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segunda-feira, 22 de junho de 2026

O pecado mais cometido na face da terra...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-5)(22/06/26)

1. Caríssimos, na nossa condição de pecadores redimidos pelo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, mas ainda a caminho do seu Reino, não somos isentos das tentações, pelo contrário, somos tentados exatamente porque fomos redimidos. 

2. Todavia, como nos ensina são Paulo: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13).

3. Desse modo, nos perguntemos, quais são esses meios potentíssimos que Deus dispõe a nosso favor para não cairmos em tentação? São os frutos do Espírito Santo presente em nossas almas, como ainda nos ensina são Paulo: "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra essas virtudes não existe lei." (Gl 5,22-23).

4. Todavia, para po-los em prática precisamos dar tempo a Deus, porque tempo é vida; quem dá tempo a Deus e ao que diz respeito ao seu Reino recebe Dele todas as graças e bênçãos e a vida eterna como recompensa; mas quem tira o tempo de Deus para dar à outras coisas que não são Dele, ainda que pense que não lhe está ofendendo se engana, porque além de perder tempo perde também as suas graças e bênçãos e a recompensa eterna.

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos alerta sobre um dos pecados mais cometidos na face da terra, trata-se do mau juízo temerário que se faz do próximo. Diz o Senhor: “Não julgueis, e não sereis julgados. Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. (Mt 7,1-5).

6. Portanto, caríssimos, o ato de julgar indevidamente é porta de entrada para o demônio da fofoca, da mentira, do falso testemunho, do disse me disse, da difamação e de tantos outros pecados advindos da maledicência e do falso juízo.

7. Por isso, tenhamos em canta estas palavras do Senhor Jesus para evitarmos os pecados da língua: "Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,36-37).

8. Certa feita o Papa Francisco em uma de suas audiências disse: "A fofoca é o veneno do inferno e todo fofoqueiro é porta voz do demônio." Por isso, nunca fale sem pensar nas consequências eternas das suas palavras; que elas sejam palavras de salvação para todos que as ouvem. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do XIIDom do tempo comum

Homilia do XIIDom do tempo comum (Mt 10,26-33)(21/06/26)

1. Caríssimos, a humanidade vive mergulhada num turbilhão de pecados e isso tem sido a causa de todos os males que nos assola. O Livro do Eclesiastes se referindo ao uso dos sentidos para pecar, diz: "A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir." (Ecle 1,8b). E o Salmo 4, completa: "Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade?"

(Sl 4,3).

2. Com efeito, é em meio à essa pesada atmosfera de pecados que são Paulo anuncia na segunda leitura: "A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos."(Rm 5,15).

3. Comentando o Evangelho de hoje disse o saudoso Papa Bento XVI: "Deus é infinito e no seu Reino há lugar para nós. E o homem Jesus, que é ao mesmo tempo Deus, é para nós a garantia de que o ser-homem e o ser-Deus podem existir e viver eternamente um no outro. Isto significa que Deus conhece e ama o homem inteiro, aquilo que somos. 

4. E acolhe na sua eternidade o que agora, na nossa vida, feita de sofrimento e de amor, de esperança, de alegria e de tristeza, cresce e se forma. O homem todo, toda a sua vida é assumida por Deus, e nele purificada recebe a eternidade. Penso que esta é uma verdade que nos deve encher de profunda alegria. 

5. O cristianismo não se limita a proclamar uma salvação da alma num além não especificado, no qual tudo o que nos foi precioso e querido neste mundo seria apagado, mas promete a vida eterna, "a vida do mundo que há-de vir": nada do que nos é precioso e querido se arruinará, mas encontrará a plenitude em Deus. "Todos os cabelos da nossa cabeça estão contados." 

6. O mundo final será também a realização desta terra, como afirma São Paulo: "a própria criação será libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8,21). Podemos então compreender como o cristianismo dá uma forte esperança num futuro radioso e abre o caminho para a realização desse futuro. 

7. Somos chamados, precisamente como cristãos, a construir este mundo novo, a trabalhar para que ele se torne um dia "o mundo de Deus", um mundo que ultrapassará tudo o que nós próprios possamos construir." (Bento XVI - Santa Missa na Solenidade da Assunção de Maria, 15/8/2010).

8. Portanto, caríssimos, todos nós buscamos ser bem sucedidos na vida por nós mesmos; mas, nem sempre conseguimos, todavia, basta pôr-nos disponíveis a serviço do Reino de Deus, como nos ensinou o Senhor: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo." (Mt 6,33). Para vermos realizar-se a sua Santa Vontade em prol da nossa salvação eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A confiança inabalável na providência divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,24-34)(20/06/26)

1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos conduz à fé inabalável na Providência Divina que age sempre em nosso favor mesmo quando não percebemos; e isso acontece porque a Deus pertencemos, pois, somos seus filhos e filhas e Ele cuida muito bem de cada um de nós, contanto que ponhamos Nele a nossa confiança.  

2. No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

3. Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 

4. Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros?" 

5. Ora, sem dúvida alguma é Deus quem sustenta toda a criação por sua Divina Providência; no entanto, no que diz respeito a nós, Ele nos deu a capacidade de encontra-lo e interagir como Ele a todo momento, por meio da fé, da oração e dos Sacramentos que são dons de sua benevolência que nos leva a gozar da sua intimidade paterna.

6. De fato, quando nos sentimos inseguros e cheios de medos, é porque confiamos mais em nós mesmos e não recorremos a Ele como deveríamos fazer certos de que nos escuta e nos responde à medida que lhe entregamos o que para nós muitas vezes parece até impossível. 

7. Comentando esse Evangelho disse o saudoso Papa Bento XVI: "Quem acredita em Deus, um Pai cheio de amor pelos seus filhos, coloca a busca do seu Reino, da sua vontade, em primeiro lugar. De fato, a fé na Providência, não dispensa ninguém da luta incansável por uma vida digna, mas liberta da ansiedade sobre as coisas e do medo do amanhã. 

8. Portanto, o cristão distingue-se pela confiança absoluta no Pai celestial, como o foi para Jesus. É precisamente a relação com Deus Pai que dá sentido a toda a vida de Cristo, às suas palavras, aos seus gestos de salvação, até à sua paixão, morte e ressurreição. 

9. Jesus mostrou-nos o que significa viver com os pés firmes no chão, atentos às situações concretas do próximo, e ao mesmo tempo manter sempre o coração no Céu, imerso na misericórdia de Deus." (Bento XVI - Angelus, 27/2/2011).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Qual é o nosso verdadeiro tesouro?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,19-23)(19/06/26)

1. Caríssimos, tudo o que é temporal não passa de cinza que o vento leva, bem como nos ensinou são Pedro: "Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade." (2Pd 3,10-11). 

2. Com isso, compreendemos, o que conta mesmo não são as coisas materiais, a fama ou o poder temporal, mas sim as virtudes eternas praticadas em favor de um mundo mais justo e solidário em que o amor, a justiça e a paz são os verdadeiros tesouros acumulados em nossas almas como dádivas que recebemos de Deus para serem distribuídas a todos que encontramos a caminho do Reino dos céus.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina exatamente isso: “Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6,19-21).

4. Com efeito, ao contemplarmos a vida dos santos e santas vemos que eram profundamente fecundos na prática das boas obras porque tinham como fundamento esta Palavra do Senhor Jesus: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo. 

5. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." (Mt 6,33-34). Isto significa, que tudo o que somos e temos depende do sopro de vida que respiramos, pois, como disse Santa Terezinha: "Minha vida é um brevíssimo segundo e nada mais que isso."

6. Decerto, por graça do Senhor dependamos cem por cento da sua providência divina, para tudo fazemos por amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos. Desse modo, não seremos abalados pelas ameaças do inimigo de nossas almas, como se Deus não cuidasse de cada um de nós pessoalmente. 

7. Destarte, escutemos humildemente esta exortação de são Pedro: "O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. A ele o poder na eternidade! Amém." (Pd 5,10-11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso Nome...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(18/06/26)

1. Caríssimos, não basta recebermos os dons de Deus, precisamos aprender a usá-los, pois, por mais perfeito que sejamos por nós mesmos, tomemos consciência de que nada conhecemos além do que a nossa razão pode compreender. 

2. Por esse motivo disse são Paulo: "Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele." (Fl 3,8-9).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus ensina os seus discípulos a rezar e assim os instrui: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais." Ou seja, oração não é uma multiplicidade de pedidos, é encontro com o nosso Pai que nos conhece e nos recebe como seus filhos e filhas.

4. E qual deve ser a nossa postura nesse encontro com o nosso Pai celestial? O Senhor Jesus também nos ensina: "Quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á." (Mt 6,5-6). Ou seja, oração é intimidade da alma que encontra em Deus as graças que tanto precisa.

5. Vejamos ainda o que nos ensina o Senhor Jesus no mais perfeito modelo de oração, o Pai nosso: as três primeiras invocações nos conduz, ao verdadeiro testemunho: "santificado seja o vosso nome"; à fé inabalável: "venha a nós o vosso reino", e ao amor incondicional: "seja feita a vossa vontade." Ou seja, é o apelo humilde da alma que se submete livremente ao Seu Criador. 

6. Decerto, nas outras três invocações apresentamos a nossa fragilidade frente as adversidades para obtermos a graça de vence-las: do alimento corporal: "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje." Do perdão para vencermos as nossas imperfeições: "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". E por fim, a graça para vencermos as tentações e o maligno que as sugere: "E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal."

7. Portanto, caríssimos, eis a conclusão que chegamos sobre a oração que o Senhor Jesus nos ensinou: rezar é amar, é fazer a vontade de Deus, é encontra-lo no mais íntimo de nós mesmos, é um diálogo amoroso, uma escuta atenta; para transparecermos a sua presença, como Moisés, que ao sair do seu encontro com o Senhor, transparecia o Seu brilho estampado em em sua alma e em sua face. (cf. Ex 34,29-35).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de junho de 2026

Conhecendo Cristo em todos...

 Homilia do XI Dom. Do tempo (Mt 9,36-10,8)(14/06/26)

1. Caríssimos, é belo notar neste Evangelho de hoje como o Senhor Jesus age para com seus discípulos e conosco quando trata da escolha e do envio para obra da Evangelização e da salvação da humanidade. Sem dúvida, Ele nos prepara com os dons e o poder necessários para cumprirmos a missão que nos confia, e tudo isso nós fazemos como Igreja, povo de Deus a caminho do Seu Reino.

2. A liturgia de hoje nos mostra que o povo de Deus é um povo sacerdotal, um povo que busca o Senhor para oferecer o sacrifício da própria vida (cf. Ef 5,1). O povo da Antiga Aliança oferecia sacrifícios de animais por meio dos sacerdotes escolhidos por Deus. O povo da Nova Aliança oferece em sacrifício o próprio Cristo por meio daqueles que Ele escolheu para anunciar a salvação a todos os povos, bem como vimos no Evangelho de hoje.

3. "Este povo tem por chefe Cristo; tem por condição a dignidade e liberdade dos filhos de Deus, nos corações dos quais habita o Espírito Santo; tem por lei o novo preceito de amar como o próprio Cristo nos amou; tem por fim o Reino de Deus a ser dilatado por toda terra; é para toda a humanidade um germe de unidade, de esperança, e de salvação; instrumento de redenção para todos e caminha rumo à cidade futura; é sacramento visível dessa unidade salvífica." (cf. LG 9b).

4. O novo "povo sacerdotal", a Igreja, não é uma entidade separada do mundo, fechado em si mesma. A igreja e o mundo se entrecruzam. A igreja está no mundo e aí desempenha sua missão, e o mundo não pode atingir sua plena realização se a igreja não o fermentar com o Espírito do Evangelho.

5. "Os cristãos - diz-se na carta a Diagoneto - são a alma do mundo." Ora, o sentido da Igreja está em levar o mundo a Deus, ser o caminho de acesso para o encontro com Deus. Por isso, "quando a Igreja toma consciência de si, torna-se missionária, (São Paulo VI), e dialoga com o mundo.

6. A igreja assistida pelo Espírito Santo, vigilante pelo exame de consciência do Concílio, escruta os sinais dos tempos e se esforça por interpretá-los à luz do Evangelho, para captar toda oportunidade e não deixar que a graça de Deus que nos é dada passe em vão.

7. Mas não só a Igreja, em seu conjunto, é missionária; cada cristão justificado por Cristo é chamado a colaborar, na vida presente, na construção do Reino de Deus. É sinal que deve resplandecer aos olhos de todos; enviado a "anunciar" a Palavra, é "responsável" pela Palavra. Deve levar ao ambiente em que vive e trabalha aquele calor e zelo que Cristo levou, reconhecendo Cristo em todos e em quem tem necessidade do nosso interesse, isto é, da salvação." (MR).

8. Amados irmãos e amadas irmãs, humildemente, "Invoquemos a intercessão de Maria, que é a Mulher do «sim». Maria disse «sim» durante toda a sua vida! Ela aprendeu a reconhecer a voz de Jesus, desde quando o trazia no ventre. Maria, nossa Mãe, nos ajude a reconhecer cada vez melhor a voz de Jesus e a segui-la, para caminhar pela vereda da vida." (Papa Francisco, Angelus, 21/04/13). 

9. Oremos: "Ó Deus força daqueles que esperam em Vós sede favorável ao nosso apelo e como nada podemos em nossa fraqueza dai-nos sempre o socorro da vossa graça para que possamos querer e agir conforme vossa vontade seguindo os vossos mandamentos, por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho na unidade do Espírito Santo." Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de junho de 2026

Ó Imaculado Coração de Maria, rogai por nós...

 Memória do Coração Imaculado da Virgem Maria (Lc 2,41-51)(13/06/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória do Imaculado Coração de Maria, mãe de Deus e nossa mãe. De fato, depois de gerar o Filho de Deus no seu ventre por obra e graça do Espírito Santo, o Coração Imaculado de Maria se uniu ao Sacratíssimo Coração de Jesus para sempre, pois, Ele é carne de sua carne e sangue do seu sangue, e por isso, nada e ninguém os pode separar. 

2. Ou seja, Deus se faz Carne de sua carne assumindo para sempre a natureza humana nos fazendo participantes de Sua Natureza Divina e desse modo nos tornou imortais como Ele. Com efeito, tudo isso aconteceu primeiro em Maria Santíssima, a primeira redimida pelo seu Filho Deus-minino desde a sua Encarnação no seu ventre santo. 

3. Por isso, ela é a Imaculada Conceição em vista da nossa salvação, ou seja, concebida sem pecado para conceber a Deus no seu ventre redento desde sempre, porque Deus é Deus e para Ele nada é impossível; desse modo, aprouve ao Senhor Jesus vir nos salvar revestido da nossa humilde condição a partir da sua encarnação no seio virginal de sua Mãe Santíssima. 

4. Na primeira leitura o Profeta Isaías descreve parte do hino que a Virgem mãe cantou a Deus no seu Magnificat após conceber o seu amado Filho: "Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias." (Is 61,10)

5. Portanto, caríssimos, tudo o que conhecemos das obras de Deus é para o louvor de sua glória e para a nossa salvação, e nesta memória do Imaculado Coração de Maria nós glorificamos a Deus pelas maravilhas realizadas na vida de sua pobre serva à quem deu o privilégio de ser a sua Mãe.

6. Destarte, cantemos com a Santíssima Mãe este belíssimo hino ao Deus Uno e Trino que se faz presente entre nós para sempre: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. (Lc 1,46-49).

7. Oremos: "Ó Deus, que preparastes morada digna do Espírito Santo no Coração da Virgem Maria, concedei benigno que, por sua intercessão, nos tornemos templo da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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