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sábado, 21 de março de 2026

Em Cristo Jesus recebemos todas as graças para a salvação das nossas almas...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,40-53)(21/03/26)

1. Caríssimos, Jesus é Deus conosco, porque assumiu em tudo a nossa natureza, menos o pecado; mas, como vimos no Evangelho de hoje, não foi reconhecido, porque para isto se faz necessário ama-lo muito além do que pensam, falam ou julgam Dele. Aliás, um dos piores pecados da humanidade é o julgamento temerário, ou seja, julgar os outros a partir de ideologias, credo, posição social ou outros critérios humanos desprovidos de discernimento, compreensão, amor e misericórdia.

2. Com efeito, a liberdade que o Senhor Jesus nos apresenta é aquela recebida da vontade do Pai, como Ele disse aos mestres da lei e fariseus: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e foi ele quem me enviou”. (Jo 7,28-29).

3. Em uma outra passagem desse mesmo Evangelho, o Senhor é ainda mais enfático: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).

4. Antes, porém, já os havia advertido: "Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebe-lo... Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?" (Jo 5,43-44).

5. De fato, quem ouve o Senhor Jesus de bom grado e põe em prática tudo o que Ele ensina, experimenta de imediato o fecundo resultado do poder de Sua Palavra, para viver na sua presença em santidade e justiça todos os dias de sua vida conforme a vontade de Deus, nosso Pai celestial. 

6. É bem como meditamos na Primeira Carta de são João: "É assim que conhecemos se estamos em Cristo: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6). Ou seja, precisamos renunciar a nós mesmos para segui-lo fielmente, pois esta é a vontade de Deus que disse: "Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz." (Mc 9,7).

7. Portanto, caríssimos, diante do Senhor Jesus jamais alguém pode ser indiferente, ou o acolhe humildemente ou o julga indevidamente usando de preconceitos e argumentos falaciosos próprios de quem carrega na alma a marca da besta, que é o ódio e seus efeitos maléficos. 

8. E foi isso o que aconteceu no Evangelho de hoje em que os fariseus cheios de preconceitos e falsos argumentos fizeram calar seus oponentes que reconheciam Jesus como profeta. Por isso, eis o que diz o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha." (Mt 12,30) E ainda: "Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10,33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Quem somos por nós mesmos diante de Deus.

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,1-2.10.25-30)(20/03/26)

1. Caríssimos, o que há de mais asqueroso no coração dos homens do que a rejeição a Deus? Porque isso significa a morte de quem se opõe a Ele, que é a única Fonte de vida eterna. De fato, toda oposição só o é porque quer ocupar o lugar do outro indevidamente, usúrpa-lo, desse modo, opôr-se a Deus é querer ser Deus embora sabendo que nunca o será, porque Dele dependemos cem por cento. 

2. Com efeito, é assim que compreendemos o porquê do desequilíbrio deste mundo: tudo o que não permanece no amor de Deus, se perde por falta de comunhão com Ele, por isso, estão sempre em oposição porque se tornaram incapazes de amar; porque Deus é amor, e quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele aqui e por toda a eternidade, como nos ensinou são João na sua primeira Carta (cf. 1Jo 4,8.16).

3. Na primeira leitura tirada do livro de Sabedoria, o escritor sagrado prevê proféticamente o sofrimento de Cristo, depois de ouvir dos seus algozes estas palavras: "Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis.

4. Proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. 

5. E o haigógrafo conclui: "Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras." (Sb 2,1a.12-22). De fato, a última palavra é de Deus e de nenhuma criatura. 

6. E a última Palavra é esta: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos."

7. Portanto, caríssimos, não confundam essas palavras com ideologias políticas, pois, não o são; na verdade, trata-se do Juízo Final a partir do cumprimento ou não dos Mandamentos, dos Sacramentos e das obras de misericórdia. Porque todos sem exceção seremos julgados. No entanto, como escreveu São Paulo, "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios." (Rm 8,28).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Vinde alegre cantemos... Solenidade de São José...


 Solenidade de São José

(Mt 1,16.18-21.24a)(19/03/26)
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1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade de São José, "guardião fiel dos mistérios da salvação", e como vimos no Evangelho de hoje, homem justo e profundamente dedicado à missão que Deus lhe confiou, ou seja, ser o pai adotivo do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, depois da Virgem Maria, são José foi o primeiro a conhecer por revelação divina a chegada do Messias prometido. 

2. A princípio em seu silêncio e humildade, José pensou em abdicar de seu propósito de esposar a Santíssima Virgem Maria, por não entender o que lhe estava acontecendo, exatamente por não querer culpa-la; no entanto, Deus enviou o seu anjo para instruir-lhe em sonho, ao que prontamente ele o atendeu e passou a cumprir os seus desígnios, acolhendo Jesus, como filho adotivo conforme o propósito divino.
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3. Em sua homilia sobre esta solenidade disse São Bernardino de Sena: "Quando a bondade divina escolhe alguém para uma graça singular, dá-lhe todos os carismas necessários, aumentando muito a sua beleza espiritual. Isto verificou-se totalmente com São José, pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Soberana dos anjos.
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4. O Pai Eterno escolheu-o para ser o guardião fiel dos seus principais tesouros: seu Filho e sua esposa, função que ele desempenhou fielmente. Foi por isso que o Senhor lhe disse: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu senhor» (Mt 25,21).
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5. Portanto, caríssimos, a grandeza de José está na sua prontidão. Ele não questiona, não hesita e não pede provas adicionais. Sua fé se traduz em ação imediata. Ele transforma o "sim" de Maria em proteção e providência cotidiana. 

6. De modo que, Celebrar São José é recordar que a santidade muitas vezes se esconde no cotidiano, no trabalho honesto e no cuidado silencioso com o próximo. Ele nos ensina que ser "justo" diante de Deus é saber acolher o inesperado com confiança e coragem. 
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7. Oremos, então, com amor e devoção esta linda oração de são Bernardino de Sena, dedicada a São José: "Lembra-te de nós, bem-aventurado José, intercede junto de teu Filho adotivo com o socorro da tua oração, e conquista-nos o favor da bem-aventurada Virgem, tua Esposa, que é a Mãe daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos." Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de março de 2026

Com Cristo vivemos para muito além dos limites de nossa natureza...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(18/03/26).


1. Caríssimos, a superficialidade da vida consiste em deixar as coisas santas pelas profanas; em deixar as coisas eternas pelas mundanas; deixar o silêncio interior pelo barulho ensurdecedor deste mundo; e o resultado nefasto desse desvario não poderia ser outro, ou seja, maldade, violência e todo tipo de desequilíbrio que leva à morte e a perdição eterna dos que seguem essa via. 

2. No entanto, ainda estamos no tempo da Divina Misericórdia e por isso nem tudo está perdido, pois, o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é a Fonte inesgotável do amor e da misericórdia do Pai, e se faz realmente presente neste mundo para perdoar e salvar todos os pecadores arrependidos por meio da Sua Santa Igreja, Sacramento universal da Salvação, e a parte visível do Reino de Deus no seio da humanidade.

3. E isto está comprovado por estas Palavras do Senhor: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19).

4. De fato, sem essa autenticidade ninguém se salvaria, pois, se dependesse de nós pecadores não existiria mais nenhuma criatura na face da terra. Ora, da boca do Profeta Isaías ouvimos estas palavras: "Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. 

5. Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti." Ou seja, Deus está atento a tudo o que nos acontece, pois, como prometeu, jamais nos abandona.

6. No Evangelho de hoje ouvimos o diálogo entre o Senhor Jesus e os judeus, e como seus algozes reagiram à este Seu ensinamento: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus." Ou seja, quem se fecha para o amor de Deus, condena-se à uma vida de ódio e injustiças, por conta da maldade que cultiva.

7. Oremos: Senhor Jesus, Filho amado de Deus, escuta as nossas súplicas e dá-nos a graça da perseverança final; não permitas que sejamos vencidos pelas tentações e astúcias do inimigo; dá-nos Senhor por teu infinito amor a vitória sobre todo o mal, pelos méritos de tua Mãe, Maria Santíssima, e de São José seu castíssimo esposo, e de todos os santos e santas que participam contigo da tua glória eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O Senhor Jesus é a Fonte de água viva que jorra para a vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,1-16)(17/03/26)

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1. Caríssimos, a água é símbolo de vida, de limpeza, de purificação, de remédio para todos os males; ela e todas as outras criaturas são dons de Deus, sinais do seu amor e da sua bondade. No Cântico das Criaturas assim cantou são Francisco de Assis louvado a Deus pela irmã água: "Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água, que é muito útil e humilde, e preciosa e casta."


2. O Senhor Jesus, ao referir-se ao estado de graça de nossas almas, comparou-se à Fonte onde bebemos o Espírito Santo: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)."

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3. Na primeira leitura o Profeta Ezequiel teve uma visão profética onde Deus lhe mostra, por meio do Seu anjo, o templo repleto de água viva simbolizando o transbordamento do Espírito Santo na vida de seus filhos e filhas, exatamente como vimos acontecer no dia de Pentecostes (cf. At 2).

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4. Em outras palavras, isso quer dizer que a nossa convivência com o Senhor é fundamental para crescermos no conhecimento do seu amor e de todas as outras virtudes que nos levam à perfeita comunhão com Ele e entre nós; bem como nos ensinou São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança." (Ef 4,3-5)

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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus se aproxima de um homem que há 38 anos esperava que alguém o ajudasse à banha-se nas águas da piscina de Siloé para ser curado de sua paralisia. Porém, ao crê na Palavra do Senhor, ficou curado de imediato, pois, de fato, Jesus é a Fonte de Água viva que veio a este mundo para nos purificar de todo pecado e nos libertar de todos os males.

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Portanto, caríssimos, rezemos esta simples oração composta por Santo Efrém (Sec. IV): "Verte, Senhor, sobre a minha fraqueza, o teu orvalho; pelo teu Sangue [derramado], perdoa os meus pecados. Que eu seja incluído no número dos teus santos, e sentado à tua direita." Permaneça para sempre. Amém! Assim seja!

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de março de 2026

O homem vê a aparência; Deus vê o coração...

 


Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1-41)(15/03/26)

1. Caríssimos, o tema da liturgia deste quarto domingo da Quaresma é a luz de Deus que ilumina as nossas almas e nos arranca das trevas do pecado que nos mantinha fechados em nós mesmos nos impedindo de enxergar a luz de Cristo. Sem dúvida, diariamente convivemos com a realidade cruel que se abate sobre a humanidade por conta da violência advinda dos pecados praticados neste mundo.

2. Decerto, esse tema está na raiz do anúncio profético da vinda do Messias como profetizou Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz." (Is 9,1.5). 

3. Na primeira leitura o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher o ungido do Senhor pela aparência. "Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7). Samuel, então, seguiu as instruções do Senhor e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. 

4. De fato, se tem algo que não falta neste mundo diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, Ele é o Messias prometido que veio ao mundo para nos salvar. Por isso, não somos mais escravos do pecado e nem do maligno que gerou o pecado. 

5. No entanto, não basta ser batizado, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor Jesus para obedece-lo em tudo, e não ceder às tentações e ao pecado, que nos leva à perca da graça da felicidade eterna, fazendo-nos amargar com isso o vazio e a tristeza que o pecado gera.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um cego de nascença, e assim realiza a vontade do Pai; mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi equivocadamente julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei do sábado como se Deus fosse obrigado a derramar suas graças segundo os critérios humanos. 

7. Por outro lado, o homem que foi curado, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acreditar e acolher o Senhor, mas não acreditaram nem o acolheram.

8. Portanto, caríssimos, prestemos atenção na conclusão deste Evangelho: "Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece." (Jo 9,39-41). Ou seja, o orgulho e a soberba são pecados gravíssimos que cega aqueles que os comete. 

9. Destarte, não sabemos quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, como disse o Senhor; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá na íntegra; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de março de 2026

A virtude da humildade nos leva ao coração de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(14/03/26)

1. Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que depois da queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupicência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual. 

2. Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Uma dessas virtudes é a humildade que nos leva ao arrependimento e nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.

3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus, conta a parábola do fariseu e do publicano, nos ensinando que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus, nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, não subsiste por si mesma. Na verdade, somos tão frágeis que não passamos de um sopro de vida que se esvai. 

4. Decerto, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada pelo Senhor Jesus? Em primeiro lugar, quando a prática religiosa não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, dentre elas a humildade, torna-se um culto de adoração a si mesmo, à própria imagem e não a Deus, transformando-se num viver de aparências. 

5. Por outro lado, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos. Como vimos no exemplo do cobrador de impostos que reconhecendo seus pecados disse em sua oração: "Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!" 

6. Portanto, caríssimos, escutemos o que são Pedro nos ensinou a esse respeito: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."

7. Destarte, o maior ato de humildade é o que nos deu o Senhor Jesus ao rebaixar-se à nossa pequenez para nos exaltar por sua Divina Misericórdia, bem como nos ensinou São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.

8. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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