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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Tão Sublime Sacramento...


 Solenidade do SS Corpo e Sangue de Cristo (Jo 6,51-58)(04/06/26)


1. Amados irmãos e irmãs, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, que sempre acontece na primeira quinta-feira depois da Solenidade da SS Trindade. Com efeito, na última Ceia, antes da sua paixão, morte e ressurreição, o Senhor Jesus instituiu este Sacramento como memorial permanente da sua presença real no meio de nós e em nós.
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2. Ora, os seres humanos creem em tantas coisas e no mais das vezes em nada contribue para o bem e a salvação de todos; e no entanto, são lentos para crer na presença real do Senhor Jesus no Santo Sacramento da Eucaristia, e fazem isso por não acreditar na Sua Palavra a respeito deste Sacramento: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente."(Jo 6,51).
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3. De fato, o Senhor é tão simples e direto que nos impressiona: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 

4. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim."
(Jo 6,54.56-57). Ora, será que é tão difícil compreender e crer nesta verdade eterna? O alimento natural nos dá a vida natural comprovadamente; assim também o Corpo e o Sangue de Cristo Eucarístico nos dá a vida eterna como Ele mesmo disse; o que mais precisamos para crer? 
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5. Decerto, quando vivemos essa dimensão da comunhão com o Senhor tudo o que fazemos para a glória do Pai, revela a Sua presença em nós formando a unidade perfeita do Seu Corpo, a Igreja; pois, como escreveu são Paulo: 

6. "O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão."(1Cor 10,16-17).
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7. Portanto, caríssimos, a vida em estado de graça consiste em receber o Senhor Jesus na Eucaristia e Nele permanecer praticando a Sua Palavra e realizando as suas obras, foi isso que nos ensinou: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,56). De fato, essa união íntima com o Senhor Jesus transforma completamente o nosso modo de viver neste mundo. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Como agem os hipócritas?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,13-17)(02/06/26)

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1. Caríssimos, "O Evangelho de hoje apresenta-nos um novo encontro direto entre Jesus e os seus opositores. O tema enfrentado é o do tributo a César: uma questão “espinhosa”, a respeito da legalidade ou não de pagar o imposto ao imperador de Roma, a quem estava submetida a Palestina na época de Jesus. 

2. As posições eram diversas. Portanto, a pergunta que lhe foi dirigida pelos fariseus: «É permitido ou não pagar o imposto a César?» constitui uma cilada para o Mestre. De fato, é próprio dos hipócritas a falsidade que usam em suas palavras e ações visando prejudicar suas vítimas. 

3. Com efeito, de acordo com a resposta que tivesse dado, seria acusado de ser a favor ou contra Roma. Mas também neste caso, Jesus responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar um ensinamento importante, elevando-se acima da polêmica e das posições opostas. 

4. Diz aos fariseus: «Mostrai-me a moeda do tributo». Eles mostram-lhe um denário e Jesus, observando a moeda, pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Os fariseus respondem: «De César». Então Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

5. Ora, ao dizer essa frase, "Jesus declara que pagar o imposto não é um gesto de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro — e é aqui que Jesus dá o “golpe de mestre” — evocando o primado de Deus, pede que se lhe dê aquilo que lhe pertence como Senhor da vida do homem e da história." (Papa Francisco).
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6. Portanto, caríssimos, nesse episódio que meditamos, vimos como se manifesta o pecado da hipocrisia, que consiste na negação consciente da verdade em vista dos perversos propósitos cultivados. De fato, todo hipócrita conhece a verdade, mas a nega por um nada; porque mesmo tendo consciência de sua hipocrisia, continua nela e ainda tenta envolver a outros com suas artimanhas.

7. Destarte, o Senhor "Jesus desarmou seus opositores mostrando que o Estado tem o seu lugar, mas o coração, a consciência e a totalidade do ser humano pertencem exclusivamente a Deus. É um chamado contundente à integridade, que ecoa até hoje sobre como equilibrar nossa presença no mundo sem negociar nossos valores mais sagrados."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

As tribulações e provações deste mundo nos levam à proteção divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 12,1-12)(01/06/26)

1. Caríssimos, certa feita disse o Senhor Jesus: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." ( Jo 16,33). De fato, vivemos em meio a um mundo onde, ao que parece, reina a discórdia, as falcatruas, os engodos, os enganos, a violência e todos os pecados que levam os homens a perderem a paz e por vezes a própria vida. 

2. Se olharmos os pecados praticados e a maldade que não para de crescer, por conta desses pecados, facilmente nos desinganamos. Todavia, se contrapondo a tudo isto, São Pedro, nos exorta a um viver repleto de confiança na misericórdia divina: "Caríssimos, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente, porque conheceis Deus e Jesus, nosso Senhor. 

3. O seu divino poder nos deu tudo o que contribui para a vida e para a piedade, mediante o conhecimento daquele que, pela sua própria glória e virtude, nos chamou. Por meio de tudo isso nos foram dadas as preciosas promessas, as maiores que há, a fim de que vos tornásseis participantes da natureza divina, depois de libertos da corrupção, da concupiscência no mundo." (2Pd 1,2-7).

4. O Salmo 90 também nos faz compreender que em meio à fragilidade deste mundo e os ataques do maligno, que se multiplicam por meio dos pecados dos homens; o Senhor, que nos ama com amor eterno, nos dá a sua proteção contra tais insídias, para que assim as vençamos. 

5. Escutemos, então, o salmista: "Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois meu Deus, no qual confio inteiramente”. Ao que o Senhor responde: “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo e protegê-lo, pois meu nome ele conhece. Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo, a seu lado eu estarei em suas dores."

6. De fato, todo aquele que procura viver retamente neste mundo, passa pelas mais diversas provações por ser trigo em meio ao joio; por remar contra a maré dos pecados que tenta lhe afogar. Todavia, por que isso acontece? O Senhor mesmo nos responde: "Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. 

7. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa. Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15,18-21).

8. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus que nos ajude a vivermos a fé perseverante como Ele nos ensina por seu testemunho de vida, por suas palavras e promessas; desse modo, ninguém tira de nós os frutos da sua graça para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 31 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trinidade...

 SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (Jo 3,16-18)(31/05/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da Santíssimo Trindade, ou seja, celebra o Amor Infinito de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo; Deus Uno na Trindade e Trino na Unidade. Pois, foi nessa Perfeita Comunhão de amor que Deus nos criou à sua imagem e semelhança por Seu Filho na graça do Espírito Santo.

2. E quando nos desligamos Dele pelo pecado; veio em nosso socorro por Sua Infinita Misericórdia, nos enviando o Seu Filho amado, para morrer conosco e por nós, e nos fazer ressuscitar com Ele para a vida eterna, porque esse é o único desígnio de Deus, Uno e Trino, pois não teria nenhum sentido toda essa obra maravilhosa da criação ser destruída ou se acabar com a morte dos seus filhos e filhas.

3. Por isso, não podemos pensar em Deus sem ama-lo, sem te-lo em nossas almas, pois, é exatamente isso que nos revela os Atos dos Apóstolos: "Porque é em Deus que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28). De fato, isto se constitue o grande mistério da vida divina que recebemos no batismo e nos outros sacramentos.

4. Aliás, contemplando a criação, vemos que cada criatura carrega em si um mistério que só será desvendado na eternidade, pois somente nela tudo será conhecido totalmente e amado por todos igualmente, uma vez que tal conhecimento só é possível pela ação da Sabedoria do Espírito Santo, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou. (cf. 1Cor 2,12).

5. Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje, é a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Palavra Eterna do Pai, que nos leva a obter todas as graças e por elas vencermos o mal presente neste mundo por causa dos pecados aqui praticados. De fato, "foi Cristo que sofreu a cruz assim como a morte, e que ressuscitou no Espírito, foi elevado em glória e traçou uma nova via para os Céus para todos os que creem nele com uma fé viva, sem vacilações."

6. Destarte, para vivermos a profundidade do Mistério da Santíssima Trinidade, são João neste Evangelho nos dá a chave para isso: "Deus tanto amou o mundo...". O amor do Pai não é passivo; é um amor que dá e envia. Ele entrega o que tem de mais precioso — seu Filho — não por merecimento do mundo, mas por pura graça.

7. O Filho, é o Dom Visível e a Face da Misericórdia do Pai. Ele é o presente do Pai para a humanidade. Ele é a ponte visível entre a humanidade e a eternidade. Crer no Filho é abrir a porta do nosso coração para receber o amor que o Pai enviou. 

8. O Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho; quando nós cremos, é o Espírito Santo em nós que nos permite acolher o Filho e chamar Deus de Pai. Ele é a "Vida Eterna" já pulsando em nossas almas desde que o recebemos no batismo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 30 de maio de 2026

Quem não ama a Verdade jamais terá um futuro feliz...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 11,27-33)(30/05/26)

1. Caríssimos, a lógica do pecado afasta os homens de Deus. Porque pensar segundo a carne e não segundo o Espírito é bater de frente com o Senhor. A lógica do pecado nunca admite a verdade, porque quem a usa não busca a vontade de Deus, mas somente a satisfação dos próprios instintos e de seus interesses mesquinhos. 

2. São Paulo na sua carta aos Romanos nos mostra a verdadeira face dessa lógica mesquinha: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz." (Rm 8,5-6).

3. De fato, a alma que vive cheia de si mesma não tem paz, porque não tem mais nela o espaço sagrado que era de Deus. Na verdade, quem se comporta assim vive somente de aparências tentando manter o "status quo", isto é, o estado de alma que lhe apraz, e não o estado de graça de que tanto necessita. É triste a condição dos Escribas, dos Fariseus e dos mestres da lei, pois conhecem a verdade, mas por falta de lealdade e o simples fato de não a amar, dão continuidade à farsa em que vivem mergulhados.

4. Com efeito, todos nós estamos à caminho da eternidade, mas na verdade já a trazemos em nossas almas, porque a alma é eterna. O fato é que estamos definindo aqui o nosso devir eterno, o que seremos eternamente, por isso tomemos muito cuidado, porque na condição que morremos, é nela que viveremos para sempre.

5. Todavia, para vivermos em estado de graça, o Senhor Jesus nos deu o Seu Santo Espírito com todos as virtudes eternas, para que façamos em tudo a vontade do Pai como ele mesmo a fez. Fora dessa relação filial com Deus, os homens vivem como se Deus não existisse e como se tudo terminasse com a morte natural.

6. Decerto, quando o Senhor Jesus nos pergunta algo, é porque precisamos superar os obstáculos que nos impedem de encontrá-lo e permanecer Nele. No entanto, precisamos nos converter, porque somente mediante a nossa conversão contínua, seremos coerentes e viveremos plenamente tudo o que ele nos ensina. 

7. Os mestres da lei e os fariseus queriam que o Senhor Jesus se submetesse aos seus critérios, para crerem nele, por isso o rejeitaram. Mas Deus não cabe nos critérios humanos; pelo contrário, nós é que precisamos obedecê-lo, pois somos obras de suas mãos. A obediência é um dom divino que nos foi dado, para por ela vivermos segundo os seus critérios, pois estes nos levam à santidade com a qual o veremos face a face.

8. Portanto, caríssimos, quem vive negando ou questionando Deus, faz isso porque não vive segundo o seu amor e a sua bondade, de modo que se contradizem sempre, porque faz da autossuficiência o trampolim da própria perdição. Pelo contrário, os mansos e humildes de coração se deixam conduzir pelo Espírito Santo, por isso não julgam nem condenam ninguém, mas são exemplos de amor, de bondade e obediência para todos que os encontram neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A pureza da alma na prática da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 11,11-26)(29/05/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje trata da pureza da alma e de que modo devemos praticar a fé, porque por ser um dom de Deus, requer de nossa parte a correspondência necessária para que possamos dar frutos abundantes em vista do bem comum. Por isso, peçamos ao Senhor Jesus a graça de vivermos esse dom do Espírito Santo correspondendo à sua santa vontade em todo o nosso modo de ser e estar no mundo.

2. De fato, a fé nasce do amor de Deus por nós, pois, mesmo sem merecermos, Ele enviou o Seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para morrer por nós e nos salvar do pecado e da morte; e tudo o que nos pede é que confiemos Nele e sigamos o que nos ensina, para que se cumpre na íntegra. 

3. Decerto, a fé está sempre unida a esperança e a caridade, por isso, a oração feita com fé é um depositar-se em Deus para que se realize a sua vontade, porque quem reza assim, confia, espera e o ama, na certeza de que Ele é fiel e atende as nossas preces para muito além do que lhe pedimos.

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa do Templo os mercadores, e depois usa o exemplo de uma figueira frondosa, porém estéril, como imagem do seu povo que se afastara da prática da pureza da fé por fazer da casa de Deus um covil de ladrões, isto é, uma casa de comércio, representado pelos comerciantes de animais para os sacrifícios e pelos cambistas.

5. Portanto, caríssimos, tomemos cuidado para não sermos como uma figueira estéril, por fora frondosa, cheia de folhas verdejantes, mas, sem fruto algum em seus ramos. Em outras palavras, "a fé sem as obras é morta", como afirma são Tiago, desse modo compreendemos que os frutos da prática da fé nascem da vida de oração, da vivência dos Sacramentos, do engajamento nas pastorais e movimentos da Igreja e da prática das boas obras.

6. Oremos: Senhor Jesus, ajuda-nos com a seiva do teu amor a produzir frutos da salvação que nos destes por teu sacrifício de cruz; ajuda-nos a seguir os teus passos com fidelidade inabalável, com fé incomparável e amor incondicional, como fez nosso Senhora em toda a sua trajetória neste mundo. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Diante da Onipotência Divina, quem ousa manifestar-se?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,32-45)(27/05/26). 

1. Caríssimos, quem conheceu ou conhece os desígnios do Senhor ou foi seu conselheiro? Quem ousa acusá-lo de qualquer falta? Quem por acaso pode contestá-lo diante de suas obras? Por acaso, haverá alguém Onipotente, Oniciente, Onipresente fora Dele?

2. Então, que se calem todas as criaturas, que ouçam todos os ouvidos, pois eis o que diz o Senhor: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7).

3. São Pedro na primeira leitura assim escreveu a esse respeito: "Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente.

4. Com efeito, “toda a carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. (1Pd 1,22-25). Ou seja, quem não tem a Palavra de Deus como sua regra de vida eterna, não pode dizer-se discípulo de Cristo, pois ele foi enviado para nos ensinar a perfeita obediência à vontade do Pai.

5. Amados irmãos e irmãs, tenhamos cuidado de não nos afastarmos dos ensinamentos do Senhor, como por breve momento aconteceu no Evangelho de hoje, pois enquanto o Senhor falava dos acontecimentos da sua Paixão, morte e ressurreição; Tiago e João, os filhos de Zabedeu, pediam privilégios pessoais, ou seja, a favor de si mesmos. 

6. Todavia, o Senhor não se ofendeu por isso, mas os alertou para o batismo de sangue que Ele haveria de receber. Desse modo, Ele nos mostrou que a nossa oração só é eficaz quando realmente expressa a vontade de Deus que consiste na renúncia da própria vontade.

7. Aliás, São Paulo, assimilou muito bem isso, e nos deixou por escrito para que também nós seguíssemos o exemplo de Cristo: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fil 2,3-5).

8. Por fim, escutemos o que o Senhor disse aos discípulos indignados com o pedido interesseiro de Tiago e João: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.” (Mc 10,42-45).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

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