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terça-feira, 17 de janeiro de 2017


OS PECADOS CAPITAIS E SUAS CONSEQUÊNCIAS...

Quando buscamos compreender qual seja o significado do conceito de pecado, não estamos tratando de uma mera questão subjetiva ou de uma simples discussão sobre conceitos, mas sim, de um caso de vida ou morte, pois é isto que implica as consequências da prática ou não deste conceito em nossa vida. Aliás, constatamos isto pela dicotomia que vemos no seio de nossa sociedade; é como escreveu São Paulo na Carta aos Romanos: “Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6,23).

O pecado é, sem dúvida, um dos grandes dilemas da humanidade, é uma espécie de enigma intrínseco capaz de causar grandes tragédias, gerando seres profundamente infernais. Onde ele se faz presente com a anuência (consentimento) da humana criatura, perdemos toda ternura, todo sentido de vida e começamos pouco a pouco a definhar rumo ao caos; isto se dá porque quando pecamos, o demônio, inimigo número um de nossas almas, “mina” todas as nossas iniciativas para Deus, fazendo-nos ter uma visão controversa da obra do Senhor e de nosso papel na criação.

Daí vem o alto grau de periculosidade comportamental que infecta nossa sociedade, pretensamente moderna, como uma doença quase incurável ou altamente contagiosa, que por onde passa, deixa o seu rastro de destruição e de morte. Infelizmente a humanidade ainda não despertou para a ruína final que está para se abater sobre nós, pois continua sua corrida extremamente maliciosa, traiçoeira e perversa no cometimento das mais terríveis aberrações, a ponto de desafiarem o próprio Criador pela desobediência às suas leis naturais e divinas. De fato, precisamos começar por nós mesmos o processo de conversão a Deus Pai e Criador de nossas almas, a quem precisamos amar acima de todas as coisas por meio do seguimento de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

Vejamos agora a tradução do conceito de pecado para entendermos melhor de que forma ele surge, e como fazer para evitarmos comete-lo, e assim conservamos a verdadeira liberdade conquistada por Cristo Jesus, o Filho de Deus muito amado, que nos libertou do pecado, de suas consequências e de todo o mal.

São Basílio Magno, em sua Regra mais longa, assim situa o pecado: “Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus, daquilo que ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito do Senhor.” (Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo (Resp. 2,1: PG 31,908-910)(Séc.IV).

Já para Santo Agostinho, o pecado se traduz por "«palavra, ato ou desejo contrários à Lei eterna»", causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor. Logo, este ato do mal é um "abuso da liberdade" e fere a natureza humana. "Cristo, na sua morte de cruz, revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia". (IGREJA CATÓLICA (2000). Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra. pp. N. 392. ISBN 972-603-349-7.).

Em um artigo intitulado, A Realidade do Pecado no Homem, eu o defino da seguinte maneira: O pecado é como uma erva daninha que nasce de forma misteriosa, mas permitida pelo homem (cf. Gen 3), no terreno de sua vida, levando-o a ruína e à perdição parcial ou total. Ele é de ordem espiritual, pois tem sua origem na desobediência dos anjos decaídos; e do homem que o consentiu no início da criação (cf Gn 3,1-13); posto que Deus os criou livres para o amarem e permanecerem fieis a Ele por toda a vida, até que atingisse a plenitude de sua imagem e semelhança ou a sua imortalidade. Por isso, Jesus nos ensinou que, “Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.” (Jo 8,34-36).

Eis os pecados chamados capitais, pois eles são a cabeça, e carregam essa condição por levarem os homens aos mais terríveis vícios e pecados mortais, que são os pecados contra os mandamentos da Lei de Deus, e que conduzem os homens à morte eterna se morrerem com eles.

1 - A Gula

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida.

Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula.

2 - A Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades.

Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 - A Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”.

Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade desregrada. Do latim luxuria.

4 - A Ira

A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.
A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira.

5 - A Inveja

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos [que são as qualidades e valores pessoais] e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual.

É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida num dos Mandamentos da Lei de Deus. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 - A Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia.

7 - A Soberba ou Orgulho

Conhecida como soberba, é associada a orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas. (http://www.catolicoorante.com.br/7pecados.html).

Além destes pecados chamados de Capitais, porque cabeça de todos os outros pecados; o Papa Bento XVI também nomeou os sete pecados capitais da era que vivemos. Segundo Bento XVI, além da Saligia (ordem em que se situa os pecados capitais), os humanos teriam desenvolvido sete pecados capitais modernos. Eles são:

Pressa: uma pessoa apressada não tem tempo para Deus. A Pressa origina Ira e causa acidentes.

Manipulação genética: isso seria "brincar de Deus", algo inaceitável.
Interferir no Meio Ambiente: adicionar imperfeições na Criação de Deus.

Causar pobreza: retirar dinheiro dos outros por Avareza (corrupção).

Ser muito rico: causa desigualdade social, o que é inaceitável, pois todos são iguais perante Deus.

Usar drogas: interferir em seu organismo.

Causar injustiça social: preconceito e bullying, em sua maioria.

O Vaticano divulgou essa lista ainda neste século, sendo eles os pecados capitais do Século XXI. (https://goo.gl/M13QQx).

As consequências de todo pecado é sempre a morte (cf. Rm 6,23), com ela chega ao fim todos os atos humanos, incluíndo os atos pecaminosas, que são a causa da ruina e perdição de todos os que os cometem. Todavia, não podemos esquecer que a misericórdia divina vem sempre em socorro de todos os pecadores para vencermos as tentações e o mal que age por meio delas para nos levar ao pecado e à morte. Ora, a Misericórdia do Senhor, por meio do Espírito Santo, nos concede as Virtudes juntamente com o dom do discernimento para vencermos as tentações, o pecado, a morte e todo o mal que se levanta contra os filhos de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

DE ONDE VEM O PECADO E O QUE CAUSA?


DE ONDE VEM O PECADO E O QUE CAUSA?


A desordem que atualmente constatamos na obra da criação parece uma contradição, se julgarmos que por Deus ser Infinitamente Perfeito nunca erra em tudo o que faz. Mas, isto é fato, Deus é Infinitamente Perfeito e não erra nunca (cf. Tg 1,17). Pois assim lemos na Sagrada Escritura: “Deus criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal”. (Sb 1,14-15). E ainda: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sb 2,23-24). Assim, é preciso entender que Deus nada criou Nele, mas sim para Ele, com o poder de Sua Palavra, e todas as coisas sustenta e governa por suas leis naturais e eternas, como diz São Paulo: “Porque é em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos”. (At 17,28a), se referindo à Sua Onipotência divina que tudo sustenta e governa. Logo, Deus é Criador e infinitamente superior a todas as suas criaturas, que Dele dependem sempre, para permanecerem Nele, nosso Sumo Bem!

Mas, o que causa então toda essa dicotomia desordeira, que desde os primórdios da criação se constata na face da terra? As palavras exprimem a experiência humana de tal maneira, que nos levam ao entendimento dos acontecimentos que se dão e que nos são transmitidos por aqueles que a guardaram para a posteridade. Desse modo, essas experiências acumuladas nos ensinam como usar nossa liberdade, para não cairmos nos mesmos erros de nossas antepassados. Dentre essas palavras, existem algumas que são fundamentais para entendermos todo o desequilíbrio das criaturas. Pois tudo o que Deus criou é bom, belo e perfeito, não em si mesmos, mas sim na dependência uma das outras. É como a água que depende da fonte para formar o mar, os lagos e os rios, etc. E depende ainda de como é tratada para permanecer cristalina ou não. Eis algumas destas palavras tomadas de profundos significados: Deus, criação, céu; homem, obediência, fidelidade, felicidade, paz; demônio, pecado, morte, inferno, etc.

Todo começo visa um fim e é pensando nesse fim que se traçam objetivos para poder alcança-lo. Deus deu início à sua obra a fim de que o amassemos acima de todas as coisas e fossemos felizes eternamente Nele com Ele para Ele, eis o verdadeiro sentido da Criação. Para isto nos deu suas leis naturais e eternas; quem as obedece entrega o comando de sua vida e de seu viver a Ele que nos conduz à perfeição de sua glória. Quem as desobedece perdem a liberdade de ser e de viver, para os únicos inimigos de nossas almas, o pecado e o demônio, autor do pecado, e assim passam a experimentar o inferno da perversão, do desvario, da luxúria, da corrupção e do desmando interior e exterior que constatamos obra da criação. Mas, como toda criatura, o mal não pode se sobrepor ao bem criado e muito menos ao Sumo Bem, que é Deus. Assim, como mal que é, nenhum bem experimenta nem aqui nem na eternidade, onde se perpetuará na maldade plantada e cultivada neste mundo por uma vida infame totalmente desligada de Deus.

Tendo o homem pecado contra o seu Criador, e se desligado dele pelo pecado, o Senhor não o abandonou à desordem causada pelo pecado, mas prometeu e nos deu um poderoso Salvador, Jesus Cristo (cf. Gn 3,15; Jo 3,16-21). E disse: “Eis o meu Filho amado, em quem pus toda a minha afeição, ouvi-o” (Mt 17,5c). A lei da liberdade nos ensina a acolher a verdade sempre e a praticá-la fielmente, para obtermos seus resultados imediatos e eternos. Não podemos recusar a verdade, nos opondo a ela, e permanecermos impunes (cf. Rm 1,19-32; Jo 3,18-20). Pois bem, Cristo Jesus é a Verdade, Nele encontramos Deus Pai perfeitamente; segui-lo é o maior dos privilégios, pois Ele é o único caminho para a vida eterna; na verdade, Ele é a própria vida eterna; segui-lo é amá-lo em total obediência ao Pai de nossas almas; e quem o ama assim, sabe a que fim chegará, pois o Senhor mesmo, disse: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13). “É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1Cor 2,9).

Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?” (Rm 8,18-24).

Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”. (2Pd 3,13-14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O QUE É SER SEM PECADO?




O QUE É SER SEM PECADO?


O homem foi criado à “imagem e semelhança” (cf. Gen 1,26-27) de Deus para permanecer em comunhão com Deus. Foi criado sem pecado, para permanecer ligado a Deus que é inacessível ao mal (cf. Tiag 1,27). Assim, percebemos que o homem foi criado pleno das virtudes divinas (amor, verdade, bondade, justiça, etc), e com discernimento e capacidade para governar a criação (cf. Gen 2,15-17), porém, em comunhão com o seu Criador. Percebemos ainda que toda a criação é boa, bela e perfeita, com suas leis naturais impressas em sua alma, ou ainda, como o código genético que carrega em suas entranhas físicas.

Mas, por que existe esse terrível desequilíbrio que ora percebemos numa obra que foi criada com tamanha perfeição e por Deus infinitamente perfeito? A resposta a essa pergunta, está na fonte do conhecimento de Deus, as Sagradas Escrituras. Pois, após o homem ter cometido o pecado de não permanecer em estado de comunhão com o seu criador (cf. Gen 3) lhe restou a comunhão com o Senhor, mas não face a face como antes, e sim pela revelação que Deus faz de si mesmo na criação e nas Sagradas Escrituras, e pessoalmente por Seu Filho, Jesus Cristo enviado para nossa salvação (cf. Heb 1,1-4). E como resposta a essa pergunta, temos a figura emblemática da face tenebrosa do mal, chamado satanás, gerador do pecado e de todo desequilíbrio causado pelos homens de todos os tempos.

De fato, conhecemos Deus a partir de nossa criação; mas antes da criação natural já existia a criação sobrenatural e um certo infortúnio causado pelos anjos decaídos, que Deus nos deu conhecer com clareza (cf. Gen 2,15-17; Is 14,12-15; 1Pd 5,8) para que nunca perdêssemos a comunhão com Ele. É como está escrito: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sab 2,23-24).

Com efeito, como foi dito acima, Deus é inacessível ao mal, isto é, o mal nunca pode ter acesso a Deus; mas, como a criação não é Deus, ele pôde ter acesso à criação e causar o escarcéu (desordem) que causou, mesmo conhecendo a punição por ter gerado tal pecado de desobediência na obra da criação. Ao homem, porém, que não foi o causador do pecado em si, mas apenas colaborou para que este existisse, Deus ofereceu o perdão, livrando-o da punição eterna, pelo arrependimento e o novo nascimento na ordem da graça pelo batismo, com a vinda do Seu Filho Jesus Cristo. Só não tem perdão quem não se arrepende e por isso mesmo não deixa o pecado, porque todo homem que experimenta o perdão oferecido por Cristo Jesus Cristo e deixa o pecado, recebe a graça da salvação e da santificação de sua alma e passa a viver desde já como um filho de Deus.

Então, o que é um ser sem pecado? É o Ser perdoado por Deus e que permanece em estado puro, sem mácula; é o ser em plena posse da graça santificante do Senhor; é aquele que nasceu da água e do Espírito Santo pelo batismo e vive nesse estado de graça permanente, isto é, em plena comunhão com a vontade de Deus, praticando aquilo que é próprio aos filhos e filhas consagrados e destinados ao Reino dos Céus. Como nos ensinou São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rom 8,1-2).

Portanto, cabe a cada um de nós que somos batizados, a vivência do nosso batismo, isto é, a vivência de todas as virtudes eternas que estão em nossas almas e que dão os frutos de nossa permanência em Cristo Jesus, como ele mesmo nos ensinou: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo15,1-8).

Com toda certeza, Maria Santíssima mãe de Jesus e nossa mãe, é esse ser sem pecado, ela é imaculada por excelência, porque dela nasceu o Filho de Deus, gerado pelo Espírito Santo. Por isso, em vista de sua maternidade divina não conheceu pecado algum, pois vivia tão unida ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, que nenhuma sobra de pecado pairou sobre ela. Dos seres humanos ainda em vida, Maria Santíssima é a primeira redimida e assim permaneceu todos os dias de sua vida, por isso, Deus a elevou aos céus em corpo e alma, por não conhecer corrupção alguma. (cf. At 2,31). Assim também todo aquele que nasceu de Deus e permanece em Cristo não peca (cf. 1Jo 3,5-6), pode até cair em pecado se assim decidir, mas se permanecer em estado de graça, viverá conforme a santidade que lhe comunica o Senhor na eucaristia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.


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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

INSATISFAÇÃO, VAZIO EXISTENCIAL, MELANCOLIA, QUAIS SÃO AS CAUSAS?




INSATISFAÇÃO, VAZIO EXISTENCIAL, MELANCOLIA, QUAIS SÃO AS CAUSAS?


Para muitos esse nosso tempo é um tempo de pavor e trevas, pois sua vida, seu passado, suas memórias, lhes trazem histórias de abuso sexual, tragédias familiares, violências, degradação dos valores humanos e religiosos, falta de bens necessários para a sobrevivência; ou consumismo exagerado por parte dos mais abastados; uma vida de vícios e contra tempos, desemprego, bullyning e outros tormentos, como traumas pela ausência do pai ou da mãe, maus tratos, etc. Enfim, uma somatória de desordens existenciais que os torna indivíduos perdidos num mundo repleto de frenesi e outros desvios comportamentais, capazes de escândalos e traumas sem proporção.

Ora, somos obras perfeitas das mãos de Deus, criados em Jesus Cristo, para as boas ações que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos (cf. Ef 2,8-10). E tudo isso conforme as leis do Senhor escritas em nossas almas, pois Deus imprimiu seu código santo em nossa vida, como também está impresso o código genético em nossos corpos. Porém, toda essa grandeza divina que se faz presente em nós, pode se perder caso não cultivemos as virtudes eternas que o Senhor nos concedeu em seu amor.

De fato, só tem uma coisa que nos pode levar a essa perda, é o famigerado pecado, que consiste no desligamento de Deus, porque em Deus não há pecado e nem mesmo sombra de instabilidade (cf. Tiag 1,13). Cabe a nós vivermos em comunhão com Ele pela ação do Espírito Santo, presente na alma de todo batizado; ou ainda pela fé mesmo que seja natural, que leva o homem ao encontro com Cristo Jesus, nosso Senhor, que cura, salva e faz feliz todo ser humano que o encontra e nele permanece.

Então, eis a pergunta que não quer calar, por que vivemos num mundo de tantos conflitos e confusões? Porque os homens tornaram-se inimigos de si mesmos por causa dos bens materiais, que geram conflitos raciais, religiosos, ditatoriais; por causa da corrupção e outras condutas perversas que geram revolta contra Deus e o seu Cristo; por causa dos terríveis efeitos dos pecados que tem destruído milhões vidas; por causa da impunidade tamanha; por causa da maldade que é tanta; por causa dos pecados contra a natureza; por causa da rudeza de tantos corações.

O resultado é esse mundo repleto de indivíduos mal amados, frustrados, deprimidos, endemoniados; onde suas ações revelam não só a face tenebrosa da maldade, mas o próprio mal agindo por meio deles. Eis as causas de tanto sofrimento e desespero na face da terra, que se encaminha à passos largos para o caos definitivo. Guerras, fome, peste, aquecimento global, catástrofes naturais; loucura generalizada, etc. Sem contar tantas outras práticas abomináveis, com a conivência dos poderes constituídos (político, jurídico, social), que revelam a intolerância e a incapacidade humana para resolver os problemas criados por todos que se dão a essas práticas. E assim, segue este mundo como um barco perdido em alto mar dominado por ondas revoltas, singrando sem rumo certo, prestes a afundar.

De fato, a tudo e a todos foi um tempo, que aliás, enquanto vida natural tivermos, Deus renova esse tempo todos os dias sem nunca deixar de fazê-lo. Todavia, existe o fim desse tempo e ele se cumprirá sem dúvida alguma. Ora, vemos esse fim acontecer nas coisas da vida e no viver dos outros, certamente um dia chegará a nossa vez e veremos isso acontecer conosco, mas será que estaremos preparados? Boa pergunta que requer uma boa resposta, caso contrário, é sinal de que não estamos correspondendo a tudo o que Deus tem nos dado, ao longo de nossa vida.

Com efeito, assim escreveu São Paulo: “Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. [Por isso], Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto (a Escritura) diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará (Is 26,19; 60,1)!” (Ef 5,15-17; 8-14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O PECADO E A PERDA DA LIBERDADE



O PECADO E DA PERDA DA LIBERDADE

“Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo”. (Jo 8,34).

Ø  No pecado não há liberdade; a liberdade é fruto do vencimento das inclinações pecaminosas... Só é livre quem escolhe obedecer à Vontade de Deus expressa em seus mandamentos...

Ø  O homem foi criado livre, não para perder sua liberdade, mas para mantê-la eternamente; e a obediência às leis de Deus, implícitas em seu coração, é o meio pelo qual ele a mantém para sempre...

“O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (I Jo 2,17).

Ø  No atual estágio da criação o mal é um enigma que depende de nossas escolhas e decisões. Logo, a liberdade e a proteção que temos de Deus, que é nosso Sumo Bem, requer que decidamos tudo em nossa vida conforme a vontade Dele, pois fomos criados para o bem e somente para o bem.

Ø  É preciso permitir que o Senhor atue livremente em nosso querer e executar, de acordo com os seus desígnios de amor. Desse modo, jamais o mal se perpetuará, porque se não compactuarmos com ele; ele se findará por si mesmo, pois tudo o que não permanece em Deus, sucumbe eternamente...

Ø  Se para muitos fazer o bem é um peso, para quem ama, fazer o bem é como um perfume de suave odor, faz bem a quem o sente e sente-se bem quem o faz...

“Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus”. (Jo 3,19-21).

Ø  Deus é infinitamente para além das teorias, porque Deus é o que é, enquanto que teorias não o são. De fato, porque Deus é, mesmo que neguem a sua existência, na verdade estão afirmando que Ele existe, porque o que não existe não se discute nem precisa de negação, afinal, não existe mesmo; pois, como falar sobre o que não há? Creio que a maior insensatez humana, é negar a evidência da existência de Deus. Logo, quem nega que Deus existe, na verdade não passa de insensato querendo ser erudito, nada além disto...

Ø  Quando se faz o que vem na cabeça, mas não se leva em conta as consequências, o resultado é sempre catastrófico em todos os sentidos; isto porque, muitos dão importância somente ao que é momentâneo e fugaz. Todavia quem age assim, sabe que está prestes a perder a liberdade, “pois o que pode dar o homem em troca de sua vida”?...

Ø  De fato, a eternidade se aproxima a passos largos, e é nela que colhemos tudo o que plantamos aqui... Portanto, se em teu livre arbítrio escolhes o que é do mal, crias para ti mesmo um problema sem solução; a não ser que bata em tua alma o arrependimento sincero, acompanhado da confissão e do perdão sacramental, que pode te livrar do mal e da perca de tua liberdade definitivamente...

Ø  Amar só quem nos ama, é muito pouco para quem deve amar como Jesus amou (Cf. Mt 5,44ss), então, se não mudarmos nossa mentalidade, estaremos longe da verdadeira santidade, que é o passaporte para entrarmos no Reino dos Céus...

O dizer que não corresponde à verdade é só um dizer intencional, lhe falta tudo, pois lhe falta coerência. Cuidado, desse tipo de intenção o mundo está cheio, ela é igual à promessa falsa, não passa de falácia...

Ø  Conhecemos os verdadeiros amigos à medida que somos provados em meio à realidade na qual Deus nos pôs...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.


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sábado, 22 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: NO PECADO NÃO EXISTE AMOR...




CRÔNICAS DE MINHA ALMA: NO PECADO NÃO EXISTE AMOR...


Seja qual for o pecado, nele não existe amor, porque todo e qualquer pecado é um ato deliberado de desamor infame, repugnante, insuportável, visto que o pecado é sempre uma ofensa contra o amor de Deus, contra o próximo e contra quem o pratica. Quem vive no pecado, vive desligado de Deus, porque em Deus não existe pecado algum (cf. Tg 1,13), ainda assim, a misericórdia divina nunca desiste do pecador, basta o arrependimento, a confissão e o perdão, para que volte ao estado de graça, ao estado de comunhão com o Senhor.

De fato, quem vive no pecado, vive ligado ao mal e passa a ser comandado por ele em suas ações. É por isso que vivemos numa sociedade tão pervertida, corrupta, injusta, maléfica, soberba, desigual, onde os vícios ao que parece imperam; onde a guerra, a fome e a miséria campeiam; onde as doenças incuráveis ou não, deitam por terra milhões; onde predomina todo tipo de violência, sofrimento e morte, a tal ponto que parece até que o mal está realmente triunfando sobre o bem; e que Deus, que é amor, parece que também não demonstra mais o seu amor por suas criaturas e nem se importa com tudo isso que está acontecendo.

Mas, sem dúvida alguma, esse é um terrível engano. Nem tudo o que parece ser, é essencialmente o que parece, pois tudo o que existe, só existe porque Deus criou e sustenta, porque tudo o que Deus criou é bom, belo e perfeito, e tudo criou somente para o bem. Todavia, como em Deus não existe o mal, logo, todo o mal que se pratica nasce da decisão livre e consciente por esse mal, pois ninguém é mau enquanto não decide livremente pelo mal que quer ser e fazer. Desse modo, mesmo que não se tenha a resposta ou a punição imediata pelo mal feito, porque somos passíveis do perdão divino enquanto vivos estivermos; porém, haverá o momento em que perderemos tudo, até mesmo as precárias seguranças que criamos com nossos vãos raciocínios, tentando encobrir os desatinos praticados, como se toda causa não tivesse um efeito proporcional ou infinitamente maior que tais atos malogrados.

Eis as falsas seguranças a que me refiro e que tantos e tantos se apegam a elas, na ilusão de que vão permanecer impunes para sempre. Estas são de ordem material, psicossocial e espiritual. As de ordem material: enriquecimento ilícito, bens adquiridos com dinheiro advindo da corrupção, da venda de armas, da venda de drogas, da exploração dos trabalhadores, da prostituição, do tráfego de seres humanos, dos jogos de azar, etc. As de ordem psicossocial: compra de juízes e de sentenças favoráveis, envolvimento em associações secretas, poder político conquistado a todo custo, exploração e uso da fé dos menos incultos, uso da religião para enriquecimento, etc. E as de ordem espiritual: crenças no esoterismo, nos livros de autoajuda, em horóscopos; envolvimento com religiões espiritualistas, superstições e demais falsas religiões; crenças em seres extraterrestres, etc.

Tudo isso é reflexo do abandono das virtudes eternas que de Deus recebemos, trocadas pelas práticas abomináveis que vimos acima. É como nos ensinou São Paulo: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gl 6,7-10).

"Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência". ( Col 3,12). Porque, "Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento". (Tg 2,13). Porquanto, no último momento, cada um receberá de Deus o louvor que merece. (cf. 1Cor 4,5; Hb 9,27).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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