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sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Precisamos aprender a esperar em Deus, porque Ele nunca falha, nunca tarda...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 21,29-33)(29/11/24)

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1. Caríssimos, toda espera é um ato de paciência, mas também de confiança inabalável, principalmente quando esperamos a realização das promessas de Deus. De fato, Deus nunca falha, nunca tarda, por isso, cumpre sempre o que promete. 

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2. Com efeito, é vivendo esse mistério que interagimos com Ele e Ele conosco por meio da fé, isto porque, como nos ensinou são Paulo: "É em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28a). Então, quanto a isso só temos que ser fiel e saber esperar Nele. 

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3. São Pedro se referindo à essas promessas, escreveu: "O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude. 

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4. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." (2Pd 1,3-4).

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5. "Na verdade, é feliz a espera dos justos, daqueles que aguardam "a esperança bendita e o advento da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo" (Tt 2,13). "Onde está a minha esperança, diz o justo, senão no Senhor?" (Sl 38,8). E depois exclama: "Eu sei que não desiludirás a minha espera" (Sl 118,116).

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6. De fato, o meu ser já está perto de Ti, porque a nossa natureza, assumida por Ti e oferecida por nós, já foi glorificada em Ti. O que nos dá a esperança de que toda a carne venha a Ti (cf Sl 64,3). 

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7. No entanto, é com confiança ainda maior que esperam o Senhor aqueles que podem dizer: "O meu ser está perto de Ti, Senhor, pois entreguei-Te todas as minhas riquezas; ao largá-las por Ti, juntei um tesouro no Céu (cf. Mt 6,20). (Beato Guerric de Igny - 1.º sermão para o Advento; PL 185,11)

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 21,20-28)(28/11/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, nada acontece na face da terra sem que seja do conhecimento de Deus; aliás, somente três atitudes de alma podem mudar o curso da história humana e o rumo dos acontecimentos futuros, são elas: o verdadeiro arrependimento, o perdão sacramental dos pecados e o retorno à obediência que conduz à plena comunhão com a vontade de Deus. 
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2. Fora disso, os homens só teem que esperar o justo juízo divino que os julgará pelos atos praticados contrários ou não aos santos mandamentos. Pois foi isso o que nos ensinou o Senhor Jesus: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho." (Mc 1,15). 
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3. Com efeito, tudo o que meditamos no relato das leituras de hoje, fazem parte da pena que será imposta aos adoradores da besta que infestaram a humanidade com os escárnios infernais de suas práticas perversas. 
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4. De fato, pelo que tem demonstrado, essa geração está chegando a um nível tão intolerável de desobediência que, sem dúvida alguma, se nivela à dos próprios demônios. Que o Senhor Jesus tenha piedade dessa humanidade decaída que teima em se afastar da sua Divina Misericórdia.
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5. Vejamos, então, alguns acontecimentos catastróficos que estão para acontecer como o Senhor mesmo revelou: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 
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6. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas." Mas, o que está causando tudo isso? Sem dúvida são os desvarios dos homens entorpecidos pelos muitos pecados praticados.
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7. No entanto, no final do evangelho de hoje o Senhor Jesus tranquiliza o nosso coração com as seguintes palavras: "Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Ou seja, será o triunfo do seu sacrifício de cruz, e do Imaculado Coração de Maria.
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8. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor a perseverança final, como Ele nos ensinou: "Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem." (Lc 21,36). "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

A volta do Filho do Homem...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 21,12-19)(27/11/24).

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, os homens e seus poderes temporais, como constatamos nos governantes deste mundo, sempre procuraram se opôr a Deus por meio de práticas nefastas; no entanto, seus poderes temporais foram derrotados pelo Senhor, para servir de exemplo às futuras gerações. 
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2. Todavia, como constatamos claramente, não aprenderam as lições recebidas e por isso continuam afrontando o Senhor, mesmo sabendo que não passam de simples mortais, e que o Senhor lhes pedirá conta de tudo que fizeram com os dons que Dele receberam, pois tudo pertence somente a Ele. 
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3. Sem dúvida, a vida natural já traz em si mesma a certeza do seu fim natural e isso é inevitável. Todos teem consciência disso, mas, pelo que se tem visto, procuram ignorar tal condição e continuam pondo sua confiança nas riquezas, na fama, no sucesso imediato, nos bens materiais e no poder temporal; com isso, desprezam o poder de Deus, do qual todos dependem cem por cento.
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4. De fato, estamos a caminho da eternidade; mas, como entraremos nela? Para responder à essa pergunta vejamos o que diz o Senhor no livro de Sabedoria: "Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. 
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5. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal." (Sb 1,12-15).
6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que como Ele foi odiado e perseguido, nós também o seremos por causa do seu nome; porém, nos exorta para não termos medo, pois nessa hora nos será dada a Palavra de Sabedoria que ninguém jamais poderá contradize-la.
7. E assim, nos fortalece a fim de permanecermos fiéis no cumprimento de nossa missão: "Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida." (Lc 21,17-19).
Portanto, caríssimos, para além de todas as provações e desafios que passamos neste mundo, o Senhor Jesus nos dá a certeza de que a sua vitória sobre as potências do inimigo, já está consumada, bem como Ele mesmo disse: "Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo. (Mt 28,18b.20b).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Preparemo-nos para o grande e temível dia do Senhor

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 21,5-11)(26/11/24)

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1. Caríssimos, cada dia que passa nos aproximamos do dia eterno, ou seja, do tempo escatológico que é o fim de todas as coisas visíveis. E mais do que nunca precisamos está preparados para este dia no qual se dará o juízo final. 

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2. De fato, não percorremos sozinhos essa via existencial que pode findar a qualquer momento com a morte temporal; por isso mesmo, fiquemos atentos aos acontecimentos desse tempo, e não nos deixemos abalar, como nos ensinou o Senhor Jesus no Evangelho de hoje.

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3. São Paulo assim nos exorta a respeito da preparação para este tempo: "A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei. Isso é tanto mais importante porque sabeis em que tempo vivemos. Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé.

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4. A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes. 

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5. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites." (Rm 13,10-14). De fato, essa é a verdadeira preparação que precisamos para acolhermos o Senhor Jesus no seu grande e temível dia.

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6. Portanto, caríssimos, as batalhas espirituais que travamos, são lutas ferrenhas contra as tentações e os pecados; porque eles nos enfraquecem e são portas de entrada do inimigo em nossas almas, que tenta à todo custo destruir os que não se submetem às suas astúcias.

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7. Por isso, o Senhor Jesus em sua infinita misericórdia, nos concede todas as graças para vencermos as batalhas que travamos, por meio da oração, do poder de Sua Palavra e dos Sacramentos da confissão e da Eucaristia, como também pela intercessão da Virgem Maria, de são José e de todos os santos e santas. 


8. Destarte, quem desse modo se une a Cristo, torna-se um só com Ele, com o Pai e o Espírito Santo. Amém! Assim seja!

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Para Deus o que conta é a qualidade da nossa entrega...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 21,1-4)(25/11/24)

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1. Caríssimos, facilmente nos acostumamos com as nossas ações, por isso, pouco percebemos as ações de Deus em nossa vida. Ora, isso acontece, de um certo modo, por conta de nossa Autossuficiência ao pensar que temos poder sobre nós mesmos, as pessoas e às coisas possuímos, quando na verdade não passamos de um simples sopro de vida.
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2. No Evangelho de hoje Jesus se encontra no Templo com os Apóstolos e percebe como os ricos lançavam suas ofertas no tesouro do Templo até que avizinhou-se uma pobre viúva e lançou apenas as duas moedas que possuía, ao que o Senhor observou: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. 
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3. Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”. Ou seja, não confiou nos bens que possuía, mas na providência de Deus que nunca falha. 
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4. Comentando esse Evangelho, disse o Papa Francisco: "Deus não mede a quantidade, mas a qualidade, perscruta o coração e observa a pureza das intenções. Isto significa que o nosso “dar” a Deus na oração e ao próximo na caridade deveria evitar sempre o ritualismo e o formalismo... 
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5. Assim como a lógica do cálculo, e deve ser expressão de gratuidade, como Jesus fez por nós: salvou-nos gratuitamente; não nos fez pagar a redenção. Por isso mesmo, nós devemos realizar as coisas como expressão de gratuidade.
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6. Eis por que Jesus indica aquela viúva pobre e generosa como modelo de vida cristã a imitar. Não sabemos o seu nome, mas conhecemos o seu coração — encontrá-la-emos no Céu e certamente iremos saudá-la — e é isto que conta aos olhos de Deus.
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7. Quando somos tentados pelo desejo de aparecer e de contabilizar os nossos gestos de altruísmo, quando estamos demasiado interessados no olhar dos outros e — permita-me a palavra — quando agimos como “pavões”, pensemos nesta mulher. Far-nos-á bem: ajudar-nos-á a despojar-nos do supérfluo para considerar o que conta verdadeiramente e a permanecer humildes."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 24 de novembro de 2024

"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO"


 Sol. de Cristo Rei do Universo (Jo 18,33b-37)(24/11/24).

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, neste dia soleníssimo a Santa Igreja celebra o Reinado Universal de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como são Paulo nos ensinou: "Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor." (Fl 2,9-11).
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2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi interrogado pelo até então Governador Romano da Judeia, Pôncio Pilatos: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?” 
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3. Com efeito, essa pergunta de Pilatos é um tanto estranha pelo fato de que o Senhor, mesmo sendo rei, não se apresentou como rei, mas sim como servo de todos; pois, o seu poder não vinha das armas, mas da Palavra que cura, salva e faz feliz os que o ouviam e o seguiam fielmente.
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4. E prosseguindo Pilatos perguntou: "Que fizeste?” Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo.” Ora, quanto amor nesta resposta, pois, um homem que interroga Deus e recebe Dele tão profunda revelação era para cair em êxtase e acolher o seu reinado.
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5. Decerto, revendo a trajetória do Filho de Deus neste mundo, percebemos que por onde Ele passou semeou o amor do Pai por meio dos sinais que realizava e revelavam que Ele era o Messias esperando pelo povo eleito e por toda a humanidade. 
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6. De fato, o seu Reino de amor e justiça está consolidado, pois, não existe neste mundo criatura alguma que não o conheça ou que não ouviu falar do seu nome, de modo que, podem até não o acolher, todavia, jamais se libertarão sem a sua intervenção salvífica.
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7. Portanto, caríssimos, o diálogo entre a humanidade e Deus, representado pelo diálogo entre Pilatos e Jesus, nos mostra que somente a verdade que é Cristo nos liberta, mas não sem a nossa adesão. E como vimos Pilatos o condenou à infame morte de cruz mesmo sabendo que o Senhor era inocente e Rei não de um reino temporal, mas sim, do Reino que não tem fim.
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8. Destarte, a nossa participação no Reinado de Cristo se dá mediante a nossa adesão total a Ele num amor incondicional seguindo-o fielmente à toda prova, e isso começou com o santo batismo que nos fez participantes de sua Natureza Divina ao recebermos o Dom Espírito Santo.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Quem ama Cristo não se serve dos outros, mas, os serve por amor a Ele...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 19,45-48)(22/11/24).

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, neste vale de lágrimas, neste lugar de tormentos, devido aos pecados aqui praticados, os homens estão perdendo o sentido e o respeito a tudo o que há de mais Sagrado, por isso, não suportam os lugares santos, as coisas santas, as pessoas consagradas a Deus, porque se afastaram do Senhor tornado-se inimigos da fé.
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2. E mais ainda, existem aqueles que fazem da fé um verdadeiro comércio, vendem de tudo até a própria alma, por anunciarem à si mesmos e não Cristo e o seu Evangelho. Bem como escreveu são Paulo: "Proclamam que conhecem a Deus, mas na prática o renegam, detestáveis que são, rebeldes e incapazes de qualquer boa obra." (Ti 1,16). Por isso, vão de ruína em ruína e jamais verão a Deus. (cf. Fl 3,18-19).
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3. O Evangelho de hoje narra a purificação do Templo em que o Senhor Jesus expulsa os que faziam dele uma casa de comércio: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões”. 
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4. O Papa Francisco ao comentar esse Evangelho, disse: "Jesus ao expulsar os comerciantes do templo: "purifica o templo". Assim o Senhor torna o templo "como deve ser: puro, só para Deus e para o povo que vai rezar."
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5. Mas, e nós, como podemos purificar o templo de Deus? A resposta está em três palavras que podem ajudar-nos a compreender: vigilância, serviço, gratuidade. Antes de tudo vigilância no templo do nosso coração: devemos prestar atenção ao que acontece lá, estar atentos porque é o templo do Espírito Santo.
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6. Depois serviço aos necessitados. Serviço inclusive aos famintos, aos doentes, aos presos, aos que têm necessidade porque ali está Cristo», sempre com a certeza de que «o necessitado é o templo de Cristo. 
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7. O terceiro ponto é a gratuidade no serviço que se oferece nas nossas igrejas: igrejas de serviço, gratuitas, como foi gratuita a salvação, e não “igrejas-supermercado”. Decerto, quem ama Cristo não se serve das pessoas; mas as serve por amor a Ele.
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8. De fato, aí daqueles que fazem da prática da fé um meio de enriquecimento ilícito, porque tal prática deforma o Evangelho de Cristo, por isso lhes dirá o Senhor: "Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!" (Mt 7,23b). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria, OFMConv.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Em ti, Maria Santíssima, Deus cumpriu todas as promessas e profecias...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,46-50)(21/11/24).

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, Maria Santíssima é aquela que reflete em toda sua plenitude a Luz da verdade, que é seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, como Ele mesmo disse: "Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida." (Jo 8,12).
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2. Ora, a Virgem Maria foi escolhida entre todas as mulheres da terra para ser a Mãe do Filho de Deus Altíssimo e também por Ele, ser a nossa Mãe. É claro que não entendemos tão sublime missão sem o auxílio da graça de Deus ou somente à luz da razão.
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3. Decerto, nenhuma vocação se compara à sua, pois, é como ela mesma cantou: "O Senhor fez em mim maravilhas e Santo é o Seu Nome." Ora, o que nela se consumou jamais se repetirá, e tudo o que aconteceu depois do nascimento do seu Filho, é consequência do seu sim; em suma, nela se cumpriu todas as promessas e todas as profecias do Antigo Testamento.
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4. No Evangelho de hoje, Jesus confirma essa verdade dizendo que todos os que cumprem a vontade do Pai, são sua mãe, seus irmãos e irmãs, isto é, fazem parte da sua família divina. De fato, com o nascimento do Filho de Deus, toda a criação foi renovada, pois Ele fez nova todas as coisas(cf. Ap 21,5); e tudo isso, como foi dito acima, teve início com o sim de Sua Mãe, Maria Santíssima.
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5. Portanto, caríssimos, a festa da apresentação de Maria Santíssima no templo, que a Igreja hoje celebra, remonta a prática religiosa hebraica; pois, apresentar a Deus os filhos e filhas após o nascimento é uma consagração à Ele, na certeza que todos lhe pertencem.
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6. Maria e José fizeram o mesmo com Jesus para cumprir a Lei do Senhor, que o recebeu no Templo por meio do sacerdote Simeão. De igual modo o nosso batismo significa não só essa apresentação e consagração, mas também o novo nascimento na ordem da graça para a vida eterna.
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7. Comentando esse Evangelho, disse o Papa Francisco: "Jesus formou uma nova família, já não baseada nos vínculos de sangue, mas na fé n’Ele, no seu amor que nos acolhe e nos une, no Espírito Santo. Todos aqueles que acolherem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si.
8. Por isso, a resposta de Jesus não é uma falta de respeito para com a sua mãe e os seus familiares. Aliás, para Maria é o maior reconhecimento, pois precisamente ela é a discípula perfeita que obedeceu em tudo à vontade de Deus."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

O que estamos fazendo com o precioso talento da nossa vida?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 19,11-28)(20/11/24)

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1. Caríssimos, com frequência sofremos a tentação de limitar os dons e as graças que de Deus recebemos, no entanto, doamos à nossa própria vontade o tempo e as capacidades que deveriam estar somente a serviço do Reino dos Céus. 
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2. De fato, e não são poucos os que caem nessa tentação, desperdiçando o tempo e a vida ao enterrarem os talentos recebidos do Senhor na lama fétida de suas concupiscências que não dão nenhum fruto bom. Por isso, tenhamos muito cuidado para não perdermos o precioso talento da nossa vida.
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a parábola dos dez talentos que um homem confiou aos seus servos e partiu para tomar posse de seu reino; o fato é que ele foi rejeitado pelos seus súditos que não o acolheram. 
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4. Todavia, ao voltar vitorioso encontrou seus servos e os inquiriu a prestarem conta; uns multiplicaram os talentos recebidos e obtiveram a devida recompesa; um deles, porém, enterrou o talento que recebera e por isso perdeu tudo, cedendo sua parte ao que havia a mais.
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5. Com efeito, esse método do homem da parábola pode até parecer controverso, se analisado com o nosso critério; porém, se analisarmos com o critério divino compreendemos que a vida nos é dada como um precioso talento, para o nosso bem e o bem de todos; mas, quando ela é usada para a prática do mal, perde-se tudo até mesmo o que pensa ter.
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6. Portanto, caríssimos, ninguém pode viver em paz neste mundo fazendo a própria vontade, que infelizmente, está repleta de todos os males nele praticados. Ora, o único meio de vivermos em paz para semearmos a paz, consiste em fazer a vontade de Deus presente em Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, porque sem Ele não há nada de bom neste mundo.
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7. Destarte, perguntemo-nos: o que estamos fazendo com o precioso talento de nossa vida? De fato, essa resposta é fundamental para vermos o grau de comunhão que temos com o Senhor Jesus ou não, pois, é dessa comunhão que depende cem por cento o nosso futuro eterno.
Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

A conversão é um processo contínuo...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 19,1-10)(19/11/24).

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1. Caríssimos, estamos acostumados com o nosso modo de ser natural; todavia, mesmo que não tenha nada de anormal nele, não é suficiente para nos atermos seguros, pois, apesar da nossa naturalidade aparentemente pacata, tem sempre algo, alguém ou alguma situação que nos incomoda, que nos inquieta, tirando de nós a paz que até pensamos ter. 
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2. Ora, é isso o que vemos na primeira leitura de hoje; pois tudo que julgamos de nós mesmos conforme os nossos interesses, não são condizentes com os propósitos de Deus para a nossa salvação. Por isso, disse o Senhor: "Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te." (Ap 3,19).
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3. De fato, não podemos esquecer que estamos na via da perfeição onde a conversão diária é o meio mais eficaz para crescermos na graça, no conhecimento e na sabedoria do Senhor até atingirmos a santidade determinada por Ele em seu desígnio de amor.
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4. Mas, como viver esse processo de conversão permanente? Seguindo em tudo os conselhos divinos: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus." (Mq 6,8).
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5. Desse modo, se formos obedientes, compreendemos que é o Senhor mesmo que nos conduz no caminho da perfeição eterna, como Ele disse ainda na primeira leitura: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo." (Ap 3,20).
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6. No Evangelho de hoje, Zaqueu encontrou Jesus, mesmo sem ainda viver os valores que Ele pregava, contudo, como disse o Senhor: "Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão." (Lc 19,9).
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7. Decerto, diante de seu desejo de ver Jesus e do esforço que fez para isso, Zaqueu recebeu Dele mais do que esperava, pois o Senhor se dispôs fazer uma refeição em sua casa, recebendo como resposta o total despojamento dos bens que possuía como sinal de verdadeira conversão.
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8. Portanto caríssimos, nunca devemos julgar as pessoas ou suas situações existenciais pela aparência, porque somente Deus conhece a essência de cada ser que criou. É como Ele disse ao Profeta Samuel: "O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a aparência, mas o Senhor olha o coração." (1Sam 16,7).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Como seguir Cristo até a vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,35-43)(18/11/24)

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1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra que a fé é dom de Deus para todos; mas, também nos mostra que muitos não a vivem como tal. Decerto, a fé é um dom do Espírito Santo que nos leva à encontrar o Senhor Jesus e sermos libertados por Ele. 

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2. E quando isso não acontece, é porque grande parte da humanidade a relativisa, afastando-se de sua prática verdadeira, para cair nos maus costumes do mundo cujo resultado é a esterilidade das virtudes, dos santos preceitos e dos bons costumes, como vimos na primeira leitura de hoje.

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3. Eis o que nos ensina São Paulo a respeito da verdadeira prática da fé: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. 

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4. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

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5. De fato, é por esse modo de ser orante que encontramos o Senhor e permanecemos Nele, como vimos no belo exemplo do cego Bartimeu, que sentado à beira do caminho nada possuía além de uma capa surrada e a disposição de encontrar o Senhor, por isso, tinha uma fé inabalável que não arrefeceu mesmo quando alguns da multidão quiseram sufucar sua voz e o seu desejo de se aproximar de Jesus para ser curado por ele.

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6. Por isso, prestemos atenção na oração perseverante do cego Bartimeu; ele a expôs proclamando o Senhor e pedindo compaixão: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Notemos também que o seu único desejo é encontrar Jesus, mesmo quando tentam impedi-lo, como vimos neste relato: "As pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”

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7. Portanto, caríssimos, eis qual deve ser a nossa postura diante do Senhor em nossa oração, ou seja, a mesma do cego Bartimeu: fé inabalável expressa pela oração perseverante com o firme propósito de encontra-lo; dialogar com Ele, ouvir a sua resposta para receber a graça desejada; depois continuar firmimente o seu seguimento glorificando a Deus, e servindo de exemplo para que outros o glorifiquem de igual modo.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do 33°Dom do Tempo Comum

 Homilia do 33°Dom do tempo comum (Mc 13,24-32)

(17/11/24).

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra escatologia significa os últimos acontecimentos da história da humanidade e do universo, ou seja, o fim dos tempos e de todas as coisas visíveis. 

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2. De fato, pela experiência que temos, vemos que tudo quanto existe no tempo tem fim, e é por isso, que temos saudade das pessoas amadas que se foram e dos bons momentos que vivemos com elas. 

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3. Desse modo, compreendemos, que tudo quanto existe já tem um fim pré-anunciado em si mesmo, pois trata-se do cumprimento da lei natural tal qual Deus determinou em seu desígnio transcendente. Sem dúvida, estamos no mundo, mas não somos deste mundo. 

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4. Com isso, compreendemos também que o fim temporal de todas as coisas, na verdade, é o ponto culminante da criação, ou seja, é a chegada à plenitude para a qual Deus criou todas as coisas. 


Em suma, é a realização de Seus desígnios de amor, como Ele determinou em seu querer benevolente. Bem como Ele mesmo disse: "Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras." (Ap 21,5).

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5. O Evangelho de hoje, trata exatamente da escatologia, isto é, dos últimos acontecimentos em que o Senhor Jesus revela aos Apóstolos como se dará o "escaton": “Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas. 


6. Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Em verdade vos digo, o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai. Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem." (Mc 13,30a-32; Lc 12,40).

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7. Destarte, o que significa de fato: "Estai, pois, preparados"? Que preparo é esse que o Senhor nos pede? Ele mesmo responde: "Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.

8. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus." (Jo 3,19-21). Decerto:

"O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais." (Ap 22,11).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

O Reino de Deus já está presente entre vós...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,20-25)(14/11/24)

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1. Caríssimos, os ensinamentos contidos nesta liturgia nos conduz à uma maior conscientização do que seja o Reino de Deus e a Sua Justiça. Bem como disse são Paulo: "Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo." (Rm 14,17).

2. De fato, estamos acostumados com a finitude que nos cerca; vivemos no limite, mas sempre olhando para o infinito que nos envolve e nos aponta para o céu, para a glória de Deus.
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3. Ora, é isso o que o Senhor Jesus nos dá a conhecer no Evangelho de hoje, em que os fariseus perguntaram-lhe quando viria o Reino de Deus, ao que Ele respondeu: “O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou ‘Está ali’, porque o Reino de Deus está entre vós”. 
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4. Decerto, eles tinham consciência da existência do Reino de Deus e por isso esperavam sua vinda, mas não o acolheram em Jesus. De fato, com a sua resposta o Senhor revelou que o Reino de Deus é Ele mesmo e tudo o que nos dá a conhecer da herança eterna que o Pai tem reservado para àqueles que o amam e que por Ele seguem fielmente ao seu encontro. 
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5. Eis o que escreveu são João a esse respeito: "O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas." (Jo 3,35). E assim disse o Filho: "Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia." (Jo 6,37.39).
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6. Com efeito, vivemos no tempo da tecnologia avançada, da inteligência artificial, do conhecimento cibernético; e sem dúvida, por esses meios os homens estão adquirindo um conhecimento sobre-humano, isto é, para além do que podemos imaginar, mas nada disso os livra da morte nem lhes dá a esperança da vida eterna. 
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7. Portanto, caríssimos, por mais que haja progresso do conhecimento humano e o desenvolvimento das ciências tecnológicas, se lhes falta a sabedoria do Espírito Santo, falta tudo, porque nada e ninguém se sustenta por si mesmo, por mais conhecimentos que tenha.
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8. Destarte, escutemos o Senhor: “Dias virão em que desejareis ver um só dia do Filho do Homem e não podereis ver. As pessoas vos dirão: ‘Ele está ali’ ou ‘Ele está aqui’. Não deveis ir, nem correr atrás. Pois, como o relâmpago brilha de um lado até o outro do céu, assim também será o Filho do Homem, no seu dia." (Lc 17,22-24).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.


Oração

"Senhor Jesus Cristo, creio que estais continuamente agindo entre nós para nos salvar. Confio em vosso poder bondoso, e sei que se eu não atrapalhar, realizareis em mim vossos planos. 

Ajudai-me, para que não só não atrapalhe, mas colabore o máximo com vossa graça. Fazei-me atento aos sinais que realizais, dai-me paciência para esperar vossa hora, e a sabedoria para fazer o necessário." Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Sejamos, pois, humildes e agradecidos...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,11-19)(13/11/24)

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1. Caríssimos, que os homens não encontrem no livre arbítrio motivos para praticarem o mal contra os seus semelhantes ou contra as outras criaturas. Tudo o que é mal só vem do mal e sempre gera transtornos, violência e todo tipo de maldade que existe. 
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2. De fato, vivemos numa época de trevas, onde os homens perderam a noção da verdade, da sacraridade da vida e do bem-estar comum. E passaram a alimentar-se de ódio, de mentiras e das intrigas que só trazem divisão e morte, principalmente entre os governantes deste mundo.
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3. Por que será que os homens, apesar dos autênticos exemplos dos santos e santas que deram a vida por Cristo, não aprendem e continuam a miserável prática pacaminosa que tanto ofende a Deus e a seus filhos e filhas?
4. Ora, essa resposta se encontra naqueles que se deixaram dominar pelas insídias do maligno e já não conseguem mais se libertar. De fato, o que está acontecendo atualmente no mundo é fruto dos pecados nele praticados e não tem como duvidar. 

5. Por isso, o SenhorJesus nos alerta que toda maldade lhe é abominável e será banida da face da terra; de modo que tudo está sendo passado a limpo pelo crivo da Sua Justiça, e assim nada de mal prevalecerá. Porém, quem sobreviverá? 
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6. Somente "Os que observam fielmente as coisas santas serão justificados; e os que as aprenderem vão encontrar sua defesa. Portanto, desejai ardentemente minhas palavras, amai-as e sereis instruídos." (Sb 6,10-11).
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7. O Evangelho de hoje traz o relato da cura dos dez leprosos; nesse episódio vemos que o Senhor Jesus os cura pela obediência e pela confiança que puseram em suas palavras, no entanto, mesmo depois curados, somente um deles foi salvo por se manter humilde e agradecido. 
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8. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus um coração manso e humilde que seja desapegado das coisas que passam para assim darmos os frutos de justiça e santidade. Decerto, não basta nos aproximar de Deus para pedir as coisas que desejamos; precisamos agradecer por tudo o que Ele nos dá, certos de que sem Ele nada somos, nada temos, nada podemos. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Somos servos inúteis, porém, amados e protegidos...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,7-10)(12/11/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, se uma casa é bem guardada nenhum inimigo entra nela; assim seja a casa de nossas almas, deixemos habitar nela somente as virtudes do Espírito Santo, especialmente o amor, a humildade, e a misericórdia que geram os frutos da paz e da concordia. 
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2. E por meio da oração do coração, sejamos vigilantes não deixando entrar em nossa mente nenhum pensamento vão, desordenado ou estranho, pois são sempre contrários à vontade de Deus; bem como o Senhor Jesus nos ensinou: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41).
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3. Por isso, fiquemos atentos, pois o maligno, por meio de tentações, procura entrar em nossas almas oferecendo poder, fama e prazer, que na verdade não passam de armadilhas e enganos querendo nos destruir. 
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4. E se acaso permitirmos, ele injeta o veneno da corrupção, mentiras, falsas acusações, ameaças, violência, falsos julgamentos, falsa piedade, moralismo farisáico e todas as armas que o inferno dispõe para levar à perdição os que se deixam dominar por tais pensamentos.
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5. Como combater isso? Usando as armas que o Senhor nos concede para vencermos todas as batalhas que travamos contra o mal. Na sua carta aos Efésios são Paulo nos ensina quais são essas armas: a verdade, a justiça, a fé, "e a espada do Espírito Santo, isto é, a Palavra de Deus." E acrescenta: "Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos."
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6. Portanto, caríssimos, a obra da salvação é divina, é santa, e foi consumada no lenho da cruz ao custo do sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai à humanidade como servo sofredor; como Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo. 
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7. Cabe à nós aderirmos a Ele de todo o coração; nós que somos servos inúteis, conforme meditamos no Evangelho de hoje; para que tenha piedade de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna, pelo nosso amor e obediência incondicional à vontade do Pai.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

A PRÁTICA DO PERDÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,1-6)(11/11/24)


1. Caríssimos, amar até as últimas consequências significa sermos amparados pela caridade do Espírito Santo, para que movidos por Ele, ponhamos em prática a totalidade da vontade de Deus. 
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2. Mas, como isso é possível? Ora, por sermos filhos amados de Deus, templos do Espírito Santo, recebemos os seus dons e os seus frutos, para multiplica-los por nossso modo de ser em nosso Senhor Jesus Cristo, e isto, porque a fé não é uma teoria, mas um dom do Espírito para pôrmos em prática a Sua Divina Palavra.
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3. Com efeito, o tema desta liturgia de hoje é a prática do perdão como fonte de unidade e de caridade fraterna. Aliás, são Paulo se referindo à esse tema, assim nos exorta: [Irmãos], "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. 
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4. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros." (Fl 2,2b-4).
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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina que não existe limite para o perdão, porque ele é a fonte da verdadeira paz. De fato, quem não perdoa, carrega na alma as ofensas e os pecados de quem os ofendeu, castigando a si mesmo com raiva, mágua, ressentimento e o desejo de vingança por pecados que não cometeu. 
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6. Decerto, segundo o conselho do Senhor, perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus, porque é Deus mesmo quem perdoa por meio de nós e cura as feridas de nossas almas nos dando a paz e a alegria de viver por sermos misericordiosos, como Ele é Misericordioso. (cf. Lc 6,36-38).
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7. Portanto, caríssimos, depois de tudo isso que refletimos, perguntemos: o que é perdoar? É amar, é fazer a vontade de Deus que nos ama e por isso nos perdoa, isto é, apaga os nossos pecados e nos dá a paz para não o ofendamos mais nem ofendamos os nossos semelhantes.
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8. O livro da Sabedoria nos ensina que a virtude da humildade é o remédio espiritual para a cura da soberba e da vanglória que são como um câncer para a alma (cf. Sb 1,3-5). De fato, os humildes de coração perdoam sempre, por isso vivem em paz, porque são misericordiosos, vivendo segundo a vontade de Deus.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 10 de novembro de 2024

Servir ao Senhor Jesus com alegria e singeleza de coração...


 Homilia do 32° Dom do Tempo Comum (Mc 12,38-44)(10/11/24)

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1. Caríssimos, sempre que fazemos algo, estão envolvidos em nosso fazer, a intenção e o desejo de obtermos o resultado previsto, ou então o que lhe for devido. E em se tratando da vivência da fé, a máxima é a mesma; no entanto, requer autenticidade, coerência na prática da Palavra de Deus para verdadeiramente obtermos as graças desejadas. 
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2. O fato é que, muitas vezes, damos tanto tempo ao que não se refere à fé e à comunhão com Deus e com o próximo que facilmente caímos na tentação de não levarmos a sério o credo que professamos. Por isso, muito cuidado, nunca se acostume com as coisas de Deus, pois elas são sempre novas, desse modo, evita-se cair no pecado da hipocrisia, ou seja, o viver de aparências.
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3. Na primeira carta a Timóteo, são Paulo o exorta com a seguinte profecia: "Proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina. 
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4. Pois vai chegar o tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas, com o prurido da curiosidade nos ouvidos, se rodearão de mestres ao sabor de seus próprios caprichos. E assim, deixando de ouvir a verdade, se desviarão para as fábulas." (2Tm 4,2-3).
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5. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus nos mostra o contraste entre a vaidade e a humildade; a confiança que nasce do supérfluo; e a que nasce da entrega total à Providência Divina. E esses contrastes são representados por duas figuras opostas: o escriba e a viúva.
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6. O escriba representa as pessoas importantes, ricas, influentes; e a viúva representa os últimos, os pobres, os fracos. Mas, atenção, porque em seu juízo o Senhor Jesus não generaliza, no entanto, nos mostra claramente o contraste entre a autossuficiência e o estado de graça que nasce da dependência divina.
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7. Portanto, caríssimos, o que Deus leva em conta não é quantidade da nossa doação, mas sim o como lhe oferecemos, porque isso revela que Nele confiamos totalmente, bem como nos ensina são Paulo: "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens,
certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Cl 3,23-24).

Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 9 de novembro de 2024

A Igreja mãe de todas as igrejas...


 Festa da dedicação da Basílica de Latrão (Jo 2,13-22)(09/11/24).

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, "Segundo uma tradição que remonta ao século XII, celebra-se neste dia o aniversário da dedicação da Basílica do Latrão, construída pelo imperador Constantino. 

2. Inicialmente foi uma festa exclusivamente da cidade de Roma; mais tarde, estendeu-se à Igreja de Rito romano, com o fim de honrar a basílica que é chamada “mãe e cabeça de todas as igrejas da Urbe e do Orbe e como sinal de amor e unidade para com a Cátedra de Pedro que, como escreveu Santo Inácio de Antioquia, “preside a assembléia universal da caridade”.
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3. Com efeito, as festas litúrgicas que a Igreja celebra nos recorda as graças derramadas pelo Senhor em nossas almas, além disso, elas são oportunidades que o Ele nos dá para vivermos em perfeita unidade celebrando os acontecimentos de nossa salvação; elas também são meios de crescimento espiritual em sabedoria, conhecimento e perfeita comunhão fraterna uma vez que somos irmãos e estamos à caminho do Reino dos Céus.
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4. Ora, mais que uma grande festa de comemoração pela dedicação dessa Basílica, este é um momento sublime de nossa fé, pois ela é considerada a mãe de toda as Igrejas como vimos. 
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5. Decerto, todos os batizados nascem da água e do Espírito Santo no seio da Santa Igreja; desse modo, todo fiel católico traz consigo essa identidade eterna, este selo divino como sinal de salvação (cf. Ez 9,4). 
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6. Referindo-se ao chamado de Deus para fazermos parte do Corpo de Cristo que é a Igreja (cf. Cl 1,18), assim escreveu São Pedro: "Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa. 
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7. Vós sois aqueles que “antes não eram povo, agora porém são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora porém alcançaram misericórdia”. (1Pd 2,9-10). Ou seja, o Senhor Jesus Cristo nos resgatou, por meio do seu sacrifício de cruz, para a vida eterna no seu Reino de amor, justiça e paz. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Estamos a um passo da eternidade, será que temos consciência disso?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 16,1-8)(08/11/24)

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1. Caríssimos, irmãos e irmãs, temos consciência da nossa fragilidade e do nosso fim natural; e no entanto, somos capazes de grandes proezas; mas também dos piores pecados, dependendo apenas de nossas escolhas e decisões. 
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2. Com efeito, fomos chamados por Deus em Cristo Jesus para sermos santos e irrepreensíveis aos seus olhos no amor, mas nem todos correspondem à esse chamado, e isto acontece por não segui-lo fielmente conforme Ele nos ensinou.
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta uma parábola desconcertante em que um patrão elogia seu administrador desonesto por sua esperteza. Mas ao mesmo tempo nos faz uma séria advertência: "Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. 
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4. De fato, recebemos todas as graças necessárias para nossa salvação, mesmo assim muitos são os deixam de lado essas graças para viverem em estado de pecado mortal e as suas terríveis consequências.
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5. Comentando este Evangelho, disse o Papa Francisco: "Hoje Jesus leva-nos a refletir sobre dois estilos de vida opostos entre si: o mundano e o evangélico. O espírito do mundo não é o espírito de Jesus. E fá-lo mediante a narração da parábola do administrador infiel e corrupto, que é elogiado por Ele não obstante a sua desonestidade.
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6. É necessário esclarecer imediatamente que este administrador não é apresentado como modelo a seguir, mas como exemplo de astúcia. E come si manifesta a mundanidade? Manifesta-se com atitudes de corrupção, de engano e de opressão, constituindo o caminho mais errado, a senda do pecado, porque uma leva à outra!
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7. À esta astúcia mundana nós somos chamados a responder com a astúcia cristã, que constitui um dom do Espírito Santo. Trata-se de se afastar do espírito e dos valores do mundo, que tanto agradam ao diabo, para viver segundo o Evangelho. 
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8. O espírito do Evangelho exige um estilo de vida sério — sério mas alegre, repleto de júbilo! — sério e exigente, caracterizado pela honestidade, pela justiça, pelo respeito dos outros e da sua dignidade, pelo sentido do dever. Eis no que consiste a astúcia cristã!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Do mesmo modo que julgamos os outros também seremos julgados...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-10)(07/11/24). 

1. Caríssimos, a tentação mais frequente que sofremos é a de julgar e condenar uns aos outros. Ora, todo julgamento sem a devida autoridade para isso, é injusto e malfazejo porque não condiz com a verdade, embora os pretensos juízes digam que sim. 

2. Decerto, as reais motivações para tais julgamentos são os interesses pessoais eivados de parcialidade com altas doses de perversidade. Vejamos então o que escreveu São Paulo a esse respeito: "Assim, és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles." (Rm 2,1-2).

3. Sem dúvida, todos nós que aqui vivemos de algum modo já fomos julgados ou julgamos injustamente e é difícil até enumerar os casos ocorridos, pois são tantos que não se dão à lembrança. No entanto, assim diz o Senhor: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso." (Lc 6,36). 

4. De fato, no dia em que o ser humano deixar de julgar e condenar uns aos outros injustamente, será feliz e nada lhe impedirá de viver em paz, pois fomos criados por Deus para amar-nos uns aos outros e não para nos condenar mutuamente. 

5. O Evangelho de hoje começa com a passagem em que Jesus é julgado e criticado por "acolher os pecadores e faz refeição com eles”. Ora, e os que o julgam são exatamente aqueles que deveriam recebe-lo, pois para isto é que foram escolhidos e constituídos como guardiões da fé e dos bons costumes.

6. Então, escutemos o que diz Senhor: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." (Lc 15,7).

7. De fato, se o tempo perdido com os julgamentos injustos fosse utilizado para cooperar com a graça de Cristo para a salvação de todos os pecadores; grande seria a alegria no céu pelos milhares e milhões de convertidos.  

8. Portanto, caríssimos: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12-13). 

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Sem a renúncia de si mesmo não podemos seguir a Cristo...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 14,25-33)(06/11/24)

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1. Caríssimos, não podemos amar a Deus sobre todas as coisas, se amamos o mundo e as suas concupicências; é exatamente isso o que nos ensina São João na sua primeira carta: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 
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2. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (1Jo 2,15-17).
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3. Decerto, quando São João se refere ao mundo e às suas concupicências, isso quer dizer que tudo o que não é segundo a Vontade de Deus, não passa de concupicências, ou seja, mentalidade e comportamentos fora dos propósitos divinos para a nossa salvação. 
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4. São Paulo na sua Carta aos Romanos assim nos exorta: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,2).
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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra quais as reais condições para sermos seus discípulos: "Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 
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6. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo." (Lc 14,26-27). De fato, sem a renúncia da própria vontade não podemos amar o Senhor sobre todas as coisas, e muito menos segui-lo, pois a fé consiste na prática da Sua Divina Palavra. 
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7. "Mas o que é que Jesus pede aos seus discípulos de ontem e de hoje, com essas palavras? Será que Ele quer que desprezemos a nós mesmos e aos nossos familiares? Que nos dediquemos inteiramente a uma vida ascética? Que procuremos o sofrimento para agradar a Deus?
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8. Mais que isso: esta Palavra de Vida nos exorta a caminharmos nos seus passos, acolhendo os valores e as exigências do Evangelho para ficarmos cada vez mais semelhantes a Ele. E isso significa viver a vida em plenitude, integralmente, como Ele fez, mesmo quando no caminho aparece a sombra da cruz." (Focolares).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

O convite mais generoso e autêntico que recebemos...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 14,15-24)(05/11/24)

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1. Caríssimos, o Reino de Deus não tem comparação com nenhum reino ou governo deste mundo, à nada podemos compara-lo, à começar por suas principais características: gratuidade, generosidade e universalidade. Sua única exigência é a veste nupcial, que consiste no amor a Deus sobre todas as coisas e entre nós, e isso podemos cumprir pela graça da filiação divina que nos foi concedida no batismo. 
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2. No entanto, são muitos os que o rejeitam por interesses mesquinhos, apegos banais e outros comportamentos vãos, desordenados e estranhos que causam tanto mal na face desta terra lhes fechando a porta aberta por Jesus para que todos podessem entrar. "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." (Rm 11,29). Porém, cabe à nós aceita-los ou não.
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3. Comentando este Evangelho disse o Santo Padre, o Papa Francisco: "Jesus fala-nos da resposta que se dá ao convite de Deus — representado por um rei — para participar num banquete de núpcias. Os convidados são muitos, mas verifica-se algo surpreendente: nenhum dos escolhidos aceita participar da festa, dizendo que têm outras coisas para fazer; aliás, alguns demonstram indiferença, estranheza e até incômodo.
4. Entretanto, não obstante a falta de adesões da parte dos convidados, o plano de Deus não se interrompe. Diante da rejeição dos primeiros convidados, Ele não desanima, não suspende a festa, mas volta a propor o convite, ampliando-o para além de qualquer limite racional, e manda os seus empregados às praças e às encruzilhadas das estradas para reunir todos aqueles que encontram" e que aceitam o convite.
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5. A bondade de Deus não conhece confins e não discrimina ninguém: por isso, a festa dos dons do Senhor é universal para todos! A todos é oferecida a possibilidade de responder ao seu convite, ao seu chamamento. 

6. Todos nós somos chamados a não reduzir o Reino de Deus aos confins da «igrejinha» — a nossa «igrejinha» — mas a dilatar a Igreja às dimensões do Reino de Deus." Ou seja, à totalidade que o Senhor Jesus nos revelou: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim." (Mt 24,14).
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7. E disse ainda: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais." (Jo 14,1-3). De fato, nenhum de nós jamais recebeu um convite tão gentil e generoso como esse.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 3 de novembro de 2024

Solenidade de todos os santos e santas...


 Solenidade de todos os santos (Mt 5,1-12a)(03/11/24)

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1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a solenidade de todos os santos e santas elevados aos altares, ou seja, os eleitos segundo a vontade de Deus para o louvor da Sua glória. Na primeira leitura são João nos dá a conhecer a imensa multidão dos redimidos do Senhor: "Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar." (Ap 7,9).
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2. De fato, a santidade é a vontade de Deus realizada em todos os sentidos da nossa vida, como o Senhor nos ensinou: "Sede santos como o vosso Pai celeste é Santo." (Mt 5,48). Ora, na Palavra que o Senhor nos fala já está o poder de se cumpri-la, como Ele mesmo disse: "Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado." (Jo 15,3).
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3. De fato, Sua Palavra é criadora, redentora e realizadora da Sua Santa vontade, quem a obedece torna-se morada da Santíssima Trindade; quem não a obedece não o segue, porque não o ama.(cf. Jo 14,23-24)
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4. No Evangelho de hoje o Senhor nos ensina a via da perfeição que nos leva ao céu: "Bem-aventurados os pobres de coração, porque deles é o Reino dos Céus». Ora, como pode ser feliz uma pessoa pobre de coração? Sem dúvida, porque ela é aquela cujo tesouro é infinito, ou seja, o Reino de Deus.
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5. "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados." Como podem ser felizes, aqueles que choram? Porque têm compaixão e se comovem ao sentir no coração a dor que existe na própria vida e na dos outros. Eles são felizes, porque a mão terna de Deus os consola e acaricia." E assim acontece com as outras bem-aventuranças.
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6. Por fim, acompanhemos com atenção esta exortação de são Teodoro Estudita (séc. VIII): "Rejubilai, peço-vos, cidadãos dos Céus, embora exilados neste mundo; habitantes da Jerusalém celeste (cf Gl 4,26), embora banidos dos assuntos deste mundo; herdeiros do reino dos Céus, embora deserdados e não tendo parte nos prazeres terrenos!
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7. Sim, meus filhos, reunidos por Deus, alimentai-vos do alimento do Espírito e bebei a água dada pelo Senhor; quem vier a possuir esta água nunca mais terá sede, pois ela será para ele uma fonte que jorra para a vida eterna (cf. Jo 4,14). Mais um pouco e teremos vencido. E seremos felizes, como felizes serão chamados os locais, os pais e as pátrias que vos terão gerado (cf Lc 11,27-28).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 2 de novembro de 2024

Nós cremos Senhor Jesus na ressurreição dos mortos...


 Homilia da comemoração dos fiéis Defuntos (Jo 6,37-40)(02/11/24).

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1. Caríssimos hoje a Igreja celebra a memória de todos os fiéis defuntos e com essa lembrança duas coisas nos recorda: a primeira é que todos morremos um dia, porém, a morte não é o fim, mas sim o início da eternidade; a segunda é que pela infinita misericórdia do Senhor, encontraremos nossas entes queridos de quem ora fazemos memória. 
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2. De fato, não haveria nenhum sentido de ser se tudo acabasse com a morte e não houvesse nenhuma esperança de vida eterna. Com efeito, ao ouvirmos o Senhor Jesus no Evangelho de hoje, o nosso coração se alegra imensamente, pois, Ele nos dá a certeza de que jamais seremos esquecidos ou lançados fora.
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3. “Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia." Sem dúvida, a nossa esperança reside nessas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo.
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4. Na Sua homilia no dia de finados de 2016, disse o Santo Padre, o Papa Francisco: "Eis a âncora que não desengana: a esperança da Ressurreição. E quem percorreu primeiro este caminho foi Jesus. Nós trilhamos a vereda que Ele já percorreu. 
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5. E quem nos abriu a porta foi Ele mesmo, Jesus: com a sua Cruz abriu-nos a porta da esperança, descerrou-nos a porta para entrar no lugar onde contemplaremos Deus."
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6. Portanto, caríssimos, a vida é uma dádiva das mãos de Deus, e por isso mesmo somente a Ele pertencemos, pois fomos resgatados do pecado e da morte pelo o sacrifício do Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, como bem disse o Santo Padre, o Papa Francisco.
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7. Destarte, meditemos com atenção estas palavras do patriarca Jó: «Eu sei: o meu Redentor está vivo e aparecerá, finalmente, sobre o pó da terra... Eu mesmo o contemplarei, os meus olhos vê-lo-ão, e não os olhos de outro." (Jó 19, 25.27).
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8. Amados irmãos e irmãs, o que seria de nós se o Senhor Jesus não nos desse a esperança da vida eterna? O que seria daqueles que amamos e partiram antes de nós? Por isso, é sumamente importante a fé na ressurreição que recebemos no batismo; ela é a chama viva que mantém acesa em nossas almas a esperança da vida eterna.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

O bem que fazemos nem sempre é isento de confrontos e perseguições...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 14,1-6)(01/11/24)

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, nossa vida é repleta de confrontos seja com nós mesmos, seja com os outros, ou ainda com o maligno e seus seguidores. O fato é que tais confrontos são inevitáveis quer queiramos ou não. 
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2. No entanto, quem segue a via da liberdade divina, se deixa conduzir pelo Espírito Santo, e desse modo, faz somente o que é do agrado de Deus sem medo de ser julgado ou condenado por quem não se deixa conduzir por Ele.
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3. No Evangelho de hoje mais uma vez o Senhor Jesus é confrontado pelos Fariseus e Mestres da Lei ao ser convidado pelo chefe da Sinagoga para um jantar em sua casa num dia de sábado. São Lucas nos chama atenção, no seu relato, que eles observam se Jesus curaria um homem que sofria de hidrópisia, com o intuito de acusa-lo. 
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4. Na verdade, este conflito é entre a prática e a teoria; por um lado os teóricos da Lei com o seu rigorismo em que não existe espaço para a compaixão, a misericórdia e o amor ao próximo; por outro lado, o Senhor Jesus lhes ensina que a fé verdadeira é prática, isto é, consiste na vivência das virtudes que cura, liberta, salva e faz feliz aqueles que Dele se aproximam.
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5. Ora, também este nosso tempo não é diferente do tempo do Senhor Jesus, pois, o que não falta são os rigoristas de plantão, que com seus julgamentos e condenações, eivados de hipocrisia farisáica e rigorismo mórbido, criticam acidamente os que não os seguem, e tudo fazem em nome de uma pretensa pureza religiosa, muito distante da caridade de Cristo.
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6. Portanto, caríssimos, perguntemos à nós mesmos, nesse confronto: qual o lado que estamos escolhendo, o da prática rigorosa da Lei que julga, critica e condena à tudo e a todos até mesmo o próprio Senhor na pessoa dos seus ministros; ou a fé que realiza a vontade de Deus por meio da compaixão, da misericórdia e do amor ao próximo?
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7. Destarte, como escreveu são João a esse respeito: "Aquele que afirma permanecer em Cristo deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,6). De fato, é isto o que significa ser conduzidos pelo Espírito Santo de Deus.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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