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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Como acolhemos o Senhor Jesus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,38-42)(6/10/26)

1. Caríssimos todos os homens têm suas convicções e no mais das vezes querem impo-las aos demais; e são dessas imposições que nascem os conflitos, as guerras e todo o mal que praticam nelas, e isso por se acharem donos da verdade, quando, de fato, a Verdade é somente Cristo e o amor com que nos ama e nos ensina a amar. 

2. Com efeito, toda convicção que não leva a Cristo, não passa de precipício mortal; porém, quando há conversão tudo muda. É isso o que nos ensina a primeira leitura, em que Paulo, à princípio guiado por suas próprias convicções, tornou-se um terrível perseguidor da Igreja; todavia, chamado pelo Senhor, se converteu e tornou-se o grande Apóstolo que conhecemos. Ou seja, a graça divina superou sua fraqueza lhe transformando num homem novo.

3. O Evangelho de hoje nos revela o modo como acolhemos Jesus em nossas almas e como nos comportamos diante Dele. Trata da hospedagem que as irmãs Marta e Maria ofereceram ao Senhor. Marta, toda agitada não lhe fez uma boa recepção, por reclamar muito e ser exigente; Maria, ao contrário, senta-se calmamente aos Seus pés e o escuta atentamente; e por essa atitude, disse o Senhor: "Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

4. Decerto, meditemos com atenção o que diz o Senhor no livro do Apocalipse de são João: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo." (Ap 3,20). E então, qual a nossa atitude diante dessa palavra de Jesus? Somos agitados como Marta ou receptivos como Maria? 

5. Para entendermos melhor qual deve ser a nossa atitude interior e exterior no acolhimento ao Senhor, não nos esqueçamos que o único sentido de nossa vida neste mundo é a realização do Reino de Deus e de Sua Justiça; para isso, escutemos atentamente o Senhor como Maria e ponhamos em prática a Sua Divina Palavra.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Então, vai e faz o mesmo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,25-37)(5/10/26)

1. Amados irmãos e amadas irmãs, por nossa condição natural normalmente interagimos com as demais criaturas em busca do bem viver, uma vez que dependemos umas das outras; no entanto, só isso não nos basta, pois, o que mais desejamos é a felicidade eterna, e essa somente Deus nos dar e ninguém mais. 

2. São Paulo na Carta aos Colossenses nos ensina que o Senhor Jesus é Deus visível e atuante no meio de nós: "Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois, por causa dele, foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. (Cl 1,15-17).

3. E tudo isso experimentamos por meio da fé, porque é ela que nos leva à plena comunhão com o Senhor Jesus, o qual por seu sacrifício e morte de cruz venceu o pecado, o poder do inferno e a morte para nos dar a vida eterna. Desse modo, nos ensina são Paulo: "Porque é nele que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28). 

4. No Evangelho de hoje "um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna? Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”.

5. Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Ao que o Senhor contou a Parábola do bom Samaritano mostrando que a fé não é teoria, nem fruto do conhecimento da Lei, pois isso, o sacerdote e o levita tinham de sobra, porém, nada fizeram pelo homem que foi assaltado e quase morto.

6. No entanto, o Samaritano que era tido como insano e à margem da Lei, teve compaixão do homem ferido e lhe prestou socorro livrando-o da morte; assim, concluiu o Senhor: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. 

7. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa." Ou seja, a fé nos leva à prática das virtudes eternas, e não apenas ao conhecimento delas. Destarte, assim conclui São Paulo na Carta aos Gálatas: "Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,9-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Homilia do 27°Dom do tempo comum

 Homilia do 27°Dom do Tempo Comum (Mt 21,33-43)(4/10/26)

Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem. Sejam bem-vindos a nossa meditação diária.

A fidelidade a Deus é uma expressão do nosso amor a Ele, é o firme propósito de obedece-lo em tudo, é a incontestável evidência de que nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo.

Ao seguirmos o exemplo da obediência de Cristo, somos seus verdadeiros discípulos; isto significa que não seguimos a mentalidade deste mundo; mas, pela graça da Sua Presença em nossas almas, nos tornamos exemplos vivos de fé, para todos que encontramos a caminho da eternidade.

Meditemos com amor e atenção esta homilia do 27°Dom do Tempo Comum.

1. Caríssimos, prestemos muita atenção nesta liturgia de hoje, pois ela trata da gravidade do pecado da incredulidade que é a causa de todos os males na obra da criação. Ora, o pecado da desobediência é uma terrível mancha espiritual que gruda na alma de quem conscientemente o comete. 

2. De fato, ele arruína totalmente a vida de quem o pratica, tirando-lhe o estado de graça, afastando-o do amor e da misericórdia de Deus; em outras palavras, é uma espécie de escondirijo que abriga o maligno que passa a ocupar os espaços que antes eram ocupados pelas virtudes e as graças recebidas de Deus.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a parábola dos vinhateiros infiéis, mostrando aos mestres da lei e fariseus a origem do pecado da incredulidade que carregam na alma; e que por causa da dureza de seus corações, Deus lhes tira a herança do Seu Reino, dando a um outro povo que acolhe Sua Palavra e a põe em prática reconhecendo que Cristo é o Messias enviado para a salvação de todos os que Nele creem.

4. Portanto, caríssimos, Deus nos criou "à sua imagem e semelhança", por amor e somente para amar, porque Ele é amor. Tudo o que em nós não é uma expressão do Seu Amor, a isto chamamos de pecado grave, que gera os males que acontece neste mundo.

5. Destarte, fiquemos atentos e vigilantes para combatermos aos maus pensamentos que chegam à nossa mente, pois, são tentações que querem ocupar o espaço do amor de Deus em nossas almas, não os permitamos, porque a nossa vida pertence somente a Deus, e não à incredulidade e seus malefícios.

6. Então, para evitar a incredulidade e seus efeitos nocivos, "firmemente ancorados na fé, na pedra angular que é Cristo, permaneçamos n'Ele como o ramo que não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Só n'Ele, por Ele e com Ele é construída a Igreja, o povo da Nova Aliança." (Bento XVI). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O chamado de Cristo e suas motivações para segui-lo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,57-62)(30/9/26)

1. Caríssimos, o barulho deste mundo é tão ensurdecedor que abafa o silêncio interior de nossas almas quando lhe damos atenção; pior ainda é o terrível barulho dos pecados cometidos, porque oprime as almas lhes impondo por antecipação os tormentos do inferno, caso elas não se convertam e voltem para Deus que lhes condecede o perdão, o estado de graça e a salvação que haviam perdido.

2. No Evangelho de hoje são Lucas nos mostra que o Senhor Jesus empreende a sua última viagem à Jerusalém, pois, como um manso e humilde cordeiro, será sacrificado no altar da cruz pela salvação da humanidade. De fato, humanamente é impossível compreender a sua atitude de total despojamento, pois é o Filho de Deus e tem todo poder sobre o céu e a terra. 

3. No entanto, essa sua ida com seus discípulos à cidade santa, simboliza a sua ida à Jerusalém celeste, e é nesse espaço de tempo que acontece o chamado, a vocação para segui-lo. São Lucas nos apresenta três tipos de vocação e suas motivações. 

4. Na primeira, "alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. Ou seja, segui-lo requer total despojamento que significa a renúncia de si mesmo e dos próprios interesses, para adquirir a liberdade do desapego.

5. Na segunda, "Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. Ou seja, o anúncio do Reino é urgente e traz consigo a ressurreição dos mortos.

6. Na terceira, "Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. Ou seja, a semente do chamado precisa ser acolhida em terra fecunda sem a influência dos afetos humanos, porém, repleta dos afetos divinos.

7. Portanto, caríssimos, qual é o estado atual da nossa resposta ao chamado do Senhor Jesus? Como o servimos em meio ao barulho deste mundo? Será que existe silêncio interior para ouvi-lo e pôr em prática o que nos ensina de modo que cumpramos os seus desígnios de amor a nosso respeito?

8. Destarte, assim como o chamado é pessoal e a iniciativa divina, a nossa resposta de igual modo significa configurar-nos a Cristo para fazermos em tudoa vontade do Pai. Pois, como disse o Senhor Jesus aos seus discípulos: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Mt 16,24).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.


terça-feira, 29 de setembro de 2026

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós...


 Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael(Jo 1,47-51)(29/9/26).

1. Amados irmãos e amadas irmãs, não podemos falar dos anjos sem lembrar da batalha travada no céu entre São Miguel e seus anjos contra Satanás e seus sequazes narrada na primeira leitura opcional desta liturgia.

2. E como vimos Miguel venceu e expulsou o maligno do céu como narra são João: "E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele.

3. De fato, o risco de conflitos neste mundo é sempre muito alto, por isso é necessário permanecer sob a luz de Deus, caso contrário, sem perceber, acabamos chafurdando nas trevas do diabo que adora nos deixar em suas trevas porque aí não entendemos as coisas claramente e assim nos confundimos.

Então, perguntemo-nos: somos pessoas que une ou que divide? Vivemos na luz de Deus ou no nevoeiro e neblina do diabo?

Meditemos, então, com amor e atenção este Pequeno Sermão de hoje. 

4.Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa de são Miguel, são Gabriel e são Rafael, e nos ensina que os santos anjos manifestam o poder de Deus por meio do serviço prestado aos seus filhos e filhas de todos os tempos durante sua trajetória rumo à terra prometida, o Reino dos céus, como o fizeram com os antigos israelitas. 

5. Bem como está escrito na Carta aos Hebreus: "Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).

6. "Então, o que mais nos ensina a Festa dos santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael? São Miguel ensina-nos que ninguém é mais forte do que Deus. Que não estamos sozinhos na batalha contra o mal, mas há alguém que luta conosco para vencer o mal com o bem e para dizer com as nossas vidas que só Deus é o Senhor da nossa existência e somente a Ele devemos dar toda glória.

7. São Gabriel, o grande anunciador da vontade de Deus, do plano de Deus para a salvação, diz-nos como reconhecer o plano divino nas nossas vidas, como acolhe-lo sabendo que o seu anúncio é maior do que os nossos raciocínios e cálculos, é como um acontecimento inesperado que muda as nossas vidas. 

8. São Rafael, aquele que conduz, aquele que lidera o mundo, diz-nos que quase nunca passamos incólumes no meio dos acontecimentos da nossa história e, portanto, precisamos de cura. 

Em última análise, todos estes três arcanjos dão-nos três coisas que todos precisamos. Miguel é aquele que defende, Gabriel é aquele que proclama, e Rafael é aquele que cura. Peçamos ao Senhor que nos faça compreender verdadeiramente a sua santidade, majestade e poder, para que possamos dar-lhe glória no meio dos seus anjos." (Mons. Angelo Spina).

9. No Evangelho de hoje em colóquio com Natanael o Senhor Jesus nos revela como será o serviço dos anjos quando da sua vinda gloriosa: “Em verdade, em verdade eu vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. 

10. Portanto, caríssimos, supliquemos ao Senhor Jesus com profunda humildade e entrega total a sua graça santificante na certeza de que o Pai lhe deu todo poder sobre o céu e a terra, para que amparados por sua Divina misericórdia alcancemos a felicidade eterna. 

Ó Maria, Rainha dos Anjos, intercedei por nós com são José vosso castíssimo esposo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 27 de setembro de 2026

Pela obediência e humildade vencemos o inimigo de nossas almas...

 Homilia do 27°Dom do tempo comum (Mt 21,28-32)(27/9/26)

1. Caríssimos, são duas as virtudes que Adão e Eva não usaram no paraíso e por isso não foram fiéis a Deus no início de sua missão, as virtudes da obediência e da humildade. Pois, com essas virtudes poderiam derrotar o inimigo de nossas almas, como o Senhor Jesus o derrotou ao fazer-se homem no seio virginal de Maria, e obedecer humildemente ao Pai até a morte e morte de cruz.

2. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI de saudosa memória: "No Evangelho fala-se de dois filhos, atrás dos quais, no entanto, está, de uma forma misteriosa, um terceiro. O primeiro filho diz ao pai que sim, mas não faz o que lhe foi ordenado. O segundo filho diz 'não', mas depois faz a vontade do seu pai. O terceiro filho diz "sim" e também faz o que lhe é ordenado. 

3. Este terceiro filho é o Filho único de Deus, Jesus Cristo [que] ao entrar no mundo, disse: "Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade" (Heb 10,7). Ele não disse apenas este 'sim', mas cumpriu-o e o sofreu até à morte.

 4. "Embora Ele estivesse na condição de Deus, Ele não considerou um privilégio ser como Deus, mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo, tornando-se como os homens. E ao ser reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (Fil 2,6-8). 

5. Em humildade e obediência, Jesus fez a vontade do Pai, morreu na cruz pelos seus irmãos e irmãs - por nós - e redimiu-nos do nosso orgulho e teimosia. Agradeçamos-lhe pelo seu sacrifício, dobremos os joelhos perante o seu Nome, e proclamemos juntamente com os discípulos da primeira geração: "Jesus Cristo é o Senhor - para glória de Deus Pai" (Fil 2,10). (Bento XVI - Santa Missa em Friburgo, 25/09/11).

6. Portanto, caríssimos, tudo o que Deus nos pede é que lhe obedeçamos e sejamos fiéis como o seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que ao obedecer-lhe, venceu a nossa desobediência e orgulho, e nos concedeu o que havíamos perdido nos nossos primeiros pais, para assim vencermos o terrível inimigo de nossas almas.

7. Destarte, rezemos confiantes esta oração da liturgia de hoje: "Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai em nós a vossa graça, para que, correndo ao encontro das vossas promessas, mereçamos participar dos bens celestes.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 26 de setembro de 2026

A cruz de Cristo é o seu sacrifício de amor por nós...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,43b-45)(26/9/26)

1. Caríssimos, contemplar a cruz de Cristo é contemplar Deus Onipotente que se rebaixa infinitamente à nossa condição de criaturas mortais, porém, sem deixar a sua Divindade. O Filho de Deus sofreu o seu sacrifício de amor, como um cordeiro inocente levado ao matadouro por seus algozes sem lhes impor resistência alguma. 

2. Então, como compreender a sua não reaça ante tamanha maldade? De fato, racionalmente é impossível compreender isso, uma vez que agimos com a lógica de tudo resolver; não a partir da nossa fragilidade, mas do poder de que dispomos para nos defender e vencer os nossos adversários. De fato, somente o amor de Deus explica o mistério do seu sofrimento por nós.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus insiste com seus discípulos no que havia predito a respeito da sua paixão, morte e ressurreição. Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava oculto, de modo que não podiam entender; pois tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto." (Lc 9,44-45).

4. É por isso que Jesus lhes diz com insistência e clareza: “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Ou seja, "Deus é o Amor infinito que se faz infinitamente pequeno e humilde, e se entrega aos homens. 

5. De fato, o amor não dar coisas, mas sim a si mesmo, através do sacrifício." Como nos ensinou o Senhor: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando." (Jo 15,13-14). Ou seja, sem obediência incondicional não existe salvação.

6. Com efeito, "Os apóstolos tinham medo da Cruz. Também nós experimentamos essa mesma sensação quando nos deparamos com a nossa cruz. É por isso que devemos pedir a graça de não fugir da Cruz quando ela chegar, de aprender com Maria, a mãe de Jesus que, quando todos tinham fugido, ela estava ali aos pés da cruz do seu filho, porque tinha compreendido que a cruz salva, porque nela está escondida a Páscoa da Ressurreição." (Mons. Angelo Spina).

7. Portanto, caríssimos, mesmo ainda estando neste mundo cercados pelas ameaças do inimigo de nossas almas, não devemos temer, pois o triunfo de Cristo já foi proclamado por sua cruz redentora, apenas estamos esperando a sua segunda vinda em que irá julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino de justiça e paz não terá fim. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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