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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

EXISTE UMA NECESSIDADE PERMANENTE EM MIM...

 

Dessa vida só levamos os valores eternos que são as virtudes do Espírito Santo, presentes em nossas almas...Paz e Bem!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A OBRA ANTONIANA (3ª Parte)


Seu modo de escrever os Sermões nada tem a ver com os escritos deixados pelo fundador da Ordem dos Frades Menores e nem com os relatos deixados por aqueles que acompanharam o nascer do ideal de vida franciscano. Quem buscar ali a ingênua expressão franciscana das origens ficaria desiludido e irritado. Contudo, a natureza franciscana está presente, traduzida em termos bíblico-patrísticos, em um latim matizado e refinado, em uma expressão lacônica, passional e de muita imaginação.[1]
Palpita dentro dos Sermões uma grande paixão pela penitência, quer dizer, a conversão, para a existência evangélica, de uma vida vã e maléfica. Descobrimos a predileção pelos humildes, os pobres, os simples, os marginais, pela salvação daqueles a que o frade português se entregou completamente. Está presente o ardor pela incessante e radical reforma da Igreja e de seus pastores, expressada em uma linguagem veemente, indignado, às vezes candente, outras desolado. Dentro da obra encontra-se também um sentimento de ternura a Jesus menino e crucificado. No artigo Cristocentrismo no pensamento Antoniano o historiador português João Mário Soalheiro Costa[2] afirma que “Cristo afigura-se, com efeito, como horizonte de compreensão e chave hermenêutica do discurso antoniano. Certamente que não é a única perspectiva de análise, mas é indelevelmente a que marca a inteligibilidade dos Sermões.”
Observamos ali o desejo da perfeição cristã, da separação das velhas e falsas realidades terrenas, do amor pela Virgem da pobreza, a nostalgia pelo céu. A forma resulta então em ampla divida da tradição cultural da Igreja, enquanto os conteúdos estão vitalmente impregnados de sensibilidade franciscana, aquela primavera espiritual da qual Antônio foi um dos maiores protagonistas.
Porém ao nos debruçarmos nos relatos sobre o movimento franciscano do primeiro século e ao lermos os Sermões podemos observar que graças à difusão dos estudos sagrados, implementou-se uma profunda transformação nos menores, com conseqüências imprevisíveis e também revolucionárias para a completa fraternidade e para o ideal originário do movimento seráfico.[3] De uma corrente espontânea caracterizada por uma absoluta sensibilidade e pobreza, os menores se converteram, com o passar dos anos, mantendo a preocupação de não renegar as pegadas primitivas impressas por Francisco, numa corporação de doutos, uma expressão entre as mais importantes da “inteligência” do medievo ocidental. Nesta transformação, através de nossa análise podemos constatar que, Antônio foi o pioneiro, contribuindo com toda a riqueza da sua formação monástica agostiniana e com a preocupação na preparação intelectual dos membros do que mais tarde ficará conhecido pelos teóricos como “Escola Franciscana.”


[1] CAEIRO, F. da Gama. Santo Antônio de Lisboa. Introdução a Obra Antoniana, Lisboa: Casa da Moeda, 1968.
[2] COSTA, João Mário Soalheiro. Cristocentrismo no pensamento antoniano. In:___. Congresso Internacional Pensamento e Testemunho: 8º Centenário do Nascimento de Santo Antônio. Atas... Braga: Universidade Católica Portuguesa, 1996.


[3] http/www.mwnsageirosdesantoantonio.com.it.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A QUEM ESTÃO SERVINDO AS REDES DE TELEVISÃO DESTE PAÍS?


A QUEM ESTÃO SERVINDO AS REDES DE TELEVISÃO DESTE PAÍS?


Ultimamente temos constatado que toda espécie de lixo do inferno tem sido despejado nos lares brasileiros e até do mundo, pelas redes de televisão abertas e privadas brasileiras. Nada mais asqueroso do que o suprassumo infernal que advém das novelas e programas da televisão brasileira. De fato, elas têm sido porta vozes do inferno há muito tempo, só não vê quem se deixou prender por seus conteúdos satânicos. Antigamente suas ações eram de cunho sublimares, veladas, sorrateiras, de tal modo que só as pessoas com discernimento apurado, liam nas entrelinhas de suas mensagens sublimares o veneno satânico nelas contido; mas, nos últimos tempos, o mal vem mostrando sua farsa nitidamente como que, querendo dizer que já está no comando das mentes a ele subjugadas, especialmente dos executivos e diretores das redes de comunicação em massa e de suas programações. Por exemplo: ontem (27/10/2013), o Fantástico da Rede Globo, fez uma chacota tão vergonhosa da última ceia de Cristo, algo tão baixo e doloso contra a fé cristã, que deixa pasmo até os demônios do inferno. Ou ainda, o personagem gay de uma de suas novelas atuais, cujos bordões são extremamente nocivos à fé cristã, tais como: “Será que eu soltei rojão no Sermão da Montanha?”... ”Já tenho outros motivos pra acreditar que lavei minhas cuecas na manjedoura”... ”Será que eu fiz um skate com a tábua dos dez mandamentos pra sofrer tanto assim?”... ”Será que eu salguei a santa ceia para você me achar com cara de idiota?” Ou seja, são provocações contra a fé em horário nobre do império da globalização, são sátiras perversas com intuitos nitidamente blasfematórios...

Podem me acusar do que quiserem, mas a verdade precisa ser dita para que tomemos consciência e não nos deixemos dominar pelo o mal que está arrebanhando milhares e milhões de pessoas para as suas pretensões diabólicas, a saber: a destruição da fé católica, a deturpação e banalização do cristianismo, a destruição da fé em Deus, a destruição da família como célula mãe da sociedade, para assim trazer o desequilíbrio social e a perca do sentido da vida. Para isso, os porta-vozes televisivos das trevas, defendem as seguintes bandeiras: a legalização do aborto e das drogas ilícitas; as experiências com células tronca de embriões; a banalização dos relacionamentos; a ditadura do homossexualismo; a negação do pecado e do demônio, ou seja, querem negar que o pecado e o demônio existem. Os roteiros usados para estas maléficas intenções são: promoção do liberalismo sexual; promoção da reencarnação e das religiões espiritualistas; uso de personagens gays e lésbicas como protagonistas para que se implante a ditadura homossexual; banalização dos símbolos religiosos, especialmente os ligados à Igreja Católica; e outros tantos temas polêmicos com o fim de desviar as mentes da fé em Deus e em Jesus Cristo, Salvador da humanidade.

Atenção: vejam a vida de quem está por trás dos textos e roteiros das telenovelas, talks shows, reality shows tipo BBB, a Fazenda, etc. Com quem e com que eles têm ligação; vejam também a vida de seus protagonistas, atores, atrizes, diretores, etc. Há neles algum exemplo de vida a ser seguido? E os programas de auditório? Quanta bobagem e perversão nas tardes e noites de sábados e domingos, quanta perca de tempo. E os humorísticos? Os mais terríveis venenos do inferno. Com esse bombardeio infernal, vemos a fé de muitos arrefecer; e poucos são os que vão às igrejas para rezar. Porém, muitos só pensam nesse tipo de diversão e por isso, não têm tempo para viver a fé e muito menos a religiosidade como deve ser vivida; e assim, temos uma sociedade extremamente violenta, dissipada pelas drogas, pela corrupção, pelo tráfego de armas e de gente; e por toda espécie de perversão sexual e desvios comportamentais em todas as esferas de nossa sociedade.

Existe um texto de São Paulo que identifica o momento atual que estamos atravessando, pois vivemos a última batalha espiritual da humanidade, e não nos surpreende constatar a ferocidade do inimigo de Deus e de nossas almas, visto ser este o fim de suas maquinações e aparente reinado: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!” (1Tm 1,1-5).

E ainda: “Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando estava ainda convosco? Agora, sabeis perfeitamente que algo o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo. Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor da sua vinda”.

A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal”. (2Tss 2,3-12).

Quanto ao mais, preparemo-nos para a perseguição, pois, “O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa! Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber. O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados. Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena”.

Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós. Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus”. (Mt 10,24-33).

Por fim, escutemos ainda mais o Senhor: “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes”. (Mt 24,42-44).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

VIVENDO DA PROVIDÊNCIA DIVINA...



VIVENDO DA PROVIDÊNCIA DIVINA...


Caríssimos, aprendi que nada tenho, pois tudo o que sou e tenho só a Deus pertence. Nasci sem nada, dependente de tudo, e quanto tempo ainda aqui estiver, continuarei dependendo de tudo, a começar dos bens naturais, ar, água, comida, sono... E quando partir daqui também nada levarei deste mundo, a não ser os bens eternos que aqui cultivei: amor, caridade, bondade, justiça, fidelidade, misericórdia, castidade, paz, alegria, etc., como bem ensinou nosso Senhor, Jesus Cristo: Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros nos céus (...); pois onde está  o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6,19-20a.21).

Então, como é que o Senhor revela sua Providência em nossa vida? Todo Pai amoroso, atencioso e bondoso cuida de sua prole com desvelo. Deus, nosso Pai, é amor infinito e nos ama perfeitamente, por isso, nos dedica plena atenção e carinho; é Ele o nosso Supremo Bem e o Perfeito realizador de nossa vida... Ocorre que raramente deixamos que Ele exerça sua providência para conosco; isto se dá porque, no mais das vezes, deixamos que os apegos, os medos, as inquietações e as preocupações exageradas ocupem nossos pensamentos e nossas ações, arrefecendo nossa fé Nele; ou ainda, quando pomos nossa confiança nos bens materiais, no poder temporal, no dinheiro, e com isto nos tornamos egoístas, avarentos, corruptos, incrédulos, e por consequência, inimigos de nós mesmos e do Senhor. “E disse, então, Jesus ao povo: guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas”. (Lc 12,15).

Ora, a providência divina nunca falha, sobretudo com aqueles que buscam em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça; porque esses não põem os interesses pessoais acima da vontade de Deus, mas procuram seguir a Cristo Jesus, pobre e obediente até a morte e morte de cruz. Nessas almas a providência divina se revela pela obediência à lei do trabalho: “ganharás o teu pão com o suor do teu rosto”, e ainda por uma vida de renúncia, generosidade e busca de santidade. Como nos ensina o salmista: “Fui jovem e já sou velho, mas jamais vi o justo abandonado, nem seus filhos a mendigar o pão. Todos os dias empresta misericordiosamente, e abençoada é a sua posteridade”. (Sl 36,25-26).

Com efeito, o nosso seráfico pai São Francisco de Assis, por sua vida de renúncia e por seu amor à pobreza, nos ensinou como viver da Providência Divina: “Quando os irmãos lhe perguntaram um dia qual era a virtude que nos torna mais amigos de Cristo ele respondeu abrindo-lhes, por assim dizer, o segredo do seu coração: “Sabei, irmãos, que a pobreza espiritual é o caminho privilegiado para a Salvação (cf. Mt 5,5), visto que é a seiva da humildade e a raiz da perfeição; os seus frutos são incontáveis, embora escondidos. Ela é esse «tesouro escondido num campo», do qual nos fala o Evangelho, pelo qual é necessário vender tudo o resto e cujo valor deve impelir-nos a desprezar todas as outras coisas”.  E ainda: Filhos meus, grandes coisas prometemos a Deus: mas muito maiores Deus nos prometeu. Observemos o que prometemos; e esperemos com certeza as que nos foram prometidas. Breve é o deleite do mundo, mas a pena que se lhe segue é perpétua. Pequeno é o sofrimento desta vida, mas a glória da outra vida é infinita”. (I Fioretti de S. Francisco).

Também Santa Teresa de Jesus, certa feita, disse:

Nada te perturbe, nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento, ao céu sobe,
Por nada te angusties, nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, com grande entrega,
E, venha o que vier, nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável, tudo passa.

Deseje às coisas celestes, que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-o como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem, mesmo que passe por momentos difíceis;
Sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta.
Só Deus basta...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A OBRA ANTONIANA (2ª Parte)


Santo Antônio prega aos peixes, mais sensíveis que os heréticos, escola de Girolamo Tessari, 1518

                      Santo Antônio prega aos peixes, mais sensíveis que os heréticos. 
                                         Escola de Girolamo Tessari, 1518

Esta obra tem como alicerce, assim como praticamente toda a produção de Antônio, a Bíblia que, para ele, era a produtora da “verdadeira ciência”, que é comentada nos sermões tendo como ferramenta principal os escritos dos Santos Padres. Além de ser a base para a construção do discurso de Antônio, as Sagradas Escrituras foram a fonte de inspiração do teólogo para a criação de alegorias que elucidaram a necessidade da prática das virtudes que se constituíam, para ele, de suma importância para o fortalecimento da Igreja e da salvação.
Com a incidência e a maneira que o frade utiliza as passagens bíblicas, ao vermos a estrutura dos Sermões concordamos com Zavalloni,[1] quando afirma que a linguagem acentuadamente bíblica de Antônio, obedecia a recomendação de Francisco da necessidade de manter-se vivo nos discípulos o espírito de oração e de devoção.
O sermão, nos tempos de Antônio, é um gênero literário bastante usado. Inclui-se neste gênero o castigatio clericorum que reflete as severas proibições dirigidas ao clero, e que são muito freqüentes na obra de Antônio. No sermão escrito, a castigatio tinha como fim pastoral tanto a formação do clero, para que os estudantes escapassem dos vícios, como à correção dos clérigos em idade madura, já que os Sermões, ao ser material de estudo, podiam passar pelas mãos de qualquer categoria de clérigos, desde os de funções mais humildes até os de grande responsabilidade, ou seja, os prelados.[2]
Dentro do aspecto literário dos Sermões, temos ainda as exposições doutrinais, o modo de se expressar de Antônio, os comentários escriturais, as anedotas, as orações conclusivas, o discurso direto com o leitor, as fórmulas introdutórias e a língua latina.[3]
O próprio frade demonstra ser um grande conhecedor do aspecto literário do Sermão, quando desaprova a conduta dos melindrosos, que mesmo lendo muito, jamais chegam à verdadeira ciência. Antônio diz que: “retira de um livro o que lhe faz falta e coloca-o na colméia de tua memória”[4].
Em seus Sermões Antônio fala da fé e dos bons costumes. O frade ensina a pastoral aos pregadores: como devem ensinar aos fiéis a doutrina do evangelho, como devem administrar os sacramentos, sobre tudo a penitência e a eucaristia. Ao fazer isto, recorre a ordem, a persuasão, ao ensinamento e também a uma forte repreensão. Com freqüência uniu o ensino a repreensão. Primeiro ensina quais devem ser os costumes dos sacerdotes e dos prelados, por tanto expõe quais são estes na realidade e depois questiona àqueles que mesmo conhecedores dos erros cometidos continuam a praticar tais mazelas. Desta forma, sempre depois da exposição dos deveres, segue a desaprovação dos vícios. Não podemos precisar se Antônio se referia a fatos ou a pessoas isoladas, porém, o que podemos constatar é que suas palavras são severas e precisas.
Em muitas oportunidades, Antônio se dirige diretamente aos leitores e ouvintes, tentando persuadi-los, uma vez que esta obra é oferecida aos pregadores. Um bom exemplo está no primeiro Sermão do segundo Domingo da Quaresma, em sua segunda parte do número cinco “Aqui a escada está posta. Então, por que não sobem? Por que continuam?...”.
Com certa freqüência Antônio trata de assuntos relacionados à sociedade civil e à eclesiástica. Na sociedade civil existe uma distinção veemente das diferentes classes de pessoas: estão o imperador, o rei, os militares, os burgueses ou cidadãos; estão os maiores e os menores, os ricos poderosos e os pobres; estão os mercadores, legistas ou decretistas.
Santo Antônio, Ambrose Benson, catedral de Segovia

Na Igreja aparecem os prelados e seus súditos, ou seja, os bispos e seus fiéis; os justos, ou seja, os fiéis praticantes, os hereges e os cismáticos; os falsos cristãos e os simoníacos. Junto aos fiéis se encontram depois os sarracenos e os judeus. Os fiéis eram segundo sua forma de vida: eremitas, monásticos, penitentes; ou: clérigos, religiosos e seculares. Os fiéis, enquanto penitentes, ou seja, seculares e em razão da vida que praticavam eram: contemplativos, pregadores ou de vida ativa.
O franciscano formula juízos sobre estas duas sociedades, a civil e a eclesiástica, porém sempre em relação com os costumes, e seu juízo sobre a situação do seu tempo é de severa condenação: “os costumes são depravados!,”[5] tanto entre os maiores como entre os menores, na sociedade civil, tanto entre os clérigos como entre os laicos, na Igreja; tanto entre os clérigos como entre os religiosos, em suma em toda a sociedade eclesiástica.




[1] ZAVALLONI, Roberto. Op. cit.
[2] MARQUES, Bernardino Fernando da Costa. O Prólogo aos Sermões Dominicais de Santo Antônio de Lisboa. In: AAVV. Congresso Internacional Pensamento e testemunho. Atas.... Braga: UCP/FFP, 1996. P. 477-484
[3] Idem.
[4] MACEDO, Jorge Borges de. Os Sermões de Santo Antônio. Porto: Lello & Irmão, 1983.
[5]  Idem.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O QUE É O INFERNO? O INFERNO EXISTE?



O QUE É O INFERNO? O INFERNO EXISTE?

Para responder a estas perguntas temos que perguntar antes, o que é o pecado?  Quais as suas consequências para aqueles que se deixam dominar por ele? (cf. Jo 8,34; Rm 6,23a). Em verdade, o pecado é a total rejeição ao amor de Deus, ele surge da livre e soberana decisão do ser humano (cf. Tg 1,12-16). Por isso, o seu resultado é a morte e a perdição eterna (cf. Ap 22,8). Mas, para entender isto, façamos a seguinte meditação: Deus tudo criou como expressão de Seu amor. Por isso, tudo nos revela esse seu infinito amor. Desse modo, só pode ser feliz quem ama de verdade, porque o amor é o fundamento que gera a vida e a mantém. Não podemos simplesmente conceituar o amor pondo-o numa redoma de palavras, porque o amor não é um simples conceito ou apenas um sentimento, mais do que isto, o amor é um atributo divino que nos leva à perfeição eterna. Ele é profunda afeição do Espírito Santo em nossas almas, e santifica todo o nosso ser. Em suma, o amor é a essência da vida e da salvação. Nenhum ser humano pode dizer que ama seu semelhante ou as demais criaturas se não ama a Deus acima de todas as coisas, porque Deus é amor e o único autor e Senhor de toda a criação. Logo, não amar a Deus e não amar seus filhos e filhas e suas criaturas; resulta no desligamento Dele, tendo como consequência a autodestruição, porque tudo o que não permanece em Deus, se destrói por si mesmo.

Ora, jamais pensaria ou falaria no inferno se ele não estivesse já presente aqui neste mundo. Pois, muitos o cultivam por seus pecados, por isso, o experimentam por meio de todo tipo de malícia, perversão, violência, dependência química, opressão, depressão e outras doenças psicossomáticas que têm causado tantos danos e a morte de incontáveis pessoas. Com efeito, assim nos alertou São Paulo: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade” (2Tm 3,1-5a). E ainda: “São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem”. (Rom 1,31-32).

De fato, analisando atentamente esse nosso mundo, constatamos que existem dois tipos de infernos, o temporal e o escatológico; um resulta no outro, e os dois se entrelaçam. O primeiro se revela pelo sofrimento advindo dos pecados cometidos; o segundo é a extensão eterna do primeiro. Pois o tempo está para eternidade; assim como o corpo está para a alma. Ora, toda causa gera um efeito; se a causa é boa, o efeito também é; se a causa é má, o efeito é igualmente mau. É claro, vivemos no tempo, mas se só existisse o tempo, diríamos que tudo é temporal e se resume somente ao que vivemos no tempo, e com o tempo tudo se acaba. Mas não é isto que experimentamos em nossas almas, visto que elas são atemporais e imateriais. Pois, uma vez ocorrida a morte natural, do corpo só resta o pó para o pó de onde veio; todavia, o que é atemporal e imaterial não se torna pó; mas, porque eterna permanece o que é, como nos ensina o Senhor em Sua Palavra (cf. Gn 1, 26-27; 3,19; Mt 10,28). Assim podemos afirmar: o que vivemos no tempo, para a eternidade é que vivemos, pois tudo o que pensamos, falamos e fazemos ficam gravados em nossas almas (cf. Sb 1); e como um filme, no dia eterno, tudo passará diante de nós e de nosso Criador no juízo pessoal e final (cf. Hb 9,27; Mt 25,31-46).

Com efeito, a evangelização não consiste na pregação sobre o inferno ou sobre a condenação a ele; mas sim no anúncio da salvação realizada por Jesus Cristo, o Filho de Deus (cf. Mt 28,19-20; Rm 8,1-4). É como o Senhor mesmo disse: "Há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." (Lc 15,7). Todavia, não podemos nos esquivar desse assunto doloroso, mas sim alertar os homens para que não caiam na terrível condição eterna em que são precipitadas as almas condenadas (cf. Jo 3,16-21; Lc 16,19-31). Pois o inferno é uma realidade que infelizmente já se faz presente neste mundo. E todos aqueles que o cultivam por suas maldades já o experimentam interiormente aqui mesmo, porém, não sem a chance de se arrependerem. (cf. 1Cor 6,9-12; Mc 1,15;3,17).

Por fim, deixo este relato de São João, que nos faz exultar de alegria, mas ao mesmo tempo nos faz tremer e temer por causa dos acontecimentos que virão:

Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filhoOs tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte”. (Ap 21,1-8).

Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro. Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim”. (Ap 22,7.10-13).

Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!” (Ap 22,14-15).

Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã. Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus esteja com todos”. (Ap 22,16.20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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