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quinta-feira, 22 de julho de 2021

MARIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 20,1-2.11-18)(22/07/21)


Caríssimos a Igreja hoje celebra a Festa de Santa Maria Madalena, apóstola do primeiro anúncio de Jesus Ressuscitado; de fato, receber a graça de tão grande incumbência, é preciso algo muito além dos sentimentos naturais, trata-se do amor incondicional presente em sua alma imersa na dor e no sofrimento pelo perda cruenta do seu Senhor, que morto e sepultado, é buscado com perseverança de quem nunca desiste de permanecer junto Dele.


Com efeito, a fé é o dom do Espírito Santo que nos faz ressuscitar com Cristo Jesus, que ao ser morto cruelmente na cruz nos mostrou quanto os nossos pecados ofendem a Deus à ponto de crucifica-lo; todavia, nem mesmo tamanha impiedade é capaz de afastá-lo de nós, pois, a Sua Divina Misericórdia transpõe infinitamente os limites das nossas transgressões, para que perdoados, voltemos ao estado de graça e permaneçamos em comunhão com Ele aqui e por toda a eternidade.


No entanto, de uma coisa não podemos duvidar, este mundo continua a crucificar o Senhor Jesus à todo instante por conta dos pecados aqui praticados em larga escala, em todos os sentidos e setores de nossa sociedade a ponto de estremesser os céus e seus poderes clamando por justiça; que de fato não tardará e se cumprirá na íntegra, tal qual o Senhor Jesus nos ensinou (cf. Mt 25,31-46). 


Todavia, não podemos esquecer que ainda é tempo de misericórdia, de arrependimento sincero e conversão, de oração e penitência, e da busca do perdão do Senhor, por isso, nem tudo está perdido. Entretanto, esse tempo está findando, e se faz jus que todos se convertam e deixem de fazer o mal que estão fazendo; caso contrário, a mão do Justo Juiz pesará sobre este mundo decaído e muitos serão julgados e condenados por terem desprezado o infinito amor de Deus por nós.


Portanto, caríssimos, como Santa Maria Madalena, que mesmo em meio as dores e sofrimentos jamais perdeu a esperança de encontrar o Senhor Jesus, e o encontrou, não mais como morto e sepultado; mas vivo, ressuscitado dentre os mortos, e por isso, a seu pedido, anunciou aos seus irmãos a alegria da vida eterna presente desde já no tempo e por toda a eternidade; destarte, isso significa a renovação total da criação.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

QUE TIPO DE TERRENO NÓS SOMOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,1-9)(21/07/21)


Caríssimos, a vida é uma grande escola aonde aprendemos a conviver com Deus e entre nós; e quando nos deixamos instruir pela sabedoria do Espírito Santo, aprendemos a praticar as virtudes eternas pelas quais nos santificamos; não sem antes passar pelo o crivo das provações e desafios próprios do deserto deste mundo que nada tem a oferecer a não ser murmurações e desespero para quem se deixa enganar por ele.


Na primeira leitura de hoje o povo eleito passando pelo crivo da provação no deserto, ou seja, aprendendo a conviver com Deus e entre eles após a saída do Egito e a liberdade recebida; no primeiro desafio de fé começou a murmurar e a lamentar-se recordando as migalhas e os parcos prazeres das carnes e cebolas do Egito onde viviam antes como escravos.


De fato, todo aprendizado existencial é feito de provações, desafios de fé e purificações, sem as quais não se pode viver a plena comunhão com o Senhor, tal qual Ele nos ensinou por meio da Carta de são Tiago: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." (Tg 1,2-4).


De certo, é isso o que vemos no Evangelho de hoje, em que o Senhor Jesus conta a parábola da semente da Palavra que Ele semea no terreno de nossa vida. O que mais nos chama a atenção, é o como a Sua Palavra é recebida, com qual disposição e o desejo de cultiva-la para dar os frutos da salvação que Ele nos veio trazer.


Portanto, caríssimos, quem não vive cada momento da sua existência como dom de Deus e um aprendizado para se viver em paz e harmonia com Ele e uns com os outros, normalmente murmura e se lamenta por querer viver para si e não para os santos propósitos que Ele nos dá como meios para a nossa santificação.


Destarte, peçamos ao Senhor Jesus, pela intercessão de sua Mãe, Maria Santíssima, a graça de sermos terrenos férteis em que as sementes dos seus ensinamentos dão frutos de salvação para todos os que os saborearem por meio do nosso testemunho de vida.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 20 de julho de 2021

MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,46-50)(20/07/21)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos apresenta uma das teofanias (ação direita de Deus) mais importante da história do povo eleito, trata-se da passagem do Mar Vermelho, em que o Senhor intervém diretamente por meio de Moisés para que seu povo o atravessasse a pé enchuto, enquanto o Faraó e todo o seu exército que o perseguia para o massacrar, morreram afogados e assim foram impedidos de praticar o mal que desejavam.


Com efeito, ao fazermos uma analogia (comparação) desse episódio com o que está acontecendo em nosso tempo, vemos que o Faraó e seu exército, inimigos da fé e da nossa salvação, são representados pelas ideologias, as falsas notícias, os falsos profetas, as doutrinas perversas contra a família e a educação cristã, e tantos outros comportamentos nefastos com os quais tentam envenenar nossas almas para nos levar ao pecado e a morte.


De certo, assim como o povo eleito resistiu por meio da fé aos ataques dos seus inimigos, e atravessaram milagrosamente o Mar Vermelho, algo impossível de acontecer sem a intervenção divina; de igual modo, também nós por meio da fé em nosso Senhor Jesus Cristo e conduzidos por Ele, atravessaremos o mar revolto das tentações e dos pecados; do medo, das dores e sofrimentos para chegarmos na terra prometida aonde com o Senhor viveremos eternamente.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos revela a atitude fundamental para participarmos realmente da Sua família divina, trata-se de fazer a vontade de Deus, que consiste em crer Nele, receber com humildade os seus ensinamentos e segui-lo fielmente até fim, carregando a nossa cruz de cada dia, certos de que assim venceremos essa terrível guerra contra os Faraós atuais.


Portanto, caríssimos, assim como no seu tempo ainda hoje o Senhor Jesus continua a perguntar à toda humanidade: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” Em outras palavras, quem realmente quer fazer parte da minha família divina? Certamente a resposta todos nós conhecemos: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

UMA GERAÇÃO MÁ E ADÚLTERA PEDE UM SINAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 12,38-42)(19/07/21)


Caríssimos, "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." (Hb 11,1). De fato, a fé é o dom por excelência da nossa salvação, porque por ela encontramos o Senhor Jesus e Nele permanecemos para fazermos em tudo a Vontade de Deus, nosso Pai. No entanto, mesmo dotados dessa graça, somos tentados a não crer por conta dos desatinos e das perseguições dos faraós deste mundo.


Na primeira leitura vimos a que tipo de prova Deus submeteu o seu povo que havia libertado do Egito tendo Moisés a sua frente. Depois de deixarem a escravidão se puseram a caminho da terra prometida, tendo como única segurança a fé nas Suas promessas. Porém, ao se depararem com a perseguição do Faraó e seu exército, começaram a duvidar, mas Deus logo veio em seu socorro os encorajando por meio de Moisés para permanecerem fiéis até o fim e assim vencerem todos os seus inimigos.


De certo, que lições de vida tiramos desta liturgia de hoje? De fato, a nossa vida neste mundo é uma passagem do "Egito", representado pela opressão do pecado, cujo Faraó é o diabo; para a terra prometida da vida eterna no Reino de Deus, conduzidos por nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, à glória da ressurreição atravessando o mar vermelho deste mundo.


Com efeito, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que somente uma geração má e adúltera é que busca sinais para crê; ao contrário, os simples e humildes de coração crêm no seu Nome e nas suas Palavras, e seguem fielmente os seus ensinamentos, por isso, fazem verdadeiramente a experiência da sua ressurreição.


Portanto, caríssimos, como vimos nas leituras desta liturgia, todos nós precisamos de salvação, todavia, não aquela baseada em nosso modo de crê, cercado das nossas próprias seguranças, apegos e outros tipos de comportamentos que na verdade nos mantém escravizados. Mas, da salvação que vem da fé em nosso Senhor Jesus Cristo que nos liberta de nós mesmos, de todos os nossos apegos e de todos os outros males.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO XVIDOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do XVIDom do tempo comum (Mc 6,30-34)(18/07/21)


Caríssimos, ninguém está isento do cansaço do dia a dia, todavia, sentir-se responsável em governar a própria vida sem dúvida é a missão de todos, mas nem todos estão preparados para isso. Esta liturgia de hoje nos mostra que para além do sentir-se responsável pelo governo de própria vida, nós também somos chamados por Deus a ajudar os que necessitam do nosso amparo, da nossa amizade, da nossa compreensão no governo desse bem maior, que é o dom da vida. No entanto, a medida que ajudamos, somos ajudados.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus depois de ouvir o relato do cumprimento da missão que dera aos Apóstolos, certamente ficou muito satisfeito com o desempenho deles, mas, ao mesmo tempo, lhes conduz a um justo repouso a fim de que não se esgotassem pelo ecesso dos trabalhos pastorais que exerciam, como bem observou são Marcos: "Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer."


De certo, o Evangelista também ressalta que a multidão que buscava alimento espiritual para as suas almas, era como ovelhas sem pastor, por isso, o Senhor Jesus se compadeceu dela lhe instruindo, saciando-lhe a fome e a sede de ouvir a Sua Divina Palavra. Ora, imaginem ser instruídos pelo próprio Deus em pessoa; quanta honra, beber dessa Fonte que jorra para a vida eterna.


Comentando esse Evangelho assim escreveu são Clemente de Alexandria: "Cuidarei da ovelha que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei a que está gorda e forte e a todas apascentarei com justiça» (Ez 34,16): tal é a promessa do bom pastor, que nos apascenta como a um rebanho, a nós que somos pequeninos.


Mestre, dá-nos com abundância o teu pasto, que é a justiça! Sê o nosso pastor e conduz-nos à tua montanha santa, à Igreja que se eleva, que domina as nuvens, que toca os céus: «Eis que Eu mesmo cuidarei das minhas ovelhas e me interessarei por elas (cf Ez 34), porque [...] Eu não vim para ser servido mas para servir e dar a vida por muitos". (cf Mt 20,28).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

VINDE A MIM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,28-30)(15/07/21)


Caríssimos, por que precisamos de salvação? Por causa da nossa condição pecaminosa, isto é, à qual fomos submetidos por conta do pecado original, que fragilizou a nossa capacidade de não pecar, expondo-nos às tentações que nos fragiliza ainda mais quando caímos nelas. E quando isto acontece perdemos o estado de graça que é a nossa comunhão com a vontade de Deus.


Todavia, por causa dessa nossa condição e aparente derrota para o pecado, Deus em Sua Infinita Misericórdia, veio em nosso socorro como vimos na primeira leitura em que Moisés foi arrancado de sua condição de pecado e foi enviado pelo Senhor com a missão de libertar o Seu povo da escravidão do Egito, que simboliza a escravidão do pecado a que fomos submetidos.


De fato, a medida que pecamos nos derrotamos a nós mesmos; porém, quando nos arrependemos e nos voltamos para o Senhor, somos perdoados, purificados e fortalecidos na luta contra o pecado que continua até o fim de nossos dias neste mundo. Por isso, Deus Pai nos enviou o Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos libertar definitivamente do pecado e de todos os males que o pecado gera.


No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: "Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Em outras palavras, o Senhor está sempre pronto a nos perdoar e nos atender em todas as nossas necessidades.


Portanto, caríssimos, essa força divina o Senhor Jesus nos comunica pela Eucaristia, pela vida de oração e a vivência da Sua Palavra, que são conforto para as nossas almas e a certeza da Sua presença conosco a fim de que fortalecidos vençamos todas as tentações e evitemos todo tipo de pecados, e assim nos mantermos em estado de graça para realizarmos em tudo a Sua Santa Vontade.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

NO TEMPO A CAMINHO DA ETERNIDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 11,25-27)(14/07/21)


Caríssimos, o tempo é a eternidade em contra gotas, ele contém os elementos precisos para chegarmos à eternidade definitiva, porque ele já se encontra dentro dela e por isso é feito de esperas; e a medida que passa, chega se despedindo do passado, que se bem vivido colhe os frutos das virtudes com que foi cultivado com o amparo da graça de Deus, porque sem Deus nada há de bom neste mundo, tudo é caos, um certo vazio eterno.


Na primeira leitura Moisés cumprindo a lei do trabalho encontra Deus de um modo inusitado, isto é, dentro de uma sarça ardente que se queima, mas não se destrói; como o tempo que passa para encontrar a eternidade que espera mesmo estando dentro dela. De fato, a vida é um grande mistério feito de esperas e encontros com suas surpresas no meio; de certo, ela é uma missão que recebemos do Senhor.


Deus em seu propósito de amor quis encontrar Moisés, e Moisés o encontrou, e mesmo se dizendo pequenino incapaz de tamanha missão, em sua pequenez Moisés se deixou guiar pelas promessas e evidências que o Senhor lhe dava para manter sempre acesa a chama da fé com a qual realizou os prodígios impossíveis para um simples homem, por cuja humildade Deus agiu poderosamente para libertar o seu povo da escravidão do Egito.


Por esse motivo concluímos que Deus sempre se deixa encontrar pelos os mais pequeninos, porque reconhecem que são sustentados por Ele e por isso sabem agradecer por tudo e amam-no acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos. De fato, a vida é um bem eterno e felizes são aqueles que a vivem segundo a vontade de Deus, como nos ensinou o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos faz experimentar a graça da humilde dependência de Deus, bem como Ele viveu e nos ensinou a viver: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado."


Portanto, caríssimos, tal qual um bordado que de um lado é um traçado confuso; mas do outro é uma estampa perfeita, assim é a nossa vida neste mundo quando permitimos ao Senhor de nos modelar segundo o seu querer para nos fazer perfeitos como Ele é Perfeito, nos fazer santos como Ele é Santo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

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