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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Deus escolheu a via dolorosa para nos salvar...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(02/04/25)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, existe no ser humano uma tendência de querer atingir a Onipotência Divina por si mesmo, na verdade, isso é resquício da primeira tentação: "Vós sereis como Deus conhecedores do bem e do mal." 

2. Ora, essa tentação é uma grande mentira, como também todas as outras o são, tendo em vista que não passamos de um simples sopro de vida. De fato, todos aqueles que cometem esse terrível pecado são tomados pela arrogância e a prepotência que os corroe e os leva à autodestruição.
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3. Com efeito, em todas as situações de sua vida o Senhor Jesus nos ensina por palavras e atos que a Onipotência é atributo divino e que viver pela virtude da obediência na dependência do Pai é a maior de todas as graças. 

4. E isso é comprovado pelo seu rebaixamento à miserável condição que o pecado nos impôs, para que por meio de sua imolação voltássemos à plena comunhão com a vontade do Pai para assim participarmos de sua natureza divina.
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5. Existem várias passagens bíblicas onde o Senhor Jesus nos ensina que a graça da perfeição tem seu fundamento na humilhação de si mesmo para desse modo vencermos todo o mal que está no mundo e que se levanta contra a vontade de Deus. 

6. Vejamos alguns exemplos: "Eu não vim para fazer a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou." (Jo 5,30). "O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida por muitos." (Mt 20,28). "Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos!" (Mc 9,35).
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7. Portanto, caríssimos, como foi difícil para o Senhor ser incompreendido, humilhado, rejeitado, perseguido e morto pelo fato de comunicar a verdade que liberta todos os seres humanos do pecado e do mal que os escraviza e os leva à perdição. Contudo, o Senhor nos mostrou, por seu sacrifício cruento, que esse é o único caminho pelo qual nos conduz à Glória do Pai.
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8. Então, quem está disposto a segui-lo? Para isto escutemos esta sua exortação: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perde-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9, 24).

9. De fato, não existe seguimento fiel sem a renúncia de si mesmo, nem existe amor verdadeiro sem sofrimento e dor, isto porque a verdade por mais dolorosa que seja ela nunca volta atrás porque é a única via de salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Não somos juízes uns dos outros, mas irmãos e irmãs que se amam em Cristo Jesus...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,1-16)(01/04/25)


1. Caríssimos irmãos e irmãs, a vida vivida em Deus é plena das virtudes do amor, da misericórdia, bondade, humildade, mansidão, autodomínio e todas as outras virtudes que nos identificam com Cristo; fora disso, não há nada que nos faça viver plenamente felizes e unidos uns aos outros. 

2. Por isso, peçamos ao Senhor Jesus que nos ajude à superar nossas misérias, principalmente a tentação de julgar-nos uns aos outros, como se fôssemos juízes e não réus; de fato, essa é uma das tentações mais frequentes que sofremos neste mundo.

3. A liturgia de hoje nos mostra que precisamos viver interiormente em comunhão com Deus para externa-la por atos de compaixão, misericórdia e bons conselhos, como fez o Senhor Jesus no Evangelho de hoje ao curar o paralítico à beira da piscina de Betesda.

4. Por outro lado, nos mostra também a atitude intolerante daqueles que vivem uma fé meramente legalista e inquisitória em que não há espaço para as virtudes nem para o respeito à liberdade dos outros. De fato, uma alma legalista repleta de falsos juízos, tende sempre a condenar os outros, por isso, nem percebe que se condena à si mesma.

5. Com efeito, quando pela oração e as outras práticas piedosas procuramos viver não presença do Senhor, eliminamos de nossas mentes as distrações, os juízos temerários, o egoísmo e as outras práticas nefastas que nos tira da Sua presença, por ocupar os espaços que somente à Ele pertence em nossas almas.

6. Portanto, caríssimos, quem perde tempo bisbilhotando a vida dos outros dificilmente se santifica, porque tempo é vida, e quem dá tempo a Deus recebe todas as graças e bênçãos, e com elas a vida eterna; mas, quem tira o tempo de Deus para dar à outras coisas que não são Dele, nada
tem além do tempo perdido e do vazio existencial advindo de tal desvario.

7. Por isso, disse São Paulo: "Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,9-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Fé, oração e perseverança, virtudes que alcança todas as graças...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 4,43-54)(31/03/25)


1. Caríssimos, o dom de acreditar no Senhor Jesus é transformador e não precisa de sinais milagrosos para isto, porque é um dom inato; todavia, quando potencializado pelo poder da Sua Palavra, é capaz de transportar montanhas, realizar prodígios e milagres, ressuscitar mortos; e principalmente anunciar o Reino de Deus e a sua justiça.

2. Ora, é nisto que consiste o poder da fé, dar lugar ao Senhor Jesus para que mude a nossa vida transformando a nossa mentalidade e o nosso modo de ser; de homens e mulheres sem o senso da eternidade, em filhos e filhas de Deus a caminho do Reino dos Céus seguindo os seus passos, pela prática da Sua Palavra.

3. No Evangelho de hoje um funcionário real vem até Jesus pedindo-lhe para que cure seu filho gravemente enfermo, ao que o Senhor respondeu: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. Mas, ele insistiu: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!” Jesus lhe disse: “Podes ir, teu filho está vivo”.

4. "Enquanto descia para Cafarnaum, seus empregados foram ao seu encontro, dizendo que o seu filho estava vivo. O funcionário perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: “A febre desapareceu, ontem, pela uma da tarde”. O pai verificou que tinha sido exatamente na mesma hora em que Jesus lhe havia dito: “Teu filho está vivo”. Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família."

5. Com efeito, este sinal que o Senhor Jesus realizou, curou não somente o filho do funcionário real, mas, também sua alma atingida pela dor e toda a sua família, nos dando a compreenção de que a sua Palavra tem o poder de nos curar de todos os males físicos, psíquicos, morais e espirituais, e de nos libertar do poder da morte. 

6. Então, o que aprendemos deste episódio? A fé é dom de Deus, e Ele já nos criou com ela, porém, precisamos pô-la em prática para que se cumpra a sua Vontade. De fato, conhecemos nossa fragilidade e impotência diante dos males que nos atinge, por isso mesmo, buscamos o seu socorro divino para recebermos a graça que tanto precisamos. 

7. Destarte, meditemos esta exortação do Diário de Santa Faustina: “É pela oração que a alma se arma para toda espécie de combate. Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar. Tem que rezar a alma pura e bela, porque de outra forma perderia a sua beleza; deve rezar a alma que está buscando essa pureza, porque de outra forma não a atingiria. 

8. Deve rezar a alma recém-convertida, porque de outra forma cairia novamente; deve rezar a alma pecadora, atolada em pecados, para que possa levantar-se. E não existe uma só alma que não tenha a necessidade de rezar, porque toda a graça provém da oração” (Diário de Santa Faustina, 146).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 30 de março de 2025

A conversão é um processo constante de arrependimento e purificação...


 Homilia do 4°Dom da Quaresma (Lc 15,1-3.11-32)(30/03/25)

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1. Caríssimos, o 4° Domingo da Quaresma é também chamado "Laetare" que significa alegria, pois nele se faz memória da libertação do povo eleito que deixa seu êxodo e toma posse da terra prometida. Para nós que fazemos parte do povo eleito em Cristo, nos alegramos com a proximidade da Páscoa que é a nossa libertação do pecado e da morte, em que tomamos posse da vida eterna advinda da Ressurreição do Senhor.
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2. A primeira leitura traz a memória da primeira Páscoa que o povo Hebreu celebrou na terra prometida; e ela começa com a proclamação desse fato histórico como meditamos nas palavras do Senhor ditas à Josué: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”.

3. Na segunda leitura São Paulo faz memória da nossa libertação em Cristo e convoca a todos os que ainda não a experimentaram à retornarem do cativeiro do pecado à misericórdia e ao perdão que o Senhor oferece a todos aqueles que se convertem.
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4. O Evangelho de hoje dá um banho de misericórdia em nossas almas, pois nele o Senhor Jesus conta a parábola do Pai misericordioso que ama seus filhos mesmo quando estes se afastam do seu convívio e do seu amor. Façamos, então, uma analogia entre os personagens desta parábola e nós que vivemos nosso êxodo em meio ao deserto deste mundo.
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5. O Pai misericordioso é Deus que cheio de compaixão espera com paciência a volta dos filhos pródigos que se apossaram da herança da vida e a estragam por meio dos pecados que os levam à mais triste condição, ou seja, à ausência do aconchego de seu Pai. 

6. Todavia, felizes são aqueles que como o filho da parábola se arrependem e voltam para o nosso Pai celestial contritos de coração. O segundo filho, representa aqueles que vivem de algum modo a fé, mas se tornam intransigentes e não aceitam a volta dos filhos pródigos por julga-los e condena-los sem nenhuma compaixão.

7. Também com estes Deus mantém a sua atitude misericordiosa, dizendo-lhes: "Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado". 

8. E com isso, Ele nos ensina "que há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão, bem como nos ensina são Tiago: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12-13). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 29 de março de 2025

Como fazemos as nossas orações?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(29/03/25)

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1. Caríssimos, a quaresima é o tempo favorável para o nosso retiro pessoal onde nos encontramos com Deus, nosso Pai e nos entregamos à Ele para o bem de todos, porque quem convive bem com Deus, convive bem consigo mesmo e com todos. 

2. Com efeito, cada retiro que fazemos é um exercício espiritual de conversão que nos proporciona o crescimento na graça e no conhecimento da vontade do Senhor que por sua vez nos conduz à partilhar esses dons com os demais irmãos e irmãs por meio da vivência da fé.
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3. Mas, atenção, para não perdermos o sentido essencial do retiro que é a nossa permanência no Senhor para assim o transparecer por meio de nossos atos; pois, se sedermos à tentação de axaltarmos à nós mesmos e não ao Senhor, como vimos no Evangelho de hoje, cairemos no pecado da presunção e não colheremos nenhum fruto de conversão.
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4. De fato, a oração não é meio para exaltação de si mesmo ou de pretensas virtudes, mas de comunhão com o amor de Deus reconhecendo que tudo pertence a Ele e que não somos dignos nem de erguer a cabeça para o Seu Altar uma vez que somos pecadores em busca de Sua Divina Misericórdia.

5. Portanto, caríssimos, "Mais vale um pecador humilde que um justo orgulhoso, porque, quando se humilha, o pecador deixa de o ser; e, quando o justo se torna orgulhoso, deixa de ser justo. Por isso, não devemos nos gloriar das nossas obras, mas confiar humildemente na graça de Deus." (Ludolfo de Saxe (sec.XIV), dominicano, depois cartuxo de Estrasburgo) 
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6. Oremos: Senhor aqui estamos para nos depositar em tuas mãos, sabemos que a vida natural é curta, mas nessa nossa naturalidade podemos fazer a tua vontade e vivê-la para além do tempo por toda a eternidade junto de Ti a quem amamos incondicionalmente. 

7. Por isso, Senhor, faz de nós instrumentos do teu amor e da tua bondade para que te glorifiquemos neste mundo e no mundo vindouro, isto é, o teu Reino. Pedimos-te humildemente, recebe a nossa disponibilidade para que a verdade e a humildade prevaleça em todos os sentidos de nossa vida. Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Como corresponder ao amor de Deus por nós?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(28/03/25)


1. Caríssimos, a liturgia de hoje discorre sobre o mandamento do amor que é o fundamento da Lei, dos Profetas e do Evangelho. Eis como são João define o amor de Deus por nós: "Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. 

2. Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. (1Jo 4,10.16). A prática da nossa fé é uma conexão direta com o amor de Deus que não é apenas afeto, mas a essência da nossa vida. 

3. Na primeira leitura, por meio do Profeta Oséias, Deus faz um apelo para que seu povo deixe o pecado e volte para Ele que é misericordioso; do mesmo modo o Senhor diz à todos os que estão afastados da fé, vivendo em regiões desertas, ou seja, angustiados por causa dos muitos pecados que têm cometido. 

4. Eis como devemos nos dirigir a Ele por meio do arrependimento sincero e das súplicas acompanhadas do profundo desejo de sermos perdoados: "Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios."

5. Decerto, por meio das leituras deste dia o Senhor se dirige à nós seus filhos e filhas com a ternura de um Deus apaixonado nos dando a graça de ama-lo prontamente de todo coração, como Jesus nos ensinou com a sua obediência incondicional e com a certeza de que o amor do Pai por nós é total e definitivo. 

6. Sem dúvida, precisamos experimentar o amor de Deus e corresponder à Ele de todo o coração numa entrega total, pois, à medida que assim correspondemos, sentimos a ação da sua graça em nossas almas nos transformando suavemente para partilharmos o seu amor com aqueles que encontramos no nosso dia a dia.

7. No seu colóquio com o mestre da Lei no Evangelho de hoje o Senhor Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. De fato, ao escutarmos essa resposta, entendemos como devemos corresponder ao seu amor demonstrado por nós no seu sacrifício de cruz. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 27 de março de 2025

"Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(27/03/25)

1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra a guerra, o conflito espiritual que estamos vivendo no tempo e para além do tempo, pois no fim desse conflito, haverá o viver eterno como prêmio para os justos; e como pena para os perversos que fizeram de sua vida e da vida dos outros um inferno, não obstante, os santos ensinamentos recebidos de nosso Senhor Jesus Cristo.

2. De fato, fomos criados "à imagem e semelhança de Deus" para vivermos na Sua presença neste paraíso que nos foi dado; mas, por causa do pecado que permitimos entrar em nossa vida, tudo o que era suave, ameno, sereno e agradável, tornou-se veneno mortífero, dor, sofrimento, agonia e morte. Por isso, enquanto não houver arrependimento sincero e conversão não haverá salvação para os que insistem na prática do mal.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa o demônio de um mudo, mas foi criticado e acusado de fazer isso por meio da ação do maligno; ao que Ele respondeu: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra." 

4. Ora, se o mal luta contra si mesmo, por si mesmo se distroe, desse modo, muito se engana quem atribue ao Senhor o que não é dele. Ou seja, a calúnia é um atentado contra a verdade; e quem atenta contra a verdade perde sempre. Pois, como disse o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”.

5. São Paulo na sua Carta aos Romanos, nos ensina como ter um verdadeiro discernimento: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. 

6. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2). Ou seja, quem não se deixa conduzir pelo Espírito de Deus não entrará no Reino dos Céus. 

7. Portanto, caríssimos, uma vez que estamos nos preparando para o juízo final, depois de nossa estadia neste mundo, se faz jus que sigamos os passos de nosso Senhor Jesus Cristo, quais ovelhas do seu rebanho, como ele mesmo disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem." (Jo 10,27).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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