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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AMAR A DEUS É OBEDECÊ-LO














AMAR A DEUS É OBEDECÊ-LO...


Para a grande maioria da humanidade, amar é um sentimento; já para nós cristãos que vivemos da fé - “o justo vive da fé” - amar é a união perfeita da alma com Deus por meio da virtude da obediência (Cf. 1Jo 5,1-5), “porque Deus é amor e quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele” (Cf. 1Jo 4,8.16). Ora, se o amor fosse apenas um sentimento ele seria algo inconstante ou um quase nada sentimental, visto que todo sentimento é passageiro, porque os sentimentos se sucedem, enquanto que o amor nunca passa, porque ele é o fundamento de nossa perfeição.

Jesus nos ensinou, com a sua obediência ao Pai (Cf. Jo 5,30), que a vontade de Deus é a única que permanece, por isso, precisamos fazer tudo o que é do seu agrado para permanecermos Nele até o fim, porque somente assim o nosso testemunho é verdadeiro, por ser um ato de amor a Deus acima de todas as coisas. São Paulo em sua Carta aos Romanos, escreveu: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rom 12,1-2).

Com efeito, “Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”. (Jo 1,18.17). De fato, “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas.    Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus...” (Heb 1,1-3).

É dele que também está escrito nessa mesma Carta aos Hebreus: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo”. (Heb 10,5-10).

E ainda: “Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedec.” (Heb 5,7-10).

Portanto, foi assim que Cristo Jesus amou a Deus Pai até as últimas consequências de sua vida terrena e com isso nos ensinou a amá-lo assim também. Desse modo, o amor e a fidelidade, que se traduzem em obediência, são as virtudes alicerces da vida em Deus; não é possível ser discípulo de Jesus sem a vivência dessas virtudes, porque é por elas que nos mantemos unidos à videira eterna do Senhor, que é a Igreja, para darmos os frutos da salvação que Ele nos concedeu para o louvor de sua glória.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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Campanha da Fraternidade 2012

Quarta-Feira de Cinzas - Reflexão do Evangelho

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

AS PROFECIAS DA HUMANAE VITAE, DE PAULO VI











AS PROFECIAS DA HUMANAE VITAE, DE PAULO VI

Por Everth Queiroz Oliveira

Gostaria de aproveitar este tempo de Carnaval para escrever alguma coisa sobre as profecias feitas pelo Papa Paulo VI na encíclica Humanae Vitae, de 1968.

Primeiro, o que uma coisa tem a ver com a outra? Simplesmente tudo, caro leitor. No tempo do Carnaval parece que os hormônios da galera vêm à tona com muito mais força. Sim, há muita gente juntando as ferramentas de pesca e indo ao rancho para aproveitar o sossego da natureza; tem muita gente indo a um bom retiro espiritual para rezar e desagravar o Coração de Jesus; mas, ao mesmo tempo, há muitos – muitos mesmo! – aproveitando a festa para cair na gandaia, “encher a cara” e virar a noite sem pensar em nada, mais ou menos no estilo de “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!” (Is 22, 13; 1 Cor 15, 32).

Danças imorais, roupas extravagantes, sexo sem compromisso, bebedeira liberalizada… Todos estes retratos integram um álbum sujo que contam a história da modernidade. Mas um senhor velho, sentado numa cátedra bimilenar, já anunciava a vinda de todos os males que hoje contemplamos com tristeza no olhar. Queremos falar, aqui, de um modo mais específico, dos alertas de Paulo VI sobre os problemas que uma mentalidade contraceptiva traria à sociedade – problemas que já estamos experimentando. Todas as previsões acertadas deste Pontífice estão compendiadas no número 17 da encíclica Humanae Vitae. Destacamos:

“Os homens retos poderão convencer-se ainda mais da fundamentação da doutrina da Igreja neste campo, se quiserem refletir nas consequências dos métodos da regulação artificial da natalidade. Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens – os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto – precisam de estímulo para serem féis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.”

“Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal.”

O Papa Montini expõe quatro consequências principais advindas da adoção generalizada dos métodos contraceptivos: (1) queda generalizada dos padrões morais; (2) um aumento na infidelidade e ilegitimidade; (3) a redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens; e (4) coerção governamental em matérias envolvendo reprodução.

Aparentemente, nenhum destes pontos é-nos estranho. Examinemo-los:

Queda generalizada dos padrões morais. Mais do que padrões morais sendo derrubados, a própria existência de verdades morais objetivas vem sendo seriamente questionada nestes tempos de “ditadura do relativismo” em que vivemos. Os princípios de bem e mal são lentamente abolidos; ao invés, adota-se cada vez mais um princípio pragmático de pensamento: as ações do homem deveriam ser pautadas não pelo que é certo ou errado, mas pelo que é útil e vantajoso para o momento. As consequências passam até mesmo dos limites toleráveis, a ponto de lermos na Internet verdadeiras “apologias” de práticas vergonhosas, como a pedofilia. Contra estes, levanta-se o profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!” (Is 5, 20).

Amargam o que é doce, também, aqueles que desnaturam o ato conjugal, doação íntima dos esposos, vivendo a sexualidade como uma mera busca de prazer. Ainda na Humanae Vitae Paulo VI explica que esta condenação da contracepção artificial “está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador” (n. 12). Em nosso tempo, porém, estes dois significados parecem ter se divorciado. Mais: para muitos, nem mesmo o aspecto unitivo do ato conjugal é levado em conta, sendo substituído por uma “pseudounião”, uma doação momentânea, limitada à esfera da libido. Estes relacionamentos mais efêmeros – que podem durar uma só noite até – são cultuados, também por nosso governo. Basta assistir as propagandas confeccionadas para o tempo do Carnaval.

Um aumento na infidelidade e ilegitimidade. Bom, falar de infidelidade no mundo contemporâneo é praticamente proibido, já que a noção de compromisso vem praticamente caindo em ostracismo. Mas, nos casos em que este ainda existe, está fragilizado por um generalizado desprezo pela virtude da castidade. Assim, se ainda não ocorreu por parte de um dos cônjuges uma traição de fato, certamente algum “já adulterou com ela [outra] em seu coração” (Mt 5, 28). Há casais que ainda vivem o amor entre si e lutam para viver a fidelidade, mas infelizmente o quadro geral é bem outro. A cultura pornográfica e hedonista de nosso século estimula a poligamia e incentiva os homens a evitarem o casamento, fazendo com que a própria instituição familiar entre em crise.

A redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens. Basta ouvir um pouquinho as músicas que fazem sucesso nas danceterias e nos bailes ultimamente… O funk é, por excelência, a música de coisificação da mulher – como também várias letras do axé. Em uma, ela é cachorra e “fica de quatro na mesa”; noutra, canta que está a disposição do homem com um “quero te dar”; nalgumas, não é tratada nem mesmo como mulher (só se ouve a referência ao seu órgão sexual, nada mais).

Essas músicas não são ouvidas por todos, é verdade. Mas são retratos de uma dura realidade: as mulheres não estão sendo devidamente respeitadas. Muitas mesmo não se dão ao devido respeito, se vestindo vulgarmente, se comportando indecentemente… No Carnaval esta sentença encontra seu ápice. Os desfiles das escolas de samba estão repletos de mulheres seminuas, dançando tanto para quem está na Sapucaí quanto para quem está em casa.

Coerção governamental em matérias envolvendo reprodução. A China é o melhor exemplo do que um Estado totalitário, aliado a um neomalthusianismo sem escrúpulos, pode fazer. No país, prevalece, desde os anos 70, a Política do Filho Único. Os casais que ousam ter mais de um filho são punidos com multas altíssimas (isto quando o governo não obriga que a criança seja cruelmente privada de seu direito de viver).

Em nosso país, já começou a iniciativa de distribuir camisinhas nas escolas, iniciando as nossas crianças e adolescentes precocemente no mundo do sexo – isto sem falar das cartilhas vergonhosas que são distribuídas com o financiamento das autoridades públicas. Ora, então você sugere que evitemos a educação sexual em sala de aula? Sugiro que o tema seja abordado, mas de forma a se manter o pudor, pois sabemos muito bem que nem todos os pais concordam com esta política contraceptiva agressiva de nosso governo. O alerta do Papa Pio XII soa bastante conveniente neste momento de nossa história:

“O pudor sugere ainda aos pais e educadores os termos apropriados para formar, na castidade, a consciência dos jovens. Evidentemente, como lembrávamos há pouco numa alocução, ‘este pudor não se deve confundir com o silêncio perpétuo que vá até excluir, na formação moral, que se fale com sobriedade e prudência dessas matérias’. Contudo, com freqüência demasiada nos nossos dias, certos professores e educadores julgam-se obrigados a iniciar as crianças inocentes nos segredos da geração duma maneira que lhes ofende o pudor. Ora, nesse assunto tem de se observar a justa moderação que exige o pudor.” (Sacra Virginitas, n. 57).

Justa moderação! É por nos furtamos de observar esta justa moderação da qual fala o Venerável Pio XII que experimentamos hoje os frutos amargos de uma educação permissiva e irresponsável. É por desprezarmos os conselhos de Paulo VI que hoje observamos uma generalizada “degradação da moralidade” e dos bons costumes… É, é forçoso para muitos reconhecer, mas “é hora de admitir que a Igreja sempre esteve certa sobre a contracepção”.

Graça e paz.

Salve Maria Santíssima!

Fonte:
http://beinbetter.wordpress.com/2012/02/18/as-profecias-da-humanae-vitae-de-paulo-vi/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Por que estudar religião?

"Acho que a chamada "neutralidade" em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa", escreve Luiz Felipe Pondé, professor de Filosofia, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 20-02-2012.
Segundo Pondé, "acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: "Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?"
Eis o artigo.
Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for "sim", a causa é uma das hipóteses abaixo. Somos previsíveis como ratos de laboratórios.

Estudar religião cientificamente seria estudá-la sem fins religiosos, ou seja, "de modo objetivo": via neurologia, sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia.

Trocando em miúdos, estudar religião cientificamente é estudá-la sem fins "lucrativos" para a própria fé do estudioso. Neste sentido, o melhor seria um ateu estudar Deus ou um cristão estudar budismo, porque assim não "lucrariam" com seus objetos de estudo.

Duvido profundamente deste pressuposto. Não porque seja impossível em si nem porque neutralidade em ciência seja algo absurdo. Trabalhar com ciência não é fruto de amor ao conhecimento, mas sim um modo de ganhar a vida muitas vezes menos competitivo do que o mercado de profissionais autônomos ou das grandes corporações.

Julgo esse problema da neutralidade do conhecimento científico tão improdutivo quanto se perguntar como faziam os últimos medievais, se Deus poderia criar uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar - já que Ele seria onipotente e, portanto, poderia criar qualquer coisa. Mas, sendo Ele onipotente, como poderia existir uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar?

Como você vê, trata-se de uma pergunta "podre" no sentido de ser simples perda de tempo. Um beco sem saída.

Acho que a chamada "neutralidade" em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa.

Por exemplo, quando mulheres estudam "opressão feminina", não estariam elas sob suspeita, uma vez que são mulheres e, portanto, suspeitas em "lucrar" com os ganhos do próprio estudo? Ou, quando gays estudam "opressão contra os gays", não estariam eles também sob suspeita, na medida em que eles, gays, também "lucrariam" com o estudo de seu próprio caso?

Ou mesmo ateus estudando Deus não estariam sob suspeita de quererem desconstruir a fé a fim de desvalorizá-la?

Por isso acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: "Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?".

Proponho as seguintes hipóteses.
  1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações "espirituais", mas se acham "cultas e bem (in)formadas" e estão um tanto de saco cheio das "igrejas" (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas "oficialmente" e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião. 
  2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de "revolta contra Deus". Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.
  3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.
  4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.
  5. Para tornar sua vivência religiosa mais "culta e bem informada" e "modernizar" sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética. 
  6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.
  7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião. 
  8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.
  9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.
  10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.
Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Quantas pessoas precisam ser curadas por dentro


 A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 2, 1-12 que corresponde ao 7º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.
Eis o texto.

CURADOR DA VIDA

Jesus foi considerado pelos seus contemporâneos um curador especial. Ninguém o confunde com os magos ou os curandeiros da época. Ele tem seu próprio estilo de curar. Não recorre a forças estranhas nem pronuncia conjuros ou fórmulas secretas. Não utiliza amuletos ou feitiços. Mas quando ele se comunica com os enfermos contagia-lhes a saúde. Os relatos evangélicos desenham de diferentes formas seu poder que cura. Seu amor apaixonado pela vida, sua íntima acolhida a cada enfermo, sua força para regenerar o melhor de cada pessoa, sua capacidade de contagiar sua fé em Deus criavam as condições que faziam possível essa cura.

Jesus não oferece remédios para resolver um problema orgânico. Aproxima-se dos enfermos na busca de uma cura desde sua raiz. Não procura somente uma melhora física. A cura do organismo fica englobada numa cura mais integral e profunda. Jesus não cura somente enfermidades. Ele sara a vida enferma.

Os diferentes relatos têm sublinhado isso de diferentes formas. Livra os enfermos da solidão e da desconfiança contagiando-lhes sua absoluta fé em Deus: “Você já acredita?”. Ao mesmo tempo, os resgata da resignação e da passividade, despertando neles o desejo de iniciar uma vida nova: “Você quer curar-se?”

Não acaba ali. Jesus os libera daquilo que bloqueia sua vida e o desumaniza: a loucura, a culpabilidade ou o desespero. Oferece-lhes gratuitamente o perdão, a paz, a benção de Deus. Os enfermos encontram nele algo daquilo que os curandeiros populares não lhes oferecem: uma nova relação com Deus que lhes ajudará a viver com mais dignidade e confiança.

Marcos narra a cura de um paralítico no íntimo da casa onde Jesus mora em Cafarnaúm. É o exemplo mais significativo para destacar a profundidade de sua força que cura. Vencendo todo tipo de obstáculos, quatro vizinhos conseguem trazer até os pés de Jesus um amigo paralítico.

Jesus interrompe sua predicação e fixa seu olhar nele. Onde está a origem dessa paralisia? Quais são os medos, as feridas, os fracassos e culpabilidades obscuras  que estão bloqueando sua vida? O enfermo não diz nada, ele não se move. Ele esta ali diante de Jesus, amarrado a sua maca. Que precisa um ser humano para pôr-se de pé e seguir caminhando? Jesus fala-lhe com a ternura da mãe: “Filho, teus pecados estão perdoados”. Deixa de atormentar-se. Confia em Deus. Acolhe seu perdão e sua paz. Anima-te a levantar-te de teus erros e de teu pecado. Quantas pessoas precisam ser curadas por dentro. Quem os ajudará a se pôr em contato com um Jesus que cura?

Para ler mais:
Comentário ao Evangelho do domingo - preparado pelo IHU - 19-02-2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ASSIM COMO JESUS PASSOU PELA MORTE, A IGREJA TAMBÉM PASSARÁ

















ASSIM COMO JESUS PASSOU PELA MORTE, A IGREJA TAMBÉM PASSARÁ

Mons. Jonas Abib
Livro Céus Novos e uma Terra Nova

Eu sei que você fica receoso e até se pergunta: será que isso é doutrina da Igreja? Está no catecismo da Igreja Católica este presente de João Paulo ll para nós, Igreja:

“Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o ´mistério da iniquidade´ sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, à custa da apostasia da verdade” ( CIC 675). Acontecerá uma impostura religiosa. O anticristo aparecerá como alguém bom que fará a proposta de ser o governador do mundo inteiro. E apresentará às pessoas a possibilidade de solucionar os grandes problemas que angustiam a humanidade: fome, habitação, desemprego, saúde, desigualdade entre os povos…

Momentaneamente, o sistema que ele vai querer impor trará solução para os problemas, e muitas vão aplaudi-lo. Terá a arrogância de se mostrar como Deus e se assentar no trono, no meio do Templo, no coração da igreja, para ser adorado como tal. Seu objetivo, porém, mesmo que de início não o manifeste, será acabar com a igreja, com o cristianismo, por meio de uma religião em que tudo seja válido; em que todas as religiões: budismo, confucionismo, espiritismo e, de modo especial, as mais sofisticadas trazidas pela Nova Era, serão aceitas num grande sincretismo. Só não terá vez o cristianismo, a Igreja verdadeira, a fé cristã.

A Igreja e o cristianismo serão acusados de intolerância, de discriminação. Será dito que ele, com a nação de pecado, trouxe às pessoas o sentimento de culpa, especialmente em relação ao sexo. Vai-se acusar a Igreja de, em sua história, ter causado a diferença entre os povos e, por consequência, todo tipo de intolerância, ódio, guerras, miséria. O Cristianismo e a igreja serão o “bode expiatório”.

É terrível, mas muita gente vai se deixar levar por essa argumentação e achar que realmente o cristianismo é intolerante, discriminatório, e que a noção de pegado foi o que atrapalhou a tudo e a todos. Deus está nos dando a graça de dizer, antecipadamente, que tudo isso será mentira, a fim de que ninguém caia nessa impostura da qual nos fala o Catecismo da igreja Católica:

“… A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne” ( CIC 375). E explica: “Essa impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realizar-se para além dela através do juízo escatológico… A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor na sua Morte e Ressurreição ( CIC 376 e 677).

A Igreja vai seguir os passos de Jesus.

“Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará sua esposa descer do céu. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa.” ( CIC 677).

Está no catecismo da igreja Católica e na Bíblia. É doutrina da Igreja una, santa, católica e apostólica, um presente que João Paulo 11 deu a sua Igreja nestes tempos:

“No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado. Então, a Igreja será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e através dele atinge a sua finalidade, encontrará a sua finalidade, encontrará a sua restauração definitiva em Cristo.” ( CIC 1042).

Nós reinaremos com Cristo para sempre, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado: “Essa renovação misteriosa, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura a chama de ´céus novos e terra nova´ ( 2Pd 3,13).” ( CIC 1043). Nós seremos transformados. Nosso corpo será ressuscitado e se tornará Glorioso como o de Jesus e o de Maria . E não somente a humanidade será renovada, mas também este mundo. O mundo é lindo, mas, livre do pecado, do mal e do demônio, recobrará sua harmonia e será ainda bonito. Será a realização definitiva do projeto de Deus.

Leia isto:

“Também o universo visível está, portanto, destinado a ser transformado, ´a fim de que o próprio mundo, restaurado no seu primeiro estado, esteja, sem mais nenhum obstáculo, a serviço dos justos´, participando da sua glorificação em Cristo ressuscitado. ´ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira de transformação do universo.” ( CIC 1048).

Não sabemos quando, mas temos certeza de que isso vai acontecer, e os sinais dos tempos mostram que isso vai acontecer, e os sinais dos tempos mostram que está próximo! Também não se conhece a maneira como serão transformados este mundo e os nossos corpos, mas serão renovados. Deus prepara para você uma nova morada. Aguente firme! A fúria de satanás será como um vendaval a calar sua boca, a jogá-lo na apostasia e o fazê-lo negar Jesus. Mas você não vai negar, não vai arrefecer, nem se dobrar ou perder a fé, porque está guardado e protegido por aquela que é a Mãe do Senhor e nossa.

Assim como Jesus passou pela morte, a Igreja também passará. Mas isso será momentâneo. Quando o anticristo, o príncipe deste mundo, pensar que venceu, Jesus chegará para destruí-lo com o sopro de seus lábios e aniquilá-lo com o esplendor de sua vinda. Assim como Jesus ressuscitou glorioso, igualmente a Igreja ressuscitará. Nós ressuscitaremos.

Paz e Bem!

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