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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Homilia do XVIDOM do tempo comum

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,38-42)(20/07/26)

1. Caríssimos, a vida sem amor é uma somatória de atos negativos contrários as virtudes que nos levam à felicidade eterna; por outro lado, quando fazemos a vontade de Deus somos felizes, porque a felicidade consiste em viver conforme a se Deus como nos ensinou o Profeta Miquéias: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus."(Miq 6,8).

2. A liturgia de hoje nos mostra um embate entre o crê e o não crê; entre aqueles que pedem sinais para crê e à própria incredulidade que nega tais sinais e por isso insiste em pedi-los mesmo tendo consciência da má conduta que vivem e que não lhes deixa crer. 

3. Com efeito, o nosso viver ou é uma expressão do amor com o qual Deus nos criou ou então é a negação desse amor. No Evangelho de hoje "alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 

4. Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas." (Mt 12,38-39). Ou seja, com qual intuito nos aproximamos do Senhor, pois quem busca sinais para crer, não acreditará mesmo que os veja.

5. De fato, quem se aproxima do Senhor trazendo no coração tal conduta não o respeita nem o ama, pois Ele já havia realizado inúmeros sinais e no entanto não acreditaram. Daí compreendemos que não são os sinais milagrosos que nos levam a crer, mas é a fé presente em nossas almas que os fazem acontecer, como nos ensinou o Senhor: "Tudo é possível ao que crer." (Mc 9,23b).

6. Portanto, caríssimos, um viver fecundo cheio do fruto do Espírito Santo, que é "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança", é o que fundamenta a verdadeira fé e que faz presente o poder de Deus em nossa vida.

7. Destarte, é essa fé que nos aproxima de Deus para ama-lo e sermos amados por Ele que nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para que Nele acreditando recebamos todas as graças e bênçãos para a salvação eterna das nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Nenhum sinal lhes será dado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,38-42)(20/07/26)

1. Caríssimos, a vida sem amor é uma somatória de atos negativos contrários as virtudes que nos levam à felicidade eterna; por outro lado, quando fazemos a vontade de Deus somos felizes, porque a felicidade consiste em viver conforme a se Deus como nos ensinou o Profeta Miquéias: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus."(Miq 6,8).

2. A liturgia de hoje nos mostra um embate entre o crê e o não crê; entre aqueles que pedem sinais para crê e à própria incredulidade que nega tais sinais e por isso insiste em pedi-los mesmo tendo consciência da má conduta que vivem e que não lhes deixa crer. 

3. Com efeito, o nosso viver ou é uma expressão do amor com o qual Deus nos criou ou então é a negação desse amor. No Evangelho de hoje "alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 

4. Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas." (Mt 12,38-39). Ou seja, com qual intuito nos aproximamos do Senhor, pois quem busca sinais para crer, não acreditará mesmo que os veja.

5. De fato, quem se aproxima do Senhor trazendo no coração tal conduta não o respeita nem o ama, pois Ele já havia realizado inúmeros sinais e no entanto não acreditaram. Daí compreendemos que não são os sinais milagrosos que nos levam a crer, mas é a fé presente em nossas almas que os fazem acontecer, como nos ensinou o Senhor: "Tudo é possível ao que crer." (Mc 9,23b).

6. Portanto, caríssimos, um viver fecundo cheio do fruto do Espírito Santo, que é "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança", é o que fundamenta a verdadeira fé e que faz presente o poder de Deus em nossa vida.

7. Destarte, é essa fé que nos aproxima de Deus para ama-lo e sermos amados por Ele que nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para que Nele acreditando recebamos todas as graças e bênçãos para a salvação eterna das nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 18 de julho de 2026

O que significa ser bem-aventurados?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,14-21)(18/07/26)

1. Queridos Irmãos e irmãs, meditando o Evangelho de hoje vemos quanta cegueira espiritual existe nas almas escravisadas pelo pecado a ponto de não discernirem o que é o bem, mas confundi-lo com o mal, e por isso, usam todo tipo de falcatruas e tramas ilícitas com o propósito de destruir o bem e matar o Senhor da vida.

2. De fato, o pecado é a porta de entrada do maligno no íntimo das almas; por isso, peçamos ao Senhor para vivermos em estado de graça, pois, sempre que o comungamos nesse estado nos tornamos um só com Ele; e aonde Ele habita, não existe espaço para o mal.

3. Caríssimos, quais as lições de vida tiramos desse Evangelho de hoje? Digamos que muitas, mas de modo especial enfatizemos duas, as quais o Senhor Jesus já nos havia ensinado no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!" (Mt 5,9-10).

4. A segunda lição consiste em que a vontade de Deus posta em prática vence toda resistência do mal, bem como vimos na atitude de Jesus: "Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos." Ou seja, ninguém jamais pode impedir o bem que vem de Deus, uma vez que os seus santos desígnios são para sempre.

5. Portanto, caríssimos, ser bem-aventurados significa manter a nossa comunhão com o Senhor Jesus e nos deixar conduzir por Ele; pois embora a facilidade das tentações nos empurrem para o pecado caso caírmos nelas; a graça santificante do amor de Deus nos faz firmes e fortes para comba-las e vence-las sempre que formos tentados. 

6. Destarte, escutemos atentamente o Senhor e ponhamos em prática a sua divina Palavra: "Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,11-13).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

sentindo da Lei é fazer a vontade de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mt 12,1-8)(17/07/26)

1. Caríssimos a Lei de Deus existe em função do bem de todos, ou seja, para suprir a necessidade de justiça que temos, e por isso, ela ajuda à lei natural a ser cumprida na íntegra. 

2. Dado a isso é que o Senhor Jesus, respondeu aos contestadores dos discípulos, que os acusaram de violarem a lei do sábado: "Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes." (Mt 12,7).

3. Com efeito, nenhuma lei seja ela natural, divina ou positiva (aquela criada pelo homem) usada para regular a atividade humana, pode deixar de lado as virtudes próprias que as sustenta. No Evangelho de hoje Jesus lembra aos mestres da Lei e fariseus que a virtude da misericórdia nos isenta do juízo temerário e da condenação de inocentes.

4. Quando o Senhor Jesus diz esta frase: "De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.(Mt 12,8). Ele fala como legislador divino porque é o Filho de Deus que se fez homem e veio a este mundo para nos salvar; Ele é a Palavra viva e incontestável do Pai, sua autoridade visa sempre a salvação dos homens, por isso, nunca age ou se comporta fora dos seus desígnios de amor.

5. Sem dúvida, existe em nós uma tendência de querer julgar tudo e todos segundo a nossa justiça, e com isso, não percebemos que à medida que julgamos assim, carregamos em nossas almas os pecados julgados e a condenação destilada contra aqueles que cometeram tais pecados.

6. São Paulo na primeira Carta aos Coríntios, escreveu: "[Irmãos], não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece." (1Cor 4,5).

7. Decerto, isso não significa que somos coniventes com os pecados cometidos neste mundo, pelo contrário, os reprovamos veementemente, todavia, que façamos isso sem perder o senso da misericórdia e do amor de Deus que sempre perdoa todos os que o procuram arrependidos e contritos de coração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,46-50)(16/07/26)

1. Caríssimos, as promessas de Deus se cumprem na Íntegra, porque a Sua Palavra é Palavra de vida eterna, por isso, a antecipa em profecia para nos dar a segurança de que é Ele mesmo quem nos fala, desse modo, mesmo que alguém duvide isso não muda em nada o que anunciou; pois, mesmo duvidando não deixa de ver a realização do seu anúncio.

2. A Santa Igreja hoje celebra a Festa de Nossa Senhora do Carmo uma das mais belas devoções à Virgem Maria, que tem como referência o Monte Carmelo. Com efeito, "a Sagrada Escritura celebra a beleza do Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a pureza da fé de Israel no Deus vivo. No século XII, alguns eremitas foram viver nesse monte e, mais tarde, constituíram uma Ordem de vida contemplativa sob o patrocínio da Santa Mãe de Deus, Maria." (Liturgia das Horas).

3. São Leão Magno (séc. V) fez o Seguinte comentário sobre a Natividade do Senhor: "Uma virgem da descendência real de Davi foi escolhida para a sagrada maternidade; iria conceber um filho, Deus e homem, primeiro em seu espírito, e depois em seu corpo.

4. E para evitar que, desconhecendo o desígnio de Deus, ela se perturbasse perante efeitos tão inesperados, ficou sabendo, no colóquio com o anjo, que era obra do Espírito Santo o que nela se realizaria. Maria, pois, acreditou que, estando para ser em breve Mãe de Deus, sua pureza não sofreria dano algum.

5. Portanto, a Palavra de Deus, que é Deus, o Filho de Deus, que no princípio estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem ela nada se fez (cf. Jo 1,2-3), a fim de libertar o homem da morte eterna, se fez homem. Desceu para assumir a nossa humildade, sem diminuir a sua majestade.

6. Permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira condição de escravo à condição segundo a qual ele é igual a Deus; realizou assim entre as duas naturezas uma aliança tão admirável que, nem a inferior foi absorvida por esta glorificação, nem a superior foi diminuída por esta elevação."

7. Portanto, caríssimos, "em um mundo hiperconectado, barulhento e acelerado, a espiritualidade do Carmo traz um remédio urgente: ​O Silêncio: O Monte Carmelo nos lembra de que Deus se revela na brisa suave, não no barulho ensurdecedor deste mundo.

8. A Maternidade Acolhedora: Maria sob o título do Carmo é a mãe que nos veste com sua graça e nos protege sob seu manto protetor. ​A Esperança: Ela nos aponta o topo da montanha — que, em última análise, é o próprio Cristo.

9. ​Celebrar Nossa Senhora do Carmo é renovar o desejo de uma fé que não é superficial, mas que cria raízes profundas no silêncio do próprio coração."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Deus se revela aos pequenos

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,25-27)(15/07/26)

1. Caríssimos, muitos não dão importância à própria vida e por isso fazem pouco caso da vida dos outros não respeitando a imagem e semelhança de Deus nós que somos. Sem dúvida, essa falta de respeito e desobediência à Palavra de Deus tem levado este mundo ao desequilíbrio que vemos, por fazerem da ganância pelo poder temporal instrumento de opressão e da própria condenação.

2. De fato, todo arrogante, prepotente que vive arrotando soberba e todo tipo de impropérios se assemelha aqueles que se portam como seres irracionais, por fazerem o que querem sem levar em conta o bem de todos, mas os próprios interesses, como se nada e ninguém os detesse; no entanto, a esses diz o Profeta Isaías: "Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo”. (Is 10,16).

3. O livro de Sabedoria ensina como se devem portar os governantes deste mundo: "Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos." (Sb 1,1-3).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus exulta de alegria e louva ao Pai por revelar aos pequeninos os tesouros da Sua Sabedoria e do Seu amor: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado." (Mt 11,25-26). 

4. E continua Ele: "Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. (Mt 11,27). Eis o diz Guilherme de Saint-Thierry monge beneditino a esse respeito: "Ninguém conhece o que há em Deus, a não ser o Espírito de Deus (cf 1Cor 2,11). 

5. Corre, pois, a participar do Espírito Santo. Ele torna-Se presente logo que é invocado; mais ainda, não poderia ser invocado se não estivesse já presente. E, quando é invocado, vem e traz consigo a abundância da bênção de Deus. É essa a corrente impetuosa do rio que alegra a cidade de Deus (cf Sl 45,5).

6. E, quando Ele vier, se te encontrar humilde, tranquilo e cheio de respeito pelas palavras de Deus, repousará sobre ti (cf Lc 1,35) e revelar-te-á o que Deus Pai oculta aos sábios e entendidos deste mundo. 

7. Então, começará a brilhar aos teus olhos aquilo que a Sabedoria pôde ensinar na Terra aos seus discípulos, mas que eles não puderam compreender enquanto não veio o Espírito de verdade, que havia de lhes ensinar a plena verdade (cf Jo 16,12-13)."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Como a fé nos ajuda a seguir Cristo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,34-11,1)(13/07/26)

1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra o conflito que existe no íntimo de cada um de nós quando nos dispomos a seguir o Senhor Jesus de todo o nosso coração tal qual Ele nos ensinou no Evangelho desta liturgia. 

2. De fato, quando pomos em prática as suas recomedações logo experimentamos o que significa ser seus verdadeiros discípulos, ou seja, viver sem apegos e repletos de coerência; caso contrário nosso seguimento não passa de aparência frívola, professando a fé, mas não a praticando devidamente.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina três atitudes fundamentais para segui-lo coerentemente: renunciar ao apego familiar, que significa ama-lo sobre todas as coisas; tomar a cruz e sigui-lo fielmente para sermos dignos dele; e por último, renunciar a si mesmo, isto é, não querer salvar a própria vida, mas se for a vontade de Deus, perde-la por amor a Ele.

4. Sem dúvida, o que importa mesmo não é o que deixamos para seguir o Senhor Jesus e cumprirmos o seu desígnio salvífico a nosso respeito, mas sim o que recebemos Dele, isto é, cem por cento, e no Reino dos Céus a vida eterna. 

5. Decerto, sabemos que as vantagens deste mundo são passageiras, pois nada trouxemos quando nascemos a não ser a inocência, e nada levamos quando daqui partirmos; a não ser o amor com que amamos a Deus sobre todas as coisas e uns aos outros como a nós mesmos.

6. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente o Senhor Jesus: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mt 7,21). 

7. De fato, a vontade de Deus é que sigamos o Seu amado Filho até o fim dos nossos dias neste mundo para obtermos como herança a vida eterna. Bem como disse o Senhor: "Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la." (Mt 10,38-39).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 12 de julho de 2026

A Palavra de Deus é a semente... Nós somos os campos...

 Homilia do XV Dom do tempo comum (Mt 13,1-23)(12/07/26)

1. Caríssimos a liturgia deste domingo é toda dedicada à Palavra de Deus; ora, a Sua Palavra é a Sua Voz escrita pelo Espírito Santo nos falando diretamente para não termos dúvidas de quem está falando e qual a sua finalidade. 

2. Por isso, toda interpretação subjetivista, é falsa, porque é uma deturpação do que Deus fala, ou seja, é o sujeito quem define o que é certo ou errado negando com isso o absoluto eterno de quem dependemos cem por cento. (cf. 2Pd 1,20-21).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do Semeador que saiu a semear em campos disponíveis as boas sementes geradoras de vida; todavia, muitas delas se perderam porque alguns destes campos não estavam devidamente preparados para as receberem. 

4. Com efeito, tais campos são aqueles que se tornaram presas fáceis do maligno; pela não perseverança nas perseguições por causa da Palavra; e pelos que a sufocaram com as vãs preocupações e os interesses mesquinhos.

5. Decerto, ao fazer tal analogia o Senhor Jesus nos revela que Ele é o semeador, as sementes são a Palavra de Deus e os campos que as recebe são todos os seres humanos que vivem neste mundo. E como vimos, quatro são os campos disponíveis, porém, destes somente um acolhe as sementes devidamente e dão frutos cem, sessenta e trinta por um. E esse campo fecundado são aqueles que escutam a Palavra e a põem em prática sem alardes.

6. Portanto, caríssimos, a conclusão que tiramos desta liturgia é a de que a Palavra de Deus é eficaz e sempre se realiza não obstante os obstáculos que se levantam contra ela, porém, nada disso impede a sua fecundação. Quanto à nós, somos Palavra de Deus realizada à medida que somos o campo preparado onde Ele a semea para darmos os frutos da vida eterna que ela gera. 

7. Destarte, escutemos atentamente esta exortação do Profeta Isaías: "Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la." (Is 55,10-11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Por que Deus quis sofrer e morrer como um de nós?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,16-23)(10/07/26)

1. Caríssimos, existem certos acontecimentos muito difíceis de entender se os analisamos com os limites dos nossos critérios; por exemplo, por que Deus que tem todo poder sobre o céu e a terra, quis sofrer como um de nós e quis morrer numa cruz como se não tivesse nenhum poder? Por que os justos e inocentes sofrem sem terem culpa alguma tal qual sofreu o Senhor Jesus?

2. Decerto, somente mediante os critérios da fé é possível entender os acontecimentos que não entendemos com os nossos critérios, porque "tudo é possível ao que crê" (Mc 9,23b); e é isso o que nos ensina o Senhor Jesus: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (Jo 16,12-13). 

3. Santo Inácio de Antioquia, assim exorta são Policarpo sobre as provações que sofremos: "Suporta todos os teus irmãos com paciência, como o Senhor te suporta a ti; suporta-os a todos com amor, como aliás já fazes. Ora sem descanso; suplica uma sabedoria ainda maior; vela e mantém o teu espírito alerta; fala a cada um em particular, a exemplo de Deus. 

4. Suporta as enfermidades (cf Mt 8,17) de todos como verdadeiro atleta; onde houver mais esforço, aí haverá mais ganho. Se apenas amares os bons discípulos, não terás qualquer mérito; os que tens de submeter pelo amor são principalmente os mais afetados. Não se aplica o mesmo bálsamo a todos os ferimentos; apazigua as crises agudas com compressas humedecidas. 

5. Sê em todas as coisas prudente como as serpentes e simples como as pombas. Tu, que és carne e espírito, trata com bondade aquilo que se alcança pelos sentidos, mas reza para que o mundo invisível te seja revelado. Deste modo, não te faltará coisa alguma, e serás rico com os dons do Espírito.

6. Um grande atleta triunfa a despeito dos golpes. É principalmente por Deus que temos de aceitar todas as provas, a fim de que também Ele nos aceite. Redobra o teu zelo; examina atentamente esta época. 

7. Espera naquele que está para além do tempo, que é eterno e invisível, mas Se deixou ver por nós, naquele que, sendo intangível e incapaz de sofrer, conheceu a Paixão e consentiu em todos os sofrimentos." (Santo Inácio de Antioquia (?-c. 110) bispo, mártir. Carta a Policarpo (69-155, santo, bispo e mártir).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Crer em Deus é ama-lo, é servi-lo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,32-38)(09/07/26)

1. Caríssimos, a incredulidade é um espírito maligno que fecha os homens em si mesmos não lhes permitindo crer em Deus, mas nos ídolos que os escraviza levando-os à perversão e a todo tipo de maldade. Bem como nos ensina são Paulo: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil." (2Tm 3,1) 

2. E nos alerta: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma. Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?

3. Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." (1Cor 6,12. 9-10)

4. Com efeito, são tantos os que se deixaram prender por esses vícios que este mundo está totalmente contaminado por eles, se destruindo pouco a pouco, de modo que somente uma intervenção divina o poderá libertar, o que certamente acontecerá dada a urgência desta ação libertadora como vimos no Evangelho de hoje.

5. Sem dúvida, o mal está com os seus dias contados, porque tudo neste mundo tem limite, e por isso mesmo, não é possível abusar tanto da misericórdia de Deus sem que haja uma intervenção da Sua Justiça a fim de julgar os culpados e libertar os inocentes. De fato, é nessa direção que caminha a humanidade.

6. Portanto, caríssimos, enquanto temos tempo o Senhor Jesus nos chama a oração de intercessão para que nos sejam dados operários disponíveis para o serviço da salvação das almas: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" (Mt 9,37-38).

7. Comentando este Evangelho disse são João Crisóstomo: "Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, não menos importante, de curar as almas. Repara como mostra ao mesmo tempo a facilidade e a necessidade desta obra. 

8. Efetivamente, o que foi que Ele disse? "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos": não é à sementeira que vos envio, mas à messe. Falando assim, Nosso Senhor dava-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado." (São João Crisóstomo (c. 345-407). Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n.° 32).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O silêncio interior são os ouvidos da alma que escuta o que Deus fala...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,32-38)(09/07/26)

1. Caríssimos, a incredulidade é um espírito maligno que fecha os homens em si mesmos não lhes permitindo crer em Deus, mas nos ídolos que os escraviza levando-os à perversão e a todo tipo de maldade. Bem como nos ensina são Paulo: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil." (2Tm 3,1) 

2. E nos alerta: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma. Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?

3. Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." (1Cor 6,12. 9-10)

4. Com efeito, são tantos os que se deixaram prender por esses vícios que este mundo está totalmente contaminado por eles, se destruindo pouco a pouco, de modo que somente uma intervenção divina o poderá libertar, o que certamente acontecerá dada a urgência desta ação libertadora como vimos no Evangelho de hoje.

5. Sem dúvida, o mal está com os seus dias contados, porque tudo neste mundo tem limite, e por isso mesmo, não é possível abusar tanto da misericórdia de Deus sem que haja uma intervenção da Sua Justiça a fim de julgar os culpados e libertar os inocentes. De fato, é nessa direção que caminha a humanidade.

6. Portanto, caríssimos, enquanto temos tempo o Senhor Jesus nos chama a oração de intercessão para que nos sejam dados operários disponíveis para o serviço da salvação das almas: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" (Mt 9,37-38).

7. Comentando este Evangelho disse são João Crisóstomo: "Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, não menos importante, de curar as almas. Repara como mostra ao mesmo tempo a facilidade e a necessidade desta obra. 

8. Efetivamente, o que foi que Ele disse? "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos": não é à sementeira que vos envio, mas à messe. Falando assim, Nosso Senhor dava-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado." (São João Crisóstomo (c. 345-407). Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n.° 32).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A FÉ, A HUMILDADE E A ORAÇÃO ALCANÇA TODAS AS GRAÇAS...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,18-26)(06/07/26)

1. Caríssimos, o nosso encontro com Deus é inevitável seja no tempo no qual vivemos seja na eternidade para onde estamos indo em definitivo tal qual nos ensina a Carta aos Hebreus: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo." (Hb 9,27). 

2. O fato é que todos temos esse encontro marcado, todavia, os meritos para ve-lo face a face são a fé, a obediência incondicional à sua Palavra e as boas obras que revelam o nosso amor ao próximo como a nós mesmos; pois, são essas virtudes que demonstram que somos verdadeiros discípulos de Cristo.

3. No Evangelho de hoje: "Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”. Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos." (Mt 9,18-19). 

4. De fato, a atitude de humildade e a súplica confiante de que o Senhor Jesus podia ressuscitar a sua filha, levou esse homem alcançar a graça desejada uma vez que por si mesmo se achava impotente diante da tragédia que se abatera sobre a sua família. 

5. Com isso, compreendemos que a fé acompanhada da humildade e da oração tudo alcança, porque nos leva a interação com o Senhor Jesus que em sua infinito amor nos atende de imediato, pois é Deus e tudo pode realizar em nosso favor como Ele mesmo nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê." (Mc 9,23b).

6. Com efeito, ainda dentro desse episódio vemos o caso da mulher que há doze anos sofria de uma hemorragia e que ao encontrar o Senhor Jesus que passava a caminho da casa do chefe da Sinagoga, viu neste encontro a oportunidade de sua cura e libertação do mal que a afligia, no que também foi atendida e ainda escutou do Senhor: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. (Mt 9,22a).

7. Portanto, caríssimos, o Senhor Jesus por meio desses dois episódios nos ensina os meios de vivermos em comunhão com Ele por meio da fé e das outras virtudes que recebemos no batismo e que nos leva à prepararmos para o nosso encontro definitivo com o nosso Pai celestial.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do 14° Dom do tempo comum...

 Homilia do 14° Dom do tempo comum ( Mt 11,25-30)(05/07/26)

1. Caríssimos, no Evangelho deste domingo, o Senhor Jesus louva ao Pai glorificando-o porque concede suas graças aos simples e humildes de coração. E por que isso acontece? Porque quem nada retém para si traz o temor do Senhor, isto é, o respeito, a obediência e a compaixão que são virtudes tão necessárias para se viver neste mundo segundo a Vontade de Deus, como nos ensinou o Senhor. 

2. Sem dúvida, o maior bem que recebemos de Deus é a vida, e com ela todos os valores eternos para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo, basta nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, como nos ensinou São Paulo na segunda leitura: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. 

3. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Mas, o que significa ser conduzidos pelo Espírito Santo de Deus? Significa sermos iluminados pela Luz da sua Sabedoria que nos revela Cristo vivo e conosco para realizarmos a vontade do Pai. 

5. Certa feita, disse o Senhor: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30). 

6. Com efeito, na vivência da fé nos deparamos com duas tentações que mais nos atormenta: querer controlar tudo e todos, e por meio do juízo temerário, julgar e condenar quem não se submete ao seu controle; foi por estes pecados que os escribas e fariseus assassinaram o Senhor Jesus. 

7. Então, qual a solução para sanar tais pecados? São Paulo no mostra esta solução na segunda leitura: "Deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo de Deus e não satisfareis os desejos da carne". De fato, quem não se esquece do Senhor Jesus, se mantém unido a Ele e põe em prática tudo o que nos ensina. Quem assim procede, é manso e humilde de coração, e é conduzido pelo Espírito Santo de Deus. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

sexta-feira, 3 de julho de 2026

A maior felicidade de um discípulo, vencer a incredulidade...

 Festa do martírio de São Tomé (Jo 20,24-29)(03/07/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra com grande alegria a festa do martírio do Apóstolo Tomé, aquele que deu a vida por seu "Senhor e Deus", depois de ter passado pela grande prova da incredulidade mesmo depois de ter ouvido o testemunho dos outros Apóstolos de que tinham visto o Senhor ressuscitado e experimentado a alegria da Sua Ressurreição. 

2. De fato, depois de ter participado do discipulado de Cristo, recebendo os seus ensinamentos, vivenciado os seus prodígios e milagres, ainda assim Tomé não acreditou no autêntico testemunho dos outros Apóstolos, que certamente os deixou constrangidos diante da dureza do seu coração. 

3. No entanto, como o Senhor se faz presente sempre em todas as situações de nossa vida, de imediato se lhe apresentou e o convocou à tocar em suas chagas abertas para que fosse curado da cegueira espiritual que ainda o mantinha na morte, levando-o a experimentar como os outros discípulos a alegria da Sua Ressurreição.

4. Com efeito, essa luta travada por Tomé, entre a incredulidade e a fé, é a mesma que travamos também nós em nossos dias, em que tudo o que vemos dos pecados cometidos pelos os homens é uma negação explícita dos ensinamentos do Senhor Jesus, da Sua Ressurreição, da Sua presença no meio de nós, e de tudo o que há de mais sagrado, e é por essa incredulidade que este mundo está se tornando um antro de perdição eterna.

5. E isto porquê, como está escrito na Carta aos Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram." (Hb 11,6). Pois, tudo nos fala de Deus, como nos ensina São Paulo: "Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé (Hab 2,4).

6. Portanto, caríssimos, certamente Tomé sofreu tal tentação e nela caiu por dois motivos: primeiro, por sua ausência na comunidade dos discípulos, pois, quanto mais isolados, mais facilmente caímos na tentação da incredulidade. Segundo, o Senhor está sempre conosco, mas precisamos estarmos com Ele, mesmo quando nos isolamos; pois Ele nos ama, e cura com as suas chagas abertas, a ferida das nossas dúvidas para que assim participemos da alegria da Sua Ressurreição.

7. Comentando o Evangelho de hoje, disse São Tomás de Vilanova: "Tomé soltou esta exclamação sublime: "Meu Senhor e meu Deus". Esta profissão de fé, maior do que a incredulidade passada, não poderia ter soado mais alto: é todo o conteúdo da fé que está incluído nesta breve exclamação. 

8. Maravilhosa penetração deste homem, que toca no Homem e Lhe chama Deus, que toca numa coisa e acredita na outra. Tivesse ele escrito mil livros, não teria servido tão bem a Igreja. Com que clareza, fé e simplicidade chama Deus a Cristo! Que palavra tão útil e necessária para a Igreja de Deus!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Somente Deus tem todo poder sobre o céu e a terra...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,23-27)(30/06/26)

1. Caríssimos, nós estamos acostumados ter tudo sob o nosso controle, de forma que quando algo dá errado às vezes nos desesperamos porque esse algo fugiu do nosso controle; e por isso somos tentados a buscar soluções fora do âmbito da fé, ou quem sabe dado ao desespero, querer apelar pra tudo menos para a graça de Deus. 

2. De fato, isso se constitui um grande erro, pois, fora da graça de Deus não existe solução capaz de nos tranquilizar visto que somente Ele tem todo sobre o céu e a terra, e por isso mesmo somente Nele há salvação. É isso o que nos mostra a liturgia de hoje. 

3. Sem dúvida, esse mundo está infectado pelo pecado, tornou-se um mar revolto repleto de tempestades cada vez mais violentas, no entanto, quando pela fé e a oração acordamos o Senhor Jesus que tranquilamente dorme em nossas almas, de imediato Ele nos diz como disse aos discípulos: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?” 

4. Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria." (Mt 8,26). Ou seja, Deus jamais perdeu o controle de sua criação, nós é que nos perdemos quando não o amamos sobre todas as coisas e não nos amamos uns aos outros. De fato, não obedece-lo é não ama-lo, é deixar a sua proteção para buscar fora Dele o que somente Nele encontramos. Daí percebemos porque este mundo vive numa constante tempestade sem calmaria. 

5. Portanto, caríssimos, a graça nos é dada a todo instante, pois, crer em nosso Senhor Jesus Cristo, ama-lo e segui-lo humildemente de todo coração essa é a maior graça, ou seja, sermos seus verdadeiros discípulos no barco de sua Santa Igreja, singrando com Ele o mar revolto deste mundo até chegarmos no porto seguro da salvação, o Reino dos céus.

6. Destarte, todos os dias o Senhor nos dá a oportunidade de encontra-lo em nossa oração feita no coração da nossa alma, isto é, a nossa consciência. Todos os dias nos dá vinte quatro horas, dessas horas que Ele nos dá quantas damos a Ele? 

7. Decerto, tempo é vida, quem dá tempo a Deus tem Dele todas as graças e bênçãos, e por fim a vida eterna; mas quem tira o tempo de Deus para dar a outras coisas que não são Deus, vive mergulhado na tempestade dos pecados deste mundo. Que o Senhor Jesus tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna. Amém! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Senhor Jesus, só tu tens palavras de vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,28-34) (01/07/26)

1. Caríssimos, a vida nos foi dada como dom de Deus para a glória de Deus, não vive-la assim é perder o seu verdadeiro sentido, e se perdermos dela o sentido também a perdemos igualmente. 

2. Com efeito, não podemos pensar a vida como o mundo a pensa, ou seja, aproveita a vida o mais que poderes, porque morreu acabou; é isso o pensa o mundo, porém, nós não somos do mundo.

3. Bem nos ensinou são João a esse respeito: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (Jo 2,15-17).

4. Com efeito, desde o momento em que conheceram o Senhor Jesus, os Apóstolos deixaram tudo para segui-lo, como Pedro reconheceu diante da pergunta do Senhor se eles também queriam ir embora já que muitos o fizeram dizendo que a sua Palavra era muito dura, ao que "Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,68-69).

5. Sem duvidas, a figura deste mundo passa, mesmo assim muitos o seguem pelas facilidades materiais e os prazeres hediondos que lhes oferece, todavia, por traz de cada pecado cometido em busca das vantagens e dos prazeres fáceis, está o maligno que cobra um preço altíssimo dos seus seguidores, ou seja, a vida sem paz, sem alegria verdadeira, e em consequência cheia de tormentos.

6. Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje somente o Senhor Jesus tem o poder de expulsar o maligno definitivamente; por isso, todos nós que o seguimos somos felizes, porque não buscamos fazer a nossa vontade, mas sim a Dele que nos deu o dom do Espírito Santo para nos ensinar tudo o que diz respeito à nossa salvação.

7. Destarte, continuemos firmes na prática da verdade eterna contida nas Palavras de nosso Senhor Jesus Cristo que nos dá a graça de participarmos do seu Reino, contanto que renunciemos a este mundo e a tudo o que ele nos oferece, porque não faz parte do plano de Deus para a nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Vocação à Santidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,18-22)(29/06/26)

1. Caríssimos, a vocação à qual todos somos chamados é a santidade, e o caminho mais curto para chegarmos a ela é o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, como Ele mesmo nos ensina: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14,6).

2. Todavia, para segui-lo fielmente alguns requisitos são necessários: renunciar a própria vontade, e se deixar conduzir pelo Espírito Santo como nos ensinou são Paulo: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis." (Gl 5,16-17).

3. De fato, vivemos num mundo egoísta e cheio de interesses mesquinhos em que as coisas materiais, a fama e o poder temporal vale mais do a vida humana, por isso, milhares e milhões morrem à míngua, na miséria, enquanto uns poucos vivem no luxo desenfreado esbanjando suas riquezas. 

4. A estes, porém, diz o Senhor: "Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?" (Mc 8,36-37). E acrescenta: "Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus." (Mt 19,24). Ou seja, tudo o que vemos e temos materialmente não passa de cinza que se dissolverá para sempre.

5. Portanto, caríssimos, os verdadeiros valores não são os que acumulamos neste mundo, mas sim os que depositamos no tesouro dos céus com as nossas boas obras, tal qual nos ensina o Senhor: "Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.

6. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração." (Mt 6,19-21).

7. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus pela intercessão da sua mãe Maria Santíssima, de são José e de todos os santos e santas, a graça da renúncia de nós mesmos e de todos os nossos apegos para assim prosseguirmos livremente no seu seguimento.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 28 de junho de 2026

São Pedro e São Paulo, rogai por nós...

 Solenidade de São Pedro e São Paulo (Mt 16,13-19)(28/06/26)

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1. Caríssimos, por que será que depois que o Senhor Jesus fundou a Igreja, apareceram tantos pretensos fundadores de pseudas igrejas e outros tantos continuam à funda-las? Exatamente por causa da desobediência à estas palavras de Jesus: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

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2. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,16-19). 

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3. Posto aqui parte da Homilia que o saudoso Papa Francisco fez sobre esta solenidade: "Os Santos Pedro e Paulo, que festejamos hoje, são representados nos ícones às vezes a sustentar o edifício da Igreja. Isto recorda-nos as palavras do Evangelho hodierno, em que Jesus diz a Pedro: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (Mt 16, 18).

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4. É a primeira vez que Jesus pronuncia a palavra “Igreja”, mas, mais do que no substantivo, gostaria de vos convidar a pensar no adjetivo, que é possessivo, “minha”: a minha Igreja. Jesus não fala da Igreja como de uma realidade externa, mas exprime o grande amor que nutre por ela: a minha Igreja. Está afeiçoado à Igreja, a nós.

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5. São Paulo escreve: «Cristo amou a Igreja e entregou-se por ela» (Ef 5, 25), ou seja, explica o Apóstolo, Jesus ama a Igreja como sua esposa. Para o Senhor, nós não somos um grupo de crentes nem uma organização religiosa, somos a sua esposa.

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6. Ele olha para a sua Igreja com ternura, ama-a com fidelidade absoluta, não obstante os nossos erros e traições. Como Cristo disse a Pedro naquele dia, hoje diz a todos nós: “Minha Igreja, vós sois a minha Igreja!”. E também nós o podemos repetir: minha Igreja."

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7. Oremos: "Senhor nosso Deus, pelos apóstolos São Pedro e São Paulo destes à vossa Igreja os fundamentos da fé. Concedei-nos, por sua intercessão, os auxílios para a salvação eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos." Amém! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de junho de 2026

O que é a fé inabalável?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,5-17)(27/06/26).

1. Caríssimos, por que um centurião demonstrou a grandiosidade e o poder da fé que, como disse Jesus, "nem em Israel encontrei tamanha fé"? É que a fé é um dom de Deus inato, ou seja, já nascemos com ela, todavia, precisamos cultiva-la como uma semente em terra boa, isto é, em nosso coração livre de toda maldade. 

2. De fato, sem o dom da fé a vida seria impossível, pois até mesmo os ateus precisam dela para sobreviver à sua negação de Deus. Todavia, quando se trata da fé em Cristo, essa é fruto da conversão à Cristo e por isso, dom do Espírito Santo. Pois Ele mesmo disse: "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia." (Jo 6,44).

3. Decerto, vivemos num mundo cheio das mais diversas expressões de fé, no entanto, a única capaz de nos conduzir à plenitude da verdade é a fé cristã, porque as demais são expressões dos homens em busca de uma divindade; enquanto que a fé em Cristo é dom de Deus para a salvação de toda a humanidade.

4. Bem como meditamos no Evangelho de são João: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16). E quanto a fé abraãmica? Também é dom de Deus e a base da fé cristã, pois Jesus o afirma: "Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria." (Jo 8,56).

5. Na Carta aos Hebreus meditamos: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." (Hb 11,1). Ou seja, é um dom sobrenatural, isto é, que está acima da nossa natureza, porém, é graça divina que tudo pode alcançar até o próprio Senhor da vida. À esse respeito disse São Paulo: "Tudo posso naquele que me conforta." (Fl 4,13).

6. Decerto, essa expressão nasce de uma outra clássica do mesmo Paulo: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gl 2,19). Ou seja, crê é conviver com Deus por meio do dom da fé que Ele nos deu no batismo para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo e por toda a eternidade.

7. Comentando este Evangelho disse o saudoso Papa Francisco: "Quando nos apresentamos a Jesus, não é necessário fazer longos discursos. Bastam algumas palavras, desde que sejam acompanhadas de plena confiança na sua onipotência e bondade. 

8. Sim, Jesus escuta-nos sempre! Somos nós que devemos confiar nele. Lembras-te do centurião? Jesus curou o seu servo: "Em verdade vos digo que não encontrei em Israel ninguém com tanta fé! E Jesus disse ao centurião: "Vai, faça-se como acreditaste" (cf. vv. 10-13). A fé do centurião permite a cura à distância, porque a fé, também ela, move montanhas!".

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Quais as condições para entrarmos no Reino de Deus?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,21-29)(25/06/26)

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1. Caríssimos, as palavras não são só palavras, na verdade, elas são o que somos, ou seja, o conteúdo de nossa vida que expressamos por meio dos sons que saem do nosso interior em ondas sonoras que se expandem tempo adentro rumo à eternidade. 


2. De fato, somos filhos e filhas da Verdade e somente a verdade pode sair de nossos lábios, pois, sem esse fundamento tudo ruma para o caos infinito, para o nada eterno; e para que isso não aconteça sigamos, então, esta exortação de são Paulo: 


3. "A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Cl 3,16a-17).

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4. No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mt 7,21). Então, como entender essas palavras do Senhor? 


5. De fato, ou o que falamos é o que praticamos como vontade de Deus, ou tudo não passa de um engano que só pode ser corrigido quando nos arrependemos, confessamos e somos perdoados no Sacramento da reconciliação. 

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6. Caso contrário, não entraremos no Reino de Deus, porque neste caso as nossas palavras nos puseram fora dele, como nos ensina o Senhor: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado."

(Mt 12,35-37).

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7. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente as Palavras do Senhor para po-las em prática, pois, é isto o que Ele diz: "Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha."(Mt 7,24-25).

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8. Destarte, quando "pela fé, julgamos todas as coisas como Deus as vê, as julga e as avalia, participando da infalibilidade, da imutabilidade e da estabilidade divinas," é sinal de que a nossa casa está fundada sobre a Rocha da salvação eterna que é nosso Senhor Jesus Cristo.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Na presença do Senhor Jesus, somos curados de todas as nossas anfermidades...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,1-4)(26/06/26)

1. Caríssimos, existem dois tipos de enfermidades que atingem diretamente a saúde do corpo e da alma; umas e outras são males que nos invadem quando nos descuidamos e nos deixamos atingir por eles. No entanto, essa liturgia de hoje nos revela que diante da presença do Senhor Jesus todas as enfermidades dão lugar ao seu poder que nos cura e nos liberta de todos os males.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um leproso tocando nele e pronunciando as palavras de libertação, conforme narra são Lucas: "Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar". Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra." (Lc 8,2b).

3. Com efeito, analisando a atitude orante desse leproso, o seu jeito simples ao se aproximar do Senhor Jesus, sua fé e a sua humildade ao fazer sua oração, são exemplos a serem seguidos, como nos ensinou são Pedro: 

4. "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós." (1Pd 5b.6-).

5. De fato, vivemos num mundo tão dividido e infestado de pecados, que se não fosse a pureza da fé dos que creem e seguem nosso Senhor Jesus Cristo, não existiria mais nenhuma criatura na face da terra. Decerto, do mesmo modo que Deus falou a Abraão no passado, Ele nos fala também hoje: “Eu sou o Deus Poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito”. (Gn 17,1b). 

6. Ora, a graça para vivermos na presença do Senhor não nos falta, basta pô-la em prática, como foi ensinado pelo Profeta Miquéias: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus." (Miq 6,8).

7. Portanto, caríssimos, peçamos humildemente ao Senhor Jesus que nos cure da lepra dos nossos pecados para que purificados o sirvamos em santidade e justiça todos os dias de nossa vida neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

São João Batista, rogai por nós...

 Sol. Da Natividade de São João Batista (Lc 1,57-66.80)(24/06/26).

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da natividade de São João Batista, o precursor de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, o Messias esperado e enviado para salvar não somente o povo de Israel, mas também todos os pecadores arrependidos que começam uma nova vida a partir da misericórdia recebida do Senhor que os liberta dos pecados e da maldade que o pecado gera na face da terra.

2. Sem dúvida, vivemos num mundo de incertezas e inseguranças, por conta dos pecados aqui praticados, todavia, com a vinda do Senhor Jesus anunciado pelos profetas do Antigo Testamento e por seu precursor são João Batista, Deus nos deu a segurança que precisávamos, isto é, a certeza da nossa salvação eterna mediante a redenção realizada por seu amado Filho.

3. No Evangelho de hoje a evidência dessa graça se dá por meio de Zacarias e Isabel, que já adiantados em idade não podiam ter filhos, no entanto, para Deus nada é impossível, de modo que geraram um filho tão desejado, não somente por eles, mas por toda a humanidade. Por isso, deram-lhe um nome genuinamente profético, como escreveu Zacarias: "João é o seu nome", que significa "Deus nos é favorável."

4. Na segunda leitura são Paulo assim descreve a vinda do Senhor e a missão de João Batista: "Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um Salvador, que é Jesus. Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 

5. Estando para terminar sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’." (At 13,23-26).

6. Portanto, caríssimos, decerto a insegurança ainda existe neste mundo, mas não para os que confiam em Deus, como Zacarias e Isabel, que perseveraram na fé e receberam a graça que o Senhor tinha reservado para eles que mantiveram a esperança permanecendo fiéis até o fim.

7. Oremos: "Concedei, Deus todo-poderoso, que a vossa família siga pelo caminho da salvação, e, atenta às exortações de São João Batista, chegue ao Redentor que ele anunciou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém! (Liturgia da Missa).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 23 de junho de 2026

São duas as portas para entrar na eternidade, qual delas escolhemos?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,6.12-14)(23/06/26)

1. Caríssimos, quando os homens pensam que podem tudo por si mesmos, não percebem que estão prestes a caír no mais terrível abismo de perdição, como aconteceu com o rei Senaquerib na primeira leitura que por conta da sua arrogância insultou a Deus. Bem como escreveu são Pedro: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes" (Pr 3,34). (1Pd 5,5b).

2. Com efeito, a graça da salvação é a mais preciosa pérola que o Senhor Jesus nos deu para partilharmos com quantos encontrarmos no caminho da vida; no entanto, nem todos recebem de bom grado e com entusiasmo o nosso testemunho, neste caso, é melhor não o expor a esses como nos ensina o Senhor: “Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem." (Mt 7,6).

3. Por outro lado, Ele nos também ensina: "Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas." (Mt 7,12). Ou seja, não exija dos outros a santidade, mas seja santo no trato com todos; não recue nos atos de bondade por conta da ingratidão dos que usuflui desses atos; não deixe de amar e perdoar os que lhes são antipáticos por não cultivarem tais virtudes.

4. E o Senhor continua: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram”! (Mt 7,13-14).

5. De fato, como ouvimos do Senhor, duas são as portas que levam à eternidade; a estreita que corresponde à obediência incondicional à sua Palavra. E a porta larga da perdição que são os vícios e todos os pecados praticados neste mundo por instigação do maligno.

6. Portanto, caríssimos, sejamos atentos para não nos deixarmos enganar pelos falsos valores e pseudos prazeres deste mundo, que não verdade não passam de sentimentos mometâneos e fugazes; pois, o prazer do pecado é o fel do inferno. 

7. Destarte, escutemos ainda o Senhor Jesus: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41). E, são Tiago acrescenta: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O pecado mais cometido na face da terra...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-5)(22/06/26)

1. Caríssimos, na nossa condição de pecadores redimidos pelo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, mas ainda a caminho do seu Reino, não somos isentos das tentações, pelo contrário, somos tentados exatamente porque fomos redimidos. 

2. Todavia, como nos ensina são Paulo: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13).

3. Desse modo, nos perguntemos, quais são esses meios potentíssimos que Deus dispõe a nosso favor para não cairmos em tentação? São os frutos do Espírito Santo presente em nossas almas, como ainda nos ensina são Paulo: "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra essas virtudes não existe lei." (Gl 5,22-23).

4. Todavia, para po-los em prática precisamos dar tempo a Deus, porque tempo é vida; quem dá tempo a Deus e ao que diz respeito ao seu Reino recebe Dele todas as graças e bênçãos e a vida eterna como recompensa; mas quem tira o tempo de Deus para dar à outras coisas que não são Dele, ainda que pense que não lhe está ofendendo se engana, porque além de perder tempo perde também as suas graças e bênçãos e a recompensa eterna.

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos alerta sobre um dos pecados mais cometidos na face da terra, trata-se do mau juízo temerário que se faz do próximo. Diz o Senhor: “Não julgueis, e não sereis julgados. Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. (Mt 7,1-5).

6. Portanto, caríssimos, o ato de julgar indevidamente é porta de entrada para o demônio da fofoca, da mentira, do falso testemunho, do disse me disse, da difamação e de tantos outros pecados advindos da maledicência e do falso juízo.

7. Por isso, tenhamos em canta estas palavras do Senhor Jesus para evitarmos os pecados da língua: "Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,36-37).

8. Certa feita o Papa Francisco em uma de suas audiências disse: "A fofoca é o veneno do inferno e todo fofoqueiro é porta voz do demônio." Por isso, nunca fale sem pensar nas consequências eternas das suas palavras; que elas sejam palavras de salvação para todos que as ouvem. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do XIIDom do tempo comum

Homilia do XIIDom do tempo comum (Mt 10,26-33)(21/06/26)

1. Caríssimos, a humanidade vive mergulhada num turbilhão de pecados e isso tem sido a causa de todos os males que nos assola. O Livro do Eclesiastes se referindo ao uso dos sentidos para pecar, diz: "A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir." (Ecle 1,8b). E o Salmo 4, completa: "Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade?"

(Sl 4,3).

2. Com efeito, é em meio à essa pesada atmosfera de pecados que são Paulo anuncia na segunda leitura: "A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos."(Rm 5,15).

3. Comentando o Evangelho de hoje disse o saudoso Papa Bento XVI: "Deus é infinito e no seu Reino há lugar para nós. E o homem Jesus, que é ao mesmo tempo Deus, é para nós a garantia de que o ser-homem e o ser-Deus podem existir e viver eternamente um no outro. Isto significa que Deus conhece e ama o homem inteiro, aquilo que somos. 

4. E acolhe na sua eternidade o que agora, na nossa vida, feita de sofrimento e de amor, de esperança, de alegria e de tristeza, cresce e se forma. O homem todo, toda a sua vida é assumida por Deus, e nele purificada recebe a eternidade. Penso que esta é uma verdade que nos deve encher de profunda alegria. 

5. O cristianismo não se limita a proclamar uma salvação da alma num além não especificado, no qual tudo o que nos foi precioso e querido neste mundo seria apagado, mas promete a vida eterna, "a vida do mundo que há-de vir": nada do que nos é precioso e querido se arruinará, mas encontrará a plenitude em Deus. "Todos os cabelos da nossa cabeça estão contados." 

6. O mundo final será também a realização desta terra, como afirma São Paulo: "a própria criação será libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8,21). Podemos então compreender como o cristianismo dá uma forte esperança num futuro radioso e abre o caminho para a realização desse futuro. 

7. Somos chamados, precisamente como cristãos, a construir este mundo novo, a trabalhar para que ele se torne um dia "o mundo de Deus", um mundo que ultrapassará tudo o que nós próprios possamos construir." (Bento XVI - Santa Missa na Solenidade da Assunção de Maria, 15/8/2010).

8. Portanto, caríssimos, todos nós buscamos ser bem sucedidos na vida por nós mesmos; mas, nem sempre conseguimos, todavia, basta pôr-nos disponíveis a serviço do Reino de Deus, como nos ensinou o Senhor: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo." (Mt 6,33). Para vermos realizar-se a sua Santa Vontade em prol da nossa salvação eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A confiança inabalável na providência divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,24-34)(20/06/26)

1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos conduz à fé inabalável na Providência Divina que age sempre em nosso favor mesmo quando não percebemos; e isso acontece porque a Deus pertencemos, pois, somos seus filhos e filhas e Ele cuida muito bem de cada um de nós, contanto que ponhamos Nele a nossa confiança.  

2. No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

3. Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 

4. Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros?" 

5. Ora, sem dúvida alguma é Deus quem sustenta toda a criação por sua Divina Providência; no entanto, no que diz respeito a nós, Ele nos deu a capacidade de encontra-lo e interagir como Ele a todo momento, por meio da fé, da oração e dos Sacramentos que são dons de sua benevolência que nos leva a gozar da sua intimidade paterna.

6. De fato, quando nos sentimos inseguros e cheios de medos, é porque confiamos mais em nós mesmos e não recorremos a Ele como deveríamos fazer certos de que nos escuta e nos responde à medida que lhe entregamos o que para nós muitas vezes parece até impossível. 

7. Comentando esse Evangelho disse o saudoso Papa Bento XVI: "Quem acredita em Deus, um Pai cheio de amor pelos seus filhos, coloca a busca do seu Reino, da sua vontade, em primeiro lugar. De fato, a fé na Providência, não dispensa ninguém da luta incansável por uma vida digna, mas liberta da ansiedade sobre as coisas e do medo do amanhã. 

8. Portanto, o cristão distingue-se pela confiança absoluta no Pai celestial, como o foi para Jesus. É precisamente a relação com Deus Pai que dá sentido a toda a vida de Cristo, às suas palavras, aos seus gestos de salvação, até à sua paixão, morte e ressurreição. 

9. Jesus mostrou-nos o que significa viver com os pés firmes no chão, atentos às situações concretas do próximo, e ao mesmo tempo manter sempre o coração no Céu, imerso na misericórdia de Deus." (Bento XVI - Angelus, 27/2/2011).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Qual é o nosso verdadeiro tesouro?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,19-23)(19/06/26)

1. Caríssimos, tudo o que é temporal não passa de cinza que o vento leva, bem como nos ensinou são Pedro: "Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade." (2Pd 3,10-11). 

2. Com isso, compreendemos, o que conta mesmo não são as coisas materiais, a fama ou o poder temporal, mas sim as virtudes eternas praticadas em favor de um mundo mais justo e solidário em que o amor, a justiça e a paz são os verdadeiros tesouros acumulados em nossas almas como dádivas que recebemos de Deus para serem distribuídas a todos que encontramos a caminho do Reino dos céus.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina exatamente isso: “Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6,19-21).

4. Com efeito, ao contemplarmos a vida dos santos e santas vemos que eram profundamente fecundos na prática das boas obras porque tinham como fundamento esta Palavra do Senhor Jesus: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo. 

5. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." (Mt 6,33-34). Isto significa, que tudo o que somos e temos depende do sopro de vida que respiramos, pois, como disse Santa Terezinha: "Minha vida é um brevíssimo segundo e nada mais que isso."

6. Decerto, por graça do Senhor dependamos cem por cento da sua providência divina, para tudo fazemos por amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos. Desse modo, não seremos abalados pelas ameaças do inimigo de nossas almas, como se Deus não cuidasse de cada um de nós pessoalmente. 

7. Destarte, escutemos humildemente esta exortação de são Pedro: "O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. A ele o poder na eternidade! Amém." (Pd 5,10-11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso Nome...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(18/06/26)

1. Caríssimos, não basta recebermos os dons de Deus, precisamos aprender a usá-los, pois, por mais perfeito que sejamos por nós mesmos, tomemos consciência de que nada conhecemos além do que a nossa razão pode compreender. 

2. Por esse motivo disse são Paulo: "Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele." (Fl 3,8-9).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus ensina os seus discípulos a rezar e assim os instrui: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais." Ou seja, oração não é uma multiplicidade de pedidos, é encontro com o nosso Pai que nos conhece e nos recebe como seus filhos e filhas.

4. E qual deve ser a nossa postura nesse encontro com o nosso Pai celestial? O Senhor Jesus também nos ensina: "Quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á." (Mt 6,5-6). Ou seja, oração é intimidade da alma que encontra em Deus as graças que tanto precisa.

5. Vejamos ainda o que nos ensina o Senhor Jesus no mais perfeito modelo de oração, o Pai nosso: as três primeiras invocações nos conduz, ao verdadeiro testemunho: "santificado seja o vosso nome"; à fé inabalável: "venha a nós o vosso reino", e ao amor incondicional: "seja feita a vossa vontade." Ou seja, é o apelo humilde da alma que se submete livremente ao Seu Criador. 

6. Decerto, nas outras três invocações apresentamos a nossa fragilidade frente as adversidades para obtermos a graça de vence-las: do alimento corporal: "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje." Do perdão para vencermos as nossas imperfeições: "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". E por fim, a graça para vencermos as tentações e o maligno que as sugere: "E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal."

7. Portanto, caríssimos, eis a conclusão que chegamos sobre a oração que o Senhor Jesus nos ensinou: rezar é amar, é fazer a vontade de Deus, é encontra-lo no mais íntimo de nós mesmos, é um diálogo amoroso, uma escuta atenta; para transparecermos a sua presença, como Moisés, que ao sair do seu encontro com o Senhor, transparecia o Seu brilho estampado em em sua alma e em sua face. (cf. Ex 34,29-35).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de junho de 2026

Conhecendo Cristo em todos...

 Homilia do XI Dom. Do tempo (Mt 9,36-10,8)(14/06/26)

1. Caríssimos, é belo notar neste Evangelho de hoje como o Senhor Jesus age para com seus discípulos e conosco quando trata da escolha e do envio para obra da Evangelização e da salvação da humanidade. Sem dúvida, Ele nos prepara com os dons e o poder necessários para cumprirmos a missão que nos confia, e tudo isso nós fazemos como Igreja, povo de Deus a caminho do Seu Reino.

2. A liturgia de hoje nos mostra que o povo de Deus é um povo sacerdotal, um povo que busca o Senhor para oferecer o sacrifício da própria vida (cf. Ef 5,1). O povo da Antiga Aliança oferecia sacrifícios de animais por meio dos sacerdotes escolhidos por Deus. O povo da Nova Aliança oferece em sacrifício o próprio Cristo por meio daqueles que Ele escolheu para anunciar a salvação a todos os povos, bem como vimos no Evangelho de hoje.

3. "Este povo tem por chefe Cristo; tem por condição a dignidade e liberdade dos filhos de Deus, nos corações dos quais habita o Espírito Santo; tem por lei o novo preceito de amar como o próprio Cristo nos amou; tem por fim o Reino de Deus a ser dilatado por toda terra; é para toda a humanidade um germe de unidade, de esperança, e de salvação; instrumento de redenção para todos e caminha rumo à cidade futura; é sacramento visível dessa unidade salvífica." (cf. LG 9b).

4. O novo "povo sacerdotal", a Igreja, não é uma entidade separada do mundo, fechado em si mesma. A igreja e o mundo se entrecruzam. A igreja está no mundo e aí desempenha sua missão, e o mundo não pode atingir sua plena realização se a igreja não o fermentar com o Espírito do Evangelho.

5. "Os cristãos - diz-se na carta a Diagoneto - são a alma do mundo." Ora, o sentido da Igreja está em levar o mundo a Deus, ser o caminho de acesso para o encontro com Deus. Por isso, "quando a Igreja toma consciência de si, torna-se missionária, (São Paulo VI), e dialoga com o mundo.

6. A igreja assistida pelo Espírito Santo, vigilante pelo exame de consciência do Concílio, escruta os sinais dos tempos e se esforça por interpretá-los à luz do Evangelho, para captar toda oportunidade e não deixar que a graça de Deus que nos é dada passe em vão.

7. Mas não só a Igreja, em seu conjunto, é missionária; cada cristão justificado por Cristo é chamado a colaborar, na vida presente, na construção do Reino de Deus. É sinal que deve resplandecer aos olhos de todos; enviado a "anunciar" a Palavra, é "responsável" pela Palavra. Deve levar ao ambiente em que vive e trabalha aquele calor e zelo que Cristo levou, reconhecendo Cristo em todos e em quem tem necessidade do nosso interesse, isto é, da salvação." (MR).

8. Amados irmãos e amadas irmãs, humildemente, "Invoquemos a intercessão de Maria, que é a Mulher do «sim». Maria disse «sim» durante toda a sua vida! Ela aprendeu a reconhecer a voz de Jesus, desde quando o trazia no ventre. Maria, nossa Mãe, nos ajude a reconhecer cada vez melhor a voz de Jesus e a segui-la, para caminhar pela vereda da vida." (Papa Francisco, Angelus, 21/04/13). 

9. Oremos: "Ó Deus força daqueles que esperam em Vós sede favorável ao nosso apelo e como nada podemos em nossa fraqueza dai-nos sempre o socorro da vossa graça para que possamos querer e agir conforme vossa vontade seguindo os vossos mandamentos, por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho na unidade do Espírito Santo." Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de junho de 2026

Ó Imaculado Coração de Maria, rogai por nós...

 Memória do Coração Imaculado da Virgem Maria (Lc 2,41-51)(13/06/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória do Imaculado Coração de Maria, mãe de Deus e nossa mãe. De fato, depois de gerar o Filho de Deus no seu ventre por obra e graça do Espírito Santo, o Coração Imaculado de Maria se uniu ao Sacratíssimo Coração de Jesus para sempre, pois, Ele é carne de sua carne e sangue do seu sangue, e por isso, nada e ninguém os pode separar. 

2. Ou seja, Deus se faz Carne de sua carne assumindo para sempre a natureza humana nos fazendo participantes de Sua Natureza Divina e desse modo nos tornou imortais como Ele. Com efeito, tudo isso aconteceu primeiro em Maria Santíssima, a primeira redimida pelo seu Filho Deus-minino desde a sua Encarnação no seu ventre santo. 

3. Por isso, ela é a Imaculada Conceição em vista da nossa salvação, ou seja, concebida sem pecado para conceber a Deus no seu ventre redento desde sempre, porque Deus é Deus e para Ele nada é impossível; desse modo, aprouve ao Senhor Jesus vir nos salvar revestido da nossa humilde condição a partir da sua encarnação no seio virginal de sua Mãe Santíssima. 

4. Na primeira leitura o Profeta Isaías descreve parte do hino que a Virgem mãe cantou a Deus no seu Magnificat após conceber o seu amado Filho: "Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias." (Is 61,10)

5. Portanto, caríssimos, tudo o que conhecemos das obras de Deus é para o louvor de sua glória e para a nossa salvação, e nesta memória do Imaculado Coração de Maria nós glorificamos a Deus pelas maravilhas realizadas na vida de sua pobre serva à quem deu o privilégio de ser a sua Mãe.

6. Destarte, cantemos com a Santíssima Mãe este belíssimo hino ao Deus Uno e Trino que se faz presente entre nós para sempre: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. (Lc 1,46-49).

7. Oremos: "Ó Deus, que preparastes morada digna do Espírito Santo no Coração da Virgem Maria, concedei benigno que, por sua intercessão, nos tornemos templo da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Do seu coração aberto jorraram sangue e água...

 Sol. Do Sagrado Coração de Jesus (Jo 19,31-37)(12/06/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus; com efeito, sempre que nos lembramos do coração o relacionamos com o amor, com a ternura; pois, assim como este orgão do nosso corpo é a fonte que alimenta naturalmente a nossa vida. 

2. De igual modo, o amor do Sagrado Coração de Jesus, é a Fonte que nos sacia a sede de vida eterna, como Ele mesmo disse: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)." (Jo 7,37b-38).

3. São Bernardo, monge e doutor da Igreja (séc. XII), assim se expressou em uma de suas homilias: "Onde encontrará a nossa fragilidade repouso e segurança senão nas feridas do Salvador? Perfuraram-Lhe as mãos e os pés, e, com um golpe de lança, também o lado. Por esses buracos abertos, posso provar o mel do rochedo (Sl 80, 17) e o óleo que escorre da pedra dura, vendo «como o Senhor é bom» (Sl 33,9). 

4. Ele formulava desígnios de paz (Jer 29,11) e eu não o sabia: «Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro?» (Rom 11,34). Mas o prego que O perfurou é uma chave que me abre o mistério dos seus desígnios.

5. O que nos revelam as suas chagas? Os pregos e as feridas gritam que, verdadeiramente, na pessoa de Cristo, Deus Se reconciliou com o mundo. O ferro trespassou-O, tocando-Lhe o coração, a fim de que Ele pudesse compadecer-Se das minhas fraquezas. 

6. O segredo do seu coração torna-se visível nas feridas do seu corpo, onde vemos a descoberto o grande mistério da sua bondade, a misericordiosa ternura do nosso Deus, «Sol nascente que nos visitou do Alto» (Lc 1,78). 

7. Esta ternura torna-se manifesta nas suas feridas, que mostram claramente que Tu, Senhor, és clemente e compassivo, e cheio de grande misericórdia, porque não há maior amor do que dar a própria vida (cf Jo 15,13) por um condenado à morte.

8. Todo o meu mérito reside, pois, na piedade do Senhor, e não me faltará mérito enquanto não Lhe faltar a piedade: multiplicando-se a misericórdia de Deus, numeroso será o meu mérito. E as muitas faltas que tenho a reprovar-me? «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rom 5,20).

9. Se «a bondade do Senhor se estende por todo o sempre», por mim, «cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» (Sl 102,17; Sl 88,2). É esta a minha justiça? Senhor, recordar-me-ei apenas da tua justiça: é ela a minha justiça, pois Tu tornaste-Te para mim justiça de Deus (Rom 1,17)."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A gratuidade do anúncio do Reino de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mt 10,7-13)(11/06/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, a misericórdia e o poder de Deus se manifestam na vida e nas ações daqueles que lhes são consagrados e escolhidos pelo Espírito Santo para o serviço que o Senhor lhes confia. É bem como vimos na primeira leitura de hoje. (cf. At 13,2-3).

2. Com efeito, a nossa estadia neste mundo é curta e tem como finalidade o anúncio do Reino de Deus, que se fundamenta na justiça e na paz; na justiça que consiste no julgamento deste mundo; na paz, porque pós julgamento, segue-se a renovação do mesmo, quando Cristo será tudo em todos; e porá seus inimigos por escabelo de seus pés, o último a ser destruído será a morte (cf. 1Cor 15,25-26).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus envia seus discípulos com as seguintes recomendações: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. 

4. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento." (Mt 10,7-10).

5. Decerto, para muitos essas recomendações do Senhor são de difícil alcance, mas isso acontece porque vivemos num mundo onde o cultura do ter, do poder, do prazer e do aparecer tornou-se regra geral e por isso, poucos escutam e põem em prática as Palavras do Senhor. 

6. Todavia, convém lembrar um dos ensinamentos mais práticos da fé: a felicidade eterna consiste em vivermos neste mundo como filhos e filhas de Deus, fazendo em tudo a Sua Santa Vontade (cf. Mt 7,21-27). Isto porque a obediência é caminho de santidade sem a qual não podemos ver a Deus. 

7. Portanto, caríssimos, o verdadeiro testemunho de vida consiste na gratuidade do anúncio do Reino de Deus, como ouvimos do Senhor. Isto porque a gratuidade manifesta um despreendimento interior e efetivo de tudo, pois a nossa maior honra consiste em servir ao Senhor de todo o nosso coração. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Quem ama cumpre toda lei...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(10/06/26).

1. Caríssimos, o que seria de nossa vida sem a comunhão recíproca dos bens eternos que nos vem do Senhor? Ora, é de sua presença em nossas almas que brota o amor a Ele sem medidas e o amor ao próximo como a nós mesmos. O amor é a essência da vida, quem ama se sente bem sempre, ainda que passe pelas diversas tribulações deste mundo.

2. São Paulo referindo-se às normas da lei, escreveu: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei." (Rm 13,8.10).

3. No Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus dizer: "Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." (Mt 5,17). De fato, aqui não se trata da legalização do comportamento humano, mas sim da submissão amorosa que nos leva à perfeição da caridade.

4. Refletindo sobre este Evangelho, disse o saudoso, Papa Francisco: "A fim de obter comportamentos bons e honestos não são suficientes as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria escondida, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à ação do Espírito, que nos torna capazes de viver o amor divino." (Papa Francisco, Angelus, 13/03/16).

5. Decerto, a vida eterna que nos foi concedida no batismo tem como único fundamento o amor com que amamos e somos amados; qualquer outra expressão fora do amor se torna rigidez legalista, extremismo impiedoso, que nada mais gera do que intransigência e ódio. 

6. E foi exatamente por isso que os Escribas e Fariseus mataram o Senhor Jesus, porque o acusavam de transgredir a Lei, quando na verdade, nenhum deles a cumpria. Ou seja, o sentido da lei é a fraternidade, o amor, a paz, a harmonia e a felicidade; e não a maldade com que trataram o Senhor Jesus. 

7. Portanto, caríssimos, escutemos são João a esse respeito: "Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1Jo 5,2-4). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,13-16)(09/06/26)

1. Caríssimos, existe uma linguagem que todos podem entender e conhecer a sua fonte, trata-se das virtudes eternas que traduz o que somos e para quem vivemos, ou seja, trata-se da vivência da fé em Deus pela obediência a sua Palavra que gera o bem estar e a salvação de todos, de modo que, um simples gesto de bondade comunica a graça recebida e doada a quantos dela precisam.

2. No Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus dizer: “Vós sois o sal da terra." Porém, nos advertiu: "Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens." (Mt 5,13). 

3. Decerto, a comunhão com o Senhor é autêntica e dá sabor a nossa vida à medida que fazemos a sua vontade mesmo estando em meio às tribulações deste mundo, que infelizmente vive mergulhado nas trevas do pecado.

4. E o Senhor continua: "Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. (Mt 5,14-16).

5. Portanto, caríssimos, a nossa vida tem o mais sublime sabor quando vivida por amor a Deus no seguimento do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que faz resplandecer a sua luz em nós quando o seguirmos fielmente, como Ele mesmo disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida". (Jo 8,12).

6. Destarte, tenhamos cuidado para não cairmos na tentação da autossuficiência; pois nenhuma criatura existe em si e por si mesma, por isso, a humildade nos ensina que o sabor das boas obras é quem dá sentido a nossa missão, e que a única luz que brilhe em nossa vida seja a Luz de Cristo, o verdadeiro sol da justiça que veio a este mundo para dissipar as trevas do pecado. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Quem são os bem-aventurados?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-12a)(08/06/26)

1. Caríssimos, nós humanos desde os tempos mais remotos tendemos olhar mais a aparência do que o interior, por isso, com precisão disse o Senhor ao Profeta Samuel: "O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16,7). 

2. De fato, a Sabedoria Divina criou duas belezas, uma externa e outra interna; no entanto, é a interna que revela quem somos, desse modo, quando a externa reflete a interna, significa que ela é transparência de quem realmente somos.

3. As leituras desta liturgia de hoje nos ensina que a nossa relação com Deus tem como fundamento a fé e o amor que lhe dedicamos certos de que Ele é fiel e cumpre sempre tudo o que diz; por isso, precisamos nos manter na sua presença evitando todo tipo de apego ou interesses pessoais a fim de que somente a Sua Vontade seja realizada em nossa prática de vida.

4. Com efeito, ela ainda nos ensina que os bens deste mundo existem em função do bem de todos e somente com esta finalidade, porém, quando os homens tiram deles esta função, por conta do egoísmo, interesses pessoais, ganância, cobiça pelo poder, etc. 

5. Eles se tornam instrumentos do mal que os leva a cometer os piores pecados: "Devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho, insensatez e prepotência." 

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina o caminho da perfeição do seu seguimento que são as Bem-aventuranças. Elas são uma verdadeira revolução no comportamento humano; isto porque neste mundo os homens valorizam o poder, a riqueza, a força bruta e a autossuficiência; no entanto o Senhor Jesus nos ensina a caminhar com Ele na direção oposta.

7. O Senhor declara felizes os que choram, os humildes, os pacificadores e os perseguidos. Não porque o sofrimento em si seja bom, mas porque essas pessoas estão com o coração aberto e desarmado para receber o consolo e a justiça divina. Enquanto a sociedade premia a autoconfiança agressiva, as Bem-aventuranças celebram a mansidão e a fome de justiça. Elas mostram que o "Reino dos Céus" pertence àqueles a quem o mundo frequentemente dispreza. 

8. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus para nos conceder a graça da renúncia de tudo o que nos prende a este mundo, e também nos livre das tendências e modismos que tira de nós o tempo que deveríamos dedicar a Ele e ao Reino dos céus, por meio da prática das Bem-aventuranças como meio de santificação de nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

domingo, 7 de junho de 2026

Homilia do 10°Dom do tempo comum (Mt 9,9-13)(07/06/26)

 Homilia do 10°Dom do tempo comum (Mt 9,9-13)(07/06/26)

1. Caríssimos, na liturgia de hoje meditamos sobre o processo da conversão de Mateus, Apóstolo e evangelista, que deu a sua vida em sacrifício por Cristo e pelo anúncio do Evangelho. Com efeito, o histórico da sua conversão muito nos anima, pois era tido como um pecador público por ser cobrador de impostos e colaborador dos invasores romanos. No entanto, o Senhor Jesus vai ao seu encontro e lhe diz: “Segue-me!” Ele se levantou e o seguiu.

2. Então, qual o significado que o chamado de Mateus tem para este nosso tempo? A resposta se encontra no final deste Evangelho quando ao ser questionado pelos fariseus sobre fazer refeição com pecadores, o Senhor Jesus respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. 

3. Decerto, como vimos na conversão de Mateus, a adesão a Cristo advinda do seu chamado é um vínculo sagrado que nos faz transparecer tudo o que Dele recebemos interiormente por meio da ação do Espírito Santo, que nos leva a testemunhar que Ele está vivo e caminha conosco para Reino dos Céus. 

4. De fato, atualmente são muitos os batizados que vivem na penumbra da fé, isto é, na indiferença ou seguindo a mentalidade deste mundo, por isso, se distanciam do seguimento de Cristo, e em consequência não experimentam o poder da sua ressurreição. 

5. No entanto, o Senhor continua chamando-os à conversão, pois Ele veio a este mundo com a missão de salvar a todos os que o escutam e o seguem, como o fez são Mateus. Aliás, o profeta Isaías assim nos exorta: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7) 

6. Portanto, caríssimos, como vimos neste episódio da conversão de Mateus, o chamado é pessoal, é uma iniciativa divina, o Senhor Jesus vem ao encontro de todos os pecadores não apontando o dedo nem os erros ou os pecados cometidos, mas, "procura, descobre e desperta o que é verdadeiro, puro e bom no homem. 

7. Ressuscita a melhor parte, bem convencido de que mesmo na história humana mais devastada pelo mal, permanece sempre algum espaço saudável, intacto, reservado à inocência. Ele não vai em busca de um coração "limpo" para estabelecer de imediato uma relação de amizade; em vez disso, procura um coração disposto, para ser limpo, para ser feito novo e assim estabelecer tão preciosa amizade." (Pe Ubaldo Terrinoni).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de junho de 2026

A nossa conversão é um processo contínuo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,38-44)(06/06/26)

1. Caríssimos, estamos num mundo dividido, num mundo onde transparece mais os pecados do que as virtudes; num mundo em que manda mais quem tem riqueza, influência política, poder temporal, etc. E por isso, quem não faz parte desse círculo, é excluído e desprezado; e muitas vezes tidos como desprezíveis e incômodos. 

2. De fato, pessoas tendenciosas que agem fora dos desígnios de Deus, são excludentes, isto é, exclui os que não lhes convém, os que não estão de acordo com sua vida pregressa e por isso os persegue. (cf. Sb 2).

3. Ora, esse é o retrato desta sociedade em que vivemos, tão terrível com os menos favorecidos que sente horror só em pensar neles. E o resultado desse tipo de comportamento hediondo, é o hedonismo que destrói as virtudes e faz transparecer o orgulho, a vaidade e a soberba, representado no Evangelho de hoje, por aqueles que vivendo de aparências negam a Deus por seus atos pecaminosos.

4. No Evangelho de hoje Jesus ao perceber uma viúva que ofereceu tudo o possuía para sobreviver, isto é, duas pequenas moedas, disse aos discípulos: "Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas.

5. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”. Em outras palavras,"o justo vive por sua fidelidade". (cf. Hab 2,4). Ou seja, Deus é fiel e jamais deixará faltar o necessário a quem o ama e segue fielmente os seus preceitos.

6. Com efeito, aos olhos do mundo essa atitude da pobre viúva não passa de uma aberração, mas, são Paulo, nos mostra que Deus aje sempre na nossa fragilidade, fazendo acontecer a Sua Divina Providência para muito além do que precisamos: 

7. "O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são." (1Cor 1.2-28).

8. Portanto, caríssimos, todos nós que vivemos neste mundo precisamos de conversão, ainda que muitos digam que já são convertidos e que conhecem o Senhor; na verdade a conversão é um processo contínuo, por isso, todos nós estamos nos convertendo à cada instante do nosso viver.

9. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus o verdadeiro arrependimento dos nossos pecados, para que assim repletos de Sua Divina Misericórdia sejamos conduzidos pelo Espírito Santo à vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

Os nossos limites pedem o infinito divino...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,35-37)(05/06/26).

1. Caríssimos, o Evangelho de hoje se encerra com esta frase: "E uma grande multidão o escutava com prazer." (Mc 12,37). De fato, o Senhor Jesus ensina com autoridade, sua Palavra toca no mais profundo de nossas almas e do nosso desejo de eternidade. Tudo o que Ele diz se realiza porque é a vontade de Deus Pai para a nossa salvação. 

2. O fato é que, na nossa condição de mortalidade, tudo é frágil, limitado, ainda que muitos se arroguem a pensar que são donos da própria vida, quando na verdade não passam de um sopro natural que lhe pode faltar a qualquer momento. 

3. Por isso, precisamos ouvir com humildade esta exortação de são Paulo: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. (Ef 4,29-30).

4. Sem dúvida, a vida vivida na fé nos faz permanecer em comunhão com a vontade de Deus, porque Dele dependemos cem por cento, bem como São Paulo nos ensinou na primeira leitura ao exortar seu discípulo Timóteo: "Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste." (2Tm 3,14).

5. Sigamos ainda esta outra exortação de são Paulo: "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fl 2,2b-5).

6. Portanto, caríssimos, precisamos ficar atentos para não nos deixar influenciar pela mentalidade deste mundo que usa a linguagem do "politicamente correto", quando na verdade, sabemos que esse tipo linguagem se encontra dominada pelas ideologias que geram divisões, ódio, intrigas, perseguições e todo tipo de maldade contrárias à prática da nossa fé, ao amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos.

7. Oremos: "Senhor nosso Deus, que dissipais as trevas da ignorância com a luz de Cristo, vossa Palavra, fortalecei a fé em nossos corações, para que nenhuma tentação apague a chama acesa por vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

O Senhor nos abençoe e nos guarde, nos livre de todo o mal

e nos conduza à vida eterna. Amém. Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Tão Sublime Sacramento...


 Solenidade do SS Corpo e Sangue de Cristo (Jo 6,51-58)(04/06/26)


1. Amados irmãos e irmãs, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, que sempre acontece na primeira quinta-feira depois da Solenidade da SS Trindade. Com efeito, na última Ceia, antes da sua paixão, morte e ressurreição, o Senhor Jesus instituiu este Sacramento como memorial permanente da sua presença real no meio de nós e em nós.
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2. Ora, os seres humanos creem em tantas coisas e no mais das vezes em nada contribue para o bem e a salvação de todos; e no entanto, são lentos para crer na presença real do Senhor Jesus no Santo Sacramento da Eucaristia, e fazem isso por não acreditar na Sua Palavra a respeito deste Sacramento: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente."(Jo 6,51).
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3. De fato, o Senhor é tão simples e direto que nos impressiona: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 

4. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim."
(Jo 6,54.56-57). Ora, será que é tão difícil compreender e crer nesta verdade eterna? O alimento natural nos dá a vida natural comprovadamente; assim também o Corpo e o Sangue de Cristo Eucarístico nos dá a vida eterna como Ele mesmo disse; o que mais precisamos para crer? 
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5. Decerto, quando vivemos essa dimensão da comunhão com o Senhor tudo o que fazemos para a glória do Pai, revela a Sua presença em nós formando a unidade perfeita do Seu Corpo, a Igreja; pois, como escreveu são Paulo: 

6. "O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão."(1Cor 10,16-17).
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7. Portanto, caríssimos, a vida em estado de graça consiste em receber o Senhor Jesus na Eucaristia e Nele permanecer praticando a Sua Palavra e realizando as suas obras, foi isso que nos ensinou: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,56). De fato, essa união íntima com o Senhor Jesus transforma completamente o nosso modo de viver neste mundo. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Como agem os hipócritas?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,13-17)(02/06/26)

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1. Caríssimos, "O Evangelho de hoje apresenta-nos um novo encontro direto entre Jesus e os seus opositores. O tema enfrentado é o do tributo a César: uma questão “espinhosa”, a respeito da legalidade ou não de pagar o imposto ao imperador de Roma, a quem estava submetida a Palestina na época de Jesus. 

2. As posições eram diversas. Portanto, a pergunta que lhe foi dirigida pelos fariseus: «É permitido ou não pagar o imposto a César?» constitui uma cilada para o Mestre. De fato, é próprio dos hipócritas a falsidade que usam em suas palavras e ações visando prejudicar suas vítimas. 

3. Com efeito, de acordo com a resposta que tivesse dado, seria acusado de ser a favor ou contra Roma. Mas também neste caso, Jesus responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar um ensinamento importante, elevando-se acima da polêmica e das posições opostas. 

4. Diz aos fariseus: «Mostrai-me a moeda do tributo». Eles mostram-lhe um denário e Jesus, observando a moeda, pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Os fariseus respondem: «De César». Então Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

5. Ora, ao dizer essa frase, "Jesus declara que pagar o imposto não é um gesto de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro — e é aqui que Jesus dá o “golpe de mestre” — evocando o primado de Deus, pede que se lhe dê aquilo que lhe pertence como Senhor da vida do homem e da história." (Papa Francisco).
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6. Portanto, caríssimos, nesse episódio que meditamos, vimos como se manifesta o pecado da hipocrisia, que consiste na negação consciente da verdade em vista dos perversos propósitos cultivados. De fato, todo hipócrita conhece a verdade, mas a nega por um nada; porque mesmo tendo consciência de sua hipocrisia, continua nela e ainda tenta envolver a outros com suas artimanhas.

7. Destarte, o Senhor "Jesus desarmou seus opositores mostrando que o Estado tem o seu lugar, mas o coração, a consciência e a totalidade do ser humano pertencem exclusivamente a Deus. É um chamado contundente à integridade, que ecoa até hoje sobre como equilibrar nossa presença no mundo sem negociar nossos valores mais sagrados."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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