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sexta-feira, 27 de março de 2020

QUEM VIVE SEGUNDO A CARNE NÃO PODE AGRADAR A DEUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA (Jo 7,1-2.10.25-30)(27/03/20)
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Caríssimos, mesmo que os homens digam que estão aqui à serviço de Deus; se eles, porém, contradizem a Lei do Seu amor, na verdade, não estão a serviço do Senhor; mas sim do mal à quem se submetem pelo ódio que carregam em suas almas. Porque, como nos ensinou são João: "Deus é amor e quem ama permanece em Deus e Deus nele. (1Jo 4,8). Qualquer outro pensamento ou atitude fora dessa verdade, leva os homens à perdição eterna.
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Com efeito, a liturgia de hoje nos mostra como agem aqueles que se acham no poder do livre arbítrio, e por isso, tentam submeter os outros ao seu domínio à ponto de querer tirar-lhes a vida. É bem como vimos na primeira leitura e no Evangelho de hoje: "Dizem entre si os ímpios, em seus falsos raciocínios: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda." "Naquele tempo, Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo."
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Ora, sabemos que neste mundo tudo passa, menos os nossos atos, pois eles ficam gravados em nossas almas e é deles que prestaremos contas diante de Deus no dia em que todos seremos julgados. É como está escrito: "Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece." (1Cor 4,5).
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"Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." (Rm 8,12-14).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 26 de março de 2020

ESTAMOS VIVENDO NUM TEMPO DE PROVA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,31-47)(26/03/20)
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Caríssimos, a cada dia que passa em meio à esta crise que estamos enfrentando, muitos como os Hebreus no Horeb, vão perdendo a paciência e com ela a fé em Deus e a esperança de dias melhores; assim como os Hebreus, muitos estão neste momento reclamando, se lastimando e também criando seus ídolos como vimos na primeira leitura de hoje.
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Na Santa Missa celebrada na Capela da casa Santa Marta, o Santo Padre, o Papa Francisco, fez o seguinte comentário da primeira leitura desta liturgia: "Gostaria de acenar algumas coisas sobre isso: Em primeiro lugar, aquela saudade idolátrica: neste caso, pensava nos ídolos do Egito, mas a saudade de voltar aos ídolos, voltar ao pior, não saber esperar o Deus vivo. Essa saudade é uma doença, também nossa. Inicia-se a caminhar com o entusiasmo de ser livres, mas depois começam as lamentações.
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Depois, outra coisa: a idolatria faz você perder tudo. Aarão, para fazer o bezerro, pede ouro: “Deem-me ouro e prata”: mas era o ouro e a prata que o Senhor tinha dado a eles, quando lhes disse: “Peçam ouro emprestado aos egípcios”, e depois foram embora com o ouro. É um dom do Senhor e com o dom do Senhor fazem o ídolo. E isso é muito feio.
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Mas esse mecanismo acontece também conosco: quando temos atitudes que nos levam à idolatria, somos apegados a coisas que nos distanciam de Deus, porque nós fazemos outro deus e o fazemos com os dons que o Senhor nos deu. Com a inteligência, com a vontade, com o amor, com o coração. São os próprios dons do Senhor que nós usamos para fazer a idolatria.
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Caríssimos, por fim, nessa sua homilia, o Santo Padre, falou dos ídolos do coração, ídolos por nós escondidos muitas vezes de modo astucioso, ressaltando que a idolatria nos faz perder tudo, nos faz perder os próprios dons do Senhor. Em seguida, pediu para se fazer um exame de consciência para descobrir nossos ídolos escondidos." E deixa-los.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 25 de março de 2020

SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR...


Solenidade da Anunciação do Senhor (Lc 1,26-38)(25/03/20)
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Caríssimos irmãos e irmãs, a Igreja hoje celebra solenemente a anunciação do Senhor, ou seja, o anúncio de que Deus adentra definitivamente nossa natureza limitada, sem deixar de ser Deus, para desse modo transpor os nossos limites. Em outras palavras, Deus em seu Filho, Jesus Cristo, assume nossa condição humana em tudo, exceto no pecado, porque é Deus e em Deus não existe pecado.
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Com efeito, em Sua Onipotência, o Senhor quis nos fazer participantes de sua natureza divina como nos ensinou São Pedro (cf. 2Pd 1,3-4); para isso, escolheu a Virgem Maria, à qual consagrou para Si e lhe deu o Santíssimo privilégio de ser a Sua Mãe Imaculada, tal como havia anunciado pelo Profeta Isaías, como vimos na primeira leitura.
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Santo Amadeu de Lausana (Sec. II), descreve assim o momento sublime da Encarnação do Verbo: "O Deus invisível fez-Se, pois, carne visível; impassível e imortal, mostrou-Se passível e mortal. Aquele que escapa aos limites da nossa natureza quis ser contido nela. Aquele cuja imensidade encerra o conjunto do céu e da Terra, encerrou-Se no seio de uma Mãe. E Aquele que os céus dos céus não podem conter foi estreitado nas entranhas de Maria.
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Se queres saber como foi que isso aconteceu, ouve o arcanjo explicar a Maria o desenrolar do mistério: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra». Pois foi a ti, de preferência a todos e acima de todos, que Ele escolheu, para que ultrapassasses, em plenitude de graça, todos quantos, antes ou depois de ti, foram ou virão a ser."
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Oremos: "Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 24 de março de 2020

JESUS, FONTE DE ÁGUA VIVA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,1-16)(24/03/20)
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Caríssimos, a água é símbolo de vida, de limpeza, de purificação, de remédio para todos os males; ela e todas as outras criaturas são dons de Deus, sinais do seu amor e da sua bondade. Ora, Jesus, ao referir-se ao estado de graça de nossas almas, comparou-se a Fonte onde bebemos o Espírito Santo, disse Ele: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)."
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Na primeira leitura o Profeta Ezequiel teve uma visão profética onde Deus lhe mostra, por meio do Seu anjo, o templo repleto de água viva simbolizando o transbordamento do Espírito Santo na vida de seus filhos e filhas, exatamente como vimos acontecer no dia de Pentecostes (cf. At 2).
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Em outras palavras, isso quer dizer que a nossa convivência com o Senhor é fundamental para crescermos no conhecimento do seu amor e de todas as outras virtudes que nos leva à perfeita comunhão com Ele e entre nós; bem como nos ensinou São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança."
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No Evangelho de hoje Jesus se aproxima de um homem que a 38 anos esperava que alguém o ajudasse à banha-se nas águas da piscina de Siloé para ser curado de sua paralisia. Porém, ao crê na Palavra de Jesus, ficou curado de imediato, pois, de fato, Jesus é a Fonte de Água viva que veio a este mundo para nos purificar de todo pecado e nos libertar de todos os males.
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Conclusão: Caríssimos, rezemos esta simples oração composta por Santo Efrém (Sec. IV): "Verte, Senhor, sobre a minha fraqueza, o teu orvalho; pelo teu Sangue [derramado], perdoa os meus pecados. Que eu seja incluído no número dos teus santos, e sentado à tua direita." Amém! Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 23 de março de 2020

EU VOS EXALTO Ó SENHOR, PORQUE VÓS ME LIVRASTES...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 4,43-54)(23/03/20)
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Caríssimos, no atual momento o mundo inteiro vive o tormento desta pandemia Covid-19; de certo modo, está havendo um dispertar, um desejo de mudança, ou seja, de viver mais intensamente a fé, pois, o inimigo é invisível e dele só vemos os efeitos devastos. De fato, ele está pronto para atacar e destruir qualquer um à qualquer momento, basta um discuido.
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Com efeito, a liturgia de hoje nos revela o que Deus tem preparado para aqueles que o amam, ou seja, novos céus e uma nova terra onde reinará o amor, a verdade, a justiça e a paz; onde Deus será tudo em todos (cf. Jo 17). Ora, só em ter consciência de que o mal não mais existirá, já sentimos um profundo alívio, e o desejo de que a Parusia do Senhor aconteça o mais beve possível.
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No Evangelho de hoje Jesus nos faz um alerta: "Se não virdes milagres e prodígios, não credes". Ora, esse alerta do Senhor ao mesmo tempo revela a nossa fragilidade e o que nos leva à supera-la, ou seja, a fé como confiança inabalável em Sua divina palavra que tudo realiza para a nossa salvação e a glória de Deus Pai.
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Caríssimos, rezemos então com o Salmo responsorial: "Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes e não deixastes rir de mim meus inimigos! Vós tirastes minha alma dos abismos e me salvastes quando estava já morrendo!
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Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,
dai-lhe graças e invocai seu santo nome! Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria.
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Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! Transformastes o meu pranto em uma festa, Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 22 de março de 2020

A CURA DE UM CEGO DE NASCENÇA...


Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1.6-9.13-17.34-38)(22/03/20)
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Caríssimos, se tem algo que não falta neste mundo, diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, portanto, nós não pertencemos mais ao pecado e nem ao maligno que o gerou. De fato, voltar ao pecado cedendo às tentações, é perder a graça da felicidade eterna, para amargar o vazio e a tristeza que o pecado gera.
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Na primeira leitura de hoje o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher a pessoa errada para o Serviço do Senhor; no entanto, por estar atento ao diálogo interior com Ele, seguiu suas inspirações e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. Desse modo, vemos que não basta ser batizado, mas, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor para assim obedece-lo em tudo.
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No Evangelho de hoje Jesus cura um cego de nascença, mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei. Por outro lado, o homem que recebeu a cura, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acolher Jesus e não o rejeitar.
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Caríssimos, não sei quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, tal qual Jesus prometeu; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 21 de março de 2020

CUIDADO COM O PECADO DA PRESUNÇÃO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(21/03/20)
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Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que com a queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupiscência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual.
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Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Ora, uma dessas virtudes é o arrependimento que nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.
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No Evangelho de hoje, Jesus, ao contar a parábola do fariseu e do publicano, nos ensina que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus; nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, subsiste por si mesma. Na verdade não passamos de um sopro que a qualquer momento se esvai.
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Caríssimos, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada por Jesus? Em primeiro lugar, a prática religiosa quando não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, torna-se um culto de adoração à si mesmo, à própria imagem e não a Deus, ou seja, é o viver de aparências. Segundo, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos.
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Por fim, escutemos são Pedro e ponhamos em prática o que nos ensinou: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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