Arquivo do blog

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

OS HOMENS PEDEM UM SINAL DO CÉU...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,29-32)(15/10/18).

Caríssimos, a união espiritual de nossas almas com Deus por meio do Seu Santo Espírito, requer de nós uma entrega total, uma espécie de abandono onde tudo em nós transpareça Deus e tudo o que Ele realiza em nossa vida. Talvez para muitos isso seja impossível, e é mesmo, mas não para Deus de quem dependemos e à quem pertencemos, não obstante o mundo de tentações e pecados no qual ainda estamos, mas por pouco tempo.

De fato, para quem vive segundo a Vontade de Deus, a graça que nos é dada nos faz vencer todas as dificuldades deste mundo, isto é, todos os obstáculos psíquicos, físicos, morais e espirituais, pois Deus que nos criou por amor e nos enviou o Seu Filho para nos resgatar deste mundo, jamais nos abandona, é só confiarmos e permanecermos fiéis à Sua Palavra.

Caríssimos, a fé é dom do Espírito Santo, e quem a vive não precisa de sinais para permanecer confiante nas promessas de Deus; precisa sim, cultivá-la por meio da oração, da penitência, da conversão permanente e da prática das virtudes que ela comporta, pois a fé sem as obras é morta por falta de prática.

Conclusão: Quanto tempo ainda temos aqui? Não sabemos, todavia, continuemos fiéis, pois o que é o tempo se comparado com a eternidade? Não é nada, portanto, aguardemos o dia do Senhor, pois Ele virá e não tardará, basta que o amemos de todo coração para apressarmos o dia de sua vinda gloriosa, isto é, de Sua Parusia, que para nós será o dia eterno, o dia que não tem fim.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de outubro de 2018

JESUS E O JOVEM RICO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,17-30)(14/10/18).

Caríssimos, hoje co-divido com todos parte da bela homilia do Santo Padre, o Papa Francisco, por ocasião da festa de canonização dos Beatos Paulo VI, Dom Oscar Romero, Francisco Spinelli, Vicente Romano, Maria Catarina Kasper, Nazária Inácia e Núncio Sulprizio.

"A segunda Leitura disse-nos que «a palavra de Deus é viva, eficaz e cortante» (cf. Heb 4, 12). É mesmo assim: a Palavra de Deus não é apenas um conjunto de verdades ou uma história espiritual edificante. Não! É Palavra viva que toca a vida, que a transforma. Nela, Jesus pessoalmente – Ele que é a Palavra viva de Deus – fala aos nossos corações.

Particularmente o Evangelho convida-nos a ir ao encontro do Senhor, a exemplo daquele «alguém» que «correu para Ele» (cf. Mc 10, 17). Podemo-nos identificar com aquele homem, de quem o texto não diz o nome parecendo sugerir-nos que pode representar cada um de nós. Ele pergunta a Jesus como deve fazer para «ter em herança a vida eterna» (10, 17). Pede vida para sempre, vida em plenitude; e qual de nós não a quereria?

Mas pede-a – notemos bem – como uma herança a possuir, como um bem a alcançar, a conquistar com as suas forças. De facto, para possuir este bem, observou os mandamentos desde a infância e, para alcançar tal objetivo, está disposto a observar ainda outros; por isso, pergunta: «Que devo fazer para ter…?»

A resposta de Jesus mexe com ele. O Senhor fixa nele o olhar e ama-o (cf. 10, 21). Jesus muda-lhe a perspetiva: passar dos preceitos observados para obter recompensas ao amor gratuito e total. Aquele homem falava em termos de procura e oferta; Jesus propõe-lhe uma história de amor. Pede-lhe para passar da observância das leis ao dom de si mesmo, do trabalhar para si ao estar com Ele. E faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me» (10, 21).

E Jesus diz também a ti: «Vem e segue-Me». Vem: não fiques parado, porque não basta não fazer nada de mal para ser de Jesus. Segue-Me: não vás atrás de Jesus só quando te apetece, mas procura-O todos os dias; não te contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações: encontra n’Ele o Deus que sempre te ama, o sentido da tua vida, a força para te entregares.

E Jesus diz mais: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres». O Senhor não faz teorias sobre pobreza e riqueza, mas vai direto à vida. Pede-te para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-te de bens para dar lugar a Ele, único bem. Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está estivado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa a mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se.

Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos, sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar. Neste sentido, São Paulo recorda-nos que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tim 6, 10). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem.

Jesus é radical. Dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso. Também hoje Se nos dá como Pão vivo; poderemos nós, em troca, dar-Lhe as migalhas? A Ele, que Se fez nosso servo até ao ponto de Se deixar crucificar por nós, não Lhe podemos responder apenas com a observância de alguns preceitos. A Ele, que nos oferece a vida eterna, não podemos dar qualquer bocado de tempo. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada.

Queridos irmãos e irmãs, o nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo (cf. Mt 6, 24); viver para amar ou viver para si mesmo (cf. Mc 8, 35). Perguntemo-nos de que lado estamos nós... Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus... Contentamo-nos com alguns preceitos ou seguimos Jesus como enamorados, prontos verdadeiramente a deixar tudo por Ele?

Jesus pergunta a cada um e a todos nós como Igreja em caminho: somos uma Igreja que se limita a pregar bons preceitos ou uma Igreja-esposa, que pelo seu Senhor se lança no amor? Seguimo-Lo verdadeiramente ou voltamos aos passos do mundo, como aquele homem? Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo? Peçamos a graça de saber deixar por amor do Senhor: deixar riquezas, deixar sonhos de cargos e poderes, deixar estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo.

Sem um salto em frente no amor, a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 95): procura-se a alegria em qualquer prazer passageiro, fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados.

Aconteceu assim com aquele homem que – diz o Evangelho – «retirou-se pesaroso» (10, 22). Ancorara-se aos preceitos e aos seus muitos bens, não oferecera o coração. E, embora tivesse encontrado Jesus e recebido o seu olhar amoroso, foi-se embora triste. A tristeza é a prova do amor inacabado. É o sinal dum coração tíbio. Pelo contrário, um coração aliviado dos bens, que ama livremente o Senhor, espalha sempre a alegria, aquela alegria de que hoje temos tanta necessidade

Paz e Bem!

sábado, 13 de outubro de 2018

OUVINDO A VOZ DE DEUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,27-28)(13/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, depois da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, fomos ainda mais fortalecidos pelo seu divino poder no combate contra as forças do mal; se antes, como escreveu São Paulo, éramos regidos pela pedagogia da lei que nos orientava para Cristo, agora pela ação do Santo Espírito, que nos foi dado em Cristo, temos a lei impressa na alma, como Deus prometeu por meio dos santos profetas e o cumpriu plenamente no dia de Pentecostes (cf. Jr 31,31-34; Jl 3,1-5; At 2,1-4.14-21).

Com efeito, Cristo Jesus nos deu a conhecer qual seja a vontade do Pai e também o sentido de sua vinda, reunir em si todas as coisas as que estão no céu e as que estão na terra (cf. Ef. 2,7-12), e nos conduzir para Reino que preparou como herança para todos que o amam, onde não mais existirá o pecado, e onde a felicidade não terá fim. Pois, o Reino de Deus não é uma utopia, mas sim o cumprimento de suas promessas feitas a Abraão e à sua descendência para sempre.

Ora, na sua primeira vinda o Senhor se nos apresentou como Salvador misericordioso que perdoa os nossos pecados nos libertando de suas consequências e de todo mal. Porém, na sua segunda vinda, Ele virá como Justo Juiz para julgar os vivos e os mortos e para dar a recompensa a cada um conforme as suas obras.

Conclusão: no Evangelho de hoje, Jesus nos ensinou a grandíssima importância de se ouvir a Voz de Deus e pô-la em prática, como o fez a Sua Mãe, Maria Santíssima: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." Pois, ouvir a Deus e obedecê-lo significa amá-lo acima de todas as coisas, significa ser fiel e permanecer na Sua presença aqui e eternamente no Seu Reino de amor e de paz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 2,1-11)(12/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, não tem como pensar a história da salvação sem a presença da Mãe de Jesus que o gerou por obra e graça do Espírito Santo, Ele o autor e consumador da nossa fé e da nossa salvação. Nesse sentido Maria é porta por onde o autor da vida entrou neste mundo para nos resgatar da morte e nos conduzir à vida eterna.

Com efeito, Maria Santíssima é a nova Eva, o modelo perfeito, obra prima das mãos de Deus, à quem escolheu para depositar nela todo o seu amor, Cristo Jesus, nosso Senhor. Com isso, entendemos que a nossa devoção a Maria é profunda comunhão com a vontade de Deus, que lhe deu a missão de esmagar a cabeça do inimigo de nossas almas, por meio do seu amado Filho.

Com efeito, celebrar solenemente a presença da Mãe de Deus em nosso meio, é celebrar a sua participação no grande mistério da nossa salvação, pois Maria não só gerou Jesus, mas também o assistiu no últimos instantes de sua imolação na cruz, recebendo dele a missão de ser a mãe da nova humanidade.

Portanto, por todas essas graças sobre nós derramadas, cantemos humildemente esse belo hino em sua honra por ser a Mãe de Deus e nossa Mãe:

Viva a mãe de Deus e nossa
Sem pecado concebida!
Viva a Virgem Imaculada
A Senhora Aparecida!

Aqui estão vossos devotos
Cheios de fé incendida
De conforto e de esperança
Ó, Senhora Aparecida!

Protegei a santa igreja
Ó Mãe terna e compadecida
Protegei a nossa Pátria
Ó, Senhora Aparecida!

Amparai todo o clero
Em sua terrena lida
Para o bem dos pecadores
Ó, Senhora Aparecida!

Velai por nossas famílias
Pela infância desvalida
Pelo povo brasileiro
Ó, Senhora Aparecida!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DE UMA MESMA FONTE NÃO PODE SAIR ÁGUA PODRE E ÁGUA PURA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,5-13)(11/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, o único caminho seguro para chegarmos ao Reino dos Céus é o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo conduzidos pelo Seu Santo Espírito, bem como nos ensinou São Paulo: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para paixões desordenadas. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade. Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne."

De fato, essa liturgia de hoje reflete bem o momento atual que estamos vivendo, pois as paixões desordenadas infundidas nas almas pelo maligno, está surtindo seus efeitos maléficos em forma de violência e todo tipo de atrocidades como calúnias, difamação, maledicências, preconceitos, mentiras, etc., talvez nunca visto antes em nosso país desde os dias macabros da ditadura militar que foi implantada usando o medo e os mesmos argumentos de hoje.

Caríssimos, cuidado com os discursos políticos, pois muitos deles não passam de armadilhas sutis para se chegar ao poder. E, quando seus autores são impossados, revelam, de fato, o que tramaram nos bastidores de suas almas. Bem nos advertiu São Paulo: "Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas."

Dito isto, afirmo sem medo de cometer erro algum: nunca um discurso de ódio eivado de preconceitos e desrespeito ao ser humano resultou em algum bem, pelo contrário, as almas enganadas por tais discursos foram trucidadas impiedosamente, pois de uma mesma fonte não pode sair água podre e água pura. Portanto, cuidado com as falácias políticas, porque elas são veneno para as almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,1-4)(10/10/18).

Caríssimos, o dom da oração sempre foi o meio mais eficaz do nosso encontro com Deus, pois é um dom do Espírito Santo que nos une diretamente a Ele. Todavia, esse encontro com o Senhor se dá no coração de nossa alma, isto é, em nossa mente, em nossa consciência livre de todos os vãos pensamentos, onde Deus responde às nossas súplicas e as nossas boas intenções.

Por isso, se pôr em oração, é se pôr em comunhão com o Senhor, é fazer o encontro espiritual mais significativo de nossa vida, pois nele nossa alma em estado de graça ou não se entrega ao nosso Pai criador num profundo diálogo de amor e comunhão na espectativa de receber suas graças e bênçãos.

Desse modo, entendemos que a oração é um relacionamento interpessoal e não uma lista interminável de pedidos. Aliás, quando a oração não é um encontro que resulta num diálogo que tudo transforma, ela é só um emaranhado de palavras ou quem sabe uma prática espiritual cansativa, uma espécie de obrigação, e não uma iluminação do Espírito Santo que nos leva à perfeita comunhão com o Senhor.

No Evangelho de hoje Jesus ensina os Apóstolos como exercitar o dom da oração rezando com eles o Pai nosso. Primeiro aproximar-se de Deus como Pai amoroso que sempre nos ouve e nos atende; honra-lo com profundo respeito revelando quão santificado é o seu nome pela prática de nossa fé; pedir a vinda de Seu Reino; querer sempre o que é do seu agrado; suplicar para todos o necessário, livrando-nos do acúmulo indevido; pedir perdão pelas ofensas pessoais cometidas, perdoando as praticadas contra nós; pedir a graça de não cometê-las mais, e a proteção contra as investidas do mal. Eis a mais perfeita oração que brota do coração em nosso encontro e diálogo com Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

EM CASA DE MARTA E MARIA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,38-42)(09/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, a vida humana é um dom precioso de Deus, entretanto, no mais das vezes nos atormentamos à nós mesmos com vãs preocupações como se isso tivesse algum sentido ou nos causasse algum bem; na verdade essa atitude de preocupação inadequada não passa de ativismo estéril, infecundo que em nada nos ajuda, mas só serve para atrapalhar o bem viver e o convívio fraterno.

No Evangelho de hoje, Marta convida Jesus para uma refeição em sua casa, mas não tem tempo para Ele, pois, mesmo no anseio de bem servir-lo junta a isso uma ácida crítica à sua irmã Maria por ela sentar-se aos pés do Senhor para o escutar e não se prestar de imediato aos afazeres da casa. Ora, a resposta de Jesus a Marta nos mostra que o muito ou o pouco fazer sem o devido sentido da fé, perde a espontaneidade da boa convivência, a plena disposição em servir e a generosidade de bem acolher, tornando-se assim uma espécie de obrigação estéril eivada de insatisfação e aborrecimento.

De fato, sem unidade em meio à diversidade dos dons não existe paz, mas somente conflito de interesses ou de aparência. Ora, somos parte do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Porém, esse Corpo é Santo, por isso, tudo em nosso viver precisa transparecer a santidade do Senhor à quem somos unidos e a quem servimos, caso contrário, não passamos de galhos secos, esturricados que só servem para serem incinerados.

Caríssimos, quando o nosso viver tem como base o amor fraterno e o bem de todos, isso é infinitamente superior à tudo que se concebe a partir do ativismo estéril que só gera críticas, conflitos e divisões. Na verdade, quem busca a paz e o bem comum sabe escutar o Senhor para agir com a sua sabedoria, e assim fazer a sua vontade em tudo, como Ele nos ensinou: "Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Firefox