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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

O VERDADEIRO SENTIDO DA LEI...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mc 2,23-28)(18/01/22)

Caríssimos, sabemos que para melhor organizar o nosso viver de cada dia existem as leis, as regras e os mandamentos que nos disciplina evitando de nos perdermos no labirinto da própria vontade desgovernada. Ora, mas tal disciplina não pode ser algo tão rígido que não dê espaço para a espontaneidade e a concórdia que traz o equilíbrio evitando exageros.

Desse modo, quando a vida é vivida como expressão da presença de Deus, ela se torna mais leve, pois, quando as nossas relações estão impregnadas das virtudes da humildade, do amor, da bondade, da solidariedade e de todas as outras virtudes eternas, isso é sinal da presença do Espírito Santo em nossas almas, que torna o nosso convívio fraterno repleto de compreensão e bem estar para todos.

Com efeito, no Evangelho de hoje, os Fariseus que eram tidos como puros, e por isso, se achavam no direito de julgar, criticar e condenar os que não seguissem o seu jeito rígido de observar as leis de Deus, se voltaram contra Jesus e os seus discípulos como se fossem transgressores da lei. "Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”

Portanto, caríssimos, muito cuidado com o fermento dos Fariseus que incha os egos, os tornando cegos a ponto de não enxergarem a beleza da liberdade humana repleta de misericórdia e caridade que potencializa a nosso viver em Deus. Por isso, bem nos ensinou o Senhor Jesus: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”. Ou seja, sem amor e misericórdia a lei se torna letra que mata quem a interpreta sem o seu verdadeiro sentido que é a salvação de todos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 16 de janeiro de 2022

HOMILIA DO 2°DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 2°Dom do tempo comum (Jo 2,1-11)(16/01/22)

Caríssimos, mesmo sendo batizados e tendo recebido o dom do Espírito Santo, enfrentamos uma grande luta interior entre a vida carnal e o estado de graça recebido, porém, isso só ocorre porque fomos libertados por Cristo da escravidão do pecado e do poder do inimigos de nossas almas; desse modo, o Senhor nos concede as armas espirituais necessárias para vencermos todas as batalhas que travamos. 

São Paulo na primeira Carta aos Coríntios nos ensina que as tentações mesmo sendo constante não é superior às forças naturais e sobrenaturais que recebemos de Deus, nosso Pai celestial: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13).

De fato, quem vive em estado de graça experimenta a constante presença do Senhor Jesus em todas as lutas espirituais e vence todas elas por conta da sua proteção que nos vem das armas espirituais com as quais lutamos. São elas: a obediência à Sua Palavra, a vivência dos Santos Sacramentos da Santa Igreja, a vida de oração e a prática das virtudes eternas; pois estes são meios pelos quais nos mantemos em comunhão com o Senhor e entre nós.

O Evangelho de hoje narra o primeiro milagre de Jesus ocorrido nas bodas de Canaã por intercessão da Sua Mãe, Maria Santíssima. Chama-nos atenção o cuidado de nossa Senhora para com os noivos que a havia convidado para às suas bodas, como de igual modo haviam convidaram Jesus e seus discípulos. Ora, quando Maria deu conta que não havia mais vinho, logo intercedeu junto ao seu Filho amado em favor dos recém casados evitando com isso a decepção dos convivas e ainda proporcionou a realização do Seu primeiro milagre.

Portanto, caríssimos, esta liturgia nos conduz pela via da obediência da Santíssima Virgem Maria ao se Filho amado, que atendendo o seu pedido, realizou o milagre necessário que transformou a todos que ali estavam. Destarte, esse episódio nos mostra que a oração e a obediência transforma a água da nossa naturalidade em vinho novo que nos salva.

"Disse a Mãe de Jesus aos serventes: Fazei tudo o que ele disser! E Jesus ordenou que enchesse aquelas seis talhas com água, que foi transformada em vinho." 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

CONVERSÃO DE SÃO MATEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,13-17)(15/01/22)

Caríssimos, Deus é amor infinito e nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos conduzir até à sua glória eterna; por outro lado, somos tentados a não amar a Deus, a não seguir o Seu Filho; a confiar em nós mesmos ou a nos deixar conduzir pelas ideologias deste mundo; e caso nos deixemos seduzir pois tais tentações, perdemos o estado de graça advindo da nossa confiança inabalável Nele.

Com efeito, esta liturgia de hoje nos ensina que Deus nos conhece muito bem, e por isso mesmo, nos dá a conhecer a sua vontade, no entanto, precisamos viver o seu chamado segundo o seu querer, porque somente assim podemos cumprir todos os seus desígnios a nosso respeito. Bem como vimos na escolha de Saul na primeira leitura, em que o Profeta Samuel o ungiu rei de Israel cumprindo assim a vontade de Deus.

O Evangelho de hoje narra a vocação de Levi (Mateus), que era cobrador de impostos, nos mostrando que não importa a condição em que nos encontramos, mas sim a nossa disposição em seguir o Senhor Jesus, mesmo que tenhamos de abandonar os nossos planos, como vimos a seguir: "Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu."

Ora, o que nos ensina esse chamado? Primeiro, o Senhor Jesus nos chama, mas também aceita o nosso convite para entrar em nossa vida e a partir de nossa condição nos levar à cura e a libertação total dos nossos pecados, como Ele mesmo disse: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

De certo, por sua misericórdia, o Senhor Jesus nos levar a rever o nosso modo de viver a fé, para não caímos no mesmo pecado dos fariseus de julgar a tudo e a todos e assim tentar impedir a ação da graça de Deus que leva à conversão todos os pecadores que escutam o seu chamado e se deixam conduzir por Ele, como fez Mateus e os que estavam ceando em sua casa com o Senhor Jesus.

Portanto, caríssimos, como nos ensinou o Profeta Isaías: "Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros? Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome, o qual é tão rico de força e dotado de poder, que ninguém falta ao seu chamado." (Is 40,26). Destarte, Deus chama a todos pelo nome não importa o lugar ou a condição em que se encontram, importa mesmo é escutar o seu chamado e seguir as pegadas do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, no seio da Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

QUEM FAZ A VONTADE DE DEUS NÃO SE DEIXA ENGANAR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 4,12-17.23-25)(03/01/22)

Amados irmãos e irmãs, a liturgia de hoje trata do discernimento que precisamos para não nos deixar enganar pela multiplicidade de doutrinas estranhas que aflora neste mundo, como nos ensina são João: "Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; e todo espírito que não professa a fé em Jesus não é de Deus; é o espírito do Anticristo."

De certo, perguntemos, onde está a astúcia contra essa passagem da primeira Carta de São João? Se encontra naqueles que professam o nome de Jesus, mas negam a Sua Santa Igreja, negam a autoridade do Santo Padre, negam Maria Santíssima a ponto de despreza-la; negam a intercessão dos santos e santas; negam os Sacramentos; e outros ainda apresentam um falso evangelho em que professam a reencarnação; ora, tudo isso só traz confusão e divisão que são artimanhas próprias do anticristo.

No Evangelho de hoje, após saber da prisão de João Batista, o Senhor Jesus foi habitar em Carfarnaum cumprindo a profecia de Isaías, e começou a sua missão como conta o relato: "Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo." 

Portanto, caríssimos, escutemos são Paulo nos alertando contra aqueles que usam o nome de Jesus para difundirem doutrinas estranhas: "Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à graça de Cristo para um evangelho diferente. 

De fato, não há dois (evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!"

Destarte, escutemos mais uma vez são João: "Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Todo aquele que proclama o Filho tem também o Pai. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, permanecereis também vós no Filho e no Pai. Eis a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Era isto o que eu vos tinha a escrever a respeito dos que vos seduzem." (1Jo 2,23-26).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 2,1-12)(14/01/22)

Caríssimos, nós que recebemos no batismo o dom da fé somos constantemente desafiados, devido a nossa finitude, a confiarmos em nós mesmos e nas nossas próprias forças, como vimos na primeira leitura em que o povo pediu ao Profeta Samuel para ser governado por um rei como as outras nações, e com isso, rejeitou a proteção divina, causando a própria ruína.

De fato, pensar que podemos nos governar sem o auxílio da graça de Deus, é esquecer que não passamos de um sopro de vida e nada mais. Todavia, nos perguntemos, como nos deixar conduzir pela fé diante dos constantes desafios, seja das tentações do inimigo de nossas almas, seja das ameaças de tantos males advindos dos pecados aqui cometidos? 

A resposta se encontra no amor com que amamos o Senhor observando os seus santos mandamentos, e por isso, não nos deixemos abalar por nada que seja contrário à Sua Vontade, pois, o Senhor é fiel e jamais permitirá que sejamos vencidos nesta guerra que travamos contra as forças maléficas que se revelam pelas maldades praticadas nesta terra de exílio que estamos atravessando.

O Evangelho de hoje narra a cura do paralítico que fora transportado por quatro amigos de fé, que solidários com a sua dor, venceram todos os obstáculos e o levaram até o Senhor Jesus. Ora, a primeira graça alcançada foi o perdão dos pecados e a cura da alma; e a segunda foi a cura física em resposta aos mestres da lei que acusavam interiormente o Senhor Jesus de blasfêmia por dizer: “Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Portanto, caríssimos, esta liturgia de hoje nos ensina que por meio de Sua Santa Igreja, o Senhor Jesus nos governa à medida que pomos em prática os seus ensinamentos, e como aqueles homens de fé, transportamos os que encontramos paralisados devido os pecados praticados ou por viverem afastados do Senhor pela não prática da fé.

Destarte, escutemos com atenção este conselho de são Paulo: "Irmãos, ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,2.9-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

OBEDIÊNCIA E COERÊNCIA ANDAM JUNTAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,40-45)(13/01/22)

Caríssimos, o estado de graça nasce da obediência à vontade de Deus expressa nos santos mandamentos, nos ensinamentos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nos escritos dos Apóstolos e da Santa Igreja; pois, não basta dizer que se crê em Deus, é preciso coerência entre o que se professa e a prática de tal profissão, caso contrário, se cai no pecado da hipocrisia por conta do falso testemunho apresentado.

Com efeito, esta liturgia de hoje nos mostra que a vivência da fé não exclui ninguém por mais pecador ou desprezado que seja pela sociedade, porém, isso não significa ser conivente com os pecados praticados, mas sim, de tratar com misericórdia os que foram atingidos pelos próprios pecados. Pois, é exatamente isso o que vimos no Evangelho de hoje em que o Senhor Jesus curou um leproso que lhe suplicou a cura.

No entanto, o que mais nos chama a atenção é a desobediência do leproso que havia sido curado pelo Senhor, pois, apesar de receber uma firme advertência para não divulgar a cura, ele fez totalmente o contrário, e com isso, impediu até certo ponto a fluidez da evangelização como o Senhor Jesus o havia planejado. Daí percebemos que nem todos são enviados a proclamar a obra do Senhor, mas todos são chamados à obediência que lhe é devida.

São Paulo VI, em sua homilia sobre o dia mundial do leproso, disse: "O gesto afetuoso de Jesus, que Se aproxima dos leprosos para os reconfortar e curar, tem a sua expressão plena e misteriosa na sua Paixão. Torturado e desfigurado pelo suor de sangue, pela flagelação, pela coroação de espinhos, pela crucifixão; abandonado por aqueles que esqueceram o bem que Ele lhes tinha feito, na sua Paixão, Jesus identifica-Se com os leprosos, tornando-se sua imagem e símbolo."

Portanto, caríssimos, ainda nas palavras de são Paulo VI: "A Igreja sempre foi fiel à sua missão de anunciar a palavra de Cristo, unida a gestos concretos de misericórdia solidária para com os mais humildes, para com os últimos. Ao longo dos séculos, tem havido um crescendo de dedicação impressionante e extraordinária às pessoas afetadas pelas doenças humanamente mais repugnantes.

A história põe claramente em evidência que os cristãos foram os primeiros a preocupar-se com o problema dos leprosos. O exemplo de Cristo fez escola, e deu muitos frutos em atos de solidariedade, de dedicação, de generosidade e de caridade desinteressada."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

O PODER DA ORAÇÃO PURA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 1,29-39)(12/01/22)

Caríssimos, como ainda não atingimos a plenitude da perfeição das virtudes que nos fazem santos, continuamos em luta contra nós mesmos e contra os perigos que percebemos da parte do inimigo de nossas almas; no entanto, enquanto estivermos nestas batalhas diárias, o Senhor estará sempre conosco nos concedendo as graças e bênçãos necessárias para permanecermos em comunhão com Ele, é isso o que nos ensina esta liturgia de hoje.

Todavia, nesta luta interior e exterior, a arma fundamental é a oração pela qual encontramos o Senhor e com Ele dialogamos com a finalidade de permanecermos fiéis à sua santa vontade para assim vencermos todas as tentações e todos os males. Se percebermos bem, entenderemos que somos tão preciosos aos olhos de Deus que Ele sacrificou seu próprio Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos dar a salvação eterna.

No Evangelho de hoje vemos o exemplo de oração de intercessão dos Apóstolos, do povo que trouxe seus enfermos e endemoniados para serem curados pelo Senhor Jesus, e o exemplo da oração do Senhor. Em todas essas situações vemos o quanto é fundamental esse dom e como o nosso Pai celestial responde a todas elas libertando e salvando a todos que o procuram por meio do Seu amado Filho.

São João Cassiano (sec. IV) assim escreveu sobre o dom da oração: "A oração modifica-se a cada instante, segundo o grau de pureza a que a alma chegou, mas também conforme a sua disposição atual, que pode ser espontânea ou devida a influências exteriores; e é certo que não permanece sempre idêntica a si mesma em cada pessoa.

Rezamos de forma diferente conforme temos o coração leve ou pesado de tristeza e desesperança; na embriaguez da vida sobrenatural ou na depressão de tentações violentas; quando imploramos o perdão dos nossos pecados ou quando pedimos uma graça, uma virtude, a cura de um vício; na compunção que o pensamento do inferno e o temor do juízo nos inspiram ou quando ardemos no desejo e na esperança dos bens futuros.

No meio de perigos e adversidades ou em paz e segurança; quando nos sentimos inundados de luz pela revelação dos mistérios do Céu ou quando estamos paralisados pela esterilidade da virtude e a secura do pensamento. Estes vários modos de oração serão seguidos por um estado ainda mais sublime e de elevação ainda mais transcendente: é um olhar só para Deus, um grande fogo de amor, onde a alma se funda e se afunda na santa dileção, entretendo-se com Deus como com um Pai, com enorme familiaridade, numa ternura de piedade toda especial."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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