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terça-feira, 15 de novembro de 2022

"HOJE A SALVAÇÃO ENTROU NESTA CASA"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 19,1-10)(15/11/22)


Caríssimos, os sofrimentos que vemos neste mundo resulta dos pecados nele cometidos. De fato, os homens estão perdendo o temor de Deus, o senso do sagrado e por isso, têm usado uns aos outros como se não fossem "imagem e semelhança de Deus" e assim estão caíndo no abismo da perdição como nunca visto antes. 

A liturgia de hoje nos mostra que a única solução para se evitar tal perdição em larga escala é a conversão em massa. E qual a probabilidade dessa conversão? Se depender dos homens afundados na lama fétida do pecado, essa probabilidade é praticamente nula, porém, se depender da fé dos buscam o Senhor Jesus, como Zaqueu, aí sim, haverá muitas e muitas conversões.

Na primeira leitura São João evangelista a mandado do Senhor Jesus se dirige às comunidades de Sardes e Laodicéia que se encontram mergulhadas numa prática de fé sem compromisso com a verdade, olhando tão somente para a prosperidade material deixando de lado a prática das virtudes eternas.

Ao responsável da Comunidade de Sardes diz o Senhor: "Conheço a tua conduta. Tens fama de estar vivo, mas estás morto. Acorda! Reaviva o que te resta, e que estava para se apagar! Pois não acho suficiente aos olhos do meu Deus aquilo que estás fazendo. Lembra-te daquilo que tens aprendido e ouvido. Observa-o! Converte-te!" (Ap 3,2-3).

Ao responsável pela Comunidade de Laodicéia diz: "Conheço a tua conduta. Não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca. Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo." (Ap 3,15-16.19-20).

No Evangelho de hoje Zaqueu procura ver Jesus, mesmo sendo considerado pela população um pecador público, muito rico, chefe dos cobradores de impostos. No entanto, enquanto o julgam um grande pecador; ao contrário, o Senhor o chama filho de Abraão capaz de se converter, deixando o apego ao dinheiro para amar o próximo como a si mesmo.

Portanto, caríssimos, sigamos as pegadas do Senhor como as seguiu Zaqueu que o recebeu em sua casa, mas, já como um homem convertido: “Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais”. Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19,9-10).

Destarte, Deus nos conhece por dentro e sabe o quanto precisamos da sua divina misericórdia, porque somente mediante o perdão dos nossos pecados é que somos salvos. Evitemos, pois, cair em tentação por uma vida de penitência, oração e a prática das obras de misericórdia como o fez Zaqueu.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 13 de novembro de 2022

HOMILIA DO 33DOM TEMPO COMUM...


 Homilia do 33°Dom do Tempo Comum (Lc 21,5-19)(13/11/22)


Caríssimos, por mais que digamos que a segunda vinda de Cristo é iminente, dado os acontecimentos adversos e todo tipo de catástrofe natural ou causada pelos homens, nenhum de nós tem essa certeza, pois, o Senhor não nos deu uma data precisa, mas disse apenas que está reservado somente a Deus Pai: "Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai." (Mt 24,36).

Com efeito, vivemos em meio a todo tipo de violência e agressões, e ao que parece a capacidade humana recebida de Deus para fazer o bem, está sendo usada na prática de todo espécie de maldade, é como se a vida não tivesse nenhum sentido de ser; como se tudo o que vivemos se resumisse ao tempo natural que temos e nada mais, é como se para muitos não houvesse a eternidade após a morte.

De fato, "a existência humana é marcada pelo senso de finitude. Às vezes, isso é apresentado como uma catástrofe iminente que causa consternação; mais frequentemente é percebido como um presságio sombrio que já pinta o nascer do sol com as cores do pôr do sol. 

O fim do mundo vai acontecer, mas como e quando não podemos saber. O próprio Jesus não prevê um prazo preciso, mas nos convida a esperar, comprometendo-nos a manter viva a fé, apesar dos muitos obstáculos e provações dolorosas que cada geração de crentes terá que enfrentar. 

O cristão não pode e não deve tornar-se pessimista, porque sabe que precisamente em tais situações de conflito o Reino de Deus vem e se realiza. De Cristo temos o ensinamento e o exemplo incomparável a que nos conformamos, mas sobretudo temos nele a fonte da graça para viver cada situação de prova como evento de salvação. 

Toda a autoridade lhe foi dada sobre o céu e a terra, por isso, se o ouvimos caminhamos para a vida e a alegria. Se as buscamos Nele, já temos um antegozo delas, e na vida eterna, as possuiremos plenamente." (Ir Anna Maria Cànopi).

Portanto, caríssimos, quando o Senhor Jesus vier na sua glória, "Deus concederá ao seu povo a plinitude prometida. Uma promessa de vida tal que nada mais haverá de comum entre o mundo presente e o novo paraíso. Uma nova terra, novos céus. Um coração novo tornará o homem sensível a ação do Espírito Santo." (MR).

Destarte, estamos no tempo da Igreja que é a parte visível do Reino de Deus neste mundo; e quando esse tempo acabar, conforme determinado por Deus Pai, então, o seu Filho Jesus Cristo virá na sua glória com os seus anjos e tudo será consumado de acordo com os seus desígnios, bem como rezamos no creio: "Cristo virá para julgar os vivos e os mortos e o seu Reino não terá fim."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 12 de novembro de 2022

MAS O FILHO DO HOMEM ENCONTRARÁ FÉ QUANDO VOLTAR À TERRA?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,1-8)(12/11/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, "Feliz o homem que conhece a própria fraqueza. Porque esse conhecimento é nele o fundamento, a raiz, o princípio de toda a bondade. Quando um homem se sente desprovido do socorro divino, reza muito. 

E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde. Tendo compreendido realmente isto, guarda a oração na sua alma como um tesouro. E, sendo a sua alegria tão grande, faz da oração uma ação de graças. 

Então, guiado por este conhecimento e admirando a graça de Deus, eleva a voz para O louvar e glorificar, exprimindo a sua gratidão nos píncaros do seu maravilhamento." (Isaac, o Sírio (Sec. VII)

Meditemos com amor e atenção este Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, no viver nosso de cada dia quase sempre nos deparamos com perguntas e respostas que fazemos ou damos, desse modo, revelamos quem somos e o sentido que damos a nossa existência. Decerto, isso também acontece na prática da fé, que nada mais é do que a nossa convivência com Deus, e é dessa convivência que depende o nosso amor ao próximo como a nós mesmos.

No Evangelho de hoje São Lucas introduzindo a Parábola contada por Jesus sobre uma viúva que pede para um juiz injusto lhe fazer justiça, disse: "Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir." (Lc 18,1). 

Com efeito, nessa Parábola, o Senhor Jesus nos ensina que a oração é o dom do encontro com Deus por excelência, por isso, deve ser acompanhada da perseverança e da fé para obter todas as graças necessárias para nossa salvação. No entanto, no final dessa Parábola Ele faz uma pergunta enigmática: "Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,8).

De fato, com o que estamos contrastando na face da terra, é profundamente pertinente essa sua pergunta dado a crise de fé que estamos vivendo, porque nunca se falou tanto de Cristo, mas também nunca se viveu tão pouco o Ele nos ensinou. Decerto, este mundo está precisando ser passado a limpo, porque somente assim a fé voltará a ser praticada como sempre foi ensinada pelo Senhor, os Apóstolos e a sua Santa Igreja.

Portanto, caríssimos, escutemos atentamente São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos." (Ef 4,3-6).

De fato, sem a unidade do Espírito Santo, sobra espaço para o espírito de divisão que está levando muitos "cristãos" ao ódio, à discórdia, à violência e à perdição. Então, como vencer essa batalha? São Paulo também nos ensina: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem.

Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo." (Ef 4,29-32)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

COMO SERÁ O JUÍZO FINAL?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,26-37)(11/11/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, se tem algo que de certa forma nos inquieta é o silêncio de Deus frente à tantas injustiças e aberrações cometidas por aqueles que as fomentam; no entanto, se prestarmos atenção percebemos que o resultado da prática de vida de cada um se revela por seu estado de alma. 

Desse modo, quem não caminha na doutrina de Cristo, como afirma São João na primeira leitura, não tem Deus, e quem não tem Deus também não tem amor e nem sequer um pingo de paz, vive num tormento infernal, e por isso, multiplica a maldade que planta por palavras e ações, e o resultado nefasto do que plantou é a violência e a confusão. É por isso que este mundo está parecendo um inferno.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus faz um prenúncio de sua segunda vinda baseado em duas escalotogias - acontecimentos finais - do Antigo Testamento, o dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra, e conclui dizendo: "O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado." Ou seja, haverá uma semelhante destruição em massa, por conta dos pecados cometidos neste mundo que atraem o cumprimento da justiça divina.

Com efeito, "o Evangelho de hoje é um convite para estarmos sempre preparados para o encontro definitivo com Deus. O juízo que nos espera é a revelação daquilo que realmente somos; a morte nos mostrará toda a verdade. 

Sua vinda nos detém no ponto em que nos encontramos no relacionamento com Deus e com os homens: ódio e amor; bondade e malícia; egoísmo e generosidade ficam imobilizados no instante em que cessa a nossa vida.

O encontro com Deus será de alegria ou de infinito desespero, conforme o sentido que cada um tiver dado à própria existência. Então, tantas conquistas realizadas à custa de sacrifícios e humilhações serão computadas como perdas; tantas alegrias e prazeres que havíamos renunciado serão considerados como lucro. 

Por isso, o Senhor Jesus nos exorta a dar tudo, até a própria vida, porque, "quem procura salvar a sua vida vai perdê-la, e quem a tiver perdido, vai salvá-la." (Lc 17,33)(MR). "Com isso, o Senhor Jesus descreve o seu caminho pessoal, que através da cruz o leva à ressurreição: o caminho do grão de trigo que cai na terra e morre, para assim dar muitos frutos. Partindo do centro do seu sacrifício pessoal e do amor que nele alcança a sua realização, descreve também com essas palavras a essência do amor e da existência humana em geral." (Bento XVI - Encíclica Deus Caritas Est, no. 6).

Amados irmãos e amadas irmãs, "o amor divino engloba a totalidade da existência em todas as suas dimensões, incluindo a do tempo. Não poderia ser de outra forma, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade." (Bento XVI - Encíclica Deus caritas est, no. 6) 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

QUANDO VIRÁ O REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA?


 

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,20-25)(10/11/22).

Caríssimos, a liturgia de hoje nos proporciona um lastro luminoso de esperança principalmente neste tempo tão difícil que estamos atravessando; trata-se do maior desejo da humanidade, a vinda do Reino de Deus e do cumprimento da sua justiça.

No Evangelho de hoje "os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Ao que o Senhor respondeu: 'O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: 'Está aqui' ou 'Está ali', porque o Reino de Deus está entre vós.' Ou seja, a presença de Cristo perpassa o tempo e preenche o universo, e é Ele que representa o Reino de Deus entre nós. 

Com efeito, quantas gerações já se passaram desde a primeira vinda do Senhor Jesus, até os nossos dias? Ou seja, quantas pessoas nasceram e morreram sem que acontecesse sua tão desejada Parusia (sua vinda gloriosa)?

São Pedro na sua segunda carta nos recorda isso: "Sabei antes de tudo o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo as suas próprias concupiscências. Eles dirão: Onde está a promessa de sua vinda? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o princípio do mundo.

Esquecem-se propositadamente que desde o princípio existiam os céus e igualmente uma terra que a palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, no meio da água, e deste modo o mundo de então perecia afogado na água. Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios." (2Pd 3,3-7).

Portanto, caríssimos, escutemos humildemente o Senhor Jesus: "Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á. Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem." (Lc 12,36-37.40).

Amados irmãos e amadas irmãs:
"O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão.

Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade." (Pd 3,9-11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

PELA GRAÇA DE DEUS, SOMOS SUA IGREJA VIVA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 2,13-22)(09/11/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, somos templos vivos de Deus por nossa obediência e nosso amor incondicional a Ele, como nos ensinou o Senhor Jesus: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada." (Jo 14,23). Vivamos, pois, em conformidade com essa sua Palavra.

Meditemos com amor e atenção este Pequeno Sermão de Cada Dia.

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da dedicação da Basílica do Latrão. Inicialmente foi uma festa exclusiva da cidade de Roma; mais tarde, estendeu-se à Igreja de Rito romano, com o fim de honrar a Basílica que é chamada “mãe e cabeça de todas as igrejas da Urbe e do Orbe e como sinal de amor e unidade para com a Cátedra de Pedro que, como escreveu Santo Inácio de Antioquia, “preside a assembleia universal da caridade”. (Liturgia das Horas).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa os vendilhões do templo: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” E quando questionado com que autoridade fazia isso, respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei”. Ou seja, ao mesmo tempo se revela como Templo de Deus.

O Papa Emérito, Bento XVI, comentando essa Festa disse: "O templo de tijolos é símbolo da Igreja viva, da comunidade cristã, que os Apóstolos Pedro e Paulo, em suas cartas, concebia como um "edifício espiritual", construído por Deus com as "pedras vivas" que são os cristãos, sobre o único fundamento que é Jesus Cristo, comparado por sua vez à "pedra angular".

Beleza e harmonia algumas igrejas, destinados a louvar a Deus, convidam também nós, seres humanos, limitados e pecadores, a nos convertermos para formar um "Templo", um edifício bem ordenado, em íntima comunhão com Jesus, que é o verdadeiro Santo dos Santos.  

Isto culmina na liturgia eucarística, na qual a "ecclesia", isto é, a comunidade dos batizados, se encontra unida para ouvir a Palavra de Deus e alimentar-se do Corpo e Sangue de Cristo. Em torno desta mesa dupla a Igreja de pedras vivas se constrói na verdade e na caridade e é moldada internamente pelo Espírito Santo transformando-se naquilo que recebe, conformando-se cada vez mais ao seu Senhor, Jesus Cristo.  

Ela mesma, se vive em unidade sincera e fraterna, torna-se assim um sacrifício espiritual agradável a Deus que quer construir no mundo um templo espiritual, uma comunidade que o adore em espírito e em verdade. (cf. Jo 4,23-24).  

Mas este aniversário lembra-nos também a importância dos edifícios materiais, nos quais as comunidades se reúnem para celebrar os louvores de Deus, pelo que cada comunidade tem o dever de guardar cuidadosamente os seus próprios edifícios sagrados, que constituem um precioso patrimônio religioso e histórico." (Bento XVI - Angelus, 9 de novembro de 2008).

Amados irmãos e amadas irmãs, reconhecer-se como templos vivos de Deus é se deixar conduzir pelo Espírito Santo; para não cair na tentação de fazer desse templo uma casa de comércio, porque esse não é o verdadeiro sentido do nosso ser e estar no mundo.

Destarte, escutemos o que São Paulo nos ensinou: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

SOMOS SERVOS INÚTEIS, CHEIOS DE GRAÇA E ALEGRIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,7-10)(08/11/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, "hoje o Senhor Jesus disse algo que pode não nos agradar, porque vai contra o nosso orgulho, nossa sensibilidade: nos diz para nos considerarmos servos inúteis. 

Mas na verdade isso é uma coisa muito bonita porque, de fato, se fazemos o que o Senhor nos diz, simplesmente fazemos o que corresponde à nossa identidade de servos, o que nos faz sentir bem, por cumprirmos a sua vontade, os seus desígnios." (Pe Frabrizio Centofanti).

Meditemos com amor e atenção este Pequeno Sermão.

Caríssimos, a liturgia de hoje nos lembra que nós batizados estamos a serviço do Reino de Deus para a conversão e a salvação de todos, quer pelo anúncio do Evangelho, quer pelo nosso testemunho de fé, quer ainda pela prática das obras de misericórdia, mas sempre com a certeza de esta obra salvífica é puro dom de Deus (cf. Ef 2,8-10). 

Por isso, depois de fazermos tudo o que nos foi ordenado digamos, como o Senhor nos recomendou: "somos servos inúteis nada fizemos além do que devíamos fazer." Ou seja, os méritos são todos da sua graça que atua em nossas almas para realizarmos a sua Santa Vontade.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "Ir, dar frutos e permanecer. Este é o chamado a que não podemos escapar quando encontramos o Senhor e se nos deixamos conquistar pelo seu Evangelho.

É claro que Jesus não disse aos discípulos que eles iriam ver os frutos do seu trabalho de imediato. Ele apenas lhes assegurou que os frutos permaneceriam. Esta promessa também se aplica a nós. 

É humano pensar que depois de tanto trabalho gostaríamos de ver o fruto do nosso trabalho; no entanto, o Evangelho nos impulsiona noutra direção. De fato, Jesus não fez uma desfeita aos seus discípulos quando falou da radicalidade com que o devemos seguir. Ele disse-lhes: "Quando tiverem feito tudo o que vos foi ordenado, digam: 'Somos servos inúteis. Fizemos o que tínhamos de fazer." (Lc 17,10).

Contudo, se o nosso esforço para proclamar o Evangelho for total e nos encontrar sempre prontos, então a perspectiva muda. E isto é recordado noutra parábola, quando Jesus diz: "Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á." (Lc 12,37). 

Desse modo, tocamos com as nossas próprias mãos como é grande e infinito o amor de Deus por nós! Se formos fiéis e vigilantes, então, Ele também nos permite ver os frutos do nosso trabalho."

Amados irmãos e amadas irmãs, tudo o que somos e temos nos foram dados pela benevolência divina, é por isso que quando partimos deste mundo levamos conosco os bens eternos que aqui cultivamos e que nos acompanham como frutos de uma vida irrepreensível repleta de virtudes.

Peçamos ao Senhor Jesus a graça de servi-lo sempre com disponibilidade e amor na certeza de que é com o auxílio do Espírito Santo que o servimos. Amém! assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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