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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Como viver bem o tempo litúrgico da quaresma...


 QUARTA-FEIRA DE CINZAS (Mt 6,1-6.16-18)(18/02/26)

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1. Caríssimos, com a quarta-feira de cinzas a Igreja dá início ao tempo litúrgico da Quaresma, ou seja, quarenta dias de jejum e penitência em preparação à Paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus, e a sua vitória sobre o pecado, o maligno e a morte. 

2. Com efeito, é bem como nos exortou são Paulo: "Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus." (2Cor 5,20). Em outras palavras, é tempo de conversão, de penitência e da prática das boas obras. A reconciliação não é algo que o ser humano conquista por esforço próprio, mas é um presente já preparado por Deus através do sacrifício do seu Filho Jesus, basta a nós acolhe-lo com fé. 
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3. De fato, a luta contra o pecado é constante; todavia, o poder para vence-lo é infinito e nos vem do Senhor que nos deu o Seu Santo Espírito para nos conduzir nas batalhas que lutamos. São estas as armas a serem usadas: a oração interior, o jejum e a esmola, que são os três alicerces da prática penitencial que nos levam à verdadeira reconciliação com Deus e entre nós.
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4. O Santo Padre, o Papa Francisco numa de suas audiências públicas numa quarta-feira de cinzas, assim discorreu sobre este tempo litúrgico: “Hoje, iniciamos o caminho quaresmal, caminho de quarenta dias em direção à Páscoa, rumo ao coração do ano litúrgico e da fé. É um caminho que segue o de Jesus, que no início de seu ministério se retirou por quarenta dias para rezar e jejuar, tentado pelo diabo, no deserto.
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5. O deserto é o lugar em que se toma distância do barulho que nos circunda. É ausência de palavras para dar espaço a outra Palavra, a Palavra de Deus, que acaricia o nosso coração com a brisa suave [da sua voz]. 

6. O deserto é o lugar da Palavra, com letra maiúscula. Na Bíblia, o Senhor gosta de conversar conosco no deserto. No deserto, se ouve a Palavra de Deus, que é como um som suave." Pois, é no silêncio que Ele nos comunica a sua vontade, abafando com isso o barulho do mundo. 
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7. Destarte, disse ainda o Santo Padre: “A Quaresma é o tempo propício para abrir espaço à Palavra de Deus. É o tempo para desligar a televisão e abrir a Bíblia. É o tempo para se desligar do telefone celular e se conectar com o Evangelho. É o tempo de renunciar a palavras inúteis, conversinhas, fofocas, mexericos e se aproximar do Senhor." E se deixar conduzir por Ele.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Precavei-vos do fermento dos fariseus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,14-21)(17/02/26)

1. Caríssimos, existe um ditado popular que nos faz entender claramente o tema da liturgia de hoje: "Para bom entendedor meia palavra basta." E a razão é muito simples, expomos, com o nosso viver, quem somos, isto é, nossas intenções, interesses, desejos, e o que trazemos na alma. Porém, se tudo isso for uma somatória de contradições em relação à Palavra de Deus, permitimos com isso, a incoerência que nos leva à hipocrisia, e à prática das más ações.

2. Na primeira leitura são Tiago nos mostra que estamos numa grande luta espiritual e que saímos vitoriosos à medida que resistimos às tentações nos mantendo em comunhão com a vontade de Deus. Diz ele: "Feliz o homem que suporta a provação. Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu àqueles que o amam." (Tg 1,12).

3. De fato, em certos momentos sentimos chegar à nossa mente pensamentos vãos, desordenados e estranhos; e mesmo que não queiramos, muitas vezes eles insistem; é aí que se dá o combate pela oração, pela rejeição deles e pela expulsão dos mesmos. 

4. São Paulo assim nos ensina sobre esta luta: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13).

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus em colóquio com os Apóstolos, os adverte a respeito do fermento dos fariseus, que se diziam fiéis cumpridores da Lei de Deus, mas na verdade, a violavam constantemente pela falta de humildade, de misericórdia e caridade, por isso, perseguiam o Senhor com ódio mortal. Desse modo, tomemos cuidado com esse fermento, porque na verdade, é um terrível veneno para quem se deixa fermentar por ele.

6. Comentando este Evangelho, disse o Papa Francisco: "Este fermento — diz Jesus — é perigoso. Precavei-vos. É a hipocrisia”. O Senhor não tolera a hipocrisia: este aparecer bem, até com boas maneiras, mas com maus hábitos dentro. Outra gente são os cristãos: deveríamos ser cristãos, mas também há cristãos hipócritas, que não aceitam o fermento do Espírito Santo. Precisamente por isto Jesus nos admoesta: “precavei-vos do fermento dos fariseus”. 

7. O fermento dos cristãos é o Espírito Santo, que nos impulsiona para fora, nos faz crescer, com todas as dificuldades do caminho, mesmo com todos os pecados, mas sempre com a esperança [de sermos libertados]. O Espírito Santo é precisamente a garantia daquela esperança, daquele louvor, daquela alegria [que não tem fim]." (Santa Marta, 19/10/18).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Esta gente pede um sinal, não lhe será dado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mc 8,11-13)(16/02/26)

1. Caríssimos, acreditar é ir muito além dos impasses obscuros da nossa razão; é chegar ao coração de Deus transpondo as barreiras de nossa impotência causada pelos pecados praticados, e assim obter da sua Divina Misericórdia o perdão que tanto precisamos. Tendo em vista que os critérios para salvação humana, não são humanos; mas sim, divinos. E estes critérios são os santos mandamentos.

2. Ora, o Senhor não nos deve explicações de nada, nós é que devemos nos explicar diante Dele; afinal, somos os responsáveis pelo bem ou pelo mal que se pratica a cada instante na face da terra. Quando as pessoas pedem sinais para crê, é porque se põem no lugar de Deus, querendo que Ele se submeta aos seus critérios. À estes, Jesus, diz: “Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal”.

3. Desse modo, compreendemos que o silêncio do Senhor Jesus diante do pedido de um sinal não é indiferença, mas sim um convite à metanoia, à mudança de mente e de coração. O maior sinal já nos foi dado: a sua presença constante no meio de nós e a sua Palavra que ilumina as trevas deste mundo afundado na lama fétida do pecado.

4. Sem dúvida, a verdade se explica por si mesma, e quem a ela pertence, permanece nela para sempre, porque ouve a sua voz e põe em prática o que lhe é ensinado; pelo contrário, quem se põe contra ela, vive em permanente contradição, porque faz da incoerência sua regra de vida, por isso, vive semeando os frutos de seu desvario, isto é, ódio, discórdias, divisões e tantos outros comportamentos nefastos.

5. Sejamos, pois, vigilantes para não cairmos na tentação da soberba espiritual, que julga saber mais que o Criador. A verdadeira sabedoria reside na humildade de reconhecer a própria pequenez, deixando que a luz divina guie nossos passos. 

6. Insistir em provas extraordinárias é fechar os olhos para a extraordinária beleza da graça que se manifesta no cotidiano e na simplicidade da fé. Quem se esvazia de si mesmo e de suas exigências torna-se solo fértil para que o Espírito Santo realize os prodígios que nenhum sinal externo poderia igualar. 

7. Portanto, caríssimos, não queiramos ser, por nós mesmos, nada mais do que somos naturalmente, isto é, um simples sopro de vida que a qualquer momento se esvai. Destarte, confiemos tudo o que somos e vivemos nas mãos do Senhor, a fim de que seguindo os seus critérios salvíficos, entremos com Ele na vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Cuidado não use o seu livre arbítrio para condenar-se...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,1-10)(14/02/26)

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1. Caríssimos, vivemos num mundo contaminado pelos os interesses políticos, econômicos e de poder temporal; e os que se dão à esses interesses tendem sempre a manipular a opinião pública a seu favor a fim de manterem o status que conquistaram com suas manipulações e enganos, por isso, são mentirosos compulsivos, prometem tudo, porém, pouco ou nada cumprem.

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2. Outros são cheios de boas intenções em seus ideais, mas tropeçam ao serem condizentes com os inimigos da fé e dos bons costumes, e por isso, trilham com eles a via da ruína e da perdição que cultivam por suas atitudes que visam destruir a comunhão com Deus e entre nós; tal como vimos acontecer com Jeroboão na primeira leitura.

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3. O Evangelho de hoje narra a multiplicação dos pães, e nele vimos como Deus age em comunhão conosco incentivando a solidariedade e a partilha fraterna em vista de suprir as necessidades básicas daqueles que o buscam, e faz isso por sua divina providência. Em outras palavras, o Senhor nos dá tudo o que precisamos quando o buscamos de todo coração. 

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4. Meditando esse Evangelho vimos que era imensa a multidão que seguia o Senhor Jesus, em meio às condições adversas. Mas, por que o buscavam? Somente por causa dos sinais que realizava ou por conta dos seus ensinamentos? Lendo o Evangelho de Mateus, temos a resposta: "Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina. Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas." (Mt 7,29).

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5. De fato, aqueles que vivem de manipulações e interesses pessoais jamais agradam a Deus; pelo contrário, vivem motivados e instigados pelo maligno, por isso, causam muitos danos e divisões. Todavia, quem busca o Senhor e o serve de coração pela solidariedade e partilha fraterna, encontra Nele o apoio e as graças que suprem suas necessidades e os conduz à vida eterna.

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6. Portanto, caríssimos, não nos deixemos enganar pelas falsas promessas de quem busca apenas o próprio ventre ou o poder passageiro. Que saibamos discernir as vozes que nos falam, para ouvir sempre Aquele que multiplica o pouco que temos em abundância de vida e comunhão, nosso Senhor Jesus Cristo.


7. ​Que a Santíssima Virgem Maria nos ensine a docilidade de coração para buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça. Assim ao participarmos da mesa da Eucaristia, o pão descido do céu, seremos transformados em sinais vivos da providência divina, aprendendo que, no Reino de Cristo, a verdadeira grandeza reside em servir, e o milagre acontece quando aceitamos partilhar o pouco que temos.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

O tempo perdido com as futilidades deste mundo, é irrecuperável...

 Homilia do 6°Dom do tempo comum (Mt 5,17-37)(15/02/26)

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1. Caríssimos, vivendo neste vale de lágrimas, muitos atribuem ao destino os males que lhes acontecem, e por isso, não percebem que o mal é resultado de suas más escolhas e decisões. Prestemos bem atenção à primeira leitura desta liturgia, onde o hagiógrafo nos ensina que a liberdade humana permanece livre e estável somente quando realiza a vontade de Deus pela obediência à sua Palavra. 

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2. Deus é amor e nos criou à sua imagem e semelhança, isto é, livres e capazes de amar; por isso, sempre pensa em nós a partir do seu amor e da capacidade que nos deu para ama-lo sobre todas as coisas e amar-nos uns aos outros como a nós mesmos. E porque nos ama, põe diante de nós a sua Divina Misericórdia antes de sua Justiça, por meio do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que perdoa os nossos pecados e nos liberta de todo mal.

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3. Na segunda leitura são Paulo nos ensina que a virtude da humildade nos põe na presença de Deus, e nos faz crescer na esperança da vida eterna que é a herança que Deus tem reservada para todos que o amam; e tudo isso nos é revelado pelo Espírito Santo nas Sagradas Escrituras.

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4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra o itinerário dos que são salvos, daqueles que o seguem fielmente no cumprimento da vontade do Pai. Diz Ele: "Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição." 


5. De fato, quem obedece aos seus Santos Mandamentos, vive em constante estado de graça, isto é, na sua presença fazendo em tudo a Sua Santa Vontade. Mas, atenção para não caírmos na tentação da soberba, pensando que somos salvos por nossos próprios méritos, e não pelo auxílio das suas graças derramadas em nossas almas.


6. Portanto, caríssimos, todos os mandamentos e todos os sacramentos são proteção que Deus nos dá e não obrigação, porém, para sermos protegidos precisamos obedece-lo, isto é, por em prática o que Ele nos fala nas Sagradas Escrituras, nos Sacramentos, na oração pessoal e comunitária, porque rezar é conviver com o Senhor a todo instante do nosso viver. 

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7. Decerto, tempo é vida, e quem perde tempo, perde também com ele a vida. Por isso, muito cuidado, para não esquecer de pôr em prática o primeiro e mais importante mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito" (Dt 6,5). 


8. Porque amar a Deus assim, é dar a Ele toda a nossa vida, todo o nosso tempo, todo o nosso entendimento, caso contrário, nos afastamos Dele, perdendo tempo com às futilidades deste mundo, principalmente na Internet em que o tempo perdido com as distrações e o disse me disse, é irrecuperável. 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Anunciar o Reino de Deus, é viver para ele...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,31-37)(13/02/26)

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1. Caríssimos, quando o coração humano está ocupado pelas tentações e os pecados consentidos e praticados, torna-se resistente à Palavra de Deus, por isso, a combate, porque não existe espaço para a graça na alma manchada pela lama fétida do pecado; todavia, quando esta se abre pelo remorso e o arrependimento, encontra o Senhor que a liberta por Sua Divina Misericórdia.

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2. Pregando na Sinagoga de Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé vivem a experiência da rejeição da Palavra, mas também da acolhida da mesma. Vejamos, por um lado, os judeus se fecham à graça do anúncio do Reino de Deus, por não aceitarem Jesus como o Messias; por outro, os pagãos se abrem a ação do Espírito Santo e experimentam a imensa alegria da conversão.

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3. Por conta disso, o anúncio do Reino de Deus passa por constantes tensões devido às perseguições por parte daqueles que o rejeitam, por conta dos pecados praticados por instigação do maligno. Todavia, como a verdade permanece sempre, nada poderá deter o seu crescimento, uma vez que é o próprio Senhor Jesus que vai a frente daqueles que o anunciam intrepidamente como única fonte de salvação e vida eterna.

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4. Eis o que escreveu São João a esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. 


5. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."

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6. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor a graça de permanecermos fiéis até o fim na luta contra o pecado; anunciando o Reino de Deus e a sua justiça, certos de que Ele vai a nossa frente nos ajudando no cumprimento dessa missão que é obra de suas mãos.

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7. Que o Espírito Santo nos conceda a docilidade de coração necessária para escutarmos a voz do Senhor e proclamarmos as Suas maravilhas. Que nenhuma barreira de pecado nos impeça de contemplar a Sua face, de modo que, purificados por Sua Divina Misericórdia, caminhemos firmes na esperança de sermos um dia acolhidos por Ele na sua Glória.

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As virtudes fundamentais da oração...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(12/02/26)

1. Caríssimos, a fidelidade a Deus pela obediência à Sua Palavra, é uma grande virtude que traduz a nossa adesão total a Ele, porém, parecisamos perseverar até o fim nessa graça, principalmente quando somos tentados a relativisar a prática da nossa fé, ou seja, tentados a pensar que todos os outros credos são iguais ao nosso; quando na verdade não são. Respeitar quem os professa sim; porém, jamais ser condizentes ou aderir a eles.

2. Na primeira leitura vimos como Salomão foi infiel ao Senhor afastando-se Dele por meio de práticas religiosas não condizentes com a fé que professava. E o resultado nefasto de sua infidelidade foi a terrível divisão do povo eleito, resultando na decadência da fé e dos bons costumes em larga escala.

3. No Evangelho de hoje uma mulher, que não fazia parte do povo eleito, aproximou-se do Senhor Jesus e lhe fez uma ardente súplica em favor de sua filha atormentada por um demônio. A princípio o Senhor escutou, mas não lhe respondeu conforme havia suplicado; no entanto, ela apresentou ao Senhor as virtudes fundamentais da oração: fé, humildade, perseverança e esperança; desse modo, foi prontamente atendida.

4. Decerto, pelos exemplos que vemos nos Evangelhos, todos os que se aproximavam do Senhor Jesus eram atendidos em suas necessidades; exceto os escribas, fariseus e doutores da lei, por causa da dureza de coração; é que num coração repleto de orgulho, egoísmo e prepotência não existe espaço para a graça de Deus atuar livremente.

5. Portanto, caríssimos, quando a nossa oração é uma expressão da nossa comunhão com a vontade de Deus, ela apresenta as mesmas virtudes da oração da mulher cananéia, e por isso, também somos prontamente atendidos.

6. Então, escutemos com atenção esta exortação de São Tiago: "Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós. Lavai as mãos, pecadores, e purificai os vossos corações, ó homens de dupla atitude. Reconhecei a vossa miséria, afligi-vos e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto e a vossa alegria em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará." (Tg 4,8-10).

7. Destarte, que ao aproximar-nos da mesa do Senhor, peçamos a graça de um coração manso e humilde, capaz de reconhecer que até as "migalhas" da Sua graça são suficientes para restaurar a nossa vida e as nossas famílias. Que a nossa perseverança na oração seja o testemunho vivo da nossa fidelidade a Deus, hoje e sempre.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Como manter-se em permanente estado de graça?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(11/02/26). 

1. Caríssimos, a liturgia de hoje trata da vida interior, isto é, do estado de graça que significa a santificação de nossas almas pela permanente comunhão com o Senhor Jesus. Para isto ponhamos em prática o que nos ensina o Livro de Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida." (Pr 4,23).

2. Com efeito, eis o que disse o Senhor no Evangelho de hoje: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23).

3. Decerto: "Quem se entrega a maus pensamentos não pode manter-se puro de pecados no seu homem exterior; e, se não arrancar os maus pensamentos do seu coração, é impossível que eles não o levem a praticar más obras. Devemos pois, cada um de nós, purificar-nos por dentro e por fora no Senhor e guardar os sentidos, mantendo-nos puros de qualquer atividade inspirada pelas paixões e pelo pecado."

4. "Travemos, pois, o combate da inteligência contra os demônios que falam por meio de maus pensamentos que chegam a nossa mente, a fim de não permitir que as suas vontades más passem para as nossas obras como pecados reais. Se arrancarmos o pecado do coração, encontraremos o reino de Deus em nós. Por esta ascese, mantenhamos, em nome de Deus, a pureza e uma contínua compunção de coração." (Filoteu do Sinai).

5. De fato, o pecado é algo que brota do nosso interior à medida que cedemos às tentações do inimigo. Todavia, Deus nos deu o livre arbítrio como a chave que fecha a porta de nossa alma não permitindo que o maligno fale. Por isso, o Senhor nos exorta: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41).

​6. Destarte, embora o pecado seja um mal terrível, ele não é incurável. A cura reside na nossa capacidade de vigilância e na sinceridade da nossa penitência. Se guardarmos os nossos sentidos — o olhar, o desejo e o pensamento — e mantivermos a memória de Deus viva em nós, as inclinações para a avareza ou a impureza ou outros pecados perdem a sua força dando lugar à quietude de nossa alma. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A fé autêntica é dom do Espírito Santo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,1-13)(10/02/26)

1. Caríssimos, existem certas atitudes que levam os homens a viverem de aparências, tirando-lhes a autenticidade de ser, e isso também pode acontecer na vivência da fé. Tais atitudes chamam-se incoerência, hipocrisia, porque os que as praticam caem em constante contradição, tornado o próprio viver um antro de perdição, por falta da prática das virtudes eternas.

2. A liturgia de hoje nos conduz à uma vivência autêntica da fé que tem como fundamento o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, pois, sem a vivência desse amor a prática da fé não passa de ritos estéreis e piedade aparente que em nada contribui para a salvação eterna das almas.

3. O Evangelho de hoje nos mostra o quanto a prática aparente da fé é prejudicial no relacionamento com Deus e com o próximo pela falta de caridade e de misericórdia com que deve ser vivida. Pois, a fé ao mesmo tempo que nos une a Cristo para interagirmos como Ele, nos conduz a partilha das graças e bênçãos recebidas com os nossos irmãos e irmãs.

4. Com efeito, meditando ainda o Evangelho de hoje vemos que o Senhor Jesus mostra aos fariseus e aos mestres da lei a gravidade do pecado da hipocrisia que eles estavam cometendo, pois, haviam criticado duramente os discípulos por não seguirem os costumes dos seus antepassados; e no entanto, eles burlavam frequentemente a lei de Deus usando como desculpa a prática desses costumes, por isso, disse o Senhor: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está distante de mim."

5. Portanto, caríssimos, quem a Deus se dirige humildemente é prontamente atendido em todas suas súplicas, assim como nos ensinou são Pedro: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. (1Pd 5,6-7). E o Livro dos Provérbios conclui: "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes." (Pr 3,34).

6. Destarte, a oração do rei Salomão após a introdução da Arca da Aliança no Templo de Jerusalém, é um belo e piedoso exemplo da autêntica vivência da fé: “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Esta é a maior graça que existe...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,53-56)(09/02/26)

1. Caríssimos, meditando o Evangelho de hoje vimos que Jesus e os discípulos ao chegarem a Genesaré foram cercados por uma grande multidão que transportavam muitos enfermos pedindo para tocarem no Senhor; "E todos os que O tocavam ficavam curados." 

2. Ora, ter a graça da presença de Jesus com eles era sumamente importante, porque desse modo se sentiam acolhidos, amados, protegidos e libertados pelo o próprio Filho de Deus.

3. São Leão Magno, discorrendo sobre a presença de Jesus no meio de nós escreveu: "A pequenez humana foi assumida pela majestade de Deus, a nossa fraqueza pela sua força, a nossa submissão à morte pela sua imortalidade. 

4. Para pagar a dívida de nossa condição humana, a natureza inalterável de Deus uniu-Se à nossa natureza exposta ao sofrimento. Assim, para melhor nos curar, «o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo» (1Tm 2,5), tinha, por um lado, de poder morrer, e por outro de não poder morrer.

5. Foi portanto na plena e completa natureza de um verdadeiro homem que o verdadeiro Deus nasceu. Ele tomou a natureza do escravo sem a mácula do pecado; Ele levantou a humanidade sem abaixar a divindade.

6. Despojando-Se a Si mesmo (Fil 2,7), Aquele que era invisível tornou-Se visível; o Criador e Senhor de todas as coisas quis ser um mortal entre os outros mortais. Mas tudo isso foi um favor da sua misericórdia, e não uma derrota do seu poder. 

7. Tudo isso é de uma ordem nova: Aquele que excede qualquer limite quis ser limitado como nós, Aquele que já existia antes da criação do tempo começou a existir no tempo, o Senhor do universo tomou a forma de servo (Fil 2,7), mergulhando na sombra a grandeza infinita da sua majestade.

8. O Deus incapaz de sofrimento não desdenhou ser um homem capaz de sofrer, e Aquele que é imortal, submeter-Se às leis da morte. Com efeito, o mesmo Cristo que é verdadeiro Deus é também verdadeiro homem. Ele é verdadeiro Deus porque «no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus»; e é homem porque «o Verbo Se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,1.14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Vós sois a luz do mundo, que brilhe as vossas boas obras...

 Homilia do 5°Dom do tempo comum (Mt 5,13-16)(08/02/26)

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1. Caríssimos, a liturgia deste domingo trata do discipulado de Cristo; Certa feita, disse o Senhor: "Eu sou a luz do mundo quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida." Isso quer dizer que todo aquele que o segue é iluminado por Ele e torna-se luz do mundo; é temperado pelo sal da graça santificante, pondo sabor em tudo o que faz, pois, essas virtudes revelam a Sua Vontade posta em prática.

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2. "O sal sensivelmente dá sabor ao pão e a todos os alimentos, impede certas carnes de apodrecerem, conservando-as durante muito tempo. Considera que o mesmo acontece com a guarda da inteligência, pois ela cumula de sabor divino tanto o homem interior como o homem exterior, expulsa o odor fétido dos maus pensamentos e permite-nos perseverar no bem."


3. "De uma sugestão nascem numerosos pensamentos e destes más ações sensíveis; mas quem, com Jesus, apaga imediatamente a primeira, evita as suas consequências e poderá enriquecer-se com o suave conhecimento divino pelo qual encontrará Deus, que está presente em toda a parte." (Hesíquio do Sinai).

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4. Com efeito, "Quando as nuvens de poeira se dissipam, o ar fica limpo; da mesma maneira, quando os fantasmas das paixões se dissipam diante de Jesus Cristo, o Sol da Justiça, nascem no coração pensamentos luminosos, semelhantes às estrelas. Pois Jesus ilumina o espaço sagrado do nosso coração" com a luz divina de Sua presença. 


5. Desse modo, a alma repousa em Deus na mais pura e sublime contemplação, envolvida por Sua Divina Misericórdia. Tudo isso é graça recebida e partilhada como fruta da salvação que experimenta da parte do Espírito Santo que a conduz. 

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6. ​Portanto, caríssimos, ser sal da terra e luz do mundo não é uma glória humana, mas uma graça que Deus nos dá para isto. Decerto, assim como o sal se dissolve para dar sabor e a luz se consome para iluminar, o discípulo é chamado a se doar totalmente a serviço do Reino de Deus. 


7. ​Que a Santíssima Virgem Maria, a Estrela da Manhã, nos ajude a manter acesa a chama viva da fé, preservando o sabor da santidade. Caminhemos, pois, com o coração inflamado por Jesus, transformando cada rincão deste mundo em um espaço sagrado de Sua presença e de Sua paz.

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Precisamos da Sabedoria e da justiça para governar a nossa vida...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,30-34)(07/02/26)

1. Caríssimos, esse nosso mundo da comunicação fácil, do disse me disse, de tantas notícias falsas e de tantos enganos, no fundo no fundo está gritando, pedindo socorro, porque está afundando nas futilidades e nos prazeres fugazes, e nada há que preencha o vazio existencial dos que se dão à essas práticas, e por isso, agridem e são agredidos, uma vez que perderam o sentido do sagrado e fizeram do profano uma arma de combate contra os bons costumes.

2. Bem diferente desse nosso tempo é o que vemos na primeira leitura, em que o rei Salomão mantém a fé do seu pai Davi e a comunhão com Deus que em uma visão lhe pergunta o que gostaria de receber para governar o povo eleito, ao que ele respondeu: "Peço Sabedoria para governar com justiça," e recebeu. Pois, o Senhor lhe respondeu: "Já que pediste estes dons para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti."

3. Com efeito, meditando o Evangelho de hoje nos chama a atenção o quanto as multidões procuravam o Senhor Jesus e os Apóstolos em busca dos seus ensinamentos e dos sinais que realizava em vista do bem de todos, ou seja, cumprindo esta profecia de Amós: "Virão dias – oráculo do Senhor Javé – em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor." (Am 8,11).

4. Decerto, é isso o que vemos neste relato de são Marcos: "Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. 

5. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas."

6. Portanto, caríssimos, existe um imenso abismo entre a comunicação deste mundo e a comunicação divina, isto é, a Palavra viva do Senhor Jesus, no entanto, é possível transpor esse abismo mediante a conversão e a fé, pois, quem ouve a Sua Palavra e faz dela a sua regra de vida no seio da Sua Santa Igreja, vive a verdadeira liberdade dos que foram perdoados e redimidos por seu sangue derramado em sacrifício pela nossa salvação.

7. Destarte, os homens dessa nossa geração estão entorpecidos por tantas más palavras proferidas e escutadas que só geram divisão, desconforto, violência e morte. Por isso, mais do que nunca precisam ouvir a Palavra que o Senhor Jesus profere para que pondo-a em prática tenham a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A eternidade é o devir que vivemos desde já...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,14-29)(06/02/26)

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1. Caríssimos, o sentido de nossa vida é eterno e não podemos entender isso se não pusermos em prática o que o Senhor Jesus nos ensina: "Sede santos, assim como vosso Pai celeste é Santo." (Mt 5,48). E não existe outro caminho a ser percorrido neste mundo para atingirmos a santidade fora da cruz do Senhor; porque qualquer outra cruz, que não é a de Cristo, não nos conduz à ressurreição. 

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2. De fato, neste mundo somos tentados, perseguidos e maltratados, isto é, somos crucificados todos os dias; mas, sempre ressurgimos, porque é o Senhor mesmo quem nos conduz quando pomos em prática a sua Palavra, quando pela obediência a traduzimos em ações que nos levam a santidade.

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3. O Evangelho de hoje relata um dos episódios mais dolorosos do início do Novo Testamento, trata-se do assassinato de São João Batista, o qual sem culpa alguma foi degolado na prisão a mando do rei Herodes para satisfazer o ódio de Herodíades com quem vivia em adultério.

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4. Ora, o inocente João Batista encontra-se na glória de Deus, no Reino dos céus; quanto aos seus algozes que tramaram a sua morte, onde estão eles? Fiquemos certos de uma coisa, o livre arbítrio é o poder de decisão que rebemos de Deus somente para o bem; porém, se alguém usa-lo para o mal e morrer em pecado mortal, essa será a condição de sua alma por toda a eternidade.

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5. Portanto, caríssimos, são João Batista não hesitou em proclamar a verdade, mesmo sabendo que isso lhe custaria a liberdade e a própria vida. Ele compreendeu que a fidelidade a Deus é o tesouro mais precioso que um homem pode carregar, superior a qualquer banquete ou aprovação humana.


6. ​Desse modo, que o exemplo do Precursor nos ajude a manter o olhar fixo na eternidade, onde a justiça divina prevalece sobre a tirania dos homens. Não temamos as prisões deste mundo se nossa alma se mantiver livre no Senhor. Pois a verdadeira liberdade consiste em fazer a sua vontade em todos os sentidos de nossa vida.


7. Que Maria Santíssima nos auxilie a transformar cada cruz diária em um degrau de santidade, para que, ao final de nossa jornada, possamos também nós contemplar a face daquele que João Batista anunciou com tanto zelo.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que mais precisamos nesta vida?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,7-13)(05/02/26)

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1. Caríssimos, a perfeita comunhão com Deus, nosso Pai, nasce das virtudes da obediência e da fidelidade que consiste no cumprimento dos seus santos mandamentos por meio do seguimento do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ensinou: “Não julgueis que vim abolir a Lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição."

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2. Decerto, a Lei dada por Deus à Moisés, no Antigo Testamento, revela a Sua Vontade presente nela, gerando a liberdade dos seus eleitos à medida que a punham em prática. Com o advento do Senhor Jesus, as Palavras da Lei foram elevadas à plenitude do amor, pois, foi para isto que o Senhor veio a este mundo, salvar a todos que o seguem à medida que entregam a própria vida em obediência à vontade do Pai.

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3. Na primeira leitura desta liturgia, o rei Davi prestes à deixar este mundo, instruiu o seu filho Salomão, mostrando-lhe que a maior riqueza de um governante é a piedade e o temor de Deus. E Salomão aprendeu tão bem as suas instruções que ao escrever o livro de Sabedoria, iniciou dizendo: 


4. "Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança." (Sb 1,1-2).

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5. O Evangelho de hoje começa com o Senhor Jesus instruindo os discípulos e os enviando dois a dois em missão. A primeira instrução, trata-se do despojamento material; depois a não preocupação com a própria sobrevivência, pois, a quem serve a Deus nos irmãos nada lhe falta. Ensinou também a evitar qualquer polêmica, uma vez que o sentido do anúncio da Palavra, é o Reino de Deus e a sua justiça.

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6. Portanto, caríssimos, a missão que os discípulos receberam não tinha como fundamento os recursos humanos ou estratégias de poder, mas a confiança inabalável na Providência Divina. Também nós somos chamados a caminhar com leveza, levando apenas o essencial: a paz de Cristo e o testemunho de uma vida transformada pela obediência à sua Palavra de Vida Eterna.

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7. Que, a exemplo de São Francisco de Assis, possamos trilhar o caminho do despojamento, confiantes de que o Senhor Jesus caminha conosco e provê tudo o que é necessário para a edificação do Seu Reino e a salvação das nossas almas.

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Como vencer os preconceitos?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,1-6)(04/02/26)

1. Caríssimos, uma das grandes pragas que está destruindo a humanidade é o falso julgamento; esse é sempre cheio do veneno dos preconceitos e de todo o mal que tal pecado comporta. É por isso que temos uma sociedade que vive envolvida numa constante discórdia e cegueira espiritual, isso porque não se dá conta de que fomos criados por Deus, como expressão do seu amor, somente para amar e fazer o bem.

2. O rei Davi, como vimos na primeira leitura, procurou fazer o recenseamento do povo eleito, mas, sem consultar o Senhor, sem demonstrar as devidas intenções; desse modo, sofreu a tentação de governar o povo de Deus como se fosse seu, mas logo sentiu um peso na consciência. Todavia, por seu arrependimento, alcançou a graça de ver suspenso em parte o castigo que esse pecado havia atraído.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi julgado por seus conterrâneos, em sua missão profética, por ser carpinteiro e ter convivido com eles antes do início do seu ministério sem manifestar a sabedoria e os prodígios que agora realizava. 

4. Bem como relata o texto sagrado: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? E ficaram escandalizados por causa dele."

5. De fato, quando o coração humano está cheio de preconceitos, julgamentos de valor e as futilidades deste mundo, não compreende e nem vive a profundidade da missão salvífica de Jesus. Vejamos então o que diz o texto sagrado à esse respeito: "E ali Jesus não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles." A incredulidade é um veneno que mata a alma que se alimenta dele. 

6. Com efeito, a liturgia de hoje nos exorta a fazermos um exame de consciência e à abrir o nosso coração à ação da graça de Deus. Não permitamos que a familiaridade com as coisas sagradas ou o peso dos nossos preconceitos nos tornem cegos à presença viva de Cristo entre nós. 

7. Destarte, escutemos o que nos diz o Senhor: "Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus. Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!" (Mt 10,32-33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pela fé e o amor nos unimos ao Senhor....

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,21-43)(03/02/26)

1. Caríssimos, desde que o pecado entrou na prática de vida do ser humano com sua permissão, que os dramas e as tragédias passaram a fazer parte de sua dolorosa história. É exatamente o que vimos na primeira leitura dessa liturgia, onde o rei Davi chora a morte violenta do seu filho Absalão que se rebelou contra ele tal como havia sido profetizado por causa do grave pecado que havia cometido.

2. Com efeito, basta termos acesso aos meios de comunicação que estão ao nosso alcance, para constatarmos quantas tragédias ocorrem a cada instante nesse nosso mundo onde o pecado passou a reinar nas almas envenenadas pelo malígno, inimigo de Deus e da humanidade.

3. No Evangelho de hoje ocorrem dois fenômenos extraordinários realizados por Jesus que revelam o quanto a humanidade ferida pelo pecado e suas consequências precisa acolher o Senhor tal como o acolheu a mulher curada de uma hemorragia e Jairo que teve a filha ressuscitada dos mortos. Em ambos os casos se sobressaiu a fé no Senhor Jesus, uma vez que todas as condições eram adversas.

4. De fato, o caminho da perfeição humana traçado por Deus se encontra nas palavras e nos exemplos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo; como também daqueles que o servem no seio da Sua Santa Igreja. No mundo se dizem muitas palavras, mas a única que salva é a Palavra de Cristo, o Verbo que se fez carne e permanece conosco até o fim.

5. Decerto, são incontáveis as orações que sobem aos céus; como também são incontáveis as graças derramadas sobre a humanidade, comprovando que o Senhor continua, por Sua Divina Misericórdia, presente no meio de nós realizando a sua obra salvífica.

 6. Portanto, caríssimos, diante das tribulações que batem à nossa porta, não devemos permitir que o desespero paralise nossa alma. Assim como Jairo ouviu de Jesus: "Não tenhas medo, somente crê", também somos convidados a renovar nossa confiança inabalável no poder do Senhor. Pois, a fé é um dom do Espírito Santo que nos mantém unidos a Ele, para realizarmos tudo o que é do seu agrado.

7. Destarte, aproximemo-nos do Senhor Jesus com a mesma humildade daquela mulher que tocou Suas vestes, reconhecendo que somente n'Ele se encontra a cura para as enfermidades da alma e do corpo. Para isso, precisamos nos manter firmes na fé católica que professamos perseverando até o fim no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Festa da apresentação do Senhor Jesus no Templo...

 Festa da Apresentação do Senhor (Lc 2,22-40)(02/02/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da Apresentação do Senhor no Templo (1ªLit), ou seja, a perfeita doação de Jesus ao Pai por meio de sua Mãe, Maria Santíssima e de São José, seu pai virginal, que o oferecem a Deus em cumprimento à Lei de Moisés, mas também como um pré-anúncio do seu Sacrifício de cruz (2ªLit). 

2. Com efeito, nesta apresentação o Espírito Santo conduz os anciãos, Simeão e Ana, que anunciam sua chegada em cumprimento às profecias. Ou seja, Deus aje em suas almas revelando o seu Filho como o Messias, enviado a este mundo para a salvar seu povo eleito e as nações. 

3. Ora, tudo em Deus é perfeito e por isso mesmo todas as suas obras são isentas da influência do mal; a Sua Vontade é livre e soberana, desse modo, vem a nós por sua infinita mesericórdia numa carne semelhante a nossa, exceto o pecado, em vista da nossa salvação eterna.

4. Ao celebrarmos esta festa acendemos velas lembrando que Jesus é a verdadeira luz que ilumina as trevas deste mundo como anunciou Simeão: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

5. Sem dúvida, estamos vivendo os tempos proféticos ou escatológicos, que trata dos últimos acontecimentos de nossa história, ou seja, do cumprimento das profecias anunciadas por Jesus em preparação à Sua Parusia, ou seja, à sua segunda vinda.

6. Portanto, caríssimos, preparemo-nos, por meio da oração, penitência, vivência dos Sacramentos e a prática das boas obras; pois, como o Senhor anunciou: "Estai, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem." 

7. Destarte, quem caminha nesta vida com Cristo ressuscitado nada tem a temer, mas somente agradecer por todas as graças derramadas em nossas almas, por fazermos a sua santa vontade, que é amor, bondade, verdade, justiça, santidade e todas as outras virtudes eternas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A Regra da vida eterna...

 Homilia do 4°Dom do Tempo Comum (Mt 5,1-12a)(01/02/26)

1. Caríssimos, certa feita disse o Senhor: "Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis." (Mt 26,11). Com efeito, Ele disse isso num dos momentos mais difíceis de sua presença neste mundo em que estava prestes a ser traído por Judas. De fato, ao mencionar os pobres Ele o faz como um deles, pois tudo o que ensinou tem como fundamento o seu modo de ser e estar no mundo.

2. Com efeito, nas leituras desta liturgia se evidencia a revolução que o Senhor Jesus veio trazer a este mundo; não uma revolução armada cujo objetivo é a tomada do poder temporal; mas sim uma revolução salvífica cujo objetivo é a inversão de valores, em que o amor aos pobres os liberta da miséria, e os preenche de dignidade dando-lhes o ampara necessário para se sentirem filhos e filhas de Deus.

3. O Evangelho de hoje é o início do Sermão da Montanha com as Bem-aventuranças, que é a espinha dorsal do ensinamento do Senhor Jesus, é também a regra da vida eterna, caminho de perfeição, pois quem por ele segue nunca tropeça porque tem no auxílio da graça de Deus a força para percorrer-lo sem sofrer dano algum.

4. Todavia, perguntemos: como viver as bem-aventuranças? A resposta está em cada uma delas, uma vez que como filhos e filhas de Deus nada queremos fora da sua vontade, desse modo, ser pobre é não se apegar a nada, é dar e receber providencialmente o que somente a Deus pertence. Desse modo, ser puros de coração é ter em Deus o prazer que nos santifica, e nos liberta do prazer egoísta que nunca nos satisfaz.

5. Ser mansos, sentir fome e sede de justiça, ser misericordiosos, promotores da paz mesmo em meio às perseguições, calúnias, mentiras e todo tipo de maldade, significa sermos conduzidos pelo Espírito Santo para realizarmos em tudo a vontade de Deus, nosso Pai, convictos de que Ele nos livra de todo o mal.

6. Portanto, caríssimos, "o sentimento profundo de desapego e pobreza, justiça e sinceridade, são as dimensões do coração novo que acolhe a Palavra de Deus que nos salva. Pois, só podemos descobrir a riqueza dos dons de Deus à medida que vivemos a experiência das bem-aventuranças." (MR).

7. "A meta que o Senhor Jesus nos indica com o sermão da montanha, antes de ser atingida por nossos esforços, é um dom que se obtém pela oração." (MR). De fato, a oração é a graça de todo momento para todas as situações de nossa vida, de modo que, "quem reza nunca está sozinho". Rezemos, então, com amor e atenção esta linda oração: "Senhor, ensina-me a rezar com simplicidade, a confiar mesmo no silêncio e a descansar em Teu amor. Que minha vida [Senhor] seja uma oração. Amém."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Vigiai e orai para que não entreis em tentação...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 4,26-34)(30/01/26).

1. Amados irmãos e amadas irmãs, os exemplos bíblicos nos são dados para não caírmos na dinâmica do pecado que consiste em desligar-nos de Deus, levando-nos à escravidão espiritual e à perdição caso não haja arrependimento e conversão. 

2. A liturgia de hoje nos lembra o grande pecado do rei Davi, que deixando o estado de graça se envolveu numa trama perversa, levando muitos à morte e causando uma grande ruína à sua própria família.

3. Ora, em que consiste a dinâmica do pecado? Consiste na falta de vigilância e oração, e por isso, somos facilmente tentados especialmente nos sentidos; na primeira leitura, Davi se encantou com a beleza de uma mulher alheia, a cobiçou e a possuiu, e quando percebeu o mal que havia feito, tentou manipular a situação cometendo outros pecados graves, afastando-se da presença do Senhor.

4. Então, qual a lição que tiramos desse episódio? Escutemos o Senhor Jesus para obtermos a resposta: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41). Mas, o que é, então, essa carne? São as tentações que chegam a nossa mente por meio dos maus pensamentos. E para combate-las, usemos as armas espirituais que o Senhor nos ensinou, vigilância e oração.

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos fala que o Reino de Deus cresce misteriosamente mesmo quando não percebemos como isso acontece. Certa feita, disse o Senhor: "O Reino de Deus está no meio de vós." (Lc 17,21). 

6. Em outras palavras, isto significa que todos os batizados são filhos e filhas de Deus, redimidos por Cristo, à caminho do Reino dos céus. No entanto, muitos não se dão conta dessa verdade; por isso, se distanciam da prática da fé, deixando de receber as graças que tanto precisam. 

7. Portanto, caríssimos, para que nos dediquemos ao Reino de Deus por uma vida virtuosa, escutemos ainda o Senhor: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo." (Mt 6,33). Ou seja, é essa a tarefa mais importante da nossa vida, viver desde já para o Reino de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça com atenção...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 4,21-25)(29/01/26)

1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos conduz pela estrada da vida iluminada pela Palavra de Deus, como nos ensina o Salmista: "Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos, uma luz em meu caminho." (Sal 118,105). Certa feita, disse o Senhor Jesus, em resposta à tentação do maligno para que Ele transformasse pedra em pão: "Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3)." (Mt 4,4).

2. Eis o que meditamos então na Carta aos Hebreus: "A palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hb 4,12-13).

3. No Evangelho de hoje ouvimos do Senhor Jesus o seguinte: “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo que está em segredo deverá ser descoberto. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”.

4. E disse ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”. 

5. Ou seja, o que falamos e o que vivemos seja sempre de acordo com a vontade de Deus, caso contrário, nada teremos além do mal que fizemos por conta da nossa incoerência. 

6. Portanto, caríssimos, escutemos o Senhor Jesus para o seguirmos fielmente no caminho que nos conduz à vida eterna: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,35-37). 

7. Destarte, acolhamos com amor e atenção esta exortação de são Paulo: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo." (Ef 4,29-32).

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv.

A semente da Palavra de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 4,1-20)(28/01/26)

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1. Caríssimos, na primeira leitura de hoje, o rei Davi sentiu o desejo de construir uma casa para o Senhor, um templo, cujo objetivo era prestar-lhe o devido culto, para assim sentir a Sua presença sensível por meio da Arca da Aliança que continha as Tábuas da Lei, o cajado de Aarão e uma porção de Maná.

2. Todavia, o Senhor lhe mostrou que tudo isso é limite, e que o Seu Reino não tem fim, por isso, lhe dará um descendente que Reinará eternamente em sua Casa, o qual será anunciado como o Messias que salvará o Seu povo e todas as nações da terra, como havia prometido a Abraão e a sua descendência para sempre.

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3. No Evangelho de hoje, vemos a presença do Senhor Jesus, filho de Davi, segundo a carne; e Filho de Deus, segundo o Espírito Santo que o gerou no seio virginal de Maria Santíssima. Ora, Ele é o Messias prometido por Deus, por meio do Profeta Natan a Davi, e que faz acontecer o Reino de Deus e a sua justiça por Suas Palavras e ações, por Sua morte e ressurreição.


4. Por isso, tiremos uma lição de vida da parábola do semeador que o Senhor nos contou no Evangelho de hoje. De fato, todos nós que aqui vivemos fomos criados do pó da terra, porém, com uma alma imortal; por isso, somos terrenos onde o Senhor semea a Sua Palavra esperando colher os frutos que ela dá quando acolhida em terra boa, fecundada pela obediência, pela oração, e o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

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5. ​No entanto, é precisamos ser vigilantes quanto ao estado do nosso coração, pois a semente enfrenta diversos obstáculos. Muitas vezes, permitimos que as preocupações mundanas, o fascínio pelas riquezas e as pressões do dia a dia sufoquem a Palavra, tornando-nos terrenos espinhosos ou superficiais. 


6. O Senhor nos alerta que a vida espiritual exige profundidade e constância, para que a semente não apenas germine, mas lance raízes que suportem as provações e o calor das adversidades que testam a nossa fé.


7. ​Ser "terra boa" não é uma condição estática, mas uma disposição diária da alma. Assim como o agricultor prepara o solo, nós precisamos limpar o terreno do nosso interior, retirando as pedras do orgulho e os espinhos do egoísmo. 


8. Deste modo, abrimos espaço para a graça divina, e a Palavra de Deus deixa de ser apenas uma mensagem ouvida para se tornar uma força viva que transforma nossa realidade, produzindo frutos de santidade que superam as nossas expectativas.


9. Lembremo-nos de que o Semeador é generoso e nunca desiste de lançar a semente. Ele conhece nossa fragilidade, mas confia em nossa capacidade de conversão, para darmos frutos, trinta, sessenta e cem por um, para a maior glória de Deus e a nossa salvação. 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Eis minha mãe e meus irmãos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,31-35)(27/01/26)

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1. Caríssimos, Deus Onipotente e Eterno se dá à conhecer a todas as suas criaturas por meio da criação natural e em especial por meio do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo; e isso acontece de tal modo, que ninguém neste mundo é privado dessa graça. 


2. Todavia, cabe a nós correspondermos à Sua benevolência, para assim mantermos a nossa comunhão com Ele que nos ama, e por Seu Filho amado, perdoa os nossos pecados e nos conduz a vida eterna.

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3. Decerto, os meios para vivermos essa intimidade com o Senhor, encontra-se gravado em nossas almas porque somos expressão do Seu Amor Criador. No entanto, ao contemplarmos o modo de ser do Rei Davi e de seus súditos diante da Arca da Aliança na primeira leitura, percebemos que a liturgia é o meio mais eficaz para mantermos essa comunhão com o Senhor. 

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4. Com efeito, a palavra "liturgia" significa a manifestação do mistério da nossa salvação realizada pelo sacrifício do Senhor Jesus no patíbulo da cruz; e ele se renova a cada celebração da Santa Missa, onde encontramos o Senhor, escutamos a Sua Palavra, comungamos o Seu Corpo e Sangue, Alma e Divindade; e o adoramos em espírito e verdade prestando-lhe o devido louvor.

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5. No Evangelho de hoje alguém da multidão diz que a mãe e os irmãos e irmãs de Jesus estão à sua procura, ao que Ele, respondeu: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

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6. Portanto, caríssimos, o Senhor Jesus hoje nos revela que os que crêem Nele, fazem parte de Sua Família Divina para além dos limites de Sua família natural. Ou seja, o Senhor amplia os laços familiares para além dos laços sanguíneos, tornando-nos participantes de Sua Natureza Divina. 


7. É bem como meditamos no Evangelho segundo são João: "Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus." (Jo 1,11-13).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Enviados para anunciar o Reino de Deus e a sua justiça...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,1-9)(26/01/26)


1. Caríssimos, num mundo globalizado, sentir-nos chamados pelo Senhor Jesus para vivermos o Evangelho e proclama-lo com a unção do Espírito Santo por meio do nosso testemunho de vida, é uma grande missão e uma grande vitória, pois, a humanidade vive mergulhada na virtualidade tecnológica absolvendo todo tipo de conteúdo que pouco ou em nada contribui para a sua salvação. 

2. Em outras palavras, ela vive entorpecida e afundada num verdadeiro abismo de perdição; essa é uma terrível constatação, mas, infelizmente, é o que realmente está acontecendo nesse nosso tempo insólito, pervertido, doentio. 

3. Então, o que fazer em meio a tanta desordem, intrigas, divisão, falsas notícias, violência, pandemias e tantas outras enfermidades físicas e espirituais, sinônimo de morte, ou seja, uma verdadeira tragédia humana de proporção incalculável? 

4. Decerto, não existe outra saída fora da conversão em massa, ou seja, voltar para o Senhor Jesus de todo coração e pôr em prática as suas palavras de vida eterna. Mas, será que os "donos" dos poderosos meios de comunicação ajudarão nesse intento? Jamais, pois, devido a manipulação das mentes ensandecidas por conta de tanto conteúdo nefasto, já não existe espaço para o arrependimento e a prática da fé.

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus envia setenta e dois discípulos à sua frente com as seguintes recomendações: "Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós."

6. Portanto, caríssimos, fiquemos certos de uma coisa, o Evangelho é o único remédio capaz de libertar e curar as almas feridas pelas investidas do maligno que conhece os pontos fracos dos homens e os engana insuflando à prática dos piores pecados a fim de que não retornem ao Senhor. No entanto, com a presença do Espírito Santo agindo em nosso favor, nada temos a temer, pois Ele é nossa força e proteção, e com os seus dons e carismas, nos ajuda no cumprimento da nossa missão.

7. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus o dom da perseverança na oração, juntamente com a constância na vivência dos Sacramentos e na prática das obras de misericórdia, pois, essas são as armas mais poderosas na luta contra as forças do mal.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Iluminados pela Luz de Cristo...

 Homilia do 3°Dom do Tempo Comum (Mt 4,12-23)(25/01/26)


1. Caríssimos, sem a luz de Deus nos iluminando, a vida natural e a vida divina é impossível. De fato, as trevas são insuportáveis, basta um simples apagão e logo desejamos mais que depressa que volte a luz, pois sem ela ficamos praticamente paralisados. Agora imaginem nossa vida sem a luz de Cristo nos iluminando e pela graça do Espírito Santo nos conduzindo para o céu.


2. São João ao expressar essa verdade escreveu: "A nova que dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há treva alguma. Se dizemos ter comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade. Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado." (1Jo 1,5-7).


3. Com efeito, esta liturgia de hoje nos mostra que a vinda de do Senhor Jesus a este mundo é a última Palavra de Deus à humanidade e o último chamado para participarmos do seu Reino de amor e paz na Luz Eterna da sua Glória. E tudo o que Ele nos pede é arrependimento e conversão para sermos purificados pelo Sangue do Seu Filho derramado em expiação dos nossos pecados.


4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus anuncia a vinda do Reino de Deus e como fazermos parte dele por meio da conversão e da vivência do Evangelho cujo conteúdo é o modo de ser eterno dos filhos e filhas de Deus, eis o que diz: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Ou seja, com essas palavras o Senhor inaugura o Reino de Deus no meio de nós.


5. Decerto, só o fato de existirmos já é uma graça especial, porque é um dom inefável de Deus que nos criou à sua imagem e semelhança para participarmos da sua Natureza Divina, como nos ensina são Pedro: "O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude.


6. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da Natureza Divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." (2Pd 1,4-5).


7. Então, como participamos de todas essas graças? Em resposta São Pedro assim nos exorta: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, e ao amor fraterno a caridade.


8. Se estas virtudes se acharem em vós abundantemente, elas não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Porque quem não tiver estas coisas é míope, cego: esqueceu-se da purificação dos seus antigos pecados.


9. Portanto, irmãos, cuidai cada vez mais em assegurar a vossa vocação e eleição. Procedendo deste modo, não tropeçareis jamais. Assim vos será aberta largamente a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." (2Pd 1,6-10).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

Anunciamos Cristo nosso único Mestre e Senhor... PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,20-21)(24/01/26) 1. Caríssimos, o Senhor Jesus veio a este mundo para nos ensinar com a própria vida como viver em conformidade com a Vontade do Pai. E desse modo, revela a nossa pertença a Ele, o nosso amor incondicional que nasce da total renúncia de si mesmo. 2. De certo, essa missão é cumprida a partir das virtudes que Dele recebemos, dentre elas a obediência que significa entrega total, confiança inabalável, perfeita comunhão de amor. 3. Todavia, nem sempre somos aceitos ou compreendidos na vivência desse propósito, como vimos no Evangelho de hoje em que os familiares do Senhor Jesus queriam lhe impor uma espécie de censura julgando-o como alguém que estava fora de si. De fato, quem não adere totalmente ao Senhor, ao seu modo de viver segundo a vontade do Pai, sofre a tentação de julga-lo e até ve-lo de um modo inverso ao seu. 4. Com efeito, a vinda do Senhor Jesus nos leva à verdadeira prática da fé, ou seja, à perfeita comunhão com a vontade de Deus, nosso Pai celestial. O Profeta Isaías assim nos ensina a respeito de Jesus e sua missão: "Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu Espírito, para que leve às nações a verdadeira religião. 5. Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião; não desanimará, nem desfalecerá, até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra, e até que as ilhas desejem seus ensinamentos." (Is 42,1-4). 6. De fato, a fé Católica que vivemos tem como fundamento os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo, por isso, formamos a Sua Igreja, à qual enviou o Espírito Santo para governa-la a partir de Pentecostes, onde Maria Santíssima e os Apóstolos reunidos no Cenáculo em Jerusalém, o receberam e deram continuidade à obra da redenção, como Igreja viva, constituida Sacramento Universal da salvação. 7. Portanto, caríssimos, felizes de nós que recebemos o batismo que nos fez filhos e filhas de Deus no seio da Santa Igreja Católica. Ponhamos em prática a nossa missão de anunciarmos o Senhor Jesus Cristo, testemunhando a sua ressurreição sob a orientação do Santo Padre, os bispos, os padres e todo o povo de Deus em comunhão com eles. Paz e Bem! Frei Fernando Maria OFMConv.

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,20-21)(24/01/26)


1. Caríssimos, o Senhor Jesus veio a este mundo para nos ensinar com a própria vida como viver em conformidade com a Vontade do Pai. E desse modo, revela a nossa pertença a Ele, o nosso amor incondicional que nasce da total renúncia de si mesmo. 


2. De certo, essa missão é cumprida a partir das virtudes que Dele recebemos, dentre elas a obediência que significa entrega total, confiança inabalável, perfeita comunhão de amor.


3. Todavia, nem sempre somos aceitos ou compreendidos na vivência desse propósito, como vimos no Evangelho de hoje em que os familiares do Senhor Jesus queriam lhe impor uma espécie de censura julgando-o como alguém que estava fora de si. De fato, quem não adere totalmente ao Senhor, ao seu modo de viver segundo a vontade do Pai, sofre a tentação de julga-lo e até ve-lo de um modo inverso ao seu.


4. Com efeito, a vinda do Senhor Jesus nos leva à verdadeira prática da fé, ou seja, à perfeita comunhão com a vontade de Deus, nosso Pai celestial. O Profeta Isaías assim nos ensina a respeito de Jesus e sua missão: "Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu Espírito, para que leve às nações a verdadeira religião.


5. Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião; não desanimará, nem desfalecerá, até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra, e até que as ilhas desejem seus ensinamentos." (Is 42,1-4).


6. De fato, a fé Católica que vivemos tem como fundamento os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo, por isso, formamos a Sua Igreja, à qual enviou o Espírito Santo para governa-la a partir de Pentecostes, onde Maria Santíssima e os Apóstolos reunidos no Cenáculo em Jerusalém, o receberam e deram continuidade à obra da redenção, como Igreja viva, constituida Sacramento Universal da salvação.


7. Portanto, caríssimos, felizes de nós que recebemos o batismo que nos fez filhos e filhas de Deus no seio da Santa Igreja Católica. Ponhamos em prática a nossa missão de anunciarmos o Senhor Jesus Cristo, testemunhando a sua ressurreição sob a orientação do Santo Padre, os bispos, os padres e todo o povo de Deus em comunhão com eles.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Somos testemunhas vivas de Cristo ressuscitado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,13-19)(23/01/26)


1. Caríssimos, o único sentido da missão evangelizadora é fazer chegar o anúncio do nome de Jesus e o poder da Sua Palavra Redentora à todas as almas, por obra e graça do Espírito Santo. Mas, isso requer de nós adesão total ao Senhor e a disposição de servi-lo de todo o nosso coração e com todas as nossas forças, como o fizeram os Apóstolos, os primeiros que foram chamados por Ele.

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2. Comentado o Evangelho de hoje, disse santo Agostinho: "Os bem-aventurados Apóstolos, foram os primeiros a ver Cristo suspenso na cruz; choraram a sua morte e ficaram atemorizados pelo prodígio da sua ressurreição, mas, logo a seguir, transportados de amor por esta manifestação do seu poder, não hesitaram em derramar o próprio sangue para atestar a verdade do que tinham visto. 

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3. Pensai, irmãos, no que foi pedido a esses homens: ir por todo o mundo pregar que um morto tinha ressuscitado e subido ao céu; e sofrer, devido à pregação dessa verdade, tudo o que aprouvesse a um mundo insensato: privações, exílio, cadeias, tormentos, carrascos, feras ferozes, a cruz e a morte. 

4. Teriam sofrido tudo isso por um desconhecido? Teria Pedro morrido para sua própria glória? Teria pregado em proveito próprio? Ele morria e Outro, que não ele, era glorificado por essa morte; ele foi morto e Outro foi adorado. Só a chama ardente da caridade, unida à convicção da verdade, pode explicar semelhante audácia!"


5. "Deste modo, os bispos e o Santo Padre, sucessores dos Apóstolos, orando e trabalhando pelo povo, espalham multiforme e abundantemente a plenitude da santidade de Cristo. Pelo ministério da Palavra, comunicam a força de Deus para a salvação dos que creem (cf. Rom 1,16) e, por meio dos sacramentos, cuja distribuição regular e frutuosa ordenam com a sua autoridade, santificam os fiéis." (C. D. "Lumen Gentium", sobre a Igreja, § 26).

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6. Portanto, caríssimos, a fé é o dom por excelência que nos une a Cristo, que por sua vez nos conduz ao Pai, pelo Espírito Santo, como Ele mesmo disse: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (Jo 16,13). 


7. Destarte, é o Espírito Santo que nos garante a autenticidade da sua mensagem salvífica, como vimos a cima, bem como ainda afirma o Senhor Jesus: "Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa, porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários." (Lc 21,14-15). 

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Amar o Senhor Jesus, é segui-lo fielmente...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,7-12)(22/01/26)

1. Amados irmãos e amadas irmãs, certa feita escreveu são Paulo: "Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. 

2. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo." (2Cor 4,8-10). 

3. De fato, analisando humanamente as tribulações que passamos não dá para entender, pois, sofrer por querer o bem e fazer o bem não cabe no nosso entendimento; porém, cabe na nossa fé, visto que é o Senhor que sofre conosco e por isso nos faz triunfar sobre todo o mal, como Ele mesmo triunfou ao ser crucificado.

4. Na primeira leitura o jovem Davi sofreu perseguição de morte por parte do Rei Saul, pelo fato de ter derrotado Golias, inimigo mortal do seu povo, e o Rei ficou furioso com ele por causa do ciúme e da inveja que o consumia por não ter sido elogiado de igual modo. 

5. No entanto, Davi teve em seu favor Jônatas, que era filho de Saul, e que nutria grande amizade por ele, a quem considerava um irmão. De fato, Deus em sua infinita bondade nos deu o dom da amizade como um tesouro de amor fraterno.

6. No Evangelho de hoje vimos que as multidões se achegavam ao Senhor Jesus buscando a cura para os males que lhes atingia, dentre eles a possessão demoníaca; e o Senhor os curou a todos, expulsou os demônios e não os permitia que falassem dele, pois, apesar de conhece-lo, lhes eram contrários.

7. Com efeito, vimos que a multidão buscava o Senhor Jesus para ser libertada e o foi, mas não o seguiu fielmente até o fim, pois quando da sua prisão e julgamento injusto, acossados pelos fariseus e os mestres da lei, participaram ativamente da sua condenação e crucificação.

8. Portanto, caríssimos, todos estamos a caminho da eternidade e todos seremos julgados, por isso, sejamos misericordiosos com todos, como nos ensinou são Tiago: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12-13).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A quem realmente seguimos rumo à eternidade?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,1-6)(21/01/26)

1. Caríssimos, vivemos em uma sociedade confusa e dividida, por não praticar a fé devidamente, pois tantos a misturam com política ou buscam apenas os próprios interesses; outros ainda por conta da interpretação subjetivista, tornam sua prática motivo de desentendimento, divisão, ódio, maledicência, perversão e morte.

2. Por isso, perguntamos, com qual Jesus convivemos, com o Filho amado de Deus que faz milagres e prodígios revelando a todos a vontade do Pai; ou com o Jesus proclamado nos púlpitos dos que o interpretam com a visão obscura e equivocada que fazem dele? Quem realmente transparecemos com o nosso viver, a nós mesmos com todos os nossos defeitos, ou a Jesus de Nazaré?

3. Com efeito, o verdadeiro convívio com o Senhor Jesus nasce da renúncia da própria vontade; nasce do coração humilde que sabe ouvi-lo, obedece-lo e segui-lo fielmente com a cruz de cada dia como Ele mesmo nos ensinou: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Mt 16,24).

4. No Evangelho de hoje os fariseus receberam a graça de encontrar a Deus face a face no Seu Filho Jesus Cristo, mas não o acolheram pelo fato de que realizava milagres no dia de sábado, por isso, relata o evangelista: "Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo." (Mc 3,6). 

5. De fato, quem não faz a vontade de Deus, atenta sempre contra Ele, mesmo afirmando que creem Nele, como vemos neste relato: "Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. Porém, [Jesus] perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram." Ou seja, fecharam-se em si mesmos, no antro da própria perversão. 

6. Portanto, caríssimos, quem traz o mal encrustado na alma nunca vê o bem que Deus nos faz, pelo contrário, tenta sempre destruir o Fonte de todo o bem, que é o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. De uma coisa fiquemos certos, este mundo está afundando no caos por não acreditar no Filho amado de Deus, por não pôr em prática a sua Palavra de Vida Eterna. 

7. Destarte, quem atenta contra Deus, mesmo sendo advertido por Ele, e apesar disso não se converte, perde o dom mais precioso que Dele recebeu, a salvação eterna. Decerto, o inferno nada mais é do que a total ausência de Deus, e para lá vão os que não O acolhem em suas almas por conta das atitudes nefastas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A verdadeira disciplina nos conduz à liberdade...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,23-28)(20/01/26)


1. Caríssimos, sabemos que para melhor organizar o nosso viver de cada dia existem as leis, as regras e os mandamentos que nos disciplina evitando de nos perdermos no labirinto da própria vontade desgovernada. 

2. Ora, mas, tal disciplina não pode ser algo tão rígido que não dê espaço para a espontaneidade e a concórdia que traz o equilíbrio evitando exageros. A verdadeira disciplina respeita e aplaude a liberdade criativa para suplir as necessidades naturais. 

3. Desse modo, quando a vida é vivida como expressão da presença de Deus, ela se torna mais leve, pois, quando as nossas relações estão impregnadas das virtudes da humildade, do amor, da bondade, da solidariedade e de todas as outras virtudes eternas, isso é sinal da presença do Espírito Santo em nossas almas, que torna o nosso convívio fraterno repleto de compreensão e bem estar para todos.

4. No Evangelho de hoje, os Fariseus que eram tidos como puros, e por isso, se achavam no direito de julgar, criticar e condenar os que não seguissem o seu jeito rígido de observar as leis de Deus, se voltaram contra Jesus e os seus discípulos como se fossem transgressores da lei. "Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”

5. Portanto, caríssimos, muito cuidado com o fermento dos Fariseus que incha os egos, os tornando cegos a ponto de não enxergarem a beleza da liberdade humana repleta de misericórdia e caridade que potencializa a nosso viver em Deus. 

6. Por isso, bem nos ensinou o Senhor Jesus: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”. Ou seja, sem amor e misericórdia a lei se torna letra que mata quem a interpreta sem o seu verdadeiro sentido que é a salvação de todos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A obediência vale mais que os sacrifícios...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,18-22)(19/01/26)

1. Caríssimos, o chamado que Deus nos faz requer correspondência por meio da obediência à Sua Divina Palavra, pois, somente assim poderemos vencer todas as batalhas que travamos nesta vida. Na primeira leitura de hoje o Profeta Samuel mostrou que a desobediência do rei Saul foi o motivo da perda do seu reinado sobre o povo de Israel.

2. Disse o Profeta: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros. A rebelião é um verdadeiro pecado de magia, um crime de idolatria, uma obstinação. Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”. (1Sm 16,22-23).

3. De fato, muitos se acham donos da Palavra de Deus a ponto de contestar e afrontar a Sua Santa Igreja; outros tantos usam o nome do Senhor Jesus em seus discursos ideológicos com fins meramente políticos; outros ainda usam a Palavra de Deus com intuitos monetários e se tornam lobos vorazes vestidos de pele de ovelhas.

4. Todavia, a estes diz o Senhor: "Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? 

5. É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos. Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é o que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”. (Sl 49).

6. O Evangelho de hoje trata da prática do jejum feito pelos discípulos de João Batista e dos fariseus, sendo que estes últimos se tornaram críticos ferrenhos dos discípulos de Cristo porque não jejuavam como eles, ao que respondeu o Senhor: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar."

7. Portanto, caríssimos, os exercícios espirituais são praticados em função da vivência da fé e jamais para criticar os que não se exercitam por eles aos nossos olhos, pois, não somos juízes de ninguém, mas sim réus arrependidos a caminho do juízo final. Destarte, cabe a nós corresponder ao infinito amor de Deus que deu o Seu Filho amado em expiação pelos nossos pecados.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo...

 Homilia do 2°Dom do tempo comum(Jo 1,29-34)(18/01/26)

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1. Caríssimos, eis o que profetizou Isaías sobre a vinda do Messias: "Cantai, ó céus, a obra do Senhor! Exultai de alegria, ó profundezas da Terra! Saltai de júbilo, vós, montanhas, e tu, bosque, com todas as tuas árvores, porque o Senhor resgatou Jacó, manifestou a sua glória em Israel» (Is 44,23). 


2. Eis o que podemos concluir a partir desta profecia de Isaías: que a remissão dos pecados, a conversão e redenção dos homens, anunciada pelos antigos profetas, se cumpre em Cristo nos últimos dias. Ou seja, estamos mais perto do fim do que imaginamos, basta ler os sinais dos tempos. 

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3. Com efeito, quando Deus, o Senhor, nos apareceu, quando Se fez homem, vivendo com os habitantes da Terra, Ele que é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo, Ele que é a vítima totalmente pura, que grande motivo de júbilo tal não foi para as forças do alto e os espíritos celestiais, para todas as ordens dos santos anjos!" (São Cirilo de Alexandria)

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4. De fato, a Promessa Divina de que nós veremos a Deus face a face, começou a se cumprir com a primeira vinda de Cristo. Bem como anunciou São João Batista no Evangelho de hoje: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 


5. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: 'Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!"

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6. Portanto, caríssimos, podemos verdadeiramente nos regozijar no Senhor Jesus, como Ele mesmo disse: "Felizes são vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram." (Mt 13,16-17).

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7. Meditemos com atenção este versículo do evangelho de hoje: "João Batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”». Porque um único Cordeiro morreu por todos, recuperando para Deus Pai todo o rebanho dos que habitam na Terra." (São Cirilo de Alexandria).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Deus nos chama pelo nome...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,13-17)(17/01/26)

1. Caríssimos, Deus é amor infinito e nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos conduzir até à sua glória eterna; por outro lado, somos tentados a não amar a Deus, a não seguir o Seu Filho; a confiar em nós mesmos ou a nos deixar conduzir pelas ideologias deste mundo; e caso nos deixemos seduzir pois tais tentações, perdemos o estado de graça advindo da nossa confiança inabalável no Senhor.

2. Esta liturgia de hoje nos ensina que Deus nos conhece muito bem, e por isso, nos dá a conhecer a sua vontade, no entanto, precisamos viver o seu chamado segundo o seu querer, porque somente assim podemos cumprir todos os seus desígnios de amor a nosso respeito. Bem como vimos na escolha de Saul na primeira leitura, em que o Profeta Samuel o ungiu rei de Israel cumprindo assim a vontade de Deus.

3. O Evangelho de hoje narra a vocação de Levi (Mateus), que era cobrador de impostos, nos mostrando que não importa a condição em que nos encontramos, mas sim a nossa disposição em seguir o Senhor Jesus, contanto que abandonemos os nossos planos, como vimos neste relato: "Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu."

4. Ora, o que nos ensina esse chamado? Primeiro, é o que Senhor Jesus nos chama, mas também espera o nosso convite para entrar em nossa vida, e a partir de nossa condição nos levar à cura e a libertação total dos nossos pecados, como Ele mesmo disse: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

5. Decerto, por sua misericórdia, o Senhor Jesus nos levar a rever o nosso modo de viver, para não caímos no mesmo pecado dos fariseus de julgar a tudo e a todos e assim tentar impedir a ação da graça de Deus que leva à conversão todos os pecadores que escutam o seu chamado e se deixam conduzir por Ele, como fez Mateus e os que estavam ceando em sua casa com o Senhor Jesus.

6. Portanto, caríssimos, como nos ensinou o Profeta Isaías: "Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros? Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome, o qual é tão rico de força e dotado de poder, que ninguém falta ao seu chamado." (Is 40,26). 

7. Destarte, Deus chama a todos pelo nome não importa o lugar ou a condição em que se encontram, o que importa mesmo é escutar o seu chamado e seguir as pegadas do seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, no seio da Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Filho, os teus pecados estão perdoados...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,1-12)(16/01/26)

1. Caríssimos, nós que recebemos no batismo o dom da fé somos constantemente desafiados; devido a nossa finitude, a confiarmos em nós mesmos e nas nossas próprias forças, como vimos na primeira leitura em que o povo pediu ao Profeta Samuel para ser governado por um rei como as outras nações, e com isso, rejeitou a proteção divina, causando a própria ruína.

2. De fato, pensar que podemos nos governar sem o auxílio da graça de Deus, é esquecer que não passamos de um sopro de vida e nada além disso. Todavia, nos perguntemos, como nos deixar conduzir pela fé diante dos constantes desafios, seja das tentações do inimigo de nossas almas, seja das ameaças de tantos males advindos dos pecados aqui cometidos? 

3. A resposta se encontra no amor com que amamos o Senhor observando os seus santos mandamentos, e por isso, não nos deixemos abalar por nada que seja contrário à Sua Vontade, pois, o Senhor é fiel e jamais permitirá que sejamos vencidos nesta guerra que travamos contra as forças maléficas que se revelam pelas maldades praticadas nesta terra de exílio que estamos atravessando.

4. O Evangelho de hoje narra a cura do paralítico que fora transportado por quatro amigos de fé, que solidários com a sua dor, venceram todos os obstáculos e o levaram até o Senhor Jesus. A primeira graça alcançada, foi o perdão dos pecados e a cura da alma; a segunda foi a cura física em resposta aos mestres da lei que acusavam interiormente o Senhor de blasfêmia por dizer: “Filho, os teus pecados estão perdoados”.

5. Portanto, caríssimos, esta liturgia de hoje nos ensina que por meio de Sua Santa Igreja, o Senhor Jesus nos governa à medida que pomos em prática os seus ensinamentos, e como aqueles homens de fé, transportamos os que encontramos paralisados devido os pecados praticados ou por viverem afastados do Senhor pela não prática da fé.

6. Destarte, escutemos com atenção este conselho de são Paulo: "Irmãos, ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. 

7. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,2.9-10). De fato, o bem que fazemos, inspirados pelo Espírito Santo, nos faz um bem enorme, porque é sinal da sua presença em nossa vida, e também é sinal da nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Senhor Jesus nos cura da lepra do pecado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,40-45)(15/01/26)

1. Caríssimos, o estado de graça nasce da obediência à vontade de Deus expressa nos santos mandamentos, nos ensinamentos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nos escritos dos Apóstolos e da Santa Igreja; pois, não basta dizer que se crê em Deus, é preciso coerência entre o que se professa e a prática de tal profissão, caso contrário, se cai no pecado da hipocrisia por conta do falso testemunho se dar.

2. Esta liturgia de hoje nos mostra que a vivência da fé não exclui ninguém por mais pecador ou desprezado que seja pela sociedade, porém, isso não significa ser conivente com os pecados praticados, mas sim, de tratar com misericórdia os que foram atingidos pelo resultado dos próprios pecados ou do pecado dos outros. Ora, é isso o que vimos no Evangelho de hoje em que o Senhor Jesus curou um leproso que lhe suplicou a cura.

3. No entanto, o que mais nos chama a atenção é a desobediência do leproso que foi curado pelo Senhor, pois, mesmo recebendo uma firme advertência para não divulgar a cura, ele fez totalmente o contrário, e com isso, impediu até certo ponto a fluidez da evangelização como o Senhor o havia previsto. Daí percebemos que nem todos são enviados a proclamar a sua obra salvífica; porém, todos são chamados à obediência que lhe é devida.

4. São Paulo VI, em sua homilia sobre o dia mundial do leproso, disse: "O gesto afetuoso de Jesus, que Se aproxima dos leprosos para os reconfortar e curar, tem a sua expressão plena e misteriosa na sua Paixão. 

5. Torturado e desfigurado pelo suor de sangue, pela flagelação, pela coroação de espinhos, pela crucifixão; abandonado por aqueles que esqueceram o bem que Ele lhes tinha feito, na sua Paixão, Jesus identifica-Se com os leprosos, tornando-se sua imagem e símbolo."

6. Portanto, caríssimos, ainda nas palavras de são Paulo VI: "A Igreja sempre foi fiel à sua missão de anunciar a palavra de Cristo, unida a gestos concretos de misericórdia solidária para com os mais humildes, para com os últimos. Ao longo dos séculos, tem havido um crescendo de dedicação impressionante e extraordinária às pessoas afetadas pelas doenças humanamente mais repugnantes.

7. A história põe claramente em evidência que os cristãos foram os primeiros a preocupar-se com o problema dos leprosos. O exemplo de Cristo fez escola, e deu muitos frutos em atos de solidariedade, de dedicação, de generosidade e de caridade desinteressada."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A oração é o dom espiritual que nos une a Deus para vencermos todos os males...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,29-39)(14/01/26)

1. Caríssimos, como ainda não atingimos a perfeição das virtudes que nos fazem santos, continuamos em luta contra nós mesmos e contra os perigos que percebemos da parte do inimigo de nossas almas; no entanto, enquanto estivermos nestas batalhas diárias, o Senhor estará sempre conosco nos concedendo as graças e bênçãos necessárias para permanecermos em comunhão com Ele, é isso o que nos ensina esta liturgia de hoje.

2. Todavia, nesta luta interior e exterior, a arma fundamental é a oração pela qual encontramos o Senhor e com Ele dialogamos com a finalidade de permanecermos fiéis à sua santa vontade para assim vencermos todas as tentações e todos os males. Se percebermos bem, entenderemos que somos tão preciosos aos olhos de Deus que Ele sacrificou seu próprio Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos dar a salvação eterna.

3. No Evangelho de hoje vemos o exemplo de oração de intercessão dos Apóstolos, do povo que trouxe seus enfermos e endemoniados para serem curados pelo Senhor Jesus, e o exemplo da oração do Senhor. Em todas essas situações vemos o quanto é fundamental esse dom e como o nosso Pai celestial responde a todas elas libertando e salvando a todos que o procuram por meio do Seu amado Filho.

4. São João Cassiano (sec. IV) assim escreveu sobre o precioso dom da oração: "A oração modifica-se a cada instante, segundo o grau de pureza a que a alma chegou, mas também conforme a sua disposição atual, que pode ser espontânea ou devida a influências exteriores; e é certo que não permanece sempre idêntica a si mesma em cada pessoa.

5. Rezamos de forma diferente conforme temos o coração leve ou pesado de tristeza e desesperança; na embriaguez da vida sobrenatural ou na depressão de tentações violentas; quando imploramos o perdão dos nossos pecados ou quando pedimos uma graça, uma virtude, a cura de um vício; na compunção que o pensamento do inferno e o temor do juízo nos inspiram ou quando ardemos no desejo e na esperança dos bens futuros.

6. No meio de perigos e adversidades ou em paz e segurança; quando nos sentimos inundados de luz pela revelação dos mistérios do Céu ou quando estamos paralisados pela esterilidade da virtude e a secura do pensamento. 

7. Estes vários modos de oração serão seguidos por um estado ainda mais sublime e de elevação ainda mais transcendente: é um olhar só para Deus, um grande fogo de amor, onde a alma se funda e se afunda na santa dileção, entretendo-se com Deus como com um Pai, com enorme familiaridade, numa ternura de piedade toda especial."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Sua Palavra é Palavra de Vida Eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,21b-28)(13/01/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, a nossa vida é um misto de temporalidade e eternidade, em outras palavras, estamos no tempo a caminho da eternidade, e nesse percurso nos deparamos com o bem e com o mal, porém, depende de nossas escolhas e decisões a quem queremos servir, pois, tudo passa primeiro pelo crivo do nosso livre arbítrio para depois de decidido torna-se a nossa prática de vida.

2. Por isso, é fundamental a vida vivida em Cristo Jesus, "autor e consumador de nossa fé", porque somente Ele é a garantia da vitória sobre o inimigo de nossas almas, como afirma são Pedro quando indagado pelo Senhor: “Vós também vos quereis ir embora? Simão Pedro respondeu: A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. (Jo 6,68-69).

3. No Evangelho de hoje, "Estando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei." Com efeito, por esse relato, se evidencia que Jesus é o Verbo de Deus, e sua Palavra tem todo poder sobre o céu e sobre a terra, porque é Palavra de vida eterna.

4. Decerto, também nesse Evangelho vimos que o demônio reconhece o Senhorio de Jesus e o porquê de sua vinda, pois, o Senhor o expulsa da obra da criação destruindo as suas ações, como relata são Marcos: "Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”"

5. Portanto, caríssimos, o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, é a garantia da nossa salvação eterna, ou seja, da nossa entrada no Reino de Deus, pela imortalidade de nossas almas para assim contemplarmos eternamente a Face de Deus como seus filhos e filhas. 

6. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus, pela intercessão da sua mãe, Maria Santíssima, a graça da perseverança final para usofluírmos do benefício da nossa redenção conquistado pelo seu sacrifício de cruz.

7. "Senhor Jesus, que chamaste os primeiros discípulos no meio de sua vida simples, olha também para nós e chama-nos pelo nome. Dá-nos um coração dócil para responder ao Teu chamado e a coragem para Te seguir com fidelidade. Conduze-nos pelos caminhos da justiça até a plenitude da vida eterna. Tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Vem e segue-me...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,14-20)(12/01/26)

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1. Caríssimos, hoje a Igreja dá início ao Tempo Comum, em preparação à Quaresma e a Páscoa do Senhor; e na liturgia desse dia vemos como Jesus chamou os primeiros discípulos, introduzindo-os na Sua Escola de Santidade para que seguindo os seus passos se deixassem conduzir pelo Espírito Santo até atingirem a maturidade da fé no Seu seguimento.

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2. A respeito do chamado que Deus faz, o Profeta Isaías nos mostra que pelo fato do Senhor conhecer plenamente as suas criaturas as chama pessoalmente, diz o Profeta: "Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros? 


3. Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome, o qual é tão rico de força e dotado de poder, que ninguém falta ao seu chamado." E são Paulo completa: "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis."

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4. O Evangelho de hoje nos mostra como Deus faz acontecer o Seu chamado, ou seja, na realidade de cada um dos seus filhos, lhes revelando o novo que os faz mudar os planos pessoais para o Seu Plano de Amor e Salvação, onde pela obediência e fidelidade seguem o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

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5. Caríssimos, ninguém que segue o Senhor Jesus o faz sem conhecer os seus planos. "E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. Ou seja, é tão preciso o chamado que por mais imperfeitos que sejamos é impossível não ouvi-lo.

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6. Ouçamos com atenção o que disse Santo Antônio de Pádua a respeito do chamado: "Jesus dirige-se a nós e nos diz: «Vem comigo», porque Eu conheço o melhor caminho e serei eu a conduzir-te." 


7. Bem como lemos no Livro dos Provérbios: «Eu te instruo no caminho da sa­bedoria e te encaminho pelas sendas da justiça; ao caminhares, não serão inse­guros os teus passos; se correres, não tropeçarás» Portanto, «vem comigo».

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Solenidade do Batismo do Senhor...

 Solenidade do Batismo do Senhor (Mt 3,13-17)(11/01/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra o Batismo de Jesus. E, com o Batismo do Senhor, encerra o tempo litúrgico do Natal e dá início ao chamado Tempo Comum, onde as celebrações seguem o ritmo ordinário da vida como preparação para o Tempo forte da Quaresma culminando com a Solenidade da Páscoa, que é o ápice da nossa fé, ou seja, o momento sublime em que Jesus vence a morte, o pecado, o inferno e o maligno.

2. A liturgia do Batismo de Jesus é o parâmetro perfeito do nosso batismo, pois nela o Senhor nos dá a conhecer o que acontece quando somos batizados; primeiro, se cumpre em nossa vida a justiça divina; segundo, recebemos o Espírito Santo que passa habitar as nossas almas; terceiro, o céu se abre para nós e Deus pessoalmente proclama a nossa filiação divina.

3. Com efeito, a palavra Sacramento significa Sinal Sagrado ou Teofania, pelo qual Deus age diretamente em nossas almas dando-nos as graças necessárias para a nossa salvação. O Batismo a Primeira Comunhão e o Crisma, são chamados Sacramentos da iniciação, pelos quais iniciamos a nossa caminhada para o céu como membros do Corpo de Cristo que é a Igreja Católica que tem sua sede em Roma.

4. Portanto, caríssimos, a Solenidade do Batismo do Senhor é para nós motivo de grande alegria, pois nele os céus se abriram, o Espírito Santo desceu visivelmente sobre Jesus em forma de pomba, e ouviu-se a voz de Deus, dizendo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado.” 

5. De fato, o Senhor Jesus veio a este mundo para nos resgatar, permanecendo conosco até o fim dos tempos, como ouvimos do Profeta Isaías na primeira leitura: "Eis o meu servo - eu o recebo; eis o meu eleito - nele se compraz minh'alma; pus meu Espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações." 

6. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações... Destarte, o Senhor Jesus se faz presente realmente na Santa Eucaristia e nos outros Sacramentos até o fim dos tempos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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