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terça-feira, 30 de abril de 2024

MINHA PAZ VOS DOU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,27-31a)(30/4/24)

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1. Caríssimos, se existe um estado de alma que mais desejamos, este se chama paz; todavia, no mundo conflituoso em que vivemos, ela está se tornando cada vez mais difícil; por isso, peçamos ao Senhor para acolhermos sua paz tal como Ele nos a comunica no Evangelho de hoje: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração." (Jo 14,27).
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2. O santo Padre, o Papa Francisco, em uma de suas audiências geral, fez este belíssimo comentário a respeito dessa frase de Jesus: "Devemos orientar-nos entre duas ideias de paz: a primeira é a bíblica, onde aparece a maravilhosa palavra shalom, que exprime abundância, prosperidade, bem-estar.
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3. Quando em hebraico se deseja shalom, deseja-se uma vida boa, plena, próspera, mas também de acordo com a verdade e a justiça, as quais terão cumprimento no Messias, Príncipe da paz (cf. Is 9, 6; Mq 5, 4-5).
4. Depois há o outro sentido, mais generalizado, em que a palavra “paz” é entendida como uma espécie de tranquilidade interior: estou tranquilo, estou em paz. Esta é uma ideia moderna, psicológica e mais subjetiva. Pensa-se geralmente que a paz é sossego, harmonia, equilíbrio interior.
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5. Este conceito da palavra “paz” é incompleto e não pode ser absolutizado, porque na vida o desassossego pode ser um importante momento de crescimento. Muitas vezes é o próprio Senhor que semeia a inquietação em nós para irmos ao seu encontro, para o encontrarmos.
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6. Muitas vezes o Senhor deve ser um “sinal de contradição” (cf. Lc 2, 34-35), abalando as nossas falsas certezas para nos conduzir à salvação. E nesse momento parece que não temos paz, mas é o Senhor que nos coloca neste caminho para alcançarmos a paz que Ele próprio nos concederá."
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7. Por fim, meditemos com estas palavras de São Padre Pio: "A paz é a simplicidade, a serenidade do espírito, a tranquilidade da alma, o vínculo do amor. A paz é a ordem e a harmonia de todo o nosso ser; é uma alegria contínua, que nasce do testemunho de uma boa consciência; é a alegria santa de um coração no qual Deus reina. 
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8. A paz é o caminho da perfeição, ou melhor, a perfeição encontra-se na paz. E o demônio, que sabe tudo isto muito bem, faz um grande esforço para nos fazer perder a paz. Nunca daremos um passo em direção à virtude da simplicidade evangélica se não nos esforçarmos por viver numa paz santa e inalterável. 
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9. O jugo de Jesus é suave, o seu peso é leve; por isso, não deixemos que o inimigo se insinue no nosso coração e nos roube essa paz. O inimigo da nossa salvação sabe muito bem que a paz do coração é um sinal seguro da assistência divina, e é por isso que não perde nenhuma oportunidade para no-la roubar.
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10. Estejamos, pois, sempre atentos a esta questão. Jesus ajudar-nos-á. Voltemos o nosso pensamento para o Céu, a nossa verdadeira pátria, de que o mundo é uma pobre imagem, e esforcemo-nos, com a ajuda divina, por manter em todos os acontecimentos, tristes ou alegres, a serenidade e a calma próprias dos verdadeiros discípulos do Nazareno."
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(São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
 «Palavras do Padre Pio», Cap. X, nn. 290-294).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 28 de abril de 2024

QUEM PERMANECE EM MIM E EU NELE ESSE DÁ MUITO FRUTO...


 Homilia do 5°Dom da Pascoa (Jo 15,1-8)(28/4/24). 

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1 Amados irmãos e amadas irmãs, a comunhão com o Senhor Jesus e a permanência Nele nos faz seres puros, isto é, sem pecados, como Ele nos ensinou: "Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado." (Jo 15,3). Ou seja, o poder da Sua Palavra purifica as nossas almas, pois vem acompanhada de todas as graças necessárias para vivermos em estado de santidade. 
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2. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus se compara a uma videira e o Pai a um agricultor; e essa sua videira está repleta de ramos, uns precisam de poda para que dêem muitos frutos; outros são galhos secos que serão arrancados e lançados no fogo onde perecerão, porque não viveram as graças tal qual as receberam. 
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3. Aqui cabe uma bela reflexão, pois, todas as graças nos são dadas para vivermos sem pecado algum e não em pecado mortal, pois a santidade da Igreja é revelada por seus filhos e filhas que vivem segundo a Vontade de Deus Pai. 
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4. Com efeito, o Senhor Jesus nos ensina que viver a vida divina recebida no batismo, significa permanecer em obediência à sua Palavra, escutemos: "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim." (Jo 15,4).
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5. Mas como se dá essa permanência no Senhor? Pela ação do Espírito em nossa vida de oração, nos Sacramentos que recebemos e pela vivência da fé que praticamos. Bem como nos ensina são João: "Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu." (1Jo 5,23). 
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6. Escutemos, então, o Senhor: "Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Ou seja, somos dependentes do amor do Senhor como os ramos são da videira; pois amar o Senhor assim é seguí-lo firmemente até o fim. 
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7. Desse modo, nos são abertas as portas de sua divina misericórdia e tudo nos será dado, como Ele mesmo disse: "Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos." (Jo 15,7-8).
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8. Comentando este Evangelho, disse o Beato Columba Marmion: "Em Jesus Cristo, tudo irradia vida: as suas palavras, os seus atos, os seus estados. Todos os seus mistérios, tanto os da infância como os da sua morte, da sua ressurreição e da sua glória, possuem um poder de santificação sempre eficaz. 
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9. Nele, o passado não foi abolido (cf Rm 6,9; Hb 13,6). Ele derrama em nós, sem cessar, a vida sobrenatural. Mas a nossa falta de atenção ou de fé paralisa muitas vezes a sua ação na nossa alma. Para nós, viver a vida divina é possuir a graça santificante e fazer que os nossos pensamentos, os nossos afetos e toda a nossa atividade partam de Cristo, por uma intenção de fé e de amor."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sábado, 27 de abril de 2024

ACREDITAI-ME: EU ESTOU NO PAI E O PAI ESTÁ EM MIM


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,7-14)(27/4/24)

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1. Caríssimos, a graça que temos da parte de Deus por meio do Seu Santo Espírito de anunciarmos Cristo visivelmente presente nos Sacramentos e claramente audível em sua Palavra, não se compara à nenhum outro anúncio que os homens façam. No entanto, nem sempre seremos escutados, e no mais das vezes seremos perseguidos e até mortos por causa do Seu nome, como vimos na primeira leitura.

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2. Mas, por que isso acontece se anunciamos o Senhor Jesus ressuscitado que nos dá a vida eterna? Ora, precisamos compreender que quem está comprometido com o mal não aceita a Palavra da verdade que os leva à conversão e ao encontro com o Senhor. 

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3. E isso se dá porque aquele que os domina não lhes permite; todavia, é preciso a perseverança dos santos para resistir a tais ações maléficas, e assim anunciar o Senhor Jesus com intrepidez à todos que estão destinados à salvação. Como vemos neste relato: "Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. (At 16,48b-49).

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4. E qual a nossa atitude frente à esses opositores? É a mesma de Paulo e Barnabé, que seguiram o conselho do Senhor: "Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra. Pois, o discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. 

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5. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa!" (Mt 10,23a-25). E foi isso o que fizeram Paulo e Barnabé: "Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio." (At 16,51).

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6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos dá a garantia de que por sermos seus discípulos faremos obras maiores ainda que as suas, escutemos: "Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. 


7. Pois eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei." (Jo 14,12-14). Ou seja, fiquemos atentos ao disse o Senhor: "As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras." (Jo 14,10b).

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8. Destarte, façamos atenção à estas palavras de Santo Irineu de Lyon: "Aqueles que veem a Deus terão parte na vida, porque o esplendor de Deus é vivificante. É por esta razão que Aquele que é esquivo, incompreensível e invisível Se oferece para ser visto, compreendido e captado pelos homens: para dar vida àqueles que O captam e O veem. 

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9. Porque, se a sua grandeza é inescrutável, também a sua bondade é inexprimível; é por ela que Ele Se faz ver e dá vida àqueles que o veem. É impossível viver sem vida, e não há vida senão através da participação em Deus, que consiste em ver a Deus e gozar da sua bondade.

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10. Assim, os homens verão a Deus para viverem, tornando-se imortais através dessa visão e chegando até Deus. Foi isso que foi anunciado figurativamente pelos profetas: que Deus será visto pelos homens portadores do seu Espírito, que esperam incessantemente a sua vinda, segundo o que Moisés diz no Deuteronómio: «Naquele dia veremos, porque Deus falará ao homem e ele viverá» (Dt 5,24).

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11. Aquele que opera tudo em todos é invisível e inexprimível, no seu poder e na sua grandeza, para todos os seres por Ele criados; no entanto, não lhes é de modo algum desconhecido, pois todos aprendem, através da sua Palavra, que há um só Deus Pai, que contém todas as coisas e a todas dá existência, como diz também o Senhor: «Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que está no seio do Pai, é que O revelou» (Jo 1,18).

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(Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir - Contra as heresias, IV, 20,5-7; SC 100).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

IDE POR TODO O MUNDO E PREGAI O EVANGELHO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,15-20)(25/4/24)

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1. Caríssimos, neste tempo de espera, a Palavra de Jesus nos orienta para obediência à vontade do Pai, mas para isto Ele nos dá o Espírito Santo para que sejamos testemunhas de Sua Ressurreição, pois o Espírito do Senhor nos comunica toda verdade a seu respeito e de como devemos proceder nesse tempo de anúncio do Seu Reino de justiça e de paz. 
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2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus dá as instruções finais de como os discípulos devem anuncia-lo ressuscitado em meio a nós: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado."
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3. Decerto, escutemos Santo Ireneu de Lyon a esse respeito: "Quando Nosso Senhor ressuscitou dos mortos e os apóstolos foram revestido com a força do alto pela vinda do Espírito Santo (cf Lc 24,49), ficaram cheios de certezas sobre tudo e receberam o conhecimento perfeito. Possuidores do Evangelho, foram, pois, até aos confins da Terra (cf Sl 18,5) proclamar a Boa Nova que nos vem de Deus e anunciar aos homens a paz do Céu."
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4." Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados". (Mc 16,17-18).
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5. E como vimos neste Evangelho de hoje: "Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam." Ou seja, o testemunho vem sempre acompanhado dos sinais que identifica a presença do Senhor ressuscitado no meio de nós. 
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6. Todavia, perguntemos a qual é o significado da Ascenção do Senhor? É o cumprimento do Salmo 109: "O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos por escabelo dos teus pés." Ora, em seu desígnio de amor Deus Pai determinou tudo conforme o seu plano para a salvação de todos os creem no Seu Filho, Jesus Cristo, Rei do Universo, "autor e consumador de nossa fé."
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Mas, quando será a Parusia (segunda vinda) do Senhor? Ora, os Apóstolos também indagaram o Senhor sobre isso: "Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?”Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. 

Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. Ou seja, esse nosso tempo é ainda o tempo do anúncio de Sua misericórdia e preparação para a sua vinda definitiva. 
"Depois, virá o fim, quando Ele entregar o Reino a Deus Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés." Portanto, "Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Deus, porque o Senhor todo-poderoso tomou posse do seu reino, aleluia! (Ap 19,7.6)."

Conclusão: "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu." (At 1,11).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 24 de abril de 2024

QUEM ME VÊ, VÊ AQUELE QUE ME ENVIOU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Jo 12,44-50)(24/4/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, existe um versículo do Livro de Provérbios que nos chama muito a atenção com relação à evangelização e a salvação da humanidade, diz ele: "O coração do homem dispõe o seu caminho, mas é o Senhor que dirige seus passos." (Pr 16,9). Em outras palavras, a obra da salvação humana pertence a Deus e é ele que a conduz por meio daqueles que Ele escolhe e envia.
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2. Com efeito, é isso o que vimos na primeira leitura, onde o Espírito Santo escolheu Paulo e Barnabé para a missão evangelizadora na Igreja de Antioquia, onde pela primeira vez na história os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos. Ou seja, a ação do Espírito Santo nas almas consagradas a Deus à serviço da salvação da humanidade é palpável e direta. 
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3. E é maravilhoso perceber como isso aconteceu: "Enquanto celebravam a liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo, disse: Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e deixaram-nos partir." (At 13,2-3).
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4. Decerto, é esta a Pedagogia divina para a nossa salvação, como vemos nestas palavras do Senhor: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou." Desse modo, Ele nos dá a conhecer que é o enviado do Pai para toda a humanidade e que é pela fé o acolhemos e nos tornamos seus discípulos.
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6. Amados irmãos e irmãs, o dom da fé é tão preciso que põe por terra toda dúvida e insegurança que se apresentam tentando nos confundir; pois, gera a esperança e a convicção de que o Senhor está no comando de tudo; basta que a vivenciamos como vimos na primeira leitura. 
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7. Portanto, crer em Jesus é conviver com Ele ressuscitado em nosso meio pela ação do Espírito Santo, e fazer tudo o que Ele nos ensina por meio dos seus escolhidos. É isso o que constitui a unidade da Santa Igreja, com bem enfatiza são Paulo: "Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos." (Ef 4,4-6). 
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8. Meditemos então com estas palavras do saudoso Papa Bento XVI: "O mundo precisa da cruz. Ela não é simplesmente um símbolo privado de devoção, não é um distintivo de pertença a um grupo social, e o seu significado mais profundo não tem nada a ver com a imposição forçada de um credo ou de uma filosofia.
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9. Ela fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não-violência sobre a opressão, fala de Deus levantando os humildes, fortalecendo os fracos, superando as divisões e vencendo o ódio com o amor.  
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10. Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperança, um mundo onde a tortura e a brutalidade continuariam a correr desenfreadas, os fracos seriam explorados e a ganância teria a última palavra. A desumanidade do homem para com o homem manifestar-se-ia de formas ainda mais horríveis e não haveria fim para o ciclo maléfico da violência. 
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11. Só a cruz poria fim a isso. Agora, nenhum poder terreno pode salvar-nos das consequências do nosso pecado e nenhum poder terreno pode derrotar a injustiça na sua origem, mas a intervenção salvadora do nosso Deus misericordioso transformou a realidade do pecado e da morte no seu oposto. É isto que celebramos quando damos glória à cruz do Redentor".
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 23 de abril de 2024

O AMOR DE JESUS É INVENCÍVEL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,22-30)(23/4/24)

1. Caríssimos, estamos vivendo o tempo da tomada de decisão por nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, para assim segui-lo até o fim dos nossos dias neste mundo; digo isso porque todos os sinais dos acontecimentos profetizados por Ele já estão em pleno curso e não tem como duvidar, basta fazer uma análise da atual situação do mundo.

2. No Evangelho de hoje enquanto Jesus passeava no Templo, por ocasião da festa de sua dedicação, pois, era o símbolo da fé judaica, muitos se aproximaram dele, esboçando dúvidas a respeito de sua identidade Messiânica: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”.

3. Ao que, o Senhor lhes respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 

4. As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebata-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um". (Jo 10,24-30).

5. Com efeito, essas Palavras de Jesus são profundamente significativas, pois, elas comprovam que muitos não o seguem porque se deixam enganar pelas artimanhas do Maligno. Aliás, são João na sua primeira carta, escreveu: "Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora.

6. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a unção do Espírito Santo e sabeis todas as coisas." (1Jo 2,18-20).

7. Comentando este Evangelho disse o Santo Padre, o Papa Francisco: "Ninguém pode dizer-se seguidor de Jesus se não escutar a sua voz. E esta "escuta" não deve ser entendida de forma superficial, mas de forma envolvente, a ponto de tornar possível um verdadeiro conhecimento recíproco, do qual pode nascer um seguimento generoso, expresso nas palavras "e elas me seguem" (v. 27). 

8. Trata-se de uma escuta não só do ouvido, mas do coração! Assim, a imagem do pastor e das ovelhas indica a relação de proximidade que Jesus quer estabelecer com cada um de nós. Ele é o nosso guia, o nosso mestre, o nosso amigo, o nosso modelo, mas acima de tudo é o nosso Salvador.

9. A nossa vida está plenamente segura nas mãos de Jesus e do Pai, que são um só: um só amor, uma só misericórdia, revelados de uma vez por todas no sacrifício da cruz. Para salvar a ovelha perdida que todos nós somos, o Pastor fez-se cordeiro e deixou-se sacrificar para tomar sobre si e tirar o pecado do mundo. 

10. Deste modo, deu-nos a vida, mas vida em abundância (cf. Jo 10, 10)! Este mistério renova-se, numa humildade sempre surpreendente, na mesa eucarística. É ali que as ovelhas se reúnem para se alimentarem; é ali que se tornam uma só coisa, umas com as outras e com o Bom Pastor. 

11. É por isso que já não temos medo: a nossa vida está agora salva da perdição. Nada nem ninguém nos pode arrancar das mãos de Jesus, porque nada nem ninguém pode vencer o seu amor. O amor de Jesus é invencível!" (Papa Francesco - Regina Caeli, 17 aprile 2016).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 21 de abril de 2024

O BOM PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS...


 Homilia do 4°Dom da Páscoa (Jo 10,11-18)(21/4/24)

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1. Caríssimos, eis o que nos ensina esta liturgia, a obra da salvação pertence somente a Deus, e ela não é exclusiva; mas, inclusiva; pois, não somos nós que nos salvamos, mas, somos salvos por Jesus, que nos amou à ponto de se rebaixar à nossa miserável condição; bem como Ele mesmo disse: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Mc 2,17).
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2. No Evangelho de hoje o Senhor nos revela quem é e qual a sua missão: «Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas» (Jo 10, 11). Por outro lado, Ele também nos mostra que os mercenários são falsos pastores que não cuidam das ovelhas, mas apenas as exploram, por isso, fogem quando o lobo chega, e deixam que o rebanho se perca.
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3. Diz ele: "O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas." Ou seja, precisamos ficar atentos e identifica-los para não sermos destruídos pelos lobos.
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4. E como ter tal discernimento? O Senhor mesmo responde: "Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente." (Jo 10,14-15.17).
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5. Comentando este Evangelho disse o Santo Padre, o Papa Francisco: "Esta auto-apresentação de Jesus não pode ser reduzida a uma sugestão emotiva, sem qualquer efeito concreto! Jesus cura através do seu ser Pastor que dá a vida.
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6. Oferecendo a sua vida por nós, Jesus diz a cada um: "A tua vida vale tanto para mim, que para a salvar dou-me completamente a mim mesmo". É exatamente este oferecer a sua vida que o torna bom Pastor por excelência, Aquele que cura, Aquele que nos permite levar uma vida boa e fecunda.
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7. Ele está atento a cada um de nós, conhece profundamente o nosso coração; conhece as nossas qualidades e os nossos defeitos, os projetos que realizamos e as esperanças que foram desiludidas. 
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8. Mas aceita-nos tal como somos, até com os nossos pecados, para nos curar, para nos perdoar; Ele guia-nos com amor, para podermos percorrer até caminhos difíceis, sem perder o rumo. Ele acompanha-nos. 
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9. Abramos o coração a Jesus, para que Ele entre em nós. E assim tenhamos uma relação mais vigorosa: Ele ressuscitou! Assim podemos segui-lo durante a vida inteira." (Papa Francisco, trechos do Regina Coeli, 22 de abril de 2018).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

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