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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Ó VINDE ESPÍRITO SANTO ENCHEI OS CORAÇÕES DOS VOSSOS FIÉIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,26–16,4a)(23/05/22)

Caríssimos, a nossa relação com Deus tem como fundamento o amor com que Ele nos ama e de igual modo o amor com que o amamos sobre todas as coisas para assim amarmos uns aos outros; de certo, é dessa reciprocidade amorosa que nasce a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, como nos ensina são Paulo (cf. Ef 4,3).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina que o Espírito Santo dá testemunho Dele e nos leva à confiança inabalável na Sua Palavra para que ela se cumpra em nossa vida, e assim também nos possamos testemunha-lo. Ou seja, o nosso testemunho nasce da nossa relação com o Senhor que se dá pela ação do Espírito Santo na compreensão da sua vontade para que a ponhamos em prática.

Comentando esse Evangelho disse o Papa Emérito Bento XVI: "É muito importante acreditar firmemente na presença e ação do Espírito Santo, para invocá-lo e acolhê-lo em nós, através da oração e dos sacramentos. É Ele quem ilumina a mente, aquece o coração para que possamos transmitir o conhecimento e o amor de Jesus.

Quando rezamos, ouvimos as inspirações de Deus para fazer bem a nossa parte, que em todo caso nos pertence e devemos cumprir. Os sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penitência, permitem-nos realizar o nosso testemunho em união com Cristo, em comunhão com Ele e continuamente renovadas pelo seu perdão. 

Portanto, "A oração e os Sacramentos obtêm-nos aquela luz da verdade, graças à qual podemos ser ao mesmo tempo ternos e fortes, usar de mansidão e firmeza, calar e falar no tempo certo, censurar e corrigir na medida certa." (Bento XVI - Santa Missa e batismo de algumas crianças, 8/01/2012).

Destarte, peçamos ao Senhor Jesus para iluminar as nossas almas com a luz do Espírito Santo e por ele darmos o nosso testemunho da sua presença em nossas ações, e em nosso modo de ser e estar no mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 22 de maio de 2022

Homilia do 6Dom da Páscoa...


 Homilia do 6°Dom da Páscoa (Jo 14,23-29)(22/05/22)

Caríssimos, a liturgia deste sexto domingo da Páscoa nos revela um dos maiores mestérios da nossa fé, pela nossa obediência nos tornamos morada da Santíssima Trindade. De fato, só é possível compreender esse mistério pela ação direta do Espírito Santo, como nos ensinou o Senhor Jesus: "Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito." (Jo 14,26). 

Com efeito, essa segurança que o Senhor Jesus nos transmite é a garantia de que aquilo que estamos vivendo em comunhão com Ele no tempo tem como termo o paraíso, a Jerusalém celeste descrita por são João na segunda leitura. De certo, não se trata de utopia ou imaginação, mas da revelação da morada de Deus com seus filhos e filhas por toda eternidade.

Mas, atenção, porque nada de impuro entrará nesta cidade, por isso, a obediência ao Senhor Jesus é fundamental porque nasce do nosso amor a Ele: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda a minha palavra." (Jo 14,23-24a). Ou seja, somos habitação de Deus porque o amamos pela graça do Espírito Santo.

Portanto, caríssimos, a vivência desse mistério, seria impossível por nós mesmos, pois, não depende do nosso esforço, mas unicamente da nossa submissão amorosa à Palavra do Senhor que nos dá o Seu Espírito para vivermos em justiça e santidade todos os dias que ainda nos resta neste mundo.

Destarte, escutemos atentamente são João: "A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro. Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro." (Ap 21,23.27).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O SENHOR JESUS ESTÁ SEMPRE CONOSCO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,18-21)(21/05/22)

Caríssimos, a vida vivida segundo a vontade de Deus é mais real do que a realidade que vivemos, bem como vimos na primeira leitura: "Paulo e Timóteo atravessaram a Frígia e a região da Galácia, pois o Espírito Santo os proibira de pregar a Palavra de Deus na Ásia." (At 16,6). Ou seja, o Senhor os acompanhava aonde quer que fosse com as evidências da Sua presença pessoal.

Desse modo, compreendemos que a fé nos proporciona essa convivência com o Senhor Jesus, como proporcionou a Maria Santíssima, são José, os Apóstolos e todos os santos e santas de todos os tempos. Ou seja, a Igreja é o lugar sagrado desse convívio, nós somos os seus membros e seguimos o Senhor ressuscitado interagindo com Ele até o céu.

Todavia, como nos ensina o Senhor no Evangelho de hoje, nem por isso somos isentos das perseguições e provações: "Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu senhor’. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”. (Jo 15, 20-21).

Com efeito, "Jesus não promete aos seus discípulos uma vida celestial, sem dificuldade; não promete sucesso, elogios, promoção social. A vida que Ele oferece não pode ser comparada aos ideais mundanos marcados pela vaidade, pelas aparências, pela celebridade.

Portanto, seus discípulos devem estar prontos para o mal entendido, o desrespeito, a rejeição como foi para com Ele. No entanto, a presença de Deus em suas vidas é a melhor recompensa, a melhor segurança e a única força de que precisam.

Os discípulos que levam o Evangelho e seguem Jesus sabem de antemão que nem sempre serão acolhidos com coração aberto e gratidão; mas serão protagonistas à maneira de Cristo de uma nova história, com a mesma verdade, a mesma mansidão daquele que armado com o perdão na cruz perdoa e ama até o fim." (Mons. Angelo Spina, Arcebispo de Ancona - Osimo).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

MUITOS FALAM DE AMOR, MAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,12-17)(20/05/22)

Caríssimos, quantos são aqueles que pensam que o amor é só um sentimento que nos traz alegria e paz; no entanto, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos ensina que o verdadeiro amor consiste em dar a sua vida para resgatar a nossa vida que estava perdida sem salvação alguma. E isso não é somente um sentimento, mas a comunicação de si mesmo, ou seja, da vida divina herdada do Pai.

De fato, muitos falam de amor e dizem que amam, porém, basta uma provação para se deixar abalar e se fechar em si mesmos ou então se entregar aos vícios e outros atitudes por conta das decepções que causam revolta, ressentimentos e tantos outros males da alma imersa no vazio da falta de perdão e do verdadeiro amor. 

Comentando esse Evangelho disse o Papa Emérito Bento XVI: "O Antigo Testamento não apresentava nenhum modelo de amor, mas apenas formulava o preceito do amor. Em vez disso, Jesus nos deu a si mesmo como modelo e fonte de amor. Trata-se de um amor sem limites, universal, capaz de transformar também todas as circunstâncias negativas e todos os obstáculos em oportunidades para progredir no amor.

Ao nos dar o mandamento novo, Jesus nos pede para viver o seu mesmo amor, desde o seu próprio amor, que é o sinal verdadeiramente credível, eloquente e eficaz para anunciar a vinda do Reino de Deus ao mundo.

É claro que só com a nossa força somos fracos e limitados. Há sempre uma resistência ao amor em nós e em nossa existência, e há tantas dificuldades que causam divisões, máguas e ressentimentos. Mas o Senhor prometeu-nos estar presente na nossa vida, tornando-nos capazes deste amor generoso e total, que sabe superar todos os obstáculos, mesmo os que estão no nosso coração.  

Se estivermos unidos com Cristo, podemos amar verdadeiramente desta forma. Amar os outros como Jesus nos amou só é possível com aquela força que nos é comunicada na relação com Ele, sobretudo na Eucaristia, na qual se faz presente de modo real o seu Sacrifício de amor que gera amor: é a verdadeira novidade do mundo e a força de uma permanente glorificação de Deus, que se glorifica na continuidade do amor de Jesus em nosso amor." (Bento XVI - Santa Missa em Turim, 02/05/ 2010).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

AMAR COMO JESUS AMOU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,9-11)(19/05/22)


Caríssimos, depois da vinda do Senhor Jesus para cumprir em nós a vontade do Pai, passamos do pecado para o estado de graça; da condição de simples mortais para a de ressuscitados com Ele, isto é, da morte temporal para a vida eterna, e essa é a nova condição que o Senhor Jesus adquiriu para nós por seu sacrifício de cruz. Por isso, o ouvimos dizer: "Eis que eu faço novas todas as coisas." (Ap 21,5).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina com precisão o que causa em nós a verdadeira alegria: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”. (Jo 15,9-11).

Com efeito, o que nos faz permanecer ressuscitados com Cristo, é a vivência do nosso batismo em obediência aos seus mandamentos, pois, eles são a via de perfeição que o Senhor nos dá para chegarmos no céu. Desse modo, nos sentimos seguros como são Paulo disse de si mesmo: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,20).

Comentando esse Evangelho disse o Papa Emérito Bento XVI: "O cristianismo não é um moralismo, não somos nós que devemos fazer o que Deus espera do mundo, mas devemos antes de tudo entrar neste mistério ontológico: Deus se dá. O seu ser, o seu amor, precede o nosso agir e, no contexto do seu Corpo, no contexto do estar nele, identificado com ele, enobrecido com o seu sangue, também nós podemos agir com Cristo.

A ética é consequência do ser: primeiro o Senhor nos dá um novo ser, este é o grande dom; O ser precede o agir e deste ser segue o agir, como uma realidade orgânica, porque o que somos, também podemos ser em nossa atividade. 

Agradecemos ao Senhor porque Ele nos precede, ele nos dá o que devemos dar, e então podemos ser, na verdade e na força de nosso novo ser, atores de sua realidade. Permanecer e observar: observar é sinal de permanência e permanecer é o dom que Ele nos dá, mas que deve ser renovado a cada dia em nossa vida." (Bento XVI - Visita ao Pontifício Seminário Maior Romano, 12/02/2010).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de maio de 2022

O SOFRIMENTO REDENTOR DO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,27-31a)(17/05/22)

Caríssimos, se tem algo que evitamos ao máximo é o sofrimento, e isso ocorre porque Deus nos criou para sermos felizes e não para sofrer; mas, por que sofremos? 

Por causa do pecado; e o único poder que o apaga se encontra na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, fora dele nada o pode apagar. 

Desse modo, compreendemos que no sofrimento do inocente Filho de Deus existe o poder invencível que anula o poder de todos os inimigos visíveis e invisíveis, e nos dá a salvação eterna, como nos ensina a Carta aos Hebreus: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem (Hb 5,8-9). 

Com efeito, o sofrimento advindo do pecado é inevitável, mas, o superamos e vencemos pela graça de Cristo que age em nossas almas nos libertando dos nossos pecados e de todo mal. 

São Paulo na primeira leitura assim se expressa sobre o sentido do sofrimento: "É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. (At 14, 22). 

E na Carta aos Romanos escreveu: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada." (Rm 8,18).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos fala da sua paz que é a única paz verdadeira: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração." (Jo 14,27). 

Ou seja, a paz do mundo depende da força das armas e dos que deteem o poder temporal; enquanto que a Paz de Cristo é fruto do seu amor e do seu sacrifício de cruz pelo qual nos dá a paz definitiva.

Portanto, caríssimos, escutemos humildemente o Senhor Jesus: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!

Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. 

Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,9-12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

SOMOS MORADA DA SANTÍSSIMA TRINDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,21-26)(16/05/22)

Caríssimos, existem duas dimensões nas quais estamos, a natural e a sobrenatural; a primeira depende da segunda diretamente porque é envolvida por ela, todavia, é a fé que nos faz adentrar na dimensão eterna pela graça que nos é dada por Deus para vivermos em comunhão com Ele e entre nós e assim sermos plenamente felizes, pois, a nossa felicidade não é deste mundo, mas do céu.

Com efeito, essa liturgia de hoje revela que o Senhor Jesus, foi enviado pelo Pai para nos dá o Espírito Santo, Paráclito (defensor), para livrar das insídias do maligno; e nos fazer viver em constante comunhão com a Santíssima Trindade. 

Comentando esse Evangelho, disse o Papa Emérito Bento XVI: "É o próprio Jesus quem promete que vai orar ao Pai para enviar aos seus seguidores o Espírito, definido como “outro Paráclito”, isto é, advogado de defesa (cf. Jo 14,16). De fato, o primeiro Paráclito é o Filho encarnado, que veio defender o homem do acusador por excelência, que é Satanás. 

Quando Cristo, tendo cumprido a sua missão, volta ao Pai, envia o Espírito, como Defensor e Consolador, para que permaneça para sempre habitando em nós que Nele acreditamos. 

Assim, graças à mediação do Filho e do Espírito Santo, estabelece-se uma íntima relação de reciprocidade entre Deus Pai e os discípulos: "Eu estou no Pai e vós em mim e eu em vós", diz Jesus (Jo 14, 20). 

Tudo isso, porém, depende de uma condição que Cristo coloca claramente no início: "Se me amais" (Jo 14,15), e que ele repete no final: "Quem me ama será amado por meu Pai e eu também o amarei e manifestar-me-ei a ele”. (Jo 14,21). 

Sem o amor a Jesus, que se dá na observância de seus mandamentos, a pessoa se exclui do movimento trinitário e começa a se voltar para si mesma, perdendo a capacidade de receber e comunicar Deus." (Bento XVI - Ordenações sacerdotais, (27/4/08).

Portanto, caríssimos, se pensamos que estamos sozinhos neste mundo enganamo-nos a nós mesmos, pois, estamos sempre acompanhados por Deus que nos ama eternamente e quer ser amado por nós para vivermos em perfeita comunhão com Ele por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo.

Destarte, o Senhor Jesus nos pede apenas a observância da sua Palavra, porque sem essa nos tornamos presas fáceis do inimigo de nossas almas. De certo, amar o Senhor Jesus é obedece-lo e isso nos faz morada da Santíssima Trindade sinal de que a nossa alma é eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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