dos dois irmãos e o pai misericordioso...

 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-3.11-32)(07/03/26)

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1. Caríssimos, outro dia escrevi: sem perdão não existe salvação, isto porque o perdão é a Porta pela qual o Senhor Jesus entra em nossas almas, e nos mantém em estado de graça para que jamais nos separemos Dele. 

2. De fato, o perdão dos pecados é tão importante para a humanidade que Deus nos enviou o Seu Filho amado para que por Ele alcancemos a salvação e a participação no Seu Reino; por isso, a alma unida a Cristo chega sem nenhum empecilho à vida eterna.
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3. As leituras desta liturgia nos levam ao alívio imediato, porque se Deus nos punisse em proporção aos nossos pecados, nenhuma criatura existiria mais na face da terra. É por isso que Ele nos deu o tempo do livre arbítrio para que arrependidos voltássemos a Ele como fez o filho pródigo da parábola contada pelo Senhor no Evangelho de hoje. 
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4. São Romano, o Melodista (sec. VI), em um dos seus hinos, traduz assim para nós como o Senhor age em nosso favor por sua Divina Misericórdia: "Muitos são os que, pela penitência, se tornaram dignos do amor que tens pelo homem, Tu, que justificaste o publicano pelo seu lamento e a pecadora pelo seu pranto (Lc 18,14; 7,50). E, ao preveres e dares o perdão de acordo com imutáveis desígnios, Te mostras rico de todas as misericórdias (Ef 2,4).
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5. Converte-me também a mim, Tu, que queres que todos os homens se salvem! (1Tim 2,4). A minha alma enodoou-se ao vestir a túnica dos meus erros (Gn 3,21). Mas Tu me alcançarás a graça de fazer jorrar fontes dos meus olhos, a fim de que, pela contrição, seja purificado e digno das tuas núpcias (Mt 22,12).
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6. Veste-me com o manto multicolor (Sl 45,15), Tu, que queres que todos os homens se salvem! Tem compaixão de mim, Pai celeste, tal como tiveste do filho pródigo,
Porque também eu me lanço a teus pés e como ele clamo: "Pai, pequei!" E rejubilarão os anjos com a salvação dum filho indigno (Lc 15,7)."
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7. Portanto, caríssimos, a parábola do filho pródigo apresenta-nos também o irmão mais que se irritou e não quiz entrar na festa do irmão mais novo que se converteu e foi recebido pelo seu pai, que cheio de misericórdia, o acolheu de volta no aconchego do seu regaço. Ora, quem de nós na vida não foi um filho pródigo ou o filho mais velho? Basta examinarmos a nossa consciência.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Como estamos administrando a vinha do Senhor?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 21,33-43.45-46)(06/03/26)

1. Caríssimos, o ar que respiramos é invisível e não precisamos fazer nenhum esforço para provar que ele existe visto que o respiramos naturalmente, pois, sem ele não existimos, ou seja, nós convivemos com um elemento invisível do qual dependemos cem por cento e só percebemos a falta que ele nos faz quando sofremos com alguma doença respiratória. 

2. Com efeito, convivemos com Deus a todo momento e só percebemos a sua ausência quando pecamos, pois, o pecado é uma terrível doença espiritual que nos leva à perca da graça santificante assim que o cometemos; e desse modo, deixamos de perceber a evidência da presença de Deus em nossa vida por conta das más ações praticadas.

3. No entanto, como estamos no tempo da misericórdia, é possível retornar ao estado de graça quando arrependidos da prática pecaminosa nos voltamos para o Senhor de todo coração a fim sermos perdoados no Sacramento da Confissão e assim sermos curados da doença maléfica do pecado.

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta, aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, a Parábola dos vinhateiros perversos que se apossaram da vinha do seu senhor e não devolveram os frutos esperados, e ainda espancaram e mataram os empregados enviados e até o próprio Filho do dono da vinha, consumando, com isso, a própria condenação.

 5. Escutemos, então, com acurada atenção a conclusão dessa Parábola: "Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.

6. Então disse-lhes Jesus: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos."

7. Portanto, caríssimos, escutemos ainda o Senhor: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,1-2.5). 

8. Destarte, como assimilarmos o que o Senhor Jesus nos ensinou nesta liturgia de hoje? Nossas almas são a vinha do Senhor e nós somos seus vinhateiros, decerto, como nos foi ensinado, que tenhamos o devido cuidado desta vinha para darmos os frutos que o Senhor espera de nosso humilde trabalho. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 5 de março de 2026

O dom preciosíssimo do tempo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 16,19-31)(05/03/26)

1. Caríssimos, esse tempo que vivemos em nossa naturalidade pode ser traduzido como tempo de graça, porque é nele que exercemos o nosso livre arbítrio, ou seja, o poder que temos para tomamos as devidas decisões; em outras palavras, é o tempo que Deus nos dá para vivermos em conformidade com a Sua Santa Vontade.

2. De uma coisa fiquemos certos, não podemos perder tempo, porque tempo é vida. À quem ou a que damos o nosso tempo? Quem dá tempo a Deus e vive em perfeita comunhão com Ele por meio da obediência aos seus santos mandamentos, recebe Dele todas as graças e a vida eterna como herança. 

3. Porém, quem tira o tempo de Deus da sua vida, perde o tempo que lhe foi dado e em consequência perde também a vida. Vejamos o que nos diz o Senhor a esse respeito: "Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida? (Mt 16,26).

4. Na primeira leitura o Profeta Jeremias traduz exatamente o que foi dito acima: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada.

5. Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos."

6. É bem como nos mostrou o Senhor Jesus no Evangelho de hoje, é no tempo presente que temos o poder do livre arbítrio; após a morte natural, não teremos nenhum poder de decisão, por isso, na condição que morremos, essa será a nossa eterna condição.

7.Portanto, caríssimos, escutemos atentos o que nos diz o Senhor: "Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras." (Ap 22,10-12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 3 de março de 2026

A quem servimos, ao Senhor Jesus ou a nós mesmos?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 23,1-12)(03/03/26)

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1. Caríssimos, vivemos numa sociedade onde o poder, a fama e o prazer são os itens mais desejados do kit das ilusões deste mundo tenebroso. De modo que, não precisamos buscar em outros perfis esses três itens capciosos para confirmar essa afirmação; basta olharmos para as nossas redes sociais e vermos, quem nelas exaltamos: a misericórdia, o amor, a humildade, a bondade do Senhor Jesus ou à nós mesmos e ao nosso vão desejo de aparecer e receber elogios, likes e dividendos?
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2. Ora, a liturgia de hoje nos chama para uma constante conversão, isto é, total mudança de mentalidade; porque, de fato, ainda não transparecemos a humildade e o amor de Cristo, por vivermos imersos no abismo do próprio egoísmo buscando satisfações meramente carnais. 

3. E quantos não vivem enganados pelas seduções ilusórias do pecado que os atrai e alicia, tirando-lhes o verdadeiro desejo de conversão e mudança de vida? E isto porque as tentações oferecem sensações e prazeres imediatos; enquanto, o Senhor nos concede, por nossa obediência a Ele, a participação no seu reino. 
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4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que o grande pecado dos mestres da lei e dos fariseus era o viver de aparências, buscando os elogios e a aprovação dos que os viam; e com isso, mergulhavam num abismo sem fundo de incoerência e hipocrisia, tornado-se intolerantes com os que não aprovavam as suas ações.
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5. E mesmo não cultivando a verdade e a humildade em suas ações, tais mestres não foram capazes de impedir as graças e bênçãos de Deus em favor do seu povo eleito. Então, escutemos este alerta do Senhor: "Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! 

6. Pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo." Ou seja, onde não existe coerência, perde-se a autenticidade, a graça santificante e a salvação. 
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7. Então, qual a lição que tiramos desta liturgia de hoje? O valor e a grandeza da carta não depende do carteiro que a porta, mas sim, do seu conteúdo e de quem a envia. Portanto, caríssimos, a Palavra de Deus dá fruto por si mesma na vida daqueles que lhe obedecem, mesmo se os mensageiros que a portam não correspondam ao seu conteúdo.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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