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sábado, 10 de abril de 2021

NÃO OS TEMAIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mc 16,9-15)(10/04/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, desde o início do cristianismo, a Igreja fundada por Jesus e dotada do Espírito Santo, sofre perseguições e se solidificou tendo como base o sangue dos mártires, à começar pelo próprio Sangue de Cristo derramado no calvário; de modo que esta perseguição é mais uma atualização das sofridas pela Igreja ao longo de mais de dois mil anos.


De fato, nos últimos tempos as perseguições contra os cristãos voltaram à tona com todas as forças de que é capaz o inimigo de nossas almas, porém, quanto mais perseguidos, mais amados, mais protegidos por Deus, nosso Pai, que sabe muito bem cuidar dos seus filhos e filhas perseguidos por causa do nome do Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.


Com efeito, no tempo dos Apóstolos o modo operante das autoridades de então era o mesmo de hoje, ou seja, fechar o templo, mas somente para os seguidores de Cristo. O fato é que tinham como desculpa um vírus pior do que este que ora contamina os corpos, trata-se do vírus da rejeição de Jesus e dos seus seguidores, que na verdade está contaminando os atuais perseguidores.


De certo, hoje os pretensos agentes do bem aparente nos proíbem da prática da nossa fé como deve ser, ou seja, a prática presencial dos Sacramentos, enquanto perdurar esta pandemia, não obstante todos os cuidados que vínhamos tomando para que ninguém se contaminasse, e de fato, os nossos Templos se tornaram os locais mais seguros contra esta praga. No entanto, essa comprovação não foi suficiente para impedir que tais juízes em sua petulância fechassem temporariamente os nossos lugares santos.


Portanto, caríssimos, não importa o nível de perseguição a que estamos submetidos; importa sim, ouvir o que nos diz o Senhor Jesus: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no no meio deles." (Mt 18,20). E ainda: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado.” (Mt 6,33)


Destarte, rezemos então por nós e pela conversão dos juízes que tomaram essa decisão, como o fizeram os primeiros cristãos durante a perseguição e prisão dos Apóstolos: "Agora, pois, Senhor, olhai para as suas ameaças e concedei aos vossos servos que com todo o desassombro anunciem a vossa palavra. Estendei a vossa mão para que se realizem curas, milagres e prodígios pelo nome de Jesus, vosso santo servo!" (At 4,29-30)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

À ESPERA DA PESCA MILAGROSA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 21,1-14)(09/04/2021)


Caríssimos, realmente a vida sem a presença de Jesus, sem a sua orientação, sem a sua amizade, é uma vida sem graça, sem sentido de ser; é como se perdêssemos o rumo e deixasse entrar o desânimo, a falta de perspectivas e de motivos para levar adiante a nossa missão. É assim que se sente Pedro e os outros Apóstolos à espera de uma nova aparição de Jesus, de um novo encontro com Ele.


E por causa de Sua ausência e da falta de perspectiva, resolvem voltar à antiga profissão à qual já estavam acostumados, mas nem isso conseguem fazer bem, pois, nada conseguem além de muita fadiga e esgotamento psicológico, físico e emocional. Todavia, quando encontram o Senhor ressuscitado, mesmo sem plena consciência de que é Ele, e obedecem à Sua Divina Palavra, logo se dão conta de quão maravilhoso é seguir o que diz o Senhor, porque a Sua Palavra posta em prática se cumpre na íntegra. 


De fato, também em nosso tempo muitos estão perdendo a fé, porque deixaram de seguir o Senhor Jesus, para seguir os próprios caprichos ou as sugestões do maligno, e o resultado nefasto é essa crise na qual estamos mergulhados; da qual só vem desânimo, cansaço e o medo de que tudo fuja do controle e termine numa tragédia sem precedentes. De certo, precisamos voltar ao primeiro amor, isto é, à obediência ao que nos diz o Senhor para fazermos novas pescas milagrosas, e assim vencermos o mar revolto deste mundo.


Portanto, caríssimos, o pior de tudo é tirar de nós o único meio de vivermos plenamente a nossa fé, ou seja, a Santa Missa presencial; e fazem isso à despeito do perigo desse vírus, quando na verdade o pior vírus é a incredulidade advinda da intervenção do poder civil no contesto religioso à dispeito de que estão defendendo vidas.


Destarte, quanto mais se afastam do Senhor Jesus, mais aumentam essa crise, quando o certo é seguir o distanciamento recomendado e as medidas restritivas propostas, para assim permitir os fiéis viverem integralmente a fé, como o Senhor Jesus nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê." (Mc 9,23).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

POR QUE TENDES DÚVIDAS NO CORAÇÃO? SOU EU MESMO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 24,35-48)(08/04/2021)


Caríssimos, o Evangelho de hoje nos mostra que a princípio Cristo ressuscitado aos olhos dos Apóstolos, parece ser algo irreal à ponto de confundirem o Senhor com um fantasma; mas aos poucos vão se dando conta de que Ele realmente está vivo bem ali diante deles, por isso, são tomados por uma alegria incomparável, e desse modo, a experiência trágica da cruenta paixão do Senhor, dá lugar ao esplendor da Sua gloriosa Ressurreição.


De fato, as surpresas de Deus são incomparáveis e indescritíveis, dado as nossas limitações; todavia, porque as experimentamos no mais íntimo de nossas almas, como aconteceu com os Apóstolos no Cenáculo, podemos realmente testemunha-las, como bem disse o Senhor: "Vós sereis testemunhas de tudo isso”. E realmente o fazemos à medida que com Ele convivemos. 


Com efeito, na primeira leitura de hoje, logo após a cura do paralítico de nascença, são Pedro começa a sua missão de testemunha da ressurreição de Jesus dirigindo-se aos presentes neste acontecimento, mostrando-lhes o quanto eram culpados por tamanha maldade cometida contra o Senhor, mas ao mesmo tempo os exorta ao arrependimento para receberem o perdão dos pecados e a graça da participação na sua ressurreição.


De certo, também nós, neste tempo de prova que estamos atravessando, sofremos a tentação de pensarmos na ressurreição de Jesus como um acontecimento do tempo dos Apóstolos e não atual; e caso isso aconteça, corremos o risco de vivermos uma fé meramente teórica; e não como o dom do Espírito Santo recebido no batismo, pela qual identificamos Jesus Ressuscitado, presente nos Sacramentos, em especial na Santa Eucaristia.


Portanto, caríssimos, pelas evidências bíblicas e o testemunho dos santos e santas de todos os tempos, façamos também nós a mesma experiência que eles fizeram, ou seja, convivermos com Jesus vivo nos conduzindo por meio dos seus servos escolhidos, isto é, o Santo Padre em comunhão com os nossos bispos no governo da Sua Santa Igreja.


Destarte, peçamos humildemente a intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, e do seu esposo são José, para sermos fiéis até o fim neste santo propósito como o foram os Apóstolos e todos os que deram a vida à serviço do anúncio de Cristo e do Seu Evangelho.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

"FICA CONOSCO SENHOR..."


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 24,13-35)(07/04/2021)


Caríssimos, quando tudo parecer obscuro, sem sentido, e quando sofrermos tentações e outras investidas do maligno; não podemos nos deixar abater, pois, Deus nunca nos deixa sozinhos mesmo que a realidade em nossa volta queira nos desenganar, queira tirar de nós à única virtude que nos faz resistir a tudo o que é contrário a vontade de Deus, ou seja, o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.


De fato, quem encontra Jesus ressuscitado e segue com Ele até o fim, não tem tempo para as coisas fúteis deste mundo, nem para tentações ou pecados; é isto o que nos ensina esta liturgia de hoje, em que os discípulos de Emaús mesmo vivendo em meio à tristeza por causa da morte trágica de Jesus, que acreditavam ser o Messias enviado, continuaram cultivando a memória de suas palavras e de suas obras e por isso mesmo foram por Ele recompensados com a Sua aparição.


Na primeira leitura vemos Pedro e João darem ao paralítico de nascença a única riqueza que possuíam, ou seja, a graça da cura e libertação da paralisia que lhe fazia escravo de tal condição. Ora, e tudo isso fizeram pelo o poder do nome de Jesus ressuscitado a quem portava em suas almas para sanar as aflições dos que tanto precisavam, neste caso, o paralítico e todos os que testemunharam esse grande milagre.


Com efeito, todos os acontecimentos bíblicos são evidências da presença real do Senhor Jesus, que de Sua dimensão eterna, nos leva a conviver com Ele pessoalmente pela fé e a oração que são os meios indispensáveis para vivermos essa interação; o que o Senhor nos pede é que abramos as portas do nosso coração para o acolhermos e com Ele convivermos, pois, comungar Seu Corpo e Sangue, Sua Alma e Divindade, é fazer a mesma experiência da Sua ressurreição que os discípulos fizeram. 


Portanto, caríssimos, façamos também ao Senhor Jesus, o mesmo convite que os discípulos de Emaús fizeram: “Fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite vem chegando!” De fato, ninguém faz um convite como esse ao Senhor sem que Dele receba alguma resposta como vimos nesse episódio. 


Destarte, pelo Sacramento do Batismo recebemos o Espírito Santo e com Ele todas as virtudes e todos os dons para interagirmos com o Senhor ressuscitado e também com aqueles a quem formos inviados para anuncia-lhes a alegria da Sua Ressurreição.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 6 de abril de 2021

O ENCONTRO COM JESUS RESSUSCITADO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 20,11-18)(06/04/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, o ser humano necessita das evidências cotidianas para prosseguir lutando contra tudo aquilo que tenta tirar-lhe a felicidade de ser e viver neste mundo; ora, esta liturgia de hoje nos mostra a perseverança de Maria Madalena que buscava o corpo morto do seu Senhor, mas o encontrou ressuscitado.


De fato, neste Evangelho de hoje vimos como foi essa experiência de Maria Madalena ao encontrar Jesus ressuscitado; a princípio não foi possível esse encontro dado à tristeza que lhe invadia o coração por ver o túmulo vazio, isto é, sem o corpo do seu Senhor; mas depois de encontra-lo, a alegria do Senhor ressuscitado preencheu a sua alma e desse modo foi cumprir sua missão de anuncia-lo aos seus irmãos para que o encontrassem na Galileia.


Com efeito, não obstante as perdas e tristezas advindas de nossas fraquezas em meio à essa pandemia, nem tudo está perdido, pois, como Maria Madalena, também temos a convicção de encontrarmos Jesus ressuscitado no mais íntimo de nossas almas e com Ele singrar este mar tenebroso que estamos atravessando até chegarmos ao porto seguro da nossa salvação eterna no Reino de Deus.


Na primeira leitura são Pedro, logo após o Pentecostes, repleto do Espírito Santo, dirigiu aos seus ouvintes palavras de exortação que lhes tocou o coração, pois, revelava ao mesmo tempo o pecado deles, mas também a vitória de Cristo ressuscitado, levando-os à conversão e ao batismo; desse modo, de perversos perseguidores se tornaram fiéis seguidores do Senhor Jesus Cristo. Ora, esse episódio nos mostra o quanto precisamos de conversão.


Portanto, caríssimos, o fato é que todos nós passamos por diversas provações nas horas difíceis do nosso viver, e até somos tentados a pensar que Deus está ausente dos nossos sofrimentos, quando na verdade Ele está ressuscitado conosco, nos chamando pelo nome e nos enviando para proclamar aos nossos irmãos e irmãs a alegria da Sua Ressurreição como Ele o fez com Maria Madalena.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

A VERDADE VENCE SEMPRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 28,8-15)(05/04/21)


Caríssimos, na liturgia de hoje, a Palavra anúncio faz ressoar o eco da Verdade que comunica a vida eterna que Jesus Ressuscitado conquistou para nós que o acolhemos em nossas almas. Acreditar na Ressurreição de Cristo, já é ressuscitar com Cristo, ou seja, é experimentar a verdade nos arrancando dos nossos sepulcros nos quais estávamos sepultados pelos nossos pecados. 


No entanto, existe ainda aqueles que mesmo livres da escravidão do pecado e da morte, tentam como o povo eleito, voltar para o Egito, ou seja, para a terra da escravidão, dando ouvidos à palavras totalmente contrárias à ressurreição do Senhor; e quando se deixam levar por tais insígnias malignas se tornam novamente escravos do inimigo malígno.


No Evangelho de hoje a Palavra anúncio se faz presente na boca das testemunhas da Ressurreição do Filho de Deus; são elas: as mulheres que foram ao encontro do Senhor, e os soldados que guardavam o sepulcro. No entanto, há uma grande diferença entre estes anúncios, isto porque tudo o que é verdadeiro, autêntico, dura para sempre; ao contrário, tudo o que não condiz com a verdade perde a validade, porque a mentira se destrói por si mesma.


Com efeito, as mulheres anunciam a ressurreição do Senhor aos discípulos, porque foram enviadas pessoalmente por Ele: "Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. E assim elas cumpriram a missão levando em suas almas a Palavra do Senhor ressuscitado.


Por outro lado, também os soldados presenciaram a ressurreição de Jesus e até a anunciaram, mas não creram e por isso se deixaram corromper pelos sumos sacerdotes e os anciãos que haviam crucificado o Senhor; porém, não admitiram serem derrotados pela Verdade, e assim, por uma grande soma compraram o silêncio de tais soldados, e lhes enviaram a espalhar entre o povo um boato mentiroso.


Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje, as "Fake News" não são uma prática do nosso tempo, isto porque o pai da mentira, o demônio, mesmo derrotado, continua derramando toneladas de "Feke News", por não admitir que a Verdade vence sempre.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 4 de abril de 2021

SOLENIDADE DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR JESUS CRISTO...


 SOLENIDADE DA RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS...


"Cristo ressuscitou aleluia, venceu a morte com amor, aleluia!"


Caríssimos, quem poderia compreender e experimentar essa verdade, se Deus Pai não a tivesse realizado em Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo? Por isso, pasmem os incrédulos, os indiferentes e todos os maléficos; pasmem também os que creem, pois, Deus que é infinitamente Santo, Eterno, Todo Poderoso, e o nosso Sumo Bem, destituiu a Besta, a antiga serpente, e desmontou o seu plano maléfico de destruição da Criação, por meio da Paixão, morte e ressurreição de Seu Filho Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, que tira o pecado do mundo, e sustenta o universo, com o poder da Sua Palavra (cf. Hb 1,1ss). 


De fato, Deus criou todas as coisas, para o louvor da Sua Glória e para a nossa felicidade eterna; esse foi e sempre será o sentido da Criação, e não cooperar na realização desse santo desígnio do Senhor é perde-lo e perder-se eternamente com o diabo e seus sequazes. Ora, Deus é fiel, e tudo o que planejou em seu amor para a obra de suas mãos, se cumprirá perfeitamente, porque Ele nunca falha; por isso, leva a bom termo sua obra criada e redimida por Seu amado Filho. (cf. Ef 1,3-23).


De certo, ao celebrarmos a Ressurreição do Senhor Jesus, o fazemos como ápice da revelação divina em cumprimento à todas as profecias e promessas de Deus no Antigo Testamento. E com isso, celebramos também o início do Reino de Deus aqui no tempo, isto é, na finitude natural que nos cerca, que na verdade é a porta de entrada na eternidade, ou seja, no definitivo de todas as criaturas. 


Destarte, cultivemos com amor e devoção este ensinamento de são Francisco de Assis: “Somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais”. Pensando bem, realmente nada somos sem Jesus Cristo, tal qual Ele nos ensinou: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”. (Jo 15,5.3).


Portanto, caríssimos, precisamos viver a experiência da ressurreição de Cristo com Cristo e em Cristo Eucarístico. Bem como meditamos na Carta aos Colosensses: “Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. (Cl 3,1-4).


Meu Senhor e meu Deus, guarda-nos ressuscitados contigo, hoje e sempre no esplendor da tua glória eterna. Amém! Aleluia!


Feliz Páscoa! 


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria,OFMConv.

sábado, 3 de abril de 2021

A VIDA VENCEU A MORTE PARA SEMPRE...


 SÁBADO SANTO - VIGÍLIA PASCAL (Mc 16,1-7)(03/04/21)


Caríssimos, hoje é Sábado Santo, dia em que a Igreja celebra Solenemente a Vigília Pascal, isto é, a Proclamação da Páscoa do Senhor; a Sua passagem da morte para a vida, pois, não haveria nenhum sentido de ser em toda a criação se tudo terminasse com a morte; de fato, pela fé que recebemos no batismo, não é a morte quem tem a última palavra; mas sim, o Senhor Jesus, que por Sua Ressurreição nos dá a vida eterna.

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Com efeito, não podemos esquecer que o real sentido do viver se fundamenta na Palavra de vida eterna que o Senhor Jesus nos veio trazer da parte do Pai. Desse modo, todo nosso ser e estar no mundo encontra na prática da Sua Palavra a esperança que nos faz crescer em santidade e justiça diante de Deus que nos criou por amor e somente para amar; pois, sem essa esperança de nada valeria a vida que Ele nos deu.


Santo Amadeu de Lousana, monge e bispo (séc. XII), referindo-se à vitória de Cristo ressuscitado, escreveu: "Como diz Salomão, há um tempo para a tristeza e um tempo para a alegria (cf Ecle 3,4). A tristeza passou, chegou o tempo da alegria, da verdadeira alegria, que provém da ressurreição de Cristo.


Por ti, Ele saiu, vitorioso, do inferno, destruiu as portas de bronze, rompeu as barras de ferro, apoderou-se da fortaleza do inferno, esmagou a cabeça do dragão. Fez de teus inimigos uma carnificina imensa, lançando na fossa o príncipe dos infernos. Matou a morte e acorrentou o autor da morte.


Em seguida, retirou os seus das trevas e rompeu-lhes as cadeias, chamando as almas de todos os justos, que caminham à luz do seu rosto, exultando no seu nome; estas almas foram exaltadas na sua justiça, elas que tinham sido humilhadas pelas suas injustiças." 


Portanto, caríssimos, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Seu Santo Nome, pois, como nos ensinou São Paulo: "Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor." (Fl 2,9-11).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

"O PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO."


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 18,1-19,42)(02/04/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, hoje o mundo amanhece em silêncio por conta da maior injustiça já cometida na face da terra, ou seja, a perseguição, prisão, tortura, crucifixão e morte do Filho amado de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo; sem que houvesse alguém que o defendesse em seu martírio, exceto sua Mãe Maria Santíssima e o seu discípulo amado, João.


De fato, a fúria maligna não poupou nem mesmo o inocente Filho de Deus; no entanto, aqueles que se aliaram para cometer tamanha aberração nem perceberam que o preço da nossa salvação foi exatamente o Sangue preciosíssimo do Senhor Jesus que por sua morte de cruz libertou do pecado, da morte e do inferno todos os pecadores que acolheram Sua Divina Misericórdia, deixando-se conduzir por Ele à glória da Ressurreição.


Eis o que escreveu Santo Antônio de Pádua a respeito da Paixão do Senhor: "Pai, a cabeça de teu Filho, Jesus, diante de quem estremecem os arcanjos, foi ferida pelos espinhos; o seu rosto, no qual os anjos desejam mergulhar o seu olhar (cf 1Pe 1,12), foi conspurcado de escarros, ferido pelas bofetadas; arrancaram-Lhe a barba, deram-Lhe pancadas, puxaram-Lhe os cabelos.


E Tu, Deus clementíssimo, Tu escondes-Te, Tu ocultas-Te, e preferes que um só, o teu Único, seja coberto de escarros e esbofeteado para evitar que todo o povo pereça (cf Jo 11,50). A Ti o louvor e a glória, porque extraíste dos escarros e das pancadas o antídoto que arranca da nossa alma o veneno da antiga serpente.


Rezemos, irmãos bem-amados, e peçamos com insistência e piedade ao Senhor Jesus Cristo, que devolveu a vista ao cego de nascença e a Tobias, que ilumine os olhos da nossa alma pela fé na sua encarnação e pela amargura da sua Paixão, a fim de que mereçamos contemplar a Ele, o Filho de Deus, Luz nascida da Luz, no esplendor dos santos, na claridade dos anjos. Que venha em nosso auxílio Aquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Jo 13,1-15)(01/04/21)


Celebração da Ceia do Senhor; a Instituição da Santa Eucaristia, do Sacerdócio e da Santa Missa.


Caríssimos, o mistério da morte é essa realidade sempre presente com o qual nos confrontamos a todo momento, e o experimentamos em nós mesmos, seja com o tempo que se esvai, seja quando somos atingidos por alguma enfermidade ou perigo que se nos ameaça. O certo é que fora de Deus ninguém tem o domínio total sobre este mistério.


Na liturgia desta Quinta-feira Santa vemos o Senhor Jesus instituir a Eucaristia, isto é, Seu Corpo e Sangue; Sua Alma e Divindade; o Sacerdócio e a Santa Missa. Ora, mas tudo Ele realiza sem dispensar a Cruz que vai enfrentar mediante a Sua Paixão, morte e ressurreição. E ela já começa com a traição de Judas que deixando de lado o amor do Seu Mestre e Senhor, o vende como se fosse um escravo, desprezando todo o bem que Dele recebeu.


Com efeito, é também nesta celebração que o Senhor Jesus lava os pés dos Apóstolos, mostrando-lhes que o verdadeiro sentido do viver se encontra no servir uns aos outros sem reivindicar reconhecimento ou glória, pois, como Ele mesmo disse: "Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.


«Sabendo Jesus que chegara a sua hora [...], amou-os até ao fim»


Comentando os acontecimentos deste dia santo, disse Santa Catarina de Sena: "Sede obedientes até à morte, a exemplo do Cordeiro sem mancha que obedeceu a seu Pai até à morte vergonhosa na cruz. Pensai que ele é o caminho e a regra que deveis seguir. Tende-O sempre presente diante dos olhos do espírito.


Vede como este Verbo, a Palavra de Deus, obedece! Ele não Se recusa a carregar o fardo das dores de que o Pai O encarregou; pelo contrário, abraça-Se a ele, animado de grande desejo, dizendo, na Ceia da Quinta-feira Santa: «Tenho desejado ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer!» (Lc 22,15).


Comer a Páscoa é cumprir a vontade do Pai. Vendo chegar a sua hora (via-Se já no fim, no sacrifício do seu corpo por nós), Ele exulta, rejubila e diz com alegria: «Tenho desejado ardentemente»: eis a Páscoa de que Ele falava, e que consistia em Se dar a Si próprio em alimento, em imolar o seu próprio corpo para obedecer ao Pai."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 31 de março de 2021

QUANDO O PECADO OCUPA A ALMA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA 

(Mt 26,14-25)(31/03/21)


Caríssimos, não existe nada mais repugnante do que o pecado, e ainda pior quando cometido conscientemente como se o mal fosse um bem, apesar do estado mórbido da alma ao pratica-lo. De fato, todo pecado fere a nossa dignidade e a dos outros; ele é sempre uma ofensa contra Deus, por atingir a sua imagem e semelhança que somos; todo pecado vem do maligno e é sinônimo de maldição.


Comentando este Evangelho de hoje, disse o Papa emérito Bento XVI: "Quarta-Feira Santa introduz-nos já no clima dramático dos próximos dias, permeados da recordação da paixão e morte de Cristo. De fato, na liturgia de hoje, o evangelista Mateus repropõe à nossa meditação o breve diálogo que Jesus teve no Cenáculo com Judas. "Porventura sou eu, Rabbi?", pergunta o traidor ao Mestre divino, que tinha prenunciado: "Em verdade vos digo: um de vós Me há-de entregar". Foi incisiva a resposta do Senhor: "Tu o dizes" (cf. Mt 26,14-25). 


Por seu lado São João conclui a narração do anúncio da traição de Judas com poucas palavras, mas significativas: "E era noite" (Jo 13, 30), quando o traidor abandona o Cenáculo, intensifica-se a escuridão no seu coração é a noite interior; aumenta o desânimo no coração dos outros discípulos também eles se encaminham para a noite enquanto trevas de abandono e de ódio se adensam sobre o Filho do Homem que se encaminha para consumar o seu sacrifício na cruz.


Queridos irmãos e irmãs, o Mistério pascal, que o Tríduo Sacro nos fará reviver, não é só recordação de uma realidade que passou, é realidade atual: também hoje Cristo vence com o seu amor o pecado e a morte. O Mal, em todas as suas formas, não tem a última palavra. O triunfo final é de Cristo, da verdade e do amor! Se com Ele estamos dispostos a sofrer e a morrer, recordar-nos-á São Paulo na Vigília pascal, a sua vida torna-se a nossa vida (cf. Rm 6, 9). 


Sobre esta certeza se baseia e se constrói a nossa existência cristã. Invocando a intercessão de Maria Santíssima, que seguiu Jesus pelo caminho da Paixão e da Cruz e o abraçou depois da sua deposição, desejo a todos vós que participeis devotamente no Tríduo Pascal para sentir a alegria da Páscoa juntamente com todos os que vos são queridos." (Papa Bento XVI, audiência geral, 04/04/07)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 30 de março de 2021

NADA SE COMPARA AO TEU AMOR SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 13,21-33.36-38)(30/03/21)


Caríssimos, por traz da negação da verdade se encontra as nossas misérias e o quanto nós somos frágeis por nós mesmos; no entanto, para onde olharmos seja com os olhos físicos ou com os olhos da alma a verdade ali está, refletindo a grandeza do nosso Criador, estampada na obra da criação. Porém, é na cruz de Jesus onde a encontramos com mais evidência ainda, pois, foi por Seu Sacrifício cruento que o Senhor nos amou e nos libertou da escravidão do pecado, da morte e do inferno.


Com efeito, todo pecado é uma negação da verdade, no entanto, nenhum pecado prevalecerá sobre ela. Por isso, o amor do Senhor reinará para sempre acima de todas as coisas, pois, como Ele mesmo disse: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos." E de imediato, acrescentou: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando." 


Mas, por que o Senhor disse isso? Eis a resposta: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda." (Jo 15,15-16).


No Evangelho de hoje Jesus nos mostra a Sua total confiança no Pai, apresentando à Ele a nossa fragilidade assumida pela Sua submissão amorosa e incondicional; a qual, são Paulo descreveu com maestria: "Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, e assemelhando-se aos homens." (Fl 2,6-7).


Portanto, caríssimos, assim como Pedro negou o Senhor por três vezes e caíndo em si viu o mal que fizera; creio que pelos muitos pecados também o negamos, por isso, precisamos do mesmo olhar misericordioso que o Senhor lançou sobre Pedro, a fim de que choremos também nós, profundamente arrependidos, por lhe ter negado e ofendido com os nossos pecados.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de março de 2021

A ALMA QUE SABE AGRADECER AO SEU SENHOR, SE ENTREGA A ELE TOTALMENTE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 12,1-11)(29/03/21)


Caríssimos, para nós que seguimos o Senhor Jesus nesta trajetória rumo à eternidade, que aqui chega ao fim com a morte temporal, temos muito a aprender com os exemplos dos relatos bíblicos que o Senhor nos deixou como tesouros para o nosso discipulado. E nesta segunda-feira da semana santa, temos um grande exemplo à seguir a partir das cenas do episódio do jantar na casa de Lázaro à quem o Senhor Jesus havia ressuscitado.


Na primeira cena, todos se alegram com a presença de Jesus, e logo vem Maria, irmã do anfitrião, portando um frasco contendo um bálsamo de suave odor, digno do Seu Mestre e Senhor a quem amava de coração pela libertação que dele recebera. E tomada por tamanho amor, unge-lhe os pés e os enchuga com seus cabelos como expressão de profunda gratidão por todo o bem recebido.


Segunda cena, vemos que toda expressão de amor e de gratidão para com Deus ou para com os seus mensageiros, se torna motivo de repúdio por parte daqueles que não tem um coração agradecido, e por isso, não suportam o amor dos que reconhecem o bem recebido e humildemente agradecem.


Ora, e nesta cena, vemos a contestação de Judas Escariotes, reivindicando a caridade para com os pobres, quando na verdade estava usando os pobres com o fim de satisfazer os próprios interesses. De fato, e como um pecado é porta de entrada para outros, logo se apossou dele a ganância à ponto de vender Jesus aos doutores da Lei por trinta moedas de prata para que fosse condenado a morte.


Portanto, caríssimos, como vimos nesse episódio, mesmo cheios de alegria pela presença do Senhor Jesus, ainda houve quem desse espaço para a ação do maligno; todavia, o Senhor nos ensina a não perdermos tempo nem darmos atenção às reações do mal que tenta atrapalhar a nossa comunhão com Ele. Por isso, a Sua Palavra é fundamental para nos manter em plena harmonia.


Destarte, muita atenção com os estragadores de virtudes, pois, viver na presença de Deus e em permanente comunhão com Ele é tudo em nossa vida.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 28 de março de 2021

SOLENIDADE DO DOMINGO DE RAMOS...


 Homilia do Domingo de Ramos (Mc 15,1-39)(28/03/21)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos chama à exaltarmos o Senhor Jesus como único Rei de nossa vida, à nos unirmos a Ele totalmente, para assim vencermos a impotência do medo, o desânimo da falta de fé e o vazio que ele gera. Ora, sabemos muito bem que estamos vivendo um tempo de duras provas o qual nos convoca ao arrependimento dos nossos pecados e à conversão, à penitência e a vida de oração, sem as quais nada poderá mudar.


Com efeito, pela bondade do Senhor aqui estamos alimentando a esperança de que a nossa fragilidade acompanhada do arrependimento sincero e dos bons propósitos, atrai a Sua Divina Misericórdia sobre nós que estamos atravessando este momento tão difícil, para que sob a proteção do Rei Jesus, vivamos a verdadeira fé que tudo pode, até mesmo transportar montanhas ao mar.


De fato, como seria bom uma conversão em massa como a que houve entre os Ninivitas na época do Profeta Jonas; como seria bom termos as nossas igrejas novamente repletas de homens e mulheres piedosos em busca da Santidade de vida. Como seria bom fazer das nossas cidades uma Jerusalém celeste para que nelas reinasse Jesus Cristo, o Filho de Deus, nosso grande Rei e Salvador.


De certo, com a narração da Paixão e morte do Senhor se inicia neste Domingo de Ramos a Semana Santa na qual se deram os acontecimentos que mudaram para sempre a história da humanidade. Ora, ao entrar humildemente em Jerusalém montado num jumentinho, Jesus nos revela que o Seu Reino não é deste mundo e que a verdadeira felicidade consiste na simplescidade com que vivemos diante de Deus, nosso Pai celestial.


Portanto, caríssimos, "a leitura da Paixão do Senhor, é a leitura de um drama infinito bem à nossa vista"; de fato, talvez não entendamos o porquê do sacrifício do inocente Filho de Deus, o Cordeiro imolado; o Servo Sofredor. Todavia, entendemos o para que desse acontecimento, isto é, para que se cumpra a Justiça divina, que pune os culpados, mas salva os que se arrependem dos seus pecados e lhes dá a vida eterna.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de março de 2021

A LUTA CONTRA O PECADO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 11,45-56)(27/03/21)


Caríssimos, nenhum pecado é cometido sem que primeiro haja alguma tentação que começa sorrateiramente por conta do maligno; e tal tentação vai crescendo, crescendo e aos poucos vai minando as nossas resistências; depois vem as justificativas e com elas aumenta o desejo de cometer o pecado até que seja cometido, nos tirando totalmente do estado de graça, isto é, da comunhão com Deus.


Com efeito, é isso o que vimos acontecer com os doutores da Lei e o Sumo Sacerdote ao planejarem e consumarem o assassinato do Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo. Ora, por trás de toda tentação está o demônio, autor do pecado, que fala sutilmente por meio de falsas sugestões cheias de justificativas, tentando abafar a voz do Senhor que nos diz para não ouvirmos nem dialogarmos com o maligno. 


Ao comentar esse Evangelho de hoje, disse o Papa Francisco: "Esta forma de proceder dos doutores da lei é precisamente uma figura de como a tentação age em nós, porque por trás dela estava obviamente o diabo que queria destruir Jesus, e a tentação em nós geralmente age assim: começa com pouco, com um desejo, uma ideia, cresce, contagia outros e no fim é justificada.


Deveríamos ter o hábito de ver em nós este processo de tentação. Este processo que nos faz mudar os nossos corações do bem para o mal, que nos conduz ao caminho da descida. Algo que cresce, cresce lentamente, depois contagia outros e acaba por se justificar. Dificilmente as tentações chegam até nós de repente, o diabo é astuto. Ele sabe como percorrer este caminho, o mesmo que percorreu para chegar à condenação de Jesus. 


Quando nos encontramos num pecado, numa queda, sim, devemos ir e pedir perdão ao Senhor, é o primeiro passo que devemos dar, mas depois devemos dizer: «Como caí nisto? Como começou este processo na minha alma? Como cresceu? Quem contagiei? E, no final, como me justifiquei a mim mesmo por ter caído?».


A vida de Jesus é sempre um exemplo para nós e as coisas que lhe aconteceram são aquelas que acontecerão a nós, as tentações, as justificações, as pessoas boas que estão à nossa volta e talvez não as ouvimos, e as pessoas más, no momento da tentação, que procuramos aproximar-nos delas para fazer crescer a tentação. 


Mas nunca esqueçamos: sempre, atrás de um pecado, atrás de uma queda, há uma tentação que começou pequena, que cresceu, que contagiou e, no final, encontrou uma justificação para cair. Que o Espírito Santo nos ilumine neste conhecimento interior." (Papa Francisco, homilia, 04/04/20)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

A FÉ VERDADEIRA NÃO CONDENA NINGUÉM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 10,31-42)(26/03/21)


Caríssimos, a fé racional é falsa, e a causa da cegueira das almas, por isso, não suportam as evidências divinas, por nada enchergarem além da escuridão na qual vivem, desse modo, se tornam incapazes do verdadeiro discernimento uma vez que lhes falta a graça da humildade e das boas obras.


Ora, os que cultivam tal fé tendem facilmente à blasfêmia, ao ódio e à violência pensando que são justos defensores da causa de Deus e da fé verdadeira, quando na verdade o estão negando e o expulsando dos seus corações por suas ações maléficas, como lhes mostrou o Profeta Isaías: "Este povo me honra somente com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens." (Is 29,13).


No Evangelho de hoje os judeus querem apedrejar Jesus por dizer que era o Filho de Deus e que fora enviado por Ele como o Messias, o salvador do Seu povo e da humanidade, e que as obras que realizava era a evidência e a comprovação do que afirmava.


De certo, a fé é um dom do Espírito Santo que transpõe a nossa racionalidade nos mostrando que a libertação da humanidade se fundamenta no amor que Deus nos demonstrou em Seu Filho Jesus Cristo, que mesmo sendo rejeitando, agredido e crucificado perdoa seus algozes e todos os pecadores que a Ele recorrem arrependidos, buscando a salvação que nos veio trazer.


Portanto, caríssimos, avaliemos a nossa profissão de fé e vejamos se ela é realmente uma comprovação do amor de Deus em nossa vida para que o transbordemos com o nosso testemunho; caso contrário, ela não passa de cegueira espiritual, algo que só serve às maledicências e a incoerência de querer julgar os outros, quando na verdade, por falta de coerência não convencemos nem a nós mesmos.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 25 de março de 2021

SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR...


 Solenidade da Anunciação do Senhor (Lc 1,26-38)(25/03/21)

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Caríssimos irmãos e irmãs, a Anunciação do nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, é o acontecimento mais esperado de todos os tempos, pois significa que Deus se fez homem para nos fazer participantes de sua natureza divina. E tudo isso com a participação direta da Santíssima Virgem Maria que ao receber a visita do Anjo Gabriel escutou com profunda devoção e surpresa o divino convite e o aceitou dizendo o sim mais esperado pela humanidade, porque nesse momento o Espírito Santo gerou Jesus no seu ventre, e assim se cumpriu todas as profecias à respeito de sua vinda como o Messias esperado.

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Caríssimos, vejam a grandeza de tão sublime revelação, Jesus Cristo é Deus conosco, como profetizou Isaías (cf. Is 7,14), ou seja, é Deus porque nasce de Deus, isto é, gerado pelo Espírito Santo; é humano porque nasce de Maria, a mulher escolhida por Deus para ser a Mãe do Seu Filho. Assim, o Senhor une a sua natureza divina à nossa natureza humana para nos libertar para sempre do pecado e do resultado do pecado, o inferno.

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Meditemos então com estas palavras de são Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja: "A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina."

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Oremos: "Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém!

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 24 de março de 2021

CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 8,31-42)(24/03/21)


Caríssimos, "a verdade incomoda no reino da mentira", e por causa disso, inocentes são condenados barbaramente por não se aliarem aos mentirosos, aos que se arvoram de sábios e entendidos; mandatários e senhores; donos de tudo e de todos. Ora, à estes diz o Senhor: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (Jo 8,32).


O Evangelho de hoje nos mostra dois tipos de seguidores de Cristo; os que acolhem a sua Palavra e a põe em prática, e assim se tornam seus verdadeiros discípulos; e os que o seguem, para contesta-lo, repreende-lo, injuria-lo e persegui-lo, com palavras e atos, como que a dizer-lhe: te seguimos, mas não te acolhemos, porque não te pertencemos.


Certa feita, disse o Beato João Duns Scoto: "Ser livre é escolher o Bem, o Sumo Bem, e o Sumo Bem é Deus." De fato, só existe liberdade num coração que se deixa governar por Cristo Jesus; como Ele mesmo disse: "Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." (Jo 8,36). Corroborando com isso, escreveu são Paulo: "Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." (2Cor 3,17).


Portanto, caríssimos, continuemos escutando as exortações de são Paulo: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18)." (Gl 5,13-14).


Destarte, sigamos fielmente o Senhor Jesus como seus verdadeiros discípulos, isto é, conduzidos pelo Seu Santo Espírito, bem como meditamos na Carta aos Romanos: "Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." (Rm 8,14).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 22 de março de 2021

MULHER, NINGUÉM TE CONDENÓ?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

 (Jo 8,1-11)(22/03/21)


Caríssimos, vivemos em meio à finitude humana, todos nós em algum momento de nossa vida por alguma razão ou tentação cometemos faltas, ou seja, desvio de reta conduta, e desse modo, prejudicamos à nós mesmos e aos outros; por isso, precisamos de verdadeiro arrependimento com as devidas desculpas e as reparações dos danos causados, para voltarmos ao bom senso, à paz que perdemos por conta de tais atos.


Com efeito, esta liturgia de hoje é como um bálsamo para as almas que realmente cultivam o bem para o qual fomos criados; por outro lado, ela também nos mostra o mal que somos capazes de fazer quando não buscamos uma vida de justiça e santidade, isto é, quando não nos deixamos conduzir pelos santos mandamentos da Lei de Deus.


Na primeira leitura de hoje o Profeta Daniel foi enviado por Deus em defesa de uma das filhas do seu povo que estava prestes a ser lapidada em praça pública pelo falso juízo de dois magistrados perversos que a acusaram injustamente de atos jamais praticados. Ora, como a justiça divina se cumpre na íntegra, a contradição de tais juízes pervertidos os levou à própria condenação.


De fato, um dos piores pecados que se comete na face da terra é o falso juízo, e por incrível que pareça é o que mais constatamos neste mundo. Quem dera vermos a prática constante dos atos de misericórdia, de amor e de bondade, certamente se evitaria a condenação de inocentes; e por outro lado, ajudaria os perversos a reverem os seus atos maléficos e não tornar a pratica-los.


No Evangelho de hoje vemos que todo pecador carrega a culpa dos seus pecados gravada em sua alma e por isso frequentemente tenta projeta-la condenando os outros, porém, quando confrontados com a justiça divina, recuam de tais atos para dar lugar à misericórdia e à bondade do Senhor que sempre perdoa e nos ensina à não mais pecar, como vimos neste episódio da mulher adúltera.


"Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMCinv.

domingo, 21 de março de 2021

HOMILIA DO 5 °DOM DA QUARESMA...


 Homilia do 5°Dom da Quaresma (Jo 12,20-33)(21/03/21)


Caríssimos, o drama humano tem um nome e se chama pecado; de fato, ele é a causa de todos os males que vemos destruir não somente a vida humana, mas também toda beleza e toda a grandeza da criação. Ora, é impossível negar que os agentes causadores do pecado são todos os que, deixando de lado, as graças e as bênçãos que Deus nos deu por Seu Filho Jesus Cristo, se deixam levar pelas sugestões do maligno caindo no abismo que ora constatamos.


Sem dúvida alguma, a atual situação que estamos vivendo nos leva a refletir e a repudiar toda espécie de tentações e pecados, para buscarmos a verdadeira reconciliação com Deus, nosso Pai celestial. Qualquer pessoa de bom senso percebe o quanto é doloroso para Deus ver tantos dos seus filhos e filhas se perderem por não buscarem a sua misericórdia e o Seu amor.


Esta liturgia de hoje vem nos mostrar um fato que muito nos chama a atenção, é aquele em que os gregos procuram conhecer Jesus e para isso buscam nos Apóstolos Filipe e André seus interlocutores e intérpretes a intercessão necessária para encontrar o Senhor. No entanto, Jesus lhes apresenta um discurso escatológico, determinante para a nossa fé na ressurreição.


Diz o Senhor: "Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto." E acrescenta: "Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará."


Com efeito, certamente os gregos e os demais presentes alí talvez não entenderam o que Jesus lhes disse, no entanto, após a Sua paixão, morte e ressurreição ficou mais que evidente não somente para eles, mas para toda a humanidade. Em outras palavras, Jesus veio a este mundo para nos libertar do pecado, da morte e do inferno; e o seu sacrifício de cruz é a maior prova do amor de Deus por nós.


Portanto, caríssimos, cabe a nós aderirmos ao Senhor Jesus e permanecermos Nele para vencermos essa terrível tempestade que estamos atravessando. Para isso, sigamos esta exortação de são Paulo: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor." (Ef 5,1-2).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 19 de março de 2021

ROGAI POR NÓS GLORIOSO SÃO JOSÉ...


 Solenidade de São José (Mt 1,16.18-21.24a)(19/03/21)


Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade de são José, homem do silêncio sagrado, esposo da Santíssima Virgem Maria, que seguiu fielmente os desígnios do Altíssimo tal qual o Anjo lhe revelou nos mostrando que a obediência à Vontade Divina é a porta de entrada da salvação das almas que à ela se dedicam como ele mesmo o fez por toda a sua vida.


Com efeito, o exemplo de são José, homem justo e piedoso, administrador dos mistérios de Deus (cf. 1Cor 4,1), dotado de todas as graças e bênçãos dos céus para servir e amar o Senhor à frente da Sagrada Família, como protetor natural de Jesus e de Maria, nos chama a viver todo o tempo de nossa vida natural à serviço do Reino de Deus e da sua justiça para a nossa salvação e a de todos.


Com isso, perguntemos, por que existimos? Qual é o real sentido da nossa estadia neste mundo? E por último, como será a nossa eternidade presente na imortalidade de nossas almas? Ora, ao meditarmos o exemplo de são José percebemos que ele responde à essas perguntas, mantendo-se na escuta da vontade de Deus, pondo em prática as suas instruções, e desse modo, correresponde com total fidelidade aos desígnios do Altíssimo que lhes fora confiado.


Portanto, caríssimos, por conta de seu amor e de sua fidelidade à Deus, são José recebeu a maior de todas as graças, escutar por todo o tempo vivido neste mundo o Filho de Deus lhe chamar de pai; e sempre que alguém se dirigia a Jesus o menciona como o filho de José, o carpinteiro.


Destarte, rezemos esta oração de são Bernardino de Sena ao glorioso são José: "Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 17 de março de 2021

AMAR A DEUS É OBEDECE-LO INCONDICIONALMENTE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(17/03/21)


Caríssimos, a liberdade vivida por nosso Senhor Jesus Cristo, advinda como Ele mesmo disse, da obediência incondicional à vontade do Pai, incomodava em muito os doutores da Lei e os fariseus à ponto de ser por eles acusado de blasfêmia, e por isso, foi rejeitado e perseguido até a morte. Todavia, jamais o Senhor Jesus abdicou de Sua obediência, para satisfazer o ego dos seus cruéis perseguidores.


De fato, dessa sua submissão amorosa ao Pai, compreendemos que quem vive em conformidade com a Sua Santa Vontade, é invencível em todos os sentidos, mesmo que lhe tirem a vida natural, bem como Ele nos ensinou: "Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." (Mt 10,28).


Com efeito, todos nós estamos expostos aos mesmos sofrimentos de Cristo quando voluntariamente nos submetemos à Vontade de Deus nosso Pai, especialmente quando resistimos à toda espécie de tentação e pecados, como meditamos na Carta de são Tiago: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12).


Portanto, caríssimos, amar a Deus é obedecê-lo, é dizer sempre sim a Ele, seguindo os passos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e o discernimento para isto, é o que está escrito no Evangelho de hoje: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).


Destarte, todos os que se opoem ao Senhor Jesus tende sempre para a violência tentando elimina-lo à todo custo de nossas almas. No entanto, não temamos os que agem desse modo, ao contrário, permaneçamos fiéis até o fim, em nosso propósito de santidade realizando a Sua Santa Vontade.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 15 de março de 2021

O PODER DA FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 4,43-54)(15/03/21)


Caríssimos, o dom de acreditar em Jesus é transformador e não precisa de sinais milagrosos para isto, porque é um dom inato; todavia, quando potencializado pelo poder da Sua Palavra, é capaz de transportar montanhas, realizar prodígios e milagres, ressuscitar os mortos; e principalmente anunciar o Reino de Deus e a sua justiça, certos de que é obra de Deus, e nós somos os seus sermos e servas.


De fato, é nisto que consiste o poder da fé, dar lugar ao Senhor Jesus para que mude a nossa vida transformando a nossa mentalidade e o nosso modo de ser, de homens e mulheres sem o senso da eternidade, em filhos e filhas de Deus a caminho do Reino dos Céus seguindo os seus passos, pela prática da Sua Palavra.


No Evangelho de hoje um funcionário real vem até Jesus pedindo-lhe para que cure seu filho gravemente enfermo, ao que o Senhor respondeu: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. Mas, ele insistiu: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!” Jesus lhe disse: “Podes ir, teu filho está vivo”.


"Enquanto descia para Cafarnaum, seus empregados foram ao seu encontro, dizendo que o seu filho estava vivo. O funcionário perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: “A febre desapareceu, ontem, pela uma da tarde”. O pai verificou que tinha sido exatamente na mesma hora em que Jesus lhe havia dito: “Teu filho está vivo”. Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família."


Portanto, caríssimos, o que aprendemos deste episódio? A fé é dom de Deus, e Ele já nos criou com ela, porém, quando potencializada pelo poder da Sua Palavra, toma proporções fora do comum sendo capaz de realizar prontamente a Sua Santa Vontade para muito além do que podemos por nós mesmos.


O sinal que Jesus realizou, curou não somente o filho do funcionário real, mas, principalmente sua alma atingida pela incredulidade e também toda a sua família, nos dando a compreenção de que a Sua Palavra tem o poder de nos curar de todos os males físicos, psíquicos e espirituais, e de nos conduzir à plenitude da vida eterna.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de março de 2021

HOMILIA DO 4°DOM DA QUARESMA...


 Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 3,14-21)(14/03/21)


"Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16)


Caríssimos, meditando esse versículo do Evangelho de são João, adentramos no grande mistério do amor de Deus por nós. De fato, é um amor incomparável, Deus ter-nos dado o Seu Filho amado, Jesus Cristo, para sermos salvos por Ele, com a única exigência de crermos Nele, isto é, de ama-lo e segui-lo fielmente portando com Ele a nossa cruz de cada dia.


De fato, a nossa condição de mortais em consequência do pecado, Jesus a carregou sobre si ao assumir a nossa natureza mortal para ingetar nela o germe da vida eterna, o dom do Espírito Santo, pelo qual Ele ressuscitou dos mortos. Em outras palavras, por nós mesmos jamais poderíamos vencer o pecado e a morte sem a ação salvadora de nosso Senhor Jesus Cristo.


Com efeito, também vemos essa verdade no seguinte ensinamento de são Paulo: "De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte.


O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito." (Rm 8,1-4).


Portanto, caríssimos, como profetizou Isaías: "O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade;

todos se regozijam em tua presença." (Is 9,1-2). 


De certo, corroborando essas palavras do Profeta Isaías, escreveu são Paulo: "Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de março de 2021

COMO FAZEMOS A NOSSA ORAÇÃO?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 18,9-14)(13/03/21)


Caríssimos, a vida é um dom de Deus, e sem Ele nada há que se aproveite da vida. Querer viver neste mundo sem a graça de Deus, é perder-se em meio aos pecados aqui cometidos, porque todo pecado é um não que se dá a Deus; e um sim que se dá ao maligno. Com efeito, Jesus veio a este mundo para nos libertar do pecado e voltarmos ao estado de graça, à perfeita comunhão com a vontade de Deus, para assim vivermos na Sua presença. 


A liturgia de hoje nos mostra que a oração é um real encontro com o Senhor; por esse motivo, perguntemos, como fazemos a nossa oração? Com qual intenção a fazemos? Respondendo à essas perguntas no Evangelho de hoje Jesus conta uma parábola em que dois homens se dirigem ao Templo pondo-se em oração diante de Deus.


O primeiro se dirige a Ele com uma oração legalista, ou seja, externamente impecável quanto ao cumprimento da Lei, porém, internamente plena de arrogância, do julgamento de valor, e repleta de justificativas hipócritas; enquanto o segundo, reconhecendo-se pecador, busca humildemente o perdão, pois, não se sente digno nem de erguer os olhos para Deus, por causa dos pecados que havia cometido.


Ora, a resposta que o Senhor Jesus nos dá, leva-nos à fazer um profundo enxame de consciência quanto ao nosso modo de se pôr diante de Deus, pois, nos ensina que o real sentido da oração é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, cujo resultado é a perfeita unidade, sinal da Sua presença no meio de nós.


Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor um coração manso e humilde como o coração do publicano, para obtermos o perdão que tanto desejamos e a reconciliação com Deus e entre nós, pondo em prática esta sua divina Palavra: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.


Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também." (Lc 6,36-38)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de março de 2021

O AMOR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(12/03/21)


Caríssimos, na liturgia de hoje meditamos que o mandamento do amor ocupa o centro da Lei, dos Profetas e do Evangelho. Ora, na sua definição do amor de Deus por nós, escreveu são João: "Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. (1Jo 4,10.16).


Na primeira leitura por meio do Profeta Oséias, Deus faz um apelo para que seu povo deixe o pecado e volte para Ele que é misericordioso; assim como o Senhor diz à todos os que estão afastados da fé, vivendo em regiões desertas, ou seja, angustiados por causa dos muitos pecados que têm cometidos. Eis como devemos nos dirigir a Ele por meio do arrependimento sincero e das súplicas acompanhadas do profundo desejo de sermos perdoados: "Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios."


Com efeito, por meio das leituras deste dia o Senhor se dirige à nós seus filhos e filhas com a ternura de um Deus apaixonado nos dando a graça de ama-lo prontamente de todo coração, como Jesus nos ensinou com a sua obediência incondicional com a certeza de que o amor do Pai por nós é total e definitivo. Todavia, da nossa parte, se faz necessário que o amemos como nos ensinou no primeiro mandamento: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração». É isso que consiste a nossa felicidade eterna."


De fato, todos nós precisamos experimentar o amor de Deus e corresponder à Ele de todo o coração numa entrega total, pois, à medida que assim correspondemos, logo sentimos a ação da sua graça em nossas almas nos transformando suavemente de modo que a transbordamos para os que encontramos, partilhando com eles o que de Deus recebemos.


Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”.


Conclusão: Caríssimos, ao escutarmos essa resposta de Jesus ao mestre da lei que lhe respondeu com sabedoria sobre o amor a sobre todas as coisas com todo o nosso coração e com todas as nossas forças, entendemos perfeitamente como correspondemos ao Seu infinito amor demonstrado por Seu sacrifício de cruz.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

Ó SENHOR, FAZ-ME VOLTAR AO PRIMEIRO AMOR!


 Ó SENHOR! POR FAVOR, FAZ-ME VOLTAR AO PRIMEIRO AMOR...


Senhor, venho bater à porta de tua misericórdia...

Atende-me, e livra-me dos percalços desta vida...

Para que eu possa testemunhar 

Que estás em mim, 

e eu estou em Ti...


Sei que te peço muito...

Por isso, preciso aprender a dar...

“Porque, disseste, todo aquele que pede, recebe. 

Quem busca, acha. 

A quem bate, abrir-se-á”. (Mt 7,8)...


Todavia, disseste, também:

“Dai, e dar-se-vos-á. 

Colocar-vos-ão no regaço medida boa, 

cheia, recalcada e transbordante, 

porque, com a mesma medida com que medirdes, 

sereis medidos vós também”. (Lc 6,38).


Logo, não há indigente 

que não possa algo doar...

Como também não há alguém tão bastado

que não precise de algo...

Mas, Senhor, como viver a perfeita união contigo,

Para contigo saber doar e receber?


Pela oração e pelo jejum? 

Pelas obras de misericórdia?

Pela meditação e vivência de tua divina palavra?

Pelo perdão dado e recebido?


Ó Senhor! Livra-nos dos perigos deste mundo:

Orgulho, avareza, mentira, indelicadeza;

E de todos os males advindos dos julgamentos

que fazemos uns dos outros...


Pois, nos ensinastes:

“Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.

Não julgueis, e não sereis julgados; 

não condeneis, e não sereis condenados; 

perdoai, e sereis perdoados...” (Lc 6,36-37).


Senhor, preciso voltar ao primeiro amor...

Onde tudo o que vivia, o vivia por amor...

Sem nenhuma murmuração ou ácidas críticas... 

Porque aprendi a ti louvar nas adversidades...

E nas mais difíceis situações e perigos...


Quem dera Senhor, voltar ao primeiro amor...

Onde tudo era sempre novo e motivo de entusiasmo...

Onde tudo fazia para evitar os pecados...

Pois, tudo o que mais queria era a tua companhia 

e a de meus amados irmãos e irmãs...


Ó Senhor! 

Por favor, faz-me voltar ao primeiro amor...


Paz e Bem! 


Frei Fernando Maria,OFMConv.

quinta-feira, 11 de março de 2021

QUEM NÃO ESTÁ COMIGO, ESTÁ CONTRA MIM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(11/03/21)


"Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.


Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra a guerra, o conflito espiritual, o qual estamos vivendo no tempo e para além do tempo, pois no fim de tudo isso, existe o viver eterno como prêmio para os justos; e como pena para os perversos que fizeram de sua vida e da vida dos outros um inferno, não obstante, os santos ensinamentos recebidos de Cristo.


"Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.


De fato, fomos criados "à imagem e semelhança de Deus" para vivermos na Sua presença em meio ao paraíso que nos foi dado; mas, por causa do pecado que permitimos entrar em nossa vida, tudo o que era suave, ameno, sereno e agradável, se tornou veneno mortífero, dor, sofrimento, agonia e morte, e ao que parece enquanto não houver arrependimento e conversão não haverá salvação alguma para os que insistem na prática do mal.


"Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa o demônio de um mudo, mas logo foi acusado de fazer isso por meio da ação do maligno; ao que Ele respondeu: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra." Ou seja, se o mal luta contra si mesmo, por si mesmo se distroe, desse modo, muito se engana quem atribue ao Senhor o que não é dele.


"Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.


São Paulo na sua Carta aos Romanos, nos ensina como se ter um verdadeiro discernimento: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito."


Portanto, caríssimos, uma vez que estamos indo para o julgamento final de nossa estadia neste mundo, se faz jus nos prepararmos seguindo os passos de nosso Senhor Jesus Cristo, quais ovelhas do seu rebanho, pois, como ouvimos do Senhor: "Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Destarte, cabe somente à nós essa decisão.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 10 de março de 2021

PERDÃO SENHOR...


 PERDÃO SENHOR... 


Os sons das canções celestiais são iguais aos ventos suaves das manhãs de outono soprando nos ouvidos dos nossos corações...

E nelas encontramos o Senhor que escuta atentamente os seus anjos, seus santos e santas cantando as suaves melodias da nossa salvação...


Pois o tempo das agruras findou e tudo agora é eternidade...

A nova realidade tão esperada...

O prêmio eterno tão aguardado por aqueles e aquelas que neste mundo fizeram da vontade de Deus o seu paraíso antecipado...


Para que recordar então o passado das misérias advindas do pecado?

Será querer voltar para o Egito deste mundo, se nele tudo é escravidão, angústia e morte?


De fato, melhor é viver a liberdade que o Senhor nos deu ao padecer as mais terríveis dores que um inocente pode suportar, advindas dos seus algozes que não toleravam a sua presença simplesmente por dizer ser o Filho de Deus, o libertador do seu povo e da humanidade, o Messias esperado...


Ainda bem Senhor que os perdoastes não levando em conta o ódio com que te odiaram...

Com o qual te massacraram sem piedade alguma... 

E tudo isso o fizeram em nome de Deus, como se em Deus houvesse alguma maldade...


Por isso, bem aventurados são os que em Ti acreditam e se transformam ao ouvirem e praticarem as tuas palavras benditas, eternas e salvíficas... 

Pura verdade que somente de Ti poderíamos escutar... 


Paz e Bem! 


Frei Fernando Maria OFMConv.

EU NÃO VIM ABOLIR A LEI...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(10/03/21)


Caríssimos, a Lei de Deus é a voz de Deus escrita, sinal da Sua aliança, e da Sua presença falando conosco diretamente. Na primeira leitura ouvimos Moisés, dizer: "Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou... Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos".


São João, começa o seu Evangelho, com as seguintes palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." (Jo 1,1-4.14.17).

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Com efeito, no Evangelho de hoje ouvimos Jesus, dizer: "Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." Ora, como ouvimos, é muito significativo a nossa obediência ao que o Senhor Jesus nos ensina, pois a lei perfeita do amor, quando obedecida, torna-se para nossa vida uma muralha de proteção intransponível.

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De fato, estamos a caminho do Reino de Deus em cumprimento à Lei perfeita da liberdade, e nesse itinerário não importa o tempo que ainda falta; o que importa é seguir o Senhor Jesus tal qual Ele nos tem ensinado a cada instante do nosso viver e sermos perseverantes até o fim. Não tenhamos medo, o Senhor conhece muito bem as suas ovelhas e nos porta em seus ombros quando precisamos.


Portanto, caríssimos, o bom é saber que não estamos sozinhos no cumprimento de nossa missão, isto porque o Senhor mesmo nos conduz pela estrada das virtudes, da obediência e da fidelidade aos seus mandamentos nos dando todas as graças necessárias para a a nossa salvação.


Destarte, peçamos ao Senhor que por Seu infinito amor nos ajude a vencermos as dificuldades que se apresentam ao longo do percurso que ainda temos à trilhar até que cheguemos ao Reino dos céus, morada definitiva dos redimidos.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de março de 2021

SENHOR, QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR MEU IRMÃO?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(09/03/21)


"Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?"


Caríssimos irmãos e irmãs, essa pergunta de são Pedro é típica de quem quer limitar a misericórdia infinita de Deus, que Ele nos dá para perdoarmos uns aos outros, por isso, a resposta de Jesus abre a nossa mente e a nossa compreensão para muito além dos nossos critérios, pois estes tendem sempre a querer fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, a pagar o mal com o mal.


“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete."


De fato, em nenhum momento da nossa vida estamos sozinhos ainda que muitos tentem negar isso, sobretudo nos embaraços e nas tempestades do mar revolto deste mundo; todavia, como o Senhor Jesus nos ensinou: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Ou seja, só precisamos permanecer Nele pela obediência à Sua Divina Palavra.


Desse modo, compreendemos que o ato de perdoar é divino, porque é Deus mesmo quem perdoa os nossos ofensores por meio de nós; pois, perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus; quem sempre perdoa, vive sempre em paz, e por isso, jamais causa algum dano. De certo, o perdão é a maior fonte de cura e libertação que Deus nos deu. Quem não perdoa não tem Deus dentro de si, por isso, é repleto de mágoas, ressentimentos e o desejo de vingança.


Na parábola de hoje, o Senhor Jesus nos dá o exemplo de um servo que busca o perdão, rebe-o do seu patrão, mas é incapaz de da-lo à um outro servo que lhe devia muito menos. E o resultado nefasto dessa atitude maléfica foi a própria condenação, pois, quem se nega a dar o perdão que recebe, perde-o de imediato, tornando-se escravo da própria maldade.


Portanto, caríssimos, sigamos as práticas quaresmais que empreendemos com as mesmas disposições que do Senhor Jesus recebemos, para levarmos o bom termo o nosso desejo de santidade, na certeza de que é Ele mesmo que está nos conduzindo ao Reino dos céus, à vida eterna.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


 SAUDAÇÃO ÀS MULHERES


Sei que não existiria vida 

e nem eu estaria aqui falando da vida 

se Deus não tivesse te criado ó mulher

como obra prima de nossa natureza...

 

Por isso te saúdo,

olhando-te como essência, 

transparência do ser e existir 

bem aqui nessa nossa realidade...

Verdade que me faz amar-te como és...


Bela...

Feminina...

Esplendida...

Divina...

Menina dos olhos de Deus...


Suave...

Serena...

Plena de dignidade...

Da livre vontade a caminho dos céus...


E digo mais...

Sem ti tudo aqui ficaria sem graça

Sem singeleza...

Sem essa beleza que nos atrai tanto...

Sem o encanto de tuas formas...

Sem a fecundidade de teu ventre mãe...

Sem a brisa leve das manhãs...

sem as vozes de teu infinito...

vocal bendito como se de anjos fosse...


Ah! Mulher...

Como és incompreendida 

e desrespeitada em teu modo de ser...

Porque no mais das vezes 

és olhada somente em tuas medidas 

como objeto do desejo masculino....

na ânsia de possuírem-te  

e nada mais....


Quem dera que fosses percebida...

como o anjo percebeu a mãe de Jesus...

Cheia de graça...

Plena do Espírito Santo...

Toda de Deus...

Sim onipresente...

Onisciente...

Onipotente... 

Verdadeiro dom de Sua Luz...


Que sejas assim ó mulher, 

não apenas neste teu dia de festa, 

mas em todos os dias de tua vida...

Pois eis que falo de tua intimidade

Dessa realidade sagrada 

criada por Deus 

como verdadeira fonte do puro amor...


Creio seria covardia não te olhar assim...

Não te querer assim... 

Creio que seria covardia... 

Não te admirar como tu és...

E não te amar nessa admiração...


Por isso, beijo o teu coração 

na moção da graça do amor, 

na certeza que és a mais bela flor  

plantada por Deus no jardim 

desse nosso imenso paraíso terrestre...


Parabéns...

Feliz dia das mulheres...


Paz e Bem! 


Frei Fernando,OFMConv.

segunda-feira, 8 de março de 2021

CONVERSÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 4,24-30)(08/03/21)


Caríssimos, diante do Senhor Jesus, a nossa vida se torna totalmente transparente, em outras palavras, nada podemos esconder das nossas limitações, dos nossos pecados; e se por um ato deliberado não reconhecermos as nossas misérias, só nos resta expulsa-lo da nossa vida como o fizeram os seus conterrâneos na Sinagoga de Nazaré.


O fato é que diante do Senhor todas as nossas máscaras caem por terra, e isso nos envergonha, ao vermos o que realmente somos por nós mesmos, isto é, sem o auxílio da Sua Infinita Misericórdia. Por isso, precisamos reconhecer a nossa condição de pecadores, e assim lhe pedir um coração contrito e humilhado para sermos perdoados e amparados por Sua bondade e Infinita Misericórdia.


Com efeito, se faz necessário compreender que o Senhor ao revelar os nossos pecados tem sempre a intenção de nos perdoar e nos purificar, para fazermos com Ele um caminho penitencial que nos leve à santidade que tanto necessitamos para entrarmos no Seu Reino. De fato, era essa a Sua intenção na Sinagoga de Nazaré, mas não o compreenderam e por isso o expulsaram de suas vidas.


De certo, toda conversão nasce da "compunção do coração, isto é, de uma disposição da alma que faz com que esta permaneça num estado habitual de contrição", ou seja, de verdadeiro arrependimento, mantendo-se nessa atitude a fim de obter todas as graças que a faz permanecer na presença de Deus, à exemplo do filho pródigo que manteve-se nesse estado mesmo depois de ser perdoado pelo pai.


Portanto, caríssimos, quem cultiva o pecado em sua vida tende sempre a agir a partir do pecado cultivado; foi isso o que vimos na Sinagoga de Nazaré: "Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lança-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho."


De fato, não existe acolhida sensata, nem diálogo civilizado e sereno onde os egos estão inflados tomando os espaços do bom senso e do reconhecimento dos próprios pecados. Destarte, os que desse modo atentam contra a verdade se precipitam no abismo sem fundo da própria violência e mediocridade.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 7 de março de 2021

"NÃO FAÇAIS DA CASA DE MEU PAI, UMA CASA DE COMÉRCIO".

Homilia do 3°Dom da Quaresma (Jo 2,13-25)(07/03/21)


"Não façais da Casa de meu Pai, uma casa de comércio."


Caríssimos, essa é a Palavra do Senhor Jesus para nós que fomos feitos templos vivos do Espírito Santo mediante o batismo que recebemos. Por isso, Bem aventurados são os que a tomam para si e a põem em prática; pois, na casa de Deus só existe espaço para Deus, e para Seus filhos e filhas o amarem e permanecerem unidos a Ele aqui e por toda a eternidade.


"Não façais da Casa de meu Pai, uma casa de comércio."


De certo, perguntemos, será que estamos realmente vivendo como templos vivos de Deus ou nos deixamos ocupar por coisas ou pensamentos que não veem de Deus? Basta olharmos para nós mesmos e vermos a quem estamos cultuando em nossas almas com o nosso modo de ser.


Qualquer coisa ou pensamento que ocupe o primeiro lugar no templo vivo de Deus que nós somos, já o tornamos casa de comércio; e é por isso que muitos, mesmo se dizendo cristãos, negam essa verdade por aquilo que cultuam dentro de si, se deixando dominar por isso.


"Não façais da Casa de meu Pai, uma casa de comércio."


Ora, o que nos mantém unidos a Deus é a nossa obediência e nosso amor a Ele acima de todas as coisas, por isso lhe damos tudo o que somos e o que temos, todo o nosso tempo, toda a nossa prática de vida. Fora disso, cultuamos à nós mesmos ou os ídolos que criamos, deixando que ocupem o espaço sagrado, o templo vivo que era pra ser somente de Deus.


"Não façais da Casa de meu Pai, uma casa de comércio."


Portanto, caríssimos, deixemos o Senhor Jesus ocupar todos os espaços das nossas almas, pois, o templo de Deus não pode ser profanado como se fosse uma casa de comércio ou um mercado qualquer.


Destarte, a exemplo de são Paulo, digamos: "Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,19-20).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.
 

sábado, 6 de março de 2021

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-3.11-32)(06/03/21)


Caríssimos, Deus é Deus e não muda nunca (cf. Tg 1,18). E mesmo quando pecamos, Ele continua a nos amar, porque é misericordioso e tem compaixão de nossas misérias. Todavia, como o filho mais novo da parábola contada pelo Senhor Jesus, precisamos nos arrepender de coração e assim voltarmos totalmente para Ele que está sempre pronto a nos perdoar e nos dar o aconchego do seu infinito amor.


Com isso, entendemos que se arrepender e se converter é voltar ao convívio do nosso Pai celeste e Nele permanecer sob Sua proteção. Por isso, nos esforcemos para não perdermos o estado de graça por nada deste mundo, isto é, nunca nos deixemos escravizar pelo pecado, porque pecar é perder o poder do livre arbítrio, como o Senhor Jesus nos ensinou: "Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." (Jo 8,34).


Então, quais os ensinamentos que tiramos dessa parábola para pormos em prática e vivermos em estado de graça? O pecado é uma brutalidade contra Deus e contra próximo; porém, atinge primeiramente à quem o comete; depois aos que sofrem por causa dele.


Todavia, para o pecador que se arrepende de coração e se converte, existe o Sacramento da penitência ou reconciliação para que retorne ao estado de graça e assim possa usufruir dos bens eternos que havia perdido ao se afastar de Deus pelo mal cometido. De fato, o pecado é tão maléfico que foi preciso o sacrifício de Cristo para apaga-lo (cf. Hb 9,13-14).


Portanto, caríssimos, a Parábola do filho pródigo revela quem somos quando estamos na presença de Deus, nosso Pai, usufruindo de todos os seus bens; mas também nos mostra o que nos tornamos quando o abandonamos para viver a falsa liberdade que os prazeres deste deste mundo oferece, ou seja, pessoas desprovidas de tudo, submetidas à escravidão do pecado e por consequência também do maligno.


Destarte, sigamos esta exortação que nos dá são Tiago: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

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