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domingo, 2 de outubro de 2022

"SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,5-10)(02/10/22).


Caríssimos, a fé é a evidência da real presença de Deus para além da evidência dos nossos sentidos; ela é dom que nos faz encontra-lo na Sua invisibilidade e com Ele interagirmos num diálogo de amor sem igual, numa convivência como que face a face para além do que podemos enchergar fisicamente; enfim, a fé é esse dom que Deus nos deu para vivermos em comunhão com Ele.

No Evangelho de hoje "os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria." (Lc 17,5-6). Ou seja, a fé é puro dom de Deus que libera o seu poder e faz acontecer a sua vontade que é sempre extraordinária. 

Existem alguns testemunhos de fé que nos faz compreender mais precisamente o que esse dom de Deus pode realizar. "São Maximiliano Maria Kolbe num campo de concentração na segunda guerra mundial decidiu dar a sua vida para salvar um pai de família que ele nem conhecia; mas 
qual a convicção que o levou a fazer isso? A fé que lhe garantiu que a vitória final pertence ao bem."

"São Charles de Foucauld, lembrando-se, depois de tantos anos, do dia da sua conversão, exclamou: 'Desde que acreditei que Deus existe, compreendi que não podia deixar de viver totalmente para Ele. Deus é infinitamente diferente de tudo o que não é Deus'. E isto é fé." Ou seja, a fé nos faz amar a Deus e nos deixar amar por Ele para muito além do que podemos por nós mesmos. 

Portanto, caríssimos, "a fé é um salto de confiança, é uma entrega cega, mas àquele que nos encherga: e este é Deus!" De fato, sentir-nos amados, acolhidos e afagados no aconchego do coração do nosso Pai celestial, nos faz deixar tudo para seguir o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, na estrada que Ele nos abriu para o céu.

Rezemos, então, com profunda convicção pedindo ao Senhor Jesus que aumenta a nossa fé: Senhor, tu que nos ensinaste que tudo é possível ao que crê, da-nos viver essa tua palavra para que ela se cumpra na nossa vida e nos mantenha sempre unidos a Ti e aos nossos irmãos e irmãs como sinal sensível da tua presença no meio de nós. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sábado, 1 de outubro de 2022

"EU TE LOUVO PAI, SENHOR DO CÉU E DA TERRA"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,17-24)(01/10/22)


Caríssimos, contemplando a obra da criação percebemos que tudo é tão preciso que nos conduz a uma profunda admiração pela beleza e perfeição de todas as coisas e pela generosidade de Deus para conosco; por outro lado, mesmo com toda essa beleza e perfeição, algo nos chama a atenção, porque nos toca diretamente, trata-se do sofrimento, ou seja, por que sofremos?

De fato, a resposta à essa pergunta não é difícil, basta olhar a maldade que se espalha na face da terra por conta dos que seguem o maligno, e logo compreendemos o porquê de tanto sofrimento. Pois, todo ato gera seu efeito, de modo que, se o ato é mal, seu efeito é maléfico e atinge a todos; ao contrário, se o ato é bom seu efeito é benéfico e gera um bem enorme para todos. 

Na primeira leitura, depois dos mais terríveis tormentos, ao encontrar o Senhor, Jó finalmente compreende que as aflições dos justos são repletas de imortalidade, como são Paulo afirma na Carta aos Romanos: "Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção alguma com a glória futura que nos será dada." (Rm 8,18). 

Com efeito, Deus jamais permite o sofrimento do justo sem que Ele esteja presente e o recompense, basta olharmos para o sofrimento do seu Filho, ou o que Ele mesmo disse a esse respeito: "Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mt 25,40).

No Evangelho de hoje os discípulos voltaram da missão exultando de alegria por terem triunfado sobre o maligno, no entanto, o Senhor Jesus os alerta: "Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. (Lc 10,18-20).

Comentando esse Evangelho, disse o Papa Francisco: "Não devemos gabar-nos como se fôssemos os protagonistas: o protagonista é apenas um, é o Senhor! O protagonista é a graça do Senhor! Ele é o único protagonista! E a nossa alegria é apenas isto: ser seus discípulos, seus amigos. 

Que Nossa Senhora nos ajude a sermos servos do Evangelho. Não tenham medo de se alegrar! Não tenham medo da alegria! Aquela alegria que o Senhor nos dá quando permitimos que Ele entre nas nossas vidas, e nos convide a sair para as periferias da vida a proclamar o seu Evangelho."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

EM BUSCA DO VERDADEIRO PODER...


 EM BUSCA DO VERDADEIRO PODER...

Caríssimos, quando falamos de poder ou buscamos poder por nós mesmos quase sempre nos enganamos, porque o confundimos com uma força incomum capaz de tudo; quando na verdade, somente o Senhor Jesus tem todo o poder sobre o céu e a terra recebido do Pai justamente por ter sido crucificado como se não tivesse poder algum. E foi pelo poder do seu sacrifício que Deus nos deu a salvação eterna.

São Paulo ao passar por uma grande provação pediu ao Senhor Jesus que o libertasse, mas, em resposta Ele lhe disse: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força." Por isso, agradecido ele respondeu: "Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte." (2Cor 12,9-10).

De fato, existe um poder maléfico que precisamos combater quase que a todo instante, porém, não o fazemos sozinhos, pois, como disse são Paulo: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo.” (2Cor 10,4-5).

Por isso, não esperem de um mentiroso compunsivo que ele diga a verdade, mesmo quando a reconhece e diz professa-la. Porque, se a sua prática de vida resulta das mentiras que conta e não da verdade que aparentemente reconhece, jamais acredite no que ele diz, pois, se acreditar nele será mais um que se deixou enganar, por falta de discernimento.

Com efeito, eis o que diz o Senhor Jesus a esse respeito: "Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,34-37).

Portanto, caríssimos, hoje somos convidados a buscar o verdadeiro poder, não o poder mundano do dinheiro, o poder da riqueza, que não dura muito, é efêmero e destinado a morrer; mas busquemos o poder do amor de Cristo, que dura para sempre. Peçamos a intercessão dos santos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael que nos guiem no caminho do poder do amor de Cristo que nos leva a cumprir a vontade de Deus, que nos leva para o céu.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

"NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,13-16)(30/9/22)


Caríssimos, os dias passam no seu lento e constante rítimo e com ele nós também passamos, e nos aproximamos da nossa páscoa eterna. É certo que não pensamos nela como algo fatal, mas como o dia da mais perfeita alegria, em que veremos a Cristo face a face, porque essa é a promessa que Ele nos faz: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. 

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais." (Jo 14,1-3).

Desse modo, compreendemos que os critérios para a nossa salvação, não são humanos, mas sim divinos, ou seja, acreditar e pôr em prática a sua Divina Palavra, mas, também a daqueles que nos envia como suas testemunhas, como Ele mesmo disse: "Quem vos escuta a mim escuta; e quem vos rejeita a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”. (Lc 10,16).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus censura as cidades que ouviram a Sua Palavra, viram os seus muitos milagres, mas não se converteram, ao contrário, endureceram os seus corações a ponto de o perseguirem e crucificarem. No entanto, Ele ressuscitou dos mortos e continua vivo no seio da Sua Santa Igreja. 

De fato, por ser o Filho de Deus o anúncio da Sua Palavra se estende por toda a terra e todos que o escutaram dos lábios da Sua Santa Igreja nos mais de dois mil anos da sua presença no mundo, e perseveraram até o fim, foram salvos pelas graças recebidas e o testemunho que deram. 

E nós neste tempo que estamos vivendo, em que terreno acolhemos as sementes da sua Palavra que é a sua voz escrita nos falando diretamente? Qual o lugar que o Senhor Jesus ocupa em nossa vida? Quanto tempo lhe damos? Será que a nossa oração é diálogo, é escuta silenciosa, é interação amorosa com Ele? 

Cuidemos para não nos deixarmos contaminar pelos ídolos modernos, ou seja, celulares, Internet, e a febre das ideologias políticas, sejam de esquerda ou de direita. Destarte, nunca devemos misturar fé com ideologia política, porque o resultado dessa mistura é um abismo de intrigas e divisões; pois, onde não existe a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, tudo não passa de armadilha traiçoeira do inimigo de nossas almas. 

Portanto, caríssimos, quem é isento dessa contaminação? Examinemos a nossa consciência, e perguntemos: quem ou o que ocupa os espaços da nossa mente influenciando o que somos e o que vivemos?

De fato, se as nossas respostas forem, a oração, a meditação diária da Palavra, o silêncio, a escuta, e a prática da caridade fraterna, tal qual nos ensina o Senhor Jesus, então, somos seus verdadeiros discípulos, e o anunciamos como o único que realmente nos ama e nos salva por sua Divina Misericórdia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

FESTA DOS SANTOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL...


 Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael(Jo 1,47-51)(29/9/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, não podemos falar dos anjos sem lembrar da batalha travada no céu entre São Miguel e seus anjos contra Satanás e seus sequazes narrada na primeira leitura opcional desta liturgia.


E como vimos Miguel venceu e expulsou o maligno do céu como narra são João: "E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele.


De fato, o risco de conflitos neste mundo é sempre muito alto, por isso é necessário ficar sob a luz de Deus, caso contrário, sem perceber, acabamos chafurdando nas trevas do diabo que adora nos deixar em suas trevas porque aí não entendemos as coisas claramente e assim nos confundimos.


Então, perguntemo-nos: somos

pessoas que une ou que divide? Vivemos na luz de Deus ou no nevoeiro e neblina do diabo?


Meditemos, então, com amor e atenção este Pequeno Sermão de Cada Dia. 

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa de são Miguel, são Gabriel e são Rafael, e nos ensina que os santos anjos manifestam o poder de Deus por meio do serviço prestado aos seus filhos e filhas de todos os tempos durante sua trajetória rumo à terra prometida, o Reino dos céus, como o fizeram com os antigos israelitas. Bem como está escrito na Carta aos Hebreus: "Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).

"Então, o que mais nos ensina a Festa dos santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael? São Miguel ensina-nos que ninguém é mais forte do que Deus. Que não estamos sozinhos na batalha contra o mal, mas há alguém que luta conosco para vencer o mal com o bem e para dizer com as nossas vidas que só Deus é o Senhor da nossa existência e somente a Ele devemos dar toda glória.

São Gabriel, o grande anunciador da vontade de Deus, do plano de Deus para a salvação, diz-nos como reconhecer o plano divino nas nossas vidas, como acolhe-lo sabendo que o seu anúncio é maior do que os nossos raciocínios e cálculos, é como um acontecimento inesperado que muda as nossas vidas. 

São Rafael, aquele que conduz, aquele que lidera o mundo, diz-nos que quase nunca passamos incólumes no meio dos acontecimentos da nossa história e, portanto, precisamos de cura. 

Em última análise, todos estes três arcanjos dão-nos três coisas que todos precisamos. Miguel é aquele que defende, Gabriel é aquele que proclama, e Rafael é aquele que cura. Peçamos ao Senhor que nos faça compreender verdadeiramente a sua santidade, majestade e poder, para que possamos dar-lhe glória no meio dos seus anjos." (Mons. Angelo Spina).

Amados irmãos e amadas irmãs, no Evangelho de hoje em colóquio com Natanael o Senhor Jesus nos revela como será o serviço dos anjos quando da sua vinda gloriosa: “Em verdade, em verdade eu vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. 

Portanto, caríssimos, supliquemos ao Senhor Jesus com profunda humildade e entrega total a sua graça santificante na certeza de que o Pai lhe deu todo poder sobre o céu e a terra, para que amparados por sua Divina misericórdia alcancemos a felicidade eterna. 

Ó Maria, Rainha dos Anjos, intercedei por nós com são José vosso castíssimo esposo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

ESTAMOS AINDA NO TEMPO DA MISERICÓRDIA DIVINA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,51-56)(27/9/22)


Caríssimos, a vida que Deus nos deu é tão maravilhosa que nada se compare à ela, mas isso quando a vivemos segundo os seus desígnios, isto é, amando-o sobre todas as coisas e amando-nos uns aos outros como a nós mesmos, porque isso significa o céu aqui na Terra; fora desse estado graça, o viver humano torna-se um fardo insuportável. 

Com efeito, entrando numa Capela para celebrar a Santa Missa, certa feita, deparei-me com uma jovem cabisbaixa e muito triste, ao sauda-la, perguntou-me: "Frei por que a vida é tão complicada?" Dei-lhe um belo sorriso e respondi: filha a vida é maravilhosa, nós é que complicamos tudo quando não a vivemos segundo os desígnios de Deus.

De fato, quando vivemos segundo os desígnios de Deus tudo em nossa vida torna-se expressão da sua presença. Como seria bom se as pessoas amassem de verdade como o Senhor Jesus nos ensina, não haveria maldade alguma, todos seríamos felizes. Mas, por causa da pecaminosidade que constatamos, a realização dos desígnios de Deus neste mundo torna-se praticamente impossível, a não ser que todos se convertam.

E isso fica mais evidente ainda ao vermos a crueldade com que os algozes assassinaram o Filho amado de Deus sem Ele ter culpa alguma. Como entender a dor e o sofrimento que causaram ao Senhor Jesus? Não tem como entender, porque jamais alguém amou como Ele nos ama; e jamais fez o bem que Ele nos faz. De fato, o que mais nos consola e nos enche de esperança, é a certeza de que o seu sacrifício de cruz não foi em vão, porque nos dá a salvação eterna.

No Evangelho de hoje frente à recusa dos Samaritanos em receber o Senhor Jesus, os irmãos Tiago e João lhe pediram: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los? Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os." Decerto, "ao repreende-los Jesus os convida à dar o tempo necessário para a realização da conversão deles e ao progresso do Reino. A impaciência dos Apóstolos é muitas vezes a nossa impaciência." 

Portanto, caríssimos, realmente Deus tem sido muito paciente com a humanidade haja vista os horríveis pecados que homens e mulheres veem cometendo, mesmo depois de ter enviado Seu amado Filho para nos salvar. Por isso, creio que o tempo da sua Divina Misericórdia está se esgotando, e que pouco resta para que a sua justiça se manifeste, então, cada um receberá o louvor ou a punição que merece.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

QUEM QUISER SER O MAIOR SEJA O MENOR DE TODOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,46-50)(26/9/22).


Caríssimos, sabemos que nem todos os acontecimentos de nossa vida são provocados por nós mesmos, alguns se dão pelas circunstâncias ou por aquilo que foge do nosso controle, outros ainda por aqueles que tentados pelo maligno agem perversamente querendo nos arruinar. Entretanto, como vimos na primeira leitura, Deus jamais nos abandona.

Com efeito, a história de Jó nos ensina que mesmo quando somos atingidos por tragédias que não provocamos, devemos permanecer fiéis até o fim, pois Deus dirige com perfeição a nossa história de vida mesmo quando não entendemos o porquê daquilo que nos acontece. 

Decerto, não sabemos quanto tempo viveremos aqui, por isso, precisamos viver em tudo segundo a vontade de Deus, porque é Ele quem nos governa pela nossa obediência, como Jó afirma na sua oração: “Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1,21). 

De fato, olhando a perfeição da criação nos seus mínimos detalhes percebemos que é assim que Deus cuida de nós por Sua Divina Providência. Ou seja, Ele age no silêncio, conhece o nosso coração e as nossas ações, nos inspira, grava a sua vontade em nossas almas para que lhe obedeçamos e assim sejamos livres de todo mal. 

No Evangelho de hoje "houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”. (Lc 9,47-48).

Portanto, caríssimos, quem deseja possuir riquezas ou algum poder sobre os outros, mas não segue os preceitos do Senhor, contraria a sua vontade, como Ele nos ensina no evangelho de hoje, e isso acontece por falta de inocência, humildade e obediência, virtudes presentes nos que se portam como crianças.

Destarte, escutemos esta exortação de são Paulo a esse respeito: "Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisa modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos." (Rm 12,16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 25 de setembro de 2022

HOMILIA DO 26°DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 26°Dom do Tempo Comum (Lc 16,19-31)(25/9/22)


Caríssimos, no mundo em que vivemos repleto de contradições o apego aos bens transitórios tem sido uma pedra de tropeço para a perdição de muitas almas que enganadas pela cobiça cometem as maiores injustiças contra os seus semelhantes. Quanta fome, quanta miséria, quanta dor e sofrimento causam aqueles que são ricos para si mesmos, mas não para Deus. 

Com efeito, tudo pertence somente a Deus e por sua benevolência a todos os seus filhos e filhas; no entanto, muitos não enxergam essa verdade e por isso usam de todos os meios nefastos para se apossarem do que não lhes pertencem pensando que estão tirando vantagem disso. A estes sentenciou o Profeta Amós: "Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito." (Am 6,7).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do pobre Lázaro e do rico epulão que se banqueatva com suas regalias, mas não levava em conta a fome e a miséria do feridento Lázaro. Porém, ao chegar o dia do julgamento eterno, morreu primeiro o pobre Lázaro feridento que nada possuía além do próprio nome que significa "Deus vem em meu socorro".

Morreu também o rico epulento e logo seu viu nos tormentos do inferno repleto das chamas da cobiça e do prazer hedonista que cultivou na opulência que vivia esquecendo-se do pobre Lázaro que passava despercebido aos seus olhos. E quando se deu conta do mal que havia praticado por seu viver nefasto, recorreu a Abraão pedindo que o pobre Lázaro o socorresse em sua sede, justo ele que não o socorreu quando devia.

Portanto, caríssimos, como estamos nos preparando para o nosso dia eterno? Quem realmente estamos sendo, o pobre Lázaro feridento ou o rico epulento repleto de falsos bens e dos prazeres fugazes advindo deles? Essa é uma resposta que todos precisamos dar; aqui não se trata de se fazer de vítima, mas sim, de não vitimar a nós mesmos nem aqueles que encontramos na via da eternidade que estamos trilhando.

Oremos: "Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens eternos que reservais para aqueles que vos amam. Por Cristo nosso Senhor. Amém."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

NA CRUZ DE CRISTO ESTÁ ESCONDIDA A PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,43b-45)(24/9/22)


Caríssimos, contemplar a cruz de Cristo é contemplar a Deus Onipotente que se rebaixa infinitamente à nossa condição de criaturas pecadoras e mortais, porém, sem deixar a sua Divindade. O Filho de Deus sofreu o seu sacrifício de amor, como um cordeiro inocente levado ao matadouro por seus algozes sem lhes impor resistência alguma. 

Então, como compreender a sua não reaça ante tamanha maldade? De fato, racionalmente é impossível compreender isso, uma vez que agimos com a lógica de tudo resolver, não a partir da nossa fragilidade, mas do poder de que dispomos para nos defender e vencer os nossos inimigos. De fato, somente o amor de Deus por nós explica esse mistério.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus insiste com seus discípulos no que havia predito a respeito da sua paixão, morte e ressurreição. Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto." (Lc 9,44-45).

É por isso que Jesus lhes diz com insistência e clareza: “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Ou seja, "Deus é o Amor infinito que se faz infinitamente pequeno e humilde, e se entrega aos homens. De fato, o amor não dar coisas, mas sim a si mesmo, através do sacrifício." Como nos ensinou o Senhor: "Ninguém tem maior amor do aquele que dá a sua vida por seus amigos." (Jo 15,13).

Com efeito, "Os apóstolos tinham medo da Cruz. Também nós experimentamos essa mesma sensação quando nos deparamos com a nossa cruz. É por isso que devemos pedir a graça de não fugir da Cruz quando ela chegar, de aprender com Maria, a mãe de Jesus que, quando todos tinham fugido, ela estava ali aos pés da cruz do seu filho, porque tinha compreendido que a cruz salva, porque nela está escondida a Páscoa da Ressurreição." (Mons. Angelo Spina).

Portanto, caríssimos, mesmo ainda estando neste mundo cercados pelas ameaças do inimigo de nossas almas, não devemos temer, pois o triunfo de Cristo já foi proclamado por sua cruz redentora, apenas estamos esperando a sua segunda vinda em que irá julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino de justiça e paz não mais terá fim. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

TEMPO É VIDA...


 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,18-22)(23/9/22).

Caríssimos, Deus criou o tempo com a seguinte lei: ele começa e termina para se fazer eternidade; e é nesse intervalo que realizamos a sua vontade ou não, e isso depende de como o usamos. Por isso, tempo é vida, quem dá tempo a Deus recebe todas as graças e bênçãos, e por fim a vida eterna. Mas quem tira o tempo que lhe pertence para dar outras coisas que não a Ele, perde tudo, tempo e vida.

Com efeito, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus usa o seu tempo para estar a sós com o Pai em oração, e é desse tempo dado a Ele que nasce suas ações, suas escolhas e decisões, mas também as interrogações que faz aos seus discípulos e às multidões: “Quem diz o povo que eu sou?” E logo percebe que as respostas são confusas.

Todavia, em seguida perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém." Mas, por que o Senhor a princípio não permite que divulguem? Por conta desta revelação: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. Ou seja, por conta do "escândalo" da cruz.

De fato, é a cruz do Senhor Jesus que revela ser Ele o Messias: "E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim." (Jo 12,32). Ou seja, a sua aparente derrota na verdade é a grande vitória do Bem Supremo que vence o maligno, como Ele mesmo disse: "Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo." (Jo 12,31).

Decerto, o agir de Deus difere em tudo do nosso, e independente do tempo, porque Nele tudo é eterno. No entanto, Ele nos acompanha de perto, porque estamos em construção trabalhando a nossa salvação, como nos ensinou são Paulo: "Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor. Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar." (Fl 2,12-13).

Portanto, caríssimos, a quem estamos dando o nosso tempo? Cuidado com o ídolo mais adorado deste mundo atualmente, o famigerado celular, pois ele tem tomado todo tempo dos seus adoradores deixando-os viciados, perdidos e enganados sem salvação alguma. Quanto a nós podemos usa-lo para evangelizar e ser evangelizados, mas, nunca deixa-lo que tome todo o nosso tempo, para isso nós temos o livre arbítrio.

Destarte, cada um tem a missão de ser santo trabalhando pela santificação de todos, e nada melhor do que usar o tempo que Deus nos deu para a sua maior glória e a salvação das almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

SERÁ QUE REALMENTE CONHECEMOS O SENHOR JESUS?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,7-9)(22/9/22)


Caríssimos, se examinarmos a nossa vida e a grandeza da criação somos tomados pelo desejo de conhecer pessoalmente o nosso Pai Criador, uma vez que Ele se encontra muito além do nosso alcance. No entanto, Ele nos deu a graça de conhece-lo por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, a quem amamos e seguimos rumo ao encontro definitivo com Ele.

De fato, o Senhor Jesus nos revela por palavras e por obras, quem é Deus Pai, como Ele age, qual a sua vontade, os seus planos a nosso respeito e como será o desfeixo da nossa vida após a morte natural, uma vez que estamos cientes de que tudo na vida de quem o segue se encaminha para a plenitude do seu Reino, para o infinito do seu amor.

No entanto, perguntemos: será que realmente conhecemos o Senhor Jesus e interagimos com Ele ou pensamos que se encontra no céu, e por isso, não interage conosco como gostaríamos? De fato, só é possível responder a essa pergunta mediante a convivência com Ele por meio da fé, da oração pessoal e coletiva, da prática da Sua Palavra de vida eterna, dos sacramentos e da caridade fraterna.

Desse modo, seguindo os seus passos, como dito acima, compreendemos que por esta observância preparamos o nosso devir eterno aonde veremos o nosso Pai Celeste face a face; mas, para isto, à imitação de Cristo, precisamos portar a nossa cruz de cada dia, porque por ela entramos com Ele no Paraíso, na glória do seu Reino. 

No Evangelho de hoje o tetrarca Herodes curiosamente deseja ver Jesus por ter ouvido falar de suas pregações e seus milagres, por isso, confessou publicamente o seu pecado, mas sem arrependimento: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E procurava ver Jesus." (Lc 9,9).

Portanto, caríssimos, "Herodes tinha o desejo de encontrar Jesus, e quando o encontrou de verdade, quis ver algum milagre e ficou desapontado, porque o único milagre de que precisava era transformar o seu coração de pedra num coração de carne, era a sua conversão, mas permaneceu prisioneiro de si mesmo" e dos pecados que havia cometido. (Mons. Angelo Spina).

Destarte, não basta a curiosidade ou mesmo o desejo de conhecer o Senhor Jesus sem o devido arrependimento, a conversão e o firme propósito de segui-lo, porque Deus se dá a conhecer plenamente aos que o procuram com simplescidade e humildade de coração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

SEGUE-ME...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,9-13)(21/9/22)

Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Festa litúrgica de Mateus, Apóstolo e evangelista, que deu a sua vida em sacrifício por Cristo e pelo anúncio do Evangelho. Com efeito, o histórico da sua conversão muito nos anima, pois era tido como um pecador público por ser cobrador de impostos e colaborador dos invasores romanos. No entanto, o Senhor Jesus vai ao seu encontro e lhe diz: “Segue-me!” Ele se levantou e o seguiu.

De fato, qual o significado que o chamado de Mateus tem para este nosso tempo? A resposta se encontra no final deste Evangelho quando ao ser questionado pelos fariseus sobre fazer refeição com pecadores, o Senhor Jesus respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. 

Decerto, como vimos na conversão de Mateus, a adesão à Cristo advinda do seu chamado é um vínculo sagrado que nos faz transparecer tudo o que Dele recebemos interiormente por meio da ação do Espírito Santo, e que nos leva a testemunhar que Ele está vivo e caminha conosco rumo ao Reino dos Céus. 

De fato, atualmente são muitos os batizados que vivem na penumbra da fé, isto é, na indiferença ou seguindo a mentalidade deste mundo, por isso, se distanciam do seguimento de Cristo, e em consequência não experimentam o poder da sua ressurreição. No entanto, o Senhor os continua chamando à conversão, pois Ele veio a este mundo com a missão de salvar a todos os que o escutam e o seguem, como o fez são Mateus.

Portanto, caríssimos, como vimos nesse episódio, o chamado é pessoal, é uma iniciativa divina, o Senhor Jesus vem ao encontro de todos os pecadores não apontando o dedo nem os erros ou os pecados cometidos, mas, "procura, descobre e desperta o que é verdadeiro, puro e bom no homem. 

Ressuscita a melhor parte, bem convencido de que mesmo na história humana mais devastada pelo mal, permanece sempre algum espaço saudável, intacto, reservado à inocência. Ele não vai em busca de um coração "limpo" para estabelecer de imediato uma relação de amizade; em vez disso, procura um coração disposto, para ser limpo, para ser feito novo e assim estabelecer tão preciosa amizade." (Pe Ubaldo Terrinoni).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

AS DUAS VIAS PARA A ETERNIDADE...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,19-21)(20/9/22)

Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra que existem duas vias pelas quais se chega à eternidade, isto é, no para sempre da nossa existência. A primeira é o próprio Senhor Jesus, como Ele mesmo disse: "Eu sou o caminho a verdade e a vida ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14,6). De fato, seguindo os seus passos não tropeçamos porque Ele vai a nossa frente, e por isso, nos sentimos seguros.

A segunda via, também chamada via da perdição eterna, o Senhor a compara à uma porta muito larga pela qual muitos entram dada às facilidades materiais, porém, passageiras, que o maligno oferece para aqueles que o seguem. No entanto, os que caminham por essa via sentem-se aprisionados, angustiados, deprimidos por perderem o sentido da vida. 

São Paulo chama esta via de obras da carne: "Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" (Gl 5,19-21).

No Evangelho de hoje "a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão. Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver”. Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática”. 

A princípio pode-se pensar que o Senhor não deu a devida atenção à sua mãe e seus parentes. Mas, se fizermos tal interpretação, é sinal de que não entendemos a sua real intenção. "Quem ouve sua palavra e a põe em prática torna-se sua mãe e seus irmãos. Ou seja, ouvir a Palavra é um convite aos que o seguem: mostra o perfeito caminho para se tornarem seus íntimos.

Com efeito, é um convite feito a nós, é a oferta de uma profunda alegria: ser como Maria que sabia conservar no coração e meditar tudo o que se relacionava ao seu Filho Jesus." (cf. Lc 2,19-51). (MR).

Portanto, caríssimos, pelo disse o Senhor, "para Maria é o maior reconhecimento, porque não há ninguém que tenha escutado e posto em prática a palavra de Jesus mais do que ela, ela é a discípula perfeita que obedeceu em tudo à vontade de Deus." (Mons. Angelo Spina).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

À LUZ DA FÉ E DAS BOAS AÇÕES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,16-18)(19/9/22)


Caríssimos, por mais espontâneos que sejamos somos tentados a cair nos condicionamentos da finitude que nos cerca; nas imposições dos que nos julgam; ou mesmo nos nossos próprios critérios baseados nos juízos de valor que emitimos nos impedindo de fazer o bem que devemos. Aliás, a esse respeito escreveu são Tiago: "Aquele que souber fazer o bem, e não o faz, peca." (Tg 4,17).

De fato, o milagre ordinário é o bem que fazemos com alegria e singeleza de coração sem desejar reconhecimento algum. No entanto, precisamos dar sentido ao que fazemos, como nos ensinou são Paulo: "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens,
certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Cl 3,23-24). 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina que a luz dá fé e das boas ações que brilha em nossa vida deve ser posta no candelabro da nossa existência para iluminar a todos que encontramos, e nunca esconde-la por falta de autêntico testemunho. Por isso, Ele nos alerta: "Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto.

Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. Ou seja, os critérios para a nossa salvação não são humanos, mas sim divinos. Cabe a nós fazermos o bem que Deus de antemão preparou para que nós o pratiquemos.

Decerto, "creio que todos nós já experimentamos que, a medida que ajudamos os outros, consolamos os que estão tristes, os solitários, os desamparados, e isso nos dá paz e uma imensa alegria íntima. É a lógica do amor: quanto mais se dá, mais se recebe. Por isso, a quem ama será dado a plenitude do amor e por fim o Paraíso. 

Quem não tem amor não o terá agora nem no futuro. Amai, pois, porque a quem tem, será dado, e a quem não tem lhe será tirado até mesmo o que pensa ter, diz o Senhor Jesus." (Frai Salvatore).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

DEUS É O NOSSO ÚNICO E SUPREMO BEM...


 Homilia do 25°Dom do Tempo Comum (Lc 16,10-13)(18/9/22)


Caríssimos, vivemos num mundo dividido por duas riquezas, a primeira é passageira e tudo o que a ela pertence será totalmente destruído, de modo que nem as suas cinzas restarão. A segunda é eterna e consiste na prática das virtudes que nos fazem realmente felizes e plenos de satisfação na presença de Deus, elas são frutos do Espírito Santo em nossas almas. 

A respeito da riqueza material escreveu são Paulo: "Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição.
Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições." (1Tim 6,9-10). 

Quanto, à riqueza eterna ele escreveu: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade,
brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito." (Gl 5,22-25).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta aos seus discípulos a Parábola do administrador que mostrou esperteza ao ser despedido pelo seu patrão, e concluiu: "Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 

Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?"
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. (Lc 16,10-13).

Portanto, caríssimos, a vida não se resume no que possuímos, mas no que somos diante de Deus; então, avaliemos as nossas escolhas e decisões se realmente estão de acordo com o plano de Deus para nossa salvação, para isto basta seguir o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo: nasceu numa estrebaria, porque não havia lugar para ele na hospedaria. 

Não tinha bens deste mundo como ele mesmo disse: “As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. E ao morrer crucificado pelos seus algozes, arrancaram-lhe até mesmo suas vestes e as sortearam entre eles. Então, o que dizer do seu exemplo de vida? 

De fato, para além de tudo o que possuímos ou aspiramos possuir, tenhamos em conta que o único e Supremo Bem que permanece para sempre, não é material nem deste mundo, mais sim, o próprio Deus e tudo o que diz respeito a Ele.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A SEMENTE DA PALAVRA DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,4-15)(17/9/22)


Caríssimos, quem vive segundo a carne se apega ao que é carnal, todavia, se frustra, porque a carne, por sua mortalidade, de nada serve; ao contrário, quem vive segundo o Espírito Santo, cresce na graça, no conhecimento e na intimidade de Deus, ou seja, no amor filial que transpõe os nossos limites para muito além do somos e podemos por nós mesmos.

São Paulo na primeira leitura esclarece os Coríntios a respeito da ressurreição de Cristo e da nossa. Diz ele, comparando o corpo humano a uma semente: "Pois assim será também a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrupção e ressuscita-se em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, e ressuscita-se em glória. Semeia-se em fraqueza, e ressuscita-se em vigor. Semeia-se um corpo animal, e ressuscita-se um corpo espiritual." Ou seja, segundo "à imagem e semelhança de Deus."

Com efeito, viver dando a Deus o que é de Deus, isto é, nossa vida, nosso tempo, as nossas escolhas e decisões, significa amar a Deus sobre todas as coisas e conduzidos por seu amor, amar-nos uns aos outros como a nós mesmos, e isso é vivermos ressuscitados com Cristo, pois estamos neste mundo, mas não somos deste mundo, porque é a Deus que pertencemos.

Portanto, caríssimos, Deus nos criou "à sua imagem e semelhança" em vista da plenitude da vida eterna, porém, após o pecado a morte dominou a nossa natureza, mas não a imagem e semelhança de Deus que somos, essa permanece intacta quando em estado de graça, pelo poder da Ressurreição de Cristo, que nos deu o Santo Espírito, não para vivermos segundo a nossa vontade, mas sim, segundo a vontade do Pai.

Destarte, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola da semente que cai nos vários tipos de terrenos, e explica: a semente é a Sua Palavra, quem a escuta e não a guarda, vem o diabo e rouba. Os que a escutam com alegria, mas não perseveram, não o seguem. 

Os que a ouvem, mas, com o passar do tempo, a sufocam com preocupações, riquezas e os prazeres deste mundo, não dão frutos. Por fim, a que cai em terreno fecundo essa dá frutos cem por um.

Qual dos terrenos acima nós somos? Que sejamos esse terreno fecundo que acolhe a semente da Palavra do Senhor Jesus e dá frutos cem por um.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

COMO SEGUIMOS CRISTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,1-3)(16/9/22)


Caríssimos, convém lembrar que todo batizado é um ressuscitado com Cristo, e por isso, não resta espaço para dúvidas a respeito da Ressurreição, da vitória de Cristo sobre a morte, que doravante é Páscoa, isto é, passagem do tempo para a eternidade; da morte natural para a vida eterna. 

Ora, o que identifica os ressuscitados com Cristo, é o testemunho de Cristo, em outras palavras, é o ser seus discípulos, isto é, seus seguidores, e que fique bem claro isso, seguimos Cristo ressuscitado como seguiram os discípulos e as discípulas no Evangelho de hoje. "Lucas os coloca no mesmo nível, pois todos seguem Jesus, por sua vez, as mulheres disponibilizam seu trabalho e seus bens para viabilizar a atividade ministerial de Jesus e dos Apóstolos. 

A característica comum dessas mulheres que seguem Jesus é a experiência do cuidado que Jesus teve por elas. Elas fizeram a experiência da doação e do perdão: sentiram-se amadas e por isso amam. O amor se manifesta no serviço ao outro, libertando-o de suas necessidades. Esse amor se manifesta mais em ações do que em palavras.

O espírito de serviço dessas mulheres as levará ao pé da cruz e diante do sepulcro, as fará entrar e se tornarão as primeiras testemunhas do Ressuscitado. Jesus caminha, mas não quer fazê-lo sozinho, precisa de homens e também de mulheres próximas a ele que mostrem o rosto belo e luminoso do Reino e sua força de comunhão." (Mons. Angelo Spina).

Portanto, caríssimos, a autenticidade do testemunho de Cristo nasce da real convivência com Ele, e esta se dá pela oração, vida sacramental, e a prática da sua Palavra, para assim anunciá-lo e anunciar o Evangelho da salvação.

Destarte, atenção, muito cuidado, porque muitos pregadores estão confundindo o Evangelho com as ideologias políticas, e por isso, não mais anunciam Cristo nem o seu Evangelho, mas sim, a si mesmos e às ideologias políticas a que aderiram com o fim de fazer seguidores. De fato, eles se tornaram tão radicais que é muito difícil ver a presença de Cristo neles. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

A CRUZ DE CRISTO É A PORTA DE ENTRADA DO PARAÍSO...


 FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ (Jo 3,13-17)(14/9/22)


Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Mas, por que um instrumento que era usado para torturar e matar os culpados, usaram-no para torturar e matar o inocente Filho de Deus? Não existe explicação para essa atitude, a não ser o amor com Deus nos amou como o Senhor mesmo nos ensinou: "Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16).

Com efeito, diante da cruz todos estremessem até mesmo o Filho amado de Deus que ao sentir a sua proximidade suou sangue e prostrado suplicou por três vezes: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres." (Mt 26,39). Ou seja, o preço da nossa salvação foi extremamente doloroso; então, como faremos para saldar essa dívida?

Decerto, isso só é possível mediante uma vida digna que corresponda ao amor do nosso Salvador que se manteve obediente à vontade do Pai afim de que fossêmos resgatados das cadeias do pecado nas quais caímos por conta nossa desobediência. Por isso, Ele disse: "De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele." (Jo 3,17).

A serpente de bronze erguida por Moisés no deserto curava os rebeldes que olhavam para ela depois de picados pelas serpentes venenosas; na verdade, ela é o símbolo da cruz do Senhor Jesus, que salva os pecadores que se voltam para Ele arrependidos e se livram do castigo da perdição eterna. 

Portanto, caríssimos, não existe dor semelhante a sua dor; não existe morte mais cruel que a sua morte, pois, como um cordeiro totalmente inocente tudo padeceu sem nada reclamar, mas sim para nos amar e nos dar o que há de mais precioso no céu, contemplar a a Face de Deus no dia eterno.

Destarte, rezemos com são Francisco de Assis esta belíssima oração da exaltação da Santa Cruz composta por ele: "Nós vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas que estão do mundo inteiro e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

TODOS SOMOS CONSOLADOS PELO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,11-17)(13/9/22)


Caríssimos, sabemos que vivemos num mundo onde parece que a morte reina, e isso comprovamos a cada momento; tadavia, para quem vive ressuscitado com Cristo, à medida que morre para este mundo, vive para Deus, pois esta é a graça que nos preenche a alma por confiarmos Nele totalmente. 
É esse o verdadeiro testemunho que damos ao pôr em prática a Sua Palavra de vida eterna.

O Evangelho de hoje narra o encontro de dois cortejos: "Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava." Sem dúvida, a dor e o sofrimento dessa mãe era muito grande. 

No entanto, "Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!” De fato, esse encontro não foi por acaso, o Senhor Jesus conhece muito bem as nossas dores, se faz presente junto a nós e nos consola mesmo se não expressamos a fé devida como foi o caso dessa viúva.

E mais que de repente: "Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”.

De fato, "A multidão reconhece os sinais do Messias e exclama: "Deus veio visitar o seu povo". Ela vê no milagre a chegada, em nossa vida cotidiana, de um mundo novo, do mundo verdadeiro, mundo da vida, que será depois inaugurado no momento em que o próprio Cristo ressusgir. O milagre, em geral, é exatamente o sinal da chegada deste mundo novo em nosso velho mundo de cada dia." (MR).

Portanto, caríssimos, não pensem que os milagres só aconteceram no passado, pois, comungar o Senhor Jesus em estado de graça é viver o milagre de sermos seus sacrários vivos, ressuscitados por Ele, para leva-lo a todos que ainda não o seguem porque não o conhecem. Destarte, esse grande milagre acontece a cada missa celebra em nossas Paróquias.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

SENHOR EU NÃO SOU DIGNO DE QUE ENTREIS EM MINHA MORADA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,1-10)(12/9/22). 


Caríssimos, a fé não é um dom adquirido, mas sim, um bem eterno, um dom gratuito, fruto da benevolência de Deus que nos fez "à sua imagem e semelhança"; porém, ela nasce e cresce numa alma fecundada pelo amor e as boas obras. Desse modo, realiza milagres e prodígios pela oração humilde que chega aos ouvidos de Deus que nos responde de imediato. É isso o que nos mostra a liturgia de hoje.

Com efeito, todos estamos a caminho da eternidade e o tempo nos é dado para prepararmos, pela vivência da fé, o nosso devir eterno, ou seja, o como viveremos eternamente. Por isso, a unidade, fruto do amor fraterno, é fundamental para darmos o testemunho da presença de Cristo no meio de nós, como Ele mesmo nos ensina: "Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mt 18,20).

No Evangelho de hoje um oficial romano ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado que estava gravemente doente. "Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado.

Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde." (Lc 7,6-7b.9-10).

Portanto, caríssimos, a fé é esse dom de Deus na nossa vida que faz acontecer a sua vontade mesmo sem a sua presença física, mas sim pelo poder da Sua Palavra; ora, isso nos mostra que tudo é possível ao que crer, uma vez que a graça nos é dada à medida que humildemente a pedimos com reta intenção, como o fez o oficial ramano.

Destarte, é isto o que nos faz viver autenticamente a nossa fé, a prática da Palavra de nosso Senhor Jesus Cristo, juntamente com as virtudes da humildade, compaixão, solidariedade e vida de oração. Quem assim vive revela ser verdadeiro discípulo de Cristo, porque o transparece por suas palavras e ações. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 11 de setembro de 2022

HOMILIA DO 24DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 24°Dom do Tempo Comum(Lc 15,1-32)(11/9/22)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra Deus como um Pai misericordioso, que nunca desiste de nos amar mesmo se estivermos distantes Dele, como nos mostra são Paulo: "Agradeço àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, pela confiança que teve em mim, ao designar-me para o seu serviço, a mim, que antes blasfemava, perseguia e insultava. Mas encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé." (1Tm 1,12-13).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta três Parábolas nos ensinando que Deus é esse Pai que nos ama e nos trata sempre com ternura e misericórdia. Na Parábola do bom pastor que busca a única ovelha perdida, Ele a conclui dizendo: "Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão." (Lc 15,7).

Na segunda Parábola, Ele nos mostra uma mulher que encontra uma simples moeda de prata que havia perdido, e partilha a sua alegria com as vizinhas como quem encontrou um grande tesouro, e conclui: "Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. Ou seja, a conversão de um pecador, é o seu retorno a Deus, e isso é motivo de grande alegria.

A terceira Parábola é uma das páginas mais belas do Evangelho, e nos mostra um pai misericordioso que recebe de volta o filho mais novo que havia extraviado a sua herança por uma vida devassa, repleta de excessos e muitos pecados, mas o releva pela sua misericórdia e seu amor paternal. 

Também nos chama a atenção a atitude do filho mais velho que ao sentir-se injustiçado acusa o irmão mas novo de ter esbajado os bens com prostitutas e mesmo assim foi perdoado e recebido com festa, e por isso, não compreende esse gesto de grandeza do pai. Ao que o pai lhe responde: "Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”’. (Lc 15,32).

Portanto, caríssimos, nos pondo dentro do Evangelho de hoje, quais dos personagens somos: os pecadores que se aproximavam de Jesus para o escutar? Ou os fariseus que criticavam Jesus por acolher pecadores tratando-os com misericórdia? Ou ainda o filho mais velho inconformado e que por isso esqueceu, que tudo o que era de seu pai era seu?

Destarte, só sabe a graça da felicidade da salvação quem encontra o Senhor Jesus, e se deixa encontrar por Ele, como a ovelha perdida, ou a moeda encontrada, ou ainda o filho que reconheceu os pecados praticados e se arrependeu; a isso chamamos conversão, ou seja, a volta ao aconchego do paraíso perdido, à casa do Pai.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 10 de setembro de 2022

CUIDADO COM OS ÍDOLOS MODERNOS...


 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,43-49)(10/9/22)

Amados irmãos e amadas irmãs, a liturgia de hoje nos mostra a ameaça que paira sobre este mundo por conta da adoração aos ídolos modernos presentes nele. O que fazer, e como combatê-los para evitar que essa ameaça se cumpra? Só existe uma solução, voltarmos para o Senhor Jesus de todo coração e clamarmos por Sua Divina Misericórdia, fazendo penitência, de forma que essa conversão em massa aconteça com urgência, porque sem isso, tudo e todos seremos destruídos.

Meditemos, então, com amor e atenção este Pequeno Sermão de Cada Dia.

Caríssimos, quais são os ídolos modernos aos quais somos tentados a oferecer sacrifícios? De fato, são incontáveis, todavia, podemos citar alguns deles: dinheiro, fama, poder e prazer; e outros ainda: Televisão, celebridades, times de futebol e outras modalidades; ideologias, carnaval, Internet, celulares, redes sociais, etc. 

E o que sacrificam a eles? A própria vida, dando-lhes tempo demasiado a ponto de deixarem a comunhão com Deus para seguir esses ídolos; e isso tem causado dependência psíquica que leva ao desespero aqueles que os cultuam. Por exemplo: um festival de rock onde se paga caro para participar, ajunta um público tão numeroso que causa espanto; enquanto, as nossas igrejas estão se esvaziando. O que é isso? Idolatria moderna cujos frutos são a incredulidade e seus derivados. 

São Paulo na primeira leitura escreveu: "Meus caríssimos, fugi da idolatria. Eu vos falo como a pessoas esclarecidas. O que eu digo é que os idólatras oferecem seus sacrifícios aos demônios e não a Deus. Ora, eu não quero que entreis em comunhão com os demônios. Vós não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; vós não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios." (1Cor 10,14-15.20-21).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus ensinando aos seus discípulos disse: "O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio. Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo?" ( Lc 6,45-46). 

De fato, quer conhecer um homem, dê poder a ele e escute suas palavras e examine suas ações se realmente são de acordo com as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, caso contrário, não dê crédito a ele, não o siga, pois, como profetizou Jeremias: "Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!" (Jer 17,5).

Portanto, caríssimos, seguir a Cristo é ser totalmente de Cristo, é obedece-lo, ama-lo e deixar-se amar por Ele, mas não do nosso jeito ou impondo as nossas exigências; 
pois, como Ele mesmo disse: "Aquele, porém, que me ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa no chão, sem alicerce. 
A torrente deu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa”. (Lc 6,49).

Destarte, não é por menos que vemos este mundo em ruínas; e aqui em nosso país não é diferente, basta examinar a atual situação para perceber um clima pesado, destrutivo e dominado pelo espírito imundo de divisão, calúnia, difamação, ódio, violência e morte. 
E muitos que até se dizem cristãos estão se deixando levar por esse espírito imundo.

Senhor Jesus, tende misericórdia de nós! Perdoa, Senhor, os nossos pecados, apaga-os de nossas almas e nos conduz a vida eterna. Amém!

Amados irmãos e amadas irmãs, não é por falta da verdade que este mundo está assim, porque muitos conhecem as Palavras do Senhor Jesus, mas poucos são os que as põem em prática. 

De fato, este mundo está agonizando na UTI do Tempo, pela idolatria e desobediência dos seus habitantes, cabe a nós dar a Deus o que é Deus, nossa vida e todo o nosso tempo, porque somente assim seremos salvos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

PORQUE DO MESMO MODO COMO JULGARDES, SEREIS JULGADOS TAMBÉM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,39-42)(09/9/22)


Caríssimos, a nossa convivência com o próximo depende diretamente da nossa convivência com Deus, e esta é fruto da nossa oração, porque "como é a nossa oração, assim também é a nossa vida", de modo que, se a nossa oração é superficial, a nossa vida também o é, porém, se ela é encontro, diálogo, escuta, produz muito fruto especialmente no campo da caridade fraterna, porque rezar é amar, a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que o pre-julgamento do próximo é pecado grave, isso porque fomos criados para amar-nos uns aos outros, como nos ensina ao falar sobre o maior mandamento. De fato, o juízo de valor impede a comunhão recíproca, porque se coloca como obstáculo no caminho da relação fraterna. De certo, removamos essa trave do nosso olho para vermos o outro como ele realmente é.

De fato, quem carrega a trave do falso juízo só enxerga os pecados alheios, esquecendo-se que os comete também; julgar é trazer para dentro de si o mal feito e carrega-lo na alma, deixando que ocupe o espaço que era de Deus nela; pelo contrário, discernir é ver claramente o mal feito e rejeita-lo de imediato, porém, sem se arvorar em juiz de ninguém, porque essa é a grande tentação que sofremos.

Com efeito, "Os novos meios que temos à nossa disposição, as redes sociais, muitas vezes protegidas pelo anonimato, tornam-nos impiedosos na emissão de juízos, desse modo, por exemplo, o vício horrível da fofoca se torna uma quase-virtude." Ou a divulgação de falsas notícias como se fossem verdadeiras sem nem sequer verificar se a fonte é realmente confiável. 

No entanto, "Como discípulos de Jesus, somos seriamente convidados a pensar de outra forma, a colocar-nos do ponto de vista de Deus que vê cada um de nós com misericórdia; que não se detém na miséria dos outros, mas na possibilidade de conversão que cada ser humano traz dentro de si." (Mons Angelo Spina).

Portanto, caríssimos, o nosso parâmetro de referência para qualquer julgamento, é Cristo, que da sua intimidade com o Pai nos ensina como emitir um justo juízo: 
"De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).

Destarte, escutemos atentamente o Senhor Jesus: "Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. (Lc 6,41-42).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

FESTA DA NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA...


 FESTA DA NATIVIDADE DE NOSSA Senhora (Mt 1,18-23)(8/9/22)


Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da Natividade de nossa Senhora, isto é, o dia do seu nascimento; dentre todas as mulheres, Deus escolheu Maria, a sua humilde serva, para ser a mãe do Seu Filho, nosso Salvador, como foi profetizado por Miquéias: "Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel." (Mq 5,2).

Com efeito, "Devemos buscar nesta festa da Natividade de Maria uma verdade profunda: a vinda do homem-Deus à terra foi longamente preparada pelo Pai no decurso dos séculos. A pessoa divina do Salvador supera infinitamente tudo o que a humanidade podia gerar, porém, a história da humanidade foi como um lento e difícil parto das condições necessárias à encarnação do Filho de Deus." (MR)

De certo, "Maria é aquela em quem Deus encontrou a mais perfeita e dócil colaboração: é por isso que, ao tornar-se mãe de Deus, Maria também se tornou mãe dos filhos de Deus. Maria, ao dizer o seu "sim" à maternidade messiânica, deixou-se inevitavelmente conduzir pelos caminhos do amor salvífico e tornou-se a ressonância da Misericórdia infinita." (Cardeal Angelo Comastri).

Isso significa que no "sim" de Maria Deus fez cumprir-se todas as profecias a respeito da vinda do Messias, e tudo o que aconteceu depois da sua vinda desde o anúncio do Reino, seus sinais e prodígios até a sua paixão, morte, ressurreição e ascensão ao céu, tem sua origem no seu "sim", por isso, a Igreja piedosamente chama Maria de porta do céu, pois por ela entrou no mundo o Filho de Deus, o Salvador da humanidade. 

Portanto, caríssimos, assim como Deus encontrou em Maria um coração acolhedor para cooperar com Ele na história da salvação da humanidade, por seu Filho amado nosso Senhor Jesus Cristo, que nela se fez Carne e habitou no meio de nós por obra e graça do Espírito Santo, de igual modo, Ele também nos chama à cooperar nesta sua obra salvífica.

Destarte, abramos os nossos corações para respondermos ao chamado de nosso Pai celestial, pondo-nos disponíveis à serviço do seu Reino com generosidade e gratidão, em santidade e justiça todos os dias de nossa vida, como o fez Maria Santíssima, mãe de Deus e nossa mãe.

Cantemos saudando com amor e devoção à Santíssima Virgem Mãe de Jesus, neste dia belíssimo do seu aniversário. Parabéns Mãe amada, ó Virgem Imaculada, filha predileta de Deus Pai.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

DEUS É O NOSSO ÚNICO E VERDADEIRO BEM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,20-26)(07/9/22)


A fé não é uma teoria, também não é uma filosofia de vida, nem um ente de razão; a fé é um dom do Espírito Santo que nos leva a viver em conformidade com a vontade de Deus. 

E nesta meditação veremos as bem-aventuranças como a via da salvação, que o próprio Senhor Jesus percorre conosco. Então, meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, a tendência de quem vê o mundo a partir dos pecados do mundo, é querer pôr a culpa Deus, por isso, não compreende que tudo o que Deus criou são dádivas da sua benevolência para todos, e porque tudo é bom, belo e perfeito, de igual modo deveria ser vivido assim. 

O problema é a tomada de posse do que não nos pertence, por isso, esse comportamento gera desconforto, divisão, ódio, violência e morte.

No Evangelho de hoje o Senhor "Jesus levantando os olhos para os seus discípulos, disse:
“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque havereis de rir! 

Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas." (Lc 6, 20b-23).

De fato, poderíamos até pensar que o Senhor Jesus está usando de um certo conformismo nesse seu ensinamento, mas na verdade, Ele faz uma inversão de valores, pois, para quem vive apegado às coisas deste mundo dificilmente compreenderá que é Deus quem sofre nos seus filhos e filhas para salva-los de suas provações, como o fez com seu Filho Jesus. 

Desse modo nos ensina que as riquezas e vantagens deste mundo não passam de cinza, porque o verdadeiro Bem é o próprio Deus, e quem a Ele tem nada lhe falta.

Comentando esse Evangelho disse o Papa Francisco: "Aqueles que progridem nestas coisas são felizes e serão bem-aventurados. Deus, para se entregar a nós, escolhe muitas vezes caminhos impensáveis, quem sabe os das nossas limitações, das nossas lágrimas, das nossas derrotas. 

É a alegria pascal de que falam os irmãos e irmãs orientais, aquela que tem os estigmas mas está viva, passou pela morte e experimentou o poder de Deus. As Bem-aventuranças conduzem-nos à alegria, sempre; são o caminho da alegria este caminho tão belo, tão seguro da felicidade que o Senhor nos concede."

Amados irmãos e amadas irmãs, Deus nunca falha, porque é Santo, absolutamente Perfeito em tudo que fez e faz, por isso, é digno de todo o nosso amor e confiança, de todo o nosso louvor e adoração, porque é a Ele que unicamente pertencemos.

Então que toda a nossa vida seja um gradissimo hino de louvor e adoração ao nosso Pai celestial por seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo, com Maria nossa mãe amada, são José e todos os santos e santas, aqui e por tada a eternidade. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

A NOSSA VOCAÇÃO É A SANTIDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,12-19)(06/9/22).


Caríssimos, a liturgia de hoje trata da vocação que todos os batizados recebem; pois a vida nova recebida no batismo é uma missão à ser cumprida no nosso dia a dia a partir do nosso convívio com Cristo ressuscitado. De fato, a nossa vocação é a santidade, como o Senhor mesmo nos ensinou: "Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo”. (Mt 5, 48).

A propósito, o Evangelho de hoje começa narrado o encontro que o Senhor Jesus fez com o Pai ao subir a montanha e passar a noite toda com Ele em oração, para depois fazer a escolha dos doze Apóstolos dentre uma multidão de discípulos que o seguia. E como vimos, a escolha dos mesmos foi uma decisão em comum com o Pai e o Espírito Santo que o conduzia.

De certo, não podemos esquecer que todos estamos a caminho da eternidade, e pelo o que nos revela as Sagradas Escrituras, é aqui entre as provações e as intempéries deste mundo que o Senhor Jesus vai nos conduzindo à glória do Seu Reino, à medida que renunciamos a nós mesmos, carregando com Ele a nossa cruz de cada dia.

Portanto, caríssimos, como vemos nesta narrativa: "Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e uma grande multidão. Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos." (Lc 6,17-19).

Destarte, essa força do Senhor Jesus em nosso tempo se encontra na Eucaristia e nos outros Sacramentos, no poder da Sua Palavra proclamada e praticada no seio da Sua Santa Igreja; na vida de oração pessoal e comunitária, e nas obras de misericórdia preparadas por nosso Pai celestial, para que as pratiquemos.

Oremos: "Deus nosso Pai, que em Cristo vosso Filho nos enriquecestes com todas as bênçãos espirituais e nos escolhestes, antes da criação do mundo, para sermos santos, dai-nos conhecer o mistério da vossa vontade e ensinai-nos a realizá-la em nossas obras. Por Cristo, nosso Senhor."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

A VERDADE NOS LIBERTA SEMPRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,6-11)(05/9/22)


Caríssimos, mesmo que não queiramos somos obervados e julgados em nosso modo de ser e estar no mundo. Daí a necessidade de "ser o que somos aos olhos de Deus e nada mais," como nos ensinou são Francisco de Assis; de modo que "nos tornemos Evangelhos vivos de nosso Senhor Jesus Cristo," como ele também ensinou. 

Com efeito, a prática da fé não é feita de aparências em busca aplausos, mas é algo interno, discreto, que transparece Cristo, a quem seguimos. E isso requer coerência, autenticidade, amor e sacrifício no vencimento de si mesmo, pois, como também ensinou são Francisco: "O pior inimigo do homem é ele mesmo; vence-te a ti mesmo e vencerás todos os inimigos visíveis e invisíveis, mas jamais conseguirás isso sem o auxílio da graça de Deus."

No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus "num dia de sábado entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo." Ou seja, existem aqueles que usam a Lei de Deus como pretexto para fazerem o mal. Cuidemos para não caírmos nessa astúcia infernal.

"Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada."

Portanto, caríssimos, com esse gesto o Senhor Jesus nos ensina que Deus nos deu a sua Lei para sermos livres e jamais para subjugar-nos. Por isso, tudo o que fazemos para devolver ao homem a sua dignidade, é para a glória de Deus que o fazemos. De modo que isso não é apenas lícito, mas é a nossa própria missão.

Destarte, esse ensinamento do Senhor Jesus é de suma importância, pois nos mostra um profundo amor e respeito pela vida humana, para que assim nos amemos uns aos outros fazendo sempre e somente o bem.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 4 de setembro de 2022

SER LIVRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,1-5)(03/9/22)


Caríssimos, a liberdade humana é verdadeira somente se ela é vivida em Cristo; fora Dele não existe, pois somente Cristo nos conduz à liberdade eterna que nos liberta das amarras da finitude deste mundo. Com efeito, o nosso livre arbítrio não significa fazer o que se quer, onde, como e quando quiser, porque no mais das vezes as consequências advindas da imperfeição do pecado são desastrosas e levam à perda da liberdade e à morte.

De certo, analisando o que foi dito naturalmente surge a pergunta: e como fazer para vencer essas imperfeições? Também como foi dito acima, seguindo a Cristo, caminho, verdade e vida, o único que nos conduz ao Pai, Nele realmente nos sentimos seguros mesmo padecendo toda espécie de perseguição e constrangimento como afirma são Paulo na primeira leitura.

O graça de crer em Cristo e segui-lo no seio da Sua Santa Igreja, é ter a certeza de que Ele está sempre conosco, e se sofremos Ele sofre conosco, porém, nos consola para não desanimarmos na luta contra o pecado, que na verdade é o nosso maior inimigo, porque tem sua origem no maligno.

No Evangelho de hoje, "Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Então alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?” Ao que o Senhor respondeu com o exemplo do rei Davi, que por conta da fome violou a lei comendo os pães consagrados, o que somente aos sacerdotes era lícito fazer.

Portanto, caríssimos, no final desse Evangelho Jesus afirmou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”. (Lc 6,5). Ora, essa afirmação nos revela qual seja o verdadeiro sentido da Lei, ser o pedagogo que conduz todos a Ele, que recebeu do Pai a missão de salvar-nos.

Destarte, interpretar a Lei com o rigorismo moralista farisaico, é tirar dela o amor e a misericórdia, tornando-a inútil, ou seja, apenas letra que julga, condena e mata, como fizeram com o Senhor Jesus. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

NÃO JULGUEIS (II)


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 5,33-39)(02/9/22)


Caríssimos, por incrível que pareça, um dos pecados mais cometidos na face da terra é o julgamento indevido do próximo, porque afeta diretamente os que não podem se defender. De certo, o ato de julgar sem a devida autoridade, gera intriga, discórdias e divisão, porque é mal, injusto e tendencioso, levando à destruição da reputação e da boa imagem de muitas de suas vítimas por vezes inocentes.

Na primeira leitura assim escreveu são Paulo a esse respeito: "Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. É verdade que a minha consciência não me acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo. Quem me julga é o Senhor.

Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará as intenções dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que merece." (1Cor 4,3-5). Ou seja, haverá um tempo para o julgamento, e Deus é o único e Justo Juiz que nos julgará com total isenção. Preparemo-nos...

Aliás, são Paulo também escreveu: "Assim, és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles. Ora, sabemos que o juízo de Deus contra aqueles que fazem tais coisas corresponde à verdade.

Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade, desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento?" (Rm 2,1-8).

Portanto, caríssimos, evitemos todo e qualquer juízo indevido contra quem quer que seja, pelo contrário, usemos de misericórdia para com todos, como nos ensinou são Tiago: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12-13).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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