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domingo, 14 de junho de 2026

Conhecendo Cristo em todos...

 Homilia do XI Dom. Do tempo (Mt 9,36-10,8)(14/06/26)

1. Caríssimos, é belo notar neste Evangelho de hoje como o Senhor Jesus age para com seus discípulos e conosco quando trata da escolha e do envio para obra da Evangelização e da salvação da humanidade. Sem dúvida, Ele nos prepara com os dons e o poder necessários para cumprirmos a missão que nos confia, e tudo isso nós fazemos como Igreja, povo de Deus a caminho do Seu Reino.

2. A liturgia de hoje nos mostra que o povo de Deus é um povo sacerdotal, um povo que busca o Senhor para oferecer o sacrifício da própria vida (cf. Ef 5,1). O povo da Antiga Aliança oferecia sacrifícios de animais por meio dos sacerdotes escolhidos por Deus. O povo da Nova Aliança oferece em sacrifício o próprio Cristo por meio daqueles que Ele escolheu para anunciar a salvação a todos os povos, bem como vimos no Evangelho de hoje.

3. "Este povo tem por chefe Cristo; tem por condição a dignidade e liberdade dos filhos de Deus, nos corações dos quais habita o Espírito Santo; tem por lei o novo preceito de amar como o próprio Cristo nos amou; tem por fim o Reino de Deus a ser dilatado por toda terra; é para toda a humanidade um germe de unidade, de esperança, e de salvação; instrumento de redenção para todos e caminha rumo à cidade futura; é sacramento visível dessa unidade salvífica." (cf. LG 9b).

4. O novo "povo sacerdotal", a Igreja, não é uma entidade separada do mundo, fechado em si mesma. A igreja e o mundo se entrecruzam. A igreja está no mundo e aí desempenha sua missão, e o mundo não pode atingir sua plena realização se a igreja não o fermentar com o Espírito do Evangelho.

5. "Os cristãos - diz-se na carta a Diagoneto - são a alma do mundo." Ora, o sentido da Igreja está em levar o mundo a Deus, ser o caminho de acesso para o encontro com Deus. Por isso, "quando a Igreja toma consciência de si, torna-se missionária, (São Paulo VI), e dialoga com o mundo.

6. A igreja assistida pelo Espírito Santo, vigilante pelo exame de consciência do Concílio, escruta os sinais dos tempos e se esforça por interpretá-los à luz do Evangelho, para captar toda oportunidade e não deixar que a graça de Deus que nos é dada passe em vão.

7. Mas não só a Igreja, em seu conjunto, é missionária; cada cristão justificado por Cristo é chamado a colaborar, na vida presente, na construção do Reino de Deus. É sinal que deve resplandecer aos olhos de todos; enviado a "anunciar" a Palavra, é "responsável" pela Palavra. Deve levar ao ambiente em que vive e trabalha aquele calor e zelo que Cristo levou, reconhecendo Cristo em todos e em quem tem necessidade do nosso interesse, isto é, da salvação." (MR).

8. Amados irmãos e amadas irmãs, humildemente, "Invoquemos a intercessão de Maria, que é a Mulher do «sim». Maria disse «sim» durante toda a sua vida! Ela aprendeu a reconhecer a voz de Jesus, desde quando o trazia no ventre. Maria, nossa Mãe, nos ajude a reconhecer cada vez melhor a voz de Jesus e a segui-la, para caminhar pela vereda da vida." (Papa Francisco, Angelus, 21/04/13). 

9. Oremos: "Ó Deus força daqueles que esperam em Vós sede favorável ao nosso apelo e como nada podemos em nossa fraqueza dai-nos sempre o socorro da vossa graça para que possamos querer e agir conforme vossa vontade seguindo os vossos mandamentos, por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho na unidade do Espírito Santo." Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de junho de 2026

Ó Imaculado Coração de Maria, rogai por nós...

 Memória do Coração Imaculado da Virgem Maria (Lc 2,41-51)(13/06/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória do Imaculado Coração de Maria, mãe de Deus e nossa mãe. De fato, depois de gerar o Filho de Deus no seu ventre por obra e graça do Espírito Santo, o Coração Imaculado de Maria se uniu ao Sacratíssimo Coração de Jesus para sempre, pois, Ele é carne de sua carne e sangue do seu sangue, e por isso, nada e ninguém os pode separar. 

2. Ou seja, Deus se faz Carne de sua carne assumindo para sempre a natureza humana nos fazendo participantes de Sua Natureza Divina e desse modo nos tornou imortais como Ele. Com efeito, tudo isso aconteceu primeiro em Maria Santíssima, a primeira redimida pelo seu Filho Deus-minino desde a sua Encarnação no seu ventre santo. 

3. Por isso, ela é a Imaculada Conceição em vista da nossa salvação, ou seja, concebida sem pecado para conceber a Deus no seu ventre redento desde sempre, porque Deus é Deus e para Ele nada é impossível; desse modo, aprouve ao Senhor Jesus vir nos salvar revestido da nossa humilde condição a partir da sua encarnação no seio virginal de sua Mãe Santíssima. 

4. Na primeira leitura o Profeta Isaías descreve parte do hino que a Virgem mãe cantou a Deus no seu Magnificat após conceber o seu amado Filho: "Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias." (Is 61,10)

5. Portanto, caríssimos, tudo o que conhecemos das obras de Deus é para o louvor de sua glória e para a nossa salvação, e nesta memória do Imaculado Coração de Maria nós glorificamos a Deus pelas maravilhas realizadas na vida de sua pobre serva à quem deu o privilégio de ser a sua Mãe.

6. Destarte, cantemos com a Santíssima Mãe este belíssimo hino ao Deus Uno e Trino que se faz presente entre nós para sempre: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. (Lc 1,46-49).

7. Oremos: "Ó Deus, que preparastes morada digna do Espírito Santo no Coração da Virgem Maria, concedei benigno que, por sua intercessão, nos tornemos templo da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Do seu coração aberto jorraram sangue e água...

 Sol. Do Sagrado Coração de Jesus (Jo 19,31-37)(12/06/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus; com efeito, sempre que nos lembramos do coração o relacionamos com o amor, com a ternura; pois, assim como este orgão do nosso corpo é a fonte que alimenta naturalmente a nossa vida. 

2. De igual modo, o amor do Sagrado Coração de Jesus, é a Fonte que nos sacia a sede de vida eterna, como Ele mesmo disse: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)." (Jo 7,37b-38).

3. São Bernardo, monge e doutor da Igreja (séc. XII), assim se expressou em uma de suas homilias: "Onde encontrará a nossa fragilidade repouso e segurança senão nas feridas do Salvador? Perfuraram-Lhe as mãos e os pés, e, com um golpe de lança, também o lado. Por esses buracos abertos, posso provar o mel do rochedo (Sl 80, 17) e o óleo que escorre da pedra dura, vendo «como o Senhor é bom» (Sl 33,9). 

4. Ele formulava desígnios de paz (Jer 29,11) e eu não o sabia: «Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro?» (Rom 11,34). Mas o prego que O perfurou é uma chave que me abre o mistério dos seus desígnios.

5. O que nos revelam as suas chagas? Os pregos e as feridas gritam que, verdadeiramente, na pessoa de Cristo, Deus Se reconciliou com o mundo. O ferro trespassou-O, tocando-Lhe o coração, a fim de que Ele pudesse compadecer-Se das minhas fraquezas. 

6. O segredo do seu coração torna-se visível nas feridas do seu corpo, onde vemos a descoberto o grande mistério da sua bondade, a misericordiosa ternura do nosso Deus, «Sol nascente que nos visitou do Alto» (Lc 1,78). 

7. Esta ternura torna-se manifesta nas suas feridas, que mostram claramente que Tu, Senhor, és clemente e compassivo, e cheio de grande misericórdia, porque não há maior amor do que dar a própria vida (cf Jo 15,13) por um condenado à morte.

8. Todo o meu mérito reside, pois, na piedade do Senhor, e não me faltará mérito enquanto não Lhe faltar a piedade: multiplicando-se a misericórdia de Deus, numeroso será o meu mérito. E as muitas faltas que tenho a reprovar-me? «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rom 5,20).

9. Se «a bondade do Senhor se estende por todo o sempre», por mim, «cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» (Sl 102,17; Sl 88,2). É esta a minha justiça? Senhor, recordar-me-ei apenas da tua justiça: é ela a minha justiça, pois Tu tornaste-Te para mim justiça de Deus (Rom 1,17)."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A gratuidade do anúncio do Reino de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mt 10,7-13)(11/06/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, a misericórdia e o poder de Deus se manifestam na vida e nas ações daqueles que lhes são consagrados e escolhidos pelo Espírito Santo para o serviço que o Senhor lhes confia. É bem como vimos na primeira leitura de hoje. (cf. At 13,2-3).

2. Com efeito, a nossa estadia neste mundo é curta e tem como finalidade o anúncio do Reino de Deus, que se fundamenta na justiça e na paz; na justiça que consiste no julgamento deste mundo; na paz, porque pós julgamento, segue-se a renovação do mesmo, quando Cristo será tudo em todos; e porá seus inimigos por escabelo de seus pés, o último a ser destruído será a morte (cf. 1Cor 15,25-26).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus envia seus discípulos com as seguintes recomendações: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. 

4. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento." (Mt 10,7-10).

5. Decerto, para muitos essas recomendações do Senhor são de difícil alcance, mas isso acontece porque vivemos num mundo onde o cultura do ter, do poder, do prazer e do aparecer tornou-se regra geral e por isso, poucos escutam e põem em prática as Palavras do Senhor. 

6. Todavia, convém lembrar um dos ensinamentos mais práticos da fé: a felicidade eterna consiste em vivermos neste mundo como filhos e filhas de Deus, fazendo em tudo a Sua Santa Vontade (cf. Mt 7,21-27). Isto porque a obediência é caminho de santidade sem a qual não podemos ver a Deus. 

7. Portanto, caríssimos, o verdadeiro testemunho de vida consiste na gratuidade do anúncio do Reino de Deus, como ouvimos do Senhor. Isto porque a gratuidade manifesta um despreendimento interior e efetivo de tudo, pois a nossa maior honra consiste em servir ao Senhor de todo o nosso coração. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Quem ama cumpre toda lei...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(10/06/26).

1. Caríssimos, o que seria de nossa vida sem a comunhão recíproca dos bens eternos que nos vem do Senhor? Ora, é de sua presença em nossas almas que brota o amor a Ele sem medidas e o amor ao próximo como a nós mesmos. O amor é a essência da vida, quem ama se sente bem sempre, ainda que passe pelas diversas tribulações deste mundo.

2. São Paulo referindo-se às normas da lei, escreveu: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei." (Rm 13,8.10).

3. No Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus dizer: "Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." (Mt 5,17). De fato, aqui não se trata da legalização do comportamento humano, mas sim da submissão amorosa que nos leva à perfeição da caridade.

4. Refletindo sobre este Evangelho, disse o saudoso, Papa Francisco: "A fim de obter comportamentos bons e honestos não são suficientes as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria escondida, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à ação do Espírito, que nos torna capazes de viver o amor divino." (Papa Francisco, Angelus, 13/03/16).

5. Decerto, a vida eterna que nos foi concedida no batismo tem como único fundamento o amor com que amamos e somos amados; qualquer outra expressão fora do amor se torna rigidez legalista, extremismo impiedoso, que nada mais gera do que intransigência e ódio. 

6. E foi exatamente por isso que os Escribas e Fariseus mataram o Senhor Jesus, porque o acusavam de transgredir a Lei, quando na verdade, nenhum deles a cumpria. Ou seja, o sentido da lei é a fraternidade, o amor, a paz, a harmonia e a felicidade; e não a maldade com que trataram o Senhor Jesus. 

7. Portanto, caríssimos, escutemos são João a esse respeito: "Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1Jo 5,2-4). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,13-16)(09/06/26)

1. Caríssimos, existe uma linguagem que todos podem entender e conhecer a sua fonte, trata-se das virtudes eternas que traduz o que somos e para quem vivemos, ou seja, trata-se da vivência da fé em Deus pela obediência a sua Palavra que gera o bem estar e a salvação de todos, de modo que, um simples gesto de bondade comunica a graça recebida e doada a quantos dela precisam.

2. No Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus dizer: “Vós sois o sal da terra." Porém, nos advertiu: "Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens." (Mt 5,13). 

3. Decerto, a comunhão com o Senhor é autêntica e dá sabor a nossa vida à medida que fazemos a sua vontade mesmo estando em meio às tribulações deste mundo, que infelizmente vive mergulhado nas trevas do pecado.

4. E o Senhor continua: "Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. (Mt 5,14-16).

5. Portanto, caríssimos, a nossa vida tem o mais sublime sabor quando vivida por amor a Deus no seguimento do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que faz resplandecer a sua luz em nós quando o seguirmos fielmente, como Ele mesmo disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida". (Jo 8,12).

6. Destarte, tenhamos cuidado para não cairmos na tentação da autossuficiência; pois nenhuma criatura existe em si e por si mesma, por isso, a humildade nos ensina que o sabor das boas obras é quem dá sentido a nossa missão, e que a única luz que brilhe em nossa vida seja a Luz de Cristo, o verdadeiro sol da justiça que veio a este mundo para dissipar as trevas do pecado. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Quem são os bem-aventurados?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-12a)(08/06/26)

1. Caríssimos, nós humanos desde os tempos mais remotos tendemos olhar mais a aparência do que o interior, por isso, com precisão disse o Senhor ao Profeta Samuel: "O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16,7). 

2. De fato, a Sabedoria Divina criou duas belezas, uma externa e outra interna; no entanto, é a interna que revela quem somos, desse modo, quando a externa reflete a interna, significa que ela é transparência de quem realmente somos.

3. As leituras desta liturgia de hoje nos ensina que a nossa relação com Deus tem como fundamento a fé e o amor que lhe dedicamos certos de que Ele é fiel e cumpre sempre tudo o que diz; por isso, precisamos nos manter na sua presença evitando todo tipo de apego ou interesses pessoais a fim de que somente a Sua Vontade seja realizada em nossa prática de vida.

4. Com efeito, ela ainda nos ensina que os bens deste mundo existem em função do bem de todos e somente com esta finalidade, porém, quando os homens tiram deles esta função, por conta do egoísmo, interesses pessoais, ganância, cobiça pelo poder, etc. 

5. Eles se tornam instrumentos do mal que os leva a cometer os piores pecados: "Devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho, insensatez e prepotência." 

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina o caminho da perfeição do seu seguimento que são as Bem-aventuranças. Elas são uma verdadeira revolução no comportamento humano; isto porque neste mundo os homens valorizam o poder, a riqueza, a força bruta e a autossuficiência; no entanto o Senhor Jesus nos ensina a caminhar com Ele na direção oposta.

7. O Senhor declara felizes os que choram, os humildes, os pacificadores e os perseguidos. Não porque o sofrimento em si seja bom, mas porque essas pessoas estão com o coração aberto e desarmado para receber o consolo e a justiça divina. Enquanto a sociedade premia a autoconfiança agressiva, as Bem-aventuranças celebram a mansidão e a fome de justiça. Elas mostram que o "Reino dos Céus" pertence àqueles a quem o mundo frequentemente dispreza. 

8. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus para nos conceder a graça da renúncia de tudo o que nos prende a este mundo, e também nos livre das tendências e modismos que tira de nós o tempo que deveríamos dedicar a Ele e ao Reino dos céus, por meio da prática das Bem-aventuranças como meio de santificação de nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

domingo, 7 de junho de 2026

Homilia do 10°Dom do tempo comum (Mt 9,9-13)(07/06/26)

 Homilia do 10°Dom do tempo comum (Mt 9,9-13)(07/06/26)

1. Caríssimos, na liturgia de hoje meditamos sobre o processo da conversão de Mateus, Apóstolo e evangelista, que deu a sua vida em sacrifício por Cristo e pelo anúncio do Evangelho. Com efeito, o histórico da sua conversão muito nos anima, pois era tido como um pecador público por ser cobrador de impostos e colaborador dos invasores romanos. No entanto, o Senhor Jesus vai ao seu encontro e lhe diz: “Segue-me!” Ele se levantou e o seguiu.

2. Então, qual o significado que o chamado de Mateus tem para este nosso tempo? A resposta se encontra no final deste Evangelho quando ao ser questionado pelos fariseus sobre fazer refeição com pecadores, o Senhor Jesus respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. 

3. Decerto, como vimos na conversão de Mateus, a adesão a Cristo advinda do seu chamado é um vínculo sagrado que nos faz transparecer tudo o que Dele recebemos interiormente por meio da ação do Espírito Santo, que nos leva a testemunhar que Ele está vivo e caminha conosco para Reino dos Céus. 

4. De fato, atualmente são muitos os batizados que vivem na penumbra da fé, isto é, na indiferença ou seguindo a mentalidade deste mundo, por isso, se distanciam do seguimento de Cristo, e em consequência não experimentam o poder da sua ressurreição. 

5. No entanto, o Senhor continua chamando-os à conversão, pois Ele veio a este mundo com a missão de salvar a todos os que o escutam e o seguem, como o fez são Mateus. Aliás, o profeta Isaías assim nos exorta: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7) 

6. Portanto, caríssimos, como vimos neste episódio da conversão de Mateus, o chamado é pessoal, é uma iniciativa divina, o Senhor Jesus vem ao encontro de todos os pecadores não apontando o dedo nem os erros ou os pecados cometidos, mas, "procura, descobre e desperta o que é verdadeiro, puro e bom no homem. 

7. Ressuscita a melhor parte, bem convencido de que mesmo na história humana mais devastada pelo mal, permanece sempre algum espaço saudável, intacto, reservado à inocência. Ele não vai em busca de um coração "limpo" para estabelecer de imediato uma relação de amizade; em vez disso, procura um coração disposto, para ser limpo, para ser feito novo e assim estabelecer tão preciosa amizade." (Pe Ubaldo Terrinoni).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de junho de 2026

A nossa conversão é um processo contínuo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,38-44)(06/06/26)

1. Caríssimos, estamos num mundo dividido, num mundo onde transparece mais os pecados do que as virtudes; num mundo em que manda mais quem tem riqueza, influência política, poder temporal, etc. E por isso, quem não faz parte desse círculo, é excluído e desprezado; e muitas vezes tidos como desprezíveis e incômodos. 

2. De fato, pessoas tendenciosas que agem fora dos desígnios de Deus, são excludentes, isto é, exclui os que não lhes convém, os que não estão de acordo com sua vida pregressa e por isso os persegue. (cf. Sb 2).

3. Ora, esse é o retrato desta sociedade em que vivemos, tão terrível com os menos favorecidos que sente horror só em pensar neles. E o resultado desse tipo de comportamento hediondo, é o hedonismo que destrói as virtudes e faz transparecer o orgulho, a vaidade e a soberba, representado no Evangelho de hoje, por aqueles que vivendo de aparências negam a Deus por seus atos pecaminosos.

4. No Evangelho de hoje Jesus ao perceber uma viúva que ofereceu tudo o possuía para sobreviver, isto é, duas pequenas moedas, disse aos discípulos: "Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas.

5. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”. Em outras palavras,"o justo vive por sua fidelidade". (cf. Hab 2,4). Ou seja, Deus é fiel e jamais deixará faltar o necessário a quem o ama e segue fielmente os seus preceitos.

6. Com efeito, aos olhos do mundo essa atitude da pobre viúva não passa de uma aberração, mas, são Paulo, nos mostra que Deus aje sempre na nossa fragilidade, fazendo acontecer a Sua Divina Providência para muito além do que precisamos: 

7. "O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são." (1Cor 1.2-28).

8. Portanto, caríssimos, todos nós que vivemos neste mundo precisamos de conversão, ainda que muitos digam que já são convertidos e que conhecem o Senhor; na verdade a conversão é um processo contínuo, por isso, todos nós estamos nos convertendo à cada instante do nosso viver.

9. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus o verdadeiro arrependimento dos nossos pecados, para que assim repletos de Sua Divina Misericórdia sejamos conduzidos pelo Espírito Santo à vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

Os nossos limites pedem o infinito divino...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,35-37)(05/06/26).

1. Caríssimos, o Evangelho de hoje se encerra com esta frase: "E uma grande multidão o escutava com prazer." (Mc 12,37). De fato, o Senhor Jesus ensina com autoridade, sua Palavra toca no mais profundo de nossas almas e do nosso desejo de eternidade. Tudo o que Ele diz se realiza porque é a vontade de Deus Pai para a nossa salvação. 

2. O fato é que, na nossa condição de mortalidade, tudo é frágil, limitado, ainda que muitos se arroguem a pensar que são donos da própria vida, quando na verdade não passam de um sopro natural que lhe pode faltar a qualquer momento. 

3. Por isso, precisamos ouvir com humildade esta exortação de são Paulo: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. (Ef 4,29-30).

4. Sem dúvida, a vida vivida na fé nos faz permanecer em comunhão com a vontade de Deus, porque Dele dependemos cem por cento, bem como São Paulo nos ensinou na primeira leitura ao exortar seu discípulo Timóteo: "Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste." (2Tm 3,14).

5. Sigamos ainda esta outra exortação de são Paulo: "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fl 2,2b-5).

6. Portanto, caríssimos, precisamos ficar atentos para não nos deixar influenciar pela mentalidade deste mundo que usa a linguagem do "politicamente correto", quando na verdade, sabemos que esse tipo linguagem se encontra dominada pelas ideologias que geram divisões, ódio, intrigas, perseguições e todo tipo de maldade contrárias à prática da nossa fé, ao amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos.

7. Oremos: "Senhor nosso Deus, que dissipais as trevas da ignorância com a luz de Cristo, vossa Palavra, fortalecei a fé em nossos corações, para que nenhuma tentação apague a chama acesa por vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

O Senhor nos abençoe e nos guarde, nos livre de todo o mal

e nos conduza à vida eterna. Amém. Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Tão Sublime Sacramento...


 Solenidade do SS Corpo e Sangue de Cristo (Jo 6,51-58)(04/06/26)


1. Amados irmãos e irmãs, a Igreja hoje celebra a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, que sempre acontece na primeira quinta-feira depois da Solenidade da SS Trindade. Com efeito, na última Ceia, antes da sua paixão, morte e ressurreição, o Senhor Jesus instituiu este Sacramento como memorial permanente da sua presença real no meio de nós e em nós.
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2. Ora, os seres humanos creem em tantas coisas e no mais das vezes em nada contribue para o bem e a salvação de todos; e no entanto, são lentos para crer na presença real do Senhor Jesus no Santo Sacramento da Eucaristia, e fazem isso por não acreditar na Sua Palavra a respeito deste Sacramento: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente."(Jo 6,51).
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3. De fato, o Senhor é tão simples e direto que nos impressiona: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 

4. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim."
(Jo 6,54.56-57). Ora, será que é tão difícil compreender e crer nesta verdade eterna? O alimento natural nos dá a vida natural comprovadamente; assim também o Corpo e o Sangue de Cristo Eucarístico nos dá a vida eterna como Ele mesmo disse; o que mais precisamos para crer? 
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5. Decerto, quando vivemos essa dimensão da comunhão com o Senhor tudo o que fazemos para a glória do Pai, revela a Sua presença em nós formando a unidade perfeita do Seu Corpo, a Igreja; pois, como escreveu são Paulo: 

6. "O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão."(1Cor 10,16-17).
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7. Portanto, caríssimos, a vida em estado de graça consiste em receber o Senhor Jesus na Eucaristia e Nele permanecer praticando a Sua Palavra e realizando as suas obras, foi isso que nos ensinou: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,56). De fato, essa união íntima com o Senhor Jesus transforma completamente o nosso modo de viver neste mundo. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Como agem os hipócritas?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,13-17)(02/06/26)

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1. Caríssimos, "O Evangelho de hoje apresenta-nos um novo encontro direto entre Jesus e os seus opositores. O tema enfrentado é o do tributo a César: uma questão “espinhosa”, a respeito da legalidade ou não de pagar o imposto ao imperador de Roma, a quem estava submetida a Palestina na época de Jesus. 

2. As posições eram diversas. Portanto, a pergunta que lhe foi dirigida pelos fariseus: «É permitido ou não pagar o imposto a César?» constitui uma cilada para o Mestre. De fato, é próprio dos hipócritas a falsidade que usam em suas palavras e ações visando prejudicar suas vítimas. 

3. Com efeito, de acordo com a resposta que tivesse dado, seria acusado de ser a favor ou contra Roma. Mas também neste caso, Jesus responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar um ensinamento importante, elevando-se acima da polêmica e das posições opostas. 

4. Diz aos fariseus: «Mostrai-me a moeda do tributo». Eles mostram-lhe um denário e Jesus, observando a moeda, pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Os fariseus respondem: «De César». Então Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

5. Ora, ao dizer essa frase, "Jesus declara que pagar o imposto não é um gesto de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro — e é aqui que Jesus dá o “golpe de mestre” — evocando o primado de Deus, pede que se lhe dê aquilo que lhe pertence como Senhor da vida do homem e da história." (Papa Francisco).
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6. Portanto, caríssimos, nesse episódio que meditamos, vimos como se manifesta o pecado da hipocrisia, que consiste na negação consciente da verdade em vista dos perversos propósitos cultivados. De fato, todo hipócrita conhece a verdade, mas a nega por um nada; porque mesmo tendo consciência de sua hipocrisia, continua nela e ainda tenta envolver a outros com suas artimanhas.

7. Destarte, o Senhor "Jesus desarmou seus opositores mostrando que o Estado tem o seu lugar, mas o coração, a consciência e a totalidade do ser humano pertencem exclusivamente a Deus. É um chamado contundente à integridade, que ecoa até hoje sobre como equilibrar nossa presença no mundo sem negociar nossos valores mais sagrados."
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

As tribulações e provações deste mundo nos levam à proteção divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 12,1-12)(01/06/26)

1. Caríssimos, certa feita disse o Senhor Jesus: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." ( Jo 16,33). De fato, vivemos em meio a um mundo onde, ao que parece, reina a discórdia, as falcatruas, os engodos, os enganos, a violência e todos os pecados que levam os homens a perderem a paz e por vezes a própria vida. 

2. Se olharmos os pecados praticados e a maldade que não para de crescer, por conta desses pecados, facilmente nos desinganamos. Todavia, se contrapondo a tudo isto, São Pedro, nos exorta a um viver repleto de confiança na misericórdia divina: "Caríssimos, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente, porque conheceis Deus e Jesus, nosso Senhor. 

3. O seu divino poder nos deu tudo o que contribui para a vida e para a piedade, mediante o conhecimento daquele que, pela sua própria glória e virtude, nos chamou. Por meio de tudo isso nos foram dadas as preciosas promessas, as maiores que há, a fim de que vos tornásseis participantes da natureza divina, depois de libertos da corrupção, da concupiscência no mundo." (2Pd 1,2-7).

4. O Salmo 90 também nos faz compreender que em meio à fragilidade deste mundo e os ataques do maligno, que se multiplicam por meio dos pecados dos homens; o Senhor, que nos ama com amor eterno, nos dá a sua proteção contra tais insídias, para que assim as vençamos. 

5. Escutemos, então, o salmista: "Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois meu Deus, no qual confio inteiramente”. Ao que o Senhor responde: “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo e protegê-lo, pois meu nome ele conhece. Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo, a seu lado eu estarei em suas dores."

6. De fato, todo aquele que procura viver retamente neste mundo, passa pelas mais diversas provações por ser trigo em meio ao joio; por remar contra a maré dos pecados que tenta lhe afogar. Todavia, por que isso acontece? O Senhor mesmo nos responde: "Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. 

7. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa. Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15,18-21).

8. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus que nos ajude a vivermos a fé perseverante como Ele nos ensina por seu testemunho de vida, por suas palavras e promessas; desse modo, ninguém tira de nós os frutos da sua graça para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 31 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trinidade...

 SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (Jo 3,16-18)(31/05/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da Santíssimo Trindade, ou seja, celebra o Amor Infinito de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo; Deus Uno na Trindade e Trino na Unidade. Pois, foi nessa Perfeita Comunhão de amor que Deus nos criou à sua imagem e semelhança por Seu Filho na graça do Espírito Santo.

2. E quando nos desligamos Dele pelo pecado; veio em nosso socorro por Sua Infinita Misericórdia, nos enviando o Seu Filho amado, para morrer conosco e por nós, e nos fazer ressuscitar com Ele para a vida eterna, porque esse é o único desígnio de Deus, Uno e Trino, pois não teria nenhum sentido toda essa obra maravilhosa da criação ser destruída ou se acabar com a morte dos seus filhos e filhas.

3. Por isso, não podemos pensar em Deus sem ama-lo, sem te-lo em nossas almas, pois, é exatamente isso que nos revela os Atos dos Apóstolos: "Porque é em Deus que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28). De fato, isto se constitue o grande mistério da vida divina que recebemos no batismo e nos outros sacramentos.

4. Aliás, contemplando a criação, vemos que cada criatura carrega em si um mistério que só será desvendado na eternidade, pois somente nela tudo será conhecido totalmente e amado por todos igualmente, uma vez que tal conhecimento só é possível pela ação da Sabedoria do Espírito Santo, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou. (cf. 1Cor 2,12).

5. Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje, é a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Palavra Eterna do Pai, que nos leva a obter todas as graças e por elas vencermos o mal presente neste mundo por causa dos pecados aqui praticados. De fato, "foi Cristo que sofreu a cruz assim como a morte, e que ressuscitou no Espírito, foi elevado em glória e traçou uma nova via para os Céus para todos os que creem nele com uma fé viva, sem vacilações."

6. Destarte, para vivermos a profundidade do Mistério da Santíssima Trinidade, são João neste Evangelho nos dá a chave para isso: "Deus tanto amou o mundo...". O amor do Pai não é passivo; é um amor que dá e envia. Ele entrega o que tem de mais precioso — seu Filho — não por merecimento do mundo, mas por pura graça.

7. O Filho, é o Dom Visível e a Face da Misericórdia do Pai. Ele é o presente do Pai para a humanidade. Ele é a ponte visível entre a humanidade e a eternidade. Crer no Filho é abrir a porta do nosso coração para receber o amor que o Pai enviou. 

8. O Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho; quando nós cremos, é o Espírito Santo em nós que nos permite acolher o Filho e chamar Deus de Pai. Ele é a "Vida Eterna" já pulsando em nossas almas desde que o recebemos no batismo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 30 de maio de 2026

Quem não ama a Verdade jamais terá um futuro feliz...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mc 11,27-33)(30/05/26)

1. Caríssimos, a lógica do pecado afasta os homens de Deus. Porque pensar segundo a carne e não segundo o Espírito é bater de frente com o Senhor. A lógica do pecado nunca admite a verdade, porque quem a usa não busca a vontade de Deus, mas somente a satisfação dos próprios instintos e de seus interesses mesquinhos. 

2. São Paulo na sua carta aos Romanos nos mostra a verdadeira face dessa lógica mesquinha: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz." (Rm 8,5-6).

3. De fato, a alma que vive cheia de si mesma não tem paz, porque não tem mais nela o espaço sagrado que era de Deus. Na verdade, quem se comporta assim vive somente de aparências tentando manter o "status quo", isto é, o estado de alma que lhe apraz, e não o estado de graça de que tanto necessita. É triste a condição dos Escribas, dos Fariseus e dos mestres da lei, pois conhecem a verdade, mas por falta de lealdade e o simples fato de não a amar, dão continuidade à farsa em que vivem mergulhados.

4. Com efeito, todos nós estamos à caminho da eternidade, mas na verdade já a trazemos em nossas almas, porque a alma é eterna. O fato é que estamos definindo aqui o nosso devir eterno, o que seremos eternamente, por isso tomemos muito cuidado, porque na condição que morremos, é nela que viveremos para sempre.

5. Todavia, para vivermos em estado de graça, o Senhor Jesus nos deu o Seu Santo Espírito com todos as virtudes eternas, para que façamos em tudo a vontade do Pai como ele mesmo a fez. Fora dessa relação filial com Deus, os homens vivem como se Deus não existisse e como se tudo terminasse com a morte natural.

6. Decerto, quando o Senhor Jesus nos pergunta algo, é porque precisamos superar os obstáculos que nos impedem de encontrá-lo e permanecer Nele. No entanto, precisamos nos converter, porque somente mediante a nossa conversão contínua, seremos coerentes e viveremos plenamente tudo o que ele nos ensina. 

7. Os mestres da lei e os fariseus queriam que o Senhor Jesus se submetesse aos seus critérios, para crerem nele, por isso o rejeitaram. Mas Deus não cabe nos critérios humanos; pelo contrário, nós é que precisamos obedecê-lo, pois somos obras de suas mãos. A obediência é um dom divino que nos foi dado, para por ela vivermos segundo os seus critérios, pois estes nos levam à santidade com a qual o veremos face a face.

8. Portanto, caríssimos, quem vive negando ou questionando Deus, faz isso porque não vive segundo o seu amor e a sua bondade, de modo que se contradizem sempre, porque faz da autossuficiência o trampolim da própria perdição. Pelo contrário, os mansos e humildes de coração se deixam conduzir pelo Espírito Santo, por isso não julgam nem condenam ninguém, mas são exemplos de amor, de bondade e obediência para todos que os encontram neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A pureza da alma na prática da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 11,11-26)(29/05/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje trata da pureza da alma e de que modo devemos praticar a fé, porque por ser um dom de Deus, requer de nossa parte a correspondência necessária para que possamos dar frutos abundantes em vista do bem comum. Por isso, peçamos ao Senhor Jesus a graça de vivermos esse dom do Espírito Santo correspondendo à sua santa vontade em todo o nosso modo de ser e estar no mundo.

2. De fato, a fé nasce do amor de Deus por nós, pois, mesmo sem merecermos, Ele enviou o Seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para morrer por nós e nos salvar do pecado e da morte; e tudo o que nos pede é que confiemos Nele e sigamos o que nos ensina, para que se cumpre na íntegra. 

3. Decerto, a fé está sempre unida a esperança e a caridade, por isso, a oração feita com fé é um depositar-se em Deus para que se realize a sua vontade, porque quem reza assim, confia, espera e o ama, na certeza de que Ele é fiel e atende as nossas preces para muito além do que lhe pedimos.

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa do Templo os mercadores, e depois usa o exemplo de uma figueira frondosa, porém estéril, como imagem do seu povo que se afastara da prática da pureza da fé por fazer da casa de Deus um covil de ladrões, isto é, uma casa de comércio, representado pelos comerciantes de animais para os sacrifícios e pelos cambistas.

5. Portanto, caríssimos, tomemos cuidado para não sermos como uma figueira estéril, por fora frondosa, cheia de folhas verdejantes, mas, sem fruto algum em seus ramos. Em outras palavras, "a fé sem as obras é morta", como afirma são Tiago, desse modo compreendemos que os frutos da prática da fé nascem da vida de oração, da vivência dos Sacramentos, do engajamento nas pastorais e movimentos da Igreja e da prática das boas obras.

6. Oremos: Senhor Jesus, ajuda-nos com a seiva do teu amor a produzir frutos da salvação que nos destes por teu sacrifício de cruz; ajuda-nos a seguir os teus passos com fidelidade inabalável, com fé incomparável e amor incondicional, como fez nosso Senhora em toda a sua trajetória neste mundo. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Diante da Onipotência Divina, quem ousa manifestar-se?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,32-45)(27/05/26). 

1. Caríssimos, quem conheceu ou conhece os desígnios do Senhor ou foi seu conselheiro? Quem ousa acusá-lo de qualquer falta? Quem por acaso pode contestá-lo diante de suas obras? Por acaso, haverá alguém Onipotente, Oniciente, Onipresente fora Dele?

2. Então, que se calem todas as criaturas, que ouçam todos os ouvidos, pois eis o que diz o Senhor: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7).

3. São Pedro na primeira leitura assim escreveu a esse respeito: "Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente.

4. Com efeito, “toda a carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. (1Pd 1,22-25). Ou seja, quem não tem a Palavra de Deus como sua regra de vida eterna, não pode dizer-se discípulo de Cristo, pois ele foi enviado para nos ensinar a perfeita obediência à vontade do Pai.

5. Amados irmãos e irmãs, tenhamos cuidado de não nos afastarmos dos ensinamentos do Senhor, como por breve momento aconteceu no Evangelho de hoje, pois enquanto o Senhor falava dos acontecimentos da sua Paixão, morte e ressurreição; Tiago e João, os filhos de Zabedeu, pediam privilégios pessoais, ou seja, a favor de si mesmos. 

6. Todavia, o Senhor não se ofendeu por isso, mas os alertou para o batismo de sangue que Ele haveria de receber. Desse modo, Ele nos mostrou que a nossa oração só é eficaz quando realmente expressa a vontade de Deus que consiste na renúncia da própria vontade.

7. Aliás, São Paulo, assimilou muito bem isso, e nos deixou por escrito para que também nós seguíssemos o exemplo de Cristo: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fil 2,3-5).

8. Por fim, escutemos o que o Senhor disse aos discípulos indignados com o pedido interesseiro de Tiago e João: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.” (Mc 10,42-45).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

O Evangelho de hoje nos ensina o quanto precisamos da misericórdia divina...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,46-52)(28/05/26)

1. Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da cura do cego de Jericó que muito tem a nos ensinar. O evangelista Marcos narra que a única riqueza que o cego possuía era a fé em Jesus, a oração de arrependimento, súplica e a perseverança, não obstante aqueles que queriam impedi-lo de aproximar-se de Jesus, no entanto, ele só parou sua oração quando foi atendido.

2. Fazendo uma comparação entre a cegueira do cego Bartimeu e a nossa, escreveu são Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja: "Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego, grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem piedade de mim!» Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Muitos repreendiam-no para que se calasse». 

3. Quem são estes? Eles representam os desejos da nossa condição neste mundo, são os vícios do homem e os seus tumultos, fatores de confusão que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que reza.

4. O que fez este cego para receber a luz, mau grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: "Filho de David, tem piedade de mim"». Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir, até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. 

5. Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: quando nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo e o reencaminhar para Deus, há muitas coisas importunas que pesam sobre nós e que temos de combater; é um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. 

6. Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no nosso espírito Jesus que passa. Daí que o evangelho diga: «Jesus parou e disse: "Chamai-o"». De fato, o sentido da oração é encontrar o Senhor no coração de nossas almas, isto é, em nossa consciência e deixar que Ele nos fale curando a nossa cegueira e as nossas feridas.

7. Portanto, caríssimos, a oração e a persistência do cego Bartimeu, "é útil e necessário em todas as circunstâncias. Porque desejar ser ajudado sempre e em todas as coisas é afirmar claramente que se tem necessidade do auxílio divino, tanto quando as coisas são favoráveis e sorriem, como nas provas e nas tristezas: só Deus nos afasta da adversidade, só Ele faz durar a nossa alegria; num e noutro caso, a fragilidade humana não se sustém sem o auxílio divino." (São João Cassiano - Sobre a oração, cap. X; SC 54).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Diante da Onipotência Divina, quem ousa se pronunciar?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,32-45)(27/05/26). 

1. Caríssimos, quem conheceu ou conhece os desígnios do Senhor ou foi seu conselheiro? Quem ousa acusá-lo de qualquer falta? Quem por acaso pode contestá-lo diante de suas obras? Por acaso, haverá alguém Onipotente, Oniciente, Onipresente fora Dele?

2. Então, que se calem todas as criaturas, que ouçam todos os ouvidos, pois eis o que diz o Senhor: "Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente." (Is 55,6-7).

3. São Pedro na primeira leitura assim escreveu a esse respeito: "Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente.

4. Com efeito, “toda a carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. (1Pd 1,22-25). Ou seja, quem não tem a Palavra de Deus como sua regra de vida eterna, não pode dizer-se discípulo de Cristo, pois ele foi enviado para nos ensinar a perfeita obediência à vontade do Pai.

5. Amados irmãos e irmãs, tenhamos cuidado de não nos afastarmos dos ensinamentos do Senhor, como por breve momento aconteceu no Evangelho de hoje, pois enquanto o Senhor falava dos acontecimentos da sua Paixão, morte e ressurreição; Tiago e João, os filhos de Zabedeu, pediam privilégios pessoais, ou seja, a favor de si mesmos. 

6. Todavia, o Senhor não se ofendeu por isso, mas os alertou para o batismo de sangue que Ele haveria de receber. Desse modo, Ele nos mostrou que a nossa oração só é eficaz quando realmente expressa a vontade de Deus que consiste na renúncia da própria vontade.

7. Aliás, São Paulo, assimilou muito bem isso, e nos deixou por escrito para que também nós seguíssemos o exemplo de Cristo: "Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fil 2,3-5).

8. Por fim, escutemos o que o Senhor disse aos discípulos indignados com o pedido interesseiro de Tiago e João: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.” (Mc 10,42-45).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Só percebe que Deus padece conosco, quem Nele crê...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,28-31)(26/05/26)

1. Caríssimos, olhando este mundo repleto de tentações, pecados, guerras, violência, sofrimentos e tanta maldade, se confiarmos em nós mesmos, nos sentimos inseguros, angustiados, preocupados, cheios de medos, e até sofremos a tentação de pensar que Deus abandonou este mundo deixando-o à mercê do mal. 

2. No entanto, ao meditarmos nos sofrimentos do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, entendemos que Deus padece conosco as nossas dores para nos libertar da morte e do maligno. Só precisamos nos manter em estado de graça, isto é, realizando a sua santa vontade que consiste na obediência aos seus mandamentos e sacramentos. 

3. São Paulo na sua Carta aos Romanos escreveu: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (Rm 8,18-21).

4. De fato, a nossa felicidade tem nome e se chama Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, que por seu sacrifício de cruz nos libertou para sempre do pecado, da morte e do poder do inferno. De modo que, quem vive em permanente comunhão com o Senhor experimenta a sua amizade, o seu amor pela prática da sua Palavra, como Ele nos ensinou: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós." (Jo 15,14.17-18).

5. Na primeira leitura ouvimos esta exortação de são Pedro: "Por isso, preparai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.

6. No Evangelho de hoje o Apóstolo Pedro sentindo-se inseguro quanto ao futuro se dirigiu ao Senhor com estas palavras: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna."

7. Portanto, caríssimos, a pergunta que nos pomos é esta: e nós o que deixamos para seguir o Senhor Jesus? Se a nossa resposta for, deixamos tudo; fiquemos certos de que a mesma resposta que o Senhor deu a Pedro, também dá a cada um de nós, pois é a garantia da nossa salvação. 

8. Destarte, recitemos com o coração transbordante de confiança estas palavras de santa Tereza D'Avila, pois, são conforto e segurança para as nossas almas:

"Nada te perturbe,

nada te amedronte

tudo passa

a paciência tudo alcança...

A quem tem Deus

nada falta

só Deus basta."


Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-34)(25/05/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja. Esse título foi oficialmente dado à Virgem Mãe durante o Concílio Vaticano II pelo Papa são Paulo VI. Maria é vista como mãe da Igreja e de todos os seus membros, ou seja, todos os cristãos, pois os cristãos na Bíblia são células do corpo de Cristo, a Igreja, como nos ensina são Paulo (cf. Cl 1,18). 

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus no último instante da sua vida neste mundo confia seu discípulo amado, que aos pés da cruz representa toda a humanidade, aos cuidados maternos da sua mãe, Maria Santíssima, e assim nos mostrou o quanto nos ama, e como devemos recebe-la em nossas almas como João a recebeu em sua casa.

3. Ora, as Sagradas Escrituras nos revelam o propósito de Deus ao criar todas as coisas e ao nos criar "a sua imagem e semelhança", para vivermos como seus filhos e filhas governando a obra da criação em perfeita harmonia e comunhão com a sua Santa Vontade, e assim sermos felizes em todos os sentidos da nossa vida. 

4. Com efeito, pelo pecado da desobediência, Adão e Eva, nossos primeiros, não corresponderam a esse santo propósito de Deus, prefirindo seguir o plano enganoso da serpente. No entanto, porque nos ama eternamente, Deus nos enviou o Seu Filho, nascido da Santíssima Virgem Maria, para nos salvar, mantendo desse modo o seu santo propósito.

5. Portanto, caríssimos, como vimos depois da anunciação do anjo, Maria Santíssima concebeu no seu ventre o Filho amado de Deus por obra e graça do Espírito Santo, e por essa mesma graça recebeu como missão a maternidade da nova criação gerada no seio da Santa Igreja por meio do santo batismo. Ou seja, Maria Santíssima é Mãe de Cristo e de todos os cristãos, como Eva é a mãe de todos os viventes.

6. Destarte, a Virgem Mãe de Jesus aos pés da cruz está unida ao seu Filho totalmente e se oferece com Ele, que é carne da sua carne e sangue do sangue, acolhendo a sua missão de ser mãe da Igreja e de todos os redimidos por Ele. Isto significa que nós estamos incluídos no número dos seus filhos e filhas que nascemos da água e do Espírito Santo para a vida eterna. 

7. Com isso, o Senhor Jesus não faz apenas um gesto de cuidado humano, mas institui uma maternidade espiritual:  

- “Mulher, eis o teu filho”  

- “Filho eis a tua mãe”

Ora, esta cena é entendida como o momento em que Maria se torna Mãe da Igreja, representada pelo “discípulo amado”, que representa todos os cristãos de todos os tempos. 

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 24 de maio de 2026

Vinde Espírito Santo...


 Solenidade de Pentecostes (Jo 20,19-23)(24/05/26)


1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade de Pentecostes; após a ressurreição e quando da ascensão, o Senhor Jesus se dirigiu aos seus discípulos e disse-lhes: "mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo." (At 1,8). 

2. E assim se cumpriu: "Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 

3. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava." (At, 1-4).

4. Decerto, como no dia de Pentecostes também nós que fomos batizados recebemos o dom do Espírito Santo que nos dá a conhecer e conviver com Jesus ressuscitado por meio da fé, e anuncia-lo a todas as nações, pois, como disse são Pedro no dia de Pentecostes citando o Profeta Joel: 

5. "Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão." (At 2,17-18).

6. O que significa dizer que o Espírito Santo derramando sobre Maria, os Apóstolos e sobre todos os batizados continua a obra da salvação até que o Senhor Jesus venha na sua Parusia para assim elevar à plenitude da sua glória todos os filhos e filhas de Deus que ainda se encontram neste mundo. Pois, como disseram os anjos no dia da Ascensão: "Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu." (At 1,11). 

7. Portanto, caríssimos, a Solenidade de Pentecostes marca o nascimento oficial da Igreja como Corpo místico de Cristo e a parte visível do Reino de Deus neste mundo. É Ele que a mantém unida e sempre disponível para anunciar Jesus e o Evangelho a todas as nações e em todas as línguas, não obstante a fragilidade humana que as vezes não corresponde com a mesma generosidade ao seu chamado.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

E esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,15-19)(22/05/26)

1. Caríssimos, quem dera que amassémos o Senhor Jesus como Ele nos ama, certamente experimetaríamos a sua presença amorosa em todo o percurso da nossa existência até o dia eterno, e de modo algum nos afastaríamos Dele pelo pecado. 

2. Ou seja, jamais cederíamos às tentações, porque sabemos que elas nada mais são do que a vontade do maligno posta em prática por quem a ele se submete. Por isso, disse o Senhor: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41). 

3. Ora, no mundo ouvimos que muitos falam de amor e até chamam a prática pecaminosa de amor, e no entanto, este mundo está desmoronando por falta do verdadeiro amor, que consiste na obediência aos santos mandamentos da Lei de Deus, como nos ensina são João: "Eis o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1Jo 5,3-4).

4. Por isso, nos exorta: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. 

5. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (1Jo 2,15-17). De fato, quem ama a Deus de todo coração entende perfeitamente essa Palavra e a põe em prática; quem não o ama sente repulsa ao ouvi-la.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus pergunta a Simão Pedro por três vezes se ele o ama mais que os outros discípulos, e Pedro a cada pergunta responde que sim, talvez não com tanta convicção porque se sentia culpado por ter-lo negado três vezes; no entanto, à cada resposta dada, o Senhor confirma a sua missão e por Sua divina misericórdia apaga sua culpa e cura a tristeza do seu coração.

7. Desse modo, o Senhor Jesus nos ensina que sente compaixão de nós cada vez que o negamos com os nossos pecados, porque com isso deixamos de ama-lo pela nossa obediência e fidelidade; para amar a prática pecaminosa que nos leva à morte e à perdição. 

8. Destarte, tenhamos em conta que o Senhor Jesus nos ama sem limites, por isso mesmo nos pergunta pessoalmente citando o nosso nome, como fez com Simão Pedro: "Tu me amas mais do que a estes?" Se a nossa resposta for sim, é sinal de que nos arrependemos dos nossos pecados e nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo que nos leva à permanente comunhão de amor com Ele a serviço do seu reino.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

E ENTÃO, COMO SERÁ O CÉU?

  PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,20-26)(21/05/26)

1. Caríssimos, contemplando o universo vemos que tudo é organizado perfeitamente, e tudo funciona obedecendo à lei divina que os rege de forma que quando algo dá errado na obra da criação é porque sofreu interferência indevida e assim perde a sua harmonia. Do mesmo modo acontece conosco, todavia, dependendo da nossa obediência ou não às leis de Deus.

2. Decerto, existe uma ligação direta entre o céu e a terra, e em meio à estas duas dimensões estamos nós, de modo que, o nosso comportamento, bom ou mal, gera consequências que afetam toda criação pondo em risco a nossa existência ou não. 

3. Com efeito, Deus nos criou por amor e está sempre atento para nos ajudar por Sua Divina Providência nas nossas necessidades, contanto que sejamos fiéis na observância dos seus mandamentos e sacramentos, caso contrário, não tem como nos ajudar, pois, a nossa desobediência, nos afasta do seu amor, e nos leva a cair nas armadilhas do inimigo de nossas almas. 

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus dá continuidade à sua oração sacerdotal e pede ao Pai por todos os seus seguidores de todos os tempos: “Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra; para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste." (Jo 17, 20-22).

5. Ora, essa unidade é gerada pelo Espírito Santo em nossas almas, pois, o recebemos no batismo para darmos testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo a fim de que todos creiam e sejam salvos por Ele que aceitou dar a sua vida em expiação dos nossos pecados. 

6. Portanto, caríssimos, rezemos com o salmo responsorial desta liturgia: "Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor”. Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranquilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção.

7. Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!" (Sl 15). Imaginem quando da realização destas palavras em nossa vida, se ao medita-las nosso coração se enche de alegria e esperança, como será então o céu? 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A fé vê o invisível que a razão não percebe naturalmente...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,11b-19)(20/05/26)

1. Caríssimos, a fé é o dom do Espírito Santo que nos faz transpor os limites da nossa natureza; ela vê o invisível que a razão não percebe naturalmente. A Carta aos Hebreus a define muito bem: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." (Hb 11,1). Em outras palavras, é por meio da fé e pelos méritos de Cristo morto e ressuscitado que recebemos todas as graças necessárias para a salvação das nossas almas. 

2. Ora, em nossa finitude nos acostumamos com a segurança que criamos para nós e para os nossos, conforme os critérios que naturalmente definimos, e tudo isso para não perdermos o pretenso controle sobre o que somos e temos, esquecendo-nos na verdade que somos apenas um sopro de vida e nada mais.

3. A liturgia de hoje nos ensina que somente a proteção divina é que nos faz seguros para muito além do que podemos por nós mesmos. Na primeira leitura e no Evangelho de hoje vemos que a fé, a oração e a Palavra posta em prática, são os meios que nos põe em plena comunhão com a vontade de Deus e nos faz sentir-nos seguros como uma criança recém nascida nos braços de sua mãe.

4. Sem dúvida, tempo é vida, por isso, empreguemos bem o nosso tempo, dando a Deus o que temos, nossa vida, nossa família e tudo o que somos, porque somente assim evitaremos os transtornos e os desabores próprios dos que perdem tempo com práticas que não condizem com a fé católica que professamos.

5. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus para vivermos todo tempo sob a sua proteção, desse modo, Ele afastará nossos medos e inseguranças nos proporcionando a certeza do Seu amor e da sua constante presença conosco. Bem como Ele mesmo disse: "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,4a-5b). 

6. Destarte, deixemo-nos conduzir por essa fé viva em Cristo ressuscitado que ultrapassa a nossa razão, certos de que a verdadeira segurança não se encontra nas estruturas humanas que construímos, mas no amor de Deus que nos sustenta a cada passo dado para o seu Reino de justiça e paz. Decerto, o justo vive por sua finalidade e não podemos como duvidar disso. Que o Senhor nos abençoe e nos guarde hoje e sempre. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Senhor Jesus, estamos aqui para seguir-te rumo à casa do Pai...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 17,1-11a)(19/05/26)

1. Caríssimos em se tratando da fé na Onipotência de Deus e do exercício de sua Justiça, ao olharmos para a obra da criação, não tem como duvidar de que Ele as exerce em toda sua plenitude, por isso, de uma coisa fiquemos certos, nada do que se faz presente em nossa condição permanecerá sem a justa resposta ou recompensa no dia do juízo. 

2. Aliás, para aqueles já partiram deste mundo, o juízo pessoal já está consumado, tal como meditamos na Carta aos Hebreus: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo." (Hb 9,27). De fato, num abrir e fechar de olhos toda a nossa vida será desvendada como num filme e tudo veremos tão claramente como o sol que nos ilumina.

3. No Evangelho de hoje três frases de Jesus nos chama a atenção: (1) "Pai, é chegada a hora. (2) Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a Ti... (3) Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus." 

4. Decerto , para nós que estamos neste mundo, também chegará a nossa hora, e como o Senhor Jesus, glorifiquemos o Pai celeste com a nossa obediência e fidelidade, pois, esse é o único meio pelo qual o glorificamos por uma vida de justiça e santidade.

5. Santo Agostinho comentando a última frase do Senhor, disse: "Jesus, ora por nós como nosso sacerdote, ore em nós como nossa cabeça. E a Ele nós oramos, porque reconhecemos nossa voz nele, como também a sua voz em nós".

6. Portanto, caríssimos, "A oração de Jesus não é para convencer o mundo, mas para amá-lo; não é para o destruir, mas para transformá-lo; não é para impor a sua lei, mas para propor o seu evangelho da vida. 

7. Desse modo, compreendemos que a única maneira que Jesus nos ensina a transformar o mundo, é conformando nossa vida com a sua vida, o nosso coração com o seu coração." (Dom Stefano). Bem como nos ensinou são João: "Aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,6). Ou seja, fazendo em tudo a vontade do Pai, como vimos no Evangelho de hoje. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,29-33)(18/05/26)

1. Caríssimos, Cristo é a verdade incontestável, pois, tudo o que afirma se realiza segundo a vontade do Pai, e a vontade do Pai é caridade, bondade, humildade, misericórdia, santidade, justiça e todas as outras virtudes não mensionadas aqui; é por isso, que a fé no Senhor se manteve inabalável por mais perseguida que foi ao longo da história; porque contra o poder de Deus, não existe adversário que resista.

2. No Evangelho de hoje depois de ouvir a profissão de fé dos discípulos, disse-lhes Jesus: "Credes agora? Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim." (Jo 16,32).

3. Sem dúvida, vivemos num mundo violento repleto de tragédias naturais e as advindas do ser humano, no entanto, a pior de todas as tragédias é o pecado da desobediência, é dele que nascem todos os outros pecados. 

4. Por isso, em meio a maldade que o pecado gera na face da terra; precisamos não apenas dizer que acreditamos no Senhor Jesus, mas sim, nos entregar Ele totalmente confiantes do que nos disse: "No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16, 33).

5. Portanto, caríssimos, nesse episódio vimos o entusiasmo dos discípulos que disseram: "Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. (Jo 16,29-30). 

6. No entanto, o Senhor lhes mostrou que não basta o entusiasmo para vencer o mundo, mas coragem e determinação para segui-lo até as últimas consequências, pois o primeiro a padecer a perseguição dos inimigos da fé, foi o próprio Senhor que é Deus.

7. Destarte, também nós às vezes temos uma fé semelhante a dos Apóstolos, mas não podemos esquecer que vivemos em meio a uma guerra espiritual que cada dia exige de nós uma fé madura para seguirmos o Senhor Jesus carregando a nossa cruz de cada dia certos de que tendo Ele à nossa frente venceremos todas as batalhas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 17 de maio de 2026

O Senhor Jesus subiu ao céu, mas continua conosco...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,29-33)(18/05/26)

1. Caríssimos, Cristo é a verdade incontestável, pois, tudo o que afirma se realiza segundo a vontade do Pai, e a vontade do Pai é caridade, bondade, humildade, misericórdia, santidade, justiça e todas as outras virtudes não mensionadas aqui; é por isso, que a fé no Senhor se manteve inabalável por mais perseguida que foi ao longo da história; porque contra o poder de Deus, não existe adversário que resista.

2. No Evangelho de hoje depois de ouvir a profissão de fé dos discípulos, disse-lhes Jesus: "Credes agora? Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim." (Jo 16,32).

3. Sem dúvida, vivemos num mundo violento repleto de tragédias naturais e as advindas do ser humano, no entanto, a pior de todas as tragédias é o pecado da desobediência, é dele que nascem todos os outros pecados. 

4. Por isso, em meio a maldade que o pecado gera na face da terra; precisamos não apenas dizer que acreditamos no Senhor Jesus, mas sim, nos entregar Ele totalmente confiantes do que nos disse: "No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16, 33).

5. Portanto, caríssimos, nesse episódio vimos o entusiasmo dos discípulos que disseram: "Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. (Jo 16,29-30). 

6. No entanto, o Senhor lhes mostrou que não basta o entusiasmo para vencer o mundo, mas coragem e determinação para segui-lo até as últimas consequências, pois o primeiro a padecer a perseguição dos inimigos da fé, foi o próprio Senhor que é Deus.

7. Destarte, também nós às vezes temos uma fé semelhante a dos Apóstolos, mas não podemos esquecer que vivemos em meio a uma guerra espiritual que cada dia exige de nós uma fé madura para seguirmos o Senhor Jesus carregando a nossa cruz de cada dia certos de que tendo Ele à nossa frente venceremos todas as batalhas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 16 de maio de 2026

A fé e a oração, são os dons da convivência com Deus e entre nós...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,23b-28)(16/05/26)

1. Caríssimos, o modo como vivemos é um espelho de vida, nele refletimos quem somos, a quem servimos e para onde estamos indo; pois é este o caminho que percorremos no tempo rumo à eternidade. Na primeira leitura vimos um casal cristão, Priscila e Áquila, que era muito bem visto na comunidade; sua casa era uma igreja doméstica que acolhia com alegria os peregrinos a serviço do Senhor.

2. Ora, o exemplo desse casal cristão nos ensina que a nossa convivência com Cristo gera frutos de convivência fraterna, ou seja, a prática das virtudes que nascem da convivência com Cristo se reflete na convivência entre nós, pois, o Senhor se faz presente realmente quando o acolhemos em nossos irmãos e irmãs.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina como devemos rezar, pois, a oração é o meio que Ele nos deu para vivermos em estado de graça, uma vez que nesse estado tudo alcançamos da parte de Deus, nosso Pai celestial. Muitos começam caminhando por essa via de perfeição, mas logo desistem, porque pensam a oração somente como um meio de receber o que se quer ou o que se deseja.

4. Efitivamente tal atitude não se pode chamar de oração, pois, como nos ensinou o Senhor, rezar é amar, é fazer a vontade do Pai, é adentrar no tesouro da Sua infinita misericórdia, e assim nos maternos seguros das graças derramadas em nossas almas para sermos santos como Ele é Santo.

5. Portanto, caríssimos, quem ora assim experimenta uma profunda sensação de paz em sua oração, porque permanece na presença de Deus e em perfeita comunhão de amor com Ele mesmo passando pelas mais diversas provações deste mundo.

6. Destarte, a oração é um dom especial que nos é dado pelo Espírito Santo para nos manter unidos ao Senhor realizando em tudo a sua santa vontade; digamos que é um meio de amarmos a Deus e sermos amados por Ele, para amar-nos uns ao outros como a nós mesmos.

7. Em suma, como vimos no Evangelho de hoje, o Senhor Jesus nos ensina que ao invocarmos seu Nome diante do Pai, somos recebidos e atendidos por Ele: "Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu Nome, ele vo-la dará; para que a vossa alegria seja completa." (Jo 16,23b.24b).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Não há alegria maior que a alegria da ressurreição...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,20-23a)(15/05/26)

1. Caríssimos, não é possível viver neste mundo sem sofrimentos, de fato, não queremos sofrer, mas eles são inevitáveis, embora tenhamos mais motivos para alegrar-nos por fazemos a vontade de Deus que nos livra das astúcias do maligno, como livrou são Paulo na primeira leitura: "Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence”. (At 18,9b-10).

2. Ora, como vimos recebemos os benefícios e a proteção do Senhor Jesus tendo em vista a salvação dos seus filhos e filhas, bem como escreveu são Paulo: "Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia!" (2Cor 1,3-4).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus exorta os discípulos quanto aos sofrimentos e a tristeza que padecerão por conta da sua paixão e morte, ao mesmo tempo já os conforta mostrando-lhes a alegria que os espera ao reve-lo ressuscitado: “Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria." (Jo 16,20-23a).

4. Portanto, caríssimos, fazendo uma comparação entre as dores dos discípulos pela morte do Senhor, e as nossas dores por conta das provações e desafios de fé desta vida, vemos que a felicidade eterna prometida pelo Senhor, nos fará esquecer para sempre os sofrimentos aqui suportados por amor a Ele.

5. Destarte, escutemos atentamente são Paulo a esse respeito: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (Rm 8,18.21).

6. E ainda na Carta aos Hebreus: "Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Ou seja, viver ressuscitados com Cristo, é ter a certeza da vida eterna, pois a última palavra é do Pai que o ressuscitou e nos deu a graça de ressuscitar com Ele.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Como superar este tempo difícil?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 16,5-11)(12/05/26)

1. Caríssimos, a atual crise que estamos vivendo por conta das guerras, nos revela o quanto somos vulneráveis, ou seja, sopro de vida que se esvai a qualquer momento. No entanto, quando nos dirigimos ao Senhor em oração confiando Nele inteiramente, obtemos todas as graças que nos mantém seguros da sua presença conosco nos livrando de todo mal.

2. No Evangelho de hoje vimos que os discípulos ficaram desolados quando o Senhor Jesus anunciou sua partida deste mundo, e mesmo diante do anúncio da vinda do Espírito Santo, ainda assim não foi o suficiente para que eles recobrassem a motivação perdida.

3. No entanto, o Senhor lhes revelou que a sua ida para o Pai era necessária para que a humanidade ficasse conhecendo, por meio do Espírito Santo, em que consiste o pecado, a justiça e o julgamento. 

4. Disse o Senhor: "O pecado, porque não acreditaram em mim; a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”. (Jo 16,9-11).

5. Portanto, caríssimos, não obstante as más notícias que a mídia constantemente divulga, da violência e da maldade que se espalha como uma doença incurável em nosso sociedade; não podemos perder a fé e a esperança no Senhor Jesus, pois, Ele nos escuta e sempre nos responde. 

6. De fato, precisamos fechar nossos sentidos físicos para as más notícias e abri-los para acolhermos a Palavra do Senhor e pô-la em prática, desse modo, alcançaremos a vitória sobre todos os males, psíquicos, físicos, morais e espirituais.

7. Destarte, eis o que diz o Senhor: "Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." (Jo 16,33). Ou seja, quem permanece unido a Cristo no seio da sua Santa Igreja, segue firme os seus passos rumo à terra prometida, o Reino dos céus, como vimos acontecer com Paulo e Silas na primeira leitura. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 10 de maio de 2026

O Espírito Santo está sempre conosco...

 Homilia do 6°Dom de Páscoa (Jo 14,15-21)(10/05/26)

1. Caríssimos, o zelo e o cuidado de Deus por nós é tão imenso que não se contentou somente em enviar-nos seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para nos salvar; mais ainda, por esse mesmo Filho, nos enviou o Espírito Santo Paráclito, para nos defender, inspirar, iluminar e nos conduzir pela via da perfeição que nos leva à vida eterna.

2. Com efeito, é bem como o Senhor nos ensinou nos Atos dos Apostolos, que depois de sua ascensão ao céu, Ele enviaria o Espírito Santo para permanecer conosco (cf. At 1,7-9), pois, não seria justo vivermos neste mundo sem a garantia da sua presença nos acompanhado e nos ensinando como vivermos perfeitamente em conformidade com a sua vontade presente nos seus santos mandamentos.

3. Comentando sobre a vinda do Espírito Santo, disse são João Maria Vianey: "Ao enviar-nos o Espírito Santo, Deus fez como um grande rei que encarregou um ministro de orientar um dos seus súditos, dizendo-lhe: "Vai acompanha este senhor por toda a parte e trazei-o de volta são e salvo". Que belo é ser acompanhado pelo Espírito Santo! Ele é um bom condutor.

4. O Espírito Santo conduz-nos como uma mãe leva o filho de dois anos pela mão; ou como uma pessoa que vê, conduz um cego. Todas as manhãs devemos dizer: "Meu Deus, enviai-me o vosso Espírito Santo, que me fará conhecer quem eu sou e quem sois Vós". Uma alma que possui o Espírito Santo experimenta um delicado sabor na oração e nunca perde a santa presença de Deus."

5. Escutemos, então, o que nos diz o Senhor: "Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa". (Jo 16, 7-13).

6. Desse modo, viver conduzidos pelo Espírito Santo, é o que nos mantém firmes e perseverantes na fé, para enfrentarmos as tribulações e intempéries que nos circundam neste mundo devido os pecados nele praticados. Felizes de nós se seguirmos em tudo as suas divinas inspirações que nos tornam verdadeiras testemunhas de Jesus ressuscitado. 

7. Portanto, caríssimos, o Espírito Santo é "este dom único que está em Cristo, e é oferecido a todos em plenitude. Ele está presente em toda a parte e é dado a cada um de nós, tanto quanto O queiramos receber." 

8. De modo que, "O Espírito Santo permanecerá conosco até o fim dos tempos. Ele é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz do nosso espírito e o esplendor da nossa alma." (Santo Hilário, bispo de Poitiers, doutor da Igreja).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 9 de maio de 2026

Sem o amor de Deus tudo é caos, é morte, é ódio, é inferno...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,18-21)(09/05/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, por que alguém deixa de amar para odiar? Porque isso é possível somente entre as criaturas; nunca em relação ao Criador. Ora, Deus é amor e o amor é a essência da vida; sem ele tudo é caos, é morte, é ódio, é inferno. 

2. De fato, qualquer criatura que não vive conforme o amor com o qual e para o qual foi criada, peca, isto é, odeia, porque todo pecado nada mais é do que expressão do não amor que se carrega na alma.

3. São João, na sua Primeira Carta, escreveu: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu." Por essas palavras compreedemos que o ódio resulta do não conhecimento de Deus, ou seja, da não comunhão com o Seu amor.

4. Noutra parte são João escreveu: "Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. 

5. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino. Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos." (1Jo 3,13-16).

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: «Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro Me odiou a Mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu. Mas porque não sois do mundo, pois a minha escolha vos separou do mundo, é por isso que o mundo vos odeia. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem Aquele que Me enviou».

7. Destarte, concluamos este pequeno sermão com estas palavras de são João: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (1Jo 4,7-8).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

É o Senhor Jesus quem escolhe e envia os seus discípulos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,12-17)(08/05/26)

1. Caríssimos, esse nosso mundo vive agitado como uma grande barca prestes a naufragar no mar revolto do pecado humano. Ninguém mais se entende, porque a divisão está posta nas almas que se deixaram dominar pelo espírito imundo da corrupção, da luxúria, da mentira, da violência e tantos outros males presente nesta sociedade hodierna. 

2. E isso está acontecendo em larga escala porque os homens perderam o sentido do sagrado, e quando mantém algum, deturpam de imediato, tentando angariar vantagens explorando os ingênuos de plantão que se deixam manipular, pensando, quem sabe, tirar algum proveito desse tipo de credulidade.

3. Sem dúvida é isso o que vimos na primeira leitura, em que foi preciso a intervenção dos Apóstolos reunidos em concílio, para afastar tais manipuladores. Eis o que eles escreveram: "Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós."

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus diz aos seus discípulos: "Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça." (Jo 15,15-16).

5. Com isso, o Senhor nos ensina que a missão de anunciar a Boa Nova da salvação é uma escolha pessoal que ele mesmo faz, baseado na sua amizade; por isso, não é qualquer um que se apresenta com uma bíblia debaixo do braço se dizendo apóstolo, evangelista, "bispo", pastor, pastora, missionário, etc. Como se tivessem sido chamados pelo Senhor. 

6. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente o que diz o Senhor: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!" (Mt 7,22-23).

7. Destarte, o chamado que Deus faz aos seus filhos e filhas no seio da Sua Santa Igreja mediante a ação do Espírito Santo, torna os seus ungidos autênticos discípulos preparados e enviados, como vimos da parte dos Apóstolos reunidos no Concílio de Jerusalém. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Permanecei no meu amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,9-11)(07/05/26)

PERMANECEI NO MEU AMOR... Porque o meu amor é a única salvação da humanidade... 

1. Caríssimos, o amor cristão diferente do amor do mundo, se traduz no bem eterno e na salvação de todos, porque nele não existe outro interesse fora da vontade de Deus, isto é, a felicidade eterna para todos os seus filhos e filhas. Por isso, não podemos reduzi-lo a um mero afeto ou sentimento, porque desse modo perderia todo o sentido de ser.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina o mandamento do amor dando Ele mesmo o exemplo de como devemos amar, isto é, como Deus nos ama; neste sentido de nossa parte, amar é obedecer, é seguir os seus mandamentos, porque somente assim podemos amar-nos uns aos outros, como Ele nos ama. 

3. De fato, o amor do Senhor Jesus por nós foi traduzido em obras, nos dando a salvação eterna mesmo sem a merecermos; servindo a nós por meio de suas graças e bênçãos derramadas em nossas almas, mesmo se não as reconhecemos ou o agradeçamos pelos serviços prestados e por todo o bem que Ele nos faz.

4. Com isso, o Senhor nos ensina que não deixemos de ser bons, porque outros não o são, nem deixemos de perdoar e amar o próximo, porque repetidamente nos ofende; na verdade, todas as nossas ações nascem da nossa comunhão com o Senhor, porque, como nos ensina São Paulo, é Nele que vivemos, nos movemos e somos. (cf. At 17,28).

5. Portanto, caríssimos, vivenciando esse amor divino que recebemos do Senhor Jesus para pratica-lo entre nós, escutemos com atenção estas palavras de são Pedro: "Em obediência à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero. Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração." (1Pd 1,22).

6. Destarte, façamos com Santa Gertrudes de Helfta esta belíssima e singela oração: "O que sou eu, meu Deus, amor do meu coração? Ai de mim, ai de mim, como sou diferente de Ti. Sou como uma gotinha ínfima da tua bondade, e Tu és o oceano, cheio de toda a doçura.

7. Ó amor, amor, abre sobre mim, pequena que sou, as entranhas da tua bondade; faz jorrar sobre mim todas as cataratas da tua benigníssima paternidade; faz jorrar sobre mim todas as fontes do grande abismo da tua infinita misericórdia." (Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301), monja beneditina - Exercício IV, SC 127). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Porque sem mim nada podeis fazer...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 15,1-8)(06/05/26)

1. Caríssimos, em se tratando da graça santificante do Senhor, ela é como a seiva da videira que nutre seus ramos para que deem frutos abundantes. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus faz uma analogia revelando o que acontece com os que estão ligados a Ele, e são nutridos por suas graças ao se deixar podar livremente pelo Pai. 

2. Diz o Senhor: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o poda, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,1-5).

3. De fato, analisando com afinco essa comparação compreendemos quão importante é a nossa permanência em Cristo para recebermos a seiva das suas graças e por elas darmos os frutos da salvação que Ele nos concedeu. 

4. Mas afinal, o que o nosso exímio Agricultor quer podar em nós e como Ele faz isso? Decerto, não tem outro meio senão pelas provações que sofremos neste mundo, como nos ensina são Tiago: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." 

5. São Padre Pio de Pietrelcina também fala sobre esta poda: "Jesus quer que saibamos que as diversas provações espirituais que passamos são diretamente queridas por Ele, e não é apenas para nos pôr à prova, nem para nos castigar, mas para nos purificar ainda mais e nos tornar, na medida do possível, conforme a Ele, que é o protótipo de todas as almas que escolheram a melhor parte do serviço divino."

6. Portanto, caríssimos, como os ramos da videira só dão frutos, porque permanecem nela e se alimentam de sua seiva; de igual modo também nós sem essa permanência em Cristo, não passamos de galhos secos que serão arrancados e lançados no fogo, como Ele disse. 

7. Destarte, meditemos com amor e atenção estas palavras do saudoso, Papa Francisco: "Nos seja de ajuda Maria, Rainha dos Santos e modelo de comunhão perfeita com o seu Filho divino. Ela nos ensina a permanecer em Jesus, como os ramos na videira, e a nunca nos separarmos do seu amor.

8. Com efeito, nada podemos sem Ele, porque a nossa vida é Cristo vivo, presente na Igreja e no mundo. (Papa Francisco, REGINA COELI, Praça São Pedro, Dominan 29 de abril de 2018).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 5 de maio de 2026

O sentido do sofrimento do inocente, é paz definitiva...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,27-31a)(05/05/26)

1. Caríssimos, se tem algo que evitamos ao máximo é o sofrimento, e isso ocorre porque Deus nos criou para sermos felizes e não para sofrer; mas, por que sofremos?Por causa do pecado; e o único poder que o apaga se encontra na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, fora dele nada o pode apagar. 

2. Desse modo, compreendemos que no sofrimento do inocente Filho de Deus existe o poder invencível que anula o poder de todos os inimigos visíveis e invisíveis, e nos dá a salvação eterna, como nos ensina a Carta aos Hebreus: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem (Hb 5,8-9). 

3. Com efeito, o sofrimento advindo do pecado é inevitável, mas, o superamos e vencemos pela graça de Cristo que age em nossas almas nos libertando dos nossos pecados e de todo mal. São Paulo assim se expressa a respeito do sentido do sofrimento: "É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. (At 14, 22). 

4. E na Carta aos Romanos ele escreveu: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada." (Rm 8,18).

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos fala da sua paz que é a única paz verdadeira: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração." (Jo 14,27). Ou seja, a paz do mundo depende da força das armas e dos que detém o poder temporal; enquanto que a Paz de Cristo é fruto do seu amor e do seu sacrifício de cruz pelo qual nos deu a paz definitiva.

6. Portanto, caríssimos, escutemos com atenção o que nos diz Senhor no sermão da montanha: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!

7. Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,9-12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Nós somos morada da Santíssima Trinidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 14,21-26)(04/05/26)

1. Caríssimos, existem duas dimensões nas quais estamos, a natural e a sobrenatural; a primeira depende da segunda diretamente porque é envolvida por ela, todavia, é a fé que nos faz adentrar na dimensão eterna pela graça que nos é dada por Deus para vivermos em comunhão com Ele e entre nós e assim sermos plenamente felizes, pois, a nossa felicidade não é deste mundo, mas do céu.

2. Esta liturgia de hoje nos revela que o Senhor Jesus, foi enviado pelo Deus Pai para nos dar o Espírito Santo, Paráclito (defensor), para nos livrar das insídias do maligno; e nos fazer viver em constante comunhão com a Santíssima Trindade. Ou seja, nós somos morada de Deus, Uno e Trino, neste mundo. 

3. Comentando esse Evangelho, disse o saudoso Papa Bento XVI: "É o próprio Jesus quem promete que vai orar ao Pai para enviar aos seus seguidores o Espírito, definido como “outro Paráclito”, isto é, advogado de defesa (cf. Jo 14,16). De fato, o primeiro Paráclito é o Filho encarnado, que veio defender o homem do acusador por excelência, que é Satanás. 

4. Quando Cristo, tendo cumprido a sua missão, volta ao Pai, envia o Espírito, como Defensor e Consolador, para que permaneça para sempre habitando em nós que Nele acreditamos. Assim, graças à mediação do Filho e do Espírito Santo, estabelece-se uma íntima relação de reciprocidade entre Deus Pai e os discípulos: "Eu estou no Pai e vós em mim e eu em vós", diz Jesus (Jo 14, 20). 

5. Tudo isso, porém, depende de uma condição que Cristo coloca claramente no início: "Se me amais" (Jo 14,15), e que ele repete no final: "Quem me ama será amado por meu Pai e eu também o amarei e manifestar-me-ei a ele”. (Jo 14,21). 

6. Sem o amor a Jesus, que se dá na observância de seus mandamentos, a pessoa se exclui do movimento trinitário e começa a se voltar para si mesma, perdendo a capacidade de receber e comunicar Deus." (Bento XVI - Ordenações sacerdotais, (27/4/08).

7. Portanto, caríssimos, se pensamos que estamos sozinhos neste mundo enganamo-nos a nós mesmos, pois, estamos sempre acompanhados por Deus que nos ama eternamente e quer ser amado por nós para vivermos em perfeita comunhão com Ele por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo.

8. Destarte, o Senhor Jesus nos pede apenas a observância da sua Palavra, porque sem ela nos tornamos presas fáceis do inimigo de nossas almas. Decerto, amar o Senhor Jesus é obedece-lo e isso nos faz morada da Santíssima Trindade sinal de que a nossa alma é eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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