Festa Dos Apóstolos São Simão e São Judas Tadeu (Lc 6,12-19)(28/10/26)
1. Amados irmãos e amadas irmãs, a Igreja hoje celebra a Festa dos Apóstolos São Simão e São Judas Tadeu, que foram martirizados ao anunciarem o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, a remissão dos pecados e a vinda do Reino de Deus quando da Sua Parusia, ou seja, da sua vinda gloriosa.
2. Aliás, o próprio Senhor assim os enviou: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,19-20). Ou seja, a Igreja é Cristo, e Cristo é a Igreja, e nós somos os seus membros, da qual Ele é a cabeça.
3. Comentando esse Evangelho, disse o Papa Bento XVI: "Ao escolher os Doze, introduzindo-os numa comunhão de vida consigo mesmo e tornando-os participantes na sua missão de proclamar o Reino por palavras e obras, Jesus revela que chegou o momento definitivo em que o povo de Deus, o povo das doze tribos, se constitui uma vez mais, e se torna agora um povo universal, a sua Igreja.
4. Pela sua própria existência, os Doze - chamados de diferentes origens - tornam-se um apelo a todo o Israel para se converterem e se deixarem reunir na Nova Aliança, o cumprimento pleno e perfeito da Antiga. Decerto, essa é a prova de que a nossa salvação é obra de Deus e não dos homens, pois se fosse depender somente deles não haveria salvação alguma.
5. De fato, os doze Apóstolos são assim o sinal mais claro da vontade de Jesus no que diz respeito à existência e missão da sua Igreja, a garantia de que não há oposição entre Cristo e a Igreja: eles são inseparáveis, apesar dos pecados dos homens que a compõem.
6. Um slogan da moda há alguns anos atrás, dizia: "Jesus sim, Igreja não" é, portanto, completamente irreconciliável com a intenção de Cristo. Este Jesus individualista escolhido é um Jesus fantasioso. Não podemos ter Jesus sem a realidade que Ele criou e na qual Ele permanece e se comunica. Entre o Filho de Deus feito carne e a sua Igreja existe uma continuidade profunda, inseparável e misteriosa, em virtude da qual Cristo está hoje presente no seu povo.
7. Ele é sempre contemporâneo conosco, é sempre contemporâneo na Igreja construída sobre a fundação dos Apóstolos, e está vivo na sucessão Apostólica. E esta presença dos Seus na comunidade, na qual Ele próprio se nos dá sempre, é a razão da nossa alegria. Sim, Cristo está conosco" na Sua Igreja, que é a parte visível do Reino de Deus neste mundo.
8. Portanto, caríssimos, pensar a Igreja sem Cristo, essa não existe, pois não é uma instituição humana, mas sim divina, como o Senhor mesmo afirma: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria OFMConv.