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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A verdadeira disciplina nos conduz à liberdade...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,23-28)(20/01/26)


1. Caríssimos, sabemos que para melhor organizar o nosso viver de cada dia existem as leis, as regras e os mandamentos que nos disciplina evitando de nos perdermos no labirinto da própria vontade desgovernada. 

2. Ora, mas, tal disciplina não pode ser algo tão rígido que não dê espaço para a espontaneidade e a concórdia que traz o equilíbrio evitando exageros. A verdadeira disciplina respeita e aplaude a liberdade criativa para suplir as necessidades naturais. 

3. Desse modo, quando a vida é vivida como expressão da presença de Deus, ela se torna mais leve, pois, quando as nossas relações estão impregnadas das virtudes da humildade, do amor, da bondade, da solidariedade e de todas as outras virtudes eternas, isso é sinal da presença do Espírito Santo em nossas almas, que torna o nosso convívio fraterno repleto de compreensão e bem estar para todos.

4. No Evangelho de hoje, os Fariseus que eram tidos como puros, e por isso, se achavam no direito de julgar, criticar e condenar os que não seguissem o seu jeito rígido de observar as leis de Deus, se voltaram contra Jesus e os seus discípulos como se fossem transgressores da lei. "Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”

5. Portanto, caríssimos, muito cuidado com o fermento dos Fariseus que incha os egos, os tornando cegos a ponto de não enxergarem a beleza da liberdade humana repleta de misericórdia e caridade que potencializa a nosso viver em Deus. 

6. Por isso, bem nos ensinou o Senhor Jesus: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”. Ou seja, sem amor e misericórdia a lei se torna letra que mata quem a interpreta sem o seu verdadeiro sentido que é a salvação de todos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A obediência vale mais que os sacrifícios...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,18-22)(19/01/26)

1. Caríssimos, o chamado que Deus nos faz requer correspondência por meio da obediência à Sua Divina Palavra, pois, somente assim poderemos vencer todas as batalhas que travamos nesta vida. Na primeira leitura de hoje o Profeta Samuel mostrou que a desobediência do rei Saul foi o motivo da perda do seu reinado sobre o povo de Israel.

2. Disse o Profeta: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros. A rebelião é um verdadeiro pecado de magia, um crime de idolatria, uma obstinação. Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”. (1Sm 16,22-23).

3. De fato, muitos se acham donos da Palavra de Deus a ponto de contestar e afrontar a Sua Santa Igreja; outros tantos usam o nome do Senhor Jesus em seus discursos ideológicos com fins meramente políticos; outros ainda usam a Palavra de Deus com intuitos monetários e se tornam lobos vorazes vestidos de pele de ovelhas.

4. Todavia, a estes diz o Senhor: "Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? 

5. É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos. Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é o que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”. (Sl 49).

6. O Evangelho de hoje trata da prática do jejum feito pelos discípulos de João Batista e dos fariseus, sendo que estes últimos se tornaram críticos ferrenhos dos discípulos de Cristo porque não jejuavam como eles, ao que respondeu o Senhor: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar."

7. Portanto, caríssimos, os exercícios espirituais são praticados em função da vivência da fé e jamais para criticar os que não se exercitam por eles aos nossos olhos, pois, não somos juízes de ninguém, mas sim réus arrependidos a caminho do juízo final. Destarte, cabe a nós corresponder ao infinito amor de Deus que deu o Seu Filho amado em expiação pelos nossos pecados.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo...

 Homilia do 2°Dom do tempo comum(Jo 1,29-34)(18/01/26)

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1. Caríssimos, eis o que profetizou Isaías sobre a vinda do Messias: "Cantai, ó céus, a obra do Senhor! Exultai de alegria, ó profundezas da Terra! Saltai de júbilo, vós, montanhas, e tu, bosque, com todas as tuas árvores, porque o Senhor resgatou Jacó, manifestou a sua glória em Israel» (Is 44,23). 


2. Eis o que podemos concluir a partir desta profecia de Isaías: que a remissão dos pecados, a conversão e redenção dos homens, anunciada pelos antigos profetas, se cumpre em Cristo nos últimos dias. Ou seja, estamos mais perto do fim do que imaginamos, basta ler os sinais dos tempos. 

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3. Com efeito, quando Deus, o Senhor, nos apareceu, quando Se fez homem, vivendo com os habitantes da Terra, Ele que é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo, Ele que é a vítima totalmente pura, que grande motivo de júbilo tal não foi para as forças do alto e os espíritos celestiais, para todas as ordens dos santos anjos!" (São Cirilo de Alexandria)

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4. De fato, a Promessa Divina de que nós veremos a Deus face a face, começou a se cumprir com a primeira vinda de Cristo. Bem como anunciou São João Batista no Evangelho de hoje: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 


5. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: 'Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!"

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6. Portanto, caríssimos, podemos verdadeiramente nos regozijar no Senhor Jesus, como Ele mesmo disse: "Felizes são vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram." (Mt 13,16-17).

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7. Meditemos com atenção este versículo do evangelho de hoje: "João Batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”». Porque um único Cordeiro morreu por todos, recuperando para Deus Pai todo o rebanho dos que habitam na Terra." (São Cirilo de Alexandria).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Deus nos chama pelo nome...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,13-17)(17/01/26)

1. Caríssimos, Deus é amor infinito e nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos conduzir até à sua glória eterna; por outro lado, somos tentados a não amar a Deus, a não seguir o Seu Filho; a confiar em nós mesmos ou a nos deixar conduzir pelas ideologias deste mundo; e caso nos deixemos seduzir pois tais tentações, perdemos o estado de graça advindo da nossa confiança inabalável no Senhor.

2. Esta liturgia de hoje nos ensina que Deus nos conhece muito bem, e por isso, nos dá a conhecer a sua vontade, no entanto, precisamos viver o seu chamado segundo o seu querer, porque somente assim podemos cumprir todos os seus desígnios de amor a nosso respeito. Bem como vimos na escolha de Saul na primeira leitura, em que o Profeta Samuel o ungiu rei de Israel cumprindo assim a vontade de Deus.

3. O Evangelho de hoje narra a vocação de Levi (Mateus), que era cobrador de impostos, nos mostrando que não importa a condição em que nos encontramos, mas sim a nossa disposição em seguir o Senhor Jesus, contanto que abandonemos os nossos planos, como vimos neste relato: "Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu."

4. Ora, o que nos ensina esse chamado? Primeiro, é o que Senhor Jesus nos chama, mas também espera o nosso convite para entrar em nossa vida, e a partir de nossa condição nos levar à cura e a libertação total dos nossos pecados, como Ele mesmo disse: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

5. Decerto, por sua misericórdia, o Senhor Jesus nos levar a rever o nosso modo de viver, para não caímos no mesmo pecado dos fariseus de julgar a tudo e a todos e assim tentar impedir a ação da graça de Deus que leva à conversão todos os pecadores que escutam o seu chamado e se deixam conduzir por Ele, como fez Mateus e os que estavam ceando em sua casa com o Senhor Jesus.

6. Portanto, caríssimos, como nos ensinou o Profeta Isaías: "Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros? Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome, o qual é tão rico de força e dotado de poder, que ninguém falta ao seu chamado." (Is 40,26). 

7. Destarte, Deus chama a todos pelo nome não importa o lugar ou a condição em que se encontram, o que importa mesmo é escutar o seu chamado e seguir as pegadas do seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, no seio da Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Filho, os teus pecados estão perdoados...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,1-12)(16/01/26)

1. Caríssimos, nós que recebemos no batismo o dom da fé somos constantemente desafiados; devido a nossa finitude, a confiarmos em nós mesmos e nas nossas próprias forças, como vimos na primeira leitura em que o povo pediu ao Profeta Samuel para ser governado por um rei como as outras nações, e com isso, rejeitou a proteção divina, causando a própria ruína.

2. De fato, pensar que podemos nos governar sem o auxílio da graça de Deus, é esquecer que não passamos de um sopro de vida e nada além disso. Todavia, nos perguntemos, como nos deixar conduzir pela fé diante dos constantes desafios, seja das tentações do inimigo de nossas almas, seja das ameaças de tantos males advindos dos pecados aqui cometidos? 

3. A resposta se encontra no amor com que amamos o Senhor observando os seus santos mandamentos, e por isso, não nos deixemos abalar por nada que seja contrário à Sua Vontade, pois, o Senhor é fiel e jamais permitirá que sejamos vencidos nesta guerra que travamos contra as forças maléficas que se revelam pelas maldades praticadas nesta terra de exílio que estamos atravessando.

4. O Evangelho de hoje narra a cura do paralítico que fora transportado por quatro amigos de fé, que solidários com a sua dor, venceram todos os obstáculos e o levaram até o Senhor Jesus. A primeira graça alcançada, foi o perdão dos pecados e a cura da alma; a segunda foi a cura física em resposta aos mestres da lei que acusavam interiormente o Senhor de blasfêmia por dizer: “Filho, os teus pecados estão perdoados”.

5. Portanto, caríssimos, esta liturgia de hoje nos ensina que por meio de Sua Santa Igreja, o Senhor Jesus nos governa à medida que pomos em prática os seus ensinamentos, e como aqueles homens de fé, transportamos os que encontramos paralisados devido os pecados praticados ou por viverem afastados do Senhor pela não prática da fé.

6. Destarte, escutemos com atenção este conselho de são Paulo: "Irmãos, ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. 

7. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,2.9-10). De fato, o bem que fazemos, inspirados pelo Espírito Santo, nos faz um bem enorme, porque é sinal da sua presença em nossa vida, e também é sinal da nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Senhor Jesus nos cura da lepra do pecado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,40-45)(15/01/26)

1. Caríssimos, o estado de graça nasce da obediência à vontade de Deus expressa nos santos mandamentos, nos ensinamentos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nos escritos dos Apóstolos e da Santa Igreja; pois, não basta dizer que se crê em Deus, é preciso coerência entre o que se professa e a prática de tal profissão, caso contrário, se cai no pecado da hipocrisia por conta do falso testemunho se dar.

2. Esta liturgia de hoje nos mostra que a vivência da fé não exclui ninguém por mais pecador ou desprezado que seja pela sociedade, porém, isso não significa ser conivente com os pecados praticados, mas sim, de tratar com misericórdia os que foram atingidos pelo resultado dos próprios pecados ou do pecado dos outros. Ora, é isso o que vimos no Evangelho de hoje em que o Senhor Jesus curou um leproso que lhe suplicou a cura.

3. No entanto, o que mais nos chama a atenção é a desobediência do leproso que foi curado pelo Senhor, pois, mesmo recebendo uma firme advertência para não divulgar a cura, ele fez totalmente o contrário, e com isso, impediu até certo ponto a fluidez da evangelização como o Senhor o havia previsto. Daí percebemos que nem todos são enviados a proclamar a sua obra salvífica; porém, todos são chamados à obediência que lhe é devida.

4. São Paulo VI, em sua homilia sobre o dia mundial do leproso, disse: "O gesto afetuoso de Jesus, que Se aproxima dos leprosos para os reconfortar e curar, tem a sua expressão plena e misteriosa na sua Paixão. 

5. Torturado e desfigurado pelo suor de sangue, pela flagelação, pela coroação de espinhos, pela crucifixão; abandonado por aqueles que esqueceram o bem que Ele lhes tinha feito, na sua Paixão, Jesus identifica-Se com os leprosos, tornando-se sua imagem e símbolo."

6. Portanto, caríssimos, ainda nas palavras de são Paulo VI: "A Igreja sempre foi fiel à sua missão de anunciar a palavra de Cristo, unida a gestos concretos de misericórdia solidária para com os mais humildes, para com os últimos. Ao longo dos séculos, tem havido um crescendo de dedicação impressionante e extraordinária às pessoas afetadas pelas doenças humanamente mais repugnantes.

7. A história põe claramente em evidência que os cristãos foram os primeiros a preocupar-se com o problema dos leprosos. O exemplo de Cristo fez escola, e deu muitos frutos em atos de solidariedade, de dedicação, de generosidade e de caridade desinteressada."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A oração é o dom espiritual que nos une a Deus para vencermos todos os males...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,29-39)(14/01/26)

1. Caríssimos, como ainda não atingimos a perfeição das virtudes que nos fazem santos, continuamos em luta contra nós mesmos e contra os perigos que percebemos da parte do inimigo de nossas almas; no entanto, enquanto estivermos nestas batalhas diárias, o Senhor estará sempre conosco nos concedendo as graças e bênçãos necessárias para permanecermos em comunhão com Ele, é isso o que nos ensina esta liturgia de hoje.

2. Todavia, nesta luta interior e exterior, a arma fundamental é a oração pela qual encontramos o Senhor e com Ele dialogamos com a finalidade de permanecermos fiéis à sua santa vontade para assim vencermos todas as tentações e todos os males. Se percebermos bem, entenderemos que somos tão preciosos aos olhos de Deus que Ele sacrificou seu próprio Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos dar a salvação eterna.

3. No Evangelho de hoje vemos o exemplo de oração de intercessão dos Apóstolos, do povo que trouxe seus enfermos e endemoniados para serem curados pelo Senhor Jesus, e o exemplo da oração do Senhor. Em todas essas situações vemos o quanto é fundamental esse dom e como o nosso Pai celestial responde a todas elas libertando e salvando a todos que o procuram por meio do Seu amado Filho.

4. São João Cassiano (sec. IV) assim escreveu sobre o precioso dom da oração: "A oração modifica-se a cada instante, segundo o grau de pureza a que a alma chegou, mas também conforme a sua disposição atual, que pode ser espontânea ou devida a influências exteriores; e é certo que não permanece sempre idêntica a si mesma em cada pessoa.

5. Rezamos de forma diferente conforme temos o coração leve ou pesado de tristeza e desesperança; na embriaguez da vida sobrenatural ou na depressão de tentações violentas; quando imploramos o perdão dos nossos pecados ou quando pedimos uma graça, uma virtude, a cura de um vício; na compunção que o pensamento do inferno e o temor do juízo nos inspiram ou quando ardemos no desejo e na esperança dos bens futuros.

6. No meio de perigos e adversidades ou em paz e segurança; quando nos sentimos inundados de luz pela revelação dos mistérios do Céu ou quando estamos paralisados pela esterilidade da virtude e a secura do pensamento. 

7. Estes vários modos de oração serão seguidos por um estado ainda mais sublime e de elevação ainda mais transcendente: é um olhar só para Deus, um grande fogo de amor, onde a alma se funda e se afunda na santa dileção, entretendo-se com Deus como com um Pai, com enorme familiaridade, numa ternura de piedade toda especial."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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