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domingo, 30 de outubro de 2022

HOMILIA DO 30DOM TC...


 Homilia do 31°Dom do Tempo Comum (Lc 19,1-10)(30/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, existe no ser humano uma mentalidade de que quanto mais possuir bens deste mundo, mais poder tem sobre os outros, e por isso, não importa os meios de como adquiri-los, o importante é que os tenha, porque imagina que sem eles perde o poder sobre os demais. 

No entanto, tal pensamento não passa de ilusão, porque todo poder sobre o céu e a terra pertence somente a Deus, e Ele o deu ao seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que julgará os vivos e os mortos. Por isso, aqueles que pensam em possuir bens deste mundo para dominar os outros, estejam cientes de que a qualquer momento perderão tudo e ainda terão de prestar contas de seus atos ao Senhor, justo Juiz, que os julgará conforme a sua Justiça Divina que nunca falha.

No Evangelho de hoje são Lucas narra o encontro do Senhor Jesus com Zaqueu, que alimentava o desejo de ver o Senhor, porém, sentia-se impedido por conta da sua baixa estatura e da multidão que era como um muro que o impedia de vê-lo. Mas, como seu desejo era tamanho, subiu numa figueira e foi surpreendido por Jesus: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. Ou seja, o Senhor não só o percebe, mas o chama pelo nome.

A reação de Zaqueu foi de imensa alegria a ponto de deixar o apego que tinha ao dinheiro para acolher o Senhor em sua casa e em sua alma, pois, sentiu-se amado e por isso se converteu, como ele mesmo o demonstra: “Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais”. 

Ao que o Senhor Jesus respondeu: "Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.

"Encontrando o amor e descobrindo-se amado, Zaqueu torna-se capaz de amar e encontrar os outros. Capaz de olha-los com olhos diferentes, não mais como objetos para o seu gozo, mas como pessoas a quem deve amar. E isto porque finalmente, conseguiu olhar-se a si mesmo e a sua vida com os olhos Daquele para o qual havia sido injusto.

Então, também o dinheiro muda de direção; o gesto de extorquir é substituído pelo gesto de dar, livre e gratuitamente. E assim o dinheiro se transforma de objeto de posse em sinal de comunhão." (MR).

Portanto, caríssimos, quais lições tiramos desse exemplo de Zaqueu para a vivência da fé? É de suma importância a hora de Deus em nossa vida, pois, Ele nos conhece muito bem e marca um encontro conosco, para que nos convertamos como aconteceu com Zaqueu.

Destarte, o encontro com Zaqueu se deu a partir do seu desejo de ver o Senhor Jesus, e não só o viu, mas o recebeu em sua casa e em sua alma e nunca mais foi o mesmo. E nós como encontramos o Senhor Jesus? Na Santa Missa domenical? Na oração pessoal? Nos pequeninos que encontramos? Naqueles que ajudamos? Enfim, como é mesmo o nosso encontro com o Senhor da nossa vida?

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

NÃO USAR O NOME DE DEUS EM VÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,10-17)(24/10/22)


Caríssimos, nós estamos sempre em relação, seja com Deus, com o próximo ou com nós mesmos; mas, atenção para não invadirmos a liberdade do outro impondo-lhe a nossa rigidez moralista na interpretação da Lei de Deus. É isso o que nos mostra a liturgia de hoje, em que a observância externa do sábado, por conta do moralismo farisaico, torna-se mais importante do que a libertação de uma mulher encurvada.

São Paulo na primeira leitura nos ensina como deve ser a nossa relação com Deus e com o próximo: "Irmãos, sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama. Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor.

Nada de palavras grosseiras, insensatas ou obscenas, que são inconvenientes; dedicai-vos antes à ação de graças. Pois, sabei-o bem, o devasso, o impuro, o avarento – que é um idólatra – são excluídos da herança no reino de Cristo e de Deus. 

Que ninguém vos engane com palavras vazias. Tudo isso atrai a cólera de Deus sobre os que lhe desobedecem. Não sejais seus cúmplices. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz." (Ef 4,32-5,8).

Decerto, é da vivência do Evangelho de Cristo que brota a salvação das nossas almas, como vimos nas leituras de hoje, em que a Sua Palavra apenas pronunciada liberta, cura e faz feliz quem a ouve. Por outro lado, quem a escuta para contesta-la cai imediatamente na hipocrisia do moralismo farisaico que nada encherga além da prática externa da lei. 

Portanto, caríssimos, nesse tempo de tanta agitação, mistura de política com religião, cujo único objetivo é o poder temporal; o vale tudo foi decretado, e o que mais vemos é a ação em larga escala do demônio da mentira, da calúnia, do ódio e da violência sem medida; de fato, aonde vamos chegar se deixarmos esses demônios governar? 

Destarte, o pior de tudo é que muitos estão usando o nome do Senhor Jesus em vão, porque Dele não apresentam absolutamente nenhuma virtude. É triste, mas infelizmente é isso o que estamos constatando.

Meditemos então com o Salmista: "Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte." (Sl 1).

Decerto, "Sejamos, pois, imitadores do Senhor, como convém aos amados filhos seus."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do 30Dom TC...


 Homilia do 30°Dom do Tempo Comum (Lc 18,9-14)(23/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, o nosso viver não é sem sentido, pois, temos motivos de sobra para glorificarmos a Deus com o nosso viver; assim compreendemos, que o sentido mais sublime que existe é viver para Ele, e quando isso acontece tudo o fazemos significa amor a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Por outro lado, quando não amamos afundamos na lama fétida do egoísmo e brigamos por coisas materiais, poder político, econômico, jurídico etc. E com isso nos tornamos causa de divisão, de intriga, ignorância, arrogância e desamor. Que o Senhor Jesus nos livre de todo ódio e maldade que está dizimando a nossa sociedade.

Meditemos com amor e atenção esta homilia do 30°Dom do Tempo Comum. 

Caríssimos, esta liturgia de hoje nos revela as duas faces da condição humana, uma virtuosa em que se nos reconhecemos pecadores, e por isso mesmo, não podemos julgar quem quer que seja, porém, jamais ser conivente com o pecado de alguém. A outra face é a da arrogância que se justifica a si mesmo a ponto de se exaltar e até desprezar os outros.

Comentando esse Evangelho, disse o Papa Emérito, Bento XVI: "Dois homens subiram ao templo para rezar"; de lá, um "regressou para casa justificado, o outro não" (Lc 18,10.14). De fato, este último tinha exposto todos os seus méritos perante Deus, quase fazendo dele o seu devedor. Afinal, ele não sentia necessidade de Deus, apesar de Lhe ter agradecido por permitir que fosse tão perfeito de modo a "não ser como aquele publicano".

Por outro lado, consciente dos seus pecados, que o levam a manter a cabeça baixa - na realidade, o publicano está todo voltado para o Céu - e espera tudo do Senhor: "Ó Deus, tem piedade de mim pecador" (Lc 18,13). Ou seja, ele bate à porta da Divna Misericórdia, que se abre e o justifica, "porque", conclui Jesus, "aquele que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado" (Lc 18,14). 

Deste Deus, rico em misericórdia, São Paulo fala-nos por experiência pessoal: "Esta palavra é certa e digna de ser aceita por todos: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Mas por esta mesma razão obtive misericórdia, porque Jesus Cristo quis mostrar em mim, antes de mais nada, toda a sua magnanimidade, para que eu pudesse ser um exemplo para aqueles que acreditariam Nele para ter a vida eterna" (1 Tim 1,15-16). 

E, com o passar dos séculos, o número dos atingidos pela graça não tem parado de aumentar. Nós estamos entre eles. Demos graças a Deus porque Ele nos chamou a entrar nesta procissão dos tempos para avançarmos para o futuro. Seguindo aqueles que seguiram Jesus, e com eles também o seguimos para entrarmos na Sua Luz. "

Amados irmãos e amadas irmãs, o maior de todos os exemplos que recebemos é o do Senhor Jesus que nasceu numa manjedoura e morreu numa cruz. Quem diz que o segue, mas não vive conforme o seu exemplo, não passa de lobo vestido de pele de cordeiro. 

Portanto, não nos deixemos enganar, por isso, escutemos atentamente o Senhor: "Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore.

Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro.

Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.
É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,33-37). 

Destarte, oração sem humildade e conversão, não passa de palavras jogadas ao vento; tal oração jamais é escutada, porque lhe faltam as virtudes necessárias para receber as graças desejadas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRÊ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,18-21)(25/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, na liturgia de hoje o Senhor "Jesus explica porque é que às vezes o Evangelho parece desaparecer do mundo, porque é que parece que as ideias contrárias prevalecem sempre, que afinal a luz de Cristo, a luz da sabedoria e do amor se tornam como que invisíveis, inalcançáveis. 

É porque, como Ele nos ensina, tudo é como uma semente de mostarda, a mais pequena de todas as sementes, por isso está lá, o importante é que está lá, de modo que, mais cedo ou mais tarde irá crescer, e isso acontece no coração de cada um de nós. 

Sabemos como o bem é delicado, por isso, pode ser realmente sujeito a ataques intermináveis. No entanto, diz Jesus, esta semente de mostarda tornar-se-á uma árvore forte e grande na qual os pássaros do céu vêm fazer os seus ninhos. 

De fato, o Senhor Jesus quer dar-nos esta certeza, porque só com ela no coração é que podemos avançar, mesmo quando tudo parece desvanecer-se, quando tudo parece chegar ao fim, quando parece que a esperança é realmente um cintilar ardente, como diz Jesus. Acreditamos na Sua palavra, acreditamos que o Reino dos Céus é mais forte do que qualquer ataque adversário." (Pe Fabrizio Centofanti).

Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, olhando o alvoroço e a desordem presente neste mundo, se não nos firmamos na certeza de que "tudo é possível ao que crer", facilmente desanimamos e perdemos a esperança de que haverá uma grande transformação neste mundo. Ora, não somos frutos do acaso, mas sim, criados "à imagem e semelhança de Deus" e por Cristo tornados seus filhos e filhas. 

Por isso, de uma coisa fiquemos certos: o mal jamais triunfará sobre o bem, porque o mal é destrutivo; enquanto que o bem permanece para sempre; o ódio jamais vencerá o amor, porque no ódio não existe paz alguma; enquanto que o amor é a fonte da paz infinita. A mentira jamais triunfará sobre a verdade, porque a mentira é uma prática perversa que leva à morte eterna; enquanto que a verdade liberta sempre e nos conduz para o céu.

Portanto, caríssimos, em meio a todo esse desassossego que estamos vivendo, quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo, vence todas as batalhas contra o maligno, porque sabemos que ele está por trás de tudo isso, ainda que queira parecer que não. No entanto a fé, a esperança e a caridade, frutos do Espírito Santo em nossas almas, são tão infinitamente potentes que nada as poderá vencer. De fato, Deus é Deus e ninguém pode nada contra Ele. 

Destarte, podemos até não entender o porquê de tudo isso, mas para quem ama a Deus sobre todas as coisas e se deixa amar por Ele, como nos ensinou nosso Senhor Jesus Cristo, basta confiarmos no seu amor e permanecermos fiéis até o fim para ter dele a certeza de que tudo isso vai passar e dará lugar à felicidade eterna reservada para aqueles que o amam pela obediência aos seus santos mandamentos.

Amados irmãos e amadas irmãs, escutemos atentamente a Palavra do Senhor: "Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.

Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.

Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve." (Mt 11, 25-30).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

ENTRAI PELA PORTA ESTREITA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,22-30)(26/10/22)


Caríssimos, depois da primeira vinda de Cristo, e após o nosso batismo, passamos a viver uma relação salvífica com Deus no mais íntimo de cada um de nós, e isso é fruto da observância da Lei, que como boa pedagoga, conduziu 
o povo eleito a fim de que recebesse o Senhor Jesus. No entanto, como vimos, nem todos o acolheram, e aqueles que o rejeitaram, o crucificaram, como ocorre ainda hoje. 

Convém lembrar estas palavras do Senhor Jesus: "Ou dizeis que a árvore é boa e seu fruto bom, ou dizeis que é má e seu fruto, mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore." (Mt 12,33). Ou seja, quem segue verdadeiramente o Senhor dá sempre frutos de salvação, porque são repletos do seu amor e das boas obras que os acompanham.

Por isso, é preciso tirar do nosso coração toda e qualquer paixão política, discurso moralista ou fundamentalista, que só divide e cega, tornando extremista religioso quem se veste da capa dos pretensos "valores inegociáveis", quando, na verdade, estão profanando a fé, como nos ensina o Profeta Jeremias: 

"Eis o que diz o Senhor: "Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor! Assemelha-se ao cardo da charneca e nem percebe a chegada do bom tempo, habitando o solo calcinado do deserto, terra salobra em que ninguém reside. (Jr 17,5-6).

No Evangelho de hoje: "Alguém perguntou a Jesus: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Ele respondeu: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão”. Ou seja, a "porta estreita" da obediência, do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Com efeito, quem pensa salvar-se metendo-se em intrigas políticas, desavenças, violência, agressividade, falsas acusações, sem sombra de dúvida, essa não passa da porta larga da perdição, e quem entra por ela tem um triste fim.

Portanto, caríssimos, escutemos com atenção estas palavras de São Paulo: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem,
idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" (Gl 5,16-17.19-21).

Destarte, a oração, a escuta atenta e a prática da Palavra de Deus, é o que nos faz entrar pela porta estreita da salvação, seguindo o Senhor Jesus iluminados pelo Espírito Santo; e não a partidos políticos ou quem os comandam.

Amados irmãos e amadas irmãs, votar é preciso, não podemos nos omitir, mas jamais movidos por pensamentos vãos, desordenados e estranhos, pelo contrário, é preciso discernirmos claramente sem a influência dos conceitos preconcebidos e fora de contexto, por isso, sigamos o que nos ensina São Paulo:

"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,2). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

"Seu trono real é o madeiro da Cruz!


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,31-35)(27/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, com tanta maldade neste mundo imaginem se Deus, nosso Pai, não estivesse no comando de tudo, certamente este mundo já teria sido destruído, e se tudo ainda está de pé é porque Ele estabeleceu um tempo para usar de misericórdia com todos a fim de que se convertam antes que venha o grande dia da sua justiça divina.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus sofre ameaças por parte de Herodes e manda lhe dizer: “Ide dizer a essa raposa: eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. Entretanto, preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém." 

Decerto, enquanto estivermos neste mundo sofreremos ameaças do inimigo de nossas almas, como afirma São Paulo na primeira leitura, mas o Senhor Jesus nos tranquiliza: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena.

Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós."

Comentando a vitória de Cristo na cruz, disse o Papa Francisco: "Seu trono real é o madeiro da Cruz! Penso no que Bento XVI disse aos Cardeais: "Sois príncipes, mas de um rei crucificado". Esse é o trono de Jesus. Ele toma sobre si mesmo. Por que a Cruz? Porque Jesus toma sobre si o mal, a sujeira, o pecado do mundo, até mesmo o nosso pecado, de todos nós, e lava-o, lava-o com o seu sangue, com sua misericórdia, com o amor de Deus. 

Olhemos à nossa volta: quantas feridas o mal inflige à humanidade! Guerras, violência, conflitos econômicos que afetam aqueles que são mais fracos; sede de dinheiro, que ninguém pode levar consigo, têm de deixar para trás. A minha avó costumava dizer-nos, quando crianças: a mortalha não tem bolsos. 

Amor ao dinheiro, poder, corrupção, divisões, crimes contra a vida humana e contra a criação! E também - cada um de nós sabe disso e como sabe - os nossos pecados pessoais: a falta de amor e respeito por Deus, pelo nosso próximo e por toda a criação. 

E Jesus na cruz sente todo o peso do mal e, com o poder do amor de Deus, vence-o, derrota-o na sua ressurreição. Este é o bem que Jesus faz a todos nós no trono da cruz. A cruz de Cristo abraçada com amor nunca leva à tristeza, mas à alegria, à alegria de ser salvo e de fazer um pouco do que Ele fez naquele dia da Sua morte."

Portanto, caríssimos, só em pensar que o pesadelo do pecado deste mundo vai acabar para sempre enche o nosso coração de uma imensa alegria, pois o Senhor Jesus veio habitar no meio de nós para curar as feridas causadas pelos pecados nossos e de todos, por isso, precisamos nos manter em comunhão com Ele que nos dá a conhecer a vontade do Pai que nos deu o Seu Espírito e com Ele a vida eterna.

Amados irmãos e amadas irmãs, mesmo sabendo que estamos ainda no tempo da Misericórdia Divina, não podemos esquecer que é nesse tempo que nos preparamos para o dia do juízo final, como nos ensinou o Senhor Jesus: "Disse ele ainda: "Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo.

O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras." (Ap 22,10-12).

Decerto, que essas palavras nos sirva de alerta, porque a qualquer momento o dia Senhor vai chegar, e quem estiver preparado nada tem a temer, bem como nos ensina são Tiago: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12-13).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 22 de outubro de 2022

A QUEM MUITO FOI DADO, MUITO SERÁ PEDIDO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,39-48)(19/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, "a primeira virtude que o Senhor exige do servo é a fidelidade. Foi-lhe confiado um grande bem, que não lhe pertence. A Igreja não é a nossa Igreja, mas a sua Igreja, a Igreja de Deus. O servo deve prestar contas de como administrou o bem que lhe foi confiado.

O Senhor traça com poucas linhas uma imagem do servo malvado, que começa a se divertir e bater nos funcionários, traindo assim a essência de seu ofício. Em grego, a palavra "fidelidade" coincide com a palavra "fé". A fidelidade do servo de Jesus Cristo consiste também precisamente no fato de não procurar adaptar a fé ao modismo do mundo. Somente Cristo tem palavras de vida eterna, e são essas palavras devemos levar ao povo." (Bento XVI).

Meditemos com amor e até atenção este Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, não pensem que somos os donos da vida e de tudo o que lha proporciona, não verdade, haveremos de prestar contas a Deus, verdadeiro autor e Senhor da vida e de todas as coisas. De fato, ninguém escapa do seu juízo, principalmente aqueles que desdenharam e fizeram pouco caso da sua divina misericórdia. 

Pois, ao permitir que sacrificassem Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que nos salvasse, e mesmo assim ve-lo ser desprezado, agredido e vilipendeado pelos muitos pecados praticados neste mundo, o que podemos esperar? A resposta a essa pergunta se encontra na última frase do Evangelho de hoje: "A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” (Lc 12,48).

Mas, quando isso se dará? Quando menos esperarmos como disse o Senhor Jesus nesse mesmo Evangelho: “Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. (Lc 12,39-40).

Com efeito, são três as atitudes do servos fiéis ao Senhor Jesus e à missão que Dele receberam: a oração vigilante que os prepara por meio do diálogo e da escuta atenta a fim de realizar a vontade do seu Senhor; a convicção de que a obra a ser realizada não lhes pertence, porque somente Deus é o Senhor de tudo, por isso, exige todo empenho e determinação, para que todos obtenham a salvação.

E por último, afastar-se do mundo e de tudo o que não diz respeito à missão salvífica que receberam, pois sabem que as atrações enganosas do maligno se faz presente largamente em todos os meios de comunicação que os distrai lhes tirando a atenção das recomendações recebidas, perdendo, com isso, o tão precioso tempo que deveria ser aproveitado somente em prol da missão.

Portanto, caríssimos, quem espera em Cristo nunca se decepciona, porque por Ele foi derramado em nossos corações o Espírito Santo, Paráclito, que nos defende e nos livra de todo o mal espalhado pelos ares como nos ensina são Paulo: "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder.

Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares." (Ef 6,10-12)

Amados irmãos e amadas irmãs: "As Palavras do Senhor Jesus, são o bem mais precioso que nos foi confiado. A fidelidade às suas palavras não tem nada de estéril e estático; ela é criativa. Fidelidade não é medo, mas é inspirada pelo amor e seu dinamismo. O Senhor elogia o servo, que fez com que seus bens dessem frutos. 

Decerto, a fé exige ser transmitida, pois, não nos foi dada apenas para a nossa salvação pessoal, mas para todos, para este mundo e para o nosso tempo. Por isso, devemos semea-la, para que se torne uma força viva nele; para aumentar a presença de Deus nele." (Bento XVI)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

PALAVRAS SÃO ETERNAS PARA O BEM OU PARA O MAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,49-53)(20/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, depois da vinda de Cristo a este mundo, o pecado perdeu sua força atrativa, destrutiva, mas permanece como tentação, e as armas para vence-lo são: a Palavra de Deus, que é a espada do Espírito Santo com a qual vencemos as mentiras do nosso inimigo de nossas almas.

Temos também a oração clamando o sangue de Jesus, que é um exorcismo que expulsa o maligno; temos ainda o livre arbítrio, que é o poder de Cristo em nossa vida para dizer não ao mal; e por fim, as obras de caridade e misericórdia com as quais socorremos os que foram atingidos pelas injustiças deste mundo.

Meditemos com amor e devoção o pequeno sermão de cada dia. 

Caríssimos, a liturgia de hoje nos apresenta uma Palavra de difícil compreensão se a julgarmos pela emoção ou sentimentalismo, ou ainda fazendo uma imagem distorcida de quem é Cristo; porque Ele é Deus feito homem, e Deus é amor, aquele que tem palavras de vida eterna, nosso único Salvador.

Com efeito, Deus nunca perdeu o controle sobre a obra da criação, ainda que o maligno queira dizer o contrário; e é exatamente aqui que muitos se enganam, basta examinar o estado interior dos que praticam as maldades sugeridas pelo inimigo, por meio de tentações, para perceber o vazio existencial e a terrível falta de paz presente nas almas contaminadas pelos pecados cometidos.

De fato, uma alma em estado de pecado mortal, é uma alma morta espiritualmente, isto é, sem amor, porém, cheia de ódio e rancor, desejo de vingança e de todo tipo de maus pensamentos que lhe oprime e sufoca como se já estivesse no inferno. E se ainda sente algum prazer carnal na prática do pecado, este se converte em profundo remorso por transgredir as Leis de Deus, afastando-se do seu infinito amor e da sua presença.

Decerto, é aqui que definimos o nosso devir, isto é, o vir a ser eterno com Cristo ou sem Ele; a ida para o Reino de Deus, a felicidade eterna; ou para o reino das trevas, em que na há felicidade alguma. É isso o que a liturgia de hoje nos ensina, para não cairmos nas armadilhas do demônio, pois suas obras são perversas como também são as dos seus seguidores.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!" Obviamente Ele fala do fogo do Espírito Santo que ilumina as nossas almas nos revelando quem é Ele e como acolhe-lo em nossa prática de vida deixando-nos conduzir por Ele.

Também nos fala da divisão até mesmo entre os membros de uma família que não está totalmente convertida, e por isso, tornam-se pedra de tropeço entre si mesmos por conta da não total adesão a Cristo: "Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”. (Lc 12,52-53).

Portanto, caríssimos, o Senhor Jesus veio para salvar a todos, mas nem todos o acolhe com fé e perfeita obediência, e essa é a grande diferença que existe entre os que crêem e não crêem Nele. Todavia, se numa família todos são convertidos não existem motivos para haver divisões, pois a lei do Senhor Jesus, é a lei do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

MANTENDE A UNIDADE DO ESPÍRITO PELO VÍNCULO DA PAZ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,54-59)(21/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, são Paulo na primeira leitura, disse: "Irmãos, eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: Com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz.

Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos." Ou seja, a unidade nos leva à caridade fraterna, frutos do Espírito Santo em nossas almas.

Meditemos com amor e atenção este Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é o caminho perfeito que nos conduz ao céu, porém, somente se o seguirmos fielmente, caso contrário, não passamos de impostores falseando a verdade nele contida. De fato, não basta dizer que acreditamos se as nossas ações não corresponderem à verdade que professamos, pois, isso equivaleria reproduzir a mesma prática farisaica do tempo de Jesus.

Com efeito, seguir o Senhor pela porta estreita do Evangelho sem renunciar à própria vontade, é enganar-se a si mesmo e dar um falso testemunho Dele. São Paulo na primeira fala da construção do corpo de Cristo que só é possível mediante a caridade, fruto da unidade do Espírito Santo. Decerto, sem essa graça, tudo tende à perdição, pois onde existe divisão, Deus não se faz presente, e onde Ele não está só tem lugar para o maligno. 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus "disse às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?" (Lc 12, 54-57).

Com efeito, imaginemos este nosso tempo onde as tecnologias dominam os quatros cantos do mundo, onde quase nada passa despercebido, e no entanto, nunca se viu tantas falsas notícias, tantas guerras fratricidas, tanta corrupção e tanta maldade. Será que somos cegos assim, para não percebermos que tudo isso é obra do maligno tentando nos dividir e dominar? 

De fato, mais do que nunca precisamos levar em conta o apelo de São Paulo chamando-nos à unidade do Espírito pelo vínculo da paz, caso contrário, seremos destruídos nos deixando manipular e dividir pelo inimigo que tenta nos dominar e reinar sobre nós. E como estamos vendo, ele usa todas as armas nefastas difundindo suas mentiras e envenenado as almas com seu ódio, que nos leva à violência e a morte se o seguirmos. 

Portanto, caríssimos, enquanto ainda é tempo, clamemos ao Senhor Jesus, com temor e tremor, para que Ele nos liberte deste inferno no qual está mergulhada a nossa sociedade; e façamos esse clamor com a ajuda de Maria Santíssima e São José, para alcançarmos essa preciosa graça tão necessária neste momento difícil que estamos atraversando.

Oremos: Senhor Jesus Cristo, Filho amado de Deus Pai, tu que nos deste a redenção pelo teu sacrifício de cruz; liberta das cadeias do pecado e do inferno, a porção da tua herança que se encontra no Brasil, terra da santa cruz, pois, precisamos urgentemente da tua presença libertadora para extirpar o espírito imundo de divisão que se encontra agindo em nosso meio como nunca visto antes.

E isso te pedimos pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira da nação brasileira, e de São José, esposo virginal de Maria e teu pai virginal, e também pai de todos os filhos e filhas de Deus, presentes em nosso país. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

SOMOS TESTEMUNHAS DE CRISTO À MEDIDA QUE VIVEMOS SEGUNDO O EVANGELHO...

 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 13,1-9)(22/10/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem! Em sua audiência (21/10/22) à uma delegação de administradores públicos franceses, disse o Papa Francisco: "O método democrático e representativo deverá permitir-lhes trazer à atenção das mais altas autoridades as aspirações e necessidades reais das pessoas da vossa área, longe de qualquer ideologia ou pressão mediática. 

As ideologias e a pressão da mídia arruínam a realidade: ideologias, porque a destilam e a fazem perder a sua identidade; e a pressão da mídia, porque a "manipulam" e a torna inautêntica na sua expressão."

Creio que essas palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, soa universalmente, isto é, em todos os continentes, uma vez que a maioria vive sob o regime democrático, como em nosso continente.

Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, a vida terrena é uma preparação para a vida eterna, isto significa que ainda não somos totalmente perfeitos, ou seja, estamos sendo podados para não sermos galhos estéreis na videira de Cristo, por isso, precisamos nos converter com a ajuda da sua divina misericórdia e do seu amor, porque sem essas graças não passamos de galhos secos.

Examinando a nós mesmos, quais frutos damos como ramos da Sua videira? Aqui, os frutos dizem respeito às virtudes do Espírito Santo que recebemos no batismo, como nos ensina são Paulo: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra essas virtudes não existe lei.

Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito.
Não sejamos ávidos da vanglória." Ou seja, a nossa conversão é constante, em outras palavras, é a busca permanente da santidade sem a qual ninguém pode ver a Deus. (cf. Hb 12,14).

Com efeito, estamos vivendo um momento muito delicado por conta das manipulações de alguns líderes religiosos que misturaram a fé com ideologias políticas, afastando-se, com isso, do Evangelho de nosso Senhor Jesus. Tenhamos muito cuidado para não cairmos nessa silada do inimigos de nossas almas. 

Atentamente escutemos são Paulo: "E foi o Senhor quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude.

Assim, não seremos mais crianças ao sabor das ondas, arrastados por todo vento de doutrina, ludibriados pelos homens e induzidos por sua astúcia ao erro." Ou seja, deixemos fora da nossa fé toda e qualquer briga política com suas ideologias, repletas de interesses mesquinhos e egoístas, cujo único objetivo é dividir o rebanho de nosso Senhor Jesus Cristo. 

Portanto, caríssimos, qual é mesmo a nossa missão neste mundo? Anunciar o Evangelho como a regra da vida eterna que nos leva à salvação; o Reino de Deus para o qual estamos indo, e a Cristo como nosso único Mestre e Senhor, fora disso, tudo não passa de lixo espiritual infestado de moralismo cego que deforma as almas contaminando-as com os escrementos do inferno.

Misericórdia Senhor Jesus, tem compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém! Assim seja!

Amados irmãos e amadas irmãs, mais uma vez escutemos São Paulo: "Na qualidade de apóstolos de Cristo, poderíamos apresentar-nos como pessoas de autoridade. Todavia, nos fizemos discretos no meio de vós. Como a mãe a acariciar os seus filhinhos, assim, em nossa ternura por vós, desejávamos não só comunicar-vos o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida, porquanto nos sois muito queridos.

Vós sois testemunhas, e também Deus, de quão santa, justa e irrepreensivelmente nos portamos convosco que crestes. Por isso é que também nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de nós ouvistes, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como palavra de Deus, que age eficazmente em vós, os fiéis." (1Tes 2,7-8.10.13). 

Maran atá! Vem, Senhor Jesus!  

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

CUIDADO COM O APEGO AOS BENS MATERIAIS, ELE É VENENO PARA A ALMA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,13-21)(17/10/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, o nosso viver neste mundo é o que fundamenta o nosso viver eterno, pois recebemos o Espírito Santo para viver segundo a vontade de Deus. Por isso, fiquemos certos disto: nenhum pecado faz parte da nossa prática de vida, como São João nos ensina: "aquele que afirma permanecer em Cristo deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,6)

Meditemos então com amor e atenção este Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, a nossa relação com os bens transitórios depende em muito da nossa relação com Deus por meio dos bens eternos que são as virtudes que Dele recebemos, porque tudo somente a Ele pertence. Por isso, querer se apossar do que não não é nosso, é perda de tempo e da vida, pois quem muito acumula nada leva deste mundo quando partir daqui.

Comentando esse Evangelho disse o Papa Francisco: "Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (v.21). Esse é um aviso que revela o horizonte para o qual todos somos chamados a olhar. Os bens materiais são necessários - eles são bens! -, mas são um meio de se viver honestamente e em partilha com os mais necessitados. Jesus convida-nos hoje a considerar que as riquezas podem aprisionar o coração e destitui-lo do verdadeiro tesouro que está no céu.

Bem como nos ensina são Paulo: "Buscai as coisas do alto... voltai os vossos pensamentos para as coisas lá de cima, e não para as coisas na terra" (Col 3,1-2). Isto não significa distanciar-se da realidade, mas procurar as coisas que têm verdadeiro valor: justiça, solidariedade, acolhimento, fraternidade e paz, pois, todas essas virtudes constituem a verdadeira dignidade do homem. 

É uma questão de lutar por uma vida realizada não segundo o estilo mundano, mas segundo o estilo do Evangelho: amar a Deus com todo o nosso ser, e amar o nosso próximo como Jesus o amou, isto é, ao serviço e à doação de si mesmo. 

A cobiça dos bens, o desejo de ter posses, não satisfaz o coração, na verdade causa mais fome! Então, tenham cuidado! Porque somente o amor compreendido e vivido é a fonte da verdadeira felicidade; enquanto a busca imoderada de bens materiais e riquezas é frequentemente uma fonte de inquietação, adversidade, prevaricação, guerras. Tantas e tantas guerras começam por causa da ganância. 

Que a Virgem Maria nos ajude a não ficarmos fascinados com a segurança passageira dos bens materiais, mas a sermos diariamente testemunhas credíveis dos valores eternos do Evangelho."

Amados irmãos e amadas irmãs, escutemos atentamente o Senhor Jesus: "Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?" (Mc 8,36-37). Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras." (Mt 16,27).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 16 de outubro de 2022

HOMILIA DO 29°DOM DO TEMPO COMUM...

 

Homilia do 29°Dom do Tempo Comum (Lc 18,1-8)(16/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, "manifestar a Deus "todas" as nossas necessidades e desejos é colocar-nos sob a sua luz e ver se eles são legítimos ou não. Nós somos verdadeiramente aquilo que pedimos; nossos pedidos nascem espontaneamente no coração e sobem aos nossos lábios; dize-los a Deus é testa-los e purifica-Los." (MR). 

Meditemos com amor e atenção esta homilia do 29Dom do Tempo Comum. 

Caríssimos, a fé, a oração e a perseverança são dons que se completam tornando possível tudo o que não podemos por nós mesmos, pois tem seu fundamento nesta exortação do Senhor Jesus: "Tudo é possível ao que crê." (Mc 9,23b). Desse modo, acreditar não é apenas uma expressão verbal, mas um forte apelo/desejo para que se cumpra a vontade de Deus em qualquer situação da nossa vida. 

Com feito, essa palavra nos revela que a fé contém o poder de mudar até mesmo a lei natural, como aconteceu inúmeras vezes no ministério do Senhor, que após realizar um milagre ou cura dizia ao beneficiado ou beneficiada: "a tua fé te salvou." Ou seja, movidos pela fé se aproximavam do Senhor Jesus para que realizasse as maravilhas que somente Deus pode fazer.

Na primeira leitura vemos que a luta contra o mal é travada pela fé, a oração, a perseverança e a ajuda dos nossos irmãos, servindo-nos do que está ao nosso alcance, mas sempre confiantes de que a vontade de Deus se realizará ainda quando em certos momentos vacilemos, todavia, por mantermos a confiança Ele vem em nosso auxílio e nos liberta.

O Evangelho de hoje começa com a seguinte introdução: "Jesus contou aos discípulos uma parábola para mostra-lhes que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo." (Lc18, 1). Com isso, compreendemos que a nossa oração antes de ser palavra que implora, é silêncio profundo para ouvir e acolher o que Deus nos fala. Ou seja, nós entramos em comunhão com Deus nos dispondo a fazer a sua vontade, ouvindo-o.

De fato, quem reza assim tem a certeza de rezar e ser escutado, porque toda oração é sempre um encontro, um diálogo amoroso e filial, por isso, não é feita apenas de pedidos ou súplicas, mas sim como interação, pois Deus conhece muito bem as nossas necessidades, e se permite que lhe falemos é porque nos ama e responde o que pedimos.

Portanto, caríssimos, prestemos muita atenção, porque o final do Evangelho de hoje é uma pergunta escatológica que a humanidade precisa responder: "Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Eis o grande desafio que temos que enfrentar, e só é possível vence-lo mediante a oração perseverante, como a da viúva dessa Parábola contada por Jesus.

Amados irmãos e amadas irmãs, após a ressurreição o Senhor Jesus vai ao encontro dos Apóstolos no Cenáculo e disse-lhes: "A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. 

Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos." (Jo 20,21-23). Ou seja, no Sacramento da Confissão somos perdoados e nos preparamos para o encontro com Deus na oração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O ESPÍRITO SANTO EM NOSSA VIDA FAZ TODA DIFERENÇA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,8-12)(15/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, quanto do nosso tempo realmente damos ao Espírito Santo para que Ele nos ensine tudo a respeito de Cristo e da nossa salvação (cf. Jo 14,26)? Será que estamos fazendo o silêncio interior necessário para ouvi-lo ou não temos tempo para isso?

De fato, caso não correspondamos ao que Ele nos ensina, dificilmente cumpriremos a nossa missão de testemunhas da Ressurreição de Cristo, o Filho de Deus vivo. 

Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, a presença do Espírito Santo em nossas almas faz toda a diferença, é Ele quem nos ensina a rezar e como rezar, é Ele quem nos revela o Senhor Jesus e nos faz encontrar o Pai na intimidade da nossa oração; é Ele ainda quem nos conduz ao verdadeiro anúncio da presença de Cristo neste mundo. Ou seja, o Espírito Santo tem como missão no Novo Testamento ser o pedagogo (condutor) da evangelização.

Na primeira leitura são Paulo em três versículos faz uma síntese trinitária da nossa salvação: "Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 

Que Ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder Ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente." (Ef 1,17-19). Ou seja, quão imensas são as graças que nos foram dadas. 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me renegar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus." (Lc 12,8-9). E depois desse ensinamento revela que o pecado de blasfêmia contra o
Espírito Santo não tem perdão.

Com efeito, o primeiro entendimento desses ensinamentos é que a nossa vida neste mundo é como um livro com as páginas em branco onde nelas escrevemos a nossa história de vida a cada instante para depois ser lida na sua presença do Senhor Jesus tendo como testemunhas os anjos de Deus. 

Desse modo, se a nossa vida for um testemunho vivo da presença de Cristo neste mundo, seremos recebidos na felicidade eterna no seio da Santíssima Trindade com todos os seus anjos e santos. Caso contrário, se o nagarmos por meio dos nossos pecados, também nos será negada a graça da felicidade eterna.

Um outro entendimento é o de que recebemos no batismo o Espírito Santo para nos instruir e formar na justiça de modo que o nosso testemunho de Cristo seja autêntico. Se, porém, não o ouvirmos e ainda fizermos pouco caso Dele menosprezando a sua presença em nossa vida, isso significa o mais grave dos pecados para o qual não tem perdão.

Portanto, caríssimos, a nossa missão de ser testemunhas de nosso Senhor Jesus Cristo pela ação do Espírito Santo, requer de nossa parte entrega total, amor incondicional, obediência perfeita, pois, somente assim faremos verdadeiramente a vontade do nosso Pai celestial.

Amados irmãos e amadas irmãs, viver em oração é viver em comunhão com Deus para realizarmos a sua Santa Vontade; mas para isso precisamos calar em nossas almas as vozes da mentalidade deste mundo a fim de que elas não interfiram na nossa comunhão com Deus, porque somente assim teremos um discernimento perfeito.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo nos mantenha em silêncio na sua presença. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

SENHOR JESUS, EM TI TEMOS TUDO, NADA NOS FALTA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,1-7)(14/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, na primeira leitura são Paulo nos ensina o quanto Deus nos ama em Cristo Jesus e por Ele nos dá a felicidade eterna. Porém, como estamos ainda a caminho somos tentados a perder essa imensa graça por conta das pseudas vantagens que este mundo oferece. 

Cabe à nós perseverarmos até o fim no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo por uma vida digna do céu, isto é, vivida em justiça e santidade todos os dias do tempo que ainda nos resta. 

Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, naturalmente todos estamos condenados à morte e dela ninguém escapa, disso temos certeza absoluta. No entanto, por conta da nossa fé em Cristo ressuscitado a morte natural tornou-se páscoa, ou seja, a porta de entrada na eternidade, pois Ele mesmo nos garante: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14,6).

No entanto, não basta acreditar nessa verdade é preciso dar os frutos que o Senhor Jesus nos ensina, que consiste em fazer a vontade do Pai: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mt 7,21). 

Mas, qual é a vontade do Pai? É conhce-lo, e conhecer, amar e seguir o Filho, como o Senhor mesmo disse: "Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste." (Jo 17,3). De fato, o que seria de nós sem a esperança da vida eterna? Nada seríamos, visto que somente em Cristo temos tudo, Ele é o nosso único e Supremo Bem.

Com efeito, pelo que temos visto muitos ainda não conhecem o Senhor Jesus, e por isso, vivem como se tudo terminasse aqui, isto é, sem nenhuma esperança no devir, de modo que, não são felizes e nem o podem, porque sem a esperança da vida futura, a vida natural perde o sentido de ser. Por outro lado, quem se deixar conduzir pelo Verbo de Deus que se fez carne e habita no meio de nós, tem a vida eterna.

Todavia, para evitar as tentações que nos rodeiam escutemos atentamente o que o Senhor Jesus nos ensina no evangelho de hoje: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Ou seja, "Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hb 4,13b).

Portanto, caríssimos, "Jesus anuncia o Reino de Deus e usa uma imagem para se fazer entender, a do fermento. Ele convida as pessoas a afastarem-se do fermento dos fariseus. A palavra "fariseu" significa "separado".

Enquanto Jesus prega a comunhão, os fariseus trabalham pela separação. Separação entre o puro e o impuro, o justo e o pecador, o homem e a mulher, os judeus e os gentios. O fermento dos fariseus tem um nome específico, e se chama: hipocrisia, isto é, viver de aparência, superfícialmente, por isso, são incoerentes, inconstantes.

Destarte, este mundo é um deserto que estamos atravessando e é preciso fazer a vontade de Deus para atravessa-lo, pois, quem não faz a vontade de Deus, não conhece a verdade, e quem não conhece a verdade não tem consistência nem resistência para vencer o mal.

Amados irmãos e amadas irmãs, a quem realmente estamos seguindo neste momento de dificuldade que atravessamos? Por isso, não nos deixemos enganar, pois, o Senhor mesmo disse: "Quem quiser me seguir renuncie a si mesmo tome a sua cruz de cada dia e siga-me, pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho vai salva-la." (Mc 8,34-35).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

CUIDADO COM O VENENO MORTAL DAS IDEOLOGIAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,47-54)(13/10/22)

Amados irmãos e amadas irmãs, a incoerência é genitora da hipocrisia e por consequência das ideologias, porque diz professar a fé que não vive, e caindo sempre em contradição.

De uma vez por todas precisamos nos afastar desse antro de perdição como nos ensina são Paulo: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil.

Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te! (2Tm 3,1-5).

Ou seja, são Paulo descreve exatamente o que está acontecendo em nossos dias. Meditemos então com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, existe um abismo intransponível entre a fé que professamos e as ideologias que estão no mundo, por isso, muita atenção para não misturar fé com ideologia, porque essa mistura cega as almas levando-as ao ódio, à violência e ao afastamento de Deus. Quem vive envenenado pelas ideologias políticas ou outras, perdem a paz e todas as graças.

Na primeira leitura são Paulo nos ensina que a verdadeira fé é isenta da insensatez humana presente nas ideologias: "Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência." (Ef 1,3.7).

No Evangelho de hoje "disse o Senhor: “Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos." (Lc 11,47-48). "Essas palavras sublinham como a história, com os seus fatos concretos e claros, nada ensinou de bom, razão pela qual Jesus dirige duras repreensões aos doutores da lei.

Com efeito, eles construiram memoriais aos profetas mortos pelos seus antepassados, porque eles proclamavam a Palavra de Deus. Pior ainda, arrogam-se o direito exclusivo de explicar as escrituras e interpretar a vontade de Deus. Isto leva-os a não verem em Jesus o maior dos profetas. A sua culpa é que não só não reconhecem Jesus, como também impedem o povo de o reconhecer. Os doutores da Lei preferem a sua sabedoria humana à sabedoria de Deus manifestada em Jesus. 

Quando a fé passa através do alambique racional, lembra-nos o Papa Francisco, torna-se uma ideologia. Nas ideologias não há Jesus, não há a sua ternura, o seu amor, a sua mansidão. As ideologias são rígidas, sempre. Se alguém se torna discípulo de uma ideologia, já não é discípulo de Jesus, perde a fé. Ser discípulo significa não dificultar a ação do Espírito, que faz sempre novas todas as coisas." (Mons Angelo Spina).

Portanto, caríssimos, quem segue o Senhor Jesus não se deixa envenenar pelas ideologias, ao contrário, as rejeita prontamente porque discerne claramente a presença do espírito imundo de divisão. Por isso, nos ensina são Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança." (Ef 4,3-4).

Amados irmãos e amadas irmãs, sem a vida de oração, sem a meditação da Palavra e a sua prática facilmente nos deixamos envolver por esse turbilhão de falsas informações e de todo tipo de violência principalmente a violência verbal, e com isso, nos afastamos de Cristo para seguir a mentalidade perversa das ideologias e seus autores disfarçados de enviados de Deus. 

Como disse são Paulo: "Dessa gente, afasta-te!" De fato, os que vivem mergulhados no veneno mortal das ideologias jamais aceitam serem contestados.

Senhor Jesus, Filho amado de Deus Pai, tende misericórdia de nós porque somos pecadores. Dá-nos a graça da conversão pela intercessão da Virgem Maria e de são José seu castíssimo esposo. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

VIVA A MÃE DE DEUS E NOSSA SEM PECADO CONCEBIDA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 2,1-11)(12/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, certa feita disse são Francisco de Assis: "Nós somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais." 
De fato, qual é o sentido de nossa vida neste mundo senão vivermos somente para Deus?

Por isso, devemos pensar muito bem o que dizemos e fazemos, pois, como nos ensina o Senhor Jesus: "Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado. (Mt 12,36-37).

Meditemos então com amor e devoção este Pequeno Sermão de Cada Dia. 

Caríssimos, a autenticidade da fé, segundo são Paulo, consiste em se deixar conduzir pelo Espírito Santo para realizar com precisão a vontade de Deus que nos dá a salvação: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne." (Gl 5,16). Ou seja, os apetites da carne, equivale à própria vontade com todas as tentações e pecados cometidos. 

Em outra parte diz são Paulo: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Mas, se vos mordeis e vos devorais, vede que não acabeis por vos destruirdes uns aos outros." (Gl 5,13-15).

O Papa Emérito Bento XVI, comentando sobre a autenticidade da fé escreveu: "Jesus sublinha que é a qualidade e a verdade do relacionamento com Deus que qualifica a autenticidade de cada gesto religioso. É por isso que ele denuncia a hipocrisia religiosa, o comportamento que quer aparecer, as atitudes que buscam aplausos e aprovação. O verdadeiro discípulo não serve a si mesmo ou ao "público", mas ao seu Senhor, com simplicidade e generosidade: "E vosso Pai, que vê em segredo, vos recompensará." (Mt 6,4).

Nosso testemunho será então cada vez mais autêntico quanto menos buscarmos nossa própria glória, e estaremos conscientes de que a recompensa dos justos é o próprio Deus, estando unidos a Ele, aqui neste mundo, no caminho da fé e, no final da vida, na paz e na luz do encontro face a face com Ele na eternidade. (cf. 1 Cor 13,12). (Bento XVI - Santa Missa e Imposição das Cinzas, 13/2/13).

Portanto, caríssimos, hoje a Igreja do Brasil celebra a Solenidade da sua Padroeira, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e como estamos em época de eleição, vejamos quem se aproveitará deste momento para angariar votos sem ser realmente devotos da Mãe de Deus, mas, apenas se apresentando como se fosse. Infelizmente é isso o que ocorre, todavia, como verdadeiros devotos rejeitemos tal comportamento.

Destarte, tenhamos consciência de uma coisa, quem faz a vontade de Deus, fala a vontade de Deus, por isso, não engana ninguém, porque tem consciência que a vontade de Deus é amor, verdade, justiça, bondade, misericórdia e perdão, e quem não vive essas virtudes não pode se dizer cristão.

Amados irmãos e amadas irmãs, sabemos que haverá um juízo final em que todos seremos julgados, porém, antes que esse juízo ocorra, estamos no tempo do arrependimento e da misericórdia preparando-nos para esse dia.

De fato, conhecendo o quanto somos frágeis o Senhor Jesus usa de misericórdia para com todos, porque não quer que alguém se condene, mas que se converta e dê frutos para a vida eterna.
Certamente essa resposta cada um de nós precisamos dar, da sua parte as graças para isso não nos falta.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

SEM A VIVÊNCIA DA PALAVRA DE CRISTO NINGUÉM É SANTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,37-41)(11/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem, sejam bem-vindos e bem-vindas à nossa meditação diária. 

A Carta aos Hebreus revela 
"que a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração.
Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hb 4,12-13). É isso o que trata esta liturgia.

Meditemos, então, com amor e até atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, são Paulo na primeira leitura mostra aos Gálatas o quanto estão equivocados querer deixar a liberdade da fé em Cristo para se prender ao legalismo farisaico: "Irmãos, é para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. Vós que procurais a vossa justificação na Lei rompestes com Cristo, decaístes da graça."

No Evangelho de hoje "enquanto Jesus falava um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”

De fato, o legalismo moral é uma espécie de cegueira espiritual que leva os legalistas a cometerem os piores pecados contra a fé, porque pensam, falam e agem movidos pela hipocrisia, são guias cegos; desse modo, deixam as virtudes da misericórdia e da caridade, pela prática do falso juízo e da condenação dos que não se aliam ao seu legalismo farisaico.

No Evangelho segundo Marcos, disse o Senhor: "Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem." (Mc 7,20-23).

Portanto, caríssimos, como vimos, "Jesus não poupa críticas enérgicas sobre a concepção legalista da moral farisaica, orientada inteiramente para a avaliação dos atos externos, das minúcias e detalhes da observância. Ele leva a verdade do homem de volta à raiz última que é identificada no coração, ou seja, o que sai da boca vem do coração. (cf. Mc 7,20-21). 

Então, como é que precisamos ouvir o Mestre? Ouvi-lo humildemente. A compreensão da Palavra não é permitida àquele que assume a atitude de auto-suficiente, orgulhoso, prepontente. Em vez disso, deve ser abordado com um coração humilde, modesto, dócil, aberto e disposto a ouvi-lo. De fato, na escola da Palavra se cresce com um coração humilde e uma alma submissa; só assim será acolhida a centelha da sua luz e verdade." (Pe Ubaldo Terrinone)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Amados irmãos e amadas irmãs, escutemos com atenção esta exortação do Profeta Baruc: "Tende confiança, filhos, rogai a Deus, que ele vos livrará da opressão dos inimigos. Eu espero que obtereis a salvação do Deus eterno; o Deus Santo deu-me a consolação de saber que sobre vós virá a misericórdia do vosso Salvador, o Eterno." (Br 4,21-22).
 

A CRUZ SAGRADA É O SINAL DE CRISTO QUE NOS SALVA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,29-32)(10/10/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem, sejam bem-vindos e bem-vindas a nossa meditação diária. Infelizmente o farisaismo continua em voga com sua estratégia maligna, usando o mesmo veneno mortal com o qual crucificam o Senhor da vida, nos seus filhos e filhas. No passado pediram sinais extraordinários para crer; no presente, por conta do falso juízo, continuam negando o sinal da cruz de Cristo que recebemos. 

Meditemos com amor e atenção o pequeno sermão de hoje.

Caríssimos, quando nos deixamos levar por ideologias políticas de direita ou de esquerda, conceitos e preconceitos, deixamos de seguir o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, por confundi-lo com a mentalidade deste mundo. Por isso, são Paulo nos ensina: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,2).

No Evangelho de hoje "quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas." Ou seja, a fé não nasce de sinais e prodígios, porque é puro dom de Deus; e ao realiza-los o Senhor está cumprindo a missão que recebeu do Pai, libertar e salvar a todos que se aproximam Dele.

De fato, "ao longo de toda a história do Evangelho surge repetidamente essa questão provocativa, levantada sobretudo pelos escribas e fariseus, mas também pela multidão que facilmente se deixa influenciar por eles que são adversários de Jesus. Querem um "sinal" para crer, um sinal extraordinário segundo os próprios critérios e interesses."

No entanto, o Senhor jamais sede aos seus caprichos, pelo contrário, "em tais circunstâncias, Ele sempre frustra suas armadilhas e denuncia abertamente a falta de retidão, notando com tristeza que, enquanto os Ninivitas se converteram à pregação de Jonas, o seu povo, mesmo tendo a Ele que é muito maior do que Jonas, permanece duro de coração armando-lhe ciladas."

Portanto, caríssimos, como vimos, "aos que lhe pediram um sinal, Jesus respondeu: "Nenhum outro sinal vos será dado, a não ser o de Jonas". E qual é o sinal de Jonas? É Ele mesmo morto, sepultado e ressuscitado. Como Ele disse: "E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim." (Jo 12,32).

Destarte, "o Senhor Jesus é o grande sinal que Deus dá à humanidade, o sinal supremo da nossa salvação. Como cristãos, devemos estar conscientes de que recebemos um dom imenso e, portanto, sentir-nos depositários do único tesouro que enriquece à todos." (Anna Maria Cànopi).

Amados irmãos e amadas irmãs, a velha serpente continua com a mesma estratégia divisória, ou seja, dividir-nos para dominar e destruir as nossas almas, nos afastando do Senhor Jesus. 

E o pior é que muitos estão caíndo nessa armadilha, e com isso, usam o nome de Cristo em vão, lutando contra homens de carne e sangue quando deveriam fazer o contrário como nos ensina são Paulo.

Oremos: "Nós vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus aqui e em todas as vossas igrejas que estão no mundo inteiro e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo." Que o Senhor tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO 28DOM DO TEMPO COMUM..


 Homilia do 28°Dom do Tempo Comum (Lc 17,11-19)(09/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, somos tentados de todos os lados porque fomos amados até a última gota do sangue Redentor de Cristo, o Filho de Deus, ou seja, fomos redimidos e ninguém pode tirar isso de nós a não ser nós mesmos pelos nossos pecados.

Porém, como nos ensinou são Paulo: "Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negarmos, também ele nos negará. Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo."

Meditemos com amor e atenção esta Homilia do 28°Dom do Tempo Comum. 

Caríssimos, no Evangelho de hoje dez leprosos pediram ao Senhor: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano."

Com efeito, "o ensinamento que tiramos desse episódio está na atitude dos leprosos. Eles observam a lei (vv. 12-13; Lev. 13,45-46), obedecem à palavra de Jesus, porque é cumprimento da lei (v. 14; Lev. 14,1-2), mas, se julgam curados por serem observantes, consideram-se merecedores. 

E assim são a imagem fiel de muitos cristãos, presos a um legalismo mortal (Rm 9,30-32;10,13). No entanto, um deles reconhece que tudo é sempre e exclusivamente dom da bondade de Deus que se revela em Jesus; volta a ele e recebe a palavra de salvação: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. (MR).

Comentando esse Evangelho, disse o Papa Francisco: "Nós também precisamos de cura, todos nós. Precisamos ser curados da desconfiança em nós mesmos, na vida, no futuro; de muitos medos; dos vícios dos quais somos escravos; de tantos fechamentos, vícios e apegos: ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao celular, ao julgamento dos outros. 

O Senhor liberta e cura o coração, se o invocarmos, se lhe dissermos: “Senhor, creio que podes curar-me; cura-me dos meus fechamentos, liberta-me do mal e do medo, ó Jesus”. De fato, chamar pelo nome é sinal de confiança, e o Senhor gosta disso. A fé cresce assim, com invocação confiante, levando a Jesus o que somos, de coração aberto, sem esconder nossas misérias. Invoquemos o nome de Jesus com confiança todos os dias, pois seu nome significa: Deus salva.

A salvação não é beber um copo d'água para ficar em forma, é ir até a fonte, que é Jesus. Só ele liberta do mal e cura o coração, só o encontro com ele salva, torna a vida plena e bela. Quando encontramos Jesus, o “agradecimento” nasce espontaneamente, porque descobrimos que o mais importante da vida, não é receber uma graça ou resolver um problema, mas é abraçar o Senhor da vida.

E esta é a coisa mais importante: abraçar o Senhor da vida. Pois, o culme do caminho de fé é viver dando graças."

Amados irmãos e amadas irmãs, a graça da salvação é para todos, pois o Senhor Jesus é o Salvador da humanidade pecadora, resta-nos o arrependimento sincero para voltarmos ao seu convívio de amor. 

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo esteja com todos. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 8 de outubro de 2022

PALAVRA DE VIDA ETERNA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,27-28)(08/10/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, São João no seu Evangelho escreveu: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens." (Jo 1,1.3).

De fato, nascemos, vivemos e morremos naturalmente, no entanto, jamais responderemos por nós mesmos à estas perguntas: Quem somos? De onde vimos? Para onde vamos? Decerto, esse é o grande mistério que Deus nos dar a conhecer por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

Meditemos, então, com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, no Evangelho de hoje "enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Ou seja, quem ouve a Sua Palavra e se deixa conduzir por ela tem a vida eterna.

Com efeito, essa mulher é muito sincera em sua expressão, mas não corresponde ao grande mistério da presença de Cristo no mundo, pois o restringe apenas ao âmbito familiar, e não o revela como Salvador da humanidade. De fato, Ele é o Verbo de Deus que se fez carne no ventre de Maria, que por sua vez o ofereceu para a salvação de todos.

Decerto, "a felicidade não diz respeito ao contato físico nem apenas à pertença familiar, mas a uma disposição de fé, atenta à Palavra de Deus. Cada um de nós tem a possibilidade de se tornar um ventre disponível para que a Palavra se encarne e se cumpra, é isso o que Senhor Jesus nos pede, para sermos felizes, bem-aventurados." (Mons Angelo Spina).  

Portanto, caríssimos, se a Palavra do Senhor encontra um campo livre para a sua ação, então ela chama o indivíduo pelo nome, questiona, ilumina, aquece, vivifica e, se necessário, desafia, censura, põe em crise, sublinha vazios interiores, faz emergir medos e complexos, arrogância e covardia, causa sofrimento agudo. Porém, longe de nós ter medo da sua Palavra, ao contrário, é sábio busca-la, acolhe-la, ama-la, vive-la.  

Destarte, é sempre o Senhor que toma a iniciativa do encontro com o homem, mas este deve responder com livre e total adesão. Renovemos nosso amor e nossa humilde docilidade à Sua Palavra com esta comovente declaração de Santo Agostinho: “Volto, sedento e ansiando, à tua fonte. 

Ninguém me para; Vou beber da tua água viva e ter minha vida de volta. Porque eu não sou a vida de mim mesmo. Vivi mal e só consegui me dar a morte. Mas agora eu vivo em Ti. Fala comigo, tu és meu Mestre. Acredito piamente na Sagrada Escritura". ("Confissões", XII, 10). (Pe Ubaldo Terrinone).  

Amados irmãos e amadas irmãs, o nosso tempo neste mundo está se esgotando como se esgotou o de tantos que vieram antes de nós, por isso, aproveitemos o tempo que ainda temos dedicando-o totalmente ao Senhor Jesus e ao anúncio da sua Palavra, para a nossa salvação e a salvação de todos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

SÃO FRANCISCO DE ASSIS, ROGAI POR NÓS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,38-42)(04/10/22)


Caríssimos, hoje a nossa Ordem celebra a Solenidade de São Francisco de Assis, nosso seráfico pai fundador. Falar de São Francisco, é falar da humildade em pessoa, pois ele é aquele que mais perfeitamente imitou nosso Senhor Jesus Cristo na terra, aquele que abraçou a cruz da pobreza como virtude eterna despojando-se de tudo o que possuía para viver unicamente da Providência Divina.

Na sua Carta a todos os fiéis ele escreveu: "Não nos convém sermos sábios e prudentes segundo a carne, mas temos antes de ser simples, humildes e puros. Jamais desejemos ficar acima dos outros, mas prefiramos ser servos e submissos a toda criatura humana, por causa de Deus. 

Sobre todos os que assim agirem e perseverarem até o fim repousará o Espírito do Senhor e fará neles sua casa e mansão. Serão filhos do Pai celeste, pois fazem suas obras, e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo." (São Francisco de Assis).

De fato, "em uma sociedade cada vez mais desagradável e vulgarizada, há necessidade de mansidão, humildade e doçura. A doçura das palavras leva à confiança. A doçura do pensamento leva à profundidade. A doçura dos sentimentos leva ao amor. Resumindo: nada no mundo é mais forte que a virtude da doçura que Deus nos dar." (Mons Angelo Spina).

Portanto, caríssimos, a nossa vida neste mundo é um aprendizado constante, e creio que são Francisco de Assis é um excelente professor das santas virtudes da obediência, pobreza e castidade. Entremos, então, para escola de São Francisco que aprendeu com a cruz de Cristo a ser manso e humilde de coração. 

Por fim, vemos que "são Francisco compreendeu que sem humildade não se pode seguir a Cristo, e nem podemos ser à imagem de Deus, porque a imagem de Deus em nós é precisamente a de um Deus humilde e disponível, capaz de dar tudo, e verdadeiramente Francisco nada guardou para si. Peçamos-lhe neste dia que interceda pela nossa conversão para que também nós possamos realmente tornar-nos mansos e humildes de coração." (Pe. Fabrizio Centofanti). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A REGRA DA VIDA ETERNA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,25-37)(03/10/22)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos propõe um desafio, será que a nossa prática de vida é de fato o Evangelho vivo de nosso Senhor Jesus Cristo? Será que o nosso viver é a tradução da Sua Palavra? 
Certa feita disse são Francisco ao Frei Leão: "irmão Leão, quem nos viu, viu o Evangelho vivo de nosso Senhor Jesus Cristo."

Ora, isso se chama coerência, autenticidade que nos faz transparecer o Senhor Jesus a quem servimos fielmente de todo coração ao sermos enviados com a missão de pregarmos o Evangelho com a nossa própria vida. 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do bom Samaritano mostrando "que o amor a Deus e ao próximo são inseparáveis, eles se sustentam. Amar a Deus é viver Dele e para Ele, pelo que Ele é e pelo que faz. E o nosso Deus é amor sem reservas, é perdão sem limites, é relação que nos promove e nos faz crescer." (Mons Angelo Spina). 

Decerto, nos chama a atenção nessa Parábola, o fato do samaritano não pertencer ao povo eleito, e ter demonstrado misericórdia ao necessitado prestando-lhe os primeiros socorros, o transportando no seu animal, dando-lhe hospedagem e ainda suplemento caso necessitasse. Enquanto os que receberam essa missão ao verem o ferido na estrada, mudaram a trajetória, foram indifentes e nada fizeram.

De fato, quem de nós na mesma situação não gostaria de receber os mesmos cuidados? Decerto, às vezes somos provados em nossa fé, para despertarmos em nossas almas as virtudes da caridade e da misericórdia que nos faz permanecer em Deus, pois, é Ele quem nos sustenta na vida, mas nem sempre percebemos isso.

 Aliás, São Paulo afirma o seguinte na segunda Carta aos Coríntios: "Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia!" (2Cor 1,3-4).  

Portanto, caríssimos, fiquemos certos disso, ninguém chega à perfeição da caridade sem exercitar o amor e a misericórdia que a todo instante recebemos do Senhor, seja diretamente ou por meio daqueles que se põem a serviço dos seus filhos e filhas mais necessitados.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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