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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Hino Oficial da Beatificação de Madre Maria Clara do Menino Jesus
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Isabel conheceu e amou Cristo nos pobres
Ilustração: Liezen-Mayer Sándor: Erzsébet szentté avatása 1235-ben (vázlat). Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Liezen_Erzs%C3%A9bet_szentt%C3%A9_avat%C3%A1sa.jpg acesso em 17 nov. 2010.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Bento XVI : Santa Isabel da Hungria
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Extraído de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20101020_po.html acesso em 9 nov. 2010.
Ilustração: Brasão fictício de Santa Isabel da Hungria, Rainha / Eugenio Hansen, OFS. 2010. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Elisabeth_of_Hungary_COA_fictional_1.svg acesso em 9 nov. 2010.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Bento XVI : Beata Ângela de Foligno
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
[Vídeo]
Extraído de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20101013_po.html acesso em 9 nov. 2010.
Ilustração: Angela of Foligno. XVIIth century print. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Angela_of_Foligno_1.jpg acesso em 9 nov. 2010.
domingo, 24 de outubro de 2010
Atualidade de São Pedro de Alcântara
Apesar da distância, que aparentemente parece existir entre São Pedro de Alcântara e nós, há aspectos de sua vida extremamente atuais. Entre todos, quero sublinhar três: homem de profunda contemplação, homem de constante busca e discernimento, homem a serviço dos outros como mestre espiritual.
São Pedro de Alcântara é um homem de Deus, é um gigante do espírito, porque deixou Deus crescer nele. A oração e a contemplação são o selo, o fundamento, a alma, o coração ... é o tudo de sua vida. O espírito de oração e devoção constitui a grande prioridade - qualitativamente fa1ando - do projeto de vida da reforma alcantarina: tudo está em função dela e a seu serviço. A penitência e a mortificação encontram seu sentido mais profundo como disposição para uma oração confiante de abandono, na qual o ser humano se coloca por completo nas mãos de Deus. Sua grande atividade apostólica brota da profunda comunhão com Deus, nascida e alimentada pela "oração de mais horas". Este primado qualitativo, porém, traz consigo também o primado prático da oração. Esta há de ser a primeira ocupação e preocupação dos Irmãos.
Os homens de hoje, sobretudo nós frades menores, como São Pedro de Alcântara, precisamos redescobrir a beleza do "coração e mente voltados para o Senhor". O mundo de hoje, marcado por um ateísmo favorável ao religioso, está nos pedindo aos gritos que sejamos testemunhas de Deus, que criemos lugares de experiência de Deus. Nosso futuro dependerá, em grande parte, da capacidade de testemunhar aos outros a presença de Deus. Como nos preparamos, pessoal e comunitariamente, para esse futuro? Como respondemos à vocação de sermos testemunhas de Deus numa sociedade marcada pela secularização?
Pedro de Alcântara foi um homem em caminho, "peregrino e forasteiro" (1Pd 2,11), não só em sentido físico, mas também, e sobretudo, por sua constante atitude de discernimento e de busca da vontade do Senhor. Porque foi pobre e livre, viveu sempre e inteiramente disponível para o Senhor; porque experimentou a eficácia libertadora da pobreza, se sentiu sempre itinerante, disposto a abandonar atividades, ofícios e estruturas que não respondiam à sua vocação de frade menor.
Os homens de hoje, particularmente os frades menores, precisamos recuperar a liberdade que a pobreza nos dá; recomeçar a itinerância que estimula a criatividade; reacender o anseio pela pátria que nos força a deixar estruturas envelhecidas; abandonar seguranças que nos amarram e certezas que nos imobilizam. Como São Pedro de Alcântara, o discernimento do que o Senhor nos está pedindo aqui e agora há de ser a nossa constante preocupação. Não basta sermos fiéis: o Senhor nos pede uma fidelidade criativa. São Pedro de Alcântara nos ensina a viver abertos àquilo que o Espírito nos pede hoje para sermos fiéis a Cristo, que nos chamou, fiéis a Francisco, que é nosso modelo no seguimento, fiéis ao homem de hoje, a quem temos de testemunhar, com palavras e obras, "que só Ele é onipotente" (CtaO 9).
São Pedro de Alcântara foi um homem que pôs a serviço dos outros os dons que tinha recebido do Senhor. Um homem em quem a graça do Senhor não foi vã e que fez frutificar os talentos recebidos não só em próprio benefício, mas também em favor dos outros, ajudando a todos que lhe pediam conselho nas coisas que agradam ao Senhor.
São Pedro de Alcântara foi um grande mestre espiritual, porque foi um homem de Deus. Ensinou os caminhos de Deus a partir de sua experiência de Deus. Teresa, a grande, disse de Frei Pedro: "Desde o começo vi que me entendia por experiência própria, e isto era tudo o de que eu precisava ... " E isto, porque "da vida de perfeição - afirma ainda Santa Teresa na sua Autobiografia - só se pode falar com aqueles que a vivem". Só quem vive na luz pode "iluminar tudo". Só pode comunicar Deus quem nele vive.
No mundo de hoje há muitas pessoas, sobretudo jovens, que têm grande fome de Deus. Cabe a nós saciar essa fome a partir de uma profunda experiência daquele que é amor. Cabe a nós conduzi-los aos poços de água viva para saciar sua sede de eternidade. Cabe a nós acompanhá-los para que descubram que aquele, a quem buscam, caminha a seu lado; que aquele, por quem suspiram, pede para permanecer em sua casa.
Celebrar significa fazer memória, e fazer memória significa atualizar aquilo que celebramos e aquilo de que fazemos memória. Celebrar e fazer memória de São Pedro de Alcântara exige de todos nós colocar-nos a caminho para viver, encarnando-as em nosso tempo, as prioridades de seu projeto de vida, que não são diferentes das do projeto de vida de Francisco de Assis.
Isto é o que imploramos da Virgem Mãe, a quem invocamos com a mesma oração que lhe dirigia São Pedro de Alcântara: “Ó Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Rainha do céu, Senhora do mundo, Sacrário do Espírito Santo, Lírio de pureza, Rosa de paciência, Paraíso de delícias, Espelho de castidade, Modelo de inocência! Rogai por estes pobres desterrados e peregrinos e derramai sobre eles as sobras de vossa superabundante caridade!"
Trecho da Carta do então Ministro Geral da OFM, Frei Giacomo Bini, em outubro de 1999, por ocasião do V Centenário de Nascimento de São Pedro de Alcântara.
Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/carisma/especiais/2009/saopedrodealcantara/02.php acesso em 19 out. 2010.
Ilustração: Monumento a San Pedro de Alcántara / de Navarro Gabaldón ; foto de Cubero. Alcántara (España), 2005. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Alc%C3%A1ntara_City04.jpg acesso em 19 out. 2010.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
“Para dentro e para fora da Ordem”
Frei Pedro viveu um momento histórico, um tempo marcado por intensa inquietude espiritual e grande desejo de renovação de vida. Tempo, como diz um cronista da época, "em que todo o mundo queria entrar no paraíso". Eram tempos carregados de intensa vida eclesial: celebração de dois Concílios ecumênicos: o Latrão V e o de Trento; três anos santos: o de 1500, com Alexandre VI, o de 1525, com Clemente VII, e o de 1550, com Júlio III; nascimento de numerosas Ordens religiosas: mínimos, barnabitas, teatinos, jesuítas, irmãos de São João de Deus, ursulinas. Tempos de grandes iniciativas missionárias, particularmente na América por obra dos mendicantes, e na Ásia, pelos jesuítas. Eram tempos também de grandes reformas ao interno da Igreja, particularmente a reforma teresiana, e de muitas outras reformas contra a Igreja: a de Martinho Lutero, na Alemanha; a de Henrique VIII, na Inglaterra e Irlanda; a de Calvino, na Escócia; a da igreja nacional na Holanda.
A Ordem dos Frades Menores participou plenamente dessas ânsias de profunda renovação e de dinamismo missionário: início da reforma capuchinha; fortaleceu-se o trabalho missionário da Ordem no Novo Mundo, iniciado pelos chamados "XII Apóstolos", que saíram para o México em 1523, renovou-se e cresceu com a chegada de mais 150 missionários; na Espanha consolidou-se a reforma dos descalços, iniciada por Frei Juan de Puebla e Frei Juan de Guadalupe e estruturada definitivamente por Frei Pedro de Alcântara com suas Ordenações. Uma reforma que logo se estendeu pela Espanha inteira, Portugal, Brasil, México e Filipinas e que tinha como motor a "estreitíssima observância" da Regra Bulada de São Francisco, lida à luz do Testamento, sem glosas nem comentários acomodatícios.
Como Provincial, Frei Pedro entregou-se aos ofícios humildes, dedicou-se com carinho aos irmãos leigos. Cuidou dos doentes e adotou como lema de sua vida o pensamento de São Pascoal Bailón: “É preciso ter para com Deus um coração de menino, para com o próximo um coração de mãe, e para consigo mesmo um coração de juiz.”
A espiritualidade de São Pedro de Alcântara era de uma profundidade tão grande, que sem interromper a contemplação dedicava-se aos seus deveres de estado. Acima de todos os êxtases ele colocava as obras de misericórdias, o servir Cristo na pessoa dos pobres. Frei Pedro escreveu o "Tratado da Oração e Meditação".
Frei Pedro foi testemunha privilegiada de todos esses acontecimentos e participou ativamente em muitos deles. Apesar de seu gosto pela solidão e pela oração, não se recusou aos pedidos de conselho e orientação que pequenos e grandes, nobres e plebeus, santos e pecadores lhe faziam para se sentirem seguros nos caminhos da santidade.
São Pedro, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição. No momento em que muitos de seus conterrâneos se lançavam à descoberta e conquista de novos mundos e glórias humanas, Frei Pedro de Alcântara, como um dia fizeram Paulo de Tarso e Francisco de Assis, deixou tudo para ganhar Cristo e viver nele (cf. Fl 3,8).
Sua memória histórica continua viva por onde passou: El Palancar (Cáceres), lugar despojado, rico de solidão e recolhimento, pedra angular de sua reforma, modelo e referência de todas as outras fundações. Frei Pedro, que considerava a alegria espiritual "remo sem o qual não se pode navegar", começou aqui a última etapa de sua vida; Arrábida, em Portugal, experiência de vida penitente e contemplativa, na qual o importante era manter vivo o "espírito de oração e devoção" com gestos concretos, com a busca intensa da presença de Deus, com "a mente e o coração voltados para o Senhor" (Rnb 22,19); Solitudine, em Piedimonte Matese (Itália), lugar de rigoroso silêncio, de intensa oração e penitência; Arenas de San Pedro (Ávila), com suas ermidas e capelas para recolhimento e solidão orante, onde repousam os restos mortais deste homem que, apesar de sua "áspera penitência - no dizer de Santa Teresa era muito afável... e de privilegiada inteligência".
Frei Giacomo Bini, então Ministro Geral da OFM, em outubro de 1999, por ocasião do V Centenário de Nascimento de São Pedro de Alcântara.
Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/carisma/especiais/2009/saopedrodealcantara/01.php acesso em 19 out. 2010.
Ilustração: Estatua de San Pedro de Alcantara realizada por de Enrique Pérez Comendador localizada a las puertas de la Iglesia Concatedral de Santa María en la ciudad de Cáceres / foto de José Porras. 2008. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:SanPedrodeAlcantara.JPG acesso em 19 out. 2010.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
São Pedro de Alcântara: dados biográficos
Pouco depois, em 1519, um pouco antes de ser ordenado sacerdote, foi enviado como superior para fundar o Convento de Badajoz. Completados os estudos de filosofia, teologia, direito canônico, moral e homilética, conforme as determinações da época, foi ordenado sacerdote em 1524. Tornou-se superior em Robledillo, depois em Placencia e novamente em Badajoz, até que em 1532 obteve permissão para recolher-se a uma vida mais contemplativa no convento de Santo Onofre da Lapa. Em 1538 foi eleito Ministro Provincial da Província de São Gabriel.
Durante o período em que foi ministro provincial redigiu para seus religiosos estatutos muito severos, aprovados no Capítulo de Placencia, em 1540. Mas o começo de sua reforma teve lugar em 1544 quando, com o consentimento de Julio III, retirou-se para a pequena igreja de Santa Cruz de Cebollas, próximo de Coira. Em 1555 construiu o célebre convento de Pedroso, seguido de outros. A partir deste momento, a reforma prosperou amplamente e, em 8 de maio de 1559, obteve a aprovação de Paulo IV, que permitiu sua difusão também no exterior.
Pedro de Alcântara, com sua reforma, queria trazer de volta a Ordem Franciscana à genuína observância da Regra. Mediante a suma pobreza, a rígida penitência e um sublime espírito de oração alcançou os mais altos graus de contemplação e pode atrair numerosos franciscanos por aquele caminho de reforma que se propunha fazer reviver em seu século o franciscanismo dos primeiros tempos.
Foi confessor e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila e ajudou na reforma da Ordem Carmelita. Santa Teresa escreveu sobre ele: “Modelo de virtudes era Frei Pedro de Alcântara! O mundo de hoje já não é capaz de uma tal perfeição. Este homem santo é de nosso tempo, mas seu fervor é forte como de outros tempos. Tem o mundo a seus pés. Que valor deu o Senhor a este santo para fazer durante 47 anos tão rígida penitência!”.
Depois de uma grande atividade eremítica e apostólica, morreu em Arenas de San Pedro (Ávila), no dia 18 de outubro de 1562, aos 63 anos. Em 1622 foi beatificado por Gregório XV e, em 1669, foi canonizado por Clemente IX. Em 1826 foi declarado Padroeiro do Brasil.
Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/carisma/especiais/2009/saopedrodealcantara/ acesso em 19 out. 2010.
sábado, 25 de setembro de 2010
Bem-aventurado Bernardino de Feltre
Religioso e sacerdote: 1439-1494
Memória litúrgica: 28 de setembro
Martinho, como foi chamado no batismo, nasceu em 1439, em Tomo, lugarejo minúsculo, distante alguns quilômetros de Feltre (na região de Belluno, na Itália). Foi o primogênito de dez irmãos, todos filhos do nobre e abastado Donato Tomitano e de Corona Rambaldoni, prima do célebre educador Vittorino de Feltre. Criança precoce, ávido de leituras, Martinho se mostrou dotado de grande memória desde os primeiros estudos humanísticos, tanto que aos onze anos lia e falava corretamente o latim. Cresceu numa família bem estruturada e de nível culturalmente elevado e, assim, conseguiu adquirir um espírito de discernimento diante de comportamentos sociais da época.
Também em Pádua, onde estudou Direito, fez-se admirar pela seriedade de sua conduta e acuidade de suas reflexões. Profundamente tocado pela morte repentina de três de seus professores universitários, pelos quais sentia-se profundamente amado e ao mesmo tempo conquistado pela pregação que São Tiago das Marcas fazia na catedral de Pádua, Martinho interrompeu os estudos a 14 de maio de 1456 e tomou o hábito dos Frades Menores no Convento de São Francisco das mãos de Frei Tiago. Este, para honrar São Bernardino de Sena, deu a Martinho o nome de Frei Bernardino.
O pai desse jovem de 17 anos tentou demovê-lo da idéia de se tornar franciscano. Martinho, no entanto, tinha plena convicção de sua vocação, a respeito da qual nunca teve dúvidas. Em suas posteriores pregações, gostava de abordar o tema: Nolite diligere mundum. Começando um rigoroso tempo de noviciado no Convento de Santa Úrsula, fora de Pádua, Frei Bernardino se propôs a imitar o espírito do santo que era seu patrono celeste, vivendo uma vida santa e dedicando-se à pregação.
Terminados os estudos de teologia, foi ordenado sacerdote em 1463. Depois de ter ensinado gramática durante um certo tempo, a 19 de maio de 1469 foi nomeado pregador. Atemorizado com esta incumbência, pediu que os superiores o dispensassem desta função alegando saúde frágil, timidez e mesmo dizendo ser de baixa estatura. No dia seguinte, festa de São Bernardino, foi lhe solicitado que fizesse um discurso sobre o santo. Fê-lo com ardor e força a tal ponto que as pessoas ficaram admiradas. A partir de então começou sua atividade de pregador itinerante percorrendo a Itália centro e sul sem calçados, mesmo em condições atmosféricas desfavoráveis.
Defensor dos pobres, impávido combatente contra usurários e hereges, apóstolo iluminado do Monte da Piedade, era solicitado para pregar nos principais púlpitos da Itália. Causava maravilha o fato que ele, homem tão frágil, minado pela tísica, resistisse a constantes ataques, insídias e adversidades de quantos, tanto usurários quanto judeus, tentavam eliminá-lo ou fazê-lo calar. Muitas cidades o chamavam e chegavam a pedir a intercessão do Papa para que ele pregasse em suas igrejas. Em 1481 foi nomeado pregador apostólico in forma solita e, em 1484, pregador apostólico in forma maiori.
Graças à obra de seu fiel confrade, Frei Francesco Bernardino Bulgarino, foram conservados os ciclos mais importantes de sua pregação que, com as clássicas denominações Nolite diligere mundum; Attende tibi e Habe illius curam, oferecem as chaves mais significativas de sua oratória contra a corrupção, pela reforma dos costumes em todos as camadas sociais. Bernardino era um pregador vivo, corajoso, franco. Levava seus ouvintes a colaborarem na vida da comunidade, a começar pelos políticos que ele condenava cada vez que estes administravam a coisa pública em vista de seus interesses pessoais.
Partindo sempre da Sagrada Escritura, sem desprezar o testemunho do pensamento clássico, adaptava-se aos ouvintes e às circunstâncias. Prendia a atenção de seus ouvintes com exemplos da vida cotidiana, ora falando da injustiça e avidez dos ricos, ora a falta de pudor das mulheres ou da tão difundida ilegalidade.
A década de 1484-94 representa o período da mais intensa atividade oratória desenvolvida pelo bem-aventurado a serviço da solidariedade, defesa dos pobres e dos oprimidos com a fundação ou reforma dos Montes da Piedade contra a usura frente à qual foi inflexível, enfrentando lutas terríveis, como em Trento (1476), Florença (1488) e Milão (1491). Condenava sem medo e em termos atuais o exasperado individualismo, criticando a validade ética da riqueza quando esta é instrumento de injustiças sociais. No contato cotidiano com as categorias sociais da época, Bernardino havia chegado à conclusão que o monopólio do capital monetário nas mãos de alguns poucos, a qualquer denominação religiosa a que pertencessem, terminava por anular o direito de trabalho dos mais necessitados, muitas vezes paralisados em suas iniciativas devido ao alto custo do dinheiro. A esta idéia, simples mas profunda, se unia a verdadeira e específica função dos Montes de Piedade que foram um instituto caritativo e beneficente, mas sobretudo um instrumento de retificação de todo o sistema econômico, através de uma equitativa distribuição dos recursos financeiros postulados pelas sadias forças produtivas contra a erosão do empréstimo privado. Por isso, o Bem-aventurado Bernardino de Feltre é elencado entre os grandes sociólogos do Renascimento.
Em Vicenza, durante a pregação do Advento de 1492, exortou a cidade a fundar uma “Companhia” para socorrer os “pobres envergonhados”, envolvendo de modo especial no empenho os nobres e os ricos. Pregou com tanto ardor que conseguiu a fundação da Companhia do Nome de Jesus, cujos estatutos foram depois reformados por um seu confrade, o venerável Antônio Pagani. Morreu a 28 de setembro de 1494. Foi venerado ininterruptamente em Pávia e em Feltre e, em 1654, o Papa Inocêncio X decretou sua beatificação.
Tradução e adaptação do livro Frati Minori Santi e Beati, publicado pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, Roma, p. 196-199
Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/almir/bau/09/04.php acesso em 04 set. 2010.
Ilustração: Bernardin de Feltre par Gonzaga, Francesco disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:427px-Bernardine_of_Feltre.jpg?uselang=it acesso em 04 set. 2010.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Novena a São Maximiliano Maria Kolbe

Novena
Fazei também de nós, servidores do Reino, e pescadores de Homens, assim como também Amantes de Vossa Santíssima Mãe. Oh Maria, rogai por nós, que esta novena transforme nosso corações, melhore nossa atitudes, aumente nossa fé e nos torne felizes.
(dias da novena)
Oração Final: Envia-nos em Missão Senhor, para que até o proximo encontro estejamos firmes em seu caminho, e dispostos a dar a vida pelo irmão. Amando e perdoando sem medidas. Que assim como São Maximiliano testemunhou a Cristo, que nõs consigamos também dar os mesmos passos e frutos. Fazei de nós vossos instrumentos. Cuidai de nós concedendo a vossa benção de cada dia:
1º dia - “Deixemos que a Imaculada nos conduza”
Oração - São Maximiliano Kolbe, "padroeiro dos nossos difíceis tempos", ensina-nos a confiar tudo e sempre a Maria Imaculada, nossa mãe. Ensina-nos a conquistar os nossos irmãos pela bondade. Ensina-nos a vencer o mal contra o bem. Ensina-nos a buscar, em todas as coisas, o lado mais otimista, que nos faz generosos e alegres, que nos faz instrumentos da paz! Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
2º dia – “Só o amor constrói”
Oração - São Maximiliano Kolbe, tu que venceste a Segunda Guerra Mundial com a força do amor, mostra a todos, que só o amor constrói. Dize ao mundo que o poder é o amor e não mísseis, anDaS biológicas e atômicas. São Maximiliano ajuda-nos a perdoar e a pedir perdão. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
3º dia – “Deixemos a Divina Providência agir em nós”
Oração - São Maximiliano Kolbe, tu que sabias permitir ao Espírito Santo agir em cada momento de tua vida, mostra a todos nós que caminho certo é este: deixar tudo à Providência Divina. Eu gostaria de agradecer a ti o exemplo de consagrar tudo à Imaculada, na fé de que Ela fará tudo melhor. Eu te peço, intercede por mim, para que eu possa ser instrumento nas mãos da lmaculada, levando a outros a felicidade de confiar. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
4º dia –“Entreguemos tudo a Imaculada a fim de que faça o que quiser”
Oração - São Maximiliano, nós também desejamos renovar o nosso amor a Maria Imaculada. Precisamos do acompanhamento da Mãe de Jesus. Ajuda-nos a lembrar sempre que ao nosso lado está presente a lmaculada, nossa Mãe. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
5º dia –“O amor de Deus nos constrange”
Oração - São Maximiliano, tu que cumpriste o novo mandamento do amor até o fim oferecendo-se pelo irmão, ensina-nos a contemplar o mistério do Amor. Ajuda-nos a amar o Amor e a crescer na caridade. Convence-nos da necessidade de nos converter novamente. Dize-nos que podemos mais, que devemos ser santos, porque Deus nos ama. Pede a lmaculada por nós, para que tenhamos vontade de servir. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
6º dia –“O Espírito Santo age pela Imaculada, sua Esposa”
Oração - São Maximiliano Kolbe, servo humilde da Imaculada, tu descobriste o segredo de renovar a face da terra, de transformar e santificar tudo no Espírito Santo pela lmaculada. Nós te pedimos: vela por nós. Conduze-nos pelos caminhos justos, para que nós saibamos escutar a Palavra de Deus e conservá-la em nosso coração. Ensina-nos onde está a verdade. Mostra-nos o exemplo da Imaculada - cheia do Espírito Santo - para que nós produzamos, dia-a-dia, os frutos do amor, da paz, da alegria, da paciência, da bondade, da fidelidade, da liberdade. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
7º dia –“O ódio divide, separa e destrói, enquanto o amor une, edifica, dá paz”
Oração - São Maximiliano Kolbe, zeloso missionário do Evangelho e filho predileto da Igreja, dá coragem aos católicos para anunciar a Boa Nova da Salvação até os confins da terra. Inspira-nos, para que cada um de nós edifique a Igreja com o testemunho da própria vida na fé e no amor. Ajuda-nos a renovar a nossa fidelidade ao Papa e empenhar-nos no serviço, para que todos os cristãos sejam unidos, tornando-se um só corpo ao redor do único Mestre e Pastor Jesus Cristo, que é "o Caminho, a Verdade e a Vida". Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
8º dia –“Esforçai- vos por suportar os defeitos uns dos outros, porque este é o amor maior”
Oração - São Maximiliano Kolbe, tu que doaste a vida por um pai de família, renova as nossas famílias. Padroeiro dos casais e das famílias, faze com que os casais se amem reciprocamente, que vivam na fidelidade até a morte, que os maridos respeitem a dignidade das esposas. Dize aos nossos casais que a verdadeira felicidade encontra-se na caridade recíproca e que não procurem os "interesses próprios" no divórcio, no adultério, no aborto, na liberdade sexual, no prazer e no dinheiro. Ensina que todos sejam generosos e perseverantes na oração, que observem os mandamentos e vivam na graça santificante. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
9º dia –“Na base de cada ação boa há esforço e sacrifício”
Oração - São Maximiliano Kolbe, tu que consolaste e serviste, como sacerdote, aos prisioneiros, e te consumaste no martírio por amor ao próximo, transforma os homens de hoje no mundo inteiro. Admirando a tua coragem, força, fé e caridade, sejam capazes de doação, dedicação, disposição, generosidade, sinceridade, solidariedade, justiça e respeito mútuo. Infunde em todos nós o desejo de empenhar-nos na construção do Reino de Deus, usando todos os meios acessíveis, e até doar a nossa própria vida. São Maximiliano, mártir pelo amor e pela fé, rogai por nós. Amém.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos não recorrem a vós, especialmente pelos inimigos da Santa Igreja e por todos quantos são a vós recomendados.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
MENSAGEM DA MINISTRA REGIONAL SUDESTE III PELA FESTA DE NOSSA SENHORA DOS ANJOS
Nossa Senhora dos Anjos e São Maximiliano Maria Kolbe
São Francisco e Santa Clara
Ali nasce o “homem franciscano” e, com ele inicia-se a pregação da penitência. Para lá foram os primeiros companheiros: Bernardo, Egídio, Rufino, Ângelo, Leão, Masseo e Junípero, que aprenderam do próprio “mestre” a trilhar o caminho da santa pobreza e da bem-aventurada simplicidade.
Mais um pouco e a pequena capela de paredes de pedras róseas, escurecidas pela fumaça dos candelabros, assiste a vestição de Santa Clara e vê florescer a Ordem das Damas Pobres de São Damião.
O tempo passa, e esse “pedacinho do mundo” se transforma no ponto de partida para a missão e o local de acolhida dos frades que retornam, para nos grandes Capítulos para partilharem a experiência de dor das noites de trevas e as alegrias do novo que vem com cada amanhecer.
A Ordem dos Irmãos da Penitência também encontra espaço para nascer no seio da Porciúncula, que mais tarde se transforma no Santuário do Perdão, quando o Papa concede ao Poverello de Assis a grande indulgência da Terra Santa, que garante a todos os que nela entrarem, com o coração sinceramente arrependido, a graça do perdão.
A Morada dos Anjos ainda foi palco de apresentação de um dos maiores gestos de amizade que o mundo já viu, quando Frei Jacoba, visita Francisco para oferecer-lhe seus deliciosos bolinhos e um lenço de tecido delicado para cobrir-lhe o rosto, no momento da sua última e definitiva viagem, quando saiu da casa da Mãe para os braços do Pai, já crucificado em sua carne pelos Estigmas de Jesus.
Toda vez que nos sentirmos abatidos diante dos desafios da caminhada, toda vez que sentirmos o coração abatido pelo desânimo, toda vez que sentirmos a chama da vocação trêmula, voltemos-nos para a Porciúncula e vamos experimentar a força do Espírito Santo, a predileção de Nossa Senhora, a doçura do amor fraterno, a graça do perdão, a beleza da vida em fraternidade, a alegria em poder, também, restaurá-la em cada irmão e cada irmã, mas fundamentalmente, a ternura de Deus. E aí, alimentados no coração da Família Franciscana, teremos nos forças revigoradas para continuar tornando realidade, a cada dia, o sonho de Francisco de Assis.
Como aquela que um dia recebeu a missão de cuidar, como mãe e guardiã dos filhos e filhas de São Francisco, nessa pequena porção da Família Franciscana, eu os abençôo, pedindo à Rainha e Senhora dos Anjos que tenhamos pelas nossas Fraternidades a mesma paixão que Francisco tinha pela sua Porciúncula.
Meu irmão e minha irmã, hoje e sempre, o meu abraço carregado de carinho.
Maria Bernadette Nabuco do Amaral Mesquita
Ministra Regional
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Bento XVI: João Duns Escoto
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 7 de Julho de 2010
[Vídeo]
João Duns Escoto
Amados irmãos e irmãs!
Esta manhã – depois de algumas catequeses sobre diversos grandes teólogos – desejo apresentar-vos outra figura importante na história da teologia: trata-se do beato João Duns Escoto, que viveu no final do século XIII. Uma antiga inscrição sobre o seu túmulo resume as coordenadas geográficas da sua biografia: "a Inglaterra acolheu-o; a França instruiu-o; Colónia, na Alemanha, conserva os seus despojos mortais; na Escócia ele nasceu". Não podemos descuidar estas informações, também porque temos muito poucas notícias sobre a vida de Duns Escoto. Ele nasceu provavelmente em 1266 numa aldeia que se chamava precisamente Duns, perto de Edimburgo. Atraído pelo carisma de São Francisco de Assis, entrou na Família dos Frades Menores, e em 1291 foi ordenado sacerdote. Dotado de uma inteligência brilhante e propensa à especulação – aquela inteligência pela qual a tradição lhe conferiu o título de Doctor subtilis, "Doutor subtil" – Duns Escoto foi orientado para os estudos de filosofia e de teologia nas célebres Universidades de Oxford e de Paris. Concluída com bom êxito a formação, empreendeu o ensino da teologia nas Universidades de Oxford e de Cambridge, e depois de Paris, começando a comentar, como todos os Mestres da época, as Sentenças de Pedro Lombardo. As obras principais de Duns Escoto representam precisamente o fruto maduro destas lições, e tomam o título dos lugares onde ele ensinou: Opus Oxoniense (Oxford), Reportatio Cambrigensis (Cambridge), Reportata Parisiensia (Paris). Afastou-se de Paris quando, tendo rebentado um grave conflito entre o rei Filipe iv o Belo e o Papa Bonifácio VIII Duns Escoto preferiu o exílio voluntário, para não assinar um documento hostil ao Sumo Pontífice, como o rei tinha imposto a todos os religiosos. Assim – por amor à Sé de Pedro – juntamente com os Frades franciscanos, abandonou o país.
Queridos irmãos e irmãs, este acontecimento convida-nos a recordar quantas vezes, na história da Igreja, os crentes encontraram hostilidades e até sofreram perseguições devido à sua fidelidade e devoção a Cristo, à Igreja e ao Papa. Todos nós olhamos com admiração para estes cristãos, que nos ensinam a guardar como um bem precioso a fé em Cristo e a comunhão com o Sucessor de Pedro e, assim, com a Igreja universal.
Contudo, as relações entre o rei da França e o sucessor de Bonifácio VIII depressa foram restabelecidas, e em 1305 Duns Escoto pôde regressar a Paris para ali ensinar teologia com o título de Magister regens, que hoje corresponderia a professor ordinário. Sucessivamente, os Superiores convidaram-no para Colónia como professor do Colégio teológico franciscano, mas ele faleceu a 8 de Novembro de 1308, com apenas 43 anos de idade, contudo deixando um número relevante de obras.
Devido à fama de santidade da qual gozava, o seu culto difundiu-se depressa na Ordem franciscana e o Venerável Papa João Paulo II quis proclamá-lo solenemente beato a 20 de Março de 1993, definindo-o "cantor do Verbo encarnado e defensor da Imaculada Conceição". Nesta expressão está sintetizada a grande contribuição que Duns Escoto ofereceu à história da teologia.
Antes de tudo, ele meditou sobre o Mistério da Encarnação e, ao contrário de muitos pensadores cristãos da época, afirmou que o Filho de Deus se teria feito homem mesmo se a humanidade não tivesse pecado. Ele afirma na "Reportata Parisiensia": "Pensar que Deus teria renunciado a esta obra se Adão não tivesse pecado seria totalmente irracional! Portanto, digo que a queda não foi a causa da predestinação de Cristo, e que – mesmo se ninguém tivesse pecado, nem o anjo nem o homem – nesta hipótese Cristo teria sido ainda predestinado do mesmo modo" (in III Sent., d. 7, 4). Este pensamento, talvez um pouco surpreendente, surge porque para Duns Escoto a Encarnação do Filho de Deus, projectada desde a eternidade por parte de Deus Pai no seu desígnio de amor, é cumprimento da criação, e torna possível que cada criatura, em Cristo e por meio dele, seja colmada de graça, e preste louvor e glória a Deus na eternidade. Duns Escoto, apesar de estar consciente de que, na realidade, por causa do pecado original, Cristo nos remiu com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, reafirma que a Encarnação é a obra maior e mais bela de toda a história da salvação, e que ela não está condicionada por qualquer facto contingente, mas é a ideia original de Deus para unir finalmente toda a criação consigo mesmo na pessoa e na carne do Filho.
Discípulo fiel de São Francisco, Duns Escoto gostava de contemplar e pregar o Mistério da Paixão salvífica de Cristo, expressão do amor imenso de Deus, o Qual transmite com grandíssima generosidade para fora de si os raios da sua bondade e do seu amor (cf. Tractatus de primo principio, c. 4). E este amor não se revela só no Calvário, mas também na Santíssima Eucaristia, da qual Duns Escoto era devotíssimo e que via como o Sacramento da presença real de Jesus e como o Sacramento da unidade e da comunhão que conduz a amar-nos uns aos outros e a amar Deus como o Sumo Bem (cf.Reportata Parisiensia, in IV Sent.,d.8,q.1, n. 3).
Queridos irmãos e irmãs, esta visão teológica, fortemente "cristocêntrica", predispõe-nos para a contemplação, admiração e gratidão: Cristo é o centro da história e da criação, é Aquele que dá sentido, dignidade e valor à nossa vida! Como o Papa Paulo VI em Manila, também eu hoje gostaria de bradar ao mundo: "[Cristo] é o revelador do Deus invisível, é o primogénito de cada criatura, é o fundamento de todas as coisas; Ele é o Mestre da humanidade, é o Redentor, Ele nasceu, morreu, ressuscitou para nós; Ele é o centro da história e do mundo; é Aquele que nos conhece e nos ama; é o companheiro e o amigo da nossa vida... Nunca terminaria de falar d'Ele" (Homilia, 29 de Novembro de 1970).
Não só o papel de Cristo na história da salvação, mas também o de Maria é objecto da reflexão do Doctor subtilis. Na época de Duns Escoto a maior parte dos teólogos fazia uma objecção, que parecia insuperável, à doutrina segundo a qual Maria Santíssima foi preservada do pecado original desde o primeiro momento da sua concepção: de facto, a universalidade da Redenção realizada por Cristo, à primeira vista, podia parecer comprometida por semelhante afirmação, como se Maria não tivesse precisado de Cristo e da sua redenção. Por isso os teólogos opunham-se a estes textos. Então, Duns Escoto, para fazer compreender esta preservação do pecado original, desenvolveu um tema que depois seria adoptado também pelo beato Papa Pio IX em 1854, quando definiu solenemnete o dogma da Imaculada Conceição de Maria. E este argumento é o da "Redenção preventiva", segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima da Redenção realizada por Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Por conseguinte Maria é totalmente remida por Cristo, mas já antes da concepção. Os Franciscanos, seus irmãos de hábito, aceitaram e difundiram com entusiasmo esta doutrina, e outros teólogos – muitas vezes com juramento solene – comprometeram-se a difundi-la e a aperfeiçoá-la.
A este propósito, gostaria de ressaltar outro aspecto, que me parece importante. Teólogos de valor, como Duns Escoto acerca da doutrina sobre a Imaculada Conceição, enriqueceram com a sua contribuição específica de pensamento aquilo em que o Povo de Deus já acreditava espontaneamente sobre a Bem-Aventurada Virgem, e manifestava nos actos de piedade, nas expressões da arte e, em geral, na vivência cristã. Assim a fé quer na Imaculada Conceição, quer na Assunção corporal da Virgem já estava presente no Povo de Deus, mas a teologia ainda não tinha encontrado a chave para a interpretar na totalidade da doutrina da fé. Por conseguinte, o Povo de Deus precede os teólogos e tudo isto graças àquele sensus fidei sobrenatural, ou seja, àquela capacidade infundida pelo Espírito Santo, que habita e abraça a realidade da fé, com a humildade do coração e da mente. Neste sentido, o Povo de Deus é "magistério que precede", e que depois deve ser aprofundado e intelectualmente acolhido pela teologia. Que os teólogos possam pôr-se sempre à escuta desta nascente da fé e preservar a humildade e simplicidade dos pequeninos! Já recordei isto há alguns meses, dizendo: "Existem grandes doutos, grandes especialistas, grandes teólogos, grandes mestres da fé, que nos ensinaram muitas coisas. Penetraram nos pormenores da Sagrada Escritura... mas não puderam ver o próprio mistério, o verdadeiro núcleo... O essencial permaneceu escondido! Em contrapartida, no nosso tempo existem também os pequeninos que conheceram este mistério. Pensemos em santa Bernadete Soubirous; em santa Teresa de Lisieux, com a sua nova leitura "não científica" da Bíblia, mas que entra no coração da Sagrada Escritura" (Homilia na Missa celebrada com os Membros da Pontifícia Comissão Teológica Internacional, 1/12/2009, ed. em português de L'Osservatore Romano de 5/12/2009, p. 9).
Por fim, Duns Escoto desenvolveu um aspecto ao qual a modernidade é muito sensível. Trata-se do tema da liberdade e da sua relação com a vontade e com o intelecto. O nosso autor ressalta a liberdade como qualidade fundamental da vontade, iniciando uma orientação de tendência voluntarista, que se desenvolveu em contraste com o chamado intelectualismo agostiniano e tomista. Para São Tomás de Aquino, que segue Santo Agostinho, a liberdade não pode considerar-se uma qualidade inata da vontade, mas o fruto da colaboração da vontade e do intelecto. Uma ideia da liberdade inata e absoluta colocada na vontade que precede o intelecto, quer em Deus quer no homem, de facto, corre o risco de levar à ideia de um Deus que não estaria relacionado nem sequer com a verdade e com o bem. O desejo de salvar a absoluta transcendência e diversidade de Deus com uma acentuação tão radical e impenetrável da sua vontade não tem em consideração que o Deus que se revelou em Cristo é o Deus "logos", que agiu e age cheio de amor por nós. Certamente, como afirma Duns Escoto na esteira da teologia franciscana, o amor supera o conhecimento e é capaz de compreender cada vez mais o pensamento, mas é sempre o amor do Deus "logos" (cf. Bento XVI, Discurso em Regensburg, Insegnamenti di Benedetto XVI, II [2006], p. 261). Também no homem a ideia de liberdade absoluta, colocada na vontade, esquecendo o nexo com a verdade, ignora que a mesma liberdade deve ser libertada dos limites que lhe provêm do pecado.
Falando aos seminaristas romanos no ano passado recordei que "a liberdade em todos os tempos foi o grande sonho da humanidade, desde o início, mas sobretudo na época moderna" (cf. Discurso ao Pontifício Seminário Maior Romano, 20 de Fevereiro de 2009). Contudo, precisamente a história moderna, além da nossa experiência quotidiana, ensina-nos que a liberdade só é autêntica, e só ajuda a construir uma civilização deveras humana, se estiver reconciliada com a verdade. Se estiver separada da verdade, a liberdade torna-se tragicamente princípio de destruição da harmonia interior da pessoa humana, fonte de prevaricação dos mais fortes e dos violentos, e causa de sofrimentos e de lutos. A liberdade, como todas as faculdades das quais o homem está dotado, cresce e aperfeiçoa-se, afirma Duns Escoto, quando o homem se abre a Deus, valorizando aquela disposição para a escuta da Sua voz, que ele chama potentia oboedientialis: quando nos pomos à escuta da Revelação divina, da Palavra de Deus, para a acolher, então somos alcançados por uma mensagem que enche de luz e de esperança a nossa vida e somos deveras livres.
Amados irmãos e irmãs, o beato Duns Escoto ensina-nos que na nossa vida o essencial é crer que Deus está próximo de nós e nos ama em Jesus Cristo, e portanto, cultivar um amor profundo a Ele e à sua Igreja. Deste amor nós somos as testemunhas nesta terra. Maria Santíssima nos ajude a receber este amor infinito de Deus do qual gozaremos de modo pleno eternamente no Céu, quando enfim a nossa alma estiver para sempre em Deus, na comunhão dos santos.
Saudação
Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, com votos de que sejais sobre esta terra testemunhas do Amor de Cristo, consolidando a fé que professais através da visita aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. Que Deus vos abençoe!
Extraído de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100707_po.html acesso em 15 jul. 2010.Ilustração: Le "Quaestiones" di Giovanni Scoto (manoscritto del sec. XIV-XV): iniziale decorata. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Duns-Scoto-manoscrito.jpg acesso em 15 jul. 2010.





