Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507325-padresereligiososdomatogrossopublicammanifesto acesso em 10 mar. 2012.
"Somos padres diocesanos e religiosos da Arquidiocese de Cuiabá e das
demais dioceses do estado de Mato Grosso. Há décadas, dedicamo-nos,
todos nós, com afinco, zelo e dedicação apostólica à instrução do povo
nos caminhos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, não
merecemos as calúnias, injúrias e difamação de caráter que Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior desfere contra nós", escrevem os 27 signatários de uma carta aberta ao Arcebispo de Cuiabá, publicada pelo blog de Rudá Ricci, 08-03-2012.
Eis o texto.
Cuiabá, Mato Grosso, 27 de fevereiro de 2012
Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores
Bispos, Padres e Povo de Deus
CNBB, ANP, /CNP, CRB, Regional Oeste II
Estado de Mato Grosso
Excelências Reverendíssimas, sacerdotes e povo de Deus
Consternados dirigimo-nos aos senhores para levar a público nossos
sentimentos de compaixão e constrangimento com relação ao nosso co-irmão
no sacerdócio, Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior,
do clero arquidiocesano de Cuiabá. O que nos move é nosso desejo de
comunhão, unidade, amor à Igreja e ao sacerdócio e a busca de verdadeira
justiça, reconciliação e perdão.
Diante de um homem amargurado, fatigado, raivoso, compulsivo,
profundamente infeliz e transtornado toma-nos, como cristãos e como
sacerdotes, um profundo sentimento de compaixão e misericórdia. Diante
de suas reiteradas investidas contra o Concílio Vaticano II, contra a
CNBB e, sobretudo, contra seus irmãos no sacerdócio invade-nos um
profundo sentimento de constrangimento e dor pelas ofensas, calúnias,
injúrias, difamação de caráter e conseqüentes danos morais que ele
desfere publicamente e através dos diversos meios de comunicação contra
nós, sacerdotes e bispos empenhados plenamente na construção do Reino de
Deus.
Exporemos aqui estas duas questões com o máximo possível de
objetividade na esperança que esta carta aberta seja acolhida com o
mesmo espírito com que foi redigida e, mais ainda, na esperança de que
encontraremos, com a intervenção segura e consciente de nosso querido
Dom
Milton Antônio dos Santos, arcebispo de Cuiabá, uma
solução definitiva para esta questão e que seja sempre para a maior
glória do Reino de Deus e para retomarmos o bom caminho.
Somos padres diocesanos e religiosos da Arquidiocese de Cuiabá e das
demais dioceses do estado de Mato Grosso. Há décadas, dedicamo-nos,
todos nós, com afinco, zelo e dedicação apostólica à instrução do povo
nos caminhos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, não
merecemos as calúnias, injúrias e difamação de caráter que Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior desfere contra nós.
Vinde e Vede 2012
Há vinte e seis anos a Arquidiocese de Cuiabá organiza, patrocina e
realiza, no período do carnaval, uma grande concentração religiosa, de
massa, denominada “Vinde e Vede”. A este encontro acorrem milhares de
pessoas do país inteiro, mas particularmente das paróquias da
Arquidiocese de Cuiabá e dioceses vizinhas. Entre momentos festivos e
momentos celebrativos, o encontro é também agraciado com oradores sacros
dos mais diversos nortes do país. Entre estes oradores está também
Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, homem de verbo
fácil, de muitos artifícios oratórios e também de muitas falácias e
sofismas. Suas pregações sempre derrapam para denúncias injuriosas e
caluniosas contra os bispos, os padres e o povo de Deus em geral. Com o
advento das novas tecnologias da comunicação adotadas com maestria pelos
organizadores deste grande evento, as lástimas de Padre Paulo Ricardo
de Azevedo Júnior ressoam em todo o mundo.
Leiam com paciência. Transcreveremos aqui parte de sua palestra proferida na última edição do “
Vinde e Vede”. Intitulada “
Totus tuus, Maria!”
“O
espírito mundano entrou dentro da Igreja. E entrou onde? Entrou o
espírito mundano de que jeito dentro da Igreja? Pelos leigos? Entrou o
espírito mundano de que jeito dentro da Igreja? Foi nos catequistas? Foi
(sic) os ministros da comunhão? Foi através dos cenáculos do
Movimento Sacerdotal Mariano
que entrou o espírito mundano dentro da Igreja? NÃO! Nossa Senhora diz
como foi que o espírito mundano entrou dentro da Igreja: ‘quantas são as
vidas sacerdotais e religiosas que se tornaram áridas pelo secularismo
que as possui completamente’. Deixa eu explicar o que Nossa Senhora está
dizendo porque às vezes Nossa Senhora fala na linguagem que a gente não
entende. Gente, ela tá falando de padres. Vidas sacerdotais aqui é
PADRE! Quantos padres foram tomados COM-PLE-TA-MEN-TE pelo espírito do
mundão. Tá entendendo? Caíram no mundão, no mundo. Ela fala espírito do
secularismo. Quer dizer que estão no mundão, tão na festança, tão no
pecado. Não querem mais ser padres. Querem ser boy. Querem tar na moda.
Tá entendendo? Querem ser iguais a todo mundo. Padre que quer ser igual
ao mundo! É isto que Nossa Senhora tá falando! O espírito… Vejam: Nossa
Senhora está dizendo que a Igreja tá sofrendo um calvário. E por quê?
Porque entrou dentro da Igreja o espírito do mundo. E entrou como?
Entrou por causa de padre! Por causa de padre que não é padre! Por causa
de padre que não honra a batina porque, aliás, nem usa a batina!
(aplausos). ‘a fé se apagou em muitas delas.’ Deixa eu falar aqui claro
pra vocês porque Nossa Senhora fala mas ocê num entende. A fé se apagou
em muitas vidas sacerdotais, deixa eu dizer em português claro pra
vocês. Tem padre que deixou de ter fé. É isso que Nossa Senhora tá
dizendo. Está dizendo isto no dia em que o Papa
João Paulo II
estava aqui em Cuiabá. ‘A fé se apagou em muitos padres por causa dos
erros que são sempre mais ensinados e seguidos. A vida da graça já está
sepultada pelos pecados que se praticam, se justificam e não são mais
confessados.’ O que que Nossa Senhora ta dizendo? Vamos trocar em
miúdos aqui! Nossa Senhora está dizendo que a vida da graça de muitos
padres – o padre tem que viver uma vida da graça. A vida da graça de
muitos padres está SE-PUL-TA-DA! Posso dizer mais claro? Morreu! A vida
da graça de padres pode morrer também. Como? Nossa Senhora diz: ‘pelos
pecados’. Os pecados que praticam, aí depois que eles praticam,
justificam: Não… não é pecado. Antigamente é que era pecado, agora não é
mais pecado. (com ar de deboche). Entendeu? Nós temos que ser, nós
temos que mostrar pra o mundo que a Igreja tem um rosto aberto, que a
igreja está aberta pro mundo. Aí lá vai o padre pular carnaval, no meio
de mulher pelada. Aí lá vai o padre fazer festa na arruaça, beber,
encher a cara até cair. Pra dizer o quê? Ahh, o mundo… eu tenho que
pregar o evangelho pro povo, pros jovens… O jovem tem que acreditar na
Igreja, então eu tenho que ir lá, eu tenho que ficar junto com o jovem.
Eu tenho que viver a vida que todo mundo vive. Gente, eu não sou melhor
do que ninguém e Deus sabe os meus pecados [...]”.
Pobre em
espírito e conteúdo, esta palestra escamoteia um texto não oficial,
escrito pelo fundador e personalidade maior do Movimento Sacerdotal
Mariano, Padre
Stefano Gobbi. Lembremos apenas as palavras do Papa
Bento XVI na exortação apostólica
Verbum Domini:
[...] “a aprovação eclesiástica de uma revelação privada indica
essencialmente que a respectiva mensagem não contém nada que contradiga a
fé e os bons costumes; é lícito torná-la pública, e os fiéis são
autorizados a prestar-lhe de forma prudente a sua adesão. [...] É uma
ajuda, que é oferecida, mas da qual não é obrigatório fazer uso.”
(Verbum Domini, n. 14).
É desastrosa e danosa à reputação de milhares de sacerdotes à “tradução” e “interpretação” que padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior dá às supostas palavras de Nossa Senhora ao Padre
Stefano Gobbi.
Ainda
Bento XVI,
por ocasião da Conferência de Aparecida nos advertia: “Não resistiria
aos embates do tempo uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco
de algumas normas e de proibições, a práticas de devoções fragmentadas,
a adesões seletivas e parciais da verdade da fé, a uma participação
ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a
moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados.
Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da
Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na
verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” [...].
(DAp. N. 12).
O moralismo crispado e falso de
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
reduz a rica tradição da Igreja a um pequeno número de normas e
restrições, com uma verdadeira obsessão de traços patológicos pelo uso
da batina, fato que provocou recentemente um grande desgaste ao clero e
ao povo da
Arquidiocese de Cuiabá e volta a provocar agora, na 26ª edição do “
Vinde e Vede”.
Interpreta ele erroneamente o Cânon 284 do
Código de Direito Canônico
(do qual se diz mestre) – “os clérigos usem hábito eclesiástico
conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e
com os legítimos costumes locais.” – e também as normas estabelecidas
pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que observam: “nas
determinações concretas, porém, devem levar-se em conta a diversidade
das pessoas, dos lugares e dos tempos.”
Colocando-se talvez no lugar de Deus, Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
julga e condena inúmeros irmãos no sacerdócio que levam vida ilibada e
que são reconhecidamente compromissados com o Evangelho, com a Igreja e
com o Reino de Deus. Ele espalha discórdia e divisões desnecessárias e
prejudiciais ao crescimento espiritual do clero e do povo de Deus. De
forma indireta, condena nosso arcebispo emérito Dom
Bonifácio Piccinini e nosso atual arcebispo, Dom
Milton Antônio dos Santos.
Ambos, dedicados inteiramente, com generosidade e abnegação ao Reino de
Deus e à Igreja, não usam batina, como observou em junho passado uma
fiel leiga presente a uma dessas contendas levadas a cabo por Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior e seus sequazes.
Ademais, o uso que ele faz da batina é puramente ideológico. Não a
usa como veste, pois não a usa sempre. Usa-a apenas como instrumento de
ataque àqueles que elegeu como seus desafetos. Essencial seria ele
perguntar-se a si mesmo: “o que quero esconder ou o que quero mostrar
com o uso da batina?” Não somos contra o uso da batina. Entendemos que
identidade sacerdotal, bem construída, se expressa no testemunho pessoal
e nas obras apostólicas e não na batina. Somos contra o uso ideológico
que se faz dela e a condenação daqueles que “levam em conta a
diversidade das pessoas, dos lugares e dos tempos.”
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior: uma pessoa controversa
Muitos dos problemas enfrentados pela Arquidiocese de Cuiabá têm origem, continuação e fim na pessoa do Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, dono de uma personalidade no mínimo controversa.
Apesar de todos os esforços de nosso querido Dom
Milton Antônio dos Santos em busca da unidade, pouco se tem alcançado. Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior continua exercendo sua influência nefasta e dividindo o clero e o povo de Deus na
arquidiocese de Cuiabá e no
Regional Oeste II. E, mais importante, no
SEDAC e nos seminaristas de todos os seminários do estado de Mato Groso.
Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior ultrapassa os
limites do fanatismo quando se trata de questões teológicas, eclesiais e
pastorais. Não é um teólogo e nunca foi um homem de pastoral. É apenas
um polêmico, capaz de julgar e condenar a todos que não se submetem aos
seus ditames e interesses de carreira.
Guardião de ortodoxias e censor de plantão, Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
costuma ser pouco honesto. Honestidade intelectual é proceder com
humildade, modéstia, cautela nas críticas, observou recentemente o Papa
Bento XVI em homilia ao clero da Diocese de Roma. A impetuosidade e o açodamento característicos da personalidade do Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
terminam por levá-lo a pecar contra a objetividade. Condena antes de
saber de que se trata. Tem mais faro que inteligência, mais instinto que
razão, mais paixão que serenidade, mais zelo doentio que honestidade.
Por ocasião da campanha eleitoral para a presidência da república,
enfurnou-se em um cordão de calúnias, ameaças e difamação contra
candidatos, contra o povo e contra a própria
CNBB. A coisa se agravou a tal ponto que o arcebispo de
Cuiabá teve que publicar uma carta proibindo o uso da missa e do sermão para campanhas político-partidárias.
Na mesma ocasião, Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior publicou na
rede mundial de computadores uma carta difamatória contra os bispos,
chamando-os de cachorros. “Cachorros que latem, mas não mordem.” A
atitude de Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior deixou muitos bispos do Regional Oeste II profundamente consternados.
Ultimamente, tem difamado a
CNBB, os bispos do Brasil e o
Concílio Vaticano II na rede de TV
Canção Nova. Este fato foi denunciado na última Assembléia Geral da CNBB.
Não obstante os já mencionados esforços de nosso arcebispo em busca
da unidade, nossa Arquidiocese se aprofunda mais e mais em divisões,
inúteis, desnecessárias e nocivas ao crescimento humano e espiritual da
parcela do povo de Deus que nos foi confiada.
Solicitamos, portanto, de Vossas Excelências Reverendíssimas que Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior seja
imediatamente afastado das atividades de magistério no Sedac e das
demais atividades por ele desenvolvidas nas diversas instituições
formativas sediadas na Arquidiocese e fora dela tais como direção
espiritual de seminaristas, palestras, conferências e celebrações, pois
não tem saúde mental para ser formador de futuros presbíteros. Pedimos
também que seja afastado de todos os meios de comunicação social em todo
e qualquer suporte, isto é, meios eletrônicos, meios impressos, mídias
sociais e rede mundial de computadores.
Pedindo a bênção de Vossas Excelências Reverendíssimas, despedimo-nos
com o coração cheio de esperança de que muito em breve será encontrada
uma solução para esta constrangedora situação que tem se consolidado em
nossa Arquidiocese.
Na obediência, na fé e na comunhão para nunca mais acabar,
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