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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PENITÊNCIA E RECONCILIAÇÃO: CAMINHOS DE PERFEIÇÃO E VIDA ETERNA...


PENITÊNCIA E RECONCILIAÇÃO: CAMINHOS DE PERFEIÇÃO E VIDA ETERNA...


O que é o pecado? É o território do inimigo de nossas almas; é a não vontade de Deus em todos os sentidos da vida. Todavia, em sã consciência, ninguém entra neste território sem o saber, visto que tudo em nossa vida depende sempre de nossas decisões, sejam elas boas ou más; porém, temos que entender que nenhuma tentação é superior às nossas forças, como bem ensinou São Paulo: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (1Cor 10,13). E também São Tiago em sua carta nos exorta: “Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos iludais, pois, irmãos meus muito amados. Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas” (Tg 1,12-18).

Com efeito, todo pecado grave ou leve gera consequências, porque o pecado é o mal que gera todos os males que há; é por isso que seus efeitos nefastos são imediatos, seja em quem os comete ou naqueles que o sofrem, mesmo que sejam inocentes; todavia, para os inocentes esses efeitos são nulos, porque Deus os acolhe e os protege com sua Divina Misericórdia. Convém, porém, que se diga: ninguém peca sozinho, isto porque estamos sempre em interação uns com os outros; e mesmo um pecado aparentemente banal pode se transformar num mal irreversível, porque por traz de todo pecado se encontra o demônio disfarçado. Por isso, precisamos ter muito cuidado, visto que o mal nunca se mostra como ele é, pelo contrário, quase sempre ele se mostra como um iceberg (uma massa de gelo que deriva das regiões polares, cujo corpo fica submerso no oceano, revelando apenas sua parte aparentemente inofensiva), ou seja, como uma armadilha capaz de nos prender e destruir nos afastando para sempre do amor de Deus, caso não tenhamos o devido cuidado em evita-lo (cf. Rm 6,12-23;Hb 3,12).

Então, como evitar o pecado e não mais cometê-lo? São João, falando a esse respeito na sua primeira carta, disse: “Todo aquele que peca transgride a lei, porque o pecado é transgressão da lei. Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu” (1Jo 3,4-6). Ou seja, se quisermos viver em estado de graça permanente, precisamos permanecer em Cristo Jesus, como os galhos permanecem na videira; como o Senhor mesmo diz no Evangelho de São João: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,1-5).

Com efeito, a realidade do pecado na qual estamos mergulhados neste mundo, nos impele ao arrependimento sincero, para assim buscarmos a santidade que o Senhor nos oferece com o perdão desses pecados, pois foi exatamente isso que Ele nos ensinou no Evangelho de São Lucas: “Digo-vos que haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15,7). Ou seja, o reconhecimento dos nossos pecados, o arrependimento e a confissão sacramental deles, a absolvição sacerdotal e o cumprimento da penitência estabelecida, nos traz de volta à obediência aos santos mandamentos e a perfeita reconciliação com Deus, nosso Pai, tendo como fruto dessa reconciliação a paz interior que tanto precisamos, pois o Senhor mesmo diz, a respeito do perdão sacramental: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoado; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,23). Assim, esse caminho do perdão sacramental para nossa reconciliação com Deus, torna-se profundamente necessário para a nossa purificação e salvação, caso tenhamos cometido algum pecado.

Por fim, escutemos São João, ainda em sua primeira carta: “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu” (1Jo 2,1-6).

“Feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Feliz o homem a quem o Senhor não argui de falta, e em cujo coração não há dolo. Enquanto me conservei calado, mirraram-se-me os ossos, entre contínuos gemidos. Pois, dia e noite, vossa mão pesava sobre mim; esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão. Então eu vos confessei o meu pecado, e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade. E vós perdoastes a pena do meu pecado. Assim também todo fiel recorrerá a vós, no momento da necessidade” (Sl 31,1-6a).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"QUER VIVAMOS QUER MORRAMOS, PERTENCEMOS AO SENHOR..."


“QUER VIVAMOS QUER MORRAMOS, PERTENCEMOS AO SENHOR...”


O que é a morte? A morte é o fim de nossa existência física no tempo que nos foi dado por Deus, para o perdão e reparação de nossos pecados. Todavia, não é tão fácil assim o entendimento desse fenômeno natural que acontece com todo ser vivente sobre a face da terra; pode até ser para aqueles que dizem: “morreu acabou”, pois é isto que creem, mas estes são os que vivem sem esperança alguma de vida eterna. De fato, como seres viventes, somos um misto de alma e corpo, sendo o corpo sujeito à destruição pela morte e decomposição dos elementos naturais presentes na sua composição física; já a alma, por ser imaterial é imortal, única e intransferível, pois traz em si a unicidade divina (Deus jamais repete algo na obra da criação, tudo é único) (cf. Gn 1,26-28;2,19-24; Sl 8). Como dizia São Francisco de Assis: “Somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais”.

Ora, que a alma não é física, mas metafísica, isso é inegável; pois nenhum raciocínio, técnica ou experimento científico pode provar o contrário disso (cf. Mt 10,28). Todavia, ela não é absoluta (aliás, nenhuma criatura é) por causa de sua condição de dependência, pois não existe em si e por si mesma, uma vez que foi criada diretamente por Deus quando de nossa concepção no ventre materno. Assim, o nascer e o morrer, já sintetiza toda nossa dependência. De fato, temos vontade própria, todavia em consonância com nosso livre arbítrio; se ela é uma dependência divina, somos livres, porque em Deus está a verdadeira liberdade (cf. Jo 8,36; 2Cor 3,17); se ela é dependência só das criaturas, sem a comunhão com Deus; aí nos tornamos escravos de nossas concupiscências, que são as más inclinações, más escolhas e decisões (cf. Jo 8,31-35; Tg 1,12-18).

Por que a morte existe? Porque ela é condição punitiva e reparadora por causa do pecado (cf. Gn 3,1-19). Deus é a Fonte Eterna de todo ser e ninguém subsiste como Bem Eterno sem Ele, o Sumo Bem. Ora, em Deus não há pecado. Logo, todo pecado é separação de Deus, e tudo o que não permanece Nele, sucumbe eternamente, quando não há reconciliação; isto porque, cada ser traz em si a perfeição com a qual foi criado e que o faz perdurar. Desse modo, a perfeição dos anjos difere da perfeição dos homens, devido à natureza que os encerra, o anjo é puro espírito; já o homem é um ser vivente dotado de corpo físico e alma espiritual. Assim, o pecado dos anjos, dado o seu estado de perfeição, é uma decisão definitiva e irreparável, não há salvação para eles (cf. Is 14,12-15; Ez 28,11-19; Ap 12,7-9; Jo 16,6-11); enquanto o pecado dos homens é uma decisão passível de reparação, dado seu estado inferior ao dos anjos (cf. Rm 8,1-4). Contudo, a decisão do homem pelo pecado mortal, isto é, contra as Leis de Deus gravadas em sua alma (cf. Jr 30,33-34; Rm 1,19), torna-se uma decisão eterna quando não há arrependimento e reconciliação com Deus, por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, que nos deu a fé, a Igreja e os Sacramentos para a nossa salvação (cf. Mc 16,16; Jo 3,16-21; 8,24).

Lendo as Sagradas Escrituras (cf. Gn 3,19; Ap 21,8), compreendemos que a morte traz em si dois sentidos: um temporal e outro eterno, ou seja, ela é um fenômeno de cunho natural e espiritual. Ela é condição punitiva ou reparadora. Para nós pecadores, a morte é condição punitiva (cf. Gn 3,19; Rm 3,23; 6,23); mas para Cristo, que não tem pecado (cf. 1Jo 3,5), ela é condição reparadora, porque ele morreu em expiação dos nossos pecados, isto é, ele reparou nossos pecados, nos justificando diante de Deus Pai (cf. Rm 5,6-11;). Assim, Jesus nos amou até a última gota do seu sangue derramado (cf. Jo 19,30.34); para que vivamos a nossa filiação divina como Ele viveu (cf. Lc 23,46), em total obediência amorosa ao nosso Pai celeste (cf. Jo 5,30; 1Jo 2,6). Em suma, Jesus perdoa e apaga os nossos pecados, por sua morte e ressurreição, e nos dá os sacramentos do batismo e confissão (caso pequemos após o batismo) (cf. Mt 28,19), para que tenhamos vida nova Nele (cf. 2Cor 5,17-19). 

De certo, o acontecimento da morte do homem se dá durante o tempo que lhe foi dado para o arrependimento e reparação dos pecados, e retorno para Deus. Assim ele já a traz em sua composição física ou também espiritual, dependendo de seu estado de alma. É uma questão de causa e efeito; todo causa gera um efeito, se a causa é boa o efeito também é bom; se a causa é má, o efeito é tão mal quanto sua causa. De forma que, ele experimenta isto interiormente e imediatamente assim que se gera a causa e seu respectivo efeito. Porém, só em parte, pois todos nós temos que comparecer perante o Tribunal Divino, quer no juízo pessoal (cf. Hb 9,27); quer no juízo final (cf. Mt 25,31-46). Desse modo, após a morte natural, não tem como se arrepender mais ou mudar o veredicto, visto que, cada um carregará gravado na alma tudo o que pensou, falou e realizou durante o viver temporal (cf. Sb 1,1-16; Lc 16,19-31); e se o que carregou foram pecados mortais já haverá reparação para eles (cf Hb 6,4-6;10,26-31). No entanto, cabe a nós no tempo que nos foi dado, vencermos o pecado e a morte por meio da fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus (cf. Jo 3,1-21;11,25-27). Pois Ele foi enviado por Deus Pai (cf. Jo 3,16-18;12,46-50; 1Jo 3,1-9), para apagar nossos pecados por sua morte e ressurreição, e assim Nele termos a vida eterna, mediante o novo nascimento da água e do Espírito Santo (cf. Jo 3,3-7; Rm 5,6-11).

Portanto, “Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Para isso é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos. Por que julgas, então, o teu irmão? Ou por que desprezas o teu irmão? Todos temos que comparecer perante o tribunal de Deus. Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus (Is 45,23). Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”. (Rm 14,7-12).

“O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”. (2Pd 3,9-14).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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