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domingo, 20 de junho de 2021

BUSCAI EM PRIMEIRO LUGAR O REINO DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 6,24-34)(19/6/21)


Caríssimos, certa feita escreveu São Francisco: "Nós somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais." Ora, essa exortação do seráfico pai nos mantém na virtude da humildade, pois, nos lembra que naturalmente somos apenas um sopro de vida. De fato, ela nos remete ao que escreveu são Paulo: 

"Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos." (Rm 12,16)


Com efeito, na primeira leitura de hoje são Paulo revela que recebeu do Senhor a graça de ser arrebatado ao Paraíso e de ter ouvido "palavras inefáveis que nenhum homem consegue pronunciar." No entanto, completou: "E para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais."


De certo, por estas exortações percebemos que quando nos deixamos modelar pelas virtudes que elas nos comunicam, a nossa vida se torna um oásis que recebe a água viva do Espírito Santo que jorra para a vida eterna por meio do testemunho da presença de Jesus em nossas almas nos conduzindo para o céu, como Ele o fez com são Paulo e com todos os que o seguiram.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos dá a conhecer perfeitamente a quem devemos servir, e como devemos servir, isto é, sem preocupações, sem apegos e sem medo, porque amparados pela Providência Divina e confiantes na Sua Infinita Bondade, nos entregamos ao nosso Pai celestial que cuida muito bem das suas criaturas e de todos os seus filhos e filhas, pois, foi para isto recebemos no batismo o dom da fé.


Por fim, escutemos atentamente o Senhor Jesus e ponhamos em prática a Sua Divina Palavra que já traz em si o poder de pratica-la: "Portanto, não vos preocupeis, dizendo: Que vamos comer? Que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 


Portanto, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." (Mt 6,33-34)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

JESUS ACALMA AS NOSSAS TEMPESTADES...


 Homilia do XII Dom do tempo comum(Mc 4,35-41)(20/6/21)


Caríssimos, por causa da nossa fragilidade sempre buscamos nos sentir seguros, só que no mais das vezes isso acontece ao nosso modo; e mesmo dizendo que acreditamos em Deus, ainda assim vacilamos em nossa fé quando deixamos entrar em nossas almas as dúvidas, o medo e outros pensamentos estranhos, principalmente quando nos deparamos com as tempestades do mar revolto deste mundo, que são as adversidades e as tribulações que padecemos.


Com efeito, meditando este Evangelho de hoje e vendo como os discípulos admirados e espantados contemplaram Jesus exercendo o Seu poder sobre a tempestade a ponto de se perguntarem: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?” Entendemos porque foi que Deus Pai enviou o Seu Filho amado, numa carne semelhante à nossa, para nos libertar do pecado, da morte, do maligno e do inferno; é que por nós mesmos jamais poderíamos vencer essas forças adversas.


De fato, quando Jesus diz: "Toda autoridade me foi dada sobre o céu e sobre a terra"; nos revela, na nossa humanidade assumida, a sua Divindade, ou seja, Ele é Deus que se fez um de nós para nos fazer participantes de Sua natureza divina cuja essência é a imortalidade. Todavia, mesmo tendo todo poder quis padecer as nossas dores e tristezas e até mesmo a morte, para nos arrancar definitivamente dessa nossa terrível condição.


Portanto, caríssimos, finalizando essa homilia, oremos com o nosso querido Padre Márcio José (Arq. PB), essa belíssima oração: "Senhor, cremos que estás conosco. Vossa presença nos garante a travessia da vida com serenidade e segurança. Aumenta a nossa fé nos momentos de perigos e incertezas. Estais na barca e tens a autoridade sobre o mar das tribulações. Ensina-nos a passar pelas noites do medo, do desânimo e da falta de perspectivas.


Ajuda-nos a vencer a escuridão com a total confiança de que a Vossa luz brilha dentro de nós e acende a esperança. Estais conosco no mar, nos ventos contrários e na noite. Dai-nos confiar na Vossa presença, ajudando-nos a vencer as forças que se opõem à vida e à salvação dos homens." (Pe. Márcio José - Arq. PB)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

O TESOURO DA VIDA ETERNA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,19-23)(18/6/21)


Caríssimos, existem várias tentações que chegam à nossa mente suscitando em nós comportamentos perversos que nos levam aos mais diversos pecados; e se deixarmos tais tentações entrarem em nossas almas, elas criam raízes, tendências, apegos e todo tipo de dependência doentia que nos leva ao desconforto, à falta de fé, e até mesmo ao desespero.


Com efeito, por vivemos cercados por tais tentações, precisamos resistir por meio da fé para não cairmos nos pecados mortais que roubam de nós a paz e as graças e bênçãos recebidas do nosso Pai celestial; ora, uma destas tentações é o apego à coisas ou pessoas que tentam ocupar o espaço que pertence somente ao Senhor dentro de nossas almas, pois, Ele é o único Tesouro da nossa vida.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus começa sua instrução aos discípulos, dizendo: “Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." 


De certo, quais são esses tesouros de que nos fala o Senhor? Por um lado, os bens temporários, riqueza, poder, fama e prazer, etc; por outro, os bens eternos que são as virtudes e os frutos do Espírito Santo, cultivados por uma vida de piedade e disponbilidade em fazer o bem para o qual fomos criados.


De fato, tudo o que é temporário e passageiro é também motivo de preocupação e insegurança, porque quem não possui os tesouros deste mundo e põe neles o seu coração, faz de tudo para adquiri-los, e quando os adquire, faz de tudo para não perde-los. No entanto, os que põem seu prazer em fazer a vontade do Senhor, encontra Nele um Tesouro inigualável "que nem a traça, nem a ferrugem o corroem e nem os ladrões roubam", por isso, o consevará por toda a eternidade.


Portanto, caríssimos, seguir o Senhor Jesus pela estrada do Seu ensinamento como seus discípulos e todos os santos e santas o fizeram, significa para nós adquirir esse Tesouro de vida eterna, que nos torna ricos do amor, da felicidade e da paz que Ele nos concede por perseverarmos até o fim (cf. Mt 24,


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(17/6/21)


Caríssimos, o dom da oração é um dos meios mais eficazes do nosso encontro com Deus que mesmo invisível se faz presente e sensível em nossa oração feita com o coração de nossas almas, isto é, a nossa consciência onde Ele nos fala, respondendo aos nossos anseios, às nossas súplicas e o nosso desejo de permanente comunhão com Ele e entre nós.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina a oração do Pai nosso; que é ao mesmo tempo uma oração pessoal e comunitária, não apenas composta de pedidos, mas, especialmente de intimidade filial, de compromisso amoroso para com os outros filhos e filhas que se encontram afastados, e por isso, necessitados do nosso perdão, da nossa oração, para assim se manterem no rumo certo do viver fraterno.


Com efeito, nessa oração se encontra os mandamentos do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos; nela o Senhor Jesus nos ensina que rezar é amar, é fazer a vontade do Pai; com isso, aprendemos que ela é a regra de vida dos filhos e filhas de Deus, que formam a comunidade dos eleitos, fundamentada na obediência e no amor recíproco.


De certo, quando a nossa relação com Deus é o centro da nossa vida, a oração brota do nosso coração espontaneamente como um diálogo de amor filial, fraternal, de perfeita harmonia e unidade expressa no Corpo Místico de Cristo, a Sua Santa Igreja; onde conduzidos pelos Espírito Santo, oferecemos a Deus nosso Pai, pelas mãos sacerdotais, o Santo Sacrifício do Seu amado Filho, em expiação pelos os nossos pecados e os do mundo inteiro. 


Portanto, caríssimos, a oração do Pai nosso, rezada por Jesus e ensinada por Ele, constitui o fundamento das nossas orações, nos mostrando que o nosso encontro com Deus deve ser traduzido por palavras e ações para que cheguem aos corações de todos os nossos irmãos e irmãs, pois, não existe circunstância ou distância que a nossa oração não possa alcançar.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

FAZER TUDO POR AMOR AO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,1-6.16-18)(16/6/21)


Caríssimos, existem duas virtudes da alma que com o dom do discernimento nos ajuda a pormos em prática a caridade fraterna e as obras de misericórdia, são elas: a fé e a capacidade de julgar corretamente em vista do bem comum. Na primeira leitura de hoje são Paulo exorta os Coríntios a viverem essas virtudes para que Deus seja louvado pelo bem por eles realizado em prol dos cristãos da Comunidade de Jerusalém.


Todavia, prestemos atenção para não caímos na tentação da hipocrisia que consiste em fazermos o bem em busca de reconhecimento ou de elogios que na verdade só serve para inchar o nosso ego e nada mais; ora, para contermos tal tentação, são Paulo nos ensina a discrição e o fazer tudo por amor ao Senhor Jesus: "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Col 3,23-24).


De certo, existem outras duas virtudes que também nos ajudam na prática do bem comum, são elas: a reta intenção e o desejo de servir ao Senhor na pessoa dos mais necessitados a fim de que Ele seja glorificado em tudo, como ainda nos ensina são Paulo: "Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai." (Col 3,17). 


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos alerta para não praticarmos a piedade, a oração, o jejum e as obras de misericórdia, de forma superficial ou pra sermos vistos e elogiados pelos homens, como mesmo Ele disse: "Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus."


Portanto, caríssimos, quem pratica tais obras por amor ao Senhor não busca reconhecimento nem qualquer recompensa humana, nem a fama ou qualquer forma de envaidecimento; pelo contrário, deixa sempre transparecer a vontade de Deus que se revela no serviço humilde e providencial prestado aos que realmente dele precisam.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 15 de junho de 2021

SER SANTO CONSISTE EM AMAR COMO JESUS NOS ENSINOU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,43-48)(15/6/21)


Caríssimos, cercados como estamos pelos nossos limites, num mundo onde ao que parece tudo tende para a ruína, o caos total, devido aos pecados aqui praticados, e à toda espécie de infração contra os mandamentos da Lei de Deus e à Palavra do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo; a liturgia de hoje nos convida ao mais alto grau da perfeição humana, isto é, à santidade.


De fato, esse estado de alma jamais seria possível por nós mesmos, devido às tentações advindas das concupicências que se traduz pela ambição ou desejo desmedido dos bens materiais e/ou sensuais. Na verdade, todos os seres humanos buscam essa prenitude de felicidade, todavia, esta só é possível mediante a nossa conversão ao Senhor, para assim trilharmos sua via de perfeição pela renúncia de nós mesmos e a obediência à Sua Sua Palavra.


Santa Teresa de Calcutá (séc. XX), nos ensina como fazermos esse caminho de conversão em busca da santidade que o Senhor Jesus concede aos que o amam de todo coração: "Todos sabemos que há um Deus que nos ama e que nos fez. Podemos, pois, dirigir-nos a Ele e pedir-Lhe: «Meu Pai, ajuda-me agora. Quero ser santo, quero ser bom, quero amar».


Ora, a minha santidade consiste no cumprimento da vontade de Deus, com alegria. Dizer : «Quero ser santo» significa: «Vou despojar-me de tudo o que não é Deus, vou despojar-me e esvaziar o meu coração das coisas materiais. Vou renunciar à minha vontade, aos meus gostos, às minhas fantasias, à minha inconstância; tornar-me-ei um escravo generoso da vontade de Deus.


Vou amar a Deus com toda a minha vontade, vou escolher em seu favor, vou correr para Ele, vou chegar até Ele e possuí-lo». Mas tudo depende destas palavrinhas: «quero» ou: «não quero». Devo investir toda a minha energia nesta palavra: «Quero»."


Portanto, caríssimos, sigamos humildemente esta exortação de são Pedro: "A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo." (Lv 11,44). Em outras palavras: "Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor." (Hb 12,14).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS...


 Sol. Do Sagrado Coração de Jesus

(Jo 19,31-37)(11/06/21)


Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus; com efeito, sempre que nos lembramos do coração o relacionamos com o amor, com a ternura; pois, assim como este orgão do nosso corpo é a fonte que alimenta naturalmente a nossa vida, de igual modo, o amor do Sagrado Coração de Jesus, é a Fonte que nos sacia a sede de vida eterna, como Ele, disse: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)." (Jo 7,37b-38).


São Bernardo, monge e doutor da Igreja (séc. XII), assim se expressou em uma de suas homilias: "Onde encontrará a nossa fragilidade repouso e segurança senão nas feridas do Salvador? Perfuraram-Lhe as mãos e os pés, e, com um golpe de lança, também o lado. Por esses buracos abertos, posso provar o mel do rochedo (Sl 80, 17) e o óleo que escorre da pedra dura, vendo «como o Senhor é bom» (Sl 33,9). 


Ele formulava desígnios de paz (Jer 29,11) e eu não o sabia: «Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro?» (Rom 11,34). Mas o prego que O perfurou é uma chave que me abre o mistério dos seus desígnios.


O que nos revelam as suas chagas? Os pregos e as feridas gritam que, verdadeiramente, na pessoa de Cristo, Deus Se reconciliou com o mundo. O ferro trespassou-O, tocando-Lhe o coração, a fim de que Ele pudesse compadecer-Se das minhas fraquezas. O segredo do seu coração torna-se visível nas feridas do seu corpo, onde vemos a descoberto o grande mistério da sua bondade, a misericordiosa ternura do nosso Deus, «Sol nascente que nos visitou do Alto» (Lc 1,78). 


Esta ternura torna-se manifesta nas suas feridas, que mostram claramente que Tu, Senhor, és clemente e compassivo, e cheio de grande misericórdia, porque não há maior amor do que dar a própria vida (cf Jo 15,13) por um condenado à morte.


Todo o meu mérito reside, pois, na piedade do Senhor, e não me faltará mérito enquanto não Lhe faltar a piedade: multiplicando-se a misericórdia de Deus, numeroso será o meu mérito. E as muitas faltas que tenho a reprovar-me? «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rom 5,20).


Se «a bondade do Senhor se estende por todo o sempre», por mim, «cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» (Sl 102,17; Sl 88,2). É esta a minha justiça? Senhor, recordar-me-ei apenas da tua justiça: é ela a minha justiça, pois Tu tornaste-Te para mim justiça de Deus (Rom 1,17)."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

NÃO MATARÁS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,20-26)(10/06/21)


Caríssimos, o ser humano quando não se deixa iluminar pela graça santificante do amor de Deus, isto é, quando não se entrega totalmente ao Senhor para trilhar o caminho da santidade; tende a comportar-se como se Deus não existisse, ou se crê Nele, mas não põe em prática a Sua Palavra, tende agir por instinto como se fosse um animal irracional.


No Evangelho de hoje a Palavra que Jesus dirige aos discípulos se destina à todos os homens de todos os tempos, pois a salvação que o Senhor veio trazer se destina à todos. Por isso, não podemos entender a Palavra do Senhor como uma filosofia de vida ou conjunto de regras a serem seguidas, mas sim como Palavra de vida eterna, que se realiza ao ser acolhida, porque ela é a vontade de Deus que nos liberta de todo o pecado e de todo o mal que o pecado gera.


De fato, "Jesus era prático, falava sempre com exemplos para se fazer compreender, pondo em confronto a Lei antiga e o que Ele nos diz. Começa pelo quinto mandamento do decálogo: «Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não matarás”... Eu, porém, vos digo que qualquer um que, sem motivo, se encolerizar contra o seu irmão, será réu de juízo» (vv. 21-22). 


Com isto, Jesus recorda-nos que também as palavras podem matar! Quando se diz que uma pessoa tem língua de serpente, o que significa? Que as suas palavras matam! Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas nem sequer fazer cair sobre ele o veneno da ira e da calúnia. Nem sequer falar mal dele." (Papa Francisco).


Destarte, escutemos ainda o Senhor: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,35-37).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 8 de junho de 2021

VÓS SOIS O SAL DA TERRA, VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 5,13-16)(08/06/21)


Caríssimos, a obra da evangelização é uma ação direita do Espírito Santo que age em nossas almas fazendo de nós seus porta vozes para anunciarmos Jesus e a salvação que Ele nos trouxe. São Paulo na primeira Carta aos Coríntios, disse, se referindo à sua, mas também à nossa missão: "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16).


Com efeito, segundo o Papa Francisco, esse Evangelho de hoje, "põe em relevo as palavras de Jesus que descrevem a missão dos seus discípulos no mundo (cf. Mt 5, 13-16). Ele utiliza as metáforas do sal e da luz e as suas palavras dirigem-se aos discípulos de todos os tempos, por conseguinte também a nós.


Jesus convida-nos a ser um reflexo da sua luz, através do testemunho das boas obras. E diz: «Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus» (Mt 5, 16). Estas palavras frisam que nós somos reconhecidos como verdadeiros discípulos d’Aquele que é a Luz do mundo, não pelas palavras, mas pelas nossas obras. 


Com efeito, é sobretudo o nosso comportamento que — no bem ou no mal — deixa um sinal nos outros. Por conseguinte, temos uma tarefa e uma responsabilidade pelo dom recebido: a luz da fé, que está em nós por meio de Cristo e da ação do Espírito Santo, não a devemos reter como se fosse nossa propriedade. Ao contrário, somos chamados a faze-la resplandecer no mundo, a doa-la aos outros mediante as boas obras.


E quanta necessidade tem o mundo da luz do Evangelho que transforma, cura e garante a salvação a quem o acolhe! Devemos levar esta luz com as nossas boas obras. A luz da nossa fé, doando-se, não se apaga mas reforça-se. Ao contrário, pode vir a faltar se não a alimentarmos com o amor e com as obras de caridade.


Nos sirva sempre de ajuda a proteção de Maria Santíssima, primeira discípula de Jesus e modelo dos crentes que vivem todos os dias na história a sua vocação e missão. A nossa Mãe nos ajude a deixar-nos sempre purificar e iluminar pelo Senhor, para nos tornarmos, por nossa vez, “sal da terra” e “luz do mundo”."

(Papa Francisco - Angelus - 5/2/17)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

AS BEM-AVENTURANÇAS SÃO VIAS DE PERFEIÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 5,1-12)(07/06/21)


Caríssimos, quem nunca na vida sofreu alguma tribulação ou desafio de fé? Quem nunca na vida chorou ou lamentou-se devido às dificuldades advindas das próprias fraquezas ou às dos outros? É isso o que nos responde a liturgia de hoje, ao nos mostrar que mesmo vivendo neste vale de lágrimas nenhum filho ou filha de Deus deixa de ser consolado e amparado por Ele nas tribulações que sofrem neste mundo.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina a via da perfeição, que nos leva a santidade: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus." A virtude da pobreza, consiste em viver sem apego ou a preocupação em possuir as bens deste mundo.


"Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados." Essa Bem-aventurança nos diz da visita interior que Deus nos faz quando somos atribulados. 


"Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra." Trata-se da salvação eterna de nossas almas prometida por Jesus, àqueles que o amam e se exercitam na virtude da humildade.


"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados." Não se trata da justiça dos homens que é falha, mas sim da justiça de Deus que conhece as nossas intenções e os nossos atos (cf. Sl 138).


"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." De fato, dependemos totalmente da misericórdia divina, e ela é alcançada por aqueles que a exercem para com os outros (cf. Tg 2,12-13).  


"Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." De fato, os nossos olhos são para ver a Deus face a face, e não para ver imagens impuras advindas da Internet ou outros meios.


"Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus." Com efeito, a paz é fruto do Espírito Santo em nossas almas quando nos deixamos conduzir por Ele.


"Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus." Isto é, por causa do seu anúncio que se cumpre na íntegra, pois, todos seremos julgados.


Portanto, caríssimos, peçamas ao Senhor Jesus a graça para fazermos das Bem-aventuranças a nossa regra de vida, e que Ele nos dê a perseverança e a disciplina interior para pô-las em prática.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 6 de junho de 2021

O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO...


 Homilia do 10°Dom do tempo comum (Mc 3,20-35)(06/06/21)


Caríssimos, no Evangelho de hoje, Jesus nos fala do pecado que jamais será perdoado, trata-se do pecado contra o Espírito Santo que consiste em atribuir suas ações a influência do demônio. Ora, todo pecado mortal é obra do inimigo de nossas almas; por isso, quem faz a vontade de Deus, percebe que as tentações são ações do maligno, e desse modo, trata de combate-las pela oração, pela comunhão Eucarística e pela vivência da Palavra de Deus.


O Santo Padre, o Papa Francisco, comentando esse Evangelho, disse: "Os escribas eram homens instruídos nas Sagradas Escrituras e encarregados de as explicar ao povo. Alguns deles são enviados de Jerusalém à Galileia, onde a fama de Jesus começava a difundir-se, a fim de o desacreditar aos olhos do povo; para desempenhar a função de linguarudos, desacreditar o outro, privar da autoridade, que coisa feia! E eles foram enviados para fazer isto. 


Com efeito, Jesus curava muitos doentes, e eles pretendem fazer crer que não o faz com o Espírito de Deus — como fazia Jesus — mas com o do Maligno, com a força do diabo. Jesus reage com palavras fortes e claras, não tolera isto, pois aqueles escribas, talvez sem se darem conta, estão a cair no pecado mais grave: negar e blasfemar o Amor de Deus que está presente e age em Jesus. 


E a blasfema, o pecado contra o Espírito Santo, é o único pecado imperdoável — assim diz Jesus — porque parte do fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus. Mas este episódio contém uma admoestação que serve a todos nós. 


Com efeito, pode acontecer que uma grande inveja pela bondade e pelas boas obras de uma pessoa possa levar a acusa-la falsamente. Há nisto um grande veneno mortal: a maldade com que, de maneira intencional se pretende destruir a boa fama do outro. 


Deus nos livre desta terrível tentação! E se, examinando a nossa consciência, nos apercebermos que esta erva daninha está a germinar dentro de nós, vamos imediatamente confessa-lo no sacramento da Penitência, antes que se desenvolva e produza os seus efeitos malvados, que são incuráveis. Estai atentos, pois esta atitude destrói as famílias, as amizades, as comunidades e até a sociedade." (Papa Francisco, Angelus, 10/06/18).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 1 de junho de 2021

AS PROVAÇÕES SÃO PARA A NOSSA SANTIFICAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,13-17)(01/06/21)


Caríssimos, as provações pelas quais passamos em nosso dia a dia são acontecimentos adversos que se dão na vida de todos sem exceção, isto porque vivemos em meio às tempestades deste mundo, advindas dos pecados aqui cometidos. De fato, justos ou injustos sofrem por conta dessas adversidades, mas, não na mesma proporção, como nos ensinou são Pedro (cf. 1Pd 4,12-19).


No Evangelho de hoje por conta da hipocrisia dos fariseus e herodianos, o Senhor Jesus foi posto à prova: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?”


Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja”. Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?” Eles responderam: “De César”. Então Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (Mc 12,14-17a).


De fato, quem sofre por causa das injustiças dos que agem mal, vencem sempre porque que se unem ao Senhor Jesus na sua luta contra o pecado, por isso, permanecem em estado de graça louvando e agradecendo a Deus que os sustenta nessa sua luta, como o Senhor nos ensinou: "Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,11-12).


Portanto, caríssimos, não deixemos de ser bons por que muitos não o são, afinal a bondade é uma virtude eterna que nos foi dada por Deus quando nos criou, cultivemo-la, pois, aqueles que a praticam por amor de Cristo permanecem unidos a Cristo aqui e por toda a eternidade.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

FESTA DA VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA À ISABEL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 1,39-56)(31/05/21)


Caríssimos, sem dúvida todos nós precisamos nos sentir seguros, mas nem sempre isso acontece devido a esse mundo tenebroso, e por isso nos sentimos desencorajados. Ora, esta liturgia de hoje nos dá motivos de sobra para nos sentirmos firmes na Rocha viva da nossa salvação, Cristo Jesus, que no seio de sua Mãe Santíssima nos visita trazendo a alegria da Sua presença como o fez a santa Isabel e a seu filho, são João Batista, que saltou de alegria no seu ventre ao serem visitados.


Com efeito, contemplar a visitação da Virgem Maria à sua prima Isabel, é contemplar a família como "o Santuário da vida", bem como nos ensinou são João Paulo II. De certo, os exemplos da Virgem Mãe e de sua prima Isabel, põe por terra essa cultural de morte que vemos em nossa sociedade pela atrocidade do aborto ou dos contraceptivos que nada mais são que a negação da vida como um dom de Deus.


De fato, "O Papa São João Paulo II confirma que a contracepção e o aborto "têm as suas raízes numa mentalidade hedonista e irresponsável em relação à sexualidade e pressupõem um conceito egoísta de liberdade, que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade". 


Na verdade, tal mentalidade nasce da perca da fé e das virtudes eternas recibidas no batismo, e que por falta de cultivo, sofre essa derrocada levando tais pessoas para o abismo do egoísmo, do indiferentismo e da morte. De fato, não pode viver em paz nem ser feliz quem mata um inocente no próprio ventre ou aconselha outros a cometerem esse pecado. 


Portanto, caríssimos, quem se une ao Senhor Jesus por meio dos exemplos de Maria Santíssima e de Isabel, experimentam a mesma alegria que elas experimentaram por trazerem em seus ventres o Filho de Deus e o seu precursor, João Batista, os quais nos proporcionaram a graça da nossa participação na natureza divina.


Oremos: "Ó Deus, todo-poderoso, que inspirastes à Virgem Maria sua visita a Isabel, levando no seio o vosso Filho, fazei-nos dóceis ao Espírito Santo, para cantar com ela o vosso louvor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém!


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 30 de maio de 2021

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE...


 Homilia da Sol. da Santíssima Trindade (Mt 28,16-20)(30/05/21)


Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade da Santíssima Trindade, isto é, a síntese de todos os mistérios da nossa fé, Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. Um só Deus em pessoas três. Ora, o único meio de se conhecer esse Mistério de Amor o próprio Jesus nos revelou: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (Jo 16,13).


Com efeito, santo Irineu, mártir (sec. II), comentado o Credo que professamos, escreveu: "Eis a regra da nossa fé, eis o fundamento do nosso edifício, eis aquilo que dá firmeza ao nosso comportamento. Em primeiro lugar: Deus Pai, incriado, ilimitado, invisível, Deus uno, criador do universo; este é o primeiro artigo da nossa fé.


Segundo artigo: o Verbo de Deus, Filho de Deus, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que foi revelado aos profetas segundo o gênero das suas profecias e segundo os desígnios do Pai, por meio de quem todas as coisas foram feitas; na plenitude dos tempos, para recapitular todas as coisas, dignou-Se encarnar, aparecendo entre os homens, visível, palpável, para destruir a morte, fazer surgir a vida e operar a reconciliação entre Deus e o homem. 


Terceiro artigo: o Espírito Santo, por quem os profetas profetizaram, os nossos pais conheceram as coisas de Deus e os justos foram conduzidos para a via da justiça; no final dos tempos, foi enviado aos homens de uma maneira nova, a fim de os renovar em toda a face da Terra, para Deus.


É por isto que o batismo do nosso novo nascimento é colocado sob o sinal destes três artigos. Deus Pai concede-no-lo, com vista ao nosso novo nascimento em seu Filho, pelo Espírito Santo. Porque aqueles que trazem em si o Espírito Santo são conduzidos ao Verbo, que é o Filho, o Filho os conduz ao Pai, e o Pai concede-lhes a imortalidade.


Sem o Espírito, é impossível ver o Verbo de Deus, e sem o Filho ninguém pode aproximar-se do Pai. Porque o conhecimento do Pai é o Filho; o conhecimento do Filho faz-se pelo Espírito Santo; e o Filho concede o Espírito segundo a complacência do Pai."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.



sábado, 29 de maio de 2021

A PRÁTICA DA FÉ REQUER CORRESPONDÊNCIA À GRAÇA RECEBIDA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 11,11-26)(28/05/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje trata da pureza de alma com que devemos praticar a fé, pois, por ser um dom de Deus, requer de nossa parte a correspondência necessária para que possa dar frutos abundantes em vista do bem comum. Por isso, peçamos ao Senhor a graça de vivermos esse dom do Espírito Santo para correspondermos à sua santa vontade em todo o nosso modo de ser e estar no mundo.


De fato, a fé nasce do amor de Deus por nós, pois, mesmo sem merecermos, Ele enviou o Seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para morrer por nós e nos salvar do pecado e da morte; e tudo o que nos pede é que confiemos Nele pondo em prática a Sua Santa Palavra, que se cumpre na íntegra. 


Com efeito, a fé está sempre unida a esperança e a caridade, por isso, a oração feita com fé é um depositar-se em Deus para que se cumpra a sua vontade, desse modo, quem reza assim, confia, espera e o ama, na certeza de que Ele é fiel e atende as nossas preces para muito além do que precisamos.


No Evangelho de hoje Jesus expulsa do Templo os mercadores, e usa o exemplo de uma figueira frondosa, mas estéril, como imagem do seu povo que se afastara da prática da pureza da fé por fazer da casa de Deus um covil de ladrões, isto é, uma casa de comércio, representado pelos comerciantes de animais para os sacrifícios e pelos cambistas.


Portanto, caríssimos, tomemos cuidado para não sermos como uma figueira estéril, por fora frondosa, cheia de folhas e verdejante, mas, sem fruto algum em seus ramos. Em outras palavras, "a fé sem as obras é morta", isso quer dizer que os frutos da prática da fé são: a vida de oração, a vivência dos Sacramentos, o engajamento nas pastorais e movimentos da Igreja e a prática das obras de misericórdia.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.



quinta-feira, 27 de maio de 2021

JESUS, FILHO DE DAVI, TENDE PIEDADE DE MIM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,46-52)(27/05/21)


Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da cura do cego de Jericó que muito tem a nos ensinar. O evangelista Marcos narra que a única riqueza que o cego possuía era a fé em Jesus, a oração de arrependimento e súplica e a perseverança, não obstante aqueles que queriam impedi-lo de aproximar-se de Jesus, e só parou sua oração quando foi atendido.


Fazendo uma analogia entre a cegueira de Bartimeu e a nossa, escreveu são Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja: "Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego, grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem piedade de mim!» Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Muitos repreendiam-no para que se calasse». 


Quem são estes? Eles representam os desejos da nossa condição neste mundo, são os vícios do homem e os seus tumultos, fatores de confusão que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que reza.


O que fez este cego para receber a luz, mau grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: "Filho de David, tem piedade de mim"». Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir, até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. 


Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: quando nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo e o reencaminhar para Deus, há muitas coisas importunas que pesam sobre nós e que temos de combater; é um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. 


Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no nosso espírito Jesus que passa. Daí que o evangelho diga: «Jesus parou e disse: "Chamai-o"». De fato, o sentido da oração é encontrar o Senhor no coração de nossas almas, isto é, em nossa consciência e deixar que Ele nos fale curando a nossa cegueira e as nossas feridas.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

DEIXAR TUDO PARA SEGUIR JESUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,28-31)(25/05/21)


Caríssimos, o apego material, psicológico e espiritual à coisas, pessoas ou a nós mesmos é uma pedra de tropeço que nos impede de crescer no estado de graça, tornando-nos, de certo modo, incapazes das virtudes sublimes, do amor, obediência e humildade. Ora, à liturgia de hoje nos ensina que estamos sempre na presença de Deus, mas muitas vezes não o notamos por conta dos nossos apegos.


Na primeira leitura tirada do livro do Eclesiástico, o escritor sagrado nos mostra que a oração dos abnegados de coração se eleva a Deus como um perfume de suave odor por conta do desapego e da alegria com que se doam a Ele, por isso suas ofertas são atos de louvor e ação de graças. Diz o Eclesiástico: "Faze todas as tuas oferendas com um rosto alegre, consagra os dízimos com alegria." (Eclo 35,11).


No Evangelho de hoje Pedro se dirige ao Senhor Jesus com estas palavras: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Ao que o Senhor respondeu: "Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna."


Desse modo, compreendemos que a renúncia é o desapego que nos liberta de nós mesmos, para darmos ao Senhor tudo o que somos e o que temos, porque sem a renúncia de si mesmo e daquilo que tenta ocupar o lugar de Deus em nossa vida, não somos livres para nos deixar conduzir por Ele, quais ovelhas do seu rebanho, aos prados verdejantes da Sua glória. 


Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus o dom da renúncia, do desapego de nós mesmos e de tudo aquilo que tenta nos impedir de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como nós mesmos: Senhor Jesus, da-nos a graça da total renúncia de nós mesmos para permanecermos na tua presença fazendo realmente a tua santa vontade em nossos pensamentos, palavras e ações, tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém!


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

CUIDADO COM OS INTERESSES PESSOAIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,32-45)(26/05/21)


Caríssimos, um coração cheio de interesses pessoais facilmente deixa de ouvir o Senhor, e põe tais interesses à cima de todos, ainda que as intenções sejam aparentemente boas; todavia, elas não passam de falta de atenção e cuidado com o essencial. É isto o que vemos no Evangelho de hoje em que Jesus revela os sofrimentos e a morte violenta que iria padecer, mas, dois dos discípulos estavam ocupados em buscar os primeiros lugares no seu reino.


De fato, a nossa formação cultural é toda voltada para a busca dos primeiros lugares, para triunfarmos em tudo, de modo que, quando isso não acontece, nos sentimos derrotados ou então insatisfeitos. E isso se dá porque não suportamos os sofrimentos ou as adversidades, uma vez que desejamos o sucesso, os elogios e tudo o que nos faz imponentes ou famosos.


Certa feita, santa Teresa D'avila por penitência e inspiração divina firmou o propósito de escolher os último lugar, pois, dizia que é o único lugar que ninguém quer. De modo que, ao se dirigir para o refeitório com as outras irmãs esperou que elas se servissem primeiro para se servir por último, no entanto, quando se pôs no último lugar, sentiu um forte respiro às suas costas, ao voltar-se viu Jesus que lhe disse: "Teresa o último lugar é meu." Em outras palavras, "os últimos serão os primeiros" aqui e no Reino de Deus.


No Evangelho de hoje, em resposta à indignação dos outros Apóstolos contra Tiago e João que pediram ao Senhor Jesus os primeiros lugares no seu reino, Ele respondeu: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos."


Portanto, caríssimos, por seu exemplo, atitudes e Palavras, o Senhor Jesus nos ensina que o melhor lugar é aquele que Deus nos dá, pois, como já havia dito: "O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer." (Mt 10,24; Lc 17,10).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

MARIA SANTÍSSIMA, MÃE DA IGREJA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-34)(24/05/21)


Caríssimos, por graça de Deus são Paulo VI proclamou Maria como Mãe da Igreja, e o Papa Francisco instituiu a comemoração da sua memória na primeira segunda-feira depois da Solenidade de Pentecostes. Ora, viver cada momento com Maria Santíssima e gozar do seu amor materno, é ouvir a voz do seu Filho Jesus quando do alto da cruz disse ao discípulo amado que ali representava todos nós: "Filho eis aí tua mãe."


De fato, a instituição dessa memória traz em si um profundo significado pelo acontecimento de Pentecostes, como bem descreve Lucas: "Depois que Jesus subiu ao céu, os apóstolos voltaram para Jerusalém... Entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumavam ficar. Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus." Ou seja, perseverar na oração com Maria Santíssima.


Com efeito, Maria por obra e graça do Espírito Santo, é a Mãe de Jesus, o Filho de Deus; ora, esse fato irrepetível na criação e na história da salvação nos mostra o quanto Deus nos ama para nascer como um de nós sem deixar de ser Deus, e ainda mais, dá-nos como Mãe aquela que Ele escolheu como sua Mãe. Por esse fato: "Maria nos ensina que Deus não nos abandona, que Ele pode fazer maravilhas inclusive com a nossa debilidade. Tenhamos confiança nele! Batamos à porta do seu Coração!" (Papa Francisco).


De certo, quando da proclamação desse título da Santíssima Mãe de Deus, escreveu são Paulo VI: "Considerando as estreitas relações de Maria com a Igreja, para a glória da Santa Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos Pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que, com este título suavíssimo, a Mãe de Deus seja doravante ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão.


Portanto, é com ânimo cheio de confiança e de amor filial que elevamos o olhar para ela, não obstante a nossa indignidade e fraqueza. Ela, que em Jesus nos deu a fonte da graça, não deixará de socorrer a Igreja com seu auxílio materno, sobretudo neste tempo em que a Esposa de Cristo se empenha, com novo alento, na sua missão salvadora." (São Paulo IV: AAS 56 [1964]).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 22 de maio de 2021

"TU, SEGUE-ME"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,20-25)(22/05/21)


Caríssimos, existe uma tendência humana que não nos ajuda na vivência da fé, trata-se da curiosidade em querer saber da vida alheia, e com isso perdemos tempo e não crescemos no estado de graça, isto é, na comunhão com o Senhor. De fato, a graça e a santidade de Deus, nosso Pai, são dádivas para todos os seus filhos e filhas, por isso, peçamos ao Senhor que elas cheguem à todas as almas por Sua Divina Misericórdia.


No Evangelho de hoje Pedro quis saber do Senhor Jesus o que seria da vida de João, o discípulo amado; ao que o Senhor respondeu: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa isso? Tu, segue-me!” Ou seja, cada um de nós tem a sua história de vida que o Senhor, pela graça do Espírito Santo, transforma em história de salvação, pela via da nossa obediência ao seus preceitos e da prática da virtudes, cabe a nós nos deixar conduzir por Ele.


Na primeira leitura são Paulo mesmo estado preso pela causa de Cristo, isto é, da salvação da humanidade não se cansa de Evangelizar como bem sublinha são Lucas: "Paulo morou dois anos numa casa alugada. Ele recebia todos os que o procuravam, pregando o Reino de Deus. Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo."


De certo, este exemplo do Apóstolo das gentes serve de estímulo para nós que recebemos no batismo o Dom do Espírito Santo e com Ele todas as graças e bênçãos para sermos felizes e comunicarmos essa felicidade como aqueles que o Senhor Jesus escolheu para anunciar o Seu Nome e o Reino de Deus, como o fez Paulo.


Portanto, caríssimos, sem medo algum, e plenos de coragem anunciemos com precisão a mensagem da salvação eterna das almas, que o Senhor Jesus concedeu como missão à todos os batizados, sigamos fielmente pela via das virtudes teologais: fé, esperança e caridade, as pegadas dos Apóstolos e de todos que anunciaram o Santo Nome do Senhor, levando à bom termo a salvação que Ele nos trouxe.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.


sexta-feira, 21 de maio de 2021

SENHOR, TU SABES TUDO, TU SABES QUE EU TE AMO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,15-19)(21/05/21)


Caríssimos, a nossa adesão a Cristo pelo batismo é total e definitiva; ora, isso requer a renúncia de si, o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos; ocorre que muitos batizados por viverem apegados a si mesmos e as coisas deste mundo, fazem destas ídolos que ocupam o lugar de Deus em suas almas; e quando tudo dá errado, a tendência é querer culpar o Senhor.


Com efeito, nesta liturgia de hoje o Senhor Jesus insiste com Simão Pedro perguntando-lhe por três vezes se o ama mais que os outros, nos dando a entender que Pedro representa todos nós que o seguimos, pois, quem de nós nunca o negou por algum motivo ou apego ou outro pecado cometido? Como nos retratarmos? 


Com efeito, Pedro o negou três vezes, quando disse que não o negaria; por isso, se arrependeu e se retratou três vezes, dizendo que o amava, porém, se entristeceu na última vez por ser emotivo e não ter compreendido a intenção do Senhor que foi confirmar a sua escolha e a missão de pastorear o Seu rebanho, ou seja, cada um de nós na pessoa dos seus sucessos. 


E nós como nos retratar diante do Senhor pelos muitos pecados cometidos conta Ele, contra nós mesmos e contra nossos irmãos e irmãs? Com a mesma postura de Pedro que mesmo diante da evidência da sua culpa não exitou em aceitar os desígnios do Senhor a seu respeito? De fato, o nosso arrependimento é preponderante para sermos perdoados e sentirmos a responsabilidade de não mais ofende-lo por nada deste mundo.


Portanto, caríssimos, temos consciência de que neste mundo somos tentados por todos os nossos lados a negar a nossa fé e deixar de seguir o Senhor; para nos tornarmos indiferentes, calculistas, dominados pelas ideologias, adoradores dos deuses deste mundo e assim vivermos sem esperança alguma.


Destarte, peçamos ao Senhor para cultivarmos com fervor o dom da piedade, a vida de oração, a prática dos Sacramentos e das obras de misericórdia, pois, somente assim não seremos engolidos pelas distrações deste mundo que tornam as nossas almas espiritualmente inférteis, isto é, sem os frutos do Espírito Santo. (cf. Gl 5,22-23).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

A UNIDADE É UM DOM DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,20-26)(20/05/21)


Caríssimos, a unidade é um dom de Deus que nos enviou o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo com o Espírito Santo para nos fazer um só no seio da Santíssima Trindade; é isso o que o Senhor Jesus nos ensina com a sua oração no Evangelho de hoje: “Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra; para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste."


Com efeito, a unidade tão desejada por Jesus e pedida em oração ao Pai, na atual situação da humanidade, só é possível mediante uma intervenção divina, para que haja uma conversão em massa, pois, à medida que os homens se entregam ao pecado, se afastam da presença do Senhor, atraindo com isso a Sua Justiça.


De fato, Deus é amor e misericórdia, porém, para aqueles que se convertem e voltam à prática do bem, ao caminho da unidade desejada por Jesus; caso contrário, apresenta-se como Justo Juiz que julgará a cada um por suas palavras e ações. De certo, todos os pecados podem ser evitados pela oração, pela prática das virtudes e a busca da santidade sem a qual ninguém poderá ver a Deus. (cf. Hb 12,14).


Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus que nos dê a sua proteção para cumprirmos a nossa missão de testemunhar o Seu Nome, pois, como nos ensinou são Pedro: "Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos." (At 4,12).


Destarte, oremos, com o Salmo responsorial: "Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor”. Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos! Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado." (Sl 115).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

NÓS SOMOS SEU POVO, SEU REBANHO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,11b-19)(19/05/21)


Caríssimos, a oração de intercessão do Senhor Jesus pelos discípulos expressa no Evangelho de hoje, revela o quanto Ele nos ama e que esse amor nos faz permanecer em comunhão com o Pai, tornando-se o fundamento da unidade entre nós, e que por essa graça o Espírito Santo nos move à perfeição da caridade fraterna. “Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um."


Com isso entendemos que, após a Ascensão do Senhor, o Espírito Santo assume o protagonismo da obra da evangelização e salvação da humanidade, como nos lembra a Lumen Gentium: "Terminada na terra a obra que o Pai confiou ao Filho, O Espírito Santo foi enviado no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito, terem os fiéis acesso junto ao Pai.


O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como em um templo. Neles ora e dá testemunho da adoção de filhos. Conduz a Igreja ao conhecimento da verdade total, unifica-a na comunhão e nos ministérios, ilumina-a com diversos dons carismáticos e hierárquicos e enriquece-a com seus frutos. Estes carismas devem ser recebidos com ação de graças e consolação. Pois todos, desde os mais extraordinários aos mais simples e comuns, são perfeitamente apropriados e úteis às necessidades da Igreja." 


Pela força do evangelho, rejuvenesce a Igreja, renovan­do-a constantemente e a conduz à perfeita união com seu Esposo. Pois o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: "Vem!" Assim se apresenta a Igreja inteira como um povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo."


Portanto, caríssimos, somos o povo do Senhor, o rebanho que Ele guia, a sua porção eleita, a estirpe dos redimidos pelo seu sacrifício de cruz, cujo sangue derramado apaga os nossos pecados, nos dando o dom da vida eterna por obra e graça do Espírito Santo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 18 de maio de 2021

A TUA PALAVRA, SENHOR, PERMANECE PARA SEMPRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,1-11a)(18/05/21)


Caríssimos, a Palavra de Deus é a Sua Vontade escrita e proclamada, é a Verdade, por isso, permanece para sempre e renova todas as coisas; pois, quando dita se realiza plenamente; e quando obedecida, transforma a nossa vida, passamos de simples mortais à seres eternos pelo poder de Deus que nos criou por amor à sua imagem e semelhança. É isso o que nos ensina esta liturgia de hoje. 


Na primeira leitura são Paulo ciente do cumprimento de sua missão se despede dos anciãos da Comunidade de Éfeso fazendo uma síntese do seu ministério: "Vós bem sabeis de que modo me comportei em relação a vós, durante todo o tempo. Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações. Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa."


De fato, a Palavra de Deus anunciada pelos Apóstolos e por todos que seguiram o Senhor Jesus ao longo dos tempos, e que habita nossas almas, é a garantia da vida eterna, porque por Ela cremos que Jesus é o Filho de Deus amado, e que foi enviado para nos salvar por meio do Seu Sacrifício de cruz, e desse modo apagar os nossos pecados por Sua Divina Misericórdia.


Com efeito, tudo o que está nas Sagradas Escrituras e que se constitui o fundamento do ensinamento da Igreja, é obra do Espírito Santo, e se cumpre na íntegra; por outro lado, tudo o que está fora desse ensinamento se constitui pedra de tropeço para aqueles que seguem na vida sem rumo certo, porque somente em Cristo a vida é eterna, e fora Dele não existe salvação.


Portanto, caríssimos, como escreveu são João: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." Ou seja, a Palavra Divina, Criadora e Redentora, que habita em nossas almas, nos restaura, nos fazer renascer da água e do Espírito Santo para a vida nova que Deus reservou como herança para aqueles que o amam e seguem fielmente o Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

A FÉ SIGNIFICA ENTREGA TOTAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,29-33)(17/05/21)


Caríssimos, "Deus está aqui, tão certo como o ar que eu respiro; tão certo como o amanhã que se levanta; tão certo como eu vos falo e podeis me ouvir." É isto o que nos ensina o Senhor Jesus com a sua vinda à este mundo para nos salvar. Por isso, mesmo que os homens com os seus pecados digam que não; ainda que o demônio por meio das maldades e tragédias que nos atinge, diga que não; Deus nos ama, nos acolhe e nos liberta de todo mal, é essa a graça que Dele recebemos, não estamos sozinhos nesta luta contra o pecado.


Na primeira leitura de hoje são Paulo impondo as mãos sobre doze novos discípulos, após serem batizados, eles ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a profetizar e falar novas línguas, mostrando-se assim preparados para evangelização; ora, também no momento do nosso batismo foi nos dado o dom do Espírito Santo para que conduzidos por Ele sirvamos ao Senhor em santidade e justiça todos os dias de nossa vida. 


No Evangelho de hoje os discípulos fizeram a sua profissão de fé em Jesus, dizendo: "Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. Todavia, isso não foi o suficiente para se manterem inabaláveis na fé, como lembra Jesus: "Credes agora? Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo."


De fato, eles precisavam da efusão do Espírito Santo para crerem firmemente e sob sua inspiração anunciarem com destemor a ressurreição do Senhor Jesus que com eles conviveu por quarenta dias completando as instruções que lhes havia dado antes da sua paixão e morte de cruz.


Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus a graça de nos mantermos sempre na Sua presença pela ação do Espírito Santo, para que gozando da Sua amizade e plenos do seu amor, anunciemos a Sua ressurreição que experimentamos no batismo (cf. Rm 6,3-4); enquanto esperamos a Sua vinda gloriosa.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 16 de maio de 2021

HOMILIA DA SOLENIDADE DA ASCENÇÃO DO SENHOR...


 Homilia da Sol. da Ascenção do Senhor (Mc 16,15-20)(16/05/21)


Caríssimos, a ascensão do Senhor Jesus é o grande mistério de Deus feito homem que ao mesmo tempo se ausenta dos nossos olhos, mas, permanece conosco nos Sacramentos e especialmente no Sacramento da Eucaristia, e também nas ações litúrgicas da Igreja celebradas por seus ministros devidamente ordenados e em comunhão com o Santo Padre.


Com efeito, a ascensão do Senhor Jesus não é apenas uma demonstração do poder de Deus, mas principalmente do Seu sublime amor que ao acolher o Corpo humano do Seu Filho na sua glória, eleva a nossa carne à condição da imortalidade revelando, como isso, como seremos no Paraíso, isto é, totalmente repletos do Seu esplendor.


De certo, a nossa participação nesse mistério se dá mediante o Sacramento do Batismo em que somos feitos filhos e filhas de Deus pela ação do Espírito Santo que nos gera para a vida eterna; bem como escreveu são Paulo: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4).


Menditemos mais profundamente este mistério por meio do Prefácio da Missa da Ascenção do Senhor: "Vencendo o pecado e a morte, vosso Filho, Jesus, rei da glória, subiu hoje ante os anjos maravilhados ao mais alto dos céus. E tornou-se o mediador entre vós, Deus, nosso Pai, e a humanidade redimida, juiz do mundo e Senhor do universo. Ele, nossa cabeça e princípio, subiu aos céus, não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade." (Missal Romano)


Oremos: "Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso filho, já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém!


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

A ORAÇÃO É NUTRIMENTO PARA A ALMA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 16,23b-28)(15/05/21)


Caríssimos, a nossa confiança no amor de Deus, faz cair por terra os nossos medos e inseguranças, e nos faz capazes de dar a vida por esse amor sem limites; e mesmo diante dos desafios que enfrentamos por causa das tentações e dos pecados que são tantos, multipliquemos as nossas orações, na certeza de que são como um bálsamo suave que tranquiliza o nosso ser em meio à essa guerra espiritual que travamos.


Preparando o Pequeno Sermão de hoje me deparei com esta belíssima exortação sobre o dom da oração e o seu exercício: "Olhai, meus filhos, que o tesouro do cristão não está na Terra, mas no Céu (Mt. 6,20). Ora, o nosso pensamento deve estar onde está o nosso tesouro. O homem tem a bela função de orar e amar; orar e amar é a felicidade do homem na Terra. 


A oração é uma forma de união com Deus. Quando se tem o coração puro e unido a Deus, sente-se um bálsamo, uma doçura que inebria, uma luz que encandeia. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera fundidos um no outro, que jamais se podem separar. É coisa bela esta união de Deus com a sua pequena criatura; é uma felicidade que não se pode compreender."


De certo, assim como o nosso corpo não vive sem o ar que respira, a comida que come, e a água que bebe, de igual modo, a oração é o nutriente de nossa alma, de modo que sem esse nutrimento a vida se torna um abismo de dor e sofrimento. No Evangelho segundo Lucas meditamos o seguinte sobre a perseverança na oração: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo." (Lc 18,1).


No Evangelho de hoje o Senhor nos ensina que pela oração encontramos o Pai celestial e confiamos a Ele o que necessitamos na certeza de que somos ouvidos: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa."


Portanto, caríssimos, o dom da oração requer duas atitudes fundamentais para ser bem exercido e surtir o efeito desejado: oração é o lugar sagrado onde encontramos o Senhor e com Ele interagimos; por isso, é preciso fazer silêncio, pois é um diálogo, no qual temos mais a ouvir do que a dizer, porque o Senhor nos conhece totalmente (cf. Sl 138).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

CRITÉRIOS, ESCOLHAS E DECISÕES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,9-17)(14/05/21)


Caríssimos, a vida é feita de escolhas e decisões a partir das virtudes que cultivamos em nossas almas levando-se em conta os critérios de justiça e equidade para que sempre seja de acordo com a vontade de Deus. E foi exatamente isto que fizeram os Apóstolos ao escolher Matias para preencher a vaga deixada por Judas no Conselho Apostólico.


Com efeito, esse procedimento seu deu tendo Pedro a frente coordenando a comunidade no discernimento para tal escolha, porém, sempre em oração; e os critérios usados foram, as Sagradas Escrituras, o tempo vivido no seguimento do Senhor, o testemunho da sua ressurreição e a reputação do mesmo junto à comunidade, desse modo o processo se mostrou justo e confiável.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus usa os critérios do amor e da autoridade divina que recebeu do Pai, tendo como fundamento a obediência incondicional, como veremos a seguir: "Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor."


De fato, o Senhor Jesus os trata não como empregados, mas sim como amigos: "E eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando."


Portanto, caríssimos, no nosso dia a dia, quais critérios usamos em nossas escolhas e decisões? De fato, essa pergunta é fundamental, pois como discípulos do Senhor Jesus, temos a Ele sempre conosco, por isso, peçamos a graça do perfeito discernimento para não caírmos nas ciladas do inimigo de nossas almas, que com suas tentações só visa a nossa ruína.


Destarte, não podemos esquecer que o amor do Senhor por nós, o nosso amor incondicional por Ele e o desejo da salvação de todos, são os únicos critérios verdadeiramente confiáveis para que as nossas escolhas e decisões sejam sempre de acordo com a vontade de Deus, nosso Pai.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

COMO ENTENDER A LINGUAGEM DIVINA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,16-20)(13/05/21)


Caríssimos, a linguagem divina só pode ser entendida pela ação do Espírito Santo quando nos abrimos a Ele; quando não, pouco ou nada entendemos, é o caso dos discípulos no Evangelho de hoje, que mesmo depois de três anos seguindo Jesus, escutando os seus ensinamentos e vendo os sinais que realiza como o Messias enviado, ainda assim sentiam dificuldade para entender e acolher a sua vinda e missão.


Vejamos isso na narrativa de são João: “Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”. Em verdade Jesus lhes falava da sua morte e ressurreição, e da sua ascensão ao céu.


De fato, a fé na ressurreição dos mortos é um fato consumado porque é um dom do Espírito Santo que nos foi dado no batismo, e como escreveu são Paulo, não crer é contristar o Espírito Santo e deixar de receber o selo da redenção: "Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção." (Ef 4,30).


E como se contrista o Espírito Santo? São Paulo explica: "Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo." (Ef 4,31-32).


Portanto, caríssimos, no Evangelho de hoje Jesus revela aos discípulos qual a reação deles e do mundo a respeito da Sua Paixão, morte e ressurreição: "Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.


Destarte, ao falar do mundo em oposição à sua vinda, o Senhor Jesus não está se referindo à criação natural, mas sim, àqueles que pensam e agem contra Deus e contra Ele que foi enviado como salvador de todos os que Nele creem e realizam a vontade do Pai.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

EM SINTONIA COM O ESPÍRITO SANTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,12-15)(12/05/21)


Caríssimos, viver na intimidade do Espírito Santo é conhece-lo no modo como Ele se revela, isto é, falando por meio das ações e das palavras dos Patriarcas e dos Profetas; por meio do cumprimento das profecias, e principalmente por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Como Ele disse: “Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará."


De fato, conforme o Catecismo da igreja Católica: «Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus» (1Cor 2,11). Ora, o Seu Espírito, que O revela, faz-nos conhecer a Cristo, o seu Verbo, a sua Palavra viva; mas não Se diz de Si próprio. Aquele que «falou pelos profetas» faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, não O ouvimos; só O conhecemos no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-lo na fé. 


O Espírito da verdade, que nos «revela» Cristo, «não fala de Si próprio» (Jo 16,13). Tal ocultação, propriamente divina, explica porque é que «o mundo não O pode receber, porque não O vê nem O conhece», enquanto aqueles que creem em Cristo O conhecem, porque Ele habita com eles e está neles (Jo 14,17)." (CIC 687-688)


Com efeito, no Livro de Sabedoria meditamos sobre a Pessoa do Espírito Santo o seguinte: "Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza. Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória doTodo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela. É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade." (Sb 7,24-26)


Portanto, caríssimos, é o Espírito Santo quem conduz a Igreja à plenitude da Páscoa Eterna aonde todos seremos um, tal qual o Senhor Jesus nos ensinou: "Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim." (Jo 17,22-23).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Ó VINDE ESPÍRITO SANTO ENCHEI OS CORAÇÕES DOS VOSSOS FIÉIS


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 16,5-11)(11/05/21)


Caríssimos, na liturgia de hoje o Senhor Jesus revela qual será a missão do Espírito Santo, ou seja, preencherá as almas dos discípulos e a nossa de tal forma que suprirá a sua ausência física. Agirá nas nossas consciências nos mostrando que o grande pecado da humanidade é não crer Nele, nos dando conhecer que a Sua ida para o Pai é o cumprimento da Justiça Divina por tudo o que padeceu; e por fim, nos mostra que "o chefe deste já está condenado."


De fato, o Senhor Jesus se ausenta fisicamente aos nossos olhos naturais, mas permanece presente em todos os Sacramentos e nas ações litúrgicas da Igreja. Além do mais, habita em nossas almas pela nossa obediência aos seus santos mandamentos, como Ele mesmo disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada." (Jo 14,23).


No que diz respeito ao pecado do mundo, este consiste em mesmo diante da Sua vinda comprovada por seu povo e por todos do seu tempo, não foi acreditado, pelo contrário, o crucificaram mesmo sendo inocente; e ainda preferiram soltar um assassino, para o condenar à uma morte insana com requintes de crueldade. Ora, daí percebemos quão terrivelmente o odiaram.


A respeito da condenação eterna do demônio e dos seus seguidores, esta advém de toda maldade espalhada na face da terra, e se vemos ela crescer tão abruptamente, é por conta dos pecados que se multiplicam assustadoramente mesmo diante da misericórdia de Deus que não leva em conta o mal praticado, mas sim o arrependimento sincero e a volta ao seu santo convívio.


Portanto, caríssimos, sigamos esta exortação de são Paulo, para nos manter em estado de graça na presença do Senhor: "Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus.


Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2Cor 5,20b-21; 6,1-2).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

ENVIA TEU ESPÍRITO SENHOR E RENOVA A FACE DA TERRA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,26–16,4a)(10/05/21)


Caríssimos, a nossa caminhada para o céu é um percurso que não fazemos sozinhos, porque seguimos o Senhor Jesus conduzidos por Seu Santo Espírito, como vimos nos Atos dos Apóstolos e na vida de todos os santos e santas em todos os tempos. Porém, porque o mundo não conhece Deus nem o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, age sempre como oposição a nós que o seguimos, tentado remover-nos da fé.


Com efeito, no Evangelho de hoje, preparando os Apóstolos para os acontecimentos da Sua Paixão, Jesus revela a vinda do Espírito Santo que os fará permanecer firmos na fé sem se deixar abalar por Sua morte de cruz. Diz o Senhor: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim." (Jo 15,26). 


De certo, o testemunho do Espírito Santo é a garantia de que o modo de Deus agir é infinitamente superior ao nosso, e se realiza plenamente conforme o Seu Plano divino para a nossa salvação. Como o Senhor mesmo confirma: "Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda." Desse modo, é o Senhor quem nos sustenta com o testemunho do Espírito Santo para darmos testemunho da Sua presença conosco no tempo de prova que enfrentamos.


Didimo de Alexandria (Sec. IV), nos mostra como o Senhor nos renova pela ação do Seu Espírito: "O Espírito Santo, que é Deus juntamente com o Pai e o Filho, nos renova pelo batismo; e do nosso estado de imperfeição, reintegra-nos na beleza primitiva. Torna-nos de tal forma repletos de sua graça, que não podemos admitir em nós qualquer coisa que não deva ser desejada. Além disso, liberta-nos do pecado e da morte. E de terrenos que somos, quer dizer, feitos do pó da terra, nos faz espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros de Deus Pai.


Faz-nos ainda conformes à imagem do Filho, seus co-herdeiros e irmãos, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com ele. Em vez da terra, dá-nos de novo o céu, abre-nos generosamente as portas do paraíso, honra-nos mais do que os próprios anjos. E com as águas divinas do batismo, apaga as imensas e inextinguíveis chamas do inferno."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 9 de maio de 2021

MÃE... UMA SINGELA HOMENAGEM...


 Mãe... Uma singela homenagem... 


Mãe é um ser sem igual, tanto é assim que Deus Eterno, incriado, Onipotente, Oniciente e Onipresente, criou Maria e quis nascer dela como uma Fonte Inesgotável do Seu Infinito amor... Amar Maria Santíssima é amar Jesus, seu Filho Deus, que nu-la deu como nossa mãe...


Como é maravilhoso pronunciar esta palavra: Mãe... Aquela que nos aconchega em seu coração; nunca olha os nossos defeitos, porque sempre nos vê além deles, como que a nos dizer: filho(a) és "imagem e semelhança de Deus", não te detenhas em tuas misérias, vai além delas e encontrarás o teu Senhor, aquele que te criou, que te ama e te espera... 


Feliz dia das mães, feliz dia da Mãe de todas as mães... Maria Santíssima, Mãe de Jesus e nossa Mãe... 


Paz e Bem! 


Frei Fernando Maria OFMConv. 

O AMOR DE DEUS POR NÓS É ETERNO...


 Homilia do 6°Dom da Páscoa (Jo 15,9-17)(09/05/21)


Caríssimos irmãos e irmãs, Deus nos criou por amor e para o amarmos de todo o nosso coração, e para amarmos uns aos outros; com isso entendemos que o Senhor jamais nos criou para o pecado, uma vez que o pecado é a ruína e a perdição de quem o comete. Todavia, porque nos ama, nosso Pai celestial enviou o Seu Filho, Jesus Cristo para nos libertar do pecado e da morte por Seu Sacrifício de cruz.


Na primeira leitura de hoje vimos como Deus enviou Pedro para levar a salvação aos pagãos, nos mostrando que a Sua Misericórdia e o Seu amor são para todas as suas criaturas, como bem observou o Apóstolo: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença”.


Na Segunda leitura são João nos revela a necessidade de reconhecer os nossos pecados para usufluirmos da Misericórdia e do amor de Deus, como Jesus já o havia ensinado: "Eu não vim chamar os justos, mas sim, os pecadores, pois, há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos." Ou seja, o amor de Deus é derramado em nossas almas à mediante que nos arrependemos.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus fala do amor filiós (amizade) que Ele tem por seus discípulos mostrando que é um amor gratuito, porém, que precisa ser correspondido, guardando os seus mandamentos, como Ele guardou os mandamentos do Pai e permanece no Seu amor; depois, amando-nos uns aos outros como Ele nos ama, isto é, dando a própria vida.


Portanto, caríssimos, essa liturgia de hoje nos chama a viver os dons que recebemos de Deus somente para amarmos e sermos felizes no convívio com o Senhor e com todos, mas particularmente com os irmãos e irmãs na fé. (cf. Gl 6,10). Pois, tudo o que Deus criou é bom, é belo, é perfeito; mas, pelo mau uso dos dons de Deus os homens estão tornando este paraíso terrestre um inferno. Cabe a nós conduzidos pelo Senhor Jesus restaura-lo à sua pureza original, à começar por nós mesmos.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 8 de maio de 2021

SOMENTE O AMOR DO SENHOR NOS UNE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 15,12-17)(07/05/21)


Caríssimos, todos nós que vivemos neste mundo, buscamos uma vida sempre saudável, porque temos pavor do sofrimento, e quando ele ocorre, buscamos alívio para as nossas dores; só que muitos buscam esse alívio nos prazeres que o pecado oferece e nem percebem que isso é uma armadilha do inimigo de nossas almas, tentando roubar as delícias do paraíso, que Deus concede àqueles que o amam e o servem.


Com efeito, a primeira leitura de hoje trata do amor fraterno e do envio; em que os Apóstolos reunidos no Concílio de Jerusalém enviam Judas e Silas juntamente com Paulo e Barnabé com a missão de apasiguar o ânimo dos pagãos convertidos que estavam sendo obrigados a seguir a Lei de Moisés por alguns ex-fariseus que não tinham sido enviados por eles. Desse modo, a leitura da Carta Apostólica, "causou alegria, por causa do estímulo que trazia."


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus trata justamente do amor fraterno e do envio dos discípulos com a missão de amar uns aos outros e tramimitir o Seu amor, porque somente o Seu amor os mantém unidos e em paz. E pelo que vimos no parágrafo anterior, eles seguiram prontamente esse ensinamento do Senhor.


Santa Clara, em sua carta à santa Inês de Praga, nos dá a conhecer como encontrar o verdadeiro alívio quando sofrermos algum distúrbio: "Coloca o teu espírito diante do espelho da eternidade, deixa que a tua alma se banhe no esplendor da glória, une o teu coração Àquele que é a encarnação da essência divina e, por essa contemplação, deixa-te transformar por completo à imagem da sua divindade; desse modo, chegarás a sentir aquilo que só os seus amigos percebem, provarás a doçura oculta que o próprio Deus reservou, desde o começo, à queles que O amam.


Assim, pois, sem lançares sequer um olhar a todas as seduções enganadoras por meio das quais o mundo agarra os pobres cegos que se prendem a ele; ama com todo o teu ser Aquele que, por amor a ti, Se deu por inteiro, Aquele cuja beleza o Sol e a Lua admiram, Aquele que prodigaliza recompensas cujo valor e cuja amplitude não têm limites: o Filho do Altíssimo, que a Virgem deu à luz sem deixar de ser virgem."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

NÃO AMEIS O MUNDO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Jo 15,18-21)(08/05/21)


Caríssimos, no Evangelho de hoje Jesus nos ensina que estamos no mundo, mas não somos do mundo. Mas, o que significa isso? Ora, o mundo neste sentido é toda uma prática de vida não condizente com a vontade de Deus, e por isso, suscita ódio, perseguição e o martírio contra o Senhor e os seus seguidores. Por isso, precisamos está atentos para não nos deixar envolver por esse tipo de mentalidade.


Com efeito, a vida temporal é um misto de dores e alegrias; de morte e ressurreição; e essa dicotomia vemos claramente na bondade ou na maldade que aqui se pratica. A grande pergunta que chega ao nosso coração é esta: de que lado nós estamos ou escolhemos? Do lado do Senhor ou cantra Ele? Porque é desta resposta que depende o nosso estado de alma, a nossa salvação eterna.


De certo, no Evangelho de hoje, disse o Senhor: "Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia." E acrescentou em outra passagem: "Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." (Jo 16,33).


De fato, a luta contra o pecado é uma realidade com a qual nos deparamos frequentemente, e essa luta se dá no coração de nossas almas, isto é, em nossas mentes, por onde passam todo tipo de pensamento e nem sempre condizente com a vontade de Deus. Todavia, como nos exortou são Tiago: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (TG 1, 12).


Portanto, caríssimos, sigamos com atenção esta exortação de são João que muito nos ajuda nesta luta ferrenha contra o pecado: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (1Jo 2,15-17).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

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