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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A esperança recompensada...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 2,36-40)(30/12/25)


1. Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da profetisa Ana, filha de Fanuel, que inspirada pelo Espírito Santo, encontra a Sagrada Família quando da apresentação do menino Jesus no Templo do Senhor e o anuncia à todos quanto esperavam a libertação do povo eleito. 


2. Desse modo, Ana torna-se uma das primeiras anunciadoras de Cristo, como o Messias enviado por Deus Pai. "A opção da profetisa Ana, cujo nome significa graça, misericórdia, é símbolo da expectativa pela vinda do Senhor. Sua escolha de permanecer no Templo, após um breve período de matrimônio, deu-se por causa de sua esperança messiânica. 


3. Com jejuns e orações, pôs-se a serviço de Deus, absolutamente certa de ver realizado seu único desejo: contemplar o Messias. Ela sabia em quem tinha posto a sua confiança. Esta foi também a atitude de muitos outros judeus piedosos, que nutriam no coração o desejo de ver o Salvador.

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4. A fidelidade dessa mulher idosa foi recompensada, pois ela teve a graça de estar no Templo, por ocasião da liturgia da apresentação do menino Jesus e da purificação de Maria. Como Simeão, reconheceu ser aquele menino penhor de libertação para Israel, conforme todos esperavam. 


5. E proclamou publicamente esta sua convicção, tornando-se testemunha da missão que seria confiada àquele menino. Profeticamente, Ana colocou-se a serviço do Messias e de todos quantos ansiavam por redenção. 

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6. De certo modo, antecipou, também, a futura missão dos apóstolos: proclamar o nome de Jesus por toda a Terra. No âmbito restrito do Templo, anunciou ter-se realizado a promessa divina, e que a salvação havia chegado. 

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7. Como Simeão, também ela pode dizer: "Agora, Senhor, podes deixar tua serva ir em paz!" O testemunho de Ana é uma lição de como esperar o Messias: com paciência e perseverança.


8. Oração: Espírito de paciente perseverança, não permitas que meu coração desfaleça, à espera do Messias, confiante de que o Senhor realiza sempre suas promessas." (Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Agora Senhor podeis deixar vosso servo ir em paz...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 2,22-35)(29/12/25)

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Caríssimos, são João na primeira leitura desta liturgia nos ensina que a observância dos santos mandamentos são proteção e caminho de perfeição que nos mantém unidos a Cristo, como vemos nesta sua exortação: "Aquele que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6).

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2. O Evangelho de hoje narra a apresentação do menino Jesus no Templo em que Maria e José em obediência à Lei do Senhor vão oferecer o sacrifício prescrito por Moisés para o consagrar a Deus Pai. O que nos chama à atenção nesse episódio é como Deus acompanha seu Filho em todas as etapas de sua vida por meio da ação do Espírito Santo, e nesse episódio Simeão faz o anúncio profético do que acontecerá com Jesus e com a sua santa Mãe.

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3. São Cipriano (Sec. III) comentando esse Evangelho, disse: "Está escrito que «o justo viverá da fé» (Rm 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, é natural que vos alegreis ao ser chamados a Ele, uma vez que estais certos da promessa de Deus e destinados a estar com Cristo.

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4. Vede o exemplo de Simeão, o justo: era verdadeiramente justo e observou fielmente os mandamentos de Deus. Uma inspiração divina tinha-lhe dado a conhecer que não morreria sem primeiro ter visto a Cristo; e assim, quando Cristo, ainda criança, foi ao Templo com sua Mãe, percebeu, iluminado pelo Espírito Santo, que o Salvador tinha nascido, como lhe fora predito, e compreendeu que a sua morte estava iminente.

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5. Demonstrava assim que a paz de Deus é para os que O servem, que gozam de doce quietude e liberdade quando, subtraídos aos tormentos do mundo, alcançam o refúgio e a segurança eternos. Só então a alma encontra a paz verdadeira, o repouso total, a segurança duradoura e perpétua."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Vivemos das evidências da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 20,2-8)(27/12/25)

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1. Caríssimos, ama quem dá o primeiro passo, porque leva em conta somente o amor com que ama, isto é, livre de conotações humanas; todavia, pleno das motivações divinas, como o ouvimos do discípulo amado: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (1Jo 4,7-8).

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2. De fato, na vida estamos sempre apredendo, por isso, ela é um constante aprendizado; pois, viver não é somente uma sucessão de acontecimentos naturais, uma vez que sempre estamos intervindo neles com nossas escolhas e decisões e é desta intervenção que dependo o nosso estado de alma, porém, o verdadeiro aprendizado consiste em se deixar conduzir pelo Espírito Santo.

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3. Ora, a fé como dom do Espírito Santo, nos proporciona essa feliz interação com os acontecimentos e com o Senhor a partir de nossa naturalidade, para vivermos em estado de graça na sua presença fazendo em tudo a sua santa vontade. 


4. Por ela cremos que nada é impossível, como o Senhor Jesus nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê." Por isso, queiramos sempre o Deus quer, porque é sempre para a nossa salvação o seu querer e executar segundo o seu beneplácido. 

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5. No Evangelho de hoje os discípulos Pedro e João ouvindo o relato de Maria Madalena, partiram ao encontro do Senhor ressuscitado e o encontram nas evidências da sua ressurreição para depois o encontrar pessoalmente no Cenáculo. Bem como o Senhor nos ensinou: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20b). 

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6. Portanto, caríssimos, nos revistamos das mesmas convicções dos Apóstolos Pedro e João para assim gozarmos da mesma felicidade que eles gozaram ao encontrar as evidências do Senhor ressuscitado, e deixar-nos conduzir por Ele à glória do seu Reino.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Martírio é porta de entrada na vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,17-22)(26/12/25)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra o martírio de Santo Estêvão em plena oitava do Natal do Senhor. Santo Estevão foi o primeiro mártir depois de Cristo. De fato, todo mártire de nossa fé carrega na alma a graça da vida eterna prometida pelo Senhor Jesus: "Quem perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salva-la-á." (Mc 8,35b).

2. Com efeito, ao juntarmos estes dois nascimentos, do Senhor Jesus e o de Estevão, seu discípulo diácono, celebramos ao mesmo tempo Deus que se fez homem nascido da Virgem Maria por obra e graça do Espírito Santo, e o de Santo Estevão que entra na vida eterna vencendo a morte pela mesma ação do Espírito Santo.

3. O Senhor Jesus antes de ser crucificado perdoou os seus algozes, pois, veio a este mundo para salvar à todos; de igual modo Santo Estevão também os perdoou como Jesus lhe ensinou por palavras e gestos. De fato, a vida vivida em Cristo é um grande mistério de amor que os inimigos da fé jamais poderão impedir ainda o queiram.

4. Comentando esse Evangelho de hoje, disse o saudoso Papa Francisco: "Mas por que o mundo persegue os cristãos? O mundo odeia os cristãos pela mesma razão pela qual odiaram Jesus, porque Ele trouxe a luz de Deus e o mundo prefere as trevas para esconder as suas obras malvadas.

5. Recordemos que o próprio Jesus, na Última Ceia, rezou ao Pai para que nos defendesse do mau espírito mundano. Há oposição entre a mentalidade do Evangelho e a mundana. Seguir Jesus significa seguir a sua luz, que se acendeu na noite de Belém, e abandonar as trevas do mundo.

6. Elevemos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Rainha dos mártires, a nossa oração para que nos guie e nos ampare sempre no caminho do seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo. (Papa Francisco, Angelus, 26/12/16)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Nasceu hoje Jesus Salvador, nosso Rei e Senhor...


 Homilia do Natal do Senhor (Jo 1,1-18)(25/12/25).

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1. Caríssimos, a experiência que temos da luz natural é esta, quem vive nela, jamais é atingindo pelas trevas; e ainda que as trevas queriam lhe invadir não consegue porque a ela as ofusca, uma vez que seu brilho é inatingível. Assim são aqueles que se deixam iluminar pela luz de Cristo que brilha na vida e nas ações daqueles que nascem da água e do Espírito Santo no batismo.
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2. Natal significa que a Luz incriada de Cristo adentra as nossas almas afugentando delas as trevas do pecado que tentam nos escurecer. De fato, ser iluminados pelo Senhor é deixar que Ele nos conduza por suas palavras e por suas ações por meio da nossa obediência com a qual aderimos à Ele incondicionalmente como o fizeram os santos e santas.
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3. Desse modo, a pobreza, a simplicidade, a ternura e o amor que encontramos na mãe do Senhor e em são José no presépio de Belém, também se fará presente em nossa vida para refletirmos a luz do menino Deus como de igual modo o fizeram os pastores que o contemplaram e o adoraram naquela humilde manjedoura.
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4. "A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que ocorreu na história, mas ao mesmo tempo a transcende. Na noite do mundo acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. 

5. O “Emanuel”, Deus-conosco, veio como Rei da justiça e da paz. Seu Reino – sabemos – não é deste mundo, mas é mais importante do que todos os reinos deste mundo. Contemplemos juntos este grande mistério de amor, deixemos que o nosso coração seja iluminado pela luz que brilha na gruta de Belém! (Papa Bento XVI). 

6. "Nesta noite, do ventre da mãe Igreja, nasceu de novo o Filho de Deus feito homem. O seu nome é Jesus, que significa Deus salva. O Pai, Amor eterno e infinito, enviou-O ao mundo, não para condenar o mundo, mas para o salvar (cf. Jo 3, 17). 

7. O Pai no-Lo deu, com imensa misericórdia; deu-O para todos; deu-O para sempre. E Ele nasceu como uma chamazinha acesa na escuridão e no frio da noite deste mundo." (Papa Francisco)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Deus nos visitou e permanece conosco...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,67-79)(24/12/25)

1. Caríssimos, estamos nos aproximando do Natal do Senhor, noite solene em que a nossa humanidade foi divinizada pela presença do Filho de Deus que se fez carne no seio da Virgem Maria, como havia prometido por meio do Profeta Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco." (Is 7,14).

2. Com efeito, ao assumir a nossa natureza e glorifica-la no céu, o Senhor Jesus nos deu a certeza da vida eterna, contanto que permaneçamos fiéis até o fim no seu seguimento realizando a sua vontade expressa na sua Palavra e nos Sacramentos que o torna presente no meio de nós. 

3. Decerto, antes da vinda do Senhor Jesus, a humanidade não tinha a plena esperança da salvação definitiva; mesmo a tendo experimentado pela intervenção de Deus nos momentos mais difíceis da nossa história. No entanto, após a ressurreição do Senhor, a morte foi vencida pela vida, tornando-se Páscoa.

4. No Evangelho de hoje, Zacarias após ser libertado da sua mudez no momento da apresentação do seu filho, João Batista, cantou este cântico profético que a Igreja repete todos os dias na oração da Liturgia das horas: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo. 

5. Ele fez surgir para nós um poderoso salvador na casa de Davi, seu servidor, como havia prometido desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas: de salvar-nos dos nossos inimigos e da mão de todos quanto nos odeiam. 

6. Desse modo, foi misericordioso com nossos pais: recordou-se de sua santa aliança, e do juramento que fez a nosso pai Abraão, de conceder-nos que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de nossa vida. (Lc 1,67-75).

7. Portanto, caríssimos, a nossa vida está nas mãos de Deus por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que permanece conosco como Ele mesmo disse: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28, 20b). 

8. E então, como podemos identifica-lo? Por sua Palavra proclamada pela Santa Igreja nas Sagrada Escrituras, que é a sua voz escrita nos falando diretamente; por meio dos Sacramentos que são os sinais sensíveis da sua presença; e enfim, em cada ser humano que Ele salvou por seu sacrifício de cruz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O que virá a ser este menino?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,57-66)(23/12/25).

1. Caríssimos, a obra da salvação exige uma Teofania - ação direta de Deus - devido a sua complexidade, pois somente Ele conhece os seres que criou e como livra-los do maligno e sua fúria, uma vez que o mal é a negação do bem que Deus criou somente para bem e não para mudar a sua essência. Ocorre que essa obra salvífica requer a nossa cooperação, pois somos os seus beneficiários diretos e conosco toda a criação. 

2. Com efeito, essa obra deu início com o seu anúncio (cf. Gn 3,15) depois do pecado dos nossos primeiros pais, passando pela vinda dos Patriarcas, das alianças com o povo do Antigo Testamento, os juízes, profetas, reis, as promessas culminando com a vinda de João Batista que anunciou a chegada do Messias preparando a sua estrada, isto é, o seu Ministério Salvífico.

3. Decerto, a principal característica desse Plano Salvífico é que ele é gerido pelo próprio Deus como Ele mesmo disse: "Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas." (Ez 3,11). Ou seja, ao enviar o seu Filho como o Messias prometido, tendo em João Batista seu precursor, Deus por meio Dele realiza a sua obra.

4. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI: "Os quatro Evangelhos dão grande destaque à figura de João Batista, como o profeta que conclui o Antigo Testamento e inaugura o Novo, indicando Jesus de Nazaré como o Messias, o Ungido do Senhor. 

5. De fato, será o próprio Jesus a falar de João nestes termos: "Ele é aquele de quem está escrito: Eis que diante de ti envio o meu mensageiro para preparar o teu caminho. Em verdade vos digo que não há ninguém maior do que João Batista entre os nascidos de mulher; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele" (Mt 11,10-11). 

6. Portanto, caríssimos, Deus é o autor da criação e seu único Salvador. Por isso, fiquemos certos de uma coisa: Ele nunca muda a nossa essência ou a intenção com a qual nos criou, sermos santos como Ele é Santo, foi por isso que permitiu o sacrifício cruento do Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. 

7. Destarte, se mesmo assim os homens continuarem negando a sua benevolência e misericórdia, por meio dos pecados que estão cometendo; não haverá mais solução fora do justo juízo de Deus que cairá sobre a humanidade, pois Ele julgará a cada um segundo as suas obras. 

8. Todavia, como ainda estamos no tempo da sua Divina Misericórdia, resta-nos o arrependimento e a conversão, a Confissão Sacramental e o perdão dos pecados. Sem isso "É horrendo cair nas mãos de Deus vivo." (Hb 10,31).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

A minha alma glorifica o Senhor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,46-56)(22/12/25)

1. Caríssimos, com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo a este mundo para assumir a nossa natureza decaída e nos libertar do pecado, do domínio do maligno e da morte, Deus renovou por meio dele todas as coisas, elevando-as à plenitude da sua glória, nos fazendo participantes de Sua Natureza Divina. E tudo isso Maria canta no cântico do magnificat, como vimos no Evangelho de Lucas. “A minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". 

2. No encontro com Isabel, o coração da Santíssima Virgem Mãe se solta como a língua de uma criança e faz sentir toda a sua alegria. Desse modo ela sente que o olhar de Deus pousou em sua pequena existência e acredita que esse olhar é sua força e sua grandeza.  

3. Olhada por Deus, ela já não tem medo de nada nem de ninguém e canta, canta com alegria essa graça recebida. A sua alegria não provém das coisas que possui, nem das coisas exteriores, mas da sua alma habitada inteiramente por Deus.

4. O canto do Magnificat é o Evangelho de Maria. Evangelho significa boas novas. Maria canta a sua pequenez: "A minha alma engrandece ao Senhor". Como se dissesse: o crédito é do Senhor, não é meu. Ela repete várias vezes: “É Ele quem olhou”, “É Ele quem fez grandes coisas em mim”. 

5. Há quatorze verbos nesta canção, dos quais dez se referem a Deus, um à todas as gerações, os outros três a Maria. No centro do Magnificat está o Decálogo do Deus apaixonado. O Magnificat é o Evangelho que coloca no centro da fé não o que eu faço por Deus, mas o que Deus faz por mim.

6. De fato, não merecemos Deus, mas sim o acolhemos, porque Ele se nos dá por completo. Não temos Deus no coração porque o amamos, mas estamos no coração de Deus porque ele nos ama. 

7. No Magnificat, Maria diz-nos quem é Deus: é o Senhor, é o Salvador, é o Todo-Poderoso. Nele canta os quatro "sins". O "sim" do Pai à humanidade a quem dá o seu Filho; o "sim" do Filho que se faz homem para fazer a Sua vontade; o "sim" do Espírito Santo que tece a trama do divino com a urdidura do humano, ou seja, que faz a união do divino com o humano; e o humilde "sim" de Maria a Deus a quem nada é impossível."

8. Portanto, caríssimos, "Que a nossa vida seja um Magnificat contínuo para Deus." (Mons. Angelo Spina). Ou seja, que sejamos uma expressão do seu amor por nós e por toda a humanidade, como Maria Santíssima contou no Magnificat inspirada pelo Espírito Santo. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 21 de dezembro de 2025

A proximidade de Deus

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 1,18-24)(18/12/25)

1. Caríssimos, o que mais chama a atenção nesta liturgia de hoje é o tema da proximidade de Deus; de fato, essa Sua proximidade realmente nos preenche de imensa felicidade e alegria tendo em vista a nossa salvação eterna, porém, em meio às provações e desafios da fé, como vimos acontecer com Maria e José no ato da encarnação do Senhor Jesus, o Filho amado de Deus.

2. Decerto, a fé é a convicção que nos leva ao encontro do Senhor e nos dá a certeza de que Ele está agindo em todas as circunstâncias de nossa vida em prol da realização do seu Plano de amor e salvação. Desse modo, Maria e José se entregaram nas mãos de Deus que por meio dos santos anjos os conduziu ao cumprimento de todas as profecias à respeito do nascimento do Seu Filho, como o Messias prometido.

3. "O Evangelho de hoje (cf. Mt 1,18-24) mostra-nos as duas pessoas que, mais do que qualquer outra, participaram neste mistério de amor: a Virgem Maria e o seu esposo José. Mistério de amor, mistério da proximidade de Deus à humanidade.

4. O evangelista evidencia que José, sozinho, não pode encontrar uma explicação do acontecimento que vê verificar-se diante dos seus olhos, ou seja, a gravidez de Maria. Precisamente naquele momento de dúvida e inclusive de angústia, Deus aproxima-se dele mediante um seu mensageiro, esclarecendo-lhe a natureza daquela maternidade: «O Menino que nela foi concebido vem do Espírito Santo» (v. 20).

5. Assim, diante deste acontecimento extraordinário, que certamente suscita muitas interrogações no seu coração, José confia de maneira total em Deus que se aproxima dele e, aceitando o seu convite, não rejeita a sua noiva, mas permanece com Ela, desposando-a. Acolhendo Maria, José acolhe consciente e amorosamente Aquele que nela foi concebido por obra admirável de Deus, para quem nada é impossível.

6. Estas duas figuras, Maria e José, os quais foram os primeiros a receber Jesus mediante a fé, introduzem-nos no mistério do Natal. Maria ajuda-nos a colocar-nos em atitude de disponibilidade para receber o Filho de Deus na nossa vida concreta, na nossa própria carne. José estimula-nos a procurar sempre a vontade de Deus e a segui-la com plena confiança. Ambos se deixaram aproximar por Deus." (Papa Francisco, Angelus, 18/12/16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

As evidências da presença de Deus

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(20/12/25)

1. Caríssimos, o que é que nos faz viver da fé senão as evidências da presença de Deus no meio de nós? Ora, e isso se dá por conta da necessidade que temos Dele, porque sem Ele nada tem sentido neste mundo, uma vez que conhecemos a nossa fragilidade e temos consciência que tudo se destina para o fim natural. No entanto, quando pela fé o encontramos e Nele permanecemos tudo se renova pela graça da esperança na vida eterna.


2. Com efeito, a liturgia de hoje nos apresenta o sinal perceptível de que Deus veio pessoalmente até nós para permanecer e interagir conosco de modo que nos deixemos conduzir por Ele até chegarmos à plenitude da felicidade eterna no seu Reino, aonde a vida não tem fim.

3. Trata-se da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, que assumindo a nossa natureza no seio da Virgem Maria, por obra e graça do Espírito Santo, nos dando assim participar da sua Natureza Divina, ou seja, assumindo a nossa carne mortal, a redimiu por sua morte e ressurreição, dando-nos, desse modo, vencer o pecado e a morte, o que por nós mesmos seria impossível.

4. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa, de feliz memória, Bento XVI: "Repetimos estas palavras todas as vezes que recitamos o Credo, a Profissão de Fé: "e se fez homem por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria". Ajoelhamo-nos quando dizemos essa frase porque o véu que escondia Deus é, por assim dizer, aberto e o seu mistério insondável e inacessível toca-nos: Deus torna-se Emanuel, "Deus conosco". 

5. Esta afirmação do Credo não diz respeito ao ser eterno de Deus, mas nos fala de uma ação na qual participam as três Pessoas divinas e que se realiza "no seio da Virgem Maria". De modo que sem ela, a entrada de Deus na história da humanidade não teria chegado ao fim e não teria acontecido o que é central na nossa profissão de fé: Deus é Deus conosco.  

6. Assim, Maria pertence de modo inalienável à nossa fé no Deus que age, que entra na história. Ela põe à disposição toda a sua pessoa, "aceita" tornar-se morada de Deus. Às vezes, no caminho e na vida de fé sentimos a nossa pobreza, a nossa inadequação perante o testemunho a oferecer ao mundo.

7. Mas Deus escolheu uma mulher humilde, em um vilarejo desconhecido, em uma das províncias mais distantes do grande Império Romano. Sempre, em meio às dificuldades e tribulações que enfrentamos neste mundo, devemos ter confiança em Deus, renovando a fé em sua presença e ação em nossa vida, como na de Maria."

8. Portanto, caríssimos: "Nada é impossível para Deus! Com Ele a nossa existência caminha sempre em terreno seguro e aberta a um futuro de firme esperança." (Bento XVI, Audiência Geral, 2/01/13).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

E o Verbo se fez carne...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,5-25)(19/12/25)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje nos mostra que os desígnios salvíficos do Senhor se cumprem na íntegra para muito além do que entendemos e esperamos; o fato é que o Senhor por Sua fidelidade e providência nos faz protagonistas da história da salvação direta e inusitadamente.

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2. Com efeito, meditando os acontecimentos bíblicos, percebemos que o presente da história da salvação traz em si a ação divina que o plasmou e nele projeta a plenitude da vida eterna a ser alcançada por nós no Reino dos céus. Desse modo, compreendemos que o Senhor se faz sempre presente no nosso viver concedendo-nos as graças que precisamos para realizarmos a sua santa vontade.

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3. O Evangelho de hoje traz o relato da anunciação de São João Batista; seu Pai Zacarias era sacerdote do Templo do Senhor e foi sorteado para fazer a oferta do incenso. "O anjo do Senhor, apareceu-lhe de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e o temor apoderou-se dele. Mas o anjo disse: “Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho, e tu lhe darás o nome de João."

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4. Decerto, a anunciação de João Batista é semelhante à anunciação do Senhor Jesus, porém, diferente em alguns detalhes que revelam o modo como Deus age de acordo com a receptividade ao seu chamado. A princípio Zacarias duvidou, pois pensou mais na impotência das próprias forças e não nas graças de Deus que tudo pode realazar. Bem ao contrário o fez Maria Santíssima que acreditou no anúncio do anjo, porém, quis saber de que modo se realizaria a vontade de Deus.

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5. Sem dúvida, toda a humanidade vive na expectativa da segunda vinda de Cristo, como o povo da Antiga Aliança esperou sua primeira vinda como Messias até que Ele veio; e mesmo assim, muitos não acreditaram a ponto de o perseguirem e crucificarem. Todavia, Deus fez cumprir a sua Palavra e o ressuscitou dos mortos, mostrando como nos ressuscitará por acreditarmos Nele e segui-lo fielmente apesar da nossa fragilidade seja na fé como na prática dos seus mandamentos.


6. Portanto, caríssimos, com o nascimento de João Batista, se cumpre o tempo da promessa e se inicia o tempo da salvação o qual vivemos atualmente até que o Senhor venha completa-lo definitivamente com a sua vinda gloriosa. Bem como escreveu são Paulo: "Pois o Senhor diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!" (2Cor 6,2; 5,20b).

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7. Destarte, essa conversão e reconciliação são fundamentais para a purificação das nossas almas, para vivermos em estado de graça na sua presença, porque somente assim venceremos as tentações que sofrermos no nosso dia a dia. Peçamos ao Senhor as graças necessárias para isto: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo que vieste a este mundo para nos salvar, tende compaixão de nós pecadores, perdoe os nossos pecados e por tua infinita misericórdia nos cunduza à vida eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Grande Sinal da nossa salvação

 Homilia do 4°Dom do Advento (Mt 1,18-24)(21/12/25)

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1. Caríssimos, mesmo que não tenhamos total consciência das constantes mudanças existenciais, elas estão sempre acontecendo com ou sem à nossa cooperação. De fato, a realidade natural se encontra envolvida pela realidade sobrenatural; e está sempre em constate mudança; porém, depende das nossas de escolhas e decisões para serem bem sucedidas.

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2. A liturgia de hoje é toda voltada para os acontecimentos que mudaram totalmente a história da humanidade, tendo como um dos protagonistas desta mudança, o justo José, que se torna pai adotivo de Jesus ao receber essa missão do anjo de Deus que lhe apareceu em sonho para sanar suas dúvidas a respeito da gravidez sobrenatural de Maria, e logo obedeceu prontamente.

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3. Na primeira leitura, Deus responde ao incômodo de Acaz, por meio do Profeta Isaías, com a Profecia que anunciava a vinda do Messias, e que se cumpriu com a encarnação do Seu Filho no seio da Virgem Maria, como vimos no Evangelho de hoje. 


4. Na segunda leitura são Paulo mostra aos Romanos a solidez da vinda e dos ensinamentos de Cristo, como também a autenticidade do seu ministério como escolhido pelo Senhor para anunciá-lo à todas as nações.

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5. Certa feita disse ele: "É em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos." Ora, a pergunta que fazemos, é esta: como vivemos essa condição, em estado de graça ou em pecado mortal? Com efeito, foi a condição de "homem justo" que levou José a aceitar a sublime missão de pai adotivo de Jesus, pois era um sinal de que fazia em tudo a vontade de Deus.

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6. Portanto, caríssimos, sigamos o exemplo de São José; sejamos justos e obedientes, para cumprirmos humildemente a nossa missão de acolher Jesus e anuncia-lo como Senhor e salvador de todos. Sem dúvida, a única e sublime vontade que nos salva é a de Deus, expressa por se Filho amado para nos sentirmos protegidos e conduzidos por Ele ao Reino dos céus. 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

O Senhor Jesus caminha conosco...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 1,1-17)(17/12/25)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, veio à este mundo para purifica-lo da mancha do pecado como afirmou são João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"; e, ainda: "É Ele quem vos batizará no Espírito Santo e no fogo." Desse modo, o Senhor Jesus faz novas todas as coisas.

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2. A liturgia de hoje nos dar a conhecer a genealogia do Senhor Jesus, a Sua identidade por meio de Sua árvore genealógica descrita por Mateus e que muito tem a nos dizer tanto teologicamente quanto humanamente, pois, o Senhor veio à este mundo assumindo nossa natureza sem deixar de ser Deus, e isso é revelado por seu nome: "Emanuel, Deus conosco". 

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3. No primeiro caso, o Senhor manifesta a Sua Divina Misericórdia, perdoando os pecados, purificando seus descendentes. No segundo caso, na sua árvore genealógica se faz presentes homens e mulheres, coisa inconcebível para os valores e os costumes religiosos daquele povo, ou seja, bem como escreveu são Paulo: "Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas." (Rm 2,11).

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4. Referindo-se à esse episódio, disse o Papa Francisco de saudosa memória: "No Evangelho, ouvimos a genealogia de Jesus, que não é uma mera lista de nomes, mas história viva, história de um povo com o qual Deus caminhou e, ao fazer-Se um de nós, quis anunciar que, no seu sangue, corre a história de justos e pecadores, que a nossa salvação não é uma salvação assética, de laboratório, mas concreta, uma salvação de vida que caminha.

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5. Jesus é o Emanuel que nasce e o Emanuel que nos acompanha todos os dias, é o Deus conosco que nasce e o Deus que caminha conosco até ao fim do mundo." (Papa Francisco, trechos de sua homilia, 8 de setembro de 2017).

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6. Portanto, caríssimos, esta genealogia é, na verdade, uma declaração de fé. São Mateus está dizendo aos seus leitores judeus e não judeus que Jesus é o cumprimento de todas as profecias a seu respeito. Ele não é apenas mais um profeta ou rei; Ele é o Messias prometido (Filho de Davi) que concretiza a Aliança de Deus (Filho de Abraão), para a salvação da humanidade.  

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A autoridade do Senhor Jesus é inquestionável...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 21,23-27)(15/12/25)

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1. Caríssimos, quem procura o Senhor para conhecer a verdade nunca o questiona ou duvida de Sua autoridade porque encontra Nele a essência da vida; ao contrário, quem dele duvida e o questiona o faz porque se encontra fechado à verdade eterna e por isso sempre julga conforme os próprios critérios e não segundo os critérios de Deus.

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2. Com efeito, vemos isso na primeira leitura em que o Profeta Balaão "alugado" pelo rei Balaque partiu para proferir maldições contra o povo de Deus, mas ao encontrar-se com o anjo do Senhor foi iluminado com a sabedoria divina e proferiu bênçãos ao invés de maldições. Ou seja, quem se abre para a graça de Deus, ainda que esteja no erro não se deixa enganar e nem engana, porque o Senhor protege sempre seus filhos e filhas.

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3. Escutemos então este comentário do saudoso Papa Francisco: "No trecho do Evangelho de hoje (Mt 21, 23-27) proposto por essa liturgia, ao contrário, vemos homens que não têm esta liberdade, não têm horizontes, homens fechados nos seus cálculos. A ponto que os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo perguntam ao Senhor: “Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?”.

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4. À pergunta sucessiva de Jesus, antes de responder “não sabemos”, fazem os seus cálculos: “Mas se respondermos isto corremos este perigo, e se dissermos outra coisa...”. Contudo, os cálculos humanos fecham o coração, fecham a liberdade. É a esperança que nos torna ligeiros. Eis que esta hipocrisia dos doutores da lei, que está no Evangelho e que fecha o coração, nos torna escravos: eles eram escravos.

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5. Por um lado, há quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai, que Deus perdoa sempre e tudo, e que além do deserto existe o abraço do Pai, o perdão. Mas, por outro, há também aqueles que se refugiam na sua escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus. Aqueles sobre os quais fala o Evangelho de Mateus: eram doutores, tinham estudado, mas a sua ciência não os salvou." (Papa Francisco, meditação matutina, 14/12/15).

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6. Portanto, caríssimos, "este episódio é uma poderosa lição sobre a verdadeira fé versus a religiosidade vazia. Ela nos desafia a examinar-nos: Minha busca pela verdade é genuína, ou estou apenas tentando encaixar Deus em meus esquemas e jogos de poder? O coração que se nega a crer no que é evidente (a missão de João) jamais receberá a revelação maior (a autoridade de Jesus).

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7. Destarte, este Evangelho nos ensina que o Reino de Deus e a Sua autoridade não se revelam àqueles que se aproximam com o coração fechado, com segundas intenções e com aversão à verdade. A autoridade de Jesus não é algo que se prova por argumentos lógicos, mas que se reconhece pela fé humilde, como fizeram os publicanos e as prostitutas, que creram em João Batista."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Farão as obras que eu faço e farão ainda maiores...

 Homilia do 3°Dom do Advento (Mt 11,2-11)(14/12/25)

1. Caríssimos, a liturgia deste 3°Dom do Advento, nos mostra o quanto precisamos permanecer no Senhor Jesus para fazermos as mesmas obras que Ele faz, como Ele mesmo disse: "Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai.

2. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei." (Jo 14,12-14). Ou seja, as obras são feitas por Jesus, mas nós as pedimos por meio da oração, em razão da fé no seu divino poder.

3. O Evangelho de hoje começa sua narrativa dizendo: "João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” 

4. Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” (Mt 11,2-11). 

5. Desse modo, compreendemos que não basta dizer palavras sem que elas se cumpram, pois seriam palavras ditas ao vento; certa feita disse Santo Antônio de Pádua: "Cessem as palavras, falem as obras." Também são Tiago nos ensina isso: "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26).

6. Mas, o que nos falta para fazermos as obras da salvação que recebemos do Senhor Jesus como missão? Realmente falta muito, a começar pela coerência de vida; será que a nosso viver é, de fato, uma expressão da Palavra viva de Deus? Só em pensar o quanto estamos distantes dessa correspondência temos uma enorme sensação de impotência.

7. Portanto, caríssimos, a vivência do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, é uma antecipação do que os redimidos vivem no Reino de Deus. Decerto, como seria bom suportarmos as tribulações desta vida com a consciência limpa pela missão cumprida como são João Batista as suportou. 

8. Destarte, nesta frase que o Senhor Jesus disse: "Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” Se encontra a essência do seu seguimento, pois significa a nossa correspondência ao seu chamado como suas autênticas testemunhas por Palavras e por obras.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de dezembro de 2025

A missão nem sempre é reconhecida por todos...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 17,10-13)(13/12/25). 


1. Amados irmãos e amadas irmãs, olhando o exemplo de vida dos santos e santas que seguiram nosso Senhor Jesus Cristo, vemos algo em comum entre eles: a renúncia da própria vontade, dos apego às coisas deste mundo e a disponibilidade para segui-lo em qualquer situação da vida, com um único objetivo: ser santos como Ele é Santo. 

2. Mas, como alcançar essa graça? Permanecendo fiéis à sua Palavra e ao mandamento do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. É isso o que nos mostra esta lirugia de hoje, a começar pelo exemplo do Profeta Elias na primeira leitura, por cuja vida impecável realizou milagres e prodígios confirmando a autenticidade da fé no Deus Altíssimo, por quem foi arrebatado ao céu.

3. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI de saudosa memória: "Ao anunciar aos seus discípulos que terá de sofrer, ser morto antes de ressuscitar, Jesus quer que eles compreendam quem Ele realmente é. Um Messias sofredor, um Messias Servo, e não um todo-poderoso libertador político.

4. Ele é o Servo obediente à vontade do seu Pai até ao ponto de perder a própria vida. Assim, Jesus vai contra o que muitos esperavam dele. A sua afirmação é chocante e desconcertante. 

5. Seguir Jesus é tomar a sua cruz para o acompanhar no seu caminho, um caminho desconfortável que não é o caminho do poder ou da glória terrena, mas o caminho que leva necessariamente a renunciar a si próprio, a perder a própria vida por Cristo e pelo Evangelho, a fim de a salvar. Pois estamos certos de que este caminho conduz à ressurreição, à vida verdadeira e definitiva com Deus. 

6. Decidir acompanhar Jesus Cristo que se tornou o Servo de todos exige uma intimidade cada vez maior com Ele, escutando atentamente a Sua Palavra para dela extrair a inspiração para as nossas ações." (Bento XVI - Santa Missa em Beirute, 16/09/12).

7. Portanto, caríssimos, seguir nosso Senhor Jesus Cristo, como seus verdadeiros discípulos, é viver a obediência incondicional à vontade de Deus como vimos no seu exemplo e de todos os santos e santas, principalmente de Maria Santíssima e são José, seu castíssimo esposo. 

8. Destarte, escutemos atentamente esta exortação do Senhor: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á." (Mt 16,24-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe...

FESTA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA (Lc 1,39-47)(12/12/25). 

1. Caríssimos, alguns detalhes do quadro de Nossa Senhora de Guadalupe nos chama a atenção, são sinais sagrados, sensíveis e visíveis pelos quais Deus demonstra o quanto Ele se faz presente em nossa devoção à sua Mãe, Maria Santíssima. E isso aumenta ainda mais o nosso amor à nossa Igreja que cumpre o que a Virgem Mãe cantou no Magnificat: "E todas as gerações me proclamarão bem-aventurada."

2. "O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já existe há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

3. No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. E nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do referido bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. 

4. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

5. O Papa Bento XIV, em 1754, declarou: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

6. Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945. No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa São João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

* Compilado do site da Canção Nova:https://santo.cancaonova.com/santo/nossa-senhora-de-guadalupe-padroeira-de-toda-a-america/

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 
 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Convém que Cristo cresça e que eu diminua...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,11-15)(11/12/25)

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus revela à humanidade quem é João Batista, qual é a sua missão e a grande importância de sua vinda. João foi enviado por Deus com a mesma missão do Profeta Elias, anunciar que Ele se faz realmente presente no meio do seu povo. 


2. Com efeito, João foi enviado também como o último dos profetas, para anunciar o cumprimento da profecia sobre a vinda do Messias; ele é aquele que fecha o Antigo Testamento e abre o Novo, e foi enviado também como um dos sinais do fim dos tempos.

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3. Escutemos então o que diz o Senhor Jesus sobre a pessoa de João: “Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele." (Mt 11,11). 


4. De fato, as verdades eternas trazidas por João Batista nos leva a aderir prontamente ao Senhor Jesus com todo o nosso coração no desejo de que venha logo o Reino de Deus e a sua justiça. E só não faz esse encontro com o Messias por meio do testemunho de João Batista quem não lhe dá a devida atenção. 

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5. Sem dúvida, vivemos em meio às crises deste mundo e a pandemia passada foi um dos sinais de que a humanidade passou dos limites no que diz respeito às maldades aqui praticadas; pois, como constatamos, está havendo uma profunda inversão de valores, começando pela perseguição generalizada à Cristo e aos cristãos; e tais perseguidores usam todo tipo de artimanhas fazendo questão de exaltar tudo o que é contra a fé e os bons costumes.

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6. Portanto, caríssimos, mantenhamos a nossa fé em nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, presente no meio de nós, como nos ensinou são João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Eu não sou digno nem de desatar as correias de suas sandálias, convém que Ele cresça e que eu diminua."

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7. Destarte, acolhamos humildemente estas palavras de são Paulo: "O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados." (Rm 8,16-17).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,28-30)(10/12/25)

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1. Caríssimos, a humildade é a terra fecunda onde germina todas as outras virtudes, e a mansidão é o equilíbrio que nos mantém serenos diante dos desequilíbrios deste mundo causados pelos pecados dos que abandonaram essas virtudes. 


2. E Deus que tudo criou e tudo governa é quem nos cumula dessas virtudes eternas para que a nossa vida seja uma expressão de Sua Divina Misericórdia em meio as dores deste mundo. Pois, como nos exorta são Paulo: "Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus." (Ef 5,15-16).

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3. Na primeira leitura de hoje o Profeta Isaías nos mostra que Deus é o Senhor de tudo e de todos e que nada escapa à sua percepção, diz ele: "Então, por que dizes, Jacó, e por que falas, Israel: “Minha vida ocultou-se da vista do Senhor e meu julgamento escapa ao do meu Deus?” Acaso ignoras, ou não ouviste? 


4. O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco. Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar." (Is 40, 27-31).

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5. O Evangelho desta liturgia de hoje, é a comprovação dessa profecia de Isaías, pois a oração, a participação na vida sacramental da Santa Igreja, a prática das virtudes e das obras de misericórdia são os meios que o Senhor nos concede para permanecermos Nele dando os frutos da redenção em favor daqueles que se desviaram de sua via salvífica.

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6. Meditemos então com esta exortação do monge Hesíquio do Sinai : "Agarremo-nos, pois, à oração e à humildade, à essas duas graças que, juntamente com a sobriedade e a vigilância, nos armam contra os demônios como um gládio de fogo. 


7. Pois se vivermos assim, poderemos fazer de cada dia e de cada hora, no mistério e na alegria, uma festa do coração. Pois, eis o que diz o Senhor:

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Eu sou o bom pastor...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,12-14)(09/12/25)


1. Amados irmãos e amadas irmãs, neste mundo inseguro por conta dos pecados nele praticados; e pela falta da prática das virtudes eternas; o que fazer para vencer a insegurança e o medo de perder tudo até mesmo a própria vida? 

2. A única resposta que nos conforta é a atitude de nos entregar nas mãos de Deus que nos enviou o seu Filho, nosso Senhor Jesus, como Pastor de nossas almas, aquele que nos dá a vida eterna. Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje. 

3. Caríssimos, existe em nós uma necessidade de nos mantermos seguros, tranquilos sem nos atormentar em nossos pensamentos, mas isso só é possível quando, por meio da fé, nos sentimos protegidos pelo bom Pastor de nossas almas, nosso Senhor Jesus Cristo, pois somos as ovelhas do seu rebanho.

4. Decerto, sem a sua presença e proteção nos sentimos perdidos, sem rumo, mergulhados nos labirintos deste mundo tenebroso. E por mais que tenhamos sob o nosso comando tudo o que diz respeito a nossa existência nem assim nos sentimos seguros; pois tem sempre algo previsível ou imprevisível que tenta nos atormentar.

5. No Evangelho de hoje eis o que disse o Senhor a seus discípulos: "Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos."

6. De fato, quando o Senhor Jesus fala em se perder, significa perder o estado de graça, isto é, viver sem a sua presença em nossa vida, porque Ele é a única Fonte de segurança que temos; fora Dele ninguém neste mundo se sente seguro por si mesmo, porque à medida que o tempo passa temos consciência que perderemos tudo, menos o amor e o bem que Deus nos deu a praticar, e é esse o nosso maior tesouro.

7. Portanto, caríssimos, ser encontrados pelo Senhor Jesus quais ovelhas perdidas do seu rebanho, significa nos converter, mudar as nossas atitudes contrárias à sua Palavra; significa deixar-nos conduzir pela sua Vontade que nos aponta o caminho da verdade e das boas ações que nos conduz ao Reino dos Céus.

8. Escutemos então o Senhor: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um." (Jo 10,27-30).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Homilia do 2°Dom do tempo do Advento

 HOMILIA DO 2°DOM DO ADVENTO (Mt 3,1-12)(07/12/25)

1. Amados irmãos e amadas irmãs, a liturgia deste segundo Domingo do Advento nos convida a preparar o caminho do Senhor, a aplainar a sua estrada para que Ele entre em nossa vida, como entrou na vida da sua mãe, Maria Santíssima, de São José e de todos os santos e santas que o seguiram ao longo de todos os tempos.

2. São João Batista com o seu exemplo de vida e a sua Palavra, foi enviado por Deus a fim de nos preparar para receber na manjedoura de nossas almas, o Filho amado de Deus, como Maria o concebeu no seu ventre por obra e graça do Espírito Santo, e o deu a luz na noite de Natal para a nossa salvação.

3. Comentando esse acontecimento extraordinário, disse o saudoso Papa Francisco: "Deus vem estabelecer o seu senhorio na nossa história, nos dias de hoje, nas nossas vidas; e onde ele é acolhido com fé e humildade, brotam amor, alegria e paz. A condição para fazer parte deste Reino é fazer uma mudança nas nossas vidas, ou seja, converter-se, converter-se todos os dias, um passo em frente todos os dias.

4. É uma questão de deixar os caminhos confortáveis, mas enganadores dos ídolos deste mundo: sucesso a todo o custo, poder à custa dos mais fracos, sede de riqueza, prazer a qualquer preço. E em vez disso, abrir o caminho ao Senhor que vem: Ele não nos tira a liberdade, mas dá-nos a verdadeira felicidade. 

5. Com o nascimento de Jesus em Belém, é o próprio Deus que toma residência entre nós para nos libertar do egoísmo, pecado e corrupção, destas atitudes que são do diabo: procurar o sucesso a todo o custo; procurar o poder à custa dos mais fracos; ter sede de riquezas e procurar prazer a qualquer preço. 

6. O Natal é um dia de grande alegria mesmo externamente, mas é sobretudo um evento religioso para o qual é necessária uma preparação espiritual. Neste tempo de Advento, guiemo-nos pela exortação de São João Batista: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas", diz-nos ele (v. 3). 

7. Preparamos o caminho do Senhor e endireitamos os seus caminhos, quando examinamos a nossa consciência, quando examinamos as nossas atitudes, para expulsar estas atitudes pecaminosas que mencionei, que não são de Deus: sucesso a todo o custo; poder à custa dos mais fracos; sede de riqueza; prazer a qualquer preço. 

8. Que a Virgem Maria nos ajude a preparar-nos para o encontro com este Amor superior infinitamente a todos os custos, que é o que Jesus carrega, e que na noite de Natal se tornou minúsculo, como uma semente que caiu na terra. E Jesus é esta semente: a semente do Reino de Deus." (Papa Francisco - Angelus, 4/12/16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria...


 Solenidade da Imaculada Conceição (Lc 1,26-38)(08/12/25)

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1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição da sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe; com essa Solenidade podemos perguntar: o que tem de tão especial nela? A resposta nos aponta para a vinda do Messias, nascido do seio virginal da Imaculada, daquela que foi concebida sem pecado e que assim o trouxe à este mundo como Redentor da humanidade.
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2. O relato da primeira leitura mostra o motivo que levou nossos primeiros pais ao pecado, ou seja, querer ser como Deus sem Deus, a partir do diálogo pecaminoso com o maligno. Começou com Eva e terminou em Adão, os quais caíram em desgraça por acreditarem nas mentiras contadas pelo o inimigo de nossas almas.
3. Comentando o Evangelho de hoje, disse o saudoso Papa Francisco: "A cheia de graça levou uma vida bonita. Qual era o seu segredo? Podemos compreende-lo olhando para o cenário da Anunciação. Em muitas pinturas Maria é representada sentada diante do anjo com um pequeno livro nas mãos.
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4. Este livro é a Escritura. Assim Maria costumava ouvir Deus e estar com Ele. A Palavra de Deus era o seu segredo: perto do seu coração, depois se encarnou no seu seio. Permanecendo com Deus, dialogando com Ele em todas as circunstâncias, Maria tornou bela a sua vida.
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5. O que faz bela a vida não é a aparência, não é aquilo que é passageiro, mas o coração orientado para Deus. Contemplemos hoje com alegria a cheia de graça. Peçamos-lhe que nos ajude a permanecer jovens, dizendo “não” ao pecado, e a levar uma vida bonita, dizendo “sim” a Deus. (Papa Francisco, Angelus, 8/12/17).

6. Por fim, meditemos também com estas palavras do Santo Padre Bento XVI de saudosa memória: "Por que, entre todas as mulheres, Deus escolheu justamente Maria de Nazaré? A resposta está escondida no mistério insondável da vontade divina. No entanto, há uma razão que o Evangelho destaca: sua humildade. Dante Alighieri enfatiza isso bem no último canto do Paraíso: “Virgem Mãe, filha de seu Filho, / humilde e mais elevada que toda criatura, / termo fixo do conselho eterno” (Par. XXXIII, 1-3). 

7. A própria Virgem, no “Magnificat”, seu canto de louvor, diz: “A minha alma glorifica o Senhor, porque olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,46.48). Sim, Deus foi atraído pela humildade de Maria, que encontrou graça aos seus olhos (cf. Lc 1,30). Assim, ela se tornou a Mãe de Deus, imagem e modelo da Igreja, escolhida entre os povos para receber a bênção do Senhor e difundi-la sobre toda a família humana. 

8. Essa “bênção” não é outra coisa senão o próprio Jesus Cristo. Ele é a Fonte da graça, da qual Maria foi repleta desde o primeiro instante de sua existência. Ela acolheu Jesus com fé e, com amor, o deu ao mundo. Esta é também a nossa vocação e a nossa missão, a vocação e a missão da Igreja: acolher Cristo em nossa vida e doá-lo ao mundo, «para que o mundo seja salvo por meio dele» (Jo 3,17).        
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Tudo o que precisamos é obedece-lo e segui-lo fielmente...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,35–10,1.6-8)(06/12/25)


1. Caríssimos, aos olhos dos incrédulos quem manda neste mundo é o maligno que tenta dominar a tudo e a todos e age impunemente como se não tivesse de prestar contas das maldades que pratica por meio daqueles que o servem; no entanto, tudo tem um tempo definido e depois disso vem o justo juízo de Deus que julgará a todos segundo as suas obras.

2. Decerto, cada um colherá o que plantou e isso desde já, como disse são João Batista: "O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo." (Lc 3,9). E também como disse o Senhor Jesus: "Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber." (Mt 10,26).

3. São Paulo na Carta aos Efésios escreveu: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.

4. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo." (Ef 4,29-32).

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,37-38). Com efeito, Deus conhece muito bem todas as nossas necessidades, mas, por que Ele requer as nossas orações para suprir-las? 

6. Porque rezar é amar, é fazer a Sua Vontade, é nos deixar conduzir por Ele que sempre quer a nossa colaboração na obra da salvação. Então, rezar, nesse sentido, é estar a serviço do Reino dos Céus, vivendo a nossa filiação divina gozando da intimidade do nosso Pai celestial.

7. Portanto, caríssimos, estamos a caminho da eternidade, o SenhorJesus caminha conosco e por meio da nossa fé revela o seu poder, como vimos no Evangelho de hoje: "E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade.

8. Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!" Decerto, tudo o que precisamos é obedecê-lo, fazendo o que Ele nos ensina por meio da nossa oração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Fundamentados na Rocha Viva da Palavra de Deus...

 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,21.24-27)(04/12/25)


1. Caríssimos, o tema central desta liturgia de hoje é a prática da vontade de Deus expressa nas palavras e na vida de nosso Senhor Jesus Cristo, também na doutrina dos Apóstolos, na Tradição, no Magistério e Documentos da Igreja; na vida dos santos e santas que a viveram e por isso foram proclamados como tais pelo exemplo e dedicação ao Reino de Deus.
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2. Com efeito, todos nós temos a nossa vontade própria, todavia, sem o auxílio da graça de Deus, facilmente caímos no abismo das tentações e dos vícios que nos levam à prática dos piores pecados; ora, a nossa vida só tem sentido quando a fundamentamos na Rocha da Palavra de Deus que nos sustenta e nos governa quando a Ele nos entregamos e o amamos a cima de todas as coisas
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3. De fato, o Senhor nos ama e não quer que nenhum de nós se perca, porém, não basta sentir-nos amados, é preciso que o amemos vivendo de acordo com os Seus Preceitos, pois, o fazer a sua vontade requer obediência, vida de oração, prática dos Mandamentos, dos Sacramentos e das obras de misericórdia que nos leva a realizar o Seu querer e executar em todo o nosso viver.
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4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que a fé não é uma teoria nem o viver de aparências, mas é firmada na prática da Vontade do Pai: "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus." 
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5. Portanto, caríssimos, a Palavra de Deus é a Sua Voz escrita nos falando diretamente, nos comunicando a Sua Vontade, a Sua presença, o seu querer. Decerto, o Senhor está sempre conosco nos conduzindo para o Seu Reino, basta sermos fiéis e perseverantes até o dia da sua vinda gloriosa.
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6. Destarte, escutemos são Paulo a esse respeito: "Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor... Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar.

7. Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas,
a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a palavra da vida." (Fl 2,12-16a). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Tudo me foi entregue por meu Pai...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,21-24)(02/12/25)

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1. Caríssimos nesse tempo de preparação e espera somos constantemente provados em nossa fé, todavia, como nos ensinou o autor sagrado da Carta aos Hebreus: "Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. 

2. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige?
Os pais humanos nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que Deus o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade. (Hb 12,7.10).
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina a louvar ao Pai pelos humildes de coração, pois, eles compreendem e aceitam a Sua vontade sem questiona-lo, porque agem com a sabedoria do Espírito Santo, uma vez que nada atribuem à si mesmos, mas ao Senhor que se revela em sua pequenez.
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4. Eis o que disse o Senhor: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
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5. E acrescentou: "Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”. 

6. Decerto, com a Sua vinda, por meio da fé, passamos a viver a dimensão eterna no tempo, desse modo, tudo o que diz respeito às coisas de Deus, tornam-se visíveis e sensíveis para nós pelos Sacramentos que revelam a Sua Presença no meio de nós.
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7. Portanto, caríssimos, acolhamos com amor filial todas as graças e bênçãos que nos são derramadas nesse tempo de provação e desafio de nossa fé na certeza de que Deus está sempre conosco e jamais nos abandona. A nossa segurança se encontra na fidelidade e na perseverança até o fim, como o Senhor mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 10,22).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Senhor Jesus, eu não sou digno...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,5-11)(01/12/25)


1. Caríssimos, examinando a nossa consciência percebemos o quanto somos pecadores e o quanto precisamos da misericórdia de Deus para sermos purificados em todos os sentidos de nossa vida, para nos mantermos em estado graça, e não caírmos na tentação do apego às coisas deste mundo, e de julgarmos uns aos outros.

2. O caminho para a santidade, embora árduo, tem no entanto um objetivo estupendo, pelo qual vale a pena enfrentar qualquer dificuldade e fadiga. Pois, quem nos conduz neste caminho ascendente é o próprio Jesus, que é o fim em si mesmo de todos os nossos desejos, porque Nele habita a plenitude da divindade. 

3. De fato, não há nenhum esforço que possa ser sustentado por muito tempo na ausência de motivações interiores, e estas são representadas pela prontidão de reorientar o nosso viver de acordo com os ensinamentos recebidos do Senhor que nos leva a uma mudança radical de vida.

4. O Evangelho de hoje apresenta-nos um profundo ensinamento sobre a fé: é o episódio da cura do servo do centurião. O centurião de Cafarnaum não esquece o seu criado prostrado numa cama, porque o ama. Embora fosse rico e tivesse mais autoridade do que o seu criado, é grato pelos seus anos de serviço e tem um grande apreço por ele. Por isso, movido pelo amor, volta-se para o Senhor Jesus.

5. E ao se apresentar ao Senhor, ele faz esta belíssima oração: "Senhor, eu não sou digno". Não sou digno, significa humildade, ou seja, reconhece a sua pequenez, a sua fragilidade. E completa: "Basta que digas uma palavra e o meu criado será curado". 

Eis a fé do centurião, acreditar que Jesus pode fazer tudo com o poder da sua Palavra. Aqui estão então três virtudes que nos prepara para o Natal: amor, fé e humildade. 

6. O que pensamos quando o Senhor Jesus elogiou a fé do centurião? Humildade. A humildade do centurião foi a porta por onde o Senhor entrou na sua vida e na vida do seu servo. Decerto, aproximemo-nos do Senhor Jesus por meio da virtude da humildade, abramos o nosso coração para Ele, como o fez o centurião. 

7. Portanto, caríssimos, esta oração do centurião nós a fazemos em cada missa antes da comunhão: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e eu serei salvo." De fato, essa atitude orante nos faz experimentar a reconciliação, a esperança da salvação e da paz que o Senhor Jesus nos dá.

 Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Homilia do 1°Dom do Advento...

 Homilia do 1°Dom do Tempo do Advento (Mt 24,37-44)(30/11/25)

1. Caríssimos, a palavra que traduz o tempo do Advento se chama: Vigiai. Com efeito, ser vigilante na fé, significa aguardar o nosso Criador que virá pessoalmente nos visitar por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e nos preparar para o momento em que seremos um só com Ele no para sempre da sua glória eterna.

2. "Deus vem: na vida humana surge um acontecimento que transforma tudo, lança por terra todas as nossas seguranças e os nossos projetos. Repentinamente Ele se aproxima de nós e faz parte da nossa história; reconhce-o presente aquele que tem os olhos abertos, que espera e prepara um mundo novo.

3. Na espectativa daquele dia é preciso vigiar, ficar preparados, agir com prudência e desapego, mas com determinação, pois no seio da história amadurece o Plano de Deus para a nossa salvação. 

4. O tempo que se estende entre a vinda de Cristo e a sua manifestação na glória, é reservado à conversão dos homens (cf. At 3,19-21) e ao fortalecimento dos que crêem (cf. Ef 6,13; Rm 8,11), um tempo humano contendo em si o tempo de Deus, nos permitindo viver já na eternidade.

5. O ritmo da vida atual, cada vez mais agitado, as engrenagens de um sistema que pretende planejar todos os momentos do homem, mesmo o que há de mais privado, reduzem cada vez mais os limites do imprevisto. Tudo deve ser passado pelo computador, classificado, neutralizado, assegurado. 

6. Mas para o cristão Cristo continua a ser um acontecimento revolucionador: quando irrompe em sua vida, impõe uma mudança radical que quebra e transforma a rotina cotidiana, Cristo não pode ser programado, deve ser esperado; devemos deixar em nossa vida o espaço reservado para sua presença permanente.

7. A vigilância cristã permite ler em profundidade os fatos para neles descobrir a vinda do Senhor. Exige coração suficientemente missionário para ver essa vinda nos encontros com os outros." (Missal Romano).

8. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente esta exortação de São Paulo: "Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando; despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz.

9. Procedamos honestamente, como em pleno dia; nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo." (Rm 13,11-14a).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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