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sábado, 16 de outubro de 2021

O AUTÊNTICO TESTEMUNHO DA FÉ EM CRISTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,8-12)(16/10/21)

Caríssimos, desde a primeira vinda de Jesus até os nossos dias, a Igreja nunca deixou de sofrer perseguições, porém, quanto mais perseguida, mais amada, mais querida, mais protegida por Deus que lhe faz crescer em meio ao sacrifício de seus inúmeros mártires. Bem como constatou Tertuliano (sec. II): “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos”. (Tertuliano, Apologético, 50,13). 

De fato, nada se compara ao amor de Deus, mas por que será que os homens não buscam esse amor preferindo a mentira, o ódio, a violência e a maldade? Ora, vivemos num mundo onde a maioria busca todo tipo de facilidade, por isso, procuram satisfações fugazes, se deixando dominar pelo espírito de luxúria, corrupção e tudo aquilo que contraria o amor de Deus.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus dá um alerta decisivo para toda humanidade: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus." (Lc 12,8-9). Ou seja, o viver nosso de cada dia é um testemunho a favor ou contra o Senhor.

Com efeito, é muito mais fácil viver acomodado do que navegar contra a corrente mundana que tenta a todo custo apagar o nome do Senhor Jesus da história da humanidade, por isso, muitos estão deixando o verdadeiro testemunho do Senhor para se deixar levar pelas ideologias, pelas seitas protestantes, filosóficas, espiritualistas e tantas outras difícil até de enumerar.

Portanto, caríssimos, estamos realmente passando pelos últimos acontecimentos da história da humanidade, e é exatamente por isso, que o maligno tem aumentado a sua fúria tentando nos devorar, porque ele sabe que pouco tempo lhe resta.

Destarte, peçamos humildemente ao Senhor Jesus a graça da sua divina misericórdia e o escudo de proteção do Espírito Santo para resistirmos aos ataques do maligno. E que a Santíssima Mãe de Deus interceda por nós juntamente com São José e todos os santos e santas para sermos fiéis até o fim, como nos ensinou o Senhor (cf. Mt 24,13). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRÊ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,1-7)(15/10/21)

Caríssimos, a fé é um dom de Deus que nos foi dado para vivermos em estado de graça fazendo em tudo a sua santa Vontade, de modo que por meio dela, tudo podemos alcançar até mesmo transportar montanhas ao mar se essa for a vontade de Deus em vista da nossa salvação. De fato, quem vive da fé permanece em comunhão com Ele todo tempo, como uma criança que depende dos seus pais totalmente. 

No entanto, devido a confiança depositado em nós mesmos e no que podemos, frequentemente caímos no pecado da autossuficiência que nos leva ao apego egoísta, desordenado, tirando de nós a confiança inabalável em Deus que sempre age por meio da sua divina providência e nada nos deixa faltar.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos recomenda a termos cuidado com o fermento dos fariseus, ou seja, a não fundamentar a vivência da fé nas aparências ou na própria vontade, mas sim na convivência com Deus que nos faz transparecer o seu querer e o seu agir em todos os sentidos da vida.

Atentos escutemos então o Senhor: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados."

Desse modo, o Senhor nos ensina que Deus, nosso Pai, está no comando de tudo, por isso, não tenhamos medo das perseguições e nem mesmo da morte: "Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei." (Lc 12,6-7).

Portanto, caríssimos, fiquemos certos disto, no dia do juízo final todos seremos julgados pelo Justo Juiz, nosso Senhor Jesus Cristo, por isso, precisamos estar preparados; de fato, deste mundo nada levamos a não ser aquilo que aqui praticamos, desse modo, quem planta as virtudes santas as terá em abundância; quem não as planta nada de bom colherá. Destarte, peçamos humildemente ao Senhor que por sua divina misericórdia e o seu infinito amor, nos conceda viver em tudo segundo a sua santa vontade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A VERDADE LIBERTA SEMPRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 11,47-54)(14/10/21)

Caríssimos, a verdade liberta sempre, mas somente a quem a reconhece, se arrepende e pede a sua libertação, caso contrário, todos os que a rejeitam permanecem no pecado, tratando logo de persegui-la, tentando calar a sua voz por meio de falsas acusações, calúnias, difamação e todo tipo de falcatruas e insídias, como os fariseus fizeram contra o Senhor Jesus, à ponto de tramarem a sua morte e a executarem tão brutalmente.

Com efeito, a Lei de Deus é caminho de perfeição, pois obedece-la é obedecer ao próprio Deus que nos fala diretamente por meio dela; todavia, quando os homens se apossam dos seus preceitos para interpreta-los conforme as suas inclinações pecaminosas, os deformam e passam a agir contra Deus, tornando-se impossível qualquer abertura para se converterem e seguirem na estrada certa que os leva à salvação.

De fato, a Lei de Deus foi posta no coração dos homens para os levar ao Senhor Jesus Cristo, como bem observa são Paulo: "todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo." (Rm 3,23-24). Ora, não viver em conformidade com essa Pedagogia Divina, é perder-se no labirinto infindo das próprias contradições.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus mais uma vez chama a atenção dos seus algozes a fim de que se convertam e vivam, mas os mesmos se apossaram do poder que lhes fora confiado por Deus para receberem o Seu Filho como o Messias; e usaram desse poder não para o receber, mas, para tramar contra a sua vida, e com isso, caíram nos laços do próprio pecado e no precipício da perdição infinita.

Portanto, caríssimos, ouçamos então com atenção redobrada esta Palavra do Senhor Jesus: "Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus." (Jo 3,19-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O TRIBUNAL DA NOSSA CONSCIÊNCIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,42-46)(13/10/21)

Caríssimos, dentro de cada um de nós existe o tribunal da consciência, e é nesse tribunal que somos julgados e ensinados por Deus a não julgarmos uns aos outros, mas, a sermos misericordiosos com todos a fim de que nos concentremos somente na prática dos santos mandamentos, no amor e na justiça; porque é isso que consiste o nosso caminho de santidade.

Na primeira leitura são Paulo nos ensina a não julgarmos uns aos outros porque todos somos pecadores, pois, não julgar significa olhar os outros com misericórdia para não levarmos em nossas almas nem os pecados nem a imagem negativa uns dos outros, porque se o fizermos, como nos ensinou o santo Apóstolo, julgamos e condenamos à nós mesmos.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus reprova a prática religiosa dos fariseus por conta da hipocrisia, pois, viviam a fé só de aparências, "deixando de lado a justiça e o amor de Deus", desse modo, tornavam-se "como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”. E depois de indagado por um mestre da lei que se sentiu ofendido, acrescentou: “Ai de vós também, mestres da Lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas, nem com um só dedo”.

Portanto, caríssimos, o nosso viver gera frutos que fazem muito bem às nossas almas e também à dos outros quando o que praticamos tem como fundamento a Palavra do Senhor Jesus e os exemplos de todos os que o seguiram fielmente, de modo especial o de sua Mãe, Maria Santíssima. Por outro lado, quando o nosso viver não é o Evangelho vivo do Senhor, torna-se pedra de tropeço para nós e para os outros por conta do falso testemunho que gera a hipocrisia.

Destarte, peçamos ao Senhor Jesus pela intercessão da Sua Mãe, Maria Santíssima, a graça de sermos conduzidos pelo Espírito Santo, para que assim, o nosso viver dê frutos abundantes de salvação e vida eterna, pois, quem segue o Senhor fazendo a sua santa vontade torna-se coerente em tudo o que vive e faz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA...


 SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA... (12/10/21)


Pronunciamento do Papa são João Paulo II no Brasil na Solenidade de nossa Senhora Aparecida (12/10/80)

“Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!”

Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da sua vida para ser nossa Mãe.

Sim, amados irmãos e filhos, Maria, a Mãe de Deus, é modelo para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor, com uma participação íntima e toda especial na história da salvação. Pelos méritos de seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.

Ao confessar-se serva do Senhor (Lc 1,38) e ao pronunciar o seu sim, acolhendo “em seu coração e em seu seio o mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência.

Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora. Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece”.

Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e na ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? 

Assim, a “Estrela da Evangelização”, como a chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto humano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história humana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. 

De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade humana salvífica.

Por tudo isto, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade. Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história humana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria. 

E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos. A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: Fazei o que ele vos disser (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galiléia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dele as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a “Mãe de Deus e nossa”.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 10 de outubro de 2021

VAI, VENDE TUDO QUE TENS, DEPOIS VEM E SEGUE-ME!


 Homilia do XXVIII Dom do tempo comum (Mc 10,17-30)(10/10/21)

Caríssimos, olhando para tudo o que existe percebemos que todas as coisas tem sua finalidade e esta consiste em servir, ou seja, em fazer o bem para o qual Deus, nosso Pai, as criou. Não viver isso, é fechar-se em si mesmo numa atitude egoísta, para apegar-se aos bens que passam, não percebendo que tudo pertence somente a Deus que nos sustenta na vida. 

De fato, a vida é muito boa, porque é um dom de Deus para si e para os outros; sem essa finalidade tudo o que vivemos perde o sentido eterno de ser. Existe uma belíssima frase atribuída ao Papa Francisco, que muito nos ajuda a compreender o verdadeiro sentido da vida: “Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para o bem de todos é uma regra da natureza."

No Evangelho de hoje alguém se dirige a Jesus perguntando: "Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? Jesus respondeu: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém." E depois lhe indica a via dos santos mandamentos. Ao que ele logo respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”.

Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!”

Portanto, caríssimos, a fé que se baseia no apego aos bens materiais só causa desânimo e tristeza ainda que exista a intenção de viver segundo os santos mandamentos. De modo que, conforme o Senhor, a prática dos santos mandamentos nos levam para o céu somente quando os vivemos por amor a Deus.

Destarte, a Sabedoria que vem de Deus é mais desejável que todos os tesouros deste mundo, uma vez que todos os bens materiais não passam de cinza que se esvai quando do juízo final.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

DE COMO SERÁ O JUÍZO FINAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 11,27-28)(09/10/21).

Caríssimos, não tem como pensar em Deus sem se ligar a Ele, seja pela fé, para ama-lo e acolhe-lo; ou, então, pela incredulidade para julga-lo e ofende-lo; o certo é que não tem como ignora-lo ainda que o queiram. No entanto, quem se liga a Ele para ama-lo e obedece-lo permanece no seu amor, cresce em santidade e justiça, e dá frutos da salvação eterna que o Senhor Jesus veio nos conceder.

No primeira leitura o Profeta Joel assim descreve o Juízo Final: “Levantem-se e ponham-se em marcha os povos, rumo ao Vale de Josafá; ali me sentarei como juiz para julgar todas as nações em redor." De certo, conforme o Catecismo da Igreja: "O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. 

Nós saberemos, então, o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte."

Em suma: "A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). (CIC 1040/41). 

Portanto, caríssimos, todo o tempo que ainda temos até o dia do juízo final, é tempo de nos prepararmos por meio da prática da Palavra de Deus, como nos ensinou o Senhor Jesus no Evangelho de hoje ao ouvir uma mulher que a Ele se dirigiu com o seguinte elogio: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Ao que respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

Destarte, o Senhor Jesus disse isso para compreendermos que a sua Mãe, Maria Santíssima, o recebeu no seu seio porque amou a Deus e o obedeceu em tudo, como ela mesma disse: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A LUTA CONTRA O MALIGNO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,15-26)(08/10/21).

Caríssimos, a luta contra o maligno é travada a todo instante, por isso, precisamos tanto da graça de Deus para vencermos esse terrível inimigo de nossas almas, pois, quem não vive em estado de graça se expõe mais facilmente às suas tentações, sendo as mais comuns às dos sentidos, que nos induz ao pecado através do olfato, paladar, visão, audição e tato.

Mas, o que é mesmo uma tentação? É tudo o que tira a nossa atenção das coisas de Deus para po-la nas coisas inúteis com as quais nos deparamos no nosso dia a dia, e que nos leva ao vazio existencial, por falta de comunhão com o Senhor. Por isso, escutemos atentamente o que Ele nos diz nesta exortação: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41).

Na primeira leitura vimos que Deus estabeleceu um tempo no qual há de vir para julgar os vivos e os mortos, é o chamado dia do Senhor ou do juízo final, em que Ele exercerá a justiça em toda a sua plenitude e fará novas todas as coisas, dissipando para sempre toda espécie de maldade.

No Evangelho de hoje escutamos o Senhor Jesus dizer: "Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa." (Lc 11,23). Ora, disse isso após ser acusado falsamente por ter expulsado um demônio de um homem. De fato, todos aqueles que não fazem a vontade de Deus, não acolhem as ações do Senhor, e por isso, emitem falsos juízos caíndo no precipício do pecado contra o Espírito Santo.

Portanto, caríssimos, quem acolhe o Senhor Jesus, acolhe os tesouros das virtudes eternas que nos leva a viver em constante estado de graça. Por outro lado, quem não o acolhe dispersa "as energias atrás de gratificações fáceis e ilusórias que os esvaziam, os privam da força humana e espiritual e criam frustrações.

Destarte, "o Senhor Jesus é o único em quem a humanidade pode esperar confiante, porque não somente ele é o Amor feito carne, mas é também aquele que nos ensina a viver plenamente, mostrando que somos feitos do céu e para o céu." (Pe Matteo Prettico).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

MEMÓRIA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(07/10/21). 

Caríssimos, na vida estamos sempre encontrando algo ou alguém agradável ou não, dependendo das situações vividas ou ainda das circunstâncias providenciais, ou das inesperadas. No entanto, o encontro mais agradável que existe é o encontro que fazemos com Deus, "porque é em Deus que vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28a), de forma que ninguém deixa de ter esse encontro ainda que muitos, por conta do livre arbítrio, o ignorem ou se tornem indiferentes. 

De certo, o encontro com Deus se dá pela fé, pela oração ou pela ocasião preparada por Ele para nos receber e nos surpreender com o aconchego do seu amor caso o acolhamos em nosso coração. Mas ele também pode acontecer em meio a dor causada pelo pecado, e pelo vazio existencial; outros ainda o encontram na alegria por uma vida repleta de virtudes. No entanto, seja no sofrimento ou na alegria, o encontro com o Senhor é a única via que nos conduz à verdadeira felicidade.

Com efeito, a Igreja hoje celebra a memória de Nossa Senhora do Rosário; de fato, o Rosário é a oração do encontro por excelência, e por isso, se torna uma das mais fervorosas e poderosas, pois, nela encontramos Maria, a Mãe do Senhor, que nos faz adentrar com ela no seio da Santíssima Trindade, a quem apresenta as nossas intenções, os nossos anseios, e o nosso desejo de santidade.

Amados irmãos e irmãs, a oração que fazemos não é uma lista de pedidos que apresentamos a Deus, como se esse fosse o único motivo para encontra-lo. Ao contrário, o real sentido da nossa oração é o amor filial com que nos dirigimos a Ele como a um Pai que nos ama infinitamente e por isso mesmo nos quer em permanente comunhão com Ele e entre nós num amor sem igual em que nada nos falta. 

Portanto, caríssimos, que a nossa oração não seja um ato egoísta, exigente, impositivo; mas sim um encontro amoroso, um diálogo agradável feito de bons propósitos, do desejo de santidade e da ação de graças por tudo o que de Deus recebemos todos os dias, a todo instante, pois, quem reza assim nada lhe falta, ao contrário, tem em abundância para dividir com todos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

A EFICÁCIA DA ORAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 11,1-4)(06/10/21)

Caríssimos, a oração eficaz é aquela que chega aos céus e é logo atendida, isto significa que por ela realizamos a vontade de Deus, ou seja, vivemos tão intimamente ligados a Ele que podemos rezar como o Senhor Jesus rezou antes da ressurreição de Lázaro: "Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves." (Jo 11,41-42a).

Exortando sobre o dom da oração, assim escreveu são Maximiliano Maria Kolbe: "A oração, e só a oração, é uma arma eficaz na luta pela liberdade e a felicidade das almas. E porquê? Porque uma finalidade sobrenatural só se alcança com meios sobrenaturais.

O Paraíso, ou seja, se assim podemos exprimir esta realidade, a divinização da alma, é uma realidade sobrenatural no sentido mais completo da palavra, e um fim que não conseguimos alcançar com as nossas forças naturais. Temos de recorrer a um meio sobrenatural: a graça de Deus.

E só conseguimos obte-la pela humildade e a oração confiante. Só a graça ilumina a nossa inteligência e fortifica a nossa vontade; ela é o meio para obter a conversão, isto é, a libertação da alma dos laços do mal.

A conversão e a santificação da alma é e será sempre obra da graça divina. Sem a graça de Deus, nada podemos fazer neste domínio, nem com a palavra viva, nem com a nossa insistência, nem com nenhum outro meio exterior. Peçamos, pois, a graça, para nós e para os outros, com uma oração humilde, com mortificação e com a fidelidade no cumprimento das nossas tarefas mais simples e mais habituais. 

Quanto mais perto de Deus está uma alma, mais preciosa é para Deus; quanto mais O ama, mais é amada por Deus; só então pode ajudar os outros de forma eficaz, tanto mais que os seus pedidos lhe são concedidos com maior facilidade e amplitude." (São Maximiliano Maria Kolbe, OFMConv. mártir - Conversa de 1924 e carta de 01/12/1940).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

MARTA E MARIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 10,38-42)(05/10/21)

Caríssimos, na vida estamos sempre aprendendo e assim será até o dia em que Deus nos chamar no último instante do nosso viver; de modo que, quando aprendemos as lições da vida eterna que Ele nos ensina facilmente chegamos à perfeição que tanto precisamos para nos sentir seguros na sua presença praticando o bem que de antemão preparou para sermos santos como Ele é Santo.

No Evangelho de hoje, logo após a história do Bom Samaritano, Lucas coloca a visita de Jesus a Marta e Maria, com uma intenção precisa. A parábola do Bom Samaritano nos ensina como recebemos o ser humano; a visita de Jesus à casa de Marta e Maria nos ensina como recebemos a Deus. Ao próximo acolhemos por meio do serviço em sua necessidade; enquanto que a Deus acolhemos por meio da primazia da escuta. 

As figuras de Maria e Marta representam duas atitudes possíveis: a atitude de Marta, que é a personificação daqueles que servem a Jesus de acordo com a própria vontade. Marta o acolhe da maneira como pensava, ou seja, com uma série de disposições e obras, enquanto Jesus gostaria de ser acolhido por meio da primazia da escuta. 

De fato, a escolha de Maria torna-se muito interessante e preciosa graças ao contraste - a palavra deve ser tomada em sentido bem natural - como o que sua irmã diz e faz. Interessante não porque o que Marta faz deve ser desprezado, na verdade, é um serviço muito precioso e até aquele momento Jesus a deixou faze-lo sem lhe dizer nada; porém, é preciosa porque Maria está ali para nos lembrar de forma concreta estas palavras de Jesus: "O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus." 

Portanto, caríssimos, servir aos outros por amor a Deus é uma honra, não um fardo. Vamos servir com alegria, como a Virgem Maria serviu a Isabel ou no casamento em Caná; ou como Jesus ao lavar os pés dos Apóstolos na Última Ceia. Em suma, sirvamos em paz sem nunca perder o bom humor.

Destarte, estejamos bem cientes: há algo santo, algo divino escondido nas situações mais comuns que vivemos, cabe a cada um de nós descobrir; ou sabemos como encontra-lo em nosso cotidiano, ou nunca o encontraremos. Sua Palavra nos faz viver a bondade, a integridade e o sentido de nossa vida à medida que a nossa fé se baseia em nosso encontro cotidiano com o Senhor Jesus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

SOLENIDADE EM HONRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA 

(Lc 10,25-37)(04/10/21)

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória de são Francisco de Assis; e nós franciscanos celebramos solenemente o nosso seráfico pai fundador, ele que recebeu do Senhor Jesus os santos estígmas e viveu e morreu estigmatizado, isto é, sofrendo as mesmas dores do Senhor cruficicado no calvário. De fato, quem poderia imaginar um tão alto grau de santidade?

De certo, relatemos com devoção o seu processo de conversão ao beijar um leproso, ele que tinha ojerisa à essa doença: "são Francisco, depois do encontro com o leproso, vive novo modo de pensar, perceber e sentir a vida. Tudo aconteceu por iniciativa do Senhor. Foi conduzido por Deus a fazer uma experiência radical da misericórdia. Superou as barreiras do medo e do preconceito.

Aproximou-se do irmão leproso, relacionando-se com eleh horizontalmente, frente a frente. Esse encontro, significou o acolhimento da realidade humana, nua e crua. A misericórdia é um jeito de andar na contramão das relações formais e preestabelecidas. A misericórdia de Francisco levou-o a perceber que o leproso é maior que sua lepra; que o homem é maior que seus limites, e que o irmão e a irmã são maiores que seus pecados."

Por fim sigamos com amor e obediência esta santa exortação do nosso seráfico pai: "Lê e relê o Santo Evangelho para ter sempre diante da tua mente os atos, palavras e pensamentos de Jesus, para pensar, falar e agir como Ele. Daqui não levarás nada do que tens, levarás apenas o que deste. Se suportarmos as coisas com paciência e sofrermos tudo por amor a Ele: esta é alegria perfeita."

Portanto, caríssimos, rezemos então com são Francisco esta oração que ele fez diante do crucifixo de são Damião: "Ó glorioso Deus Altíssimo, iluminai as trevas do meu coração, concedei-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito. Dai-me! Senhor, o reto sentir e conhecer, a fim de eu que possa cumprir o sagrado encargo que na verdade acabais de dar-me. Amém."

E rezemos ainda: "São Francisco, vós que participastes dos sofrimentos de Cristo com paciência e alegria, vencendo a si mesmo, fazei que eu também encontre a perfeita alegria na identificação com Cristo Jesus pobre e crucificado. Amém."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 3 de outubro de 2021

TRÂNSITO DO NOSSO SERÁFICO PAI SÃO FRANCISCO DE ASSIS...


 Trânsito de São Francisco de Assis

Ao cair da tarde de 3 de outubro de 1226, a febre aumentou e as forças reduziram-se como uma chamazinha que sai e não sai do pavio quase seco de óleo. Então Francisco quis ser colocado sobre a terra e pediu que cantassem. E ele também cantou, com os seus, o salmo 141, que fala do desejo de ir para Deus:

“Em voz alta ao Senhor eu imploro,

em voz alta suplico ao Senhor!

Eu derramo na sua presença

o lamento da minha aflição,

diante dele coloco minha dor!

Quando em mim desfalece a minh’alma, conheceis, ó Senhor, meus caminhos!

Na estrada por onde eu andava

contra mim ocultaram ciladas.

Se me volto à direita e procuro,

não encontro quem cuide de mim

e nem tenho aonde fugir; não importa a ninguém a minha vida!

A vós grito, Senhor, a vós clamo

e vos digo: ‘Sois vós meu abrigo,

minha herança na terra dos vivos’,

Escutai meu clamor, minha prece,

porque fui por demais humilhado!”

Quando, levados pela melodia, os frades começaram a cantar:

“Arrancai-me, Senhor, da prisão,

e em louvor bendirei vosso nome!

Muitos justos virão rodear-me

pelo bem que fizestes por mim”.

Francisco havia deixado seu corpo sobre a terra.

O Canto enfraqueceu e se apagou na boca dos frades, que recitaram o Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo como conclusão do salmo entre lágrimas e emocionados.

Fez-se silêncio na cabana. Parecia que a natureza ao redor tivesse emudecido.

Carta Encíclica de Frei Elias sobre o Trânsito de São Francisco, pág. 1453, das Fontes Franciscanas:

“Era luz verdadeira a presença de nosso irmão e Pai Francisco, não só para nós que compartilhávamos da mesma profissão de vida, mas também para os que estavam longe. Era, pois, luz, enviada pela luz que iluminava os que estavam nas trevas e na sombra da morte, para dirigir seus passos no caminho da paz. Isto ele fez, como verdadeira luz do meio-dia, que nascendo do alto, iluminava o seu coração e acendia a sua vontade com o fogo de seu amor… Seu nome é celebrado até os confins mais longínquos e todo o universo admira as maravilhas de sua obra.

(…) Alegremo-nos porque antes de ser arrebatado de nós, qual outro Jacó, abençoou todos os seus filhos e perdoou a todos por qualquer erro que tivesse cometido ou pensado contra ele…

(…) Enquanto era vivo, tinha um aspecto descuidado, não havia beleza em seu rosto; nenhum membro havia restado nele que não estivesse dolorido. Devido à contração dos nervos, seus membros estavam rígidos como os de um cadáver. Mas depois de sua morte, seu semblante ficou belíssimo, brilhando com admirável candura, alegrando a visão.

Portanto, irmãos, bendizei o Deus do céu e dai-lhe glória diante de todo o ser vivente, porque Ele usou de misericórdia para conosco. Guardai a lembrança de nosso Pai e Irmão Francisco para louvor e glória daquele que o engrandeceu entre os homens e o glorificou perante os anjos. Rezai por ele, conforme ele mesmo pediu antes de morrer e invocai-o para que Deus nos faça participantes com ele de sua santa Graça. Amém.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sábado, 2 de outubro de 2021

SANTO ANJO DO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,1-5.10)(02/10/21)

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória dos santos anjos da guarda, ou seja, os mensageiros de Deus e nossos protetores como vemos no Livro do Êxodo: "Assim diz o Senhor: “Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei.

Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá." (Ex 20, 20-23a).

De fato, o ministério dos santos anjos é servir a Deus nos seus filhos e filhas, e como vimos nessa primeira leitura, para protege-los e conduzi-los no caminho da salvação eterna que é Cristo Jesus; todavia, como também vimos, é possível ouvir os seus conselhos ou mesmo recorrermos a eles nas nossas necessidades para obtermos a graça da integridade física, psíquica e espiritual, e tudo isso por meio de nossas orações.

Com efeito, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos fala da necessidade de sermos pequenos como crianças para nos deixar conduzir e proteger pelo o ministério dos santos anjos, e desse modo, também nós sermos servidores daqueles que nos forem apresentados da parte de Deus. 

Portanto, caríssimos, a maior aliada das nossas almas é a santa inocência, à qual nos mantém na presença de Deus, livres a serviço do Seu Reino; orientados e protegidos pelo santos anjos, para assim cumprirmos a nossa missão, como eles cumprem a sua sempre que os ouvimos e cooperamos com eles.

Destarte, rezemos ao nosso anjo da guarda: "Santo anjo do Senhor meu zeloso e guardador, se a ti me confiou a piedade divina. Sempre me rege, me guarde, me governe, e me ilumine. Amém!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

TODO BATIZADO É UM ENVIADO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,1-12)(30/9/21)

Caríssimos, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus "escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir." Ora, a primeira observação a ser feita é esta: Ele envia aqueles que escolheu pessoalmente, porém, com a seguinte recomendação: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita."

Comentando esse Evangelho escreveu santo Ambrósio: "Enviando discípulos para a messe que tinha sido bem semeada pelo Verbo do Pai, mas que precisava de ser trabalhada, cultivada, cuidada com solicitude para que os pássaros não roubassem a semente, Jesus declara-lhes: «Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos».

O Bom Pastor não teme que os lobos Lhe ataquem o rebanho; não enviou os seus discípulos para se tornarem presas deles, mas para difundirem a graça. A solicitude do Bom Pastor impede os lobos de atentarem contra os cordeiros que Ele envia. E envia-os para que se realize a profecia de Isaías: «O lobo e o cordeiro pastarão juntos» (Is 65,25). Além do mais, os discípulos têm ordem de nem sequer levar um cajado na mão.

Portanto, aquilo que o humilde Senhor prescreveu, também os discípulos o realizam através da prática da humildade. Porque Ele não os enviou a semear a fé pela coação, mas pelo ensino; não através da ostentação da força do seu poder, mas pela exaltação da doutrina da humildade. E considerou que era bom juntar a paciência à humildade, conforme o testemunho de Pedro: «Ao ser insultado, não respondia com insultos; ao ser maltratado, não ameaçava» (1Pe 2,23). 

Que é o mesmo que dizer: «Sede meus imitadores: abandonai o desejo de vingança, não respondais aos ataques da arrogância com o mal, mas com a paciência que perdoa. Que ninguém imite aquilo que recebe dos outros; a mansidão é muito mais forte como resposta aos insolentes».

Portanto, caríssimos, a paciência é a virtude que alimenta a nossa esperança e fortalece a nossa fé diante das provações deste mundo, principalmente quando se trata da missão evangelizadora recebida no batismo, como o Senhor Jesus instruiu os seus primeiros enviados: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28, 19-20).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A IMPIEDADE IMPEDE A SALVAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,13-16)(01/10/21)

Caríssimos, quem recebe tanto e pouco ou nada dá, como pode querer usufruir das graças e da misericórdia de Deus? Ora, precisamos compreender que estamos neste mundo como missionários a serviço do Reino de Deus e da sua justiça, e assim anunciar a volta do Senhor Jesus, a sua Parusia definitiva; qualquer coisa fora dessa missão é apego à própria vontade ou mesmo esquecimento de quem somos e quais encargos recebemos. 

Na primeira leitura de hoje o Profeta Baruc chama a atenção do povo eleito pela desobediência e por fazer pouco caso de Deus e da sua proteção que se encontra nos seus santos mandamentos: "Ao Senhor nosso Deus, cabe justiça; enquanto a nós, resta-nos corar de vergonha, pois pecamos diante do Senhor e lhe desobedecemos e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, que nos exortava a viver de acordo com os mandamentos que ele pôs sob os nossos olhos." (BR 1,15a.17-18).

De fato, não podemos servir a Deus e ao mundo nos esquecendo que sem Deus nada somos nada podemos, como nos lembra são Tiago: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões. Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tg 4,3-4).

Com efeito, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus censura as cidades de Corazin, Betsaida e Cafarnaum por sua impiedade e dureza de coração: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas. Ai de ti, Carfanaum! Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno." E conclui exortando aos seus discípulos missionários: "Quem vos escuta a mim escuta; e quem vos rejeita a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”. (Lc 10,13.15-16).

Portanto, caríssimos, a nossa missão neste mundo constitui o fundamento da nossa vida, ou seja, a salvação eterna das nossas almas e a de todos a quem anunciamos o Senhor Jesus presente nos seus ensinamentos, nos santos Sacramentos e nas virtudes do Espírito Santo que Dele recebemos no santo batismo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

FESTA DOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 1,47-51)(29/9/21)

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael cujos nomes significam Quem como Deus? Poder de Deus, e Deus cura. Com efeito, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos deu a conhecer uma das funções dos anjos quando de sua vinda definitiva: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. (Jo 1,51).

São Gregório Magno refletindo sobre a existência dos Anjos e Arcanjos nos deixou por escrito esta pérola preciosa: "São muitas as páginas da Sagrada Escritura que atestam a existência dos anjos. A palavra «anjo» designa a sua função: serem mensageiros. E chamam-se «arcanjos» os que anunciam os acontecimentos mais importantes.

Assim, o arcanjo Gabriel é enviado à Virgem Maria; para esta função, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais elevada categoria. Da mesma maneira, quando se trata de estender um poder extraordinário, é Miguel o enviado. Com efeito, a sua ação, como o seu nome, que significa: «Quem como Deus?», permitem compreender que ninguém pode fazer o que apenas a Deus pertence realizar.

O antigo inimigo, que desejou, por orgulho, fazer-se semelhante a Deus, dizia: «Subirei aos céus, estabelecerei o meu trono acima das estrelas de Deus, serei semelhante ao Altíssimo» (Is 14,13). Mas o Apocalipse diz-nos que, no fim dos tempos, quando ele for abandonado às suas próprias forças, antes de ser eliminado no suplício final, terá de combater com o arcanjo São Miguel: «Travou-se uma batalha no céu: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o dragão. E o dragão também combatia, juntamente com os seus anjos. Mas não prevaleceram; o dragão e os seus anjos foram precipitados na Terra» (Ap 12,7-9).

À Virgem Maria, foi enviado Gabriel, cujo nome significa «Força de Deus», pois ia anunciar Aquele que quis manifestar-Se em condição humilde para triunfar do orgulho do demônio. Era, pois, pela «força de Deus» que havia de ser anunciado Aquele que vinha como «Senhor forte e poderoso, o Senhor herói nas batalhas» (Sl 24,8).

Finalmente, o nome do arcanjo Rafael significa «Deus cura». Com efeito, foi ele que libertou da escuridão os olhos de Tobias, tocando-lhes como médico vindo do alto (Tb 12,14). É natural, pois, que aquele que foi enviado para tratar o justo na sua enfermidade seja apelidado de «Deus cura».

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

COMO DISCÍPULOS DE CRISTO, NÃO PODEMOS AGIR SEM MISERICÓRDIA


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,51-56)(28/9/21)

Caríssimos, sem a presença e a palavra do Senhor Jesus, a nossa reação para com aqueles que o rejeitam, é querer condena-los impiedosamente como vimos neste episódio do Evangelho de hoje em que os samaritanos não concederem hospedagem ao Senhor por perceberem que se dirigia à Jerusalém, e por isso, da parte de dois dos Apóstolos sofreram reprimenda.

De fato, para João e Tiago os samaritanos mereciam ser queimados vivos por tal rejeição; no entanto, o Senhor Jesus os repreende por tão violenta reação, ou seja, pela total ausência de misericórdia para com àqueles que o rejeitaram. De certo, com isso aprendemos que o amor perdoa sempre porque não leva em conta o preconceito e a rejeição dos que não o conhecem, por isso, continua amando mesmo quando é rejeitado.

Com efeito, ninguém pode dizer-se discípulo de Cristo quando pensa em pagar o mal com o mal, uma vez que que Ele veio a este mundo como Senhor e Salvador da humanidade, isto é, para salvar a todos; por isso, sempre agiu com misericórdia e compaixão mesmo com aqueles que o condenaram injustamente a uma morte tão cruel. (cf. Lc 23,34a).

A vida é um dom de Deus para ser vivida por amor a Deus, por isso, não existe comparação entre o tempo e a eternidade, entre este mundo passageiro e o devir eterno; de modo que, ou a vivemos para o Reino de Deus; ou a extraviamos com os vícios e todo tipo de pecados que só levam à morte e nada mais.

Portanto, caríssimos, este Evangelho de hoje nos ensina que o tempo e as decisões que tomamos devem ser de Deus e para Deus, como vemos a seguir: "Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém..." E assim realizar a vontade do Pai. (Lc 9,51-52a).

Destarte, peçamos ao Senhor Jesus a graça de termos a mesma confiança no Pai do céu que Ele teve, desse modo, as nossas decisões serão tomadas em conformidade com a Sua Santa Vontade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

QUEM QUISER SER O MAIOR, SEJA O MENOR DE TODOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 9,46-50)(27/9/21)

Caríssimos, por mais que desejamos ou tenhamos muitas coisas nada disso é suficiente para sermos felizes por nós mesmos; basta que nos falte o ar que respiramos ou sermos acometidos por alguma enfermidade, logo temos a sensação de que tudo o que acumulamos ou aspirávamos ter perde o sentido de ser, porque de fato, sem Deus nada somos nada podemos, tudo é vão.

Com efeito, vivemos em tempos tão difíceis em que muitos estão perdendo a fé e com ela também a esperança; e por isso, estão sendo invadidos pelo vazio existencial, pela perca do sentido da vida, mas tudo isso só está acontecendo porque perderam o sentido do sagrado e de quanto Deus é necessário para sermos felizes aqui e no devir eterno que Ele nos oferece em Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

Na primeira leitura vimos que o povo eleito por ter se desviado da fé se sentiu impotente diante de todos os males que os atingiu por conta dos pecados cometidos; no entanto, por sua Divina Misericórdia, o Senhor suscitou o Profeta Zacarias para os encorajar e assim pudessem retornar ao seu convívio, como vemos nesta passagem: "Eis que eu vou salvar o meu povo da terra do oriente e da terra do pôr do sol; eu os conduzirei, e eles habitarão no meio de Jerusalém; serão meu povo e eu serei seu Deus, em verdade e com justiça”. (Zc 8,7-8).

De fato, nestes tempos modernos o que não falta é comunicação, interação eletrônica e tudo o que a Internet pode proporcionar em termos superficiais; porém, faltam os valores eternos que cultivamos com o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e isso vai muito além da tela de um computador ou celular.

Portanto, caríssimos, precisamos interagir com o Senhor Jesus pela meditação e prática da Sua Divina Palavra, pela vida de oração e sacramental em especial a santa Missa e os demais Sacramentos; as obras de misericórdia e a participação nas Pastorais.

Por fim, peçamos ao Senhor que nos liberte de tudo que não é amor, de tudo o que não nos leva ao Seu Reino; de tudo o que é inútil, e que acaba em pouco tempo nos deixando vazios e desesperados. Rezemos para que a nossa conversão seja constante e brote do mais profundo do nosso coração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 26 de setembro de 2021

HOMILIA DO XXVI DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do XXVI Dom do T Comum (Mc 9,38-43.45.47-48)(26/9/21)

Caríssimos, a liturgia de hoje trata do discernimento das ações daqueles que não fazem parte das nossas comunidades, mas vivem autenticamente o Santo Evangelho. Ora, a regra a ser seguida é esta que o Senhor Jesus nos ensina: "Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor." (Mc 9,39-40). Ou seja, se vem verdadeiramente de Deus, então, é aprovado por Ele.

De fato, como vimos na primeira leitura quando Josué quis que Moisés proibisse os dois anciãos de profetizarem porque atrasaram para a reunião, Ele o respondeu: “Tens ciúmes de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!" (Nm 11,29). De certo, por essa resposta de Moisés o Senhor nos dá o conhecer a sua santa vontade, ou seja, que todo seu povo receba o Espírito Santo.

Todavia, como vimos na segunda leitura, existem algumas atitudes por parte dos que dizem crê que revelam a não presença do Espírito Santo em suas ações, são elas: o apegos aos bens materiais com o acúmulo das riquezas; a vivência aparente da fé e a injustiça contra os inocentes, que são tão abomináveis que o Apóstolo disse: "Vós vivestes luxuosamente na terra, entregues à boa vida, cevando os vossos corações para o dia da matança." (Tg 4,5).

No Evangelho de hoje além do discernimento das ações que denotam a sua presença, o Senhor Jesus nos exorta a respeito da salvação e da condenação; do céu e do inferno, pois, tudo o que vivemos aqui é em preparação para o nosso devir eterno, ou seja, em função da eternidade que teremos pela frente.

Portanto, caríssimos, escutemos atentamente o Senhor Jesus para fazermos das suas palavras a nossa regra de vida: "Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço." (Mc 9,41-42).

Destarte, ainda nos pede pra termos cuidado com as ações praticadas usundo os nossos membros tais como mãos, pés, olhos, pois, se estes membros nos levam ao pecado mortal, melhor eliminar tais ações de nossa vida para não incorrermos no juízo condenatório que tem como sentença final o inferno onde o fogo jamais se extinguirá.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 25 de setembro de 2021

DEUS NÃO AGE SEGUNDO OS NOSSOS CRITÉRIOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 9,43b-45)(25/9/21)


Caríssimos, esta liturgia de hoje parece entrar em contradição, pois, enquanto a primeira leitura e o Salmo responsorial falam da alegria da Jerusalém redimida; o Evangelho relata a profecia do sofrimento de Cristo que será entregue nas mãos dos homens para padecer, ser crucificado e morrer. Ora, como entender que o inocente Filho de Deus passe por tudo isso sem reação alguma?


Com efeito, racionalmente não dá pra entender Deus enviar o Seu Filho ao mundo para sofrer como se fosse um pecador; de fato, somente o amor e o dom da fé nos leva a entender isso; desse modo, compreendemos que Deus não age segundo os nossos critérios para realizar o seu plano de amor e salvação, por isso, que na sua Onipotência eterna quis padecer as piores humilhações e sofrimentos para manter o nosso livre arbítrio desejando que o amemos como Ele nos ama.


Discorrendo a esse respeito escreveu são João Crisóstomo, (Sec. V): "Escutai o que o Senhor vos pede: «Se ignorais a minha divindade, reconhecei ao menos a minha humanidade. Vede em Mim o vosso corpo, os vossos membros, as vossas entranhas, os vossos ossos, o vosso sangue. Pois se o que pertence a Deus vos inspira temor, não vos agradará o que vos pertence a vós?


Mas talvez a enormidade da minha Paixão, da qual sois a causa, vos cubra de vergonha. Não temais. Esta cruz não foi mortal para Mim, mas para a morte. Estes pregos não Me penetram de dores, mas de um amor ainda mais profundo por vós. Estas feridas não provocam gemidos, mas fazem-vos entrar ainda mais no meu coração. 


O esquartejar do meu corpo abre-vos os meus braços como um refúgio, não aumenta o meu suplício. O meu sangue não foi perdido por Mim, foi guardado para vosso resgate (cf Mc 10,45).

Vinde, pois, voltai para Mim e reconhecei o vosso Pai, vendo que Ele vos paga o mal com o bem, os insultos com o amor, e tão grandes feridas com uma grande caridade».


"O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando." (Jo 10,18; 15,13-14).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

POR QUE O PECADO EXISTE?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 9,18-22)(24/9/21)

Caríssimos, o caminho de fé de todo discípulo de Cristo, é reconhece-lo, não somente na sua humanidade, mas principalmente em sua Divindade, e permanecer unidos a Ele mesmo que a realidade queira dizer o contrário, ou seja, ainda que se apresente tentações, cruzes, sofrimentos e morte, porém, nada disso pode nos desanimar visto que o Senhor é a nossa segurança e salvação, contanto que permaneçamos fiéis a Ele até o fim.

De fato, este mundo por mais belo e perfeito que seja, vive em permanente desolação por conta dos pecados nele praticados, por isso, tem se tornado um vale de lágrimas repleto de dores, sofrimentos e morte, um antro de perdição, a cada passo dado para a sua consumação. 

Juliana de Norwich, mística inglesa (Sec. XIV), assim escreveu no seu livro Revelações do divino amor: "Na minha ignorância, surpreendia-me que a profunda sabedoria de Deus não tivesse impedido o início do pecado; porque, se o tivesse feito, pensava eu, tudo estaria bem. Jesus respondeu-me: «O pecado é inelutável, mas tudo acabará em bem, tudo acabará em bem, todas as coisas, quaisquer que sejam, acabarão em bem».

Com esta pequena palavra «pecado», Nosso Senhor apresentou-me ao espírito tudo o que não é bom: o desprezo ignóbil e as provações extremas que sofreu por nós ao longo da sua vida e na sua morte; todos os sofrimentos e as dores, corporais e espirituais, de todas as suas criaturas.

Contemplando todos os sofrimentos que existiram ou existirão, compreendi que a Paixão de Cristo era o maior, o mais doloroso de todos, e que a todos ultrapassa. Mas não vi o pecado. Sei, pela fé, que ele não tem substância nem qualquer espécie de ser; só o podemos reconhecer pelo sofrimento que causa. Percebi que este sofrimento é temporário: ele purifica-nos, leva-nos a conhecer-nos a nós mesmos e a gritar por misericórdia. 

A Paixão de Nosso Senhor fortifica-nos contra o pecado e o sofrimento: esta é a sua santa vontade. No seu terno amor por todos aqueles que serão salvos, Nosso Senhor reconforta-os pronta e suavemente, como se lhes dissesse: «É verdade que o pecado é a causa de todas estas dores, mas tudo acabará em bem: todas as coisas, quaisquer que sejam, acabarão em bem». 

Ele disse-me estas palavras com grande ternura, sem a mínima censura. Nestas palavras, vi um mistério profundo e maravilhoso, oculto em Deus. Ele desvendará e nos fará conhecer esse mistério plenamente no Céu. Quando o conhecermos, entenderemos por que razão permitiu a vinda do pecado a este mundo. E, ao ver isto, regozijar-nos-emos por toda a eternidade."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

CUIDADO COM OS POLÍTICOS E SUAS IDEOLOGIAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,7-9)(23/09/21)


Caríssimos, a nossa vida é verdadeiramente um dom preciosíssimo de Deus, e precisamos vive-la como tal; no entanto, de uma coisa fiquemos certos, enquanto estivermos neste mundo, sofreremos as mais diversas tentações, principalmente as do poder, do ter e do prazer, que leva ao pecado mortal e ao afastamento de Deus.


Todavia, nos ensina são Paulo: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13). E são Tiago completa: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12).


Na liturgia de hoje vemos a ruína que o pecado gera tirando das almas a essência da vida e tudo o que as faz viver em estado de graça, isto é, em plena comunhão com a vontade de Deus, que é a única Fonte inesgotável da vida neste mundo e no outro. De certo, também vemos o quanto Deus é misericordioso para conosco nos ajudando a vencer todas as tentações e todo o mal.


No Evangelho de hoje o rei Herodes ao ser informado sobre os prodígios e milagres de Jesus tenta conhecê-lo, mas logo se dá conta do mal que havia feito a são João Batista, pois tinta dado ordem aos seus guardas para decapita-lo na prisão. De fato, não só basta a curiosidade de conhecer o Senhor Jesus; mas, se faz necessário o desejo de converter-se e segui-lo fielmente tal qual o fizeram seus discípulos e todos os homens e mulheres ao longo dos tempos.


Portanto, caríssimos, como nos ensina a Carta aos Hebreus: "Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas". (Hb 13,8-9a). De fato, este mundo está repleto de ideologias políticas e seus Herodes, que se apresentam como se ovelhas fossem, quando na realidade não passam de lobos ferozes.


Destarte, não nos deixemos enganar, pois, quando se mistura fé e ideologias, deixar-se de seguir a Cristo, para seguir os ideólogos e suas ideologias que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam. Ao contrário, é infinitamente melhor fortificar a alma pela graça permanecendo fiéis ao Senhor até o fim.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

JESUS ENVIA OS DISCÍPULOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 9,1-6)(22/9/21)


Caríssimos, esta liturgia de hoje nos mostra que o Senhor Jesus veio a este mundo como missionário totalmente obediente e dedicado à vontade do Pai; ora, isso requereu dele toda atenção com o objetivo da missão, anunciar o Reino de Deus e a sua justiça que consiste na remissão dos nossos pecados para que assim sejamos conduzidos pelo Espírito Santo, e façamos também nós a vontade do Pai.


Com efeito, como vimos por seu exemplo, o discípulo missionário, vive em função de sua missão, pois foi chamado e enviado exclusivamente para isso, de modo que, não se pertence, não se apossa da própria vontade, não se destrai com as coisas deste mundo, não se apega a nada e a ninguém, exatamente por conta da missão recebida que consiste em dar a vida pela salvação de todos.


Comentado esse Evangelho disse o Papa Francisco: "Ao enviar os setenta e dois discípulos, Jesus dá-lhes instruções específicas, que manifestam as caraterísticas da missão. Estes imperativos mostram que a missão se baseia na oração; que é itinerante; que exige desapego e pobreza; que traz paz e cura, sinais da proximidade do Reino de Deus. 


Não é proselitismo, mas anúncio e testemunho; e que exige também a franqueza e a liberdade evangélica para partir, salientando a responsabilidade de que mesmo se rejeitada a mensagem de salvação, não proferir condenações nem maldições.


Se for vivida nestes termos, a missão da Igreja será caraterizada pela alegria. Não se trata de uma alegria efêmera, que brota do sucesso da missão; pelo contrário, é uma alegria radicada na promessa de que — diz Jesus — «os vossos nomes estão escritos no Céu». Com esta expressão, Ele quer dizer a alegria interior, a alegria indestrutível que nasce da consciência de ser chamado por Deus a seguir o seu Filho. Ou seja, a alegria de ser seus discípulos.


Invoquemos juntos a proteção maternal de Maria Santíssima, para que Ela ampare em todos os lugares a missão dos discípulos de Cristo, a missão de anunciar a todos que Deus nos ama, quer salvar-nos e nos chama a fazer parte de seu Reino." (Papa Francisco, Angelus, 7/7/19).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

FESTA DO APÓSTOLO SÃO MATEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 9,9-13)(21/09/21).


Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Festa do Apóstolo são Mateus, que ao ouvir o chamado do Senhor: "Segue-me." Não duvidou, não lhe disse nada, apenas levantou-se, deixou tudo e o seguiu, tornando-se um perfeito exemplo para todos os homens e mulheres que escutam o chamado do Senhor e o seguem fielmente. 


De fato, assim como fez com Mateus, o Senhor Jesus continua chamado seus seguidores nas mais diversas situações de vida, bem como Ele disse aos Fariseus que o criticaram "por comer com cobradores de impostos e pecadores: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.


Comentando esse Evangelho, disse o Papa Francisco: «A primeira condição para a salvação é sentir-se em perigo; para ser curado é sentir-se doente. E sentir-se pecador é a primeira condição para receber o olhar misericordioso do Senhor. E nós também quando sentimos esse olhar sobre nós; é o olhar do amor, o olhar da misericórdia, o olhar que nos salva. Não tenhamos medo." Basta correspondermos ao Seu divino olhar como o fez são Mateus.


De fato, se analisarmos o nosso viver, certamente sentimos em algum momento, a presença do Senhor Jesus nos chamando principalmente em meio às nossas misérias ou em meio ao vazio por conta dos nossos pecados. No entanto, o Senhor Jesus não olha a nossa condição, mas sim, a nossa recuperação, ou seja, a nossa volta ao estado de graça.


Portanto, caríssimos, a resposta imediata e decisiva de são Mateus representa uma ruptura do seu projeto existencial, a libertação do apego às riquezas deste mundo, e a certeza, vinda do Senhor Jesus, de que havia tomado a decisão certa. 


Destarte, tal resposta exprime a fé com a qual se confiou inteiramente ao Senhor com quem condividiu o grande projeto da salvação da humanidade, e isso realmente se confirmou pelo Evangelho que escreveu e pelo martírio que sofreu em honra do seu Mestre e Senhor.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O SILÊNCIO DE DEUS, É O SILÊNCIO QUE FALA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,16-18)(20/09/21)


Caríssimos, o mundo em que vivemos se encontra mergulhado num barulho ensurdecedor, e pior ainda, multiplica esse barulho de tal modo que torna insuportável o sossego e a boa convivência; de fato, onde falta o silêncio não se pode ouvir a voz de Deus, mas somente o barulho deste mundo tenebroso que ressoa nas almas que se deixam dominar por ele.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse à multidão: “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou coloca-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto."


E conclui sua exortação: "Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. Ou seja, não somos nós que julgamos a nós mesmos e muitos menos aos outros, mas todos sem exceção seremos julgados pelo justo Juiz no último dia. (cf. Hb 9,27).


De certo, as almas que deixam o mundo e o seu barulho, para ouvir o Senhor no silêncio sagrado da oração, passam a viver sob sua inspiração pondo em prática a Sua Divina Vontade que nasce da contrição do coração, do diálogo amoroso e do desejo de santidade com a qual O verá face a face no Reino dos céus.


Portanto, caríssimos, ouçamos com atenção estas palavras de santa Teresa de Calcutá: "Escuta em silêncio. Se o teu coração estiver a transbordar de milhões de coisas, não conseguirás ouvir a voz de Deus. Mas, assim que te puseres à escuta da voz de Deus no teu coração pacificado, ele encher-se-á de Deus. 


Isso exige muitos sacrifícios; mas, se temos realmente o desejo de rezar, se queremos rezar, temos de dar este passo. Este é apenas o primeiro passo, mas, se não o dermos com determinação, nunca alcançaremos a última etapa, a presença de Deus."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 19 de setembro de 2021

Homilia do XXV DOM do Tempo Comum...


 Homilia do XXV Dom do tempo comum (Mc 9,30-37)(19/09/31)


Caríssimos, quando se busca fazer a própria vontade se cai facilmente na tentação de querer aparecer sempre, de se achar melhor que os outros, de querer os primeiros lugares e ser servidos, de buscar o sucesso custe o que custar; e para atingir os objetivos traçados pouco importa os outros e as suas necessidades. Ora, é essa a realidade com que nos deparamos ao longo da história humana.


Com efeito, esta liturgia de hoje nos ensina que o verdadeiro sentido da vida vai muito além dos objetivos pessoais, pois, o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo requer de nós o abandono dos próprios interesses para nos dedicarmos à salvação de todos, basta olharmos o testemunho dos santos e santas que seguiram o Senhor em todas as vocações.


No Evangelho de hoje enquanto o Senhor Jesus anunciava a sua paixão, morte e ressurreição; os Apóstolos discutiam entre si quem seria o maior no Reino dos céus. Ao que o Senhor respondeu: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!


Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”. (Mc 9,35-37). Ou seja, precisamos nos despojar do egoísmo, da malícia e de todo o mal, para que inocentes como as crianças, fazermos tudo segundo a vontade de Deus.


Portanto, caríssimos, todos estamos a caminho da eternidade, e não existe outra alternativa para entrarmos no Reino dos céus fora da cruz do Senhor Jesus, bem como Ele nos ensinou: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perde-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobra-la-á.


Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras." (Mt 16,24-27).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 18 de setembro de 2021

A SEMENTE DA PALAVRA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,4-15)(18/9/21)


Caríssimos, a didática divina é maravilhosa, porque nos comunica de modo esclarecedor o conteúdo da fé; e ainda que apareça alguma dúvida, logo é esclarecida à medida que vamos nos exercitando no seu conteúdo cujo único objetivo é a nossa salvação eterna, por nos comunicar com exatidão a vontade de Deus, nosso Pai.


Na primeira leitura são Paulo exorta seu discípulo Timóteo a permanecer firme no conteúdo da fé que lhe foi comunicada certo de que a esperança nele gerada alcançará pleno êxito com a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, "bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém."


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus usando a didática da parábola do semeador nos ensina onde e como acolher as sementes da Sua Divina Palavra para darmos os frutos da redenção que Ele nos veio trazer; para isto Ele nos apresenta quatro tipos de terrenos: a beira do caminho, o solo pedregoso, o espinheiro, e por fim o solo fecundo. 


E explicando aos Apóstolos o sentido da Parábola disse: "A semente é a Palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás.


Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança."


Portanto, caríssimos, tudo em nosso viver depende das nossas escolhas e decisões, e quando fazemos isso exercitando a fé, cujo único objetivo é a santificação de nossas almas, então, é a Vontade de Deus que se cumpre em nossa vida como num solo fecundo que acolhe a semente da Sua Palavra e dá os frutos esperado pelo divino semeador, nosso Senhor Jesus Cristo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

A QUEM MUITO AMOU, MUITO SE PERDOOU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 7,36-50)(16/09/21).

Caríssimos, tudo na vida de quem ama a Deus e ao próximo como a si mesmo, aponta para o céu, pois, quem ama procura sempre fazer a vontade de Deus em todos os sentidos do viver. Ora, sabemos que aqui neste mundo, tudo tem limite menos as virtudes eternas com as quais Deus nos criou para permanecermos em comunhão com Ele, de modo que o nosso testemunho de vida seja verdadeiro.

De fato, atingimos tal estado de alma por meio de um permanente processo de conversão, que consiste na mudança interior em nossa relação com Deus, com o próximo e com toda a criação. Bem como nos ensina são Paulo ao aconselhar Timóteo na primeira leitura: "Caríssimo, ninguém te despreze por seres jovem. Pelo contrário, serve de exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, na caridade, na fé, na pureza." (1Tim 4,12).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi convidado para jantar na casa de um fariseu, porém, não foi recebido devidamente por ele e ainda foi julgado por permitir que uma pecadora pública lavasse seus pés com as lágrimas, os enxugasse com os cabelos, os beijasse e os perfumasse; e por fim o Senhor a perdoou os pecados, porque ela muito amou. 

Ora, essa atitude do Senhor Jesus aos olhos do fariseu e dos seus convidados pareceu muito estranha, por pensarem em seus corações: “Quem é este que até perdoa pecados?” Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz”. De fato, Deus nos conhece por dentro, por isso, o que importa realmente é o nosso arrependimento acompanhado do desejo de sermos perdoados.

Portanto, caríssimos, alguns detalhes desta liturgia de hoje nos chama a atenção: o primeiro deles consiste em sermos sinceros no nosso encontro com o Senhor; o outro diz respeito à tentação que sofremos de julgar os outros por suas atitudes; e por último não podemos esquecer que Deus sempre nos trata com misericórdia e por isso requer de nós o mesmo tratamento para com os nossos semelhantes.

Destarte, peçamos humildemente ao Senhor Jesus que nos dê a graça de ama-lo de todo coração e amarmos uns aos outros como Ele nos ensinou, desse modo, as nossas ações falarão mais alto que as nossas palavras.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

NOSSA SENHORA DAS DORES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-27)(15/09/21)


Caríssimos, a vida que vivemos não é feita somente de alegrias, muitas vezes ela é mesclada de dores, de forma que em certos momentos tais dores são imensas, e pensamos: quem dera que a vida fosse feita somente de alegrias, de paz, harmonia, leveza, e felicidade sem fim.


De fato, se não existisse o pecado não sofreríamos nenhum tormento, todavia, como nos ensinou são Paulo: "Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm 5,20b). E é exatamente isso que nos enche de esperança, pois, Deus, nosso Pai, quiz sofrer as nossas dores por Seu Filho, Jesus Cristo e sua santa Mãe, a Virgem dolorosa, para nos dar a felicidade eterna no seu Reino. 


Com efeito, enquanto existírmos neste mundo teremos em Jesus e Maria os modelos perfeitos de como vencer os sofrimentos se entregando totalmente nas mãos de Deus, nosso Pai, que sempre nos consola em meio às aflições deste mundo, como o fez com todos os santos e santas que seguiram o seu Filho Jesus em seu caminho de cruz. 


Desse modo, a fé nos leva a perceber que não existe dor sem alívio, principalmente quando sofremos como inocentes, certos de que o nosso sofrimento é redentor, porque é o Senhor Jesus quem sofre em nós e conosco. À esse respeito escreveu são Paulo: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada." (Rm 8,18).


De fato, ao contemplarmos Maria Santíssima junto a cruz de Jesus percebemos quanto as suas dores foram atrozes, por sentir-se impotente diante de tamanha maldade dos seus algozes, no entanto, foi consolada por seu Filho ao receber a missão de gerar a nova humanidade em meio às dores que padeceu junto a Ele na cruz.


Portanto, caríssimos, peçamos à Virgem Mãe dolorosa a consolação em nossas dores, para que o nosso calvário seja para todos que o contemplarem um sinal da ressurreição do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,13-17)(14/09/21)


Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz, sinal eterno da nossa libertação e salvação do pecado, da morte e do inferno, como também de todo mal. De modo que, ao traçarmos sobre nós o sinal da cruz, tal gesto significa a nossa pertença a Cristo e a permanente garantia da nossa redenção pelo seu sangue derramado em expiação dos nossos pecados.


Com efeito, Deus poderia escolher um outro meio para nos salvar, no entanto, Ele mesmo quis assumir a nossa miserável condição, menos no pecado, por meio do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que padeceu, foi crucificado, morreu e ressuscitou para nos libertar definitivamente e nos acolher no Seu Reino de justiça e paz. Desse modo, nos ensinou que não existe meio mais eficaz pelo qual devamos ser salvos.


De fato, a cruz é o grande mistério do amor de Deus por nós, como Jesus nos ensinou: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos." (Jo 15,13). E são Paulo completa: "Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,6-8).


De certo, como entender que Deus infinitamente poderoso se deixou dominar e ser morto numa cruz como se um bandido fosse; de modo que, sem nenhuma reação, entregou-se nas mãos dos pecadores que lhe impuseram os mais terríveis tormentos e morte humilhante? Só o amor explica isso, como Ele mesmo disse no Evangelho de hoje: "Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna." (Jo 4,16).


Portanto, caríssimos, crer no Senhor Jesus, é ama-lo, é segui-lo fielmente sem jamais se lamentar quando passamos por nossos momentos de cruz que são os sofrimentos advindos dos nossos pecados e dos pecados dos outros. Ora, o Senhor Jesus totalmente inocente foi barbaramente crucificado; e nós que somos culpados, o que dizer? Olhemos, então, para a cruz do Senhor porque ela é a nossa única consolação e esperança de vida eterna.


Destarte, rezemos com amor esta belíssima oração em honra da Santa Cruz que nos ensinou são Francisco de Assis: "Nós vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus, aqui e em todas as Igrejas que estão no mundo inteiro e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

SENHOR EU NÃO SOU DIGNO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 7,1-10)(13/09/21).


Caríssimos, na vivência da fé e em nossas orações temos muito a aprender, e isso porque, no mais das vezes, rezamos conforme os nossos desejos, querendo que se faça a nossa vontade. Todavia, precisamos aprender que Deus é Deus e nós somos simples criaturas, e exatamente por isso, é um imenso privilégio encontra-lo e falar com Ele cheios de reverência, como vimos no Evangelho de hoje, isto é, com humildade e confiança inabalável.


Com efeito, a nossa interação com o Senhor Jesus sem dúvida acontece por meio da oração como encontro, isto é, um diálogo amoroso, em que falamos com Ele, mas também o escutamos, e não apenas expondo o que queremos, mas sim, desejando fazer a vontade do Pai como Ele fez.


Muitos dizem: eu rezo tanto e não recebo, porém, não percebem que rezar não é só pedir, mas sim, interagir, dialogar, louvar, agradecer, adorar, ter consciência da infinita grandeza de Deus, e reconhecer que sem Ele nada somos, nada podemos, e que só existimos por causa da Sua Divina Misericórdia. E por isso, precisamos ama-lo de todo o nosso coração, querendo sempre o que Ele quer.


De certo, escutemos o que escreveu são Pedro a esse respeito: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós." (1Pd 5,6-7). Pois, como nos ensinou o Senhor Jesus: "Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado." (Lc 14,11).


Desse modo, nossas orações são atendidas porque nascem da necessidade de amar a Deus sobre todas as coisas e ser amados por Ele como filhos e filhas. De fato, sem essa postura interior nos pomos diante de Dele como se Ele dependesse de nós; e não nós dependêssemos Dele.


Portanto, caríssimos, rezar é como respirar; pois, assim como a vida natural depende cem por cento do ar que respiramos, de igual modo, a vida sobrenatural depende do ar da graça do Espírito Santo, que vem até nós pelos pulmões de nossa oração; quem não reza, morre de inanição espiritual, porque não encontra Deus, não interage com Ele, não o ama e nem se deixa amar por Ele.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO XXIVDOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do XXIVDom do Tempo comum (Mc 8,27-35)(12/09/21)


Caríssimos, por mais segurança que alguém tenha advinda dos bens materiais, isso não é nada, pois, tudo o que é perecível não passa de uma frágil estabilidade que a qualquer momento se esvai. De fato, devido a nossa finitude queremos que tudo esteja sob o nosso controle, porém, como isso não é possível, por conta dos imprevistos deste mundo, tendemos a perder a fé por confiarmos mais em nós mesmos do que em Deus.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus pergunta aos discípulos quem Ele é aos olhos do povo, e aos olhos deles. Só que a resposta do povo não corresponde a quem Ele é; por outro lado, Pedro pleno de fé responde corretamente: “Tu és o Messias”. Ou seja, o Cristo, o enviado do Pai, o Salvador prometido, aquele que devia vir a este mundo.


No entanto, apesar de ter dado a resposta satisfatória, Pedro logo caiu em contradição por repreender o Senhor Jesus assim que revelou os sofrimentos e a morte que padeceria por conta dos anciãos do povo, dos Sumos Sacerdotes e dos doutores da Lei, por não aceitarem a sua mansidão e humildade, isto é, por não corresponder às suas espectativas.


De certo, a resposta do Senhor Jesus a Pedro e aos demais discípulos de todos os tempos, serve de alerta para toda a humanidade: "Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”. (Mc 8,34-35).


Portanto, caríssimos, depois do primeiro pecado este mundo deixou de ser um paraíso para se tornar um campo de batalha espiritual onde definimos o nosso devir, isto é, o nosso vir a ser eterno, todavia, a misericórdia de Deus e o sacrifício do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, nos dão a vitória sobre todo o mal, contanto que renunciemos à nós mesmos, para fazermos em tudo a Sua Santa Vontade.


Destarte, rezemos esta belíssima oração de santo Agostinho: "Inquieto, ó Senhor, está o nosso coração enquanto não repousar em Ti." E no salmo responsorial digamos com o salmista: "O Senhor libertou minha vida da morte, enxugou de meus olhos o pranto e livrou os meus pés do tropeço. Andarei na presença de Deus, junto a Ele na terra dos vivos." (Sl 114).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 11 de setembro de 2021

OS FRUTOS REVELAM QUEM SOMOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,43-49)(11/09/21)


Caríssimos, estamos no tempo das distrações que tenta tirar de nós a atenção das coisas que diz respeito à nossa fé e a Deus, nos afastando da oração, da piedade, da prática da Palavra e das virtudes eternas, levando-nos a perder tempo com tudo o que é fútil e nada aproveitável ao nosso estado de graça, de forma que facilmente caímos no esgotamento espiritual e no desânimo.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina a fazer uma leitura desta nossa realidade tecnológica onde o celular tenta tomar todo o nosso tempo como se um deus fosse, por meio, das redes sociais, jogos eletrônicos, sites ideológicos, formadores de opiniões, infueciadores e tantas outras modalidades difícil até de enumerar. De modo que, não se pode pensar a vida hoje sem o famigerado celular com seus apretechos e suas "facilidades". 


Ora, por tudo isso, eis o que diz o Senhor: "O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio. Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo?" (Lc 6,45-46). Ou seja, diante dessas palavras, quem somos?


De fato, pelo o que acabamos de escutar do Senhor, dificilmente encontramos no mundo de hoje aqueles lhe dão tempo, e por isso, os testemunhos autênticos da sua presença são tão escassos, diria até que são raros em comparação com aqueles que buscam agradar ao mundo procurando fama, poder e prazer, ao invés de agradar ao Senhor que nos dá a vida eterna como nos ensinou são Paulo na primeira leitura.


Comentando esse Evangelho disse, o Papa Francisco: "Existem cristãos só de aparência, que se pintam de cristãos e na hora da prova só mostram a maquiagem. Eis a tentação da maquiagem. Não basta dizer "Senhor, eu sou cristão" para o ser verdadeiramente. Ele diz: não é suficiente repetir "Senhor, Senhor!" para entrar no Reino. É preciso cumprir a vontade do Pai e praticar a Palavra. Eis a diferença entre o cristão de vida e o de aparência." (Papa Francisco, 04/12/14).


Portanto, caríssimos, com base no que nos ensinou o Senhor Jesus, são pelos frutos que damos que todos conhecerão que vivemos em comunhão com Ele ou não. De uma coisa fiquemos certos, a fé autêntica revela quem realmente se deixa conduzir pelo Espírito Santo, porque estes dão frutos da vida eterna que o revela.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

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