PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(11/02/26).
1. Caríssimos, a liturgia de hoje trata da vida interior, isto é, do estado de graça que significa a santificação de nossas almas pela permanente comunhão com o Senhor Jesus. Para isto ponhamos em prática o que nos ensina o Livro de Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida." (Pr 4,23).
2. Com efeito, eis o que disse o Senhor no Evangelho de hoje: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23).
3. Decerto: "Quem se entrega a maus pensamentos não pode manter-se puro de pecados no seu homem exterior; e, se não arrancar os maus pensamentos do seu coração, é impossível que eles não o levem a praticar más obras. Devemos pois, cada um de nós, purificar-nos por dentro e por fora no Senhor e guardar os sentidos, mantendo-nos puros de qualquer atividade inspirada pelas paixões e pelo pecado."
4. "Travemos, pois, o combate da inteligência contra os demônios que falam por meio de maus pensamentos que chegam a nossa mente, a fim de não permitir que as suas vontades más passem para as nossas obras como pecados reais. Se arrancarmos o pecado do coração, encontraremos o reino de Deus em nós. Por esta ascese, mantenhamos, em nome de Deus, a pureza e uma contínua compunção de coração." (Filoteu do Sinai).
5. De fato, o pecado é algo que brota do nosso interior à medida que cedemos às tentações do inimigo. Todavia, Deus nos deu o livre arbítrio como a chave que fecha a porta de nossa alma não permitindo que o maligno fale. Por isso, o Senhor nos exorta: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41).
6. Destarte, embora o pecado seja um mal terrível, ele não é incurável. A cura reside na nossa capacidade de vigilância e na sinceridade da nossa penitência. Se guardarmos os nossos sentidos — o olhar, o desejo e o pensamento — e mantivermos a memória de Deus viva em nós, as inclinações para a avareza ou a impureza ou outros pecados perdem a sua força dando lugar à quietude de nossa alma.
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria OFMConv.
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