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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O SIM DE MARIA...


O SIM DE MARIA...

De todas as graças derramadas sobre a humanidade a maior e mais sublime delas foi e é o sim da Santíssima Virgem Maria, pois por este sim, Deus renovou todas as coisas, porque o sim de Maria é Jesus de Nazaré, o Messias, o Filho amado de Deus, que se fez homem pela ação do Espírito Santo, no seio virginal da santa mãe de Deus. Assim como Deus criou a primeira mulher, a virgem Eva, sem pecado num paraíso; também criou a Virgem Maria no Espírito Santo, a segunda Eva, também sem pecado; só que há uma grande diferença entre elas; a primeira Eva disse não a Deus, mesmo criada num paraíso com todas as condições para dizer sim a Ele; enquanto que a segunda Eva, Maria, também criada no ventre-paraíso de sua mãe Ana (cf. Jo 1,12-13), disse sim ao seu Senhor e Salvador: “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,38). Ou seja, Maria não teve nenhum diálogo ou contato com o mal, mas somente com Deus. Desse modo, pelo sim incondicional da Santíssima Virgem Mãe, Deus gerou o seu Filho, Jesus Cristo, e fez por ele nova todas as coisas.

Então, o que é o sim de Maria? É o sublime acontecimento que fecha e sela o Antigo Testamento com o cumprimento de todas as suas profecias; e por sua vez, abre o Novo Testamento com o Nascimento do Messias prometido, o Emanuel, isto é, o Deus conosco, o Cristo Senhor; o Rei que se sentaria eternamente sobre o trono de seu pai, o rei Davi; o Redentor nosso, e de toda a obra da criação, o Novo Adão. Assim, todos os acontecimentos do Novo Testamento até os dias de hoje, como plano salvífico do Senhor, começaram a partir do sim da Virgem Maria. Seu sim é o marco divisor da antiga e da nova criação; da antiga e da nova aliança; da queda e do soerguimento da humanidade; da vida temporal e da vida eterna.

Tudo o que Deus fez é bom, belo e eterno; e não vai ser o demônio nem sua vontade maléfica, que vai atrapalhar o desígnio criador e redentor do nosso Deus e Pai. A princípio, o mal conseguiu ludibriar Adão e Eva, mas ficou só nisso; porque com o advento do Filho de Deus feito homem, Novo Adão, no ventre da Nova Eva, a Virgem Maria, a humanidade conheceu o seu novo destino eterno, a salvação pela remissão dos pecados. Para isto, Deus deu o seu Filho Jesus em sacrifício vivo de expiação de todos os pecados da humanidade. E só perde este benefício quem não reconhece Jesus Cristo como Senhor e Salvador, Aquele que nos torna Um em sua Igreja, que é o seu Corpo Místico (cf. Cl 3,18; Ef 5,21ss), a parte visível do Reino de Deus neste mundo; fundada sobre os apóstolos tendo sua Santa Mãe entre eles, no Cenáculo no dia de Pentecostes (cf. At 1,12-14).

Desde então, a Igreja se mantém firme no propósito salvífico do Senhor, ou seja, ser o Sacramento universal da salvação, tendo no Santo Padre, o Papa (Pedro apóstolo, príncipe dos apóstolos), o regente escolhido por Cristo (cf. Mt 16,17-17; Jo 21,15-19) para conduzir suas ovelhas ao Reino dos Céus, sob a permanente assistência do Espírito Santo, tendo Maria (Nova Eva) como a mãe de todas as almas redimidas por seu sacrifício de cruz (cf. Jo 19,26-27).

Eis, a seguir, uma das mais belas meditações sobre o sim da Virgem Maria, feita por São Bernardo, em uma de suas homilias:

O mundo inteiro espera tua resposta ó Maria... (*)

Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).

Paz e Bem!

(*) Das Homilias em louvor da Virgem Mãe, de São Bernardo, abade
(Hom. 4,8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4, [1966], 53-54)(Séc. XII)

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

NATAL, NATAL DO SENHOR...


NATAL, NATAL DO SENHOR...
Natal é o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, ou seja, Deus sem deixar de ser Deus, se fez Homem; não num piscar de olhos nem num instalar de dedos, mas gerado como Deus feito Homem pelo Espírito Santo, no seio santo da Virgem Maria, porque Deus é Santo e só pode nascer santo de quem Ele santificou. Assim como Deus criou a primeira mulher, Eva juntamente com Adão, sem pecado num paraíso; também criou a Virgem Maria no Espírito Santo, a segunda Eva, sem pecado no ventre-paraíso de sua mãe Ana, pronta para conceber o Novo Adão, Jesus. A primeira mulher livre do pecado foi tirada do homem por Deus, que os fez sua “imagem e semelhança”; a segunda mulher nascida de Deus mesmo, também totalmente livre do pecado, pela fé de seus pais Joaquim e Ana (cf. Jo 1,12-13), tornou-se a esposa do Espírito Santo e Mãe do Novo Adão, Jesus Cristo, “Deus de Deus, gerado não criado, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”.

Este, sim, é o verdadeiro Natal de Jesus. Mas, qual é o natal que os homens estão comemorando na mídia no geral? O vergonhoso natal do comércio, criado pela ganância de comerciantes sequiosos de lucros, para o desejo consumista e para a gula dos mais bastados; aquele que só lembra os presentes e as guloseimas da ceia de natal, longe da presença do aniversariante que é a razão de ser desta festa. O natal midiático é perverso, porque ilude e engana crianças e adultos de todas as camadas sociais, com a figura patética do papai Noel e suas lendas pagãs, distribuindo “presentes” com sua saudação ridícula Rou, Rou, Rou, Rou, à mando dos comerciantes que os contratou. E assim, querem que esqueçamos o nascimento do Filho de Deus, e lembremos apenas das figuras de papai Noel, de gnomos, de renas, de trenós, de neve, e Lapônias da vida, sem nenhuma ligação com o Natal de Jesus. E só se lembram do presépio para vendê-lo como imagem estética que enfeita a sala junto com a árvore de natal cheia de presentes e nada mais.

Não é esse natal midiático que nós cristãos festejamos. O Natal cristão, como disse, é o nascimento de Jesus Cristo, o único Salvador da humanidade; nele lembramos e festejamos a memória da Encarnação do Verbo de Deus que se fez um de nós, para nos redimir e nos conduzir à glória eterna do Seu Reino. Lembrar Jesus menino, nascido da Virgem Maria, é lembrar também o nosso nascimento da água e do Espírito Santo, no seio virginal da Santa Igreja, em nosso batismo, para a vida eterna. Porque se o Natal do Senhor não for comemorado em seu sentido pleno religioso, ou seja, como nascimento do Menino Deus, que nos deifica nele; passa a ser somente mais uma festa de fim de ano e um meio de enriquecimento de ávidos comerciantes; ora, não isso que nós cristãos comemoramos.

Portanto, cantemos com amor o santo Natal, o Natal do Senhor, noite de paz e alegria, noite em que nasceu o menino Jesus, o Filho único de Deus Pai, nascido da Virgem Maria!

Feliz Aniversário Jesus! Parabéns, Senhor, nós te amamos e comemoramos solenemente o teu santo nascimento neste dia lindo e único.


Feliz Natal do Senhor! Para toda humanidade, salva pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, o Senhor nosso e de toda criação! Amém! Assim seja!
Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...


FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...

A fé evidente é dom do Espírito Santo, pois é ele quem nos dá essa evidência nos fazendo participar diretamente dela. Ter a evidência da presença de Deus em nossa vida é ter a certeza de que é Deus quem está agindo em nós e por meio de nós, por acreditarmos no seu amor para conosco. Por isso temos a convicção de que Ele nunca nos deixa sozinhos, pois até nos dá um anjo da guarda para nos acompanhar sempre (cf. Sl 33,8), e só precisamos dar ouvidos ao que ele nos fala (cf. Ex 23,20-23a), mas tudo isso acontece pelas graças abundantes do Senhor em cada um de nós.

São Paulo ao falar da evidência da fé, diz: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos, antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível”. (Hb 11,1-3). E ainda: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6). Ou seja, é por meio de nossa fé que os acontecimentos de nossa vida ocorrem em conformidade com a vontade de Deus, isto é, segundo o seu plano de amor para a nossa salvação, como nos ensina o profeta Habacuc: “O meu justo viverá da fé” (Hab 2,3a). Também o Senhor Jesus nos ensinou a esse respeito, dizendo: “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23b).

Existem vários episódios nos Evangelhos que bem demostram a mudança dos acontecimentos pela fé, vejamos alguns deles: a cura da mulher com fluxo de sangue (cf. Mc 5,25-34); o paralítico transportado numa maca por sobre uma brecha da casa onde Jesus se encontrava (cf. Mc 2,1-12); a cura do servo do oficial romano (cf. Lc 7,1-10); a cura do menino epiléptico (cf. Mt 17,14-18); a libertação da filha da Cananéia (cf. Mt 15,22-28); a cura do cego de nascença (cf. Jo 9); a ressurreição da filha de Jairo, chefe da sinagoga (cf. Mc 5,22-24;34-43); a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11), e tantos outros. Todos esses acontecimentos foram mudados por meio da fé, assim, percebemos a importância deste dom do Espírito Santo para a nossa vida e para a nossa salvação.

De fato, todo dom precisa ser alimentado, desenvolvido, cultivado até que dê os frutos esperados. E como fazemos isto com o dom da fé? Com efeito, nossas almas são terrenos férteis onde brotam as sementes dos dons do Espírito Santo; e com a fé não pode ser diferente, ela é graça transbordante que nos faz enxergar além do nosso entendimento, e nos faz alcançar as graças que Deus dispõe a nosso favor. Mas, como todo dom, a fé precisa de outros dons para crescer e se multiplicar, assim, os dons que alimentam a fé são: piedade (vivência da fé ou a expressão da fé); oração (dom de comunhão com Deus Altíssimo); confissão (sacramento do arrependimento e do perdão dos pecados); eucaristia (o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, alimento da vida eterna); leitura e meditação da Palavra de Deus (Lectio Divina); e a prática das obras de misericórdia ou caridade, também chamadas obras da fé (cf. Ef 2,10). Quem vive alimentando a fé por meio desses dons, poderá até dizer a uma alta montanha, caso seja necessário para a salvação das almas, atira-te ao mar, e ela se nos obedecerá.

Portanto, o que é preciso para a vivência da fé nós já o recebemos em nosso batismo, pois ele é o início da nossa vida em Deus, como nos ensinou São Paulo: “Porque é em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos” (At 17,28a). Além disso, temos o testemunho dos santos que viveram em tudo a vontade de Deus, professando a fé em Cristo Ressuscitado; muitos deles derramaram o próprio sangue, como os justos das Sagradas Escrituras e tantos outros mártires da fé, que ao longo dos séculos, sacrificaram suas vidas e por esse sacrifício se tornaram exemplos vivos de fé e de amor a Deus e aos seus irmãos na fé. Assim, viver da fé requer de nós o empenho de toda a vida, para nunca nos afastarmos do Senhor, que nos dá a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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sábado, 4 de outubro de 2014

Dia de São Francisco - um texto de um protestante franciscano



Hoje lembramos a morte de Francisco de Assis.
Como protestante e evangélico tenho minha lista de Heróis da fé. heróis que viveram antes e depois da reforma. Heróis e heroínas, católicos, prestantes e ortodoxos. Homens e mulheres que tiveram um encontro com Deus, foram alcançados pela graça justificadora e santificadora e se tornaram um exemplo para cada cristão.
Entre os muito heróis da fé, tenho olhado com muito carinho Francisco de Assis.
Quando comparamos sua realização diante de muitos outros heróis da Fé, parece que ele fez pouco. Por estudar suas biografias antigas (as primeiras); me especializar em Estudos da Idade Média com foco nas primeiras biografias de Francisco escritas por Tomás de Celano; ler as novas biografias; vejo a história dele muito rápida. É fácil de decorar e muito agradável para ser contada e sentida.
Parece ser simples.
Mas é exatamente esta simplicidade que me atrai.
Ele teve como Regra unicamente o Evangelho do Senhor Jesus. Desejou viver na íntegra o Evangelho.
Anselm Grün afirma ser insuportável tentar viver como Francisco viveu. Foi considerado a maior personalidade do segundo milênio. Considerado o homem mais normal do mundo para Freud.
Sua história inspirou livros, filmes, inúmeros documentários e milhares de discípulos e discípulas, protestantes e católicos que usam o nome de Franciscano.
Foi alcançado pela graça do Senhor e desejou viver de forma radical e verdadeira o desafio que os apóstolos viveram.
Francisco faleceu em 1226 no dia 04 de outubro, mas continua nos incomodando.
Sua espiritualidade e integridade nos incomoda, perturba e nos provoca.
Olhamos para Jesus e perguntamos: Senhor, como ser tão apaixonado assim?
Francisco faz a gente ficar envergonhado e ao mesmo tempo nos estimula.
Sua história ainda tem o poder de nos provocar.
Francisco é a certeza de que podemos viver o Evangelho do Senhor Jesus de forma sincera e apaixonante.
Vale a pena ser servo de Deus em Jesus Cristo.
Agradeço a Deus por ter conhecido a história de um homem que viu apaixonado pelo criador e que o venerava nas criaturas.
Francisco cantou a vida de Deus.
Cantando ele está em Deus.
Hoje Francisco no céu ele deve cantar: Louvado seja meu Senhor pelo irmão Paraíso, pois aqui vejo Jesus face a face e continua mais apaixonado pela santíssima trindade!
Paz e Bem

Rev. Edson Cortasio Sardinha - Pastor Metodista - edsoncortasio@hotmail.com

AS SAGRADAS ESCRITURAS...


AS SAGRADAS ESCRITURAS

As Sagradas Escrituras são a voz e a presença de Deus em meio à sua criação; e tal revelação ou conhecimento se nos veio pela experiência de fé do povo que o Senhor escolheu para revelar ao mundo quem Ele é; revelar as suas leis, naturais e divinas; e como devemos nos relacionar com Ele; quais são seus desígnios a respeito da humanidade; e ainda qual a finalidade da vinda do Seu Filho, Jesus Cristo, a este mundo.

Ora, ao escolher Abraão, patriarca do povo Hebreu, para ser o pai da fé, o Senhor se mostrou misericordioso para com toda humana criatura, representadas por ele e por seus descendentes. Através da experiência da fé de Abraão e dos seus descendentes, conhecemos tudo o que diz respeito à presença dos homens sobre a face da terra: sua origem e de todas as coisas; qual a finalidade da obra da criação; o porquê do desequilíbrio que há nela; quem causou tal desequilíbrio; o porquê da morte; como Deus fez para liberta-nos do pecado, da morte e de todo mal; como viver em comunhão permanente com Ele, o nosso Criador e Pai de nossas almas; qual o destino final deste mundo e de todas as coisas criadas; o que haverá após a nossa morte, isto é, o juízo final. E após este juízo o que de fato acontecerá, ou seja, como será a nova criação. Todas as respostas a estas indagações se encontram nas Sagradas Escrituras, e somente pela fé somos capazes de compreendê-las e vive-las para a nossa salvação.

Com efeito, há no ser humano um profundo desejo inato da permanência na vida, porque ninguém em sã consciência quer a morte pela morte; a não ser pelo fato de ter estragado de tal forma a sua vida, que já não encontra mais sentido para ela. Logo, as indagações que fazemos a partir de nós mesmos e das outras criaturas, requer respostas tão convincentes que possam tranquilizar os nossos corações com certezas e esperanças, que nos façam viver em paz e sermos felizes, mesmo tendo consciência que naturalmente morreremos. Todavia, nenhuma resposta humana para o nosso desejo de vida permanente é suficiente para nos tranquilizar totalmente, ou seja, precisamos da fé em Deus, porque somente em Deus a vida é eterna. Então, como vivermos a fé ou da fé? Vamos às perguntas e respostas para isto.

Por que o homem existe? Porque Deus o criou “à sua imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26-27). Ora, somente o entendimento da fé responde a essa pergunta; qualquer resposta racional, desprovida da graça de Deus, não satisfará nosso desejo da verdade, porque fora da graça de Deus não há satisfação permanente.

E por que todas as coisas existem? Por causa do homem, sem ele, a criação não teria nenhum sentido. Ora, Deus criou o homem em estado de graça para governar a terra e tudo o que há nela em perfeita comunhão Consigo (Gn 1,26), por isso, Ele o pôs num paraíso (cf. Gn 2,4b-10). Todavia, existe ainda uma outra finalidade na criação do homem e de todas as coisas, qual seja, Deus criou o homem para participar de sua natureza divina e de sua glória eterna (cf. 1Pd 1,4).

Por que há tanto desequilíbrio na criação? Deus é infinitamente Perfeito, e criou tudo com sua perfeição própria para atingir a plenitude do serviço uns dos outros. Quanto ao homem, Deus o criou com a liberdade de ser e estar no mundo, isto é, com todas as virtudes e capacidades naturais e sobrenaturais, como dádivas de sua graça para governa-se e governar todas as coisas; e deu-lhe ainda o poder de decidir livremente pelo bem para manter sua liberdade ou pelo mal para perdê-la (cf. Dt 30,19-20); e como o homem decidiu pelo mal, de fato, perdeu a liberdade e a comunhão com seu Criador, para viver na escravidão do pecado, que consiste na não vontade de Deus em todos os sentidos da vida. E o resultado da desobediência humana são as tragédias e os desequilíbrios entre si e em toda a criação (cf. Gn 3).

E quem causou este desequilíbrio, foi somente o homem ou teve a participação de algum outro ser? Ora, tudo o que conhecemos da obra de Deus, conhecemos ou naturalmente ou por revelação (cf. Rm 1,19-20; Hb 1,1-4), desse modo, por exemplo, entendemos o tempo como algo que se move para um fim determinado, pois para nós o tempo não para, mas na realidade ele é uma lei natural que move todas as coisas sem ser notado em si mesmo, mas somente no que é movido por causa dos efeitos e do fim de todas as coisas. Outro exemplo é o ar que respiramos, ele é invisível, não o tocamos, não o vemos, mas sem ele não existimos; desse modo, conhecendo que o ar é também uma lei natural, entendemos por ele que Deus criou as coisas visíveis e as invisíveis. Logo, inferimos que a criação divina é tanto natural, revelada em nossa natureza e pelo tempo; quanto metafísica, revelada por Deus, Ele mesmo, e em suas criaturas invisíveis e eternas. Daí, concluímos que a criação natural depende diretamente do invisível que a sustenta, quer físico quer metafísico. Portanto, por graça de Deus, foi-nos dado conhecer que existe um ser invisível (Lúcifer), criado por Deus para o bem, mas que se interpôs entre Deus e sua criação, por consentida desobediência. No entanto este ser e seus séquitos foram banidos para sempre da presença do Altíssimo (cf. Ez 28,11-19; cf Jo 16,11; Ap 12, 7-9). Por isso, recebeu a alcunha de demônio ou satanás, causador do pecado e de todo o mal que existe na face da terra e na criação, isto é, entre os anjos decaídos (cf. Ap 12, 7-9; 20,1-3). Porém, compreenda-se bem isto, ele não é Deus nem como Deus, mas uma criatura infinitamente nada em relação a Deus.

Por que a morte existe? Pelo que conhecemos da revelação divina, a morte tem duas conotações: primeira, ela é punição temporal pelo pecado humano até o julgamento final (cf. Gn 3,19); segunda: após o julgamento final, os julgados culpados, serão condenados à uma é pena eterna, que São João, no Apocalipse, chama de “segunda morte” (cf. Ap 21,18). Porém, antes que tudo isto aconteça, ainda nesse tempo que nos é dado, pode haver o arrependimento e o perdão dos pecados e a consequente reconciliação com Deus, ou seja, tudo pode ser mudado por uma sincera conversão ao Senhor, e isto de todo coração (cf. Jr 29,12-14).

O que Deus fez para livrar-nos do pecado, da morte e de todo o mal? Não obstante a desobediência humana e a punição temporal imposta, o Senhor veio em nosso auxílio, como rezamos na quarta oração eucarística: “Nós proclamamos a vossa grandeza, Pai santo, a sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas: criastes o homem e a mulher à vossa imagem e lhes confiastes todo o universo, para que, servindo a vós, seu Criador, dominassem toda criatura. E quando pela desobediência perderam a vossa amizade, não os abandonastes ao poder da morte, mas a todos socorrestes com bondade, para que, ao procurar-vos, vos pudessem encontrar”.

“E, ainda mais, oferecestes muitas vezes aliança aos homens e às mulheres e os instruístes pelos profetas na esperança da salvação. E de tal modo, Pai santo, amastes o mundo que, chegada a plenitude dos tempos, nos enviastes vosso próprio Filho para ser o nosso Salvador. Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado, anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos a liberdade, aos tristes, a alegria. E para realizar o vosso plano de amor, entregou-se à morte e, ressuscitando dos mortos, venceu a morte e renovou a vida. E, a fim de não mais vivermos para nós, mas para ele, que por nós morreu e ressuscitou, enviou de vós, ó Pai, o Espírito Santo, como primeiro dom aos vossos fiéis para santificar todas as coisas, levando à plenitude a sua obra”. (Missal Romano).

Então, como viver em permanente comunhão com o Senhor de nossa vida? Ora, pelo sacramento do batismo, o ser humano nasce da água e do Espírito Santo na ordem da graça para a vida eterna; nele temos o perdão do pecado original, para vivermos em permanente estado de graça, isto é, em estado de comunhão com Deus, pois a obediência perdida com o pecado original é restabelecida neste sacramento, para que façamos em tudo a sua santa vontade. Também neste sacramento acontece nossa morte e ressurreição com Cristo Jesus, como bem nos ensinou São Paulo: “Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,4). Vida nova que consiste em permanecermos nele para darmos os frutos da redenção que dele recebemos (cf. Jo 15,1-8).

Qual o destino deste mundo e de todas as coisas que nele há? Conforme a revelação divina, nas Sagradas Escrituras (cf. Mt 24,1-36; 2Pd 3; Ap 21 e 22), este mundo, desde a primeira vinda de Jesus Cristo, está passando por uma renovação definitiva, que culminará com a sua segunda vinda, vejamos: “Sabei antes de tudo o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo as suas próprias concupiscências. Eles dirão: Onde está a promessa de sua vinda? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o princípio do mundo. Esquecem-se propositadamente que desde o princípio existiam os céus e igualmente uma terra que a palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, no meio da água, e deste modo o mundo de então perecia afogado na água. Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios”.

“Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz. Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar...” (2Pd 3,3-15a).

Naquele dia, “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação”. (Lc 21,25-27).

Como será o juízo pessoal e final? Façamos uma analogia entre os meios de armazenamento da TI (Tecnologia da Informação) atual e as nossas almas; por exemplo, tudo o que fazemos em termos de informações, deixamos gravados em HDs (Discos Rígidos) ou num cartão SD (Cartão de Memória) para acessa-los quando preciso; de igual modo, tudo o que pensamos, desejamos, decidimos e praticamos, ficam gravados em nossas almas para o dia do julgamento pessoal e final; assim, no dia eterno, quando formos julgados, nossa vida passará diante de nós e Deus, como se fosse na tela de nosso computador; e ao presenciarmos nosso modo de ser diante de Deus e da vida que levamos, obteremos o resultado de nossa prática existencial.

A esse respeito, bem nos ensinou São Paulo: “Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece”. (1Cor 4,1-5). E ainda na Carta aos Hebreus: “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo...” (Hb 9,27). Porém, fiquemos atentos também ao ensinamento de São Tiago: “Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento”. (Tg 2,14-15).

Portanto, aproveitemos o presente tempo que nos é dado pelo Senhor, nesse e em todos os momentos de nossa vida, pois o tempo é uma lei divina que nos envolve e nos encaminha para a eternidade, ele não para até que cheguemos ao fim determinado. Que esse tempo dado à todos é tempo de conversão e profunda comunhão de amor com o Senhor, assim nos sentiremos amados, amparados e conduzidos por ele, até chegarmos à felicidade eterna do Seu Reino de justiça e paz.

Como será a Nova Criação? Será conforme o que já nos foi revelado nos escritos do Antigo e do Novo Testamento: “Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça”. (2Pd 3,13). Com efeito, “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem - se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. (2Cor 12,2-4). Também São João descreve com perfeição de detalhas a nova criação: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo”.

“Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”. (Ap 21,1-7).

E qual deve ser a nossa atitude diante de tais revelações? Preparar-nos para o grande dia do Senhor, vivendo conforme ele nos ensinou, especialmente no que diz respeito ao julgamento antes do tempo: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,36-38).

E sabes por quê? São Paulo, responde: “Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece”. (1Cor 4,1-5).

Por fim, vejamos o que o Senhor disse a São João: “Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas”. (Ap 22,10-12).

Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus esteja com todos”. (Ap 22,20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Francisco de Assis e o Hinário Protestante Laudate Deum.

Francisco foi um homem de Deus da Idade Média que influenciou todos os seguimentos da Igreja: Católico, Ortodoxo e Protestante.

Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Era orgulhoso, vaidoso e rico. Certa vez foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Senhor que lhe dizia: “Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?”. Ele respondeu que ao amo. “Porque, então, transformas o amo em criado?”, replicou a voz. No início de sua conversão viveu como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem de Cristo na igrejinha de São Damião: “Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas”.

Partindo em missão, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. No campo de Assis havia uma ermida chamada Porciúncula. Este foi o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes. A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria… Peregrinando até aos Lugares Santos. Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho.

Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação Solene da Regra, como ato culminante da sua vida. Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224.

Já enfraquecido fisicamente e cego, Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas. Retira-se para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Seu dia é comemorado 04 de outubro.

Este Cântico das criaturas recebeu várias musicalidades. Os protestantes usam a letra de Francisco de Assis com a música do Hinário Alemão Laudate Deum.

Hinário Evangélico 129 - Glória à Trindade

Vós criaturas de Deus Pai,
Todos erguei a voz, cantai,
Aleluia! Aleluia!
Tu, sol dourado a refulgir,
Tu, lua em prata a reluzir,
Oh! Louvai-o! Oh! Louvai-o!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Oh! Boa terra mãe que dá
Infindas bençãos, canta já,
Oh! Louvai-o, Aleluia!
Frutos e flores, juntos dai
A glória a Deus, Senhor e Pai.
Oh! Louvai-o! Oh! Louvai-o!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Vós, homens sábios e de bem,
A todos proclamai também,
Oh! Louvai-o, Aleluia!
Louvor ao Filho, glória ao Pai,
E ao Santo Espírito louvai!
Oh! Louvai-o! Oh! Louvai-o!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!


terça-feira, 23 de setembro de 2014

HAVERÁ SOLUÇÃO?


HAVERÁ SOLUÇÃO?

Meu Deus!
Sei que insisto muito no desejo de uma vida melhor...
Onde possa ver os dons e as virtudes que nos destes progredir...
Muitas vezes, porém, me sinto como que impotente...
Devido ao crescente aumento da iniquidade...
Chego até sentir calafrios...
Por causa dos desvarios em todas as camadas da sociedade...

São tantas as mentiras, corrupções, depravações...
Vícios incontroláveis...
Violência desenfreada...
Medos, fobias, agonias...
Doenças incuráveis...
Mortes trágicas...
Que penso não haver mais solução...

Ó Senhor!
É este o triste retrato desse mundo fadado ao caos...
Perdido no pecado que cultiva dia e noite, noite e dia...
E por causa de tamanha rebeldia,
nada podemos esperar de bom dessa tragédia anunciada...

Por isso, clamamos a Ti que nos criastes por amor e para o amor...
Vem Senhor, ajuda-nos em meio a esse imbróglio sórdido...
Onde o mal parece vencer...
Todavia, sabemos que nunca vencerá,
porque o teu poder é infinito...
E por isso nada deterá a resposta de tua divina justiça...

Tua bondade santa está conosco Senhor...
Teu Sacrifício vivo de amor é oferecido a todo instante na santa Eucaristia...
Teu perdão sacramental é dado aos pecadores arrependidos...
Tua vontade inabalável nos liga ao nosso Pai Criador em definitivo...
Nosso Deus Onipotente, Onipresente, Onisciente...
E mesmo se formos martirizados,
só seremos porque te amamos incondicionalmente...
Pois temos certeza Senhor que estás conosco até o fim dos tempos...
Porque se estivéssemos sozinhos nada nem ninguém existiria mais...

A fera infernal que parece incontrolável...
Tem seus dias contados...
Porque tudo o que é mal já tem seu fim prenunciado...
Porque trágicos são seus planos,
seus enganos, seus pecados...

Porquanto, é vontade de Deus Pai que todos os homens se salvem...
e cheguem ao conhecimento da verdade, da unidade e da paz...
E isto só é possível graças a Jesus Cristo,
Senhor e salvador de nossas almas...
Autor e consumador de nossa fé...
Por Ele alcançamos o perdão dos pecados, o Reino dos céus...
A glória dos justos, a felicidade dos eleitos...
Redimidos e santificados pelo Seu Sangue derramado
no patíbulo da Cruz...

Paz e Bem!


Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PENITÊNCIA E RECONCILIAÇÃO: CAMINHOS DE PERFEIÇÃO E VIDA ETERNA...


PENITÊNCIA E RECONCILIAÇÃO: CAMINHOS DE PERFEIÇÃO E VIDA ETERNA...


O que é o pecado? É o território do inimigo de nossas almas; é a não vontade de Deus em todos os sentidos da vida. Todavia, em sã consciência, ninguém entra neste território sem o saber, visto que tudo em nossa vida depende sempre de nossas decisões, sejam elas boas ou más; porém, temos que entender que nenhuma tentação é superior às nossas forças, como bem ensinou São Paulo: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (1Cor 10,13). E também São Tiago em sua carta nos exorta: “Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos iludais, pois, irmãos meus muito amados. Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas” (Tg 1,12-18).

Com efeito, todo pecado grave ou leve gera consequências, porque o pecado é o mal que gera todos os males que há; é por isso que seus efeitos nefastos são imediatos, seja em quem os comete ou naqueles que o sofrem, mesmo que sejam inocentes; todavia, para os inocentes esses efeitos são nulos, porque Deus os acolhe e os protege com sua Divina Misericórdia. Convém, porém, que se diga: ninguém peca sozinho, isto porque estamos sempre em interação uns com os outros; e mesmo um pecado aparentemente banal pode se transformar num mal irreversível, porque por traz de todo pecado se encontra o demônio disfarçado. Por isso, precisamos ter muito cuidado, visto que o mal nunca se mostra como ele é, pelo contrário, quase sempre ele se mostra como um iceberg (uma massa de gelo que deriva das regiões polares, cujo corpo fica submerso no oceano, revelando apenas sua parte aparentemente inofensiva), ou seja, como uma armadilha capaz de nos prender e destruir nos afastando para sempre do amor de Deus, caso não tenhamos o devido cuidado em evita-lo (cf. Rm 6,12-23;Hb 3,12).

Então, como evitar o pecado e não mais cometê-lo? São João, falando a esse respeito na sua primeira carta, disse: “Todo aquele que peca transgride a lei, porque o pecado é transgressão da lei. Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu” (1Jo 3,4-6). Ou seja, se quisermos viver em estado de graça permanente, precisamos permanecer em Cristo Jesus, como os galhos permanecem na videira; como o Senhor mesmo diz no Evangelho de São João: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,1-5).

Com efeito, a realidade do pecado na qual estamos mergulhados neste mundo, nos impele ao arrependimento sincero, para assim buscarmos a santidade que o Senhor nos oferece com o perdão desses pecados, pois foi exatamente isso que Ele nos ensinou no Evangelho de São Lucas: “Digo-vos que haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15,7). Ou seja, o reconhecimento dos nossos pecados, o arrependimento e a confissão sacramental deles, a absolvição sacerdotal e o cumprimento da penitência estabelecida, nos traz de volta à obediência aos santos mandamentos e a perfeita reconciliação com Deus, nosso Pai, tendo como fruto dessa reconciliação a paz interior que tanto precisamos, pois o Senhor mesmo diz, a respeito do perdão sacramental: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoado; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,23). Assim, esse caminho do perdão sacramental para nossa reconciliação com Deus, torna-se profundamente necessário para a nossa purificação e salvação, caso tenhamos cometido algum pecado.

Por fim, escutemos São João, ainda em sua primeira carta: “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu” (1Jo 2,1-6).

“Feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Feliz o homem a quem o Senhor não argui de falta, e em cujo coração não há dolo. Enquanto me conservei calado, mirraram-se-me os ossos, entre contínuos gemidos. Pois, dia e noite, vossa mão pesava sobre mim; esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão. Então eu vos confessei o meu pecado, e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade. E vós perdoastes a pena do meu pecado. Assim também todo fiel recorrerá a vós, no momento da necessidade” (Sl 31,1-6a).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 16 de agosto de 2014

AS VIRTUDES TEOLOGAIS: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE...


AS VIRTUDES TEOLOGAIS: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE...


Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas”. (Tg 1,17-18). É assim que São Tiago define os dons de Deus, como dádivas perfeitas que nos levam à plenitude da felicidade, da perfeição, e com isso, à mais alta condição da glória de Deus, que é a nossa permanência Nele por toda a eternidade.

Fé, esperança e caridade são as chamadas virtudes teologais. “Segundo o Compêndio do Catecismo da [nossa] Igreja Católica, as virtudes teologais "têm como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. São infundidas no homem com a graça santificante [no batismo], e tornam-nos capazes de viver em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas.  Elas são o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano". (CIC nº 384). São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios 13, as define como as virtudes que permanecem, porém, sendo a maior delas a caridade (o amor) (1Cor 13,13). Na Carta ao Gálatas, ele define a relação que há entre essas virtudes, primeiro a fé e o amor, dizendo que a fé opera pelo  amor (cf. Gl 5,6b); depois, na carta aos Hebreus, entre fé e esperança, onde lemos: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”. (Hb 11,1).

Todavia, precisamos entender que essas virtudes precisam da autenticidade do Espírito Santo, para serem o que elas são. Então, como entender essa autenticidade e por consequência sua genuinidade? Por Cristo Jesus, e somente por Ele, na pessoa de Pedro e dos outros apóstolos e seus sucessores, que Ele mesmo escolheu e confirmou como fundamento de sua Igreja (cf. Mt 16,18-20; Lc 10,3.16). Com efeito, o profeta Isaías, assim profetizou sobre o Messias, o Ungido do Senhor: “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião” (Is 42,1). Assim, entendemos que Jesus, ao fundar a sua Igreja como seu corpo místico (Col 1,3.22-29;2,1-23), ele permanece nela e a conduz por seus representantes, com todos os sacramentos, virtudes e profissão de fé, para a salvação de toda humanidade. Desse modo, se firma a autenticidade de nossa fé católica, dom do Espírito Santo, recebido no batismo.

Então, vamos às virtudes teologais, primeiro a fé, como já disse, dom do Espírito Santo, que nos leva a crer firmemente sem nunca duvidar das verdades reveladas por Deus aos seus santos profetas e cumpridas no Novo Testamento, primeiro em Maria, mãe do Senhor, e depois em Jesus e em todos os filhos e filhas de Deus santificados pelo seu sacrifício de cruz, morte e ressurreição. Jesus nos ensinou que essa virtude teologal é sumamente importante para realizarmos a vontade do Pai, por isso, afirma: “Tudo é possível ao que crê.” (Mc 9,23). Logo, a fé é um instrumento da graça de Deus que nos capacita para toda boa obra, como escreveu São Paulo: “Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos”. (Ef 2,8-10).

Quanto à virtude da esperança, esta é também derramada em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5); ela é a certeza da fé, e nunca decepciona, porque ela é uma convicção a respeito daquilo que Deus realiza em nosso favor, por isso, Ele já nos antecipa para nos ater seguros quanto aos seus desígnios a respeito da nossa salvação. Então, oremos ao Senhor por meio desta virtude: Senhor, tudo está em tuas mãos e ninguém conhece mais a nossa vida do que o Senhor; tudo o que somos e vivemos, tem como destino único o teu Reino de amor, por isso, estamos convictos de que jamais nos abandonarás, visto que teu amado Filho, Jesus Cristo, deu-se em sacrifício de cruz para que tivéssemos a paz definitiva na glória que preparastes para todos aqueles que ele redimiu. Assim, Senhor, seja feita a tua vontade, aqui na terra como nos céus.

E a virtude da caridade (do amor)? Esta é o “Ágape” de Deus que leva o ser humano à plenitude da perfeição de nossa natureza. Por ela somos plenamente santificados, porque Deus é amor e quem ama permanece em Deus e Deus nele (cf. 1Jo 4,8.16). Ora, em quem Deus permanece não há lugar para o pecado, mas somente para o estado de graça permanente e para os seus desígnios amorosos. Daí a necessidade do cultivo dessa e de todas as outras virtudes, porque esta é a vontade de Deus a nosso respeito, conforme o seu santo mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito” (Dt 6,5). E ainda, quem ama a Deus, ame também o seu irmão (cf. 1Jo 4,21): “Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Portanto, o amor é a essência da vida, sem o amor não há vida, não há nada, tudo é caos infindável; destarte, amemos sempre porque o Amor é próprio Deus que nos criou por amor e para o amor, e deu-nos o seu Filho para a nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 31 de julho de 2014

A IGREJA É SANTA: TAMBÉM VÓS, SEDE SANTOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É SANTO...


A IGREJA É SANTA: LOGO, SEDE SANTOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É SANTO...

No Credo Niceno-constantinopolitano, professamos: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. O fato é que, São Paulo, em sua carta aos efésios já havia emitido tal profissão de fé, pois lá está escrito: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível”. (Ef. 5,25-27). E professou ainda: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. Dela fui constituído ministro, em virtude da missão que Deus me conferiu de anunciar em vosso favor a realização da palavra de Deus, mistério este que esteve escondido desde a origem às gerações (passadas), mas que agora foi manifestado aos seus santos”. (Col 1,24-26).

Desse modo, creio firmemente o que a Igreja crê e ensina: a Igreja é Santa, porque ela é o Corpo de Cristo, do qual ele é a cabeça e nós somos seus membros; e o faço pelo fato de que sua origem é divina, pois foi o próprio salvador que a fundou e a mantém, como meditamos no Evangelho de São Mateus: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,18-19).

E o faço ainda, conforme a Igreja nos ensina no Catecismo: “Cristo e a Igreja, eis, portanto, o "Cristo total" ("Christus totus"). A Igreja é una com Cristo. Os Santos têm uma consciência bem viva desta unidade:

Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristãos, mas o próprio Cristo. Compreendeis, irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por Ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros. O que significa isto: a Cabeça e os membros? Cristo e a Igreja.

Redemptor nos ter unam se personam cum sancta Eccies ia, quam assumpsit, exhibuit - Nosso Redentor mostrou-se como uma só pessoa com a santa Igreja, que ele assumiu.

Caput et inembra sunt quasi una persona mystica - Cabeça e membros são como uma só pessoa mística”. (CIC §795).

Sei que muitos dizem por aí, que a Igreja é santa e pecadora, dependendo da compreesão dessa colocação, não me conformo com isso, pois se essa afirmação (“a igreja é santa e pecadora”) for realmente o que diz, a Igreja teria de mudar o seu símbolo apostólico. Isto porque, na primeira Carta de São João, meditamos o seguinte: “Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu”. (1Jo 3,5).

E ainda: “Filhinhos, ninguém vos seduza: aquele que pratica a justiça é justo, como também (Jesus) é justo. Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio. Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus (cf. Jo 3,5-9;1Jo 3,1-3). É nisto que se conhece quais são os filhos de Deus e quais os do demônio: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama o seu irmão”. (1Jo 3,6-10). Ou seja, não pode uma mesma fonte jorrar água pura e água podre (cf. Tg 3,11-12).

Com efeito, assim nos ensinou o Senhor Jesus, no Evangelho de São João: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”. (Jo 3,1-3). E na explicação da parábola do joio, disse Jesus: “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça”. (Mt 13,37-43).

Portanto, não chamem de Igreja aqueles que vivem dentro da Igreja, mas não obedecem ao que a Igreja ensina, não fazem a vontade de Deus como a Igreja faz e não testemunham Jesus como a Igreja testemunha; isto porque no pecado e no escândalo não existe a vontade de Deus, e onde a vontade de Deus não se faz presente, a Igreja também não se faz presente, porque a Igreja é a vontade de Deus para a salvação da humanidade. Todavia, precisamos cuidar de nossa conduta para que não seja conduta de insensatos, nos achando santos e os outros condenados; longe de nós pensarmos e agirmos assim.

Ora, quem no alerta sobre isto é São Paulo, na sua Carta aos Gálatas: “Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Cada um examine o seu procedimento. Então poderá gloriar-se do que lhe pertence e não do que pertence a outro. Pois cada um deve carregar o seu próprio fardo”. (Gl 6,1-5).

Já na Carta aos Romanos, ele escreve: “Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Para isso é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos. Por que julgas, então, o teu irmão? Ou por que desprezas o teu irmão? Todos temos que comparecer perante o tribunal de Deus. Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus (Is 45,23). Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros; antes, cuidai em não pôr um tropeço diante do vosso irmão ou dar-lhe ocasião de queda”. (Rm 14,7-13).

Aliás, o Senhor Jesus já nos havia ensinado antes sobre isto, quando disse: “Amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,35-38).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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