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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Opção Franciscana pelos Pobres

A pobreza vem crescendo em todo o mundo, não só nas regiões tradicionalmente pobres dos continentes do Sul, mas também nos países industrializados e ricos do Norte. Isto acontece embora se tenha acumulado aí uma riqueza nunca antes vista. Aparentemente se perdeu a medida exata e o sentido de uma justa distribuição.


Com Francisco, aprendemos que a situação pode ser diferente. Iniciou o seu caminho com uma pobreza radical, numa época em que a burguesia entrou no grande projeto capitalista devido à economia monetária emergente; um projeto que, olhado a partir das vítimas, trouxe tanta injustiça ao mundo. Francisco pôde andar pelo caminho da pobreza, porque “o Senhor lhe deu irmãos”. Com opção pelos pobres questiona a burguesia egoista, e mostra uma alternativa. Francisco, intuitivamente, sente que a sociedade emergente se baseia no princípio de apropriação, por um lado, mas pelo outro, de desapropriação. A consequência do bem-estar acumulado é sempre a pobreza de outros. Francisco, no entanto, identifica-se totalmente com os materialmente pobres e com o Cristo pobre. Ele acredita que a ânsia de possuir cada vez mais, impede o encontro com as pessoas e com Deus, pois os interesses trazem divisão entre as pessoas. As posses chegam a substituir as relações porque, segundo se diz, trazem mais segurança do que os seres humanos. O projeto franciscano, no entanto, quer que as pessoas se encontrem no mesmo nivel, tratando-se mutuamente como irmãos e irmãs.

Com esta visão de fraternidade, Francisco levou uma ideia bem revolucionária à visão de ordem social reinantes na Igreja e na sociedade da sua época. Não há senhores nem servos e não há diferença de classes. É a trilogia dos direitos e das obrigações do ser humano: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. É precisamente esta fraternidade na qual Francisco pensava e, por isso, pertence, sem dúvida, aos autores intelectuais desta visão de uma humanidade de raiz cristã. Consequentemente, Francisco repudiou toda espécie de hierarquia nas relações entre ele e sua comunidade. “Nenhum irmão deve ocupar uma posição de poder ou um cargo, muito menos, entre os irmãos” – diz a Regra Não-bulada (RnB 5,9).

Esta é, precisamente, a visão de uma relação livre de dominação, mas de igualdade de direitos. Ele diz também como se consegue isto: os irmãos devem “servir e obedecer uns aos outros, de livre vontade, pelo amor do Espírito”. Isto quer dizer: escutar as necessdades dos outros, a vida da comunidade, estar atentos ao chamado de Deus, aqui e agora! Também aqui, se trata do caminho de Jesus que Francisco segue decididamente: acabar com os jogos de poder entre os adultos, acabar com as lutas pelo poder para obter os melhores lugares e posições, acabar com o temor ficar atrás.

Naturalmente, são necessárias regras e acordos dentro de uma comunidade, mas estes devem ser o mais simples possíveis. Portanto, devem ser evitados comportamentos dominantes, possessividadades, prepotências – esta é a visão de Francisco de Assis, a visão de uma humanidade fraternal. Mais ainda: para ele é importante uma democracia cosmo-ecológica com todos os seres criados. As relações com a natureza não devem ser relações de posse, mas sim de convivência e fraternidade. Tudo isto é derivado da pobreza vivida como forma de vida; a mesma possibilita o respeito e a veneração de todos os seres e elementos da Criação. Por isso, a pobreza desemboca numa liberdade imensa e numa alegria altruista em relação a todas as coisas.

Se esta concepção de uma vida fraternal, nesta terra, é tão fascinante, porque nós a consideramos pouco realista, embora a desejemos de todo o coração? O “louco de Deus” de Assis sentiu claramente que, a avidez por posses destroi a solidariedade, pondo em perigo a fraternidade entre os seres criados. Por este motivo, renunciou a toda propriedade, querendo que tudo fosse dividido e distribuido fraternalmente; foi também este o motivo de sua crítica ao poder e de sua reserva com relação às autoridades, no estado e na Igreja. Neste nosso tempo de uma distribuição não equitativa e de tão grande frieza social, esta visão franciscana em relação a Deus e às pessoas, é mais atual que nunca.

Andreas Müller OFM

Extraído de http://www.ccfmc.net/wPortugues/cbcmf/cbcmf-news/2010/2010_10_News.shtml acesso em 13 nov. 2010.

Foto: Homeless sleeping / Henrique Pinto. 2007. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:HomelessSleeping.jpg acesso em 13 nov. 2010.

Um comentário:

  1. Olá!!!

    Agradeço por me lembrar por que escolhi adotar o carisma franciscano.

    Paz e Bem!!!

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