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sexta-feira, 21 de abril de 2017

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,1-14)


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,1-14)(21/4/17)

Em nenhum outro nome há salvação.

A obra da salvação humana é obra Divina e ninguém, por mais que queira, poderá impedir que ela se realize em toda sua plenitude. A partir do primeiro pecado, a humanidade ficou conhecendo a terrível oposição que existe contra Deus e contra a Sua Obra. E isso se torna cada vez mais acentuado, à medida que inocentes são barbaramente assassinados, como aconteceu com Jesus de Nazaré, o Filho amado de Deus.

Neste sentido, não há dúvida de que estamos em meio a uma grande luta entre o Bem e o mal; entre justos e injustos; entre aqueles que permanecem fiéis ao Senhor e aqueles que seguem o maligno; é o que vemos na primeira leitura, os apóstolos são perseguidos por fazerem o bem em nome de Jesus ressuscitado. Mas quanto a isto, o Senhor já os havia alertado: "Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 10,17-18.22).

Já no Evangelho de hoje os discípulos encontram Jesus à beira do lago, “mas não sabiam que era Jesus”. Com efeito, o Senhor deu até um sinal do novo que acontecia, quando começou um diálogo com eles: “Jesus disse-lhes: 'Lançai a rede à direita da barca, e achareis.' Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes.

Aqui, dois fatos nos chamam a atenção: primeiro, mesmo sem ser reconhecido, Jesus realiza o que ordena, uma vez que eles, ao obedecerem sua Palavra, pescaram em poucos minutos o que não conseguiram durante toda noite. Segundo, percebemos, na pessoa de São João, que o amor sempre encontra facilmente a verdade, pois aquele que ama vê muito além do que os olhos podem ver. Isto porque, mesmo diante do milagre, ainda não o tinham percebido claramente. “Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: 'É o Senhor!'”

Conclusão: ao viver a nova condição de ressuscitados com Jesus ressuscitado, os discípulos levam consigo o poder do Seu Nome e por esse poder anunciam a boa nova da salvação à todas as nações; ora, isto se dá também em nossos dias, pois Jesus continua sua obra salvífica até o fim do mundo e “aquele que perseverar até o fim será salvo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O PROTESTANTISMO E O SEU RESULTADO NEFASTO...



O PROTESTANTISMO E SEU RESULTADO NEFASTO...

Com efeito, neste ano de 2017 o protestantismo completará 500 anos de existência; tal movimento teve início em 31 de Outubro de 1517 (data essa onde atualmente nos Estados Unidos, país de fundação protestante, se celebra o dia das bruxas; ou seja, isto é só um alerta que faço para ficarmos atentos), por meio de Martinho Lutero ao pregar suas 95 teses na porta da Catedral de Winttenberg, na Alemanha, contestando a autoridade do Papa e da Igreja Católica no tocante às indulgências. Desse modo, deu-se início ao protestantismo que se alastrou mundo afora até os dias de hoje, tendo como consequência a divisão do cristianismo. Ora, foi como se toda a evangelização desde Cristo e os Apóstolos até 1517, data da pretensa reforma, fosse ineficaz, pois a partir das ideias de Lutero é que se devia refundar o cristianismo; logo essa infeliz proposição Protestante tomou corpo e se difundiu rapidamente como uma espécie de enfermidade contagiosa atingindo toda a Europa e com o tempo também o mundo.

Com efeito, rejeitar a autoridade do Papa é rejeitar a quem lhe deu essa autoridade, Cristo Jesus: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela, eu te darei as chaves do Reino dos céus, tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,19; cf. Jo 21,15-19). E ainda: “Quem vos rejeita a mim rejeita, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16). Assim também quem rejeita a Igreja, rejeita Cristo, pois não existe a Igreja sem Cristo, porque a Igreja é o Corpo de Cristo, do qual Ele é a cabeça e nós somos os seus membros (cf. Cl 1,18; 1Cor 10,17;12,12.26).

De fato, o Diabo é esperto e sabe como enganar e a quem enganar com a divisão que implantou, pois o número de denominações protestantes é tamanho que chega ao absurdo. Ora, o espírito de divisão nunca foi e nunca será de Deus. Seguir o caminho do protestantismo é seguir o caminho de Lutero e não o de Cristo, pois o Jesus do protestantismo não é o Filho de Deus; e isto constatamos ao lermos as teses de Lutero, que são uma verdadeira afronta à Palavra de Deus. Pois, não passam de artimanhas e argumentos fúteis, usados para fomentar a divisão, a discórdia e tudo o que elas geraram desde então.

Quanto às indulgências, estas são autênticas e legítimas, pois não existe nada de errado no perdão das penas devidas pelos pecados ou na comutação delas (cf. Jo 20,21-23); pois o Senhor no-las dá, por meio de seus Ministros devidamente ordenados, porque nos ama e é misericordioso para conosco. De fato, no passado houveram abusos por parte de alguns desobedientes, no entanto, foram corrigidos, e graças a essa disciplina, hoje podemos usufruir delas livremente para a nossa salvação, como ocorreu no ano da Misericórdia proclamado pelo Santo Padre, o Papa Francisco.

No mais, é só verificar a contradição na qual os líderes protestantes caem hoje em dia com relação as indulgências que Lutero condenava, e que o próprio Lutero caiu em tentação ao usufruir do dinheiro e da proteção dos príncipes mandatários que o apoiaram em sua desobediência contra a Igreja Católica. A única diferença é que os nomes usados por eles hoje são: “ofertas”, “dízimos”, “colaboração”, etc. Ora, assim compreendemos quais foram os pilares da fundação do protestantismo: a luta pelo poder temporal e espiritual baseada na ganância, no obter dividendos, e no forte loby político dos príncipes alemãs (prática de tráfico de influências ou até mesmo corrupção ativa) contra a Igreja Católica, aproveitando-se da rebeldia de Lutero.

A única coisa que tenho a dizer sobre isto é o que está escrito na Carta de São Paulo aos Romanos: “Assim, és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles. Ora, sabemos que o juízo de Deus contra aqueles que fazem tais coisas corresponde à verdade. Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade, desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento? Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego; mas glória, honra e paz a todo o que faz o bem, primeiro ao judeu e depois ao grego. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.” (Rm 12,1-11).

Vejamos em termo de doutrina o que o protestantismo gerou:

O protestantismo destruiu na mente de seus seguidores o conceito de Igreja como Sacramento Universal da salvação da humanidade, a parte visível do Reino de Deus no mundo, a unidade do Corpo do Senhor; e implantou um conceito de divisão tal qual o mal sempre quis; por isso, tentou anular a autoridade dada por Jesus a Pedro (cf. Mt 16,16-19; Jo 21,15-19) e trocou pelo conceito subjetivista "só a escritura", onde cada um podia interpretar a Sagrada Escritura conforme o próprio entendimento, e com isso criou uma incontável multiplicidade de denominações proselitistas para dividir o rebanho do Senhor, implantando as mais espúrias doutrinas que já se viu na face da terra, sinal do mesmo espírito de desobediência implantado na mente de Lutero, e que se faz presente em sua doutrina e na mente de seus seguidores.

Por não ter a sucessão apostólica, o protestantismo retirou de seus seguidores a fé na Santa Missa, Santo Sacrifício encruento do Senhor, Memorial permanente da nossa salvação e a rebaixou entre eles para Culto da Palavra, abandonando com isso a prática dos Sacramentos. Ora, os Sacramentos são Sinas Sagrados onde Deus opera diretamente a salvação dos homens; no entanto, o protestantismo destituiu de sua doutrina a prática sacramental eliminando dela a Teofania Divina (ação direta de Deus) nos sete Sacramentos (Batismo, Crisma, Reconciliação, Eucaristia, Unção dos Enfermos, Matrimônio e Ordem) e os trocou facilmente pela frase: "Você aceita Jesus como seu salvador?" Como se essa pergunta fosse o único critério para a salvação da humanidade; ora, em nenhuma evangelização que o Senhor e os Apóstolos fizeram se encontra tal pergunta. Todavia, em sua evangelização, os encontramos administrando os Sacramentos (cf. Jo 20,21-23; At 2,37-42; 1Cor 11,23-26; Tg 5,13-16; 2Tm 1,6).

Ora, o Protestantismo sempre criticou as devoções pessoais, no entanto, trocou a verdadeira devoção à Mãe de Deus e aos Santos (cf. Ap 8,3-4), pelo culto à personalidades (pecado gravíssimo, cf. Jo 5,41-44); ou seja, são inimigos da devoção à Mãe de Jesus (cf. Gn 3,15) e aos santos, mas não hesitam enaltecer pregadores e astros da música Gospel, pagando verdadeiras fortunas por seus shows e ministrações; ou ainda a exaltação de Pastores-astros midiáticos, ou outros famosos como cantores e jogadores de futebol que se dizem “evangélicos”, por participarem de seus cultos, etc.

O protesto de Lutero começou com a crítica às indulgências, mas hoje o protestantismo vende de tudo, orações, óleo santo, água do rio Jordão, fogueira santa, rosa ungida, pretensas revelações, etc. Até para se entrar no "Templo de Salomão" tem que pagar; sem contar os inúmeros escândalos na política usando o  nome do Senhor Jesus e de denominações para desvios de dinheiro público, horrível, verdadeira abominação (cf. 1Tm 6,6-10).

São João bem explica o porquê de tudo isso: (I São João 2,18-29): “Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos.”

“Vós, porém, tendes a unção do Santo e sabeis todas as coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da verdade. Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Todo aquele que proclama o Filho tem também o Pai.”

“Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, permanecereis também vós no Filho e no Pai. Eis a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Era isto o que eu vos tinha a escrever a respeito dos que vos seduzem. Quanto a vós, a unção que dele recebestes permanece em vós. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei nele, como ela vos ensinou.”

“E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando aparecer, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele, na sua vinda. Se sabeis que ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.”


Em suma, muitas heresias apareceram na face da terra, entretanto, o protestantismo se tornou a pior delas, pois usa a Palavra de Deus para desobedece-lo (cf. Mt 4,1-10; Gl 1,6-9). Ou seja, leem a Palavra pela ótica da desobediência de Lutero em quem tal heresia teve origem. Nenhuma pessoa que segue o protestantismo consegue ter paz, pois vive numa desconfiança infinda, por estar sob a mesma excomunhão de seu fundador e chefe. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Minha leitura do filme Silêncio de Martin Scorsese

Paz e bem!

Domingo, 12 mar., fui assistir ao filme Silêncio (Silence) de Martin Scorsese. Além das questões relativas à História do Catolicismo no Japão, eu tinha um motivação muito particular: eu digo que para meu pai (que faleceu em junho do ano passado) no fundo a hierarquia da Igreja Católica era assim:
  1. O Papa
  2. Os Cardeais
  3. Os Bispos
  4. Os Padres Jesuítas
  5. Os demais Padres
Meu tio avô, que eu não conheci, era o Padre Luiz Gonzaga Jaeger, SJ, que pesquisou sobre as missões aqui no Rio Grande do Sul e hoje dá nome a uma escola pública em Canoas.

Três jesuítas martirizados no Japão / Guido Cagnacci. Séc. 17.
Traçar um paralelo entre a ausência de resposta por parte de Deus perante o que estão vendo e sofrendo e o silêncio com que Deus Pai responde ao sofrimento de Jesus na crucificação é um caminho muito óbvio, já apontado no próprio título e explicitamente durante o filme.

Mas saí do cinema com a impressão de o Scorsese fez uma leitura muito própria da citação bíblica "Não existe amor maior do que dar a vida por seus irmãos" (Jo 15, 13).

Para isto o protagonista, Padre Rodrigues, para que parasse a perseguição aos aos cristãos japoneses dá algo maior que a sua vida; dá a sua alma (e para os europeus no seculo XVII isto era algo muitíssimo importante). E como ele dá a sua própria alma? Ao Formalizar publicamente o ato de abandono da fé cristã e católica, num Autodefé japonês. Após isto fica claro que sem a presença de um padre no território nipônico, as autoridades voltarão a fazer vistas grossas com relação aos grupos cristão ainda existentes.

E de fato, continuaram nas catacumbas a perseverarem na sua fé, só ministrando o batismo, rezando discretamente em comunidade e transmitindo bocaaboca o que haviam aprendido no passado. Estes católicos só voltam a aparecer no século XIX, depois que o estadounidense Comodoro Perry com seus canhões forçou o Japão a abrir-se aos estrangeiros -- o que precipitou o fim do xogunato (o que é retratado no fime o Úlitmo Samurai (The Last Samurai)) --.

Mas voltando ao filme após o Autodefé, que realizou os atos blasfemos, mas em consciência não aderiu a uma nova fé ainda tem muita angustia. Aí vem Kichijiro, o primeiro japonês que ele encontrara, um cristão que já várias vezes renegara a sua fé em público -- sendo que da primeira vez o restante de sua família não o fez e por isto foi morta na sua frente -- um personagem miserável, fraco, que vive se torturando pela sua fraqueza, que não conseguia se perdoar e que Rodrigues conseguir convencer que ele poderia obter a misericórida de Deus por meio do sacramento da Confissão. Pois bem, mais uma vez vem Kichijiro pedir para se confessar, Rodrigues responde que ele já não é mais padre, o japonêss insite e isto faz com que o jesuíta se recorde que mesmo ele sendo uma pessoa indigna a doutrina afirma: "Tu és sacerdote para sempre" e ele mais uma vez ouve a confissão e apartir daí ele alcança a paz interior, mesmo que para os olhos de todos ele já não fosse mais um católico, ele confiava na misericórdia do Deus Uno e Trino.

Sim esta é uma leitura muito particular que faço do filme
(e pode ser que seja o do livro que dá origem ao filme,
mas não lí o livro),
e tenho certeza de que muitos catolibãs não vão gostar dela
(mas o problema é deles).
PS: No caso do Brasil também podemos fazer uma leitura sobre como sobreviver em tempos de perseguição política, mas óbvio que o Scorsese não tava pensando na situação golpista e TEMERosa do Tucanistão.
Fonte da ilustração: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Guido_Cagnaccio_-_Three_Jesuit_martyrs_in_Japan.jpg acesso em 2017-03-15

sábado, 21 de janeiro de 2017

O COMBATE ESPIRITUAL...


O COMBATE POR MEIO DA PALAVRA DE DEUS, PELA ORAÇÃO,
PENITÊNCIA E DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS...

Com efeito, o combate espiritual contra as forças do mal, presente em todos os pecados, é constante em nossa vida, pois, basta um pequeno descuido e a tentações se apresentam querendo nos arrastar para a morte que o pecado causa. Jesus mesmo combateu as tentações que são essas forças do mal, e nos ensinou como combatê-las, primeiro pela Palavra de Deus, depois pela oração e o exercício da penitência, e em seguida pelo uso dos demais dons que o Espírito Santo dispõe à nosso favor, especialmente o discernimento dos espíritos, para assim combatamos eficazmente tudo o que se levanta contra os filhos de Deus e contra tudo o que é sagrado.

1. O COMBATE POR MEIO DA PALAVRA DE DEUS

Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).

O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s). Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).

O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13). Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.” (Mt 4,1-11).

Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.

Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.” (Ef. 6,10-17).

Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.” (Hb 4,12-13).

E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.” (2Tm 3,14-17).

2. O COMBATE PELA ORAÇÃO...

A oração é um dom precioso de comunicação, por ela nos elevamos ao Senhor e pomos diante dele as nossas necessidades e as dos nossos irmãos e irmãs na fé, espalhados no mundo inteiro. De fato, a oração é também uma arma de combate espiritual maravilhosa, por ela nos armamos das armas da graça, da piedade e da autoridade divina que o Senhor nos concede para expulsarmos os males físicos, psíquicos, espirituais e morais.

Eis alguns exemplos de combate espiritual pela fé e a oração: “Então os discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não pudemos nós expulsar este demônio? Jesus respondeu-lhes: Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela irá; e nada vos será impossível. Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum.” (Mt 17,19-20). O dom da fé faz aumentar o poder de Deus em nossa vida; e a oração juntamente com o jejum e a penitência nos ajuda a realizar a obra libertadora que o Senhor preparou como nossa missão.

Ora, quando tratamos de combate pela oração, tratamos de vigilância, pois esta é profundamente necessária para termos um discernimento perfeito, e não nos deixarmos levar pela “carne que é fraca” como nos ensina o Senhor: “Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo.

Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo... Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26,36-41).

Então, para que este combate seja eficaz e proveitoso, eis a recomendação de São Paulo nos faz: “Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.” (Ef. 6,18). Ou ainda: “Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! Fiel é aquele que vos chama, e o cumprirá.” (1Tess. 5,17-24).

3. O DOM DO DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS

Discernimento dos espíritos, dom do Espírito Santo que nos dá a conhecer o que vem e o que não vem de Deus; como escreveu São Paulo: “Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou”. (1Cor 2,12).

Douto nesse entendimento, São João nos exorta: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo se fez carne é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.

Vós, filhinhos, sois de Deus, e os vencestes, porque o que está em vós é maior do que aquele que está no mundo. Eles são do mundo. É por isto que falam segundo o mundo, e o mundo os ouve. Nós, porém, somos de Deus. Quem conhece a Deus, ouve-nos; quem não é de Deus, não nos ouve. É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro”. (1Jo 4,1-6).

Para uma melhor compreensão desse dom do Espírito Santo, temos uma bela explanação do Bispo Diádoco de Foticéia, cujo título é: A ciência do discernimento dos espíritos vem da percepção da Inteligência. Eis como ele se expressa:

“A luz da verdadeira ciência está em discernir sem errar o bem do mal. Feito isto, a via da justiça que leva a mente à Deus, sol de justiça, introduz então a inteligência naquele infinito fulgor do conhecimento, que lhe faz procurar daí em diante, com segurança, a caridade.

Os que combatem precisam manter sempre o espírito fora das agitações perturbadoras para discernir os pensamentos que surgem: guardar os bons, vindos de Deus, no tesouro da memória; expulsar os maus e demoníacos dos antros da natureza. O mar, quando tranquilo, deixa os pescadores verem até o fundo, de sorte que quase nenhum peixe lhes escape; mas, agitado pelos ventos, ele esconde na turva tempestade aquilo que se via tão facilmente no tempo sereno. Assim, toda a perícia dos pescadores se vê frustrada.

Somente, porém, o Espírito Santo tem o poder de purificar a mente. Se o forte não entrar para espoliar o ladrão, nunca se libertará a presa. É necessário, portanto, alegrar em tudo o Espírito Santo pela paz da alma, mantendo em nós sempre acesa a lâmpada da ciência. Quando ela não cessa de brilhar no íntimo da mente, conhecem-se os ataques cruéis e tenebrosos dos demônios, o que mais ainda os enfraquece sendo eles manifestados por aquela santa e gloriosa luz.

Por esta razão diz o Apóstolo: Não apagueis o Espírito, isto é, não causeis tristeza ao Espírito Santo por maldades e maus pensamentos, para que não aconteça que ele deixe de proteger-vos com seu esplendor. Não que o eterno e vivificante Espírito Santo possa extinguir-se, mas é a sua tristeza, quer dizer, seu afastamento que deixa a mente escura sem a luz do conhecimento e envolta em trevas.

O sentido da mente é o paladar perfeito que distingue as realidades. Pois como pelo paladar, sentido corporal, sabemos discernir sem erro o bom do ruim quando estamos com saúde e desejamos as coisas delicadas, assim nossa mente, começando a adquirir a saúde perfeita e a mover-se sem preocupações, poderá sentir abundantemente a consolação divina e conservar, pela ação da caridade, a lembrança do gosto bom para aprovar o que for ainda melhor, conforme ensina o Apostolo: Isto peço: que vossa caridade cresça sempre mais na ciência e na compreensão, para discernirdes o que é ainda melhor”. (Capítulos sobre a Perfeição Espiritual, Diádoco de Foticéia, bispo Séc. V).

Por fim, menciono outra fonte de discernimento perfeito dos espíritos revelada por São Paulo na Carta aos Romanos: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rom 12,1-2).

“Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará sempre convosco”. (Fil 4,8-9).

ORAÇÃO PARA OBTER O DOM DO DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS

Eterno Deus Onipotente, Justo e Misericordioso, concedei-nos a nós míseros, praticar por vossa causa o que reconhecemos ser a vossa vontade e querer sempre o que vos agrade, a fim de que interiormente purificados, iluminados e abrasados pelo fogo do Espírito Santo, possamos seguir as pegadas de Vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e por vossa graça unicamente chegar até vós, ó Altíssimo, que em Trindade Perfeita e Unidade Simples viveis e reinais na Glória como Deus Onipotente por toda a eternidade, amém.” (São Francisco de Assis).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

AS SETE VIRTUDES, ARMAS DE COMBATE CONTRA OS PECADOS CAPITAIS...


AS SETE VIRTUDES, ARMAS DE COMBATE CONTRA OS PECADOS CAPITAIS...

Segundo a Doutrina da Igreja Católica, as Virtudes "são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade humanas, que regulam os nossos atos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por atos moralmente bons e repetidos, são purificadas e elevadas pela graça divina". (https://goo.gl/S9fTS8).

Com efeito, essas Virtudes que se contrapõem aos pecados capitais, são graças inefáveis recebidas no nosso batismo, e que são potencializadas pelo Espírito Santo, a fim de que vençamos todo o mal que nos induz ao pecado por meio das tentações, que são tendências maléficas, que de certa forma, o ser humano se deixa levar por elas, quando não se mantêm vigilante, como nos ensina o Senhor: ”Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26,41).

Aliás, a esse respeito, São João nos ensina o seguinte: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.” (1Jo 2,15-17).

Então, vamos às virtudes necessárias para combater os pecados capitais, pois elas são as qualidades divinas ou valores eternos que Deus infundiu no ser humano quando o criou “à sua imagem e semelhança”, a fim de que, por sua prática, permanecêssemos em plena comunhão com Ele, e assim, fizessêmos a sua vontade em todo o nosso modo de ser.

1. Ao pecado da soberba ou ourgulho, se contrapõe a Virtude da Humildade. Ao escrever sobre esta virtude São Paulo assim se referiu: “Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros.

Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” (Fil 2,1-8). Ao meditarmos este texto percebemos o poder dessa virtude para manter a unidade do Corpo de Cristo que é a Igreja (cf. Col 1,18); pois o orgulhoso nunca se submete, ao contrário, quer pisar sempre naqueles que, de algum modo, tem cesso; e com isso, se torna causa de discórdia e divisão aonde se encontra.

2. Ao pecado da Avareza, se contrapõe a Virtude da Generosidade, que é irmã gêmea da solidariedade; esposa e mãe de todo bem que há. Liberta dos apegos e dos medos das percas materiais. Liberta da avareza, vileza que leva muitos à idolatria do dinheiro. Uma alma generosa é rica em satisfação, porque é alento para os necessitados e porta aberta de salvação para quem a pratica...

3. Ao pecado da inveja, se contrapõe a Virtude da Caridade, que se alegra sempre com as dadivas dos semelhantes e reconhece que tudo pertence a Deus que dota os filhos seus de graças inefáveis para o próprio bem e o bem de todos. Essa virtude reconhece ainda a presença de Deus nos dons exercidos pelos seus filhos como auxílio na missão que receberam de o testemunharem por meios de tais talentos. Na sua Carta aos Éfesios, são Paulo, escreveu o seguinte: “Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.” (Ef. 2,8-10). Ou seja, a Caridade é humilde e por isso reconhece que, “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade.” (Tg. 1,17).

4. Ao pecado da Ira se contrapõe a virtude da Mansidão. Quem vive cultivando essa virtude tem seu coração em Deus, que nos ensina por seu Filho amado, a nunca nos alterarmos em meio aos desequilíbrios dos homens (cf. Mt 11,28-30). Essa virtude vem também acompanhada de uma promessa, os mansos possuirão a terra, indício da posse do céu, terra eterna prometida por Deus aos filhos seus (cf. Mt 5,5; 2Ped 3,11ss).

5. Ao pecado da luxúria ou impureza se contrapõe a virtude da Catidade também chamada de pureza de alma. A Pureza de coração ou Castidade, nos leva à visão de Deus: “Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. Ora, todos nós cristãos sabemos disso. Mas por que nem todos a praticam? Por causa do imediatismo da impureza, que faz a carne experimentar o que a alma rejeita. E porque a alma rejeita? Porque a impureza leva ao precipício do egoísmo, mesmo assim milhares e milhões caem nas chantagens psíquicas dos egoístas de plantão e se tornam também escravos do imediatismo como eles.

São Paulo referindo-se a essa luta entre a carne e o espírito, escreveu: “Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.

Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Rm 8,5-8.12-14).

6. Ao pecado da gula se contrapõe a Virtude da Temperança. “A Temperança (ou Moderação) "modera a atracção dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados", por isso, é descrita como sendo a prudência aplicada aos prazeres.” (https://goo.gl/S9fTS8). Ou seja, ela é o equilíbrio perfeito entre os desejos da carne e os do Espírito, porque nunca se excede.

7. Ao pecado da Preguiça se contrapõe a Virtude da Diligência. Uma alma diligente é uma alma atenta à missão que Deus lhe confiou, é como está escrito no Livro da Sabedoria: “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o repelirá.” (Sab 1,1-5).

De fato, Deus nos deu o governo de nossa vida, para a governarmos de acordo com a sua Vontade, caso contrário, seremos tragados pelo pecado da Preguiça, que esfacela a vida de quem o comete, fazendo com que fique estagnado, desleixado, sem ânimo, sem vida, em total vazio existencial.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017


OS PECADOS CAPITAIS E SUAS CONSEQUÊNCIAS...

Quando buscamos compreender qual seja o significado do conceito de pecado, não estamos tratando de uma mera questão subjetiva ou de uma simples discussão sobre conceitos, mas sim, de um caso de vida ou morte, pois é isto que implica as consequências da prática ou não deste conceito em nossa vida. Aliás, constatamos isto pela dicotomia que vemos no seio de nossa sociedade; é como escreveu São Paulo na Carta aos Romanos: “Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6,23).

O pecado é, sem dúvida, um dos grandes dilemas da humanidade, é uma espécie de enigma intrínseco capaz de causar grandes tragédias, gerando seres profundamente infernais. Onde ele se faz presente com a anuência (consentimento) da humana criatura, perdemos toda ternura, todo sentido de vida e começamos pouco a pouco a definhar rumo ao caos; isto se dá porque quando pecamos, o demônio, inimigo número um de nossas almas, “mina” todas as nossas iniciativas para Deus, fazendo-nos ter uma visão controversa da obra do Senhor e de nosso papel na criação.

Daí vem o alto grau de periculosidade comportamental que infecta nossa sociedade, pretensamente moderna, como uma doença quase incurável ou altamente contagiosa, que por onde passa, deixa o seu rastro de destruição e de morte. Infelizmente a humanidade ainda não despertou para a ruína final que está para se abater sobre nós, pois continua sua corrida extremamente maliciosa, traiçoeira e perversa no cometimento das mais terríveis aberrações, a ponto de desafiarem o próprio Criador pela desobediência às suas leis naturais e divinas. De fato, precisamos começar por nós mesmos o processo de conversão a Deus Pai e Criador de nossas almas, a quem precisamos amar acima de todas as coisas por meio do seguimento de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

Vejamos agora a tradução do conceito de pecado para entendermos melhor de que forma ele surge, e como fazer para evitarmos comete-lo, e assim conservamos a verdadeira liberdade conquistada por Cristo Jesus, o Filho de Deus muito amado, que nos libertou do pecado, de suas consequências e de todo o mal.

São Basílio Magno, em sua Regra mais longa, assim situa o pecado: “Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus, daquilo que ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito do Senhor.” (Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo (Resp. 2,1: PG 31,908-910)(Séc.IV).

Já para Santo Agostinho, o pecado se traduz por "«palavra, ato ou desejo contrários à Lei eterna»", causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor. Logo, este ato do mal é um "abuso da liberdade" e fere a natureza humana. "Cristo, na sua morte de cruz, revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia". (IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 392. ISBN 972-603-349-7.).

Em um artigo intitulado, A Realidade do Pecado no Homem, eu o defino da seguinte maneira: O pecado é como uma erva daninha que nasce de forma misteriosa, mas permitida pelo homem (cf. Gen 3), no terreno de sua vida, levando-o a ruína e à perdição parcial ou total. Ele é de ordem espiritual, pois tem sua origem na desobediência dos anjos decaídos; e do homem que o consentiu no início da criação (cf Gn 3,1-13); posto que Deus os criou livres para o amarem e permanecerem fieis a Ele por toda a vida, até que atingisse a plenitude de sua imagem e semelhança ou a sua imortalidade. Por isso, Jesus nos ensinou que, “Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.” (Jo 8,34-36).

Eis os pecados chamados capitais, pois eles são a cabeça, e carregam essa condição por levarem os homens aos mais terríveis vícios e pecados mortais, que são os pecados contra os mandamentos da Lei de Deus, e que conduzem os homens à morte eterna se morrerem com eles.

1 - A Gula

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida.

Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula.

2 - A Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades.

Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 - A Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”.

Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade desregrada. Do latim luxuria.

4 - A Ira

A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.
A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira.

5 - A Inveja

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos [que são as qualidades e valores pessoais] e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual.

É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida num dos Mandamentos da Lei de Deus. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 - A Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia.

7 - A Soberba ou Orgulho

Conhecida como soberba, é associada a orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas. (http://www.catolicoorante.com.br/7pecados.html).

Além destes pecados chamados de Capitais, porque cabeça de todos os outros pecados; o Papa Bento XVI também nomeou os sete pecados capitais da era que vivemos. Segundo Bento XVI, além da Saligia (ordem em que se situa os pecados capitais), os humanos teriam desenvolvido sete pecados capitais modernos. Eles são:

Pressa: uma pessoa apressada não tem tempo para Deus. A Pressa origina Ira e causa acidentes.

Manipulação genética: isso seria "brincar de Deus", algo inaceitável.
Interferir no Meio Ambiente: adicionar imperfeições na Criação de Deus.

Causar pobreza: retirar dinheiro dos outros por Avareza (corrupção).

Ser muito rico: causa desigualdade social, o que é inaceitável, pois todos são iguais perante Deus.

Usar drogas: interferir em seu organismo.

Causar injustiça social: preconceito e bullying, em sua maioria.

O Vaticano divulgou essa lista ainda neste século, sendo eles os pecados capitais do Século XXI. (https://goo.gl/M13QQx).

As consequências de todo pecado é sempre a morte (cf. Rm 6,23), com ela chega ao fim todos os atos humanos, incluíndo os atos pecaminosas, que são a causa da ruina e perdição de todos os que os cometem. Todavia, não podemos esquecer que a misericórdia divina vem sempre em socorro de todos os pecadores para vencermos as tentações e o mal que age por meio delas para nos levar ao pecado e à morte. Ora, a Misericórdia do Senhor, por meio do Espírito Santo, nos concede as Virtudes juntamente com o dom do discernimento para vencermos as tentações, o pecado, a morte e todo o mal que se levanta contra os filhos de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A VIRTUDE DA HUMILDADE


A VIRTUDE DA HUMILDADE

A palavra humildade vem do termo latino húmus que é a terra processada e tornada fecunda, capaz de fazer germinar as sementes nela depositadas tornando-as profundamente férteis e bastante produtivas. De fato, fazendo uma analogia entre o húmus e a virtude da humildade, vemos que o húmus dessa virtude consiste em transformar os resíduos dos pecados alheios e pessoais em fecundidade da alma imersa na misericórdia de Deus. Ou seja, transformar os dejetos deste mundo em graças especiais para a nossa salvação eterna.

Ora, ninguém é autossuficiente o bastante para dizer “não preciso”, pelo contrário, dependemos de tudo naturalmente e também uns dos outros nas mais diversas necessidades pessoais. Por isso mesmo, precisamos entender que, quem depende sempre, não manda em nada fora de sua necessidade, mas precisa obedecer sempre, para que haja solidariedade entre todos e assim cheguemos à saciedade desejada, para que haja comunhão, ou seja, para que nos tornemos um, como é vontade de nosso Pai do céu (cf. Jo 17,11.21).

Temos ainda um belo exemplo do fruto da humildade na Sagrada Escritura, por meio da partilha dos bens temporais: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade”. (At 4,32-35).

Também São Paulo se refere a essa virtude a partir da unidade com outras virtudes: “Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. (Fil 2,1-5).

Por fim, meditemos nessa frase de São Paulo: “Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. Essa frase nos ensina a perfeição da humildade revestida da caridade, que consiste em servir “ao próximo como a si mesmo”. De fato, só serve quem não tem nada de próprio, quem rompeu com os apegos deste mundo, quem vê tudo como dádiva de Deus para todos, e que pense consigo, a ninguém falte coisa alguma enquanto aqui estivermos, mesmo que os homens tentem nos tirar tudo.

Aprendemos esta verdade de nosso Senhor e Salvador que disse: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”. (Mc 10,45). De fato, somos servos, e o servo só faz o que o seu Senhor ordena (cf. Mq 6,8), sem a ordem do Senhor, o que faremos? Agimos por conta própria e quando essa ação não é conforme a vontade de Deus, tudo dá errado em nossa vida. Porque o Senhor também nos ensinou: “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,30).

Ou seja, na vida de quem serve a Deus humildemente, mesmo que aparentemente tudo dê errado aos olhos dos homens; no entanto, aos olhos de Deus, “tudo concorre para o bem daqueles que o amam”, pela santa obediência. E por esse serviço humilde e despojado, eis a recompensa do Senhor: “Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á”. (Lc 12,37).

Sentar à mesa do Senhor com o Senhor a nos servir, isso se dará à medida do nosso serviço, “pois tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”; por isso, não queira nada fora da vontade do Senhor, pois Ele nos dá conhecer sua vontade pelas virtudes que nos concedeu, dentre elas a virtude da humildade vigilante, porque é assim que o servimos e o amamos de todo coração.

Conta-se um fato acontecido na vida de Santa Tereza D’avila. Ao meditar sobre virtude da humildade, ela fez ao Senhor o seguinte propósito: “Senhor meu, hei de escolher sempre o último lugar, pois tu mesmo disseste, ‘quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado’”. Por isso, nas refeições diárias sempre procurava se alimentar por último. Certo dia, depois de vê que todas as irmãs já estavam na fila, ela se pôs no último lugar; quando, mais que de repente, sentiu uma leve brisa soprando por entre sua cabeça e as costas, ao que indagou: mas não sou eu a última das irmãs? Voltando-se viu Jesus que lhe respondeu: “Tereza, não sabes que o último lugar é o meu?”. Assim, ela entendeu que, quem procura o último lugar, encontra nele o Senhor.

Portanto, ser humilde é ser o que Deus quer, é ser como Deus é, “manso e humilde de coração”, como ele mesmo nos ensinou: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve”. (Mt 11,29).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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