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sexta-feira, 31 de maio de 2024

BEM-AVENTURADA ÉS TU QUE ACREDITASTE...


 Festa da visitação de nossa Senhora (Lc 1,39-56) (31/5/24)

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 1. Caríssimos, neste dia festivo a Igreja celebra a visitação de nossa Senhora à sua prima Isabel, mãe de São João Batista; ora, essa festa é muito significativa para a nossa fé, isto porque com sua delicadeza e submissão amorosa, Maria nos ensina uma série de atitudes que nos ajudam na santificação de nossas almas por meio do serviço que prestamos ao Reino de Deus.
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2. A primeira delas é a disponibilidade, ou seja, ir ao encontro daqueles que o Senhor nos mostra como necessitados de nossa presença, como Maria o fez com Isabel. A segunda diz respeito a evangelização, pois, Maria é a primeira missionária evangelizadora do Novo Testamento; e, como Mãe do Filho de Deus, o comunica com um esplêndido sorriso e saudação profética que levou Isabel e seu filho a exultar de alegria no Espírito Santo.
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3. Com efeito, assim descreve São Lucas este momento: "Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! 
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4. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. (Lc 1,41-45).
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5. Decerto, a resposta da Mãe do Senhor a Isabel ecoa em toda criação hoje e por toda a eternidade: "Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem." (Lc 1,46-56).
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6. Comentando este Evangelho, disse o Papa Francisco: "A fé está no centro de toda a história de Maria. O seu cântico ajuda-nos a compreender a misericórdia do Senhor como motor da história, tanto da história pessoal de cada um de nós como da humanidade inteira. Quando Deus toca o coração de um jovem, de uma jovem mulher, eles tornam-se capazes de atos verdadeiramente grandes. 
7. As "grandes coisas" que o Todo-Poderoso realizou na existência de Maria falam-nos também do nosso caminho na vida, que não é um vaguear sem sentido, mas uma peregrinação que, mesmo com todas as suas incertezas e sofrimentos, pode encontrar a sua plenitude em Deus (cf. Angelus de 15 de Agosto de 2015).
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8. Quando o Senhor nos chama, não se detém naquilo que somos ou naquilo que fizemos. Pelo contrário, quando nos chama, Ele olha para tudo o que podemos fazer, para todo o amor que somos capazes de dar. 
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9. Como a jovem Maria, podes fazer da tua vida um instrumento para melhorar o mundo. Jesus chama-te a deixar a tua marca na vida, uma marca que marcará a história, a tua história e a história de muitos." (cf. Discurso na Vigília, Cracóvia, 30 de Julho de 2016).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI...


 SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI (Mc 14,12-16.22-26)(30/5/24).

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, viver neste mundo comungando em estado de graça, o Corpo e Sangue, a Alma e a Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, é já experimentar o Paraíso aqui na terra, é participar do grande mistério anunciado por Jesus em sua oração sacerdotal: "Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste." (Jo 17,21-23). 
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2. No AT o cordeiro imolado era a vítima escolhida e oferecida a Deus para libertar o seu povo dos pecados que haviam cometido; ora, isto era o principal motivo da festa da Páscoa. No NT a vítima imolado e oferecida em sacrifício Pascal é o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, como disse São João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"; nos purifica, nos salva e santifica; e nos alimenta com o Seu Corpo e Sangue; Sua Alma e Divindade transsubistanciados na Eucaristia.
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3. Eis o que nos ensina a Carta aos Hebreus: "De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhadas sobre os seres impuros os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos, quanto mais o Sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha. Por isso, ele é mediador de uma nova aliança." (Hb 19,13-15).
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4. Portanto, caríssimos, a Solenidade de Corpus Chisti é a celebração do único Sacrifício verdadeiramente agradável a Deus. Desse modo, também somos oferecidos com Cristo, por Cristo e em Cristo ao Pai como oferta de amor. Destarte, lembro aqui a presença de Maria Santíssima aos pés da cruz, quando seu Filho Jesus foi sacrificado e oferecido ao Pai em oblação para o perdão dos nossos pecados. Ó Mãe de Jesus Sacramentado, rogai à Deus por nós que recorremos à vós. Amém! Assim seja!
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5. Meditemos então com estas palavras de São Boaventura sobre a transsubstanciação: "Quando te aproximares da mesa do banquete celeste, examina-te a ti mesmo, seguindo o conselho do apóstolo (cf 1Cor 11,28). Examina bem com que fé te aproximas. Antes de mais nada, vê que fé deves ter na verdade e na natureza deste sacramento da Eucaristia. 
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6. Tens de acreditar firmemente e sem qualquer dúvida no que a fé católica ensina e proclama: que, no momento em que são pronunciadas as palavras de Cristo, o pão material e visível presta homenagem, por assim dizer, ao Criador e dá lugar, sob a aparência visível dos acidentes, ao Pão vivo que desce do Céu para o ministério e o serviço sacramental. 
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7. O pão material deixa de existir e, ao mesmo tempo, sob os seus acidentes, várias coisas existem de fato de modo prodigioso e inefável. Em primeiro lugar, a carne puríssima e o corpo sagrado de Cristo, que foram gerados pela ação do Espírito Santo no seio da gloriosa Virgem Maria, foram suspensos na cruz, depositados no túmulo e glorificados no Céu. 
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8. Como a carne não vive sem sangue, este sangue precioso, que jorrou felizmente na cruz para a salvação do mundo, está também necessariamente presente. E, como não há verdadeiro homem sem uma alma racional, a alma gloriosa de Jesus Cristo, que supera em graça e glória toda a virtude, toda a glória e todo o poder, em quem «estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (Col 2,3), está também ali presente. 
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9. Finalmente, como Cristo é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, Deus está ali presente na glória da sua majestade. Estas quatro realidades, tomadas em conjunto e distinguidas umas das outras, estão plena e perfeitamente contidas nas espécies de pão e de vinho; tanto no cálice como na hóstia, e não menos num do que no outro, de modo que nada falta num que deva ser compensado no outro, e tudo se encontra em cada um dos dois por um mistério sobre o qual «teríamos muito a dizer» (Heb 5, 11).
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10. Mas basta acreditarmos que cada uma das espécies contém o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, rodeado pelo concurso dos anjos e pela presença dos santos." (São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja - Tratado da preparação para a Missa).
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11. Tomai e comei isto é meu Corpo; tomai e bebei meu sangue de cruz, nova aliança da salvação, eu estou aqui. Eu creio sim meu Deus, vou me alimentar da essência do céu, deste teu maná. Porque és o Pão da vida, Pão da Verdade, a nossa liberdade, ressurreição.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 26 de maio de 2024

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE...


 Solenidade da SS Trindade(Mt 28,16-20)(26/5/24)

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1. Caríssimos, a Santíssima Trindade é a perfeita comunidade de amor que se expande por todo o universo que criou e se dá à conhecer no Seu Mistério Uno e Trino, bem ao alcance da nossa fé. O Pai se revela no Filho, essência do Seu Divino Amor, e assim por Ele criou todas as coisas. 
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2. O Filho por sua vez, veio até nós, revelou o Amor que o Pai nos tem, ao dar a própria vida, para ressuscitarmos com ele. E mais ainda, enviou o Espírito Santo para permanecer conosco e em nós até o fim e assim formarmos a Sagrada Família, tendo Maria como modelo perfeito da Igreja e Mãe de toda humanidade.
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3. De fato, somos filhos e filhas de Deus, e a cada Pai nosso rezado, o invocamos na certeza de que nos escuta e nos responde, pois assim nos ensinou o Senhor: "Levantando os olhos ao alto disse Jesus: "Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. 
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4. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste." (Jo 11,41-42). Sem dúvida, quem criou a voz e todos os ouvidos do mundo, nos ouve perfeitamente e nos responde prontamente. 
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5. "Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade Santa e Perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade." (Santo Atanásio).
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6. "Que glória é esta que as Pessoas divinas Se dão mutuamente? Na sua essência, Deus não é apenas «grande», é também «digno de todo o louvor» (Sl 47,1). É sumamente conveniente que Ele receba a glória que corresponde à sua majestade; é conveniente que Ele seja glorificado em Si mesmo, com um louvor que esteja à altura das profundezas do poder, da sabedoria e do amor que há nele.
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7. O Pai gera o Filho, partilhando com Ele eternamente o dom supremo da vida e das perfeições da divindade, comunicando-Lhe tudo o que Ele próprio é, com exceção da sua «propriedade» de ser Pai. Imagem perfeita e substancial, o Verbo é o esplendor da glória do Pai (cf Heb 1,3); nascido da fonte de toda a luz, Ele próprio é luz, que regressa como cântico ininterrupto Àquele de quem emana: «Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu» (Jo 17,10). 
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8. Assim, pelo movimento natural da sua filiação, o Filho devolve ao Pai tudo o que dele possui e, nesta mútua doação, o Espírito Santo, que é caridade, procede do amor do Pai e do Filho como do seu único princípio de origem.
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9. Esta chama de amor infinito entre as três Pessoas completa a comunicação eterna da vida na Trindade. É esta a glória que Deus Se dá a Si mesmo, na intimidade sagrada da sua vida eterna".(Beato Columba Marmion (1858-1923), abade - O sacerdócio de Cristo).
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

DEIXAI VIR A MIM AS CRIANÇAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,13-16)(25/5/24).

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a oração é o Sopro do Espírito que dá vida à alma, a eleva em prece que chaga ao céu, aos ouvidos de Deus, que movido por sua Divina Misericórdia, age imediatamente em favor de todos os necessitados que clamam por salvação e paz.
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2. Desse modo, rezar é muito mais do que fazer pedidos, porque a oração é o meio de comunicação mais eficaz entre o céu e a terra; é verdadeira comunhão entre os homens e Deus; entre aqueles que aparentemente nada podem ou podem muito pouco, com o Senhor que tem todo poder sobre o céu e sobre a terra.
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3. Por isso, a oração é a graça de todo momento, porque dela precisamos a todo instante, como vimos no Evangelho de Lucas: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo." (Lc 18,1).
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4. De fato, em se tratando da fé, "tudo é possível ao que crê." Disse o Senhor. Então, nesse sentido, a oração é o canal por onde passam todas as graças derramadas em nossas almas, para nos manter unidos ao Senhor Jesus e entre nós pela ação do Espírito Santo (cf. Rm 8,26-27).
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5. No Evangelho de hoje, os discípulos com suas restrições humanas tentam impedir o encontro entre as crianças e Jesus, ao que o Senhor os recrimina dizendo: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. (Mc 10,13-14).
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6. De fato, ter uma criança como referencial é cultivar a inocência divina que recebemos como imagem e semelhança de Deus que somos. Com isso, Jesus nos ensina pelo exemplo das crianças, a mantermos a inocência que Ele nos deu como porta de entrada no Reino dos céus.
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7. Com efeito, "O cristão que ora está unido a Cristo, participa de sua força de salvação e vive na alegria. De modo particular, a Eucaristia é a prece em que mais explicitamente se manifesta o agradecimento e a confissão dos pecados, a intercessão pelos doentes e a súplica pelo perdão das culpas de todos os homens." (Missal Cotidiano).
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8. Destarte, cantemos com Santa Faustina Kowalska este belíssimo hino de louvor: "Sede bendito, nosso Criador e Senhor; tudo bendiga o Senhor com humildade, agradeça de toda a alma ao Criador, louvando a misericórdia da divindade. Caminha, terra inteira com seu verde chão, vai também mar insondável e profundo, que tua gratidão se torne amável canção e cante como a misericórdia é sem fundo.
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9. Prossegue, esplendoroso Sol e mui brilhante, ide ter com Ele auroras resplandecentes, nas vossas puras vozes um só hino se cante, entoem a grande misericórdia em crescentes.
Ide, montes e vales, bosques e matagais, ide, lindas flores em hora matutina, que o diverso perfume de que desfrutais glorifique e adore a misericórdia divina.
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10. Ide, belezas todas da terra inteira que o homem não cessa de admirar, ide todas adorar a Deus desta maneira, a inconcebível misericórdia glorificar. Vai, ó beleza indelével de toda a terra,
adora o teu Deus com grande humildade, que tudo em sua misericórdia se encerra, tudo clama quão grande é a divina bondade.
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11. Mas, acima de todas essas belezas, há para Deus um mais agradável louvor: a alma pura, em confiança e certezas, que, pela graça, com Ele se une em amor." (Santa Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa - Diário (Fátima, Marianos da Imaculada Conceição, 2003), § 1750).
Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

O AMOR ESPONSAL É UM REFLEXO DO AMOR DE CRISTO POR SUA IGREJA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,1-12)(24/5/24). 


1. Caríssimos, nossos atos são decisórios e dependem da nossa livre escolha, por isso, são tão importantes para vivermos em conformidade com a vontade de Deus. Quando pensamos a vida em todos os sentidos, nos deparamos com a dicotomia que divide os homens e o mundo: o bem versos o mal. 
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2. Deus, porém, em seu amor paternal, nos deu o livre arbítrio para vivermos em sua presença como seus filhos e filhas e assim realizarmos os seus desígnios de amor. Decerto, se quisermos vencer o mal isto só é possível se permanecermos em Cristo seu Filho amado.
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3. Eis o que Deus nos diz no livro do Deuteronômio a este respeito: "Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele." (Dt 30,19-20a).
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4. Ora, se assim somos ensinados por Deus é para nos mantermos fiéis a Ele, pois de nada adianta receber suas graças se não correspondermos a elas. Logo, a fidelidade ao seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, é o fundamento para nos manter firmes na salvação que dele recebemos.
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5. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus foi questionado por seus adversários sobre a instabilidade da união conjugal, ao que Ele respondeu: "No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” (Mc 10,6-7).
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6. De fato, o amor verdadeiro é Sacramento eterno, não é feito de aparências nem por conveniências; mas, é doação da própria vida por toda a vida, em que o homem e a mulher se entregam a Deus por meio do amor esposal para serem santificados por Ele.
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7. Por isso, perguntemos: em que baseamos nossas escolhas e decisões? Para nós que vivemos da fé no Filho de Deus que nos amou e por nós se entregou, só existe um fundamento, a Sua Divina Palavra; pois quando o escutamos e nos entregamos a Ele, o fazemos porque confiamos que Ele tudo pode e que sem Ele nada se firma, nada cresce, nada permanece por muito tempo; em suma, sem Cristo, o Filho de Deus vivo, não existe vida eterna.
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8. Meditemos então com este comentário da Venerável Madeleine Delbrêl: "O amor e a vida não fluem da terra para Deus, mas descem de Deus para a terra: «Toda a boa dádiva vem do alto» (Tg 1,17) e «Deus é amor» (1Jo 4,8). Ele é amor porque é Trindade, e é na Trindade que está a unidade e a fecundidade, é aí que tudo começa. 
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9. Desde o amor do homem e da mulher até ao amor dos animais, passando pelas misteriosas uniões dos elementos e dos metais, tudo isto significa, de uma forma mais ou menos bela, o amor que existe em Deus.
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10. E isto inverte o problema: a própria unidade do Verbo e do homem, a própria união de Cristo e da Igreja, mais não são que os maiores e mais belos sinais do amor que é Deus. O matrimônio é uma vocação ao amor singularmente rica; ele é, no cume da criação visível, o mais belo sinal do amor de Deus, e é grande porque, como diz São Paulo, é o sinal do amor de Cristo pela sua Igreja."
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(Venerável Madaleine Delbrêl (1904-1964), missionária das pessoas da rua - Comunidade e solidão).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 22 de maio de 2024

A NOSSA MAIOR ALEGRIA, NASCEU DA MAIOR DE TODAS AS DORES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 9,38-40)(22/5/24). 


1. Caríssimos, o anúncio da verdadeira libertação da humanidade, como conhecemos em Cristo Jesus, passou pelo seu sofrimento de cruz; ora, nossa maior alegria nasceu da maior de todas as dores, a dor do Filho de Deus que foi barbaramente torturado e assassinado sem ter culpa alguma, exatamente por aqueles que Ele veio salvar. 
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2. Ó Senhor, como pode, depois de todo o bem que lhes fizestes e de todo amor que lhes destes, e mesmo assim te mataram tão cruelmente? 
Filho meu, a pior cegueira que existe é a cegueira causada pelo pecado nas almas que o comete, por isso, nada enchergam além das trevas do pecado que as envolve, pois se deixaram seduzir pelos instigacões e perversões do maligno, para cometerem tais atrocidades contra os inocentes que perseguem.
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3. Todavia, que fique bem claro, nenhum inocente perseguido ou morto sofrerá danos além do sofrimento temporal, pois, depois desse tempo de prova, lhes será dado o refrigério eterno do meu amor em minha presença por toda eternidade, pois me imitaram em tudo por seu martírio. 
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4. De fato, desde quando conhecemos a História da humanidade, percebemos que sempre existiu uma doentia oposição à verdade, como se fora uma espécie de sina trágica por parte daqueles que menosprezaram e abandonaram a Vontade de Deus. 
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5. E tudo isso começou ainda antes da história da criação, com os anjos decaídos, que são seres espirituais criados por Deus, para servirem a Ele e aos homens, mas se recusaram. Ou seja, quando a criatura rejeita as virtudes que a conduz a servir a Deus e uns aos outros, fecha-se em si mesma produzindo o orgulho e a soberba que a destrói totalmente. 
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6. E por recusarem esse humilde serviço se rebelaram contra a Onipotência Divina, mas perderam a batalha espiritual travada contra São Miguel e seus anjos e por isso se precipitaram contra os homens, tentando destruí-los, a quem na verdade deveriam amar e servir (cf. Ap 12).
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7. Ora, de tal forma a humanidade foi atingida pelo pecado dos anjos decaídos que foi preciso que nosso Pai Criador enviasse Seu Filho amado, gerado pelo Espírito Santo no seio Virginal de Maria, como Redentor de toda a humanidade. 
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8. Vejam à que ponto Deus nos amou, pois sacrificou o próprio Filho, deixando que fosse morto numa cruz para apagar, com o derramamento do seu sangue, os nossos pecados e nos libertar para sempre da morte e do inferno, lugar eterno dos anjos e dos homens que se rebelaram e enveredaram pela via da perdição eterna. 
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9. Portanto, caríssimos: "A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro." (Ap 7,10). Por isso, o Profeta Isaías proclama: "Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas e anuncia a libertação, que diz a Sião: Teu Deus reina!" (Is 52,7).
10. No Evangelho de hoje o Apóstolo João disse a Jesus:
"Mestre, vimos um homem 
expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, 
porque ele não nos segue". Jesus disse: "Não o proibais, 
pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor". (Mc 9,38-40).
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11. Destarte, neste episódio o Senhor Jesus nos ensina que o bem que vem de Deus não é um bem aparente, mas real e por isso, é Deus mesmo que realiza-o por meio daqueles que escolhe. Todavia nos adverte: "Não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão inscritos nos Céus". (Lc 10, 20).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 21 de maio de 2024

DEIXAMOS TUDO PARA TI SEGUIR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 9,30-37)(21/5/24). 


1. Caríssimos, para seguirmos os desígnios do Senhor Jesus, isso requer amor incondicional, ou seja, submissão amorosa, obediência à toda prova, na certeza de que Ele nos conduz por sua via de retidão até atingirmos a perfeição por Ele desejada para as nossas almas. 
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2. Todavia, para que todas essas graças aconteçam precisamos deixar o mundo com suas atrações e contradições, como ouvimos na primeira leitura tirada da Carta de São Tiago: "Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que pretende ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus." (Tg 4,4).
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3. Ora, mas o que significa esse abandono do mundo? São João nos explica muito bem isso na sua primeira carta: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (1Jo 2,15-17).

4. No entanto, para isto precisamos manter o silêncio dos pensamentos, isto é, o silêncio interior, para assim escutarmos o Senhor no coração de nossas almas, a nossa consciência, onde Ele nos fala por meio da Sua Palavra, por meio da Santa Eucaristia, e pela inspiração do Espírito Santo. 
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5. De fato, quem escuta o Senhor Jesus e trilha os seus caminhos permanece em estado de graça e facilmente chagará ao céu, porque já não vive para si, mas para o Senhor que nos amou até a última gota de seu Sangue Redentor. 
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6. Sem dúvida, a recompensa para quem ama Cristo assim é viver a felicidade que não tem fim, como Ele mesmo disse aos discípulos quando estes o indagaram sobra a renúncia de tudo: "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos". 
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7. Respondeu Jesus: "Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna." (Mc 10,29-30).
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8. Decerto, "a simplicidade é um hábito da alma que exclui todo o artifício e a torna imune à malícia. A ausência de malícia é um estado alegre da alma, que a liberta de segundas intenções. A primeira prerrogativa da infância é a simplicidade sem artifícios; enquanto a conservou, Adão não viu a nudez da sua alma nem a indecência da sua carne.
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8. Todos nós, que queremos atrair o Senhor, aproximemo-nos dele como discípulos do mestre, com toda a simplicidade, sem hipocrisia, sem malícia, sem artifícios nem complicações. Visto que Ele próprio é totalmente simples, quer que as almas que Se aproximam dele sejam simples e inocentes. Porque nunca encontrareis a simplicidade separada da humildade."
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(São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai - A Escada Santa, 24º degrau).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

MARIA, MÃE DA IGREJA, NOSSA MÃE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-34)(20/5/24)

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1. "Considerando as estreitas relações de Maria com a Igreja, para a glória da Santa Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos Pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que, com este título suavíssimo, a Mãe de Deus seja doravante ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão." (São Paulo VI).
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2. Caríssimos, com essas palavras São Paulo VI, começou o discurso de encerramento do Concílio Vaticano II, que culminou com a memória que hoje celebramos, proclamada pelo Papa Francisco: "Maria, Mãe da Igreja."
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3. Ora, a proclamação desta significativa memória nasce aos pés de Jesus na cruz: "Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa." (Jo 19,26-27).
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4. Com efeito, todas as palavras e ações de Jesus têm um sentido universal porque dizem respeito à nossa salvação. Por isso, nesse episódio em particular, o Senhor nos ensina que como João, nós fazemos parte de sua família divina, pois, Ele foi enviado pelo Pai para nos divinizar começado por sua mãe à quem deu a missão de ser a mãe de todos os filhos e filhas de Deus nascidos da água e do Espírito Santo no seio da Santa Igreja. 
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5. Amados irmãos e amadas irmãs, existe uma belíssima canção muito conhecida que proclama este grande mistério que Jesus nos revelou aos pés da cruz: "Se um dia um anjo declarou que tu eras cheia de Deus. Agora penso: Quem sou eu para não te dizer também
Cheia de graça, ó Mãe agraciada? 
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6. "Se a palavra ensinou
Que todos hão de concordar
E as gerações te proclamar
Agora eu também direi
Tu és bendita, ó Mãe
Bem-aventurada. Surgiu um grande sinal no céu
Uma mulher revestida de sol
A lua debaixo de seus pés
E na cabeça uma coroa. Não há com que se comparar
Perfeito é quem te criou
Se o Criador te coroou
Te coroamos, ó Mãe
Nossa Rainha". (Walmir Alencar).
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7. Destarte, escutemos esta belíssima reflexão de Santo Anselmo a respeito da maternidade universal de Maria Santíssima: "Ó Nossa Senhora, tu és a Mãe da justificação e dos justificados, da reconciliação e dos reconciliados, da salvação e dos salvos. Feliz certeza e refúgio seguro! 
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8. A Mãe de Deus é nossa Mãe, a Mãe da nossa única razão de esperança e de temor é nossa Mãe. Ó Mãe bendita e excelsa, não só por ti mas também por nós, que vejo acontecer-nos através de ti? Como és grande e digna de amor! Esta visão encanta-me com uma alegria que não ouso exprimir.
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9. Se tu, Senhora, és Mãe dele, os teus outros filhos são irmãos dele. Mas que irmãos e de quem? Devo dizer o que encanta o meu coração, ou calar-me com medo de parecer orgulhoso? Mas por que não hei de proclamar em louvor aquilo em que acredito ardentemente? 
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10. Falarei, pois, não por vaidade, mas por gratidão. Pois Aquele que quis, nascendo de uma Mãe, partilhar a nossa natureza e, dando-nos a vida, fazer de nós filhos de sua Mãe, convida-nos a reconhecermo-nos como seus irmãos. Assim, o nosso Juiz é nosso irmão. O Salvador do mundo é nosso irmão. Em suma, o nosso Deus tornou-Se nosso irmão através de Maria."
Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, doutor da Igreja - Oração 7).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 19 de maio de 2024

SOLENIDADE DE PENTECOSTES...

SOL. DE PENTECOSTES (Jo 20,19-23)(19/5/24). 
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1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra o seu maior acontecimento depois da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo; trata-se da descida do Espírito Santo sobre Maria Santíssima e os Apóstolos reunidos no Cenáculo de Jerusalém. 
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2. São Lucas narra assim este acontecimento: "Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 
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3. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.Todos ficaram cheios do Espírito Santo." (At 2,1-3). Em outras palavras, este fenômeno extraordinário, sobrenatural, é uma verdadeira teofania divina em que o Espírito de Deus passa a habitar as almas consagradas a Ele para sempre.
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4. No Evangelho de hoje Jesus sopra sobre os Apóstolos o Dom do Espírito Santo e lhes revela qual a missão a ser cumprida sob sua direção: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. (Jo 20,22-23). Ou seja, a obra da salvação doravante se dá mediante a ação do Espírito Santo neles, por meio deles e dos seus sucessores.
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5. Portanto, caríssimos, o envio do Espírito Santo da parte do Pai se dá pela intercessão de Jesus, como Ele disse: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito." (Jo 14,26). Ou seja, a ausência física do Senhor Jesus, é assim assumida pela presença permanente do Espírito Santo que continuará sua obra salvífica.
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6. Meditemos, então, com este comentário do Beato Maria Eugênio do menino Jesus: "A obra divina de santificação da Igreja e das almas é atribuída ao Espírito Santo, porque se trata de uma obra de amor por excelência, e o Espírito Santo é a espiral de amor do Pai e do Filho. O Espírito Santo desceu sobre os apóstolos no dia de Pentecostes, e tomou posse da alma, como de um templo, no dia do batismo, para realizar esta obra de encarnação da vida divina. 
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7. Conhecemos o plano que Lhe foi proposto, o desígnio eterno de Deus que faz da ação do Espírito Santo na Igreja e nas almas uma unidade perfeita: «Ele nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para sermos na sua presença santos e irrepreensíveis no amor. 
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8. Ele nos predestinou ao estado de filhos adotivos, por meio de Jesus Cristo, de acordo com a benevolência da sua vontade, para louvor da glória da sua graça, com a qual nos agraciou no seu amado Filho» (Ef 1,4-6). 
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9. A ação do Espírito Santo está toda orientada para esta realização efetiva da adoção divina em nós e a expansão de Cristo Jesus na nossa alma pela difusão da sua graça; o Espírito constrói, em cada alma e na Igreja, a plenitude de Cristo, o Cristo total que é a Igreja. 
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10. De fato, a graça que Ele derrama nas almas é uma graça filial que nos aparenta estreitamente ao Verbo, fazendo de nós filhos por adoção, como Ele é filho por natureza: «Recebestes um Espírito que vos concede o estatuto de filhos e no qual clamamos: "Abbá, ó Pai"» (Rm 8,15). 
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11. Esta graça, que assim proclama o seu nome, dá-nos a semelhança do Verbo quando a fazemos nossa pela contemplação, na qual o Espírito Santo intervém uma vez mais. A vida divina em nós é a vida de Cristo; uma vida que procede dele e nos une a Ele, para constituirmos com Ele uma nova realidade, a videira inteira, o Cristo total, formado por Cristo e pelos seus membros."
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(Beato Maria Eugénio do Menino Jesus (1894-1967), carmelita, fundador de Notre Dame de Vie - A união transformadora).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 
 

sábado, 18 de maio de 2024

DEIXAR-SE GUIAR PELO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA(Jo 21,20-25)(18/5/24)

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, a importância de nossa missão neste mundo está nos fins a que ela se destina; desse modo, compreendemos que a missão de todo cristão é anunciar Cristo, a salvação das almas e o Reino de Deus, pois é para ele que estamos indo. 
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2. De fato, é bem como nos ensina São Paulo na primeira leitura de hoje. Disse ele: "Estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel". Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo. Ou seja, a sua salvação por Cristo, o Messias enviado por Deus Pai.
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3. Decerto, os justos vivem da fé e da esperança, pois quem espera em Deus sempre alcança porque Ele é fiel e cumpre sempre as suas promessas. Na verdade elas são uma antecipação do que nos espera na eternidade. 
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4. De modo que, o Senhor ao retirar Israel do Egito rumo à terra prometida; eles não a possuiam ainda, mas mantinham a esperança de um dia chegar lá e para isso tiveram que atravessar o deserto e o mar vermelho. Ora, também estamos fazendo essa mesma travessia, porém, no deserto deste mundo por meio da fé.
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5. De fato, este mundo é um grande deserto onde sofremos todo tipo de privações e tentações, mas, como aconteceu com os israelitas, o Senhor caminha conosco nos fazendo atravessa-lo incólumes, alimentados pelo o seu Pão de vida eterna, a Santa Eucaristia. 
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6. São sensíveis os sinais da presença do Senhor entre nós por meio do Seu Santo Espírito que atua sensivelmente pelos Sacramentos, por seus frutos e dons e pelo anúncio da Palavra de Deus que vivemos intensamente, pois somos frutos da sua Palavra para vivermos da sua Palavra.
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7. No Evangelho de hoje São João finda o seu ralato falando sobre a sua missão e sobre a presença de Jesus no mundo e suas ações: "Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo os livros que deveriam ser escritos." (Jo 21,24-25).
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8. Rezemos, então, com Santa Teresa D'ávila esta linda oração de entrega: "Vossa sou, para Vós nasci. Que quereis fazer de mim? Soberana Majestade, Eterna Sabedoria,
Bondade tão boa para a minha alma, Vós, Deus, Alteza, Ser Único, Bondade, Olhai para a minha baixeza, Para mim que hoje Vos canto o meu amor.
Que quereis fazer de mim?
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9. Vossa sou, pois me criastes; Vossa, pois me resgatastes; Vossa, pois me suportais; Vossa, pois me chamastes; Vossa, pois me esperais; Vossa pois não estou perdida; Que quereis fazer de mim? Que quereis então, Senhor tão bom; Que faça tão vil servidor? Que missão destes a este escravo pecador? Eis-me aqui, meu doce amor; Meu doce amor, eis-me aqui. Que quereis fazer de mim?
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10. Eis o meu coração,
Que coloco em vossas mãos,
Com o meu corpo, minha vida, minha alma; Minhas entranhas e todo o meu amor. Doce Esposo, meu Redentor; Para ser vossa me ofereci. Que quereis fazer de mim?
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11. Dai-me a morte, dai-me a vida; A saúde ou a doença
Dai-me honra ou desonra; A guerra, ou a maior paz; A fraqueza ou a paz plena; A tudo isso, digo sim: Que quereis fazer de mim? Vossa sou, para Vós nasci; Que quereis fazer de mim?"
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Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja - Poesia «Vossa sou, para Vós nasci»)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

ORAÇÃO DO SENHOR JESUS...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,20-26)(16/5/24).

1. Caríssimos irmãos e irmãs, estamos nos aproximando da Solenidade de Pentecostes, que marca o nascimento da Igreja com a vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos reunidos em oração no Cenáculo em Jerusalém. Ora, com o nosso batismo nós também recebemos o Espírito Santo no seio da Santa Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, do qual Ele é a Cabeça e nós os seus membros (cf. CL 1,18).
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2. No Evangelho de hoje vimos Jesus rezar pela unidade dos Apóstolos, mas, também por nós que somos os novos filhos e filhas de Deus nascidos da água e do Espírito Santo para darmos o testemunho da sua ressurreição como os Apóstolos o fizeram, mantendo a unidade no vínculo da paz (cf. Jo 17,20).
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3. Sem dúvida esse é o grande desafio da Igreja em nosso tempo em meio à este mundo dividido, que está sendo destruído pelos pecados nele praticados à todo instante. E como disse o Senhor no Evangelho de hoje, somente a intervenção do Pai, nos dando a perfeita unidade, é que pode salvar este mundo da iminente ruína.
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4. No entanto, para que essa graça aconteça em toda sua plenitude se faz necessário que permaneçamos unidos a fim de que o mundo creia e todos se convertam. Escutemos então o Senhor: "Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como me amaste a mim." 
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5. Rezemos com Simão, o Novo Teólogo esta belíssima oração: "Tu, que estás lá em cima com o Pai e Te encontras connosco, Tu mostraste-nos a luz da tua glória imaculada, dá-ma, sim, uma vez mais, para que nunca me abandone! Dá-me contemplar-Te sempre nela, ó Verbo, captar a tua beleza inacessível tal como é
essa beleza que, permanecendo absolutamente fugidia, atinge e penetra a minha inteligência, transporta o meu espírito e acende no meu coração o fogo do teu amor!
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6. É esta luz que, espalhando-se como chama de desejo divino, me faz ver mais claramente a tua glória, ó meu Deus; glória que, ao adorar-Te, Te peço, Filho de Deus, que me concedas agora e no futuro, possuir sem medida e, por ela, contemplar-Te, ó Deus, eternamente!
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7. Sim, Pastor compassivo, bom e manso, que queres a salvação de todos os que creem em Ti, tem piedade de mim e responde à oração que Te dirijo. Não Te irrites, não desvies o teu rosto de mim,
mas ensina-me a fazer a tua vontade, pois não procuro que se faça a minha vontade,
mas a tua, para Te servir, ó Misericordioso!
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8. Suplico-Te que tenhas piedade de mim, Tu, que és naturalmente piedoso, e faças o que for útil à minha alma miserável, porque só Tu és o Deus amigo do homem,
incriado, infinito, todo-poderoso, verdadeiro,
vida e luz para aqueles que Te amam e tão amados são por Ti, Amigo do homem!
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9. Coloca-me entre eles, Mestre, e da tua glória divina faz-me participante, faz-me co-herdeiro, pois a Ti, Pai, com o Filho coeterno e o Espírito divino, seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém."
(Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego - Hinos 47, SC 196)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2024

JESUS REZA PELOS DISCÍPULOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Jo 17,11b-19)(15/5/24)

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1. Caríssimos, viver na companhia daqueles que Deus nos dá como guias conduzidos por Seu Espírito, é nos sentir seguros e repletos de confiança na certeza de que vivemos na presença do Senhor. Era assim que se sentiam os anciãos da igreja de Éfeso, que havia sido evangelizada por Paulo. 
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2. Por isso, ao ouvirem sua despedida, "Todos, depois, prorromperam em grande pranto, e lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, aflitos, sobretudo por lhes haver ele dito que não tornariam a ver-lhe o rosto." (At 20,36-38).
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3. Mas, atenção, pois, à medida que se despedia, Paulo os alertava contra os falsos mestres vindos de fora e até dentre eles com o fim de dividir o rebanho do Senhor, por isso, esse alerta era um sinal do discernimento que eles precisavam para não se deixarem levar por qualquer vento de doutrinas estranhas não condizentes com os ensinamentos do Senhor Jesus e dos seus Apóstolos.
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4. No Evangelho de hoje Jesus continua sua oração sacerdotal intercedendo por seus discípulos e lhes monstrando da necessidade de permanecerem unidos sob a proteção de Deus Pai. De fato, os discípulos se sentiam amparados e em profunda paz que o Senhor lhes cominicava por meio de suas Palavras e sinais, e da sua presença física.
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5. Escutemos, então, um pequeno trecho da oração do Senhor: “Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura." (Jo 17,11b-12).
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6. Amados irmãos e irmãs, não resta dúvida de que este mundo está sendo passado a limpo; e creio que estes tempos que vivemos sejam os últimos ou o princípio das dores de parto da nova criação. Por isso, redobremos nossa atenção a fim de nos prepararmos para o dia eterno que se aproxima, como o Senhor mesmo nos ensina: 
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7. "Disse ainda o Senhor: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras." (Ap 22,10-12).
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8. Destarte, escutemos esta oração de Santo Aelredo de Rievaulx: "Deus de misericórdia, escuta a minha oração pelo teu povo. Tu sabes, meu Senhor, quanto os amo, que lhes dei o meu coração, que a minha ternura é deles; Tu sabes, meu Senhor, que é sem dureza nem espírito de domínio que lhes dou ordens, e quanto mais desejo ser-lhes útil na caridade do que ser o primeiro entre eles, ser-lhes submisso na humildade e unido no afeto, como um deles.
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9. Ouve-me, pois, Senhor meu Deus, ouve-me e volta os teus olhos para eles de dia e de noite. Estende as tuas asas e protege-os, Senhor de bondade; estende a tua santa mão direita e abençoa-os; derrama o teu Espírito Santo nos seu coração, e que Ele os conserve na unidade de espírito e no vínculo da paz, na castidade da carne e na humildade da alma.
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10. Pela ação do teu Espírito, dulcíssimo Senhor, que eles tenham paz em si mesmos, entre si e comigo; que sejam modestos e benevolentes; que se obedeçam, se ajudem e se apoiem uns aos outros. Que tenham fervor de espírito, a alegria da esperança, paciência incansável na pobreza, na abstinência, no trabalho e na vigília, no silêncio e no recolhimento. 
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11. Fica com eles, segundo a tua firme promessa. E, como sabes aquilo de que cada um precisa, peço-Te que fortaleças os fracos, cures os doentes, alivies as suas dores, reanimes os tíbios e tranquilizes os instáveis, para que todos sintam a tua graça a ajuda-los nas suas necessidades e tentações."
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(Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense - Oratio pastoralis, 8.10). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 14 de maio de 2024

MARTÍRIO DE SÃO MATIAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,9-17)(14/5/24). 

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1. Caríssimos, a metodologia divina trata a vida natural como um dos degraus que precisamos para chegarmos à Sua Glória. Nessa mesma pedagogia o último degrau é o martírio para aqueles que são chamados à ele. 
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2. Eis o que disse Jesus a esse respeito: "Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam." (Mt 12,11). Ou seja, são os martíres que se deixam trucidar por amor à Cristo, como o fez São João Batista, e na festa de hoje, São Matias.
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3. Com efeito, a vontade de Deus nunca muda, porque é a verdade, mas o Espírito Santo transforma a nossa vida para que ela seja em conformidade com a Santa Vontade de Deus, nosso Pai celestial. O exemplo disso é o que Ele havia predito pala boca dos seus santos profetas sobre a vinda de seu Filho, nosso Senhor Jesus Jesus Cristo, fazendo se cumprir na íntegra tudo o que haviam profetizado sobre Ele.
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4. É bem como ouvimos do Senhor: "Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória? E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras." (Lc 24,25-27).
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5. Decerto, os profetas, os Apóstolos e todos os santos tiveram o seu tempo para testemunharem o Senhor e o fizeram a ponto de muitos deles dar a própria vida. Hoje a Igreja o martírio de São Matias que o Senhor escolheu por meio daqueles que pôs à frente de seu rebanho para ocupar o lugar que Judas Escariotas, que traiu Jesus.
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6. Ora, todos os batizados tendo a frente o Santo Padre, os bispos, presbíteros, diáconos, leigos e leigas em comunhão com ele, são os continuadores da missão de serem testemunhas fiéis da Ressurreição do Senhor que está sempre conosco e no acompanha em meio às cruzes deste mundo até que cheguemos à herança por Ele prometida, o Reino de Deus.
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7. Destarte, meditemos com esta exortação do Beato Maria Eugênio do menino Jesus: "A Sabedoria é uma sabedoria de amor. Ela está a serviço de Deus, que é amor. E o amor é o bem que se difunde: tem necessidade de se difundir e encontra a sua alegria em se dar; a sua alegria é proporcional ao dom que dá e à sua qualidade. 
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8. Porque está inteiramente ao serviço de Deus, a Sabedoria utilizará todos os seus recursos para difundir o amor. Não é, pois, de surpreender que a alegria desta Sabedoria amorosa seja estar com os filhos dos homens, porque pode difundir na alma desses homens o melhor dos seus dons criados, a graça, que é uma participação na natureza e na vida de Deus.
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9. O amor que nos é dado não pode parar na nossa alma, mas tem necessidade de remontar à fonte e, através de nós, quer continuar o seu movimento de difusão. Ao conquistar-nos, a Sabedoria do amor permite-nos entrar na intimidade divina, mas também nos conduz à sua meta, na realização dos seus desígnios de amor. 
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10. Ela transforma-nos imediatamente em canais da sua graça e em instrumentos das suas obras. O amor é essencialmente dinâmico e estimulante. A Sabedoria do amor conquista as almas, não tanto por si mesma, mas por causa da sua obra. Ela só tem um objetivo: a Igreja; escolhe-nos como membros da Igreja, para que nela tenhamos um lugar e cumpramos uma missão."
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(Beato Maria Eugénio do Menino Jesus (1894-1967), carmelita, fundador de Notre Dame de Vie - A sabedoria do amor).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 13 de maio de 2024

CORAGEM, EU VENCI O MUNDO


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,29-33)(13/5/24)


1. Amados irmãos e amadas irmãs, vivemos numa luta espiritual constante, mas o Senhor que nos conhece perfeitamente, sempre nos concede uma pausa, um descanso para recobrarmos as forças da alma e assim prosseguirmos seguros até atingirmos a perfeição por Ele desejada.
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2. Na primeira leitura de hoje vimos Paulo interrogar doze dos discípulos de João Batista e lhes conferir o Batismo conforme o Senhor, lhes conferindo também o Santo Crisma em que eles receberam a plenitude do Espírito Santo. E como vimos, a transformação interior e exterior deles foi imediata e sensível. (cf. At 19,6).
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3. Com efeito, também nós que recebemos o batismo fomos tirados do mundo e feitos discípulos de nosso Senhor Jesus Cristo, para seguirmos suas pegadas na estrada da vida eterna conduzidos pelo Espírito Santo. De fato, o Senhor nos confere o Seu Santo Espírito para vivermos plenamente da interação com Ele e assim realizarmos em todos os sentidos de nossa vida a vontade do Pai.
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4. Decerto, não obstante inúmeras correntes de pensamentos, de filosofias e religiões e muitas delas usando o nome do Senhor Jesus, não nos espantemos nem nos confundamos, pois tudo isso faz parte da divisão presente na natureza humana desde que os nossos primeiros pais permitiram que o pecado entrasse nela.
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5. Todavia, de nossa parte, permaneçamos fiéis à nossa fé católica que recebemos dos Apóstolos, concedida por Cristo, Sacramento universal da salvação de todos os que nela recebem o Batismo, como Ele nos ensinou no Evangelho segundo Mateus: "Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”. (Mt 28,16-20).
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6. No Evangelho de hoje disse o Senhor: "Agora acreditais? Eis que vem a hora, ou melhor, já chegou, em que vos dispersareis cada um para seu lado e me deixareis só; mas eu não estou só, porque o Pai está comigo". Ora, os discípulos têm a ilusão de que já conhecem o seu mestre, porque ele fala abertamente, isto é, de forma direta e ousada, já não recorrendo a parábolas ou símiles, como antes. 
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7. Todavia, Jesus conhece o seus corações e a fragilidade da sua fé, que vai bater de frente com o escândalo da cruz e terão de passar por uma dispersão. Há uma fé que vive apenas no nosso cérebro, aquela em que acreditamos ter compreendido tudo sobre Jesus. Essa fé é puro intelectualismo que, no fundo, não muda a vida, não orienta as escolhas, não faz uma experiência pessoal com o Senhor. 
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8. É como quando alguém pensa que sabe o que é o amor porque leu muitos romances, viu filmes ou estudou tratados de psicologia. Mas a vida é uma realidade e, por isso, exige realismo. Jesus confronta os seus discípulos com a realidade que os fará perder-se, já não compreenderão nada, reagirão fugindo, dispersar-se-ão, mas não se perderão. Ele não o permitirá. 

9. A solidão a que condenam Cristo será uma das experiências mais dolorosas da Paixão. Jesus diz abertamente que, por mais solitário que se sinta humanamente, sabe bem que não o é, porque o Pai está sempre com Ele. 
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10. Pode também acontecer-nos que, perante as provas mais duras, fiquemos divididos e dispersos. É nessas tristes circunstâncias que, se não formos bem iluminados e sustentados pelo Espírito Santo, acabamos por deixar até o Senhor sozinho, como fizeram os Apóstolos. 
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11. Jesus reafirma a importância vital da fé e da confiança total a depositar, não nas nossas fragilidades, mas no seu poder divino: repete hoje à sua Igreja, a cada um de nós: "Tende confiança, Eu venci o mundo!" (Mons. Angelo Spina, Arcivescovo di Ancona - Osimo e Vice Presidente della Conferenza Episcopale Italiana). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

A ALEGRIA DO SENHOR É NOSSA FORÇA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,20-23a)(10/5/24)

1. Caríssimos, as adversidades, contrariedades e todo tipo de luta espiritual que enfrentamos no nosso dia a dia, são fortes motivos para nos mantermos em estado de graça, pois, a fé no Senhor Jesus nos ensina que Ele é Deus e tem tudo sob controle, por isso, nada poderá abater seus filhos e filhas que Nele confiam e esperam.

2. Na primeira leitura de hoje vimos que em meios as perseguições que Paulo e seus colaboradores sofriam, eles mantiam o diálogo com o Senhor que lhes conduzia para se permanecerem confiantes e assim realizar a obra da evangelização à qual o Senhor lhes confiara.

3. E o resultado era o crescimento do número daqueles que se convertiam ao Senhor e passavam a fazer parte das ovelhas do seu rebanho, seguindo fielmente os seus ensinamentos transmitidos por seus enviados cuja missão salvífica cumpriam na íntegra. 

4. "No Evangelho de hoje Jesus assegurou-nos: "vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de converter-se em alegria! Eu hei de ver-vos de novo! Então o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria"(Jo 16,20.22). "Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa". (Jo 15, 11). 

5. Existem momentos difíceis, tempos de cruz, mas nada pode destruir a alegria sobrenatural, que "se adapta e transforma, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados". 

6. É uma segurança interior, uma serenidade cheia de esperança que proporciona uma satisfação espiritual incompreensível à luz dos critérios mundanos." (Papa Francisco, Gaudete et Exsultate).

7. Destarte, meditemos com estas palavras do Mons. Ângelo Spina: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: chorareis e ficareis tristes, mas o mundo se alegrará. Sereis afligidos, mas a vossa aflição transformar-se-á em alegria". Com isso, Jesus antecipa o que acontecerá depois da sua morte: o mundo alegrar-se-á e os seus ficarão tristes.

8. Na vida de fé, na caminhada com Jesus, é necessária a visão longa da profecia e da esperança, contra a visão curta do interesse próprio e do instinto. "A vossa aflição transformar-se-á em alegria", conclui Jesus, e para o explicar, traz o exemplo da mulher que dá à luz. 

9. As dores do parto são, em intensidade, comparáveis às da morte. No entanto, a mãe sabe que se trata de uma dor pascal, ou seja, uma dor que resultará no nascimento de uma nova vida. Que energias imensas de vida e de amor devem conduzir a natureza a realizar uma passagem tão prodigiosa para um ser tão pequeno e indefeso. É a passagem pela morte que conduz a uma vida nova. 

10. Este simbolismo insere-se perfeitamente no mistério pascal de Cristo, a sua passagem pela morte que conduz ao dom de uma vida nova, que os discípulos experimentarão misteriosamente. Mas esta é também a dinâmica real de toda a vida humana, que se configura como um nascimento. 

11. Também nós, seguindo o exemplo de Jesus, nos encontramos como que dentro do ventre de uma mãe que nos dá à luz com dor a vida mais bela e plena. Todos os sofrimentos, dores, limitações e dificuldades que encontramos a nível pessoal e social não são mais do que as dores de parto da criação, que geme e sofre até ao nascimento definitivo dos filhos de Deus, que por isso, nutre a esperança da alegria sem fim."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

VOU, MAS VOLTO PARA QUE A VOSSA ALEGRIA SEJA PLENA


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,16-20)(09/5/24)

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1. Caríssimos o livre arbítrio é um poder extraordinário que nos foi dado por Deus juntamente com o discernimento para dintinguirmos o que é bem, e o que é mal, para assim escolhermos somente o bem e rejeitarmos totalmente o mal. 
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2. Com a vinda do Espírito Santo se juntaram à esse poder todos os dons e virtudes que precisamos para vivermos em tudo segundo a Vontade de Deus Pai no seguimento de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
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3. Na primeira leitura de hoje vimos que os judeus fizeram totalmente o contrário disso, pois, rejeitaram a palavra da verdade que os podia salvar e escolheram as blasfêmias e perseguições, por isso, são Paulo lhes disse: “Vós sois responsáveis pelo que acontecer. Eu não tenho culpa; de agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”. (At 18,6).
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4. De fato, não pode se salvar quem rejeita, por palavras e ações, a vida eterna que Cristo Jesus nos oferece por meio da pregação e o testemunho de sua ressurreição, como nos ensina São Paulo: "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem." (1Cor 1,18-21).
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5. Decerto, após a ressurreição o Senhor Jesus se apresenta aos Apóstolos como Aquele que assumiu a plenitude de sua divindade e a torna acesível à eles; mas, com a sua ascensão se apresentará por meio da ação do Espírito Santo na Palavra, nos sacramentos e pelo testemunho dos Apóstolos, desse modo, se dá conhecer à toda humanidade para que seja salva mediante a fé, como Ele mesmo disse: "Felizes aqueles que crêem sem terem visto!" (Jo 20,29b).
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6. Portanto, caríssimos, a fé é um dom que nos leva a contemplar o Senhor e a ser um só com Ele por meio da Eucaristia e dos outros Sacramentos. Ou seja, é o dom por excelência do encontro com o Senhor ressuscitado e da nossa interação com Ele para muito além da nossa naturalidade. 
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7. Comentando este Evangelho escreveu Santa Teresa Benedita da Cruz: "O nosso Salvador disse aos seus discípulos que ia ausentar-Se durante algum tempo, que eles ficariam tristes e que o mundo se alegraria. Mas que isso seria bom para eles. 
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8. Eles tinham demasiado apego humano à pessoa de Jesus e Ele teve de Se distanciar deles para que pudessem receber o seu Espírito interiormente. Do mesmo modo, é bom para nós sermos privados de consolos humanos, do apoio de um representante humano de Cristo e até de consolações interiores, porque isso nos abre a bens espirituais mais profundos. 
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8. Podemos entristecer-nos com a ausência do Senhor e achar que o tempo é longo, mas devemos ter a certeza de que ele não nos deixa sós."
(Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa - Notas espirituais, retiro de 26/02/1937).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 7 de maio de 2024

O AMOR DE DEUS FOI DERRAMADO EM NOSSOS CORAÇÕES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,15-21)(07/5/24)

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1. Caríssimos, o zelo e o cuidado de Deus por nós é tão imenso que não se contentou somente em enviar-nos seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos salvar; mais ainda, por esse mesmo Filho, nos enviou o Espírito Santo Paráclito, para nos defender, inspirar, iluminar e nos conduzir pela via da perfeição que nos leva à vida eterna.
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2. Com efeito, é bem como o Senhor nos ensinou nos Atos dos Apostolos, que depois de sua ascensão ao céu, Ele enviaria o Espírito Santo para permanecer conosco (cf. At 1,7-9), pois, de fato, não seria justo vivermos neste mundo sem a garantia da sua presença nos acompanhado e nos ensinando como vivermos perfeitamente em conformidade com a sua vontade presente nos seus santos ensinamentos.
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3. Comentando sobre a vinda do Espírito Santo, disse são João Maria Vianey: "Ao enviar-nos o Espírito Santo, Deus fez como um grande rei que encarregou um ministro de orientar um dos seus súditos, dizendo-lhe: "Vai acompanha este senhor por toda a parte e trazei-o de volta são e salvo". Que belo é ser acompanhado pelo Espírito Santo! Ele é um bom condutor.
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4. O Espírito Santo conduz-nos como uma mãe leva o filho de dois anos pela mão; ou como uma pessoa que vê, conduz um cego. Todas as manhãs devemos dizer: "Meu Deus, enviai-me o vosso Espírito Santo, que me fará conhecer quem eu sou e quem sois Vós". Uma alma que possui o Espírito Santo experimenta um delicado sabor na oração e nunca perde a santa presença de Deus."
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5. Escutemos, então, o que nos diz o Senhor: "Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa". (Jo 16, 7-13).
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6. Desse modo, viver conduzidos pelo Espírito Santo, é o que nos mantém firmes e perseverantes na fé, para enfrentarmos as tribulações e intempéries que nos circundam neste mundo devido os pecados nele praticados. Felizes de nós se seguirmos em tudo as suas divinas inspirações que nos tornam verdadeiras testemunhas de Jesus ressuscitado. 
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7. Portanto, caríssimos, "este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está presente em toda a parte e é dado a cada um de nós, tanto quanto O queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá conosco até o fim dos tempos. Ele é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz do nosso espírito e o esplendor da nossa alma." (Santo Hilário, bispo de Poitiers, doutor da Igreja).
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8. Destarte, escutemos com atenção este comentário do Cardeal Ângelo Comastri: "Com Jesus, Deus introduziu uma novidade absoluta na nossa história: introduziu o seu próprio Amor, o Amor que é a sua verdadeira Onipotência. E o Amor de Deus é o Espírito Santo! Vejamos: o Espírito Santo dá a conhecer Jesus e, através de Jesus, dá a conhecer o Pai, ou seja, introduz-nos no abraço de Deus, que é um abraço de Amor. 
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9. Quem faz esta experiência, experimenta antecipadamente o Paraíso. E não é só isso. Jesus diz que o Espírito Santo virá por causa da sua morte: "É bom para vós que eu vá embora, porque se eu não for embora, o Consolador não virá a vós, mas quando eu for embora, eu vo-lo enviarei" (Jo 16,7). 
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10. Porque é que o dom do Espírito Santo está estreita e absolutamente ligado à morte de Jesus? A resposta está no próprio coração do cristianismo: o Espírito Santo é o amor de Deus, e Jesus, morrendo na cruz, pronunciou um ato infinito de amor através da nossa carne humana que Ele fez sua. 
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11. Ao morrer por amor, a humanidade de Jesus tornou-se um dom total; e o Espírito Santo encontrou um caminho para o meio dos homens. É por isso que Jesus, da cruz, pode pronunciar estas palavras sublimes: "Tudo está consumado", isto é, tudo foi dito, tudo foi dado, porque o próprio Amor de Deus foi imerso na vida frágil dos homens: a partir do momento da morte de Jesus, uma corrente do mais puro Amor divino entrou nas "veias anémicas" dos homens! E os frutos estão à vista: são os santos!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 5 de maio de 2024

O PERFEITO AMOR LANÇA FORA O TEMOR...


 Homilia do 6°Dom da Páscoa (Jo 15,9-17)(05/5/24)

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1. Caríssimos, a Palavra de Deus proclamada comunica os mistérios de suas graças, como vimos na primeira leitura: "Pedro estava ainda falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra." (At 10,44). Desse modo, Pedro compreendeu que a graça da salvação se estende à todos aqueles que creem no Santíssimo Nome de Jesus, e por isso, são alcançados por Sua Divina Misericórdia, para que por ela recebam o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo.
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2. Ora, a ação do Espírito Santo em nossas almas nos proporciona a graça de amar a Deus sobre todas as coisas e aos nossos irmãos mais próximos e também a todos os outros irmãos e irmãs que estão no mundo inteiro. 
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3. De fato, o amor é a essência que move as ações dos que nascem de Deus, por isso, disse o discípulo amado: "Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (1Jo 4,7-8).
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4. No Evangelho de hoje, disse o Senhor Jesus: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena." (Jo 15,9-11).
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5. Com efeito, os justos vivem por sua fidelidade que significa amor incondicional, obediência total, porque são livres de todas as amarras do pecado. Nenhum ser criado tem alguma necessidade de pecar; a única necessidade que existe em nós é a necessidade de ver a Deus, porque ver a Deus, é se tornar um só com Ele. 
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6. Bem como afirma São João: "Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro." (1Jo 3,1-3).

7. Portanto, caríssimos, a nossa alma já traz em si a eternidade porque somos obras das mãos de Deus; pois, Deus tudo criou para a eternidade e é por Seu amor e bondade que existimos. É como está escrito: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16). 
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8. De fato, ao enviar Seu Filho a este mundo, Deus o enviou com a missão de fazer novas todas as coisas, perdoar os nossos pecados e nos conceder a felicidade eterna no Seu Reino. E todo aquele que Nele crê e com Ele caminha, tem a vida eterna.
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9. Destarte, meditemos com estas palavras de São João Cassiano: "Fundados na perfeição da caridade, elevar-nos-emos a um grau ainda mais excelente e sublime, que é o temor de amor. Este não nasce do medo do castigo ou do desejo de recompensa, mas da própria grandeza do amor. É a mistura de respeito e afeição atenciosa que um filho tem por um pai indulgente, um irmão por seu irmão, um amigo por seu amigo, uma esposa por seu marido. 
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10. Não teme golpes nem censuras; o que teme é ferir o amor com a mais pequena injúria. Assim, há uma distância considerável entre o temor ao qual nada falta, tesouro da sabedoria e da ciência, e o temor imperfeito. Este último é apenas «o princípio da sabedoria» (Sl 110,10), pois implica um castigo, é expulso do coração dos perfeitos quando chega a plenitude da caridade; porque «no amor não há temor, pois o amor perfeito expulsa o temor» (1Jo 4,18). 
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11. De fato, se o princípio da sabedoria é o temor, onde estará a sua perfeição, senão na caridade de Cristo, que inclui em si o temor de amor perfeito, e por isso merece ser chamada, já não o princípio, mas o tesouro da sabedoria e da ciência? Este é o temor do perfeito de que se diz estar cheio o Homem-Deus, que não vaio só para nos redimir, mas para nos dar, na sua Pessoa, o tipo da perfeição e o exemplo das virtudes."
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São João Cassiano (c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha
 «Sobre a perfeição», cap. XIII; SC 54).
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sábado, 4 de maio de 2024

O SERVO NÃO É MAIOR QUE O SEU SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,18-21)(04/5/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, esta vida presente que ora vivemos é uma preparação para a vida eterna e não tem como duvidar disso, uma vez que tudo o que vivemos fica gravado em nossas almas como testemunho de nossa história de vida. 
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2. De fato, como renascidos da água e do Espírito Santo, fomos adotados como filhos e filhas amados de Deus em Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para vivermos nossa filiação divina conforme a salvação que Dele recebemos.
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3. Meditemos com atenção esta explicação de Santo Agostinho sobre a nossa vida no tempo em vista da eternidade: "Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna. Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do tempo antes da Páscoa e a do tempo depois da Páscoa.
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4. Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada." (St° Agostinho). 
5. Portanto, caríssimos, considerando o testemunho dos Apóstolos e de todos os que nos precederam na fé, vemos que eles viveram intensamente essas duas fases, representadas pela Quaresma e a Páscoa, porém, sempre conduzidos pelo Espírito Santo. 
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6. Escutemos, então, estas Palavras do Senhor no Evangelho de hoje: "Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia." (Jo 15,18-19).
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7. Destarte, eis o que Santa Catarina de Sena ouviu Deus dizer-lhe: "Não olhes para trás e não vires as costas ao arado por medo das criaturas ou das tribulações: é nas tribulações que deves alegrar-te. O mundo se compraz em fazer-te mil injustiças; não te entristeças com as injustiças do mundo senão porque são ofensas a Mim; porque, ao ofenderem-Me, ofendem-te a ti e, ao ofenderem-te, ofendem-Me a Mim, que Me tornei um só contigo.
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8. Como bem sabes, dei-vos a minha imagem e semelhança, mas vós perdestes a graça pelo pecado. Para vos devolver esta vida de graça, uni a minha natureza a vós, cobrindo-a com o véu da vossa humanidade. Assim, de vós, que sois minha imagem, tomei emprestada a vossa semelhança quando assumi a forma humana. 
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9. Sou um só convosco, enquanto a alma não estiver separada de Mim pelo pecado mortal; porque aquele que Me ama permanece em Mim e Eu nele. Mas esse será perseguido pelo mundo, porque o mundo não está em conformidade comigo. Foi por isso que perseguiu o meu Filho único até à morte ignominiosa da cruz. 
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10. É isto que ele vos faz: persegue-vos e perseguir-vos-á até à morte, porque não Me ama. Se o mundo Me amasse, também vos amaria a vós, mas alegrai-vos, porque será grande a vossa alegria no Céu.
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11. Em verdade vos digo que, quanto mais abundarem as tribulações no corpo místico da Igreja, tanto mais ela mesma abundará em doçura e consolação. Alegrai-vos, pois, na dor, com os meus outros servos, porque Eu, que sou a Verdade eterna, vos prometi a alegria."
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Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa - O dom da discrição ou discernimento espiritual, cap. XI, n.º 12). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

O MARTÍRIO É O SELO DA PERFEIÇÃO


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,6-14)(03/5/24)

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1. Caríssimos, ser mártire significa manter-se fiel até as últimas consequências no testemunho de Cristo neste mundo. O martírio é o selo de perfeição que o Senhor põe naqueles que escolhe para testemunharem seu próprio martírio, isto significa que atingiram a perfeição do amor dando por Ele a vida ao professarem a fé Nele.
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2. Decerto, muitos não entendem isso, porque veem a morte como uma derrota e não percebem que o Senhor a venceu por sua ressurreição, e a vitória dos mártires que abraçaram sua causa dando suas vidas como sacrifício de agradável odor a Deus.
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3. Bem como nos exorta são Paulo na Carta aos Efésios: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor." (Ef 5,1-2).
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4. Hoje a Igreja celebra a festa dos Apóstolos São Filipe e São Tiago, ou seja, celebra o coroamento destes mártires que deram a vida por amor de Cristo, para anunciarem a sua Palavra e a salvação aos homens de todos os tempos, por isso, seus feitos são piedosamente reconhecidos e celebrados.
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5. Portanto, caríssimos, seguir o Senhor Jesus e se unir à Ele na Santa Eucaristia pela ação do Espírito Santo, como o fizeram os Apóstolos São Filipe e São Tiago, é viver o Mistério de sua presença neste mundo e trasparece-lo por meio da missão que Deus nos confiou de sermos testemunhas da Sua Ressurreição.
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6. Comentando este Evangelho disse o nosso saudoso Papa Bento XVI: "No final do Prólogo de seu Evangelho, João afirma: "Deus, ninguém jamais o viu; foi o Filho único, que está no seio do Pai, quem o revelou" (João 1,18). Bem, essa afirmação, que é do evangelista, é retomada e confirmada pelo próprio Jesus. Mas com uma nova nuance.
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7. De fato, enquanto o prólogo joanino fala de uma intervenção explicativa de Jesus por meio das palavras de seu ensinamento, em sua resposta a Filipe Jesus se refere à sua própria pessoa como tal, sugerindo que é possível entende-lo não apenas pelo que ele diz, mas ainda mais pelo que ele simplesmente é.
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8. Para nos expressarmos de acordo com o paradoxo da Encarnação, podemos muito bem dizer que Deus deu a si mesmo um rosto humano, o de Jesus, e, consequentemente, de agora em diante, se realmente quisermos conhecer o rosto de Deus, teremos apenas que contemplar o rosto de Jesus! Em sua face, realmente vemos quem é Deus e como Ele é!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

PERMANECEI NO MEU AMOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,9-11)(02/5/24)


PERMANECEI NO MEU AMOR... 
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1. Caríssimos, o amor cristão diferente do amor do mundo, se traduz no bem eterno e na salvação de todos, porque nele não existe outro interesse fora da vontade de Deus, isto é, a felicidade eterna para todos os seus filhos e filhas. Por isso, não podemos reduzi-lo a um mero afeto ou sentimento, porque desse modo perderia todo o sentido de ser.
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2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina o mandamento do amor dando Ele mesmo o exemplo de como devemos amar, isto é, como Deus nos ama; neste sentido de nossa parte, amar é obedecer, é seguir os seus mandamentos, porque somente assim podemos amar-nos uns aos outros, como Ele nos ama. 
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3. De fato, o amor do Senhor Jesus por nós foi traduzido em obras, nos dando a salvação eterna mesmo sem a merecermos; servindo a nós por meio de suas graças e bênçãos derramadas em nossas almas, mesmo se não as reconhecemos ou o agradeçamos pelos serviços prestados e por todo o bem que Ele nos faz.
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4. Com isso, o Senhor nos ensina que não deixemos de ser bons, porque outros não o são, nem deixemos de perdoar e amar o próximo, porque repetidamente nos ofende; na verdade, todas as nossas ações nascem da nossa comunhão com o Senhor, porque, como nos ensina São Paulo, é Nele que vivemos, nos movemos e somos. (cf. At 17,28).
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5. Portanto, caríssimos, vivenciando esse amor divino que recebemos do Senhor Jesus para pratica-lo entre nós, escutemos com atenção estas palavras de são Pedro: "Em obediência à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero. Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração." (1Pd 1,22).
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6. Destarte, façamos com Santa Gertrudes de Helfta esta belíssima e singela oração: "O que sou eu, meu Deus, amor do meu coração? Ai de mim, ai de mim, como sou diferente de Ti. Sou como uma gotinha ínfima da tua bondade, e Tu és o oceano, cheio de toda a doçura.
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7. Ó amor, amor, abre sobre mim, pequena que sou, as entranhas da tua bondade; faz jorrar sobre mim todas as cataratas da tua benigníssima paternidade; faz jorrar sobre mim todas as fontes do grande abismo da tua infinita misericórdia.
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8. Que o abismo da tua caridade me envolva. Que eu seja mergulhada no abismo e no oceano da tua bondade misericordiosa. Que eu desapareça no dilúvio do teu amor vivo, como a gota de água do mar desaparece nas profundezas da sua imensidão. 
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9. Que eu morra, que eu morra na torrente da tua imensa piedade, como a centelha do fogo na corrente impetuosa do rio. Que o orvalho do teu amor me envolva. Que o cálice do teu amor me leve a vida.
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10. Que o desígnio secreto do teu amor sapientíssimo realize e complete em mim uma morte gloriosa de amor, do amor que dá a vida. Aí, perderei a minha vida em Ti, aí, onde Tu vives para sempre, ó meu amor, Deus da minha vida. Amém."
Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301), monja beneditina
 Exercício IV, SC 127)
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Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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