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quinta-feira, 12 de março de 2026

A grande luta interior contra nós mesmos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(12/03/26)

1. Caríssimos, a grande luta interior que travamos é contra nós mesmos a fim de permanecermos em estado de graça, realizando a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, é bem como nos ensinou São Francisco na décima admoestação: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

2. Eis o que nos ensinou o Senhor Jesus a esse respeito: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Em outras palavras, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. 

3. No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações:

4. "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." (Lc 11,15-26). 

5. Comentando a respeito dessa luta espiritual disse o Papa Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

6. O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

7. A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006). 

8. Portanto, caríssimos, o nosso paraíso neste mundo consiste em nossa obediência a Cristo em todos os sentidos do nosso livre arbítrio. Em outras palavras, é nos mantendo em Cristo, por nossa obediência, que vencemos os inimigos de nossas almas, porque receber Jesus Eucarístico em estado de graça, é participar desde já do Paraíso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de março de 2026

São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católica e Protestantes


São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católica e Protestantes

Rev. Edson Cortasio Sardinha - OFSE

         A história da Igreja cristã é marcada por momentos de unidade e também por períodos de profundas divisões. Entretanto, ao longo dos séculos, Deus levantou testemunhas cuja vida ultrapassa as fronteiras institucionais das igrejas. Entre essas figuras destaca-se São Francisco de Assis, o pobre de Assis, cuja espiritualidade continua a inspirar cristãos católicos e protestantes.

        Mesmo tendo vivido séculos antes da Reforma Protestante, Francisco tornou-se, paradoxalmente, uma figura apreciada também no mundo protestante. Sua vida, profundamente enraizada no Evangelho de Jesus Cristo, oferece um caminho espiritual comum para cristãos de diferentes tradições.


O Evangelho como centro da vida cristã

        O ponto central da espiritualidade de Francisco não foi uma teologia sistemática, mas a simplicidade do Evangelho. Quando ouviu a leitura do envio missionário dos discípulos (Mt 10), ele compreendeu que Deus o chamava a viver literalmente segundo o Evangelho.


Seu desejo era simples: seguir Cristo de forma radical.

        O primeiro biógrafo franciscano, Tomás de Celano, registra que Francisco desejava apenas “viver segundo a forma do santo Evangelho”.¹ Essa expressão tornou-se a base da espiritualidade franciscana.

        Essa centralidade da Palavra de Deus aproxima, em certo sentido, Francisco de ênfases importantes da tradição protestante. Reformadores como Martinho Lutero insistiram que a Igreja deve constantemente retornar à autoridade das Escrituras e ao chamado do Evangelho.²

        Embora Francisco não tenha sido um reformador institucional, sua vida apontava para uma reforma espiritual permanente: voltar ao Cristo do Evangelho.


A pobreza evangélica como testemunho profético

        No início do século XIII, a Igreja vivia um período de grande poder social e econômico. Foi nesse contexto que Francisco escolheu voluntariamente a pobreza.

        Ele desejava viver como Cristo e como os apóstolos. Essa escolha não foi uma rebelião contra a Igreja, mas um chamado profético para que os cristãos redescobrissem a simplicidade do discipulado.

        Por essa razão, diversos historiadores da espiritualidade consideram Francisco uma das grandes vozes de renovação da Igreja medieval.³

        Sua vida lembrava que a Igreja não existe para acumular riquezas, mas para testemunhar o Reino de Deus.


A fraternidade universal

        Outro aspecto profundamente marcante da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal. Francisco via todas as criaturas como parte da criação de Deus. Por isso falava de “irmão sol”, “irmã lua” e “irmã água”.

        Essa visão aparece de forma belíssima no Cântico das Criaturas, um dos textos espirituais mais conhecidos da tradição cristã.

        Essa espiritualidade da criação influenciou profundamente o pensamento cristão moderno, especialmente na teologia da paz, da criação e da reconciliação.

        Não é por acaso que, em tempos recentes, encontros de oração pela paz entre diferentes religiões foram realizados na cidade de Assis, inspirados pelo testemunho de Francisco e convocados por Papa João Paulo II.⁴


A redescoberta protestante de Francisco

        Durante muito tempo, ambientes protestantes mantiveram certa distância da espiritualidade dos santos. Entretanto, ao longo do século XX, muitos cristãos redescobriram a profundidade espiritual da vida de Francisco.

        Teólogos, historiadores e pastores passaram a estudar sua vida não como objeto de devoção, mas como testemunho cristão exemplar.

        O escritor cristão G. K. Chesterton contribuiu muito para essa redescoberta com sua famosa biografia sobre Francisco, apresentando-o como um homem profundamente apaixonado pelo Evangelho.⁵

        Hoje não é raro encontrar comunidades protestantes que estudam a espiritualidade franciscana ou mesmo fraternidades inspiradas em sua vida simples de oração, serviço e amor aos pobres.


Francisco e o espírito do ecumenismo

        O movimento ecumênico busca a unidade visível entre os cristãos sem negar as diferenças históricas entre as igrejas.

        Nesse contexto, o testemunho de Francisco oferece importantes caminhos espirituais:


1. Centralidade de Cristo

Toda a vida de Francisco girava em torno de Cristo crucificado e ressuscitado.

2. Testemunho antes de controvérsia

Ele anunciava o Evangelho mais pelo exemplo de vida do que por disputas teológicas.

3. Humildade e conversão do coração

A verdadeira unidade cristã nasce da humildade, do arrependimento e da reconciliação.

Esses princípios são fundamentais para o diálogo ecumênico contemporâneo e inspiram o trabalho de organismos cristãos internacionais, como o Conselho Mundial de Igrejas.⁶


Conclusão

        A vida de São Francisco continua a falar profundamente à Igreja de hoje.

        Católicos o veneram como santo e fundador de uma das maiores tradições espirituais do cristianismo. Muitos protestantes, por sua vez, o reconhecem como um poderoso testemunho de discipulado evangélico.

        Em tempos marcados por divisões históricas entre igrejas, o pobre de Assis recorda a todos os cristãos uma verdade essencial: quando o Evangelho é vivido com simplicidade e fidelidade, ele se torna uma ponte de comunhão entre os discípulos de Cristo.

        Assim, a vida de Francisco permanece como um convite permanente à Igreja: voltar ao Evangelho, viver em humildade e buscar a unidade no Senhor.


Autor: edsoncortasio@gmail.com


Notas

1. Tomás de Celano. *Vida de São Francisco*. Primeira biografia oficial do santo, escrita no século XIII.

2. Martinho Lutero. Ver especialmente sua ênfase na autoridade das Escrituras e na necessidade de reforma constante da Igreja.

3. LE GOFF, Jacques. *São Francisco de Assis*. Rio de Janeiro: Record.

4. Encontro inter-religioso de oração pela paz realizado em Assis por iniciativa de Papa João Paulo II em 1986.

5. G. K. Chesterton. *São Francisco de Assis*. São Paulo: Ecclesiae.

6. Conselho Mundial de Igrejas, organismo internacional dedicado à promoção do diálogo ecumênico entre igrejas cristãs.

E isto é um grande Mistério de amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(11/03/26)

1. Caríssimos, seguir o Senhor Jesus como seus discípulos requer de nossa parte escuta, obediência, disciplina, fidelidade e paciência para vencermos à nós mesmos e nos mantermos em estado de graça, para assim crescermos no conhecimento do seu amor e na prática das suas palavras.

2. De fato, a facilidade de cometer pecados tem levado muitas almas ao desespero e a perdição, por não suportarem ouvir estas palavras do Senhor: "Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me.

3. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?" Ora, quantas vezes já ouvimos essas Palavras do Senhor? Será que realmente a pusemos em prática?

4. O Evangelho de hoje nos mostra como o Senhor Jesus venceu a desobediência e a maldade deste mundo: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." 

5. Decerto, Ele fez isso por meio da obediência perfeita, da submissão amorosa à vontade do Pai, ao submeter-se à morte humilhante de cruz: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres."

6. Portanto, caríssimos, a nossa obediência à Lei perfeita da liberdade nos conduz a Cristo, e Cristo por meio do Seu Santo Espírito nos conduz ao Pai. Mas, tudo isso acontece somente quando renunciamos a nós mesmos, e com Ele portamos a cruz das humilhações deste mundo, seguindo-o fielmente até o fim. 

7. É bem como Ele mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13). Ora, essa "perseverança" até o fim, não é apenas uma adesão à regras, mas uma constância de propósito e confiança, mesmo quando as circunstâncias ao nosso redor digam o contrário. 

8. Destarte, não pensemos que a eternidade virá depois da nossa morte natural, na verdade, nós já a estamos vivendo a cada momento do nosso ser e estar no mundo, porque, como disse São Paulo: "É em Deus que vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28). E isto é um grande mistério. 

9. Em outras palavras, isto quer dizer que, a existência é um ato contínuo de Deus, pois se Ele "retirasse" o Seu pensamento da criação por um milésimo de segundo, tudo deixaria de existir. De fato, existe um grandíssimo propósito do Senhor a nosso respeito, para muito além do que entendemos naturalmente, e que somente a fé pode compreender isso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 10 de março de 2026

Creio que o tempo se aproxima...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(10/03/26)


1. Caríssimos, vivemos ainda o tempo da misericórdia divina, que é um tempo de graça e salvação; mas creio que estamos vivendo seus últimos instantes. Ora, isto se constata pela fúria do inimigo de nossas almas que cresce, conforme a medida do crescimento dos pecados da humanidade. 

2. Todavia, o Senhor nos alerta: "Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados. (Mt 24,22). Ou seja, "Deus detém o controle sobre a duração das provações. ​A "abreviação" do tempo mostra que a misericórdia de Deus intervém antes que o limite da resistência humana seja ultrapassado."

3. Com efeito, nesses últimos tempos assistimos à um triste espetáculo fúnebre como que estupefatos e ao mesmo tempo impotentes como se nada pudéssemos fazer; todavia, sentimos as mesmas agonias e dores das pessoas vilipendeadas em sua dignidade e existência pelas guerras que estão acontecendo atualmente.

4. Outrora os incrédulos ofereciam seus próprios filhos e filhas em sacrifícios aos deuses pagãos; em nossos dias, cristãos e não cristãos, são sacrificados porque não aceitarem a carnificina oferecida aos demônios que instigam os seus súditos à cometerem tamanha aberração. 

5. Mas, atenção, muita atenção pretensos senhores da guerra, não zombem da benevolência divina, pois a mão da justiça do Senhor não os deixará impunes, logo, logo, conhecereis na própria pele as angústias de vossas atrocidades impostas a tantos inocentes. 

6. O tempo se aproxima, a colheita está para começar, que venham os ceifadores, porque o único e verdadeiro Rei dos reis e Senhor dos senhores tem pressa; sua lavoura nos campos deste mundo são as almas redimidas por seu preciosíssimo Sangue derramado em Sacrifício em expiação dos nossos pecados.

7. Os ceifadores são os seus anjos, e já estão a postos, nada do que foi expiado se perderá, tudo será recolhido no seu Celeiro Eterno, o Reino dos céus, a Glória de Deus. Felizes são aqueles que o escutam e põem em prática o que nos ensina para sermos dignos de permanecer na sua presença. 
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Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

A nossa conversão é um processo contínuo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 4,24-30)(09/03/26)

1. Caríssimos, a virtude da coerência ou autenticidade nos torna inabaláveis, e mesmo se sofrermos rejeição, ameaça de morte e outros impropérios semelhantes, nada nos altera ou tira-nos a calma, porque a transparência de nossas palavras e ações revelam quem somos e a missão que de Deus recebemos para levarmos a bom termo a obra da salvação. É isso o que nos mostra esta liturgia.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus, depois de trinta anos vivendo na simplicidade da Sagrada Família em Nazaré, se dá a conhecer aos seus concidadãos como o Messias enviado, conforme a profecia de Isaías, proclamada por Ele na Sinagoga. Todavia, não foi aceito devido ao preconceito que nutriam, porque o conheciam, mas, não enxergavam quem Ele era realmente. 

3. No entanto, ao ser rejeitado o Senhor lhes respondeu: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria." E deu-lhes o exemplo dos profetas Elias e Eliseu, que distribuíram as bênçãos de Deus a dois estrangeiros diante da incredulidade do povo eleito. Ou seja, Deus se dá a conhecer na simplicidade do Seu Filho, porém, somente os humildes de coração o acolhem e o seguem.

4. De fato, a Palavra do Senhor Jesus é a verdade que cura, salva e faz feliz a quem o ouve com o propósito de converter-se; por outro lado, ela é pedra de tropeço para quem insiste permanecer no pecado, uma vez que o pecado escraviza quem o comete e por isso não se abrem para a conversão e a salvação que o Senhor lhes concede.

5. Portanto, caríssimos, escutemos são Paulo a respeito do processo de conversão: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. 

6.Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2). Ou seja, nós pertencemos a Deus e por isso mesmo precisamos somente viver para Ele. 

7. Destarte, a fé não é um direito que nos é dado para que se possa exigir de Deus milagres, obrigando-o a fazer a nossa vontade; mas sim, uma livre adesão ao seu plano para a nossa salvação que passa impreterivelmente pelo processo de conversão permanente, sem o qual não existe mudança de mentalidade nem comunhão com a sua santa vontade. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 8 de março de 2026

Senhor, da-me de beber da água viva que jorra para a vida eterna...


 Homilia do 3° Dom da Quaresma (Jo 4,5-42)(08/03/26)


1. Caríssimos, a vida naturalmente depende da água e de outros elementos naturais para existir, no entanto, não podemos esquecer que tudo está ligado a Deus, nosso Pai Criador, de modo que sem Ele a vida é impossível. Por isso mesmo, não vivemos por viver, uma vez que Deus tudo criou somente para o nosso bem, e se algo nos falta, é por não correspondermos aos seus desígnios de amor para conosco.

2.De fato, se tem algo que mais nos identifica naturalmente a isso chamamos necessidade, pois, nenhuma criatura existe que não necessite de algo para sobreviver, a começar pelo ar que respiramos de quem dependemos cem por cento. 

3. Porém, em se tratando da fé, ela é o dom do Espírito Santo que nos mantém em perfeita comunhão com Deus, por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. É como está escrito na Carta aos Hebreus: "Sem fé é impossível agradar a Deus. Pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam." (Hb 11,6).

4. De fato, "a água viva de uma fonte exprime também o milagre renovado da vida. Fazendo brotar a água da rocha, Deus se manifesta como salvador do seu povo e o põe em condições de prosseguir a viagem até a terra prometida, como vimos na primeira leitura. No Novo Testamento a água exprime simbolicamente o dom do Espírito Santo para a geração de uma nova humanidade.

5. Cristo, sobre quem desceu o Espírito no momento do batismo, anuncia um renascimento da água e do Espírito, prometendo àqueles que Nele crêem a abundância da água do Espírito que jorra para a vida eterna. Sua pessoa se identifica, pois, com a Rocha (como observa são Paulo recapitulando os "sinais" do deserto, 1Cor 10,4), o novo Templo, a Fonte que sacia a sede de vida eterna." (MR).

6. Portanto, caríssimos, "Encontramo-nos diante da sede de um povo no deserto, da sede de uma mulher no poço. A sede é simbolo de uma necessidade intima, vital, torturante. Além da sede fisiológica há uma sede mais profunda em todo homem, em toda sociedade, em toda comunidade do nosso tempo: buscamos cada vez mais "coisas" para saciá-la; nada nos basta, nada nos satisfaz. 

7. Nossa civilização só nos oferece "bens de consumo", não valores espirituais. Convida-nos ao oportunismo, ao mais fácil, mais seguro, mais cômodo. Os ideais de coerência, de sinceridade, de amor, que existem em todos os homens, são em geral frustrados, traídos por quem os propugna ou pelo individuo incapaz de resistir à pressão dos que o cercam.

8. Todos falam do valor da colaboração, todos reconhecem que somos globalmente responsáveis pelo caminho da humanidade; no entanto, o que encontramos é insensatez, orgulho, instintos de domínio, grandeza, inclinação para a agressividade, para um prazer às vezes exacerbado, incontrolado e irracional." É triste, mas esta é a realidade deste mundo sem Cristo. 

9. Amados irmãos e amadas irmãs, a pergunta que o Senhor Jesus nos faz é esta: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" (Lc 18,8). Examinemos a nossa consciência e a nossa prática de vida, para que realmente respondamos ao Senhor com uma fé viva, humilde, confiante, que lhe seja agradável.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 7 de março de 2026

A parábola dos dois irmãos e o pai misericordioso...

 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-3.11-32)(07/03/26)

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1. Caríssimos, outro dia escrevi: sem perdão não existe salvação, isto porque o perdão é a Porta pela qual o Senhor Jesus entra em nossas almas, e nos mantém em estado de graça para que jamais nos separemos Dele. 

2. De fato, o perdão dos pecados é tão importante para a humanidade que Deus nos enviou o Seu Filho amado para que por Ele alcancemos a salvação e a participação no Seu Reino; por isso, a alma unida a Cristo chega sem nenhum empecilho à vida eterna.
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3. As leituras desta liturgia nos levam ao alívio imediato, porque se Deus nos punisse em proporção aos nossos pecados, nenhuma criatura existiria mais na face da terra. É por isso que Ele nos deu o tempo do livre arbítrio para que arrependidos voltássemos a Ele como fez o filho pródigo da parábola contada pelo Senhor no Evangelho de hoje. 
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4. São Romano, o Melodista (sec. VI), em um dos seus hinos, traduz assim para nós como o Senhor age em nosso favor por sua Divina Misericórdia: "Muitos são os que, pela penitência, se tornaram dignos do amor que tens pelo homem, Tu, que justificaste o publicano pelo seu lamento e a pecadora pelo seu pranto (Lc 18,14; 7,50). E, ao preveres e dares o perdão de acordo com imutáveis desígnios, Te mostras rico de todas as misericórdias (Ef 2,4).
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5. Converte-me também a mim, Tu, que queres que todos os homens se salvem! (1Tim 2,4). A minha alma enodoou-se ao vestir a túnica dos meus erros (Gn 3,21). Mas Tu me alcançarás a graça de fazer jorrar fontes dos meus olhos, a fim de que, pela contrição, seja purificado e digno das tuas núpcias (Mt 22,12).
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6. Veste-me com o manto multicolor (Sl 45,15), Tu, que queres que todos os homens se salvem! Tem compaixão de mim, Pai celeste, tal como tiveste do filho pródigo,
Porque também eu me lanço a teus pés e como ele clamo: "Pai, pequei!" E rejubilarão os anjos com a salvação dum filho indigno (Lc 15,7)."
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7. Portanto, caríssimos, a parábola do filho pródigo apresenta-nos também o irmão mais que se irritou e não quiz entrar na festa do irmão mais novo que se converteu e foi recebido pelo seu pai, que cheio de misericórdia, o acolheu de volta no aconchego do seu regaço. Ora, quem de nós na vida não foi um filho pródigo ou o filho mais velho? Basta examinarmos a nossa consciência.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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