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sábado, 13 de abril de 2024

"SOU EU. NÃO TENHAIS MEDO."


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Jo 6,16-21)(13/4/24)

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1. Caríssimos, muitas vezes em nosso dia a dia passamos por situações que nos desafiam a ponto de parecer impossível alguma solução; mas, isso acontece quando confiamos em nós mesmos e não no Senhor Jesus como devemos. Aliás, esta liturgia de hoje nos remete à palavra triqulizadora de Jesus: "Sou eu. Não tenhais medo”. (Jo 16,33b).
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2. Ora, as possibilidades que a fé em Cristo nos abre são infinitas como infinito é o seu poder, principalmente quando a Ele recorremos humildemente em nossas dificuldades ou para a solução dos problemas que se levantam contra nosso bem viver. 
3. Bem como vimos na primeira leitura de hoje, em que os Apóstolos, por meio da fé e da oração, apaziguaram a comunidade que estava sendo dizimada pela distinção de pessoas e pela falta de caridade. Eis o relato: "Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica." (At 6,1).
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4. De fato, ainda não temos maturidade suficiente na fé que professamos para vivermos plenamente em conformidade com os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo, principalmente neste nosso tempo em que as pessoas encontram solução para quase tudo na Internet, menos para erradicar o mal que divide e atormenta a nossa sociedade.
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5. Mas, por que isso acontece? Por falta de adesão total a Cristo, porque Ele é a única solução contra o mal e suas artimanhas; no entanto, para isso, precisamos segui-lo fielmente, vivendo como Ele viveu em tudo a vontade do Pai; sem essa adesão total e definitiva a Ele não temos como vencer as adversidades que se nos apresentam tentando nos desestabilizar.
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6. No Evangelho de hoje, contemplamos o Senhor Jesus caminhando sobre as águas como sinal do seu poder e divindade, e depois disse aos Apóstolos que pensavam que Ele era um fantasma: "Sou eu. Não tenhas medo". Ora, isso nos faz sentir-nos protegidos, e termos a convicção de que com Ele chegaremos ao Porto Seguro do Seu Reino, não obstante as tempestades do mar revolto deste mundo.
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7. Comentando este Evangelho disse o Mons. Angelo Spina: "Depois da multiplicação dos pães, à noite, os discípulos vão para a outra margem do lago. Está escuro e Jesus não está com eles. O mar está agitado por causa do vento forte, e o medo é evidente. Jesus alcança-os caminhando sobre as águas e diz-lhes: "Sou eu, não tenhais medo". 
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8. Na nossa vida, há muitos momentos em que sentimos a escuridão da noite, as adversidades avançam e sentimo-nos como que perdidos. É precisamente nestes momentos que o Senhor vem ao nosso encontro e diz: "Sou eu", ou seja, estou presente. 
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9. Jesus não empurra o barco para terra, são os discípulos que remam, mas o que é bonito é que eles levam Jesus para dentro do barco e o barco chega imediatamente ao porto para aonde ia. Ou seja, a presença do Senhor tranquiliza-nos, e nós encontramos Nele a força física e espiritual para completar a viagem."
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10. "Invoquemos a Virgem Maria, modelo de confiança total em Deus, para que, no meio de tantas preocupações, problemas, dificuldades que agitam o mar da nossa vida, ressoe nos nossos corações a palavra tranquilizadora de Jesus, que também nos diz: 'Coragem, sou eu, não tenhais medo!' e assim cresça a nossa fé n'Ele." (Bento XVI).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

A VIDA É O MILAGRE DE CADA MOMENTO VIVIDO PARA DEUS


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,1-15)(12/4/24). 


1. Caríssimos, o poder de Deus se revela em sua obra, pois Ele criou o mundo por amor e a todos sustenta por sua Divina Providência, sem nunca deixar de fazê-lo. De fato, o Senhor é a Fonte inesgotável que supre todas as necessidades, pois à tudo governa com justiça e perfeição. 
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2. E se falta alguma coisa para qualquer de suas criaturas, deva-se isto às injustiças cometidas por aqueles que não o temem; todavia, que fique bem claro, quem comete qualquer maldade e não se arrepende e nem a repara, morrerá com a maldade praticada e nela permanecerá por toda eternidade.
3. Ora, Deus é Deus e não vai deixar de ser bom e nem vai deixar de nos amar e nos amparar só porque muitas de suas criaturas o abandonam para enveredar pelo caminho da perversão e da perdição que não tem fim. 
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4. Cabe a nós amar o Senhor e proclamar todas as suas maravilhas como cantou o salmista: "Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!" (Sl 144,10-11).

5. Com efeito, a multiplicação dos pães que o Senhor Jesus realizou, nos ensina três grandes lições de vida: Primeira lição, o pouco com Deus é muito, por isso supera as nossas espectativas, pois, com cinco pães e dois peixes ele alimentou cerca de cinco mil pessoas e ainda sobrou doze cestos. 
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6. Segunda lição, diante do Senhor todas as soluções são vãs se não pomos Nele a nossa confiança; por exemplo, para Filipe nem 400 moedas de prata eram suficiente para alimentar tanta gente, e no entanto, o Senhor o fez graças à fé dos que o procuraram, desse modo, entendemos que o Senhor também prova a nossa fé. 
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7. Terceira lição, atenção, muito cuidado com os interesses escusos, pois eles nos afastam do Senhor: "Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte." (Jo 6,14-15).
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8. Portanto, caríssimos, a obra da salvação humana é puramente divina, e embora sejamos cooperadores do Senhor nessa obra, nossa postura deve ser isenta de qualquer interesse fora da salvação das almas. Ou seja, devemos ter a mesma postura da Virgem Maria, a Mãe de Jesus: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa vontade." (Lc 1,38).
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9. Comentando este Evangelho disse Santo Agostinho: "Governar o Universo é certamente um milagre maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães. E, contudo, aquilo não espanta ninguém, mas as pessoas espantam-se diante de um milagre de menor importância, porque sai do habitual. 
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10. Esta obra foi-nos apresentada aos sentidos para nos elevar o espírito. Tornou-se-nos assim possível admirar "o Deus invisível, através das suas obras visíveis" (Rom 1,20). Depois de termos sido ensinados na fé e purificados por ela, podemos desejar ver, sem os olhos do corpo, o Ser invisível que conhecemos a partir do visível.
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11. Com efeito, Jesus fez este milagre para que ele fosse visto pelos que ali se encontravam, e eles puseram-no por escrito para que nós tomássemos conhecimento dele. O que os olhos fizeram para eles, fá-lo para nós a fé. De igual modo, reconhecemos na nossa alma o que os nossos olhos não puderam ver e recebemos um belo elogio, pois foi acerca de nós que Ele disse: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20,29). 
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(Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja - Sermões sobre o evangelho de João, n.º 24, 1.6.7; CCL 36, 244).
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

SENHOR JESUS, A TUA PALAVRA É VIDA ETERNA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Jo 3,31-36)(11/4/24)

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, aprendemos do Senhor Jesus que, uma vez renascidos da água e do Espírito Santo, pertencemos a Ele e para Ele devemos viver, e tudo fazer para a salvação das almas e o louvor de Sua glória. 
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2. Por isso, fundamentados nesses dois objetivos, nada temos a temer, visto que o Espírito Santo nos ajuda a cumprir essa nossa missão, como vimos na primeira leitura: "E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que a Ele obedecem”. (At 5,32).
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3. A respeito das perseguições eis o que disse o Senhor: "Mas, antes de tudo, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim. 
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4. Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho. Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa, porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários." (Lc 21,12-15).
5. No Evangelho de hoje São João nos revela que o Senhor Jesus veio da glória do Pai para nos resgatar e nos ensinar como devemos viver a nossa filiação adotiva na sua presença mantendo nossa comunhão com Ele e entre nós. Pois, Ele fala a linguagem do Pai e nos dá o Espírito sem medida. 
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6. Bem como Ele mesmo disse: "O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele”. (Jo 3,35-36).
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7. Portanto, caríssimos, somos obras das mãos de Deus e todos fomos dotados da fé para acolher o Senhor Jesus, Palavra Eterna do Pai, pois Deus é Eterno e tudo criou para a eternidade. Destarte, não acolher o Filho de Deus e a sua mensagem salvífica, se constitui o grande pecado da humanidade; e é por isso que muitos se perderão por rejeitarem a salvação que Ele veio trazer.
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8. Rezemos com Santo Agostinho esta belíssima oração: "Senhor meu Deus, luz dos cegos e força dos fracos, mas também luz dos que veem e força dos fortes, escuta a minha alma, ouve-a gritar do fundo do abismo (cf Sl 192,1). Pois se Tu não nos escutares do fundo do abismo, aonde iremos? A quem dirigiremos os nossos apelos?
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9. "Teu é o dia, tua é também a noite" (Sl 73,16). A um sinal teu, todos os instantes desaparecem. Dá aos nossos pensamentos o tempo necessário para investigarem os recessos profundos da tua lei e não feches a porta àqueles que batem (cf Mt 7,7). 
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10. A tua palavra é toda a minha alegria, a tua palavra é mais doce que uma torrente de volúpias. Concede-me que Te ame, porque o amor é um dom teu. Não abandones os teus dons, não desdenhes deste talo de erva sedento. 
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11. Que eu proclame tudo quanto descobrir nos teus livros; faz-me «ouvir a voz dos teus louvores» (Sl 25,7). Possa eu beber da tua palavra e considerar as maravilhas da tua lei (cf Sl 118,18), desde o instante em que criaste o céu e a terra até ao momento em que partilhar contigo o reino eterno na cidade santa." (Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja - Confissões XI, 2, 3).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de abril de 2024

ENTRE ELES TUDO ERA POSTO EM COMUM"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,7b-15)(09/4/24)

1. Caríssimos, Deus criou os homens dotados de inteligência e de todos os dons para fazerem somente o bem e encontra-lo em todas as virtudes que praticassem, pois tudo lhe pertence. 

2. Ocorre que depois da queda no pecado entrou no coração dos homens a divisão que quebrou a unicidade divina plasmada em suas almas e com isso perderam a comunhão entre si e com o seu criador e Pai.

3. Todavia, para voltarmos à unidade entre nós e a comunhão filial com Ele, Deus enviou o Seu Filho Jesus Cristo para vencer as forças do maligno que tinha no pecado e na morte o seu poder. Desse modo, o Senhor nos reconciliou com o nosso Pai celestial. 

4. É bem como nos ensina São Paulo: "Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos! -, juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus." (Ef 2,4-6).

5. A primeira leitura de hoje nos mostra a comunidade formada pelos Apóstolos vivendo esta unidade do Espírito Santo: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum." (At 4,32).

6. De fato, esse relato demonstra que quando o coração humano está repleto do amor de Deus não tem lugar para os apegos materiais, para as divisões ou algo semelhante. Isto porque, como disse são Paulo: "Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados." (Rm 8,14.17).

7. Decerto, o Senhor Jesus é o Criador que vem até nós pessoalmente, nos redime por sua morte e ressurreição e permanece conosco em sua Santa Igreja; e por meio dos seus escolhidos nos conduz à glória do seu reino. Mas, para isto, disse Ele a Nicodemos: "é preciso nascer do alto," isto é, da água e do Espírito Santo no batismo." 

8. Referindo-se a isso escreveu Santa Teresa Benedito da Cruz: "Quem és Tu, suave luz que me sacias e que iluminas as trevas do meu coração? Guias-me como a mão de uma mãe, e se me soltasses, eu não poderia dar nem mais um passo.

9. És o espaço que envolve o meu ser e me protege. Longe de Ti, naufragaria no abismo do nada de onde me tiraste para me criar para a luz. Tu, mais próximo de mim que eu própria, mais íntimo que as profundezas da minha alma, e contudo incompreensível e inefável, para além de todo o nome, Espírito Santo, Amor Eterno!

10. Não és Tu o doce maná que do coração do Filho transborda para o meu, o alimento dos anjos e dos bem-aventurados? Aquele que Se elevou da morte à vida também me despertou do sono da morte para uma vida nova. 

11. E, dia após dia, continua a dar-me uma nova vida, cuja plenitude me inundará um dia por completo, vida procedente da tua vida, sim, Tu mesmo, Espírito Santo, Vida Eterna!" (Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa - "Pentecostes" 1942).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 7 de abril de 2024

BEM-AVENTURADOS OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM


 Homilia do 2°Dom da Páscoa (Jo 20,19-31)(07/4/24)

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1. Caríssimos, neste segundo domingo da Páscoa do Senhor, a Igreja celebra a Grande Festa da Divina Misericórdia; ora, esta Festa nos mostra que o Coração Misericordioso de Jesus está sempre aberto para acolher todos os que a Ele recorrem em busca do perdão e da misericórdia que lhes oferece para voltarem à perfeita comunhão com a vontade do Pai no seio da Sua Santa Igreja.
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2. Na primeira leitura de hoje, a comunidade reunida em torno de Pedro e dos demais Apóstolos, experimenta os prodígios que o Senhor Jesus realiza como fruto de sua ressurreição e de sua presença real no meio dela. 
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3. De fato, esses prodígios são a constatação de que a nossa fé é convivência real com o Senhor Ressuscitado; é também a demonstração do que significa viver a unidade do Espírito no vínculo da paz que Ele gera em nossas almas. 
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4. Decerto, para coroar a profundidade desta liturgia meditemos o Evangelho de hoje, onde vemos o quanto é necessário a nossa presença permanente na comunidade que Deus nos deu para vivermos o seu amor entre nós. 
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5. Ora, foi por sua ausência na comunidade apostólica, que Tomé, como que perdeu a fé, pois, mesmo ouvindo o testemunho dos outros Apóstolos não acreditou; somente quando encontrou Jesus no seio da comunidade é que retornou à fé e a professou, dizendo humildemente: "Meu Senhor e meu Deus!" 
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6. Comentando este Evangelho disse o Padre Ubaldo Terrinoni: "Tomé está como que eletrocutado! Renuncia a qualquer pretensão de verificação. Não tem a coragem de estender a mão e limita-se a exprimir apenas duas palavras em língua aramaica, numa exclamação libertadora: "Meu Senhor e meu Deus" (Jo 20,28). 
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7. É um grito de libertação do medo e, ao mesmo tempo, é um grito de alegria; é uma profissão de fé e uma declaração de plena entrega confiante a Deus. E Jesus aproveita a ocasião para confirmar o binômio "crer para ver": "Porque viste, acreditaste; bem-aventurados os que não viram e acreditaram" (Jo 28,29). 
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8. Assim, Jesus privilegia claramente o binômio "crer para ver". Tomé confiava mais na sua mão, no seu dedo e nos seus olhos do que na declaração entusiástica dos Dez e nas repetidas promessas que Jesus tinha feito sobre a sua ressurreição (Mc 8,31; 9,31; 10,34). Por isso, o apóstolo é repreendido amavelmente pela pretensão de querer experimentar primeiro para depois acreditar. 
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9. A fé não exige experimentar, sentir, verificar, confirmar; exige, sim, confiar no amigo, confiar em Deus; confiar em Deus mais do que em si mesmo; confiar nele tanto quando o caminho da vida é iluminado por uma luz deslumbrante como quando mergulha em densas trevas. 
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10. O amigo está sempre lá, comigo, contigo, presente! E a pessoa de fé lê os acontecimentos alegres e dolorosos do seu caminho com os olhos de Deus. Não se trata de elogiar uma fé cega, sem razão, mas sim uma fé que leva aquele que crê a entregar-se a Deus por amor e com amor, sem hesitação e sem medo, como a criança que confia no amor da mãe e se abandona confiante nos seus braços e dorme profundamente."
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11. Oremos: Fazei, Senhor Jesus, pela vossa divina misericórdia, que a luz do vosso amor continui a iluminar as nossas almas para que repletos do Espírito Santo mantenhamo-nos unidos para assim darmos os frutos da vossa redenção, como Maria Santíssima, São José, os Apóstolos e todos os santos o fizeram em sua trajetória para o céu; vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de abril de 2024

SENHOR JESUS, TU ÉS A VIDA DA MINHA VIDA, TU ÉS TUDO PARA MIM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,9-15)(06/4/24)

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1. Caríssimos, todos somos obras das mãos de Deus e dotados da fé, dom do Espírito Santo que recebemos no batismo, pela qual fazemos a experiência da Ressurreição de Jesus, bem como descreve São Paulo na Carta aos Romanos: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?
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2. Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4). De fato, a experiência da fé que nos leva a crer em Cristo mesmo sem o tê-lo visto é puro dom do Espírito Santo.
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3. E com isso compreendemos que mesmo vivendo naturalmente em meio as coisas criadas, somos sustentados pela invisibilidade divina, para transparecemos o Senhor ressuscitado que habita nossas almas, que faz de nós templos do Santo Espírito, e seus sacrários vivos. 
4. E foi exatamente isso o que testemunharam os Apóstolos Pedro e João no confronto com as autoridades judaicas depois de terem realizado o milagre da cura do coxo de nascença, pelo poder do Nome de Jesus. De fato, repletos de coragem e determinação cumpriram fielmente a sua missão.
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5. Decerto, quem vive em comunhão com Jesus ressuscitado, o transparece em todos os sentidos da vida, e cumpre integralmente, como os Apóstolos e demais servos e servas do Senhor cumpriram, o que o Senhor Jesus ordenou no final do Evangelho de hoje: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai a boa nova da salvação à toda criatura!" (Mc 16,15).
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6. Com efeito, este envio do Senhor Jesus independe do grau de instrução como vimos na primeira leitura: "Os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus." (At 4,13).
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7. Portanto, caríssimos, todos nós batizados somos enviados e o Senhor mesmo confirma por meio do Espírito Santo a graça da salvação que Dele recebemos e anunciamos certos de que muitos se converterão devido a autenticidade do nosso testemunho.
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8. Destarte, façamos esta oração do Livro das Horas do Sinai: "Tu ressuscitaste dos mortos, Tu, que és a vida de todos, e um anjo de luz gritou às mulheres: "Não choreis, ide contar a boa nova aos apóstolos, cantai a plenos pulmões que Ele ressuscitou, Ele, Cristo Senhor, que, sendo Deus, quis salvar o gênero humano!".
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9. Senhor, eu ouvi o mistério da tua encarnação, considerei as tuas obras e glorifiquei a tua divindade. Cristo, nosso Deus, foste pregado na cruz por um bando de rebeldes, e por essa cruz salvaste, na tua misericórdia, aqueles que glorificam a tua ressurreição.
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10. Ao dar-me a comer o fruto da árvore, o inimigo expulsou-me do Éden; porém, graças à árvore da cruz, fui chamado a regressar a esse paraíso. Pela tua morte, ó Mestre, a morte foi capturada e morta; pois, sendo a vida subsistente, Tu deste vida aos habitantes dos túmulos.
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11. Ressuscitado do túmulo, ressuscitaste contigo todos os mortos que jaziam no Hades e, na tua misericórdia, iluminaste aqueles que glorificam a tua ressurreição. Ó Maria Imaculada, implora a Deus, ao qual geraste, que conceda aos teus servos o perdão dos seus pecados." (Livro das Horas do Sinai (século IX) Cânone em honra da cruz e da ressurreição, SC 486).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

TUDO NOS FALA DO RESSUSCITADO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 24,13-35)(03/4/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, é certo dizer que em nossa finitude necessitamos da sensibilidade para nos relacionar melhor com as coisas que dizem respeito a Deus e a nós mesmos; e isto porque o sensível penetra facilmente nas entranhas de nossa alma nos convencendo da possibilidade de um bom relacionamento sem receio de percas ou enganos.
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2. Ora, a liturgia de hoje começa com Deus nos sensibizando com a cura de um paralítico de nascença, dando-nos a graça de crer que Jesus está realmente vivo e atuando entre nós por meio dos seus escolhidos que em seu nome realizam os mesmos prodígios de antes de sua ressurreição.
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3. No Evangelho de hoje os discípulos de Emaús acreditaram em tudo o que Jesus falou antes de sua morte e até no que as mulheres falaram a respeito de sua ressurreição, mas não foram capazes de identifica-lo à caminho de sua Aldeia quando os seguiu; foi preciso que lhes abrisse o entendimento para que ardendo por dentro compreendessem que era o próprio Senhor quem lhes falava pessoalmente.
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4. Mas, e hoje como identificamos a presença de Jesus ressuscitado em nosso meio? Os discípulos de Emaús fizeram isso quando pararam para o ouvir, quando o convidaram para permanecer com eles, e na fração do pão, em que Jesus celebrou a Santa Eucaristia, tornando-se visível aos seus olhos, para em seguida desaparecer, permanecendo presente realmente neste Grande Mistério de amor.
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5. Com efeito, nem tudo o que diz respeito a Deus percebemos sensivelmente, mas, ao nos comunicar as suas graças Ele o faz desse modo. Pois, assim como vimos com Pedro e João no templo, e com os discípulos de Emaús, o Senhor Jesus se faz sempre presente junto à nós quando realmente buscamos realizar em tudo a Sua Santa Vontade.
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6. Comentando este Evangelho disse o Papa Bento XVI: "O ensinamento de Cristo - a explicação das profecias - foi para os discípulos de Emaús como uma revelação inesperada, luminosa e consoladora. Jesus deu uma nova chave para a interpretação da Bíblia, e agora tudo parecia claro, orientado para este momento. 
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7. Ao longo do ano litúrgico, particularmente na Semana Santa, o Senhor põe-se a caminho conosco e explica-nos as Escrituras, faz-nos compreender este mistério: tudo fala dele. E isto deve também inflamar o nosso coração, para que os nossos olhos se abram. 
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8. O Senhor está conosco, e mostra-nos o verdadeiro caminho. Tal como os dois discípulos reconheceram Jesus ao partir o pão, também nós, hoje, ao partir o pão, reconhecemos a sua presença. Os discípulos de Emaús reconheceram-no e recordaram os momentos em que Jesus tinha partido o pão. 
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9. E este partir do pão recorda-nos a primeira Eucaristia celebrada no contexto da Última Ceia, onde Jesus partiu o pão e antecipou assim a sua morte e ressurreição, entregando-se aos discípulos. Também Jesus parte o pão conosco e por nós, faz-se presente conosco na Sagrada Eucaristia, dá-se e abre os nossos corações. 
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10. Na Sagrada Eucaristia, no encontro com a sua Palavra, também nós podemos encontrar e reconhecer Jesus, nesta dupla mesa da Palavra e do Pão e do Vinho consagrados. Em cada domingo, a comunidade revive assim a Páscoa do Senhor e recolhe do Salvador o seu testamento de amor e de serviço fraterno. 
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11. Que a alegria destes dias torne ainda mais forte a nossa adesão fiel a Cristo crucificado e ressuscitado. Acima de tudo, deixemo-nos conquistar pelo fascínio da sua ressurreição." (Bento XVI - Audiência Geral, 26 de março de 2008). 
Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

ALEGRAI-VOS, O SENHOR RESSUSCITOU VERDADEIRAMENTE ALELUIA!


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 28,8-15)(01/4/24)

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1. Caríssimos, hoje a Igreja continua celebrando a Páscoa do Senhor e por uma semana o fará solenemente, pois, são tantas as graças derramadas nesses dias, que muito temos à agradecer ao Senhor por todos essas graças que Dele recebemos. 
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2. A liturgia pós Domingo de Páscoa faz memória de Jesus na sua dimensão eterna, que se faz presente realmente em meio a nós, revelando que estará sempre conosco, como Ele disse às mulheres que foram ao sepúlcro após sua ressurreição: "De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” (Mt 28,9a).
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3. Na primeira leitura de hoje São Pedro relembra como o rei Davi profetizou sobre a ressurreição de Cristo, e que vencedor da morte Ele agora se dá a conhecer pelo testemunho dos Apóstolos e de todos os seus seguidores de todos os tempos.
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4. O Senhor também se dá conhecer pelos Sacramentos da Santa Igreja onde atua diretamente para a salvação de todas as almas, pois, é este o sentido do Seu Sacrifício de Cruz. De fato, os Sacramentos revelam a sua real presença realizando por seus efeitos a sua Palavra de Vida Eterna. 
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5. No Evangelho que hoje meditamos, vemos o encontro do Senhor Jesus com as santas mulheres que foram ao seu sepulcro mesmo sabendo que seria impossível remover a grande pedra que lhes impedia de ter acesso ao seu corpo. 
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6. No entanto, tiveram esse felissíssimo encontro com Ele ressuscitado sem nenhum embargo da morte cruenta que Ele havia sofrido na sexta-feira santa; todavia, trazia em seu corpo as marcas das santas chagas que confirmava a sua Vitória definitiva sobre a morte. 
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7. Com efeito, também na liturgia de hoje, vimos que o mal não aceitou a derrota, pois, ordenou aos seus sequazes de continuarem mentindo tentando encobrir a perversa trama que levou o Senhor Jesus a ser sacrificado mesmo sendo inocente. 
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8. Ora, também em nosso tempo muitos inocentes continuam sendo sacrificados como constatamos por tantos dos nossos irmãos que são martirizados no mundo inteiro, participando com isso da morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele a glória, a Ele o louvor, a Ele o domínio, pois Ele é o Senhor que vive e reina agora e para sempre por toda eternidade. Amém! Assim seja! 
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9. Comentando este Evangelho disse São Cirilo de Jerusalém: "Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante dele». Abraçaram-no para que se cumprissem aquelas palavras: «Abraçá-lo-ei e já não o soltarei» (Cânt 3,4). 
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10. As mulheres seriam fisicamente fracas, mas a sua coragem era viril. A abundância das águas não tinha força para apagar o seu amor, nem os rios podiam engoli-lo. Aquele que procuravam morrera, mas a sua esperança na ressurreição não se havia extinguido.
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11. "Ide dizer aos seus discípulos que Ele ressuscitou" (Mt 28,7). Elas vão-se embora com um temor misturado com alegria. E não está também isso escrito? Sim: o salmo 2, que narra a Paixão de Cristo, diz o seguinte: «Servi o Senhor com temor e com tremor rendei-lhe homenagem» (Sl 2,11). «Alegrai-vos», porque o Senhor ressuscitou, mas «tremei», porque a terra tremeu e o anjo vos apareceu como um relâmpago."
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(São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja - Catequese batismal n.º 14, 13).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 31 de março de 2024


 Homilia do Domingo de Páscoa (Jo 20,1-9)(31/3/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a Igreja hoje celebra solenemente a Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo. Ora, para nós essa se constitui a maior de todas as graças tendo em vista que a morte se apresentava como que invencível, uma vez que já nascemos morrendo e quando morremos só ficam as lembranças que, na verdade, se apagam com o tempo. 
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2. Todavia, nesse dia em que solenemente celebramos a Ressurreição do Senhor Jesus, a sua morte de cruz é o sinal de que Deus é invencível ainda que aos olhos daqueles que o crucificaram pareça morto. No entanto, como Ele havia anunciado: "O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai." (Jo 10,17-18).
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3. No Evangelho de hoje Maria Madalena vai ao túmulo do Senhor ainda de madrugada, mas não o encontra, por isso, vai correndo ao encontro dos Apóstolos e lhes diz: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. (Jo 20,2b). "De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Cristo devia ressuscitar dos mortos." (Jo 20,9).
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4. Com efeito, a ressurreição do Senhor Jesus, é para nós o primeiro dia da nossa eternidade, uma vez que o Senhor nos faz ressuscitar com Ele para a vida eterna mesmo que estejamos ainda no tempo. E isso se dá mediante o nosso batismo que significa morrer e ressuscitar com Cristo.
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5. Bem como nos ensina São Paulo: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4).
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6. E disse ele ainda: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,20). Perguntemo-nos, então: como conviver com o Senhor ressuscitado e testemunha-lo?
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7. De fato, comungar Jesus ressuscitado presente realmente na Santa Eucaristia é ser um só como Ele em todos os sentidos da nossa vida, por isso, tudo o que é do Senhor é também nosso; pois, não viver essa dimensão da nossa fé, é permanecer ainda na morte, é não ressuscitar com Ele. 
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8. Portanto, caríssimos, viver a fé na ressurreição e conviver com Cristo ressuscitado para testemunha-lo, é sem dúvida alguma a nossa missão neste mundo; sem isso não compreendemos que Ele está vivo no meio de nós e caminha conosco para fazermos em tudo a vontade do Pai.
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Uma Santa e Feliz Páscoa do Senhor Jesus para todos.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 29 de março de 2024

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 18,1-19,42)(29/3/24). 

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, a cruz para muitos é sinal de fraqueza, é como que perder as espectativas e a esperança de um mundo novo e de uma vida melhor; é como se a morte fosse vitoriosa sobre tudo o que existe, é como se a vida não valesse nada. 
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2. Mas isto só para muitos, não para todos; porque na verdade: "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina." (1Cor 1,18). Visto que a salvação é para todos os homens de todos os tempos, mas nem todos a acolhem de bom grado. 
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3. "Por isso, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória)." (1Cor 2,6-8).
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4. Com efeito, ao contemplarmos Jesus pendurado e morto numa cruz, significa contemplar o céu aberto por sua morte e ressurreição; pois o seu sacrifício de cruz é a chave que abre as portas do Paraíso, antes fechadas pelo pecado. De fato, quem ainda vive no pecado tem o coração perturbado pelas investidas do maligno, pois o pecado é maldição, infelicidade, tristeza, enfermidade espiritual; é chaga aberta nas almas que por ele se deixam ferir.
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5. A esse respeito escutemos o Profeta Isaías: "Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas." (Is 53,6-8).
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6. Asssim as chagas abertas de Cristo, cura em nós as chagas abertas pelos pecados praticados, mas, desde que haja um sincero arrependimento, pois a misericórdia do Senhor é o remédio espiritual que nos cura; mas, é preciso o arrependimento, a confissão e a absolvição sacramental, para sermos totalmente curados e não termos mais nenhuma associação com o pecado. 
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7. "Através da cruz, a morte que se abateu sobre o gênero humano por ter comido do fruto da árvore foi hoje reduzida à impotência; pois a maldição que a nossa raça tinha herdado dos nossos primeiros pais foi apagada graças à descendência da puríssima Mãe de Deus, aquela que todos os poderes do Céu engrandecem.
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8. Foi na tua essência humana que sofreste, à maneira de um homem, a Paixão, e não na tua natureza divina, Senhor: impassível na tua divindade, foi na carne assumida que suportaste todos os sofrimentos; por isso Te louvamos, Senhor, em ambas as essências.
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9. Num desígnio de misericórdia, o Mestre aniquilou-Se a Si próprio por mim, suportando os sofrimentos da carne para compensar o meu nada; pela sua divindade, fez brotar da sua Paixão a minha impassibilidade, e coroou de honra a minha desonra, Ele que todos os poderes do Céu engrandecem.
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10. Pela tua divina condescendência, Senhor, o Hades foi posto em cativeiro e os mortos saltaram dos túmulos, porque Tu és agora a verdadeira Vida, aquele que põe fim ao reino da morte e ao poder do Hades, Tu, que todos os poderes do Céu engrandecem.
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11. Apesar de teres sido depositado no túmulo como um corpo inanimado, em virtude da tua divindade, Senhor, mostraste que és livre mesmo entre os mortos e ressuscitaste contigo, da corrupção do Hades, o primeiro homem e toda a sua raça, graças à tua adorável ressurreição; é por isso que, com os anjos, Te louvamos, a Ti, único Salvador. [...]
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12. A ti, Santíssima, que deste à luz o Verbo eterno que Se fez homem de modo extraordinário no teu seio, aquele que com o seu precioso sangue recriou o mundo e que o ilumina quando a cruz é exaltada, todos os poderes do Céu te engrandecem." (Livro das Horas do Sinai (século IX)
 Cânone em honra da cruz e da ressurreição, SC 486).
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quinta-feira, 28 de março de 2024

QUINTA-FEIRA SANTA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 13,1-15)(28/3/24)

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1. Caríssimos, hoje, quinta-feira santa, começa o Tríduo Pascal com a celebração e a benção dos santos óleos que serão usados nos Sacramentos do Batismo, Unção dos Enfermos e no Santo Crisma; também nessa Santa Missa todos os sacerdotes do mundo inteiro juntamente com os seus bispos renovam as promessas sacerdotais para servirem ao Senhor com renovado ardor para a salvação das almas que lhes foram confiadas.
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2. O Santo Crisma é a unção divina e salutar de todas as almas consagradas a Deus no Batismo, nele rebemos a plenitude do Espírito Santo; assim, por meio desse óleo santo, Deus unge nossas almas nos dotando de todas as graças, nos fazendo participantes do reinado do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, da sua missão sacerdotal e profética. 
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3. Também nesta Santa Missa são abençoados o óleo dos enfermos, para curar o corpo e a alma dos que se encontram debilitados espiritual, moral e fisicamente; e o óleo dos catecúmenos, ou seja, daqueles que recebem o batismo e nascem da água e do Espírito Santo para a vida eterna.
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4. Também nesta liturgia de hoje, na Santa Missa noturna, teremos a celebração da Santa Ceia do Senhor com o lava pés, onde recordamos a instituição da Santa Eucaristia, Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo presente realmente neste Sacramento, memorial da nossa salvação. Nesta celebração recordamos ainda a instituição do Sacerdócio e da Santa Missa.
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5. Portanto, caríssimos, Deus em Seu infinito amor de Pai tudo preparou por meio dos Sacramentos de Sua Santa Igreja para nos fazer participante de Sua Natureza Divina; quanto à nós basta que sejamos fiéis a todas as graças que por estes Sacramentos nos são concedidas para sermos santos como o Senhor nosso Deus é Santo.
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6. Amados irmãos e irmãs, meditemos com estas palavras de São João Maria Vianey a respeito do Santo Sacrifício da Missa, e da Santa Eucaristia, memorial da nossa salvação: "Quero falar-vos um pouco do que se entende por santo sacrifício da Missa. Sabeis que o santo sacrifício da Missa é o mesmo que o sacrifício da cruz, oferecido uma vez no Calvário. 
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7. A única diferença é que, quando Jesus Cristo Se ofereceu no Calvário, esse sacrifício era visível [...] e na Santa Missa Jesus oferece-Se ao Pai de uma forma invisível; ou seja, só vemos com os olhos da alma, não com os do corpo. Eis, meus irmãos, um resumo do que é o santo sacrifício da Missa.
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8. Mas para vos dar uma ideia da grandeza dos méritos da Santa Missa, meus irmãos, basta-me dizer-vos que ela faz as delícias de toda a corte celeste, alivia as pobres almas do purgatório, atrai para o mundo toda a espécie de bênçãos e dá mais glória a Deus do que todos os sofrimentos de todos os mártires, do que as penitências de todos os eremitas, do que todas as lágrimas que foram derramadas desde o princípio do mundo e o serão até ao fim dos tempos.
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9. Se me perguntardes a razão, ela é bem clara: todas estas ações são feitas por pecadores mais ou menos culpados; ao passo que, no santo sacrifício da Missa, é um Homem-Deus igual ao Pai que Lhe oferece o mérito da sua morte e da sua Paixão. É por isto, meus irmãos, que a Santa Missa tem um valor infinito." (São João Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars).(Sermão para o 2.º Domingo depois do Pentecostes)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 26 de março de 2024

A TRAIÇÃO É UM DOS PECADOS MAIS GRAVES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 13,21-33.36-38)(26/3/24)

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1. Caríssimos, a tendência de olharmos e nos atermos aos problemas que se apresentam querendo nos desestruturar, é perder o ânimo, dada a nossa Impotência e fragilidade. Na primeira leitura de hoje o Profeta Isaías passa por essa prova: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus dará recompensa”. (Is 49,4).
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2. E com isso nos ensina que diante de nossa fragilidade e desânimo, o Senhor nos revela que está sempre presente e nos envia para missões ainda maiores, pois a obra em que trabalhamos é Sua e é Ele mesmo que nos prepara para cumpri-la.
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3. Com efeito, quando o Senhor nos chama para uma missão Ele nos abre as comportas de suas graças para que fielmente a realizemos. De fato, Deus tudo criou sem nós, nos plasmou no ventre de nossas mães sem que tivéssemos consciência; mas, por sua divina misericórdia, nos chama à colaborarmos com Ele na obra da redenção realizada por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
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4. No Evangelho de hoje Judas é protagonista e símbolo daqueles que são chamados pelo Senhor para o acompanhar em sua missão salvadora, como os demais discípulos; mas, porque agem a partir dos interesses mestinhos e busca de vantagens pessoas ou projeção da própria imagem, deixam, com isso, o mal entrar em suas almas passando de discípulos à traidores de Deus. 
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5. Com efeito, somente quem tem uma visão geral da vida é que sabe lidar com as adversidades que tentam nos desestabilizar e tirar o essencial que somos. Ora, somente Deus conhece cada uma de suas criaturas, por isso, nos capacita com seus dons e virtudes para superarmos todas as adversidades deste mundo. 
6. O bom é ter a certeza de que o mal, apesar de todo barulho que faz e de toda maldade que semeia, nunca prevalecerá sobre o bem, e é isto que o Senhor Jesus nos garante com sua morte e ressurreição. Ora, Deus é Deus, e o seu poder é invencível, mesmo sendo traído, aparentemente subjugado e morto; tudo isso serve tão somente como prova da vitória da sua Onipotência eterna, ninguém o pode vencer; é Dele que depende todas as coisas.
7. Amados irmãos e amadas irmãs, a distância entre o tempo e a eternidade é um sopro de vida, isso nos diz que quem serve fielmente ao Senhor no tempo que lhe é dado, tem como herança a felicidade eterna. 
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8. Portanto, caríssimos, bem aventurados são aqueles que vivem fielmente seu chamado, pois sabem que o Senhor nunca os abandona, ao contrário, os fazem participantes de sua morte de cruz para que participem também da sua Ressurreição.
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9. Recitemos com amor e devoção este lindo hino da liturgia latina: "Desce o Verbo de Deus à nossa terra, sem deixar a direita de Deus Pai.
E, lançada a semente do Evangelho, o Senhor chega ao ocaso da vida.
Um discípulo O entrega aos inimigos; mas, antes de morrer, o Salvador entrega-Se aos discípulos, dizendo: "Sou o Pão vivo que desceu do Céu" (Jo 6,51).
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10. O corpo de Jesus é alimento, o seu sangue, bebida verdadeira. Viverá para sempre o homem novo que tomar deste pão e deste vinho.
Nascendo, quis ser nosso companheiro, na Ceia Se tornou nosso alimento,
na morte Se ofereceu como resgate, na glória será nossa recompensa.
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11. Hóstia Santa, penhor de salvação, perene manancial de eterna vida, o inimigo teima em combater-nos; salvai-nos com a vossa fortaleza.
Ao Senhor Uno e Trino demos glória, cantemos seu louvor por todo o sempre; a todos nos conceda a vida eterna, abrindo-nos as portas do seu Reino."
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(Liturgia latina - "Desce o Verbo de Deus", Hino de Laudes da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 25 de março de 2024

É NA FRAQUEZA QUE ÉS FORTE EM MIM


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 12,1-11)(25/3/24)

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1. Caríssimos, a liturgia de hoje é uma ação preparatória para o grande dia em que Jesus, o Filho de Deus, se entregará livremente nas mãos dos malfeitores para desse modo nos libertar definitivamente do poder do inferno e da morte que subjugou a humanidade por meio do pecado de desobediência dos nossos primeiros pais e também dos demais pecados cometidos em todos os tempos. 
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2. De fato, esta semana nos remete aos contrastes presentes deste episódio de que a Igreja faz memória e vive neste tempo litúrgico; por um lado relembra a traição, o sofrimento, a dor e a tristeza que resultou na paixão e morte do Senhor crucificado; por outro, transpõe tudo isso com a explosão de alegria pela sua vitoriosa ressurreição.
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3. Com efeito, o modo operante do Senhor nos revela que para além de todos os limites que o maligno tenta nos impor por suas ações maléficas, nada disso prevalece, uma vez que o Poder de Cristo é infinito e Ele age sempre por meio de Seus atributos divinos, bem como nos ensinou ao exortar São Paulo: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força." (2Cor 12,9a).
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4. Destarte, São Paulo nos exorta que como Ele suportou em seu corpo os sofrimentos de Cristo, nós também podemos suportar os mesmos; mas, sempre com a devida consolação do Senhor. Digamos, então, com Ele: 

5. "Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo." (Gl 6,14; 2Cor 12,9b).
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6. Meditemos então com estas palavras de Santa Gertrudes a respeito do Evangelho de hoje: "O Senhor [disse a Gertrudes]: Se também queres oferecer-Me o perfume que, segundo a Escritura, esta mulher derramou devotamente sobre a minha cabeça, depois de ter partido o vaso onde o levava (cf Mt 26,7), de modo que "a casa encheu-se com o perfume", fica sabendo que o farás de modo excelente amando a verdade. 
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7. Sim, aquele que ama a verdade e, para a defender, perde os amigos ou se expõe a outras provações, ou empreende fadigas, esse quebra verdadeiramente o vaso e derrama abundantemente sobre a minha cabeça o perfume precioso, de modo que a casa se enche do seu bom odor. E torna-se ocasião de bom exemplo».
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8. Ela respondeu: «Senhor, Maria comprou este perfume precioso; como posso eu honrar-Te como se tivesse feito uma compra de valor semelhante?». O Senhor respondeu: «Quem Me oferece a sua boa vontade num assunto que decide realizar por meu amor, por maiores que sejam as dificuldades que tenha de enfrentar, desde que vise a minha glória, está a comprar-Me um perfume preciosíssimo, que Me é muito agradável.
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9. Pois, ao preferir a minha honra à sua vantagem, expõe-se voluntariamente a mil inconvenientes. Sim ele compra-Me esse perfume, ainda que seja impedido de realizar o seu objetivo» (Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301), monja beneditina
«O arauto», Livro IV, SC 255). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 23 de março de 2024

DEUS É FIEL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 11,45-56)(23/3/24)

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1. Caríssimos, certa feita escreveu São Paulo: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus." (Rm 8,18-19).
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2. No Evangelho de hoje vimos o absurdo com que o Senhor Jesus foi julgado digno de morte pelos mestres da Lei por ter ressuscitado Lázaro. Disseram eles: "Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
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3. De fato, quem tem o coração fechado para Deus nem o mais sublime milagre poderá abri-lo; mas, nem por isso o Senhor deixa de manifestar a Sua Santa Vontade por meio de Sua Divina Misericórdia, que, como escreveu São Paulo, "superabunda onde o pecado abundou." (Rm 5,20).
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4. Uma mística inglesa do Sec. XIV, Juliana de Norwich, no seu livro "Revelações do Amor Divino", cap. 32, escreveu: "O nosso bom Senhor disse-me certa vez: «Todas as coisas vão acabar em bem»; e doutra vez disse-me: «Verás que tudo acabará em bem». Com estas palavras, a minha alma percebeu que Ele quer que saibamos que dá atenção, não somente às coisas nobres e grandes, mas também às que são humildes, pequenas, pouco elevadas, simples. É isto que Ele quer dizer quando declara: «Tudo, seja o que for, terminará em bem».
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5. "Porque neste mundo raciocinamos de forma tão cega, tão baixa, tão simplista que nos é impossível conhecer a sabedoria elevada e maravilhosa, o poder e a bondade da Santíssima Trindade. É como se Deus nos dissesse: «Tende o cuidado de acreditar e confiar em Mim, e no final vereis tudo na verdade, e portanto, na plenitude da alegria».
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6. Eis o comentário de Mons. Ângelo Spina: "No Evangelho de hoje, assistimos a uma conspiração contra Jesus, depois de ele ter ressuscitado o seu amigo Lázaro. Ao ressuscitar Lázaro, Jesus revela que Deus está do lado da vida e é o Senhor da vida. Este sinal gera fé em muitos, mas noutros gera medo, e "medo" é a palavra que afasta a mudança, fecha o coração e cria álibis. 
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7. É por isso que surge neles a pergunta: "Que havemos de fazer? Este homem faz muitos sinais! Se o deixarmos fazer isso, todos acreditarão nele e os romanos virão destruir o nosso lugar santo e a nossa nação! São estas as deduções que tiram de um acontecimento prodigioso! Temem que todos acreditem em Jesus e que esses prodígios e a fé nele sejam a causa de uma derrota nacional total. 
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8. Para defender um sinal que eles transformaram em ídolo, os chefes do povo rejeitam a novidade do sinal que Deus lhes oferece: o sinal da salvação. Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano, disse-lhes: "Vós não entendeis nada e não considerais que é melhor que morra um só homem pelo povo e não pereça toda a nação".
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9. Mais tarde, o evangelista João consegue captar nas palavras de Caifás, um profeta que ele não conhecia, e no pronunciamento do veredito de morte uma verdade dolorosa e escondida: a morte de Jesus será um gesto de amor e de salvação e romperá as fronteiras da primeira aliança, abrindo-as a todos os filhos de Deus. 
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10. O Deus fiel não pode negar-se a si mesmo, não pode negar-nos, não pode negar o seu amor, não pode negar o seu povo, não pode negar porque nos ama. Esta é a fidelidade de Deus. (Monsenhor Angelo Spina, Arcebispo de Ancona - Osimo). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 22 de março de 2024

QUEM ACOLHE A VERDADE, LIBERTA-SE DE TODO MAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,31-42)(22/3/24)

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1. Caríssimos, os homens que se entregam ao pecado não aceitam a verdade; e no Evangelho de hoje tal pecado foi o falso julgamento que fazeram de Jesus, desse modo, o rejeitaram mesmo reconhecendo as boas obras que Ele realizava. 
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2. E assim não acreditaram que Ele era o Messias, o Filho de Deus; pelo contrário, o acusaram de blasfêmia e queriam apredeja-lo; ora, quando isso acontece tais almas se tornam incapazes de reconhecer a verdade, e por consequência, deixam de fazer a vontade de Deus. Ou seja, acolher o seu Filho amado.
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3. Comentando este Evangelho disse o Mons. Ângelo Spina: "O que chama a atenção no Evangelho de hoje é a escolha da violência como falta de argumentos. A vida de Jesus não é fácil e não é só durante a semana da paixão. Ao longo de toda a sua vida, não tinha feito outra coisa senão testemunhar a presença do Pai através de obras de cura, de salvação, de consolação, de perdão e de misericórdia. 
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4.. Se tivesse ficado apenas nas obras, talvez não o tivessem condenado à morte, mas ele disse: "Eu e o Pai somos um". Os seus adversários compreenderam perfeitamente, é evidente: Jesus afirma ser o Filho de Deus. Numa última e tímida tentativa de se defender, o Mestre cita as Escrituras. 
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5. Mas nada, a tensão é enorme, a hostilidade contra ele atingiu o seu auge, nem mesmo os sinais, as boas obras que Jesus utiliza para sustentar a sua pretensão são suficientes, nem mesmo essas podem salvá-lo, pois para eles o Senhor ultrapassou todos os limites. Jesus tenta dialogar com os judeus, mas, perante as provas que apresenta, a única resposta que recebe é a da violência. 
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6. Sentir-se detentor da Verdade arma-nos por vezes contra os outros. A verdadeira prova de se estar na Verdade é a capacidade de dialogar sempre e com todos. Onde o mundo protesta, é aí que o cristão deve ser capaz de oferecer o martírio do diálogo, sempre, mesmo quando parece inútil, mesmo quando parece falhar. 
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7. No final, não importa se o que fizemos bem deu o resultado desejado. O Senhor pediu-nos para darmos testemunho disso e não para convencermos o mundo. É o testemunho que nunca devemos perder de vista e não os resultados a alcançar."
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8. Portanto, caríssimos, é triste o estado das almas que querem calar a voz da verdade ou a própria verdade em si mesma; ora, isso é sinal de que escolheram seguir a trilha da mentira em todos os sentidos da vida, por isso, são tomadas pelo o ódio infernal que as devora, tirando-lhes toda paz e alegria de viver.
9. Por isso, só acreditando em Cristo, permanecendo unidos a Ele, os discípulos, entre os quais também nós nos encontramos, podem continuar a sua ação permanente na história: "Em verdade, em verdade vos digo, diz o Senhor, quem acredita em mim fará também as obras que eu faço" (Jo 14,12)." (Bento XVI - Regina Caeli, 22 de maio de 2011). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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