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domingo, 31 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trinidade...

 SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (Jo 3,16-18)(31/05/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da Santíssimo Trindade, ou seja, celebra o Amor Infinito de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo; Deus Uno na Trindade e Trino na Unidade. Pois, foi nessa Perfeita Comunhão de amor que Deus nos criou à sua imagem e semelhança por Seu Filho na graça do Espírito Santo.

2. E quando nos desligamos Dele pelo pecado; veio em nosso socorro por Sua Infinita Misericórdia, nos enviando o Seu Filho amado, para morrer conosco e por nós, e nos fazer ressuscitar com Ele para a vida eterna, porque esse é o único desígnio de Deus, Uno e Trino, pois não teria nenhum sentido toda essa obra maravilhosa da criação ser destruída ou se acabar com a morte dos seus filhos e filhas.

3. Por isso, não podemos pensar em Deus sem ama-lo, sem te-lo em nossas almas, pois, é exatamente isso que nos revela os Atos dos Apóstolos: "Porque é em Deus que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28). De fato, isto se constitue o grande mistério da vida divina que recebemos no batismo e nos outros sacramentos.

4. Aliás, contemplando a criação, vemos que cada criatura carrega em si um mistério que só será desvendado na eternidade, pois somente nela tudo será conhecido totalmente e amado por todos igualmente, uma vez que tal conhecimento só é possível pela ação da Sabedoria do Espírito Santo, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou. (cf. 1Cor 2,12).

5. Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje, é a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Palavra Eterna do Pai, que nos leva a obter todas as graças e por elas vencermos o mal presente neste mundo por causa dos pecados aqui praticados. De fato, "foi Cristo que sofreu a cruz assim como a morte, e que ressuscitou no Espírito, foi elevado em glória e traçou uma nova via para os Céus para todos os que creem nele com uma fé viva, sem vacilações."

6. Destarte, para vivermos a profundidade do Mistério da Santíssima Trinidade, são João neste Evangelho nos dá a chave para isso: "Deus tanto amou o mundo...". O amor do Pai não é passivo; é um amor que dá e envia. Ele entrega o que tem de mais precioso — seu Filho — não por merecimento do mundo, mas por pura graça.

7. O Filho, é o Dom Visível e a Face da Misericórdia do Pai. Ele é o presente do Pai para a humanidade. Ele é a ponte visível entre a humanidade e a eternidade. Crer no Filho é abrir a porta do nosso coração para receber o amor que o Pai enviou. 

8. O Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho; quando nós cremos, é o Espírito Santo em nós que nos permite acolher o Filho e chamar Deus de Pai. Ele é a "Vida Eterna" já pulsando em nossas almas desde que o recebemos no batismo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 30 de maio de 2026

Quem não ama a Verdade jamais terá um futuro feliz...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 11,27-33)(30/05/26)

1. Caríssimos, a lógica do pecado afasta os homens de Deus. Porque pensar segundo a carne e não segundo o Espírito é bater de frente com o Senhor. A lógica do pecado nunca admite a verdade, porque quem a usa não busca a vontade de Deus, mas somente a satisfação dos próprios instintos e de seus interesses mesquinhos. 

2. São Paulo na sua carta aos Romanos nos mostra a verdadeira face dessa lógica mesquinha: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz." (Rm 8,5-6).

3. De fato, a alma que vive cheia de si mesma não tem paz, porque não tem mais nela o espaço sagrado que era de Deus. Na verdade, quem se comporta assim vive somente de aparências tentando manter o "status quo", isto é, o estado de alma que lhe apraz, e não o estado de graça de que tanto necessita. É triste a condição dos Escribas, dos Fariseus e dos mestres da lei, pois conhecem a verdade, mas por falta de lealdade e o simples fato de não a amar, dão continuidade à farsa em que vivem mergulhados.

4. Com efeito, todos nós estamos à caminho da eternidade, mas na verdade já a trazemos em nossas almas, porque a alma é eterna. O fato é que estamos definindo aqui o nosso devir eterno, o que seremos eternamente, por isso tomemos muito cuidado, porque na condição que morremos, é nela que viveremos para sempre.

5. Todavia, para vivermos em estado de graça, o Senhor Jesus nos deu o Seu Santo Espírito com todos as virtudes eternas, para que façamos em tudo a vontade do Pai como ele mesmo a fez. Fora dessa relação filial com Deus, os homens vivem como se Deus não existisse e como se tudo terminasse com a morte natural.

6. Decerto, quando o Senhor Jesus nos pergunta algo, é porque precisamos superar os obstáculos que nos impedem de encontrá-lo e permanecer Nele. No entanto, precisamos nos converter, porque somente mediante a nossa conversão contínua, seremos coerentes e viveremos plenamente tudo o que ele nos ensina. 

7. Os mestres da lei e os fariseus queriam que o Senhor Jesus se submetesse aos seus critérios, para crerem nele, por isso o rejeitaram. Mas Deus não cabe nos critérios humanos; pelo contrário, nós é que precisamos obedecê-lo, pois somos obras de suas mãos. A obediência é um dom divino que nos foi dado, para por ela vivermos segundo os seus critérios, pois estes nos levam à santidade com a qual o veremos face a face.

8. Portanto, caríssimos, quem vive negando ou questionando Deus, faz isso porque não vive segundo o seu amor e a sua bondade, de modo que se contradizem sempre, porque faz da autossuficiência o trampolim da própria perdição. Pelo contrário, os mansos e humildes de coração se deixam conduzir pelo Espírito Santo, por isso não julgam nem condenam ninguém, mas são exemplos de amor, de bondade e obediência para todos que os encontram neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A pureza da alma na prática da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 11,11-26)(29/05/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje trata da pureza da alma e de que modo devemos praticar a fé, porque por ser um dom de Deus, requer de nossa parte a correspondência necessária para que possamos dar frutos abundantes em vista do bem comum. Por isso, peçamos ao Senhor Jesus a graça de vivermos esse dom do Espírito Santo correspondendo à sua santa vontade em todo o nosso modo de ser e estar no mundo.

2. De fato, a fé nasce do amor de Deus por nós, pois, mesmo sem merecermos, Ele enviou o Seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para morrer por nós e nos salvar do pecado e da morte; e tudo o que nos pede é que confiemos Nele e sigamos o que nos ensina, para que se cumpre na íntegra. 

3. Decerto, a fé está sempre unida a esperança e a caridade, por isso, a oração feita com fé é um depositar-se em Deus para que se realize a sua vontade, porque quem reza assim, confia, espera e o ama, na certeza de que Ele é fiel e atende as nossas preces para muito além do que lhe pedimos.

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa do Templo os mercadores, e depois usa o exemplo de uma figueira frondosa, porém estéril, como imagem do seu povo que se afastara da prática da pureza da fé por fazer da casa de Deus um covil de ladrões, isto é, uma casa de comércio, representado pelos comerciantes de animais para os sacrifícios e pelos cambistas.

5. Portanto, caríssimos, tomemos cuidado para não sermos como uma figueira estéril, por fora frondosa, cheia de folhas verdejantes, mas, sem fruto algum em seus ramos. Em outras palavras, "a fé sem as obras é morta", como afirma são Tiago, desse modo compreendemos que os frutos da prática da fé nascem da vida de oração, da vivência dos Sacramentos, do engajamento nas pastorais e movimentos da Igreja e da prática das boas obras.

6. Oremos: Senhor Jesus, ajuda-nos com a seiva do teu amor a produzir frutos da salvação que nos destes por teu sacrifício de cruz; ajuda-nos a seguir os teus passos com fidelidade inabalável, com fé incomparável e amor incondicional, como fez nosso Senhora em toda a sua trajetória neste mundo. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Diante da Onipotência Divina, quem ousa manifestar-se?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,32-45)(27/05/26). 

1. Caríssimos, quem conheceu ou conhece os desígnios do Senhor ou foi seu conselheiro? Quem ousa acusá-lo de qualquer falta? Quem por acaso pode contestá-lo diante de suas obras? Por acaso, haverá alguém Onipotente, Oniciente, Onipresente fora Dele?

2. Então, que se calem todas as criaturas, que ouçam todos os ouvidos, pois eis o que diz o Senhor: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7).

3. São Pedro na primeira leitura assim escreveu a esse respeito: "Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente.

4. Com efeito, “toda a carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. (1Pd 1,22-25). Ou seja, quem não tem a Palavra de Deus como sua regra de vida eterna, não pode dizer-se discípulo de Cristo, pois ele foi enviado para nos ensinar a perfeita obediência à vontade do Pai.

5. Amados irmãos e irmãs, tenhamos cuidado de não nos afastarmos dos ensinamentos do Senhor, como por breve momento aconteceu no Evangelho de hoje, pois enquanto o Senhor falava dos acontecimentos da sua Paixão, morte e ressurreição; Tiago e João, os filhos de Zabedeu, pediam privilégios pessoais, ou seja, a favor de si mesmos. 

6. Todavia, o Senhor não se ofendeu por isso, mas os alertou para o batismo de sangue que Ele haveria de receber. Desse modo, Ele nos mostrou que a nossa oração só é eficaz quando realmente expressa a vontade de Deus que consiste na renúncia da própria vontade.

7. Aliás, São Paulo, assimilou muito bem isso, e nos deixou por escrito para que também nós seguíssemos o exemplo de Cristo: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fil 2,3-5).

8. Por fim, escutemos o que o Senhor disse aos discípulos indignados com o pedido interesseiro de Tiago e João: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.” (Mc 10,42-45).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

O Evangelho de hoje nos ensina o quanto precisamos da misericórdia divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,46-52)(28/05/26)

1. Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da cura do cego de Jericó que muito tem a nos ensinar. O evangelista Marcos narra que a única riqueza que o cego possuía era a fé em Jesus, a oração de arrependimento, súplica e a perseverança, não obstante aqueles que queriam impedi-lo de aproximar-se de Jesus, no entanto, ele só parou sua oração quando foi atendido.

2. Fazendo uma comparação entre a cegueira do cego Bartimeu e a nossa, escreveu são Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja: "Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego, grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem piedade de mim!» Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Muitos repreendiam-no para que se calasse». 

3. Quem são estes? Eles representam os desejos da nossa condição neste mundo, são os vícios do homem e os seus tumultos, fatores de confusão que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que reza.

4. O que fez este cego para receber a luz, mau grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: "Filho de David, tem piedade de mim"». Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir, até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. 

5. Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: quando nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo e o reencaminhar para Deus, há muitas coisas importunas que pesam sobre nós e que temos de combater; é um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. 

6. Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no nosso espírito Jesus que passa. Daí que o evangelho diga: «Jesus parou e disse: "Chamai-o"». De fato, o sentido da oração é encontrar o Senhor no coração de nossas almas, isto é, em nossa consciência e deixar que Ele nos fale curando a nossa cegueira e as nossas feridas.

7. Portanto, caríssimos, a oração e a persistência do cego Bartimeu, "é útil e necessário em todas as circunstâncias. Porque desejar ser ajudado sempre e em todas as coisas é afirmar claramente que se tem necessidade do auxílio divino, tanto quando as coisas são favoráveis e sorriem, como nas provas e nas tristezas: só Deus nos afasta da adversidade, só Ele faz durar a nossa alegria; num e noutro caso, a fragilidade humana não se sustém sem o auxílio divino." (São João Cassiano - Sobre a oração, cap. X; SC 54).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Diante da Onipotência Divina, quem ousa se pronunciar?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,32-45)(27/05/26). 

1. Caríssimos, quem conheceu ou conhece os desígnios do Senhor ou foi seu conselheiro? Quem ousa acusá-lo de qualquer falta? Quem por acaso pode contestá-lo diante de suas obras? Por acaso, haverá alguém Onipotente, Oniciente, Onipresente fora Dele?

2. Então, que se calem todas as criaturas, que ouçam todos os ouvidos, pois eis o que diz o Senhor: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7).

3. São Pedro na primeira leitura assim escreveu a esse respeito: "Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente.

4. Com efeito, “toda a carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. (1Pd 1,22-25). Ou seja, quem não tem a Palavra de Deus como sua regra de vida eterna, não pode dizer-se discípulo de Cristo, pois ele foi enviado para nos ensinar a perfeita obediência à vontade do Pai.

5. Amados irmãos e irmãs, tenhamos cuidado de não nos afastarmos dos ensinamentos do Senhor, como por breve momento aconteceu no Evangelho de hoje, pois enquanto o Senhor falava dos acontecimentos da sua Paixão, morte e ressurreição; Tiago e João, os filhos de Zabedeu, pediam privilégios pessoais, ou seja, a favor de si mesmos. 

6. Todavia, o Senhor não se ofendeu por isso, mas os alertou para o batismo de sangue que Ele haveria de receber. Desse modo, Ele nos mostrou que a nossa oração só é eficaz quando realmente expressa a vontade de Deus que consiste na renúncia da própria vontade.

7. Aliás, São Paulo, assimilou muito bem isso, e nos deixou por escrito para que também nós seguíssemos o exemplo de Cristo: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fil 2,3-5).

8. Por fim, escutemos o que o Senhor disse aos discípulos indignados com o pedido interesseiro de Tiago e João: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.” (Mc 10,42-45).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Só percebe que Deus padece conosco, quem Nele crê...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,28-31)(26/05/26)

1. Caríssimos, olhando este mundo repleto de tentações, pecados, guerras, violência, sofrimentos e tanta maldade, se confiarmos em nós mesmos, nos sentimos inseguros, angustiados, preocupados, cheios de medos, e até sofremos a tentação de pensar que Deus abandonou este mundo deixando-o à mercê do mal. 

2. No entanto, ao meditarmos nos sofrimentos do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, entendemos que Deus padece conosco as nossas dores para nos libertar da morte e do maligno. Só precisamos nos manter em estado de graça, isto é, realizando a sua santa vontade que consiste na obediência aos seus mandamentos e sacramentos. 

3. São Paulo na sua Carta aos Romanos escreveu: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (Rm 8,18-21).

4. De fato, a nossa felicidade tem nome e se chama Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, que por seu sacrifício de cruz nos libertou para sempre do pecado, da morte e do poder do inferno. De modo que, quem vive em permanente comunhão com o Senhor experimenta a sua amizade, o seu amor pela prática da sua Palavra, como Ele nos ensinou: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós." (Jo 15,14.17-18).

5. Na primeira leitura ouvimos esta exortação de são Pedro: "Por isso, preparai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.

6. No Evangelho de hoje o Apóstolo Pedro sentindo-se inseguro quanto ao futuro se dirigiu ao Senhor com estas palavras: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna."

7. Portanto, caríssimos, a pergunta que nos pomos é esta: e nós o que deixamos para seguir o Senhor Jesus? Se a nossa resposta for, deixamos tudo; fiquemos certos de que a mesma resposta que o Senhor deu a Pedro, também dá a cada um de nós, pois é a garantia da nossa salvação. 

8. Destarte, recitemos com o coração transbordante de confiança estas palavras de santa Tereza D'Avila, pois, são conforto e segurança para as nossas almas:

"Nada te perturbe,

nada te amedronte

tudo passa

a paciência tudo alcança...

A quem tem Deus

nada falta

só Deus basta."


Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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