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sábado, 6 de junho de 2026

A nossa conversão é um processo contínuo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,38-44)(06/06/26)

1. Caríssimos, estamos num mundo dividido, num mundo onde transparece mais os pecados do que as virtudes; num mundo em que manda mais quem tem riqueza, influência política, poder temporal, etc. E por isso, quem não faz parte desse círculo, é excluído e desprezado; e muitas vezes tidos como desprezíveis e incômodos. 

2. De fato, pessoas tendenciosas que agem fora dos desígnios de Deus, são excludentes, isto é, exclui os que não lhes convém, os que não estão de acordo com sua vida pregressa e por isso os persegue. (cf. Sb 2).

3. Ora, esse é o retrato desta sociedade em que vivemos, tão terrível com os menos favorecidos que sente horror só em pensar neles. E o resultado desse tipo de comportamento hediondo, é o hedonismo que destrói as virtudes e faz transparecer o orgulho, a vaidade e a soberba, representado no Evangelho de hoje, por aqueles que vivendo de aparências negam a Deus por seus atos pecaminosos.

4. No Evangelho de hoje Jesus ao perceber uma viúva que ofereceu tudo o possuía para sobreviver, isto é, duas pequenas moedas, disse aos discípulos: "Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas.

5. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”. Em outras palavras,"o justo vive por sua fidelidade". (cf. Hab 2,4). Ou seja, Deus é fiel e jamais deixará faltar o necessário a quem o ama e segue fielmente os seus preceitos.

6. Com efeito, aos olhos do mundo essa atitude da pobre viúva não passa de uma aberração, mas, são Paulo, nos mostra que Deus aje sempre na nossa fragilidade, fazendo acontecer a Sua Divina Providência para muito além do que precisamos: 

7. "O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são." (1Cor 1.2-28).

8. Portanto, caríssimos, todos nós que vivemos neste mundo precisamos de conversão, ainda que muitos digam que já são convertidos e que conhecem o Senhor; na verdade a conversão é um processo contínuo, por isso, todos nós estamos nos convertendo à cada instante do nosso viver.

9. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus o verdadeiro arrependimento dos nossos pecados, para que assim repletos de Sua Divina Misericórdia sejamos conduzidos pelo Espírito Santo à vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

Os nossos limites pedem o infinito divino...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,35-37)(05/06/26).

1. Caríssimos, o Evangelho de hoje se encerra com esta frase: "E uma grande multidão o escutava com prazer." (Mc 12,37). De fato, o Senhor Jesus ensina com autoridade, sua Palavra toca no mais profundo de nossas almas e do nosso desejo de eternidade. Tudo o que Ele diz se realiza porque é a vontade de Deus Pai para a nossa salvação. 

2. O fato é que, na nossa condição de mortalidade, tudo é frágil, limitado, ainda que muitos se arroguem a pensar que são donos da própria vida, quando na verdade não passam de um sopro natural que lhe pode faltar a qualquer momento. 

3. Por isso, precisamos ouvir com humildade esta exortação de são Paulo: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. (Ef 4,29-30).

4. Sem dúvida, a vida vivida na fé nos faz permanecer em comunhão com a vontade de Deus, porque Dele dependemos cem por cento, bem como São Paulo nos ensinou na primeira leitura ao exortar seu discípulo Timóteo: "Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste." (2Tm 3,14).

5. Sigamos ainda esta outra exortação de são Paulo: "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fl 2,2b-5).

6. Portanto, caríssimos, precisamos ficar atentos para não nos deixar influenciar pela mentalidade deste mundo que usa a linguagem do "politicamente correto", quando na verdade, sabemos que esse tipo linguagem se encontra dominada pelas ideologias que geram divisões, ódio, intrigas, perseguições e todo tipo de maldade contrárias à prática da nossa fé, ao amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos.

7. Oremos: "Senhor nosso Deus, que dissipais as trevas da ignorância com a luz de Cristo, vossa Palavra, fortalecei a fé em nossos corações, para que nenhuma tentação apague a chama acesa por vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

O Senhor nos abençoe e nos guarde, nos livre de todo o mal

e nos conduza à vida eterna. Amém. Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Tão Sublime Sacramento...


 Solenidade do SS Corpo e Sangue de Cristo (Jo 6,51-58)(04/06/26)


1. Amados irmãos e irmãs, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, que sempre acontece na primeira quinta-feira depois da Solenidade da SS Trindade. Com efeito, na última Ceia, antes da sua paixão, morte e ressurreição, o Senhor Jesus instituiu este Sacramento como memorial permanente da sua presença real no meio de nós e em nós.
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2. Ora, os seres humanos creem em tantas coisas e no mais das vezes em nada contribue para o bem e a salvação de todos; e no entanto, são lentos para crer na presença real do Senhor Jesus no Santo Sacramento da Eucaristia, e fazem isso por não acreditar na Sua Palavra a respeito deste Sacramento: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente."(Jo 6,51).
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3. De fato, o Senhor é tão simples e direto que nos impressiona: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 

4. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim."
(Jo 6,54.56-57). Ora, será que é tão difícil compreender e crer nesta verdade eterna? O alimento natural nos dá a vida natural comprovadamente; assim também o Corpo e o Sangue de Cristo Eucarístico nos dá a vida eterna como Ele mesmo disse; o que mais precisamos para crer? 
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5. Decerto, quando vivemos essa dimensão da comunhão com o Senhor tudo o que fazemos para a glória do Pai, revela a Sua presença em nós formando a unidade perfeita do Seu Corpo, a Igreja; pois, como escreveu são Paulo: 

6. "O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão."(1Cor 10,16-17).
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7. Portanto, caríssimos, a vida em estado de graça consiste em receber o Senhor Jesus na Eucaristia e Nele permanecer praticando a Sua Palavra e realizando as suas obras, foi isso que nos ensinou: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,56). De fato, essa união íntima com o Senhor Jesus transforma completamente o nosso modo de viver neste mundo. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Como agem os hipócritas?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,13-17)(02/06/26)

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1. Caríssimos, "O Evangelho de hoje apresenta-nos um novo encontro direto entre Jesus e os seus opositores. O tema enfrentado é o do tributo a César: uma questão “espinhosa”, a respeito da legalidade ou não de pagar o imposto ao imperador de Roma, a quem estava submetida a Palestina na época de Jesus. 

2. As posições eram diversas. Portanto, a pergunta que lhe foi dirigida pelos fariseus: «É permitido ou não pagar o imposto a César?» constitui uma cilada para o Mestre. De fato, é próprio dos hipócritas a falsidade que usam em suas palavras e ações visando prejudicar suas vítimas. 

3. Com efeito, de acordo com a resposta que tivesse dado, seria acusado de ser a favor ou contra Roma. Mas também neste caso, Jesus responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar um ensinamento importante, elevando-se acima da polêmica e das posições opostas. 

4. Diz aos fariseus: «Mostrai-me a moeda do tributo». Eles mostram-lhe um denário e Jesus, observando a moeda, pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Os fariseus respondem: «De César». Então Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

5. Ora, ao dizer essa frase, "Jesus declara que pagar o imposto não é um gesto de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro — e é aqui que Jesus dá o “golpe de mestre” — evocando o primado de Deus, pede que se lhe dê aquilo que lhe pertence como Senhor da vida do homem e da história." (Papa Francisco).
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6. Portanto, caríssimos, nesse episódio que meditamos, vimos como se manifesta o pecado da hipocrisia, que consiste na negação consciente da verdade em vista dos perversos propósitos cultivados. De fato, todo hipócrita conhece a verdade, mas a nega por um nada; porque mesmo tendo consciência de sua hipocrisia, continua nela e ainda tenta envolver a outros com suas artimanhas.

7. Destarte, o Senhor "Jesus desarmou seus opositores mostrando que o Estado tem o seu lugar, mas o coração, a consciência e a totalidade do ser humano pertencem exclusivamente a Deus. É um chamado contundente à integridade, que ecoa até hoje sobre como equilibrar nossa presença no mundo sem negociar nossos valores mais sagrados."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

As tribulações e provações deste mundo nos levam à proteção divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 12,1-12)(01/06/26)

1. Caríssimos, certa feita disse o Senhor Jesus: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." ( Jo 16,33). De fato, vivemos em meio a um mundo onde, ao que parece, reina a discórdia, as falcatruas, os engodos, os enganos, a violência e todos os pecados que levam os homens a perderem a paz e por vezes a própria vida. 

2. Se olharmos os pecados praticados e a maldade que não para de crescer, por conta desses pecados, facilmente nos desinganamos. Todavia, se contrapondo a tudo isto, São Pedro, nos exorta a um viver repleto de confiança na misericórdia divina: "Caríssimos, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente, porque conheceis Deus e Jesus, nosso Senhor. 

3. O seu divino poder nos deu tudo o que contribui para a vida e para a piedade, mediante o conhecimento daquele que, pela sua própria glória e virtude, nos chamou. Por meio de tudo isso nos foram dadas as preciosas promessas, as maiores que há, a fim de que vos tornásseis participantes da natureza divina, depois de libertos da corrupção, da concupiscência no mundo." (2Pd 1,2-7).

4. O Salmo 90 também nos faz compreender que em meio à fragilidade deste mundo e os ataques do maligno, que se multiplicam por meio dos pecados dos homens; o Senhor, que nos ama com amor eterno, nos dá a sua proteção contra tais insídias, para que assim as vençamos. 

5. Escutemos, então, o salmista: "Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois meu Deus, no qual confio inteiramente”. Ao que o Senhor responde: “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo e protegê-lo, pois meu nome ele conhece. Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo, a seu lado eu estarei em suas dores."

6. De fato, todo aquele que procura viver retamente neste mundo, passa pelas mais diversas provações por ser trigo em meio ao joio; por remar contra a maré dos pecados que tenta lhe afogar. Todavia, por que isso acontece? O Senhor mesmo nos responde: "Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. 

7. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa. Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15,18-21).

8. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus que nos ajude a vivermos a fé perseverante como Ele nos ensina por seu testemunho de vida, por suas palavras e promessas; desse modo, ninguém tira de nós os frutos da sua graça para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 31 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trinidade...

 SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (Jo 3,16-18)(31/05/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da Santíssimo Trindade, ou seja, celebra o Amor Infinito de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo; Deus Uno na Trindade e Trino na Unidade. Pois, foi nessa Perfeita Comunhão de amor que Deus nos criou à sua imagem e semelhança por Seu Filho na graça do Espírito Santo.

2. E quando nos desligamos Dele pelo pecado; veio em nosso socorro por Sua Infinita Misericórdia, nos enviando o Seu Filho amado, para morrer conosco e por nós, e nos fazer ressuscitar com Ele para a vida eterna, porque esse é o único desígnio de Deus, Uno e Trino, pois não teria nenhum sentido toda essa obra maravilhosa da criação ser destruída ou se acabar com a morte dos seus filhos e filhas.

3. Por isso, não podemos pensar em Deus sem ama-lo, sem te-lo em nossas almas, pois, é exatamente isso que nos revela os Atos dos Apóstolos: "Porque é em Deus que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28). De fato, isto se constitue o grande mistério da vida divina que recebemos no batismo e nos outros sacramentos.

4. Aliás, contemplando a criação, vemos que cada criatura carrega em si um mistério que só será desvendado na eternidade, pois somente nela tudo será conhecido totalmente e amado por todos igualmente, uma vez que tal conhecimento só é possível pela ação da Sabedoria do Espírito Santo, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou. (cf. 1Cor 2,12).

5. Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje, é a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Palavra Eterna do Pai, que nos leva a obter todas as graças e por elas vencermos o mal presente neste mundo por causa dos pecados aqui praticados. De fato, "foi Cristo que sofreu a cruz assim como a morte, e que ressuscitou no Espírito, foi elevado em glória e traçou uma nova via para os Céus para todos os que creem nele com uma fé viva, sem vacilações."

6. Destarte, para vivermos a profundidade do Mistério da Santíssima Trinidade, são João neste Evangelho nos dá a chave para isso: "Deus tanto amou o mundo...". O amor do Pai não é passivo; é um amor que dá e envia. Ele entrega o que tem de mais precioso — seu Filho — não por merecimento do mundo, mas por pura graça.

7. O Filho, é o Dom Visível e a Face da Misericórdia do Pai. Ele é o presente do Pai para a humanidade. Ele é a ponte visível entre a humanidade e a eternidade. Crer no Filho é abrir a porta do nosso coração para receber o amor que o Pai enviou. 

8. O Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho; quando nós cremos, é o Espírito Santo em nós que nos permite acolher o Filho e chamar Deus de Pai. Ele é a "Vida Eterna" já pulsando em nossas almas desde que o recebemos no batismo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 30 de maio de 2026

Quem não ama a Verdade jamais terá um futuro feliz...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 11,27-33)(30/05/26)

1. Caríssimos, a lógica do pecado afasta os homens de Deus. Porque pensar segundo a carne e não segundo o Espírito é bater de frente com o Senhor. A lógica do pecado nunca admite a verdade, porque quem a usa não busca a vontade de Deus, mas somente a satisfação dos próprios instintos e de seus interesses mesquinhos. 

2. São Paulo na sua carta aos Romanos nos mostra a verdadeira face dessa lógica mesquinha: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz." (Rm 8,5-6).

3. De fato, a alma que vive cheia de si mesma não tem paz, porque não tem mais nela o espaço sagrado que era de Deus. Na verdade, quem se comporta assim vive somente de aparências tentando manter o "status quo", isto é, o estado de alma que lhe apraz, e não o estado de graça de que tanto necessita. É triste a condição dos Escribas, dos Fariseus e dos mestres da lei, pois conhecem a verdade, mas por falta de lealdade e o simples fato de não a amar, dão continuidade à farsa em que vivem mergulhados.

4. Com efeito, todos nós estamos à caminho da eternidade, mas na verdade já a trazemos em nossas almas, porque a alma é eterna. O fato é que estamos definindo aqui o nosso devir eterno, o que seremos eternamente, por isso tomemos muito cuidado, porque na condição que morremos, é nela que viveremos para sempre.

5. Todavia, para vivermos em estado de graça, o Senhor Jesus nos deu o Seu Santo Espírito com todos as virtudes eternas, para que façamos em tudo a vontade do Pai como ele mesmo a fez. Fora dessa relação filial com Deus, os homens vivem como se Deus não existisse e como se tudo terminasse com a morte natural.

6. Decerto, quando o Senhor Jesus nos pergunta algo, é porque precisamos superar os obstáculos que nos impedem de encontrá-lo e permanecer Nele. No entanto, precisamos nos converter, porque somente mediante a nossa conversão contínua, seremos coerentes e viveremos plenamente tudo o que ele nos ensina. 

7. Os mestres da lei e os fariseus queriam que o Senhor Jesus se submetesse aos seus critérios, para crerem nele, por isso o rejeitaram. Mas Deus não cabe nos critérios humanos; pelo contrário, nós é que precisamos obedecê-lo, pois somos obras de suas mãos. A obediência é um dom divino que nos foi dado, para por ela vivermos segundo os seus critérios, pois estes nos levam à santidade com a qual o veremos face a face.

8. Portanto, caríssimos, quem vive negando ou questionando Deus, faz isso porque não vive segundo o seu amor e a sua bondade, de modo que se contradizem sempre, porque faz da autossuficiência o trampolim da própria perdição. Pelo contrário, os mansos e humildes de coração se deixam conduzir pelo Espírito Santo, por isso não julgam nem condenam ninguém, mas são exemplos de amor, de bondade e obediência para todos que os encontram neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

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