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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A QUEM MUITO AMOU, MUITO SE PERDOOU...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,36-50)(20/9/18).

Caríssimos, Deus se faz sempre presente nas situações da vida, os homens é que não percebem isso por falta de discernimento e de compromisso para com Ele; às vezes, até o convidam para entrar em suas vidas, mas não o recebem devidamente, por isso, tendem a culpá-lo pelos próprios erros, e com isso não o amam nem se deixam amar. E o resultado é esse trágico confronto entre homens e homens por não viverem na sua presença.

Com efeito, Deus se faz presente visívelmente no meio de nós pela Santa Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor, Sacrifício de amor, Pão da vida eterna; Ele também se faz presente por Sua Divina Palavra proclamada e escutada diretamente por todos nós; se faz presente também em nossa oração, basta silenciar em nossa mente tudo o que não é a sua vontade, e com a devida atenção escutá-lo espiritualmente, pois a Verdade nos fala sempre.

Mas, como receber o Senhor e permanecer na sua presença? Caríssimos, a humildade de São Paulo na primeira leitura nos ensina isso, visto que ele se pôs no último lugar ao anunciar o mesmo Evangelho que os outros apóstolos anunciavam. Aliás, em outra passagem ele também deu seu testemunho à esse respeito: "Irmãos também eu, quando fui ter convosco, não fui com o prestígio da eloqüência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado."

No Evangelho de hoje ouvimos a narração do convite que Simão fez a Jesus pra cear em sua casa. Ora, Deus nos escuta por nossas atitudes, pois elas revelam nossas intenções e o que somos e temos em nossos corações. A meretriz que muito devia a Deus, por causa de seus pecados, o amou muito mais por seu arrependimento e humildade, e por isso foi perdoada; Simão, mesmo se tendo por justo, não agiu como tal, e o resultado foi a revelação de que, de fato, pouco amava Deus.

Caríssimos, quando o nosso coração está cheio de falsos julgamentos e de nós mesmos, não existe nele espaço para a presença de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

JULGAMENTO & DISCERNIMENTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,31-35)(19/9/18).

Caríssimos, nenhum ser humano terá verdadeiro discernimento se não se dispojar do julgamento de valor. Ora, uma das maiores tentações que sofremos é a de julgar e condenar os outros, e em seguida divulgar isso pelos mais diversos meios de comunicação. Normalmente quem age assim, projeta nos outros os próprios pecados, por isso, não se sustenta por causa da incoerência com que se porta na vida.

Com efeito, em sua Carta, São Tiago, nos exorta sobre o perigo do mau uso da língua: "Meus irmãos, a língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida." Portanto, "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Porque haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia, porém, triunfa sobre o julgamento."

Caríssimos, Jesus é a Palavra Eterna do Pai. Ele nos ensinou que as palavras não são só palavras, mas sim um conteúdo espiritual que nasce de alguma fonte e chega à nossa mente, desse modo, quando aceitamos e dicidimos, ele gera as atitudes que externamos. Por isso, disse: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado."

Caríssimos, quando se fala de discernimento e juízo de valor, trata-se de ver claramente qual a vontade de Deus e vivê-la, isto significa que jamais seremos coniventes com qualquer expressão incoerente contra os filhos e filhas de Deus. Portanto, o verdadeiro discernimento nasce em nosso coração quando não julgamos nem condenamos ninguém, mas os olhamos com o mesmo olhar de misericórdia com que Deus nos olha. Todavia, quando preciso for emitiremos o devido julgamento como discernimento do que seja trigo ou joio, cuidando de tirar primeiro a trave do próprio olho, para não cairmos no pecado da hipocrisia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

SER IGREJA É SER EXPRESSÃO DA PRESENÇA DE DEUS NA VIDA UNS DOS OUTROS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,11-17)(18/9/18).

Caríssimos, nenhuma pessoa batizada pode pronunciar o nome Igreja sem que ela mesma seja Igreja; mas, que tipo de Igreja? Aquela que é santa por ser o Corpo Místico de Cristo, ou aquela que os incrédulos abandonaram e agora a criticam porque não estavam vivendo a santidade de Cristo pela devida obediência?

Por outro lado, também não podem ser chamados de Igreja aqueles que vivem dentro da Igreja, mas não obedecem ao que a Igreja ensina, não fazem a vontade de Deus como a Igreja faz, e não testemunham Jesus como a Igreja o testemunha; isto porque no pecado e no escândalo não existe a vontade de Deus, e onde a vontade de Deus não se faz presente, a Igreja também não se faz presente, porque a Igreja é a vontade de Deus para a salvação da humanidade.

Caríssimos, tudo na vida de Jesus é revelação da vontade do Pai; assim, suas palavras, seus gestos, seus milagres, seu modo de ser, tudo nos leva a crê, porque é expressão de quem Deus é, o que Ele nos diz e o que faz para sermos felizes, porque nos ama incondicionalmente. Ora, mas tão incondicionalmente que nos deu o Seu único Filho para sermos salvos por sua imolação na cruz.

No Evangelho de hoje, Jesus expressa sua compaixão por uma viúva que havia perdido o único filho; e diante de seus discípulos e da grande multidão que prestava solidariedade àquela mãe desolada, ele ressuscitou seu filho dos mortos, revelando a misericórdia do Pai presente nos valores eternos exercitados em meio as dores desta vida.

Assim, para todos aqueles e para nós que ainda estamos aqui, o seu gesto de solidariedade e de misericórdia, é o que precisamos para entender que o nosso viver só tem sentido quando somos expressões nítidas da presença de Deus na vida uns dos outros.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRÊ."


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,1-10)(17/9/18).

Irmãos e irmãs, "tudo é possível ao que crê," disse Jesus, desse modo, compreendemos que não existem barreiras que impeçam a ação poderosa da fé, porque a fé remove montanhas existenciais e todos os outros obstáculos que se apresentam como impedimento contra as suas ações.

Com efeito, crer é muito mais que fazer qualquer afirmação credente ou manifestação exterior de piedade; crer é experimentar o poder da fé mediante a ação direta do Espírito Santo, confirmando todas as graças necessárias para sanar as nossas enfermidades psíquicas, físicas, morais e espirituais.

No Evangelho de hoje, encontramos um oficial romano que demonstra a fé em Jesus por sua atitude de humildade e suas obras de caridade, como reza o texto: “O oficial merece que lhe faças este favor, porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. Diferentemente de muitos que querem receber as graças do Senhor, mas sem nenhuma atitude de humildade e de fé que as alcance.

Portanto, nossa fé em Cristo é uma iluminação do Espírito Santo de Deus, que nos faz conhecer as graças sobre nós derramadas para darmos um verdadeiro testemunho de como acreditamos, bem como ouvimos do oficial: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente a teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 16 de setembro de 2018

EMBORA ESSA PORTA SEJA ESTREITA É POR ELA QUE ENTRAMOS NA VIDA ETERNA...


Homilia do 24°Dom do tempo comum (Mc 8,27-35)(16/9/18).

Caríssimos, na Carta aos Hebreus existe uma recomendação para mantermos os olhos fixos no Senhor, pois nele está a perfeita razão espiritual de nossa fé, vejamos: "Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo."

Por isso, nunca se ponha na vida querendo salvar a própria vida, porque se assim se puser, vai perdê-la; mas se perdê-la por amor ao Senhor e ao Seu Santo Evangelho, a terá eternamente, como Ele mesmo ensinou: "Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á."

Ora, a vida presente foi nos dada em função da vida eterna, é esse o verdadeiro sentido de nosso viver nesse mundo; Jesus no Evangelho de hoje nos chama a identificá-lo, como o fez com os Apóstolos, mas identificá-lo tem o mesmo sentido de aceitar o seu e o nosso martírio por amor ao Pai, por isso, de nada adianta identificá-lo e querer seguir por outro caminho fora da vontade do Pai, que nesse caso é amá-lo incondicionalmente, isto é, abandonar-se inteiramente em suas mãos, como o fez Jesus e também nossa Senhora e todos os santos.

Portanto, não existe outro caminho para se chegar ao céu fora da cruz de Jesus; qualquer outra vereda ou atalho é desvio de rota que nos leva a lugar nenhum. Por isso, "a nossa proteção está no nome do Senhor que fez o céu e a terra," porque se assim nos entregarmos a Ele, nada temos à temer, pois embora essa porta seja estreita, é por ela que entramos na vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 15 de setembro de 2018

DE PÉ, A MÃE DOLOROSA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-27)(15/9/18).

Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Mãe dolorosa, que se encontra aos pés da cruz do seu Filho, Jesus, para oferecê-lo ao Pai em expiação dos nossos pecados. Desse modo, Maria sofreu com seu Filho as dores de seu martírio para que assim se consumasse o desígnio do Pai, "reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra." De fato, fomos redimidos pelo único sacrifício capaz de expiar os nossos pecados e de vencer o maligno para sempre.

Com efeito, Maria se encontra dentro do grande mistério do seu Filho, por isso, não tem como pensar a redenção sem essa união entre mãe e Filho, e entre Filho e mãe. Assim, as dores de Cristo são as dores de sua mãe, o amor de Cristo é também o amor de sua mãe; pois não existe divisão em quem o Espírito Santo uniu com a Sua Divina Perfeição. Somente assim entendemos que Deus se fez humano em tudo, menos no pecado, porque é Deus e em Deus não existe pecado.

Vejamos, então, a aceitação do sofrimento humano do Senhor: "Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido por causa de sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se a causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem."

Portanto, celebrar a memória das dores de Nossa Senhora na hora do martírio do seu Filho, Jesus Cristo, é celebrar também a sua aceitação da vontade do Pai mesmo sem entender à princípio o porquê, mas apenas sofrer com Ele as dores do nosso resgate; pois a via dolorosa de Cristo e de Sua mãe é o preço pago pela nossa redenção, por isso, o Sangue de Cristo tem todo poder sobre o céu e sobre a terra.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,13-17)(14/9/18).

Caríssimos, a vida neste mundo é só um sopro, todavia, quando a vivemos como vontade de Deus, ela é eterna porque Deus nos criou para a eternidade. Porém, para chegarmos a esse Seu desígnio, é preciso atravessar o deserto deste mundo carregando a nossa cruz de cada dia. O povo de Deus para chegar à terra prometida fez o trajeto do deserto, mas, não sozinho, pois o Senhor o conduziu.

Também em nossa travessia não estamos sozinhos, Jesus mesmo se fez o caminho por onde chegamos ao céu, à morada do Pai. Ora, mas, para nos dar à bonança da vida eterna e nos livrar do inferno, o Filho de Deus sofreu as piores humilhações, calúnias, torturas, psicológicas e físicas; enfim, sofreu a mais cruel das mortes, ser pendurado numa cruz "como escória da humanidade, homem das dores, diante do qual cobrimos o rosto."

Com efeito, só conhece o peso da cruz de Jesus quem o acompanha em seu sofrimento, à exemplo de São Paulo, que disse: "Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). De fato, a cruz sempre foi vista como um instrumento de tortura e de morte, mas depois que o Filho de Deus nela morreu e ressuscitou, a cruz passou a ser o símbolo da nossa redenção; da vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e o inferno.

Portanto, celebremos com toda a Igreja a Festa da Exaltação da Santa Cruz, pela qual o Senhor nos salvou, rezemos, então, com amor e piedade a oração inicial da Santa Missa de hoje: "Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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