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sábado, 17 de abril de 2021

SINGRANDO O MAR REVOLTO DESTE MUNDO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 6,16-21)(17/04/21)


Caríssimos, a nossa missão é transmitir tudo o que de Deus recebemos e a melhor forma de fazermos isso é em comunidade, isto é, partilhando Suas graças e bênçãos uns com os outros. Por isso, precisamos eliminar de nosso meio toda espécie de divisão por não ser compatível com os desígnios do Senhor; ora, a divisão se revela pela busca de vantagens matérias e outros meios escusos.


Com efeito, na primeira leitura de hoje, vemos aparecer divisões no seio da primitiva comunidade por conta da falta de caridade na partilha dos bens. No entanto os Apóstolos logo as sanaram abrindo espaços para outros carismas além daqueles que eles exerciam. Bem como vemos a seguir:


"Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. Ou seja, o meio mais eficaz de sanar divisões é o serviço ao próximo por amor ao Senhor.


O Evangelho desta liturgia trata da travessia do mar revolto deste mundo, o qual jamais podemos singrar em paz se não tivermos Jesus conosco. De fato, quando recebemos o Senhor Jesus na barca das nossas almas temos a certeza que Ele nos conduz com segurança à outra margem, isto é, à vida eterna, onde a paz e a felicidade, longe das tempestades deste mundo, não tem fim.


Portanto, caríssimos, ainda que se levante todas as tempestades de tentações; ainda que as forças do mal pareçam triunfar; ainda que todo o barulho deste mundo queira calar a nossa prece, nada e ninguém poderá deter o Espírito do Senhor que clama em nossos corações: "Aba Pai! Em tuas mãos entrego o meu espírito." Faz de mim o que tu queres, és tudo meu Senhor, faz de mim o que tu queres.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

O BEM FEITO SEGUNDO A VONTADE DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 6,1-15)(16/04/21)


Caríssimos por traz de cada ação humana existe sempre uma intenção, um desejo ou um sentido de ser; todavia, somente as ações desprovidas de interesses egoístas é que dão frutos de paz e constante alegria, porque cumpre a vontade de Deus que livra das armadilhas dos interesses mesquinhos os que as realizam por amor e como providência divina.


São Paulo na Carta aos Efésios escreveu: "Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos." (Ef 2,8-10).


Com efeito, no Evangelho de hoje Jesus multiplica cinco pães e dois peixes para cerca de cinco mil pessoas. Ora, nos chama a atenção alguns detalhes dessa ação do Senhor; primeiro, é um sinal da vontade do Pai, como Ele mesmo disse, "Eu não vim fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." Segundo, quando entregamos ao Senhor o pouco que temos, Ele multiplica ao infinito o que não podemos por nós mesmos.


Terceiro detalhe, nunca jogar fora o que sobra, pois, o bem feito nunca se estraga quando é bem cuidado e aproveitado. Quarto, nem sempre a voz do povo é a voz de Deus, por isso, Jesus se esquivou dos que queriam faze-lo rei, ou seja, queriam transformar o milagre realizado em ato político, como vemos comumente acontecer entre nós.


Portanto, caríssimos, aprendamos do Senhor Jesus como nos portar ao fazermos o bem: "Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: 'Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados." (cf. Jo 5,17-30). 


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

SOMENTE O AMOR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS PODE NOS SALVAR


 PEQUENO SERMÃO DE CADA

(Jo 3,16-21)(14/04/21)


Caríssimos, no santo batismo recebemos as seguintes virtudes eternas: "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança," fruto do Espírito Santo em nossas almas, para vivermos em plena harmonia uns com os outros; por isso, tomemos cuidado para não as deixarmos esmorecer, pois, caso isso aconteça, a nossa prática de vida torna-se um contra testemunho da fé que professamos.


Com efeito, é isso o que vemos na primeira leitura: "Naqueles dias, levantaram-se o sumo sacerdote e todos os do seu partido — isto é, o partido dos saduceus — cheios de raiva e mandaram prender os apóstolos e lança-los na cadeia pública." Ou seja, um coração que não ama conforme a vontade de Deus, abre espaço para o ciúme e a violência, tornado-se presa fácil do maligno.


No Evangelho de hoje Jesus continua o diálogo com Nicodemos, dizendo: "Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito de Deus.


Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus."


De fato, esse mundo está afundando no pecado porque tem rejeitado continuamente o amor de Deus, expresso pelo sacrifício do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, caríssimos, amemos o Senhor de todo o nosso coração, com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças, como nos ensina o primeiro mandamento; porque fora do amor de Deus não existe felicidade alguma.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria, OFMConv.

terça-feira, 13 de abril de 2021

OS EXEMPLOS BÍBLICOS SÃO VIAS DE PERFEIÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 3,7b-15)(13/04/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, os exemplos bíblicos são luzes que iluminam os nossos passos para que assim trilhemos a via da perfeição que nos leva ao céu. É isso o que vemos na liturgia de hoje que ao mesmo tempo revela quem somos, os nossos apegos ou despojamento; e o quanto nos deixamos aperfeiçoar pelas santas virtudes que nos leva à unidade perfeita, mesmo vivendo num mundo dividido.


Na primeira leitura se destacam alguns dessas virtudes que se encontram em nossas almas e que precisamos deixar florescer por nossa prática de vida. São elas: o amor fraterno unido ao desapego material; ao bem do próximo, e à fé incondicional na Providência Divina que nunca falha. De fato, quem vive desse modo, elimina as injustiças, cultiva a solidariedade, a amizade sem apegos e a paz que o Senhor concede aos que trilham essa via da comunhão fraterna plenos do Espírito Santo.


O Evangelho de hoje é a continuidade do encontro entre Nicodemos e Jesus, do qual tiramos algumas lições para a nossa prática de vida. A primeira delas nos ensina a humildade e a prontidão para escutar o Senhor, isto é, sem conceitos pré concebidos, pois, não são os nossos critérios que nos salvam, mas sim os critérios divinos.


A segunda lição consiste em nos deixar conduzir por Sua Palavra que nos dá a compreensão das coisas eternas segundo o Santo Espírito, para assim o acolhermos como o nosso Mestre e Senhor à quem devemos amor, devoção, louvor, adoração, pois é o Filho de Deus amado que foi enviado para nos libertar do pecado, da morte e do inferno.


A terceira lição é esta: Deus nos salva por Sua Onipotência Divina a partir da nossa impotência, ou seja, o Seu Poder Eterno se revela em nossa miserável condição, bem como o Senhor Jesus ensinou a são Paulo: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força." Ao que em conformidade com a sua vontade, disse: "Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo." (2Cor 12,9).


Destarte, peçamos ao Senhor um coração manso e humilde como o Seu Coração, para sermos obedientes até a morte, e se for a vontade de Deus, até a morte de cruz.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

DE FATO, A HUMANIDADE PRECISA DE UM NOVO COMEÇO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 3,1-8)(12/04/21)


Caríssimos quem realmente procura o Senhor Jesus para o escutar, se põe na vida como nova criatura, pois Sua Palavra renova todas as coisas nos fazendo dar frutos de justiça e santidade, visto que o nosso viver passa a ser com Ele, por Ele e para Ele. É isso o que vemos na liturgia de hoje que trata do poder da oração, do encontro com o Senhor e de como o escutar atentamente como o fez Nicodemos.


Ora, na primeira leitura a comunidade depois de ouvir o testemunho de Pedro e João rejubila de alegria e se põe em oração de tal modo que estremesse o lugar onde estavam, sinal da presença do Espírito Santo, como constatamos a seguir: "Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus."


Com efeito, no Evangelho de hoje Jesus mostra a Nicodemos, que o reconhece como vindo de Deus, a necessidade do novo nascimento na ordem da graça, isto é, da água e do Espírito Santo. De certo, o Senhor já lhe falava do Sacramento do batismo pelo qual nos tornamos filhos e filhas de Deus, participantes do Reino dos Céus.


Ora, mais do que nunca esse anúncio se faz urgente neste mundo, onde ao que parece está reinando o pecado; e isso o contatamos pelo resultado nefasto que ele gera, que são as tragédias que vemos se abater sobre todos, como é o caso desta pandemia; e pelo andamento dessa praga, enquanto não houver arrependimento e o abandono do pecado, tudo só tende a piorar. 


Rezemos então com o Missal Romano pedindo ao Senhor a conversão e um novo Pentecostes para toda a humanidade: "Ó Deus, Nosso Senhor, poder imutável e luz sem ocaso, olhai com bondade para a vossa Igreja, sacramento da Nova Aliança, e confirmai na paz, segundo os vossos desígnios eternos, a obra da salvação humana, para que todo o mundo veja e reconheça como o abatido se levanta, o envelhecido se renova e tudo volta à sua integridade original, por meio daquele que é o princípio de todas as coisas, Jesus Cristo vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo." Amém! Aleluia!


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 11 de abril de 2021

VEDE MINHAS MÃOS E OS MEUS PÉS...


 Homilia do 2°Dom da Páscoa (Jo 20,19-31)(11/04/2021)


Caríssimos, o amor é o fundamento da vida, o amor é o próprio Deus, por isso, quem ama é feliz, porque não vive para si, mas somente para amar com Jesus nos ensinou. Ora, sem o amor de Deus, somos incapazes de amar uns aos outros, uma vez que o amor humano por si mesmo é eivado de interesses, apegos, ciúmes, egocentrismo, e o desejo mórbido de dominação; de fato, nesse tipo de "amor" não existe liberdade, mas somente abuso condicional, isto é, imposição de condições ou de vontades.


A liturgia de hoje trata do amor fraterno que nasce do amor incondicional a Deus, bem como vimos na primeira e na segunda leituras: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum." (At 4,32). "Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus... e todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé." (1Jo 5,1a-4b)


O Evangelho de hoje nos mostra do que o medo é capaz de fazer, ou seja, fechar-nos em nós mesmos, dando espaços para o desânimo e a falta de perspectivas; no entanto, para o Senhor ressuscitado não existe fechamento que Ele não abra, e tudo isso faz porque nos ama e para nos dar a paz, o sopro do Espírito Santo, e a missão com a qual o servimos.


Com efeito, quando nos fazemos ausentes de nossa comunidade facilmente caímos no pecado da incredulidade, e mesmo que os nossos irmãos nos relate a sua experiência com Jesus Ressuscitado, ainda assim sofremos a tentação de pedir provas matérias da fé, como vimos acontecer com Tomé.


Portanto, caríssimos, crer em Jesus Ressuscitado é acolher a sua presença em nossas almas para além dos nossos critérios físicos, psíquicos, pois, como disse o Senhor Jesus a Tomé: “Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Ou seja, o sentido da visão física, não é o único critério para crer no Senhor, mas sim um coração aberto que o acolha e receba a Sua paz, o sopro do Seu Espírito e a missão com a qual o servimos neste mundo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 10 de abril de 2021

NÃO OS TEMAIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mc 16,9-15)(10/04/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, desde o início do cristianismo, a Igreja fundada por Jesus e dotada do Espírito Santo, sofre perseguições e se solidificou tendo como base o sangue dos mártires, à começar pelo próprio Sangue de Cristo derramado no calvário; de modo que esta perseguição é mais uma atualização das sofridas pela Igreja ao longo de mais de dois mil anos.


De fato, nos últimos tempos as perseguições contra os cristãos voltaram à tona com todas as forças de que é capaz o inimigo de nossas almas, porém, quanto mais perseguidos, mais amados, mais protegidos por Deus, nosso Pai, que sabe muito bem cuidar dos seus filhos e filhas perseguidos por causa do nome do Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.


Com efeito, no tempo dos Apóstolos o modo operante das autoridades de então era o mesmo de hoje, ou seja, fechar o templo, mas somente para os seguidores de Cristo. O fato é que tinham como desculpa um vírus pior do que este que ora contamina os corpos, trata-se do vírus da rejeição de Jesus e dos seus seguidores, que na verdade está contaminando os atuais perseguidores.


De certo, hoje os pretensos agentes do bem aparente nos proíbem da prática da nossa fé como deve ser, ou seja, a prática presencial dos Sacramentos, enquanto perdurar esta pandemia, não obstante todos os cuidados que vínhamos tomando para que ninguém se contaminasse, e de fato, os nossos Templos se tornaram os locais mais seguros contra esta praga. No entanto, essa comprovação não foi suficiente para impedir que tais juízes em sua petulância fechassem temporariamente os nossos lugares santos.


Portanto, caríssimos, não importa o nível de perseguição a que estamos submetidos; importa sim, ouvir o que nos diz o Senhor Jesus: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no no meio deles." (Mt 18,20). E ainda: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado.” (Mt 6,33)


Destarte, rezemos então por nós e pela conversão dos juízes que tomaram essa decisão, como o fizeram os primeiros cristãos durante a perseguição e prisão dos Apóstolos: "Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra. Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!" (At 4,29-30)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

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