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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Cuidado com o zelo amargo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,42-46)(14/10/26)

1. Caríssimos, existem duas espécies de zelos pelos quais nos situamos na vida; o primeiro é carnal vindo da própria vontade com o qual se julga e se condena o próximo por não viver de acordo com os critérios desse zelo excessivo, doentio. O segundo nasce da misericórdia e do amor com que Deus nos trata e nos dá a graça de tratar de igual modo os outros.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus usa uma expressão para muitos dura de mais no trato com os rigorosos fariseus: "Aí de vós..."; todavia, é uma expressão usada para lamentar a perda dos que enveredam pela via do "zelo amargo" no trato com o próximo lhes censurando e condenando por não seguirem seus critérios.

3. "Há formas de zelo mau que tomam a aparência de zelo bom. É o caso, por exemplo, do zelo dos fariseus, que cumpriam rigorosamente a lei exterior. A origem deste zelo amargo não é o amor a Deus e ao próximo, mas o orgulho. 

4. Os que a ele se entregam estão cheios de uma estima desordenada pela sua própria perfeição, não concebendo outro ideal para além do seu: tudo o que não esteja de acordo com esse ideal é necessariamente censurado. Tais pessoas pretendem submeter todas as coisas à sua maneira de ver e de fazer – daí as dissensões. Este zelo desemboca no ódio.

5. Com efeito, animados pelo zelo amargo, "os Fariseus perseguiam o Senhor, colocando-Lhe perguntas insidiosas, preparando-Lhe armadilhas e emboscadas, não tendo interesse em conhecer a verdade, mas apenas em apanhar Cristo em alguma falta. Vede como O pressionam, como O provocam a condenar a mulher adúltera: «Moisés ordenou-nos que lapidássemos esta mulher; e Tu, Mestre, que dizes?» (Jo 8,5).

6. Vede como Lhe censuram o fato de fazer curas no sábado (cf Lc 6,7); como criticam os discípulos por apanharem espigas no dia do repouso (cf Mt 12,2); como se escandalizam ao verem que o divino Mestre come com publicanos e pecadores (cf Mt 9,2): são tudo manifestações deste «zelo amargo», tantas vezes acompanhado de hipocrisia."(Beato Columba Marmion).

7. Portanto, caríssimos, longe de nós sermos coniventes com os pecados praticados neste mundo, pois não nos convém; entretanto, renovemos o desejo da salvação nossa e de todos, porém, sem jamais usar o "zelo amargo" que não leva em conta o amor e a misericórdia do Senhor, por se ater aos próprios critérios como se eles fossem a única regra de salvação a ser seguida.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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