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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O viver fraterno só é possível em Cristo e com Cristo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,43-48)(28/02/26)

1. Caríssimos, em nosso dia a dia frequentemente damos atenção a alguém ou alguma coisa; seja por interesse; por distração no uso demasiado do celular; seja por respeito humano; ou quem sabe para projetar frustrações, ansiedade, medos, etc. E se isso acontece, é porque dedicamos pouco tempo ao Senhor na oração pessoal ou comunitária.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina o mandamento do amor fraterno mesmo quando somos odiados e perseguidos sem nenhum motivo para isso; porque, de fato, quem ama assim permanece em comunhão constante com Deus, nosso Pai, mesmo que sofra perseguições. 

3. Escutemos, então, o Senhor: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos."

4. Ora, por essas palavras do Senhor, percebemos que quando nos dispomos a obedecer o que Ele nos ensina, nas suas palavras já está o poder para cumpri-las e obter os frutos do amor fraterno e da paz interior que tanto precisamos para nos manter em segurança na sua presença.

5. Eis o que disse São Máximo, o Confessor (séc. VI) a esse respeito: "Não consintas em perder o amor espiritual, pois não foi proposta aos homens outra via de salvação. Aplica-te o mais que puderes a amar todos os homens. E, se ainda não consegues fazê-lo, pelo menos não odeies ninguém. Mas nem isso poderás fazer se não desprezares as coisas do mundo. 

6. Os amigos de Cristo amam verdadeiramente todos os seres, mas não são amados por todos. Os amigos de Cristo perseveram até ao fim no seu amor. Mas os amigos do mundo só perseveram até o mundo os levar a ferirem-se uns aos outros."

7. Portanto, caríssimos, quem caminha com Cristo rumo à eternidade que Ele nos concede jamais perde tempo com as futilidades deste mundo, ao contrário, se entrega totalmente em suas mãos com a convicção de que somente assim o amamos sobre todas as coisas e nos amamos uns aos outros como a nós mesmos. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Só existe liberdade no coração que perdoa...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,20-26)(27/02/26)

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1. Caríssimos, a nossa vida aqui neste mundo é feita de escolhas e decisões, para isso, Deus nos deu o livre arbítrio, o discernimento e os bons e santos exemplos dos santos para segui-los, e também sermos testemunhas como eles foram. 

2. No entanto, caso nossas escolhas e decisões não sejam conforme a Vontade de Deus, Ele imprimiu em nossas almas o dom que abre-nos à Sua Divina Misericórdia para nos reconciliarmos com Ele e entre nós, trata-se do arrependimento sincero acompanhado da confissão e do perdão sacramental. 
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3. Mas, poderá a infinita misericórdia do Senhor entrar numa alma que não se arrepende dos pecados cometidos? Como vimos na primeira leitura, não poderá, porque o arrependimento sincero é condição "sine qua non" e também a porta de entrada de todas as graças que o Senhor nos concede por meio do Seu perdão, que purifica as nossas almas.
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4. Com efeito, esta oração do rei Davi no salmo responsorial mostra-nos 0realmente o que é um "coração arrependido e humilhado": "Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade de vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade. 

5. Eu reconheço a minha iniquidade, diante de mim está sempre o meu pecado. Só contra vós pequei, o que é mau fiz diante de vós. Vossa sentença assim se manifesta justa, e reto o vosso julgamento. Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. 

6. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso Santo Espírito. Restituí-me a alegria da salvação, e sustentai-me com uma vontade generosa. Então aos maus ensinarei vossos caminhos, e voltarão a vós os pecadores."
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7. Portanto, caríssimos, creio que a melhor forma de evitarmos todo tipo de pecados na convivência fraterna é a prática do que nos ensinou o Senhor: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 

8. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará." Ou seja, perdoar é ser livre, porque, de fato, só existe liberdade num coração que perdoa. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O dom da oração é a graça de todo momento para todas as situações da vida...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,7-12)(26/02/26)

1. Caríssimos, as tentações são realidades adversas das graças que Deus preparou para nós como herança eterna. Com efeito, o inimigo que as segere é sutil e mentiroso e tem por finalidade nos tirar da comunhão com o Senhor Jesus, para nos fazer vaguear sem rumo por uma vida infestada de vícios e de todo tipo de concupicências. 

2. Por isso, precisamos das armas espirituais da oração e penitência para vencermos esse duro combate contra as seduções do maligno presente nas tentações que chegam à nossa mente. Na primeira leitura vimos como a rainha Ester, por meio de sua humilde prece, resistiu às forças do mal e as venceu, fazendo triunfar a vontade de Deus por sua entrega total a Ele.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina as vias da perfeita oração: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta." 

4. Em outras palavras, estas as três atitudes fundamentais que nos levam à alcançar todas as graças; uma vez que Deus, nosso Pai, nunca deixa de responder às nossas preces, tendo em vista a nossa salvação.

5. Comentando esse Evangelho, são Luis-Maria Grignion de Monfort, escreveu: "O maior desejo do Pai eterno a nosso respeito é comunicar-nos as salutares águas da sua graça e da sua misericórdia; por isso, exclama: «Vinde beber das minhas águas pela oração». 

6. Agrada a Jesus Cristo que Lhe peçamos graças; quando não o fazemos, Ele queixa-Se amorosamente: «Até agora, nada pedistes. Pedi-Me e dar-vos-ei, procurai em Mim e achareis, batei à minha porta e Eu abrir-vos-ei». E, para nos dar ainda mais confiança na oração, empenhou a sua palavra, garantindo-nos que o Pai eterno nos daria tudo o que Lhe pedíssemos em seu nome."

7. Portanto, caríssimos, não hesitemos em nos lançar nos braços da Divina Providência com a confiança de filhos amados. Que a nossa oração não seja apenas um pedido de favores temporais, mas um diálogo de amor que transforma o coração e nos molda à imagem de nosso Senhor Jesus Cristo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Senhor Jesus é o único sinal que precisamos para a nossa salvação...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,29-32)(25/02/26).

1. Caríssimos, o que é converter-se? É romper difinitivamente com o mundo do pecado, para entregar-se totalmente à vontade de Deus; porque não converter-se é persistir no pecado sob o jugo do maligno. É isto o que nos ensina o Senhor Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." (Jo 8,34). 

2. E nos exorta ainda: "Se permanecerdes na minha Palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (Jo 8,31-32). Desse modo, ser livre, é ser conduzido pelo Espírito Santo, como disse o Senhor: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (Jo 16,13).

3. Todavia, para que aconteça essa libertação se faz necessário quatro atitudes fundamentais da nossa parte: arrependimento sincero, confissão sacramental, penitência e conversão, para se eliminar o mal procedimento, para assim aderir ao Senhor de todo o coração, como vimos acontecer com os habitantes de Nínive ao ouvirem as Palavras do Profeta Jonas. Porque, de fato, somente o Senhor nos liberta do pecado e do jugo do inimigo de nossas almas.

4. No Evangelho de hoje a multidão pede ao Senhor Jesus um sinal para crer, no entanto, Ele a censura mostrando que a fé não é fruto de sinais e prodígios, não nasce de acontecimentos extraordinários, mas do encontro com Ele, como explicou: "Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração."

5. Ora, Jonas passou três dias no ventre de uma baleia para ser lançado providencialmente na praia a fim de cumprir a missão que recebera de Deus, que foi anunciar a destruição dos ninivitas caso não se convertessem, e isso serviu de sinal para eles. De igual modo, após a sua morte de cruz, o Senhor Jesus passou três dias sepultado e ressuscitou dos mortos, servindo de sinal para que toda a humanidade se converta.

6. Portanto, caríssimos, a nossa conversão é um processo contínuo e só termina com o último respiro por mais santos que sejamos, por isso, todo cuidado é pouco, pois a santidade é o estado da alma totalmente imersa em Deus, como o rio que se encontra na imensidão do mar; mas isso, somente quando não sofre desvio. 

7. Destarte, mantenhamos, então, nossa vida em estado de graça pela oração, penitência e conversão, pois, o rio que se mantém sem desvio corre suavemente até chegar na imensidão do mar que é a Fonte que o gerou, do mesmo modo seja a nossa vida conduzida, como rio de água viva, pelo Espírito Santo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pai nosso que estás no céu...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(24/02/26)

1. Caríssimos, a dúvida existe quando nos desligamos do Senhor que é amor e nos sustenta na vida por sua divina providência. Decerto, quem duvida da verdade é porque não está vivendo conforme a Verdade nos ensina, e a Verdade é Cristo, não existe outra; que os homens acreditem ou não, o testemunho do Senhor Jesus permanece para sempre, e continua transpondo e desafiando os limites de nossa razão. 

2. No livro de Gênesis, Deus nos revela que fomos criados por Sua Palavra como sua imagem e semelhança, ou seja, com todos as virtudes para sermos felizes neste paraíso terrestre e na Sua Glória Eterna. E como vimos na primeira leitura, a Palavra de Deus continua realizando as suas obras, porque se cumpre na íntegra, tal como afirmou o Profeta Isaías e o Próprio Jesus Cristo, o Filho de Deus.

3. A fé é um dom do Espírito Santo que nos une ao Senhor, e como Ele mesmo disse: "por ela tudo é possível". É como afirma o profeta Habacuc: "Eis que sucumbe o que não tem a alma íntegra, mas o justo vive por sua fidelidade." (Hab 2,4). Ou seja, pela que o faz manter-se firme nas promessas de Deus e conduzido por Ele para alcança-las. 

4. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus nos ensina a rezar o Pai nosso; mas, por que esta oração é tão importante? Porque é encontro com Deus num diálogo íntimo de amor filial, onde o silêncio é fundamental para escutarmos Aquele que nos ama para além dos limites da nossa compreensão.

5. Meditemos, então, com estas palavras de são Cipriano ao comentar a oração do Pai nosso: "Pode haver prece mais verdadeira aos olhos do Pai do que aquela que saiu dos lábios do próprio Filho que é a Verdade? Se ele disse que tudo o que pedirmos ao Pai em seu nome nos será dado (cf. Jo 14,13), quanto mais eficaz não será a nossa súplica para obtermos o que pedimos em nome de Cristo, se pedirmos com sua própria oração!

6. Oremos, portanto, irmãos caríssimos, como Deus, nosso Mestre, nos ensinou. A oração agradável e querida por Deus é a que rezamos com as suas próprias palavras, fazendo subir aos seus ouvidos a oração de Cristo. Reconheça o Pai as palavras de seu Filho, quando oramos."

7. Destarte, no final da oração do Pai nosso, o Senhor Jesus nos mostra que o perdão é um ato condicional, pois não podemos pedir perdão para nós se não estamos dispostos a oferece-lo ao próximo, porque perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus que nos perdoa e apaga os nossos pecados, e os daqueles a quem perdoamos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

As armas espirituais para vencer as tentações...

 Homilia do 1°Dom da Quaresma (Mt 4,1-11)(22/02/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, neste primeiro domingo da quaresma, a liturgia trata do combate espiritual contra as tentações malignas que a cada momento tentam impedir a nossa permanência em estado de graça. E este combate acontece no campo de batalha da nossa mente onde o mal tenta entrar para nos fazer escravos dos pecados que ele sugere que pratiquemos.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina as armas espirituais que precisamos usar para não aceitar as sugestões do maligno. São elas: a Palavra da Verdade com a qual dissipamos todas as mentiras sugeridas; a não aceitação das aparentes vantagens oferecidas pelo maligno; e por fim, a perseverança na oração e no estado de graça, que nos mantém em comunhão com o Senhor em meio às lutas espirituais que travamos.

3. Hesíquio do Senai, monge e sacerdote em Jerusalém (Sec. V), discorrendo sobre o uso dessas armas espirituais que o Senhor nos concede, disse: "Aquele que trava o combate interior tem de ter em todo o momento estas quatro coisas: humildade, atenção redobrada, refutação e oração. 

4. Humildade, porque o combate o opõe aos demônios, que são orgulhosos; terá assim o auxílio de Cristo ao alcance do coração, porque "o Senhor resiste aos orgulhosos" (Prov. 3,34). Atenção, para manter o coração puro de todos os pensamentos, mesmo os que parecem bons.

5. Refutação, para contestar o maligno sem demora, e com veemência, pois está escrito: "Responderei aos que me ultrajam, para que a minha alma esteja submetida a Deus" (Sl 61,2). Finalmente, a oração, para se dirigir a Cristo com "gemidos inefáveis"(Rom 8,26) após a refutação. Deste modo, aquele que luta verá o inimigo dissipar-se com o desaparecimento da sua imagem, qual poeira ao vento que se desvanece, expulso pelo adorável nome de Jesus.

6. Assim, pois, quando a alma põe a sua confiança em Cristo, que O invoque sem medo, não combate sozinha, mas em união com o Rei terrível, Jesus Cristo, Criador de todos os seres, dos corpóreos e dos incorpóreos, isto é, dos visíveis e dos invisíveis."

7. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus que fortaleça nossa vigilância e confiança inabaláveis em meio a esta luta espiritual que travamos. Para que utilizando as armas da humildade, da perseverança e da oração, vençamos todas as insídias do maligno.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Eu não vim chamar os justos, mas sim para os pecadores para que se convertam...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 5,27-32)(21/02/26)

1. Caríssimos, nada se compara a uma alma em estado de graça por obedecer a Deus e se dispor realizar em tudo a Sua Santa Vontade. Ora, diariamente encontramos com pessoas que cruzam o nosso caminho; algumas em paz, outras nem tanto. E nós, como nos encontramos interiormente diante de Deus? Como está o nosso estado de alma?

2. A liturgia de hoje vem nos responder à essas indagações, nos mostrando que somente a prática da vontade de Deus nos faz transpor os limites dos acontecimentos adversos que a realidade do pecado nos impõe. Todavia, isso requer disciplina interior e o desejo de santidade que tornam a nossa prática de vida um reflexo da nossa íntima comunhão com Deus e com o próximo.

3. Na primeira leitura, o Profeta Isaías aponta para aquele povo o caminho que o leva a viver em estado de graça diante do Senhor: "Assim fala o Senhor, se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia." Em outras palavras, recebemos os dons de Deus somente para fazer o bem e nunca para o mal. 

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus chama Levi, o cobrador de impostos para o seguir e ele deixou tudo e o seguiu, não obstante as críticas e condenação por parte daqueles que usavam a religião para fazer discriminação de pessoas e exclui-las da misericórdia divina.

5. No entanto, eis a resposta que o Senhor lhes deu: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”. Com isso, Ele inclui não somente "os cobradores de impostos", mas também seus críticos e todos os pecadores deste mundo.

6. Portanto, caríssimos, escutemos com atenção esta exortação de São Tiago: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento."

7. Destarte, que a resposta pronta de Levi ao chamado do Senhor nos inspire a não adiar a nossa própria conversão, compreendendo que a nossa fraqueza não é um impedimento para Ele; e que o próprio motivo do Seu chamado nos impulsione a suigui-lo com fidelidade e determinação.

8. De modo que, ao olharmos para o próximo, não o façamos com a régua do julgamento, mas com o olhar de compaixão, lembrando-nos de que a luz que brilha em nossa vida é fruto da bondade gratuita de Deus, e que o seu amor não exclui ninguém, mas a todos quer salvar e santificar.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O jejum que mais agrada a Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,14-15)(20/02/26)

1. Caríssimos, o sentido da prática quaresmal é o crescimento no estado de graça, no conhecimento do Senhor Jesus e em todas as virtudes que nos levam a viver na presença de Deus, nosso Pai celestial. A liturgia de hoje trata da prática do verdadeiro jejum que fazemos como meio de conversão e do exercício da justiça e do bem comum para assim realizarmos a Vontade de Deus.

2. Na primeira leitura, o Profeta Isaías expõe os terríveis pecados daquele povo, e como essa prática o estava levando à incoerência, ao afastamento do Senhor e à perdição. Por isso, o exorta ao arrependimento sincero, pois, não basta a prática aparente do jejum, mas sim, uma verdadeira conversão, que consiste num coração contrito e humilhado que obedece e segue fielmente os santos mandamentos da lei de Deus.

3. De fato, nas práticas quaresmais, da oração, do jejum e da esmola, andam juntas e não tem como separá-las, pois, fazem parte da graça que o Senhor nos concede para que a vivamos plenamente. 

4. Com efeito, disse o Pseudo-Crisóstomo (Séc. IV): "Não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; mas, também no meio das mais variadas tarefas - como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo - é preciso conservar sempre vivos o desejo e a lembrança de Deus.

5. E assim, todas as nossas obras, temperadas com o sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.

6. Semelhante oração, quando o Senhor a concede a alguém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que de um fogo devorador que abrasa o coração."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O deserto desta vida é o lugar do encontro com Deus... Paz e Bem!

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,22-25)(19/02/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, estamos vivendo o tempo forte da Quaresma; isto significa dizer que estamos no deserto da vida, lugar onde aparentemente falta quase tudo, mas pela experiência da fé que vivemos, Deus não nos deixa faltar nada.

2. De modo que para nós, que praticamos os exercícios quaresmais, o deserto é o lugar da resistência e do enfrentamento; é também o lugar da renúncia de si mesmo e da escuta atenta do Senhor em conformidade com o seu plano de amor, para que assim se cumpra somente a sua santa vontade em nosso ser e estar no mundo.

3. Ora, o que seria da nossa fé se Deus não nos falasse? O que seria de nossa vida se Ele não nos corrigisse quando falhamos? Como poderíamos viver se Ele não nos defendesse das insídias do maligno? O que seria do nosso futuro se perdêssemos a esperança da vida eterna? 

4. Na primeira leitura, Moisés disse ao povo eleito: “Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça." Escolhe, pois, a vida pondo em prática a Palavra do Senhor para que sejas feliz em todo o teu proceder. De fato, o tempo aqui é escasso e cada momento que dedicamos ao Senhor permanecemos sob sua proteção. 

5. No Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus profetizar o próprio sofrimento nos mostrando que vivemos em meio aos conflitos que o pecado gera; todavia, também nos mostra que a vitória sobre o pecado e o mal só é possível pela imolação de si mesmo, da própria vontade, em obediência à vontade do Pai, que nos conduz à glória da ressurreição. Sem dúvida, se houvesse outro caminho para se chegar ao céu o Senhor certamente nos teria mostrado.

6. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente as palavras do Senhor e nos unamos a Ele por meio da renúncia de nós mesmos para que assim cheguemos à glória do seu Reino: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. 

7. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?" (Lc 9,23-25). Destarte, sigamos o Senhor Jesus fielmente em todos os sentidos do nosso viver.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Como viver bem o tempo litúrgico da quaresma...


 QUARTA-FEIRA DE CINZAS (Mt 6,1-6.16-18)(18/02/26)

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1. Caríssimos, com a quarta-feira de cinzas a Igreja dá início ao tempo litúrgico da Quaresma, ou seja, quarenta dias de jejum e penitência em preparação à Paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus, e a sua vitória sobre o pecado, o maligno e a morte. 

2. Com efeito, é bem como nos exortou são Paulo: "Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus." (2Cor 5,20). Em outras palavras, é tempo de conversão, de penitência e da prática das boas obras. A reconciliação não é algo que o ser humano conquista por esforço próprio, mas é um presente já preparado por Deus através do sacrifício do seu Filho Jesus, basta a nós acolhe-lo com fé. 
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3. De fato, a luta contra o pecado é constante; todavia, o poder para vence-lo é infinito e nos vem do Senhor que nos deu o Seu Santo Espírito para nos conduzir nas batalhas que lutamos. São estas as armas a serem usadas: a oração interior, o jejum e a esmola, que são os três alicerces da prática penitencial que nos levam à verdadeira reconciliação com Deus e entre nós.
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4. O Santo Padre, o Papa Francisco numa de suas audiências públicas numa quarta-feira de cinzas, assim discorreu sobre este tempo litúrgico: “Hoje, iniciamos o caminho quaresmal, caminho de quarenta dias em direção à Páscoa, rumo ao coração do ano litúrgico e da fé. É um caminho que segue o de Jesus, que no início de seu ministério se retirou por quarenta dias para rezar e jejuar, tentado pelo diabo, no deserto.
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5. O deserto é o lugar em que se toma distância do barulho que nos circunda. É ausência de palavras para dar espaço a outra Palavra, a Palavra de Deus, que acaricia o nosso coração com a brisa suave [da sua voz]. 

6. O deserto é o lugar da Palavra, com letra maiúscula. Na Bíblia, o Senhor gosta de conversar conosco no deserto. No deserto, se ouve a Palavra de Deus, que é como um som suave." Pois, é no silêncio que Ele nos comunica a sua vontade, abafando com isso o barulho do mundo. 
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7. Destarte, disse ainda o Santo Padre: “A Quaresma é o tempo propício para abrir espaço à Palavra de Deus. É o tempo para desligar a televisão e abrir a Bíblia. É o tempo para se desligar do telefone celular e se conectar com o Evangelho. É o tempo de renunciar a palavras inúteis, conversinhas, fofocas, mexericos e se aproximar do Senhor." E se deixar conduzir por Ele.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Precavei-vos do fermento dos fariseus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,14-21)(17/02/26)

1. Caríssimos, existe um ditado popular que nos faz entender claramente o tema da liturgia de hoje: "Para bom entendedor meia palavra basta." E a razão é muito simples, expomos, com o nosso viver, quem somos, isto é, nossas intenções, interesses, desejos, e o que trazemos na alma. Porém, se tudo isso for uma somatória de contradições em relação à Palavra de Deus, permitimos com isso, a incoerência que nos leva à hipocrisia, e à prática das más ações.

2. Na primeira leitura são Tiago nos mostra que estamos numa grande luta espiritual e que saímos vitoriosos à medida que resistimos às tentações nos mantendo em comunhão com a vontade de Deus. Diz ele: "Feliz o homem que suporta a provação. Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu àqueles que o amam." (Tg 1,12).

3. De fato, em certos momentos sentimos chegar à nossa mente pensamentos vãos, desordenados e estranhos; e mesmo que não queiramos, muitas vezes eles insistem; é aí que se dá o combate pela oração, pela rejeição deles e pela expulsão dos mesmos. 

4. São Paulo assim nos ensina sobre esta luta: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13).

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus em colóquio com os Apóstolos, os adverte a respeito do fermento dos fariseus, que se diziam fiéis cumpridores da Lei de Deus, mas na verdade, a violavam constantemente pela falta de humildade, de misericórdia e caridade, por isso, perseguiam o Senhor com ódio mortal. Desse modo, tomemos cuidado com esse fermento, porque na verdade, é um terrível veneno para quem se deixa fermentar por ele.

6. Comentando este Evangelho, disse o Papa Francisco: "Este fermento — diz Jesus — é perigoso. Precavei-vos. É a hipocrisia”. O Senhor não tolera a hipocrisia: este aparecer bem, até com boas maneiras, mas com maus hábitos dentro. Outra gente são os cristãos: deveríamos ser cristãos, mas também há cristãos hipócritas, que não aceitam o fermento do Espírito Santo. Precisamente por isto Jesus nos admoesta: “precavei-vos do fermento dos fariseus”. 

7. O fermento dos cristãos é o Espírito Santo, que nos impulsiona para fora, nos faz crescer, com todas as dificuldades do caminho, mesmo com todos os pecados, mas sempre com a esperança [de sermos libertados]. O Espírito Santo é precisamente a garantia daquela esperança, daquele louvor, daquela alegria [que não tem fim]." (Santa Marta, 19/10/18).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Esta gente pede um sinal, não lhe será dado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mc 8,11-13)(16/02/26)

1. Caríssimos, acreditar é ir muito além dos impasses obscuros da nossa razão; é chegar ao coração de Deus transpondo as barreiras de nossa impotência causada pelos pecados praticados, e assim obter da sua Divina Misericórdia o perdão que tanto precisamos. Tendo em vista que os critérios para salvação humana, não são humanos; mas sim, divinos. E estes critérios são os santos mandamentos.

2. Ora, o Senhor não nos deve explicações de nada, nós é que devemos nos explicar diante Dele; afinal, somos os responsáveis pelo bem ou pelo mal que se pratica a cada instante na face da terra. Quando as pessoas pedem sinais para crê, é porque se põem no lugar de Deus, querendo que Ele se submeta aos seus critérios. À estes, Jesus, diz: “Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal”.

3. Desse modo, compreendemos que o silêncio do Senhor Jesus diante do pedido de um sinal não é indiferença, mas sim um convite à metanoia, à mudança de mente e de coração. O maior sinal já nos foi dado: a sua presença constante no meio de nós e a sua Palavra que ilumina as trevas deste mundo afundado na lama fétida do pecado.

4. Sem dúvida, a verdade se explica por si mesma, e quem a ela pertence, permanece nela para sempre, porque ouve a sua voz e põe em prática o que lhe é ensinado; pelo contrário, quem se põe contra ela, vive em permanente contradição, porque faz da incoerência sua regra de vida, por isso, vive semeando os frutos de seu desvario, isto é, ódio, discórdias, divisões e tantos outros comportamentos nefastos.

5. Sejamos, pois, vigilantes para não cairmos na tentação da soberba espiritual, que julga saber mais que o Criador. A verdadeira sabedoria reside na humildade de reconhecer a própria pequenez, deixando que a luz divina guie nossos passos. 

6. Insistir em provas extraordinárias é fechar os olhos para a extraordinária beleza da graça que se manifesta no cotidiano e na simplicidade da fé. Quem se esvazia de si mesmo e de suas exigências torna-se solo fértil para que o Espírito Santo realize os prodígios que nenhum sinal externo poderia igualar. 

7. Portanto, caríssimos, não queiramos ser, por nós mesmos, nada mais do que somos naturalmente, isto é, um simples sopro de vida que a qualquer momento se esvai. Destarte, confiemos tudo o que somos e vivemos nas mãos do Senhor, a fim de que seguindo os seus critérios salvíficos, entremos com Ele na vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Cuidado não use o seu livre arbítrio para condenar-se...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,1-10)(14/02/26)

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1. Caríssimos, vivemos num mundo contaminado pelos os interesses políticos, econômicos e de poder temporal; e os que se dão à esses interesses tendem sempre a manipular a opinião pública a seu favor a fim de manterem o status que conquistaram com suas manipulações e enganos, por isso, são mentirosos compulsivos, prometem tudo, porém, pouco ou nada cumprem.

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2. Outros são cheios de boas intenções em seus ideais, mas tropeçam ao serem condizentes com os inimigos da fé e dos bons costumes, e por isso, trilham com eles a via da ruína e da perdição que cultivam por suas atitudes que visam destruir a comunhão com Deus e entre nós; tal como vimos acontecer com Jeroboão na primeira leitura.

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3. O Evangelho de hoje narra a multiplicação dos pães, e nele vimos como Deus age em comunhão conosco incentivando a solidariedade e a partilha fraterna em vista de suprir as necessidades básicas daqueles que o buscam, e faz isso por sua divina providência. Em outras palavras, o Senhor nos dá tudo o que precisamos quando o buscamos de todo coração. 

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4. Meditando esse Evangelho vimos que era imensa a multidão que seguia o Senhor Jesus, em meio às condições adversas. Mas, por que o buscavam? Somente por causa dos sinais que realizava ou por conta dos seus ensinamentos? Lendo o Evangelho de Mateus, temos a resposta: "Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina. Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas." (Mt 7,29).

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5. De fato, aqueles que vivem de manipulações e interesses pessoais jamais agradam a Deus; pelo contrário, vivem motivados e instigados pelo maligno, por isso, causam muitos danos e divisões. Todavia, quem busca o Senhor e o serve de coração pela solidariedade e partilha fraterna, encontra Nele o apoio e as graças que suprem suas necessidades e os conduz à vida eterna.

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6. Portanto, caríssimos, não nos deixemos enganar pelas falsas promessas de quem busca apenas o próprio ventre ou o poder passageiro. Que saibamos discernir as vozes que nos falam, para ouvir sempre Aquele que multiplica o pouco que temos em abundância de vida e comunhão, nosso Senhor Jesus Cristo.


7. ​Que a Santíssima Virgem Maria nos ensine a docilidade de coração para buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça. Assim ao participarmos da mesa da Eucaristia, o pão descido do céu, seremos transformados em sinais vivos da providência divina, aprendendo que, no Reino de Cristo, a verdadeira grandeza reside em servir, e o milagre acontece quando aceitamos partilhar o pouco que temos.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

O tempo perdido com as futilidades deste mundo, é irrecuperável...

 Homilia do 6°Dom do tempo comum (Mt 5,17-37)(15/02/26)

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1. Caríssimos, vivendo neste vale de lágrimas, muitos atribuem ao destino os males que lhes acontecem, e por isso, não percebem que o mal é resultado de suas más escolhas e decisões. Prestemos bem atenção à primeira leitura desta liturgia, onde o hagiógrafo nos ensina que a liberdade humana permanece livre e estável somente quando realiza a vontade de Deus pela obediência à sua Palavra. 

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2. Deus é amor e nos criou à sua imagem e semelhança, isto é, livres e capazes de amar; por isso, sempre pensa em nós a partir do seu amor e da capacidade que nos deu para ama-lo sobre todas as coisas e amar-nos uns aos outros como a nós mesmos. E porque nos ama, põe diante de nós a sua Divina Misericórdia antes de sua Justiça, por meio do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que perdoa os nossos pecados e nos liberta de todo mal.

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3. Na segunda leitura são Paulo nos ensina que a virtude da humildade nos põe na presença de Deus, e nos faz crescer na esperança da vida eterna que é a herança que Deus tem reservada para todos que o amam; e tudo isso nos é revelado pelo Espírito Santo nas Sagradas Escrituras.

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4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra o itinerário dos que são salvos, daqueles que o seguem fielmente no cumprimento da vontade do Pai. Diz Ele: "Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição." 


5. De fato, quem obedece aos seus Santos Mandamentos, vive em constante estado de graça, isto é, na sua presença fazendo em tudo a Sua Santa Vontade. Mas, atenção para não caírmos na tentação da soberba, pensando que somos salvos por nossos próprios méritos, e não pelo auxílio das suas graças derramadas em nossas almas.


6. Portanto, caríssimos, todos os mandamentos e todos os sacramentos são proteção que Deus nos dá e não obrigação, porém, para sermos protegidos precisamos obedece-lo, isto é, por em prática o que Ele nos fala nas Sagradas Escrituras, nos Sacramentos, na oração pessoal e comunitária, porque rezar é conviver com o Senhor a todo instante do nosso viver. 

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7. Decerto, tempo é vida, e quem perde tempo, perde também com ele a vida. Por isso, muito cuidado, para não esquecer de pôr em prática o primeiro e mais importante mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito" (Dt 6,5). 


8. Porque amar a Deus assim, é dar a Ele toda a nossa vida, todo o nosso tempo, todo o nosso entendimento, caso contrário, nos afastamos Dele, perdendo tempo com às futilidades deste mundo, principalmente na Internet em que o tempo perdido com as distrações e o disse me disse, é irrecuperável. 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Anunciar o Reino de Deus, é viver para ele...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,31-37)(13/02/26)

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1. Caríssimos, quando o coração humano está ocupado pelas tentações e os pecados consentidos e praticados, torna-se resistente à Palavra de Deus, por isso, a combate, porque não existe espaço para a graça na alma manchada pela lama fétida do pecado; todavia, quando esta se abre pelo remorso e o arrependimento, encontra o Senhor que a liberta por Sua Divina Misericórdia.

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2. Pregando na Sinagoga de Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé vivem a experiência da rejeição da Palavra, mas também da acolhida da mesma. Vejamos, por um lado, os judeus se fecham à graça do anúncio do Reino de Deus, por não aceitarem Jesus como o Messias; por outro, os pagãos se abrem a ação do Espírito Santo e experimentam a imensa alegria da conversão.

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3. Por conta disso, o anúncio do Reino de Deus passa por constantes tensões devido às perseguições por parte daqueles que o rejeitam, por conta dos pecados praticados por instigação do maligno. Todavia, como a verdade permanece sempre, nada poderá deter o seu crescimento, uma vez que é o próprio Senhor Jesus que vai a frente daqueles que o anunciam intrepidamente como única fonte de salvação e vida eterna.

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4. Eis o que escreveu São João a esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. 


5. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."

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6. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor a graça de permanecermos fiéis até o fim na luta contra o pecado; anunciando o Reino de Deus e a sua justiça, certos de que Ele vai a nossa frente nos ajudando no cumprimento dessa missão que é obra de suas mãos.

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7. Que o Espírito Santo nos conceda a docilidade de coração necessária para escutarmos a voz do Senhor e proclamarmos as Suas maravilhas. Que nenhuma barreira de pecado nos impeça de contemplar a Sua face, de modo que, purificados por Sua Divina Misericórdia, caminhemos firmes na esperança de sermos um dia acolhidos por Ele na sua Glória.

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As virtudes fundamentais da oração...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(12/02/26)

1. Caríssimos, a fidelidade a Deus pela obediência à Sua Palavra, é uma grande virtude que traduz a nossa adesão total a Ele, porém, parecisamos perseverar até o fim nessa graça, principalmente quando somos tentados a relativisar a prática da nossa fé, ou seja, tentados a pensar que todos os outros credos são iguais ao nosso; quando na verdade não são. Respeitar quem os professa sim; porém, jamais ser condizentes ou aderir a eles.

2. Na primeira leitura vimos como Salomão foi infiel ao Senhor afastando-se Dele por meio de práticas religiosas não condizentes com a fé que professava. E o resultado nefasto de sua infidelidade foi a terrível divisão do povo eleito, resultando na decadência da fé e dos bons costumes em larga escala.

3. No Evangelho de hoje uma mulher, que não fazia parte do povo eleito, aproximou-se do Senhor Jesus e lhe fez uma ardente súplica em favor de sua filha atormentada por um demônio. A princípio o Senhor escutou, mas não lhe respondeu conforme havia suplicado; no entanto, ela apresentou ao Senhor as virtudes fundamentais da oração: fé, humildade, perseverança e esperança; desse modo, foi prontamente atendida.

4. Decerto, pelos exemplos que vemos nos Evangelhos, todos os que se aproximavam do Senhor Jesus eram atendidos em suas necessidades; exceto os escribas, fariseus e doutores da lei, por causa da dureza de coração; é que num coração repleto de orgulho, egoísmo e prepotência não existe espaço para a graça de Deus atuar livremente.

5. Portanto, caríssimos, quando a nossa oração é uma expressão da nossa comunhão com a vontade de Deus, ela apresenta as mesmas virtudes da oração da mulher cananéia, e por isso, também somos prontamente atendidos.

6. Então, escutemos com atenção esta exortação de São Tiago: "Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós. Lavai as mãos, pecadores, e purificai os vossos corações, ó homens de dupla atitude. Reconhecei a vossa miséria, afligi-vos e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto e a vossa alegria em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará." (Tg 4,8-10).

7. Destarte, que ao aproximar-nos da mesa do Senhor, peçamos a graça de um coração manso e humilde, capaz de reconhecer que até as "migalhas" da Sua graça são suficientes para restaurar a nossa vida e as nossas famílias. Que a nossa perseverança na oração seja o testemunho vivo da nossa fidelidade a Deus, hoje e sempre.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Como manter-se em permanente estado de graça?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(11/02/26). 

1. Caríssimos, a liturgia de hoje trata da vida interior, isto é, do estado de graça que significa a santificação de nossas almas pela permanente comunhão com o Senhor Jesus. Para isto ponhamos em prática o que nos ensina o Livro de Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida." (Pr 4,23).

2. Com efeito, eis o que disse o Senhor no Evangelho de hoje: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23).

3. Decerto: "Quem se entrega a maus pensamentos não pode manter-se puro de pecados no seu homem exterior; e, se não arrancar os maus pensamentos do seu coração, é impossível que eles não o levem a praticar más obras. Devemos pois, cada um de nós, purificar-nos por dentro e por fora no Senhor e guardar os sentidos, mantendo-nos puros de qualquer atividade inspirada pelas paixões e pelo pecado."

4. "Travemos, pois, o combate da inteligência contra os demônios que falam por meio de maus pensamentos que chegam a nossa mente, a fim de não permitir que as suas vontades más passem para as nossas obras como pecados reais. Se arrancarmos o pecado do coração, encontraremos o reino de Deus em nós. Por esta ascese, mantenhamos, em nome de Deus, a pureza e uma contínua compunção de coração." (Filoteu do Sinai).

5. De fato, o pecado é algo que brota do nosso interior à medida que cedemos às tentações do inimigo. Todavia, Deus nos deu o livre arbítrio como a chave que fecha a porta de nossa alma não permitindo que o maligno fale. Por isso, o Senhor nos exorta: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41).

​6. Destarte, embora o pecado seja um mal terrível, ele não é incurável. A cura reside na nossa capacidade de vigilância e na sinceridade da nossa penitência. Se guardarmos os nossos sentidos — o olhar, o desejo e o pensamento — e mantivermos a memória de Deus viva em nós, as inclinações para a avareza ou a impureza ou outros pecados perdem a sua força dando lugar à quietude de nossa alma. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A fé autêntica é dom do Espírito Santo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,1-13)(10/02/26)

1. Caríssimos, existem certas atitudes que levam os homens a viverem de aparências, tirando-lhes a autenticidade de ser, e isso também pode acontecer na vivência da fé. Tais atitudes chamam-se incoerência, hipocrisia, porque os que as praticam caem em constante contradição, tornado o próprio viver um antro de perdição, por falta da prática das virtudes eternas.

2. A liturgia de hoje nos conduz à uma vivência autêntica da fé que tem como fundamento o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, pois, sem a vivência desse amor a prática da fé não passa de ritos estéreis e piedade aparente que em nada contribui para a salvação eterna das almas.

3. O Evangelho de hoje nos mostra o quanto a prática aparente da fé é prejudicial no relacionamento com Deus e com o próximo pela falta de caridade e de misericórdia com que deve ser vivida. Pois, a fé ao mesmo tempo que nos une a Cristo para interagirmos como Ele, nos conduz a partilha das graças e bênçãos recebidas com os nossos irmãos e irmãs.

4. Com efeito, meditando ainda o Evangelho de hoje vemos que o Senhor Jesus mostra aos fariseus e aos mestres da lei a gravidade do pecado da hipocrisia que eles estavam cometendo, pois, haviam criticado duramente os discípulos por não seguirem os costumes dos seus antepassados; e no entanto, eles burlavam frequentemente a lei de Deus usando como desculpa a prática desses costumes, por isso, disse o Senhor: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está distante de mim."

5. Portanto, caríssimos, quem a Deus se dirige humildemente é prontamente atendido em todas suas súplicas, assim como nos ensinou são Pedro: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. (1Pd 5,6-7). E o Livro dos Provérbios conclui: "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes." (Pr 3,34).

6. Destarte, a oração do rei Salomão após a introdução da Arca da Aliança no Templo de Jerusalém, é um belo e piedoso exemplo da autêntica vivência da fé: “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Esta é a maior graça que existe...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,53-56)(09/02/26)

1. Caríssimos, meditando o Evangelho de hoje vimos que Jesus e os discípulos ao chegarem a Genesaré foram cercados por uma grande multidão que transportavam muitos enfermos pedindo para tocarem no Senhor; "E todos os que O tocavam ficavam curados." 

2. Ora, ter a graça da presença de Jesus com eles era sumamente importante, porque desse modo se sentiam acolhidos, amados, protegidos e libertados pelo o próprio Filho de Deus.

3. São Leão Magno, discorrendo sobre a presença de Jesus no meio de nós escreveu: "A pequenez humana foi assumida pela majestade de Deus, a nossa fraqueza pela sua força, a nossa submissão à morte pela sua imortalidade. 

4. Para pagar a dívida de nossa condição humana, a natureza inalterável de Deus uniu-Se à nossa natureza exposta ao sofrimento. Assim, para melhor nos curar, «o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo» (1Tm 2,5), tinha, por um lado, de poder morrer, e por outro de não poder morrer.

5. Foi portanto na plena e completa natureza de um verdadeiro homem que o verdadeiro Deus nasceu. Ele tomou a natureza do escravo sem a mácula do pecado; Ele levantou a humanidade sem abaixar a divindade.

6. Despojando-Se a Si mesmo (Fil 2,7), Aquele que era invisível tornou-Se visível; o Criador e Senhor de todas as coisas quis ser um mortal entre os outros mortais. Mas tudo isso foi um favor da sua misericórdia, e não uma derrota do seu poder. 

7. Tudo isso é de uma ordem nova: Aquele que excede qualquer limite quis ser limitado como nós, Aquele que já existia antes da criação do tempo começou a existir no tempo, o Senhor do universo tomou a forma de servo (Fil 2,7), mergulhando na sombra a grandeza infinita da sua majestade.

8. O Deus incapaz de sofrimento não desdenhou ser um homem capaz de sofrer, e Aquele que é imortal, submeter-Se às leis da morte. Com efeito, o mesmo Cristo que é verdadeiro Deus é também verdadeiro homem. Ele é verdadeiro Deus porque «no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus»; e é homem porque «o Verbo Se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,1.14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Vós sois a luz do mundo, que brilhe as vossas boas obras...

 Homilia do 5°Dom do tempo comum (Mt 5,13-16)(08/02/26)

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1. Caríssimos, a liturgia deste domingo trata do discipulado de Cristo; Certa feita, disse o Senhor: "Eu sou a luz do mundo quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida." Isso quer dizer que todo aquele que o segue é iluminado por Ele e torna-se luz do mundo; é temperado pelo sal da graça santificante, pondo sabor em tudo o que faz, pois, essas virtudes revelam a Sua Vontade posta em prática.

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2. "O sal sensivelmente dá sabor ao pão e a todos os alimentos, impede certas carnes de apodrecerem, conservando-as durante muito tempo. Considera que o mesmo acontece com a guarda da inteligência, pois ela cumula de sabor divino tanto o homem interior como o homem exterior, expulsa o odor fétido dos maus pensamentos e permite-nos perseverar no bem."


3. "De uma sugestão nascem numerosos pensamentos e destes más ações sensíveis; mas quem, com Jesus, apaga imediatamente a primeira, evita as suas consequências e poderá enriquecer-se com o suave conhecimento divino pelo qual encontrará Deus, que está presente em toda a parte." (Hesíquio do Sinai).

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4. Com efeito, "Quando as nuvens de poeira se dissipam, o ar fica limpo; da mesma maneira, quando os fantasmas das paixões se dissipam diante de Jesus Cristo, o Sol da Justiça, nascem no coração pensamentos luminosos, semelhantes às estrelas. Pois Jesus ilumina o espaço sagrado do nosso coração" com a luz divina de Sua presença. 


5. Desse modo, a alma repousa em Deus na mais pura e sublime contemplação, envolvida por Sua Divina Misericórdia. Tudo isso é graça recebida e partilhada como fruta da salvação que experimenta da parte do Espírito Santo que a conduz. 

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6. ​Portanto, caríssimos, ser sal da terra e luz do mundo não é uma glória humana, mas uma graça que Deus nos dá para isto. Decerto, assim como o sal se dissolve para dar sabor e a luz se consome para iluminar, o discípulo é chamado a se doar totalmente a serviço do Reino de Deus. 


7. ​Que a Santíssima Virgem Maria, a Estrela da Manhã, nos ajude a manter acesa a chama viva da fé, preservando o sabor da santidade. Caminhemos, pois, com o coração inflamado por Jesus, transformando cada rincão deste mundo em um espaço sagrado de Sua presença e de Sua paz.

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Precisamos da Sabedoria e da justiça para governar a nossa vida...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,30-34)(07/02/26)

1. Caríssimos, esse nosso mundo da comunicação fácil, do disse me disse, de tantas notícias falsas e de tantos enganos, no fundo no fundo está gritando, pedindo socorro, porque está afundando nas futilidades e nos prazeres fugazes, e nada há que preencha o vazio existencial dos que se dão à essas práticas, e por isso, agridem e são agredidos, uma vez que perderam o sentido do sagrado e fizeram do profano uma arma de combate contra os bons costumes.

2. Bem diferente desse nosso tempo é o que vemos na primeira leitura, em que o rei Salomão mantém a fé do seu pai Davi e a comunhão com Deus que em uma visão lhe pergunta o que gostaria de receber para governar o povo eleito, ao que ele respondeu: "Peço Sabedoria para governar com justiça," e recebeu. Pois, o Senhor lhe respondeu: "Já que pediste estes dons para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti."

3. Com efeito, meditando o Evangelho de hoje nos chama a atenção o quanto as multidões procuravam o Senhor Jesus e os Apóstolos em busca dos seus ensinamentos e dos sinais que realizava em vista do bem de todos, ou seja, cumprindo esta profecia de Amós: "Virão dias – oráculo do Senhor Javé – em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor." (Am 8,11).

4. Decerto, é isso o que vemos neste relato de são Marcos: "Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. 

5. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas."

6. Portanto, caríssimos, existe um imenso abismo entre a comunicação deste mundo e a comunicação divina, isto é, a Palavra viva do Senhor Jesus, no entanto, é possível transpor esse abismo mediante a conversão e a fé, pois, quem ouve a Sua Palavra e faz dela a sua regra de vida no seio da Sua Santa Igreja, vive a verdadeira liberdade dos que foram perdoados e redimidos por seu sangue derramado em sacrifício pela nossa salvação.

7. Destarte, os homens dessa nossa geração estão entorpecidos por tantas más palavras proferidas e escutadas que só geram divisão, desconforto, violência e morte. Por isso, mais do que nunca precisam ouvir a Palavra que o Senhor Jesus profere para que pondo-a em prática tenham a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A eternidade é o devir que vivemos desde já...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,14-29)(06/02/26)

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1. Caríssimos, o sentido de nossa vida é eterno e não podemos entender isso se não pusermos em prática o que o Senhor Jesus nos ensina: "Sede santos, assim como vosso Pai celeste é Santo." (Mt 5,48). E não existe outro caminho a ser percorrido neste mundo para atingirmos a santidade fora da cruz do Senhor; porque qualquer outra cruz, que não é a de Cristo, não nos conduz à ressurreição. 

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2. De fato, neste mundo somos tentados, perseguidos e maltratados, isto é, somos crucificados todos os dias; mas, sempre ressurgimos, porque é o Senhor mesmo quem nos conduz quando pomos em prática a sua Palavra, quando pela obediência a traduzimos em ações que nos levam a santidade.

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3. O Evangelho de hoje relata um dos episódios mais dolorosos do início do Novo Testamento, trata-se do assassinato de São João Batista, o qual sem culpa alguma foi degolado na prisão a mando do rei Herodes para satisfazer o ódio de Herodíades com quem vivia em adultério.

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4. Ora, o inocente João Batista encontra-se na glória de Deus, no Reino dos céus; quanto aos seus algozes que tramaram a sua morte, onde estão eles? Fiquemos certos de uma coisa, o livre arbítrio é o poder de decisão que rebemos de Deus somente para o bem; porém, se alguém usa-lo para o mal e morrer em pecado mortal, essa será a condição de sua alma por toda a eternidade.

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5. Portanto, caríssimos, são João Batista não hesitou em proclamar a verdade, mesmo sabendo que isso lhe custaria a liberdade e a própria vida. Ele compreendeu que a fidelidade a Deus é o tesouro mais precioso que um homem pode carregar, superior a qualquer banquete ou aprovação humana.


6. ​Desse modo, que o exemplo do Precursor nos ajude a manter o olhar fixo na eternidade, onde a justiça divina prevalece sobre a tirania dos homens. Não temamos as prisões deste mundo se nossa alma se mantiver livre no Senhor. Pois a verdadeira liberdade consiste em fazer a sua vontade em todos os sentidos de nossa vida.


7. Que Maria Santíssima nos auxilie a transformar cada cruz diária em um degrau de santidade, para que, ao final de nossa jornada, possamos também nós contemplar a face daquele que João Batista anunciou com tanto zelo.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que mais precisamos nesta vida?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,7-13)(05/02/26)

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1. Caríssimos, a perfeita comunhão com Deus, nosso Pai, nasce das virtudes da obediência e da fidelidade que consiste no cumprimento dos seus santos mandamentos por meio do seguimento do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ensinou: “Não julgueis que vim abolir a Lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição."

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2. Decerto, a Lei dada por Deus à Moisés, no Antigo Testamento, revela a Sua Vontade presente nela, gerando a liberdade dos seus eleitos à medida que a punham em prática. Com o advento do Senhor Jesus, as Palavras da Lei foram elevadas à plenitude do amor, pois, foi para isto que o Senhor veio a este mundo, salvar a todos que o seguem à medida que entregam a própria vida em obediência à vontade do Pai.

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3. Na primeira leitura desta liturgia, o rei Davi prestes à deixar este mundo, instruiu o seu filho Salomão, mostrando-lhe que a maior riqueza de um governante é a piedade e o temor de Deus. E Salomão aprendeu tão bem as suas instruções que ao escrever o livro de Sabedoria, iniciou dizendo: 


4. "Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança." (Sb 1,1-2).

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5. O Evangelho de hoje começa com o Senhor Jesus instruindo os discípulos e os enviando dois a dois em missão. A primeira instrução, trata-se do despojamento material; depois a não preocupação com a própria sobrevivência, pois, a quem serve a Deus nos irmãos nada lhe falta. Ensinou também a evitar qualquer polêmica, uma vez que o sentido do anúncio da Palavra, é o Reino de Deus e a sua justiça.

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6. Portanto, caríssimos, a missão que os discípulos receberam não tinha como fundamento os recursos humanos ou estratégias de poder, mas a confiança inabalável na Providência Divina. Também nós somos chamados a caminhar com leveza, levando apenas o essencial: a paz de Cristo e o testemunho de uma vida transformada pela obediência à sua Palavra de Vida Eterna.

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7. Que, a exemplo de São Francisco de Assis, possamos trilhar o caminho do despojamento, confiantes de que o Senhor Jesus caminha conosco e provê tudo o que é necessário para a edificação do Seu Reino e a salvação das nossas almas.

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Como vencer os preconceitos?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,1-6)(04/02/26)

1. Caríssimos, uma das grandes pragas que está destruindo a humanidade é o falso julgamento; esse é sempre cheio do veneno dos preconceitos e de todo o mal que tal pecado comporta. É por isso que temos uma sociedade que vive envolvida numa constante discórdia e cegueira espiritual, isso porque não se dá conta de que fomos criados por Deus, como expressão do seu amor, somente para amar e fazer o bem.

2. O rei Davi, como vimos na primeira leitura, procurou fazer o recenseamento do povo eleito, mas, sem consultar o Senhor, sem demonstrar as devidas intenções; desse modo, sofreu a tentação de governar o povo de Deus como se fosse seu, mas logo sentiu um peso na consciência. Todavia, por seu arrependimento, alcançou a graça de ver suspenso em parte o castigo que esse pecado havia atraído.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi julgado por seus conterrâneos, em sua missão profética, por ser carpinteiro e ter convivido com eles antes do início do seu ministério sem manifestar a sabedoria e os prodígios que agora realizava. 

4. Bem como relata o texto sagrado: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? E ficaram escandalizados por causa dele."

5. De fato, quando o coração humano está cheio de preconceitos, julgamentos de valor e as futilidades deste mundo, não compreende e nem vive a profundidade da missão salvífica de Jesus. Vejamos então o que diz o texto sagrado à esse respeito: "E ali Jesus não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles." A incredulidade é um veneno que mata a alma que se alimenta dele. 

6. Com efeito, a liturgia de hoje nos exorta a fazermos um exame de consciência e à abrir o nosso coração à ação da graça de Deus. Não permitamos que a familiaridade com as coisas sagradas ou o peso dos nossos preconceitos nos tornem cegos à presença viva de Cristo entre nós. 

7. Destarte, escutemos o que nos diz o Senhor: "Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus. Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!" (Mt 10,32-33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pela fé e o amor nos unimos ao Senhor....

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,21-43)(03/02/26)

1. Caríssimos, desde que o pecado entrou na prática de vida do ser humano com sua permissão, que os dramas e as tragédias passaram a fazer parte de sua dolorosa história. É exatamente o que vimos na primeira leitura dessa liturgia, onde o rei Davi chora a morte violenta do seu filho Absalão que se rebelou contra ele tal como havia sido profetizado por causa do grave pecado que havia cometido.

2. Com efeito, basta termos acesso aos meios de comunicação que estão ao nosso alcance, para constatarmos quantas tragédias ocorrem a cada instante nesse nosso mundo onde o pecado passou a reinar nas almas envenenadas pelo malígno, inimigo de Deus e da humanidade.

3. No Evangelho de hoje ocorrem dois fenômenos extraordinários realizados por Jesus que revelam o quanto a humanidade ferida pelo pecado e suas consequências precisa acolher o Senhor tal como o acolheu a mulher curada de uma hemorragia e Jairo que teve a filha ressuscitada dos mortos. Em ambos os casos se sobressaiu a fé no Senhor Jesus, uma vez que todas as condições eram adversas.

4. De fato, o caminho da perfeição humana traçado por Deus se encontra nas palavras e nos exemplos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo; como também daqueles que o servem no seio da Sua Santa Igreja. No mundo se dizem muitas palavras, mas a única que salva é a Palavra de Cristo, o Verbo que se fez carne e permanece conosco até o fim.

5. Decerto, são incontáveis as orações que sobem aos céus; como também são incontáveis as graças derramadas sobre a humanidade, comprovando que o Senhor continua, por Sua Divina Misericórdia, presente no meio de nós realizando a sua obra salvífica.

 6. Portanto, caríssimos, diante das tribulações que batem à nossa porta, não devemos permitir que o desespero paralise nossa alma. Assim como Jairo ouviu de Jesus: "Não tenhas medo, somente crê", também somos convidados a renovar nossa confiança inabalável no poder do Senhor. Pois, a fé é um dom do Espírito Santo que nos mantém unidos a Ele, para realizarmos tudo o que é do seu agrado.

7. Destarte, aproximemo-nos do Senhor Jesus com a mesma humildade daquela mulher que tocou Suas vestes, reconhecendo que somente n'Ele se encontra a cura para as enfermidades da alma e do corpo. Para isso, precisamos nos manter firmes na fé católica que professamos perseverando até o fim no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Festa da apresentação do Senhor Jesus no Templo...

 Festa da Apresentação do Senhor (Lc 2,22-40)(02/02/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da Apresentação do Senhor no Templo (1ªLit), ou seja, a perfeita doação de Jesus ao Pai por meio de sua Mãe, Maria Santíssima e de São José, seu pai virginal, que o oferecem a Deus em cumprimento à Lei de Moisés, mas também como um pré-anúncio do seu Sacrifício de cruz (2ªLit). 

2. Com efeito, nesta apresentação o Espírito Santo conduz os anciãos, Simeão e Ana, que anunciam sua chegada em cumprimento às profecias. Ou seja, Deus aje em suas almas revelando o seu Filho como o Messias, enviado a este mundo para a salvar seu povo eleito e as nações. 

3. Ora, tudo em Deus é perfeito e por isso mesmo todas as suas obras são isentas da influência do mal; a Sua Vontade é livre e soberana, desse modo, vem a nós por sua infinita mesericórdia numa carne semelhante a nossa, exceto o pecado, em vista da nossa salvação eterna.

4. Ao celebrarmos esta festa acendemos velas lembrando que Jesus é a verdadeira luz que ilumina as trevas deste mundo como anunciou Simeão: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

5. Sem dúvida, estamos vivendo os tempos proféticos ou escatológicos, que trata dos últimos acontecimentos de nossa história, ou seja, do cumprimento das profecias anunciadas por Jesus em preparação à Sua Parusia, ou seja, à sua segunda vinda.

6. Portanto, caríssimos, preparemo-nos, por meio da oração, penitência, vivência dos Sacramentos e a prática das boas obras; pois, como o Senhor anunciou: "Estai, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem." 

7. Destarte, quem caminha nesta vida com Cristo ressuscitado nada tem a temer, mas somente agradecer por todas as graças derramadas em nossas almas, por fazermos a sua santa vontade, que é amor, bondade, verdade, justiça, santidade e todas as outras virtudes eternas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A Regra da vida eterna...

 Homilia do 4°Dom do Tempo Comum (Mt 5,1-12a)(01/02/26)

1. Caríssimos, certa feita disse o Senhor: "Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis." (Mt 26,11). Com efeito, Ele disse isso num dos momentos mais difíceis de sua presença neste mundo em que estava prestes a ser traído por Judas. De fato, ao mencionar os pobres Ele o faz como um deles, pois tudo o que ensinou tem como fundamento o seu modo de ser e estar no mundo.

2. Com efeito, nas leituras desta liturgia se evidencia a revolução que o Senhor Jesus veio trazer a este mundo; não uma revolução armada cujo objetivo é a tomada do poder temporal; mas sim uma revolução salvífica cujo objetivo é a inversão de valores, em que o amor aos pobres os liberta da miséria, e os preenche de dignidade dando-lhes o ampara necessário para se sentirem filhos e filhas de Deus.

3. O Evangelho de hoje é o início do Sermão da Montanha com as Bem-aventuranças, que é a espinha dorsal do ensinamento do Senhor Jesus, é também a regra da vida eterna, caminho de perfeição, pois quem por ele segue nunca tropeça porque tem no auxílio da graça de Deus a força para percorrer-lo sem sofrer dano algum.

4. Todavia, perguntemos: como viver as bem-aventuranças? A resposta está em cada uma delas, uma vez que como filhos e filhas de Deus nada queremos fora da sua vontade, desse modo, ser pobre é não se apegar a nada, é dar e receber providencialmente o que somente a Deus pertence. Desse modo, ser puros de coração é ter em Deus o prazer que nos santifica, e nos liberta do prazer egoísta que nunca nos satisfaz.

5. Ser mansos, sentir fome e sede de justiça, ser misericordiosos, promotores da paz mesmo em meio às perseguições, calúnias, mentiras e todo tipo de maldade, significa sermos conduzidos pelo Espírito Santo para realizarmos em tudo a vontade de Deus, nosso Pai, convictos de que Ele nos livra de todo o mal.

6. Portanto, caríssimos, "o sentimento profundo de desapego e pobreza, justiça e sinceridade, são as dimensões do coração novo que acolhe a Palavra de Deus que nos salva. Pois, só podemos descobrir a riqueza dos dons de Deus à medida que vivemos a experiência das bem-aventuranças." (MR).

7. "A meta que o Senhor Jesus nos indica com o sermão da montanha, antes de ser atingida por nossos esforços, é um dom que se obtém pela oração." (MR). De fato, a oração é a graça de todo momento para todas as situações de nossa vida, de modo que, "quem reza nunca está sozinho". Rezemos, então, com amor e atenção esta linda oração: "Senhor, ensina-me a rezar com simplicidade, a confiar mesmo no silêncio e a descansar em Teu amor. Que minha vida [Senhor] seja uma oração. Amém."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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