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sexta-feira, 17 de abril de 2026

O poder de Deus é a manifestação do seu amor e da sua justiça...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,1-15)(17/04/26)

1. Caríssimos, eis a noção que temos de poder: o pode é uma força benéfica que age sempre em vista do bem que vem de Deus. Por outro lado, se age sem a graça de Deus, se torna uma força maléfica contrária ao bem, por isso, tende à autodestruição, porque sem a graça de Deus nenhum poder subsiste por si mesmo.

2. Com efeito, o poder de Deus é a manifestação do seu amor, da sua bondade e da sua misericordia para com todos; enquanto, o poder do maligno se manifesta pela mentira, arrogância e toda espécie de maldade, por isso, é insuportável, e sempre contrário a Cristo e aos seus santos mandamentos. Sem dúvida, fomos salvos por Cristo, mas ainda estamos numa zona de combate espiritual.

3. Na primeira leitura vemos a manifestação destes dois tipos de poder; Gamaliel, um fariseu membro do Sinédrio, aconselhou os demais membros a não lutarem contra o poder de Deus, porque eles queriam matar os Apóstolos por ensinar o povo em nome de Jesus, o qual tinha sido crucificado por ordem dos membros do Sinédrio, e que os Apóstolos afirmavam haver ressuscitado dos mortos e em seu nome realizavam prodígios e milagres.

4. No Evangelho de hoje vemos a manifestação do poder de Deus como narra são João: "Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes." Vendo tão grande multidão faminta vindo ao seu encontro o Senhor Jesus teve compaixão e providenciou junto com os Apóstolos alimento para todos multiplicando cinco pães e dois peixes a ponto de sobrar doze cestos. Ou seja, a providência divina age sempre em nossa vida desde que busquemos o Senhor Jesus de todo o nosso coração.

5. Portanto, caríssimos, por esses exemplos vemos que a vida vivida segundo a vontade de Deus é plena de satisfação, pois, o Senhor tudo providencia para que nada nos falte uma vez que Dele dependemos cem por cento. Por outro lado, quem pensa ser autossuficiente, na verdade, menospreza o poder de Deus, por isso, vive afundado na lama fétida do pecado da indiferença e da incredulidade.

6. Destarte, tudo o que é mal perde o sentido de ser, é vazio existecial, infelicidade permanente, por viver ausente da vontade de Deus. Desse modo, compreendemos que o inferno nada mais é do que a total ausência de Deus por toda a eternidade. 

7. De fato, as almas que não crêem vivem em permanente agonia, não conseguem ter paz, vivem num abismo de insatisfação dilacerante, numa tristeza mórbida, depressiva, infernal. E isso constatamos ao examinarmos esta sociedade desvairada, egocêntrica, perversa, malvada, sem nenhum sentido de ser.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A única força criativa é o Amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,31-36)(16/04/26)

1. Caríssimos, desde o início da criação o poder sempre foi uma das maiores tentações que o ser humano sofreu e continua sofrendo; e para aqueles que não o enxergam como um serviço, ele é uma droga maléfica capaz de cegar os que o detém levando-os para o mais terrível abismo onde não há salvação.

2. Decerto, é exatamente isso o que meditamos nesta liturgia. Na primeira leitura, o Sumo sacerdote alimentava um ódio tão grande contra Jesus que nem mencionava o seu nome e ainda proibiu os Apóstolos de ensinar e realizar prodígios no Santo Nome do Senhor. 

3. No entanto, a resposta de Pedro foi bem clara: "O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador." Ou seja, ninguém jamais poderá impedir a obra da salvação, porque o Senhor a realizou pelo seu sacrifício de cruz.

4. São Maximiliano Kolbe, antes de ser assassinado num campo de concentração nazista havia escrito: "O ódio não é uma força criativa; a força criativa é o amor." De fato, esse seu pensamento é uma inspiração divina, tendo como base o que escreveu são João: "Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino." (1Jo 3,14b-15).

5. Por isso, fiquemos atentos às tentações do ter e do poder, para que não sejamos contaminados pelo fermento dos Fariseus e dos mestres da lei, que usaram do poder que detinham, não para encontrar Jesus e segui-lo; mas, para persegui-lo e tirar-lhe a vida, como também dos seus seguidores. No entanto, Deus o ressuscitou dos mortos, e por Ele nos deu a vida eterna.

 6. Diante disso, somos convidados a seguir o caminho da humildade e do testemunho, reconhecendo que todo o poder terreno é passageiro, enquanto o Poder de Deus permanece para sempre. Seguir a Cristo exige a coragem de Pedro para obedecer a Deus antes que aos homens, transformando nossa autoridade e nossos dons em instrumentos de salvação. 

7. Portanto, caríssimos, que o exemplo de São Maximiliano nos recorde que, mesmo nas trevas mais profundas da opressão, o Amor é a única força que vence o ódio e a morte. Vivamos, pois, como autênticos filhos de Deus, servindo-nos uns aos outros com alegria, depositando nossa esperança Naquele que venceu o mundo e nos chama à perfeita comunhão de amor no Seu Reino.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Nada se compara ao infinito amor de Deus por nós...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,16-21)(15/04/26)

1. Caríssimos, que o mundo vive mergulhado no pecado, na desobediência e na maldade não temos dúvida, e isso constatamos pelo resultado nefasto que se abate sobre a humanidade, presente nas catástrofes naturais; nas doenças, nas guerras, nas discórdias e desavenças, como estamos constatando neste exato momento. De fato, se continuar assim este mundo se encaminha para um trágico fim.

2. No Evangelho de hoje dando continuidade ao seu colóquio com Nicodemos, disse o Senhor Jesus: "Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 

3. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito."

4. "Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus."

5. Decerto, como vimos nesse Evangelho, o Senhor Jesus nos revela a sua missão neste mundo, e com um certo pesar, nos mostra que mesmo se sacrificando pela salvação da humanidade, muitos não acreditarão Nele e por isso serão condenados. 

6. Sem dúvida, é muito triste essa constatação; no entanto, nem tudo está perdido, pois, os que se converterem e o acolherem no seu convívio, terão a vida eterna, é isso o que Ele nos garante como prova do seu amor por nós ao ser sacrificado na cruz.

7. Portanto, caríssimos, sejamos perseverantes na oração do coração, na vivência dos Sacramentos, na obediência à Sua Santa Palavra e na prática das obras de misericórdia, pois, elas são sinais de nosso desapego às coisas deste mundo; e da renúncia de nós mesmos em busca da conformidade à vontade de Deus Pai que nos deu o Seu Filho amado para sermos salvos por Ele. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Exemplos como estes nos convencem...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,7b-15)(14/04/26)


1. Caríssimos, num mundo egoísta, dividido e destruído por todo tipo de pecado como o nosso; Deus nos mostra exemplos bíblicos que são para nós uma fonte inesgotável de inspiração para que a nossa prática de vida revele a presença do Espírito Santo agindo no meio de nós como nas primeiras comunidades. 

2. Vejamos, por esta narração, o quanto este mundo está distante da verdade que o liberta. "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum." ou seja, a unidade perfeita advinda da renúncia, do desapego dos bens materiais. 

3. "Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um." Ou seja, caridade fraterna, solidariedade, doação total.

4. "Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos." Em outras palavras, quando vivemos ressuscitados com Cristo, é o Senhor mesmo quem nos governa, nos tornando um só com Ele.

5. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus mostra ao doutor da Lei, Nicodemos, que é necessário nascer do alto, ou seja, da água e do Espírito Santo para a vida eterna. Com isso, compreendemos que o batismo que recebemos é o novo nascimento em estado de graça no seio da Sua Santa Igreja, sinal visível da nossa participação no Reino de Deus.

6. Portanto, caríssimos, não basta ser batizados, é preciso viver em conformidade com a vontade de Deus expressa nas primeiras comunidades, e também nesse nosso tempo, nas novas comunidades renovadas pelo sopro do Espírito Santo.

7. Destarte, escutemos com atenção esta exortação de são Paulo: "Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei." (Gl 5,24-25.23).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ninguém pode impedir a obra da salvação...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,1-8)(13/04/26)

1. Caríssimos, no Evangelho de hoje ouvimos Jesus dizer: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito." Com isso, entendemos que o nosso Batismo é a porta de entrada no Reino de Deus.

2. Em outras palavras, isso significa que pelo Sacramento do Batismo o Espírito Santo nos gerou na ordem da graça para a vida eterna. Ou seja, do mesmo modo que Ele gerou Jesus no seio da Virgem Maria, também nos gerou no seio da Santa Igreja para vivermos como filhos e filhas de Deus, ressuscitados com Cristo. 

3. São Paulo, na Carta aos Romanos, assim se expressou à esse respeito: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição." (Rm 6,3-5).

5. Portanto, caríssimos, oremos com a oração da bênção da água batismal feita durante a Vigília Pascal: "Senhor Nosso Deus: pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos tempos, preparastes a água para manifestar a graça do Batismo. Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas, prefigurando o seu poder de santificar. 

6. O vosso Filho, Jesus Cristo, ao ser batizado por João Batista nas águas do Jordão, recebeu a unção do Espírito Santo; suspenso na cruz, do seu lado aberto fez brotar sangue e água e, depois de ressuscitado, ordenou aos seus discípulos: «Ide e ensinai todos os povos e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19).

7. E como pediram os teus discípulos no cenáculo após a liberação de Pedro e João: "Agora, Senhor, concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus". (At 4,29-30). Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 12 de abril de 2026

Meu Senhor e meu Deus!


 Homilia do 2°Dom da Páscoa (Jo 20,19-31)(12/04/26)

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1. Caríssimos, neste segundo domingo da Páscoa do Senhor, a Igreja celebra a Grande Festa da Divina Misericórdia; esta Festa nos mostra que o Coração Misericordioso de Jesus está sempre aberto para acolher todos os que a Ele recorrem em busca do perdão e da misericórdia que lhes oferece para voltarem à perfeita comunhão com a vontade do Pai no seio da Sua Santa Igreja.
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2. Na primeira leitura de hoje, a comunidade reunida em torno de Pedro e dos demais Apóstolos, experimenta os prodígios que o Senhor Jesus realiza como fruto de sua ressurreição e de sua presença real no meio deles. 
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3. De fato, esses prodígios são a constatação de que a nossa fé é convivência real com o Senhor Ressuscitado; é também demonstração do que significa viver a unidade do Espírito no vínculo da paz que Ele gera em nossas almas. 
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4. Decerto, para coroar a profundidade desta liturgia meditemos o Evangelho de hoje, onde vemos o quanto é necessário a nossa presença permanente na comunidade que Deus nos deu para vivermos o seu amor entre nós. 
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5. Sem dúvida, foi por sua ausência na comunidade apostólica, que Tomé, como que perdeu a fé, pois, mesmo ouvindo o testemunho dos outros Apóstolos não acreditou; somente quando encontrou Jesus no seio da comunidade é que retornou à fé e a professou, dizendo humildemente: "Meu Senhor e meu Deus!" 
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6. Comentando este Evangelho disse o Padre Ubaldo Terrinoni: "Tomé está como que eletrocutado! Renuncia a qualquer pretensão de verificação. Não tem a coragem de estender a mão e limita-se a exprimir apenas duas palavras em língua aramaica, numa exclamação libertadora: "Meu Senhor e meu Deus" (Jo 20,28). 
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7. É um grito de libertação do medo e, ao mesmo tempo, é um grito de alegria; é uma profissão de fé e uma declaração de plena entrega confiante a Deus. E Jesus aproveita a ocasião para confirmar o binômio "crer para ver": "Porque viste, acreditaste; bem-aventurados os que não viram e acreditaram" (Jo 20,29). 
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8. Oremos: Fazei, Senhor Jesus, pela vossa Divina Misericórdia, que a luz do vosso amor continui a iluminar as nossas almas para que repletos do Espírito Santo mantenhamo-nos unidos para assim darmos os frutos da vossa redenção, como Maria Santíssima, São José, os Apóstolos e todos os santos e santas o fizeram em sua trajetória para o céu; vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém! Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 11 de abril de 2026

A tristeza é inimiga da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,9-15)(11/04/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, acolher e conviver com Jesus Ressuscitado e seguir os seus passos anunciando a sua ressurreição, é o que realmente dá sentido à nossa vida e vocação de filhos e filhas de Deus. Por isso, não tem como pensar a vida sem Cristo, porque somente Nele temos vida eternamente.

2. Por isso, muita atenção para não perdermos essa feliz comunhão com Ele por causa das distrações deste mundo. Tempo é vida e a quem damos o nosso tempo, damos também com ele a nossa vida. Por esse motivo, façamos um diagnóstico de nossas almas e vejamos como se encontram; qual o grau de intimidade com o Senhor Jesus e a Sua Santa Mãe? Quanto tempo lhes dedicamos?

3. No Evangelho de hoje, os Apóstolos deram tempo à tristeza e permaneceram nela, por isso, não acreditaram prontamente quando lhes anunciaram que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos; foi preciso que Ele lhes anunciasse pessoalmente para que voltassem a crer e deixar o desânimo fora de suas almas. 

4. De fato, quando damos a Deus o que somos e vivemos, todo o nosso tempo é dedicado à realização da Sua Santa Vontade. Pois a fé recebida no batismo é a certeza de que o Senhor Jesus está vivo conosco garantindo o nosso testemunho, como vimos acontecer com Pedro e João na primeira leitura. 

5. Decerto, que esse exemplo apostólico sirva de lição para nós, como meditamos no livro do Eclesiástico: "Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma." (Eclo 30,22.24-25).

6. Portanto, caríssimos, escutemos com atenção estas palavras de são João: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. (1Jo 2,15-17).

7. Destarte, ao renovarmos nossa fé e confiança na vitória de Cristo sobre a morte, tornamo-nos verdadeiras testemunhas da esperança. Que, a exemplo de Maria Santíssima, saibamos guardar a Palavra em nossos corações e converter nosso tempo em eternidade, cumprindo com alegria a vontade do Pai até o dia do nosso encontro definitivo com Ele na sua glória eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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