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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

QUAL É O NOSSO FUTURO, O QUE ESPERAMOS NA ETERNIDADE?











QUAL É O NOSSO FUTURO, O QUE ESPERAMOS NA ETERNIDADE?

Deus cumpre as suas promessas por meio de seu Filho

Deus estabeleceu não só um tempo para suas promessas, como também um tempo para a realização do que prometera. O tempo das promessas vai dos profetas a João Batista. A partir dele começa o tempo de cumprir-se o prometido.

Deus, que se fez nosso devedor, é fiel, nada recebendo de nós, mas nos prometendo tão grandes bens. Pareceu-lhe pouco a simples promessa e, por isso, quis ainda comprometer-se por escrito, como que firmando conosco um contrato. Desse modo, quando começasse a cumprir as coisas prometidas, veríamos em tal escritura a ordem com que seriam realizadas. O tempo das profecias era o do anúncio das promessas, como já dissemos várias vezes.

Prometeu-nos a salvação eterna, a vida bem-aventurada e sem fim em companhia dos anjos, a herança imperecível, a glória eterna, a doçura da visão de seu rosto, a sua morada santa nos céus e, pela ressurreição dos mortos, a exclusão total da morte. É esta, de certo modo, a sua promessa final, o objeto de toda nossa aspiração. Quando a tivermos alcançado, nada mais buscaremos, nada poderemos exigir. Não deixou também de revelar o caminho que nos havia de conduzir a esses últimos fins, mas o prometeu e anunciou.

Deus prometeu aos homens a divindade, aos mortais a imortalidade, aos pecadores a justificação, aos humilhados a glória. Contudo, meus irmãos, pareceria inacreditável aos homens que Deus prometesse tirá-los da sua condição mortal de corrupção, vergonha, fraqueza, pó e cinza, para torná-los semelhantes aos anjos. Por isso, não só firmou com eles um contrato que os levasse a crer, mas constituiu ainda como mediador e garantia, não um príncipe qualquer ou algum anjo ou arcanjo, mas seu Filho único. Desse modo, mostrou-nos e ofereceu-nos, por meio de seu próprio Filho, o caminho que nos levaria ao fim prometido.

Não bastou, porém, a Deus fazer seu Filho indicar o caminho; quis que ele mesmo fosse o caminho, a fim de te deixares conduzir por ele, caminhando sobre ele próprio. Para isso, o Filho único de Deus deveria vir ao encontro dos homens e assumir a natureza humana. Tornando-se homem, deveria morrer, ressuscitar, subir aos céus, sentar-se à direita do Pai e realizar entre os povos o que prometera. E, depois da realização de suas promessas entre os povos, cumprirá também a de voltar para pedir contas de seus dons, separando os que merecerão a sua ira ou sua misericórdia, tratando os ímpios como ameaçara e os justos como prometera.

Tudo isso devia ser profetizado, anunciado e recomendado, para que, ao suceder, não provocasse medo com uma vinda inesperada, mas ao contrário, sendo objeto da nossa fé, o fosse também por uma ardente esperança.

Paz e Bem!

Fonte: Dos comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo - (In Ps. 109,1-3: CCL 40,1601-1603) - (Séc. V).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A ética é mais determinante que as crenças

“Lendo com atenção o relato do Juízo Final (Mt 25, 31-46), descobre-se que o que importa, o que interessa, o que Deus levará em conta, no juízo último e definitivo da humanidade, não será a fé, nem a religiosidade, nem a piedade, mas apenas uma coisa: o comportamento que cada um teve para com os seus semelhantes, especialmente com os que mais desfavorecidos”.

A reflexão é do teólogo espanhol José María Castillo, em seu blog Teología sin Censura, 01-12-2011. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Lendo com atenção o relato do Juízo Final (Mt 25, 31-46), descobre-se que o que importa, o que interessa, o que Deus levará em conta, no juízo último e definitivo da humanidade, não será a fé, nem a religiosidade, nem a piedade, mas apenas uma coisa: o comportamento que cada um teve para com os seus semelhantes, especialmente com os que mais desfavorecidos. Ou seja, os que passam fome, os doentes, os necessitados, os estrangeiros, os presos. Os que agiram dessa maneira neste mundo serão os aprovados por Deus, sem aludir sequer ao fato de que se tinham ou não crenças religiosas, se eram pessoas piedosas e praticantes, e outras coisas semelhantes.

De acordo com os Evangelhos, Jesus deu a entender, com frequência, que é isto que lhe importava. Neste sentido, é eloquente o relato da cura do criado de um centurião romano (Mt 8, 5-13; Lc 7, 2-10; Jo 4, 43-54). Aquele militar, como todos os militares do Império, tinha que fazer um juramento de fidelidade ao Imperador, que era considerado como Deus (“ipse deus”). Portanto, aquele centurião não tinha as mesmas crenças que os israelitas. Não tinha as verdadeiras crenças, mas tinha uma conduta exemplar, ao se preocupar tanto por remediar o sofrimento de um criado. E por isso, Jesus disse: “Eu lhes garanto que em nenhum israelita encontrei tamanha fé” (Mt 8, 10; Lc 7, 9). Que fé tinha aquele militar pagão? Nós diríamos: “uma fé equivocada”. E, no entanto, na opinião de Jesus, por mais equivocado que se esteja na fé, se é boa pessoa de verdade, isso é mais determinante, diante de Deus, do que todas as crenças, por mais ortodoxas que sejam. E, caso contrário, como se explica que na parábola do bom samaritano (Lc 10, 30-37), precisamente o modelo que Jesus coloca é o do herege samaritano, em contraste com o sacerdote e o levita, que eram os modelos da ortodoxia observante?

Não estou me exasperando. As “crenças religiosas” dividem as pessoas e opõem os crentes. Por causa das crenças se perseguiu, se torturou, se fez guerras, se matou os infiéis e agora se ofende e se insulta aqueles que não concordam com as crenças que eu tenho. Ou seja, por causa das crenças se despedaça a ética e se despreza os pecadores. E, em definitiva, as crenças são, com frequência, o argumento que justifica e legitima a violência. Pelo contrário, a retidão ética e a bondade com misericórdia, é isso que une, que rompe os fanatismos e acaba com os integrismos fundamentalistas, que tanto mal nos fazem e tanto sofrimento geram.

Termino com uma pergunta importante neste momento: é possível garantir que os povos mais crentes e observantes são exatamente os povos em que há menos corrupção, mais honradez no trabalho, mais honestidade na hora de fazer a declaração do imposto de renda, mais generosidade nos patrões e mais laboriosidade nos trabalhadores? Que cada qual veja, em sua consciência, que resposta damos a esta pergunta inquietante e incômoda.

sábado, 3 de dezembro de 2011

"PORQUE A RAIZ DE TODOS OS MALES É O AMOR AO DINHEIRO" (1Tim 6,10)
















“PORQUE A RAIZ DE TODOS OS MALES É O AMOR AO DINHEIRO” (1Tim 6,10)
  
Temos a vida é verdade, mas o ter provisório traz sempre certo incômodo, visto que, esse ter gera insegurança devido à fragilidade humana e das coisas nas quais nos apoiamos. Desse modo, as preocupações exageradas, o medo de perder e outros fatores, levam os homens a querer encontrar no acúmulo uma forma de segurança, por isso, o ter mais gera, na visão humana, uma certa instabilidade cômoda ou quem sabe, uma tranquilidade natural.

Mas, não é isso o que as doenças psicossomáticas revelam, pois elas são o resultado das preocupações e fobias que assolam os seres humanos em seu dia a dia: síndrome do pânico, insônia, depressão; “doenças respiratórias, de pele, circulatórias e gastrointestinais causadas ou agravadas pela tensão nervosa”, devido à insegurança no que diz respeito ao presente ou futuro que projetamos, mas que não são correspondidos; ou ainda devido ao medo advindo da violência que assola nossa sociedade por causa da desigualdade econômica ou do individualismo egoísta que mata mais que tudo.

Infelizmente, o ativismo exacerbado tem levado, mesmo aqueles que creem, à um viver indiferente e à incompreensão com relação ao plano de Deus para a nossa salvação; isto porque, a preocupação com as coisas passageiras ou com a própria “segurança” tem gerado pessoas frias e calculistas em suas relações humanas e até com Deus; é como se o outro fosso mais um inimigo a ser enfrentado ou um fardo pesado difícil de carregar; ou seja, é a política de cada um que se vire.

Bem diferente é a postura de quem confia e vive sob o amparo da divina providência: esse “é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera.” (Sl 1,3). Porque vive cumprindo em tudo a vontade de Deus e não o tira nunca de seus pensamentos e ações; assim, tornam-se expressão de sua presença no mundo, porque se deixam conduzir pelo Espírito Santo, seguindo os passos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É como o Senhor nos ensinou: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?” (Lc 9,23-25).

Portanto: “Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.   Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6,31-34).

E ainda: “Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, porém quando acompanhada de espírito de desprendimento. Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto. Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições. Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e procura com todo empenho a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado.” (1Tim 6,6-12b).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.



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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

Reflexão XV


Reflexão XV

Quase todas as ações das pessoas nascem de princípio viciado, daquela tríplice concupiscência de que fala São João, e contra qual a vida cristã está em constante combate. O demasiado amor próprio, tão difícil de vencer inteiramente, corrompe normalmente as mesmas obras que mais puras parecem.
Quantos trabalhos, quantas esmolas, quantas penitências, em que as pessoas põem grande confiança, serão talvez sem valor para o céu! Deus não se dá senão aos que amam, Ele é o prêmio da caridade, do amor inefável, do amor sem limites e sem medida, e isso permanece eternamente, diz São Paulo, enquanto tudo o mais passa.
“Ó amor divino, que só fazeis os Santos, Amor que sois Deus”, penetrai, possuí, transformai em vós todas as potências de minha alma, sede minha vida, minha única vida, agora e sempre nos séculos dos séculos. Assim seja!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Da privação de toda consolação


Da privação de toda consolação

         Não é dificultoso desprezar as consolações humanas, quando gozamos das divinas. Grande coisa, porém, e de muito mérito, é poder estar sem nenhuma consolação, tanto divina como humana, sofrendo pacientemente o desamparo total do coração, sem em nada buscar-se a si mesmo, nem atender ao nosso próprio merecimento.

        Que maravilha será estar alegre e devoto, quando nos assiste a graça! Todos nós desejamos esta hora. É muito suave andar, levado pela graça de Deus. E que maravilha não sentir o peso da vida aquele que é sustentado pelo Onipotente e acompanhado do guia supremo!

         Gostamos de ter qualquer consolação, e é penoso para o ser humano despojar-se de si mesmo. O glorioso mártir São Lourenço venceu o mundo em união com seu pai espiritual, porque desprezou todos os atrativos do século e sofreu com paciência, por amor de Cristo, que o separassem do Supremo Pontífice São Xisto a quem ele muito amava! Assim, com o amor de Deus, ele subjugou o amor da criatura, e ao alívio humano preferiu o beneplácito divino. Daí devemos aprender a deixar, às vezes, por amor de Deus, um parente ou amigo querido. Nem tanto nos afligir se abandonar-nos algum amigo, sabendo que todos, finalmente, nos havemos de separar uns dos outros.

         Só com duro e longo combate interior aprende o ser humano a dominar-se plenamente e pôr em Deus todo o seu afeto. Quando o ser humano confia em si, facilmente desliza nas consolações humanas. Mas o verdadeiro amigo de Cristo e fervoroso imitador de suas virtudes não se inclina às consolações nem busca tais doçuras sensíveis; antes, procura exercícios austeros e sofre por Cristo trabalhos penosos.

         Quando, pois, Deus nos mandar consolação espiritual, devemos receber com ações de graças, mas lembrar-nos sempre que é favores de Deus, e não merecimento nosso. Com isto, porém, não nos desvaneceremos, nem nos entregaremos a excessiva alegria ou a vã presunção; seremos antes mais humilde pelo dom recebido, mais prudente e timorato em nossas ações, pois passará aquela hora e voltará a tentação. Quando nos for tirada a consolação, não desesperaremos logo, aguardaremos, pelo contrário, com humildade e paciência, a visita celestial; pois Deus é bastante poderoso para restituir-nos maior graça e consolação. Isto não é novo nem estranho aos que são experientes nos caminhos de Deus; porque nos grandes santos e antigos profetas houve muitas vezes esta mudança.

         Por isso um deles, sentindo a presença da graça, exclamava: Eu disse em minha abundância: não serei jamais abalado  (Sl 29,7). Sentindo, porém, retirar-se a graça, acrescenta: Desviastes de mim, Senhor, o vosso rosto, e fiquei perturbado (v.8). Entretanto não desespera, mas com mais instância roga ao Senhor, e diz: A vós, Senhor, clamarei, e ao meu Deus rogarei (v.9). Alcança, afinal, o fruto de sua oração e atesta ter sido atendido, dizendo: Ouviu-me o Senhor, e compadeceu-se de mim, o Senhor se fez meu protetor (v.11). Mas em quê? Convertestes, diz ele, meu pranto em gozo, e me cercastes de alegria (v.12). Se isto sucedeu aos grandes santos, não devemos desesperar nós mesmos, fracos e pobres, por nos sentirmos umas vezes com fervor, outras vezes com frieza porque vai e vem o espírito de Deus, segundo lhe apraz. Por isso diz o santo Jó: Senhor, visitais o homem na madrugada, e logo o provais (7,18).

         Em que podemos, pois, esperar ou em que devemos confiar, senão na grande misericórdia de Deus e na esperança da graça celestial? Porque, mesmo que nos assistam pessoas justas, irmãos devotos e amigos fiéis, ou livros santos e formosos tratados, ou cânticos e hinos suaves, tudo isso de pouco nos serve e pouco nos agrada, quando estamos desamparado da graça e entregue à nossa própria pobreza. Não há então melhor remédio que Deus.

         Nunca encontrei homem tão religioso e devoto, que não sofresse, às vezes, a retirada da graça e não sentisse o esfriamento do fervor. Nenhum santo foi tão altamente arrebatado e esclarecido que, antes ou depois, não fosse tentado. Porque não é digno da alta contemplação de Deus quem por Deus não sofreu alguma tribulação. Costuma vir primeiro a tentação, como sinal precursor da próxima consolação; porque aos provados pela tentação é prometido o celeste consolo. A quem tiver vencido, diz o Senhor, darei a comer o fruto da árvore da vida (Apc 2,7).

         Dá Deus a consolação, para fortalecer a pessoa contra as adversidades. Segue-se então a tentação, para que não se desvaneça a felicidade. O demônio não dorme, nem a carne está morta; por isso, não cessaremos nunca de preparar-mos para a luta, porque à direita e à esquerda estão nossos inimigos que nunca nos dá descanso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

COMO VIRÁ O REINO DE DEUS?

















COMO VIRÁ O REINO DE DEUS?

O Reino de Deus, conforme as palavras de nosso Senhor e Salvador, não vem visivelmente, nem se dirá: Ei-lo aqui ou ei-lo ali; mas o reino de Deus está dentro de nós (cf. Lc 16,21), pois a palavra está muito próxima de nossa boca e em nosso coração (cf. Rm 10,8). Donde se segue, sem dúvida nenhuma, que quem reza pedindo a vinda do reino de Deus pede - justamente por ter em si um início deste reino - que ele desponte, dê frutos e chegue à perfeição.

Pois Deus reina em todo o santo e quem é santo obedece às leis espirituais de Deus, que nele habita como em cidade bem administrada. Nele está presente o Pai e, junto com o Pai reina Cristo na pessoa perfeita, segundo as palavras: Viremos a ele e nele faremos nossa morada. (Jo 14,23).

Então o reino de Deus, que já está em nós, chegará por nosso contínuo adiantamento à plenitude, quando se completar o que foi dito pelo Apóstolo: sujeitados todos os inimigos, Cristo entregará o reino a Deus e Pai, a fim de que Deus seja tudo em todos. (cf. 1 Cor 15,24.28). Por isto, rezemos sem cessar, com aquele amor que pelo Verbo se faz divino; e digamos a nosso Pai que está nos Céus: Santificado seja teu nome, venha o teu reino (Mt 6,9-10).

É de se notar também a respeito do reino de Deus: da mesma forma que não há participação da justiça com a iniquidade nem sociedade da luz com as trevas nem pacto de Cristo com Belial. (cf. 2 Cor 6,14-15), assim o reino de Deus não pode subsistir junto com o reino do pecado.

Por conseguinte, se queremos que Deus reine em nós, de modo algum reine o pecado em nosso corpo mortal (Cf. Rm 6,12), mas mortificaremos nossos membros que estão na terra (cf. C1 3,5) e produzamos frutos no Espírito. Passeie, então, Deus em nós como em paraíso espiritual, e reine só ele, junto com seu Cristo; e que em nós se assente à destra de sua virtude espiritual, objeto de nosso desejo. Assente-se até que seus inimigos todos que existem em nós sejam reduzidos a escabelo de seus pés (S1 98,5), lançados fora todo principado, potestade e virtude.

Tudo isto pode acontecer a cada um de nós e ser destruída a última inimiga, a morte (1 Cor 15,26). E Cristo diga também dentro de nós: Onde está, ó morte, teu aguilhão? Onde está, inferno, tua vitória? (1 Cor 15,55;cf. Os 13,14). Já agora, portanto, o corruptível em nós se revista de santidade e de incorruptibilidade, destruída a morte, vista a imortalidade paterna (cf. 1 Cor 15,54), para que, reinando Deus, vivamos dos bens do novo nascimento e da ressurreição.

Paz e Bem!

Fonte: Do Opúsculo sobre a oração, de Orígenes, presbítero - (Cap. 25: PG 11, 495-499)  (Séc. III).

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