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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Todos nós que aqui estamos trabalhamos para que venha o Reino de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,1-6)(01/05/26)

1. Caríssimos, com a promessa da vida eterna impressa em nossas almas quando do nosso batismo, pois, por ele ressuscitamos com Cristo (cf. Rm 6,4); pela graça do Espírito Santo nos tornamos portadores da grandíssima esperança de contemplar a Deus face a face na Sua Glória eterna. 

2. Ora, o que seria de nós sem essa santa esperança? Certamente viveríamos somente para a morte, onde tudo volta ao nada, ao pó que somos por nós mesmos. Digo isso porque vivemos num mundo onde o pecado está destruindo toda grandeza, toda beleza e tudo de bom que de Deus recebemos neste mundo para sermos felizes e vivermos em paz.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus exorta seus discípulos ensinando que a sua presença em nosso meio é a certeza do cumprimento de suas promessas: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. 

4. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais." (Jo 14,1-3). Ou seja, quão confiantes devemos viver em comunhão com o Senhor para vermos realizar-se o que Ele nos prometeu. 

5. Portanto, caríssimos, não podemos perder o Senhor Jesus de vista, pelo contrário, aumentemos a nossa convivência com Ele pela oração, pela vivência dos Sacramentos, pela comunhão fraterna, pela prática dos santos mandamentos e das boas ações, pois sem esse convívio salutar a vida perde todo sentido de ser. 

6. Destarte, façamos destas palavras de são Paulo o nosso modo de ser um só em Cristo Jesus: "Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, apegai-vos solidamente ao bem. Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros. Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." (Rm 12,9-11).

7. Por fim, a Santa Igreja hoje recorda a memória de São José operário patrono de todos os trabalhadores que ganham o pão de cada dia com o suor do seu resto, ele que foi um exímio carpinteiro que com seu trabalho diário sustentou a Sagrada Família de Nazaré. São José operário, rogai por nós.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O sentido do discipulado de Cristo é o serviço...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 13,16-20)(30/04/26)

1. Caríssimos, somos agentes diretos da palavra, seja ela falada, escutada, escrita, lida, posta em prática ou não. Com efeito, Deus criou todas as coisas por Sua Divina Palavra, o Seu Verbo Eterno, Jesus Cristo, como escreveu são João no prólogo do seu Evangelho: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." (Jo 1,1.3).

2. De fato, a Palavra é o fundamento da vida. Por isso, podemos plenamente afirmar: "somos Palavras de Deus realizadas." No entanto, por vivermos num mundo onde a mentira tornou-se a palavra da vez, isso, faz da verdade sua primeira vítima, sacrificada a cada instante que alguém abre a boca para mentir.

3. Na liturgia de hoje a Palavra é o agente principal e a verdade que a conduz é sua autêntica identidade; por isso, quem a vive realiza em todos os sentidos a vontade salvífica de Deus. Na primeira leitura, Paulo, Barnabé e os outros discípulos proclamam o Santo Evangelho de nosso Senhor, Jesus Cristo, gerando de imediato uma grande alegria naqueles que se converteram e foram salvos.

4. No Evangelho de hoje, vemos que todos os gestos do Senhor Jesus são uma nítida expressão da Sua Divina Palavra e fonte de santidade para os que a ouvem com reta intenção. Desse modo, a Sua relação com os discípulos passa do gesto à Palavra, isto é, do exemplo do Mestre que se faz discípulo, revelando com isso, que o verdadeiro sentido do discipulado é o serviço.

5. Portanto, caríssimos, que a nossa boca só se abra para falar a verdade baseada no exemplo de obediência e humildade de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como nos ensinou São Paulo: "Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai." (Cl 3,17).

6. "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Col 3,23-24). Ou seja, o nosso ser e estar no mundo nada mais é do que uma expressão do nosso serviço a Cristo e ao seu Reino. Em outras palavras, somos servos e servas do Rei Jesus. Que grande honra a nossa! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

A volta ao estado de graça...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 12,44-50)(29/04/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, uma das consequências do pecado mortal na alma de quem o comete é a perda da graça santificante e da comunhão com Deus; a partir daí tal pessoa não tem mais sossego, porque perde o poder do livre arbítrio, e em tudo o que faz, sofre a influência do maligno para que não volte a ter comunhão com o Senhor. 

2. Todavia, não é a vontade do mal que prevalece, pois toda alma carrega em si o dom do arrependimento que consiste no reconhecimento dos pecados praticados para confessá-los. De fato, o arrependimento é a porta de entrada do perdão e da misericórdia de Deus que purifica alma arrependida libertando-a da influência do maligno por meio do Sacramento da Penitência.

3. No Evangelho de hoje vemos que o Senhor Jesus foi enviado pelo Pai para nos restituir o perfeito estado de graça, ou seja, a perfeita comunhão com Deus, que os nossos primeiros pais perderam com o pecado que cometeram nos transmitindo essa perda. 

4. Ora, como em toda missão profética, o Senhor Jesus pagou com a própria vida, o alto preço da nossa salvação. Comentando esse seu sacrifício assim se expressou o saudoso, Papa Francisco: "Vivendo a missão que lhe foi confiada pelo Pai, Jesus sabia bem que devia enfrentar o cansaço, a rejeição, a perseguição e a derrota. Um preço que, tanto ontem como hoje, a profecia autêntica é chamada a pagar.

5. Sem duvida, também hoje, o mundo tem necessidade de ver nos discípulos do Senhor, profetas, ou seja, pessoas corajosas e perseverantes em responder à vocação cristã. Certos de que seguem o Mestre no seu propósito de dar a vida por suas ovelhas. 

6. Ou seja, são "pessoas que seguem o "impulso" do Espírito Santo, que as envia para anunciar esperança e salvação aos pobres e aos excluídos; pessoas que seguem a lógica da fé e não do miraculismo; pessoas dedicadas ao serviço de todos, sem privilégios nem exclusões." (Papa Francisco, Angelus, 03/02/19).

7. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus a graça de sermos fiéis à ação do Espírito Santo, para que, purificados por Sua Divina Misericórdia e fortalecidos por Sua Palavra, sejamos testemunhas vivas da sua ressurreição, a fim de que muitas almas alcancem a salvação eterna no Reino dos céus. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Deus nos livra de toda insegurança...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,22-30)(28/04/26)

1. Caríssimos, conhecemos muito bem o que significa insegurança porque jamais encontraremos uma pessoa na vida que não a tenha experimentado; de fato, somente Deus tem todo poder sobre o céu e sobre a terra, e é por isso que Ele nos dá essa certeza para nos garantir que nada e ninguém pode nos arrancar de seus mãos a não ser nós mesmos se deixarmos de acreditar Nele.

2. A dúvida sobre Deus e o seu poder existe no coração de quem não o ama, por isso, nem percebe que é Ele quem nos sustenta na vida; e isso demonstramos com uma simples comparação. O ar que respiramos é invisível, e dele dependemos cem por cento, ou seja, o ar é uma obra de Deus e é Ele que no-lo dar. Mas será que reconhecemos isso?

3. No Evangelho de hoje os judeus interrogaram o Senhor Jesus se de fato era o Messias enviado por Deus Pai; no entanto, o Senhor respondeu mostrando os sinais que fazia como prova de que era, como vemos a seguir: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas." (Jo 10, 25-26)

4. Ou seja, quem não acredita no Senhor Jesus, deixa de ser ovelha do seu rebanho por nega-lo apesar das evidências que comprovam a autenticidade da sua vinda. E acrescentou: "As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão." (Jo 10,27-28)

5. Portanto, caríssimos, existem tantas relegiões e seitas, dizendo que crêem no Senhor Jesus e que pregam sua Palavra, mas na verdade as obras de tais pregadores o negam por falta de autenticidade. Como o Senhor mesmo disse: 

6. "Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo." (Mt 7,15-16a.17.19).

7. Destarte, desde sempre o Senhor Jesus se faz presente na Santa Igreja Católica, tanto nos Sacramentos como no anúncio de Sua Palavra. Porém, quantos o seguem? Decerto, essa resposta depende se vivemos autenticamente o que o Senhor nos ensina por meio Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O Senhor é o Pastor que me conduz nada me faltará

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,11-18) (27/04/26)

1. Caríssimos, meditemos com amor e atenção o comentário do Evangelho de hoje do saudoso, Papa Francisco: "Como é belo e consolador saber que Jesus nos conhece um a um, que não somos anônimos para Ele, que o nosso nome Lhe é conhecido! Para Ele, não somos uma “massa”, uma “multidão”, não. 

2. Somos pessoas únicas, cada um com sua própria história, e Ele conhece cada um de nós com sua própria história, cada um com seu próprio valor, tanto como criatura quanto como redimido por Cristo. Cada um de nós pode dizer: Jesus me conhece! 

3. É verdade, é assim: Ele nos conhece como ninguém mais. Só Ele sabe o que há em nosso coração, as intenções, os sentimentos mais ocultos. Jesus conhece nossos méritos e nossos defeitos, e está sempre pronto a cuidar de nós, para curar as feridas de nossos erros com a abundância de sua misericórdia. 

4. Nele se realiza plenamente a imagem do Pastor do povo de Deus, que os profetas haviam delineado: Jesus se preocupa com suas ovelhas, as reúne, enfaixa a ferida, cuida da doente. Assim podemos ler no Livro do profeta Ezequiel (cf. 34,11-16). 

5. Portanto, Jesus, o Bom Pastor, defende, conhece e, acima de tudo, ama suas ovelhas. E por isso dá a vida por elas (cf. Jo 10,15). O amor pelas ovelhas, isto é, por cada um de nós, leva-o a morrer na cruz, porque esta é a vontade do Pai: que ninguém se perca. 

6. O amor de Cristo não é seletivo, abraça a todos. Ele é pastor de todos. Jesus quer que todos possam receber o amor do Pai e encontrar Deus. E a Igreja é chamada a levar adiante esta missão de Cristo. Além daqueles que frequentam nossas comunidades, há muitas pessoas, a maioria, que o fazem apenas em casos específicos ou nunca. 

7. Mas isso não significa que não sejam filhos de Deus: o Pai confia todos a Jesus, o Bom Pastor, que deu a vida por todos. Que Maria Santíssima nos ajude a acolher e seguir, em primeiro lugar, o Bom Pastor, para cooperarmos com alegria na sua missão." (Papa Francesco - Regina Caeli, 25 abril de 2021).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 


domingo, 26 de abril de 2026

Domingo do Bom Pastor...


 Homilia do Domingo do Bom Pastor (Jo 10,1-10)(26/04/26)


Eis o que diz o Senhor: "Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim." 

1. "Eu empurro uma alma para a dor das minhas dores, outra para a alegria das minhas alegrias, outra para a imitação da minha pobreza e da minha abjeção, outra para a imitação do meu zelo pelas almas; eu sou o Pastor e, no campo do meu amor, crescem pastagens infinitas. Eu alimento cada alma com as ervas que vejo que lhe fazem falta.

2. Assim também vós, não procureis tanto excitar na vossa alma ou na alma dos outros um sentimento que vos parece muito perfeito, que o é realmente, e que é um sentimento muito real de amor; mas procurai ser fiéis e tornar as almas dos outros fiéis aos sentimentos que Eu faço nascer nelas; 

3. não escolhais as ervas que crescem no campo do meu amor, nem para vós nem para os outros, mas dedicai-vos a comer, vós e eles, a digerir bem aquelas que Eu próprio escolho, seja para vós, seja para eles, aproveitando-as para fazer de um e de outros, não algo que vos agrade, 

4. mas aquilo que Me agrada a Mim, o bem particular que eu quero fazer-vos, a vós e a eles, e com vista ao qual vos apresento estas ou aquelas ervas: sou Eu que faço das almas o que Me parece bom, pois fui Eu que as criei, só Eu as conheço, só Eu sei a que as destino.

5. O vosso trabalho não consiste em destiná-las a isto ou àquilo, mas em ver a cada momento quais são as ervas com que Eu as alimento." (São Charles de Foucauld - 1858-1916)

6. Portanto, caríssimos, viver segundo a vontade de Deus é dar ao seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, o governo da nossa vida, Ele nos conhece muito bem, e ofereceu-se em sacrifício de suave odor ao Pai pela nossa salvação.

7. Destarte, cantemos confiantes com o salmista: "O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 25 de abril de 2026

Como se revelam os verdadeiros discípulos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,15-20)(25/04/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Festa de são Marcos Evangelista; ele foi discípulo de Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu. Atribui-se a ele a fundação da Igreja de Alexandria. Também com Barnabé de quem era primo, acompanhou o apóstolo Paulo em sua primeira viagem, e depois também o seguiu até Roma.

2. Ora, a princípio, conforme vemos nos atos dos Apóstolos (cf. At 13,13), Marcos, por ser muito tímido, desistiu de continuar a viagem Apostólica com Paulo e Barnabé, retornando a Jerusalém. "Depois disto, porém, foi colaborador de São Pedro (1P 5,13), tendo-se mostrado, não apenas um autêntico cristão, mas um servidor fiel e resoluto do Evangelho. O instrumento desta mudança parece ter sido a influência de Pedro, que transformou em apóstolo o discípulo tímido e covarde."

3. "Através desta história, aprendemos uma lição: pela graça de Deus, o mais fraco pode receber a força. Portanto, não devemos confiar em nós mesmos; nunca devemos desprezar um irmão que dá provas de fraqueza, nem jamais desesperar quanto à sua fidelidade, mas, pelo contrário, ajudá-lo a seguir em frente."

4. Admiremos pois, em São Marcos, uma tão espantosa transformação: «pela fé, o fraco recebeu o dom da fortaleza» (Heb 11,34). Deste modo, Marcos dá testemunho dos maravilhosos dons do Espírito Santo." (São John Newman).

5. Portanto, caríssimos, são Marcos finaliza o Evangelho que redigiu como resultado das pregações de São Pedro desse modo: "Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam." (Mc 16,20).

6. Destarte, a obra salvífica do Senhor continua até o fim dos tempos no Seio da Sua Santa Igreja por meio da vivência dos Santos Mandamentos e dos Sacramentos que são os sinais visíveis e sensíveis da sua real presença no meio de nós, bem como nos atesta São Bruno de Segni (c. 1045-1123): 

7. "Para nós, os sinais e os prodígios deixaram de ser necessários: basta-nos ler ou ouvir o relato daqueles que foram realizados. Porque acreditamos nos Evangelhos, acreditamos nas Escrituras que os contam. E, no entanto, ainda hoje se produzem sinais; e, se prestarmos bem atenção, reconheceremos que eles têm muito mais valor do que os milagres materiais de outrora." 

8. Aliás, todas as ações da Santa Igreja são sinais e prodígios realizados em nome de Cristo. O batismo é o novo nascimento para a vida eterna; a Eucaristia é o próprio Senhor nos alimentando; a confissão é a reconciliação com Deus dos cairam em tentação; a pregação da Palavra é o anúncio atual da salvação; a unção dos enfermos é cura para doentes. Enfim, "Estes são os sinais que o Senhor havia prometido aos seus santos, e ainda hoje eles os realizam."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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