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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

SENHOR QUE A MINHA ORAÇÃO SEJA SEMPRE CONFORME A TUA VONTADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 20,17-28)(28/02/24) 

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1. Caríssimos, um coração unido a Deus é um coração todo de Deus. Pois, somos consagrados ao Senhor pelo santo batismo para vivermos em comunhão de amor com Ele e entre nós, seus filhos e filhas. 
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2. Todavia, vivemos ainda neste vale de lágrimas à caminho da vida eterna, e aqui convivemos diariamente com todo tipo tentações e perseguições por conta de fé que professamos. Tal como vimos na primeira leitura, em que o Profeta Jeremias sofre perseguição por ser fiel à Palavra de Deus e à missão profética que o Senhor lhe confiou.
3. O Evangelho de hoje nos apresenta dois episódios que nos leva, nesta quaresma, à uma profunda reflexão. O primeiro, é o anúncio da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Esse anúncio nos aponta para a cruz como caminho a ser percorrido por todos os discípulos de Cristo. 
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4. O segundo episódio, trata especificamente da oração em meio aos interesses pessoais, onde a mãe de Tiago e João, pede a Jesus os primeiros lugares no Reino dos Céus para os seus filhos. 
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5. A resposta de Jesus nos leva a compreender que, quando a oração não é uma expressão do plano salvífico de Deus para a nossa salvação, ela não passa de interesse pessoal sem nenhum sentido de ser, por isso, disse o Senhor: "Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” (Mt 20,22).
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6. Portanto, caríssimos, estamos saindo do "Egito" deste mundo, a caminho da terra prometida, o Reino dos Céus, por isso, precisamos ficar atentos ao que o Senhor Jesus nos ensina: "O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão." (Mt 10, 24-25a).
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7. Em outras palavras, precisamos beber com o Senhor Jesus o cálice amargo da sua paixão e morte, para vivermos a verdadeira condição de sermos seus fiéis seguidores. De fato, a cruz não é fácil, mas é o perfeito caminho para se chegar ao céu, basta carregar-la com o Senhor e ela torna-se-a leve, e o seu tempo breve.
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8. Comentando esse Evangelho disse o Papa Bento XVI: "O pedido de Tiago e João e a indignação dos "outros dez" Apóstolos levantam uma questão central à qual Jesus quer responder: quem é grande, quem é o "primeiro" para Deus? Em primeiro lugar, o olhar dirige-se para o comportamento que "aqueles que são considerados os chefes das nações" correm o risco de adotar: "dominar e oprimir". Jesus indica aos discípulos um caminho completamente diferente: "Entre vós, porém, não é assim". 
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9. A sua comunidade segue uma outra regra, uma outra lógica, um outro modelo: "Quem quiser ser grande entre vós será vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós será escravo de todos". O critério de grandeza e de primazia, segundo Deus, não é o domínio, mas o serviço; a diaconia é a lei fundamental do discípulo e da comunidade cristã, e deixa entrever algo do "senhorio de Deus". 

10. E Jesus indica também o ponto de referência: o Filho do Homem, que veio para servir; ou seja, sintetiza a sua missão sob a categoria do serviço, entendido não no sentido genérico, mas no sentido concreto da Cruz, do dom total da vida como "resgate", como redenção para muitos, e indica-o como condição para o seguimento. 
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11. É uma mensagem que vale para os Apóstolos, vale para toda a Igreja, vale especialmente para aqueles que têm tarefas de direção no Povo de Deus. Não é a lógica do domínio, do poder segundo critérios humanos, mas a lógica do abaixar-se para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da Cruz que subjaz a todo o exercício da autoridade. Em cada época, a Igreja está empenhada em conformar-se a esta lógica e em testemunhá-la para fazer brilhar o verdadeiro "senhorio de Deus", o do amor."
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

O CUIDADO PARA NOS MANTER EM ESTADO DE GRAÇA...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 23,1-12)(27/02/24). 
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1. Caríssimos irmãos e irmãs, estamos no tempo forte da Quaresma; isto significa dizer que estamos no deserto da vida, lugar onde aparentemente falta quase tudo; mas, por buscarmos o socorro do Senhor, Ele por sua divina providência não nos deixa faltar nada. 
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2. Decerto, para nós que praticamos os exercícios quaresmais, o deserto é o lugar da resistência e do enfrentamento; mas também da renúncia de si mesmo e da escuta atenta do Senhor em conformidade com o seu plano de amor, para que se cumpra em nosso viver somente a sua santa vontade. 
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3. Ora, o que seria da nossa fé se Deus não nos falasse? O que seria de nossa vida se Ele não nos corrigisse quando falhamos? Como poderíamos viver se Ele não nos defendesse das insídias do inimigo? O que seria do nosso futuro se perdêssemos a esperança da vida eterna? 
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4. De fato, na primeira leitura, o Profeta Isaías expõe os terríveis pecados daquele povo e como essa prática o estava levando para o abismo da morte. Tadavia, o exorta ao arrependimento, pois, não basta a aparente prática da fé, mas sim, a verdadeira conversão, que consiste num coração contrito e humilhado, vivendo em obediência os santos mandamentos da lei de Deus. 
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5. Por isso, escutemos o Salmista de hoje, porque a Palavra não deve ser apenas lida, mas sim escutada para que fique gravada em nosso coração: "Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! 
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6. Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos. Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus."
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7. Portanto, caríssimos, que o Senhor Jesus nos livre de toda superficialidade na prática da fé, que Ele nos dê um coração que o ame de verdade, para sermos conduzidos pelo Espírito Santo, presente sempre em todas as Suas Palavras. 
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8. No Evangelho de hoje vimos que a incoerência, é o resultado do engôdo, do artifício com o qual o espírito do mal seduz àqueles que o seguem, por isso, fujamos sempre de suas astúcias, por meio da oração, da penitência e da verdadeira conversão.
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9. [Santa Catarina ouviu Deus dizer-lhe:] "Pedes-Me para Me conhecer e Me amar, a Mim, que sou a Verdade suprema. Eis a via para quem quer chegar a conhecer-Me plenamente e apreciar-Me, a Mim, que sou a Verdade eterna: não saias nunca do conhecimento de ti e, abaixada no vale da humildade, em ti mesma Me conhecerás. 
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10. E neste conhecimento irás buscar tudo o que te falta, tudo o que te é necessário. Nenhuma virtude tem vida em si própria, se a não tira da caridade; ora, a humildade é a senhora e a governanta da caridade. No conhecimento de ti mesma, tornar-te-ás humilde, pois verás que nada és por ti e que o teu ser vem de Mim, uma vez que Eu vos amei antes mesmo de terdes existido. 
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11. Foi devido a este amor inefável que tenho por vós que, querendo recriar-vos pela graça, vos lavei e recriei no sangue derramado pelo meu Filho único com tão grande fogo de amor. Só este sangue dá a conhecer a verdade àquele que tiver dissipado a nuvem do amor-próprio através do conhecimento de si."
(Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, copadroeira da Europa - Diálogos, cap. 4). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Não julgueis...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,36-38)(26/02/24). 

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1. Caríssimos, no Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados." (Lc 6,36-37). De fato, todos somos pecadores, somos réus e não juízes. Por isso, o não julgar é sumamente necessário para permanecermos em comunhão com o Senhor e entre nós.
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2. O reconhecimento dos nossos pecados e a confissão sincera das nossas culpas é o meio mais eficaz de experimentarmos a misericórdia divina; ela é o remédio espiritual que cura as nossas almas feridas pelos pecados que cometemos; ora, como seria bom se nunca pecássemos.
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3. Todavia, um coração verdadeiramente arrependido não quer mais pecar, porque conhece bem o que é o pecado e o seu resultado nefasto, sabe que ele é a arma que o maligno usa contra nós mesmos e contra aqueles que julgamos.
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4. Na liturgia de hoje, o Profeta Daniel pede perdão a Deus não só por si mesmo, mas também por aqueles que ofenderam o Senhor. Pois todo pecado é uma ofensa contra Deus, é uma terrível falta de amor a Ele, mesmo que não tenhamos plena consciência disso. 
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5. Uma alma que vive em estado de pecado mortal, perde de imediato o estado de graça, se afasta de Deus, e é atormentada pela própria culpa, pois seu pior castigo é o pecado que praticou, porque quem vive no pecado deixa de amar a Deus, para se tornar uma presa fácil do maligno.
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6. Com efeito, o Sacramento da Penitência é a fonte de água viva no deserto desta vida onde bebemos da misericórdia divina que sacia a nossa sede de amor e de paz. Ora, essa graça acontece pelo arrependimento sincero, a confissão das culpas, o perdão sacramental, a satisfação penitencial e o propósito de não mais pecar. 
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7. Decerto, são esses meios que nos liberta do severo jugo do inimigo. Pois o Senhor, por sua divina misericórdia, perdoa as nossas transgressões e cura o nosso coração, libertando-nos das influências malignas; nos abrindo os tesouros inesgotáveis de suas graças para a santificação de nossas almas. 
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8. Eis as armas espirituais, para evitarmos as tentações e o pecado: nunca dialogar com os maus pensamentos que são sempre contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos; rezar sempre com o coração, isto é, com a consciência cientes de que encontramos o Senhor e dialogamos com Ele. Mas, é preciso fazer silêncio nos pensamentos para ouvir o que Ele nos diz e pôr em prática.
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8. Portanto, caríssimos, mantenhamo-nos sempre em estado de graça, participando frequentemente da Santa Missa, comungando o Corpo e o Sangue do Senhor; escutando a sua Palavra e pedindo que Ele a grave no nosso coração para não esquecermos, pois é a regra da vida eterna.
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9. Por fim, peçamos a graça de praticar as obras de misericórdia ou caridade que apaga uma multidão de pecados, (cf. 1Pd 4,8) são elas: rezar pelos vivos e pelos mortos, dar sempre bons conselhos, consolar os aflitos; ajudar os necessitados, visitar os doentes, etc.
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10. Destarte, usemos essas armas espirituais na luta contra as tentações, com a convicção de que dependemos cem por cento da graça de Deus, para vencermos todas as batalhas travadas. Peçamos à São Miguel Arcanjo, Príncipe da Milícia Celeste, que vá à nossa frente para nos defender das insídias do inimigo de nossas almas.
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11. Oremos: "São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe Deus, instantemente o suplicamos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém." Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A RECONCILIAÇÃO É O MEIO MAIS EFICAZ PARA SE VIVER EM PAZ...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,20-26)(23/02/24)
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1. Caríssimos, existem dois caminhos que os seres humanos podem trilhar neste mundo; seguir por um deles depende das escolhas e decisões que tomamos. No Antigo Testamento Moisés elertou o povo escolhido sobre isso: "Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. 
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2. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele." (Dt 30,19-20a). De fato, não existe liberdade em nós enquanto não formos fiéis à liberdade que Deus nos dá no seguimento do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
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3. Com efeito, a liturgia de hoje trata especificamente da conduta dos homens entre si e diante do Senhor; e a reconciliação é fundamental para manter a paz, a comunhão fraterna e a unidade que torna possível o nosso culto a Deus, caso contrário, não podemos agrada-lo.
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4. Decerto, pelo que estamos vendo, infelizmente, grande parte da humanidade continua escolhendo o caminho da desobediência que leva à morte e à perdição eterna. No entanto, ainda é tempo de conversão, de recomeçar andando nos caminhos do Senhor que por seu infinito amor nos perdoa e nos salva. 
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5. Com efeito, depois do pecado dos nossos primeiros pais, a humanidade conheceu o quanto é triste e doloroso viver sem comungar com a vontade de Deus, como o constatamos atualmente; pois, o pecado nada mais é do isto, perder a graça santificante que nos leva à perfeita comunhão com o Senhor. 
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6. Todavia, como vimos na primeira leitura desta liturgia, o Profeta Ezequiel nos mostra que mediante o arrependimento dos pecados praticados é possível voltar o Senhor e usufruir da sua divina misericórdia e do seu amor, pois Ele nos perdoa sempre. 
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7. No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina que o nosso estado de graça depende sempre do amor com que amamos a Deus e ao próximo como a nós mesmos, pois, a prática dos mandamentos e de seus ensinamentos não pode ser comparada com a prática farisáica, ou seja, uma prática meramente externa, que julga, critica e condena os outros.
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8. Portanto, caríssimos, a regra de ouro da nossa fé para o relacionamento com Deus e entre nós, é esta: "Em verdade eu vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mt 25,40).
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9. Amados irmãos e amadas irmãs, cem por cento do nosso relacionamento com o próximo depende cem por cento do nosso relacionamento com Deus. Sem isso nos sentimos como que perdidos; decerto, ou nos deixamos mover por essa graça obtida na intimidade da oração; ou seremos causa de desentendimentos, falta de misericórdia e perdão.
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10. Comentando o Evangelho de hoje, escreveu o Card. Ângelo Comastri: "Jesus diz: "Se alguém pretende aproximar-se de Deus com ressentimento, rancor, e malícia contra um irmão, saiba que não encontrará Deus disponível para o encontro. Em Deus, de fato, não pode existir nenhuma forma de ódio e, por isso, quem cultiva o ódio exclui-se da comunhão com Ele. 

11. Quem de nós já se deu conta de que toda "comunhão" com Cristo deve ser sempre acompanhada de uma comunhão também com o próximo? Recordemos sempre esta verdade que é a pedra angular do cristianismo: o nosso amor ao Senhor será medido na mesma medida do nosso amor ao próximo. Não nos esqueçamos disso!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

TU ÉS PEDRO...


 Sol. Da Cátedra de São Pedro (Mt 16,13-19)(22/02/24)

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1. Caríssimos, a nossa vida neste mundo é uma missão que nos foi confiada por Deus; e como tudo aqui está submetido ao tempo, desde já Ele nos dá a conhecer, por meio da morte temporal, o limite dessa nossa missão; assim, o nosso testemunho de Cristo é também nossa preparação para o grande dia da nossa Páscoa eterna.
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2. A Igreja hoje celebra a festa da cátedra de São Pedro que se traduz pelo testemunho que deu do Filho de Deus ao reconhece-lo como o Cristo, o enviado do Pai para a salvação do seu povo e de toda humanidade. 
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3. Decerto, esse reconhecimento é sinal da unidade da Igreja, confirmada pela autoridade recebida do Senhor: "Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vence-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,18-19).
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4. Santo Agostinho referindo-se à essa graça recebida por Pedro, escreveu: "Este nome de Pedro foi-lhe dado porque ele foi o primeiro a assentar entre as nações os fundamentos da fé e porque ele é o rochedo indestrutível sobre o qual repousam os alicerces e o conjunto do edifício de Jesus Cristo. Ele chamou-se pedra pela sua fidelidade, enquanto o Senhor recebe esse mesmo nome pelo seu poder."
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5. Com isso entendemos que essa autoridade petrina dada por Cristo continua na pessoa do atual sucessor de Pedro, o santo Padre, o Papa Francisco, pois nenhum criatura jamais poderá anular a Palavra do Senhor, como Ele mesmo disse: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mt 24,35).
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6. O Santo Padre, o Papa Pio XII, assim se refere à missão de Pedro: "Olhai para o púlpito de onde o primeiro papa se dirigiu aos primeiros cristãos, como eu me dirijo a vós neste momento: foi aqui que os exortou a estarem vigilantes contra o demônio, que, como um leão que ruge, ronda à nossa volta, procurando a quem devorar (cf 1Ped 5,8-9); foi aqui que os exortou a permanecerem firmes na fé, para não se deixarem levar pelos erros dos falsos profetas (cf 2Ped 2,1; 3,17). 
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7. Estes ensinamentos de Pedro continuam nos seus sucessores e continuarão, inalterados, ao longo dos séculos, porque esta é a missão que o próprio Cristo confiou ao chefe da Igreja.
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8. Os sucessores de Pedro, mortais como todos os homens, também passam. Mas o primado de Pedro perdurará sempre, graças à assistência especial que lhe foi prometida quando Jesus lhe confiou a tarefa de confirmar os seus irmãos na fé (cf. Lc 22,32). 
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9. Seja qual for o nome, o rosto, as origens humanas de cada papa, é sempre Pedro que vive nele, é Pedro que dirige e governa, é Pedro sobretudo que ensina e difunde no mundo a luz da verdade libertadora. 
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10. Isto levou um grande orador sagrado a dizer que Deus tinha estabelecido um púlpito eterno em Roma: «Pedro viverá nos seus sucessores; Pedro falará sempre do seu púlpito» (Bossuet, Sermão sobre a unidade da Igreja, 1). Venerável Pio XII (1876-1958), papa - Audiência de 17/01/1940).
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11. Destarte, a Igreja é a parte visível do Reino de Deus neste mundo e Pedro foi escolhido por Cristo para confirmar isso. Nela estão contidos todos os tesouros e todos os alicerces da fé: a Palavra de Deus; a assistência permanente do Espírito Santo; a Tradição e o Magistério; a Cátedra de Pedro, Vigário de Cristo; os Sacramentos da salvação universal; e o Testemunho fiel de todos os santos e santas que serviram ao Senhor neste mundo. Amém! Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O SINAL DE JONAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,29-32)(21/02/24)

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1. Caríssimos, vivemos em meio às fragilidades humanas, acossados por todos os lados pelas mais terríveis tentações e também pelo resultado delas que são os pecados que a cada dia são multiplicados como acontecia entre os habitantes de Nínive. 
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2. Todavia, nem tudo está perdido precisamos confiar na Misericórdia Divina do mesmo modo que os Ninivitas acreditaram quando ouviram a pregação do Profeta Jonas. "Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior." (Jn 3,5).
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3. No Evangelho que hoje constatamos algo mais que estarrecedor, pois, depois de tantos sinais que o Senhor Jesus fez como o Messias enviado por Deus Pai; e o exemplo disso foram as curas de inúmeras enfermidades; expulsão de demônios; ressuscitação de mortos e tantos outros sinais profetizados, indicando quem Ele era, e mesmo assim não acreditaram Nele. 
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4. Por isso, o Senhor lhes disse: "Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração." (Lc 11,29-31).
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5. Decerto, enquanto Jonas pregava para que os ninivitas se convertessem e fossem salvos e assim acreditaram e se cumpriu; Jesus é a própria salvação e tudo Nele indica isso, mas eles não acreditaram o rejeitaram e o condenaram ao pior dos suplícios, a terrível morte de cruz.
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6. Portanto, caríssimos, "Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus." (1Cor 1,21-24).
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7. Destarte, podemos até não compreender o porquê do sofrimento atroz que ora padecemos, e o porquê de tantas tentações e pecados; mas de uma coisa fiquemos certos ao olharmos para o exemplo de Cristo crucificado; é Ele quem sofre conosco para nos tirar definitivamente de todos os sofrimentos que neste mundo padecemos.
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8. Decerto, foi para isso que Ele nos deu o dom da fé ao dizer: "Tudo é possível ao que crer." (Mc 9,23). De fato, na Palavra redentora do Senhor, tudo é tudo, ou seja, tudo se cumpre tal qual Ele afirma, como profetizou Isaías: 

9. "Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão." (Is 55,10-11). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(20/02/24)

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, a oração do Pai nosso é a oração perfeita e essencial para o nosso crescimento espiritual quando a pomos em prática; ela é o itinerário espiritual da alma em ascensão para viver em permanente comunhão com nosso Pai celestial.
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2. Ensinada por Jesus aos Apóstolos e à toda humanidade; é a oração que nos leva ao mais íntimo de nós mesmos para vivermos a nossa filiação divina e correspondermos em tudo à vontade do Pai, na intimidade das nossas almas.
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3. A primeira graça dessa oração é rezamos como filhos que convivem com Deus Pai numa profunda atitude de amor e devoção, isto é, acolhendo sua paternidade divina na certeza de que Ele nos escuta e nos responde não obstante a nossa humildade condição. 
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4. A segunda graça que recebemos do Senhor, é reconhecer-la como a oração da comunhão fraterna, porque por ela perdoamos as faltas daqueles que nos ofendem, pois, perdoar é amar e ser amados por Deus, para sermos livres do ódio, da mágoa, do ressentimento e do desejo de vingança.
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5. Por fim, é a oração que nos dá a certeza da proteção divina quando somos tentados, como nos ensinou o Senhor Jesus: "E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal." De fato, não existe espaço para o maligno em nosso coração, ao implorarmos por essa oração que o nosso Pai do céu nos ampare e nos proteja.
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6. Decerto, quem reza com a reta intenção de encontrar Deus em sua oração, procura fazer silêncio de todos os pensamentos fora desse encontro, para dar ao Senhor o espaço que é somente dele em nossas almas, certos de que precisamos mais ouvi-lo do que falar, uma vez que Ele nos conhece totalmente, porque é o autor de nossa vida. 
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7. Todavia, ao apresentar-lhe o que precisamos, o fazemos para gozar da sua intimidade paternal e permanecer na sua presença, para nos sentirmos amados, acolhidos, escutados em nossas necessidades e propósitos, pois, como nos ensina Santa Teresa D'vila: "Quem a Deus tem nada lhe falta, pois, só Deus basta."
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8. São Lucas, como introdução de uma parábola de Jesus sobre a perseverança na oração, escreveu: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo." (Lc 18,1). Com isso, compreendemos que a oração é a graça de todo momento, é o poder de Deus que nos liberta.
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9. Também compreendemos que a oração é o dom do Espírito Santo mais praticado de todos os tempos, como nos ensina São Paulo: "Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. 
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10. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus." (Rm 8,26-27). Ou seja, por sermos batizados recebemos a graça de nos tornamos habitação divina, morada permanente do Espírito Santo, contanto que sejamos fiéis até o fim. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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