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terça-feira, 8 de novembro de 2022

O PERDÃO É A FONTE DA VERDADEIRA PAZ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,1-6)(07/11/22)


Caríssimos, a nossa relação com o próximo depende da nossa relação com Deus; as perguntas que fazemos são estas: como está o nosso relacionamento com Deus? Como o encontramos na nossa oração? Fazemos silêncio para ouvi-lo ou só o buscamos para pedir algo? De fato, o que nos faz viver na sua Presença? 

Decerto, as respostas à todas essas perguntas, se resume nesta: viver em estado de graça, isto é, sem pecados. Mas, como é possível uma vida sem pecados neste mundo infestado de tentações e práticas pecaminosas? 

A responde a essa pergunta se encontra na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela." (1Cor 10,13). 

E são Tiago acrescenta: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12). De fato, não precisamos do pecado pra nada, porque ele é sempre uma ofensa contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos." (Lc 17,1-2). 

Ou seja, o escândalo nada mais é do que a falta de autenticidade na vivência da fé; deixa-se a verdade pela mentira; deixa-se o amor pelo ódio; a castidade pela prática da impureza. E o resultado nefasto dessa troca é a condenação eterna de quem faz de tais práticas sua regra de vida.

Também nesse mesmo Evangelho o Senhor Jesus trata do perdão e da fé, que são dons de Deus que nos faz viver sempre em paz. Com efeito, o perdão é um dom de proteção que nos é dado para não deixarmos entrar em nossas almas as ofensas e a imagem negativa dos que tentam nos ofender. 

Quando perdoamos, é Deus quem perdoar por meio de nós e apaga todo o mal feito contra nós; quem não perdoa, deixa entrar na alma a maldade dos ofensores e isso causa rancor, mágoa, ressentimento, ódio e desejo de vingança, que corrói por dentro os que praticam esses pecados mortais. Por isso, nunca devemos dar atenção ao mal praticado, pois, o mal por si mesmo se destrói. 

Amados irmãos e amadas irmãs, o ato de perdoar traz inúmeros benefícios para a nossa salvação, e um deles é o estado de graça, que nos faz viver na presença de Deus gozando da sua amizade. Com isso, evitamos intrigas, fofocas, maldades e enganos; pois uma alma em estado de graça se torna invensível.

Decerto, ao ensinar a oração do "Pai nosso", disse o Senhor Jesus: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará." (Mt 6,14-15). Ou seja, o perdão é uma fonte inesgotável de libertação e de paz.

Existe uma frase famosa de Blaise Pascal que diz: "Se conhecesseis os teus pecados, ficarias desesperado, mas teus pecados só serão revelados quando forem perdoados". 

Por isso, é fundamental buscar com uma certa frequência o Sacramento da Reconciliação, onde Deus, por meio do confessor, perdoa os nossos pecados, apaga as nossas culpas e nos dá viver em comunhão com Ele e entre nós.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 6 de novembro de 2022

"SEDE SANTOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É SANTO"


 Solenidade de Todos os Santos e santas (Mt 5,1-12a)(06/11/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, a Santa Igreja no Brasil hoje celebra a Solenidade de todos os santos e santas, que são nossos intercessores no céu onde gozam a felicidade eterna na presença de Deus contemplando a Sua Divina Face. Com efeito, nesta liturgia de hoje o Senhor Jesus nos aponta o caminho da perfeição percorrido por eles sob o impulso da Sua graça, pela prática das Bem-aventuranças.

Mas, afinal, quem são os bem-aventurados? São todos os filhos e filhas de Deus que seguiram fielmente nosso Senhor Jesus Cristo neste mundo dando por Ele a própria vida; ora, todos nós temos conhecimento do nosso livre arbítrio, e aqui neste mundo, ele é o nosso paraíso; e dele temos a chave que o abre e fecha, trata-se da fidelidade, obediência e o amor incondicional ao nosso Senhor.

De fato, a santidade é a vontade de Deus realizada em todos os sentidos da vida, como o Senhor Jesus nos ensinou: "Sede santos como o vosso Pai celeste é Santo." (Mt 5,48). Ora, na Palavra que o Senhor nos fala já está o poder de se cumpri-la; Sua Palavra é criadora, redentora e realizadora da Sua vontade, quem a obedece se torna morada da Santíssima Trindade; quem não a obedece, não o segue, porque não o ama.(cf. Jo 14,23-24)

Meditando o Evangelho de hoje vemos que Jesus nos ensina a via da perfeição que nos leva ao céu: "Bem-aventurados os pobres de coração, porque deles é o Reino dos Céus». Podemos perguntar-nos como pode ser feliz uma pessoa pobre de coração? Ora, ela é aquela cujo único tesouro que possui é o Reino dos Céus.

"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados." Como podem ser felizes, aqueles que choram? São os que têm a capacidade de se comover, de sentir no coração a dor que existe na sua própria vida e na dos outros. Eles serão felizes, uma vez que a mão terna de Deus Pai os consolará e acariciará." E assim são as outras bem-aventuranças.

Portanto, caríssimos, escutemos com atenção esta exortação de são Teodoro Estudita (séc. VIII): "Rejubilai, peço-vos, cidadãos dos Céus, embora exilados neste mundo; habitantes da Jerusalém celeste (cf Gal 4,26), embora banidos dos assuntos deste mundo; herdeiros do reino dos Céus, embora deserdados e não tendo parte nos prazeres terrenos!

Sim, meus filhos, reunidos por Deus, alimentai-vos do alimento do Espírito e bebei a água dada pelo Senhor; quem vier a possuir esta água nunca mais terá sede, pois ela será para ele uma fonte que jorra para a vida eterna (cf Jo 4,14). Mais um pouco e teremos vencido. E seremos felizes, como felizes serão chamados os locais, os pais e as pátrias que vos terão gerado (cf Lc 11,27-28).

Amados irmãos e amadas irmãs, por vezes somos tentados a pensar que a santidade é um privilégio de poucos, quem sabe daqueles que a Santa Igreja já proclamou; mas estes foram proclamados como modelos de perfeição por seguirem fielmente o Senhor Jesus, como por exemplo são Francisco de Assis, santa Clara, e todos os outros santos e santas que se encontram no céu. Decerto, isso significa que nós também estamos fazendo o mesmo percurso que eles fizeram.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 5 de novembro de 2022

QUEM É FIEL NAS PEQUENAS COISAS TAMBÉM SERÁ FIEL NAS GRANDES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 16,9-15)(05/11/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, "o Evangelho de hoje nos põe numa encruzilhada: a quem queremos servir? A Deus ou ao dinheiro? O dinheiro não é ruim em si mesmo, mas Jesus nos ensina que deve ser usado somente para o bem de todos." (Mons. Angelo Spina).

Meditemos com amor e atenção este Pequeno Sermão de Cada Dia.

Caríssimos, estamos tão acostumados com o poder de compra do dinheiro que muitas vezes entramos em pânico só em pensar que ele nos vai faltar; digamos que esse é um péssimo sinal, porque é pôr a confiança no que não nos dar real segurança, pelo contrário, quem o possui tem medo de perde-lo, e isso gera desconforto.

Na primeira leitura são Paulo expressa com precisão o que significa viver da Divina Providência: "Não é por necessidade minha que vos digo, pois aprendi muito bem a contentar-me em qualquer situação. 

Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando saciado ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. Tudo posso naquele que me dá força." (Fl 4,11-13). De fato, esse comportamento de São Paulo demonstra o quanto precisamos, nós e os demais penitentes, viver da Divina Providência. 

Com efeito, este mundo está se perdendo porque os homens fizeram do dinheiro um deus que os está disruindo pela ganância que os corrói por dentro, tirando-lhes a sensibilidade para com os mais necessitados, de modo que, milhões morrem de fome por conta do monstro do egoísmo que não para de crescer. 

Decerto, não é por menos que disse o Senhor Jesus: "É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus." (Mt 19,24). Com isso, percebemos o perigo a que estão se expondo os vivem acumulando indevidamente, enquanto milhões de pessoas morrem de fome diariamente. 

No Evangelho de hoje disse o Senhor: "Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. (Mt 16,10-13).

De fato, todo apego é maléfico principalmente o apego ao dinheiro que não passa de papel timbrado que ninguém leva consigo quando parte deste mundo. Por isso, escutemos o Senhor Jesus: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." (Mt 6,33-34).

Amados irmãos e amadas irmãs, "Muitos pensam que com dinheiro podem comprar tudo, mas não é bem assim, existem coisas que não se podem comprar, simplesmente porque não estão à venda. 

O amor, por exemplo, não é algo que se compra. Na sociedade de hoje, as pessoas vivem por dinheiro e fazem grandes esforços para conseguir mais dinheiro. Também pode acontecer que alguém venda sua alma ao diabo para ficar "rico".

Todavia, se queremos ser verdadeiros discípulos de Cristo, somos chamados a buscar um tesouro que nenhuma traça pode corroer, esse tesouro é o Reino Deus, é Deus mesmo." (Mons. Angelo Spina) 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

FAZEI AMIGOS PARA O CÉU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 16,1-8)(04/11/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, "o Evangelho de hoje nos mostra como discernir entre a busca dos bens temporais e dos bens eternos, também nos ensina como usar o tempo presente em vista da eternidade, para fazermos a escolha certa. 

Jesus conta a parábola de um administrador desonesto que, ao ser acusado, tem a astúcia de resolver a situação adversa beneficiando os devedores de seu senhor; ao fazê-lo, reduz de alguma forma seu déficit em relação ao seu patrão, uma vez que adquire a gratidão dos que beneficiou.  

No entanto, esta não é a lógica do cristão. Jesus usou este exemplo para nos fazer entender que, se aqueles que buscam as coisas deste mundo são astutos em resolver os problemas a seu favor, quanto mais devemos ser para os bens futuros que o Senhor nos dá para administrar neste mundo." (Anna Maria Cànopi).

Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra a preciosidade da vivência da fé por aqueles cujo único interesse é a salvação de todos, porque têm consciência de que tudo neste mundo tem fim, por isso, não se apegam a nada. Pelo contrário, por depender da Providência Divina, mantém a serenidade e a confiança, convictos de que Deus nunca falha. 

"O Evangelho faz-nos compreender como a vida terrena é sempre uma escolha: entre a honestidade ou a desonestidade, entre o bem ou o mal, entre a fidelidade ou a infidelidade. Tudo o que temos recebemos de presente e fazemos crescer com o nosso empenho e determinação. 

Perguntemo-nos: como gerimos os bens que recebemos? Existem duas maneiras. Uma mundana que se manifesta por atos de corrupção, engano, opressão e constitui o caminho mais errado, o caminho do pecado. A outra maneira, revela o espírito do Evangelho que exige um estilo de vida sério e exigente, baseado na honestidade, na justiça, no respeito pelos outros e sua dignidade, no cumprimento do dever. 

No silêncio e na vida cotidiana, há muitas pessoas que não tentam embelezar sua casa com objetos luxuosos, mas tentam embelezar sua alma, tentam eliminar as coisas supérfluas que nada fazem além de acumular poeira, para ajudar os outros. 

Há muitas pessoas que usam as riquezas que Deus lhes confiou e as fazem frutificar sem explorar ninguém, compartilhando seus dons, habilidades e riquezas materiais e espirituais com os demais. Tem muita gente que não faz bullying, que não grita, que não se impõe, que não quer vencer a todo custo destruindo os outros. 

São muitos os santos que ao longo da história criaram mil maneiras para alimentar os pobres abandonados por todos, para proteger os humilhados e pisoteados, para amparar os doentes nos dias de contágio. São sábios administradores, os quais entenderam que no final desta vida seremos acolhidos pelos amigos que fizemos aqui na terra dia após dia com os dons recebidos e o exercício da partilha. 

Então, não estaremos sozinhos, mas seremos uma comunhão de amigos, se tivermos exercido a amizade aqui e agora, dando e aceitando os dons recebidos de Deus." (Mons. Angelo Spina). E é isso o que o Senhor Jesus nos ensina nesta Parábola.

Amados irmãos e amadas irmãs, "cada um recebe talentos naturais e espirituais, e deve administra-los inteligentemente em vista do Reino dos Céus. De fato, o mundo luta por riquezas e bem-estar; o Senhor, no entanto, nos convida a não buscar o que se perde, mas sim o que permanece para sempre." (Anna Maria Cànopi).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

DEUS NOS SALVA POR SUA DIVINA MISERICÓRDIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-10)(03/11/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, nós precisamos da misericórdia de Deus como do ar que respiramos e é essa dependência que nos liga à fonte inesgotável do seu infinito amor que nos sacia por toda a eternidade.

Meditemos com amor e devoção o Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, tudo na vida natural tem um início e um fim, mas em Deus não é assim, pois Ele nos criou para a vida eterna mesmo nos tendo criado no tempo, envolto pela eternidade. De fato, isso faz parte do seu mistério de amor que nos deu a conhecer por seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, mediate a sua vinda a este mundo para perdoar os nossos pecados e nos conduzir para o Reino dos céus.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "Jesus quer deixar claro que Deus Pai é o primeiro a ter uma atitude acolhedora e misericordiosa para com pecadores. Deus tem essa atitude. Na Parábola da ovelha perdida, Deus é apresentado como um pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para ir em busca da perdida." Ou seja, a sua misericórdia não tem limite.

No segundo momento, Ele é comparado a uma mulher que perdeu uma moeda e a procura até encontrá-la. Um elemento comum a essas parábolas é aquele expresso pelos verbos que significam regozijar-se juntos, celebrar. Não se fala em luto. Nós nos alegramos, nós celebramos. A ênfase está na alegria tão irreprimível que deve ser compartilhada com "amigos e vizinhos".

Jesus nos apresenta o verdadeiro rosto de Deus: um Pai de braços abertos, que trata os pecadores com ternura e compaixão. Seu perdão apaga o passado e nos regenera no amor. Esquecer o passado: esta é a fraqueza de Deus: quando nos abraça e nos perdoa, perde a memória do nosso passado pecaminoso." Ou seja, nos dando uma nova vida por sua Divina Misericórdia. 

Quando nós pecadores nos convertemos e nos deixamos encontrar por Deus, nenhuma censura e dureza nos esperam, porque Deus nos acolhe de volta em sua casa com alegria e festa. Isso nos dá uma grande esperança, porque não há pecado em que tenhamos caído do qual, com a graça de Deus, não possamos ressuscitar. 

Não existe pessoa irrecuperável, ninguém é irrecuperável! Porque Deus nunca deixa de nos querer, mesmo quando pecamos! Neste caminho, podemos dar alegria a Deus, e sua alegria pode se tornar a sua e nossa festa." (Papa Francisco - Angelus, 11/9/16).

Amados irmãos e amadas irmãs, rezemos com o Frei Ludolfo de Saxe, frade domenicano (sec. XIV).

"Vem, Senhor Jesus, à procura do teu servo, à procura da tua ovelha errante e extenuada. Vem, Esposo da Igreja, à procura da dracma perdida. Vem, Pai de misericórdia, receber o filho pródigo que retorna a Ti. Vem, Senhor, porque só Tu podes chamar a ovelha que se extraviou, reencontrar a dracma perdida, reconciliar o filho que partiu. 

Vem, para que haja salvação na Terra e alegria no Céu! Converte-me a Ti e concede-me cumprir uma verdadeira e perfeita penitência, de modo que seja ocasião de alegria para os anjos. Meu doce Jesus, a quem amo exclusivamente e acima de tudo, eu, pecador, rogo-Te pela imensidade do teu amor que seja apenas consolado por Ti, meu tão doce Deus!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

HOMILIA DA CELEBRAÇÃO DO DIA DE FINADOS...


 CELEBRAÇÃO DO DIA DE FINADOS (Lc 12,35-40)(02/11/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, a vida vivida a cada momento é uma viagem que estamos fazendo do tempo para a eternidade; mas atenção, porque não a fazemos sozinhos, uma vez que estamos indo ao encontro definitivo com Deus afim de recebermos o seu abraço de Pai, isto significa que seguimos em comunhão uns com os outros vivendo o amor fraterno rumo ao Reino dos Céus. 

Na primeira leitura "Jó tomou a palavra e disse: ”Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”. (Jó 19,1.23-27a). Ou seja, essas são palavras de vida eterna. 

De fato, estamos ainda na região dos mortos, e com plena consciência de que da morte ninguém escapa; decerto, lutamos todos os dias contra ela e essa batalha só findará quando a sua sentença se cumprir, porém, como Jó nos ensinou, o nosso Redentor a venceu e nos deu a graça de vence-la também, assim o que antes era uma tragédia agora tornou-se esperança de vida eterna.

"No dia 2 de Novembro, a Igreja convida-nos a comemorar a partida dos fiéis, a trazer à nossa mente e ao coração os entes queridos que passaram desta peregrinação terrena para a vida eterna. Recordar, significa trazer de volta ao coração. Qualquer pessoa que tenha experimentado a morte de um ente querido - um pai, uma mãe, um filho, um amigo - sabe bem o que significa trazer um ente querido de volta ao coração. 

A morte rasga muitos afetos, dilacera muitos sentimentos, retira relações intensas, causa muita dor. Mas, o Senhor Jesus permite-nos superar toda a tristeza e medo, como Ele mesmo disse: "Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora." (Jo 6,37). 

O cristão é aquele que vai a Jesus todos os dias, mesmo que a sua vida seja feita de contradições, pecados, infidelidade, e quedas. Ainda assim Jesus não o rejeita, mas, se há conversão, Ele o abraça, perdoa os seus pecados e leva-o à vida eterna, dizendo: 'Porque esta é a vontade do meu Pai, que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia'."

Portanto, caríssimos, rezemos por nossos entes queridos que já partiram antes de nós, pois a oração é o meio pelo qual Deus derrama sobre eles as graças necessárias para aliviar as suas pernas e prepará-los para o céu.

Destarte, rezemos com esta oração do prefácio da missa na intenção dos nossos falecidos: Senhor, Pai Santo, Deus eterno e todo poderoso, em Cristo brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. 

Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado nos céus, um corpo imperecível."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

HUMILDADE E DISPONIBILIDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 14,15-24)(01/11/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, a virtude da humildade é como uma terra fértil onde cresce as sementes das graças de Deus dando frutos abundantes que saciam a todos que deles se deleitam. De fato, como é agradável a convivência com quem faz a vontade de Deus, transparecendo sua presença na convivência mútua.

Com efeito, são Pedro na sua primeira carta escreveu: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. (1Pd 5,5-6). 

Decerto, na virtude da humildade se encontra a disponibilidade que generosamente se dá a Deus para que Ele realize a sua obra salvífica em nossas almas. O contrário da humildade é a perversa arrogância que com sua truculência tenta atrapalhar o plano de Deus para a nossa salvação.

São Paulo na primeira leitura nos ensina: "Irmãos, tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. Ele, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz." 

Em outras palavras, o Senhor Jesus é Deus conosco e quiz rebaixar-se à nossa condição, menos no pecado, e o fez porque muito nos amou. Ora, se Deus agiu assim para a nossa salvação, o que será de nós se rejeitarmos o seu convite para seguir os passos do Seu Filho que padeceu os tormentos da cruz que lhe foram infringidos sem que tivesse culpa alguma?

A resposta a esta pergunta se encontra no Evangelho de hoje: “Um homem deu um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: ‘Vinde, pois tudo está pronto’. Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. Por isso, eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete”.

Portanto, caríssimos, o Senhor Jesus é a humildade em pessoa e nos convida ao seu banquete celestial; e nós o atendemos ou damos desculpas para não aceitar o Seu convite? Examinemos a nossa consciência, isto é, o nosso coração, porque é dessa resposta que depende a nossa entrega total a Ele, a nossa salvação.

Destarte, aprendamos com a humildade e disponibilidade de Maria Santíssima, uma vez que sua existência foi toda pautada sobre a vontade de Deus, como ela mesma disse ao anjo: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." (Lc 1,38). De fato, somente os humildes de coração têm tal disposição para aceitarem o convite do Senhor, com o fez a sua Santíssima Mãe.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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