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domingo, 6 de agosto de 2023

TRANSFIGURADOS COM CRISTO...


 Homilia do 18°Dom do Tempo Comum (Mt 17,1-9)(06/8/23)


1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos leva à experiência do encontro com Deus que se faz sempre presente; tal como fizeram Abraão, Paulo e Timóteo; Pedro e os irmãos Tiago e João no Monte Tabor quando da Transfiguração do Senhor. Tadavia, para isto é fundamental vivermos essa experiência por meio da fé que recebemos no batismo, pois, como Jesus nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê."
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2. No Evangelho de hoje, como foi dito acima, os Apóstolos Pedro, Tiago e João contemplaram Jesus transfigurado, tendo ao seu lado Moisés e Elias que representavam a Lei e os Profetas. 

3. Com efeito, tomados pelo êxtase não sabiam o que dizer, porém, veio sobre eles uma nuvem luminosa e dela a voz do Pai que lhes disse: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!” Ou seja, o Senhor Jesus é o elo de ligação entre o céu e a terra, entre Deus e os homens.
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4. De fato, vivemos num mundo natural e nem sempre contemplamos fatos sobrenaturais. Todavia, Deus que é Onipotente, Oniciente e Onipresente, e se dá a conhecer sempre seja por meio da criação, obra de suas mãos; seja pela revelação que faz de Si nas Sagradas Escrituras; e mais precisamente por meio do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
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5. Portanto, caríssimos, comentando esse Evangelho, o Santo Padre, o Papa são Leão Magno (séc. V), escreveu: "Ninguém tenha medo de sofrer por causa da justiça ou duvide da recompensa prometida, porque é pelo trabalho que se chega ao repouso, e pela morte, à vida. 

6. O Senhor assumiu toda a fraqueza de nossa pobre condição e, se permanecermos no seu amor e na proclamação do seu nome, venceremos o que ele venceu e receberemos o que prometeu." Ou seja, a vida eterna no para sempre da sua glória. 
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7. "Assim, quer cumprindo os mandamentos ou suportando a adversidade, deve sempre ressoar aos nossos ouvidos a voz do Pai, que se fez ouvir, dizendo: 'Este é o meu filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o'."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 5 de agosto de 2023

O PODER DO MARTÍRIO...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 14,1-12)(05/8/23).

1. Caríssimos, a covardia é a arma dos insensatos para realizarem seus atos perversos e suas aberrações. Não existe nenhum compromisso com a verdade por parte daqueles que vivem traindo a Deus, ainda que digam que Nele acreditam. 

2. Melhor seria nada professarem do que o fazerem falsamente, pois tudo o que é falso não se sustenta porque tem a incoerência como fundamento. De fato, a incoerência é morte para a alma, porque a alimenta com o veneno da impiedade, da injustiça e da falsidade que a mantém na letargia espiritual não lhe permitindo verdadeiro arrependamento. 

3. Toda pessoa incoerente vive se contradizendo sempre e por isso nunca encontra o Senhor Jesus, a não ser para querer contradize-lo por meio da incoerência com que a ele se apresenta. Toda pessoa incoerente se põe a serviço do maligno para realizar as suas ações infernais.

4. Com efeito, nesse mundo encontramos de tudo, é como se a vida se resumisse ao tempo que temos naturalmente para viver aqui como se não existisse o devir. Ora, "de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua vida?" 

5. Decerto, eis é a filosofia de vida da maioria que se encaminha para a eternidade pela porta larga da perdição, pensar que a vida lhe pertence e por isso tudo pode, quando na verdade não passam de um Herodes, matando inocentes impunemente. Todavia, não podemos esquecer do justo Juiz que julgará a todos segundo suas obras.

6. Portanto, caríssimos, o fato de existirmos aqui naturalmente aponta para o devir eterno da vida, que sustentada por Deus, pode se firmar Nele ou não, dependendo das escolhas e decisões que tomamos, e a isso chamamos livre arbítrio. 

7. No Evangelho de hoje, mesmo ensinando o caminho da salvação, São João Batista foi degolado pela vida devassa que Herodes e Herodíades levavam. Todavia, pensando tirar a vida de João, na verdade, fizeram dele um mártire da fé e da salvação que anunciava.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 
 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

MUITO CUIDADO COM O VENENO DO PRECONCEITO...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,54-58)(04/8/23)

1. Caríssimos, a fé que professamos não comunga com interesses mesquinhos, privilégios, preconceitos e outras artimanhas do comportamento humano. Ela é realmente isenta de tudo isso, porque é dom do Espírito Santo e somente quem se dispõe a fazer a vontade de Deus e se deixa conduzir por Ele, a vive autenticamente.
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2. Com efeito, no Evangelho de hoje, Jesus se encontra com os seus concidadãos na Sinagoga de Nazaré e começou a ensina-lhes; todavia, por sua proximidade com eles logo foi recebido com admiração, mas também com desprezo, pois, diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Então, de onde lhe vem tudo isso?” E ficaram escandalizados por causa dele." (Mt 13,55ss). 
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3. Decerto, por essa atitude dos concidadãos de Jesus ao encontra-lo na Sinagoga, podemos discernir em nós mesmos se vivemos a fé tal qual nos ensinaram os Apóstolos e a Igreja ao longo de mais de dois mil anos de sua prática.

4. De fato, quando os homens substituem a fé pelo preconceito, extrapolam todos os níveis de tolerância e usam de ignorância para fazer valer sua intransigência e repúdio ao bem que vem de Deus. Foi assim no tempo dos profetas, no tempo de Jesus, dos Apóstolos e também em nosso tempo. 
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5. São João na sua primeira carta assim escreveu a respeito da vivência da fé: "Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. 

6. Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,3-6). Ou seja, fazendo em tudo a vontade do Pai.
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7. Portanto, caríssimos, Deus não nos pede nada que não podemos praticar das suas virtudes infusas em nossas almas pela graça do batismo que recebemos, isto porque toda virtude praticada vem acompanhada dos frutos que gera em nossas almas, por exemplo a santidade à qual o Senhor nos concede por elas.
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8. Destarte, cabe a nós acolher os dons gratuitos de Deus para não incorremos no mesmo erro dos concidadãos de Jesus que por preconceito e falta de fé o rejeitaram, à ponto do Evangelista chamar a atenção para este fato: "E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé." (Mt 13,58).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
 

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

A PÉROLA E O TESOURO...


 

A REDE QUE PESCA TODO TIPO DE PEIXE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,47-53)(03/8/23)


1. Caríssimos irmãos e irmãs, vivemos no reino transitório dos homens, e nele nos encontramos em meio à uma dicotomia que divide e massacra a muitos, porque se vêem como inimigos uns dos outros, e não como irmãos que se amam. De fato, se não existisse pecado este mundo seria um paraíso, e não o inferno que está se tornando.

2. No entanto, nem tudo está perdido, pois, com a vinda de Cristo, Ele nos deu à conhecer o Reino de Deus, como Ele mesmo anunciou: "O Reino de Deus já está no meio de vós." (Lc 17,21b). Ou seja, a criação é obra de Deus, tudo e todos lhe pertence, mas é preciso crer para viver segundo a sua vontade, no seio da Santa Igreja, tabernáculo da nossa salvação.

3. De fato, a fé católica tem a mesma extensão do universo que seu nome traduz, pois a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, do qual somos os seus membros. A rede divina que o Senhor Jesus lançou sobre o mar da humanidade nos pescou à todos, mas nem todos creram Nele, e essa é a condição fundamental para ser peixe bom, recolhido em seu cesto no final dos tempos. 

4. Decerto, essa Parábola analogia, nos mostra também que os peixes ruins não escaparão da ruína a que se destinaram. Ou seja, não basta ser obra das mãos de Deus, mas é preciso viver segundo as virtudes eternas que nos foram concedidas, sem as quais nada de bom se produz. 

5. Com efeito, mais que uma simples Parábola, essa estória contada por Jesus nos ensina sobre o fim escatológico da vida, pois o imenso mar da existência é o mesmo para todos, e as graças de Deus nele derramadas são para todos igualmente, mas nem todos querem viver conforme a sua disciplina, e com isso, arruínam a própria vida tornando-se peixes inúteis.

6. Portanto, caríssimos, a Igreja é a escola de santidade na qual pelo batismo estamos matriculados; ela é, de fato, a parte visível do Reino de Deus neste mundo; é nela que nos dedicamos à vida eterna, por isso, assumir a condição de santidade que nela o Senhor Jesus nos oferece, já é participar da sua glória eterna. 
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 Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

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terça-feira, 1 de agosto de 2023

JOIO E TRIGO NÃO SE MISTURAM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,36-43)(01/8/23). 


1. Caríssimos, a realidade que nos cerca se assemelha à parábola do trigo e do joio, pois somos plantação divina fecundada pela graça do batismo que recebemos, a filiação divina, todavia, como o trigo, estamos maturando para o dia da colheita. De modo que, não estamos isentos das intempéries; e dos males que tentam se impor à todo custo ao plano de Deus para a nossa salvação. 

2. Por isso mesmo, precisamos continuar dando os frutos salvificos que o Senhor preparou para nos manter firmes em seu propósito, pois Ele mesmo disse: "Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13).

3. Ora, o que consolida a nossa permanência em Cristo é o amor à Ele sobre todas as coisas, pois, amar o amor é a nossa maior felicidade; a participação no Seu Corpo Místico, a Igreja, do qual Ele é a Cabeça e nós seus membros; a vivência dos sacramentos, a prática das virtudes eternas, e a nossa colaboração para a salvação de todos. 

4. São Paulo nos ensina como se dá essa nossa participação: "Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade." (Rm 12,6-8).

5. Com efeito, na explicação da parábola do trigo e do joio o Senhor Jesus nos dá o entendimento antecipado do juízo escatológico que acontecerá no fim dos tempos: "Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 

6. O Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”. (Mt 13,41-43).

7. Portanto, caríssimos, a vida é um dom de Deus, mas precisamos vive-la como um dom de Deus, pois todos os dons de Deus são plenos de sua vontade; por isso, disse são Pedro: "À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. 

8. A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (Lv 11,44)." (1Pd 1,14-16).

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv. 

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