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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O chamado de Cristo e suas motivações para segui-lo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,57-62)(30/9/26)

1. Caríssimos, o barulho deste mundo é tão ensurdecedor que abafa o silêncio interior de nossas almas quando lhe damos atenção; pior ainda é o terrível barulho dos pecados cometidos, porque oprime as almas lhes impondo por antecipação os tormentos do inferno, caso elas não se convertam e voltem para Deus que lhes condecede o perdão, o estado de graça e a salvação que haviam perdido.

2. No Evangelho de hoje são Lucas nos mostra que o Senhor Jesus empreende a sua última viagem à Jerusalém, pois, como um manso e humilde cordeiro, será sacrificado no altar da cruz pela salvação da humanidade. De fato, humanamente é impossível compreender a sua atitude de total despojamento, pois é o Filho de Deus e tem todo poder sobre o céu e a terra. 

3. No entanto, essa sua ida com seus discípulos à cidade santa, simboliza a sua ida à Jerusalém celeste, e é nesse espaço de tempo que acontece o chamado, a vocação para segui-lo. São Lucas nos apresenta três tipos de vocação e suas motivações. 

4. Na primeira, "alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. Ou seja, segui-lo requer total despojamento que significa a renúncia de si mesmo e dos próprios interesses, para adquirir a liberdade do desapego.

5. Na segunda, "Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. Ou seja, o anúncio do Reino é urgente e traz consigo a ressurreição dos mortos.

6. Na terceira, "Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. Ou seja, a semente do chamado precisa ser acolhida em terra fecunda sem a influência dos afetos humanos, porém, repleta dos afetos divinos.

7. Portanto, caríssimos, qual é o estado atual da nossa resposta ao chamado do Senhor Jesus? Como o servimos em meio ao barulho deste mundo? Será que existe silêncio interior para ouvi-lo e pôr em prática o que nos ensina de modo que cumpramos os seus desígnios de amor a nosso respeito?

8. Destarte, assim como o chamado é pessoal e a iniciativa divina, a nossa resposta de igual modo significa configurar-nos a Cristo para fazermos em tudoa vontade do Pai. Pois, como disse o Senhor Jesus aos seus discípulos: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Mt 16,24).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.


terça-feira, 29 de setembro de 2026

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós...


 Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael(Jo 1,47-51)(29/9/26).

1. Amados irmãos e amadas irmãs, não podemos falar dos anjos sem lembrar da batalha travada no céu entre São Miguel e seus anjos contra Satanás e seus sequazes narrada na primeira leitura opcional desta liturgia.

2. E como vimos Miguel venceu e expulsou o maligno do céu como narra são João: "E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele.

3. De fato, o risco de conflitos neste mundo é sempre muito alto, por isso é necessário permanecer sob a luz de Deus, caso contrário, sem perceber, acabamos chafurdando nas trevas do diabo que adora nos deixar em suas trevas porque aí não entendemos as coisas claramente e assim nos confundimos.

Então, perguntemo-nos: somos pessoas que une ou que divide? Vivemos na luz de Deus ou no nevoeiro e neblina do diabo?

Meditemos, então, com amor e atenção este Pequeno Sermão de hoje. 

4.Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa de são Miguel, são Gabriel e são Rafael, e nos ensina que os santos anjos manifestam o poder de Deus por meio do serviço prestado aos seus filhos e filhas de todos os tempos durante sua trajetória rumo à terra prometida, o Reino dos céus, como o fizeram com os antigos israelitas. 

5. Bem como está escrito na Carta aos Hebreus: "Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).

6. "Então, o que mais nos ensina a Festa dos santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael? São Miguel ensina-nos que ninguém é mais forte do que Deus. Que não estamos sozinhos na batalha contra o mal, mas há alguém que luta conosco para vencer o mal com o bem e para dizer com as nossas vidas que só Deus é o Senhor da nossa existência e somente a Ele devemos dar toda glória.

7. São Gabriel, o grande anunciador da vontade de Deus, do plano de Deus para a salvação, diz-nos como reconhecer o plano divino nas nossas vidas, como acolhe-lo sabendo que o seu anúncio é maior do que os nossos raciocínios e cálculos, é como um acontecimento inesperado que muda as nossas vidas. 

8. São Rafael, aquele que conduz, aquele que lidera o mundo, diz-nos que quase nunca passamos incólumes no meio dos acontecimentos da nossa história e, portanto, precisamos de cura. 

Em última análise, todos estes três arcanjos dão-nos três coisas que todos precisamos. Miguel é aquele que defende, Gabriel é aquele que proclama, e Rafael é aquele que cura. Peçamos ao Senhor que nos faça compreender verdadeiramente a sua santidade, majestade e poder, para que possamos dar-lhe glória no meio dos seus anjos." (Mons. Angelo Spina).

9. No Evangelho de hoje em colóquio com Natanael o Senhor Jesus nos revela como será o serviço dos anjos quando da sua vinda gloriosa: “Em verdade, em verdade eu vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. 

10. Portanto, caríssimos, supliquemos ao Senhor Jesus com profunda humildade e entrega total a sua graça santificante na certeza de que o Pai lhe deu todo poder sobre o céu e a terra, para que amparados por sua Divina misericórdia alcancemos a felicidade eterna. 

Ó Maria, Rainha dos Anjos, intercedei por nós com são José vosso castíssimo esposo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 27 de setembro de 2026

Pela obediência e humildade vencemos o inimigo de nossas almas...

 Homilia do 27°Dom do tempo comum (Mt 21,28-32)(27/9/26)

1. Caríssimos, são duas as virtudes que Adão e Eva não usaram no paraíso e por isso não foram fiéis a Deus no início de sua missão, as virtudes da obediência e da humildade. Pois, com essas virtudes poderiam derrotar o inimigo de nossas almas, como o Senhor Jesus o derrotou ao fazer-se homem no seio virginal de Maria, e obedecer humildemente ao Pai até a morte e morte de cruz.

2. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI de saudosa memória: "No Evangelho fala-se de dois filhos, atrás dos quais, no entanto, está, de uma forma misteriosa, um terceiro. O primeiro filho diz ao pai que sim, mas não faz o que lhe foi ordenado. O segundo filho diz 'não', mas depois faz a vontade do seu pai. O terceiro filho diz "sim" e também faz o que lhe é ordenado. 

3. Este terceiro filho é o Filho único de Deus, Jesus Cristo [que] ao entrar no mundo, disse: "Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade" (Heb 10,7). Ele não disse apenas este 'sim', mas cumpriu-o e o sofreu até à morte.

 4. "Embora Ele estivesse na condição de Deus, Ele não considerou um privilégio ser como Deus, mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo, tornando-se como os homens. E ao ser reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (Fil 2,6-8). 

5. Em humildade e obediência, Jesus fez a vontade do Pai, morreu na cruz pelos seus irmãos e irmãs - por nós - e redimiu-nos do nosso orgulho e teimosia. Agradeçamos-lhe pelo seu sacrifício, dobremos os joelhos perante o seu Nome, e proclamemos juntamente com os discípulos da primeira geração: "Jesus Cristo é o Senhor - para glória de Deus Pai" (Fil 2,10). (Bento XVI - Santa Missa em Friburgo, 25/09/11).

6. Portanto, caríssimos, tudo o que Deus nos pede é que lhe obedeçamos e sejamos fiéis como o seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que ao obedecer-lhe, venceu a nossa desobediência e orgulho, e nos concedeu o que havíamos perdido nos nossos primeiros pais, para assim vencermos o terrível inimigo de nossas almas.

7. Destarte, rezemos confiantes esta oração da liturgia de hoje: "Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai em nós a vossa graça, para que, correndo ao encontro das vossas promessas, mereçamos participar dos bens celestes.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 26 de setembro de 2026

A cruz de Cristo é o seu sacrifício de amor por nós...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,43b-45)(26/9/26)

1. Caríssimos, contemplar a cruz de Cristo é contemplar Deus Onipotente que se rebaixa infinitamente à nossa condição de criaturas mortais, porém, sem deixar a sua Divindade. O Filho de Deus sofreu o seu sacrifício de amor, como um cordeiro inocente levado ao matadouro por seus algozes sem lhes impor resistência alguma. 

2. Então, como compreender a sua não reaça ante tamanha maldade? De fato, racionalmente é impossível compreender isso, uma vez que agimos com a lógica de tudo resolver; não a partir da nossa fragilidade, mas do poder de que dispomos para nos defender e vencer os nossos adversários. De fato, somente o amor de Deus explica o mistério do seu sofrimento por nós.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus insiste com seus discípulos no que havia predito a respeito da sua paixão, morte e ressurreição. Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava oculto, de modo que não podiam entender; pois tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto." (Lc 9,44-45).

4. É por isso que Jesus lhes diz com insistência e clareza: “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Ou seja, "Deus é o Amor infinito que se faz infinitamente pequeno e humilde, e se entrega aos homens. 

5. De fato, o amor não dar coisas, mas sim a si mesmo, através do sacrifício." Como nos ensinou o Senhor: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando." (Jo 15,13-14). Ou seja, sem obediência incondicional não existe salvação.

6. Com efeito, "Os apóstolos tinham medo da Cruz. Também nós experimentamos essa mesma sensação quando nos deparamos com a nossa cruz. É por isso que devemos pedir a graça de não fugir da Cruz quando ela chegar, de aprender com Maria, a mãe de Jesus que, quando todos tinham fugido, ela estava ali aos pés da cruz do seu filho, porque tinha compreendido que a cruz salva, porque nela está escondida a Páscoa da Ressurreição." (Mons. Angelo Spina).

7. Portanto, caríssimos, mesmo ainda estando neste mundo cercados pelas ameaças do inimigo de nossas almas, não devemos temer, pois o triunfo de Cristo já foi proclamado por sua cruz redentora, apenas estamos esperando a sua segunda vinda em que irá julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino de justiça e paz não terá fim. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quem é Jesus para nós?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,18-22)(25/9/26)

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1. Caríssimos, quanto mais vejo a miséria humana mais sinto o quanto a nossa humanidade precisa da presença e da ação do Senhor Jesus em nosso meio. Os homens podem adquirir todos os conhecimentos possíveis, porém, o único conhecimento e experiência que nos salva da infelicidade e do abismo da perdição eterna se encontra somente em Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo.

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2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus faz duas perguntas a respeito da sua identidade: “Quem diz o povo que eu sou?” “E vós, quem dizeis que eu sou?” E como os Apóstolos constataram, as respostas advindas do povo tinha como base as Sagradas Escrituras: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”.

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3. No entanto, na resposta inspirada por Deus a Pedro à segunda pergunta de Jesus, é o que constitui o fundamento da nossa fé: “O Cristo de Deus”. Justamente porque nos dá a certeza de que Deus veio realmente até nós, por meio do Seu Filho amado, para nos libertar do pecado e das misérias que o pecado gera, e nos fazer viver em estado de graça na Sua presença; mas, não sem levarmos a nossa cruz de cada dia.

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4. De fato, de algum modo todos nós passamos por algumas provações neste mundo, seja por conta das nossas fraquezas, seja ainda por conta das dos outros. No entanto, quando permanecemos em estado de graça pela nossa obediência ao Senhor, recebemos Dele inúmeros benefícios para transpormos todos os obstáculos, pois, é Ele mesmo que nos conduz para cumprirmos os Seus Santos desígnios. 

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5. Portanto, caríssimos, escutemos o que disse o Senhor Jesus a são Paulo por ocasião de uma grande tribulação que estava sofrendo: "Mas o Senhor me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.

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6. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte." (2Cor 12,9-10). E ainda: "Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo." (Gl 6,14).

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7. Então, quem é Jesus para nós? São Paulo VI responde essa pergunta por nós: "Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (cf Mt 16,16): é Ele que nos revela o Deus invisível. Ele é o primogénito de toda a criatura, o fundamento de todas as coisas (cf Col 1,15s); Ele é o Mestre da humanidade e o Redentor, que nasceu, morreu e ressuscitou por nós; Ele é o centro da história e do mundo, é quem nos conhece e nos ama, é o companheiro e o amigo da nossa vida."


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Quem está falando a verdade e somente a verdade?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Lc 9,1-6)(23/9/26)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, creio que a humanidade está passando pelo período mais difícil de sua história, talvez nunca visto antes; e isso devido ao aumento exorbitante da pecaminosidade dos homens; a tal ponto que poucos sobreviverão às terríveis catástrofes anunciadas pelos antigos profetas; por Jesus e os Apóstolos no Novo Testamento.

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2. São Paulo, na segunda carta a Timóteo, escreveu: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!" (2Tm 3,1-5).

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3. Com efeito, neste tempo de disputa eleitoral que estamos vivendo, perguntemos: quem realmente está falando a verdade e somente a verdade? Quais os interesses defendidos por tais candidatos e quais os programas de governo apresentado? Infelizmente o que se tem visto são biografias com um histórico recheado de corrupção e falcatruas; e uma série de acusações espúrias que envergonha até os mais incrédulos. 


4. E então, como fazer para corrigir esse desvario na hora de votar? De fato, o melhor meio que temos a disposição é o voto, porém, quando isento da influência das ideologias políticas e seus ideólogos ou de uma fé tipicamente legalista, moralista e farisáica beirando ao extremo fanatismo, que não tem comparação. 


5. Por isso, não esqueçamos de pedir ao Espírito Santo o discernimento, para não sermos coniventes com o que existe de pior nesta nossa nação. Em outras palavras, não deixemos que as paixões mundanas contaminem nossas almas nos levando à divisão e às brigas ideológicas. 

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6. Com efeito, se todos escutassem o Senhor Jesus no Evangelho de hoje, mostrando qual é a verdadeira postura que seus discípulos devem ter frente aos que não conhecem a fé ou a contestam por não a viverem; e como devem proceder no anúncio do Reino de Deus e de sua justiça; jamais se portariam como inimigos do Dele e do seu Evangelho.

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7. Portanto, caríssimos, expulsemos de nosso meio o espírito imundo de divisão, pois, as almas sem vida de oração e sem misericórdia são almas mortas, por não viverem em conformidade com a vontade do Senhor, como Ele mesmo nos ensinou: "Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste." (Jo 17,21).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Parabéns Mãe amada de Deus, Maria Santíssima...

 FESTA DA NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA (Mt 1,18-23)(8/9/26)

1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da Natividade de nossa Senhora, isto é, o dia do seu nascimento; dentre todas as mulheres, Deus escolheu Maria, a sua humilde serva, para ser a mãe do Seu Filho, nosso Salvador, como foi profetizado por Miquéias: "Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel." (Mq 5,2).

2. Quanto a nós, "Devemos buscar nesta festa da Natividade de Maria uma verdade profunda: a vinda do homem-Deus à terra foi longamente preparada pelo Pai no decurso dos séculos. A pessoa divina do Salvador supera infinitamente tudo o que a humanidade podia gerar, porém, a história da humanidade foi como um lento e difícil parto das condições necessárias à encarnação do Filho de Deus." (MR)

3. Ora, "Maria é aquela em quem Deus encontrou a mais perfeita e dócil colaboração: é por isso que, ao tornar-se mãe de Deus, Maria também se tornou mãe dos filhos de Deus. Maria, ao dizer o seu "sim" à maternidade messiânica, deixou-se inevitavelmente conduzir pelos caminhos do amor salvífico e tornou-se a ressonância da Misericórdia infinita." (Cardeal Angelo Comastri).

4. Isso significa que no "sim" de Maria Deus fez cumprir-se todas as profecias a respeito da vinda do Messias, e tudo o que aconteceu depois da sua vinda desde o anúncio do Reino, seus sinais e prodígios até a sua paixão, morte, ressurreição e ascensão ao céu, tem sua origem no seu "sim", por isso, a Igreja piedosamente chama Maria de porta do céu, pois por ela entrou no mundo o Filho de Deus, o Salvador da humanidade. 

5. Portanto, caríssimos, assim como Deus encontrou em Maria um coração acolhedor para cooperar com Ele na história da salvação da humanidade, por seu Filho amado nosso Senhor Jesus Cristo, que nela se fez Carne e habitou no meio de nós por obra e graça do Espírito Santo, de igual modo, Ele também nos chama à cooperar nesta sua obra salvífica.

6. Destarte, abramos os nossos corações para respondermos ao chamado de nosso Pai celestial, pondo-nos disponíveis à serviço do seu Reino com generosidade e gratidão, em santidade e justiça todos os dias de nossa vida, como o fez Maria Santíssima, mãe de Deus e nossa mãe.

7. Cantemos saudando com amor e devoção à Santíssima Virgem Mãe de Jesus, neste dia belíssimo do seu aniversário. Parabéns Mãe amada, ó Virgem Imaculada, filha predileta de Deus Pai.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A autenticidade da fé e a dignidade humana...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,6-11)(7/9/26)

1. Caríssimos, mesmo que não queiramos somos obervados e julgados em nosso modo de ser e estar no mundo. Daí a necessidade de "ser o que somos aos olhos de Deus e nada mais," como nos ensinou são Francisco de Assis; de modo que "nos tornemos Evangelhos vivos de nosso Senhor Jesus Cristo," como ele também ensinou. 

2. Ora, a prática da fé não é feita de aparências em busca aplausos, mas é algo interno, discreto, que transparece Cristo, a quem seguimos. E isso requer coerência, autenticidade, amor e sacrifício no vencimento de si mesmo, pois, como também ensinou são Francisco: "O pior inimigo do homem é ele mesmo; vence-te a ti mesmo e vencerás todos os inimigos visíveis e invisíveis, mas jamais conseguirás isso sem o auxílio da graça de Deus."

3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus "num dia de sábado entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo." Pelo vimos neste episódio, existem aqueles que usam a Lei de Deus como pretexto para fazerem o mal. Cuidemos para não caírmos nessa astúcia infernal.

4. "Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada."

5. Portanto, caríssimos, com esse gesto o Senhor Jesus nos ensina que Deus nos deu a sua Lei para sermos livres e não para subjugar-nos uns aos outros. Por isso, tudo o que fazemos para devolver ao homem a sua dignidade, é para a glória de Deus que o fazemos. De modo que isso não é apenas lícito, mas é a nossa própria missão.

6. Destarte, esse ensinamento do Senhor Jesus é de suma importância, pois nos mostra um profundo amor e respeito pela vida humana, para que assim nos amemos uns aos outros fazendo sempre e somente o bem para o qual Deus nos criou.

7. Em suma, na conclusão do Evangelho de hoje vimos que a prática da fé quando não realiza a vontade de Deus, cai no rigorismo exacerbado levando tais praticantes à ignorância do bem feito e às mais terríveis maquinações contra os que realizam o bem que Deus lhes inspirou a fazer. Por isso, os "inimigos do Senhor, ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Ele." (Lc 6,11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 6 de setembro de 2026

A CORREÇÃO FRATERNA...

 Homilia do 23 Dom do tempo comum (Mt 18,15-20)(6/9/26).

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1. Caríssimos, a paz interior é fruto da graça santificante, que nasce da comunhão com o Senhor e entre nós seus filhos e filhas; mas nem sempre encontramos em nosso meio pessoas dispostas a cultiva-la e vive-la sem nunca deixar de faze-lo.

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2. Por isso, eis o que nos exorta são Paulo a esse respeito: "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fl 2,2b-4).

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3. Desse modo, precisamos compreender que a eternidade que temos pela frente, nós já estamos vivendo dentro das nossas possibilidades; por isso, no Evangelho de hoje, o Senhor Jesus nos ensina a correção fraterna como meio mais eficaz para conservarmos a unidade e a paz, pois sem unidade não existe paz alguma entre nós. 

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4. Aliás, é bem como está escrito na Carta aos Hebreus: "Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor. Estai alerta para que ninguém deixe passar a graça de Deus, e para que não desponte nenhuma planta amarga, capaz de estragar e contaminar a massa inteira." (Hb 12,14-15). 

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4. Decerto, o que é mesmo a correção fraterna de que nos fala o Senhor? Escutemos, então, esta resposta que são Paulo nos dá: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão.

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5. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo." (Gl 6,1-3).

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6. Portanto, caríssimos, não somos fiscais uns dos outros nem juízes, mas irmãos e irmãs que professam a mesma fé, por isso, devemos nos respeitar mutuamente, compreender e perdoar, evitando todo tipo malidecência ou palavras que causam transtorno e desentendimento, pois o céu é a morada dos que promovem a paz, como nos ensinou o Senhor: “Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. (Mt 5,9).

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7. Destarte, escutemos ainda esta outra exortação de São Paulo: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.

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8. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo." (Ef 4, 29-32).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

O Legado de Francisco de Assis no Pensamento Histórico e Religioso

 


O Legado de Francisco de Assis 

no Pensamento Histórico e Religioso

    Por que Francisco de Assis, um cristão medieval do século XIII, continua a cativar e provocar tantos homens e mulheres ao longo dos séculos?

    O marco divisor na redescoberta acadêmica e protestante do "Poverello de Assis" deu-se no final do século XIX, com a publicação da monumental biografia crítica Vie de S. François d'Assise (1894), escrita pelo pastor e historiador protestante francês Paul Sabatier. Ao aplicar métodos rigorosos de análise documental, Sabatier apresentou Francisco não como um produto da hierarquia eclesiástica, mas como um reformador espiritual autônomo, cuja vivência radical do Evangelho antecipou os anseios de liberdade e pureza da própria Reforma [1].

    Esse fascínio ultrapassou barreiras confessionais, atraindo a admiração de intelectuais seculares, cientistas e pensadores de tradição protestante. Vejamos alguns exemplos expressivos:

  • Albert Einstein (Físico Teórico): Einstein via em Francisco uma das almas mais puras da história, aproximando-o de grandes pensadores livres pela busca incansável de essência e simplicidade. A esse respeito, escreveu: "Considerados deste ponto de vista, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Espinosa se assemelham profundamente" [2].

  • Hermann Hesse (Escritor, Poeta e Filósofo Protestante): Criado em um lar com forte herança pietista, Hesse era profundamente fascinado pelo santo, chegando a dedicar-lhe uma biografía. Para o autor, Francisco personificava a alma que reconcilia o ser humano com a natureza, resumindo sua essência na célebre premissa: "E, se os homens se esquecessem dele [Francisco], as pedras e as fontes, as flores e os pássaros dele falariam" [3].

  • Paul Tillich (Teólogo e Filósofo Protestante): Um dos maiores teólogos do século XX, Tillich valorizava o movimento franciscano por resgatar a dimensão mística e a presença viva do divino no mundo natural, rompendo com o legalismo estrito. Para ele, o ideal de pobreza e a mística de Francisco representaram uma tentativa radical de superar a cisão entre criatura e Criador, apontando para "uma profundidade e grandeza da existência" [4] onde a fé se manifesta na simplicidade imediata do amor.

  • Martinho Lutero (Reformador Protestante): Embora fizesse severas críticas à Igreja medieval e ao sistema de ordens religiosas, Lutero abria exceções em seus sermões para exaltar a pureza de intenções de Francisco em imitar a vida de Cristo na pobreza. O reformador apontava que, dentre os grandes nomes daquela tradição, o santo esteve entre os raros que buscaram "seguir a Cristo em extrema pobreza e simplicidade de coração, despido de glória mundana" [5].

    Ao revisitarmos essa trajetória, percebemos que continuamos a descobrir e a nos inspirar no testemunho daqueles que abraçaram a fé com singularidade. Francisco de Assis destaca-se como uma figura ecumênica que atinge católicos romanos, ortodoxos e protestantes, apontando sempre para o alto e reconduzindo nossa caminhada a uma vivência unicamente cristocêntrica.

    Louvado seja Deus pelo nosso irmão Francisco de Assis.

Edson Cortasio Sardinha

Referências

[1] SABATIER, Paul. Vida de São Francisco de Assis. Tradução de Basílio de Magalhães. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1928. (Nota: A primeira edição francesa foi publicada em Paris pela Fischbacher em 1894).

[2] EINSTEIN, Albert. The Expanded Quotable Einstein. Editado por Alice Calaprice. Princeton: Princeton University Press, 2000. (Reflexões sobre pensadores livres e a ordem cósmica).

[3] HESSE, Hermann. Francisco de Assis. Tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Record, 2022.

[4] TILLICH, Paul. A Era Protestante. São Paulo: Astrolábio / Editora da USP, 1984. (Ensaios sobre mística medieval e o protestantismo).

[5] LUTERO, Martinho. Doutrina e Vida: Conversas à Mesa (Tischreden). [S.l.]: Obras Selecionadas, (Registros sobre a pobreza voluntária e os reformadores).

domingo, 23 de agosto de 2026

"E Eu ti digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja".

 Homilia do 22°Dom do tempo comum (Mt 16,13-20)(23/8/26)

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1. Caríssimos, por nossa naturalidade facilmente nos acostumamos com o que simpatizamos e rejeitamos prontamente tudo o que não nos agrada, e até afirmamos: isso é normal em nosso modo de ser. Todavia, quando se trata da vivência da fé, esta consiste em viver segundo a Vontade de Deus, num amor sem igual a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

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2. Na Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina que o essencial da vida é conhece-lo tal qual o Pai no-lo revela, como o revelou a Pedro. Ora, não se trata de ter uma noção de quem é Jesus, mas de conhece-lo e conviver com Ele no mais íntimo de nossas almas, porque é dessa convivência que nasce o verdadeiro amor, pelo qual nos unimos uns aos outros no seio de Sua Santa Igreja.

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4. Com efeito, o que mais nos chama a atenção nesse Evangelho de hoje são estas duas frases: "a minha Igreja" e "as chaves do Reino dos Céus". Após a profissão de fé de Pedro, o Senhor Jesus disse: "Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vence-la." (Mt 16,18).


5. E a outra frase de igual importância é: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,19). Ora, Jesus é Deus conosco, a Sua Palavra é a Palavra do Pai (cf. Jo 14,24), desse modo, Sua Palavra é irrevogável, ela se cumpre na íntegra.

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6. São Paulo se referindo à Igreja como esposa de Cristo, escreveu: "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santifica-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5,25-27). Desse modo, a Igreja jamais poderá ser vista fora do contexto dessas palavras.

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7. Portanto, caríssimos, Pedro hoje é o Santo Padre, o Papa Leão XIV, e isso é inegável, porque, como ouvimos do Senhor: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,19). "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mt 24,35).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

QUAL É A TUA RECOMPENSA?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 20,1-16a)(19/8/26).

1. Caríssimos, a primeira leitura desta liturgia começa com o Senhor instruindo o Profeta Ezequiel para que profetize contra os maus pastores, mostrando-lhes quanto foram negligentes no cuidado com as suas ovelhas, pois se aproveitando delas, apascentaram a si mesmos, e por isso, elas se dispersaram perdendo-se a esmo. Todavia, nem tudo está perdido uma vez que promete Ele mesmo apascenta-las.

2. De fato, assim como no tempo do Profeta Ezequiel, também em nosso tempo não é diferente principalmente por conta da infiltração de lobos vorazes que com suas terríveis ideologias teem deixado de lado o Evangelho, que é o alimento sólido das almas, para lhes oferecer o alimento podre que as envenena e as dispersa, e assim tiram proveito dos seus despojos. 

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do patrão que busca operários para a sua vinha, os encontra em várias horas do dia, mas ao findar a tarefa dá o mesmo salário para todos começando pelos últimos; o que provocou a ira e a murmuração dos primeiros que chegaram ao trabalho. Porém, a resposta do Senhor não deixou dúvida: "Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”

4. Comentando esse Evangelho disse o saudoso Papa, Bento XVI: "Jesus, ao contar essa Parábola, mostra com evidência que o salário representa a vida eterna, uma dádiva que Deus reserva para todos. De fato, precisamente aqueles que são considerados "últimos", se o aceitarem, tornam-se "primeiros", enquanto que os "primeiros" podem correr o risco de acabar por ser "últimos". 

5. Uma primeira mensagem desta parábola reside no próprio fato de que o mestre não tolera, por assim dizer, o desemprego: ele quer que todos estejam envolvidos na sua vinha. E na realidade, ser chamado já é a primeira recompensa: poder trabalhar na vinha do Senhor, colocar-se ao seu serviço, colaborar no seu trabalho, isso constitui em si mesmo uma recompensa inestimável, que compensa todo o trabalho.

6. Mas somente aqueles que amam o Senhor e o seu Reino compreendem isto; aqueles que, pelo contrário, trabalham apenas por remuneração nunca se aperceberão do valor inestimável deste tesouro." (Bento XVI - Angelus 21/07/2008).

7. Portanto, caríssimos, na vida tudo o que fazemos no nosso dia a dia é um serviço a Deus e à difusão do seu reino, contanto que façamos por amor à Ele em obediência ao seu chamado, pois todos que fomos batizados somos operários da sua vinha, e mais dia menos dia, receberemos a recompensa independente do tempo que trabalhamos. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Homilia do XVIDOM do tempo comum

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,38-42)(20/07/26)

1. Caríssimos, a vida sem amor é uma somatória de atos negativos contrários as virtudes que nos levam à felicidade eterna; por outro lado, quando fazemos a vontade de Deus somos felizes, porque a felicidade consiste em viver conforme a se Deus como nos ensinou o Profeta Miquéias: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus."(Miq 6,8).

2. A liturgia de hoje nos mostra um embate entre o crê e o não crê; entre aqueles que pedem sinais para crê e à própria incredulidade que nega tais sinais e por isso insiste em pedi-los mesmo tendo consciência da má conduta que vivem e que não lhes deixa crer. 

3. Com efeito, o nosso viver ou é uma expressão do amor com o qual Deus nos criou ou então é a negação desse amor. No Evangelho de hoje "alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 

4. Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas." (Mt 12,38-39). Ou seja, com qual intuito nos aproximamos do Senhor, pois quem busca sinais para crer, não acreditará mesmo que os veja.

5. De fato, quem se aproxima do Senhor trazendo no coração tal conduta não o respeita nem o ama, pois Ele já havia realizado inúmeros sinais e no entanto não acreditaram. Daí compreendemos que não são os sinais milagrosos que nos levam a crer, mas é a fé presente em nossas almas que os fazem acontecer, como nos ensinou o Senhor: "Tudo é possível ao que crer." (Mc 9,23b).

6. Portanto, caríssimos, um viver fecundo cheio do fruto do Espírito Santo, que é "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança", é o que fundamenta a verdadeira fé e que faz presente o poder de Deus em nossa vida.

7. Destarte, é essa fé que nos aproxima de Deus para ama-lo e sermos amados por Ele que nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para que Nele acreditando recebamos todas as graças e bênçãos para a salvação eterna das nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Nenhum sinal lhes será dado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,38-42)(20/07/26)

1. Caríssimos, a vida sem amor é uma somatória de atos negativos contrários as virtudes que nos levam à felicidade eterna; por outro lado, quando fazemos a vontade de Deus somos felizes, porque a felicidade consiste em viver conforme a se Deus como nos ensinou o Profeta Miquéias: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus."(Miq 6,8).

2. A liturgia de hoje nos mostra um embate entre o crê e o não crê; entre aqueles que pedem sinais para crê e à própria incredulidade que nega tais sinais e por isso insiste em pedi-los mesmo tendo consciência da má conduta que vivem e que não lhes deixa crer. 

3. Com efeito, o nosso viver ou é uma expressão do amor com o qual Deus nos criou ou então é a negação desse amor. No Evangelho de hoje "alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 

4. Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas." (Mt 12,38-39). Ou seja, com qual intuito nos aproximamos do Senhor, pois quem busca sinais para crer, não acreditará mesmo que os veja.

5. De fato, quem se aproxima do Senhor trazendo no coração tal conduta não o respeita nem o ama, pois Ele já havia realizado inúmeros sinais e no entanto não acreditaram. Daí compreendemos que não são os sinais milagrosos que nos levam a crer, mas é a fé presente em nossas almas que os fazem acontecer, como nos ensinou o Senhor: "Tudo é possível ao que crer." (Mc 9,23b).

6. Portanto, caríssimos, um viver fecundo cheio do fruto do Espírito Santo, que é "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança", é o que fundamenta a verdadeira fé e que faz presente o poder de Deus em nossa vida.

7. Destarte, é essa fé que nos aproxima de Deus para ama-lo e sermos amados por Ele que nos deu o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para que Nele acreditando recebamos todas as graças e bênçãos para a salvação eterna das nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 18 de julho de 2026

O que significa ser bem-aventurados?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,14-21)(18/07/26)

1. Queridos Irmãos e irmãs, meditando o Evangelho de hoje vemos quanta cegueira espiritual existe nas almas escravisadas pelo pecado a ponto de não discernirem o que é o bem, mas confundi-lo com o mal, e por isso, usam todo tipo de falcatruas e tramas ilícitas com o propósito de destruir o bem e matar o Senhor da vida.

2. De fato, o pecado é a porta de entrada do maligno no íntimo das almas; por isso, peçamos ao Senhor para vivermos em estado de graça, pois, sempre que o comungamos nesse estado nos tornamos um só com Ele; e aonde Ele habita, não existe espaço para o mal.

3. Caríssimos, quais as lições de vida tiramos desse Evangelho de hoje? Digamos que muitas, mas de modo especial enfatizemos duas, as quais o Senhor Jesus já nos havia ensinado no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!" (Mt 5,9-10).

4. A segunda lição consiste em que a vontade de Deus posta em prática vence toda resistência do mal, bem como vimos na atitude de Jesus: "Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos." Ou seja, ninguém jamais pode impedir o bem que vem de Deus, uma vez que os seus santos desígnios são para sempre.

5. Portanto, caríssimos, ser bem-aventurados significa manter a nossa comunhão com o Senhor Jesus e nos deixar conduzir por Ele; pois embora a facilidade das tentações nos empurrem para o pecado caso caírmos nelas; a graça santificante do amor de Deus nos faz firmes e fortes para comba-las e vence-las sempre que formos tentados. 

6. Destarte, escutemos atentamente o Senhor e ponhamos em prática a sua divina Palavra: "Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,11-13).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

sentindo da Lei é fazer a vontade de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA(Mt 12,1-8)(17/07/26)

1. Caríssimos a Lei de Deus existe em função do bem de todos, ou seja, para suprir a necessidade de justiça que temos, e por isso, ela ajuda à lei natural a ser cumprida na íntegra. 

2. Dado a isso é que o Senhor Jesus, respondeu aos contestadores dos discípulos, que os acusaram de violarem a lei do sábado: "Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes." (Mt 12,7).

3. Com efeito, nenhuma lei seja ela natural, divina ou positiva (aquela criada pelo homem) usada para regular a atividade humana, pode deixar de lado as virtudes próprias que as sustenta. No Evangelho de hoje Jesus lembra aos mestres da Lei e fariseus que a virtude da misericórdia nos isenta do juízo temerário e da condenação de inocentes.

4. Quando o Senhor Jesus diz esta frase: "De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.(Mt 12,8). Ele fala como legislador divino porque é o Filho de Deus que se fez homem e veio a este mundo para nos salvar; Ele é a Palavra viva e incontestável do Pai, sua autoridade visa sempre a salvação dos homens, por isso, nunca age ou se comporta fora dos seus desígnios de amor.

5. Sem dúvida, existe em nós uma tendência de querer julgar tudo e todos segundo a nossa justiça, e com isso, não percebemos que à medida que julgamos assim, carregamos em nossas almas os pecados julgados e a condenação destilada contra aqueles que cometeram tais pecados.

6. São Paulo na primeira Carta aos Coríntios, escreveu: "[Irmãos], não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece." (1Cor 4,5).

7. Decerto, isso não significa que somos coniventes com os pecados cometidos neste mundo, pelo contrário, os reprovamos veementemente, todavia, que façamos isso sem perder o senso da misericórdia e do amor de Deus que sempre perdoa todos os que o procuram arrependidos e contritos de coração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,46-50)(16/07/26)

1. Caríssimos, as promessas de Deus se cumprem na Íntegra, porque a Sua Palavra é Palavra de vida eterna, por isso, a antecipa em profecia para nos dar a segurança de que é Ele mesmo quem nos fala, desse modo, mesmo que alguém duvide isso não muda em nada o que anunciou; pois, mesmo duvidando não deixa de ver a realização do seu anúncio.

2. A Santa Igreja hoje celebra a Festa de Nossa Senhora do Carmo uma das mais belas devoções à Virgem Maria, que tem como referência o Monte Carmelo. Com efeito, "a Sagrada Escritura celebra a beleza do Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a pureza da fé de Israel no Deus vivo. No século XII, alguns eremitas foram viver nesse monte e, mais tarde, constituíram uma Ordem de vida contemplativa sob o patrocínio da Santa Mãe de Deus, Maria." (Liturgia das Horas).

3. São Leão Magno (séc. V) fez o Seguinte comentário sobre a Natividade do Senhor: "Uma virgem da descendência real de Davi foi escolhida para a sagrada maternidade; iria conceber um filho, Deus e homem, primeiro em seu espírito, e depois em seu corpo.

4. E para evitar que, desconhecendo o desígnio de Deus, ela se perturbasse perante efeitos tão inesperados, ficou sabendo, no colóquio com o anjo, que era obra do Espírito Santo o que nela se realizaria. Maria, pois, acreditou que, estando para ser em breve Mãe de Deus, sua pureza não sofreria dano algum.

5. Portanto, a Palavra de Deus, que é Deus, o Filho de Deus, que no princípio estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem ela nada se fez (cf. Jo 1,2-3), a fim de libertar o homem da morte eterna, se fez homem. Desceu para assumir a nossa humildade, sem diminuir a sua majestade.

6. Permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira condição de escravo à condição segundo a qual ele é igual a Deus; realizou assim entre as duas naturezas uma aliança tão admirável que, nem a inferior foi absorvida por esta glorificação, nem a superior foi diminuída por esta elevação."

7. Portanto, caríssimos, "em um mundo hiperconectado, barulhento e acelerado, a espiritualidade do Carmo traz um remédio urgente: ​O Silêncio: O Monte Carmelo nos lembra de que Deus se revela na brisa suave, não no barulho ensurdecedor deste mundo.

8. A Maternidade Acolhedora: Maria sob o título do Carmo é a mãe que nos veste com sua graça e nos protege sob seu manto protetor. ​A Esperança: Ela nos aponta o topo da montanha — que, em última análise, é o próprio Cristo.

9. ​Celebrar Nossa Senhora do Carmo é renovar o desejo de uma fé que não é superficial, mas que cria raízes profundas no silêncio do próprio coração."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Deus se revela aos pequenos

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,25-27)(15/07/26)

1. Caríssimos, muitos não dão importância à própria vida e por isso fazem pouco caso da vida dos outros não respeitando a imagem e semelhança de Deus nós que somos. Sem dúvida, essa falta de respeito e desobediência à Palavra de Deus tem levado este mundo ao desequilíbrio que vemos, por fazerem da ganância pelo poder temporal instrumento de opressão e da própria condenação.

2. De fato, todo arrogante, prepotente que vive arrotando soberba e todo tipo de impropérios se assemelha aqueles que se portam como seres irracionais, por fazerem o que querem sem levar em conta o bem de todos, mas os próprios interesses, como se nada e ninguém os detesse; no entanto, a esses diz o Profeta Isaías: "Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo”. (Is 10,16).

3. O livro de Sabedoria ensina como se devem portar os governantes deste mundo: "Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos." (Sb 1,1-3).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus exulta de alegria e louva ao Pai por revelar aos pequeninos os tesouros da Sua Sabedoria e do Seu amor: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado." (Mt 11,25-26). 

4. E continua Ele: "Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. (Mt 11,27). Eis o diz Guilherme de Saint-Thierry monge beneditino a esse respeito: "Ninguém conhece o que há em Deus, a não ser o Espírito de Deus (cf 1Cor 2,11). 

5. Corre, pois, a participar do Espírito Santo. Ele torna-Se presente logo que é invocado; mais ainda, não poderia ser invocado se não estivesse já presente. E, quando é invocado, vem e traz consigo a abundância da bênção de Deus. É essa a corrente impetuosa do rio que alegra a cidade de Deus (cf Sl 45,5).

6. E, quando Ele vier, se te encontrar humilde, tranquilo e cheio de respeito pelas palavras de Deus, repousará sobre ti (cf Lc 1,35) e revelar-te-á o que Deus Pai oculta aos sábios e entendidos deste mundo. 

7. Então, começará a brilhar aos teus olhos aquilo que a Sabedoria pôde ensinar na Terra aos seus discípulos, mas que eles não puderam compreender enquanto não veio o Espírito de verdade, que havia de lhes ensinar a plena verdade (cf Jo 16,12-13)."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Como a fé nos ajuda a seguir Cristo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,34-11,1)(13/07/26)

1. Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra o conflito que existe no íntimo de cada um de nós quando nos dispomos a seguir o Senhor Jesus de todo o nosso coração tal qual Ele nos ensinou no Evangelho desta liturgia. 

2. De fato, quando pomos em prática as suas recomedações logo experimentamos o que significa ser seus verdadeiros discípulos, ou seja, viver sem apegos e repletos de coerência; caso contrário nosso seguimento não passa de aparência frívola, professando a fé, mas não a praticando devidamente.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina três atitudes fundamentais para segui-lo coerentemente: renunciar ao apego familiar, que significa ama-lo sobre todas as coisas; tomar a cruz e sigui-lo fielmente para sermos dignos dele; e por último, renunciar a si mesmo, isto é, não querer salvar a própria vida, mas se for a vontade de Deus, perde-la por amor a Ele.

4. Sem dúvida, o que importa mesmo não é o que deixamos para seguir o Senhor Jesus e cumprirmos o seu desígnio salvífico a nosso respeito, mas sim o que recebemos Dele, isto é, cem por cento, e no Reino dos Céus a vida eterna. 

5. Decerto, sabemos que as vantagens deste mundo são passageiras, pois nada trouxemos quando nascemos a não ser a inocência, e nada levamos quando daqui partirmos; a não ser o amor com que amamos a Deus sobre todas as coisas e uns aos outros como a nós mesmos.

6. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente o Senhor Jesus: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mt 7,21). 

7. De fato, a vontade de Deus é que sigamos o Seu amado Filho até o fim dos nossos dias neste mundo para obtermos como herança a vida eterna. Bem como disse o Senhor: "Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la." (Mt 10,38-39).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 12 de julho de 2026

A Palavra de Deus é a semente... Nós somos os campos...

 Homilia do XV Dom do tempo comum (Mt 13,1-23)(12/07/26)

1. Caríssimos a liturgia deste domingo é toda dedicada à Palavra de Deus; ora, a Sua Palavra é a Sua Voz escrita pelo Espírito Santo nos falando diretamente para não termos dúvidas de quem está falando e qual a sua finalidade. 

2. Por isso, toda interpretação subjetivista, é falsa, porque é uma deturpação do que Deus fala, ou seja, é o sujeito quem define o que é certo ou errado negando com isso o absoluto eterno de quem dependemos cem por cento. (cf. 2Pd 1,20-21).

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do Semeador que saiu a semear em campos disponíveis as boas sementes geradoras de vida; todavia, muitas delas se perderam porque alguns destes campos não estavam devidamente preparados para as receberem. 

4. Com efeito, tais campos são aqueles que se tornaram presas fáceis do maligno; pela não perseverança nas perseguições por causa da Palavra; e pelos que a sufocaram com as vãs preocupações e os interesses mesquinhos.

5. Decerto, ao fazer tal analogia o Senhor Jesus nos revela que Ele é o semeador, as sementes são a Palavra de Deus e os campos que as recebe são todos os seres humanos que vivem neste mundo. E como vimos, quatro são os campos disponíveis, porém, destes somente um acolhe as sementes devidamente e dão frutos cem, sessenta e trinta por um. E esse campo fecundado são aqueles que escutam a Palavra e a põem em prática sem alardes.

6. Portanto, caríssimos, a conclusão que tiramos desta liturgia é a de que a Palavra de Deus é eficaz e sempre se realiza não obstante os obstáculos que se levantam contra ela, porém, nada disso impede a sua fecundação. Quanto à nós, somos Palavra de Deus realizada à medida que somos o campo preparado onde Ele a semea para darmos os frutos da vida eterna que ela gera. 

7. Destarte, escutemos atentamente esta exortação do Profeta Isaías: "Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la." (Is 55,10-11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Por que Deus quis sofrer e morrer como um de nós?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,16-23)(10/07/26)

1. Caríssimos, existem certos acontecimentos muito difíceis de entender se os analisamos com os limites dos nossos critérios; por exemplo, por que Deus que tem todo poder sobre o céu e a terra, quis sofrer como um de nós e quis morrer numa cruz como se não tivesse nenhum poder? Por que os justos e inocentes sofrem sem terem culpa alguma tal qual sofreu o Senhor Jesus?

2. Decerto, somente mediante os critérios da fé é possível entender os acontecimentos que não entendemos com os nossos critérios, porque "tudo é possível ao que crê" (Mc 9,23b); e é isso o que nos ensina o Senhor Jesus: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (Jo 16,12-13). 

3. Santo Inácio de Antioquia, assim exorta são Policarpo sobre as provações que sofremos: "Suporta todos os teus irmãos com paciência, como o Senhor te suporta a ti; suporta-os a todos com amor, como aliás já fazes. Ora sem descanso; suplica uma sabedoria ainda maior; vela e mantém o teu espírito alerta; fala a cada um em particular, a exemplo de Deus. 

4. Suporta as enfermidades (cf Mt 8,17) de todos como verdadeiro atleta; onde houver mais esforço, aí haverá mais ganho. Se apenas amares os bons discípulos, não terás qualquer mérito; os que tens de submeter pelo amor são principalmente os mais afetados. Não se aplica o mesmo bálsamo a todos os ferimentos; apazigua as crises agudas com compressas humedecidas. 

5. Sê em todas as coisas prudente como as serpentes e simples como as pombas. Tu, que és carne e espírito, trata com bondade aquilo que se alcança pelos sentidos, mas reza para que o mundo invisível te seja revelado. Deste modo, não te faltará coisa alguma, e serás rico com os dons do Espírito.

6. Um grande atleta triunfa a despeito dos golpes. É principalmente por Deus que temos de aceitar todas as provas, a fim de que também Ele nos aceite. Redobra o teu zelo; examina atentamente esta época. 

7. Espera naquele que está para além do tempo, que é eterno e invisível, mas Se deixou ver por nós, naquele que, sendo intangível e incapaz de sofrer, conheceu a Paixão e consentiu em todos os sofrimentos." (Santo Inácio de Antioquia (?-c. 110) bispo, mártir. Carta a Policarpo (69-155, santo, bispo e mártir).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Crer em Deus é ama-lo, é servi-lo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,32-38)(09/07/26)

1. Caríssimos, a incredulidade é um espírito maligno que fecha os homens em si mesmos não lhes permitindo crer em Deus, mas nos ídolos que os escraviza levando-os à perversão e a todo tipo de maldade. Bem como nos ensina são Paulo: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil." (2Tm 3,1) 

2. E nos alerta: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma. Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?

3. Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." (1Cor 6,12. 9-10)

4. Com efeito, são tantos os que se deixaram prender por esses vícios que este mundo está totalmente contaminado por eles, se destruindo pouco a pouco, de modo que somente uma intervenção divina o poderá libertar, o que certamente acontecerá dada a urgência desta ação libertadora como vimos no Evangelho de hoje.

5. Sem dúvida, o mal está com os seus dias contados, porque tudo neste mundo tem limite, e por isso mesmo, não é possível abusar tanto da misericórdia de Deus sem que haja uma intervenção da Sua Justiça a fim de julgar os culpados e libertar os inocentes. De fato, é nessa direção que caminha a humanidade.

6. Portanto, caríssimos, enquanto temos tempo o Senhor Jesus nos chama a oração de intercessão para que nos sejam dados operários disponíveis para o serviço da salvação das almas: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" (Mt 9,37-38).

7. Comentando este Evangelho disse são João Crisóstomo: "Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, não menos importante, de curar as almas. Repara como mostra ao mesmo tempo a facilidade e a necessidade desta obra. 

8. Efetivamente, o que foi que Ele disse? "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos": não é à sementeira que vos envio, mas à messe. Falando assim, Nosso Senhor dava-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado." (São João Crisóstomo (c. 345-407). Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n.° 32).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O silêncio interior são os ouvidos da alma que escuta o que Deus fala...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,32-38)(09/07/26)

1. Caríssimos, a incredulidade é um espírito maligno que fecha os homens em si mesmos não lhes permitindo crer em Deus, mas nos ídolos que os escraviza levando-os à perversão e a todo tipo de maldade. Bem como nos ensina são Paulo: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil." (2Tm 3,1) 

2. E nos alerta: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma. Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?

3. Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." (1Cor 6,12. 9-10)

4. Com efeito, são tantos os que se deixaram prender por esses vícios que este mundo está totalmente contaminado por eles, se destruindo pouco a pouco, de modo que somente uma intervenção divina o poderá libertar, o que certamente acontecerá dada a urgência desta ação libertadora como vimos no Evangelho de hoje.

5. Sem dúvida, o mal está com os seus dias contados, porque tudo neste mundo tem limite, e por isso mesmo, não é possível abusar tanto da misericórdia de Deus sem que haja uma intervenção da Sua Justiça a fim de julgar os culpados e libertar os inocentes. De fato, é nessa direção que caminha a humanidade.

6. Portanto, caríssimos, enquanto temos tempo o Senhor Jesus nos chama a oração de intercessão para que nos sejam dados operários disponíveis para o serviço da salvação das almas: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!" (Mt 9,37-38).

7. Comentando este Evangelho disse são João Crisóstomo: "Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, não menos importante, de curar as almas. Repara como mostra ao mesmo tempo a facilidade e a necessidade desta obra. 

8. Efetivamente, o que foi que Ele disse? "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos": não é à sementeira que vos envio, mas à messe. Falando assim, Nosso Senhor dava-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado." (São João Crisóstomo (c. 345-407). Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n.° 32).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A FÉ, A HUMILDADE E A ORAÇÃO ALCANÇA TODAS AS GRAÇAS...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,18-26)(06/07/26)

1. Caríssimos, o nosso encontro com Deus é inevitável seja no tempo no qual vivemos seja na eternidade para onde estamos indo em definitivo tal qual nos ensina a Carta aos Hebreus: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo." (Hb 9,27). 

2. O fato é que todos temos esse encontro marcado, todavia, os meritos para ve-lo face a face são a fé, a obediência incondicional à sua Palavra e as boas obras que revelam o nosso amor ao próximo como a nós mesmos; pois, são essas virtudes que demonstram que somos verdadeiros discípulos de Cristo.

3. No Evangelho de hoje: "Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”. Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos." (Mt 9,18-19). 

4. De fato, a atitude de humildade e a súplica confiante de que o Senhor Jesus podia ressuscitar a sua filha, levou esse homem alcançar a graça desejada uma vez que por si mesmo se achava impotente diante da tragédia que se abatera sobre a sua família. 

5. Com isso, compreendemos que a fé acompanhada da humildade e da oração tudo alcança, porque nos leva a interação com o Senhor Jesus que em sua infinito amor nos atende de imediato, pois é Deus e tudo pode realizar em nosso favor como Ele mesmo nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê." (Mc 9,23b).

6. Com efeito, ainda dentro desse episódio vemos o caso da mulher que há doze anos sofria de uma hemorragia e que ao encontrar o Senhor Jesus que passava a caminho da casa do chefe da Sinagoga, viu neste encontro a oportunidade de sua cura e libertação do mal que a afligia, no que também foi atendida e ainda escutou do Senhor: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. (Mt 9,22a).

7. Portanto, caríssimos, o Senhor Jesus por meio desses dois episódios nos ensina os meios de vivermos em comunhão com Ele por meio da fé e das outras virtudes que recebemos no batismo e que nos leva à prepararmos para o nosso encontro definitivo com o nosso Pai celestial.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do 14° Dom do tempo comum...

 Homilia do 14° Dom do tempo comum ( Mt 11,25-30)(05/07/26)

1. Caríssimos, no Evangelho deste domingo, o Senhor Jesus louva ao Pai glorificando-o porque concede suas graças aos simples e humildes de coração. E por que isso acontece? Porque quem nada retém para si traz o temor do Senhor, isto é, o respeito, a obediência e a compaixão que são virtudes tão necessárias para se viver neste mundo segundo a Vontade de Deus, como nos ensinou o Senhor. 

2. Sem dúvida, o maior bem que recebemos de Deus é a vida, e com ela todos os valores eternos para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo, basta nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, como nos ensinou São Paulo na segunda leitura: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. 

3. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Mas, o que significa ser conduzidos pelo Espírito Santo de Deus? Significa sermos iluminados pela Luz da sua Sabedoria que nos revela Cristo vivo e conosco para realizarmos a vontade do Pai. 

5. Certa feita, disse o Senhor: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30). 

6. Com efeito, na vivência da fé nos deparamos com duas tentações que mais nos atormenta: querer controlar tudo e todos, e por meio do juízo temerário, julgar e condenar quem não se submete ao seu controle; foi por estes pecados que os escribas e fariseus assassinaram o Senhor Jesus. 

7. Então, qual a solução para sanar tais pecados? São Paulo no mostra esta solução na segunda leitura: "Deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo de Deus e não satisfareis os desejos da carne". De fato, quem não se esquece do Senhor Jesus, se mantém unido a Ele e põe em prática tudo o que nos ensina. Quem assim procede, é manso e humilde de coração, e é conduzido pelo Espírito Santo de Deus. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv

sexta-feira, 3 de julho de 2026

A maior felicidade de um discípulo, vencer a incredulidade...

 Festa do martírio de São Tomé (Jo 20,24-29)(03/07/26)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra com grande alegria a festa do martírio do Apóstolo Tomé, aquele que deu a vida por seu "Senhor e Deus", depois de ter passado pela grande prova da incredulidade mesmo depois de ter ouvido o testemunho dos outros Apóstolos de que tinham visto o Senhor ressuscitado e experimentado a alegria da Sua Ressurreição. 

2. De fato, depois de ter participado do discipulado de Cristo, recebendo os seus ensinamentos, vivenciado os seus prodígios e milagres, ainda assim Tomé não acreditou no autêntico testemunho dos outros Apóstolos, que certamente os deixou constrangidos diante da dureza do seu coração. 

3. No entanto, como o Senhor se faz presente sempre em todas as situações de nossa vida, de imediato se lhe apresentou e o convocou à tocar em suas chagas abertas para que fosse curado da cegueira espiritual que ainda o mantinha na morte, levando-o a experimentar como os outros discípulos a alegria da Sua Ressurreição.

4. Com efeito, essa luta travada por Tomé, entre a incredulidade e a fé, é a mesma que travamos também nós em nossos dias, em que tudo o que vemos dos pecados cometidos pelos os homens é uma negação explícita dos ensinamentos do Senhor Jesus, da Sua Ressurreição, da Sua presença no meio de nós, e de tudo o que há de mais sagrado, e é por essa incredulidade que este mundo está se tornando um antro de perdição eterna.

5. E isto porquê, como está escrito na Carta aos Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram." (Hb 11,6). Pois, tudo nos fala de Deus, como nos ensina São Paulo: "Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé (Hab 2,4).

6. Portanto, caríssimos, certamente Tomé sofreu tal tentação e nela caiu por dois motivos: primeiro, por sua ausência na comunidade dos discípulos, pois, quanto mais isolados, mais facilmente caímos na tentação da incredulidade. Segundo, o Senhor está sempre conosco, mas precisamos estarmos com Ele, mesmo quando nos isolamos; pois Ele nos ama, e cura com as suas chagas abertas, a ferida das nossas dúvidas para que assim participemos da alegria da Sua Ressurreição.

7. Comentando o Evangelho de hoje, disse São Tomás de Vilanova: "Tomé soltou esta exclamação sublime: "Meu Senhor e meu Deus". Esta profissão de fé, maior do que a incredulidade passada, não poderia ter soado mais alto: é todo o conteúdo da fé que está incluído nesta breve exclamação. 

8. Maravilhosa penetração deste homem, que toca no Homem e Lhe chama Deus, que toca numa coisa e acredita na outra. Tivesse ele escrito mil livros, não teria servido tão bem a Igreja. Com que clareza, fé e simplicidade chama Deus a Cristo! Que palavra tão útil e necessária para a Igreja de Deus!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Somente Deus tem todo poder sobre o céu e a terra...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,23-27)(30/06/26)

1. Caríssimos, nós estamos acostumados ter tudo sob o nosso controle, de forma que quando algo dá errado às vezes nos desesperamos porque esse algo fugiu do nosso controle; e por isso somos tentados a buscar soluções fora do âmbito da fé, ou quem sabe dado ao desespero, querer apelar pra tudo menos para a graça de Deus. 

2. De fato, isso se constitui um grande erro, pois, fora da graça de Deus não existe solução capaz de nos tranquilizar visto que somente Ele tem todo sobre o céu e a terra, e por isso mesmo somente Nele há salvação. É isso o que nos mostra a liturgia de hoje. 

3. Sem dúvida, esse mundo está infectado pelo pecado, tornou-se um mar revolto repleto de tempestades cada vez mais violentas, no entanto, quando pela fé e a oração acordamos o Senhor Jesus que tranquilamente dorme em nossas almas, de imediato Ele nos diz como disse aos discípulos: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?” 

4. Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria." (Mt 8,26). Ou seja, Deus jamais perdeu o controle de sua criação, nós é que nos perdemos quando não o amamos sobre todas as coisas e não nos amamos uns aos outros. De fato, não obedece-lo é não ama-lo, é deixar a sua proteção para buscar fora Dele o que somente Nele encontramos. Daí percebemos porque este mundo vive numa constante tempestade sem calmaria. 

5. Portanto, caríssimos, a graça nos é dada a todo instante, pois, crer em nosso Senhor Jesus Cristo, ama-lo e segui-lo humildemente de todo coração essa é a maior graça, ou seja, sermos seus verdadeiros discípulos no barco de sua Santa Igreja, singrando com Ele o mar revolto deste mundo até chegarmos no porto seguro da salvação, o Reino dos céus.

6. Destarte, todos os dias o Senhor nos dá a oportunidade de encontra-lo em nossa oração feita no coração da nossa alma, isto é, a nossa consciência. Todos os dias nos dá vinte quatro horas, dessas horas que Ele nos dá quantas damos a Ele? 

7. Decerto, tempo é vida, quem dá tempo a Deus tem Dele todas as graças e bênçãos, e por fim a vida eterna; mas quem tira o tempo de Deus para dar a outras coisas que não são Deus, vive mergulhado na tempestade dos pecados deste mundo. Que o Senhor Jesus tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna. Amém! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Senhor Jesus, só tu tens palavras de vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,28-34) (01/07/26)

1. Caríssimos, a vida nos foi dada como dom de Deus para a glória de Deus, não vive-la assim é perder o seu verdadeiro sentido, e se perdermos dela o sentido também a perdemos igualmente. 

2. Com efeito, não podemos pensar a vida como o mundo a pensa, ou seja, aproveita a vida o mais que poderes, porque morreu acabou; é isso o pensa o mundo, porém, nós não somos do mundo.

3. Bem nos ensinou são João a esse respeito: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (Jo 2,15-17).

4. Com efeito, desde o momento em que conheceram o Senhor Jesus, os Apóstolos deixaram tudo para segui-lo, como Pedro reconheceu diante da pergunta do Senhor se eles também queriam ir embora já que muitos o fizeram dizendo que a sua Palavra era muito dura, ao que "Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,68-69).

5. Sem duvidas, a figura deste mundo passa, mesmo assim muitos o seguem pelas facilidades materiais e os prazeres hediondos que lhes oferece, todavia, por traz de cada pecado cometido em busca das vantagens e dos prazeres fáceis, está o maligno que cobra um preço altíssimo dos seus seguidores, ou seja, a vida sem paz, sem alegria verdadeira, e em consequência cheia de tormentos.

6. Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje somente o Senhor Jesus tem o poder de expulsar o maligno definitivamente; por isso, todos nós que o seguimos somos felizes, porque não buscamos fazer a nossa vontade, mas sim a Dele que nos deu o dom do Espírito Santo para nos ensinar tudo o que diz respeito à nossa salvação.

7. Destarte, continuemos firmes na prática da verdade eterna contida nas Palavras de nosso Senhor Jesus Cristo que nos dá a graça de participarmos do seu Reino, contanto que renunciemos a este mundo e a tudo o que ele nos oferece, porque não faz parte do plano de Deus para a nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Vocação à Santidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,18-22)(29/06/26)

1. Caríssimos, a vocação à qual todos somos chamados é a santidade, e o caminho mais curto para chegarmos a ela é o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, como Ele mesmo nos ensina: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14,6).

2. Todavia, para segui-lo fielmente alguns requisitos são necessários: renunciar a própria vontade, e se deixar conduzir pelo Espírito Santo como nos ensinou são Paulo: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis." (Gl 5,16-17).

3. De fato, vivemos num mundo egoísta e cheio de interesses mesquinhos em que as coisas materiais, a fama e o poder temporal vale mais do a vida humana, por isso, milhares e milhões morrem à míngua, na miséria, enquanto uns poucos vivem no luxo desenfreado esbanjando suas riquezas. 

4. A estes, porém, diz o Senhor: "Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?" (Mc 8,36-37). E acrescenta: "Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus." (Mt 19,24). Ou seja, tudo o que vemos e temos materialmente não passa de cinza que se dissolverá para sempre.

5. Portanto, caríssimos, os verdadeiros valores não são os que acumulamos neste mundo, mas sim os que depositamos no tesouro dos céus com as nossas boas obras, tal qual nos ensina o Senhor: "Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.

6. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração." (Mt 6,19-21).

7. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus pela intercessão da sua mãe Maria Santíssima, de são José e de todos os santos e santas, a graça da renúncia de nós mesmos e de todos os nossos apegos para assim prosseguirmos livremente no seu seguimento.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 28 de junho de 2026

São Pedro e São Paulo, rogai por nós...

 Solenidade de São Pedro e São Paulo (Mt 16,13-19)(28/06/26)

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1. Caríssimos, por que será que depois que o Senhor Jesus fundou a Igreja, apareceram tantos pretensos fundadores de pseudas igrejas e outros tantos continuam à funda-las? Exatamente por causa da desobediência à estas palavras de Jesus: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

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2. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16,16-19). 

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3. Posto aqui parte da Homilia que o saudoso Papa Francisco fez sobre esta solenidade: "Os Santos Pedro e Paulo, que festejamos hoje, são representados nos ícones às vezes a sustentar o edifício da Igreja. Isto recorda-nos as palavras do Evangelho hodierno, em que Jesus diz a Pedro: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (Mt 16, 18).

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4. É a primeira vez que Jesus pronuncia a palavra “Igreja”, mas, mais do que no substantivo, gostaria de vos convidar a pensar no adjetivo, que é possessivo, “minha”: a minha Igreja. Jesus não fala da Igreja como de uma realidade externa, mas exprime o grande amor que nutre por ela: a minha Igreja. Está afeiçoado à Igreja, a nós.

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5. São Paulo escreve: «Cristo amou a Igreja e entregou-se por ela» (Ef 5, 25), ou seja, explica o Apóstolo, Jesus ama a Igreja como sua esposa. Para o Senhor, nós não somos um grupo de crentes nem uma organização religiosa, somos a sua esposa.

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6. Ele olha para a sua Igreja com ternura, ama-a com fidelidade absoluta, não obstante os nossos erros e traições. Como Cristo disse a Pedro naquele dia, hoje diz a todos nós: “Minha Igreja, vós sois a minha Igreja!”. E também nós o podemos repetir: minha Igreja."

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7. Oremos: "Senhor nosso Deus, pelos apóstolos São Pedro e São Paulo destes à vossa Igreja os fundamentos da fé. Concedei-nos, por sua intercessão, os auxílios para a salvação eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos." Amém! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de junho de 2026

O que é a fé inabalável?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,5-17)(27/06/26).

1. Caríssimos, por que um centurião demonstrou a grandiosidade e o poder da fé que, como disse Jesus, "nem em Israel encontrei tamanha fé"? É que a fé é um dom de Deus inato, ou seja, já nascemos com ela, todavia, precisamos cultiva-la como uma semente em terra boa, isto é, em nosso coração livre de toda maldade. 

2. De fato, sem o dom da fé a vida seria impossível, pois até mesmo os ateus precisam dela para sobreviver à sua negação de Deus. Todavia, quando se trata da fé em Cristo, essa é fruto da conversão à Cristo e por isso, dom do Espírito Santo. Pois Ele mesmo disse: "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia." (Jo 6,44).

3. Decerto, vivemos num mundo cheio das mais diversas expressões de fé, no entanto, a única capaz de nos conduzir à plenitude da verdade é a fé cristã, porque as demais são expressões dos homens em busca de uma divindade; enquanto que a fé em Cristo é dom de Deus para a salvação de toda a humanidade.

4. Bem como meditamos no Evangelho de são João: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16). E quanto a fé abraãmica? Também é dom de Deus e a base da fé cristã, pois Jesus o afirma: "Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria." (Jo 8,56).

5. Na Carta aos Hebreus meditamos: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." (Hb 11,1). Ou seja, é um dom sobrenatural, isto é, que está acima da nossa natureza, porém, é graça divina que tudo pode alcançar até o próprio Senhor da vida. À esse respeito disse São Paulo: "Tudo posso naquele que me conforta." (Fl 4,13).

6. Decerto, essa expressão nasce de uma outra clássica do mesmo Paulo: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." (Gl 2,19). Ou seja, crê é conviver com Deus por meio do dom da fé que Ele nos deu no batismo para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo e por toda a eternidade.

7. Comentando este Evangelho disse o saudoso Papa Francisco: "Quando nos apresentamos a Jesus, não é necessário fazer longos discursos. Bastam algumas palavras, desde que sejam acompanhadas de plena confiança na sua onipotência e bondade. 

8. Sim, Jesus escuta-nos sempre! Somos nós que devemos confiar nele. Lembras-te do centurião? Jesus curou o seu servo: "Em verdade vos digo que não encontrei em Israel ninguém com tanta fé! E Jesus disse ao centurião: "Vai, faça-se como acreditaste" (cf. vv. 10-13). A fé do centurião permite a cura à distância, porque a fé, também ela, move montanhas!".

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Quais as condições para entrarmos no Reino de Deus?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,21-29)(25/06/26)

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1. Caríssimos, as palavras não são só palavras, na verdade, elas são o que somos, ou seja, o conteúdo de nossa vida que expressamos por meio dos sons que saem do nosso interior em ondas sonoras que se expandem tempo adentro rumo à eternidade. 


2. De fato, somos filhos e filhas da Verdade e somente a verdade pode sair de nossos lábios, pois, sem esse fundamento tudo ruma para o caos infinito, para o nada eterno; e para que isso não aconteça sigamos, então, esta exortação de são Paulo: 


3. "A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Cl 3,16a-17).

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4. No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mt 7,21). Então, como entender essas palavras do Senhor? 


5. De fato, ou o que falamos é o que praticamos como vontade de Deus, ou tudo não passa de um engano que só pode ser corrigido quando nos arrependemos, confessamos e somos perdoados no Sacramento da reconciliação. 

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6. Caso contrário, não entraremos no Reino de Deus, porque neste caso as nossas palavras nos puseram fora dele, como nos ensina o Senhor: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado."

(Mt 12,35-37).

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7. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente as Palavras do Senhor para po-las em prática, pois, é isto o que Ele diz: "Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha."(Mt 7,24-25).

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8. Destarte, quando "pela fé, julgamos todas as coisas como Deus as vê, as julga e as avalia, participando da infalibilidade, da imutabilidade e da estabilidade divinas," é sinal de que a nossa casa está fundada sobre a Rocha da salvação eterna que é nosso Senhor Jesus Cristo.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Na presença do Senhor Jesus, somos curados de todas as nossas anfermidades...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,1-4)(26/06/26)

1. Caríssimos, existem dois tipos de enfermidades que atingem diretamente a saúde do corpo e da alma; umas e outras são males que nos invadem quando nos descuidamos e nos deixamos atingir por eles. No entanto, essa liturgia de hoje nos revela que diante da presença do Senhor Jesus todas as enfermidades dão lugar ao seu poder que nos cura e nos liberta de todos os males.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um leproso tocando nele e pronunciando as palavras de libertação, conforme narra são Lucas: "Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar". Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra." (Lc 8,2b).

3. Com efeito, analisando a atitude orante desse leproso, o seu jeito simples ao se aproximar do Senhor Jesus, sua fé e a sua humildade ao fazer sua oração, são exemplos a serem seguidos, como nos ensinou são Pedro: 

4. "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós." (1Pd 5b.6-).

5. De fato, vivemos num mundo tão dividido e infestado de pecados, que se não fosse a pureza da fé dos que creem e seguem nosso Senhor Jesus Cristo, não existiria mais nenhuma criatura na face da terra. Decerto, do mesmo modo que Deus falou a Abraão no passado, Ele nos fala também hoje: “Eu sou o Deus Poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito”. (Gn 17,1b). 

6. Ora, a graça para vivermos na presença do Senhor não nos falta, basta pô-la em prática, como foi ensinado pelo Profeta Miquéias: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus." (Miq 6,8).

7. Portanto, caríssimos, peçamos humildemente ao Senhor Jesus que nos cure da lepra dos nossos pecados para que purificados o sirvamos em santidade e justiça todos os dias de nossa vida neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

São João Batista, rogai por nós...

 Sol. Da Natividade de São João Batista (Lc 1,57-66.80)(24/06/26).

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da natividade de São João Batista, o precursor de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, o Messias esperado e enviado para salvar não somente o povo de Israel, mas também todos os pecadores arrependidos que começam uma nova vida a partir da misericórdia recebida do Senhor que os liberta dos pecados e da maldade que o pecado gera na face da terra.

2. Sem dúvida, vivemos num mundo de incertezas e inseguranças, por conta dos pecados aqui praticados, todavia, com a vinda do Senhor Jesus anunciado pelos profetas do Antigo Testamento e por seu precursor são João Batista, Deus nos deu a segurança que precisávamos, isto é, a certeza da nossa salvação eterna mediante a redenção realizada por seu amado Filho.

3. No Evangelho de hoje a evidência dessa graça se dá por meio de Zacarias e Isabel, que já adiantados em idade não podiam ter filhos, no entanto, para Deus nada é impossível, de modo que geraram um filho tão desejado, não somente por eles, mas por toda a humanidade. Por isso, deram-lhe um nome genuinamente profético, como escreveu Zacarias: "João é o seu nome", que significa "Deus nos é favorável."

4. Na segunda leitura são Paulo assim descreve a vinda do Senhor e a missão de João Batista: "Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um Salvador, que é Jesus. Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 

5. Estando para terminar sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’." (At 13,23-26).

6. Portanto, caríssimos, decerto a insegurança ainda existe neste mundo, mas não para os que confiam em Deus, como Zacarias e Isabel, que perseveraram na fé e receberam a graça que o Senhor tinha reservado para eles que mantiveram a esperança permanecendo fiéis até o fim.

7. Oremos: "Concedei, Deus todo-poderoso, que a vossa família siga pelo caminho da salvação, e, atenta às exortações de São João Batista, chegue ao Redentor que ele anunciou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Amém! (Liturgia da Missa).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 23 de junho de 2026

São duas as portas para entrar na eternidade, qual delas escolhemos?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,6.12-14)(23/06/26)

1. Caríssimos, quando os homens pensam que podem tudo por si mesmos, não percebem que estão prestes a caír no mais terrível abismo de perdição, como aconteceu com o rei Senaquerib na primeira leitura que por conta da sua arrogância insultou a Deus. Bem como escreveu são Pedro: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes" (Pr 3,34). (1Pd 5,5b).

2. Com efeito, a graça da salvação é a mais preciosa pérola que o Senhor Jesus nos deu para partilharmos com quantos encontrarmos no caminho da vida; no entanto, nem todos recebem de bom grado e com entusiasmo o nosso testemunho, neste caso, é melhor não o expor a esses como nos ensina o Senhor: “Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem." (Mt 7,6).

3. Por outro lado, Ele nos também ensina: "Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas." (Mt 7,12). Ou seja, não exija dos outros a santidade, mas seja santo no trato com todos; não recue nos atos de bondade por conta da ingratidão dos que usuflui desses atos; não deixe de amar e perdoar os que lhes são antipáticos por não cultivarem tais virtudes.

4. E o Senhor continua: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram”! (Mt 7,13-14).

5. De fato, como ouvimos do Senhor, duas são as portas que levam à eternidade; a estreita que corresponde à obediência incondicional à sua Palavra. E a porta larga da perdição que são os vícios e todos os pecados praticados neste mundo por instigação do maligno.

6. Portanto, caríssimos, sejamos atentos para não nos deixarmos enganar pelos falsos valores e pseudos prazeres deste mundo, que não verdade não passam de sentimentos mometâneos e fugazes; pois, o prazer do pecado é o fel do inferno. 

7. Destarte, escutemos ainda o Senhor Jesus: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41). E, são Tiago acrescenta: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O pecado mais cometido na face da terra...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-5)(22/06/26)

1. Caríssimos, na nossa condição de pecadores redimidos pelo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, mas ainda a caminho do seu Reino, não somos isentos das tentações, pelo contrário, somos tentados exatamente porque fomos redimidos. 

2. Todavia, como nos ensina são Paulo: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13).

3. Desse modo, nos perguntemos, quais são esses meios potentíssimos que Deus dispõe a nosso favor para não cairmos em tentação? São os frutos do Espírito Santo presente em nossas almas, como ainda nos ensina são Paulo: "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra essas virtudes não existe lei." (Gl 5,22-23).

4. Todavia, para po-los em prática precisamos dar tempo a Deus, porque tempo é vida; quem dá tempo a Deus e ao que diz respeito ao seu Reino recebe Dele todas as graças e bênçãos e a vida eterna como recompensa; mas quem tira o tempo de Deus para dar à outras coisas que não são Dele, ainda que pense que não lhe está ofendendo se engana, porque além de perder tempo perde também as suas graças e bênçãos e a recompensa eterna.

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos alerta sobre um dos pecados mais cometidos na face da terra, trata-se do mau juízo temerário que se faz do próximo. Diz o Senhor: “Não julgueis, e não sereis julgados. Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. (Mt 7,1-5).

6. Portanto, caríssimos, o ato de julgar indevidamente é porta de entrada para o demônio da fofoca, da mentira, do falso testemunho, do disse me disse, da difamação e de tantos outros pecados advindos da maledicência e do falso juízo.

7. Por isso, tenhamos em canta estas palavras do Senhor Jesus para evitarmos os pecados da língua: "Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,36-37).

8. Certa feita o Papa Francisco em uma de suas audiências disse: "A fofoca é o veneno do inferno e todo fofoqueiro é porta voz do demônio." Por isso, nunca fale sem pensar nas consequências eternas das suas palavras; que elas sejam palavras de salvação para todos que as ouvem. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do XIIDom do tempo comum

Homilia do XIIDom do tempo comum (Mt 10,26-33)(21/06/26)

1. Caríssimos, a humanidade vive mergulhada num turbilhão de pecados e isso tem sido a causa de todos os males que nos assola. O Livro do Eclesiastes se referindo ao uso dos sentidos para pecar, diz: "A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir." (Ecle 1,8b). E o Salmo 4, completa: "Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade?"

(Sl 4,3).

2. Com efeito, é em meio à essa pesada atmosfera de pecados que são Paulo anuncia na segunda leitura: "A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos."(Rm 5,15).

3. Comentando o Evangelho de hoje disse o saudoso Papa Bento XVI: "Deus é infinito e no seu Reino há lugar para nós. E o homem Jesus, que é ao mesmo tempo Deus, é para nós a garantia de que o ser-homem e o ser-Deus podem existir e viver eternamente um no outro. Isto significa que Deus conhece e ama o homem inteiro, aquilo que somos. 

4. E acolhe na sua eternidade o que agora, na nossa vida, feita de sofrimento e de amor, de esperança, de alegria e de tristeza, cresce e se forma. O homem todo, toda a sua vida é assumida por Deus, e nele purificada recebe a eternidade. Penso que esta é uma verdade que nos deve encher de profunda alegria. 

5. O cristianismo não se limita a proclamar uma salvação da alma num além não especificado, no qual tudo o que nos foi precioso e querido neste mundo seria apagado, mas promete a vida eterna, "a vida do mundo que há-de vir": nada do que nos é precioso e querido se arruinará, mas encontrará a plenitude em Deus. "Todos os cabelos da nossa cabeça estão contados." 

6. O mundo final será também a realização desta terra, como afirma São Paulo: "a própria criação será libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8,21). Podemos então compreender como o cristianismo dá uma forte esperança num futuro radioso e abre o caminho para a realização desse futuro. 

7. Somos chamados, precisamente como cristãos, a construir este mundo novo, a trabalhar para que ele se torne um dia "o mundo de Deus", um mundo que ultrapassará tudo o que nós próprios possamos construir." (Bento XVI - Santa Missa na Solenidade da Assunção de Maria, 15/8/2010).

8. Portanto, caríssimos, todos nós buscamos ser bem sucedidos na vida por nós mesmos; mas, nem sempre conseguimos, todavia, basta pôr-nos disponíveis a serviço do Reino de Deus, como nos ensinou o Senhor: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo." (Mt 6,33). Para vermos realizar-se a sua Santa Vontade em prol da nossa salvação eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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