Arquivo do blog

domingo, 15 de março de 2026

O homem vê a aparência; Deus vê o coração...

 


Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1-41)(15/03/26)

1. Caríssimos, o tema da liturgia deste quarto domingo da Quaresma é a luz de Deus que ilumina as nossas almas e nos arranca das trevas do pecado que nos mantinha fechados em nós mesmos nos impedindo de enxergar a luz de Cristo. Sem dúvida, diariamente convivemos com a realidade cruel que se abate sobre a humanidade por conta da violência advinda dos pecados praticados neste mundo.

2. Decerto, esse tema está na raiz do anúncio profético da vinda do Messias como profetizou Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz." (Is 9,1.5). 

3. Na primeira leitura o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher o ungido do Senhor pela aparência. "Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7). Samuel, então, seguiu as instruções do Senhor e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. 

4. De fato, se tem algo que não falta neste mundo diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, Ele é o Messias prometido que veio ao mundo para nos salvar. Por isso, não somos mais escravos do pecado e nem do maligno que gerou o pecado. 

5. No entanto, não basta ser batizado, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor Jesus para obedece-lo em tudo, e não ceder às tentações e ao pecado, que nos leva à perca da graça da felicidade eterna, fazendo-nos amargar com isso o vazio e a tristeza que o pecado gera.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um cego de nascença, e assim realiza a vontade do Pai; mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi equivocadamente julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei do sábado como se Deus fosse obrigado a derramar suas graças segundo os critérios humanos. 

7. Por outro lado, o homem que foi curado, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acreditar e acolher o Senhor, mas não acreditaram nem o acolheram.

8. Portanto, caríssimos, prestemos atenção na conclusão deste Evangelho: "Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece." (Jo 9,39-41). Ou seja, o orgulho e a soberba são pecados gravíssimos que cega aqueles que os comete. 

9. Destarte, não sabemos quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, como disse o Senhor; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá na íntegra; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"

.

Paz e Bem!

.

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de março de 2026

A virtude da humildade nos leva ao coração de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(14/03/26)

1. Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que depois da queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupicência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual. 

2. Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Uma dessas virtudes é a humildade que nos leva ao arrependimento e nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.

3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus, conta a parábola do fariseu e do publicano, nos ensinando que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus, nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, não subsiste por si mesma. Na verdade, somos tão frágeis que não passamos de um sopro de vida que se esvai. 

4. Decerto, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada pelo Senhor Jesus? Em primeiro lugar, quando a prática religiosa não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, dentre elas a humildade, torna-se um culto de adoração a si mesmo, à própria imagem e não a Deus, transformando-se num viver de aparências. 

5. Por outro lado, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos. Como vimos no exemplo do cobrador de impostos que reconhecendo seus pecados disse em sua oração: "Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!" 

6. Portanto, caríssimos, escutemos o que são Pedro nos ensinou a esse respeito: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."

7. Destarte, o maior ato de humildade é o que nos deu o Senhor Jesus ao rebaixar-se à nossa pequenez para nos exaltar por sua Divina Misericórdia, bem como nos ensinou São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.

8. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A nossa trajetória para a eternidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(13/03/26)

1. Caríssimos, a nossa trajetória rumo a eternidade é constante, pois o tempo não para e tudo passa rápido. O problema consiste no como fazemos esse percurso, com quem o fazemos e quais as motivações para isso. Ora, viver não é só respirar naturalmente, mais do que isso, viver é cumprir o propósito eterno para o qual Deus nos criou.

2. Neste sentido, a liturgia de hoje torna clara a atitude que devemos ter diante dos erros que cometemos nessa nossa trajetória para a eternidade. A primeira leitura nos mostra a necessidade de uma permanente conversão para vivermos como verdadeiros filhos e filhas de Deus. 

3. Com efeito, é isso o que nos ensina são Paulo na Carta aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

4. No Evangelho de hoje um escriba se aproxima do Senhor Jesus e o interroga: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 

5. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.

6. Ora, ao dar essa resposta, o Senhor Jesus nos põe diante do único motivo pelo qual Deus criou todas as coisas, e do qual tiramos a força para seguir em frente vencendo todas as adversidades que se impõem contra nós que estamos a caminho do Reino dos céus. 

7. Vejamos, então, o que nos ensina são João à esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.

8. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."

9. Portanto, caríssimos, que a prática desses dois mandamentos — o amor total a Deus e o amor generoso ao próximo — seja o que norteia a nossa caminhada. Ao buscarmos essa pureza de coração e a renovação do nosso espírito, deixamos de ser meros passageiros do tempo para sermos verdadeiros cidadãos do Céu, vivendo desde já a antecipação daquela glória aonde veremos Deus face a face tal qual Ele é.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A grande luta interior contra nós mesmos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(12/03/26)

1. Caríssimos, a grande luta interior que travamos é contra nós mesmos a fim de permanecermos em estado de graça, realizando a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, é bem como nos ensinou São Francisco na décima admoestação: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

2. Eis o que nos ensinou o Senhor Jesus a esse respeito: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Em outras palavras, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. 

3. No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações:

4. "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." (Lc 11,15-26). 

5. Comentando a respeito dessa luta espiritual disse o Papa Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

6. O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

7. A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006). 

8. Portanto, caríssimos, o nosso paraíso neste mundo consiste em nossa obediência a Cristo em todos os sentidos do nosso livre arbítrio. Em outras palavras, é nos mantendo em Cristo, por nossa obediência, que vencemos os inimigos de nossas almas, porque receber Jesus Eucarístico em estado de graça, é participar desde já do Paraíso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de março de 2026

São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católica e Protestantes


São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católica e Protestantes

Rev. Edson Cortasio Sardinha - OFSE

         A história da Igreja cristã é marcada por momentos de unidade e também por períodos de profundas divisões. Entretanto, ao longo dos séculos, Deus levantou testemunhas cuja vida ultrapassa as fronteiras institucionais das igrejas. Entre essas figuras destaca-se São Francisco de Assis, o pobre de Assis, cuja espiritualidade continua a inspirar cristãos católicos e protestantes.

        Mesmo tendo vivido séculos antes da Reforma Protestante, Francisco tornou-se, paradoxalmente, uma figura apreciada também no mundo protestante. Sua vida, profundamente enraizada no Evangelho de Jesus Cristo, oferece um caminho espiritual comum para cristãos de diferentes tradições.


O Evangelho como centro da vida cristã

        O ponto central da espiritualidade de Francisco não foi uma teologia sistemática, mas a simplicidade do Evangelho. Quando ouviu a leitura do envio missionário dos discípulos (Mt 10), ele compreendeu que Deus o chamava a viver literalmente segundo o Evangelho.


Seu desejo era simples: seguir Cristo de forma radical.

        O primeiro biógrafo franciscano, Tomás de Celano, registra que Francisco desejava apenas “viver segundo a forma do santo Evangelho”.¹ Essa expressão tornou-se a base da espiritualidade franciscana.

        Essa centralidade da Palavra de Deus aproxima, em certo sentido, Francisco de ênfases importantes da tradição protestante. Reformadores como Martinho Lutero insistiram que a Igreja deve constantemente retornar à autoridade das Escrituras e ao chamado do Evangelho.²

        Embora Francisco não tenha sido um reformador institucional, sua vida apontava para uma reforma espiritual permanente: voltar ao Cristo do Evangelho.


A pobreza evangélica como testemunho profético

        No início do século XIII, a Igreja vivia um período de grande poder social e econômico. Foi nesse contexto que Francisco escolheu voluntariamente a pobreza.

        Ele desejava viver como Cristo e como os apóstolos. Essa escolha não foi uma rebelião contra a Igreja, mas um chamado profético para que os cristãos redescobrissem a simplicidade do discipulado.

        Por essa razão, diversos historiadores da espiritualidade consideram Francisco uma das grandes vozes de renovação da Igreja medieval.³

        Sua vida lembrava que a Igreja não existe para acumular riquezas, mas para testemunhar o Reino de Deus.


A fraternidade universal

        Outro aspecto profundamente marcante da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal. Francisco via todas as criaturas como parte da criação de Deus. Por isso falava de “irmão sol”, “irmã lua” e “irmã água”.

        Essa visão aparece de forma belíssima no Cântico das Criaturas, um dos textos espirituais mais conhecidos da tradição cristã.

        Essa espiritualidade da criação influenciou profundamente o pensamento cristão moderno, especialmente na teologia da paz, da criação e da reconciliação.

        Não é por acaso que, em tempos recentes, encontros de oração pela paz entre diferentes religiões foram realizados na cidade de Assis, inspirados pelo testemunho de Francisco e convocados por Papa João Paulo II.⁴


A redescoberta protestante de Francisco

        Durante muito tempo, ambientes protestantes mantiveram certa distância da espiritualidade dos santos. Entretanto, ao longo do século XX, muitos cristãos redescobriram a profundidade espiritual da vida de Francisco.

        Teólogos, historiadores e pastores passaram a estudar sua vida não como objeto de devoção, mas como testemunho cristão exemplar.

        O escritor cristão G. K. Chesterton contribuiu muito para essa redescoberta com sua famosa biografia sobre Francisco, apresentando-o como um homem profundamente apaixonado pelo Evangelho.⁵

        Hoje não é raro encontrar comunidades protestantes que estudam a espiritualidade franciscana ou mesmo fraternidades inspiradas em sua vida simples de oração, serviço e amor aos pobres.


Francisco e o espírito do ecumenismo

        O movimento ecumênico busca a unidade visível entre os cristãos sem negar as diferenças históricas entre as igrejas.

        Nesse contexto, o testemunho de Francisco oferece importantes caminhos espirituais:


1. Centralidade de Cristo

Toda a vida de Francisco girava em torno de Cristo crucificado e ressuscitado.

2. Testemunho antes de controvérsia

Ele anunciava o Evangelho mais pelo exemplo de vida do que por disputas teológicas.

3. Humildade e conversão do coração

A verdadeira unidade cristã nasce da humildade, do arrependimento e da reconciliação.

Esses princípios são fundamentais para o diálogo ecumênico contemporâneo e inspiram o trabalho de organismos cristãos internacionais, como o Conselho Mundial de Igrejas.⁶


Conclusão

        A vida de São Francisco continua a falar profundamente à Igreja de hoje.

        Católicos o veneram como santo e fundador de uma das maiores tradições espirituais do cristianismo. Muitos protestantes, por sua vez, o reconhecem como um poderoso testemunho de discipulado evangélico.

        Em tempos marcados por divisões históricas entre igrejas, o pobre de Assis recorda a todos os cristãos uma verdade essencial: quando o Evangelho é vivido com simplicidade e fidelidade, ele se torna uma ponte de comunhão entre os discípulos de Cristo.

        Assim, a vida de Francisco permanece como um convite permanente à Igreja: voltar ao Evangelho, viver em humildade e buscar a unidade no Senhor.


Autor: edsoncortasio@gmail.com


Notas

1. Tomás de Celano. *Vida de São Francisco*. Primeira biografia oficial do santo, escrita no século XIII.

2. Martinho Lutero. Ver especialmente sua ênfase na autoridade das Escrituras e na necessidade de reforma constante da Igreja.

3. LE GOFF, Jacques. *São Francisco de Assis*. Rio de Janeiro: Record.

4. Encontro inter-religioso de oração pela paz realizado em Assis por iniciativa de Papa João Paulo II em 1986.

5. G. K. Chesterton. *São Francisco de Assis*. São Paulo: Ecclesiae.

6. Conselho Mundial de Igrejas, organismo internacional dedicado à promoção do diálogo ecumênico entre igrejas cristãs.

E isto é um grande Mistério de amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(11/03/26)

1. Caríssimos, seguir o Senhor Jesus como seus discípulos requer de nossa parte escuta, obediência, disciplina, fidelidade e paciência para vencermos à nós mesmos e nos mantermos em estado de graça, para assim crescermos no conhecimento do seu amor e na prática das suas palavras.

2. De fato, a facilidade de cometer pecados tem levado muitas almas ao desespero e a perdição, por não suportarem ouvir estas palavras do Senhor: "Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me.

3. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?" Ora, quantas vezes já ouvimos essas Palavras do Senhor? Será que realmente a pusemos em prática?

4. O Evangelho de hoje nos mostra como o Senhor Jesus venceu a desobediência e a maldade deste mundo: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." 

5. Decerto, Ele fez isso por meio da obediência perfeita, da submissão amorosa à vontade do Pai, ao submeter-se à morte humilhante de cruz: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres."

6. Portanto, caríssimos, a nossa obediência à Lei perfeita da liberdade nos conduz a Cristo, e Cristo por meio do Seu Santo Espírito nos conduz ao Pai. Mas, tudo isso acontece somente quando renunciamos a nós mesmos, e com Ele portamos a cruz das humilhações deste mundo, seguindo-o fielmente até o fim. 

7. É bem como Ele mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13). Ora, essa "perseverança" até o fim, não é apenas uma adesão à regras, mas uma constância de propósito e confiança, mesmo quando as circunstâncias ao nosso redor digam o contrário. 

8. Destarte, não pensemos que a eternidade virá depois da nossa morte natural, na verdade, nós já a estamos vivendo a cada momento do nosso ser e estar no mundo, porque, como disse São Paulo: "É em Deus que vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28). E isto é um grande mistério. 

9. Em outras palavras, isto quer dizer que, a existência é um ato contínuo de Deus, pois se Ele "retirasse" o Seu pensamento da criação por um milésimo de segundo, tudo deixaria de existir. De fato, existe um grandíssimo propósito do Senhor a nosso respeito, para muito além do que entendemos naturalmente, e que somente a fé pode compreender isso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 10 de março de 2026

Creio que o tempo se aproxima...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(10/03/26)


1. Caríssimos, vivemos ainda o tempo da misericórdia divina, que é um tempo de graça e salvação; mas creio que estamos vivendo seus últimos instantes. Ora, isto se constata pela fúria do inimigo de nossas almas que cresce, conforme a medida do crescimento dos pecados da humanidade. 

2. Todavia, o Senhor nos alerta: "Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados. (Mt 24,22). Ou seja, "Deus detém o controle sobre a duração das provações. ​A "abreviação" do tempo mostra que a misericórdia de Deus intervém antes que o limite da resistência humana seja ultrapassado."

3. Com efeito, nesses últimos tempos assistimos à um triste espetáculo fúnebre como que estupefatos e ao mesmo tempo impotentes como se nada pudéssemos fazer; todavia, sentimos as mesmas agonias e dores das pessoas vilipendeadas em sua dignidade e existência pelas guerras que estão acontecendo atualmente.

4. Outrora os incrédulos ofereciam seus próprios filhos e filhas em sacrifícios aos deuses pagãos; em nossos dias, cristãos e não cristãos, são sacrificados porque não aceitarem a carnificina oferecida aos demônios que instigam os seus súditos à cometerem tamanha aberração. 

5. Mas, atenção, muita atenção pretensos senhores da guerra, não zombem da benevolência divina, pois a mão da justiça do Senhor não os deixará impunes, logo, logo, conhecereis na própria pele as angústias de vossas atrocidades impostas a tantos inocentes. 

6. O tempo se aproxima, a colheita está para começar, que venham os ceifadores, porque o único e verdadeiro Rei dos reis e Senhor dos senhores tem pressa; sua lavoura nos campos deste mundo são as almas redimidas por seu preciosíssimo Sangue derramado em Sacrifício em expiação dos nossos pecados.

7. Os ceifadores são os seus anjos, e já estão a postos, nada do que foi expiado se perderá, tudo será recolhido no seu Celeiro Eterno, o Reino dos céus, a Glória de Deus. Felizes são aqueles que o escutam e põem em prática o que nos ensina para sermos dignos de permanecer na sua presença. 
.
Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Firefox