Arquivo do blog

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

CUIDADO COM O FERMENTO DE HERODES E DOS FARISEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,14-21)(14/02/23)


Caríssimos, no seio da Santa Igreja por vezes brotam ervas daninhas também chamadas pelo Senhor Jesus: "o fermento de Herodes e dos fariseus", que se pode traduzir por ideologias; incredulidade; corrupção, juízo de valor, e tantos outros comportamentos perversos, incompatíveis com a prática da fé, porque geram incoerência, hipocrisia e cegueira espiritual. Tomemos cuidado para não caímos nessas armadihas do inimigo de nossas almas.

Com efeito, o nosso batismo é também o Selo do Espírito Santo que nos foi dado para vencermos as tentações e os pecados que são tantos neste mundo. Como vimos na primeira leitura, outrora a humanidade mergulhou de tal forma na maldade que Deus disse: "Vou exterminar da face da terra o homem que criei; e com ele, os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de os ter feito!” (Gn 7,1).

De fato, pelo o que estamos vendo na face da terra, creio que a situação atual da humanidade piora a cada dia, pois a maldade não para de crescer em todos os sentidos de nossa existência, de modo que chegará um momento em que já não será possível a convivência fraterna, pois onde falta amor, fé e caridade, falta a verdade que autentica as nossas ações; e o resultado nefasto de tudo isso é a violência e a morte ou mesmo a destruição de tudo.

Decerto, em sã consciência nenhum verdadeiro discípulo de Cristo segue os desvarios daqueles que decidiram viver de escândalos os mais diversos, por isso, evitam todo tipo de comportamentos que contradiz a fé. E que fique bem claro, não apenas evitam, mas também se opõem, pois não é possível aceitar o que não é de acordo com o bem e à salvação das nossas almas.

Portanto, caríssimos, qual é realmente a nossa postura diante do Senhor Jesus? É coerente com o que Ele nos ensina, ou não passa da prática aparente da fé? São João escrevendo a respeito da autenticidade dos que crêem, disse: "Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos.

Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele:
aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,3-6).

Destarte, que ao menos compreendamos isto: a vida nos foi dada para vivermos segundo a vontade de Deus; e se a nossa conduta não corresponde ao seu amor por nós, precisamos reconhecer os nossos pecados, nos converter e voltarmos para Ele de todo o coração; caso contrário, não o veremos face a face, como é o seu desejo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

DEUS É MISERICORDIOSO SEMPRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,11-13)(13/02/23)


Caríssimos, a nossa existência é uma grande graça de Deus, pois somos sinais do seu amor e da sua presença neste mundo; no entanto, isso não nos isenta de sofrermos as tentações que se apresentam querendo nos tirar o privilégio de sermos a "imagem e semelhança de Deus". Por isso, estamos numa grande luta espiritual cujo campo de batalha é a nossa alma.

De fato, sentimos dentro de nós o poder persuasivo da concupiscência que tenta nos arrastar para as dependências psíquicas, físicas, morais e espirituais, de forma que se não lutarmos terminamos cometendo os mais insanos atos, como vimos acontecer com Caim na primeira leitura desta liturgia.

Decerto, em meio às tentações deste mundo, como vimos nessa leitura, Deus nunca nos deixa sozinhos, pois fala em nossa consciência por meio do conselho do Espírito Santo nos ajudado a vencer a nós mesmos e o maligno de quem provém todas as tentações. De fato, todos somos tentados, mas nos mantemos livres à medida que escutamos o conselho do Senhor e lhe obedecemos.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que se possa subtrair a este imperativo de amor que nos perdoa. Mesmo no último momento da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc 23,34).  

Nada que um pecador arrependido apresente diante da misericórdia de Deus pode permanecer sem o abraço do seu perdão. É por isso que nenhum de nós pode impor condições à misericórdia; porque permanece sempre como um ato de gratuidade do Pai Celestial, um amor incondicional e imerecido.

Portanto, não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa. A misericórdia é esta ação concreta de amor que, perdoando, transforma e muda a nossa vida. Assim se manifesta o seu mistério divino.  

Deus é misericordioso (cf. Ex 34,6), a sua misericórdia dura para sempre (cf. Sl 136); de geração em geração abraça cada pessoa que confia nele e a transforma, dando-lhe a própria vida." (Papa Francisco - Carta Apostólica Misericordia et misera, n.2).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO 6DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 6°Dom do Tempo Comum (Mt 5,17-37)(12/02/23)


Caríssimos, devido à tantas ideologias e correntes de pensamentos; multiplicidade de religiões e seguimentos muitos estão se perdendo na confusão gerada por essa mistura obscura. No entanto, a autêntica fé em Cristo é dom do Espírito Santo que recebemos batismo e que dissipa todas as dúvidas a respeito do ensinamento e seguimento do Senhor por meio da sua Santa Igreja.

A primeira leitura nos dá um discernimento preciso a respeito da Lei de Deus: "Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. 

Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar." (Eclo 15,16-21). Ou seja, a verdadeira liberdade não consiste em apenas escolher, mas sim, em obedecer a Deus seguindo fielmente o que Ele nos ensina.

No Evangelho de hoje "disse Jesus a seus discípulos: 'Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." (Mt 5,17). Isso significa que acreditar no Senhor é o pleno cumprimento de toda a Lei, pois esta é um pedagogo que nos cunduz à obediência perfeita a Ele.

Desse modo, compreendemos que a Lei é uma via alargada no seu entendimento por Cristo para o seu perfeito cumprimento que se resume no "amor a Deus sobre todas as coisas coisas e ao próximo como a nós mesmos"; isso porque sem amor a Lei é apenas letra que mata a fé, a misericórdia e os bons propósitos, pois como disse o Senhor: "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus." (Mt 5,20).

Portanto, caríssimos, a Lei de Deus não é apenas um aglomerado de normas e preceitos morais, mas sim um caminho que nos leva ao seguimento de Cristo que por sua obediência perfeita ao Pai nos conduz à perfeição da caridade e ao encontro com Ele no Reino dos Céus.

Em suma, a obediência a Cristo é a via da santidade que no liberta dos desvios das ideologias e dos falsos raciocínios; da multiplicidade de religiões e igrejas; e dos falsos doutores da lei cuja justiça lhes impede de entrar no Reino de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.


sábado, 11 de fevereiro de 2023

DEUS AGE SEMPRE NO POUCOS QUE LHE OFERECEMOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,1-10)(11/02/23)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra que o nosso tempo neste mundo foi abreviado por conta do pecado de Adão e Eva que foram expulsos do paraíso por causa da desobediência que cometeram; no entanto, Deus lhes prometeu o retorno pela perfeita obediência de um seu descendente que pisando a cabeça da serpente a venceu definitivamente nos libertando do pecado, para nos conduzir ao paraíso do Reino de Deus.

Com efeito, a primeira leitura nos leva a uma profunda reflexão sobre a luta contra o pecado cujo resultado dessa luta é o retorno ao estado de graça, à comunhão com o Senhor. De fato, o pecado mortal tem como consequência a perda do estado de graça, porque nos separa de Deus. Todavia, por sua Divina Misericórdia, o Senhor nos dá o perdão pelo sacrifício do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos dar a vida eterna.

Decerto, isso acontece por meio do batismo que nos purifica do pecado original, como escreveu são Paulo: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4).

No Evangelho de hoje são Marcos narra a multiplicação de sete pães e alguns peixes para uma multidão de mais de quatro mil pessoas, mostrando-nos que Cristo é o Pão da vida eterna que nos sustenta neste percurso que estamos fazendo de modo que os que Dele se alimentam são fortalecidos para não desfalecerem na luta contra o pecado, que é a causa de todos os males que vemos neste mundo.

Então, qual aprendizado tiramos desse episódio? O motivo da presença da multidão era a fome de ouvir a Palavra do Senhor Jesus e receber as graças que brotavam de suas ações; depois, mesmo diante da pouca fé dos discípulos que lhe apresentam as dificuldades do deserto e a escassez do necessário para saciar tanta gente, nada disso impede do milagre acontecer, porque ao dar o pouco que possuíam mais a disponibilidade em servir, foi o suficiente para o poder de Deus agir imediatamente.

Decerto, como vimos, a oração e a benção do pouco que ofereceram foram fundamentais para a realização da vontade de Deus; desse modo, a escuta da Palavra, a oração e a benção do Senhor se constitui o fio condutor de nossas ações, pois onde dois ou três ou mesmo uma grande multidão se reúne em nome de Cristo, Ele se faz presente realmente no meio deles. 

Portanto, caríssimos, a Palavra de Deus, os Sacramentos, a vida de oração pessoal e comunitária no seio da Santa Igreja nos faz participantes da Sua natureza divina cuja essência é a imortalidade, ou seja, a prática da fé faz acontecer a vontade de Deus. 

Destarte, bem-aventurados somos quando nos pomos a serviço do Senhor Jesus com o pouco que temos, pois, cremos que recebemos infinitamente mais do que lhe oferecemos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

CUIDADO COM A PRÁTICA APARENTE DA FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,1-13)(07/02/23)


Caríssimos, a criatividade divina é infinita; enquanto que a criatividade humana nasce da criatividade divina e requer permanente comunhão com o nosso Pai Criador, de modo que possamos dar-lhe glória por nossa existência e a graça de interagirmos com Ele por meio do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne, e pelo qual e para o qual Ele criou todas as coisas. (cf. Jo 1,3).

De fato, meditando com a primeira leitura desta liturgia percebemos que o poder criador de Deus se manifesta por Sua Palavra que tudo faz existir por seu Verbo Eterno; não se trata de algo imaginário, mas da Palavra que se realiza, desse modo, somos a Palavra de Deus realizada, assim como tudo quanto existe na liberdade de ser e estar no mundo.

Com efeito, como vimos ainda na primeira leitura: "Deus nos criou à sua imagem e semelhança." E isso é um grande privilégio, porquanto, não se trata de comparação, mas sim da nossa essência, pois Deus nos criou para habitarmos com Ele, como nos ensinou o Senhor Jesus: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada." (Jo 14,23). Ou seja, Deus é eterno e por sua misericórdia fez de nós a sua eterna morada.

No Evangelho de hoje o gesto dos discípulos contrário aos costumes farisaicos torna-se motivo de censura e repreensão por parte dos mestres da Lei, no entanto, o Senhor Jesus os exorta mostrando o quanto a prática aparente da lei é perigosa, por ser fonte de hipocrisia e falsidade, um poço profundo de contradição. De fato, quem faz da lei uma exigência para os outros e não para si mesmos, torna-se inimigo da lei e ferrenhos perseguidores.

Portanto, caríssimos, quem ler as Sagradas Escrituras para exigir dos outros o seu cumprimento e não para vive-la devidamente, comete o terrível pecado de hipocrisia. Com efeito, eis o que nos ensinou são João: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele." (1Jo4,16). Fora disso não existe comunhão com Deus nem entre nós, porque somente o amor nos une e nos liberta do falso julgamento e da falta de misericórdia.

Destarte, façamos atenção a esta exortação de São Pedro para não caírmos na tentação da falsa interpretação da Lei de Deus: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." (1Pd 1,20-21). Desse modo, compreendemos que, quem faz a vontade de Deus, fala a vontade de Deus e seu exemplo de obediência torna-se regra de vida para todos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O QUE SAI DO HOMEM É O QUE O TORNA IMPURO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(08/02/23)


Amados irmãos e amadas irmãs, sejam bem-vindos à nossa meditação diária; estamos no tempo a caminho da eternidade; e a qualquer momento este fenômeno chamado morte vai acontecer; preparemo-nos, então, pela oração e a prática das virtudes eternas.

Meditemos com amor e atenção o pequeno sermão de hoje.

Caríssimos, conhecemos a miséria humana causada pelos pecados que se multiplicam a cada dia como uma epidemia sem controle que destrói a todos que contamina. É assim que se encontra atualmente a humanidade ferida pelo pecado que a infecta destruindo as graças que nos foram alcançadas por nosso Senhor Jesus Cristo, que nos reconciliou com Deus Pai, por seu sacrifício de cruz.

Com efeito, a nossa vida é o paraíso que Deus nos deu para vivermos em comunhão com Ele neste mundo, todavia, como meditamos na primeira leitura, tudo nos foi dado neste paraíso, menos o pecado representado pela árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, a desobediência que nos desliga de Deus, levando-nos à morte como resultado de sua prática nefasta.

Em outras palavras, isto significa cair no pecado do orgulho e da soberba; fechar-se em si mesmo e para a graça de Deus; tornando-se presa fácil do maligno, inimigo cruel de nossas almas. Pelo contrário, quem vive fecundado pela virtude da obediência se abre à graça de Deus e se deixa conduzir por Ele em todos os sentidos da vida, não deixando espaço para o maligno. 

De fato, como disse o Profeta Jeremias: "Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor! Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio; se vier o calor, ela não temerá, e sua folhagem continuará verdejante; não a inquieta a seca de um ano, pois ela continua a produzir frutos." (Jr 17,7-8).

No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus às multidões: “Escutai todos e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. E são Marcos conclui: "Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros."

Ou seja, “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”. (Mc 7,14-23).

Portanto, caríssimos, "dificuldades existem e sempre existirão na vida, mas confiando em Deus todo obstáculo é superado e transformado. O Senhor Jesus veio não só para levar sobre Si os pecados do mundo, mas também nossos problemas, tristezas e nos dar Sua paz, e a força para transformar a dor em amor." (Frei Salvatore, OFMConv.)

Destarte, a alma humilde está sempre disponível para Deus, como vimos acontecer com Maria Santíssima, a mãe de Jesus e nossa mãe: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38b).

Peçamos, então, ao Senhor Jesus a graça da humildade e a disponibilidade para realizarmos em tudo a sua Divina Vontade em vista da salvação de todos. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

ORAÇÃO, HUMILDADE E PERSEVERANÇA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(09/02/23)


Caríssimos, o mistério da criação é revelado por Deus às suas criaturas à medida que interage com elas lhes dando conhecer a sua vontade e como devem proceder com profundo respeito para com Ele e entre si mesmas; especialmente ao homem e à mulher, criados à sua imagem e semelhança, dotados de alma imortal, revelou que criou todas as coisas tendo em vista o bem de todos.

Com efeito, pelo relato da primeira leitura do livro de Gênesis, o Senhor Deus revela alguns detalhes da sua sabedoria criadora: o motivo da criação tem em Adão e Eva o centro; por isso, todas as outras criaturas lhes são submetidas; menos seus semelhantes, pois estes se completam por trazerem em si a unidade perfeita; de forma que ao se esposarem, homem e mulher, se tornam uma só carne. 

Decerto, o homem recebe a missão de dar nome à todas as coisas, isto significa, identifica-las para que não haja confusão alguma, mas sim, o entendimento de sua essência, ou seja, elas são únicas como o seu Criador. Por fim, Deus revela que Ele mesmo as sustenta com a sua divina providência lhes dando o necessário para que nada lhes falte, contanto que obedeçam à sua Palavra para que permaneçam em comunhão com Ele, para não se perderem.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus continua a revelação do início da criação, desta feita nos revela como devemos nos aproximar de Deus pela oração humilde que reconhece o seu poder de nos libertar dos males que nos aflige quando Dele nos afastamos. É interessante notar que a mulher cananéia vivia fora das fronteiras da terra prometida, no entanto, por sua fé, esperança e caridade alcançou a graça suplicada por reconhecer-se humildemente como obra das mãos de Deus.

Portanto, caríssimos, o batismo nos identifica com Cristo e com a sua missão, pois nele recebemos o Espírito Santo, como nos ensina o Profeta Isaías: "O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção; enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade; proclamar um ano de graças da parte do Senhor, e um dia de vingança de nosso Deus; consolar todos os aflitos." (Is 61,1-2).

Destarte, que essa identificação gravada em nossas almas com o um selo do Espírito Santo, jamais seja negligenciada pela nossa falta de oração; pela desobediência à Palavra de Deus, e pela falta de comunhão com os nossos irmãos e irmãs; que a nossa vida seja realmente um reflexo da presença de Cristo neste mundo a caminho do Reino de Deus, e que todas as nossas ações sejam conduzidas pelo Espírito Santo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Firefox